sábado, 9 de junho de 2012

027 - “…aceitas namorar comigo?”

Mariana

Com o passar dos dias a certeza que quero o Ruben só para mim tem vindo a aumentar de uma forma inexplicável, é de tal ordem que senti a sua falta nos dois dias que teve ausente devido ao jogo, uma vez que o Braga este fim-de-semana jogou em Olhão e por isso desde sexta que não o vejo.
Como sabia que vinha cansado do jogo e da viagem resolvi passar o dia de domingo com o meu irmão, acordamos cedo e fomos dar um passeio pelo parque para terminarmos a almoçar pizza no centro comercial, foi quando já andava à procura de uns ténis para o meu irmão que o Martim viu um amigo, pediu para ir falar com o menino e acabou por ser convidado a passar o resto da tarde na casa do seu colega para brincarem, não lhe consegui negar isso mas ficou combinado que o iria buscar antes do jantar.
Uma vez que estava sem o Martim fui direta à casa do Ruben, queria estar com ele e sabia que se encontrava de folga mas infelizmente não estava, por isso rumei até à casa do Nuno e da Patrícia, entrei e encontrei a D. Joana, cumprimentei-a e fiquei a saber que os patrões estavam no jardim, fui até lá e assim que pisei a relva vi quem queria, o Ruben estava tal como o Nuno e a Patrícia deitado ao sol, aproximei-me e não resisti em mandar a piada o que fez eles olharem imediatamente mas confesso que os únicos olhos que procurei fui os do Ruben.
Após trocar algumas palavras com os nossos amigos acabei por colocar o “pé na argola” quando numa picardia com o Ruben toquei num assunto que não devia, afinal não gosta que se brinque com a lesão que teve e com toda a razão. Por saber que ficou incomodado preferi afastar-me durante uns minutos para lhe dar tempo de acalmar e quando regressei à toalha pedi-lhe desculpas, algo que aceitou para meu alívio.
Estávamos perdidos a olhar um para o outro quando o Nuninho chamou por mim, acabei por sentar-me na toalha com o menino ao meu colo, dediquei os minutos seguintes ao meu pequenino e foi quando estávamos na brincadeira que a Patrícia interrompeu o momento para lhe ir dar o lanche.
- Estás a olhar-me assim porquê? - o Ruben perguntou assim que o Nuno se afastou.
- Tenho saudades tuas - sorriu com o meu desabafo.
- Então agora podes matá-las - sorri - também tenho saudades de te ver, de estar assim contigo - falou perto dos meus lábios - de te beijar, de olhar para ti e ver esse brilho no teu olhar - não resisti à proximidade dos nossos rostos e beijei-o demoradamente mesmo correndo o risco de sermos apanhados pelos nossos amigos
- Logo queres jantar comigo? - perguntou-me.
- Tem mesmo que ser hoje?
- Quero estar contigo.
- Ruben, tenho que ir buscar o Martim à casa do amigo antes do jantar.
- Tudo bem.
- Vais ficar aborrecido comigo?
- Não mas queria estar contigo - suspirei.
- Estou cansada, além disso tenho o Nuninho e o Martim.
- Mas sempre tens que jantar e podíamos fazê-lo juntos - olhou-me - o Martim pode fazer-nos companhia e quanto ao Nuninho sabes bem que não será problema.
- Ok, aceito - sorriu - mas ficas a saber que a gata borralheira regressa a casa cedo porque o Martim amanhã tem aulas - gargalhou o que despertou a curiosidade ao Nuno e à Patrícia que já brincavam com o filho no jardim - achas que eles desconfiam? - perguntei depois de vê-los a olharem como quem não quer.
- Mariana, eles não desconfiam, eles têm a certeza apesar de continuarmos a negar, tanto o Nuno como a Patrícia não param de mandar piadas sempre que apanham-me sozinho.
- E a tua mãe?
- O que tem?
- Ela sabe?
- Sabe que gosto e que já admiti isso para ti mas que estamos juntos não - olhei-a - porquê?
- Curiosidade.
Continuamos a falar e as horas passaram sem que desse por isso, só despertei para a realidade quando a Patrícia veio perguntar se o Ruben ficava para jantar e quando ia para responder fi-lo pelos dois.
- Não contes connosco para jantar - olhou-me.
- Vão jantar juntos, é? - sorriu.
- Sim - respondi serenamente - afinal estou livre que nem passarinho por isso tenho que aproveitar - o Ruben olhou-me estupefacto.
- Quem é que está livre e vai aproveitar? - o Nuno que entretanto se aproximou meteu-se na conversa.
- Sou eu porquê? Não posso, queres ver?
- Podes, podes mas explica lá esse livre que nem passarinho e o aproveitar - pediu a olhar para mim e a rir.
- O livre que nem passarinho deve-se ao facto de estar de folga - eles sorriram - o aproveitar é porque também sou gente e gosto de divertir-me apesar de às vezes não parecer.
- Então aproveita - a Patrícia sorriu - e torra à vontade a paciência aí ao Ruben que é o mínimo que ele pode fazer depois de teres andado tanto tempo a ouvi-lo.
- Deixa cá se fazem cá se pagam por isso é a vez de ele aturar-me - o Ruben sorriu - e por falar nisso vou despachar-me que ainda tenho de ir buscar o Martim.
Levantei-me e desapareci da frente deles, fui tomar um duche rápido e quando regressei ao quarto tinha a Patrícia à minha espera.
- Precisas de alguma coisa?
- Mariana, tu e o Ruben - sorriu.
- O que tem?
- Vocês - sorri.
- Somos amigos.
- Amigos? Até quando é que vocês vão insistir nessa? Mariana, ele faz aquela cena de ciúmes, mal se falam durante as semanas seguintes, resolve surpreender-te com uma viagem a Paris, regressam ambos misteriosos, pedes quinze dias de férias que não foi mais do que para afastares-te, o Ruben durante este tempo andou completamente distraído e estranho, regressas no mesmo dia que ele e coincidência ou não vinham os dois extremamente bem-dispostos, desde esse dia que é frequente ver-vos aos cochichos e enquanto não conseguem ficar a sós não sossegam, estás de folga e há primeira oportunidade que tens despachas o teu irmão e regressas a casa, deitas-te na toalha dele sem qualquer problema e agora vais jantar com o Ruben, queres mesmo que acredite que é só amizade?
Não respondi, encolhi os ombros e acabei de vestir-me, saindo logo depois com a Patrícia atrás de mim.
- Então vamos? - falei assim que entrei na sala, o Ruben estava na brincadeira com o afilhado e por isso quando viu-me ficou embasbacado a olhar-me o que serviu para a Patrícia falar. 
- E depois não tenho razão - ripostou ao sentar-se do lado do Nuno.
O Ruben levantou-se e deixou o Nuninho ao colo do pai aproximou-se de mim fazendo sinal para passar, algo que fiz e quando já íamos a sair da sala ouvimos a Patrícia a chamar-nos.
- Meninos - olhamos - juízo - gargalhei ao ouvi-la.
- Sempre mãezinha - ripostei o que provocou a gargalhada geral.
Eles já não responderam até porque saímos e foi quando já estávamos dentro do carro que voltei a falar.
- Não achas que estás a esquecer-te de alguma coisa? - olhou-me.
- Estou? - fez-se de desentendido o que levou-me a sorrir para logo depois puxá-lo para mim, beijando-o demoradamente.
- Finalmente a sós - sorriu com o meu desabafo.
- Mariana, vamos já buscar o teu irmão ou queres ir comprar primeiro o jantar, sim porque hoje não te vais enfiar na cozinha.
- A ideia de não ir enfiar-me na cozinha agrada - sorri - por isso vamos passar pela tua casa, tomas um duche rápido e mudas de roupa - olhou-me - para irmos buscar o Martim e depois vamos jantar a um lado qualquer?
- Queres? - perguntou a sorrir pois não esperava tal proposta.
- Desde que te comportes com juízo não vejo mal nenhum em irmos jantar os três a um restaurante.
- Ok, os seus desejos são ordens - gargalhei.
Depois de o Ruben aceitar a minha proposta seguimos para a sua casa e assim que parou o carro apressei-me a sair do mesmo, algo que também fez e mal conseguiu agarrou-me pela cintura juntando assim os nossos corpos, o Ruben olhou-me de uma forma intensa que deixou-me com aquela sensação de ter borboletas na barriga, então quando uniu as nossas bocas num beijo carregado de desejo deixou-me completamente a levitar, foi numa troca de beijos intensos que entramos em casa dele e quando dei conta já estava deitada no sofá e com o seu corpo sobre o meu, deixamo-nos ficar a namorar até que o Ruben afastou-se repentinamente deixando-me a olhar.
- É melhor ir tomar banho - sorriu - antes que isto descambe.
- Não te demores que tenho fome - ele gargalhou mas já não respondeu.
Acabei por ir até ao jardim e inevitavelmente dei comigo a pensar na decisão que tinha tomado e que o Ruben ainda não sabia mas que iria deixá-lo radiante, afinal decidi arriscar e aproveitar a oportunidade para ser feliz, era nisso que pensava quando senti os seus braços em volta do meu corpo.
- Linda, tens algum restaurante em mente? - perguntou assim que descolamos os nossos lábios.
- Vamos até ao centro histórico.
- Tens a certeza?
- Sim mas se quiseres ir a outro sítio é na boa.
- Não é isso - olhei-o - mas o centro deve estar concorrido afinal é verão e a malta sai mais de casa.
- Mas apetece-me ir bater perna pelo centro da cidade - ele sorriu.
- Por mim vamos mas se formos incomodados depois não te queixes - avisou-me.
- Prometo que não refilo se prometeres que te comportas.
- Isso quer dizer que nem um beijinho posso dar-te?
- Beijinhos só em casa além disso o Martim vai estar connosco.
- Ainda estamos a tempo de encomendar o jantar - falou imediatamente.
- Ruben, hoje apetece-me mesmo ir passear pelo centro da cidade, podemos ir jantar, damos uma volta e depois regressamos aqui no fim de deixar o Martim a dormir.
- Não te esqueças do que acabaste de dizer principalmente da última parte - ele sorriu.
- Fica descansado que hoje tenho a noite toda por tua conta.
- Isso de teres a noite toda por minha conta agrada-me.
- Agrada, não agrada? Mas ficas já avisado que há limites que não pretendo ultrapassar.
- Mariana não estava a pensar nisso - olhou-me - se tivesse com essa intenção não tinha ido tomar banho quando estávamos os dois deitados no sofá ou achas que afastei-me de ti porque estava com pressa para ir jantar? Não quero pressionar-te a nada mas isso não é sinónimo que para mim seja fácil estar contigo e não te amar na plenitude no entanto posso e quero esperar por ti porque o sentimento que tenho é verdadeiro.
Não consegui responder algo que deve ter percebido e por isso arrastou-me até ao carro, da casa dele fomos buscar o Martim que adorou a ideia de ir jantar com o Ruben e depois seguimos para o centro histórico, estacionou e saímos, caminhamos lado a lado à procura de um restaurante que nos agradasse e foi quando passei diante de um que parei.
- Que foi?
- Já sei onde vamos.
- Ai sim? E a minha opinião não conta?
- Sei que vais gostar e até vais estranhar mas é mesmo neste - apontei para o restaurante e como já esperava ouvi-o a gargalhar.
- Tens a certeza?
- Tenho.
- É caso para dizer que provaste e não mais vais parar de comer - gargalhei.
- A culpa é tua que quase obrigaste-me a comer sushi.
- Mariana, achas que o Martim vai jantar? - olhei para o meu piolho e depois para o Ruben que sorria como quem diz “tenho razão”.
- Ok, tens razão é melhor escolhermos outra coisa.
Acabamos por escolher um restaurante de comida típica da região, o Martim embirrou que queria ficar do lado do Ruben e por isso foi ele que ajudou o meu piolho a cortar a carne, estava a observá-lo enternecida quando o meu irmão olhou e não perdeu tempo em perguntar o porquê que estava a sorrir.
- A mana está contente, é só isso.
- Porquê que tas contente? - o Ruben sorriu disfarçadamente.
- Então estou a jantar contigo e com o Ruben - o meu irmão interrompeu-me.
- Mana tu e o Ruben - olhamos os dois para o puto - agora tão sempre juntos.
- Qual é o mal?
- É estranho, parece que são namorados - desviei o olhar para o Ruben e encontrei-o a sorrir.
- Irias gostar se isso fosse verdade?
- Não sei - respondeu depois de uns segundos de hesitação - mas acho que não - não esperava ouvir tal coisa.
- Porquê?
- Ó mana porque não quero ter que dividir os teus miminhos com outro rapaz.
- Porquê que mudaste de opinião? Já várias vezes falaste que gostavas de ver a mana aos beijinhos - tentei perceber o verdadeiro motivo pelo qual o Martim estava contra a um possível namoro.
- Isso foi antes de perceber que se tiveres um namorado vais deixar de ter tempo para mim - o Ruben estava a olhar-me talvez a tentar perceber o quanto as palavras do Martim poderiam alterar alguma coisa naquilo que já tínhamos.
- Amor, anda cá - pedi e por isso o menino veio sentar-se ao meu colo - a mana vai ter sempre tempo para ti mesmo que namore - ele interrompeu-me.
- Mas tens namorado?
- Não - percebi que a minha resposta afectou o Ruben mas a verdade é que não namoramos.
- Então não quero ouvir mais nada - o Martim olhou-me - e se gostas mesmo de mim não quero que namores - gelei ao ouvi-lo - és só minha - agarrou-se ao meu pescoço e depois de ouvi-lo não consegui dizer nada, olhei o Ruben e encontrei-o triste ainda assim teve um gesto que não esperava, ele esticou o braço em cima da mesa e agarrou na minha mão para gesticular com os lábios um pedido de calma.
Não toquei mais no assunto durante o jantar e apesar do desconforto que a conversa provocou no Ruben, ele não se coibiu de dar atenção e mimo ao Martim que já estava sentado do seu lado, o que até certo ponto tranquilizou-me e por isso consegui jantar. No final o Ruben pagou, ainda tentei dividir a conta mas ele argumentou que quem convida paga e só por isso fiz-lhe a vontade, acabamos por andar um pouco a pé até nos sentamos num banco de um jardim.
- Cada vez gosto mais de Braga - confessei calmamente ao ver o Martim entretido a dar pontapés numa pequena pedra que encontrou.
- Posso saber porquê? - murmurou ao colocar o seu braço por cima dos meus ombros.
- Porque foi a cidade que acolheu-me e onde a minha vida conheceu um novo rumo - olhei-o com uma vontade enorme de beijá-lo.
- Esse novo rumo inclui-me? - a pergunta dele surpreendeu-me, talvez porque a conversa que tive com o Martim ao jantar estava bem presente na minha memória, ainda assim respondi.
- Talvez sim, talvez não a seu tempo iremos descobrir.
- Tinhas mesmo que dar uma resposta tão vaga?
- Queres que diga o quê? Não adivinho o futuro.
- Sabes que sem presente não há futuro - olhou-me - por isso deixa o futuro e responde se no presente faço parte desse novo rumo que deste à tua vida - queria responder mas achei melhor não o fazer por palavras, olhei em volta e ao perceber que estávamos sozinhos mas principalmente por o Martim estar completamente distraído beijei-o ainda que quase de fugida.
- Chega-te como resposta? - ele sorriu.
- Por enquanto sim - olhou-me - mas vou querer muito mais.
Não respondi até porque o Martim veio sentar-se no meu colo e ao dizer que estava com frio pedi ao Ruben para nos levar a casa, ele concordou e por isso caminhamos até ao seu carro. A viagem até à casa do Nuno foi feita num silêncio agonizante ainda assim convidei-o a entrar, queria falar com o Ruben sobre o que o Martim disse e não estava disposta a adiar por uma noite.

***

Entrei em casa e fui deitar o meu irmão, estava cansado e por isso aproveitei para o convencer a ir dormir, esperei que adormecesse para regressar à sala, onde encontrei o Nuno à conversa com o Ruben, sentei-me do seu lado à espera da minha oportunidade para esclarecer com ele a revelação feita pelo meu irmão.
Os minutos passaram e o Nuno acabou por se despedir de nós uma vez que se iria deitar, agradeci mentalmente e após ficarmos a sós respirei profundamente para logo de seguida procurar o conforto dos seus braços, o Ruben não negou e por isso nos minutos seguintes ficámos ambos calados simplesmente a olharmo-nos.
- Mariana, não queres ir até ao jardim? - achei estranho o seu pedido mas concordei.
- O que se passa? - perguntei ao perceber que após uns minutos a olharmos para o céu o Ruben observava-me de uma forma estranha.
- Foi aqui - olhei-o intrigada - que encontraste-me deitado e que pela primeira vez permitiste que conhecesse um pouco da verdadeira Mariana - sorri ao ouvi-lo - foi aqui que querendo ou não demos o primeiro passo para o início de uma amizade verdadeira que acabou por evoluir para algo mais sem que déssemos conta - olhava-o na expectativa de saber o que iria dizer - e foi numa noite em que o céu estava estrelado que tudo começou, que pela primeira vez tentei dizer-te o quanto gosto de ti, por isso é aqui que quero - olhou-me nos olhos - pedir-te em namoro - não consegui reagir algo que fez com que continuasse - Mariana não consigo continuar a negar aquilo que sinto, prometi dar-te todo o tempo que precisas mas posso fazer isso como teu namorado, afinal o namoro serve para isso mesmo para nos conhecermos, para partilharmos o dia-a-dia, para nos apoiarmos um no outro e é isso que quero - continuava muda a olhá-lo - Mariana gosto mesmo de ti, quero e muito que este sentimento que nos une se torne num amor verdadeiro e forte por isso não fujas, podemos ir com toda a calma que quiseres mas deixa-me ficar do teu lado, aceitas namorar comigo?
Não consegui responder, o pedido apanhou-me completamente desprevenida, apesar de ter decido que não iria fugir nunca pensei que o Ruben quisesse oficializar algo desta forma, ainda para mais depois de ouvir o Martim a dizer que não quer que namore e isso assustou-me por muito que quisesse gritar que sim houve uma parte de mim que não deixou, acabei por afastar-me mesmo sabendo que isso o iria magoar mas precisei de uns minutos a sós, algo que deve ter entendido porque respeitou-os.
Já estava há demasiado tempo sentada na relva a olhar não sei para onde quando o vi a aproximar-se, o Ruben sentou-se ao meu lado e fez com que olhasse para ele.
- Não vou ficar chateado se não quiseres mas responde por favor - olhei-o - linda só não quero afastar-me de ti, senão puder chamar-te de minha namorada também não vem mal ao mundo - sorri com o que disse e sem que tivesse à espera beijei-o.
- Ruben, quero estar contigo mas não vamos apelidar de namoro algo que ainda é tão recente.
- Qual é o mal da palavra? Sim porque é isso que está em causa, podes não considerar que o que temos seja um namoro mas para mim vai ser.
- Chama-lhe o que quiseres - olhou-me - mas promete-me que vamos com calma, que não iremos divulgar isto a ninguém, muito menos ao Martim.
- Não é por aceitares o meu pedido de namoro que temos de divulgar o que quer que seja.
Não respondi até porque o Ruben uniu novamente os nossos lábios e sem que desse muito bem conta disso já estávamos os dois deitados na relva, comigo sobre o seu corpo ou não fosse tê-lo empurrado e feito com que caísse de costas, ficamos naquela posição alguns minutos a trocar beijos mas acabei por rodar o meu corpo até encontrar a relva, ficamos lado a lado a olhar as estrelas até que o Ruben virou-se de lado encarando-me.

Ruben

Depois de ficar a saber que o Martim não quer que a irmã namore um receio de perdê-la consumiu-me por dentro, ainda assim tentei disfarçar, não queria que ela se sentisse mal pelas palavras do irmão mas depois de ter-me beijado em pleno centro histórico de Braga acabei por tomar uma decisão, por isso mesmo quando a Mariana pediu para os levar a casa não hesitei um segundo que fosse e menos ainda quando perguntou se queria entrar.
Concordei e por isso fiquei na sala à conversa com o Nuno enquanto foi adormecer o irmão, quando regressou sentou-se do meu lado mas só quando o nosso amigo se foi deitar é que voltei a sentir os seus braços em volta do meu corpo, ficamos uns minutos na sala que serviram para ganhar coragem e pedir que fosse comigo até ao jardim, queria pedi-la em namoro e para tal escolhi um local que nos diz muito, especialmente a mim afinal foi naquele espaço que a Mariana cedeu pela primeira vez quando viu-me triste e que depois disso tudo mudou.
Acabei por fazer o pedido, mesmo depois de ter tido que lhe iria dar todo o tempo que precisasse e de ter ouvido o Martim a dizer que não quer que namore. A Mariana não respondeu, preferiu afastar-se e por momentos a dúvida que tivesse feito asneira passou pelo meu pensamento ainda assim não desisti e fui falar com a Mariana, após umas palavras provou ao beijar-me que não tinha ficado aborrecida comigo no entanto não respondeu de forma direta ao pedido de namoro mas também não insisti.
Acabamos deitados na relva a namorar e depois de uma troca de beijos a Mariana acabou por ficar simplesmente a olhar as estrelas, estava a olhá-la quando ouvi a sua voz.
- Pergunta lá o que queres saber - desviou o olhar.
- Como é que sabes que quero perguntar alguma coisa?
- Já te vou conhecendo - sorriu - por isso desembucha.
- Não queres mesmo contar ao teu irmão que estamos juntos?
- Não - respondeu prontamente.
- Porquê?
- Porque não quero.
- É por não teres certezas do que sentes por mim ou pelo que o Martim falou ao jantar?
- Tens razão não sei mesmo o que sinto por ti - falou a olhar-me - sabes porquê? - não deu tempo para que respondesse - porque cada vez que estou contigo a sensação que tenho é que o que quer que nos une está mais forte e se queres saber nunca senti algo assim por ninguém - olhava-a atentamente - mas se não consegues respeitar o meu tempo não posso obrigar-te - calei-a com um beijo e ao contrário do que esperava ela não interrompeu muito pelo contrário deixou-se envolver completamente no momento e só voltou a falar quando descolamos os nossos lábios - Ruben, entende que esta vontade louca que tenho de saltar para o teu colo, de beijar-te, de esquecer tudo o que está em jogo e simplesmente viver é novidade para mim, nunca senti isto antes e está a dar comigo em doida.
- A isso chama-se amar alguém.
- Não deixa de ser estranho - sorri ao ouvi-la.
- Mariana, concordei em irmos com calma e não mudei de opinião mas isso não invalida que o teu irmão não possa saber, além disso como queres esconder o nosso namoro dele se quando estamos juntos é inevitável não nos olharmos, não nos tocarmos, não nos desejarmos, Mariana é só uma criança mas vai acabar por perceber, sempre tiveste em conta a sua opinião porquê que agora é diferente?
- Desde quando é que preciso de opinião de um puto de sete anos para fazer aquilo que quero? - sorri
- E o que queres fazer? - perguntei em tom de desafio.
- O problema não é o que quero fazer mas sim se o devo fazer.
- Estás a falar do quê?
- De nada, esquece.
- Não mudes de assunto porque estava a gostar de te ouvir.
- Ruben Filipe - sorri ao ouvi-la - não sei no que estás a pensar mas o que quis dizer é que não sei se devemos contar.
- Essa decisão terá que ser sempre tua mas mais cedo ou mais tarde vai descobrir, afinal estamos juntos e não faço intenções de afastar-me de ti por isso não vai dar para andares a fugir a vida inteira.
- Sei disso - suspirou - mas agora também não quero pensar mais nisso, depois do que falou hoje, vou ter que ter muita calma e prepará-lo antes de lhe dar a notícia, por isso se queres ouvir-me um dia a chamar-te de meu namorado - sorri ao ouvi-la - vais ter que dar tempo, a mim e ao Martim.
Concordei em dar-lhe esse tempo até porque sei que tem razão, o menino vai mesmo ter que ser preparado para a notícia, porque se a damos sem estar à espera irá reagir mal. Ficamos a namorar ainda deitados na relva e confesso que no meio de tanto beijo acabei por entusiasmar-me, levando a mão à sua perna que por se encontrar de vestido permitiu palmilhasse a distância do seu joelho até quase à coxa mas a Mariana afastou-se imediatamente, ela interrompeu o beijo e depois levantou-se assim que desviei o meu tronco do dela.
- Desculpa não queria que ficasse incomodada.
- Não fiquei, só acho que é cedo para isso - sorri ao ouvi-la - estás a rir porquê?
- Porque não passou pela cabeça envolver-me fisicamente contigo.
- Ruben, ambos sabemos onde uma troca de carinhos mais intensa pode levar-nos, até podes não ter feito isso com a intenção de dormires comigo mas não podes negar que normalmente começa sempre por uma mão mais atrevida e acaba com uma entrega total - voltei a sorrir - só que ainda não estou preparada para isso.
- Mariana será que agora que estamos juntos podes responder à pergunta que te fiz em tempos? - olhou-me.
- Queres saber se sou virgem, é isso?
- Sim, é - admiti a olhá-la nos olhos e por isso encontrei-a a sorrir.

Será que a Mariana responde?


Desculpem a demora em publicar mas nestes dois dias foi impossível vir aqui, tal como durante a próxima semana será complicado no entanto tentarei arranjar um tempinho para vos deixar aqui um capítulo.

Aproveito para vos agradecer pelo apoio e incentivo :D

Beijocas :)

Caty

8 comentários:

  1. Lindo, maravilhoso, mas estes dois vão ter um osso duro de roer que se chama Martim. Amigos sim mas namorados nem pensar, já tou a imaginar o Ruru a ver a vidinha dele a andar para trás.
    Adorei como sempre, o Ruben foi um cavalheiro, com pedido de namoro e tudo... este homem é um romântico, tá a revelar-se uma verdadeira caixinha de surpresas.
    Quanto à pergunta, já sabes qual é a minha opinião, mas acho que desta ela responde, vamos ver se acerto.
    Continua

    Beijocas

    Fernanda

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  2. Isto não se pode acabar assim pá, agora tou para aqi a imaginar o qe é qe ela pode ter dito... quero saber isso rápido!
    Agora, qe o Martim tem de se preparar para a grande notícia tem e a ver se realmente ele a recebe bem :)
    Beijinhoo

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  3. Adorei
    Mas preciso com urgencia de mais

    Bjokinhas
    Mariaa

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  4. Gostei muito .. :) Muito fofinho ..
    Mas cheira-me que o Martim ainda vai dar problemas ao casalinho -.- e a Mariana que lhe dá em ir fugindo ..
    Fico a espera do próximo :) Rápidinho :D
    Beijinho linda

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  5. Olá :)
    Nossa que biolência xD
    Estava fenomenal!Agora acabar a ssim é que não é nada fenomenal! xD
    Quero o próximo e muito rápido:P
    beijinhos
    Rita
    http://letitbe-5.blogspot.pt/

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  6. Ola

    Bem rapariga, isto não se faz , qualquer dia ainda me dá alguma coisa má por terminares os capitulos assim :)


    Adoreii , está perfeitooo :D


    Quero saber a resposta da Mariana :p


    E o Martin têm de entender que a mana chega para ele e para o Ruben :)


    Beijinhos


    Anne M

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  7. Lindo, lindo ;)
    Agora só me falta que o puto não facilite as coisas... e ainda não é desta que sabemos a resposta de Mariana.
    Quero mais.
    Beijinhos linda.

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  8. magnifico...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...continua...

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