sábado, 29 de junho de 2013

069 - "Mariana ou compras tu o teste ou compro eu..."

Olá :)

Obrigada por terem comentado assim tive uma melhor noção se estão a acompanhar a história e por isso mesmo deixo-vos um novo capítulo... espero que gostem e que continuem a comentar, é que confesso que tenho andado inspirada e por isso tenho alguns capítulos escritos...

Beijocas e boa leitura :P

Mariana
Ouvir o desabafo do Ruben tocou-me de uma forma inexplicável, talvez porque não contava que fosse tão profundo, o que é certo é que senti cada palavra que ouvia e no fim não consegui falar nada, por muito que quisesse parecia que tudo o que poderia dizer perante o que tinha acabado de ouvir seria insuficiente para expressar a montanha russa que sentimentos que ia dentro de mim, parece estúpido mas senti ainda mais o amor que o Ruben tem por mim do que se ele o tivesse expressado por atos, o prazer físico faz falta e não o nego, posso tê-lo descoberto tardiamente mas já não passo sem sexo, sim não deixa de ser sexo, apenas é sexo com sentimento, mas o amor expresso por palavras é ainda mais belo, pelo menos quando sabemos que a outra pessoa está a sentir cada palavra do que fala verdadeiramente.
Posso não ter reagido de imediato mas acabei por compensar o Ruben durante o resto do dia, pedi à Madalena que ficasse com o Martim e dediquei o meu tempo só ao Ruben.

Ruben
Acordei sozinho mas percebi que a Mariana estava na casa de banho, deixei-me ficar na cama e quando o meu amor saiu percebi que ainda não foi este mês que consegui engravida-la, afinal vê-la a chorar depois de ir à casa de banho, nestes últimos meses, é sinónimo que lhe apareceu a menstruação.
Tentei aproximar-me dela mas como esperava fui de imediato afastado, é assim ultimamente, os dias seguintes ao que descobre que ainda não engravidou mal lhe consigo tocar. Se ao início não valorizei muito esta situação, não porque estou borrifando mas sim porque se lhe começo a dar muita importância sei que a Mariana irá ainda mais a baixo, agora começo a ficar preocupado principalmente por vê-la tão abatida nos dias a seguir.
***
Como esperava estes dias que passaram foram um pesadelo mas felizmente a Mariana começou a reagir e hoje já acordou mais animada, tanto que foi dela a iniciativa de prolongar ao máximo os mimos que estávamos a dar um ao outro, que só foram interrompidos pelo Martim que depois de darmos autorização entrou no quarto e deitou-se no meio de nós, ficamos os minutos seguintes na brincadeira com o menino para terminarmos por nos levantar para comer.
- Porquê que tenho de ir dormir outra vez na casa da avó Bela? – o Martim questionou quando lhe perguntei se queria – o pai agora só quer sair com a mana... – falou com um ar de desolado que me partiu o coração em dois.
- Oh lindo – puxei-o para o meu colo – desculpa – o menino olhou-me – sei que nestes últimos dias tenho andado a pedir muito que fiques na casa da minha mãe ou na do Mauro mas estes dias são datas importantes para mim e para a Mariana – ele interrompeu-me
- É? Porquê? – sorri
- Martim lembraste em que altura é que contamos que namorávamos?
- Não – respondeu com algum receio, talvez com medo que ficasse chateado – sei que foi depois da escola começar mas não me lembro quando – voltei a sorrir
- Sim, foi depois de teres começado as aulas, faz para o mês que vem um ano, foi em outubro que te contamos mas tudo começou antes – o menino olhava-me com um sorriso lindo no rosto, de fato tem a capacidade de desarmar-me com uma facilidade tremenda – e hoje faz um ano que pedi a tua mana em namoro...
- Assim como se vê nos filmes? – gargalhei perante o entusiasmo do meu pequenino
- Mais ou menos – fiz-lhe algumas cócegas
- Mas pai se hoje faz um ano o que fazia a semana passada quando pediste para eu dormir na casa do teu mano?
- Ah...
- Tou à espera! – voltei a rir
- A semana passada fez um ano que a tua mana admitiu que também gostava de mim e que nos beijamos pela primeira vez...
- Mas tu deste um beijinho à mana antes dela ser tua namorada? – perguntou-me chocado o que fez com que risse novamente
- Martim quando pedi a Mariana em namoro fi-lo de forma espontânea, foi algo que saiu no momento, não planeei, simplesmente senti que o devia fazer, que talvez para a tua mana fosse importante viver esse momento, porque a verdade é que para mim já eramos namorados, mesmo sem a típica pergunta, quando nos beijamos, foi mesmo para assinalar esse dia...
- Não percebo... como é que eram namorados se não tinhas pedido à minha mana para ser tua namorada!
- Porque nós já tínhamos conversado bastante sobre o que sentíamos e se nos beijamos antes de a pedir em namoro foi porque não quis forçar nada, lindo a tua mana precisou de tempo para decidir o que queria fazer e só a pedi em namoro quando percebi que já tinha entendido que não estava a brincar com ela quando lhe falei o quanto gostava da Mariana...
- Ohh as mulheres são complicadas... acho que já não quero namorada – fez cara de enjoado e por isso tive que controlar a vontade louca que tive em gargalhar – só servem para dar trabalho!
- Sabes uma coisa?! Daqui a uns anos falamos... mas agora que já te contei o porquê que estes dias tenho preferido fazer uns programas especiais só com a tua mana, ainda continuas chateado?
- Não tava chateado só não tinha percebido o porquê que estavam a deixar-me sozinho – voltei a sentir-me pequenino, a última coisa que pretendia era que o Martim se sentisse rejeitado – mas agora já percebi... queres dar miminhos especiais à mana porque estes dias todos são especiais, né? – afirmei com um ligeiro aceno de cabeça – é como o dia dos nossos anos, né? – gargalhei com a comparação que fez.
- Sim... é parecido! São datas especiais e como tal gosto de as comemorar.
- E onde vais levar a mana?
Acabei por lhe contar os planos e no fim o menino fez-me um pedido que derreteu-me completamente.
- Eu fico na casa da avó mas eu quero que seja o pai a ir comigo às compras para coisas da escola, é que é a primeira vez que tenho um pai para fazer isso comigo – o Martim abraçou-me e tive que controlar-me para não deixar fugir as lágrimas – ah e quero que sejas tu a ir-me levar à escola nova quando começar.
- Tudo o que quiseres – o menino deixou a sua cabeça apoiada no meu pescoço e nos minutos seguintes mimei-o tanto que quando reparei já tinha adormecido.

Mariana
Os meus dois amores depois do pequeno-almoço foram até à sala enquanto arrumei a cozinha e quando fui ter com eles percebi que conversavam, sei que não se faz mas fiquei a ouvir, o Ruben explicou ao Martim o porquê de andarmos a fazer programas a dois e confesso que babei completamente ao assistir a tal cena, mas o que comoveu foi o momento que o menino pediu ao Ruben para ir comprar o material escolar com ele, bem como para o levar à escola no seu primeiro dia de aulas.
Os minutos seguintes foram para o Ruben dar mimo ao meu irmão, deu tanto que o Martim acabou por adormecer ao seu colo.
- Deita-o no sofá! – falei ao entrar na sala
- Deixa-o... está a dormir tão bem!
- Ok...
Fiquei a ver um pouco de televisão com o Ruben mas depois fui fazer o almoço, comemos os três numa animação tremenda e no final fomos passear um pouco, passeio esse que terminou na casa da Anabela onde o Martim ficou sem refilar.
O resto do dia e da noite foi dedicado inteiramente ao Ruben. Já os dias seguintes foram repartidos entre os meus dois amores e serviram para rir bastante ou não fosse o momento das compras do material escolar do Martim terem sido a comédia, pareciam dois autênticos putos, não sei qual dos dois o pior no momento da escolha dos cadernos, lápis e afins. Mas se a compra já foi cómica então o preparar o material nem se fala, desta vez o Martim não me deixou fazer nada, ou seja sobrou para o Ruben que teve que identificar o material todo incluindo livros do Martim, resumindo foram uns serões engraçados.
***
Com o meu regresso ao trabalho na casa do Nuno e como os meus horários eram piores que os do Ruben na maioria dos dias, acordamos que quem ficaria encarregue de levar e buscar o Martim à escola seria o Ruben.
Hoje foi o primeiro dia de aulas e por isso pensei que iria encontrar o Martim menos animado mas isso não se verificou, uma vez que o menino assim que me viu quis contar as novidades todas, algo que foi possível de imediato porque o Ruben avisou que faria o jantar.

Ruben
O primeiro dia de aulas do Martim chegou e como tal fui levá-lo à escola, o nosso piolho estava todo contente por ir comigo. Fiz questão de o acompanhar até à porta da sala de aulas uma vez que o menino ainda não conhecia as instalações, despedi-me do meu pequeno e segui para o treino, não sem antes cruzar-me com alguém que não esperava e que por isso deixou-me apreensivo...

Mariana
Jantamos e no final ajudei o meu amor a arrumar a loiça para depois nos sentarmos um pouco com o Martim, que acabou por ter que se deitar e foi o Ruben que foi com ele. Estava no quarto a vestir o pijama quando o Ruben entrou.
- Amor... – notei algum receio na voz dele – temos um problema...
- O que se passa? – o Ruben sentou-se na cama puxando-me para o seu colo.
- Quando fui levar o menino à escola – o Ruben estava nitidamente a escolher as palavras – percebi que escolhemos a escola onde está a filha do Paulo – ouvir o nome do empresário do Ruben foi como se me dessem um burro no estomago.
O Ruben tentou tranquilizar-me mas nos dias seguintes foi impossível não pensar no assunto, no entanto acabei por “esquecer” essa infeliz coincidência.
***
Mais um mês passou e com o início do Outubro chegou o jogo Benfica-Braga, tenho notado o Ruben mais ansioso nestes últimos dias e em conversa com o meu amor acabou por admitir que é devido ao jogo, tentei tranquiliza-lo mas de pouco adiantou.
Hoje acordei sozinha e mais uma vez enjoada, nestes últimos dias tenho sentido o corpo estranho mas tento evitar ao máximo pensar no motivo, com medo de desiludir-me novamente.
O Martim passou o dia todo animado, hoje íamos assistir ao jogo no estádio por ser de certa forma importante para o Ruben e por isso mesmo o meu irmão só descansou quando entramos no camarote.
- Mana o Ruben vai jogar!!! – falou animado ao ver o meu amor com o equipamento de treino.
- Parece que sim! – sorri ao constatar o mesmo que o meu irmão, afinal é o primeiro jogo do meu amor a titular.
O Ruben esteve nos instantes iniciais à conversa com pessoal do Braga, algo que desagradou os adeptos do Benfica mas que ainda assim o Ruben ignorou e só se afastou quando os seus colegas entraram também no relvado para começarem o aquecimento. Os minutos seguintes foram complicados para mim, estava a ficar cada vez mais ansiosa para que o jogo começasse.
Nos primeiros 45 minutos não houve alteração no marcador o que já estava a deixar os adeptos do Benfica impacientes e com o início da segunda parte complicou, dado que o tempo passava e não havia sinais de que a equipa da casa conseguisse marcar, até pelo contrário, do pouco que entendo de futebol posso afirmar que o Braga estava a jogar melhor que o Benfica. Talvez por isso o treinador do Benfica mandou aquecer três jogadores e foi no momento em que vi na placa de substituição o número do Ruben que ouvi todo o estádio a festejar o tão esperado golo, confesso que perdi o momento em que a bola entrou na baliza e só percebi que o autor de tal feito foi o Ruben quando vi o Martim todo contente, bem como os colegas de equipa em volta do meu amor, no entanto o Ruben não festejou o golo de forma efusiva, limitou-se simplesmente a dedica-lo a nós e de forma discreta. O Ruben acabou mesmo por ser substituído e quando passou pelo treinador para se sentar no banco, o senhor fez questão de o cumprimentar, algo que o Ruben retribuiu mas notei perfeitamente que o fez por uma questão de educação.

Ruben
O momento em que o treinador revelou o onze deixou-me surpreso, não contava em jogar e muito menos a titular, afinal nos jogos anteriores fiquei sempre no banco. As horas seguintes serviram para concentrar-me ao máximo, não queria desiludir as duas pessoas que mais amo, a Mariana e o Martim e por isso mesmo mantive-me sempre mais isolado, no meu mundo, algo que os meus colegas respeitaram.
Quando pisei o relvado, momentos antes do início do aquecimento, foi impossível não ir ao encontro dos meus ex-colegas e amigos, estive uns minutos no convívio com eles, algo que os adeptos não gostaram, pelo menos alguns porque ouvi uns assobios, mas ignorei, não estava a fazer nada de mal e só me afastei do pessoal quando foi para aquecer.
A primeira parte foi complicada para nós, o Braga estava a atacar muito melhor e a chegar com alguma facilidade à nossa baliza, no entanto sem conseguirem concretizar para nosso bem. Ao intervalo o mister avisou-nos que no decorrer da segunda parte iria fazer algumas alterações, avisou-nos ainda quais seriam e o que pretendia com elas, daí ter regressado ao jogo com a certeza que seria provavelmente o primeiro a ser substituído, ainda assim não desmotivei e acabei por num lance com alguma sorte marcar, naquele momento a única coisa que consegui fazer foi olhar para o camarote e dedicar o golo a quem mais me apoiou neste último ano e meio. Os meus colegas ainda se juntaram à minha volta para que festejasse com eles mas simplesmente não consegui, afinal tinha acabado de marcar à equipa que me deu a oportunidade de voltar a sentir o que é o prazer de jogar, que me acolheu e soube aproveitar tudo o que tenho para dar ao futebol.
Nos minutos seguintes acabei por ser substituído e ao passar diante do treinado, este cumprimentou-me, algo que retribui e por fim sentei-me no banco onde vi o resto do jogo. Assim que o árbitro apitou para o final do encontro informaram-me que teria que passar pela zona das entrevistas rápidas, confesso que era algo que dispensava mas não contrariei a ordem recebida e compareci à “chamada”.
- Boa noite Ruben.
- Boa noite – respondi ao jornalista
- Como se sente depois de regressar à titularidade?
- Qualquer jogador trabalha para ser titular, não sou diferente e se hoje o mister achou que deveria apostar em mim, lógico que me sinto bem.
- Muito se falou depois do seu regresso ao Benfica, pode garantir-nos que os problemas do passado estão completamente resolvidos?
- O que posso e vou garantir é que darei sempre o máximo em cada treino e jogo, de resto não comento!
- Isso quer dizer que ainda não está tudo resolvido?
- Não! Isso quer dizer que estou única e simplesmente preocupado com o presente, não vou voltar a falar do passado e se não tem mais nada a perguntar... – respondi serenamente e com vontade de sair dali o quanto antes no entanto
- Só mais uma pergunta – olhei para o jornalista – foi o autor do único golo da partida, como descreve esse momento?
- Foi mais um golo, tive a oportunidade de rematar e fi-lo, se quer que seja sincero ainda não vi a repetição e do lance pouco me recordo, sei que recebi a bola e rematei de primeira, a bola bateu num dos defesas do Braga e entrou, no futebol também é preciso sorte e esta noite calhou-nos a nós.
- No entanto não festejou o golo.
- Dediquei-o à Mariana e ao Martim por isso considero que o festejei!
- Mas não o fez com os seus colegas...
- Não!
- Porquê?
Já estava a passar-me com o ar de insolente do jornalista, desde o primeiro momento que percebi o que queria e por isso mesmo respondi calmamente.
- Porque se do meu lado tinha os meus colegas de equipa do outro tenho ex-colegas, se resolvi não comemorar o golo foi por respeito não só a um clube que já representei mas também por consideração aos seus adeptos e amigos que deixei em Braga. Só espero que agora vocês, comunicação social, não façam disto um drama porque caso não se recorda quando envergava a camisola do Braga também marquei ao Benfica e tal como hoje não festejei!
Com a minha resposta o jornalista calou-se o que deu para finalmente afastar-me daquela zona de entrevistas rápidas e quando estava a dirigir-me para o balneário com o intuito de despachar-me o mais rápido possível ouvi a voz do meu piolho a chamar-me.
- Ruben!! - voltei-me para trás e vi o meu menino a correr na minha direção e atrás dele vinha o Nuno - Parabéns pelo golo - sorri ao ouvi-lo, o menino estava mesmo contente
- Obrigado! - peguei nele ao colo e fui de imediato brindado com alguns beijinhos repenicados e abraços apertados, o que despertou a curiosidade dos presentes ainda assim não quis saber - posso saber o que fazes por aqui?
- Oh... pedi ao Nuno para trazer-me! - falou todo senhor de si
- E a Mariana deixou?!
- Ups - o menino levou as mãos à boca - esqueci de avisar!
- Ai esqueceste?! Então depois não te queixes...
- Oh pai... mas tu depois ajudas-me com ela não ajudas? - o Nuno que já se encontrava ao nosso lado sorriu
- Tens cá uma lata... fazes a asneira e depois é “oh pai” - tentei imita-lo o que fez com que gargalhasse - e tu pára de rir - falei agora para o Nuno - trazes o miúdo sem avisares a Mariana...
- A Mariana saiu do camarote pouco depois do jogo terminar sem dizer onde ia... e quando o menino pediu não vi onde estava o mal de lhe fazer a vontade, já que queria tanto ser o primeiro a dar os parabéns ao pai - o meu amigo voltou a sorrir - além disso as raparigas sabem que o Martim está comigo.
- Ok... mas se depois der confusão quem a atura sou eu!
- Estás a refilar de barriga cheia, é?! - o Nuno voltou a rir
- Não... mas a Mariana tem... - o Nuno interrompeu-me
- Andado estranha! - olhei-o - achas mesmo que não íamos notar?! Aliás a Patrícia anda preocupada... a Mariana nunca foi de se irritar por tão pouco, ainda agora estavam à conversa e a tua excelentíssima esposa simplesmente virou costas e saiu sem avisar para onde ia...
- Pois...
- Pois?! Ruben o que se passa?!
- Não queiras ser mais papista que o papa! - atirei e foi impossível não sorrir ao pensar numa das possíveis causas para a Mariana andar cheia de mistérios
- A titularidade fez-te mal à cabeça, foi?! - gargalhei - Acabas de admitir que a Mariana anda estranha e fazes piada com isso?!
- Nuno não stresses!
- Pelo menos sabes o que se passa?
- Desconfio mas certezas só terei quando falar com a Mariana até lá não vou stressar... - calei-me porque o Martim aproximou-se novamente de nós e a conversa terminou por isso mesmo.

Mariana
Com o final do jogo e por saber que o Ruben deveria demorar meti-me à conversa com a Patrícia que tinha acompanhado o Nuno ao jogo, estávamos na mera cavaqueira quando senti o estomago embrulhado o que fez com que fosso até ao WC, acabei por lavar a cara e uns minutos depois já estava novamente bem, regressei por isso ao camarote mas já não encontrei o Martim, só não me passei porque a Patrícia informou-me imediatamente que tinha saído com o Nuno.
- Posso saber o que se passa? - a Patrícia sentou-se ao meu lado
- Não se passa nada!
- Mariana! - olhei-a - Alguma coisa é... tens andado estranha.
Tentei desviar a conversa e apesar da Patrícia voltar a insistir acabei mesmo por conseguir escapar sem lhe dizer o que julgo que se passa. Os minutos passaram e finalmente vi o Ruben e o Martim, vinham os dois muito animados e na brincadeira um com o outro, o que foi suficiente para sorrir ao vislumbrar tal cenário. O meu amor assim que se aproximou beijou-me demoradamente e no fim acabou mesmo por ficar “colado” a mim, o Ruben colou o seu peito às minhas costas e deixou as suas mãos na minha barriga, aquilo fez-me suspirar ainda que de forma involuntária, o que provocou um sorriso no Ruben.
Ainda ficamos algum tempo no estádio, até porque o Ruben se entreteve a falar com alguns ex-colegas do Braga, algo que acabei também por fazer, afinal foi com eles que convivi durante meses.
***
- Mariana - estava a vestir o pijama quando o Ruben entra no quarto uma vez que tinha ido deitar o Martim - quando é que estás a pensar terminar com as nossas dúvidas? - olhei-o, tinha uma pequena ideia ao que se estava a referir ainda assim fiz-me de desentendida.
- Dúvidas? Do que falas?
- Mariana ou compras tu o teste ou compro eu... - suspirei - achas mesmo que não ia perceber?
- Ruben não inventes! - deitei-me e tentei terminar com o assunto, sei que tem razão e que devia mesmo fazer o teste de gravidez mas também é verdade que ainda só estou com um atraso de um dia e prefiro esperar
- Amor - o Ruben sentou-se na beira da cama, bem do meu lado - não perdemos nada em fazer o teste e assim acabas com essa ansiedade com que tens andado, até porque se ainda não for este mês não é por não fazeres o teste que vais engravidar!
- Vou fazer o teste para quê? Para dar negativo?! - atirei aborrecida, não com ele mas comigo mesmo
- Mariana... - olhei-o - não é novidade nenhuma que andamos a tentar e depois é a primeira vez em meses que tens um atraso - o Ruben sorriu - isso deve querer dizer alguma coisa, não?!
- Como é que sabes que ainda não apareceu?
- Deves pensar que ando a dormir... ah e se queres que me perca na contagens dos dias é melhor esconderes o calendário onde apontas religiosamente os dias noutro lado, é que onde o tens está mesmo à mão de semear!
- Ah... mas pode ser só um efeito secundário da ansiedade com que tenho andado - acabei por admitir o meu receio.
- Sim... pode! Mas também significar algo mais... amor independentemente do motivo do atraso não é por fazeres o teste que este vai mudar...
- Não insistas! - o Ruben olhou-me nada satisfeito - ok... se daqui a uns dias não houver alterações - o meu amor interrompeu-me
- Preferes andar ansiosa em vez de terminares com as nossas dúvidas?
- Chato! - virei-me para o outro lado
- Ok... faz o que quiseres!
Atirou aborrecido, confesso que fiquei a remoer no assunto durante a noite ainda assim na manhã seguinte fingi que nada se tinha passado, despachei-me normalmente para o trabalho e no fim despedi-me dos meus dois homens.
Passei o dia todo com a cabeça no mundo da lua, se por um lado sei que não perco nada em comprar o teste e fazê-lo por outro tenho receio que o resultado seja só mais uma desilusão, apesar do atraso e de sentir alguns enjoos, algo dentro de mim diz que ainda não é desta.
O fim do dia de trabalho chegou e no regresso a casa não resisti em fazer um pequeno desvio, fui à farmácia e comprei o teste, enfiei o saco dentro da mala e segui para casa. Ao entrar na sala deparei-me com um cenário que me fez sorrir, o Ruben estava a ajudar o Martim a estudar, derreti-me toda, mais uma vez, ao presenciar a relação de pai e filho que aqueles dois construíram ao longo dos últimos meses, fiquei a observá-los no silêncio e só quando o Martim olhou e viu-me é que aproximei-me deles, dei um beijinho ao meu piolho e outro ao Ruben, acabando por sentar-me ao colo do meu amor.
- A estudar? - perguntei afinal não é normal estarem de volta dos livros à hora que chego a casa.
- Sim... a professora avisou que temos uma ficha esta semana e eu pedi ao pai para ajudar-me a estudar - foi impossível não sorri e até mesmo ficar emocionada ao ouvir o meu pequenino a ser tão responsável - oh mana tás a chorar porquê? - o Ruben olhou-me e limpou mesmo as lágrimas que se formaram nos meus olhos sem motivo aparente.
- Oh... - dei-lhe um beijinho - a mana só ficou contente por ver que estás a ficar crescido!
- Tu andas estranha! - o Ruben olhou-me como quem diz “eu avisei-te”
- Bem... vou fazer o jantar!
Saí do colo do Ruben e mais depressa ainda cheguei à cozinha, estava entretida a fazer o nosso jantar quando o meu irmão entrou já de banho tomado e a refilar que tinha fome, acabou por ajudar-me a colocar a mesa e no fim foi chamar o Ruben.
***
Estava no quarto e com o teste nas mãos quando o Ruben entrou, ainda tentei esconder o que tinha atrás das cotas mas o meu amor percebeu e não demorou muito a questionar o que estava a esconder.
- Nada!
- Estás a mentir porquê? - falou ao mesmo tempo que se aproximou de mim retirando o que escondia de trás das minhas costas - Sempre compraste! - falou ao perceber o que era - quando o vais fazer?! - engoli em seco quando ouvi a sua pergunta.
- Não sei... - agarrei no teste e fui arrumá-lo na primeira gaveta do móvel da nossa casa de banho.
- Sabes que isso arrumado aí não nos serve de muito, não sabes?!
- Não sejas teimoso! Não o vou fazer...
- Então para quê que o compraste? Deixa-te de coisas e faz o teste...
- Amanhã... - interrompeu-me
- Só estás a adiar por horas... sim que nem penses que amanhã te livras!
Não lhe respondi, preferi tratar da minha higiene pessoal para logo depois enfiar-me na cama.
Acordei cedo com a intenção de sair sem que o Ruben desse por isso mas assim que coloquei os pés no chão.
- Queres que vá contigo? - olhei-o - Sim que avisei ontem que não escapavas!
- Chato! - ripostei enquanto caminhava para a casa de banho mas como resposta tive simplesmente os braços do Ruben em volta da minha cintura, acabamos os dois a tomar um duche que serviu para abstrair-me um pouco da realidade dado que o Ruben fez por isso e presenteou-me com alguns mimos.
- Toma! - o Ruben abriu a gaveta e retirou o teste dando-me para as mãos quando já estava a preparar-me para sair daquela divisão - amor não custa nada e acabamos com as dúvidas...
Saber que tinha razão aliado à forma como estava a pedir foi impossível recusar, acabei por fazer o teste e assim que o fiz entreguei-lhe, não fazia intenções de ver o resultado, o Ruben ainda tentou que esperasse junto dele mas não conseguiu, até porque o tempo de espera foi aproveitado por mim para vestir-me.
Terá a Mariana grávida?

E o fato da filha do pai da Mariana frequentar a mesma escola do Martim, irá trazer problemas no futuro?