terça-feira, 31 de julho de 2012

043 - “… um bebé a caminho”

Ruben

Como fiquei a dormir na casa do Nuno e uma vez que a Mariana precisava do carro para ir levar o Martim à escola acabei por ir com o Nuno para o treino.
- O Martim está cada vez mais apegado a ti - sorri ao ouvi-lo.
- Ainda bem.
- Gostas mesmo do miúdo.
- Ya.
- O menino já sabe da vossa decisão?
- Ainda não lhe contamos que vamos viver os três juntos porque a Mariana queria falar primeiro convosco mas hoje já lhe devemos dizer, porquê?
- Como é que achas que irá reagir?
- Bem.
- Estás mesmo confiante.
- Nuno, o Martim pediu à Mariana com as letras todas para vivermos os três - o Nuno olhou-me admirado quando já estávamos a sair do carro uma vez que tínhamos chegado ao estádio - por isso vai ficar radiante quando souber.
- O menino pediu isso?
- Sim, nós já tínhamos falado os dois sobre o assunto mas nunca em frente do Martim mas nestes dias o menino pediu para viver comigo e com a irmã, basicamente quer uma família como os amigos dele têm.
- E a Mariana como reagiu?
- Prometeu que iria pensar no assunto.
- Posso fazer uma pergunta?
- Diz.
- Vocês vão viver juntos porque querem ou há algum motivo escondido nessa vossa decisão?
- Como assim?
- Tipo - olhou-me - um bebé a caminho - gargalhei fortemente ao ouvi-lo não esperava de todo que o Nuno se saísse com esta - onde é que está a piada?
- Em lado nenhum mas confesso que não esperava tal pergunta. De onde é que tiraste essa ideia?
- Oh no mínimo é estranho, esta pressa toda de irem viver juntos, a Mariana não é nada dada a essas coisas.
- A Mariana refletiu e muito na decisão a tomar, se aceitou é porque acredita no nosso amor e para ficares tranquilo não vem bebé nenhum a caminho.
- Tens a certeza? - voltei a sorrir.
- Sim, ainda sei aquilo que faço mas agora deixa lá de imaginar bebés a caminho e vamos entrar.
O Nuno não insistiu mais no assunto e depois de nos equiparmos seguimos para o campo, o treino correu bem e no fim despachamo-nos. Regressei com o meu amigo e assim que entramos demos de caras com a Inês, troquei meia dúzia de palavras com ela mas acabei por ir ter com a Mariana.
- Já chegaste - beijou-me assim que aproximei-me.
- Parece que sim - sorriu - amor quando é que contamos ao Martim a novidade? - perguntei ao vê-la a colocar os seus pertences em caixas.
- Estou a pensar ir buscá-lo à escola para lancharmos os três aproveitamos e contamos.
- Amor por mim pode ser mas logo tenho treino, aliás tens mesmo que ser tu a ires buscá-lo porque o treino foi antecipado.
- Na boa, vou buscá-lo e depois encontramo-nos.
- Podem sempre ir assistir ao treino uma vez que é aberto ao público e assim ias-me buscar.
- Tens cá uma lata - atirou-me com a almofada à cara, lógico que não me fiquei e nos minutos seguintes se alguém entrasse naquele quarto diria que parecíamos dois putos em plena guerra de almofadas - pronto já chega - pediu ao sentar-se na cama.
- É verdade a nossa decisão de vivermos juntos já deu asas à imaginação do Nuno - falei ao deitar-me do seu lado.
- Como assim? - olhou-me.
- Amor, o Nuno perguntou-me se o não existe um motivo oculto na nossa decisão de vivermos juntos.
- Qual motivo?
- Passou assim momentaneamente na cabeça dele que pudesses estar grávida - a Mariana gargalhou.
- Não deve estar bom daquela cabeça.
- Pois foi isso que também pensei.
- Mas esclareceste-o, certo?
- Sim e agora anda cá - puxei-a para mim e ficamos a namorar.

***

Estávamos entretidos a falar e a colocar os seus pertences nas caixas sempre com brincadeiras à mistura quando bateram à porta, abri-a e assim que o fiz vimos a Inês.
- Precisas de alguma coisa?
- Vim convidar-te para almoçarmos no centro da cidade - a Mariana olhou-me - regresso hoje para Lisboa e gostava de estar um pouco contigo.
- Para almoçarmos não é preciso ir até ao centro da cidade, comemos aqui.
- Ai Ruben estás um velho feito - olhei-a.
- Inês, caso não tenhas reparado, estou a ajudar a Mariana e além disso já avisei a D. Joana que almoçava cá por isso se queres passar algum tempo comigo vai ter que ser aqui.
- Estás cada vez mais afastado dos teus amigos, já nem te reconheço - olhei-a - não eras de negar uma saída ou um almoço e agora ficas por casa.
- Inês é normal que esteja mais afastado, afinal estou em Braga e vocês em Lisboa mas isso não é sinónimo que fique fechado em casa.
- Então vem almoçar comigo.
- Ok, tudo bem mas não nos podemos demorar que tenho treino à tarde.
- Na boa - sorriu - vou só avisar o Nuno e espero por ti junto do carro.
- Já lá vou ter.
Assim que respondi a Inês virou costas e desapareceu da minha frente, virei-me imediatamente para a Mariana e encontrei-a completamente serena a dobrar a sua roupa.
- Amor - olhou-me - desculpa mas se não aceitasse a Inês não desistia - sorriu - onde é que está a piada?
- Ruben, a piada é que estás aí a dar justificações quando não as pedi - encolheu os ombros - amor, és livre de almoçares com quem e quantas vezes quiseres.
- Isso quer dizer que não te importas?
- Não, tanto quanto sei não combinamos nada para a hora de almoço - sorriu - por isso não estás a deixar-me plantada para almoçares com uma amiga, vai e diverte-te.
- Tens a certeza que não há problema?
- Mas afinal o que é que queres? Que faça uma cena de ciúmes porque vais almoçar com uma amiga? - aproximou-se de mim - Amor, até posso não simpatizar com a Inês mas é por isso que ela é tua amiga e não minha, além disso confio em ti, não tenho motivos nenhuns para ficar desconfortável por passares umas horas com a Inês.
- Amo-te - beijamo-nos - ainda passo por aqui antes de seguir para o treino, assim dá para ficares com o meu carro já que não tens o teu.
- Tudo bem - sorriu - mas agora não faças esperar a Inês ou a mulher ainda pensa que te raptei - gargalhei para logo depois despedir-me dela.

***

- Ruben posso fazer-te uma pergunta pessoal? - olhei para a Inês, durante o almoço falamos de diversos assuntos mas sabia que havia um que ainda não tinha sido discutido por isso não foi difícil adivinhar o tema.
- Diz.
- Tens namorada? - sorri com a pergunta.
- Porquê?
- É a única razão que encontro para justificar o teu afastamento.
- Já te disse e repito, não me afastei das pessoas, simplesmente já não vivo em Lisboa e isso torna mais complicado o convívio convosco. Mas quando o campeonato parar pelo Natal combinamos uma noitada todos juntos uma vez que vou estar por Lisboa.
- Se a Mariana deixar - olhei-a - Ruben, não sou parva, sei bem que entre vocês há alguma coisa.
- Inês, não metas a Mariana na conversa.
- Porquê? Tens coragem para afirmares que não têm nada?
- Inês não posso afirmar tal coisa porque iria estar a mentir, é verdade que namoro com a Mariana, que estou feliz e a amar como nunca amei antes, que estou disposto a tudo para que a nossa relação resulte mas isso não impede que continue a divertir-me com os meus amigos, aliás se há coisa que a Mariana defende é que devemos continuar a ter os nossos amigos, a sair e a conviver com eles, o que nem sempre quer dizer que tenhamos que ir os dois, ela tem os seus amigos, eu tenho os meus.
- Então explica o motivo que te levou a negares o meu convite?
- Já te expliquei, estava a ajudá-la e além disso tinha avisado que almoçava na casa do Nuno.
- Ruben afinal o que é que viste nela? - olhei-a perplexo - A Mariana nem é nada de especial, além disso tem o puto sempre atrás dela.
- Olha é assim Inês não te admito que fales da Mariana e muito menos do Martim.
- Porquê? Só falta dizeres que vais dar o teu nome à criança.
- O Martim não precisa do meu nome para nada.
- Ruben abre os olhos enquanto é tempo - fiz sinal ao empregado e pedi a conta, não estava para aturar aquilo - mulheres como a Mariana só estão interessadas numa coisa.
- O que é que estás a insinuar? Por acaso conheces a Mariana de algum lado para falares assim dela?
- Ruben, a rapariga já tem um filho mesmo sério queres ser pai de um miúdo que não é teu? Será que não percebes que só quer dinheiro?
- Primeiro o Martim é irmão da Mariana e não filho, segundo não só quero como vou ser pai de um filho que não é meu até pode não ser o meu sangue que lhe corre nas veias mas amo-o como se fosse, terceiro a Mariana ao contrário de muitas raparigas não finge ser quem não é, não tem vergonha do seu passado e muito menos quer o meu dinheiro. Agora agradeço que não voltes a tocar no nome do Martim ou da Mariana, pelo menos à minha frente, caso contrário chateio-me a sério contigo, não vou admitir que espezinhes nenhum deles, estás a falar da minha família porque para mim é o que eles já são por isso dobra a língua, sabes bem que a única coisa que não tolero é que se metam com os meus.
- Só falta dizeres que vais casar com ela.
- Isso não te interessa.
- Estás mesmo a pensar nisso?
- Inês não vou ficar eternamente solteiro, quero casar e nunca escondi isso das pessoas, se é com a Mariana ou com outra não é do teu interesse mas já que estás assim tão preocupada, sim quero casar com ela, não será já amanhã mas um dia quem sabe.
- A Soraia é que tem razão quando afirma que já não te reconhece, trocaste-a por uma empregada que não tem onde “cair morta”, sinceramente nunca pensei que fosses tão cego mas uma coisa é verdade a Mariana conseguiu mesmo passar a imagem de boa moça.
- Já terminaste?
- Já.
- Então fica bem e espero que não morras no teu próprio veneno, agora percebi o motivo pelo qual foste das poucas pessoas a quem apresentei a Soraia e que se deu logo bem com ela, são “farinha do mesmo saco” - respondi lixado comigo mesmo por ter despendido o meu tempo a almoçar com a Inês.
Virei costas e depois de pagar a despesa saí do restaurante sem despedir-me dela. Conduzi até à casa do Nuno mas não entrei de imediato, quis primeiro digerir o que se tinha passado por saber que a Mariana iria perceber.
Estava no carro perdido em pensamentos quando alguém bateu no vidro, olhei e vi o Nuno.
- Está tudo bem? - perguntou assim que abri a porta.
- Sim.
- Então porquê que ficaste dentro do carro este tempo todo - olhei-o - correu mal o almoço?
- A Inês não gostou quando confirmei que namoro com a Mariana, opinou sobre o que não lhe diz respeito e acabei por deixá-la sozinha.
- Tens noção que a probabilidade da Inês comentar com a Soraia é elevada.
- Não quero saber, elas que falem e que critiquem, estou de consciência tranquila e não vou esconder mais o meu namoro, agora que a Mariana aceitou viver comigo não há nada nem ninguém que possa impedir o nosso amor de continuar a crescer - sorriu - podes não acreditar mas nunca tive tanta certeza de algo como tenho do tamanho do meu amor pela Mariana, Nuno vou até onde for preciso para ficar com os dois, tanto o Martim como a Mariana já são indispensáveis ao meu viver.
- Bem isso está mesmo sério - voltou a sorrir - mas gosto de te ver com esta certeza toda, estás a tornar-te num homemzinho - gargalhou.
- Pára de gozar.
- Ok - sorriu - olha a Mariana vem aí - olhei para trás.
- Ah estão aqui os dois - sorriu.
- Precisas de alguma coisa? - perguntei assim que a Mariana se abraçou a mim.
- Amor, sabes que assim dois pares de braços extras ainda apor cima mais musculados que os meus dá sempre jeito para carregar com a minha tralha - sorrimos - assim só por acaso não querem deixar a conversa para depois e irem ajudar-me.
Acabamos por ir ajudá-la e aproveitamos para colocar as malas no meu carro e algumas caixas no do Nuno, fomos até à minha casa deixá-las para depois seguirmos os dois para o treino.

Mariana

Estava entretida a arrumar os meus pertences e os do Martim quando reparei que já eram horas de o ir buscar, agarrei no lanche que lhe tinha preparado e saí com destino à escola.
- Mana? - sorri ao ver o desalento dele ao ver-me.
- Antes que perguntes o Ruben está no treino mas como até é aberto ao público - interrompeu-me.
- Fixe - sorri perante a animação do meu irmão - ó mana vamos lá - pedinchou.
- Vamos porque a mana já tinha combinado com o Ruben.
O Martim entrou no carro e nem foi preciso pedir-lhe para lanchar, o menino estava tão animado com a ida ao treino que comeu tudo sem refilar. Conduzi calmamente e assim que chegamos o Martim apressou-se a sair do carro.
- Vamos mana - deu-me a mão.
- Tem calma que o Ruben não foge.
- Mas eu quero ver o treino todo.
Não respondi mas fiz-lhe a vontade apresando o passo, sentamo-nos nas bancadas a assistir ao treino e assim que o treinador deu ordem para um pequeno intervalo o meu irmão perguntou se podia ir ter com o Ruben.
- Amor, o Ruben está a treinar não podes ir lá.
- Mas eu quero só dizer olá.
- Não pode ser.
- Então deixas eu ir até ali - apontou para a primeira fila junto ao relvado.
- Podes, mas não é para o chamares.
- Tá bem.
Vi o meu irmão a descer as escadas e a sentar-se na primeira fila sossegado mas assim que o Ruben o viu aproximou-se o que levou o Martim a olhar-me, sorri sozinha afinal não sei qual dos dois é mais criança. O meu amor trocou algumas palavras com o Martim mas teve que regressar para junto dos colegas, o meu irmão acabou por vir ter comigo onde viu o resto do treino mas assim que este terminou avisou-me que iria ter com o Ruben e simplesmente correu na direção do relvado sem dar-me tempo de falar.
Fiquei a vê-los aos dois a brincarem com uma bola o que despertou a curiosidade de alguns adeptos mais atentos que ficaram a assistir também. O Ruben acabou por vir atrás do Martim quando o meu irmão veio ter comigo e mais uma vez as pessoas olharam.
- As crianças já brincaram tudo? - meti-me com eles.
- Não, mas oportunidades não vão faltar - o Ruben sorriu.
- O que é que queres dizer com isso? - sorrimos com a pergunta do meu irmão, de facto está sempre atento mesmo quando julgamos que está distraído o menino capta tudo o que falamos.
- Que vou despachar-me para irmos embora - sorri de forma cúmplice para o Ruben e depois vimo-lo a desaparecer na nossa frente.
Estávamos os dois no parque de estacionamento à espera do Ruben quando vi o Miguel a aproximar-se, cumprimentamo-nos e depois seguiu caminho, até porque o Ruben apareceu logo atrás dele.
- Amor, queres ir já para casa?
- Onde é que queres ir?
- Mariana, podíamos ir dar um passeio já que o Martim teve tanto tempo fechado em casa.
- Preferia que fossemos para casa, o menino tem os trabalhos da escola para fazer e depois temos que contar-lhe a novidade.
- Ok, o passeio fica para outro dia - sorri e assim que entramos no carro beijei-o.
O Ruben conduziu calmamente até à sua casa e assim que chegamos o Martim manifestou-se imediatamente ao perguntar porquê que não tínhamos ido para casa do Nuno.
- Já estás farto de aturar-me, é? - o Ruben meteu-se com ele fazendo-lhe cocegas uma vez que já tínhamos saído do carro.
- Não mas agora que já tou bom a mana e eu vamos voltar para a casa do Nuno - sorrimos os dois, o meu irmão estava mesmo desanimado com essa possibilidade.
- Martim - olhou para o Ruben - o que é que queres?
- Não entendi - sorrimos.
- Estou a perguntar se preferes regressar para a casa do Nuno ou ficares aqui.
- Eu quero ficar - falou determinado e ao entrarmos na sala - mas só fico se a mana ficar - sentou-se no meu colo - porque eu gosto muito de ti mas gosto ainda mais da mana - sorri enternecida.
- Martim - olhou-me - a mana também gosta muito de ti - deu-me um abraço apertado - mas como também gosta muito do Ruben - o Martim já sorria - e como não quero escolher nenhum dos dois resolvi aceitar o pedido do Ruben para ficarmos a viver com ele, isto se quiseres.
- Quero - saltou literalmente para o colo do Ruben - ó mana é o que mais quero - sorrimos.
- Martim mas a mana precisa de falar contigo - olhou-me - a nossa vinda para cá não vai ser a única mudança, Martim se até aqui o namoro da mana passou despercebido a partir do momento que os teus amigos começarem a perceber que vives na casa do Ruben vão começar a querer saber mais - interrompeu-me.
- Não queres que diga a verdade é isso né?
- Não - olhou-me surpreendido - Martim a mana não quer que mintas, se perguntarem o motivo podes dizer a verdade mas se os meninos ou meninas começarem a chatear-te por algum motivo falas imediatamente comigo ou com o Ruben, percebes?
- Sim - olhou-nos à vez - mana e posso dizer que o Ruben é o meu pai a fingir? - olhei para o Ruben.
- Martim isso não - o menino olhou-o - combinamos que ninguém iria saber disso.
- Tá bem - falou conformado.
- Lindo, há outra coisa - olhou-me - vais ter que obedecer ao Ruben como obedeces à mana, ele pode ser só o teu pai a fingir mas é alguém que terás de respeitar ainda mais do que já respeitas, entendes?
- Tás a dizer que o Ruben pode dar-me castigos quando me portar mal - sorrimos.
- Sim.
- Tá bem mas mana quando é que vamos buscar as nossas coisas?
- Já cá estão, a mana tratou disso durante o dia.
- Fixe mas eu quero continuar a brincar com o Nuninho.
- Não te preocupes que vais continuar a brincar com o Nuninho, a mana vai continuar a cuidar dele mas agora só durante o dia.
- Tá bem - sorriu, o Martim estava verdadeiramente feliz e isso era o que mais queria.
- Agora tens de ir fazer os trabalhos mas vai andando para o quarto que já vou ter contigo.
- Pode ser o Ruben?
- Anda lá - o meu amor levantou-se - até já - beijou-me e vi-os a saírem da sala.
Como tinha ficado liberta da tarefa de ajudar o meu irmão resolvi aproveitar o tempo para arrumar o que faltava das coisas que tinha trazido da casa do Nuno. Acabei por ir até ao quarto do meu irmão e enquanto estudavam arrumei a roupa do Martim nos devidos lugares, confesso que ver o Ruben a ajudar o meu irmão enterneceu-me e por isso fiquei a observá-los.
- Mana já acabei - despertei quando ouvi a voz do meu piolho - agora posso ir brincar?
- Podes mas daqui pouco tens de ir para o banho.
- Tá bem depois chama - sorri ao vê-lo puxar o Ruben pela mão, saíram do quarto e quando os voltei a ver já estavam agarrados à playstation, deixei-os jogarem em paz e fui fazer o jantar.
Entretive-me e quando reparei nas horas saí da cozinha para ir avisar o meu irmão que estava na hora do banho mas para minha admiração encontrei-o já com o pijama vestido e de banho tomado, regressei para a cozinha e terminei o jantar.
Comemos numa animação tremenda o Martim estava elétrico e por isso assim que terminamos de jantar o Ruben foi com ele até à sala para que conseguisse limpar a cozinha.
O serão foi agradável mas a hora do Martim ir para a cama chegou, quis ir deitá-lo mas o menino pediu que fosse o Ruben, deixei-os ir mas ao fim de algum tempo acabei por ir ver o que se passava uma vez que estranhei a demora.
- Onde vais? - olhei para trás e encontrei o Ruben a sair do nosso quarto.
- Estranhei a demora e vinha ver o que se passava - sorriu.
- Deixa de ser mãe galinha - beijou-me - o menino já dorme.
- O Martim disse-te alguma coisa?
- Sobre a vossa mudança não, mas estivemos a falar por isso é que demorei mais - informou-me quando já estávamos na sala.
- Posso saber qual foi o assunto?
- Coisas de homens - gargalhei ou não fosse o Ruben ter tentado imitar o Martim - agora a sério o teu irmão esteve a contar como é que foi ter reencontrado a Helena, opa ou estou muito velho ou então é os putos que são muito à frente - gargalhei novamente.
- O que é que o Martim aprontou?
- Nada, só se virou para mim e perguntou se pode namorar com duas meninas ao mesmo tempo.
- O que é que respondeste?
- Disse-lhe que nem com uma quanto mais com duas - gargalhei fortemente.
- Falaste mesmo isso?
- Ya, desde quando é que tem idade para namorar - continuava a rir que nem perdida - não tem piada.
- Amor, realmente está um bocado antiquado - gozei - o meu irmão tem direito a namorar - olhou-me.
- Tem, tem na tarda nada entra aí com a Helena para a apresentar à família - voltei a gargalhar.
- Então e depois - olhou-me chocado - é sinal que sabe o que quer - gargalhei - Ruben é normal que o menino diga que namora, é o que ouve no dia-a-dia por isso repete, lógico que cabe-nos estar atentos e explicar que não pode fazer tudo o que os adultos fazem mas não podemos proibi-lo de namorar - sorriu.
- Se já é assim com sete anos com doze ou treze ninguém o segura - gargalhei, a verdade é que não estava a reconhecer o Ruben.
- Quando chegar essa altura vamos lidar com a situação até lá quero aproveitar a ingenuidade do meu irmão ao máximo.
- Isto ainda vai dar que falar - gargalhei - achas piada?
- Amor daqui a nada estás a dizer que o Martim já anda com uma carga física superior ao normal para a sua idade - não estava mesmo a conseguir levar o Ruben a sério o que fez com que se levantasse e saísse da sala - vais amuar? - perguntei ao entrar no quarto.
- Não estou amuado.
- Ai não? - aproximei-me dele abraçando-o.
- Não, mas acho que não está a levar-me a sério, só estou preocupado com o teu irmão.
- Amor, é só uma criança de sete anos, é normal que diga que namora porque é isso que as crianças dizem.
- Tudo bem - beijou-me.
- Ruben quando é que pensas contar à tua mãe que vivemos juntos?
- Estás com medo da sogrinha, é? - meteu-se comigo.
- Não tive medo dela quando ainda não tinha colocado a coleira no filho - gargalhei ao ver a cara dele - não vai ser agora que vou ter.
- Hoje estás cá com umas piadas que vou-te contar.
- Tadinho do meu menino - passei por ele e apalpei-lhe o rabo já que estava só de boxers - está sensível e a precisar de mimos - gozei ao entrar para a casa de banho. Estava entretida a fazer a minha higiene quando o Ruben abriu a porta - então não se pede autorização.
- O que é meu é teu por isso não preciso pedir autorização para entrar - olhou-me de cima a baixo afinal estava só de lingeri - e por falar em meu - senti a sua mão no meu rabo - temos que falar de um assunto - olhei-o - para acertarmos já as coisas - afastou-se ligeiramente para também ele lavar os dentes.
- Que coisas? - esperei que terminasse o que estava a fazer e no momento que o fez em vez de responder-me resolveu encostar-me à parede, reclamei porque esta estava fria mas o Ruben não quis nem saber beijando-me, ele bem tentou algo mais mas tive que o avisar que não dava explicando que há coisas que por muito que queira não consigo alterar e assim que entendeu a mensagem abrandou com a troca de mimos.
- Amor, andei a pensar numa cena - falou quando já estávamos no quarto - mas não sei se queres.
- Diz.
- Mariana, agora que vivemos juntos, que partilhamos a vida a dois - estava intrigada com o que vinha dali - não faz grande sentido não teres acesso ao meu dinheiro - esbugalhei os olhos assim que ouvi o que tinha dito - amor antes de começares refilar ouve até ao fim - suspirei - o que quero dizer é que pensei que podíamos abrir uma conta conjunta, tipo colocávamos lá algum dinheiro para os gastos comuns, sei que não irás suportar a ideia de ser só o meu dinheiro a sustentar-nos por isso pensei nesta solução, assim quando comprarmos alguma coisa cá para casa usamos esse dinheiro e evita-se confusões do tipo agora pago eu.
- Concordo - sorriu - mas só se for em partes iguais.
- Mariana que não queiras viver às minhas custas compreendo e aceito mas tens que ser realista e admitires que neste momento além de ganhar mais do que tu, esta casa tem um gasto elevado de água, luz, gás e afins, gasto esse que está de acordo com as minhas posses e não com as tuas por isso vai ser um bocadinho complicado dividirmos as despesas todas a meio - olhei-o - e para ser sincero para mim este problema resolvia-se de outra forma.
- Como assim?
- A verdade é que não há necessidade de abrirmos uma conta conjunta se concordares em teres acesso à minha, Mariana na casa do Nuno também não dividias as despesas e nem pagavas o que comiam.
- É diferente porque a estadia e alimentação fazia parte das condições que acordei com eles, além disso prefiro não ter acesso à tua conta.
- Porquê?
- Porque tenho o meu próprio dinheiro, já para não falar que não estou contigo por causa dos euros.
- Disso sei eu ou porquê que achas que estou a dizer que podíamos resolver o assunto desta forma, ninguém precisa de saber e assim fico mais descansado - olhei-o - amor não é por puderes movimentar a minha conta que o terás de fazer constantemente.
- Prefiro a primeira opção.
- Tudo bem não vou insistir mas aviso que vou andar atento e sempre que houver necessidade colocarei lá dinheiro.
- Faz como quiseres mas agora o que achas de irmos dormir?
- A menina está com soninho, é?
- Não - sorriu - o que tenho é mesmo vontade de ficar assim agarradinha a ti - beijei-o.
- Ai sim? - olhei-o - Então afinal quem está a precisar de mimos é a menina - gargalhei mas não respondi, deitei-me e uns segundos depois já tinha o Ruben abraçado a mim.

Ruben

Acordei feliz afinal o Martim reagiu muito melhor do que esperava à novidade de vivermos todos juntos, estava a pensar como seriam os próximos meses quando a Mariana se mexeu.
- Bom dia - espreguiçou-se levando-me a sorrir.
- Oi amor - beijamo-nos - hoje já começas a trabalhar?
- Sim, aliás tenho que despachar-me mas porquê?
- Por nada de especial mas assim quando sair do treino passo por lá.
- Na boa - beijou-me - mas agora tenho de ir acordar o Martim - saiu da cama - tens treino a que horas?
- Às dez por isso se quiseres posso deixar o Martim na escola.
- Não é mal pensado - sorriu.
Ainda nos voltamos a beijar algumas vezes mas acabamos por sair do quarto, enquanto fui preparar o nosso pequeno-almoço a Mariana foi acordar o menino e quinze minutos depois já os tinha do meu lado. Comemos e no fim a Mariana despediu-se de nós para ir trabalhar. Fui deixar o Martim na escola e segui para o treino mas antes fui tratar de abrir a conta conjunta.
Estava no campo à espera do treinador e dos colegas que ainda não tinham chegado quando o Nuno se aproximou de mim.
- Bom dia - sorriu - já sei que o puto adorou a novidade.
- Sim, já esperávamos que reagisse bem mas o Martim delirou por completo.
- É normal o menino está a ter a oportunidade que nunca teve, ele adora-te e finalmente tem uma família como os amigos - voltou a sorrir talvez por ver a minha cara de parvo - estás mesmo feliz.
- Nuno parece um sonho tornado realidade - gargalhou - pára de gozar.
- Não estou a gozar muito pelo contrário estou contente por vos ver tão bem, o sorriso nos vossos rostos não engana.
Teríamos continuado a conversar mas o mister deu ordem para o treino começar por isso adiamos a conversa.

***

Como tinha combinado com a Mariana no fim do treino fui até à casa dos nossos amigos e assim que entrei acompanhado pelo Nuno encontrei-a na sala a brincar com o Nuninho.
- Fica-lhe mesmo bem - olhei para o Nuno sem entender o que falou.
- Estás a falar de quê?
- De uma criança ao colo da Mariana - gargalhei ao ouvi-lo o que despertou a atenção do meu amor.
- Posso saber o motivo dessa gargalhada? - aproximei-me dela beijando-a.
- Amor, é o Nuno que anda a alucinar, não lhe ligues - sentei-me do seu lado.
- Vais dizer que não queres? - assim que o Nuno falou a Mariana olhou-me desconfiada.
- Quero mas não agora - respondi serenamente.
- Queres o quê? - sorri perante a curiosidade da Mariana.
- Filhos - respondi sem qualquer problema afinal o assunto já estava mais do que discutido entre nós os dois.
- Não falas nada? - o Nuno perguntou por não ver qualquer reação por parte da Mariana.
- Queres que diga o quê? Nuno, este assunto só nos diz respeito a nós, apesar da muita consideração e amizade que tenho por ti não tens voto na matéria - o nosso amigo sorriu.
- É mau feitio - implicou com a Mariana.
- Há quem goste - ripostou automaticamente levando-nos a gargalhar.
Eles continuaram a implicar um com o outro e por isso resolvi manter-me longe para que não sobrasse para mim no entanto fiquei a assistir, o que serviu para dar umas boas gargalhadas.
As horas passaram e acabei por almoçar com eles, de tarde aproveitei enquanto o Nuninho dormia para namorar com a Mariana mas tive que despedir-me dela para ir treinar mas avisei que ia buscar o Martim uma vez que o menino hoje saia mais tarde da escola.

Como irá correr esta nova fase na vida destes três?

sábado, 28 de julho de 2012

042 - “Tenho medo… nunca tive nada que fosse para a vida”


Ruben

Estava a namorar com a Mariana quando ouvimos a campainha, ela ofereceu-se para lá ir algo que permiti pois nunca imaginei que fosse a Inês, já não a via a algum tempo e daí o meu espanto.
- O que é que estás aqui a fazer? - perguntei antes de a cumprimentar.
- Resolvi visitar os meus amigos - sorriu - mas parece que ficaste deveras surpreendido.
- Só não esperava ver-te por cá.
- Dá para ver - gargalhou - mas se não for assim ninguém te vê.
- O que é que estás a querer dizer?
- Não há quem te veja por Lisboa - sorriu - é que nem nas folgas lá metes os pés.
- Deixa de ser exagerada.
- Estou a mentir queres ver?
- Ok, já não meto os pés em Lisboa há dois meses mas não é por isso que fico sem notícias vossas - respondi serenamente.
- Mas não é a mesma coisa, agora até estás solteiro e bom rapaz - olhei em volta e não encontrei a Mariana - tens mais é que aproveitar a vida.
- Quem te disse que não aproveito?
- Desculpa lá, vais ter que concordar comigo aqui nesta cidade não se aprende nada, além disso não acredito que não sentes falta da noite Lisboeta.
- Se queres que seja sincero não - a Inês olhou-me - além disso Braga tem um encanto próprio e aqui tenho parte do que preciso para ser feliz.
- Ó rapaz jogar não é tudo, também tens que te divertires.
- Quem te disse a ti que não ando a divertir-me?
- A noite Lisboeta não tem nada a ver com este quase fim de mundo mas se é isto que queres não questiono até porque o Nuno também defende a cidade a pés juntos, deve ter mesmo algo de especial que ainda não descobri.
- Pois, talvez seja mesmo isso - voltei a sorrir - queres alguma coisa?
- Aceito um café.
- Senta-te que vou buscar.
Saí da sala e fui até à cozinha para regressar uns minutos depois com o café para a Inês, ficamos à conversa mas acabei por despachá-la ao afirmar que tinha coisas para fazer. Despedimo-nos com a promessa que marcaríamos um café para metermos a conversa em dia.
Assim que consegui despachar a Inês, sem parecer muito inconveniente, fui procurar a Mariana, algo dizia que devia estar aborrecida afinal de certa forma ignorei-a. Fui direto ao quarto do Martim mas só encontrei o menino a dormir por isso fui até ao nosso e assim que entrei vi o meu amor deitada na cama a ler um livro mas assim que entrei a Mariana fechou-o.
- Amor qual é mesmo a tua história com a Inês? - perguntou de rajada.
- Somos só amigos e nunca passou disso.
- Tens a certeza? - sorri para depois unir as nossas bocas num beijo demorado e cheio de sentimento.
- Tenho, nunca vi a Inês de outra forma apesar de saber que pelo lado dela a coisa chegou a ser ligeiramente diferente mas para ser sincero acho que não passou de uma fase em que andou confusa - beijei-a - amor há coisa de um ano, ela tal como eu andava a passar uma fase má no relacionamento e acabou por se aproximar mais de mim no entanto sempre a vi como uma amiga e não como um escape para aliviar a tensão pelo facto de andar constantemente a discutir com a Soraia.
- Mas ela tentou? - sorri.
- Sim mas só o fez uma vez porque esclareci imediatamente que nunca se iria passar nada entre nós, estávamos os dois mais em baixo mas isso não era motivo para fazermos algo que mais tarde nos iriamos arrepender.
- Nunca pensaste em trair a Soraia? - olhei-a durante uns segundos.
- Essa pergunta não é fácil de ser respondida.
- Porquê? A resposta é simples - olhou-me - basta dizeres um sim ou um não.
- Nunca a trai de uma forma física mas se considerares que desejar outra pessoa mesmo que só pensamento é uma forma de trair então sim, traí-a vezes sem conta desde que vim para Braga e a coisa agravou severamente quando a minha mãe levou-me a admitir que era em ti que pensava quase vinte quatro horas por dia - suspirou - Mariana - olhou-me - até os vossos nomes troquei.
- Como assim? - sorriu.
- Mariana, a Soraia acabou tudo comigo porque naquele dia além de ter-me negado num primeiro momento a fazer amor com ela, ainda consegui fazer pior, quando finalmente nos envolvemos não senti nada, algo que ela percebeu e quando começou a questionar o motivo em vez de a chamar de Soraia, foi o teu nome que saiu, era em ti que estava a pensar, nunca a traí mas também não fui propriamente honesto com ela.
A Mariana não fez mais nenhuma pergunta e por isso fiquei simplesmente a observá-la uma vez que a tinha nos meus braços. As horas passaram e fui ajudá-la com o jantar para no fim ir dá-lo ao Martim, o meu amor esperou por mim para comermos e depois fiz questão de seu eu a colocar a loiça na máquina. Assim que acabei fui para a sala, vimos um filme sempre com o Martim do nosso lado e umas horas depois levei o menino ao colo para a cama uma vez que adormeceu no sofá, deitamo-lo e fomos até ao nosso quarto.
Não resisti a olhar para a Mariana enquanto despia-se para vestir o pijama, algo que reparou pois sorriu de forma envergonhada, o meu amor continua a sentir-se incomodada sempre que fixo o olhar no seu corpo mas não é isso que faz com que não olhe. A Mariana deitou-se na cama e quando fiz o mesmo foi dela a iniciativa de aproximar-se de mim, estávamos simplesmente a trocar alguns beijos mas acabei por entusiasmar-me, fui avançando aos poucos e acabamos por nos amarmos pela segunda vez.
- Amor - olhou-me - porquê que andaste a evitar isto? - tive que perguntar afinal precisava de entender o que ia na sua cabeça.
- Evitar o quê?
- Não te faça de desentendida - sentou-se na cama encarando-me - Mariana, estou a falar de teres evitado fazeres amor comigo - sorriu - o que foi?
- Ruben, não evitei nada, se o tivesse feito não nos tínhamos acabado de amar.
- Então porquê que sempre que começávamos a entrar por caminhos mais perigosos fugias?
- Ruben - baixou o olhar - para ti pode ser normal fazeres amor no sofá ou quando sabes que não temos muito tempo mas para mim isso ainda faz-me confusão - sorri ao ouvi-la.
- Amor - fi-la olhar para mim - o teu problema era o local ou o facto de podermos ser interrompidos?
- Não tem piada - tentou sair da cama mas agarrei-a - para ti tudo é normal mas para mim não e muito menos quando sei que o meu irmão nos pode apanhar.
- Deixa o menino de fora - olhou-me - ou já te esqueceste que dormia no quarto dele quando nos amamos na primeira vez, tal como dorme hoje.
- Mas aqui sei que não entra o mesmo não posso dizer quando estamos na sala - sorri - não sei onde está a piada.
- Daqui a uns meses falamos - olhou-me chocada o que fez com que gargalhasse - Mariana é normal que não te sintas tão à vontade nestas primeiras vezes mas isso vai mudar e o que agora parece um absurdo vai deixar de o ser.
- Mas quem é que julgas que sou? - perguntou ofendida.
- A minha mulher - falei serenamente mas apanhei-a completamente de surpresa - amor estás agora a descobrir um conjunto de coisas novas e até admito que faça confusão pensares em certos detalhes mas também sei que daqui a um tempo falarás deles sem qualquer vergonha ou constrangimento.
- Não sei - voltou a deitar-se e por isso abracei-a puxando-a mais para mim.
- Sei eu - beijei-a demoradamente - dá tempo ao tempo.
A Mariana não respondeu e por isso acabamos por adormecer agarrados. Acordei com o meu amor a tentar sair da cama e por isso acendi a luz.
- Dorme - beijou-me - vou só ver o meu irmão e dar-lhe o medicamento - informou-me e só por isso é que a deixei ir, no entanto fiquei à sua espera e assim que se deitou voltei a puxá-la para mim. A Mariana uniu os nossos lábios deixando a sua língua se encontrar com a minha e sem que desse muito bem por isso voltamos a amarmo-nos para depois adormecermos.

***

Dois dias passaram e o Martim estava cada vez mais tristonho por isso dei a ideia de convidarmos os amigos dele que já tivessem tido varicela. A Mariana acabou por concordar comigo e convidou dois rapazes da turma do Martim com quem o menino costuma brincar.
A tarde foi de brincadeira, entretive-me com os miúdos enquanto a Mariana foi trabalhar, uma vez que a empregada da Patrícia precisava da tarde de folga. Mas apesar do Martim ter ficado contente continuava triste, sabia bem o que tinha ao contrário da Mariana que andava cada vez mais preocupada com o irmão por isso assim que os amigos dele se foram embora aproveitei que estávamos sozinhos para tentar convencer o Martim a falar com o meu amor, lógico que o menino não foi na conversa e voltou a pedir que não contasse nada.
Estava na sala quando a Mariana chegou e a primeira pergunta foi como é que estava o menino, contei-lhe como foi a tarde de brincadeira mas deixei-a de sobreaviso para que não esperasse muita alegria por parte do irmão pois este continuava triste.
- Mas afinal o que é que ele tem - olhou-me - Ruben sei que sabes por isso desembucha.
- Mariana, o menino está bem, esta tristeza passa-lhe.
- O Martim sempre foi uma criança alegre - sorri ao ouvi-la - onde é que está a piada.
- Amor, estás a criar um problema onde não existe, acredita que não é nada de preocupante.
- Ainda estou para saber o motivo pelo qual o Martim contou-te a ti e a mim não.
- Talvez porque sou homem - olhou-me - Mariana o teu irmão está a viver a sua primeira paixão e está com medo que a menina se esqueça dele porque não o pode ver - sorriu.
- Estás a gozar?
- Não, é a mais pura das verdade mas não fales disso com o Martim se o menino sonha que te contei vai ficar chateado, amor ele só falou comigo porque prometi que não dizia mas não consigo continuar a ver-te preocupada sem motivos.
- O meu irmão apaixonado?
- Ya.
- Não me faltava mais nada - gargalhei - pára de rir.
- Amor, desculpa mas tem piada, linda tens consciência que a paixão do puto não passa de uma brincadeira de crianças.
- O problema não é esse - olhei-a tenho consciência que isto não é motivo para ficar alarmada mas esta paixão deixa-o triste - sorrimos os dois - ó vida agora sofre de amores, isto está bonito ó se está.
- Faz parte do crescimento dele.
- Ruben o menino só tem sete anos.
- Então mas já ama perdidamente - sorrimos - amor é a comédia ouvir o Martim a falar da Helena.
- Porquê?
Teria respondido mas vi o Martim a entrar na sala, o menino sentou-se no colo da Mariana e ficou a receber mimos enquanto fui adiantar o nosso jantar. Comemos os três e no fim a Mariana foi dar banho ao menino.
Estava já na sala quando os vi a entrarem, o meu amor sentou-se do meu lado enquanto o menino preferiu o meu colo.
- Mana, quando eu ficar bom temos que voltar para a casa do Nuno? - a pergunta do menino apanhou-nos de surpresa e por isso interrompemos imediatamente a troca de mimos em que nos encontrávamos.
- Martim, nós só viemos para aqui porque estás doente mas assim que ficares bom regressamos.
- Mas eu não quero ir - sorri ao perceber que tinha um aliado de peso mesmo sem pedir.
- Martim porquê que estás a dizer isso? - a Mariana olhou-me talvez a tentar perceber se tinha sido eu a “encomendar” tal conversa.
- Porque eu gosto de morar aqui e quero tar contigo e com o Ruben- não estava a entender o porquê dele estar a insistir tanto.
- Martim foi o Ruben que pediu para falares isso? - o menino olhou-me a sorrir.
- Também queres morar comigo e com a mana? - perguntou visivelmente animado e com uma espontaneidade tremenda.
- Quero - olhei para a Mariana - mas para isso é preciso que a tua mana aceite - agora sim estava a usar o trunfo Martim a meu favor.
- Ó mana deixa lá - pedinchou agarrado ao seu pescoço - eu agora sei o que é ter um pai e uma mãe - olhei emocionado para o menino - e não quero ficar sem isso, o Ruben gosta da gente e nós gostamos dele e quando as pessoas gostam umas das outras moram juntas, né?
- Sim mas só depois de se conhecerem bem.
- Mas mana nós já conhecemos bem o Ruben - sorri ao ouvi-lo.
- Martim mas esta decisão não se pode tomar assim do nada.
- Não é do nada, tu namoras com o Ruben por isso não tem mal e eu quero tar sempre com o Ruben e isso só dá se ficarmos cá.
- Martim, explica à mana o motivo de quereres tanto ficar cá?
- Mana eu não sei explicar - o menino encolheu os ombros - eu só sei que tou a gostar muito destes dias, agora sei o que é ter um pai - a Mariana suspirou - e uma mãe. Mana promete que ficamos a viver aqui.
- Martim, não posso prometer isto - olhou-nos à vez - a única coisa que posso prometer é que vou pensar no assunto.
- Fixe - sorri perante a felicidade do menino talvez por saber que a Mariana dificilmente irá negar tal pedido ao irmão.

Mariana

Os dias passaram e com o Martim a melhorar chegou o momento de ter uma conversa séria com o Ruben, esperei que chegasse do treino e aproveitei que o meu irmão estava entretido a brincar para falar com o meu amor e assim que entrou em casa “raptei-o” levando-o comigo para o nosso quarto.
- O que se passa?
- Precisamos de falar.
- Não posso ir primeiro dar um beijinho ao Martim?
- Não - sentei-me na cama.
- Estás a assustar-me - sentou-se do meu lado - é grave?
- É tendo em conta que temos de tomar uma decisão que pode alterar por completo as nossas vidas - o Ruben olhava-me atento - amor - suspirei - andei estes dias todos a pensar se devo ou não ceder ao vosso pedido - sorriu ou não fosse saber do que falava - mas não consigo chegar a conclusão nenhuma por muito que queira ficar aqui contigo há algo que faz-me vacilar.
- Esse algo é o facto de não casarmos?
- Não tem nada a ver com isso - olhou-me - é verdade que gostava de casar mas não é nenhuma “sangria desatada” até porque continuo a dizer que ainda é muito cedo para dar tal passo.
- Então o que é?
- Ruben, sei que isto vai magoar-te mas tenho de ser sincera - olhou-me - apesar das provas que dás-me todos os dias contínuo com uma dúvida parva - suspirei - acreditas mesmo que nós podemos construir um amor sólido e verdadeiro daqueles para a vida?
- Acredito, Mariana amo-te como nunca amei ninguém, não tens essa noção porque não conheceste-me antes mas pergunta a quem quiseres quantas foram aquelas que deixei que se aproximassem de mim tão rapidamente e vais perceber que foste a única, tal como fui o primeiro rapaz que entrou na tua vida de forma completa também foste a primeira e única que deixou-me sem chão, Mariana conseguiste em meses o que outras nunca conseguiram em anos, contigo percebi o que é amar sem desconfiar até pelo contrário em ti confio de uma forma inexplicável, acredites ou não és a única a quem entreguei verdadeiramente o meu coração, aquela por quem daria a vida se fosse necessário.
- Ruben, tens noção que se aceitar viver contigo será uma decisão definitiva que não é algo para hoje estarmos juntos e daqui a uns meses regressares para Lisboa ou outro sítio qualquer e deixares-me para trás.
- O que mais quero é construir uma família contigo e com o Martim por isso se cederes podes ter certeza que será para a vida.
- Tenho medo - voltei a suspirar - nunca tive nada que fosse para a vida.
- Estás enganada - olhei-o - tens o Martim e tanto quanto sei nunca vacilaste vez nenhuma, o amor pode ser diferente mas se acreditaste no amor de irmãos acredita também naquele que nos une, não estou a pedir o mundo, estou simplesmente a pedir que acredites naquilo que sentes.
- Tudo bem - olhou-me expectante - aceito viver contigo - sorriu para logo depois beijar-me intensamente - mas com uma condição - falei assim que consegui.
- Diz.
- Ruben, já cedi em muita coisa até mais do que imaginava ser possível por isso a partir deste momento quero ir com calma, não vamos apressar mais nada, pode ser?
- Estás a falar em casarmos?
- E não só.
- Em filhos, é isso não é? Estás com medo que queira aumentar a família rapidamente?
- Não é medo mas sim estou a falar de filhos.
- Posso saber porquê?
- Ruben - hesitei talvez por saber que iria parecer egoísmo meu - antes de ser mãe quero cumprir com um sonho antigo - olhou-me atento - gostava de licenciar-me e de preferência antes de ter filhos, sei o trabalho que dá educar e criar uma criança, nunca na vida irei trazer um filho ao mundo se não puder dedicar-me a ele por isso ou faço uma coisa ou outra e sinceramente quero mais a primeira, é um sonho antigo e pelo qual lutei até ser obrigada a abandoná-lo para salvar o meu irmão.
- Amor acho bem que lutes por esse sonho, é um direito que tens além disso sempre te incentivei a recomeçares os estudos mesmo antes de namorarmos e isso não vai mudar só porque iremos viver juntos, muito pelo contrário será mais um motivo de orgulho que irás dar-me.
- Isso quer dizer que irás respeitar o meu egoísmo em não querer filhos para um futuro próximo mesmo sabendo que os queres ter?
- Mariana, é verdade que quero ser pai e nunca escondi isso mas não tem que ser já, aliás nós temos o Martim que apesar de não ser filho amamo-lo como se fosse, não é biológico mas o amor que sinto é igual, já me deste um filho e darás mais assim que concretizares o teu objetivo.
- Obrigada - abracei-o e acabamos deitados.
- Amor - olhei-o - quando é que contamos ao Martim?
- Daqui a uns dias, primeiro quero falar com o Nuno e a Patrícia.
- Tudo bem - beijou-me - outra coisa - sorriu - já te perguntei várias vezes mas nunca falaste - uni os nossos lábios.
- Quero licenciar-me em psicologia para trabalhar com crianças que se encontrem na mesma situação pela qual eu e o Martim passamos.
- Só podia - sorriu - mas sinceramente acho que devias começar a pensar já nisso para o próximo ano.
- Não será o ano melhor para regressar aos estudos.
- Porquê?
- Talvez porque não sei onde irei estar - olhou-me - por acaso sabes onde é que vais estar para conseguir orientar-me?
- Não - suspirou - desculpa - calei-o ao unir as nossas bocas.
- Não quero ouvir pedidos de desculpas se é para sermos um casal será em todos os momentos - sorriu - o que foi?
- Tirando o facto de ter uma mulher perfeita não se passa nada.
- Ruben, não sou perfeita também tenho defeitos.
Teríamos continuado a falar mas o Martim entrou no nosso quarto e acabou deitado no meu de nós, os minutos seguintes foram a três bem como os dias que se seguiram, o Ruben andava numa felicidade extrema e confesso que a cada dia que passava ficava mais serena da decisão que tomei.
Hoje acordei disposta a falar com os nossos amigos até porque o Martim já podia finalmente sair de casa e por isso levei-o a ver o Nuninho. Estava na sala à conversa com a Patrícia quando o Ruben e o Nuno chegaram, aproveitei que estávamos só os quatro uma vez que o Martim brincava com o Nuninho no seu quarto e a Inês tinha saído da sala para contar a novidade aos nossos amigos.
Eles reagiram bem tal como esperávamos mas acabamos por nos calar assim que a Inês entrou na sala e pela primeira vez a presença dela não me incomodou algo que o Ruben deve ter percebido porque sorriu. Estava na conversa com o Nuno quando o Martim entrou e sentou-se ao colo do Ruben, algo que não passou despercebido à Inês que resolveu mandar a piada ao afirmar que o Ruben agora anda a dar numa de pai de um filho que não é dele, não gostei do que ouvi mas não cheguei a responder porque o Ruben fê-lo por mim.
- Inês, estou mesmo a dar numa de pai, o Martim pode não ser meu filho biológico mas amo-o como se fosse.
- Cada vez convenço-me mais que a agitação de Lisboa anda a fazer-te falta.
- Posso saber porquê?
- Onde é que está aquele Ruben que gosta de sair e se divertir com os amigos, aquele que afirmou que não seria por vir para Braga que deixaria de conviver com o pessoal, aquele que prometeu visitar-nos sempre que pudesse.
- Inês, podes parar por aí, sou o mesmo Ruben.
- Não, não és mas também não vou estar a discutir isso contigo, já és grandinho o suficiente para fazeres as tuas próprias escolhas e viver com elas.
O Ruben não respondeu até porque a Inês deixou-nos sozinhos no entanto as suas palavras não saiam de forma alguma do meu pensamento, ainda assim tentei ignorar esse facto e aproveitar o resto da tarde de domingo ao lado do Ruben, do Martim e dos nossos amigos.
Depois do jantar o meu irmão ficou com sono e por isso foi-se deitar no quarto onde sempre dormiu mas foi o Ruben que o acompanhou, uma vez que fui deitar o Nuninho que também estava a fazer birra. Acabei por juntar-me aos meus dois amores mas quando entrei no quarto do Martim já ele dormia.
- Amor anda - agarrei-o pela mão e fomos até ao meu quarto.
- O que é que estás a fazer? - perguntou-me quando viu-me a abrir o roupeiro, onde ainda tinha a maioria da minha roupa e a retirar um vestido de lá.
- Quero ir dar uma volta - olhou-me - ou não queres?
- Amor por mim vamos mas e o Martim?
- O Martim está a dormir, duvido que acorde e se acordar a Patrícia olha por ele.
- Estou a ver que pensaste em tudo - sorriu.
- Ainda tens duvidas que namoras com alguém que pensa em tudo - o Ruben gargalhou - agora deixa-me mudar de roupa - pedi afinal estava grudado em mim.
- Posso saber onde a menina quer ir?
- Para qualquer lado desde que longe daqui - falei enquanto mudava de roupa e sob o olhar atento do Ruben.
- Amor, isso por acaso não está relacionado com o que a Inês falou, pois não? - olhei-o - É que se está aviso já que não tem fundamento nenhum - aproximou-se de mim - até porque Braga não é Lisboa nem tem tanto sítio para onde se possa ir.
- Não estou preocupada com o que a Inês diz ou deixa de dizer mas a verdade é que raramente saímos.
- Tanto quanto sei foste tu que quiseste isso.
- Eu sei - beijei-o - e se queres saber não mudei de opinião, continuo a querer ser o mais discreta possível mas isso não invalida que voltemos a sair como sempre o fizemos - o Ruben sorriu para logo de seguida beijar-me demoradamente.
- Ok, vamos então.
Assim que fiquei despachada saímos do quarto, passamos pela sala para nos despedirmos deles e certificar-me que a Patrícia não se importava de ficar a tomar conta do meu irmão. Quem se tentou colar foi mesmo a Inês mas o Ruben deu-lhe para trás ao afirmar que já tínhamos coisas combinadas, o que sinceramente deu-me vontade de rir mas como é lógico não o fiz.
Fomos beber café pelo centro da cidade mas dada a noite de inverno que se fazia sentir terminamos por ir até à casa do Ruben, onde passamos as horas seguintes a namorar sem ninguém para nos interromper.
- Amor, é verdade o Natal está a aproximar-se - elevei a minha cara que até ao momento estava no seu peito para o olhar - por isso quero comprar um presente ao Martim só não sei o quê, queria que fosse algo especial - sorri.
- Para o Martim basta que esteja connosco.
- Pois isso - olhei-o - amor onde é que estás a pensar passar a noite de consoada?
- Em Lisboa.
- Isso quer dizer que pudemos passar a noite juntos?
- Vais estar com a tua família - interrompeu-me.
- Por isso mesmo quero passar contigo e com o Martim, amor gostava de puder partilhar a noite convosco e com a minha família.
- Ruben, vais passar a noite na casa da tua mãe por isso não faz muito sentido irmos contigo.
- Se o problema é o convite não ser feito pela minha mãe podes ficar tranquila porque vais recebê-lo - olhei-o - a minha mãe pediu-me o teu número para ligar-te - sorriu - aceitas?
- Adianta dizer que não?
- A decisão é sempre tua mas por mim está decidido.
- Ok, então conta comigo e com o Martim mas agora tenho que ir.
- Não vais buscar o menino, a esta hora está a dormir.
- Ruben, não quero que acorde sem estar lá por casa mas se não queres ficar sozinho podes sempre vir comigo, dormes lá e amanhã segues com o Nuno para o treino - sorriu.
- Amor, a Inês já anda desconfiada se passo a noite lá - beijei-o sem lhe dar hipótese de continuar.
- Não quero saber da Inês para nada, além disso namoramos.
- Gosto de ouvir-te a falar assim - beijei-o.
- Vá, vamos que quero ir ver o Martim - sorriu - o que foi?
- És mesmo mãe galinha - olhei-o mas não respondi até porque o Ruben uniu os nossos lábios, ainda trocamos alguns mimos mas acabamos por ir até à casa dos nossos amigos.
Fui até ao quarto do meu piolho que continuava a dormir, por isso não perdi tempo e juntei-me ao Ruben que já estava no meu quarto, entrei e a visão que tive deixou-me com um sorriso no rosto, o meu amor não perdeu tempo e ajudou-me a ver-me livre da minha roupa, acabamos por nos amar e só depois adormecemos nos braços um do outro.

***

Acordei primeiro que o Ruben mas fiquei a observá-lo por uns minutos até que o vi mexer-se não resisti por muito mais tempo e aproximei-me ainda mais dele iniciando uma sessão de pequenos beijos repinicados pelo seu rosto que culminou com uma união perfeita das nossas bocas.
- Bom dia amor - falou assim que separamos os lábios - Vai ser tão bom poder acordar todos os dias contigo do meu lado - sorri - ainda parece um sonho - suspirou.
- Talvez seja mesmo um sonho - beijei-o - mas um sonho tornado realidade - sorriu.
- Amo-te.
- A quantas é que não deves já ter dito isso - espicacei-o.
- Não foram assim tantas e sabes bem disso mas a verdade é que menti a todas - olhei-o - pois só contigo é que descobrir o que é amar na plenitude - voltou-se na cama deixando-me por baixo dele - Mariana, hoje sei que o que vivi e senti no passado foi paixão e não amor, porque amor é o que sinto por ti sem a sombra de dúvidas - olhava-o atenta - a verdade é que nunca senti algo assim tão forte por ninguém.
Não respondi limitei-me a unir as nossas bocas e o que era um beijo inocente depressa deixou de o ser e ainda mais depressa vi-me livre da camisola do seu pijama, estávamos dispostos a amarmo-nos mas fomos interrompidos por quem não esperava, a Patrícia entrou sem pedir e apanhou-nos numa troca de mimos ainda minimamente decente.
- Desculpem - quando reparou apressou-se a pedir perdão e a fechar novamente a porta, inevitavelmente gargalhei perante a situação algo que fez o Ruben olhar-me surpreso.
- Que foi?
- Nada mas pensei que fosses ficar envergonhada e afinal achaste piada - beijei-o.
- Teve a sua certa piada - beijou-me novamente - a Patrícia ficou mesmo atrapalhada.
- Quem a mandou abrir a porta sem pedir autorização.
- Ruben, provavelmente pensou que o quarto tivesse vazio - sorrimos - afinal não avisamos que vínhamos cá dormir - sorri - por isso o melhor é levantarmo-nos até porque tens treino e o Martim hoje já vai à escola.
O Ruben concordou comigo e por isso vestimo-nos, fui acordar o meu piolho e depois de vesti-lo fomos comer. O Martim assim que viu o Ruben apressou-se a dar-lhe um beijinho ternurento o que fez os nossos amigos sorrirem e a Inês olhar intrigada. O Ruben e o Nuno saíram para o treino enquanto fui levar o meu piolho à escola.

Como será os próximos tempos? Que surpresas irá ter o casal?

Desculpem a demora mas estive uns dias de férias por isso foi impossível deixar-vos um novo capítulo. Espero que estejam a gostar do rumo da história e se puderem comentem para saber quais as vossas expectativas.
Beijinhos :D

segunda-feira, 23 de julho de 2012

041 - “Podias começar a gerir a nossa casa”


Ruben

A semana passou a correr entre os meus treinos, os do Martim e o tentar dar atenção ao miúdo quando só me apetecia raptar a sua irmã não dei pelos dias passarem. Hoje acordei extremamente bem-disposto afinal amanhã já irei ter a Mariana só para mim, uma vez que o Martim pediu para não ir connosco porque queria jogar, algo que nem eu nem a irmã contrariamos.
Passei o dia inteiro sem conseguir falar com o meu amor, já estava a ficar preocupado quando recebi uma chamada sua e no mesmo momento que a atendi percebi que alguma coisa se passava, a voz dela estava estranha e por isso não perdi tempo a perguntar o motivo.
- Passa-se alguma coisa?
- Porquê?
- A tua voz está estranha - suspirou.
- É o Martim - interrompi-a.
- O que se passa? O menino está bem? - o Nuno que estava comigo no quarto olhou imediatamente.
- O Martim está com varicela.
- Isso dá muito comichão - gargalhou ligeiramente.
- Já tiveste?
- Quando era puto mas porquê?
- Amor, liguei-te para perguntar se já tinhas tido, uma vez que preciso de um sítio para ficar nos próximos dias com o Martim porque não o vou levar para a casa do Nuno com a Patrícia grávida ainda por cima quando nunca teve varicela.
- Se o teu problema era esse podes ficar tranquila que gramei com a varicela em pequeno, já não há crise mas e tu apanhaste?
- Ya, eu e mais não sei quantas crianças na instituição, as que ainda não tinham apanhado foram quase todas corridas, foi uma festa ficamos todos doentes sem irmos à escola, enfim foi uma animação pegada - gargalhei - mas que não teve piada nenhuma.
- Mas como é que o Martim está?
- Está triste, o menino ficou assim quando percebeu que não podia ir à escola o que sinceramente achei estranho.
- Porquê?
- Amor, o Martim ultimamente só vê o futebol se não formos nós a insistir com ele nem os trabalhos da escola faz e agora ficou triste porque não pode ir às aulas - gargalhei ou não fosse saber o motivo pelo qual o puto ficou triste - estás a achar piada?
- Mariana o menino não quer as aulas quer é a brincadeira.
- Disso sei eu mas agora mudando de assunto posso levá-lo para a tua casa?
- Isso nem se pergunta, tens a chave para alguma coisa além disso já te disse que a casa só não é nossa porque não queres - o Nuno olhou-me e sorriu.
- Isso é outro assunto.
- Pois desconversa - ripostei.
- Amor, vou ter que desligar o médico do Martim quer falar comigo.
- Tudo bem mas se precisares de alguma coisa liga - ouvi-a a sorrir.
- Lindo já ajudaste ao deixares que invadíssemos a tua casa agora descansa que trato do resto - suspirou - amo-te.
- Também te amo - o Nuno voltou a sorrir - depois dá notícias.
- Ok, beijos.
- Para ti também e dá muitos ao Martim por ti e por mim - voltou a sorrir e depois de mais algumas palavras acabamos por desligar.
- É mesmo oficial, estás mesmo apanhadinho - olhei para o Nuno - mas o que é que o puto tem?
- Está com varicela e a Mariana não o quer levar para a vossa casa por causa da Patrícia.
- Pois, ela nunca teve varicela.
- Ya a Mariana disse-me - deitei-me na cama a olhar para o teto.
- Ficaste mesmo preocupado com o Martim - olhei-o e encontrei-o a sorrir.
- Varicela não é nada de outro mundo mas também a tive e sei bem a comichão que dá, já para não dizer que estes dias para o Martim vão ser complicados.
- Ui, o puto ficar sem ir aos treinos é o mesmo que dizer que vai andar de burro.
- O problema não será bem este mas sim outro.
- Como assim?
Sorri mas não respondi, afinal é assunto do Martim e o miúdo só falou com a promessa que não contaria a ninguém.
Passei as horas seguintes a olhar constantemente para o relógio, parecia que o raios dos ponteiros nunca mais se mexiam, quem aproveitou para gozar comigo foi o Nuno mas sinceramente nem liguei. Ainda falei com o meu amor antes do jogo, eles já estavam em casa e à minha espera.
O jogo acabou por correr bem, ganhamos mas isso era o que menos importava, só queria chegar a Braga o quanto antes e por isso fui dos primeiros a ficar despachado algo que foi motivo para gozo por parte de alguns colegas, ignorei e fui para o autocarro sempre acompanhado pelo Nuno.
- Tem calma que o puto não foge.
- Isso é fácil de dizer mas se fosse o Nuninho queria ver - sorriu - não sei onde está a piada.
- Estás mesmo a levar a sério o papel de pai - voltou a sorrir - até já sofres como um.
- Não gozes que não tem piada. Eles já se despachavam - o Nuno sorriu.
- Hey respira já falta pouco para poderes ires consular o Martim ou será mais a Mariana.
Não respondi, decidi mesmo ignorá-lo antes que me chateasse a sério. Esperei e desesperei até que o último colega entrou no autocarro, seguimos viagem até ao estádio AXA que por sorte foi rápida ou não fosse o jogo ter sido em Guimarães, mal cheguei a Braga saí o mais rápido que consegui do autocarro entrando logo depois no meu carro e conduzi direto a casa.
Assim que entrei em casa fui imediatamente ao quarto do Martim, ele estava deitado mas assim que viu-me sentou-se na cama.
- Então campeão como é que isso está?
- Mal - estava chateado - já viste agora não posso ir á escola nem ir treinar.
- É só durante uns dias, passa depressa vais ver - falei já sentado do seu lado.
- Mas assim não posso ver os meus amigos - sorri - não é para rir porque não tem piada.
- Lindo, quando reparares já estás novamente na escola.
- A mana disse que também tiveste isto - sorri ao ouvi-lo.
- Quando tinha mais ou menos a tua idade também apanhei varicela e depois passei ao meu irmão.
- Pois o médico disse que se fosse á escola que podia passar aos outros meninos por isso tenho de ficar em casa.
- Vais ver que estes dias passam depressa - dei-lhe um beijinho na testa e quando o estava a fazer vi a Mariana a entrar no quarto com um pequeno lanche para o menino.
- Não dei por teres chegado - falou assim que se aproximou da cama.
- Vim direto ao quarto do Martim - ele sorriu - queria vê-lo.
- Tanto quanto sei quem namora contigo sou eu - sorri e aproveitei o facto de ter largado o tabuleiro com o lanche do irmão em cima da mesa-de-cabeceira para a puxar para mim, ficamos de frente um para o outro.
- Ó Martim já viste a tua mana com ciúmes teus - falei num tom de gozo - aqui quem está doente é o menino e não tu - piquei-a e quando ia para unir os nossos lábios a Mariana desviou a cara - então?
- Então que aqui o doente tem que comer e já que estás assim tão preocupado com o Martim trata tu dele, tens aí a comida e o medicamento para lhe dares no fim - falou ao mesmo tempo que se desprendeu dos meus braços - lindo agora que arranjaste um enfermeiro a mana vai à casa do Nuno buscar algumas coisas que vamos precisar, pode ser?
- Sim - a Mariana deu-lhe um beijinho - mas mana ficaste chateada com o Ruben? Ele tava só a brincar contigo - sorrimos ao vê-lo realmente preocupado.
- Amor, a mana não está chateada - olhou-me - mas agora vou buscar as nossas coisas, já regresso - deu-me um beijo no rosto - juízo - ela já se ia a afastar quando a puxei novamente para mim - o que foi?
- Onde pensas que vais - olhou-me.
- Já disse, à casa do Nuno porquê?
- Primeiro quero o meu beijo - voltei a tentar beijá-la mas mais uma vez fugiu com a cara.
- Agora queres beijos? Então vais ter que esperar que regresse porque se tivesses assim com tantas saudades minhas tinhas ido à minha procura quando chegaste.
Não respondi e por isso mesmo saiu do quarto toda senhora de si, o que deu-me vontade para rir, algo que fiz e por isso tive que explicar ao Martim, uma vez que o menino não tinha entendido. Passei os minutos seguintes com o piolho, dei-lhe o comer e no fim a medicação para depois ficarmos os dois à conversa que só foi interrompida quando recebi a mensagem da Mariana a pedir que a fosse ajudar a tirar as malas do carro, avisei o Martim que ia ajudar a irmã e que já regressava para perto dele.

Mariana

Passei o dia inteiro com o meu irmão, o Martim estava chateado porque tinha de faltar à escola algo que deixou-me com a “pulga atrás da orelha” uma vez que o Martim até á um tempo ainda fazia birra por ter que ir para a escola, no entanto resolvi não puxar muito o assunto pois percebi que o menino não queria falar disso.
Vi o jogo do braga com o Martim do meu lado mas no final obriguei-o a ir para a cama, o menino estava a ficar novamente com febre e tinha que descansar, deixei-o no quarto e fui preparar algo para comer. Quando regressei ao quarto deliciei-me com a imagem que tinha diante de mim, o Ruben já tinha chegado e estava com o meu irmão, vê-los aos dois assim tão unidos deixa-me sempre com uma sensação de paz enorme no entanto tive que implicar com o Ruben quando percebi que tinha sido trocada pelo Martim, lógico que foi na brincadeira algo que o meu amor percebeu já o Martim ficou a pensar que estava mesmo chateada, acabei por sair do quarto e deixar que o Ruben “descalçasse a bota” afinal se quer ser pai então é bom que se vá habituando.
Fui até à casa do Nuno e assim que entrei encontrei o meu amigo na sala, tive a confirmação do que já desconfiava, o Ruben tinha ficado mesmo preocupado com o meu irmão. Estive uns minutos à conversa com o Nuno onde fiquei a saber com detalhes o “estado” em que tinha deixado o Ruben depois de lhe dar a notícia da doença do Martim, acabei por dar algumas gargalhadas afinal não esperava que o Ruben fosse ficar tão aflito.
Estava no meu quarto a colocar algumas roupas na mala quando a Patrícia pediu autorização para entrar.
- É desta que fico sem ti - olhei-a sem entender - cá para mim essas malas só têm um “v” de vai.
- O que queres dizer com isso?
- Mariana, achas mesmo que vocês voltam para cá?
- Lógico que sim, aliás só fui para a casa do Ruben porque estás grávida e não convém teres contato com a varicela, mas daqui a umas semanas regressamos.
- Isto é se o Ruben não puder fazer nada - sorriu.
- Onde é que queres chegar com esta conversa?
- Duvido muito que consigas regressar para cá - sorriu - Mariana o que quero dizer é que aproveites estes dias para pensares - olhei-a - não estou a correr contigo cá de casa muito pelo contrário mas ambas sabemos que o Ruben está “mortinho” para viver convosco, não tenhas medo em dar um rumo definitivo à vossa vida, principalmente à tua e à do Martim, dá essa oportunidade aos três.
- O problema não é dar uma oportunidade mas sim saber se estou preparada para uma vida a três, Patrícia viver com o Ruben é muito mais do que mudar de casa, é partilhar o dia-a-dia com ele e sinceramente tenho receio em precipitar-me, a verdade é que nunca partilhei o meu espaço com ninguém.
- Deixa de ser tonta, mete esses receios todos a um canto e aproveita estes dias para pensares e quanto a nós - voltei a olhá-la - não é por deixares de viver cá em casa que irás deixar de cuidar do Nuninho, sim porque consigo abdicar da presença da amiga se for para ir viver com o namorado mas da ama do meu filho nem penses - sorri - a sério só quero que entendas que por nós não haverá problema nenhum.
- Obrigada.
- Agora outra coisa - olhei-a - eu e o Nuno vamos aproveitar a interrupção do campeonato pelo natal para irmos passear por isso terás uns dias de descanso uma vez que o Nuninho vai connosco - sorriu - aproveita e faz o mesmo, desafia o Ruben a ir contigo passar uns dias longe de tudo e de todos.
- Nem penses - olhou-me - nesta altura do ano não me separo do Martim nem que pagassem rios de dinheiro - sorriu.
- Então leva-o convosco.
- Prefiro passar esses dias em Lisboa, o Martim está com saudades dos amigos e querendo ou não o pessoal da instituição é a nossa família, além disso o Ruben deve querer aproveitar para estar com a sua família, não faz muito sentido irmos de férias nesta altura.
- Realmente o Ruben não poderia arranjar melhor - sorriu - se ele é ligado à família, tu não lhe ficas nada atrás.
Continuamos a falar mas tivemos que interromper quando fechei a mala com a roupa do meu piolho, o Nuno ajudou-me a colocar tudo no carro que apesar de ser só para uns dias ainda levei algumas malas, afinal além da roupa tive de levar os brinquedos preferidos do Martim ou então já sabia que amanhã estava de regresso pois o menino pode estar rodeado dos melhores brinquedos mas se não tiver os dele não há quem o cale.
Despedi-me dos meus amigos bem como do Nuninho e conduzi de regresso à casa do Ruben que durante os próximos dias será a minha também. Assim que cheguei mandei-lhe mensagem a pedir ajuda e uns minutos bastaram para o ter diante de mim.
- Olha lá que brincadeira foi aquela - olhei-o - tinhas mesmo que fingir que ficaste aborrecida comigo?
- Porquê? - perguntei ao passar ao seu lado.
- Porquê? Ainda tens o descaramento de perguntar?
- Não fingi nada, só te dei o mesmo tratamento que me deste, afinal foste tu que chegaste e nem sequer chamaste por mim, é porque não devias ter assim tantas saudades minhas - tive que controlar a vontade que tinha de rir, o Ruben ao contrário do que esperava acreditou que pudesse estar mesmo aborrecida.
- Amor desculpa mas quando cheguei só quis ver o menino para ter a certeza que estava bem, nunca pensei que ficasses ressentida - aproximou-se e colocou uma das suas mãos na minha cara e a outra no fundo das costas - amo-te mas confesso que estava preocupado com o Martim - sorri perante a sinceridade das suas palavras - desculpa.
- Não tenho nada para desculpar - olhei-o nos olhos - só a agradecer - beijei-o demoradamente - Ruben, não estou nem nunca estive aborrecida contigo - suspirei - muito pelo contrário estou completamente “sem chão” perante a tua sincera preocupação, demonstraste mais uma vez a pessoa fantástica que és mas principalmente que estás mesmo disposto a seres o pai do meu irmão.
- Então porquê que reagiste daquela forma - sorri.
- Porque se fosse fazer aquilo que me apetecia e continua a apetecer garanto que o meu irmão ficaria chocado - enquanto falava um sorriso malandro surgiu no rosto do Ruben - queres mesmo continuar a jogar conversa fora - aproveitei a proximidade dos nossos corpos para lhe sussurrar ao ouvido - é que estou mais numa de ir até ao interior da casa e ficar assim juntinha a ti - beijei-o e uns segundos bastaram para sentir as mãos do Ruben a irem até ao interior da minha camisola.
O Ruben ajudou-me a levar as malas e enquanto foi colocar a minha no quarto dele, levei a do Martim para o seu quarto. Estava a arrumar a roupa do meu irmão quando o Ruben entrou no quarto e ao passar por mim deu-me um beijo rápido o que fez o Martim sorrir, talvez porque pensava que estava aborrecida com o Ruben.
- Lindo precisas de alguma coisa? - perguntei antes de sair uma vez que o meu irmão basicamente expulsou-me do seu quarto.
- Não, o Ruben lê a história até eu adormecer né? - o meu amor sorriu-lhe.
- Sim, mas é mesmo para ires dormir - alertou-o.
- Tá bem.
Acabei por sair e deixá-los a sós. Fui até ao quarto do Ruben onde entretive-me a arranjar um espaço no seu roupeiro para colocar a minha roupa, era isso que estava a fazer quando o vi a entrar. O Ruben fechou a porta e ficou a olhar-me, continuei na minha até que senti os seus braços em volta da minha cintura.
- O menino já adormeceu - falou ao meu ouvido direito para logo depois sentir os seus lábios no meu pescoço - que dizes de um duche a dois - beijou-me.
- Um duche é uma ótima ideia - sorriu - mas um de cada vez - o seu sorriso desapareceu - que foi?
- Nada mas preferia que fosse a dois.
- Olha lá mas não te lavaste depois do jogo?
- Lógico que sim.
- Então não vejo motivo nenhum para quereres ir novamente para debaixo de água - deitei-lhe a língua de fora que nem criança para fugir dos seus braços no instante seguinte.
Acabei por seguir o seu conselho e aproveitei ao máximo o duche, não sei se levei muito tempo ou não, só sei que quando saí da casa de banho não o encontrei no quarto. Vesti-me e fui à sua procura, o Ruben estava na sala a ver o resumo de um jogo qualquer e só percebi que era o Benfica quando ouvi um comentário ao jogo. O meu amor estava tão atento que não reparou na minha presença, só quando sentei-me do seu lado é que despertou para a realidade.
- Porquê que saíste do Benfica? - olhou-me.
- Sabes o motivo.
- Sei que querias jogar mais mas tenho a sensação que há algo que não contaste - suspirou - não queres falar sobre isso?
- Mariana, foi uma decisão complicada para mim, por um lado tinha vontade de jogar mais e sabia que podia fazê-lo por outro o amor ao clube, é por isso que não gosto de falar do assunto.
- Qual é que foi o motivo pelo qual não jogavas?
- O Benfica tem um plantel forte e depois por ser polivalente - sorriu talvez pela cara que fiz - não sabes o que isso quer dizer pois não?
- Sei o que a palavra significa - sorriu - e adaptando isso ao futebol deve significar que jogas em várias posições, é isso?
- É - abraçou-me - aos poucos ficas pró no assunto - sorriu - mas como estava a contar por conseguir jogar em várias posições acabei por ficar no banco, passei a ser “pau para toda a obra” e isso prejudicou-me na medida que não evolui tanto como alguns colegas meus, já para não falar que foi raro as vezes que joguei na minha posição e isso deixa-me triste para ser sincero nem consigo explicar.
- Mas agora tens jogado e é isso que interessa ou estás a pensar em regressar?
- Não - olhou-me - por mim fico em Braga mas isso não depende só da minha vontade.
- Mas se tiveres de regressar?
- O que queres saber em concreto?
- Quero saber como é que te vais sentir - sorriu.
- Para ser sincero nem sei mas também não quero pensar muito nisso, se tiver que acontecer estarei cá para lidar com a situação mas até lá prefiro viver um dia de cada vez e aproveitar todas as oportunidades para estar contigo - puxou-me para o seu colo, beijando-me imediatamente e o que começou por ser um beijo inocente depressa o deixou de ser, deixei-me levar e uns minutos depois já estava deitada por baixo dele - o que foi? - perguntou talvez por ter percebido que não estava a corresponder como pretendia - não queres?
- Não é isso - beijei-o - estamos na sala - falei com uma ponta de vergonha à mistura e talvez por isso sorriu.
- Qual é o mal? - beijou-me o pescoço.
- Pára - coloquei as mãos no seu peito e empurrei-o.
- Desculpa - bufei o que fez com que olhasse para mim.
- Ruben não tens que pedir desculpas mas não nos podemos esquecer que o Martim pode acordar e apanhar-nos nestes propósitos.
- Então vamos para o quarto - o Ruben levantou-se imediatamente e acabei por segui-lo sempre com ele a tentar levar a “água ao seu moinho” no entanto não estava virada para esse lado e assim que cheguei à cama fiz questão de lhe dizer que queria dormir, o Ruben ainda olhou para ter a certeza que não estava a gozar. Acabamos por adormecer cada um virado para o seu lado e quando acordei já não o tinha na cama.

Ruben

Acordei cedo e como não tinha sono levantei-me, a nega da Mariana deixou-me a pensar a noite toda, afinal desde aquela noite em que se entregou a mim ainda não consegui aproximar-me dela, a Mariana tem fugido sempre que tento algo mais o que está a deixar-me cada vez mais desconfiado que possa ter-se arrependido. Estava a pensar nisso quando vi o Martim a entrar na sala.
- Ruben tenho fome - sorri ao ouvi-lo.
- O que queres comer?
- Pode ser leite com cereais?
- Pode, anda comigo até à cozinha - deu-me a mão e fomos comer.
- O que é que tens?
- Nada, porquê?
- Estás triste - olhei-o surpreendido - eu sei que tas só não sei o porquê.
- Martim, não estou triste mas sim preocupado com um assunto.
- É com a mana?
- Não - menti para não o deixar preocupado.
- Então porquê que ela não tá aqui com a gente - sorri-lhe.
- Lindo, a mana ainda está a dormir.
- Mas tu já tas acordado.
- Acordei sem sono por isso levantei-me para deixar a Mariana descansar mas isso não é sinal de que esteja chateado com ela.
- Tás a dizer a verdade?
- Sim, estou. Martim não te preocupes que nós não estamos chateados - dei-lhe um beijinho na nuca ao passar por trás dele - e agora come porque tens os medicamentos para tomar.
A verdade é que não estávamos chateados mas a dúvida mantinha-se na minha cabeça, comi e no fim dei a medicação ao menino, acabei por acompanhá-lo ao quarto onde fiquei até voltar a adormecer. Como a Mariana continuava a dormir resolvi ir correr, talvez assim conseguisse meter as ideias em ordem, tinha que falar com ela só não sabia como abordar o tema. Deixei-lhe um bilhete a avisá-la que tinha dado o medicamento ao menino e saí de casa.
A hora seguinte serviu para gastar alguma energia e quando regressei a casa já a Mariana estava acordada mas ainda se encontrava na cama.
- Isso é que é vontade - falou ao ver-me a entrar no quarto - o que é que te deu para ires correr tão cedo?
- Nada, acordei sem sono e depois de deixar o Martim a dormir resolvi ir correr.
- Por algum motivo em especial?
- Não, apeteceu-me.
- Ruben, só vais correr quando algo te está a incomodar caso contrário esperas pelos treinos para gastares as energias - olhei-a - não queres mesmo falar?
- Vou tomar banho.
Esquivei-me como consegui e quando regressei ao quarto a Mariana já não se encontrava na cama, vesti-me e fui procurá-la.
- Ruben, podes ficar com o Martim enquanto vou ao supermercado? - perguntou-me assim que entrei na cozinha, ela estava a fazer a lista das compras.
- Posso - dei-lhe um beijo - mas não queres ajuda?
- Alguém tem de ficar com o menino.
- Tudo bem - sentei-me ao seu lado - estás aborrecida comigo?
- Não mas já percebi que alguma coisa anda a incomodar-te - suspirei.
- Amor não leves a mal mas prefiro não falar disso agora - olhou-me.
- Ruben, quando quiseres falar vou estar aqui para ouvir - beijou-me - não posso nem vou obrigar-te a falar porque detesto que façam isso comigo, só quero que saibas que se precisares de alguma coisa estou aqui à tua disposição.
- Eu sei e obrigado por respeitares o meu espaço - sorriu - o que foi?
- Nada só achei piada agradeceres tal coisa quando o teu espaço é um direito que tens.
- Pois mas nem todas as pessoas pensam assim e a pior coisa é sentirmos que nos estão a sufocar.
- Ruben para uma relação resultar temos que respeitar o espaço de cada um, pelo menos é assim que penso. Tens direito ao teu espaço e ao teu tempo nem todos lidamos com as mesmas situações de formas iguais, o que para mim pode passar-me ao lado para ti pode causar mossas, é normal que tenhamos alturas em que precisamos de tempo para digerirmos determinado assunto logo só posso respeitar isso, sei que quando te sentires preparado que falas, é só uma questão de tempo até saber o que te anda a preocupar.
Não lhe respondi por palavras mas sim por atos, beijei-a calmamente e em menos de nada já a tinha sentada ao meu colo, a iniciativa foi da Mariana o que acabou por serenar-me um pouco. Ficamos a namorar nos minutos seguintes mas o meu amor acabou por sair para ir ao supermercado e quando regressou já estava na brincadeira com o Martim.  

Mariana

O Ruben anda estranho mas resolvi respeitar o seu espaço mas avisei-o que se precisasse de alguma coisa que podia contar comigo. Acabei por deixá-lo com o Martim e fui ao supermercado, quando regressei encontrei-os aos dois na sala e na brincadeira. O meu amor assim que deu pela minha presença veio ajudar-me com os sacos e fez questão de ajudar também na altura de arrumar as compras nos devidos locais.
- Como é que sabias que precisava disto? - perguntou com o frasco de champô nas mãos.
- Talvez porque vi que o que tens está praticamente a acabar e que não tinhas mais nenhum - sorriu.
- Sempre atenta.
- Ruben não te esqueças que estou habituada a gerir uma casa - abraçou-me.
- Podias começar a gerir a nossa casa - olhei-o.
- Não vais começar com essa conversa.
- Achas a ideia assim tão descabida?
- Amor não é isso, só acho que temos muito tempo para vivermos juntos.
- Fazemos um acordo - olhei-o - não toco mais no assunto mas falamos dele assim que o Martim ficar bom e antes de regressares para a casa do Nuno.
- Tudo bem mas aviso que não vais conseguir convencer-me.
- A ver vamos - beijou-me demoradamente - amo-te.
- Sabes muito - sorriu.
Continuamos a arrumar as compras e no fim avisei-o que iria até ao quarto mudar de roupa para algo mais confortável. Estava a escolher a roupa que iria vestir quando o Ruben entrou no quarto sem pré-aviso, ainda tentei reclamar mas não tive sequer tempo para tentar formular uma frase quanto mais para a dizer, o meu amor simplesmente puxou-me para ele unindo as nossas bocas num longo e demorado beijo, as saudades aliadas à vontade de ser dele novamente falaram mais alto e foi minha a iniciativa de procurar algo mais, estava a tentar ver-me livre da sua camisola quando bateram à porta, suspirei e após agarrar na minha roupa para ir vestir-me pedi ao Ruben para ver o que o Martim queria.
Regressei ao quarto e encontrei o Ruben deitado na cama a mexer no seu telemóvel.
- O que é que ele queria?
- Perguntar se podia ir jogar PES.
- Deixaste-o?
- Sim, está na sala mas porquê não devia ter deixado?
- Desde que não passe o dia a jogar - sorriu - e agora conta lá o que tens - perguntei ao vê-lo pensativo - estás aí a olhar para o telemóvel.
- Estive a falar com o meu irmão e ao que parece o meu afilhado está cada vez mais reguila - levantou-se da cama - o puto está na fase de interromper sempre que eles estão mais animados - beijou-me o pescoço e levou as mãos até ao interior da minha camisola.
- Amor, pára- pedi mas o Ruben fez “ouvidos de mercador” e continuou numa de provocar-me, acabei por afastar-me dele um pouco à bruta.
- O que é que se passa?
- Nada, tenho o almoço para fazer - respondi serenamente.
- Ainda falta - voltou a puxar-me para ele - amor estavas a ir tão bem antes de sermos incomodados pelo Martim - falou enquanto os seus lábios e língua andavam a passear pelo meu pescoço.
- Ruben depois - olhou-me - agora quero mesmo ir preparar o nosso almoço - dei-lhe um beijo rápido nos seus lábios e sai do quarto sem mais demoras antes que tentasse alguma coisa pois tinha consciência que se continuasse numa de provocar-me iria acabar por ceder.
- Tudo bem mas depois vais compensar-me - “rosnou” ao passar por mim o que fez com que gargalhasse - achas piada, é? - sem que tivesse à espera o Ruben voltou-se para trás e começou numa de fazer cócegas, só parou quando fomos novamente interrompidos pelo Martim que veio chamá-lo para jogarem juntos.

***

Já tínhamos almoçado os três e o Martim já estava a dormir no seu quarto quando ouvimos a campainha, levantei-me e fui ver quem seria.
- Boa tarde - não conhecia a rapariga de lado nenhum - sou amiga do Ruben, ele está?
- Sim, entre - fui educada - Ruben tens aqui uma amiga - falei assim que entrei na sala acompanhada da rapariga.
- Inês - notei surpresa no tom da sua voz.

Quem será esta Inês? Irá trazer problemas ao casal?

Primeiro quero pedir-vos desculpa pela demora em publicar :S
Espero que o capítulo corresponda às expectativas! Tentarei ainda durante a semana dar-vos mais um capítulo mas não prometo.
Beijinhos :D