Ruben
Como fiquei a dormir na casa do Nuno e uma vez que a Mariana
precisava do carro para ir levar o Martim à escola acabei por ir com o Nuno
para o treino.
- O Martim está cada
vez mais apegado a ti - sorri ao ouvi-lo.
- Ainda bem.
- Gostas mesmo do
miúdo.
- Ya.
- O menino já sabe da
vossa decisão?
- Ainda não lhe
contamos que vamos viver os três juntos porque a Mariana queria falar primeiro
convosco mas hoje já lhe devemos dizer, porquê?
- Como é que achas
que irá reagir?
- Bem.
- Estás mesmo
confiante.
- Nuno, o Martim
pediu à Mariana com as letras todas para vivermos os três - o Nuno olhou-me
admirado quando já estávamos a sair do carro uma vez que tínhamos chegado ao
estádio - por isso vai ficar radiante
quando souber.
- O menino pediu
isso?
- Sim, nós já
tínhamos falado os dois sobre o assunto mas nunca em frente do Martim mas
nestes dias o menino pediu para viver comigo e com a irmã, basicamente quer uma
família como os amigos dele têm.
- E a Mariana como
reagiu?
- Prometeu que iria
pensar no assunto.
- Posso fazer uma
pergunta?
- Diz.
- Vocês vão viver
juntos porque querem ou há algum motivo escondido nessa vossa decisão?
- Como assim?
- Tipo - olhou-me
- um bebé a caminho - gargalhei
fortemente ao ouvi-lo não esperava de todo que o Nuno se saísse com esta - onde é que está a piada?
- Em lado nenhum mas
confesso que não esperava tal pergunta. De onde é que tiraste essa ideia?
- Oh no mínimo é
estranho, esta pressa toda de irem viver juntos, a Mariana não é nada dada a
essas coisas.
- A Mariana refletiu
e muito na decisão a tomar, se aceitou é porque acredita no nosso amor e para
ficares tranquilo não vem bebé nenhum a caminho.
- Tens a certeza?
- voltei a sorrir.
- Sim, ainda sei
aquilo que faço mas agora deixa lá de imaginar bebés a caminho e vamos entrar.
O Nuno não insistiu mais no assunto e depois de nos
equiparmos seguimos para o campo, o treino correu bem e no fim despachamo-nos.
Regressei com o meu amigo e assim que entramos demos de caras com a Inês,
troquei meia dúzia de palavras com ela mas acabei por ir ter com a Mariana.
- Já chegaste -
beijou-me assim que aproximei-me.
- Parece que sim
- sorriu - amor quando é que contamos ao
Martim a novidade? - perguntei ao vê-la a colocar os seus pertences em
caixas.
- Estou a pensar ir
buscá-lo à escola para lancharmos os três aproveitamos e contamos.
- Amor por mim pode
ser mas logo tenho treino, aliás tens mesmo que ser tu a ires buscá-lo porque o
treino foi antecipado.
- Na boa, vou
buscá-lo e depois encontramo-nos.
- Podem sempre ir
assistir ao treino uma vez que é aberto ao público e assim ias-me buscar.
- Tens cá uma lata
- atirou-me com a almofada à cara, lógico que não me fiquei e nos minutos
seguintes se alguém entrasse naquele quarto diria que parecíamos dois putos em
plena guerra de almofadas - pronto já
chega - pediu ao sentar-se na cama.
- É verdade a nossa
decisão de vivermos juntos já deu asas à imaginação do Nuno - falei ao
deitar-me do seu lado.
- Como assim? -
olhou-me.
- Amor, o Nuno
perguntou-me se o não existe um motivo oculto na nossa decisão de vivermos
juntos.
- Qual motivo?
- Passou assim
momentaneamente na cabeça dele que pudesses estar grávida - a Mariana
gargalhou.
- Não deve estar bom
daquela cabeça.
- Pois foi isso que
também pensei.
- Mas esclareceste-o,
certo?
- Sim e agora anda cá
- puxei-a para mim e ficamos a namorar.
***
Estávamos entretidos a falar e a colocar os seus pertences
nas caixas sempre com brincadeiras à mistura quando bateram à porta, abri-a e
assim que o fiz vimos a Inês.
- Precisas de alguma
coisa?
- Vim convidar-te
para almoçarmos no centro da cidade - a Mariana olhou-me - regresso hoje para Lisboa e gostava de
estar um pouco contigo.
- Para almoçarmos não
é preciso ir até ao centro da cidade, comemos aqui.
- Ai Ruben estás um
velho feito - olhei-a.
- Inês, caso não
tenhas reparado, estou a ajudar a Mariana e além disso já avisei a D. Joana que
almoçava cá por isso se queres passar algum tempo comigo vai ter que ser aqui.
- Estás cada vez mais
afastado dos teus amigos, já nem te reconheço - olhei-a - não eras de negar uma saída ou um almoço e
agora ficas por casa.
- Inês é normal que
esteja mais afastado, afinal estou em Braga e vocês em Lisboa mas isso não é
sinónimo que fique fechado em casa.
- Então vem almoçar
comigo.
- Ok, tudo bem mas
não nos podemos demorar que tenho treino à tarde.
- Na boa - sorriu
- vou só avisar o Nuno e espero por ti
junto do carro.
- Já lá vou ter.
Assim que respondi a Inês virou costas e desapareceu da
minha frente, virei-me imediatamente para a Mariana e encontrei-a completamente
serena a dobrar a sua roupa.
- Amor - olhou-me
- desculpa mas se não aceitasse a Inês
não desistia - sorriu - onde é que
está a piada?
- Ruben, a piada é
que estás aí a dar justificações quando não as pedi - encolheu os ombros - amor, és livre de almoçares com quem e
quantas vezes quiseres.
- Isso quer dizer que
não te importas?
- Não, tanto quanto
sei não combinamos nada para a hora de almoço - sorriu - por isso não estás a deixar-me plantada
para almoçares com uma amiga, vai e diverte-te.
- Tens a certeza que
não há problema?
- Mas afinal o que é
que queres? Que faça uma cena de ciúmes porque vais almoçar com uma amiga?
- aproximou-se de mim - Amor, até posso
não simpatizar com a Inês mas é por isso que ela é tua amiga e não minha, além
disso confio em ti, não tenho motivos nenhuns para ficar desconfortável por
passares umas horas com a Inês.
- Amo-te -
beijamo-nos - ainda passo por aqui antes
de seguir para o treino, assim dá para ficares com o meu carro já que não tens
o teu.
- Tudo bem -
sorriu - mas agora não faças esperar a
Inês ou a mulher ainda pensa que te raptei - gargalhei para logo depois
despedir-me dela.
***
- Ruben posso
fazer-te uma pergunta pessoal? - olhei para a Inês, durante o almoço
falamos de diversos assuntos mas sabia que havia um que ainda não tinha sido
discutido por isso não foi difícil adivinhar o tema.
- Diz.
- Tens namorada?
- sorri com a pergunta.
- Porquê?
- É a única razão que
encontro para justificar o teu afastamento.
- Já te disse e
repito, não me afastei das pessoas, simplesmente já não vivo em Lisboa e isso
torna mais complicado o convívio convosco. Mas quando o campeonato parar pelo
Natal combinamos uma noitada todos juntos uma vez que vou estar por Lisboa.
- Se a Mariana deixar
- olhei-a - Ruben, não sou parva, sei
bem que entre vocês há alguma coisa.
- Inês, não metas a
Mariana na conversa.
- Porquê? Tens coragem
para afirmares que não têm nada?
- Inês não posso
afirmar tal coisa porque iria estar a mentir, é verdade que namoro com a
Mariana, que estou feliz e a amar como nunca amei antes, que estou disposto a
tudo para que a nossa relação resulte mas isso não impede que continue a
divertir-me com os meus amigos, aliás se há coisa que a Mariana defende é que
devemos continuar a ter os nossos amigos, a sair e a conviver com eles, o que
nem sempre quer dizer que tenhamos que ir os dois, ela tem os seus amigos, eu tenho
os meus.
- Então explica o
motivo que te levou a negares o meu convite?
- Já te expliquei,
estava a ajudá-la e além disso tinha avisado que almoçava na casa do Nuno.
- Ruben afinal o que
é que viste nela? - olhei-a perplexo - A
Mariana nem é nada de especial, além disso tem o puto sempre atrás dela.
- Olha é assim Inês
não te admito que fales da Mariana e muito menos do Martim.
- Porquê? Só falta
dizeres que vais dar o teu nome à criança.
- O Martim não
precisa do meu nome para nada.
- Ruben abre os olhos
enquanto é tempo - fiz sinal ao empregado e pedi a conta, não estava para
aturar aquilo - mulheres como a Mariana
só estão interessadas numa coisa.
- O que é que estás a
insinuar? Por acaso conheces a Mariana de algum lado para falares assim dela?
- Ruben, a rapariga
já tem um filho mesmo sério queres ser pai de um miúdo que não é teu? Será que
não percebes que só quer dinheiro?
- Primeiro o Martim é
irmão da Mariana e não filho, segundo não só quero como vou ser pai de um filho
que não é meu até pode não ser o meu sangue que lhe corre nas veias mas amo-o
como se fosse, terceiro a Mariana ao contrário de muitas raparigas não finge
ser quem não é, não tem vergonha do seu passado e muito menos quer o meu
dinheiro. Agora agradeço que não voltes a tocar no nome do Martim ou da
Mariana, pelo menos à minha frente, caso contrário chateio-me a sério contigo,
não vou admitir que espezinhes nenhum deles, estás a falar da minha família
porque para mim é o que eles já são por isso dobra a língua, sabes bem que a
única coisa que não tolero é que se metam com os meus.
- Só falta dizeres
que vais casar com ela.
- Isso não te
interessa.
- Estás mesmo a
pensar nisso?
- Inês não vou ficar
eternamente solteiro, quero casar e nunca escondi isso das pessoas, se é com a
Mariana ou com outra não é do teu interesse mas já que estás assim tão
preocupada, sim quero casar com ela, não será já amanhã mas um dia quem sabe.
- A Soraia é que tem
razão quando afirma que já não te reconhece, trocaste-a por uma empregada que
não tem onde “cair morta”, sinceramente nunca pensei que fosses tão cego mas
uma coisa é verdade a Mariana conseguiu mesmo passar a imagem de boa moça.
- Já terminaste?
- Já.
- Então fica bem e
espero que não morras no teu próprio veneno, agora percebi o motivo pelo qual
foste das poucas pessoas a quem apresentei a Soraia e que se deu logo bem com
ela, são “farinha do mesmo saco” - respondi lixado comigo mesmo por ter
despendido o meu tempo a almoçar com a Inês.
Virei costas e depois de pagar a despesa saí do restaurante
sem despedir-me dela. Conduzi até à casa do Nuno mas não entrei de imediato,
quis primeiro digerir o que se tinha passado por saber que a Mariana iria
perceber.
Estava no carro perdido em pensamentos quando alguém bateu
no vidro, olhei e vi o Nuno.
- Está tudo bem?
- perguntou assim que abri a porta.
- Sim.
- Então porquê que
ficaste dentro do carro este tempo todo - olhei-o - correu mal o almoço?
- A Inês não gostou
quando confirmei que namoro com a Mariana, opinou sobre o que não lhe diz
respeito e acabei por deixá-la sozinha.
- Tens noção que a
probabilidade da Inês comentar com a Soraia é elevada.
- Não quero saber,
elas que falem e que critiquem, estou de consciência tranquila e não vou
esconder mais o meu namoro, agora que a Mariana aceitou viver comigo não há
nada nem ninguém que possa impedir o nosso amor de continuar a crescer -
sorriu - podes não acreditar mas nunca
tive tanta certeza de algo como tenho do tamanho do meu amor pela Mariana, Nuno
vou até onde for preciso para ficar com os dois, tanto o Martim como a Mariana
já são indispensáveis ao meu viver.
- Bem isso está mesmo
sério - voltou a sorrir - mas gosto
de te ver com esta certeza toda, estás a tornar-te num homemzinho -
gargalhou.
- Pára de gozar.
- Ok - sorriu - olha a Mariana vem aí - olhei para
trás.
- Ah estão aqui os
dois - sorriu.
- Precisas de alguma
coisa? - perguntei assim que a Mariana se abraçou a mim.
- Amor, sabes que
assim dois pares de braços extras ainda apor cima mais musculados que os meus
dá sempre jeito para carregar com a minha tralha - sorrimos - assim só por acaso não querem deixar a
conversa para depois e irem ajudar-me.
Acabamos por ir ajudá-la e aproveitamos para colocar as
malas no meu carro e algumas caixas no do Nuno, fomos até à minha casa deixá-las
para depois seguirmos os dois para o treino.
Mariana
Estava entretida a arrumar os meus pertences e os do Martim
quando reparei que já eram horas de o ir buscar, agarrei no lanche que lhe
tinha preparado e saí com destino à escola.
- Mana? - sorri
ao ver o desalento dele ao ver-me.
- Antes que perguntes
o Ruben está no treino mas como até é aberto ao público - interrompeu-me.
- Fixe - sorri
perante a animação do meu irmão - ó mana
vamos lá - pedinchou.
- Vamos porque a mana
já tinha combinado com o Ruben.
O Martim entrou no carro e nem foi preciso pedir-lhe para
lanchar, o menino estava tão animado com a ida ao treino que comeu tudo sem
refilar. Conduzi calmamente e assim que chegamos o Martim apressou-se a sair do
carro.
- Vamos mana -
deu-me a mão.
- Tem calma que o
Ruben não foge.
- Mas eu quero ver o
treino todo.
Não respondi mas fiz-lhe a vontade apresando o passo,
sentamo-nos nas bancadas a assistir ao treino e assim que o treinador deu ordem
para um pequeno intervalo o meu irmão perguntou se podia ir ter com o Ruben.
- Amor, o Ruben está
a treinar não podes ir lá.
- Mas eu quero só
dizer olá.
- Não pode ser.
- Então deixas eu ir
até ali - apontou para a primeira fila junto ao relvado.
- Podes, mas não é
para o chamares.
- Tá bem.
Vi o meu irmão a descer as escadas e a sentar-se na primeira
fila sossegado mas assim que o Ruben o viu aproximou-se o que levou o Martim a
olhar-me, sorri sozinha afinal não sei qual dos dois é mais criança. O meu amor
trocou algumas palavras com o Martim mas teve que regressar para junto dos
colegas, o meu irmão acabou por vir ter comigo onde viu o resto do treino mas
assim que este terminou avisou-me que iria ter com o Ruben e simplesmente
correu na direção do relvado sem dar-me tempo de falar.
Fiquei a vê-los aos dois a brincarem com uma bola o que
despertou a curiosidade de alguns adeptos mais atentos que ficaram a assistir
também. O Ruben acabou por vir atrás do Martim quando o meu irmão veio ter
comigo e mais uma vez as pessoas olharam.
- As crianças já brincaram
tudo? - meti-me com eles.
- Não, mas
oportunidades não vão faltar - o Ruben sorriu.
- O que é que queres
dizer com isso? - sorrimos com a pergunta do meu irmão, de facto está
sempre atento mesmo quando julgamos que está distraído o menino capta tudo o
que falamos.
- Que vou
despachar-me para irmos embora - sorri de forma cúmplice para o Ruben e
depois vimo-lo a desaparecer na nossa frente.
Estávamos os dois no parque de estacionamento à espera do
Ruben quando vi o Miguel a aproximar-se, cumprimentamo-nos e depois seguiu
caminho, até porque o Ruben apareceu logo atrás dele.
- Amor, queres ir já
para casa?
- Onde é que queres
ir?
- Mariana, podíamos
ir dar um passeio já que o Martim teve tanto tempo fechado em casa.
- Preferia que
fossemos para casa, o menino tem os trabalhos da escola para fazer e depois
temos que contar-lhe a novidade.
- Ok, o passeio fica
para outro dia - sorri e assim que entramos no carro beijei-o.
O Ruben conduziu calmamente até à sua casa e assim que
chegamos o Martim manifestou-se imediatamente ao perguntar porquê que não
tínhamos ido para casa do Nuno.
- Já estás farto de
aturar-me, é? - o Ruben meteu-se com ele fazendo-lhe cocegas uma vez que já
tínhamos saído do carro.
- Não mas agora que
já tou bom a mana e eu vamos voltar para a casa do Nuno - sorrimos os dois,
o meu irmão estava mesmo desanimado com essa possibilidade.
- Martim - olhou
para o Ruben - o que é que queres?
- Não entendi -
sorrimos.
- Estou a perguntar
se preferes regressar para a casa do Nuno ou ficares aqui.
- Eu quero ficar
- falou determinado e ao entrarmos na sala - mas só fico se a mana ficar - sentou-se no meu colo - porque eu gosto muito de ti mas gosto ainda
mais da mana - sorri enternecida.
- Martim -
olhou-me - a mana também gosta muito de
ti - deu-me um abraço apertado - mas
como também gosta muito do Ruben - o Martim já sorria - e como não quero escolher nenhum dos dois
resolvi aceitar o pedido do Ruben para ficarmos a viver com ele, isto se
quiseres.
- Quero - saltou
literalmente para o colo do Ruben - ó
mana é o que mais quero - sorrimos.
- Martim mas a mana
precisa de falar contigo - olhou-me - a
nossa vinda para cá não vai ser a única mudança, Martim se até aqui o namoro da
mana passou despercebido a partir do momento que os teus amigos começarem a
perceber que vives na casa do Ruben vão começar a querer saber mais -
interrompeu-me.
- Não queres que diga
a verdade é isso né?
- Não - olhou-me
surpreendido - Martim a mana não quer
que mintas, se perguntarem o motivo podes dizer a verdade mas se os meninos ou
meninas começarem a chatear-te por algum motivo falas imediatamente comigo ou
com o Ruben, percebes?
- Sim - olhou-nos
à vez - mana e posso dizer que o Ruben é
o meu pai a fingir? - olhei para o Ruben.
- Martim isso não
- o menino olhou-o - combinamos que
ninguém iria saber disso.
- Tá bem - falou
conformado.
- Lindo, há outra
coisa - olhou-me - vais ter que
obedecer ao Ruben como obedeces à mana, ele pode ser só o teu pai a fingir mas
é alguém que terás de respeitar ainda mais do que já respeitas, entendes?
- Tás a dizer que o
Ruben pode dar-me castigos quando me portar mal - sorrimos.
- Sim.
- Tá bem mas mana
quando é que vamos buscar as nossas coisas?
- Já cá estão, a mana
tratou disso durante o dia.
- Fixe mas eu quero
continuar a brincar com o Nuninho.
- Não te preocupes
que vais continuar a brincar com o Nuninho, a mana vai continuar a cuidar dele
mas agora só durante o dia.
- Tá bem -
sorriu, o Martim estava verdadeiramente feliz e isso era o que mais queria.
- Agora tens de ir
fazer os trabalhos mas vai andando para o quarto que já vou ter contigo.
- Pode ser o Ruben?
- Anda lá - o meu
amor levantou-se - até já -
beijou-me e vi-os a saírem da sala.
Como tinha ficado liberta da tarefa de ajudar o meu irmão
resolvi aproveitar o tempo para arrumar o que faltava das coisas que tinha
trazido da casa do Nuno. Acabei por ir até ao quarto do meu irmão e enquanto
estudavam arrumei a roupa do Martim nos devidos lugares, confesso que ver o
Ruben a ajudar o meu irmão enterneceu-me e por isso fiquei a observá-los.
- Mana já acabei
- despertei quando ouvi a voz do meu piolho - agora posso ir brincar?
- Podes mas daqui
pouco tens de ir para o banho.
- Tá bem depois chama
- sorri ao vê-lo puxar o Ruben pela mão, saíram do quarto e quando os voltei a
ver já estavam agarrados à playstation, deixei-os jogarem em paz e fui fazer o
jantar.
Entretive-me e quando reparei nas horas saí da cozinha para
ir avisar o meu irmão que estava na hora do banho mas para minha admiração
encontrei-o já com o pijama vestido e de banho tomado, regressei para a cozinha
e terminei o jantar.
Comemos numa animação tremenda o Martim estava elétrico e
por isso assim que terminamos de jantar o Ruben foi com ele até à sala para que
conseguisse limpar a cozinha.
O serão foi agradável mas a hora do Martim ir para a cama
chegou, quis ir deitá-lo mas o menino pediu que fosse o Ruben, deixei-os ir mas
ao fim de algum tempo acabei por ir ver o que se passava uma vez que estranhei
a demora.
- Onde vais? -
olhei para trás e encontrei o Ruben a sair do nosso quarto.
- Estranhei a demora
e vinha ver o que se passava - sorriu.
- Deixa de ser mãe
galinha - beijou-me - o menino já
dorme.
- O Martim disse-te
alguma coisa?
- Sobre a vossa
mudança não, mas estivemos a falar por isso é que demorei mais -
informou-me quando já estávamos na sala.
- Posso saber qual
foi o assunto?
- Coisas de homens
- gargalhei ou não fosse o Ruben ter tentado imitar o Martim - agora a sério o teu irmão esteve a contar
como é que foi ter reencontrado a Helena, opa ou estou muito velho ou então é
os putos que são muito à frente - gargalhei novamente.
- O que é que o
Martim aprontou?
- Nada, só se virou
para mim e perguntou se pode namorar com duas meninas ao mesmo tempo.
- O que é que
respondeste?
- Disse-lhe que nem
com uma quanto mais com duas - gargalhei fortemente.
- Falaste mesmo isso?
- Ya, desde quando é
que tem idade para namorar - continuava a rir que nem perdida - não tem piada.
- Amor, realmente
está um bocado antiquado - gozei - o
meu irmão tem direito a namorar - olhou-me.
- Tem, tem na tarda
nada entra aí com a Helena para a apresentar à família - voltei a
gargalhar.
- Então e depois
- olhou-me chocado - é sinal que sabe o
que quer - gargalhei - Ruben é
normal que o menino diga que namora, é o que ouve no dia-a-dia por isso repete,
lógico que cabe-nos estar atentos e explicar que não pode fazer tudo o que os
adultos fazem mas não podemos proibi-lo de namorar - sorriu.
- Se já é assim com
sete anos com doze ou treze ninguém o segura - gargalhei, a verdade é que
não estava a reconhecer o Ruben.
- Quando chegar essa
altura vamos lidar com a situação até lá quero aproveitar a ingenuidade do meu
irmão ao máximo.
- Isto ainda vai dar
que falar - gargalhei - achas piada?
- Amor daqui a nada
estás a dizer que o Martim já anda com uma carga física superior ao normal para
a sua idade - não estava mesmo a conseguir levar o Ruben a sério o que fez
com que se levantasse e saísse da sala - vais
amuar? - perguntei ao entrar no quarto.
- Não estou amuado.
- Ai não? -
aproximei-me dele abraçando-o.
- Não, mas acho que
não está a levar-me a sério, só estou preocupado com o teu irmão.
- Amor, é só uma
criança de sete anos, é normal que diga que namora porque é isso que as
crianças dizem.
- Tudo bem -
beijou-me.
- Ruben quando é que
pensas contar à tua mãe que vivemos juntos?
- Estás com medo da
sogrinha, é? - meteu-se comigo.
- Não tive medo dela
quando ainda não tinha colocado a coleira no filho - gargalhei ao ver a
cara dele - não vai ser agora que vou
ter.
- Hoje estás cá com
umas piadas que vou-te contar.
- Tadinho do meu
menino - passei por ele e apalpei-lhe o rabo já que estava só de boxers - está sensível e a precisar de mimos -
gozei ao entrar para a casa de banho. Estava entretida a fazer a minha higiene
quando o Ruben abriu a porta - então não
se pede autorização.
- O que é meu é teu
por isso não preciso pedir autorização para entrar - olhou-me de cima a
baixo afinal estava só de lingeri - e
por falar em meu - senti a sua mão no meu rabo - temos que falar de um assunto - olhei-o - para acertarmos já as coisas - afastou-se ligeiramente para também
ele lavar os dentes.
- Que coisas? -
esperei que terminasse o que estava a fazer e no momento que o fez em vez de
responder-me resolveu encostar-me à parede, reclamei porque esta estava fria
mas o Ruben não quis nem saber beijando-me, ele bem tentou algo mais mas tive
que o avisar que não dava explicando que há coisas que por muito que queira não
consigo alterar e assim que entendeu a mensagem abrandou com a troca de mimos.
- Amor, andei a
pensar numa cena - falou quando já estávamos no quarto - mas não sei se queres.
- Diz.
- Mariana, agora que
vivemos juntos, que partilhamos a vida a dois - estava intrigada com o que
vinha dali - não faz grande sentido não
teres acesso ao meu dinheiro - esbugalhei os olhos assim que ouvi o que
tinha dito - amor antes de começares refilar
ouve até ao fim - suspirei - o que
quero dizer é que pensei que podíamos abrir uma conta conjunta, tipo
colocávamos lá algum dinheiro para os gastos comuns, sei que não irás suportar
a ideia de ser só o meu dinheiro a sustentar-nos por isso pensei nesta solução,
assim quando comprarmos alguma coisa cá para casa usamos esse dinheiro e
evita-se confusões do tipo agora pago eu.
- Concordo -
sorriu - mas só se for em partes iguais.
- Mariana que não
queiras viver às minhas custas compreendo e aceito mas tens que ser realista e
admitires que neste momento além de ganhar mais do que tu, esta casa tem um
gasto elevado de água, luz, gás e afins, gasto esse que está de acordo com as
minhas posses e não com as tuas por isso vai ser um bocadinho complicado
dividirmos as despesas todas a meio - olhei-o - e para ser sincero para mim este problema resolvia-se de outra forma.
- Como assim?
- A verdade é que não
há necessidade de abrirmos uma conta conjunta se concordares em teres acesso à
minha, Mariana na casa do Nuno também não dividias as despesas e nem pagavas o
que comiam.
- É diferente porque
a estadia e alimentação fazia parte das condições que acordei com eles, além
disso prefiro não ter acesso à tua conta.
- Porquê?
- Porque tenho o meu
próprio dinheiro, já para não falar que não estou contigo por causa dos euros.
- Disso sei eu ou
porquê que achas que estou a dizer que podíamos resolver o assunto desta forma,
ninguém precisa de saber e assim fico mais descansado - olhei-o - amor não é por puderes movimentar a minha
conta que o terás de fazer constantemente.
- Prefiro a primeira
opção.
- Tudo bem não vou
insistir mas aviso que vou andar atento e sempre que houver necessidade
colocarei lá dinheiro.
- Faz como quiseres
mas agora o que achas de irmos dormir?
- A menina está com
soninho, é?
- Não - sorriu - o que tenho é mesmo vontade de ficar assim
agarradinha a ti - beijei-o.
- Ai sim? -
olhei-o - Então afinal quem está a
precisar de mimos é a menina - gargalhei mas não respondi, deitei-me e uns
segundos depois já tinha o Ruben abraçado a mim.
Ruben
Acordei feliz afinal o Martim reagiu muito melhor do que
esperava à novidade de vivermos todos juntos, estava a pensar como seriam os
próximos meses quando a Mariana se mexeu.
- Bom dia -
espreguiçou-se levando-me a sorrir.
- Oi amor -
beijamo-nos - hoje já começas a
trabalhar?
- Sim, aliás tenho
que despachar-me mas porquê?
- Por nada de
especial mas assim quando sair do treino passo por lá.
- Na boa -
beijou-me - mas agora tenho de ir
acordar o Martim - saiu da cama - tens
treino a que horas?
- Às dez por isso se
quiseres posso deixar o Martim na escola.
- Não é mal pensado
- sorriu.
Ainda nos voltamos a beijar algumas vezes mas acabamos por
sair do quarto, enquanto fui preparar o nosso pequeno-almoço a Mariana foi
acordar o menino e quinze minutos depois já os tinha do meu lado. Comemos e no
fim a Mariana despediu-se de nós para ir trabalhar. Fui deixar o Martim na
escola e segui para o treino mas antes fui tratar de abrir a conta conjunta.
Estava no campo à espera do treinador e dos colegas que
ainda não tinham chegado quando o Nuno se aproximou de mim.
- Bom dia -
sorriu - já sei que o puto adorou a
novidade.
- Sim, já esperávamos
que reagisse bem mas o Martim delirou por completo.
- É normal o menino está
a ter a oportunidade que nunca teve, ele adora-te e finalmente tem uma família
como os amigos - voltou a sorrir talvez por ver a minha cara de parvo - estás mesmo feliz.
- Nuno parece um
sonho tornado realidade - gargalhou - pára
de gozar.
- Não estou a gozar
muito pelo contrário estou contente por vos ver tão bem, o sorriso nos vossos
rostos não engana.
Teríamos continuado a conversar mas o mister deu ordem para
o treino começar por isso adiamos a conversa.
***
Como tinha combinado com a Mariana no fim do treino fui até
à casa dos nossos amigos e assim que entrei acompanhado pelo Nuno encontrei-a
na sala a brincar com o Nuninho.
- Fica-lhe mesmo bem -
olhei para o Nuno sem entender o que falou.
- Estás a falar de
quê?
- De uma criança ao
colo da Mariana - gargalhei ao ouvi-lo o que despertou a atenção do meu
amor.
- Posso saber o
motivo dessa gargalhada? - aproximei-me dela beijando-a.
- Amor, é o Nuno que
anda a alucinar, não lhe ligues - sentei-me do seu lado.
- Vais dizer que não
queres? - assim que o Nuno falou a Mariana olhou-me desconfiada.
- Quero mas não agora
- respondi serenamente.
- Queres o quê? -
sorri perante a curiosidade da Mariana.
- Filhos -
respondi sem qualquer problema afinal o assunto já estava mais do que discutido
entre nós os dois.
- Não falas nada?
- o Nuno perguntou por não ver qualquer reação por parte da Mariana.
- Queres que diga o
quê? Nuno, este assunto só nos diz respeito a nós, apesar da muita consideração
e amizade que tenho por ti não tens voto na matéria - o nosso amigo sorriu.
- É mau feitio -
implicou com a Mariana.
- Há quem goste -
ripostou automaticamente levando-nos a gargalhar.
Eles continuaram a implicar um com o outro e por isso
resolvi manter-me longe para que não sobrasse para mim no entanto fiquei a
assistir, o que serviu para dar umas boas gargalhadas.
As horas passaram e acabei por almoçar com eles, de tarde
aproveitei enquanto o Nuninho dormia para namorar com a Mariana mas tive que
despedir-me dela para ir treinar mas avisei que ia buscar o Martim uma vez que
o menino hoje saia mais tarde da escola.
Como irá correr esta nova fase na vida destes três?
Como irá correr esta nova fase na vida destes três?