terça-feira, 21 de julho de 2015

114 - Um passado, um presente e um Futuro...

Anos mais tarde… 

A vida é feita de mudanças, umas mais calmas outras mais agitadas e ao longo dos últimos anos, houve algumas agitadas, como por exemplo o nascimento do meu maninho mais novo, sim depois de quase se terem separado, o meu pai e a Filipa foram novamente pais, aconteceu… e ainda bem porque o Tomás é sem dúvida uma bênção nas nossas vidas… 

Outra mudança agitada foi sem dúvida quando o Martim assinou o seu primeiro contrato como jogador profissional e começou a jogar na equipa principal do Benfica, o que lhe deu uma maior visibilidade, que trouxe também fãs, quem não gostou nadinha disso foi a Kika, foram várias as vezes que tanto eu como o Ruben tivemos que meter paninhos quentes, tudo por causa dos malditos ciúmes… mas com o tempo a minha irmã aprendeu a conviver com o atrevimento das fãs mas o sossego durou pouco porque o Martim num belo dia comunicou a sua intenção de viver sozinho, ainda tentamos fazê-lo entender que lá porque tinha 20 anos e alguma independência financeira não significava que teria que sair de casa dos pais mas não o conseguimos demover da ideia, alugou um apartamento perto da nossa casa e foi viver sozinho… quer dizer sozinho é como quem diz com a namorada… 

Kika por sua vez teve que decidir entre duas paixões, o vólei ou continuar os estudos, decidiu-se pela segunda hipótese e entrou na faculdade para estudar nutrição… 

Já no que respeita a mim, continuo na Instituição e completamente realizada quer profissionalmente quer pessoalmente, afinal tenho tudo o que preciso para ser feliz… 

No que respeita ao Ruben, está finalmente a ver o seu trabalho como treinador a ser reconhecido, está feliz e isso é algo que a mim deixa-me igualmente felicíssima… 

Agora falando dos mais novos… a Inês continua igual a si mesma, muito ternurenta mas também determinada, sabe muito bem o que quer e não desiste até conseguir, escusado será dizer que continua a fazer o quer do pai, o Ruben e a Inês têm uma ligação especial, tanto que foi o pai o primeiro a quem contou que deixou de ser menina para passar a ser uma adolescente, sim foi dessa forma que a nossa piolha informou o pai que o período lhe apareceu… ai o que gargalhei nessa altura… confesso que foi cómico ver a reação do Ruben perante a revelação… 

Já o Gonçalo continua com energia para dar e vender, no colégio consegue ser simultaneamente o terror e o menino mais adorado, o terror no intervalo e o adorado na sala de aulas, enfim apesar de irrequieto é um menino meigo, ternurento, inteligente mas acima de tudo nada influenciável, nisso sai a mim, não vai na conversa dos outros, então se for das raparigas é que não vai mesmo… 

A Daniela, por sua vez, é uma menina super meiguinha e sossegada, apesar de gostar muito de brincar com os amigos não se importa nada de ficar simplesmente no seu cantinho a observar tudo e todos. Ultimamente anda a chatear-nos porque quer um mano para brincar, isto tudo porque o Tomás ficou uns dias connosco para que o meu pai e a Filipa pudessem aproveitar uns dias a dois…  

***  

Ruben 
Acordei embrenhado na nostalgia, hoje dia 16 de janeiro de 2027, faz precisamente quinze anos que a minha vida mudou para muito melhor, foi sem dúvida o primeiro dia do resto das nossas vidas, foi o dia que cheguei a Braga desiludido com tudo o que se tinha passado recentemente e que encontrei a Mariana e o Martim… a vida dá muitas voltas e reviravoltas mas a maior e mais importante foi sem dúvida no dia 16 de janeiro de 2012… 

Quinze anos depois posso afirmar sem dúvida nenhuma que sou o gajo mais sortudo à face da terra, amo e sou amado, tenho a família que sempre desejei, continuo a conquistar a pulso o meu lugar no mercado de trabalho e o melhor de tudo, estou a meses de saber o que é ser avô… sim o Martim e a Kika tanto brincaram à vidinha de casados que recentemente informaram que a próxima geração da nossa família já cresce dentro do ventre daquela menina frágil que um dia conheci… 

A notícia não nos podia deixar mais felizes, apesar de novos, eles amam-se e terão sempre o nosso apoio… 

Espero sinceramente que sejam tão felizes como sou… que se amem para todo o sempre… 

FIM 

Iniciei esta história em Maio de 2012 e mais de três anos depois finalmente aqui está o último capítulo. 

Não me alongarei muito nas despedidas, quero unicamente deixar um pedido de desculpas pelos meses de ausência e um OBRIGADA a todas as que se mantiveram fieis, vocês que acompanharam a história desde o início, que esperaram pacientemente pelo próximo capítulo, só vos posso agradecer, foi por vocês que escrevi e que terminei esta aventura.  

Aproveito para despedir-me deste “mundo” porque considero que já não tenho mais nada de novo para vos oferecer, orgulho-me de ter começado e terminado duas histórias tão diferentes mas reconheço que este é o momento para “desaparecer”.  

Beijinhos e Obrigada por tudo, especialmente às meninas com quem criei uma amizade virtual e principalmente às que tive e tenho o prazer de conhecer pessoalmente e que hoje em dia fazem parte do meu dia-a-dia. 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

113 - "Até um dia… até um dia…"

Dias mais tarde... 

Martim 

Depois do drama que o Paulo fez acabou por aceitar a ideia que a filha está a crescer... pelo menos concordou com o namoro, isto depois de ouvir mil e um aviso, como se fosse preciso, enfim tudo pela minha princesa. 

O jantar de consoada foi animado com o Gonçalo a perguntar constantemente quando é que o Pai Natal vinha, insistiu tanto que a Inês em determinado momento disse que não existe Pai Natal e que quem nos dá os presentes é os nossos pais, lógico que o Gonçalo não se ficou e disse que a irmã era má, só sei que o bate boca deles terminou quando o Ruben se impôs, acabando por explicar ao puto que a Inês disse a verdade... 

*** 

Estava deitado com a Kika na sua cama a falar e a namorar quando 

- Não querem vir para a sala? 

- Pai se quiséssemos estar na sala estávamos! 

- Mas filha daqui a uns dias regressas a Lisboa, podias aproveitar para estar comigo e com a tua mãe...  

- Ai pai não exagere! Tenho estado sempre convosco! 

O Paulo provavelmente teria insistido, só não o fez porque a Filipa chamou-o e assim que saiu 

- O teu pai é a comédia - olhou-me 

- Posso saber porquê? 

- Mesmo sério não entendeste o porquê que aqui veio? 

- Percebi… quer controlar-me! Como se fosse preciso… se quiséssemos fazer alguma coisa nunca seria com os meus pais em casa! 

- E queres? - desviou o olhar - Kika nunca mais tivemos juntos… 

- Isto não é assunto para ser falado aqui! 

- Então é para falar onde? Kika só estamos aqui os dois, importas-te de responder? 

- Ai oh Martim não insistas! 

- Estás arrependida? 

- Não... 

- Então porquê que não queres voltar a estar comigo? 

- Estás parvo? Por acaso falei que não quero? Martim também quero só acho que não devemos falar disso aqui e muito menos fazê-lo, queres que nos apanhem 

- Não... Mas tenho saudades tuas... 

- Pois mas tens de aguentar mais uns dias 

- Que remédio! 

*** 

Estava entretido a conversar com o meu pai e com o Paulo quando a Mariana se aproximou 

- Oh homens da minha vida o que acham de sairmos? 

- Tens algo em mente? 

- Não... Mas pai arranje um programinha para fazermos todos que estou farta de estar em casa! 

O Paulo sorriu e deu algumas ideias que agradou a Mariana mas que detestei, por isso pedi para ficar em casa é para os convencer, ofereci-me para ficar com os miúdos 

- Tens a certeza que não queres vir? 

- Sim... mana aproveita para namorar com o Pai... - gargalharam 

- Tens uma lata... Mas os teus irmãos só ficam se a Kika não se importar de ficar, porque sozinho com os três não ficas 

- Mariana!!!! - olhamos para o Paulo e antes que tivesse tempo para continuar 

- Pai não comece! E devia de aproveitar a dica do Martim e namorar um pouco que não faz mal nenhum! Aliás no vosso caso só vos fará bem, porque é disso que têm falta ou será que estou assim tão enganada e vocês já não se amam? É que sinceramente não quero acreditar que continuam juntos só porque sim… até podem estar a atravessar uma fase complicada mas se não existisse amor já se tinham separado, por isso faça pela vida e vá à luta! 

O Paulo cedeu e foi chamar a Filipa, deixando-me com o meu pai e irmã, algo que aproveitaram para pedirem que tivesse juízo 

- Até parece que não tenho sempre juízo! 

- Não precisas ficar tão indignado e não te esqueças que estás na casa dos pais da tua namorada por isso vê o que fazes! 
Olhei para a Mariana sem entender o que quis dizer mas não tive hipótese de questionar porque a minha irmã saiu, por isso 

- Pai que aviso foi aquele que a mana tentou dar e que não entendi - gargalhou 

- Não entendeste ou não quiseste entender - voltou a sorrir 

- Não entendi mesmo 

- Ok... o que a Mariana quis dizer foi para controladores as hormonas... se é que entendes... Estás na casa dos pais da tua namorada e sem saber quando regressam... 

- Vais dizer que nunca o fez na casa da avó? - gargalhou fortemente para depois  

- Não desvies o assunto! Martim, compreendo que queiram estar juntos e até que tenha sido esse o motivo para o qual te ofereceste para ficar com os miúdos mas nem sempre a nossa vontade pode ser satisfeita - interrompi 

- Pai pode parar! Já percebi e além disso a Kika também não quer fazer isso aqui - voltou a sorrir  

- É normal… filho é a casa dos pais dela e a última coisa que a Kika deve querer é ser apanhada pelo Paulo ou pela Filipa 

- Qual é a diferença entre fazê-lo aqui ou na nossa casa? 

- Na nossa casa, vocês sabem perfeitamente os nossos horários, por isso a menos que haja um grande imprevisto nunca vos apanharemos, além disso depois de tudo o que já falamos com vocês, é mais do que óbvio que não faremos um escândalo se forem apanhados, a única coisa que vos pedimos é que tenham cuidado 

- Nós temos... 

- Acho bem e agora que estamos só os dois, diz lá como foi? 

- PAI!!! - gargalhou - Nem penses que vou partilhar!! 

- Engraçado mas tive de partilhar contigo... 

- Mas isso é porque és meu pai e tens o dever de esclarecer as minhas dúvidas - voltou a rir 

- Sabes muito... Mas não te esqueças que um dia serás pai e todas as perguntas embaraçosas que fizeste também um dia terás que responder 

- Credo cruzes que o diabo seja cego, surdo e mudo 

- O ditado é antigo e diz cá se fazem cá se pagam 

- Até pode ser mas ainda falta muitos anos para que isso vire realidade! 

- Nisso estamos de acordo, até porque não quero ser avô pelo menos  
nos próximos 10 anos! 

- Quem é que não quer ser avô nos próximos 10 anos? 

Assim que ouvi a minha irmã, também olhei para o meu pai, na tentativa que não respondesse com a verdade mas isso não aconteceu, o meu pai afirmou que depois contava, isto porque o Paulo e a Filipa se aproximaram para se despedirem de nós. 

Lógico que fizeram mil e uma recomendações, ao contrário da nossa irmã e do meu pai, que unicamente pediram para ligar se for necessário. 

- Finalmente sozinhos! 

- Os miúdos estão connosco! 

- Não sejas desmancha prazer! Os putos estão entretidos no quarto a brincar e daqui pouco vão dormir - tentei aproveitar mas 

- Martim! Tem juízo ou queres que nos apanhem? 

- Sinceramente não entendo o drama... os teus pais já sabem! 

- Uma cena é saberem outra é ouvirem os putos a falar que nos apanharam a namorar, porra também quero mas quero regressar a Lisboa daqui a uns dias, entendes? 

- Sim... 

Concordei com a Kika, até porque tenho noção que tem razão. Acabamos por ir ter com os miúdos, brincamos um bocado e depois jantamos, para um tempo depois deitá-los... 

*** 

Estávamos a ver televisão quando os nossos pais e irmã regressaram 

- Correu bem? 

- Sim... - respondi ao meu pai que sorriu de volta - e vocês gostaram do passeio? 

- Sim! Mas amanhã a mana conta... agora - agarrou na mão do Ruben - vamos dormir! 

Olhei para a Kika e sorri, afinal conhecemos bem demais aqueles dois... E quando a nossa irmã chama o meu pai para a cama é porque não está propriamente com sono e com intensão de dormir... 

Paulo 

Depois de muito refletir e falar com a Filipa, acabamos por aceitar o namoro da Kika e deixar que regresse a Lisboa mas isso não significa que não faça confusão, principalmente quando aqueles dois se enfiam no quarto, mesmo que a porta esteja sempre aberta, nunca se sabe o que podem fazer e por isso mesmo não gostei nada quando a Mariana sugeriu que o Martim só ficaria em casa com os mais pequenos se a Kika ficasse também, ainda tentei resmungar mas a minha filha mais velha não deu sequer hipótese. 

***  

Caminhava ao lado da Filipa e ligeiramente atrás do Ruben e da Mariana, o que permitiu que, mais uma vez, observasse aqueles dois, é incrível como estão a cada ano mais unidos. 

Observava atento e por isso quando começaram na brincadeira um com o outro 

- É incrível… - a Filipa olhou-me 

- O que é incrível? 

- Estes dois… e a forma como se amam 

- O Ruben, mesmo com a Soraia sempre foi atencioso, mas com a Mariana vê-se que é amor verdadeiro, completam-se de uma forma única, além disso o rapaz teve que recuperar a tua filha das feridas do passado, fizeram esse percurso juntos, é compreensível que sejam tão unidos, afinal acredito que se conhecem de olhos fechados, mas acima de tudo que se amam, vivem um para o outro e juntos vivem para a família. Aliás conhecendo o Ruben e a sua forte ligação à família só seria feliz ao lado de alguém que preze os mesmos valores e não há duvidas que a Mariana é essa pessoa, porque se não fosse, hoje não estaríamos aqui com eles e não sei se a Kika teria encontrado dador… 

- Porquê que estás a falar disso? 

- Porque faz parte da história da nossa família, apesar de terem sido meses de medo de perder a nossa filha e depois de angústia por te ver a sofrer por causa do teu passado, também foram meses em que vi a nossa filha a renascer e tudo graças à capacidade de amar da Mariana, apesar de tudo lutou pela irmã como sempre lutou pelo Martim e continua a lutar para que a família seja feliz. 

- Mas também podia lutar um bocadinho menos - olhou - porque se a Mariana não apoiasse o namorico - a Filipa sorriu - a nossa filha não nos enfrentaria! 

- Paulo, a nossa filha está a crescer, também não estou muito confortável com a ideia mas não podemos impedir, nisso a Mariana tem razão. 

- Mas é a nossa menina! 

- E será sempre a nossa menina, tal como sou a menina dos meus pais! Mas tal como os meus pais tiveram que deixar que voasse sozinha, nós temos de deixar a Kika seguir a vida dela, ainda é uma adolescente e precisa de ser orientada, mas até nisso temos muita sorte, a nossa filha tem a melhor pessoa para a orientar do seu lado, a verdade é que apesar de ser a sua mãe e de ter a obrigação de a orientar, tenho noção que a Mariana está a anos-luz de mim no que respeita a saber lidar e controlar adolescentes, já para não dizer que tanto o Ruben como a Mariana são um bom exemplo para a nossa filha… 

- O que queres dizer com isso? 

- Quero dizer o que estás aos olhos de qualquer pessoa… que se amam e não têm problemas de o demonstrar… 

Dias mais tarde 

Mariana 

As nossas miniférias terminaram e por isso regressamos a Lisboa e assim que chegamos, os enamorados cá de casa pediram autorização para irem ter com os amigos, o que fez com que o Ruben se metesse com o Martim, lógico que brincadeira puxa brincadeira e acabamos os quatro a rir às gargalhadas. 

- Podem ir ter com os vossos amigos mas quero-vos em casa para o jantar! 

- Sim mana! 

***  

- Queres ajuda? - sorri ao ouvi-lo 

- Mais duas mãos dão sempre jeito para desfazer malas… 

Aproximou-se e quando já tirava a sua roupa da mala 

- Mas será que acreditavam mesmo que nos enganavam com a desculpa de ir ter com os amigos? - gargalhei 

- São putos… de certeza que com a idade deles também julgavas que enganavas a tua mãe! 

- Fazemos cada figura quando somos adolescentes… - gargalhamos 

- Mudando de assunto - o meu amor olhou - achas que o meu pai e a Filipa ainda têm solução? 

- Depende deles… mas se já não gostassem um do outro não continuavam juntos, além disso nestes últimos dias achei-os mais próximos 

- Também achaste isso? 

- Sim…  

*** 

Acordei com uma dor de cabeça tremenda e sem vontade nenhuma para trabalhar, ainda assim saí da cama e ajudei a despachar os miúdos. Fui levar a Daniela à creche e segui para a Instituição, onde tive a manhã toda mas depois da hora de almoço, vim para casa e direta para a cama, onde fiquei algum tempo, mas acabei por ir até à cozinha, preparar um bolo para o lanche. 

Estava na cozinha quando ouvi os mais velhos. Tirei o bolo do forno e coloquei a mesa para lancharmos, para de seguida ir chamá-los, mas antes fui ao meu quarto e  

- O que é que fazes aqui? - assim que falei o Martim olhou  

- Já estava a sair - falou todo atrapalhado 

- Desde quando é que vens para o meu quarto abrir as gavetas da mesa-de-cabeceira? Martim, o que é que procuras? - tentei parecer séria mas a vontade de sorrir foi superior, afinal tinha uma pequena ideia do que procurava… 

- Não é nada… - o meu irmão caminhava para sair do quarto 

- Martim - chamei-o e por isso olhou 

- Não sou parva! Sei bem o que procuras - voltei a sorrir e estiquei a mão na sua direção - anda cá - o Martim olhava para os seus pés mas aproximou-se, sentamo-nos na cama e - se fores a um supermercado ou a uma farmácia encontras o que procuras aqui no meu quarto! 

O Martim não respondeu, aliás saiu do quarto imediatamente, o que fez com que gargalhasse sozinha para depois ligar ao meu amor 
  
- Também foste mázinha… oh mor podias ter ignorado… 

- Ruben Filipe é só o que mais falta! Quer preservativos que os compre que dispenso saber com que frequência os usa! Além disso não admito que vasculhem as gavetas do nosso quarto! 

- Estás com medo que vejam o que não devem… 

- Mas hoje comeste palhacinhos à hora de almoço? - resmunguei e o Ruben gargalhou 

- Mor estás mesmo irritada! Afinal o que é que tens para estares em casa a esta hora? 

- Nada que não passe… 

- E seres mais explicita?  

- Chato! Devo estar a ficar engripada… 

***  

Lanchei com a companhia dos meus irmãos e depois fui até à sala. Estava deitada no sofá enrolada numa manta quando o Ruben se aproximou 

- O que fazes aqui? - sorriu e deu-me um beijinho na testa 

- Mor estás tão quente! 

- Pois… é normal estou com febre! Mas não respondeste! 

- Passei por casa para te ver antes de ir para as aulas 

- Tenho um marido tão fofinho! 

- A sorte é que mesmo com gripe há duas coisas que não perdes, a boa disposição e a vontade de comer! 

- É que nem resposta mereces! - gargalhou, para de seguida 

- Vou buscar os miúdos ao colégio e a Daniela à creche. 

- Não é preciso! Mor vou lá!  

- Estás doente! 

- E tu tens aulas! E não é uma gripe que impede de cuidar dos miúdos! 

- Deixa de ser teimosa, porque se te tivesses a sentir bem não tinhas vindo para casa no horário de trabalho! 

- Adianta insistir? 

- Não! - voltou a sorrir - Depois peço os apontamentos à Joana 

- Deves querer apanhar e não sabes! - gargalhou 

- Sabes bem que és a única ciumenta que quero!  

- Pois mas não sou a única que te quer! - gargalhou novamente 

- Não puxes um assunto que está morto e enterrado! 

- Quem puxou a Joaninha a voa a voa para a conversa foste tu! Não tens mais colega nenhum e de preferência macho a quem possas pedir os apontamentos? 

- Tenho… mas adoro ver-te assim… 

- Ai adoras? Então depois não te queixes! 

Eich oh mor… não exageres! Estava só a brincar contigo 

- Sabes perfeitamente que essa amostra de colega de turma irrita-me profundamente e mesmo assim julgas que podes brincar… pois fica a saber que a brincadeira sairá cara! 

- Amor, a Joana é só uma colega de turma e com quem fiz um trabalho de grupo, mais nada! 

- Pois… a Joaninha é só a coleguinha de turma e de grupo que te ligava constantemente! 

- Mas isso foi por causa do trabalho… 

- Foi… foi… e foi pelo trabalho ao qual não te prestaste… porque por vontade dela o que tens entre as pernas tinha trabalhado e muito! 

Ripostei por já estar danada com o rumo da conversa, mas não fiquei sem resposta porque o Ruben entrou na onda e  

- O que tenho entre as pernas trabalha para ti e não para outras! 

Ainda o olhei para responder mas fiquei pela intensão, isto porque antes de consegui fazê-lo, ouvimos duas gargalhadas destintas e quando olhamos vimos o Martim e a Kika a rirem 

- Satisfeito! - resmunguei 

- Quem começou com a conversa foste tu… 

- Que lindo… agora a culpa é minha! - resmunguei novamente enquanto livrava-me da manta que tinha em volta do corpo, levantei-me com a intensão de deixá-lo a falar sozinho, mas 
  


- Sabes que só tenho olhos para ti, que és a única que amo e que desejo, mas acima de tudo és a outra metade de mim! Mor, podem vir as Joaninhas que vierem que nenhuma mudará o que sinto por ti - voltou a beijar-me - e não tens razão para sentires ciúmes, nunca te dei motivos para isso! 

Não respondi, limitei-me a colocar o braço em volta do seu pescoço e a unir novamente as nossas bocas 



E quando tivemos a necessidade de interromper o beijo 

- Vou buscar os miúdos e já regresso para continuarmos com esta conversinha… - sussurrou ao meu ouvido 

- Fia-te na virgem e não corras! - gargalhou 

- Deixa de ser ruim… - beijou-me - sabes bem que por muito que tentes acabo sempre por conseguir…  

- Até um dia… até um dia… 

- Que nunca chegará! - a convicção do Ruben fez com que sorrisse e depois de mais um beijo, sentei-me no sofá 

- Mas vocês ainda aí estão! - resmunguei ao ver o Martim e a Kika na porta da sala a olharem-nos enquanto sorriam 

- Oh é engraçado assistir aos vossos arrufos porque picam-se mutuamente e acabam sempre por falar coisas engraçadas para depois terminarem nos braços um do outro! 

- Ena como o meu filho está a falar tão bem… - olhei para o Ruben e bastou para perceber que tramava alguma - só para pedir o que precisa é que não fala - o meu amor levou a mão ao bolso de trás das calças e - mas como não quero que te falte nada - aproximou-se do Martim - toma! 

Assim que o Ruben entregou a caixa de preservativos ao Martim foi a nossa vez de rir, porque tanto o Martim como a Kika ficaram envergonhados 

- Vais agarrar na caixa ou vou ter que ir ao teu quarto deixá-la? 

- Pai… 

- Martim fica descansado que é a primeira e a última caixa que te compro! Até porque há toda uma diversidade de preservativos que podem experimentar… - interrompi com pena dos miúdos 

- Mor… menos! Já estão envergonhados o suficiente! 

- É para aprender a não meter o bedelho nas gavetas do nosso quarto! - o Ruben sorriu - Mas agora a sério, filho se quiseres falar do assunto podemos fazê-lo quando regressar! 

- Até parece que és um expert no assunto! - retorqui e 

- Tanto quanto sei nunca me apanhaste desprevenido! - respondeu com um sorriso travesso e por isso aproximei-me para sussurrar ao seu ouvido 
- Só não te apanhei desprevenido porque rapidamente deixámos de os usar… - gargalhou 

- Não foi assim tão rapidamente…  

- Esperaste muito mais para começar a usá-los comigo do que para os deixares de usar… - voltei a sussurrar e o Ruben a rir - mas vai lá embora antes que chegues atrasado ao colégio! - falei agora normalmente  

O Ruben beijou-me e depois despediu-se do casalinho de namorados para sair de seguida. 

Kika 

Quando o Martim disse que a Mariana o tinha apanhado a mexer nas gavetas do seu quarto e que percebeu o que procurava, só tive vontade de o mandar passear macacos, mas esqueci o assunto, até porque a nossa irmã não tocou nele quando lanchamos com ela. 

Acabamos por ir para o meu quarto, onde fizemos os trabalhos e depois deixamo-nos ficar a namorar, mas assim que o Martim começou a abusar, acionei os travões e para que não tentasse novamente, informei que ia ter com a Mariana, afinal está adoentada. 

Entramos na sala e percebemos que a Mariana e o Ruben estavam na brincadeira, sim que as cenas de ciúmes da nossa irmã, nunca passam de uns minutos de brincadeira, no fundo acredito que a Mariana só as faz para se rirem os dois, porque se há coisa que ninguém duvida é que o Ruben só tem olhos e coração para a nossa irmã. 

Deixamo-nos ficar a assistir mas a determinado momento gargalhamos e depois… bem depois só tive vontade de hibernar, porque o Ruben entregou uma caixa de preservativos ao Martim… e só não se alongou no assunto porque a nossa irmã intercedeu por nós…