terça-feira, 12 de março de 2013

064 - "Porquê que nada na minha vida acontece quando quero?"


Mariana
Acordar nos braços do Ruben depois da noite que tivemos já por si foi maravilhoso mas ouvir o que disse foi indescritível. A manhã e tarde foi dedicada exclusivamente a ele e só quando chegamos a casa é que desgrudei dele por algum tempo, afinal queria dar alguma atenção ao meu irmão mas tive que despedir-me do menino no momento que ouvimos a última chamada para o voo que nos levaria até à Escósia.
- Amor - o Ruben chamou-me quando já estava recostada a ele.
- Diz.
- Porquê que escondeste isto tudo de mim? - sorri ao ouvir a pergunta dele
- Porque quis recompensar-te por tudo - beijei-o - Ruben a verdade é que deixamos muitas vezes de lado o que queremos e que nos dá algum prazer para ficarmos com o Martim.
- O Martim não é impedimento de nada e prova disso é que sempre conseguimos lidar com o facto de o termos.
- Sei disso mas a verdade é que se não o tivesse seria tudo diferente - o Ruben interrompeu-me.
- Deves querer dizer se não o tivéssemos - olhei-o sem entender - Mariana sei que é teu irmão mas nunca te escondi o quanto gosto do miúdo, para mim já é meu também, é uma parte de nós, é o nosso primeiro filho porque amamo-lo como se um filho fosse e por isso nunca irá atrapalhar a nossa relação, é verdade que temos outro tipo de limitações, que não podemos fazer tudo o que nos der na cabeça porque temos uma criança que depende de nós mas um filho não é impedimento de nada.
- Sim mas se não tivesse o Martim podíamos ter aproveitado de outra forma estes primeiros meses.
- Pois podíamos mas agora responde sinceramente se não fosse o Martim a unir-nos alguma vez tinhas dado hipótese de me aproximar de ti?
- Onde queres chegar?
- Mariana - hesitou por segundos - a verdade é que só permitiste que me aproximasse de ti porque o menino por algum motivo viu em mim um amigo e mais tarde o pai que nunca teve...
- Estás a dizer que só me aproximei de ti porque o Martim sempre se deu bem contigo?
- Em certa forma sim... amor a verdade é que fugias de mim, desde o dia que nos conhecemos que afastavas-me sempre que tentava aproximar-me de ti e só começaste a ceder quando percebeste a cumplicidade que o teu irmão criou comigo, resolveste aí deixar que me aproximasse de ti e foi só a partir desse momento que começamos a construir a amizade que nos que une e que evoluiu para amor, por isso o Martim nunca pode ser impedimento para nada.
- Sei disso tudo mas é diferente...
- Lá nisso tens razão - sorriu - é diferente principalmente naqueles momentos a dois afinal com uma criança em casa temos que nos controlar muito mais e prova disso é a noite passada - o que disse foi suficiente para sentir as bochechas a ficarem quentes e devem ter ficado vermelhas porque o Ruben riu - quando é que deixas de sentir vergonha?
- Oh... - baixei o olhar - para ti e muito fácil mas...
- Mas?!
- Mas sabes muito bem que para mim isto ainda é tudo novidade - sorriu - vá... continua a gozar...
- Deixa de ser tonta! Amor não estou a gozar e já não é assim tão novidade quanto isso - voltou a sorrir.
- Terás sempre os anos de avanço... - o Ruben gargalhou - dá mais estrilho que ainda é pouco - reclamei o que fez com que sorrisse de novo.
- Mariana esses anos de avanço que falas terei sempre mas não quer dizer nada... não é esses anos de prática que me dá a certeza de ter mais ou menos prazer, amor o que faz com que chegue ao auge é o sentimento que tenho por ti mas principalmente a forma como te entregas a mim e essa é completa desde a primeira vez, é verdade que agora o fazes muito mais naturalmente, afinal já não sentes o medo e/ou nervos que tinhas nas primeiras vezes, e só por isso é que aproveitas muito mais os nossos momentos, já não estás preocupada com o que deves e como deves fazer, simplesmente deixas fluir... o que faz com que tenhas a sensação de que hoje dás e recebes muito mais do que ao início mas nunca te amei menos só porque estavas mais tímida, entendes o que quero dizer?
- Ya... mas tenho a certeza que gostas muito mais agora - o Ruben calou-me com um beijo
- Deixa de ser tonta - o Ruben olhava-me bem nos meus olhos - é verdade que gosto muito mais agora mas não é por esse motivo... se te amo muito mais do que há um ano atrás é porque tens a capacidade de amares sempre mais de dia para dia, cativas-me pela tua simplicidade, pela forma como te entregas e lutas pelos que amas, pela intensidade que colocas num simples beijo, por tudo o que és e não pelos momentos de sexo que dás, amo-te mais a cada dia que passa porque tens a capacidade de me surpreender sempre, quando penso que já te descortinei simplesmente provas que afinal ainda há uma parte de ti que não conheço, por exemplo teres cortado o “cordão umbilical” que te une ao Martim, Mariana a verdade é que nunca pensei que conseguisses deixar o teu irmão durante quinze dias para ires de férias.
- Nós merecemos - sorriu - afinal nunca tivemos um tempinho só nosso e sim quero estar contigo sem ter as horas contadas porque tenho de ir buscar o Martim à escola ou porque está doente ou ainda porque lhe dá para os ciúmes e nos quer só para ele, Ruben amo muito o meu irmão mas a verdade é que em certa forma o menino desgasta a nossa relação e não posso perder nenhum dos dois porque simplesmente são os dois indispensáveis ao meu viver.
A conversa continuou mas por pouco tempo afinal o Ruben preferiu aproveitar as horas do voo para namorar em vez de conversar, definitivamente estávamos em clima de romance.
Assim que aterramos fomos diretos para o Hotel que será a nossa “casa” nos próximos dias. 


- És mesmo uma caixinha de surpresas - olhei-o - amor para quem não curte desperdiçar dinheiro à toa... - gargalhei perante o comentário do Ruben afinal sabia que estava simplesmente a meter-se comigo - ainda ris?
- Como é que vou dizer isto... - aproximei-me dele beijando-o - sabes que isto de gastar o dinheiro alheio tem muito mais piada... sim que nem penses que isto tudo saiu da minha conta bancária que coitada é mais seca que o deserto do Saara - gargalhei ao ver o ar de confuso dele - sim foste tu que pagaste...
- Como?
- Simples... não me deste acesso à conta...
- Ya mas não dei pelo rombo... - gargalhei
- Pois... só prova que tens de andar mais atento afinal casaste com alguém que te rouba e nem dás por isso...
- Não é isso que me preocupa... até porque se há coisa que não fazes é desperdiçar dinheiro mas agora fiquei curioso - sorri perante o ar do Ruben - afinal isto tudo não é propriamente barato logo como é que movimentaste a conta e nem dei por isso?
- Simples... foste tu que me deste o dinheiro - gargalhei - lembraste quando te pedi dinheiro “emprestado”?!
- Espera aí... tu pediste teoricamente para ajudares a Letícia numa despesa extra... - foi impossível não gargalhar
- Amor... és mesmo tapadinho... achas mesmo que iria pedir dinheiro para isso?
- Sinceramente achei estranho mas ao mesmo tempo era para ajudar alguém que é como família para ti...
- Desculpa a mentirinha mas tinha que arranjar forma de te pedir o dinheiro sem que desconfiasses mas amor prometo que não volto a repetir a proeza... foi uma vez sem exemplo porque se há coisa que detesto são “esquemas” ou mentiras...
- Mariana quantas vezes é que tenho de dizer que não precisas pedir, tens acesso à conta é para poderes usar, além disso achas que se não confiasse em ti que me sujeitava a isso? Não é à toa que és a única a quem dei acesso, nunca antes namorada nenhuma minha teve permissão para ver quanto mais para movimentar a conta.
- Tudo bem mas se tenho do meu não preciso usar o teu...
- Não é meu... é nosso! Ah e nem adianta refilares que agora que casamos é mesmo nosso - colocou a língua do lado de fora que nem puto - mas vamos terminar com a conversa porque à outras formas bem mais bacanas de gastarmos energias...
Gargalhei não pelo que disse mas sim porque a sua barba estava a fazer cócegas, o Ruben iniciou uma sucessão de beijinhos pelo meu pescoço e cara que serviram como rastilho ao que se seguiu, não perdemos tempo e experimentamos de imediato a cama, tivemos uma noite animada e por isso a manhã do dia seguinte foi mesmo passada na cama...


Ruben
Os últimos dias têm sido fantásticos e aproveitados ao máximo, tanto para namorar como para passear.



A verdade é que se fosse eu a escolher nunca o teria feito com tanta perfeição, a Mariana deu primazia ao sossego e à paz envolvente, algo que só serviu para que pudessemos aproveitar ainda mais os momentos a dois, estarmos rodeados pela natureza transmite-nos uma paz imensa e neste momento é o que nós mais precisamos porque querendo ou não ambos temos consciência que assim que voltarmos a Braga os “problemas” irão surgir...
- Ainda vais dizer o que se passa contigo - a Mariana olhou-me - e não me olhes dessa forma porque nunca foste de demorar mais que uns minutos a escolher a roupa para vestires...
- Ajudava se soubesse onde queres levar-me... - refilou
- Realmente agora percebo o que os meus colegas quiseram dizer quando falaram que com o “casamento elas mudam” - a Mariana olhou-me imediatamente.
- O que queres dizer com isso????
- Que desde que casamos que andas mais refilona - tive que controlar a gargalhada porque foi visível na expressão da Mariana que não gostou mas se dúvidas houvessem...
- Engraçado... quando abro as pernas para o menino não oiço reclamações... - ouvir tal coisa proferida pela Mariana apanhou-me completamente desprevenido tanto que devo ter aberto a boca porque - ah e fecha a boca ou ainda entra mosca... e se estás farto de esperar tens bom remédio - olhou-me com ar de desafio - a porta do quarto está destrancada... só não sais se não quiseres!
Conforme falou agarrou numas calças e t-shirt e foi-se enfiar na casa de banho, saindo minutos depois já vestida.
- Amor estava a brincar... - olhou-me e não consegui perceber se estava mesmo chateada - desculpa... - aproximei-me dela - não foi com intenção de magoar-te - a Mariana sorriu e depois de se “pendurar” no meu pescoço beijou-me demoradamente
- Deixa de ser parolo - sorriu - achas mesmo que consegues aborrecer-me com tão pouco? Lamento mas se queres ver-te livre de mim vais ter que te esforçares muito mais... afinal birras de putos já estou mais do que habituada a lidar...
- Tão engraçadinha que a menina está... - iniciei um ataque de cócegas que terminou connosco deitados na cama e a rir às gargalhadas.

Depois de um momento de pura brincadeira saímos finalmente do quarto, fomos comer e no fim arrastei a Mariana comigo até ao campo de Golf.
- Eish... oh Ruben não vais jogar pois não? Tipo não tenho vocação para ficar a pavonear-te enquanto jogas... - gargalhei - não tem piada!
- Pois não... a piada está mesmo no fato de ires jogar... sim que nem penses que me trazes para um sitio onde tenho Golf e não vou aproveitar para ensinar-te a jogar...
- Passou-se... - gargalhei ao ver o panico da Mariana - amor nem em sonhos... a menos que queiras levar com o taco ou lá como se chama essa coisa pela cabeça a baixo... sou um perigo com certas coisas nas mãos... além de não achar piadinha nenhuma a isso...
- Estás sempre a tempo de aprender... anda - puxei-a pela mão e fui tratar de alugar o equipamento necessário, sempre com a Mariana a bufar atrás de mim - no fim do dia ainda vais agradecer-me...
- Sim... sim... e deve ser pela seca monumental que vou apanhar!
Não lhe respondi e nos minutos seguintes iniciei a “aula”, o certo é que gargalhadas não faltaram durante o dia, até porque a Mariana tinha razão... é um perigo com um taco nas mãos, mas se acabei por desistir uma vez que há coisas que não vale mesmo a pena insistir, a Mariana saiu com o ego em cima pois segundo a princesa não a consegui vergar, resultado durante o jantar os meus ouvidos foram massacrados com piadas do género “és mesmo fraquinho... nem a tua mulher consegues vergar” ou ainda “desistes muito facilmente” entre outras que só serviram para planear uma “vingança” que meti em prática assim que chegamos ao quarto, isto depois de um passeio a pé depois do jantar.
***
Os dias voaram, realmente o que é bom acaba depressa e amanhã ao final da tarde temos de regressar, estava a terminar de colocar a minha roupa na mala quando fui surpreendido pela Mariana, ela apareceu à minha frente da forma que nunca pensei vê-la, sim sei que tenho conseguido “derrubar” muitas barreiras entre nós mas imagina-la assim vestida é algo que nunca pensei ser possível.

Mas se já estava “KO” só de a ver a pavonear-se em tais trajos pelo quarto ainda mais fiquei quando percebi até onde estava disposta a ir, a Mariana obrigou-me a ficar sentado impávino e “sereno” a assistir a um stripetise que fez de forma sensual, atrevida e tudo o mais, que só contribuiu para deixar-me “desesperado”, não sei onde andou esta Mariana mas que estou a adorar lá isso estou, escusado será dizer que a noite foi intensa e vivida em plenitude, aproveitada ao máximo e só não prolongamos durante mais tempo porque ficamos ambos sem forças, sim a Mariana conseguiu esgotar-me por completo...

***
Acordei e ao sentir a cama “vazia” estiquei o braço à sua procura mas só confirmei as minhas suspeitas, a Mariana não estava deitada, abri os olhos e também não a encontrei no quarto, levantei-me e fui procurá-la, encontrei-a na varando do nosso quarto a contemplar a beleza natural que tínhamos diante dos nossos olhos.
- Bom dia amor - beijei-a - o que se passa?
- Nada!
- Estás murcha... - olhou-me - isso é tudo porque vamos deixar este paraíso?
- Também...
- Amor o que se passa?
- Nada de especial...
- Alguma coisa é... Mariana pensava que ias acordar animada porque dentro de horas já terás o Martim nos teus braços e afinal...
- Apareceu-me o período... - falou desanimada
- Oh mor - fi-la rodar o corpo de forma a olhá-la bem no fundo dos seus olhos - isso só significa que temos continuar a ir aos treinos - beijei-a - e de preferência que sejam tão exigentes quanto estes dos últimos quinze dias - a Mariana sorriu - é assim que te quero ver, a sorrir, Mariana lá porque ainda não foi este mês não quer dizer que não será no próximo...
- Oh... mas já andamos a tentar e nada...
- E quanto mais encascares isso nessa cabecinha pior... amor relaxa - suspirou - Mariana nós não temos pressa e irá acontecer quando tiver que acontecer, não quero que andes constantemente a pensar nisso, não te faz bem.
- Porquê que nada na minha vida acontece quando quero?
- Porque a vida não é um relógio suíço que podemos acertar quando por algum motivo se atrasa... Mariana relaxa, vive um dia de cada vez, se deixares de tentar planear tudo ao milimetro irás perceber que a vida tem outra alegria, mor o teu problema é que passaste os últimos anos a planear tudo para que nada faltasse ao Martim, viveste em função dele e das suas prioridades, agora que finalmente começaste a pensar mais em ti e no que queres ou que precisas para te sentires realizada deparaste que afinal não dá para planear tudo, porque simplesmente não depende só de ti...
- Até parece que gostaste de saber que ainda não é este mês... - calei-a com um beijo que prolonguei ao máximo.
- Deixa de dizer disparates... sim fiquei triste porque para mim já estavas grávida há muito mas não estás e não vou stressar por isso, amor quem te ouvir falar ainda pensa que andamos a tentar há meses, quando na verdade só há dois meses é que deixaste de tomar a pílula...
- Ok... - a Mariana estava mesmo desanimada - vou tomar um duche...
Fiquei sozinho e com a certeza que terei que andar atento, algo me diz que se a Mariana não engravida rapidamente que isso irá trazer-nos problemas porque o meu amor não conseguirá lidar com isso.
O assunto não voltou a ser tema de conversa até porque preferi aproveitar as últimas horas que nos restava e no final do dia regressamos a Portugal.

Mariana
Os últimos quinze dias foram maravilhosos, nunca pensei que conseguisse aguentar tantos dias sem estar constantemente a pensar no Martim mas a verdade é que só à noite é que me lembrava do meu piolho, sei que não é bonito mas não consegui evitar “desligar-me” do meu mundo, quis aproveitar ao máximo todos os segundos com o Ruben e talvez por isso “libertei-me” de tal forma que tenho consciência que surpreendi em diversas vezes o Ruben com o meu lado mais “atrevido”.
Mas nem tudo correu como queria, infelizmente percebi que ainda não é este mês que posso dar a alegria de ser pai ao Ruben e isso deixou-me chateada comigo mesmo, no entanto o Ruben demonstrou mais uma vez ter uma paciência de santo para aturar-me e depressa tratou de desmistificar o drama que arranjei por tão pouco.
***
O voo de regresso foi calmo e assim que passamos as portas do desembarque ouvimos a voz do Martim a chamar pelo Ruben, foi impossível não rir ao ver o meu irmão a correr na direção do meu amor e a saltar-lhe para o colo.
- Tive tantas saudades tuas - olhei para aqueles dois que estavam nitidamente a dar espetáculo ou não fosse o Martim estar a encher o Ruben de beijinhos e abraços.
- Olha que bonito... realmente ao que isto já chegou - meti-me com eles - a tua irmã sou eu e é o Ruben é que tem direito a uma receção destas...
- Oh mana desculpa - o menino abraçou-se imediatamente a mim - não quero que fiques triste mas senti mais a falta do Ruben - o Nuno que nos foi buscar gargalhou ao ouvi-lo, enquanto o Ruben olhou-me, talvez para tentar perceber o impacto daquelas palavras.
- É sempre bom saber que sentes mais a falta do Ruben do que de mim... que bonito.
- Oh mana é que tu és mulher e eu mulher tive a madrinha mas eu preciso é de falar com um homem - foi impossível não rir ao adivinhar que se aproxima mais um momento embaraçoso para o Ruben - por isso é que senti mais a falta do Ruben.
- Pois... tens cá uma lata! Mas vá diz lá o que tanto precisas de falar com o Ruben que agora estou curiosa.
- Se eu quisesse que soubesses tinha falado com a madrinha - olhei-o estupefata, o raio do pivete estava com umas piadas muito boas e que deixaram-me sem saber o que responder, algo que o Ruben deve ter percebido porque meteu-se no meio e tratou de arrumar a questão ao dizer que falavam os dois em casa.
- Amor... Mariana - o Ruben chamou-me assim que o Martim se afastou ligeiramente - estás a ouvir? - tocou-me no braço
- Diz.
- O menino não fez por mal - olhei-o - o Martim nem deve ter pensado bem no que falou...
- Não estou chateada muito pelo contrário - olhou-me surpreendido - Ruben é bom perceber que o menino conta contigo e que sente a tua falta, é bom sinal, certo?
- Sim mas quase que te ignorou...
- Ohhh é criança...
O Ruben não insistiu mais até porque chegamos junto do carro do Nuno, seguimos viagem e assim que entrei em casa encontrei a Letícia acompanhada pela Patrícia e o Nuninho, os minutos que se seguiram foi para muito resumidamente contarmos como tinha sido estes dias mas acabei por correr com os nossos amigos lá de casa uma vez que estava realmente cansada.
Comi algo rápido e fui até ao quarto, enquanto o Ruben ficou à conversa com o Martim. Estava deitada quando a Letícia entrou no quarto.
- Estás bem? - olhei-a.
- Sim...
- Que sim tão desanimado é esse?
- Ohh - a Letícia olhou-me.
- O que se passa? E não adianta negares porque alguma coisa anda a incomodar-te.
- Nem sei por onde começar...
- Pelo inicio!
- Tenho medo do que está por vir - olhou-me sem entender o que queria dizer - Letícia passei quinze dias brutais mas agora que já coloquei os pés novamente no chão terei que ir buscar forças não sei bem onde para aguentar o que está por vir...
- Estás a falar do Ruben ainda não saber se fica ou não no Benfica? Sim porque em Braga já está decidido que não continua...
- Isso é o mal menor... Letícia - baixei o olhar, o assunto mexe demasiado comigo - descobri que o traste responsável pelo meu nascimento está próximo de mim, amiga o empresário do Ruben é aquele a quem deveria chamar de pai - a Letícia abriu a boca - pois... se ficaste assim imagina como fiquei quando vi tal pessoa a desejar-me felicidades no dia que casei...
- Foi por isso que passaste o dia super estranha?
- Sim... sinceramente nem sei como consegui...
- O Ruben sabe disso?
- Sabe... e não foi preciso dizer-lhe, ele percebeu imediatamente o que se passava, só lhe tive de confirmar as suspeitas...
- E agora? O que é que o Ruben disse dessa infeliz coincidência?
- O problema está mesmo aí... o Ruben já colocou a hipótese de mudar de empresário, aliás foi das primeiras coisas que falou assim que conseguimos ter uns minutos a sós mas não posso permitir isso, não posso deixar que se prejudique por causa do meu passado mas também não sei se vou conseguir ser cínica ao ponto de ignorar tal descoberta... a juntar a isto tudo hoje apareceu-me o período - suspirei - nada corre como quero...
- Não digas isso - olhei-a - casaste com o homem que amas e que já provou por diversas vezes que te ama, tiveste duas semanas de sonho, tens o Martim e os teus amigos que te adoram, o que é que podes querer mais? Esquece o resto e aproveita esta nova fase da tua vida, sempre soubeste lidar com os teus problemas e é isso que farás quando eles surgirem, agora aproveita mas é o clima in love em que vocês os dois estão, sim que só um cego é que não vê que chegaram completamente melosos - sorri com o que falou e acabei por concordar com o que disse.
Acabamos por sair do quarto e ao passar pelo do Martim foi impossível não parar ao ver que o Ruben estava lá com o menino, estavam a brincar e a falar alegremente que nem deram pela nossa presença. Fiquei a observá-los na companhia da minha amiga durante alguns minutos mas acabei por seguir até à sala, algo que a Letícia também fez. Ficamos à conversa que só foi interrompida com a entrada do Ruben que nos informou que o miúdo já dormia, a Letícia aproveitou a dica e também se retirou.
Os minutos seguintes foram para ser mimada pelo meu marido mas depressa fomos para o quarto e ao contrário do que foi as últimas noites, esta foi serena, simplesmente nos deitamos e dormimos.
Como será os próximos tempos?
Será que o passado da Mariana virá ao de cima? 
Irá a Mariana conseguir engravidar?
E o Ruben ficará no Benfica?

Olá :)
Sei que tenho demorado imenso a escrever e a postar na FIC mas gostava que comentassem e respondessem às perguntas que deixei no final do capítulo, pois o rumo da história irá depender disso...
Fico à espera das vossas reações... 
Beijocas
Mari




segunda-feira, 4 de março de 2013

063 - "Noite de núpcias?! Para mim vai ser uma noite igual a todas as outras..."


Antes de iniciarem a leitura quero só pedir desculpas pela demora em publicar mas a inspiração andou escassa para esta história :s vou tentar ser breve mas não prometo...
Espero que continuem a acompanhar a história e que comentem... a vossa opinião é importante...
Beijocas
Mari

Mariana
Apesar de tudo, de ter descoberto que o meu pai está mais próximo do que alguma vez imaginei e de ter modo que discutido com o Mauro estava feliz, afinal olhar para o Ruben e vê-lo tão feliz é tudo o que posso pedir.
Confesso que fiquei curiosa quando o Martim o arrastou para falarem mas depressa percebi o motivo pois o Ruben mais uma vez não soube o que dizer no entanto quando ficamos só os dois o Ruben teve que mandar a piada por ter dado um conselho ao Martim inverso do que eu própria fiz durante meses, como não tinha argumentos válidos para refutar a “acusação” da qual estava a ser alvo preferi ir pelo caminho mais fácil e fugi com a desculpa de ir comer.
A fome não era nenhuma mas hoje a mesa dos doces estava a chamar por mim de uma forma persistente, logo eu que não sou de comer doces. Estava a deliciar-me a comer um bocadinho deste e daquele quando reparei que a Anabela estava a falar com o Ruben ou melhor devia estar a dar-lhe na cabeça porque pela expressão corporal dele percebi que o que quer que fosse que a mãe lhe disse não gostou. Acabei por aproximar-me e sem esperar ouvi o Ruben a admitir que se concordou com o casamento nestes modos foi porque não pode ser sempre o mesmo a ceder, neste caso eu, mas se por um lado fiquei contente pelo que disse por outro senti revolta por o Ruben ter revelado à mãe a parte do seu empresário.
- Parece que vou ter que aceitar mais uma… - uns segundos bastaram para o Ruben se virar e assim que o olhei - não tinhas o direito de revelar algo tão meu…
- Descul… - calei-o com um beijo, foi a única forma eficaz que naquele momento me passou pela cabeça e assim que o fiz senti os seus braços a prenderem-me junto do seu corpo talvez com medo que pudesse fugir.
- Ruben não devias ter falado mas não consigo aborrecer-me contigo quando sei que estás no teu limite, que tal como eu também não entendes o porquê que a tua família resolveu demonstrar o seu desagrado perante a forma como fizemos as cenas mas sabes… - sorri ao olhá-lo - foi contigo que casei, és tu a pessoa que amo e que quero para sempre do meu lado, além disso ambos sabemos que o amuo da tua família irá passar, só precisam de tempo para assimilar os fatos, é verdade que podíamos ter feito de outra forma mas para isso era necessário existir a perfeição e essa se existe nunca me foi apresentada por isso para mim o nosso dia está a ser único e nada nem ninguém o vai estragar.
O Ruben não disse nada simplesmente sorriu e puxou-me pela mão, fomos até ao jardim e por lá ficamos só os dois, era disso que estávamos a precisar, do nosso espaço sem termos ninguém a observar-nos, senti-me talvez pela primeira vez naquele dia na minha zona de conforto, senti-me eu e isso serviu para recarregar baterias para enfrentar o resto do dia que nos faltava.
***
Apesar de tudo, de ter descoberto que o empresário do Ruben é quem mais odeio e de ter percebido que por minha culpa o Ruben levou um raspanete da sua mãe, o dia estava a ser especial.
As horas passaram e o momento dos poucos convidados se despedirem de nós chegou, com ele veio mais um momento inesperado.
- Mana tu e o Ruben vão dormir a casa?! - olhei para o meu irmão algo incomodada com a pergunta principalmente porque quem nos rodeava gargalhou.
- Martim! - tentei repreende-lo mas...
- Oh mana não ralhes comigo mas agora já tás casada por isso já posso ter o mano - o Ruben já sorria - e tu podias tratar disso já hoje...
- Poder até podia mas não me parece que seja possível! - respondi-lhe e aproveitei que a Patrícia se aproximou para fugir do meu irmão uma vez que o puto estava numa de envergonhar-me.
- Queres que fique com o Martim?
- Não!
- Mariana tu diz-me que vocês não se vão enfiar em casa...
- E tu queres que fossemos para onde?
- Rapariga é a vossa noite de núpcias... - gargalhei - onde é que está a piada?
- Noite de núpcias?! Para mim vai ser uma noite igual a todas as outras... acredita que não vou descobrir nada de novo...
- Mariana... - olhei-a - vocês não vão mesmo comemorar a dois este dia? - perguntou-me com o ar mais “chocado” que pode haver.
- Comemorar o quê? Patrícia para mim não mudou rigorosamente nada por isso não tenho nada para festejar que não festejo já diariamente...
- Mesmo sério? Só mesmo tu para dizeres uma cena dessas... coitado do Ruben... o que o rapaz não deve sofrer nas tuas mãos...
- Se sofre gosta porque não reclama...
Não lhe dei tempo para refutar o que falei uma vez que virei costas e “fugi”, comigo levei a Letícia dado que estava a par de tudo.
- Gostava de ser mosca para ver a reação do Ruben quando perceber qual é a tua intenção... - se a Letícia gargalhou eu fiquei envergonhada - shiii também não precisas ficar assim...
- E parares de gozar comigo, não era bem melhor?
- Desculpa - sorriu - mas tem piada ver-te assim... - olhei-a
- Assim como?
- Oh mais “solta” a viveres a tua vida sem pensares constantemente no Martim... a verdade é que isto seria impensável há um ano atrás...
- Pois mas mudei... - sorriu - e por mudar está na hora de raptar o Ruben - gargalhou - e tu cuida do Martim...
- Aproveita os próximos quinze dias... fica descansada que o Martim fica “controlado” e vê se tratam de satisfazer o pedido do meu afilhado...
- Estás mesmo a falar do quê?
- Não te faças de parva... e sim estou a falar de encomendarem um Rubenzinho ou uma Marianinha - sorri ao ouvi-la - que sorriso foi esse?
- O meu...
- Mariana?! Amiga o que é que estás a tentar esconder?
- Eu?! Nada!
- Tu estás grávida? - foi impossível não rir com a pergunta dela mas parei assim que ouvi atrás de mim
- Isso é verdade?
- Não! - virei-me para trás e abracei o Ruben - não achas que já sabias se fosse verdade?
- Oh... sei lá... podes estar só desconfiada...
- Não estou desconfiada de nada... até porque é muito cedo para desconfianças - beijei-o calmamente - e agora vai mas é despedir-te do pessoal que falta que quero ir para casa... estou de rastos! - o Ruben nem refilou e foi fazer o que lhe pedi.
- Mariana - olhei para a Letícia - disseste a verdade ao Ruben?
- Sim! Não estou desconfiada de nada mas a verdade é que já andamos a tentar - sorri ao ver a surpresa no rosto da minha amiga - por isso pode acontecer a qualquer momento mas não comentes com ninguém.
A conversa terminou até porque a Anabela aproximou-se, estive alguns minutos a falar com a mãe do Ruben, onde a senhora pediu desculpas pelo que falou mas no fundo até a percebia, afinal o Ruben mudou mesmo e por culpa minha, despedi-me da minha sogra, sim sogra, agora já é oficial e fui ter com o meu irmão.
- Martim vem com a mana.
- O que foi? - perguntou-me com os níveis de curiosidade ao máximo.
- Amor - sentei-me numa cadeira afastada e puxei-o para o meu colo - a mana precisa de falar contigo - olhou-me muito atento - sei que já o devia ter feito mas não o fiz porque queria que fosse surpresa - não consegui continuar a falar porque o pirralho interrompeu-me
- Tu e o Ruben vão passear e eu não posso ir, né? - olhei-o sem perceber se estava chateado.
- Ficas chateado com a mana se não fores?
- Não... mas mana eu fico com quem?
- A Letícia vai ficar em Braga estes dias para cuidar de ti.
- Fixe vou poder brincar muito com a madrinha - sorri perante a alegria do meu piolho - mas mana são muitos dias?
- Duas semanas mas podes falar com a mana e com o Ruben todos os dias...
- Não é preciso - olhei-o - mana eu fico bem com a madrinha e eu sei que tu e o Ruben querem estar sozinhos, eu sei que não posso andar sempre com a mana porque tu também precisas dar miminhos ao Ruben, né? - sorri com a dedução e pergunta do miúdo.
- Amor não ficas mesmo chateado por não ires connosco?
- Não mana mas tu tens de dar muitos miminhos ao Ruben porque eu não quero que ele fique chateado e eu sei que às vezes por causa de mim tu e ele não podem fazer tudo o que querem. Mana eu gosto muito de ti mas também gosto muito do Ruben ele é como o meu pai e eu não quero perder ele por isso eu fico com a madrinha para tu e ele poderem namorar sem tarem preocupados comigo - foi impossível segurar as lágrimas, afinal o meu piolho estava a demonstrar uma maturidade que muitas crianças na idade dele não têm - tás a chorar porquê?
- Porque a mana está muito feliz por perceberes isso tudo.
- Tá bom - limpou-me as lágrimas que teimavam escorrer pelo meu rosto - mas mana depois trazes um presente para mim não trazes? - gargalhei
- Fica descansado que trago muitos presentes.
- Fixe! E quando é que vão?
- Martim, hoje não vamos lá para casa mas amanhã ao final do dia passamos por lá para ir buscar as malas e para te dar um beijinho de despedida pode ser?
- Sim... mana o Ruben sabe disto tudo?
- Não... é surpresa para ele também.
- Ah... mana posso perguntar uma coisa?
- Podes!
- Oh mana eu quero muito que tenhas um bebé - sorri perante a insistência do Martim - quando é que achas que pode ser?
- Martim a mana não pode responder a isso porque não sabe quando irá acontecer mas posso dizer que já falei sobre esse assunto com o Ruben.
- E o que é que ele disse?
- Amor, nós também queremos um bebé mas a mana não pode dizer-te quando vai ser porque na verdade não sabe quando vai acontecer.
- Tá bem mas mana posso ir dar um beijinho ao Ruben?
- Podes vai lá mas não lhe digas porquê.
- Tá bem eu não estrago a surpresa.
Conforme falou deu-me alguns beijinhos e abraços apertados para logo depois correr na direção do Ruben, fiquei a observar aqueles dois e sem dúvida quando estão juntos parecem duas autênticas crianças, ainda fiquei uns minutos a observa-los mas acabei por aproximar-me.
- Oh criancinhas e que tal acabarem com a brincadeira - o Ruben olhou-me - amor estou cansada...
- Ok! Então vamos - o Ruben abraçou-me, já o Martim
- Mana eu vou com a madrinha tá bem?
- Tá bem... tá - sorri pela “ajudinha” que o puto estava a dar-me.
- Martim podes ir connosco - o Ruben manifestou-se e o Martim arrumou logo a questão
- Mas eu quero ir com a madrinha... adeus! - assim que falou correu até à Letícia.
- Amor - rodei o corpo, ficando de frente para ele e com os meus braços à volta do seu pescoço - não achas que o menino está estranho - sorri - que foi?
- Nada... - beijei-o sem qualquer pudor - vamos?
- Sim... vou só pedir as chaves do carro ao Mauro - o Ruben conforme falou tentou afastar-se mas impedi e por isso - que foi?
- Não precisas... - não lhe disse mais nada, simplesmente o puxei pela mão.
- Bora? - sorri para o Nuno.
- Sim!
- Vocês importam-se de dizer o que se passa?
- Ainda não lhe disseste?
- Achas? - gargalhei ao ver a cara do Ruben.
- Amor... - calei-o com um beijo e depois puxei-o pela mão até ao exterior sempre com o Nuno a seguir-nos, afinal era ele que nos ia levar ao nosso destino.
Assim que cheguei junto do carro do Nuno vendei os olhos ao Ruben para desagrado dele mas não teve outra solução que não “comer”, o certo é que passou a curta viagem a reclamar para satisfação do nosso amigo que se divertiu à brava com a situação. O Nuno deixou-nos algures num hotel “perdido” em pleno norte de Portugal e assim que chegamos depressa nos encaminhamos para aquele que seria o nosso “ninho de amor” pelo menos durante as próximas horas.
- Amor já posso tirar esta porra dos olhos? - sorri ao ouvi-lo, a verdade é que o Ruben estava desejoso de puder ver o que tinha planeado para a nossa noite - estás a ouvir? - não lhe respondi mas também não me deixei ficar, aproximei-me dele e fui depositando alguns beijinhos pelo seu pescoço até unir os nossos lábios num longo e intenso beijo que só foi interrompido quando as portas do elevador se abriram, agarrei-o pela mão e conduzi-o até ao nosso quarto ou melhor suite.
Entramos e assim que o Ruben ouviu a porta a fechar levou as mãos à venda mas impediu-o de a retirar.
- Nem penses - sussurrei ao seu ouvido enquanto as minhas mãos percorreram o seu tronco chegando ao cinto das suas calças, ouvi o Ruben a suspirar o que fez com que sorrisse, afinal não estava a fazer nem metade do que tinha em mente para aquela noite - hoje quem manda sou eu - proferir entre beijos que lhe dava, o Ruben puxou-me mais para si mas devo o ter surpreendido novamente quando o encostei à parede e deixei os meus lábios passearem pelo seu pescoço e as mãos pelos botões da sua camisa, desapertei um a um, conforme ia abrindo caminho a minha boca foi descendo pelo seu tronco, chegando ao limite delineado pelas suas calças para voltar a fazer o mesmo trajeto mas agora no sentido oposto, uni de novo as nossas bocas e aproveitei para livrar-me da sua camisa, atirando-a ao chão para logo depois lhe retirar as calças, algo que o Ruben facilitou e quando as nossas bocas voltaram a unir-se tirei-lhe finalmente a venda, o que permitiu o Ruben olhar em volta sorrindo ao ver o meio envolvente mas depressa se concentrou em mim, beijamo-nos para de imediato sentir as mãos do Ruben nas minhas costas, ele tentava desapertar os botões do meu vestido, algo que me fez gargalhar - amor é de fecho... - murmurei junto do seu ouvido - os botões é só efeito... -  aproveitei para lhe fazer um chupão que de ligeiro teve muito pouco, ainda assim o Ruben não se queixou, até porque estava a tentar abrir o fecho, resolvi facilitar e virei-me de costas para ele, algo que aproveitou para beijar-me o pescoço e ombros enquanto deslizava o fecho do vestido lentamente, senti os seus lábios em cada bocadinho da pele das minhas costas à medida que ia abrindo o vestido para finalmente o retirar com todo o cuidado, fiquei somente em lingerie diante dele e mais uma vez vi surpresa no seu olhar talvez porque não esperava tanta ousadia da minha parte mas a verdade é que quando a comprei foi com o pensamento nesta noite e no quanto queria que fosse especial, talvez por isso fui eu que tomei as rédeas do momento que se seguiu, empurrei-o até à cama, obrigando-o a sentar-se, para logo depois colocar uma música a tocar na pequena aparelhagem que estava no quarto e sem saber bem como tive coragem retirei as meias e liga de forma sensual, algo que voltou a surpreender o Ruben e que aproveitei para sem pensar muito lhe “amarrar” as mãos com uma das minhas meias, o meu amor sorriu para logo depois suspirar quando percebeu que o iria “torturar” no bom sentido, afinal dei uso aos morangos e chocolate que tínhamos no quarto, iniciei a brincadeira a dar-lhe à boca alguns morangos mergulhados no chocolate mas depressa passei a usar o chocolate para outro fim, espalhei um pouco pelo seu corpo e com a boca fui retirando e conforme aproximava-me dos seus boxers ia ouvindo os gemidos do Ruben a aumentar de tom, percebi algures que aquilo lhe dava prazer e por isso continuei, ele estava nitidamente a ver até onde iria e talvez por isso “perdi” a pouca vergonha que ainda tinha em partilhar estes momentos com ele e acariciei-o...
- Amor... - olhei-o de solaico - queres acabar comigo... - gargalhei ao ouvi-lo, aquilo escapou-lhe pelos lábios em género de desabafo mas não ficou sem resposta.
- Ainda não viste foi nada... - falei enquanto sentada em cima do seu sexo retirei o corpete sempre sob o olhar atento dele, o Ruben apesar de continuar com as mãos presas elevou o seu tronco e beijou-me inicialmente de forma calma mas que passou a intensa quando as nossas línguas se uniram numa dança frenética, acabei por “libertá-lo” e assim que ficou com as mãos livres percebi rapidamente que iria sofrer, o Ruben brindou-me com um conjunto de “mimos” diferentes enquanto se livrava da única peça de roupa que ainda cobria o meu corpo e que levaram-me ao limite algo que só serviu para despertar em mim uma Mariana que até à data não se tinha revelado e quem sofreu a seguir foi o Ruben, voltei a “munir-me” do chocolate para continuar com a minha pequena brincadeira, não sei como tive coragem para tanto mas a verdade é que fiz com a boca algo que nunca antes tinha-me passado pela cabeça, levei-o ao limite, obrigando-o mesmo a implorar para que parasse, assim o fiz para logo a seguir o Ruben unir finalmente os nossos corpos, começou com um ritmo lento mas depressa o aumentou, conduzindo-nos ao limite dos limites, amámo-nos talvez pela primeira vez sem qualquer tipo de restrição, fizemo-lo noite dentro e em todas as vezes senti-me como nunca antes me senti, não consigo descrever mas foi algo único, talvez porque pela primeira vez estava verdadeiramente liberta de qualquer tipo de pudor, éramos só nós os dois naquele quarto.

Ruben
Acordei com os primeiros raios de sol a invadirem o nosso quarto, foi impossível não sorrir ao ver a Mariana a dormir serenamente nos meus braços, o meu amor estava com a cabeça no meu peito e por isso tentei não me mexer muito para não a acordar, a verdade é que usei esse tempo para assimilar tudo o que se passou desde que entramos no quarto, pela primeira vez senti que a Mariana se entregou completamente a mim e isso deixa-me extremamente feliz, talvez por ter a consciência que finalmente a Mariana perdeu o medo que tinha de viver o presente, hoje tenho-a verdadeiramente e não só aos bocadinhos, era nisso que estava a pensar quando ela se mexeu, olhei-a e vi-a a abrir lentamente os olhos.
- Bom dia razão do meu viver... - sorri ao ouvi-la
- Ena tão alegre que ela está - meti-me com a Mariana.
- Culpa tua - sorriu - deixas-me assim feliz - uniu os nossos lábios num beijo calmo - amo-te tanto - suspirou - obrigada por tudo...
- Obrigada?
- Sim... obrigada por não teres desistido de mim, por lutares contra os meus medos, por amares o Martim como se fosse teu filho, por fazeres com que finalmente me tornasse mulher, sim porque fizeste com que crescesse, com que perdesse o medo de viver, com que tenha finalmente algo porque lutar mas principalmente dás-me a única coisa que nunca tive - suspirou - amor... Ruben desde cedo aprendi a lutar para viver mas contigo descobri o quanto é bom a sensação de dependência, de ter alguém a quem agradar, a quem mimar, a quem cobrar quando acho que o tenho de fazer, mas principalmente o quanto é bom entregarmos a nossa vida nas mãos de outra pessoa que nos dá a proteção que muitas vezes precisamos e que a vida nos tenta retirar... por isto tudo e pelo que não consigo dizer porque as palavras faltam obrigada... obrigada por me teres ensinado a amar mas principalmente por estares do meu lado...
- Uiiii se começamos nos agradecimentos nunca mais de cá saímos - sorri perante o ar confuso da Mariana - porque se hoje estamos aqui devo isso a ti, Mariana a verdade é que deste outro sentido à minha vida, deste-me a responsabilidade que nunca tive, contigo aprendi a dar valor a pequenas coisas como um sorriso ou simplesmente um abraço ou então a um “dorme bem”, contigo aprendi a esperar, a lutar pelo que realmente quero, a amar desalmadamente, a abdicar de mim em prol de algo maior, contigo descobri que o amor é algo que se constrói diariamente, é algo que nunca é grande o suficiente pois cresce diariamente, cresce com as dificuldades que superamos mas também com os momentos que partilhamos com o Martim ou ainda aqueles que dedicamos um ao outro, amar é muito mais que uma palavra de quatro letras que muitas vezes é proferida de forma quase banal, amar é muito mais que uns momentos a dois, amar é saber abdicar, é compreender, é apoiar, é contrariar se for caso disso, é lutar sempre mais, é aceitar os defeitos e as virtudes do outro, é abdicar do nosso tempo para partilharmos momentos com o Martim, é simplesmente viver cada dia como se fosse o último mas sempre com a consciência que no dia seguinte temos que dar um pouco mais de nós... Mariana hoje percebo o que o meu avô me disse um dia... amar só se ama uma vez enquanto gostar gostamos milhares de vezes, gostamos de um par de sapatos, de uma camisola, de um carro, de um amigo, da nossa família, de uma ou de muitas raparigas mas amar realmente só se ama uma vez e nem todos temos a felicidade de perceber isso... amo-te!
A Mariana não conseguiu dizer nada, simplesmente uniu os nossos lábios em mais um beijo sereno para logo depois repousar a sua cabeça no meu peito, ficamos simplesmente a olharmo-nos durante algum tempo até que...
- Anda! - a Mariana resolveu sair da cama.
- Eish... volta para aqui! - reclamei mas de pouco adiantou
- Tu é que sabes... eu estava mais numa de experimentarmos ali o jacuzzi - notei-lhe uma pontinha de atrevimento no seu tom de voz - mas se preferes ficar na cama... - não levei mais que uns segundos a levantar-me e segui-la até à casa de banho.
- Bem... - olhou-me - esmeraste-te mesmo... - constatei ao ver o que tinha diante dos meus olhos, de facto a Mariana soube escolher muito bem.
- Gostas, é?! - perguntou já quando as suas mãos passeavam pelo meu corpo
- Gosto... gosto - suspirei - mas gosto ainda mais de te ver assim... - agarrei-a pela cintura e obriguei-a a sentar-se no lavatório - desinibida... - beijei-a no pescoço e fui descendo até ao seu peito - atrevida... - iniciei um conjunto de carícias que a fez gemer para de imediato ela se “vingar” e os momentos que se seguiram foram tudo, calmos e intensos, mas principalmente vividos na sua magnitude e esplendor...
Partilhamos mais um momento só nosso e acabamos por ficar a desfrutar de um banho a dois, só saímos do jacuzzi quando a água começou a arrefecer e assim que o fizemos foi impossível desgrudar os olhos do corpo da Mariana, a verdade é que o seu corpo sempre me atraiu mas hoje está especialmente a “chamar” por mim, tanto que fui apanhado em flagrante.
- Posso saber o que tanto olhas? - questionou sem qualquer tipo de vergonha coisa que na Mariana não é normal.
- Porquê? Não posso, queres ver? - olhou-me por cima do ombro - Só estou a olhar para o que é meu - agarrei-a pela cintura puxando-a para mim - tu hoje estás...
- Estou?! - o seu olhar foi de desafio
- Estás irresistível - beijei-a
- É sempre bom saber que só hoje estou irresistível... interessante... - sorri perante o falso amuo.
- Deixa de ser tonta - suspirei - não é de hoje - olhei-a fixamente - sabes bem que sempre te desejei enquanto mulher mas hoje estás mais - a Mariana olhava-me atentamente - minha... sim é isso - voltei a suspirar - ontem e hoje entregaste-te a mim sem pudores... - a Mariana sorriu.
- Já era tempo disso acontecer... certo?
- Não é certo nem errado... é sim o consumar do amor que nos une, dos meses de namoro e de todas as vezes que nos entregamos um ao outro...
- É... talvez tenhas mesmo razão mas o que dizes da ideia de nos vestirmos para ir comer e passear um pouco?
Concordei com a Mariana e depois de nos vestirmos comemos para iniciarmos imediatamente um passeio pela imediações do hotel, passamos a manhã e tarde a namorar bastante e só regressamos a casa ao final do dia, onde uma nova surpresa esperava-me, afinal a Mariana tinha pedido para não gozarmos lua-de-mel com a desculpa de não querer deixar o Martim e afinal o que quis foi ser ela a organizá-la, percebi isso quando vi as nossas malas à porta e quando pedi esclarecimentos negou-os, aliás afirmou mesmo que só iria saber o destino quando chegasse ao aeroporto, o que aconteceu horas depois.
Despedimo-nos do Martim e embarcamos com destino certo para passarmos os próximos quinze dias...
Como irá correr a lua-de-mel?
E o regresso a Braga? 
Será que o passado da Mariana a vai atormentar?