Mariana
Não consegui negar o convite que o Ruben fez para ir almoçar
com a sua família, apesar de não estar certa de que seria o melhor a fazer não
podia continuar a pedir-lhe que ocultasse o facto de estarmos a namorar, lá
porque não sei o que é ter mãe e pai, sei o que é ter um irmão e o que custa
andar a mentir-lhe, no entanto preferi não levar o Martim até porque a Letícia
já lhe tinha planos para passar uma tarde divertida com o puto.
O Martim ainda perguntou onde ia mas assim que justifiquei a
minha ausência por ir tratar de um assunto com o Ruben calou-se e acabou por se
afastar dando assim oportunidade da Letícia de tentar tirar “nabos da púcara”
mas não lhe dei saída porque caso contrário nunca mais via-me livre dela,
despedimo-nos do meu irmão e saímos.
- Ruben - olhou -
leva o carro - gargalhou.
- Já estás farta, é?
- Simplesmente não
faço a mínima ideia onde é a casa do teu irmão - sorriu mas acabou por
agarrar nas chaves e depois de destrancar as portas entrou para o lugar do
condutor, conduziu calmamente até à Margem Sul e quando chegamos estacionou o
carro, tentei sair mas o Ruben puxou-me.
- Onde é que a menina
pensa que vai sem dar-me o meu beijo.
- Antes de pedires
devias perguntar se a menina quer dar beijos - sorriu mas não respondeu ou
melhor a resposta foi mesmo os seus lábios contra os meus, acabei por dar
continuidade ao beijo e só separamos as nossas bocas quando precisamos de ar.
- Preparada? -
perguntou ao sair do carro.
- Até parece que vou
para a guerra - gargalhou.
- Não, mas mesmo sem
saberem é a primeira vez que vais estar com eles como minha namorada.
- Deixa-te de
exageros - sorriu para depois tocar à campainha e uns minutos depois já
tínhamos o Mauro à porta.
- Olá Mariana -
cumprimentou-me primeiro a mim e só depois ao irmão.
- O que é que se
passa? Estás com uma cara.
- A Soraia está cá
- olhei para o Ruben - chegou há pouco
para ver o Rafael, desculpa.
- Mauro, não vou
andar a fugir dela, nós terminamos mas não tenho nada contra a rapariga.
- O problema não és
tu mas sim eu - falei serenamente e a olhá-lo - é disso que o teu irmão está a falar por isso vou embora - o Ruben
interrompeu-me.
- Nem penses se vais
embora também vou e regresso mais tarde.
- Ruben não há
necessidade disso, ficas com a tua família e logo combinamos qualquer coisa.
- Mariana não vais
andar a fugir da Soraia só porque temos um passado em comum, ela até pode não
suportar-te mas se não lhe responderes ela cala-se, sei que consegues ignorá-la
e é o melhor que temos a fazer, além disso aceitaste o convite do meu irmão
para almoçar e conhecer o Rafael não vais voltar atrás só porque a Soraia está
cá.
- Ok, mas aviso que
se começar a dar uma de perua saio porta fora antes que lhe arranque as penas
- o Mauro gargalhou deixando-nos a olhá-lo.
- Confesso que
gostava de ver isso - sorriu de forma cúmplice para o Ruben - mas deixando as penas na Soraia no devido
lugar entrem lá.
- Onde é que está o
meu sobrinho? - o Ruben perguntou mal entramos na sala o que deixou a mãe
deles, a Soraia e outra rapariga a olhar-nos.
- Está a dormir -
respondeu-lhe a rapariga que parti do pressuposto que era a namorada ou mulher
do Mauro - então e não apresentas a tua
- a rapariga calou-se o que fez o Ruben falar.
- É a Mariana uma
amiga - olhou-me o que foi suficiente para ter entendido o motivo pelo qual
apresentou-me como amiga, o Ruben só quis evitar problemas com a Soraia - é a Madalena, namorada do meu irmão e mãe
do meu sobrinho Rafael que está a dormir - disse de sorriso no rosto.
- Bom dia - falei
timidamente e depois cumprimentei a Madalena e a mãe do Ruben.
- Realmente não
perdeste mesmo tempo - a Soraia rosnou ao ver-nos juntos mas ignorei-a algo
que o Ruben também fez e talvez por isso saiu porta fora sem se despedir de
ninguém.
- Madalena -
olhou-o - o Rafael está a dormir onde?
- No quarto se
quiseres vai lá vê-lo mas não acordes o menino - sorri ao ouvi-la.
- Sim - olhou-me -
anda - agarrou-me pela mão e tentou
arrastar-me.
- Hey - separei
as nossas mãos - mas endoidaste de vez
foi?
- O que foi? Não
queres conhecer o Rafael, logo tu que adoras crianças - sorriu-me.
- Por muito que adore
crianças detesto invadir a casa das pessoas, boa?
- Deixa-te de coisas
que estás na casa do meu irmão além disso pedi autorização para ir ver o meu
sobrinho.
- Ora aí está, é o
teu sobrinho e a casa do teu irmão.
- Anda lá não te
faças de esquisita - suspirei.
- Não é uma questão
de ser esquisita mas de ter educação que às vezes é coisa que parece que não
tens - ripostei.
- Olha lá caso não
tenhas reparado estás em desvantagem.
- Meu menino quem te
atura a ti atura qualquer pessoa e não é por estar rodeada da tua família que
vou deixar de ser quem sou muito menos ter medo que saem em defesa do menino
- sorriu - agora vai lá ver o miúdo e
desampara-me a loja.
- Então fica aí
entregue aos leões que não quero saber.
- Leões? Iria jurar
que seriam mais lampiões - o Ruben que já ia a sair da sala voltou atrás - disse algum disparate, foi?
- Não, só fiquei
estupefacto com a evolução dos teus conhecimentos futebolísticos, é caso para
dizer a minha alma está parva.
- Parva, estou eu por
andar a aturar-te - ripostei de forma automática e só quando o Mauro
gargalhou é que caí em mim afinal não estávamos sozinhos, já o Ruben sorriu.
- Vocês não se matem
que não vale a pena - desviei o olhar para o Mauro.
- Mano, não te
preocupes que a Mariana fala, fala mas no fim não faz mal a uma mosca -
olhou-me - é caso para dizer “os cães
ladram e a caravana passa” - eles sorriram mas acabaram mesmo por gargalhar
quando abrir a boca.
- Sou obrigada a
concordar com a primeira parte do que disseste porque realmente não faço mal a
ninguém agora com a segunda vais engolir uma por uma as palavras que disseste.
- Hey linda estava a
brincar - sorri de forma traçada.
- Ai vai ser lindo
vai quando começares a pagar pela língua, vou rir tanto e agora cala-te antes
que te enterres mais - o Mauro gargalhou.
- Puto estás tramado.
O Ruben teria respondido ao irmão mas a empregada veio
avisar que o almoço ia ser servido e assim que o fez vi a família do Ruben se
levantar dos sofás, fiquei para trás uma vez que ele não mexeu um pé que fosse
e ainda agarrou-me pela mão.
- Com que então
lampiões? Desde quando é que sabes que a minha família é toda benfiquista -
perguntou-me num tom de desafio.
- Basta meter o teu
nome do Google que aparece muita coisa.
- Ui, isso é motivo
para ter medo? Andaste a investigar-me, foi?
- Foi, tenho que
saber com que linha ando a coser - sorriu.
- Gosto da parte que
queiras saber mais sobre mim mas prefiro que perguntes diretamente à fonte do
que andares a ler coisas que nem sempre são verdadeiras.
- Estás com medo que
te descubra a careca, é?
- Não até porque não
tenho nada a esconder mas evita-se suposições sem fundamento.
- Sou obrigada a
concordar - o Ruben reduziu o pouco espaço que nos separava beijando-me.
- Vamos? -
perguntou de sorriso no rosto, não respondi entrelacei só os nossos dedos e
caminhamos lado a lado mas assim que nos aproximamos do jardim onde iríamos
almoçar largou-me a mão.
Mauro
Não foi preciso mais do que uns minutos para perceber que o
almoço iria ser animado, é que aquela troca de galhardetes que a Mariana teve
com o meu irmão foi qualquer coisa digna de um filme de comédia. Arrisco a
dizer que esqueceram-se completamente que não estavam sozinhos e só quando
gargalhei com o que a Mariana insinuou quando falou que devia estar parva por o
andar a aturar é que “desceram à terra”, percebi que ela ficou sem jeito e por
isso meti-me na conversa na tentativa que se calassem mas o meu irmão respondeu
o que não agradou a Mariana que voltou a ripostar e só se calaram quando a empregada
avisou que o almoço podia ser servido, levantamo-nos todos mas eles ficaram
para trás e só uns minutos depois é que se juntaram a nós.
- Puto - olhou-me
- será que estás preparado para
assumires mais uma responsabilidade - a Mariana olhou de imediato para o
Ruben o que deu vontade de sorrir.
- Estás a falar do
quê?
- Então o de seres
padrinho do Rafael - sorriu.
- Lógico que estou
- falou todo orgulhoso e ao olhar para a Mariana percebeu que estava a sorrir
ainda que ligeiramente mas mesmo assim não resistiu e teve que implicar com
ela.
- Estás a sorrir
porquê?
- Queres mesmo saber?
- desafiou-o o que foi motivo suficiente para ficarmos todos atentos.
- Se não quisesse não
tinha perguntado.
- Ok, tu é que
pediste - sorriu - é que por momentos
imaginei-te a mudares fraldas ou a aturares o berreiro do teu afilhado e
confesso que em ambas as situações não consegui visualizar a cena com sucesso
para o teu lado, já para não falar que o Rafael vai ser outro traumatizado que
nem o Nuninho que quando pode foge do teu colo para o meu - gargalhamos ao
ver a cara de amuado do Ruben - é que nem o teu afilhado te atura.
- Piada, vê lá se te
cai o dente com tanta graça.
- Não é piada mas sim
verdade.
- Isso não é bem
assim - o meu irmão tentou defender-se mas só se enterrou - o Nuninho só prefere o teu colo porque é um
puto inteligente que nem o padrinho e sabe o que é bom - ficámos todos a
olhá-los.
- Ui bateste outra
vez com a cabeça, foi? É que estás a alucinar quando afirmas que o puto é
inteligente como o padrinho - o Ruben olhou-a - desculpa lá mas o Nuninho deixa-te a léguas de distância no que toca à
inteligência, é que ele quando o mando calar ou o repreendo percebe já o mesmo
não posso dizer do padrinho que sempre que “abre a boca ou entra mosca ou sai
asneira”.
- Estás a adorar, não
estás?
- Então não? Já te
confessei que dá-me gozo ver a tua cara de puto amuado, és tão mas tão
fraquinho que ficas sem resposta e depois amuas - gargalhei, o meu irmão
não aprende mesmo.
- Também vais gozar,
é? - virou-se para mim.
- Mano, desculpa mas
lembrei-me do David afinal essa do fraquinho é dele.
- Nem fales nisso que
bate cá uma saudade - a Mariana olhou-o chocada - que foi? - perguntou-lhe
- “Nem fales nisso
que bate cá uma saudade” - imitou-o - desculpa
lá mas isso aliado a ele te chamar de fraquinho deixa um bocado a desejar -
o meu irmão olhou-a
- É vê lá se falas o
que queres e ouves o que não queres.
- Ui já estou
cheiinha de medo, ó fraquinho - confesso que vê-los aos dois naquela
picardia só dava vontade de rir mas eles lá se calaram até porque o Ruben
resolveu regressar ao tema inicial.
- Mano, será que
podes revelar quem é que vou ter do meu lado no dia do batizado do Rafael? -
perguntou-me a mim mas quem respondeu foi a Madalena.
- Pois, isso está
mais complicado, ainda não escolhemos a madrinha.
- Posso saber porquê?
- olhei para a Madalena - Então é
assim tão difícil reponderem?
- Puto, inicialmente
tínhamos pensado na Soraia mas agora - interrompeu-me.
- Não é por já não
estarmos juntos que não a podem convidar - a Mariana assim que o ouviu a
dizer tal coisa fez uma cara de pavor autêntica que fez com que gargalhasse - estás
a rir porquê?
- Porque a Mariana
não é da mesma opinião - o meu irmão olhou-a - estou certo, não estou?
- Não tenho nada que
meter-me no assunto mas confesso que não estou a imaginar a Soraia capaz de
cuidar do vosso filho e tendo em conta que os padrinhos devem ser alguém em
quem confiamos a vida do nosso filho e que serão como uns segundos pais acho
que não será de toda a pessoa indicada, pelo pouco que conheci arrisco a dizer
que só não torce o pescoço a todas as crianças porque pode partir uma unha -
o meu irmão sorriu ainda que disfarçadamente.
- É impressão minha
ou não toleras a Soraia?
- Madalena, não tenho
que tolerar ou deixar de tolerar só respondi à pergunta que o Mauro fez.
- Vá, confessa lá que
tens um ódio de estimação à minha ex do meu irmão - o meu irmão fuzilou-me
com o olhar - que não a podes ver nem
pintada de ouro, já para não falar que acha que é má pessoa.
- Não considero que
seja má pessoa simplesmente vive no seu mundo do faz de conta e que por isso
julga que basta estalar os dedos para o mundo se moldar a ela, o mal é que
somos nós que nos temos de moldar às circunstância da vida e não o contrário. A
Soraia é egocêntrica, fútil e mimada mas no fundo é só mais uma pessoa que veio
ao mundo para ser sufocada pela vida nasceu no que se chama “berço de ouro” e
no que toca a bens materiais nunca lhe deve ter faltado nada mas sem dúvida
faltou-lhe algo como ouvir um não, uma palmada no rabo quando merecia, o
partilhar do quarto e dos brinquedos, o terem ensinado desde pequena que nem
todas as crianças têm a sorte de poderem dizer o apelido e as portas se
abrirem, que muitas dessas crianças veem é as portas a serem fechadas e se
querem ser alguém na vida só têm é que abrir a pestana e ir à luta - a
Mariana falou tão calmamente que deixou-nos a todos sem palavras mas foi
visível o quanto o Ruben estava orgulhoso dela - Agora quanto a sentir ódio dela, estás completamente errado, não perco
tempo com coisas insignificantes, prefiro ignorar as pessoas do que odiá-las,
sempre ignorei a Soraia exceto quando se lembrava de mexer com os meus, aí
desculpem qualquer coisinha mas “quem vai à guerra dá e leva” e antes de
atingirem o Martim ou aqueles a quem chamo de amigos têm que passar por mim, a
Soraia abusou algumas vezes mas nunca ficou sem resposta.
- A Soraia nunca te
enganou - a Mariana olhou-me - só
mesmo o totó do meu irmão é que levou quatro anos a perceber quem era a Soraia.
- Não concordo com
isso - o Ruben continuava calado e nós atentos à Mariana - posso brincar e até implicar com o teu
irmão mas daí a achar que seja totó já é abuso - o Ruben sorriu - quando se gosta verdadeiramente de alguém
dificilmente conseguimos enxergar a realidade, aos nossos olhos essa pessoa não
tem defeitos e por muito que nos digam para ter cuidado não muda nada, até ao
dia que devido a um acumular de situações acabamos por abrir os olhos e ter que
dar razão às pessoas que nos tentaram avisar.
Não abri mais a boca talvez por a Mariana ter razão, de
facto foi mesmo isso que aconteceu, o Ruben acabou por abrir os olhos após um
acumular de situações principalmente depois do aparecimento dela na vida do meu
irmão.
- Mas vocês não têm
mesmo ideia de quem vão querer para madrinha do meu neto? - desta foi a
minha mãe que falou talvez para aliviar o ambiente que se instalou depois da
Mariana se ter calado.
- Anabela para mim
faz sentido os padrinhos de um bebé serem um casal por isso é que tínhamos
pensado na Soraia, já que o Ruben é o padrinho e isso não tem discussão
possível - olhou-me e sorriu afinal sempre afirmei que o padrinho do meu
primeiro rebento seria o meu irmão - mas agora o ambiente entre eles não é o
melhor por isso já decidimos que a madrinha será outra, só ainda não sabemos
quem, no entanto terá que ser alguém que seja capaz de aturar o Ruben - a
Madalena sorriu - mas daqui até ao
batizado pode ser que o padrinho nos apresente a madrinha - sorri ao
ouvi-la ou não fosse saber o motivo pelo qual falou, afinal já tinha comentado que
o Ruben está apanhadinho pela Mariana e tê-la a almoçar connosco pode ser sinal
que daqui a uns meses haja novidades.
- Tem que sobrar
sempre para mim - ripostou.
- Estás a refilar porquê?
Nós até estamos a permitir que sejas tu a escolher a madrinha para o Rafael
- gozei.
- Não vou escolher
ninguém, o filho é vosso por isso a escolha será vossa - olhou-nos - essa ideia de ter que ser um casal é mero
formalismo não vou deixar de cuidar e olhar pelo meu afilhado só porque a
madrinha não é a pessoa com quem namoro - sorri ao ouvi-lo a conjugar o
verbo namorar no presente e por momentos pensei mesmo que houvesse novidades
mas a Mariana simplesmente não reagiu daí ter perdido as esperanças - além disso se os padrinhos não forem da
mesma casa o puto recebe tudo a dobrar - o meu irmão sorriu - por isso escolham consoante quem julgam ser
a pessoa indicada para madrinha e não com quem namoro ou deixo de namorar.
Acabamos por concordar até porque a decisão será sempre
nossa e depois de tanta conversa conseguimos terminar de almoçar. Já estávamos
na sala quando ouvimos o Rafael a chorar, a Madalena foi até ao quarto e quando
regressou trazia o nosso filho nos braços.
- Posso pegar-lhe?
- o Ruben pediu ao aproximar-se do sobrinho e afilhado.
- Podes mas juízo
- gargalhamos todos ao ouvir a Madalena enquanto o meu irmão pegava no Rafael.
O Ruben estava sentado ao lado da Mariana e foi inevitável
não percebermos o olhar ternurento dela assim que viu o meu irmão com o Rafael
ao colo, ele estava todo orgulhoso a olhar para o sobrinho mas isso durou muito
pouco ou não fosse o meu filho só se calar ao colo da Madalena ou da minha mãe,
ele ainda o tentou calar mas a tarefa revelou-se impossível e foi quando o meu
amor já se preparava para ir pegar no nosso rebento que ouvimos a Mariana e
logo depois o Ruben.
- Não tens vergonha
de não conseguires calar o teu afilhado - olhou-o - é assim que queres ser o padrinho dele - sorriu.
- Então vá, sempre
quero ver se o calas - ripostou - pega-lhe
e vais perceber que isto não é fácil - sorriu.
- Anda cá pequenino
- retirou-o dos braços do meu irmão - rico
padrinho que te foram arranjar - falava para o Rafael enquanto se aproximava
da Madalena pensei que o fosse entregar à mãe mas afinal só foi buscar o saco
que contém as fraldas e todas as outras coisas que um bebé precisa - que não consegue perceber que queres que te
mude a fralda - deu-lhe um beijinho na testa - posso? - perguntou ao apontar para o saco que estava na sala porque
tínhamos saído com o menino para ir à consulta.
- Podes - a Madalena respondeu-lhe.
Confesso que fiquei a observá-la, tal como os restantes
elementos da família, a Mariana não se atrapalhou nada, tinha o meu filho num
dos braços e com o outro conseguiu retirar do saco o resguardo bem como o que
precisava para lhe mudar a fralda, deitou o Rafael em cima do sofá e uns
minutos depois já tinha concluído a tarefa.
- Toma -
gargalhei ao vê-la a dar a fralda suja ao meu irmão - vai pôr no lixo - pediu ao pegar novamente no Rafael, ela estava
completamente distraída a olhar para o meu filho que só reparou que o meu irmão
já tinha regressado quando o Ruben falou.
- Agora que já lhe
mudaste a fralda e que o puto se calou deixa-me pegar nele - pedinchou
levando-nos a rir.
- Isto realmente
- olhou-o - para lhe mudares a fralda
não pediste mas agora que o Rafael está sossegado ao meu colo já o queres para
ti, é?
- Nunca tive
habilidade para mudar fraldas.
- Então é bom que
aprendas - o Ruben olhou-a - ou
pensas contratar alguém para mudar as fraldas ao teu afilhado sempre que o puto
ficar contigo?
- Não preciso
contratar ninguém quando te tenho a ti - olhámos todos para o Ruben.
- Desculpa? Não devo
ter ouvido bem - olhou-o - desde quando
é que sou tua criada? Queres afilhados então é bom que aprendas a mudar fraldas
entre outras coisas ou será que és daqueles padrinhos que só aparecem nos
aniversários ou datas especiais?
- Não mas daí a mudar
fraldas não fiz mal a ninguém.
- Ruben Filipe -
sorri ao ouvi-la a chama-lo assim, só a nossa mãe é que o faz - ser padrinho não é só dar presentes, é
muito mais do que isso.
- Sei disso mas se
puder passar a parte das fraldas, passo.
- Esquece - ela
foi-se sentar com o Rafael nos braços.
- Deixa-me pegar nele
- a Mariana cedeu ao seu pedido, o meu irmão pegou-lhe ao colo e ficou uns
minutos com o afilhado nos braços mas isso durou muito pouco pois o miúdo
começou a chorar novamente - ó puto não
sabes estar calado - gargalhamos ao ouvi-lo.
- Que jeitinho que
tens - a Mariana gozou.
- Olha em vez de
estares a gozar se explicasses como é que o posso calar ajudavas mais - ela
sorriu.
- Lamento Ruben mas
os bebés não vêm com manual de instruções.
- Mas deviam vir,
facilitava-me a vida - a Madalena e a minha mãe estavam a sorrir.
- Dá cá o menino
- o Ruben ainda tentou cala-lo mas deu-se por vencido quando o Rafael começou a
chorar ainda com mais vontade, a Mariana retirou o meu filho dos braços dele e
após uns minutos o miúdo já estava novamente sossegado.
- Isto não é justo ao
meu colo berra ao teu cala-se.
- Devias estar
contente - olhamo-la sem entender - é
sinal que o Rafael é inteligente, afinal só tem uns dias e já percebeu que
contigo não vai muito longe - picou-o levando-nos a gargalhar perante o
amuo do meu irmão - como vês já não é só
o Nuninho que prefere o meu colo ao teu.
- Andas a roubar-me
os afilhados, é?
- Não mas tens
reconhecer que eles preferem-me a mim do que a ti.
- Depois falamos.
A Mariana sorriu mas não respondeu por isso continuamos à
conversa estávamos a partilhar com eles o que foram os primeiros dias do Rafael
quando o menino começou a rabujar, o que foi motivo suficiente para o Ruben
mandar a piada.
- Afinal também chora
ao teu colo - olhou-o para depois se levantar e caminhar na direção da
Madalena - ah agora vais dá-lo à mãe, é?
- não lhe respondeu.
- Posso? -
apontou para a fralda de pano que o meu amor usa para o adormecer.
- Sim - a minha
mãe sorriu ao vê-la a tapar a carinha do meu filho e a embala-lo, o Rafael
sossegou uns minutos depois, o que nos deixou a todos admirados, é que só mesmo
a Madalena ou a minha mãe é que o conseguem acalmar e adormecer quando está a
fazer birra. A Mariana acabou por se sentar novamente do lado do meu irmão,
algo que ele aproveitou para levantar uma ponta da fralda mas assim que o fez
ouviu a Mariana.
- Tira a mão -
sorriu.
- Só estava a ver se
já dormia.
- Dorme, dorme mas
não é por o teres conseguido adormecer - sorrimos ao ouvi-la - e em vez de o estares a incomodar vê se
aprendes qualquer coisa para um dia meteres em prática.
O Ruben não respondeu ficou simplesmente a olhar
enternecidamente para a Mariana que continuava com o meu filho nos braços, foi
notório o imenso jeito que tem com bebés e talvez por isso tenha conseguido
adormecer o Rafael, assim que adormeceu retirou a fralda da sua carinha e ficou
simplesmente a “babar” com um sorriso enorme, tanto a Mariana como o Ruben
estavam tão vidrados no Rafael que nem repararam que estávamos todos comovidos
a olhá-los e só despertamos quando ouvimos a voz dela.
- Mauro onde é que o
posso deitar?
- Se quiseres podes
ficar com ele no colo - respondi estava mesmo a gostar de vê-la tão próxima
do Ruben e com o menino no colo.
- Prefiro deitá-lo
para o menino não se habituar a dormir ao colo - as mães presentes na sala
sorriram.
- Ok, vou buscar a
alcofa - levantei-me e fui até ao quarto regressando com a alcofa,
coloquei-a no sofá ao lado do meu irmão que era o único que se encontrava vago,
ela deitou-o e foi-se sentar.
- Tens filhos? -
a voz da Madalena fez-se notar o que fez a Mariana olhá-la.
- Não.
- Por momentos pensei
que tivesses pela forma como lidaste com o Rafael - a Mariana sorriu.
- Já são alguns anos
de prática - o Ruben olhou-a de forma cúmplice - além de cuidar do meu irmão desde bebé, já cuidei de outros.
- És ama? -
perguntou curiosa afinal nunca tinha comentado com ela o que a Mariana faz.
- Sim, porquê?
- Por nada, pensei
que fosses só mais uma das amigas do meu cunhado - o Ruben olhou para a
Madalena com vontade de lhe apertar o pescoço - mas já deu para perceber que és cá das minhas e não vives com a cabeça
no mundo da lua.
A Mariana não respondeu até porque quando o ia a fazer o meu
pequenino mexeu-se e ela não perdeu tempo a olhar para ver se continuava a
dormir, o que voltou a deixar o Ruben a babar.
Ruben
Estava sentado no sofá a olhar o meu sobrinho e a ver a
Mariana a cuidar dele que acabei perdido em pensamentos, estava completamente
distraído a imaginar o dia que também vou ter a minha família quando percebi
que tanto a minha mãe como o meu irmão estavam a sorrir o que deixou-me com
mais vontade de oficializar de uma vez o nosso namoro era nisso que estava a
pensar quando ouvi o meu irmão.
- Mariana -
olhou-o - sempre dedicaste o teu tempo a
cuidar dos filhos dos outros?
- Antes de ter o
Martim trabalhava numa loja durante o dia e à noite estudava mas desde que ele
nasceu que alterei a minha vida para poder ficar com o Martim, nos primeiros
meses trabalhei em part-time porque tinha com quem deixá-lo e de alguma forma
tinha que continuar a ganhar dinheiro para nos sustentar mas acabei por ter que
arranjar outra solução, por isso decidi tentar a sorte como ama, inicialmente
cuidava durante o dia de uma criança de dois anos, ia buscá-lo e ficávamos na
minha casa o que dava para cuidar também do meu irmão mas mais tarde a mãe
dessa criança recomendou-me a uns amigos e consegui o emprego.
- Esses amigos foram
o Nuno e a Patrícia? - a Madalena perguntou curiosa.
- Não, foram os meus
ex-patrões e foi através deles que acabei em Braga, a Patrícia comentou com a
D. Francisca que queria uma pessoa de confiança para ficar com o Nuninho e ela
lembrou-se de mim.
- Nunca te
arrependeste da decisão de quereres ficar com o teu irmão? - a pergunta da
minha mãe surpreendeu-nos a todos.
- Não, é ele que
dá-me forças para continuar.
- Mas acabou por
privar-te de algumas coisas, afinal tiveste de deixar de estudar e até mesmo de
viver as coisas próprias da idade.
- Não vejo as coisas
por esse prisma, é verdade que deixei de estudar mas tenciono regressar talvez
daqui a dois ou três anos quando o Martim já se conseguir desenrascar-se
sozinho, quanto a viver as coisas próprias da idade não concordo, é verdade que
tive que fazer escolhas como abdicar das noitadas mas se pararmos e pensarmos
não são as noitadas que deixei de gozar que dão-me a alegria e vontade de
viver, o Martim nunca foi impedimento para viver a minha vida simplesmente tive
que adaptar-me à realidade de ter uma criança, mas não fiz nada que qualquer mãe
não faça, seja essa mulher mãe aos vinte ou aos trinta.
- Sim mas por exemplo
vejo pelos meus filhos eles aos vinte só queriam era sair à noite e
divertirem-se com os amigos mas querendo ou não quando se tem um bebé não se
consegue fazer com a mesma disponibilidade.
- É verdade abdiquei
disso mas ganhei muito mais do que perdi até porque sempre diverti-me com os
meus amigos simplesmente em vez de irmos para as discotecas ou bares ficávamos
por casa, isso também serviu para ver quem eram os meus verdadeiros amigos que
é coisa que os seus filhos ainda hoje nem devem conseguir distinguir -
sorri de facto tinha razão, existe muita
pessoa a quem chamo de amigo que talvez um dia quando precisar afastam-se - tudo na vida tem coisas positivas e
negativas, ter decidido lutar pela vida do meu irmão dá-me muita alegria mas
também serviu para testar todos os meus limites de resistência quer física quer
emocional, nem tudo é um mar de rosas quando se fala em criar um filho, você
deve saber melhor do que eu, afinal criou dois mas no fim recompensa sempre,
por isso nunca vou arrepender-me pelas noitadas que não tive ou pelas férias
que não gozei.
- Ó Mariana desculpa
a pergunta mas estou curioso - olhei para o meu irmão - e no que respeita a relacionamentos o
Martim deve ter atrapalhado, falo
por mim o Rafael só nasceu há uns dias mas já deu para perceber que a minha
vida a dois com a Madalena vai alterar por completo.
- Mauro a vossa vida
alterou desde o dia que a Madalena engravidou mas agora que o Rafael nasceu e
conforme for crescendo vais perceber que as tuas prioridades passam a ser
outras, é lógico que a vinda dele altera por completo a vossa vida e sim por
vezes atrapalha principalmente nos primeiros meses mas quando existe amor tudo
se consegue por isso não é um bebé
que atrapalha no que respeita aos relacionamentos mas sim a capacidade que as
pessoas adultas têm para lidar com a realidade de terem um ser dependente
deles, no vosso caso acredito que não tenham problemas, afinal foram pais porque
assim o desejaram.
Agora no que me diz
respeito não desejei aos vinte anos ser mãe do meu irmão mas isso não foi
impedimento para criá-lo como se fosse meu filho, é lógico que trouxe-me
dissabores no que toca a relacionamentos até porque ninguém quer aos vinte anos
aturar uma namorada que tem um bebé em casa.
- Mas agora já não
tens vinte anos e o teu irmão já não é um bebé - olhei para a minha mãe - continuas a não querer um relacionamento?
- ouvir tal pergunta fez com que olhasse para a Mariana.
- Onde é que você
quer chegar com essa pergunta?
- Curiosidade -
sorriu - só isso - a Mariana
olhou-me talvez à espera de uma reação minha o que fez o meu irmão abrir a
boca.
- Desde quando é que
vocês estão juntos? - sorrimos os dois com a sua pergunta - Sim que não adianta continuarem a negar o
óbvio, só se fossemos muito cegos é que não víamos que já não são só amigos.
- É verdade -
olhei para a Mariana - nós namoramos
- abracei-a ao perceber que estava a ficar sem jeito - já dura a algumas semanas mas preferimos guardar segredo, aliás não
queremos que se saiba pelo menos para já.
- Filho - olhamos
para a minha mãe - fico feliz por saber
desta novidade - sorriu - já a
esperava há uns meses - gargalhei - só
vocês é que teimaram em negar o óbvio mas agora que já se entenderam só vos
desejo o melhor.
Agradecemos e ainda tivemos que levar com as piadas do Mauro
que ignoramos. Já estávamos novamente à conversa quando a Madalena lembrou-se
de uma questão que estava pendente e nos surpreendeu aos dois.
Que questão será esta?
E pronto cá estou qual disco riscado...
ResponderEliminarOnde está o resto????
Publica lá mais rapidinho que isto de deixar as questões no ar sem resposta deixam-me stressada de mais e isso prejudica a minha concentração e escrita... looool ;)
Bjokinhas
Mariaa
fabuloso...
Eliminaragora tou super curiosa para ver o proximo... quero mais... continua...
Ai qe a Mariana vai ser madrinha :p será?! Gostei imenso! :D E estes dois por muito qe qeiram já nao conseguem mentir em relação ao namoro ^^
ResponderEliminarO próximo qe venha rapidinho!
Beijinhoos
Quando li o nome Soraia, pensei logo " vêm aí problemas", mas ainda bem que a perua bateu asas para outro lado.
ResponderEliminarAdorei, afinal o almoço em familia até nem correu mal, muito pelo contrário.
O Ruben coitado, é sempre o bobo da corte, e depois tem aquele dom de quanto mais abre a boca mais se enterra, então quando ele disse que o nuninho é inteligente como o padrinho porque sabe o que é bom e por isso prefere o colo da mariana... ele com a Mariana não tem hipótese, ela arruma-o a um canto.
Mas o que adorava mesmo era que a Mariana lhe entregasse o puto para ele lhe mudar a fralda, isso é que era de valor, era gargalhada na certa.
Eles bem que tentam, mas não conseguem disfarçar, já foram apanhados outra vez, e desta têm a benção da D.Anabela e restante familia.
Se não mudaste nada daquilo que falámos, eu acho que sei qual é a pergunta que a Madalena vai fazer, mas como tu tens o dom de nos surpreenderes, eu vou aguardar.
Este capitulo tá lindo, adorei, mas quero mais.
Beijocas
Fernanda
Olá :)
ResponderEliminarQuero mais!
Beijinhos!
Rita
Adorei! He he
ResponderEliminarIsto está cada vez mais giro.
Adoro a Mariana.
Bjs
ainda agora nao consegui parar de rir com a conversa daqueles dois, a Mariana não perde uma para picar o 'pobre' do Ruben, se bem que ele nao deve deixar aquilo barato xD
ResponderEliminarconcordo com a Fernanda, mal li que a ex iria partilhar o mesmo espaço que a marianita, pensei que o caldo iria estar entornado em breve ahah... afinal enganei-me...
estou ansiosa p'ra saber que raio de questão será essa...
Não é precido que adorei mais uma vez e que estou à espera de um capítulo rapidinho :b (eu sou uma chata, eu sei)
beijinho enorme
Raquel
nao publicas hoje?
ResponderEliminarLindo!!! O que eu me ri com estes dois, bem ainda temi quando li o nome Soraia... pensei aí vem problemas...
ResponderEliminarAmei, mesmo.
Quero mais!!!
Beijinhos