segunda-feira, 11 de junho de 2012

029 - “…nós não estamos juntos… nós namoramos…”


Mariana

Percebi que não adiantava mais adiar esta conversa e só por isso concordei em tê-la mas logo com a primeira pergunta deu para entender que o Ruben iria espremer-me que nem laranja.
- Que idade tinhas quando deste o primeiro beijo?
- Tinha - olhei-o e percebi que estava na expectativa - dezassete - sorri ao vê-lo a olhar-me - agora é a tua vez.
- Não me lembro - gargalhou.
- Assim não tem piada porque eu respondi.
- Ok, devia ter uns treze.
- Foi com essa idade que tiveste a primeira namorada? - perguntei não dando hipóteses dele fazer nenhuma questão.
- Não - sorriu - o meu primeiro beijo teve origem numa aposta que fiz com um colega de turma.
- Como assim?
- Opa coisas de putos, apostamos qual dos dois seria o primeiro a conseguir beijar uma rapariga da turma.
- Ganhaste ao menos?
- Não - gargalhei - podes parar de gozar.
- Desculpa mas teve piada descobrir que afinal também perdes.
- Engraçadinha mas agora é a tua vez de responderes.
- Sim o meu primeiro beijo foi dado ao meu primeiro namorado.
- Era alguém da instituição?
- Não, era um rapaz da minha turma mas que tinha família.
- Ok - olhou-me - é a tua vez de perguntares.
- Com quantas é que curtiste? - gargalhou.
- Não sei e agora estou a ser sincero não faço mesmo a mínima, perdi a conta - sorriu - e tu tiveste a fase do curtir ou nem por isso?
- Não, nunca achei piada a essa história de andar a trocar saliva com todos os que apareciam à frente.
- Próxima - ele estava animado com o raio das perguntas.
- Que idade tinhas quando tiveste a primeira namorada?
- Dependente do que consideras primeira namorada, se for a primeira que apresentei à minha mãe foi com dezoito se for a primeira que tive foi com quinze porque até essa altura andei simplesmente a divertir-me - beijou-me - é a tua vez de responderes.
- Já respondi, foi com dezassete, por isso faz lá outra - ele sorriu.
- Quantos namorados tiveste? - olhei-o
- Dois.
- Antes que perguntes namoradas oficiais, apresentadas à família tive duas agora se for a contar com as restantes não faço a mínima ideia, porque só ganhei juízo aos dezoito e mesmo assim meti muita vez o pé em ramo verde - olhei-o, não esperava que admitisse tal coisa - mas também serviu de emenda e com a Soraia já não repeti a proeza.
- Queres dizer que traíste a tua primeira namorada oficial?
- Não considero que a traí mas sempre que dávamos os famosos tempos pulava a cerca no entanto nunca lhe escondi isso - olhou-me e não foi preciso muito para perceber qual seria a próxima pergunta ainda assim esperei que a fizesse - Mariana conseguiste envolver-te com algum dos teus ex namorados?
- Sou virgem se é isso que queres saber - sorriu - agora já sabes.
- Posso saber porquê?
- Porque sempre fui contra fazer as coisas por fazer, o primeiro namorado bem tentou mas dei o fora quando ainda andávamos na fase dos beijos e amassos, detesto sentir-me pressionada e foi isso que ele fez. Com o segundo a coisa foi mais séria, gostava dele e ponderei mesmo entregar-me mas não chegamos a vias de facto porque o Bruno pediu-me para escolher entre o Martim e ele, escolhi o Martim como já sabes e desde essa altura nunca mais tive ninguém.
- Isso quer dizer que durante sete anos não tiveste ninguém?
- Namorado não.
- Mas andaste com alguém?
- Houve uma altura que saí com um rapaz mas a coisa não deu em nada, ele não conseguiu lidar com o facto de ter uma criança, depois disso cansei-me de andar constantemente a levar rebocadas da vida e dediquei-me inteiramente ao meu irmão.
- Foi por isso que reagiste tão mal quando nos conhecemos?
- Não, já expliquei que reagi daquela forma porque não gostei das liberdades que tomaste - sorriu.
- Não deixa de ser engraçado pensar que no início do ano nem podias ver-me à frente e agora cerca de oito meses depois estamos aqui deitados.
- A vida dá muita volta mas agora quero saber com que idade levaste a primeira para a cama - gargalhou.
- Tinha dezassete.
- Como é que correu? - gargalhou novamente.
- Podia ter corrido pior.
- Isso quer dizer que correu mal.
- Não quer dizer que podia ter corrido melhor.
- Andas à volta da questão.
- Não sei o que queres que responda, a primeira vez é isso mesmo serve para experimentarmos algo novo que com o tempo melhora.
- Isso quer dizer que agora já sabes o que fazes?
- Quero dizer que depois de experimentares falamos.
- Isso é uma proposta?
- Não, é uma resposta à tua pergunta.
- Estás a fugir à questão.
- Mariana, queres que diga o quê? Sabes que o facto de sentir e dar prazer depende muito da pessoa com quem estou, que quanto melhor conhecer essa pessoa melhor se torna os momentos a dois, é algo que descobrirmos com o tempo e é isso o lado bom de se ter relações com a pessoa que amamos, dormir contigo será muito mais do que sexo, será partilha de sentimentos e prazer, é algo que só faz sentido quando o casal quer e não quando só um o deseja. Linda é lógico que quero fazer amor contigo mas vou esperar até que estejas preparada mas principalmente segura de que o queres fazer, porque preparada acho que já estás.
- Preciso de tempo - pela primeira vez desde que começamos com esta conversa escondi a cabeça no seu peito.
- Terás todo o tempo que precisares mas se queres um conselho não faças planos deixa simplesmente acontecer, é algo natural entre duas pessoas que gostam uma da outra.
- Ruben, sei disso tudo mas também sei que nenhuma relação resiste à falta de sexo - sorriu.
- Mariana não tenho como negar que sinto falta de amar e ser amado de uma forma mais física mas não estou a cobrar nada e muito menos a pedir que faças amor comigo - olhei-o - esse momento irá chegar naturalmente não quero que fiques a pensar nisso e muito menos que te entregues a mim sem teres a certeza que o queres fazer, é verdade que já não estou com ninguém desde que acabei com a Soraia mas como vês ainda não morri nem vou morrer por falta de sexo ou de amor como lhe queiras chamar.
- Mas eu quero - murmurei.
- O que é que disseste? - perguntou-me agora a olhar-me diretamente nos olhos.
- Que quero - sorriu o que fez com que a sensação de precisar de um buraco gingante para esconder-me aumentasse drasticamente, algo que deve ter percebido porque voltou a falar.
- Mariana, não precisas ter vergonha de admitires isso - levou a sua mão à minha cara e fez com que o olhasse - a única coisa que preciso e quero é que tenhas certeza que é mesmo isso que pretendes, só faz sentido se o quiseres verdadeiramente e não por achares que já é altura ou por estares a acusar a pressão.
- Ruben - levantei-me e fui até à janela não estava a conseguir falar a olhá-lo nos olhos mas ele veio atrás de mim e fez questão de ter esta conversa olhos nos olhos por isso acabei por falar - não acho que estejas a pressionar nada até pelo contrário se o quisesses fazer oportunidades não te faltaram, também sei que gosto de ti como nunca gostei de ninguém - olhava-me atentamente - tens provado a cada dia que passa que realmente gostas de mim - sorriu - por isso quando digo que quero não é porque estou a acusar a pressão, digo porque é o que quero mas tenho medo, sei que estou a ser parva, que já não tenho idade para estar a fazer estas figuras mas é mais forte que eu - baixei o olhar - só de pensar nisso perco a coragem - tentei ver-me livre dos seus braços mas o Ruben não permitiu.
- Não estás a ser parva, estás com os receios e dúvidas normais de qualquer outra pessoa que ainda não tenha vivido um momento único como a primeira vez, não precisas ter vergonha e muito menos ficares constrangida por admitires isso, é normal aquilo que estás a sentir, também já passei por isso apesar de ser perspetivas diferentes e os receios serem outros não deixei de sentir todo o que estás a sentir.
- Ya mas passaste por isso aos dezassete, só tenho dez anos a mais - interrompeu-me.
- Mas isso não faz de ti ridícula, Mariana foi uma opção que tomaste e sinceramente admiro-te imenso, não estou a dizer isso porque vai ser comigo que irás ter a primeira experiência, estou a dizê-lo porque nos dias de hoje tanto os rapazes como as raparigas envolvem-se muitas vezes porque sentem a pressão dos amigos, deixam-se levar pelo que acham ser o normal e muitas vezes depois vem o arrependimento, podias muito bem já não ser inexperiente de certeza que rapazes com quem te pudesses envolver só por uma noite nunca faltaram mas como em tudo na tua vida preferiste esperar e ter certeza que é isso que queres, seres virgem aos vinte sete não é motivo nem de orgulho nem de vergonha, foi sim uma opção como tantas outras que fizeste ao longo da tua vida.   
- Não deixa de ser estranho - sorriu.
- Para mim não é nada estranho principalmente conhecendo a tua história de vida.
- Ruben e se eu te desiludir se não for nada do que estás à espera.
- Mariana olha para mim - respirei profundamente e olhei-o - queres que diga o que estou à espera da nossa primeira vez? - não consegui dizer nada mas ainda assim o Ruben respondeu - estou a contar que estejas nervosa, ansiosa e sem saberes muito bem o que fazer, não estou preocupado se vou ou não sentir prazer, porque isso sei que é garantido nós gostamos um do outro logo o sentimento vai estar presente com toda a certeza, ao início pode ser estranho e até um pouco desconfortável para ti mas quando relaxares vais conseguir aproveitar o momento, a nossa primeira vez pode não ser perfeita mas é para isso que servem as próximas - sorriu - para nos conhecermos e descobrirmos em conjunto a melhor forma de darmos prazer um ao outro.
- Não quero ficar aquém daquilo que esperas.
- Mariana pára de tentar visualizar o momento prefeito na tua cabeça, deixa fluir naturalmente, não tentes forçar nada ou planear a noite perfeita para te entregares a mim, não penses muito porque não vale a pena, por muito que queiras antecipar o momento, estudares o que deves ou não fazer, nunca o irás conseguir porque não depende só de ti, tenho uma palavra a dizer desde o início até ao fim.
- Mas ajudava se soubesse o que gostas - sorriu - não gozes - não consegui continuar a falar porque o Ruben beijou-me.
- Não te preocupes com o que gosto ou deixo de gostar, não interessa a posição ou qualquer outra coisa, basta que deixes acontecer, no momento vais saber o que fazer, acredita.
Não respondi e o Ruben também não insistiu mais no assunto, ficámos abraçados nos minutos seguintes mas acabei por ter que afastar-me dele uma vez que o seu telemóvel estava a tocar.

Ruben

Hoje o dia não podia estar a correr melhor afinal ter chegado a casa e encontrado a Mariana foi algo que gostei e muito, conversamos bastante e ainda namoramos, aliás era mesmo isso que estávamos a fazer quando o meu telemóvel tocou por isso tivemos que nos afastar.
- Estás muito contente - falou ao regressar ao quarto.
- Onde é que foste?
- Porquê?
- Não precisas sair só porque estava ao telemóvel - sorriu.
- Não sejas convencido porque não saí por estares ao telemóvel mas sim porque fui comer - sorriu para de seguida beijar-me - mas porquê que estás tão feliz?
- Porque acabei de saber que já sou tio - falei com um sorriso enorme no rosto.
- Parabéns - beijou-me - é filho do Mauro?
- Ya, além do Mauro tenho uma irmã por parte do pai mas essa está longe de ser mãe.
- Então agora vais ter que ir conhecer o teu sobrinho - sorriu.
- Sim, talvez vá no fim-de-semana se conseguir ter folga - olhei-a - podias vir comigo - ela gargalhou.
- Se deres uma boa razão para ir contigo pode ser que consigas convencer-me.
- Então ires conhecer o teu sobrinho - esbugalhou os olhos - além disso adoras bebés.
- Ruben estás a alucinar tanto quanto sei o puto é teu sobrinho e não meu.
- É teu sobrinho por afinidade - estava a olhar-me - afinal namoramos.
- Lá porque estamos juntos não quer dizer que o teu sobrinho seja meu e agradeço que não mistures as coisas.
- Porquê? Mariana, pára de fugir, admite de uma vez que namoramos porque gostamos um do outro.
- Faz-te assim tanta confusão que não apelide o que temos por namoro?
- Se queres saber, sim faz, Mariana amo-te como tal o que nós temos para mim é namoro e não um simples divertimento, custa-me ver que falas da nossa relação como “estamos juntos” quando já pensas em entregares-te a mim - olhou-me após ter suspirado profundamente.
- Ruben, tenho medo - olhei-a sem entender - de acordar um dia e não encontrar-te, não duvido que sintas amor por mim mas no passado também falaram que amavam-me e depois não tiveram qualquer problema em sair da minha vida, sei que não devia fazer comparações mas entende que passei vinte sete anos da minha vida a ser constantemente abandonada por pessoas que não esperava e que por isso hoje em dia não consigo entregar-me de corpo e alma sem pensar em mais nada, por muito que goste de ti e que queira que resulte tenho medo, isto é tudo tão recente.
- Mariana pode ser recente mas não tenho a menor dúvida que o que sinto por ti é amor, tal como sei que sentes o mesmo por mim, podes não admitir mas é isso que sentes caso contrário não estavas aqui comigo, não tinhas tido a conversa que tivemos e menos ainda terias colocado a hipótese de deixares de ser virgem - não disse nada simplesmente se aninhou nos meus braços, respeitei o seu tempo e só quando a Mariana uniu os nossos lábios é que voltei a falar - não tenhas medo de viver o que estás a sentir mas principalmente deixa-me amar-te, não fujas. Sei que tens todos os motivos e mais alguns para não acreditares em mim afinal durante a vida sempre te magoaram mas não me julgues com a mesma bitola, deixa-me provar-te que sou diferente, que quero amar-te verdadeiramente, Mariana quando te tenho nos meus braços e que fecho os olhos consigo imaginar-nos daqui a muitos e longos anos juntos, podes achar que estou a exagerar mas só estou a ser sincero.
- Vou tentar não fugir e deixar que entres verdadeiramente na minha vida mas não será uma tarefa fácil, entende que vais encontrar muitas portas fechadas a cadeado, ao longo da minha vida aprendi a construir muros para não sofrer, tornei-me numa pessoa fria e sou extremamente racional.
- Não és fria, se fosses fria não davas tanto de ti às pessoas a quem chamas de amigas, não te tinhas preocupado comigo quando mal nos falávamos, não terias abdicado da tua vida em prol da do teu irmão, Mariana és racional mas fria é coisa que não és.
- Estás disposto a esperar por mim e a lutares contra os fantasmas do meu passado?
- Estou se tiveres disposta a abrir essas portas que tens fechadas e a destruíres os muros que construíste durante anos - suspirou.
- Se pedisse uma prova do teu amor até onde estavas disposto a ir? - olhei-a admirado com tal questão.
- Mariana podia dizer que estaria disposto a casar contigo já amanhã mas a maior prova que te posso dar não é de todo casarmos - olhava-me expectante - a maior prova que posso e dou é aceitar o teu irmão, é amá-lo, é não ter qualquer problema em assumir o papel de pai mesmo sabendo que não o sou nem nunca vou ser, linda para mim não faz sentido fazer planos para uma vida a dois sem o incluir a ele, o Martim faz parte de ti logo fará sempre parte de nós, a maior prova de amor que posso dar é aceitar-te tal como és e amar o Martim como se fosse nosso filho.
A Mariana apesar do esforço que fez para não derramar as lágrimas que se formaram nos seus olhos não conseguiu e quando acabei de falar já chorava, puxei-a ainda mais para mim e ficamos remetidos ao silêncio, deixei-a acalmar-se e só voltamos à realidade quando ela surpreendeu-me com o que falou.
- Ruben - olhei-a - vou deixar de fugir - sorri ao ouvi-la - vou dar-te uma oportunidade só espero não vir a arrepender-me.
- Não vais, Mariana se tivesse alguma dúvida do que sinto por ti não teria insistido tanto, sei o que passaste logo não iria andar atrás de ti se não te amasse - não deixou que continuasse uma vez que beijou-me de uma forma tão intensa que fez com que perdesse momentaneamente o controlo das minhas mãos, elas acabaram no interior do seu top o que fez com que a Mariana interrompesse o momento ainda assim deixou-se ficar nos meus braços.
 As horas passaram e por isso tive que despedir-me dela, a Mariana tinha que ir buscar o irmão e regressar a casa, ainda tentei colar-me mas ela deixou.

***

Mariana

Os dias passaram e com a chegada do fim-de-semana recebi um convite inesperado, o Ruben pediu-me para ir com ele a Lisboa, que ia conhecer o sobrinho mas que pretendia que fosse junto, ao início ainda pensei recusar mas não consegui, acabei por concordar em fazer-lhe companhia na condição de ir só como amiga. O Ruben concordou e por isso combinamos sair de Braga no sábado de manhã uma vez que eles jogavam na sexta e teriam o fim-de-semana de folga.
- Mana - olhei para o meu piolho que tinha acabado de entrar no meu quarto - porquê que vamos a Lisboa com o Ruben? - sorri de facto não sabia o motivo de irmos até à capital.
- Porque o Ruben vai conhecer o sobrinho - olhou-me admirado - e porque a Letícia tem uma surpresa para ti.
- O Ruben é tio?
- É, o Mauro foi pai durante a semana.
- Ah tá bem - sorri ao vê-lo a sair do quarto, continuei a dobrar a roupa para colocar na mala até que ouvi a porta a fechar e ao olhar foi impossível não sorrir.
- Posso saber o que estás aqui a fazer? - perguntei ao ver o Ruben encostado à porta.
- O teu irmão disse-me que estavas aqui - aproximou-se - e como estou urgentemente a precisar de um beijo teu - tentou beijar-me mas esquivei-me - Então? - sorri ao ouvi-lo a reclamar - Porquê que foste fechar a porta à chave? - perguntou com um sorriso travesso.
- Porque apetece-me fazer uma coisa e não quero que nos apanhem - olhou-me desconfiado mas não lhe dei tempo de perguntar nada, beijei-o inicialmente um simples encosto de lábios para depois deixar as nossas línguas se encontrarem.
- Não deverias estar já a caminho do estádio? - perguntei ao ver as horas.
- Ainda tenho tempo além disso não podia ir sem o meu beijo da sorte - beijou-me de uma forma que fez-me perder o controlo e sem que desse por isso empurrei-o para a cama, acabamos deitados inicialmente comigo sobre o seu corpo mas o Ruben inverteu as posições, estávamos completamente entregues ao momento quando se afastou, olhei-o sem entender muito bem o porquê que fugiu - é melhor ir andando - sorriu - ou então corro o risco de fazer alguma coisa que não devo - ouvi-lo a admitir tal coisa deixou-me sem saber o que dizer, talvez por ter consciência que ainda não estou preparada mas que cada vez quero mais que esse dia chegue - linda - beijou-me - amo-te - suspirei levando-o a sorrir - até amanhã - beijou-me novamente para sair logo depois.

***

Estava na sala a fazer companhia à Patrícia e ao Martim enquanto viam o jogo quando a observação dela despertou-me para a realidade.
- O que o amor não faz a uma pessoa - sussurrou para que o Martim não ouvisse - agora até já vês os jogos.
- Desculpa?
- É desculpa é, ai Mariana como isso anda.
- Estás a falar do quê?
- Desconversa - sorriu - sabes bem do que falo - olhou-me - esse brilho no olhar com que tens andado ultimamente, os teus sumiços que coincidem sempre com os sumiços do Ruben - sorriu - essa ida a Lisboa conjunta, as visitas constantes dele ao teu quarto e agora a tua atenção a veres o jogo só prova que tenho razão, só ainda não percebi foi o motivo pelo qual andam a esconder que estão juntos - olhei-a - Mariana que não queiram que se saiba compreendo mas nós somos vossos amigos, acham mesmo que conseguiam esconder por muito tempo a verdade?
- Patrícia - suspirei levando-a a sorrir - tens razão, nós estamos juntos mas pedi ao Ruben para não contarmos - interrompeu-me.
- Não adiantou de nada, ó rapariga ainda ele não tinha percebido que gostava de ti já nós sabíamos e quanto a ti confesso que só recentemente é que percebi que talvez não fosse só amizade mas a certeza tive-a hoje quando te vi a babar para a televisão - gargalhou - nem deste por isso mas passaste os noventa minutos concentrada no jogo.
- Não gozes.
- Não estou a gozar até pelo contrário estou muito feliz pelos dois.
- Pois mas guarda lá essa felicidade para ti que nós queremos manter isto em segredo.
- Nem ao Nuno posso contar?
- Não - olhou-me - deixa que seja o Ruben a fazê-lo ou então nunca mais te perdoa - gargalhou.
- Ok - sorriu - olha mas agora conta como é que estão as coisas?
- As coisas vão indo devagar devagarinho mas estão no bom caminho.
Ficamos a falar sobre a minha relação com o Ruben e quando reparamos já tínhamos a companhia do Nuno, por isso calamo-nos até porque fomos jantar e logo de seguida fui para a cama, ainda queria falar com o Ruben.

Ruben

Nestes últimos dias tenho notado a Mariana mais desinibida, mais segura de si e até mais atrevida, tanto que está a tornar-se cada vez mais difícil resistir à vontade que tenho em amá-la na plenitude, foi por isso mesmo que tive que afastar-me quando estávamos os dois deitados na cama do seu quarto, preferi despedir-me imediatamente do que ser o responsável por um momento embaraçoso para os dois.
O jogo correu bem, ganhamos e como ainda tinha que jantar para depois ligar-lhe fui direto a casa, estivemos vários minutos à conversa mas acabamos por desligar.
Acordei cedo e numa animação tremenda, saber que iria passar o fim-de-semana inteiro com a Mariana do meu lado é razão suficiente para ficar com um sorriso enorme, despachei-me e segui para a casa do Nuno.
- Não tens nada para contar? - o Nuno perguntou quando já estávamos na sala à espera da Mariana e do Martim.
- Não.
- Tens a certeza?
- Sim mas porquê que estás com esta conversa?
- Só quero que tenhas cuidado - olhei-o - antes de envolveres-te com a Mariana pensa bem no que estás a fazer, ela é muito boa pessoa e se queres saber irei ficar muito feliz se vos vir juntos mas não a quero ver magoada.
- Não te preocupes que não a vou magoar.
- Estão juntos?
- Bom dia - a Mariana entrou de sorriso na cara, olhámo-nos e percebi que estaria para aprontar alguma só não esperava que fosse beijar-me em frente ao Nuno mas não neguei e além de corresponder ao beijo envolvi-a nos meus braços - chega-te como resposta - falou já virada para o Nuno.
- Chega - sorriu - estava difícil de admitirem que estão juntos - olhou-me a sorrir e voltou a surpreender-me.
- Nuno, nós não estamos juntos - olhou-me nos olhos - nós namoramos - ouvi-la deixou-me a levitar completamente afinal foi a primeira vez que admitiu que namoramos e fê-lo de uma forma tão segura que serviu para serenar completamente e ter a certeza que agora nada nem ninguém nos vai separar.
Ainda ficamos à conversa com o Nuno, onde lhe explicamos os motivos por termos ocultado o relacionamento mas a entrada do Martim na sala fez com que déssemos o assunto por terminado, despedimo-nos dos nossos amigos e saímos.
- O que é que estás a fazer? - perguntou-me ao ver que estava a colocar a sua mala no meu carro.
- Vamos no meu - olhou-me - e nem adianta refilares.
- Desculpa lá, porquê que não vamos no meu? Sei que não é nenhum BMW mas nunca deixou-me ficar mal - gargalhei.
- Não tenho nada contra o teu carro mas prefiro levar o meu.
- Ah já percebi - olhei-a à espera que continuasse - se o problema não é o carro só sobra a condutora - gargalhei fortemente só mesmo ela para se lembrar de tal coisa - só falta dizeres que és daqueles que acha que mulher não sabe conduzir.
- Toma - abanei as chaves do meu carro bem em frente ao seu nariz - só para não estares com coisas agora levas o carro - sorriu - estou à espera que agarres na chave.
- Meu lindo agarro com todo o gosto - agarrou nas chaves do carro e depois foi ao dela buscar a cadeira do Martim, colocou-a no banco traseiro e no fim de prender o irmão sentou-se no lugar do condutor.
- Mana porquê que és tu que levas o carro? - sorri ao ouvi-lo.
- Porque o Ruben está com preguiça.
- Tás como eu - gargalhamos ao ouvir o puto.
- Amor, dorme que o teu mal é sono - a ideia dele adormecer agradava-me de uma forma única, algo que acabou mesmo por acontecer e não foi preciso esperar muito.
- Agora que o puto adormeceu explica-me lá porque que resolveste admitir ao Nuno que namoramos? - sorriu.
- Porque ontem admiti à Patrícia e hoje ao entrar na sala ouvi a pergunta.
- O que é que te deu para contares?
- Eles sempre tinham que ficar a saber além disso não conseguimos ser tão discretos como seria suposto - sorriu - a Patrícia argumentou a sua teoria de que o amor anda no ar e não tive como negar - a Mariana acabou por contar-me a conversa que teve com a nossa amiga - agora só falta falar com o Martim.
- Vais contar-lhe?
- Sim.
- Estou inteiramente de acordo contigo - sorri e acabei por colocar a mão na sua perna direita o que fez com que olhasse para baixo - desculpa - falei ao mesmo tempo que retirei a mão.
- Tens que perder essa mania irritante de pedires desculpa de todas as vezes que tocas-me e que pensas que não gostei ou que fiquei incomodada.
- O que é que queres dizer com isso?
- Que podes colocar a mão na minha perna sem teres medo que fique incomodada, só olhei por olhar - sorriu - Ruben desde que não forces nada podes ficar descansado que não fujo e muito menos fico incomodada.
- Só não quero que te sintas pressionada - voltei a colocar a mão na sua perna o que a levou a sorrir.
- Ruben - desviou por segundos o olhar da estrada - quando tiver que acontecer acontece até lá se por acaso houver alguma atitude tua que não goste ou que me deixe incomodada falo caso contrário não evites fazer aquilo que te apetece só porque tens medo que fuja - olhei-a - deves estar a pensar que sou ridícula - interrompi-a.
- Mariana, não és ridícula mas sim sincera e verdadeira se não disse nada foi porque não esperava ouvir tão cedo o que acabaste de dizer mas gostei e muito que o tivesses dito.
A Mariana já não respondeu até porque começou a cantarolar a letra da música que estava a dar no rádio acabei por ficar a observar remetido ao silêncio até ela se ter cansado de cantar.
- Mariana - chamei-a assim que se calou - agora que já contamos ao Nuno e à Patrícia será que dá para contar à minha mãe e ao Mauro?
- Não achas que ainda é cedo?
- Cedo? - olhou-me por segundos - Mariana amo-te logo não é cedo para partilhar a alegria que sinto por estar a namorar contigo.
- Ruben, não vou opor-me porque não tenho o direito de pedir que ocultes isso à tua família quando já contei ao Nuno e à Patrícia mas continuo a achar que é cedo.
- Linda estás a esquecer-te que foi depois de falar com a minha mãe que admiti aquilo que sentia por ti mas que teimava em negar?
- Não.
- Então achas mesmo que a minha mãe não vai perceber que alguma coisa mudou assim que nos vir juntos?
- É por essas e por outras que não queria vir contigo.
- Mariana, é impressão minha ou estás com receio que o nosso namoro não seja aceite pela minha família? - suspirou.
- Ruben, tens que admitir que não sou propriamente o tipo de rapariga com quem estás habituado a lidar, é lógico que tenho receio que a novidade não seja do agrado da tua família.
- És tão tontinha, nós não ligamos a isso e desde que esteja feliz a minha família apoia-me por isso não tenho a menor dúvida que eles vão ficar contentes com a novidade.
- Mesmo assim tenho medo - sorri.
Teria respondido mas fomos interrompidos pelo meu telemóvel, como estava no meu carro acabei por atender através do sistema de mãos livres.
- Bom dia - falei ao atender a chamada.
- Puto, sempre vens a Lisboa?
- Sim.
- Vens a que horas?
- Já estou a caminho.
- Ah então chegas antes do almoço?
- Sim.
- Almoças connosco, certo?
- Mano, não vai dar - olhei para a Mariana e percebi que observava-me pelo canto do olho.
- Ó Ruben não dá porquê?
- Já tenho com quem almoçar mas à tarde passo pela tua casa para ver o Rafael.
- Ruben o que é que se passa? Estás estranho - sorri ao ouvi-lo.
- Não se passa nada.
- Então com quem é que vais almoçar?
- Com a Mariana e o Martim - admiti até porque ela iria comigo conhecer o Rafael.
- Repete lá isso?
- Ouviste perfeitamente.
- Puto se é com a Mariana e o miúdo que vais almoçar convida-os para almoçarem connosco assim estamos mais tempo contigo - olhei-a à espera que aceitasse o convite - e a Mariana conhece o menino, ela adora crianças e assim estás mais tempo com o teu sobrinho que ainda não conheces.
- Não queremos incomodar - falei por não saber se a Mariana queria ir.
- Ruben, deixa-te de tretas e convida lá a rapariga para almoçar connosco, é uma forma dela conhecer o sobrinho - foi inevitável não sorrir - sim porque ainda não perdi a esperança que ganhes juízo e que faças pela vida.
- Não vais começar - interrompeu-me.
- Juro que não entendo sempre foste de correr atrás daquilo que queres porquê que com a Mariana não o consegues fazer isso? - a Mariana sorriu - Faz-te à vida se gostas dela convida lá a rapariga.
- Já te ligo - não lhe dei tempo para responder e desliguei - aceitas o convite? - perguntei imediatamente à maior interessada.
- Avisa lá o teu irmão que vou contigo mas primeiro temos que deixar o Martim com a Letícia.
- Porquê que não o levamos connosco?
- Porque a Letícia já fez planos para passar a tarde toda com o afilhado.
- Ah, ok.
Ela não falou mais nada e por isso mandei mensagem ao meu irmão a avisá-lo. O resto da viagem fizemo-la à conversa mas já com o Martim a participar nela uma vez que o puto acordou.

***

- Mana porquê que vais com o Ruben? - o puto perguntou assim que chegamos à casa da Letícia e que a Mariana o informou da novidade.
- Amor, vou resolver um assunto com o Ruben mas à noite venho ter contigo.
- Tá bem - o miúdo não deu grande importância - madrinha qual é a surpresa que tens para mim?
- Uma tarde no jardim zoológico parece-te bem?
- Fixe - sorriu e foi-se sentar no sofá.
- Agora nós - olhou-nos - então a menina vai resolver um assunto com esse daí - sorriu - só espero que seja o que estou a pensar.
- Talvez sim, talvez não mas agora temos que ir.
- Depois conversamos - a Mariana sorriu mas não respondeu e por isso despedimo-nos do puto.

 Como será que corre o almoço? Irá o Ruben revelar à família que namora com a Mariana?

9 comentários:

  1. Onde é que está o resto?!
    Fiquei com a sensação que isto ficou a meio...
    Quero mais!!!!

    RÁPIDO!!!!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  2. Aleluia!!!!
    Sempre se revelou a virgindade da Mariana e se admitiu o namoro!
    Agora isto da familia do Ruben deixou-me curiosa...
    Quero o proximo!

    Beijo
    Ana

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  3. Hummm muito bem, adorei a conversa sincera que tiveram e finalmente teram revelado ..

    Fico a espera da reacção da familia do Ruben ..

    Beijinho linda

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  4. Olá :)
    Isto é que foi uma conversa para por tudo claro :P
    E depois de saber o "currículo" de cada um espero por esta apresentação à família do Rúben :P
    Quero mais e rápido!
    Beijinhos
    Rita

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  5. Brutal!!!! Amei!!!
    Gosto cada vez mais, a conversa deles está fantástica ;)
    Ainda me ri com a cena da Patricia, ah e o Mauro telefonema oportuno :D
    Quero mais!!!
    Beijinhos.

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  6. Tou para ver como corre esse almoço :) E pronto, o Ruben já tirou as suas dúvidas, o Ruben e nós :p
    E que venha o próximo, pq uma pessoa fica aqi ansiosa!
    Beijinhoo

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  7. Adorei, a conversa deles foi muito sincera, e foi importante para a Mariana ouvir do Ruben que a maior prova de amor que lhe pode dar é aceitar o irmão na vida deles.
    Quem diria, a Mariana a ver um jogo de futebol com tanta atenção, ai, Amorim, Amorim, os milagres que tu fazes, ou como diz a Patricia "o que o amor faz a uma pessoa".
    Adorei tudinho, mas tou curiosa em saber como vai correr este almoço.

    Beijocas

    Fernanda

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  8. Nem sei por onde começar, porque adorei tudinho do que li!
    Adorei a conversa deles e toda a sinceridade que tiveram um com o outro :)
    Finalmente revelaram-se, o Nuno e a Patrícia também é mereciam :P
    Agora quero saber como vai correr esse almoço, por isso quero o próximo o mais rápido que puderes!
    Beijinhos minha linda, e continua com o fantástico trabalho.

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  9. mas la e preciso dizer que namoram? o facto da mariana ir pra lisboa com o Ruru assume logo tudo :b
    quero mesmos saber como corre o almoço... deve ser bestial !!
    espero que publiques ainda hoje, porque estou ansiosa pra saber como vai ser o fim de semana dos pombinhos

    beijinhos e parabens por mais uma excelente fic :)

    Raquel

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