Mariana
A viagem foi animada com o Martim a fazer várias perguntas
com o Ruben a responder a todas mas assim que chegamos ao nosso destino o meu
irmão apressou-se a sair do carro, estava mesmo curioso para conhecer o Rafael.
- Linda mas o que é
que deu ao puto para querer tanto conhecer o meu sobrinho?
- Não faço a mínima
mas também estou curiosa - sorriu para depois sairmos do carro.
O Ruben tocou à campainha e quem abriu a porta foi a
Madalena motivo suficiente para o Martim ficar a olhar pois não a conhecia.
- Bom dia -
cumprimentou-nos - entrem - deu-nos
passagem e por isso entramos - deves ser
o Martim, certo? - meteu-se com o meu irmão.
- Sim e você quem é?
- Sou a Madalena a
mãe do Rafael - respondeu-lhe quando já estávamos na sala.
- A mulher do Mauro,
né? - sorrimos todos.
- Namora porque não
sou casada com ele - o Martim olhou-me - o que foi? - perguntou-lhe curiosa.
- Nada.
- Então porquê que
olhaste para a tua irmã?
- Quero ver o Rafael,
posso? - o meu irmão mudou de assunto mas percebi que tinha achado estranho
a Madalena não ser casada com o Mauro e já terem um bebé mas não toquei no
assunto.
- Podes - sorriu
- mas vou agora dar-lhe banho.
- Posso ir?
- Martim - iria
repreende-lo mas o puto adiantou-se.
- Ó mana não ralhes
eu sei que não devo dizer estas coisas mas eu quero muito conhecer o bebé -
a Madalena sorriu.
- Então se a tua mana
deixar podes vir comigo, queres?
- Posso mana? -
olhou-me com uns olhinhos que foi impossível negar-lhe isso.
- Podes mas é para te
portares com juízo, nada de falares alto ouviste?
- Sim.
- Querem vir? O Mauro
está no quarto com o Rafael.
- Não queremos
incomodar - o Ruben falou, sabia bem o motivo pelo qual ele estava a tentar
esquivar-se ainda assim a Madalena não facilitou.
- Não incomodam nada,
além disso vês o teu afilhado a tomar banho.
- Ok, vamos lá então
- ela sorriu e depois foi à nossa frente.
Entramos no quarto e assim que o Martim viu o berço do
Rafael aproximou-se com muito cuidado, ele estava mesmo concentrado a observar
o bebé o que nos deixou a sorrir.
- Martim se queres
ver-me a dar banho ao Rafael vem comigo - a Madalena falou ao pegar no
bebé.
- Mana posso ir?
- Podes - saiu
atrás da Madalena e assim que o deixamos de ver o Ruben abraçou-me colocando o
seu queixo apoiado no meu ombro direito.
- O puto ainda não
sabe que namoram? - o Mauro perguntou talvez por achar estranho só nos
aproximarmos quando o Martim saiu.
- Não.
- Estão com receio da
reação dele, é isso?
- Mais ou menos,
Mauro ao início não quis que ninguém soubesse mas agora que já contamos às
pessoas mais próximas também quero dizer-lhe mas tenho que o preparar para a
notícia.
- O puto gosta do meu
irmão vai aceitar o vosso namoro na boa.
- Não sei - olhei
para o Ruben - ainda ontem apanhou-me ao
colo da irmã e fez uma cena de ciúmes tremenda - sorri ao relembrar o
momento.
- É normal, acha que
são só amigos e apanha-te ao colo da irmã que até aqui era só dele achou
estranho mas se lhe contarem que namoram duvido que o miúdo vá criar problemas.
- Pois não sabemos
mas também já faltou mais para termos a certeza.
O assunto terminou por ali porque o Martim apareceu a rir e
quando lhe perguntamos o porquê disse-nos que o Rafael tinha feito xixi quando
a Madalena lhe estava a colocar a fralda gargalhamos os três perante o
contentamento do meu irmão.
Já estávamos na sala quando a Madalena chegou com o Rafael e
assim que entrou o Ruben pediu para lhe pegar, ainda conseguiu estar uns
minutos com o bebé ao colo mas este começou a chorar algo que levou o Martim a
gozar com o Ruben o que provocou algumas gargalhadas principalmente quando
peguei no Rafael e ele se calou.
- Ó Ruben não
percebes mesmo nada disto - o meu irmão picou-o.
- Olha viste como o “carapau
já tem tosse” - o Ruben levantou-se e começou feito tonto a correr pela
sala atrás do meu irmão e assim que o apanhou pegou nele tipo “saco de batatas”
o que levou o puto a rir.
- Mana posso pegar no
Rafael? - perguntou quando já estava sentado ao meu lado e a olhar para o
bebé.
- Amor, o Rafael
ainda é muito pequenino para pegares nele.
- Oh mas eu queria.
- Quando for maior já
podes - olhou-me nada convencido - lindo,
os bebés não são bonecos - sorriu.
- Eu sei -
olhou-me - posso dar-lhe um beijinho?
- Podes - o meu
irmão aproximou-se com cuidado e deu-lhe um beijinho na bochecha o que nos
deixou aos quatro a sorrir.
- Mana - olhei-o
- quando é que tens um bebé? - o
Mauro e a Madalena gargalharam, já o Ruben olhou-o no que me diz respeito
depois de uns segundos a assimilar o que ele disse lá respondi.
- Amor, para se ter
um bebé não basta querer - interrompeu-me.
- Eu sei, é preciso
um pai - sorrimos com a dedução dele - mas
não precisa ser um bebé que vem da tua barriga - olhei-o.
- O que queres dizer
com isso?
- Mana pode ser um
bebé da instituição eles também precisam de uma mãe e eu quero um bebé para
brincar.
- Ó piolho não basta
querermos muito para pudermos cuidar de um bebé, para a mana poder levar um
desses bebés para casa tinha que o adotar e sabes que isso não é fácil quando a
mana vive só contigo, amor normalmente pedem sempre um pai e uma mãe entendes?
- Sim mas não podes
pedir a alguém que finja ser o pai? - gargalhamos.
- Não, isso seria
estarmos a mentir.
- Ó mas eu queria um
mano mesmo que não fosse um verdadeiro porque eu sei que não és minha mãe mas é
como se fosses e podias ser a mãe de outro bebé - as palavras dele
tocaram-me de uma forma inexplicável algo que tanto o Ruben como a Madalena e o
Mauro perceberam.
- Amor por muito que
queiras um mano mesmo que seja emprestado - sorriu - vais ter que esperar porque agora a mana não pode cuidar de mais um
bebé.
- Mas prometes que
pensas nisso? - perguntou animado.
- Prometo -
acabei por falar para ver se ele se calava.
- Podia ser a minha
prenda no natal - gargalhamos - ó
mana eu tou a falar a sério.
- Sim meu piolho, também
estou a falar a sério, a mana promete que vai pensar no assunto mas não será
para o próximo natal.
- Tá bom - lá se
resignou e acabou por ficar sentado ao colo do Ruben porque segundo ele assim
conseguia ver e brincar melhor com o Rafael que continuava no meu colo.
***
Acabamos por almoçar pela casa do Mauro e foi quando o
Martim decidiu acompanhar a Madalena na tarefa de ir adormecer o Rafael que o
Ruben aproveitou para pedir mimo, fiz-lhe a vontade o que deixou o Mauro a
sorrir mas foi quando já estávamos no jardim que o meu irmão ao regressar
apanhou o Ruben com a cabeça no meu ombro e não perdeu tempo em marcar
território ao sentar-se no meu colo mas não satisfeito ainda arranjou forma do
Ruben ser obrigado a afastar-se pois embirrou que aquele ombro seria para ele
encostar a cabeça, algo que todos percebemos mas que ninguém comentou.
- Mariana - olhei
para a Madalena - já decidiste quanto ao
convite que fizemos ontem?
- A minha opinião
mantem-se.
- Acho mal - o
Mauro manifestou-se - não consigo
perceber porquê que não aceitas o convite para ser madrinha do Rafael - o
Martim olhou-me imediatamente.
- Mana aceita - falou
animado com a ideia - já que não me dás
um mano podias ser madrinha do bebé assim brincava com ele mais vezes - o
Ruben sorriu - ó mana vá lá -
pedinchou.
- O Martim tem razão
- desta foi o Ruben que falou - até
porque prefiro que sejas mesmo tu a madrinha do meu afilhado - o Martim
olhou-o.
- Ó mana esquece o
que disse - olhamos todos para o meu irmão.
- Porquê?
- Porque o Ruben já
anda sempre atrás de ti - entreolhamo-nos todos - se aceitas ser a madrinha do Rafael então é que ele não te larga e tu
és minha ouviste?
- Martim tem calma,
amor não precisas falar nesse tom.
- Eu não estou a
gostar que ele ande sempre atrás de ti - olhei para o Ruben e percebi que
aquelas palavras do meu irmão o afetaram.
- Amor, explica lá à
mana porquê que estás outra vez com esta conversa?
- Já disse és minha
mana não dele.
- Mas a mana pode ter
amigos - interrompeu-me.
- Podes mas não quero
que eles andem sempre abraçados a ti - o Mauro e a Madalena sorriram
disfarçadamente - se queres abraços
pedes que eu dou.
- Martim estás com
ciúmes do Ruben?
- O que é isso?
- É teres medo que os
meus miminhos não sejam só para ti.
- Eu não tenho isso
mas eu quero os teus miminhos só para mim.
- Amor por muito que
goste de ti, que te meta sempre em primeiro lugar, que a tua opinião seja muito
importante para mim, que não queira chatear-me contigo não vou admitir que
mandes em mim, Martim a mana tem miminhos que chegue para ti, para o Ruben e
para qualquer outra pessoa, entendes?
- Não, o Ruben não é
nada à gente - olhei-o.
- Martim, o Ruben é
nosso amigo e mesmo que não fosse não admito que fales nesse tom, sou tua irmã
e tens que respeitar-me, estamos entendidos? - falei agora mais séria o que
atingiu o meu irmão mais do que seria suposto uma vez que começou a chorar
ainda assim continuei - e não adianta
chorares porque não vai ser isso que irá fazer com que deixe de falar com o
Ruben ou com qualquer outra pessoa, Martim por muito que goste de ti não podes
decidir a minha vida.
- És má - falou a
tentar sair do meu colo mas agarrei-o, o meu irmão bem que esperneou mas não o
soltei - larga-me já não gosto de ti e a
culpa é dele - falou revoltado e a apontar para o Ruben que estava com o
olhar baixo.
- Chega - falei
ligeiramente mais alto o que fez o meu irmão parar de espernear e olhar-me - pede desculpas ao Ruben, já - falei ao
olhá-lo nos olhos - Martim não estou a
brincar - baixou a cara e revirou os olhos, estava mesmo de trombas - queres ficar de castigo? - não
respondeu - Martim Miguel - olhou-me
- não repito mais vez nenhuma o que te
disse - estava a fazer um esforço para conter as lágrimas e mesmo
contrariado olhou para o Ruben e falou.
- Desculpa - o
Ruben olhou-me sem saber bem o que dizer.
- E agora pedes
desculpa ao Mauro e à Madalena.
- Não queres mais
nada - falou irritado.
- Quero que pares de
ser mal-educado, nunca admiti faltas de respeito e não tenciono começar agora,
se não te comportas como deve de ser ficas de castigo e não estou a brincar.
- Desde que
conheceste o Ruben que és má - respirei profundamente e vi o Ruben a sair
de ao pé de nós, o que só deixou-me pior.
- Martim, estás a ser
injusto.
- Não tou nada tu é
que agora só queres saber dele.
- É isso que pensas?
- Sim.
- Achas que a mana
não passa o mesmo tempo contigo, é isso?
- É.
- Então diz lá
quantas vezes te deixei sozinho para ir ter com o Ruben? - olhou-me - então não respondes? Talvez porque nunca
te deixei sozinho não é?
- Ontem -
ripostou.
- Tudo bem Martim é
assim que queres é assim que vai ser - olhou-me - de hoje em diante vais andar sempre comigo, esquece é as tardes de
brincadeira com os teus amigos, os treinos e jogos de futebol, as idas ao
cinema com a madrinha e tudo o resto que fazes além da escola porque a mana tem
que trabalhar e por isso não pode ir contigo a esses sítios todos, logo como
julgas que ando a trocar-te pelo Ruben talvez assim aprendas que todos gostamos
de ter amigos e de passar algum tempo com eles sem que signifique que deixamos
de gostar das outras pessoas - o Martim assim que ouviu que iria ter que
deixar os treinos e jogos de futebol mudou logo de postura algo que foi audível
assim que calei-me.
- Já percebi - a
Madalena que continuava sentada ao nosso lado sorriu - que não posso pedir que sejas só minha.
- Então agora que já
entendeste, vai pedir desculpas como deve de ser ao Ruben e explicar que
estavas enganado mas que já percebeste que ele não é o culpado de nada muito
menos de ter-me afastado de ti.
- Vem comigo.
- Não, foste
homenzinho para arranjares a confusão agora também vais ser para a resolveres
- a Madalena voltou a sorrir - vá andor
violeta.
- Tá bem - falou
nada convicto mas saiu do meu colo e foi direto ao Ruben que estava mais
afastado e com o Mauro ao seu lado.
- O Martim não vai
mesmo facilitar - olhei para a Madalena e suspirei.
- Sinceramente não
esperava que começasse a sentir ciúmes do Ruben, eles sempre se deram bem, nem
sei bem o que desencadeou este medo todo do Martim em perder-me.
- Mariana, o teu
irmão só está a achar estranho a vossa aproximação - sorri ao ouvi-la.
- Madalena mas para
todos os efeitos somos só amigos.
- O Martim apesar de
ser criança conhece-te e já percebeu que talvez haja aí mais qualquer coisa que
não lhe estás a contar, deve ser por isso que anda assim mais protetor.
- Pois talvez seja
mesmo isso se já queria contar-lhe agora é que vou mesmo ter que o fazer, só
ainda não sei bem como mas terei que lhe dizer.
Estava à conversa com a Madalena mas com os olhos postos no
Ruben e no Martim, não sei o que o puto lhe estava a dizer mas vi o Ruben
demasiado atento.
- Bem o teu irmão
está a dar uma descasca ao meu que não é brincadeira - olhei imediatamente para
o Mauro levando-o a gargalhar - calma
estava a brincar - sorriu - o puto
está só a pedir-lhe desculpas não sei o que lhe disseste mas sortiu efeito -
voltou a sorrir.
- A Mariana
repreendeu-o e no fim mostrou-lhe que tê-la só para ele não seria muito boa
ideia porque o menino tinha que deixar de fazer algumas coisas que gosta pelo
facto da Mariana não para puder acompanhar devido ao trabalho.
- Ah usaste aquela
técnica da ameaça.
- Não amor, a Mariana
não ameaçou só lhe explicou que não podem andar sempre atrás um do outro.
Teria continuado a conversa mas o regresso do meu irmão
impediu isso mesmo. O miúdo sentou-se ao meu colo, já o Ruben que vinha uns
passos atrás do Martim foi direto para dentro de casa nem sequer olhou o que
deixou-me preocupada.
- Martim o que é que
disseste ao Ruben?
- Pedi desculpas.
- Então porquê que
não veio contigo?
- Não sei mas ó mana
ele tava com os olhos vermelhos - olhei imediatamente para o Mauro - acho que teve a chorar - disse com o ar
triste - e a culpa foi minha - os
seus olhinhos já estavam rasos de lágrimas - eu fui muito mau para ele não fui?
- Foste - os
adultos presentes olharam-me surpreendidos talvez porque não esperavam a minha
resposta que só agravou mais a culpa do meu irmão - por acaso gostavas que um amigo teu fosse injusto contigo como foste
com o Ruben? Martim acusaste o Ruben de ser o responsável por não andar a
dar-te atenção, ele sabe o quanto és importante para mim e deve ter ficado a
sentir-se culpado.
- Mas mana eu já pedi
desculpas - as lágrimas saltaram dos seus olhos - podes ir lá explicar melhor ele se calhar não entendeu - falou preocupado - vais?
- Vou, fica aqui com
o Mauro e a Madalena que a mana já volta.
- Tá bem - antes
de sair do meu colo deu-me um beijinho e um abraço o que deixou tanto o Mauro
como a Madalena a sorrirem.
Ruben
Ouvir o Martim a acusar-me de ser o responsável pela Mariana
se afastar dele doeu mais do que pensava e vê-lo a insistir tanto mas
principalmente a irmã a ser tão dura com o puto tornou-se insuportável de
assistir por isso acabei por afastar-me, precisava de uns minutos a sós mas que
infelizmente não foram respeitados pelo meu irmão.
- Mano tem calma -
colocou uma mão no meu ombro esquerdo - o
puto vai acabar por mudar de ideias.
- E se não mudar?
- Ruben, a Mariana
não irá deixar o miúdo decidir a sua vida, pelo pouco que conheço dela não é
pessoa de ceder.
- Será que ainda não
entendeste que serei eu de um lado e o irmão de outro, que por muito que ela
goste de mim o puto levará sempre a melhor, a Mariana por ele faz qualquer
coisa ou porquê que achas que foi para Braga.
- Mano, saíste de lá
por isso não ouviste a descasca que está a dar ao puto, a Mariana ama o puto
mas não duvides que também já te ama caso contrário não seria tão dura com o
Martim.
- Mauro -
respirei profundamente - por muito que esteja
a começar a amar-me nunca vai ser suficiente para resistir à pressão do irmão,
até pode ser agora ao início mas a Mariana vai acabar por escolher - não
consegui controlar as lágrimas ao colocar a hipótese dela deixar-me.
- Ruben tem calma já
sabias que o puto é demasiado agarrado à irmã tens que lhe dar tempo para
preparar o miúdo para a notícia.
- Será que ainda não
entendeste que tenho medo que o puto não aceite, não quero perder a Mariana de
forma alguma, caramba amo-a - o meu irmão olhou-me.
- Isso está assim tão
avançado?
- Está e se queres
saber sempre esteve, não queria era admitir talvez por ter receio do que está a
acontecer agora.
- Mano, acalma-te até
porque o Martim vem aí - limpei as lágrimas ao ouvi-lo.
- Posso falar
contigo? - ouvi a voz do miúdo.
- Diz - falei mas
evitei olhá-lo por saber que estava com os olhos vermelhos.
- Olha para mim por
favor - não tive como negar tal pedido - tás a chorar? - perguntou preocupado.
- Não - menti mas
lógico que o puto não acreditou.
- Tás sim e a culpa é
minha desculpa - disse tristonho - a
mana já explicou que não posso dizer aquelas coisas e que não posso querer que
ela ande sempre atrás de mim - olhei-o surpreendido ao mesmo tempo que o
Mauro se afastou - desculpas?
- Martim não gostei
do que ouvi - olhou-me - doeu ouvir
o que falaste.
- Eu não fiz por mal
mas também não gostei de ver-te com a cabeça no ombro da mana - suspirei.
- Martim mas tens
medo do quê?
- Que a mana comece a
gostar de ti para andarem aos beijinhos e que se esqueça de mim - olhei-o
surpreendido não esperava ouvir tal coisa.
- Porquê que achas
que ela pode começar a gostar de mim dessa forma?
- Ela algum dia tem
que gostar de alguém, né? - sorri com a dedução dele.
- Sim mas porquê que
tenho de ser eu?
- Porque nunca vi
mais nenhum rapaz tão perto dela como tu andas.
- Martim mesmo que
isso venha a acontecer, que nós com o tempo começarmos a gostar um do outro
dessa forma a mana nunca vai deixar de gostar de ti, além disso gosto muito de
ti por isso não precisas de ter medo porque nunca vou pedir à tua mana para
escolher entre nós os dois.
- Mas eu não quero
isso.
- Martim já te ouvi
dizer que gostavas de a ver aos beijinhos porque quem anda aos beijinhos anda
feliz.
- Mas mudei de ideias
agora não quero que ela ande aos beijinhos e não quero falar mais disso.
- Tudo bem.
- Tou desculpado?
- Sim.
- Então vamos ter com
a mana?
- Não, vai tu que
tenho de ir lá dentro.
- Continuas chateado
comigo?
- Não mas tenho
outras coisas para fazer.
- Tá bem -não
estava convencido e nem podia estar afinal continuava magoado com ele apesar de
ser só uma criança.
Não estava em condições para ir ter com a Mariana e por isso
decidi ir ver o meu sobrinho que dormia no quarto, estava com as mãos apoiadas
sobre o berço quando sentir uns braços a envolverem-me, sabia bem de quem eram
e por isso suspirei.
- Ruben quero falar
contigo - deu-me um beijo no pescoço - anda
para não acordarmos o menino - não respondi simplesmente saí do quarto com
ela a seguir-me, se queria falar não lhe iria negar mas então que fosse num
sítio que não fossemos interrompidos por isso levei-a até a outro quarto e
assim que entramos ouvi-a a fechar a porta - agora que já estamos sozinho podes olhar-me? - pediu.
- Para quê?
- Não fujas de mim
- falou ao aproximar-se para novamente envolver o meu corpo nos seus braços mas
agora de frente para mim - Ruben sei que
tiveste a chorar não precisas tentar esconder isso porque o Martim já contou
- olhei-a pela primeira vez - não fiques
assim - tentou beijar-me - vais
continuar a fugir?
- Mariana não quero
nem posso ser o responsável pelo Martim ficar chateado e muito menos revoltado
contigo - olhou-me - e neste momento
é o que está a acontecer, o miúdo só te tem a ti e está numa idade complicada
- baixei o olhar - se quiseres que me
afaste diz que por muito que vá doer irei fazê-lo - já estava sentado na
cama e por isso ela ajoelhou-se à minha frente.
- Agora já é um
bocado tarde para arrependimentos - olhei-a sem entender o que dizia - Ruben com a tua persistência já
conquistaste o teu lugar no meu coração e por muito que queiras sair não vou
deixar - sorri ligeiramente - só te
peço que me dês tempo para falar com o Martim mas não quero nem vou afastar-me
de ti, o meu irmão vai ter que entender e aceitar que namoramos, nem que para
isso tenha de ser mais dura com ele mas uma coisa garanto o puto não vai
obrigar-me a escolher nenhum dos dois porque isto neste momento já é impossível
- estava a olhá-la e vê-la tão segura transmitiu-me a tranquilidade que
precisava - Ruben já te amo e agora não
há volta a dar - não consegui dizer nada mas beijei-a e ao puxá-la para mim
acabamos deitados na cama - o que é que
o Martim te disse?
- Pediu desculpas mas
avisou-me que não quer ver-te aos beijinhos a ninguém, que mudou de ideias e
que não gosta de nos ver juntos porque tem medo que comeces a gostar de mim.
- Foi por isso que
momentaneamente ponderaste afastares-te de mim?
- Queres o quê?
Mariana por muito que não queira pensar nas coisas nestes termos o Martim terá
sempre uma palavra a dizer e vê-lo cada vez mais a demonstrar o seu desagrado
perante a ideia de namorarmos não ajuda.
- Ruben esquece o meu
irmão nem que seja por minutos - olhei-a - e ouve o que vou dizer - a Mariana fez algo que não esperava,
obrigou-me a ficar deitado de barriga para cima e sentou-se bem em cima da zona
da minha cintura mas sem nunca magoar-me - eu
AMO-TE é necessário soletrar para entenderes? - sorri - caramba Ruben isto não está a ser fácil
para mim, detesto ter que repreender o meu irmão da forma que fiz hoje mas não
tive outra solução que não fazê-lo, talvez sejas mesmo o responsável por isso
mas ainda não ouviste uma vez que seja um “ai” da minha parte e muito menos
estou a cobrar-te alguma coisa a não ser paciência porque no fundo sei que é só
disso que o puto precisa, ele vai acabar por ceder, está a sentir-se
amedrontado mas quando entender que talvez um dia possamos ser os três uma
família vai aceitar-te na minha vida.
- Amor - sorriu
como nunca a tinha visto sorrir antes - isso
é o que mais quero - sentei-me o que permitiu que ficássemos com os rosto
colados e ao olhar-lhe nos olhos falei - por
mim contávamos já ao Martim para que pudéssemos começar já a planear a vida a
três mas sei que precisas de tempo não só para preparar o Martim como também
para conseguires lidar com tudo o que estás a sentir e que talvez seja mesmo
novidade.
Não respondeu, simplesmente beijou-me de uma forma tão
intensa que aliado ao facto de estarmos tão próximos fez com que perdesse o
controlo, os minutos seguintes foram únicos e só não nos amamos porque ouvimos
a voz do Martim a chamar por nós e assim que o ouvi também vi a Mariana a sair
de cima de mim no mesmo instante e a vestir o seu top, ela fê-lo de forma tão
rápida que não pude deixar de sorrir principalmente quando percebi que estava
sem saber como reagir depois de cair na real e ter percebido que tivemos talvez
a muito pouco de nos amarmos completamente
- amor - chamei-a a medo não
sabia o que iria na sua cabeça naquele momento e isso estava a deixar-me
inseguro - estás bem? - perguntei ao
aproximar-me dela que continuava sentada na cama e de costas para mim - Mariana fala comigo - pedinchei ao
vê-la sem reação - amor desculpa se
forcei alguma coisa - olhou-me pela primeira vez - estás chateada? - perguntei ao qual respondeu com um sorriso
envergonhado - amor - reduzi ainda
mais a distância que nos separava - não
precisas ficar com vergonha - beijei-a.
Como é que irá a Mariana reagir depois do que quase teve para
acontecer?
Ahhhhhhh meu, mais um capítulo perfeito! Sem palavras linda. Chorei junto com eles, ao imaginar a cena *o*
ResponderEliminarQUERO MUITO MAIS!! Beeeijos!
Gabii
ahhh o miúdo não vai facilitar!! E o Ruben ão vai ter a vida facilitada...
ResponderEliminarAgora este final é que é muito precoce... a mim quer-me cá parecer que isto ficou a meio do capítulo. Confessa lá que te esqueceste de publicar a outra metade... foi isso não foi?
fico a desesperado pelo próximo
Bjokinhas
Mariaa
Olá!
ResponderEliminarSimplesmente amei!!!
O Martim é que está complicado, mas a Mariana e o Ruben ficam tao fofinhos juntos xD
Quero o próximo com essa reação da Mariana!
Beijo
Ana
Como diz ali o botãozinho : Gosto e quero mais!
ResponderEliminarEstá perfeito! :D A conversinha com o Martim não vai ser fácil, presumo eu ... mas estes dois não se podem separar por causa disso, eles são feitos um para o outro!
Beijinhoo
Adoro, adoro, adoro!!!
ResponderEliminarEstou mortinha pelos desenvolvimentos :D :D :D
Eu acho que o Martim vai acabar por amar a ideia, pois vai ganhar um "pai"... espero eu...
Quero mais!!!!
Beijinhos
Olá :)
ResponderEliminarAi isto de acabar sempre na "melhor parte" deixa qualquer um a morrer :P
Quero o próximo Caty!Por isto quando puderes vem cá postar ;D
Beijinhos
Rita
http://lifegoesonr.blogspot.pt/
Ai Martim, Martim, tás aqui tás ali, então não é que o puto agora resolveu armar-se em cão com pulgas? Mas a Mariana é que já não vai na conversa, adorei, o puto disse o que lhe apeteceu, resultado teve que ouvir o que não gostou. E quem não gostou nadinha desta maneira de acabar, fui eu, então isto lá tem algum jeito menina Caty? Onde é que está o resto? Vá, toca a bandear-te com o próximo.
ResponderEliminarAdorei, muito
Beijocas
Fernanda