domingo, 23 de setembro de 2012

059 - “O que é que os teus olhos dizem?”


Ola :)

Antes de lerem o capítulo quero deixar um pedido de desculpa pela demora mas como algumas de vocês sabem ando outra vez com falta de tempo derivado ao trabalho por isso mesmo não sei se vou conseguir postar durante a semana, tentarei fazê-lo mas o provável é não conseguir.
Espero no entanto que continuem a querer acompanhar esta história.

Beijocas

****

Anabela

Confesso que estranhei o pedido do Ruben para ir passar o fim-de-semana a Braga mas aceitei o convite por ser uma boa oportunidade para estar com os meus dois filhos, no entanto foi surpreendida ao chegar, afinal não tinha sido a única a ser convidada, estavam também o Nuno, a Patrícia e a madrinha do Martim bem como o seu namorado.
Achei o meu filho algo nervoso e com o passar dos minutos foi cada vez mais visível, ainda perguntei ao Mauro se sabia o que se passava mas obtive uma resposta negativa.
Almoçamos sempre com a animação ao máximo e no final o Ruben pediu que fossemos todos para a fala, quem sorriu automaticamente foi a Mariana, eles estavam os dois ligeiramente estranhos mas sem dúvida que o Ruben era o que estava mais.
Sentámo-nos nos sofás e quando estávamos devidamente acomodados o meu filho mudou de canal, colocou-o na SIC e uns minutos bastaram para ficarmos todos à exceção da Mariana de “boca aberta”. Fez-se silêncio e assim que a entrevista começou foi impossível não sorrir orgulhosamente.
Alternei a visão entre o meu filho e o LCD, o Ruben a cada minuto que passava ficava mais nervoso e sinceramente não estava a perceber o motivo, afinal a entrevista estava a correr muito bem.
- Qual é a memória mais antiga que tens?
- As travessuras que fazia quando o meu irmão ia brincar na rua e não me levava com ele.
- Foste uma criança sossegada?
- Não parava muito tempo no mesmo sítio mas como era envergonhado acabei por ser sossegado.
- Como foi a experiência de teres jogado hóquei?
- O tempo que joguei hóquei ao início não foi fácil e cheguei a inventar desculpas para não ir mas depois consegui adaptar-me no entanto não era aquilo que queria para mim e mais tarde saí para jogar futebol.
As perguntas sucederam-se e abordaram o tempo que passou no Benfica, a sua saída, os anos seguintes e o seu regresso à Luz e os festejos do título de campeão Nacional para culminar com uma série de perguntas.
- Muito se falou sobre a tua ida para o Braga o que tens a dizer sobre isso?
- Para mim é um assunto que está mais do que resolvido, é verdade que foi uma altura difícil, a época anterior tinha sido para esquecer com a lesão mas ao contrário do que escreveram não saí do Benfica para jogar mais mas não vejo motivo para alongar-me sobre o assunto, saí e não estou nem um pouco arrependido, hoje estou bem, livre de lesões, a jogar e feliz.
- Ainda és Benfiquista?
- Sou, a verdade é que há o lado profissional e o pessoal, quando estou dentro de campo sou bracarense dou o máximo que tenho e ninguém pode acusar-me do contrário mas fora quando estou entre amigos se o Benfica estiver a jogar sofro da mesma forma que sempre sofri, uma coisa não invalida a outra.
- Como foi jogar contra a equipa que sempre foi a tua?
- Encarei como mais um jogo, fiz o que tinha de fazer e no fim depois do apito final voltei a ser só o Ruben adepto do Benfica e por isso confesso que fiquei danado por terem perdido.
- Mas marcaste nesse jogo qual foi a sensação?
- Única e indescritível.
- Recordo que não comemoraste o golo de forma efusiva no entanto fizeste-o com o menino que subiu contigo ao relvado, queres falar disso? - o Martim olhou imediatamente para o Ruben e mais depressa ainda sentou-se no seu colo, estavam agora os três em completa harmonia sem se preocuparem minimamente connosco.
- Esclareci na altura mas volto a fazê-lo - sorriu - é o Martim, irmão da minha namorada.
- Isso quer dizer que não foi só a tua vida profissional que mudou neste último ano?
- Não considero que a minha vida profissional tenha mudado assim tanto, posso já não envergar a camisola do clube que sou adepto mas honro de igual forma a camisola do Braga em todos os jogos e treinos. Quanto às mudanças na minha vida pessoal foram algumas para não dizer bastantes - o Ruben abraçou a Mariana.
- Queres falar um pouco sobre essas mudanças?
- A primeira e mais importante de todas foi a descoberta do amor sem barreiras, a verdade é que tive de vir para Braga para perceber que levei vinte e sete anos para encontrar a rapariga que me completa na plenitude, a Mariana é especial e a pessoa que amo, que fez-me crescer enquanto homem, que me deu e dá uma família, que independentemente da situação está presente nem que seja para dar-me nas orelhas quando não tenho razão ou para animar-me quando estou mais em baixo.
- Como se conheceram?
- Conhecemo-nos quando vim para Braga mas ao início não correu lá muito bem, só um tempo depois é que começamos a falar e com o passar dos meses nasceu uma amizade sincera, ela tornou-se em mais um pilar no qual apoiava-me sempre que por algum motivo sentia-me mais em baixo, ajudou-me sem pedir nada em troca mas acabei por apaixonar-me por ela o que culminou com o fim do meu noivado, no entanto e ao contrário do que já foi notícia nós só começamos a namorar meses depois.
- E o Martim?
- O Martim é uma criança adorável e com quem tenho aprendido muito mas a principal delas todas foi aprender a ser pai.
- Pediste desculpa a todas as pessoas a quem querias pedir?
- Quando erro não tenho qualquer problema em pedir desculpas, errar é humano e todos o fazemos agora reconhecer os nossos erros já não está ao alcance de qualquer um.
- A quem confessas os teus segredos?
- Depende… falo muito com a minha mãe e com o meu irmão mas atualmente é sem dúvida com a Mariana que partilho tudo. - ela olhou-o de forma cúmplice, estavam os dois de sorriso no rosto em completa sintonia.
- Em que estás a pensar?
- Na Mariana e no Martim.
Assim que ouvimos a resposta à pergunta também vimos o Ruben a endireitar-se imediatamente no sofá e olhar a Mariana, achei estranho mas assim que ouvi a resposta do meu filho à última pergunta do Daniel percebi o motivo de tanto nervosismo.
- O que é que os teus olhos dizem?
- Dizem que estou feliz ou melhor que falta uma única coisa para ser feliz… - o Ruben fez uma ligeira pausa no seu discurso e olhou diretamente para a camara - Mariana casa comigo?
Ficamos todos em choque perante o pedido de casamento e ainda mais quando vimos a Mariana sem reação, a rapariga estava completamente estática nem pestanejar conseguiu algo que só contribuiu para enervar o Ruben que apesar de não dizer nada foi visível que a falta de uma resposta imediata o melindrou ainda assim não desistiu e ao agarrar nas mãos da Mariana despertou-a para a realidade voltando a fazer o pedido.
- Amor - a rapariga olhou-o - provavelmente não foi a forma mais ortodoxa de pedir que unes a tua vida à minha da única forma que falta mas naquele momento quando o Daniel fez a pergunta só conseguir responder com a verdade, quero muito casar contigo, quero orgulhar-me de dizer que és minha mulher mas principalmente quero dar uma família a vocês os dois - o Ruben alternou o olhar entre a Mariana e o Martim - amor nós precisamos os três de estabilidade e quero-vos para sempre do meu lado. Aceitas casar comigo?
O Ruben voltou a fazer a pergunta mas agora com o anel de noivado na mão, ele retirou uma pequena caixa do bolso das suas calças mas nem assim a Mariana conseguiu reagir, ela estava branca que nem cal e sem mexer um único músculo, mas se a irmã estava sem reação o Martim surpreendeu-nos a todos ao levantar-se do sofá.
- Pai - o Ruben olhou-o - ela quer tá é a ser totó - sorrimos para logo depois gargalharmos no exato momento que o Martim agarrou no anel - toma mete lá o anel do dedo da mana - falou agora para o meu filho e foi nesse instante que vimos a rapariga a sorrir mas principalmente a reagir ao olhar para o irmão e depois para o Ruben que continuava na expetativa.
- Tinhas mesmo de fazer das tuas não tinhas? - perguntou a sorrir para o beijar logo depois - mas vá - sorriu - coloca lá o anel - sorrimos ao presenciar-mos a felicidade daqueles três - amo-te mas vais pagá-las bem caro - o Ruben gargalhou perante o olhar ameaçador da noiva - tinhas que fazer o pedido para Portugal inteiro ver? 
- Talvez agora percebam que o que nos une não é fachada e que vos amo - o Martim sorriu - mas principalmente que vos quero para sempre do meu lado, não faz sentido adiarmos mais o casamento quando é algo que ambos queremos - beijou-a - mas como falei não foi nada pensado… saiu foi espontâneo mas sincero.
- A tua sorte é mesmo essa - sorriram - mas agora quero ver o falatório que vai haver…
O Ruben teria respondido mas fomos novamente surpreendidos pelo Martim que voltou a sentar-se ao colo do meu filho.
- Quando é que vai ser o casamento? - sorrimos.
- Amor - o Martim olhou para o meu filho - ainda não temos data mas quando decidirmos serás o primeiro a saber - o menino abraçou-os aos dois - estás contente?
- Sim - falou alegremente - agora que vão casar a mana já pode ter o bebé né?
- Martim uma coisa de cada vez.
- Ó mana mas eu e o Ruben queremos um bebé e tu também queres que eu sei - a Mariana sorriu.
- Martim, primeiro o casamento depois o bebé.
- O casamento pode ser já amanhã? - gargalhamos com a pergunta do menino.
- Não e agora já chega com esta conversa de bebés e casamento - a Mariana aninhou-se nos braços do Ruben - que quero aproveitar o noivado - eles olhavam-se mutuamente e com uma intensidade enorme - amo-te.
Percebemos todos que eles queriam ficar a sós e foi isso que lhes concedemos, levantámo-nos e levamos connosco o Martim apesar de refilar ao início acabou por se distrair a brincar com o Nuninho durante o passeio que demos pelo centro de Braga.

Ruben

Passei a manhã toda ansioso, não por ter receio que a Mariana não aceitasse o pedido mas sim por não saber como iria reagir, já que para todos os efeitos o meu amor não fazia a mínima ideia de que iria pedi-la em casamento porque de todas as vezes que falei da entrevista nunca mencionei o pedido, ela sabia que tinham entrado em contacto comigo para fazer a entrevista e só aceitei depois de falar com o meu amor uma vez que iria falar dela e do Martim.
Vi a entrevista toda abraçado à Mariana e numa troca constantes de olhares e sorrisos mas uns segundos antes do pedido endireitei-me de modo a conseguir ficar de frente para o meu amor e por isso vi a sua falta de reação, por momentos assustou-me mas assim que o Martim resolveu interferir no nosso momento a Mariana despertou sorrindo e por fim deu-me a sua mão para colocar o anel, trocamos algumas palavras que não foram mais que ameaças “fingidas” que levou-me a rir para logo depois ficarmos a sós, o pessoal resolveu deixar-nos a sós para aproveitarmos os primeiros minutos do noivado a dois.
- Amor - olhei-a - sabes que correste um risco elevado em teres feito o pedido publicamente, não sabes?
- Risco? Mariana posso ter sido um pedido estranho mas não surgiu do nada, já tínhamos falado sobre o assunto logo sabia que querias e queres casar comigo - sorriu.
- Pois… mas também sabes que nunca gostei de ser o centro da polémica - beijou-me - por isso podia não ter reagido bem.
- Nós amamo-nos logo não irias reagir mal mas estás aborrecida pela forma como o fiz?
- Não - sorriu - se queres saber adorei - beijou-me - foi diferente e inesperado mas acabaste de dar motivos para falarem da nossa vida e é isso que não gosto.
- Amor mesmo que fizesse o pedido só a ti iria acabar por ser falado.
- Mas não seria imediatamente.
- Sinceramente estou-me nas tintas para o que podem falar, nós amamo-nos, somos uma família e é isso que para mim interessa desde que estejam os dois bem o resto é indiferente - suspirou.
- Amor já pensaste em alguma data? - sorri com a pergunta por não esperar que a Mariana quisesse já falar do assunto.
- Não mas porquê?
- Curiosidade - sorriu.
- Tens alguma preferência no dia? - aproveitei que a Mariana tocou no assunto para deixe-lo já minimamente acertado.
- A única coisa que tenho preferência é na discrição - olhou-me - amor já bastou o pedido ter sido para Portugal inteiro - sorri ao ouvi-la - quero que o nosso dia seja só para a família e amigos mais próximos - hesitou e por isso beijei-a - Ruben não quero fazer do nosso casamento o acontecimento do ano, entendes?
- Sim - voltei a beijá-la.
- Não ficas chateado?
- Achas? Amor por mim até pode ser só nós os dois e o Martim - arqueou as sobrancelhas - Mariana desde que vos tenha aos dois do meu lado o resto são pormenores.
- Não digas isso - beijou-me - a família e os amigos verdadeiros é o que temos de mais valioso na vida por isso quero que a tua família e os nossos amigos estejam presentes, pode ser uma festa simples mas quero-os do nosso lado até porque sem eles não estaríamos aqui - suspirou.
- Amor o nosso dia vai ser tal como queres - gargalhou - onde é que está a piada?
- Ruben se for como quero vai parecer tudo menos um casamento.
- Como assim?
- Então…
Ouvi atentamente a Mariana e se ao início a ideia pareceu-me louca para o fim já era no mínimo original. Pedi pormenores e quando demos por nós já estávamos a planear o nosso casamento com os mais ínfimos detalhes, foi de tal ordem que até a data escolhemos.
- Sendo assim segunda depois do treino vou ter contigo à casa do Nuno para tratarmos dos papéis - sorriu.
- Não sei se vão achar piada - gargalhamos.
- Deixa lá quando perceberem já não podem fazer nada - sorrimos - mas que vai ser lindo lá isso vai.
Deixamo-nos ficar deitados no sofá da sala a namorar e a trocar ideias sobre o nosso dia até que voltamos a ouvir barulho, o que era sinónimo que tinham regressado, juntamo-nos a eles que estavam pelo jardim e ainda tivemos que ouvir algumas piadas mas não ligamos e o resto do dia foi passado a conviver com os nossos amigos.

Mariana

Faz hoje precisamente duas semanas que estou oficialmente noiva e durantes estes últimos dias andei ocupada com a preparação da festa de aniversário do meu piolho, uma vez que o Ruben convenceu-me a fazer um género de lanche que depressa virou festa.
O Martim delirou quando soube que iria ter novamente uma festinha de aniversário e ajudou-me nos preparativos, comprei alguns materiais e com a ajuda dos meus dois amores fizemos os convites para a festa bem como as sobremesas mas para tal tarefa contei com a ajuda da Filomena e da D. Joana uma vez que a empregada do Nuno quis também participar por ter um carinho enorme pelo Martim.
Passei o dia inteiro a orientar tudo para que amanhã a festa corra na perfeição e por isso quando chegou à noite estava cansada, ultimamente a sensação de cansaço tem-se notado mais ainda assim fiz um esforço e fui despachar-me uma vez que o Martim queria ir ver o jogo do Braga ao estádio.
Estava no camarote quando a Patrícia chegou com o Nuninho e depois de falar às pessoas que se encontravam no mesmo espaço veio sentar-se do meu lado.
- Então já tens tudo preparado? - perguntou-me depois de a ter cumprimentado.
- Sim.
- Que cara é essa? - olhei-a.
- A minha não tenho outra.
- Oh deixa-te de cenas - fez uma pequena pausa - está mesmo tudo bem?
- Sim - dei um sorriso “amarelo” - estou só cansada.
- É mesmo só cansaço?
- Sim, é. A semana foi puxada mas amanhã estou como nova.
- Tudo bem não insisto mais.
Vimos o jogo e no final fomos esperar o Nuno e o Ruben que acabaram por surpreender-nos ao serem dos primeiros a saírem.
- Amor - abraçou-me para unir logo depois os nossos lábios que por minha vontade passou de um encosto a algo mais - queres ir jantar com o pessoal?
- Se fizeres muita questão vamos mas por mim ia mesmo era para casa.
- Passa-se alguma coisa?
- Estou cansada.
- Amor esta semana tens andado sempre cansada - olhou-me - tens a certeza que está tudo bem contigo?
- Tenho - abracei-o - ou já te esqueceste que no meio dos preparativos para o aniversário do Martim encaixei uma ida ao médico com direito a exames e tudo - sussurrei por não querer que ouvissem.
- Pois… mas esses exames não são propriamente de rotina - sorriu.
- Engraçadinho! Mas entre os exames está análises ao sangue e outros que se tivesse com algum problema teria sido detetado mas vamos acabar com a conversa antes que comecem a querer saber de mais.
O Ruben concordou comigo e depois de avisar os colegas que não iriamos jantar com eles seguimos para casa, jantamos os três e no final somos até à sala onde passamos algum tempo na brincadeira com o Martim mas que terminou assim que chegou a hora de ir dormir. O Ruben foi adormece-lo e quando chegou ao quarto já estava deitada.
- O menino está em pulgas para que chegue amanhã à tarde - sorri ao ouvi-lo.
- É normal.
- Amor - desviei o olhar do livro para o encarar - tens a certeza que estás mesmo só cansada?
- Onde é que queres chegar com essa pergunta? - fechei o livro e coloquei-o na mesa de cabeceira virando-me logo depois para o lado do Ruben abraçando-o.
- Sei lá - fez-me umas carícias no rosto - tens andado estranha.
- Estranha? - sorri - Amor a sério estou só cansada - beijei-o.
- Mariana o que é que não estás a contar? Conheço-te por isso sei que não é só cansaço - olhou-me - há qualquer coisa que não estás a dizer.
- Amor - sentei-me na cama de modo que ficasse de frente para ele - estou só cansada mas sim tens razão há uma cena que ainda não te disse - sorri ao vê-lo atento ao que falava - já tomei uma decisão mas para isso tens que fazer aqueles exames que te falei - o sorriso do Ruben deixou-me completamente babada.
- Tens a certeza?
- Tenho - beijei-o calmamente e acabei por ficar deitada sobre o Ruben - amor depois de sabermos os resultados dos exames vou deixar de tomar a pílula.
- Sendo assim marcas os exames? - sorriu.
- Pois… é que os exames já estão marcados - gargalhei ao ver a cara dele - segunda depois do treino da manhã tens de ir fazê-los.
- Bem para quem não queria ser mãe agora estás com a pressa toda - voltou a beijar-me acabando mesmo por se virar deixando-me por baixo do seu corpo - mas enquanto não faço os exames - as mãos do Ruben já passeavam por baixo da camisola do meu pijama - podemos - beijou-me - ir aos treinos - sorri para logo depois darmos inicio a mais um momento dos nossos, amamo-nos ao nosso ritmo para depois adormecer nos seus braços.

***

Acordei com os lábios do Ruben nos meus e com as suas mãos na minha cintura.
- Bom dia amor - sussurrou-me ao ouvido aproveitando para também aí depositar alguns beijinhos - o que achas de irmos acordar o nosso piolho - sorri ao ouvi-lo e obriguei-me a mim mesmo a abrir os olhos para o ver - vamos?
- Deixa o menino dormir - puxei-o para mim beijando-o novamente.
- Hum… é impressão minha ou estás a querer os mimos só para ti? - murmurou quando as minhas mãos já o acariciavam por cima do tecido dos seus boxers.
Não lhe respondi até porque era já bem visível o que queria, algo que o Ruben concedeu-me sem grande sacrifício, voltamos a ver um do outro e só quando já estávamos minimamente recompostos é que fomos até à casa de banho, partilhamos o momento do duche e depois de vestidos fomos então até ao quarto do nosso piolho, o Martim ainda dormia serenamente mas isso não impediu o Ruben de o despertar, enchendo-o de beijinhos.
- Parabéns filho - sorri ao ouvi-lo principalmente depois de ver os olhinhos do Martim a brilharem por o Ruben o ter chamado mais uma vez de filho.
Os minutos seguintes foram partilhados a três, mimamos bastante o Martim para deliro do miúdo que só saiu da cama quando foi para comermos.
A manhã foi animada com a chegada da família do Ruben e da Letícia, o Martim entreteve-se com o Rafael o que permitiu aos adultos ficarmos à conversa.
As horas passaram e o momento de ver a casa a ser “invadida” pelos amigos do Martim chegou, recebi os miúdos e depois entretive-me com eles, estive sempre atenta e quando por algum motivo tinha que ausentar-me do jardim ficava outro adulto de vigia.
A tarde passou e no fim do Martim se despedir dos amigos o sossego regressou àquela casa, o momento do jantar foi partilhado só com a família e amigos mais próximos e talvez por isso o assunto do casamento veio à baila.
- Letícia quando chegar o dia nós informamos - respondi à minha amiga enquanto o Ruben tentava não rir.
- Ó mas já pensaram na data? - desta foi o Mauro - Ó puto diz lá qual vai ser mesmo o dia - o Ruben olhou-me e sorriu.
- A Mariana já vos disse que quando chegar o momento serão informados.
- Isso quer dizer que já têm data? - voltei a sorrir.
- Nuno não só já existe data como está marcado - respondi serenamente e a olhar para o Ruben - mas o dia esse está nos segredos dos deuses.
- Mas afinal qual é mesmo o motivo de tanto mistério?
- Isso agora… - gargalhamos os dois - deixem lá a curiosidade de lado porque não vamos dizer qual é o dia, quando chegar o momento recebem os convites.
Eles ainda insistiram durante algum tempo mas acabaram por desistir ao perceberem que não iriamos dizer nada. O resto da noite foi sossegada, ficamos por casa e depois do miúdo ir dormir também nós nos fomos deitar.

Para quando será o casamento? Terá para breve?

sábado, 15 de setembro de 2012

058 - "Não tenho mais sono e quero fazer uma surpresa ao Ruben"

Mariana

Depois do jantar a Madalena ficou a ajudar-me a arrumar a cozinha enquanto os rapazes foram até à sala, aproveitamos para meter a conversa em dia e quando terminamos juntamo-nos a eles.

- Posso saber o que os meninos tanto conversavam que se calaram assim que entramos? - questionei o Ruben ao perceber o silêncio que se fez assim que aparecemos.

- Nada de especial.

- Ruben Filipe - o Mauro gargalhou - estás a mentir-me e tu estás a rir porquê? - perguntei ao irmão dele.

- Porque só quem chama aí o puto por Ruben Filipe é a nossa mãe e normalmente é quando lhe quer dar nas orelhas.

- Deve ser defeitos das mães - o Ruben atirou talvez a pensar que conseguia desviar o assunto.

- Vê lá se te cai o dente e nem penses que escapas - olhou-me.

- Amor, estávamos a falar de uma cena mas já tínhamos terminado quando entraram.

- Porque será que essa cena já cheira a esturro?

- Lá estás tu a implicar.

- Só implico porque não estás a dizer tudo, já te conheço.

- Mano amanhã queres ir assistir ao treino? - fiquei a olhar para o Ruben, ele simplesmente ignorou-me.

- Se der pode ser.

- Dá, vais assistir ao treino da tarde.

- Ok - continuava a olhá-lo mas o Ruben fingiu que não via.

Aquilo já estava a irritar-me e por isso avisei que iria deitar o menino, o Martim ainda reclamou porque queria que fosse o Ruben mas não lhe dei hipóteses e levei-o comigo.

O Martim após reclamar durante algum tempo lá se calou e por isso adormeceu, regressei à sala onde os encontrei em plena cavaqueira sentei-me ao lado da Madalena que tinha o meu afilhado ao colo e como o menino não queria adormecer acabei por pegar nele, estive uns minutos a dar-lhe mimo para depois conseguir adormece-lo.

- Deves ter mel - a Madalena meteu-se comigo - quer dizer comigo não acalmava por nada foi para o teu colo e adormeceu.

- Isto já são muitos anos a “virar frangos” - a Madalena sorriu com a expressão que usei - olha vou deitá-lo.

- Vou contigo - saímos da sala e quando já estávamos no quarto a Madalena voltou a falar - ficaste chateada com o Ruben, não ficaste?

- Não gostei de ser ignorada mas cá se fazem cá se pagam.

- Ui, o que é que vais fazer?

- Nada, simplesmente quando ele vier cá com o “ó mor chega para cá” eu dou-lhe o chega para cá - sorriu.

- Lá vai o meu cunhado sofrer.

- Sofrer? Não, só vai mesmo provar o sabor de ser ignorado.

- Não sejas má, Mariana sabes bem que se não te disse é porque deve ser alguma surpresa para ti.

- A sorte dele é mesmo essa - sorriu - ainda assim vai pagá-las que é para aprender.

- Vocês os dois deve ser cá uma animação.

- Então não e quando o Martim resolve meter-se ainda mais animado é.

- Por falar em Martim, ele e o Ruben estão cada vez mais unidos.

- Sim, o Ruben faz qualquer coisa pelo meu irmão e o menino como nunca teve uma figura masculina anda super contente.

- Oh mas é fofinho vê-los juntos, ainda quando foi o aniversário do Ruben - sorriu - confesso que houve momentos que emocionei-me ao vê-los juntos e a Anabela quando esteve a passar aquela semana convosco chegou a Lisboa encantada com o neto mais velho, como ela mesmo falou, a verdade é que o Martim conquistou-nos a todos com aquele seu jeito de menino traquinas mas sempre amoroso.

- Por vezes tenho medo - olhou-me - de acordar um dia e perceber que vivi um sonho - confessei.

- Mas ainda tens dúvidas que o Ruben ama-vos?

- Não tenho dúvidas do amor dele mas a verdade é que cresci a aprender que tudo tem um fim.

- Mariana, sou muito sincera quando chegou-me aos ouvidos que existia uma rapariga em Braga que estava a dar a volta à cabeça do Ruben disse ao Mauro que seria passageiro, que o Ruben andava só à procura de colinho, uma vez que se viu numa cidade sem a família, mas nessa altura o Mauro avisou-me que temia que o irmão saísse verdadeiramente magoado, porque nunca o tinha visto tão vidrado em alguém mas principalmente com tanto medo em assumir o que sentia e depois havia a questão do Martim que podia ser um entrave mas quando vos vi lá em casa, no dia que o Ruben foi conhecer o Rafael tive a certeza que o meu cunhado estava consciente, que sabia bem onde é que se estava a enfiar e se o Ruben te escolheu, se assumiu da forma que assumiu o vosso relacionamento, se não tem qualquer problema em chamar o Martim de filho, acredita que não te vês livre dele, até te digo mais, o Ruben ama-te tanto que deixou cair por terras as suas convicções, Mariana provavelmente há um lado no meu cunhado que não imaginas sequer que possa ter existido mas a verdade é que existiu e na altura deu confusão da grande, o Ruben não achou muita piada à novidade de ser tio sem o irmão estar casado, aliás quando fomos viver juntos ele já tinha demonstrado o seu desagrado e quando soube que não fazíamos intenções de casar piorou, o Ruben sempre foi o menino certinho da família e desde que te conheceu alguma coisa mudou, acho que percebeu finalmente que quando duas pessoas se amam verdadeiramente que o resto do mundo não interessa.

- Não fazia a mínima ideia disso, aliás foi o Ruben é que colocou a hipótese de vivermos juntos.

- Lá está, há qualquer coisa no vosso amor que o fez mudar por isso acredita que o Ruben não se vai enjoar, aliás se fosse a ti preparava-me porque ou muito me engano ou em breve serás pedida em casamento, o Ruben pode ter cedido e ter-te convidado para viveres com ele mas ponho as minhas mãos no fogo como não desistiu da ideia de casar.

- Sei disso - sorriu - o casamento já foi tema de conversa mas não está nos nossos planos casarmos para breve.

- Pois mas isso não invalida que ele faça o pedido.

- Achas que era disso que eles estavam a falar?

- Não sei mas também não adianta perguntar ao Mauro porque aquele quando toca ao mano fecha-se em copas e não abre a boca.

- Seja o que for vou ficar a saber na mesma o Ruben nunca consegue guardar nada em segredo durante muito tempo - sorriu.

Continuamos na conversa, agora no meu quarto para não acordarmos o Rafael, acabamos por perder a noção do tempo e só quando vimos os rapazes a entrarem no quarto é que reparamos nas horas, despedi-me deles e fomos todos dormir.

O Ruben ainda tentou uma aproximação daquelas para “colher frutos” mas deu com o “burro nas couves” e não levou nada, apesar de não estar chateada não lhe facilitei a vida, ainda assim não ficou muito incomodado e acabamos por adormecer abraçados.

Acordei com alguém a bater-me no braço, abri os olhos e vi o meu irmão que fez-me sinal para não fazer barulho.

- O que queres? - perguntei baixinho.

- Mana preciso de ajuda vem comigo - ele puxava-me pela mão, acabei por levantar-me e sair com ele do quarto.

- Mas afinal o que queres? Não devias ainda estar a dormir?

- Não tenho mais sono e quero fazer uma surpresa ao Ruben - olhei-o ainda meio ensonada.

- Surpresa?

- Sim hoje é o dia dos pais - sorri ao ouvi-lo.

- E o que queres fazer?

- Quero que ajudes eu a preparar o comer do Ruben com tudo aquilo que ele gosta- gargalhei - shiu ele não pode acordar.

- Desculpa - continuei a sorrir.

- Ajudas?

- Amor, a mana pode ajudar-te a preparar o pequeno-almoço mas agora com tudo o que o Ruben gosta é difícil que aquele rapaz gosta de tudo.

- Mas tem umas coisas que gosta mais que outras.

- Ok, vamos então até à cozinha.

Fiz a vontade ao meu irmão e passei os minutos seguintes a preparar o pequeno-almoço para todos, estava entretida que nem dei pela presença da Madalena.

- Ena que banquete mas caíste da cama, foi? - sorri ao olhá-la.

- Diz antes que tive uma peste que obrigou-me a sair da cama - olhei para o Martim que estava entretido a colocar os guardanapos na mesa - e aí o Rafael não deixou os pais dormirem a manhã na cama, foi? - falei ao ver o Mauro a entrar.

- Epá acho que vou começar a visitar-vos mais vezes - meteu-se comigo assim que viu a mesa já composta - isto tudo é para as visitas?

- Não, isto tudo é para o meu pai - o Martim respondeu todo senhor de si.

- Pronto já não digo nada - o Mauro meteu-se com o meu irmão - tratas mesmo bem o meu mano - falou agora para mim.

- A culpa é aí da peste que foi-me acordar para preparar o pequeno-almoço que segundo ele tinha de ter tudo o que o Ruben mais gosta - eles sorriram, ainda trocamos mais algumas palavras mas o Martim interrompeu.

- Ó mana, ele nunca mais acorda - sorrimos mas não tive tempo para responder.

- Quem é que nunca mais acorda? - o Ruben perguntou ao entrar.

- Pai - mandei um pulo por não esperar o berro do meu irmão - hoje é o teu dia - falou animado - feliz dia do Pai - o Ruben sorriu - gostas? - apontou para a mesa - fui eu que pedi à mana para fazer para ti - estava perdida a olhar para eles, tal como o Mauro e a Madalena.

- Anda cá - o Ruben pegou-lhe ao colo - gosto muito mas sabes que gosto ainda mais de ti - o meu amor encheu o Martim de beijinhos - és o melhor filho que podia ter - estas simples palavras deixaram o meu irmão felicíssimo e isso foi visível no seu rosto.

- Eu também gosto muito de ti mas agora vamos comer que tenho fome - gargalhamos todos.

Os minutos seguintes além de comermos serviram também para combinarmos o “programa das festas”, ficou acordado que iria buscar o Nuninho para ir passear com o Mauro, a Madalena e o Rafael por Braga, uma vez que o Ruben tinha treino e o Martim aulas, o almoço seria na companhia do meu amor e do Nuno se assim quisesse, para de tarde irmos assistir ao treino dos rapazes uma vez que seria permitido às famílias assistirem por ser o dia do Pai.

***

- Ruben, deixas o Martim na escola? - perguntei ao regressar à sala com o meu irmão já despachado.

- Vamos? - perguntou-lhe enquanto pegava na mochila do menino.

- Sim.

- Até logo - deu-me um beijo e saiu, o Martim depois de se despedir de mim seguiu-o.

- Vocês vêm já comigo ou esperam por mim aqui?

- Podemos ir, com sorte ainda nos cruzamos com a Patrícia e o Nuno.

- Com o Nuno talvez agora a Patrícia a esta hora já deve ter saído - respondi após olhar para o relógio.

Saímos os quatro com destino à casa dos nossos amigos, entramos e encontramos o Nuno com o filho ao colo.

- Bom dia - cumprimentei-o - desculpa mas hoje tenho três penetras comigo - falei na brincadeira levando-os a sorrirem.

- Olhem só quem são eles - o Nuno cumprimentou-os - resolveram vir até Braga, foi?

- É, senti necessidade de verificar se estão a cuidar bem do meu mano - meteu-se comigo.

- Então e esse coraçãozinho já está mais sossegado?

- Já sim - sorrimos.

- Bem a conversa está boa mas tenho treino no entanto podíamos combinar qualquer coisa para logo, o que dizem?

- Nuno, nós estávamos a pensar almoçarmos todos juntos, isso inclui-te a ti também.

- Alinho mas faz-me o favor e avisa a Patrícia porque ficou combinado de almoçar com ela.

- Ok, ligo-lhe e digo para aparecer no restaurante do costume.

Acabei por despedir-me do Nuno e de seguida fui vestir o Nuninho para irmos dar o tal passeio, ainda avisei a D. Joana para não se preocupar com o almoço porque não comíamos em casa e saímos finalmente.

A manhã foi passada pelo centro de Braga e com o aproximar da hora de almoço fomos até ao restaurante, quando lá chegamos já nos esperava a Patrícia, estivemos uns minutos na conversa até que os rapazes chegaram, almoçamos sempre com muita animação à mistura e no fim fomos dar um passeio todos juntos, mas a Patrícia teve que regressar para o trabalho e como os meninos tinham que dormir a sesta fomos para a casa do Nuno, onde estivemos até ser horas de ir buscar o Martim para seguirmos para o treino.

- Mana, vamos ao treino do Ruben? - perguntou assim que teve oportunidade.

- Sim, mas é para te comportares com juízo e ficares sossegado.

- Tá bem - sorriu.

Conduzi até ao estádio sempre seguida pelo Mauro e quando lá chegamos o meu piolho saiu imediatamente do carro.

- Anda mana - estava mesmo com pressa.

- Tem calma Martim que o treino ainda não deve ter começado.

- Mas eu quero ver o treino todo - o Mauro sorriu.

- É sempre assim? - olhei para a Madalena.

- Sim - sorriu - para o Martim tudo o que mete Ruben é sagrado e se lhe digo que vem ver um treino é para ser do início ao fim.

Caminhamos até às bancadas onde nos sentamos, escolhemos uns lugares mais afastados para que não fossemos incomodados uma vez que o Rafael estava connosco. Vimos o treino todo, o Martim esteve sempre muito atento e só quando terminou é que abriu a boca para perguntar se já tinha acabado, assim que lhe respondi afirmativamente o menino correu até ao Ruben.

Ruben

Acordei sem a Mariana do meu lado por isso despachei-me e fui procura-la, encontrei-os a todos na cozinha, onde o Martim fez questão de começar logo a festejar o dia do pai, confesso que senti-me nas nuvens com aquele mimo todo por parte do meu pequeno.

Partilhei alguns minutos da minha manhã com eles mas tive que sair para o treino, no entanto deixei o menino na escola. A manhã passou e a hora de almoço chegou, este foi partilhado com a minha família e amigos para no fim regressar com o Nuno novamente para o estádio onde iriamos ter mais um treino que seria aberto ao público, algo que a Mariana aproveitou para levar o Martim.

Estive sempre concentrado no treino mas assim que este terminou ouvi uma voz que reconheci de imediato como sendo a do meu piolho.

- Pai - só tive tempo de virar-me e abrir os braços porque o menino saltou para o meu colo.

- Que foi filho - respondi-lhe de igual forma o que provocou um sorriso lindo naquele rosto perfeito e alguma admiração por parte de alguns colegas meus.

- Toma é para ti - deu-me um embrulho e assim que o agarrei o Martim rodeou o meu pescoço com os seus braços - é a minha prenda do dia do pai - esclareceu.

- Obrigado - dei-lhe um beijinho.

- Deixa-me ir para o chão para abrires a prenda - gargalhei mas fiz-lhe a vontade, coloquei-o no chão e rasguei finalmente o papel de embrulho.

- Olha que bem um tripeiro a dar uma moldura destas - sorri ao ver que a moldura tinha sido pintada por ele com desenhos alusivos ao Benfica - Obrigado - agradeci novamente.

- Pai - chamou-me quando estava perdido a olhar para a foto que ele tinha escolhido para a moldura, foi uma que tiramos no dia do meu aniversário.

- Diz.

- Gosto mesmo muito mas mesmo muito de ti mas vai tomar banho que a mana não gosta de ficar à espera - gargalhei ao ouvi-lo.

- É talvez seja mesmo melhor - sorriu - queres vir comigo?

- Posso?

- Podes, anda - estiquei-lhe a mão e caminhamos para o balneário - agora tens que ficar aí sossegado.

- Tá bem mas despacha-te - sorri e fui finalmente para o banho.

Despachei-me o mais rápido possível e depois fomos procurar a Mariana, o meu amor estava à conversa com as mulheres de alguns colegas meus ainda assim não foi impedimento para aproximar-me e abraça-la. Troquei meia dúzia de palavras com as raparigas mas acabamos por ir embora.

***

Os dias foram passando e a sexta-feira chegou, dia de jogo e por isso não consegui levar o Martim à escola. Passei o dia todo com os meus colegas e só no momento de entrar para o relvado é que vi o meu piolho, hoje iriamos entrar novamente com os nossos filhos, lógico que o Martim entrou de mão dada comigo, o menino comportou-se lindamente mas no momento em que devia se afastar de mim, fez precisamente o contrário, uma vez que abraçou-me e desejou sorte, foi o suficiente para ter ficado uns segundos a sorrir para o menino e só despertei quando o Nuno chamou-me.

O jogo correu-me particularmente bem, conseguimos ganhar e no fim despachei-me o mais rápido possível para regressar para junto dos meus amores e da minha família. Hoje ao contrário do que é hábito não fui ter com os adeptos, uma vez que queríamos ir todos jantar, este foi animado e no fim regressamos a casa.

Fui deitar o Martim e depois fui ter com a Mariana ao quarto, deitamo-nos e adormeci com a certeza que amanhã irei surpreender o país inteiro mas principalmente o meu amor.

Mariana

Acordei sem o Ruben do meu lado e ao olhar para o relógio percebi o porquê, afinal já passava da hora de levantar-me, troquei de roupa e fui procura-los, encontrei-os na sala, o Ruben estava com o Rafael ao colo e o Martim sentado do seu lado a brincar com o menino, eles estavam tão entretidos que não deram pela minha presença o que permitiu que ficasse a observá-los, estava maravilhada a olhá-los que só despertei quando a Madalena tocou-me no ombro.

- Estás bem?

- Sim - sorriu.

- O Ruben fica mesmo bem com o afilhado ao colo - olhei para o Mauro que se tinha aproximado de nós sem ter dado conta - já para não falar do teu irmão que está maravilhado com o Rafael.

- Podes parar por aí… - o Mauro sorriu - vais ter o teu sobrinho no seu devido tempo e acabou a conversa.

Não lhe dei tempo para contra-atacar e juntei-me finalmente aos meus dois amores, o Ruben assim que sentei-me do seu lado uniu de imediato os nossos lábios e não me privei nem um pouco de saciar a necessidade que tinha de prolongar ao máximo aquele beijo que terminou quando precisamos de ar.

Ficamos na brincadeira com o nosso afilhado sempre com o Martim atento e a impor a sua presença, ele tanto que pediu que acabamos por ceder e deixá-lo pegar no Rafael, lógico que estive sempre atenta e só deixei durante uns minutos depois acabei por pegar no meu afilhado e ir até à cozinha dar-lhe de comer.

- Amor posso saber o motivo para a Filomena estar tão atarefada? - perguntei ao regressar à sala uma vez que a nossa empregada se recusou a dizer o motivo do banquete que estava a preparar.

- Vamos ter visitas - informou-me completamente descontraído.

- Posso saber quem são?

- Podes - sorriu - então é o Nuno, a Patrícia, o Nuninho, a minha mãe, a Letícia e o Rui.

- Desculpa? O que é que esta gente vem toda fazer?

- Amor já te esqueceste que hoje é sábado…

- Ah, tinha que ser… és mesmo menino - sorriu - a tua mãe até entendo agora a Letícia e o Rui veem cá fazer mesmo o quê?

- Então… veem ver-nos.

Não fiquei muito convencida aliás fiquei mesmo desconfiada que o Ruben está para aprontar alguma mas resolvi esquecer isso até porque os convidados chegaram e os minutos seguintes foram para os receber.

Almoçamos sempre com muita animação mas com o passar dos minutos percebi que o Ruben estava a ficar ansioso, ainda tentei saber o motivo mas o meu amor não falou.

Os minutos passaram e o momento de nos sentarmos em frente à televisão chegou, acomodamo-nos e esperamos que começasse.

Qual será a razão do Ruben estar nervoso? E o que irá passar na TV para que queiram ver?

Olá :)

Sei que tenho publicado com menos frequência mas estou novamente a atravessar uma fase complicada em termos de tempo, o trabalho retira-me tempo e disposição para escrever mas hoje decidi tirar a tarde de sábado e talvez noite para escrever… o máximo que conseguir para ter capítulos de reserva…

Mas queria deixar aqui um desafio… comentem e digam o que acham que se vai passar, estou curiosa para saber o que pensam sobre as duas perguntas que deixei no final do capítulo…

Fico a aguardar os vossos comentários :P

Beijocas

terça-feira, 11 de setembro de 2012

057 - “Vais pedir a Mariana em casamento, é isso?”


Mariana

Acordei sem o Ruben do meu lado, hoje estava de folga e por isso foi o meu amor que levou o Martim à escola. Levantei-me e após estar despachada saí de casa, conduzi até ao hospital afinal tinha uma consulta e que não queria mesmo faltar, quando esta terminou regressei a casa, hoje estava numa de passar o dia deitada e sem fazer nenhum, talvez por sentir todo o meu corpo dormente.
Almocei unicamente uma sopa de espinafres que pedi à Filomena para fazer pois era o que me apetecia e regressei ao quarto, entretive-me a ler um livro que o Ruben me tinha oferecido e nem dei pelas horas passarem, só mesmo quando ouvi a voz do meu irmão é que percebi que já estavam em casa, ainda assim deixei-me ficar na cama.
- Oi amor - beijou-me - a Filomena disse-me que passaste o tempo praticamente todo aqui no quarto - sorri-lhe.
- Amor não se passa nada - beijei-o novamente - estou só com uma crise de preguiça aguda, não queres fazer-me companhia? - aliciei-o levando-o a sorrir.
- Mariana, preciso contar-te uma cena - olhei-o - mas não stresses com o Martim porque o menino já percebeu que agiu mal.
- O que é que ele aprontou?
- Resumindo hoje quando cheguei à escola para o ir buscar o segurança informou-me que a diretora queria falar comigo achei estranho mas fui ver o que se passava, quando lá cheguei encontrei o Martim de trombas e percebi imediatamente que tinha aprontado alguma, foi quando a diretora falou que ele tinha empurrado um tal de Gonçalo em plena sala de aulas mas que se recusava a dizer o motivo, acabei por perguntar ao Martim a razão que o levou a empurrar um colega e o menino disse que não tinha gostado do que ouviu, que o outro tinha sido mau para ele quando falou que não podia fazer a prenda do dia dos pais por não ter pai, o piolho disse que tinha, que sou eu e o outro falou que só digo que gosto dele para o Martim não ficar triste, o menino ficou chateado e empurrou o outro.
- Mas o que lhe deu nunca foi violento - tentou sair da cama - tenho que ir falar com o Martim.
- Espera - olhou-me - amor o menino já compreendeu que errou e está cheio de medo que fiques chateada.
- Acho bem que esteja com medo porque o que fez não se faz.
- Amor, não seja dura com o Martim, até porque já falei com ele e já lhe expliquei que não pode voltar a acontecer.
- E a diretora o que disse?
- Não teve hipótese de dizer grande coisa - olhou-me intrigada.
- Porquê?
- Olha porque assim que fiquei a sós com ela disse-lhe que para a próxima em vez de meter só o nosso de castigo que meta os dois, porque ambos erraram. Acreditas que quando lá cheguei só o Martim é que estava de castigo e que o outro estava a brincar como se nada fosse?
- Amor é normal, foi o Martim que o empurrou.
- Mas foi o outro que disse que o menino não tem pai e ainda teve o descaramento de falar que só digo ao Martim que o amo porque tenho pena dele, se queres mesmo saber no fundo até consigo compreender o Martim, lógico que não pude dizer-lhe isso e tive que o repreender mas não gostei de saber que o meu filho está numa sala de aulas em que a professora não se apercebe do que se passa entre os seus alunos, foi isso que falei com a diretora, que para a próxima em vez de castigar só o nosso que castigue os dois, que ambos erraram.
- Falaste mesmo isso?
- Falei, não estou a pedir para fecharem os olhos ao que o Martim faz mas sim que sejam justos com o miúdo, ele não tem culpa de não conhecer o pai biológico e não precisa que lhe andem constantemente a atirar isso à cara, o Martim não tem um pai biológico mas tem um que o ama como se fosse por isso não tolero que metam o meu de castigo e o outro só porque sempre viveu com o pai passa sem ser castigado.
Fiquei completamente estarrecida a olhá-lo, pela primeira vez vi o Ruben irritado e logo porque tinham sido injustos com o Martim, confesso que tê-lo diante de mim a defender o meu piolho deu-me uma tranquilidade estranha mas ao mesmo tempo muito boa.
- Obrigada - sentei-me na cama e abracei-o - por nos amares - o Ruben olhou-me - por nos defenderes e por seres o pai que o Martim nunca teve - beijei-o calmamente - mas agora podias ir ali fechar a porta - sorriu - e regressares para aqui - bati com a mão no lado da cama que lhe pertence - que estou carente e a precisar de mimos - o Ruben gargalhou mas fez o que pedi, levantou-se e fechou a porta - amor - olhou-me - roda a chave.
O meu amor gargalhou mas fez o que pedi para no instante seguinte estar já deitado ao meu lado e a encher-me de mimos, lógico que as carícias inocentes depressa passaram a algo provocatório e ainda mais depressa amamo-nos.
Ficamos no quarto durante as duas horas seguintes, aproveitamos que a Filomena estava em casa para termos um tempinho só para nós, namoramos e conversamos sobre tudo e sobre nada. Acabamos por ter que nos vestir e sair do nosso ninho de amor porque o Martim tinha os trabalhos para fazer e a nossa empregada iria sair dentro de minutos.
O Ruben ofereceu-se para ajudar o Martim o que permitiu-me ficar deitada no sofá da sala, hoje estava mesmo molengona. Um tempo depois já tinha os meus dois amores de volta de mim, acabei por puxar o assunto do empurrão e o meu irmão prometeu que não voltaria a fazer algo do género, aliás afirmou mesmo que o pai já tinha falado com ele sobre o assunto, foi impossível não sorrir ao ver aqueles dois cada vez mais unidos.
Jantamos e ainda ficamos os três um bocado a ver televisão mas estava mesmo com vontade de ir-me deitar e assim que informei o Ruben da minha intenção, o meu amor convenceu o Martim a ir dormir, eles foram até ao quarto do piolho enquanto fui até ao meu, deitei-me e fechei os olhos.
Estava naquela fase do “dorme não dorme” quando o Ruben se deitou do meu lado e talvez por julgar que já dormia abraçou-me colocando a sua mão na minha barriga, mas não satisfeito fez algumas carícias com os seus dedos, aquilo levou-me a sorrir denunciando assim que só estava meio adormecida.
- Pensava que já dormias - sussurrou ao meu ouvido.
- Amor - coloquei a minha mão direita por cima da sua que continuava na minha barriga e olhei por cima do ombro de forma a consegui vê-lo uma vez que estávamos ambos deitados de lado mas abraçados - hoje fui a uma consulta - não consegui continuar pois ele sentou-se imediatamente na cama e disparou.
- Eu sabia, está com algum problema e não querias dizer em frente do menino - gargalhei.
- Hey amor tem calma - beijei-o - não estou com problema nenhum, foi só uma consulta de rotina simplesmente comentei contigo por comentar - deitou-se novamente agarrado a mim.
- Assustaste-me com essa conversa - admitiu.
- Tolinho - beijei-o.
- Mas que consulta de rotina foi essa?
- É daquelas que as mulheres devem fazer de vez em quando principalmente quando estão a pensar em engravidar - sorri ao ver o ar aparvalhado dele.
- Amor, tens a certeza que é isso que queres?
- Não - olhou-me confuso - por isso é que vou continuar a tomar a pílula mas ainda assim vou fazer alguns exames e análises que a médica aconselhou - beijou-me - ah e prepara-te porque se decidirmos “engravidar” - gargalhou com o termo que usei - também vais ter que fazer análises.
- Porquê?
- Porque não é só a saúde da mãe que interessa e que tem de ser vigiada, a do pai também deve ser e não te custa muito fazeres uns míseros exames, não é?
- Amor, sou desportista faço exames no inicio de cada época e análises com alguma frequência queres que faça mais o quê?
- Os exames que a médica prescrever e isto é se queres ser pai.
- Tudo bem, decide lá quando é que os tenho de fazer e depois avisa - sorriu - agora anda cá que enquanto não faço os exames posso divertir-me na mesma.

***

Os dias passaram, no fim-de-semana o SCBraga jogou fora e por isso vi a partida em casa com o meu irmão sempre atento à televisão enquanto eu entretive-me a terminar de ler o livro que andava a ler.
Deitei o meu irmão, ainda o Ruben não tinha chegado o que dificultou a tarefa porque o piolho meteu na cabeça que tinha de ficar acordado para reconfortar o pai pela derrota, mas acabou por ser vencido pelo cansaço e assim que adormeceu fui até à sala, queria esperar o meu amor e uma hora depois ouvi a porta a abrir.
- Oi amor - beijei-o - queres comer alguma coisa?
- Não, quero ir dormir - nem deu-me tempo para dizer nada e foi direto ao quarto, acabei por ir até à cozinha e preparar-lhe algo leve para comer, muito provavelmente depois do jogo ainda não tinha colocado nada naquele estomago.
- Tens aqui um sumo e uma sandes - olhou-me quando estava a vestir o pijama.
- És teimosa - olhei-o - falei que não queria comer mesmo assim trouxeste comida.
- Fiz o que a minha coincidência mandou se não quiseres comer não comas, tu é que sabes - ripostei ao passar por ele, fui à casa de banho fazer a minha higiene antes de deitar-me e quando regressei o Ruben agarrou-me pela cintura antes que conseguisse chegar à cama.
- Desculpa, estou irritado e descontei em ti - os seus olhos demonstravam o quanto arrependido estava.
- Preferia que não o tivesses feito mas também não vou ficar aborrecida contigo por uma coisa insignificante.
- Insignificante? Ter perdido um jogo é algo insignificante? Mariana, sabes que perder pontos numa altura destas é como uma sentença para não sermos campeões - o Ruben olhava-me como que a desafiar-me.
- O insignificante foi para a tua atitude ao chegares não foi pelo resultado do jogo, mas se não consegues compreender isso larga-me que quero dormir, aliás nem devia ter ficado acordada à tua espera porque já percebi que foi perca de tempo.
- Não percebes mesmo o quanto o futebol é importante para mim, pois não?
- O que não entendo é o porquê que o futebol sendo a tua profissão é mais importante que a minha que é só ser empregada de alguém.
- Não falei isso.
- Pois não mas naqueles dias que chego a casa e falo que estou cansada ou aborrecida porque algo não correu como esperava simplesmente ignoras e continuas a fazer o que bem te apetece mas hoje porque as coisas não te correram como querias descontas em cima de mim quando fiz o esforço de esperar por ti, porque feita parva pensei que precisasses de falar, de uma palavra amiga ou mesmo simplesmente alguém que te fizesse alguma coisa para comer - o Ruben estava com o olhar baixo - não deixa de ser engraçado ser obrigada a compreender o que sentes quando algo corre mal quando tu nem um esforço fazes para entender o meu lado.
- Desculpa, estou irritado e falei sem pensar.
- Ruben, nunca te esqueças que se falas sem pensar há sempre alguém que ouve o inesperado.
- Vais ficar chateada? - perguntou assim que se deitou ao meu lado.
- Não mas tenho sono e quero dormir.
- Amor - chegou-se para o meu canto - não mereço nem um beijo - os seus dedos desviaram o meu cabelo que cobria a cara - desculpa - olhei por cima do ombro e não resisti acabei por virar-me para o seu lado e unir os nossos lábios, a intenção era ser algo rápido, quase só um encosto mas o Ruben não permitiu isso ao prolongar o beijo, tendo as nossas línguas se encontrado - amo-te - voltou a unir os nossos lábios e após uma troca de mimos inocentes acabamos por adormecer.
Acordei cheia de energia mas fiquei na cama, uma vez que aos domingos não trabalho, estava a observar o Ruben enquanto dormia quando o meu amor se mexeu abrindo os olhos, sorriu para no instante seguinte puxar-me para si, beijinho aqui beijinho ali e já estávamos a entrar por um caminho perigoso quando o Martim bateu na porta, ainda tentamos ignorar mas o menino insistiu e ouvi o Ruben a dar permissão para que entrasse.
- Bom dia - saltou para cima da cama ou melhor para cima do Ruben e deu-lhe alguns beijinhos - eu ontem quis esperar por ti mas a mana não deixou - o Ruben sorriu.
- A mana tinha razão e o melhor foi mesmo não teres esperado - olhou-me - ontem vinha mal-humorado mas já passou.
- Isso quer dizer que hoje podemos ir passear?
- Queres? - o Ruben perguntou-me.
- Por mim ficava por casa durante a manhã e de tarde íamos ao cinema, o que acham?
Eles concordaram e depois de uns minutos de brincadeira acabamos por nos levantar e ir comer. A manhã foi passada a três e depois do almoço fomos então até ao cinema.
- Amor - o Ruben olhou-me - já que aqui estamos podíamos aproveitar para ver o berço - sussurrei-lhe ao ouvido uma vez que estávamos a meio do filme mas foi o suficiente para o meu amor mandar um salto na cadeira.
- Berço?
- Shiu fala baixo que ninguém precisa de ouvir.
- Amor mas para quê que queres um berço - o Ruben alternava o olhar entre o meu e a minha barriga, acabei por sorrir ao lembrar-me que ainda não lhe tinha contado.
- Ups esqueci-me de te dizer mas ontem liguei à Madalena para saber novidades do nosso afilhado e fiquei a saber que a Madalena está de férias esta semana então modo que a convenci a falar com o Mauro para virem passar uns dias connosco, eles aceitaram mas para isso convém termos um berço para o Rafael dormir.
- Ah - sorri perante o ah dele - quando é que eles chegam?
- Amanhã à noite.
- Hum, ok.
Continuamos a ver o filme e quando acabou o Martim quis ir lanchar, comemos e no fim fomos então comprar o berço para o nosso afilhado.
- Mana o que é que tamos aqui a fazer? - o Ruben sorriu ao ouvi-lo.
- Temos que comprar um berço.
- Um quê?
- Uma caminha destas - o Ruben apontou para um berço.
- Porquê?
- Porque o Rafael vem passar uns dias connosco e precisa de cama.
- Fixe - sorrimos perante o entusiasmo.
- Amor - abraçou-me - o que achas daquele - apontou.
- És louco.
- Não gostas?
- Amor, nós vamos comprar um berço para ser usado durante uns dias de vez em quando, certo?
- Sim mas - interrompi-o.
- Mas nada - dei-lhe um leve beijo - amor, vamos comprar um daqueles portáteis - olhou-me como se tivesse a dizer algum disparate - Ruben, existe uns berços que próprios para se levar por exemplo em viagens, porque são muito práticos e é um desses que quero comprar assim eles até o podem levar e têm sempre um berço à mão de semear.
- Isso existe mesmo? - gargalhei perante o ar desconfiado dele.
- Sim, existe - beijei-o - anda que mostro.
Puxei-o pela mão e fomos até à zona dos berços, olhei em volta e encontrei o que queria, estava a ver as características quando uma das funcionárias da loja se aproximou.
- Boa tarde em que posso ajudar? - a miúda, sim que era mais miúda que mulher olhou o Ruben de alto a baixo.
- Boa tarde, nós ainda estamos só a ver - respondi por uma questão de educação.
- Desculpe se me permite o conselho aqueles berços são melhores que este, dão um maior conforto ao bebé - olhei-a com uma vontade de rir afinal não passava de uma miúda a falar do que não sabe.
- Agradeço a opinião mas quero mesmo um berço portátil - o Ruben olhava em volta, estava completamente perdido no meio de tanta coisa de bebé.
- Mas sendo um berço para primeiro filho aqueles são melhores, têm uma duração maior.
- Não ando há procura de um berço que sirva para criar os meus filhos todos, ando sim de um portátil que possa levar numa viagem e que monte e desmonte com facilidade - o Ruben olhou-me.
- Amor - abraçou-me - por mim podia ser aquele - olhei e sorri - o que foi?
- Nada mas achei piada à coincidência da cor - sorriu ou não fosse vermelho e preto - no entanto estou mais inclinada para este daqui, dá maior conforto ao bebé e à Madalena.
- Oh mas aquele é mais giro - sorri.
- Pois mas este é melhor.
- Desculpe estar a interromper - olhei novamente para a funcionária - nós temos este em tons de vermelho se agradar mais ao pai da criança - olhei de imediato para o Ruben.
- Amor, achas que o pai da criança vai gostar mais em tons de vermelho? - o tom da minha voz era de gozo algo que o Ruben percebeu.
- Sim e a mãe também - sorriu.
- Então está escolhido, vai este modelo mas em tons de vermelho.
- Amor é impressão minha ou não foste com a cara da rapariga? Ela até pareceu competente e interessada em ajudar.
- Lá interessada estava mas não era em ajudar de certeza - olhou-me - Ruben, ela tirou-te as medidas todas e mais algumas - gargalhou - não sei onde está a piada.
- Amor, andas a ficar muito ciumenta - virou-me para ele e beijou-me.
- Quem ama sente ciúmes - sorriu.
- Confesso que ficas ainda mais linda com ciúmes.
- Vai gozar com outra - virei-lhe as costas com a intenção de ir pagar o berço mas fui impedida pelo Martim.
- Mana, podemos levar? - ele vinha com um peluche na mão - é para dar ao Rafael.
- Pode ser - sorriu.
- Amor - rodeou-me novamente a cintura com os seus braços - vamos só levar o berço?
- Sim, porquê?
- O Rafael não vai precisar de mais nada? - sorri com a pergunta dele.
- Amor o berço é a única coisa que ele precisa e que o teu irmão não vai trazer, o resto são fraldas e roupa.
- Tens a certeza?
- Tenho e nem penses que vais remodelar mais um quarto só porque o teu sobrinho vem passar uns dias connosco, até porque o menino deve ficar no quarto com os pais.
- Mas podíamos preparar melhor a vinda do Rafael a Braga, afinal é a primeira vez que cá vem - olhei-o.
- Amor, deixa-te de ideias, quando tivermos o nosso pensamos no assunto até lá deixa estar os quartos como estão.
- Ok - deu-me um beijo na bochecha - vou pagar então - não questionei e deixei-o ir, fiquei com o Martim a ver roupa para bebés.
- Mana - olhei-o - quando é que podemos começar a comprar roupa para o teu bebé?
- Martim já falamos sobre isso.
- Mas eu quero.
- O que é que queres? - o Ruben apareceu atrás de nós.
- Um mano - olhei para o meu amor.
- Lindo, nós já falamos sobre isso, tens que esperar mas prometo que nós vamos dar-te o mano.
- Dás mesmo?
- Dou - sorriu-me - nós já andamos a pensar nisso e quando chegar o momento certo nós damos-te o mano, agora vamos embora.
- Tá bem.
O Ruben lá conseguiu convencer o Martim a esquecer temporariamente o assunto e regressamos a casa, o Ruben quis montar o berço e como já previa que seria uma cena imperdível acompanhei-o, lógico que dei algumas gargalhadas mas após umas tentativas o berço ficou montado à espera do Rafael.

Ruben

Depois de ter perdido o jogo acabei por descontar na Mariana mas o meu amor teve a calma e discernimento suficiente para dar-me um desconto e talvez por isso mesmo não terminou em discussão.
O dia de domingo foi passado em família e com muita brincadeira à mistura, isto porque o Martim depois de regressarmos do cinema resolveu que queria brincar com os dois, fizemos a vontade ao menino e passamos o resto da tarde a jogar diversos jogos.

***

Acordei para despachar-me uma vez que tinha treino e quando fui ao quarto do Martim para o despertar encontrei-o já vestido.
- Bom dia pai - sorri perante o cumprimento do Martim.
- Caíste da cama, foi? - dei-lhe um beijinho - Nem precisaste de ajuda para vestires a roupa.
- Não tenho sono - falou todo animado.
- Posso saber o motivo dessa alegria toda?
- Logo chega o Rafael - sorri.
- Realmente como é que não me lembrei disso - sorriu - mas agora vamos comer que vou deixar-te na escola antes de ir para o treino.
- Fixe.
Saímos do quarto e quando chegamos à cozinha já a Filomena tinha o pequeno-almoço pronto, comemos e depois fui deixar o Martim na escola uma vez que a Mariana hoje teve que sair mais cedo para ficar com o Nuninho.
O caminho até à escola foi animado e quando lá chegamos estacionei o carro para acompanhar o Martim até ao portão, quando estávamos próximos reparei que vinha também a chegar o Gonçalo que ao ver-me com o Martim olhou-nos.
- Pai - olhei para o meu piolho e sorri - és tu que vens buscar-me?
- Ainda não sei a que horas é o treino mas se conseguir venho buscar-te - dei-lhe um beijinho - agora entra.
- Tá bem - sorriu - gosto muito de ti - colocou os seus braços em volta da minha cintura.
- Ó piolho também sabes que gosto muito mas mesmo muito de ti - baixei-me para ficar à sua altura - juízo - o Martim desviou o olhar para o colega que continuava atento - não quero ouvir mais queixas tuas, amor eles podem falar o que quiserem tu é que não podes reagir daquela forma, entendes?
- Sim - deu-me um abraço.
- Então agora que já entendeste entra porque tenho mesmo de ir para o treino - dei-lhe mais um beijinho e finalmente o Martim entrou.
Segui para o treino onde encontrei os meus colegas já equipados, despachei-me e segui com eles até ao campo, o treino correu bem e no final decidi ir almoçar com o Nuno.
- Conta novidades? - olhei-o.
- Não tenho nada de especial para contar.
- Oh deixa-te de cenas porque pelo que ouvi hoje de manhã entre a Patrícia e a Mariana tens qualquer coisa para partilhar.
- Estás a falar do quê?
- Não te faças de desentendido.
- Não estou, simplesmente não sei do que falas.
- Vais dizer que a Mariana está a pensar aumentar a família sem saberes, é?
- Ah isso - olhou-me.
- Ah isso - imitou-me - até parece que não é algo que queres e muito.
- Quero mas ainda não passa de uma hipótese que a cada dia está mais perto de se tornar realidade mas que por enquanto não passa de conversas entre mim e a Mariana.
- Já é um avanço - sorri ao ouvi-lo - quando a Mariana há uns meses nem pensava nisso.
- Sim, mesmo assim não a quero pressionar, está nas mãos da Mariana querer ou não engravidar.
- Olha e casamento nunca pensaste nisso?
- Já mas porquê que perguntas?
- Oh porque já estão a falar em filhos quando ainda não casaram e tanto quanto sei querias casar primeiro e filhos depois, posso saber o motivo de teres invertido esses planos desde que estás com a Mariana?
- Quem te disse a ti que os inverti?
- Como assim?
- É só uma ideia em que ando a pensar.
- Não queres ser mais explícito?
- Népia por enquanto é só uma ideia mas quem sabe não vira realidade brevemente.
- Ruben Amorim o que é que andas a tramar?
- Nada de mal.
- Vais pedir a Mariana em casamento, é isso?
- Vês como chegaste lá.
- Quando?
- Isso não interessa quando a pedir acredita que vais ficar a saber até lá fica nos segredos dos Deuses.
- Mas estás a preparar alguma coisa em especial?
- Se com especial queres dizer diferente, sim estou a pensar nisso.
- Puto, a Mariana sabe dessa tua ideia?
- Não, até porque se soubesse perdia o encanto da coisa.
- Ruben sabes que a Mariana detesta ser apanhada de surpresa não achas melhor comentares essa tua ideia com ela?
- Não te preocupes que a Mariana aceita o pedido sem pensar duas vezes.
- Já falaram sobre casamento?
- Já e depois o casarmos vai ser só para oficializar a união diante dos amigos e família.
A conversa continuou mas o assunto casamento só foi abordado durante os minutos seguintes. A tarde passou entre o ginásio e o treino, por isso quem foi buscar o Martim foi a Mariana. Quando cheguei a casa o piolho já estava a fazer os trabalhos da escola, acabei por corrigir o que já tinha feito e ajudá-lo no que não estava a entender.
- Amor - entrei no quarto e dei de caras com a Mariana só em lingeri o que fez com que suspirasse levando-a a gargalhar - não se janta hoje?
- O teu irmão deve estar a chegar - beijou-me.
- Hum ok - sentei-me na cama a observar a indecisão dela quanto à roupa a escolher - posso saber o motivo da indecisão? - olhou-me.
- Nem eu sei - gargalhei - olho para a roupa e não me apetece vestir nada disto.
- Amor - caminhei até ela - por mim não vestias nada disso aliás despias era o resto que te falta - olhou-me danada - mas é melhor escolheres qualquer coisa e bem rápido ou não respondo por mim - beijei-a.
Ficamos a namorar um pouco mas tive que deixá-la no quarto quando ouvi a campainha.
- Pai - olhei para trás e vi o Martim a correr - é o Rafael?
- Deve ser, queres vir ver?
- Sim.
Fui com o Martim até à porta e assim que a abri o menino correu até ao carro do Mauro para ver o Rafael.
- Bem aquilo é que é pressa - sorri ao ouvir o meu irmão para depois cumprimenta-lo e ajudá-lo a retirar as malas do carro.
Entramos em casa sempre com o Martim de volta da Madalena que trazia o Rafael ao colo, fui com o Mauro até ao quarto para deixarmos as malas e quando vínhamos a regressar à sala vi a Mariana, abrandei o passo e assim que chegou junto de nós cumprimentou o Mauro e abraçou-se a mim.
Entramos na sala e a Mariana foi cumprimentar a Madalena e “roubou-lhe” logo o menino dos braços, fiquei a observá-la e um sorriso parvo apareceu no meu rosto o que não passou despercebido ao Mauro.
- Não consegues mesmo evitar, pois não?
- Estás a falar do quê?
- Vais negar que sempre que vês a Mariana com o Rafael não pensas no vosso?
- Penso e se queres saber está cada vez mais perto do meu desejo se tornar realidade - olhou-me surpreendido - a Mariana anda a pensar muito seriamente em engravidar.
- A sério?
- Ya, mas não comentes com ninguém pelo menos até tomarmos uma decisão definitiva.
- Na boa mas vê se tratas disso rápido que quero ser tio.
Continuamos a falar mas agora na mesa, jantamos todos juntos e no final os homens foram corridos da cozinha porque as mulheres assim o quiseram.
- Puto - olhei para o meu irmão - e casamento?
- Pois - sorri - isso irá acontecer no devido tempo.
- Não queres ser mais explícito?
- Mano, estou a preparar o pedido de casamento mas não adianta pedires detalhes que não os vais ter.
- Mas é coisa para breve?

Será que o Ruben responde? Será mesmo para breve? Irá a Mariana aceitar? E que ideia será esta que o Ruben tem para o pedido?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

056 - “…fizeste-me escolher entre o conforto e o risco, escolhi o risco sem saber que estava a escolher o conforto…”

Mariana

Depois da mãe do Ruben nos ter apanhado na cozinha corri com ele de lá, afinal tinha consciência que se o meu amor continuasse no mesmo espaço nem hoje nem nos próximos dias haveria jantar. Fiquei sozinha e no fim de colocar o nosso comer no forno decidi regressar para junto dos meus dois amores, mesmo correndo o risco de dar de caras com a Anabela, no entanto não foi isso que me incomodou, foi mesmo ouvir o final da conversa entre o Ruben e o Martim, ouvir o meu irmão mas principalmente o Ruben fez com que percebesse que ando a adiar o inadiável, ainda assim resolvi fingir que não tinha ouvido nada e sentei-me serenamente do lado deles e assim que o fiz o meu irmão saltou imediatamente para o meu colo.

- Mana, eu gosto muito de ti - sorri ao ouvi-lo.
- A mana também gosta muito de ti - olhei para o Ruben - não fiques com ciúmes porque também gosto muito de ti - aproximei-me ainda mais do meu amor unindo os nossos lábios num beijo “decente” ainda assim carregado de sentimento - amo-te - sorriu.
Ficamos na brincadeira e só a interrompemos quando foi para ir jantar, comemos e no final a Anabela ofereceu-se para ir deitar o meu irmão, não coloquei entrave nenhum até porque o menino gostou da ideia e vimo-los sair da sala.
- Amor, temos que falar - o Ruben manifestou-se assim que ficamos a sós e quando já estava a tentar aninhar-me nos seus braços - não adianta negares porque percebi que ouviste a conversa que tive com o teu irmão - suspirei para olhá-lo logo depois.
- Ouvi a parte em que ele sugeriu que me pedisses um filho, percebi ainda as razões pelas quais anda tão obcecado com isso e ainda ouvi a parte em que falou que agora que namoro com alguém que tem dinheiro posso deixar de trabalhar e assim dar-lhe atenção - o Ruben olhava-me atento - mas o que retive mesmo dessa conversa foi aquilo que falaste, a forma como lidaste com o meu irmão e o fizeste entender que estava errado, amor não interessa o que o Martim falou, interessa sim aquilo que ouvi da tua boca mais uma vez provaste que também tu estás a crescer junto com o Martim, era impensável há uns meses atrás teres tido esta conversa com o meu irmão e isso sim deixa-me serena de que tenho do meu lado alguém capaz de assumir um papel importante na minha vida e na do meu irmão.
- Não ficaste magoada com o menino?
- Não, Ruben é só uma criança que faz tudo o que pode para conseguir o que quer, ele quando falou nem sequer pensou no peso das palavras e no quanto podiam magoar-me, é verdade que em frente dele não posso dizer isto mas no fundo compreendo-o tal como o compreendeste ainda assim repreendeste-o, o que fizeste foi de pai nunca te esqueças disso.
- Tentei explicar-lhe o melhor que consegui as nossas razões para adiarmos a vinda do tão esperado e desejado bebé mas não sei se consegui - sorri com o desabafo dele.
- Amor, não te preocupes com isso, por muito bem que possas ter explicado o Martim vai continuar a insistir no assunto simplesmente porque meteu isso na cabeça e não vai descansar até conseguir, sempre foi assim e não vai mudar agora.
- Como é que achas que o menino irá reagir quando engravidares?
- Amor por muito que o Martim queira um irmão, quando perceber que terá que dividir-me com ele não vai achar piada, está habituado a dividir a minha atenção com outras crianças mas só até certo ponto sabe que a partir de determinada hora que me tem só para ele e quando tivermos o nosso primeiro filho isso já não vai ser bem assim, o Martim vai adorar a fase da gravidez mas vai detestar os primeiros meses de vida do bebé, podes mentalizar-te para isso.
- Acreditas mesmo nisso?
- Ruben conheço o meu irmão por isso não duvides que vai ser isso que irá acontecer.
- Acho que podemos prepará-lo para essa nova realidade.
- Por muito que tentarmos prepará-lo vai ser sempre uma novidade mas também não estou muito preocupada com o assunto, quando chegar o momento logo lidamos com a situação.
- Pois, talvez seja melhor não pensarmos muito no assunto até porque para esse dia chegar ainda falta muito - beijou-me.
- Ou então não - falei assim que separamos os nossos lábios - isto não me sai da cabeça de forma alguma - suspirei.
- Amor é impressão minha ou estás a sentir-te pressionada para tomares essa decisão?
- Não é nada disso - aninhei-me ainda mais nos seus braços - mas tenho andado a pensar no assunto e nós podíamos inverter a ordem inicial - hesitei por uns segundos o que foi suficiente para o Ruben fazer-me olhar para ele - tipo podíamos tentar ainda assim de qualquer forma já não tenciono regressar aos estudos para o ano e na verdade se correr tudo bem dá tempo do bebé nascer e ainda consigo ficar os primeiros meses com ele, porque os planos será só entrar na faculdade daqui a mais ou menos dois anos.
- Isso é tudo muito bonito mas vais conseguir deixar o nosso filho entregue a uma ama ou na creche para ires estudar? - baixei o olhar, afinal atingiu-me no meu ponto fraco - Bem me parecia que não conseguias por isso pára com essas ideias de começarmos a tentar - interrompi-o.
- Juro que não entendo, primeiro querias e agora que estou a ponderar engravidar já não queres, é?
- Se queres começar a tentar engravidar lógico que não vou opor-me mas também custa saber que estás novamente a abdicar de um sonho em prol de outro e que a culpa em parte é minha, porque se nunca tivesse tocado no assunto não estarias neste momento a colocar esta hipótese.
- Quando é que entendes que se estou indecisa é porque também quero ser mãe e que no fundo sei que quanto mais adiar pior é.
- Amor, já dei a minha opinião e agora a decisão será tua, só te peço que não a tomes de ânimo leve, pensa no que queres, leva o tempo que precisares porque vou estar aqui à espera de saber o que decidiste e independentemente do que for irei apoiar-te.
- Sabes que não estás a ajudar em nada - olhou-me confuso - isto terá que ser uma decisão dos dois.
- Que queres que te diga? Que quero ser pai, isso já sabes, que por mim seria daqui a nove meses, também já sabes, que não quero ser o responsável por abdicares novamente de um sonho, já o disse, por isso o que queres? Que seja eu a decidir pelos dois? Lamento mas não consigo, talvez esteja mesmo a ser um puto mimado que nunca teve que decidir nada sozinho mas desculpa se neste caso sou incapaz de meter o meu querer à frente do teu - deixou-me sem saber o que dizer e por isso limitamo-nos a ficar no silêncio ainda assim abraçados e a mimarmo-nos mutuamente.
***
Estava quase a adormecer nos braços do Ruben e ainda no sofá quando vimos a Anabela a entrar na sala, trocamos meia dúzia de palavras com ela mas acabamos por ir até ao quarto, onde nos deitamos e adormecemos abraçados.
Acordei tarde, afinal hoje estava de folga e quando olhei para o lado encontrei uma rosa acompanhada por um cartão onde tinha uma simples frase, ainda assim foi o suficiente para ficar com um sorriso bobo no rosto
“O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser. Amo-te”

Fiquei alguns minutos na cama e cheirar a rosa e a pensar em como a minha vida mudou tanto num ano mas acabei por levantar-me, estava com fome e com a certeza que o dia ainda mal tinha começado, algo dentro de mim avisava-me que o Ruben não iria deixar o dia de hoje passar em vão por todos os significados e mais alguns que tem para nós.
Tomei um duche rápido e escolhi uma roupa confortável, afinal iria ficar por casa. Saí do quarto e fui direta à cozinha, estava entretida a comer quando vi a Anabela a entrar.
- Bom dia - cumprimentou-me.
- Olá - retribuí - é mesmo consigo que preciso falar - olhou-me - é você que se vai desbocar e dizer quais os planos do seu filho - gargalhou.
- Lamento mas por mim não vais saber nada, o Ruben andou a preparar este dia ao mais ínfimo detalhe por isso não vou ser eu que irei estraga-lo.
- Anabela fica um segredo só nosso - sorriu.
- Esquece, terás mesmo que esperar.
- Que remédio - bufei levando-a a sorrir novamente.
Acabei de comer e decidi ir dar uma volta, precisava ocupar a cabeça para não pensar muito na decisão que terei de tomar brevemente e por isso fui caminhar um pouco. Quando regressei a casa tinha em cima da mesa de apoio da sala um pequeno envelope, não foi preciso perguntar para quem seria afinal sabia que aquilo tinha dedo do Ruben, peguei nele e abri-o, encontrei uma foto nossa, sorri ao recordar o dia em que foi tirada, foi num dia que o Martim resolveu armar-se em fotógrafo e foi ter connosco ao quarto, quando ainda morava na casa do Nuno, nesse dia o menino pediu-nos para dar um beijo e fazer um coração com as mãos, fizemos-lhe a vontade e o Martim registou o momento, na foto estava inscrita uma pequena frase que fez com que gargalhasse ao lê-la.
Faz hoje um ano que falaste muita coisa com sentido mas houve uma frase que nunca esqueci, vê se te recordas dela, “Que se não tira as suas mãos de cima de mim, vai passar a noite ao hospital e não será por estar com gripe, veja lá se quer deixar de jogar futebol” ainda a manténs?? Quem diria que um ano depois iriamos estar a comemorar o dia em que baixaste a guarda desta forma. Amo-te
Estava feita tonta a olhar para a foto quando vi o Ruben a entrar na sala, o sorriso dele deixou-me a levitar completamente.
- Por momentos pensei que me tivesses abandonado em pleno dia dos namorados - falou já sentado do meu lado - posso saber onde a menina foi?
- Tens mesmo a certeza que queres falar - beijei-o - é que tenho outras ideias para ocupar o tempo - sussurrei-lhe ao ouvido.
- E posso saber que ideias são essas?
- Podes, podes mas é levantar o rabo do sofá e vires comigo até ao quarto - gargalhou.
- Amor, estamos sozinhos - beijou-me - despachei a minha mãe e ainda a incumbi da tarefa de ir buscar o Martim à escola e de o levar a passear - sorriu - temos a casa só para nós.
Ainda o Ruben não tinha acabado de falar já tinha saltado para o colo dele, queria ser dele o quanto antes e foi isso mesmo que lhe dei a entender, acabamos por nos amar ali mesmo no sofá da sala, sem pressas nem urgências, eramos só nós os dois e o sentimento que nos une. Repetimos a entrega algumas vezes mas acabamos por ir até ao jacuzzi onde voltamos a ser um do outro.
- Ruben - abriu os olhos - ao longo dos anos aprendi que a maturidade vem aos poucos, que a família é tudo, que amigos sinceros são poucos, que melhores dias virão, que na vida nem tudo vale a pena mas só contigo é que aprendi que o amor chega na hora exata mas principalmente que a minha felicidade depende das escolhas que faço, fizeste-me escolher entre o conforto e o risco, escolhi o risco sem saber que estava a escolher o conforto, se amar é um risco, ser amada é o maior conforto que posso ter - sorriu - amo-te e só sei que a minha vida sem ti não faz mais sentido, obrigada por tudo o que já me proporcionaste e por aquilo que ainda vais dar.
- Não tens que agradecer nada até porque amar é uma aprendizagem continua mas acima de tudo a dois, neste ano que passou ensinaste-me muito, fizeste-me crescer enquanto homem, deste-me uma família para a qual regressar depois de um dia de trabalho ou de um dia menos conseguido, provaste em cada gesto e palavra que o amor puro existe, aquele em que só um simples beijo é suficiente para demonstrar o sentimento que nos une e isso é muito mais do que alguma vez tive.
- Isto só foi possível porque compreendeste-me desde o início e respeitaste-me sempre, nunca forçaste nada, esperaste sempre que chegasse o momento ou que me sentisse preparada para avançarmos - beijou-me.
- Mariana, só podia esperar que estivesses preparada para avançar e se queres mesmo saber o ter consciência que fui o teu primeiro só faz com que procure o que de melhor possa existir dentro de mim, afinal de uma forma ou de outra, foi a mim que escolheste e a quem te entregaste, digas o que disseres nunca irás fazer com que esqueça esse momento, por muito que lhe queiras retirar a importância que teve e tem nunca irás conseguir, mesmo sem quereres é uma prova do teu amor por mim, afinal foi a mim que te entregaste verdadeiramente.
- Ruben, teres a noção que és o único homem com quem já tive relações muda alguma coisa? - a minha pergunta apanhou-o desprevenido, percebi isso pela falta de reação.
- Não te amo mais por isso mas não posso negar que é diferente, saber que foi comigo que tiveste a tua primeira experiência torna tudo mais especial, único, talvez por ter a consciência que em algum momento viste algo em mim que não conseguiste descobri em mais ninguém.
- Não leves a mal a pergunta mas a verdade é que desconfiaste que nunca tinha estado com rapaz nenhum muito antes de sonhar que hoje poderia estar contigo - calou-me com um beijo.
- Amor, não foi por ter quase a certeza que ainda eras virgem que fez com que te amasse mais ou que me aproximasse de ti, conquistaste-me pela maneira simples como amas aqueles que realmente são importantes para ti e não por ter a hipótese de ser o teu primeiro.
- Como é que sabias que era isso que ia perguntar? - sorriu.
- Talvez porque te conheço e já sei que volta e meia ficas insegura apesar de não teres motivos nenhuns para isso.
Não respondi, limitei-me a abraça-lo novamente e a deixar a minha cabeça no seu peito, ainda ficamos dentro do jacuzzi durante mais alguns minutos mas acabamos por sair.
- Amor - olhei-o quando já estava a escolher a roupa para vestir - o que achas de irmos almoçar a um lado qualquer?
- Por mim tanto faz.
- Então vamos.
Fiz-lhe a vontade e saímos para almoçar, comemos numa constante troca de carícias e nem o facto de termos meio restaurante a olhar-nos foi impedimento para o mimar, afinal se há pessoa que merece é ele por tudo o que já o obriguei a passar.
No final do almoço ainda fomos passear os dois, aproveitar o tempo para namorar, regressamos a casa já ao anoitecer e quando pensava que já não haveria mais surpresas o Ruben surge com uma caixa nas mãos.
- Toma - sorriu - é para usares hoje - olhei-o desconfiada o que provocou a gargalhada nele - não é nada de mal - beijou-me - é só um miminho para a melhor namorada do mundo.
- Exagerado - sorriu.
O Ruben não respondeu mas ficou à espera que abrisse o presente e assim que o fiz fiquei a olhar para o vestido, era simples mas a “minha cara”.
- Obrigada amor - beijei-o - assim estragas-me com mimos - sorriu.
- E ainda não viste nada - beijou-me - anda - puxou-me pela mão - vamos mudar de roupa para irmos jantar.
- Presumo que queres que use o vestido - falei quando entramos no quarto.
- Sim - sorri e fiz-lhe a vontade, troquei de roupa mas usei o seu presente.
Estava na casa de banho a dar os últimos retoques na imagem quando o Ruben decidiu invadir o espaço e raptar-me, ou não fosse ter-me quase arrastado até ao carro, abriu a porta para que entrasse e só quando o fiz é que deu a volta sentando-se no lugar do condutor.
Não foi preciso muito para perceber para onde ele nos levaria, conhecia aquele caminho como a palma da minha mão ou não fosse ser um dos meus lugares preferidos e onde já passamos tantos momentos, mas ao contrário do que esperava desta vez o Ruben conseguiu mostrar-me algo que ainda não conhecia.
- Onde é que estamos? - sorriu.
- Num dos quatro hotéis existentes em redor dos jardins do Bom Jesus - olhei-o admirada afinal desconhecia a existência dos mesmos - espero que gostes porque vai ser aqui que iremos passar as próximas horas - sorriu com aquele ar de sacana que só ele sabe fazer.
- Com próximas horas deves querer dizer até às dez, sim porque temos uma criança à nossa espera em casa - piquei-o.
- Temos, temos mas é uma criança entregue à avó que foi para isso que a minha mãe veio passar uns dias connosco - gargalhei ao ouvi-lo - achas mesmo que irias passar o teu primeiro dia dos namorados sem o comemorares com tudo a que tens direito? - beijou-me - Agora vamos que temos de jantar - saiu do carro e no instante seguinte já estava a abrir-me a porta que nem um cavalheiro andante.
Percebi que tinha tudo pensado até ao mais ínfimo detalhe ou não fosse ter retirado uma pequena mala da bagageira do carro, entramos no hotel e depois do check-in fomos encaminhados até ao nosso quarto, onde já nos esperava o nosso jantar, olhei em volta e mais não podia pedir, estava simplesmente fantástico, o quarto estava decorado de forma a não nos ser possível esquecer o significado do dia, jantamos em clima de total romance, onde o Ruben brindou-me com toda a espécie de mimo que pudesse imaginar.
O resto da noite escusado será dizer que serviu para tudo menos para descansarmos, consegui sair do hotel com aquela sensação de ter passado um camião por cima mas ainda assim com a certeza de querer repetir muitas mais vezes uma noite como a que me proporcionou.

Ruben

O dia ontem foi especial, ter conseguido proporcionar um dia diferente à Mariana deixou-me ainda mais feliz, aproveitamos para namorar e termos uns momentos a dois que é algo raro, afinal o Martim está sempre presente.
Despertei com o meu amor a dar-me pequenos beijos pelo rosto, aquilo foi suficiente para elevarmos a outro patamar a troca de mimos e voltamos a amarmo-nos, só depois é que resolvemos ir para o duche e uns bons minutos depois conseguimos finalmente sair do quarto, comemos e só depois regressamos a casa.
Entramos e encontramos um silêncio que só existe quando o menino não está por perto, não nos foi difícil adivinhar que já deveria ter saído para a escola, acabamos por ficar pela sala mas quando chegou o momento de sair para o treino, a Mariana também seguiu para a casa do Nuno, afinal tinha o Nuninho à sua espera.

***

- Bom dia - assim que entrei no balneário cumprimentei os meus colegas de forma animada o que foi motivo suficiente para o Nuno implicar.
- Ena que ontem deve ter corrido mesmo bem - olhei-o - para vires tão animado.
- Não deves estar à espera que dê detalhes, não é?
- Por acaso até estou - gargalhou - a sério puto nunca te tinha visto assim tão feliz.
- Talvez porque nunca o tive - suspirei.
- Estás mesmo apanhadinho - sorriu - se me tivessem dito há um ano que hoje estaria aqui a presenciar esta felicidade toda não teria acreditado.
- Nem eu - gargalhamos os dois.
- Oh mas confessa lá que a Mariana mexeu contigo desde o primeiro segundo que a viste - sorri.
- O facto de evitar-me ao máximo deixou-me curioso mas nos primeiros meses nunca me passou pela cabeça que um ano depois podíamos estar a namorar mas principalmente a viver juntos.
- Vieste para Braga à procura de um pouco de paz e encontraste alguém que provocou uma revolução completa na tua vida.
- Ainda bem que vim e que encontrei a Mariana, caso contrário a esta hora estava casado e infeliz ou então divorciado - olhou-me surpreendido pelo meu desabafo - o que tinha com a Soraia não era e nem nunca foi amor.
Continuamos a conversa mas agora durante o aquecimento, o treino correu bem e no fim fui até casa, tinha que ir levar a minha mãe à estação dos comboios uma vez que regressava hoje. Quando cheguei encontrei a Mariana em casa com o Nuninho, tinha vindo despedir-se da minha mãe e acabou por acompanhar-me até à estação e depois seguimos para a casa do Nuno, onde passamos as horas seguintes na conversa com o nosso amigo. De tarde tivemos treino mas antes fui buscar o Martim à escola e assim que o menino me viu correu para os meus braços.
- Como correu? A mana gostou?- sorri perante a preocupação e curiosidade do menino.
- Correu tudo bem e a Mariana gostou muito.
- Fixe - sorri.
- Vá agora temos que ir que tenho treino daqui pouco.
- Posso ir contigo?
- Hoje não vai dar mas prometo que para a semana levo-te a ver o treino, pode ser?
- Porquê que não posso ir?
- Amor, nós hoje vamos preparar o jogo deste fim-de-semana por isso não dá mesmo, entendes?
- Sim.
Deixei o menino na casa do Nuno com a Mariana e segui para o treino, quando regressei a casa encontrei o meu amor a ajudar o Martim nos trabalhos da escola, não os incomodei e fui até à sala ver um pouco de televisão. Os minutos passaram e o Martim veio ter comigo para irmos brincar, fiz-lhe a vontade até sermos chamados para jantar, no final ajudei a Mariana a arrumar a cozinha e depois partilhamos o serão com o menino, quando chegou o momento dele ir para a cama, foi a irmã que o foi adormecer, afinal era quem o menino queria com ele. Acabei por ir até ao quarto e foi deitado que esperei a Mariana, ainda falamos durante alguns minutos mas fomos vencidos pelo sono e adormecemos.

***

As semanas passaram sem que desse conta disso e o dia do pai aproximava-se, talvez por isso hoje quando fui buscar o Martim à escola fui surpreendido com o pedido por parte do segurança para ir falar com a diretora da escola, achei estranho ainda assim dirigi-me para a sala que indicaram e assim que entrei encontrei o Martim sentado e de trombas.
- Ruben - o menino correu para os meus braços.
- Boa tarde - cumprimentei a diretora da escola - qual é o motivo do Martim estar aqui consigo? - fui direto ao assunto.
- É o responsável pelo Martim?
- Sim - olhou-me desconfiada talvez porque nos papéis era só o nome da Mariana que aparecia - o Martim vive comigo por isso agradeço que diga o que se passou.
- O Martim hoje empurrou um colega de turma - olhei para o menino que baixou a cara - em plena sala de aulas mas recusasse a dizer o motivo que o levou a ter tal atitude.
- Martim - olhou-me - o que é que se passou?
- Tás chateado comigo? - perguntou de rajada.
- Primeiro quero saber o motivo pelo qual empurraste o menino.
- Ele disse uma coisa que não gostei - foi notório o esforço que o Martim fazia para não chorar - ele disse que eu não podia fazer a prenda para o dia do pai porque não tenho pai e eu falei que tu és como um pai para mim e ele disse que só falas que gostas de mim para eu não chorar e eu não gostei de ouvir isso.
- Martim mas isso não te dá o direito de empurrares os teus colegas.
- Pois mas ele já pode gozar comigo porque não conheço o meu pai, eu não tenho culpa e eu só quero ser igual aos outros meninos, porquê que eles podem fazer a prenda e eu não? - desviei o olhar para a diretora.
- Amor - sentei-me com ele no meu colo - ninguém te disse que não podias fazer a prenda, pois não?
- Ele disse.
- Tudo bem ele falou isso mas em vez de o empurrares devias ter falado com a tua professora, além disso o que é que te pedi para fazeres sempre que algum menino te chateasse?
- Disseste para eu falar contigo ou com a mana - baixou o olhar - e para nunca bater nem aleijar os outros meninos, para fingir que não tinha ouvido mas eu não consegui e agora tás chateado comigo.
- Martim não estou chateado contigo quanto muito estou aborrecido porque o que fizeste não se faz, por muito que os meninos possam dizer algo que não gostes não podes bater nem empurrar ninguém, pensaste que o teu colega podia ter-se aleijado?
- Não.
- Mas é bom que te recordes disso e quando um colega começar a dizer que não tens pai lembra-te que é com a tua professora que tens de falar, ela resolve o problema, entendes?
- Sim mas tás chateado comigo?
- Não - o menino sorriu - mas não gostei de ficar a saber do que fizeste - voltou a perder o sorriso.
- Desculpa.
- Acho bem que peças desculpas e já agora pediste ao teu colega também?
- Não nem vou pedir.
- Aí é que estás enganado, vocês erraram os dois por isso vais pedir desculpas a ele.
- Tá bem.
- Agora espera por mim lá fora - pedi-lhe depois do menino abraçar-me - que já vou ter contigo - o piolho saiu e assim que fechou a porta levantei-me e dirigi-me à diretora - o Martim errou ao empurrar o colega mas espero sinceramente que situações destas não se venham a repetir, sei que por vezes as crianças são más umas para as outras mas o Martim não tem culpa de não conhecer o pai biológico.
- Entenda que não podemos controlar o que as crianças dizem e se o Martim não fala connosco não temos como adivinhar o que se passa.
- No mínimo deveriam ter-se preocupado em saber o que levou-o a ter tal atitude, porque violento é algo que o Martim nunca foi, ele é uma criança afável por isso deveriam ter desconfiado que talvez tivesse sido o outro menino a provoca-lo.
- Está a insinuar que só o Martim ficou de castigo?
- Não, estou a dizer que só ao responsável pelo Martim é que chamaram a atenção, caso contrário já saberia o motivo que originou o conflito entre os miúdos ou então teria encontrado aqui o colega do Martim.
- Foi o Martim é que empurrou o Gonçalo.
- Ah e porque foi o Martim que empurrou, só o Martim é que deve ser castigado? Agradeço que para a próxima averigue primeiro a situação e depois castigue os dois, não estou a pedir para ser condescendente com o Martim mas sim que seja justa.
Ainda troquei mais algumas palavras com a diretora mas acabei por sair e encontrar o Martim sentado numa cadeira à minha espera. Assim que ouviu a porta a abrir veio imediatamente ter comigo.
- Quero ir embora daqui.
- Vamos - sorri-lhe numa tentativa de o animar um pouco.
O menino deu-me a mão e caminhamos para o exterior das instalações, foi quando estávamos a chegar ao carro que o Martim puxou-me o braço fazendo com que olhasse para ele.
- Foi aquele - apontou para o colega - que disse que não tenho pai.
- Amor, não ligues ao que o Gonçalo possa dizer.
- Mas eu não gosto e fico triste.
- Ó piolho não falas que sou o teu pai?
- Sim.
- Então tens pai e não interessa se sou ou não pai biológico, amor fixa o que te vou dizer - olhou-me atento - pai é quem cria e dá amor - sorriu - posso só te ter conhecido há um ano mas amo-te como um pai ama um filho, vives comigo e com a Mariana para todos os efeitos somos nós os teus pais e o resto não interessa.
O Martim não respondeu, simplesmente entrou dentro do carro, não insisti e fomos o caminho todo em silêncio, mas assim que chegamos a casa retomei o assunto.
- Martim - olhou-me - tens que contar à mana o que se passou.
- Não quero - baixou o olhar - ela depois fica zangada comigo.
- Amor tens de contar até porque a Mariana vai acabar por saber e vai ser pior se souber pela tua professora, não é?
- Mas ela vai ralhar comigo e tu já falaste com a diretora e ficou tudo bem.
- Mesmo assim a Mariana tem que saber.
- Podes contar tu?
- Martim é melhor seres tu.
- Mas tu explicas melhor que eu - os olhinhos dele imploravam para que cedesse e a verdade é que não consegui mesmo resistir.
- Ok, desta vez falo com a Mariana mas é só desta - interrompeu-me.
- Também já não vai haver mais eu já percebi que não posso fazer aquilo - com esta o menino desarmou-me por completo, entramos de mãos dadas em casa, notei que o Martim estava mesmo com receio da reação da Mariana e por isso aproveitei que a Filomena se ofereceu para lhe dar o lanche para ir até ao quarto ter com o meu amor que segundo a nossa empregada passou o dia quase todo no quarto.

Como irá reagir a Mariana à novidade sobre o irmão?