domingo, 3 de junho de 2012

023 - “Não há nada para explicar não passas de um miúdo mimado que ao sentir-se ameaçado faz um escândalo”


Ruben

Os dias passam e a certeza que cada vez gosto mais da Mariana aumenta de uma forma inexplicável, tanto que quando percebi tinha acabado de fazer uma cena de ciúmes, logo eu que não sou dado a essas coisas e condeno quem as faz, mas foi mais forte, não consegui vê-la aos sorrisinhos com o Miguel como se fossem amigos de longa dada, então quando a Mariana afirmou que descobrir que têm coisas em comum senti cada palavra como uma facada, aquilo estava a deixar-me fora de mim por isso acabei por ser desagradável com a Mariana, como seria de prever ela não se ficou e discutimos, não aguentava ficar a olhar mais para eles por isso fui embora deixando-os aos dois a conviverem como grandes amigos que são.
Estava a precisar de arejar as ideias e por isso resolvi passar o meu último fim-de-semana de férias em Lisboa ao contrário do que tinha planeado.

Mariana

Depois da cena que o Ruben armou fomos para a escola do Martim onde nos encontramos com o Nuno e a Patrícia que já nos esperavam à entrada, cumprimentei-os e apresentei a Letícia a eles uma vez que ainda nãos e conheciam.
- Mana - ouvi o meu piolho assim que entramos na sala onde eles iriam fazer o teatrinho - o Ruben? - perguntou imediatamente ao não o encontrar connosco.
- Amor, o Ruben não vem.
- Porquê?
- Martim, ele não pude vir.
- Mas prometeu que vinha - o meu irmão ficou tristonho - eu falei com ele ao telemóvel e ele disse que vinha com a madrinha - olhei para a Letícia, ela deve ter entendido que não sabia o que dizer por isso falou.
- Meu príncipe - o miúdo olhou-a - o Ruben não conseguiu vir mas mandou-te um beijinho.
- Mas não conseguiu porquê?
- Lindo, o Ruben teve um problema - tentei arranjar um motivo plausível para que o Martim entendesse.
- E não podia resolver o problema depois - perguntou chateado - pensava que era meu amigo mas já vi que não - olhou-me - mana quando falares com ele diz-lhe que já não gosto dele - tinha o Nuno e a Patrícia a olharem-me.
- Amor, esquece isso, agora tens de ir ter com os teus amiguinhos, diverte-te e esquece o Ruben, pode ser?
- Sim - ele acabou por dar-me um beijinhos e ir ter com os amigos.
- Mariana porquê que mentiste ao Martim? - olhei para o Nuno.
- Sim, nós sabemos que o Ruben veio para Braga, estranho é não estar aqui.
- Patrícia e Nuno, o Ruben armou-se em otário mas agora também não quero falar disso, já chega ter visto o meu irmão triste por causa dele.
- Mas foi assim tão grave? - o Nuno insistiu mas como não respondi a Letícia resolveu fazê-lo por mim.
- Grave não, foi só uma tremenda cena de ciúmes que aqui a minha amiga não gostou - olhei-a com vontade de a esganar.
- Cena de ciúmes, o Ruben?
- Sim Nuno mas porquê a admiração.
- O meu amigo não é de fazer isso aliás não suporta a ideia.
- Pois mas segundo a Letícia e o Miguel foi isso que o Ruben fez - ripostei - mas já lhes disse que estão loucos porque nós somos só amigos logo não há motivos para o Ruben ter ciúmes.
- Mas quem é que se aproximou de ti que ele não gostou?
- O Miguel - respondi calmamente.
- Espera aí, o Ruben teve ciúmes do Miguel - olhei para o Nuno e afirmei que sim com a cabeça - o nosso preparador físico?
- Sim, como vês o teu amigo endoidou de vez - ripostei novamente - e agora acabou a conversa que quer ver o meu irmão - pedi ao perceber que a peça de teatro iria ter início.
A festa foi animada e deu para perceber que o meu irmão se divertiu bastante ainda assim perguntei-lhe se tinha gostado quando chegou junto de nós.
- Então piolho gostaste da festa de final de ano?
- Sim foi fixe mas fixe, fixe é já estar de férias - gargalhei ao perceber que ele já tinha esquecido o assunto Ruben.
- Estão mesmo e amanhã já partimos de férias - ele sorriu.
- Vai ser tão fixe - gargalhei.
- Pois vai, até porque vamos passá-los com a madrinha e o Rui.
- A sério? - disse animado.
- Sim, vamos até ao Algarve para a casa dos pais do Rui - a Letícia informou o afilhado que ficou contente.
- Mas agora vamos embora que a mana ainda tem que acabar de colocar as nossas roupas dentro das malas para seguirmos viagem.

***

Estava a terminar de fechar a mala quando a Letícia entrou no quarto e não demorou mais do que uns segundos para perceber ao que vinha.
- Vais falar com o Ruben?
- Sobre?
- Sobre a cena que ele te fez no café?
- Não há nada a ser dito sobre isso.
- Mariana estás a negar o óbvio, o Ruben teve um ataque de ciúmes e só quando gostamos de alguém é que sentimos ciúmes.
- Deixa os filmes de lado, o Ruben é só um puto mimado que julga que tem a exclusividade da minha amizade quando talvez já nem amizade tem.
- Desculpa? - olhei-a - O que queres dizer com isso?
- Que para mim o Ruben a partir de hoje será só um conhecido, depois do que fez, de ter deixado o meu irmão plantado à sua espera mas principalmente por o ter desiludido bem que pode esquecer que um dia o chamei de amigo.
- Mariana estás a precipitar-te.
- Não, não estou - olhei-a - a única vez que o fiz foi quando deixei o Ruben se aproximar de nós, quis acreditar que ele seria diferente mas no fundo não passa de um puto que acha que pode tudo.
- Amiga, sei que detestas que magoem o Martim e quando o assunto é o teu irmão fazes tudo para o proteger mas neste caso não acho que o Ruben seja má influência, o rapaz até pode ter exagerado mas dá-lhe uma oportunidade de se justificar.
- Esquece.
- Mariana não sejas casmurra e fala com ele pelo menos tenta entender as razões que o levaram a reagir assim para tomares uma decisão.
- A decisão está tomada, não vou deixar de lhe falar mas vou afastar-me o meu irmão não precisa de levar rebocadas só porque o menino resolve dar numa de mimado e egocêntrico.
- Mariana, o Ruben mexe contigo?
- Desculpa?
- Desculpo tudo o que quiseres mas responde à pergunta que te fiz.
- Não.
- Pára de mentir - olhei-a - qual é o mal de admitires que o rapaz mexe contigo?
- Não posso admitir uma coisa que não sinto.
- Tens coragem para negar o óbvio?
- Qual óbvio?
- Que há qualquer coisa que vos atrai um no outro.
- Letícia sentia-me bem quando estava com o Ruben mas era só amizade.
- Tens a certeza? Amiga isso não será o início de uma paixão disfarçada pela amizade?
- Mas isto anda tudo louco, é?
- Mariana não sei se tenho razão mas devias parar para pensar em tudo o que se passou desde que conheceste o Ruben, tenta entender o motivo pelo qual permitiste que o rapaz entrasse assim na tua vida, sabes melhor do que eu que só houve um rapaz que conseguiu estar tão próximo de ti.
- Não confundas as coisas.
- Tudo bem não insisto mais mas pensa no que falei.
Não lhe respondi e por isso deixou-me sozinha, pensei e repensei no que falou o que foi motivo suficiente para ficar com a certeza que durante os próximos quinze dias não irei pensar no assunto, quero que o Ruben vá morrer longe.

***

Os quinze dias passaram e serviram para desligar completamente dos problemas, diverti-me bastante com o Martim mas o momento de regressar a Braga chegou e com ele o reencontro inevitável com o Ruben, foi nisso que pensei durante a viagem de regresso.
- Amor acorda - despertei o Martim que vinha a dormir - já chegamos - sorri ao vê-lo a espreguiçar-se.
O meu piolho lá saiu do carro e ajudou-me a levar as malas, ele pediu para o deixar ajudar-me por isso dei-lhe o saco dos seus brinquedos por ser o mais leve, peguei nas outras malas e entramos finalmente em casa mas para mal dos nossos pecados o Ruben estava sentado no sofá à conversa com o Nuno.
- Boa tarde - cumprimentei os presentes e vi o meu piolho a dar um beijinho ao Nuno e outro à Patrícia.
- O Nuninho? - perguntou imediatamente levando os seus pais a sorrirem.
- Está a dormir.
- Posso lá ir ver eu não faço barulho - a Patrícia sorriu enternecida.
- Tens saudades dele, é?
- Sim muitas.
- Então vai lá vê-lo - o meu irmão sorriu e quando passou em frente ao Ruben, este agarrou-o.
- Larga-me - o meu irmão elevou a voz o que nos deixou a todos a olhá-lo.
- Martim o que é que se passa? - o Ruben perguntou.
- Já não gosto de ti - olhei para o meu piolho.
- Porquê?
O Ruben bem que perguntou o motivo mas ficou sem resposta uma vez que assim que o largou o Martim saiu da sala a correr.
- Posso saber o que é que o puto têm? - perguntou-me.
- Não sabes? Julguei que tivesses alguma inteligência mas pelo visto não tens - ripostei.
- Fiz-vos algum mal, foi?
- Nem resposta mereces - tentei sair da sala mas o Ruben levantou-se e agarrou-me pelo braço - largar-me - dei um esticão ao braço soltando-me das suas mãos.
- Estás chateada?
- O que é que achas? Por acaso passou-te alguma vez pela cabeça que magoaste o meu irmão ao não apareceres nas festa de final de ano? Nem te dignaste a ligar para lhe dares um motivo e obrigaste-me a mentir-lhe porque não sabia o que lhe haveria de dizer por isso sim estou chateada mas não é contigo é mesmo comigo por ter sido otária e ter deixado que te aproximasses dele, vocês no fundo são todos iguais - ele olhava-me sem abrir a boca - por isso antes que ouses dizer o que quer que seja esquece que um dia te chamei de amigo de hoje em diante ou melhor de há quinze dias para cá não passas de um mero conhecido com quem vou ter que cruzar-me. Ah e faz o favor de não te aproximares mais do meu irmão porque o puto não te quer ver nem pintado de ouro, entendeste?
- Mariana deixa-me explicar o que se passou - pediu.
- Não há nada para explicar não passas de um miúdo mimado que ao sentir-se ameaçado faz um escândalo.
- É isso que pensas?
- É.
- Tudo bem - falou ao baixar o olhar - mas deixa-me pelo menos tentar falar com o Martim.
- Nem em sonhos voltas a aproximar-te do meu irmão - olhou-me - o miúdo não quer saber mais de ti, aliás nem ele nem eu, porque se conseguiste passar quinze dias sem um único telefonema a pedir desculpas podes muito bem passar o resto dos teus dias a ignorar-nos porque podes ter a certeza que será isso que nós vamos fazer, como vês quem teve sempre razão fui eu, sempre soube que a tua amizade era mal de pouca duração mas fui parva em ter permitido que enganasses-me no entanto só caio á primeira por isso afasta-te do Martim ou vais ter problemas porque só por cima do meu cadáver é que voltas a magoar o meu irmão, estamos entendidos?
O Ruben não disse mais nada simplesmente se despediu dos nossos amigos e saiu porta fora algo que agradeci mentalmente porque assim o Martim já não teria que olhar novamente para a sua cara.
- Mariana - o Nuno chamou-me.
- Diz.
- Estás bem?
- Agora sim - a Patrícia e o Nuno olharam-me - já há quinze dias que andava com isto entalado mas agora que já o disse ao interessado estou óptima - sentei-me no sofá.
- Tens a certeza?
- Absoluta.
- Amiga sei que não gostas que se metam na tua vida mas devias deixar que o Ruben se justificasse.
- Patrícia será que ainda não entenderam que quero que o Ruben vá morrer longe.
- Hey agora estás a exagerar.
- Nuno quem exagerou foi ele ao fazer o que fez.
- Mariana, o Ruben contou-me o motivo pelo qual reagiu assim - interrompi-o.
- Não quero saber que tenho raiva de quem sabe - eles sorriram.
- Vocês estão a ser os dois casmurros.
- Sou casmurra sou mas é essa casmurrice que protegeu-me a vida inteira e das poucas vezes que a deixei de lado só me magoei - disse já com as lágrimas nos olhos, pela primeira vez em quinze dias percebi a falta que o estúpido do Ruben iria fazer-me.
- Anda - a Patrícia puxou-me pela mão e levou-me até ao seu quarto - senta-te que quero falar contigo.
- Diz.
- Mariana deita cá para fora o que estás a sentir - pediu-me - linda é mais do óbvio que tudo isto mexeu contigo e que não estás a conseguir lidar com o que estás a sentir.
- Não há nada para ser falado.
- Pára de fugir à confusão que vai nessa cabeça, Mariana é nítido que só pediste ao Ruben para se afastar porque o teu irmão está chateado no fundo não é isso que queres se fosse não estarias triste.
- Não estou triste mas sim revoltada com aquele otário - ela sorriu.
- É otário mas é por esse otário que o teu coração bate - olhei-a incrédula - não faças essa cara, Mariana já todos percebemos o que vosso problema é gostarem um do outro só ainda não entendemos é o motivo pelo qual não admitem - levantei-me da cama e fui até à varanda - não fujas ao que sentes - ela veio atrás de mim - até podes ainda não perceber o que é mas já há muito que passou a barreira da amizade se é amor não sei mas que não é só amizade lá isso não é.
- Estás enganada - ela interrompeu-me.
- Não, estou certa e sabes disso melhor do que eu.
- Patrícia o Ruben é ou melhor era só um amigo que desiludiu-me e por isso estou triste.
- Aí é que está, o Ruben desiludiu-te quando deixou que os ciúmes falassem mais alto ao ver-te na conversa com o Miguel e que por isso não conseguiu ir à festa do Martim mas sabes que foi a pensar no teu irmão que ele não apareceu?
- Só podes estar a gozar.
- O Ruben estava roído de ciúmes coisa que ele condena e nunca fez nem admitiu que lhe fizessem ou porquê que achas que a relação com a Soraia terminou? Ele tinha coincidência que se fosse à festa e que te visse à conversa com o Miguel que não se iria controlar por isso preferiu desiludir o teu irmão com a falta de comparência do que perder de vez a tua amizade.
- A minha amizade só a perdeu no momento que decidiu não ir à festa e que magoou o meu piolho, já para não falar que andou a mentir-me este tempo todo.
- Como assim? Porque que falas que ele andou a mentir-te?
- Porque antes dele de ir de férias perguntei-lhe o que sentia por mim e ele disse que era só amizade, se fosse só amizade não teria ciúmes como vocês falam mas isso agora também não interessa - olhou-me - em primeiro lugar vem sempre o Martim por isso quero que o Ruben vá para o raio que o parta e que nos deixe em paz.
- Mariana esquece por segundos o Martim e pensa só em ti por uma vez que seja pensa nos teus sentimentos, na tua felicidade para além do teu irmão, rapariga não te esqueças que o Martim não será eternamente teu, compreendo que para ti não é fácil desligares o lado de mãe porque sei que fazemos tudo pelos nossos filhos mas pensa em ti nem que seja só por segundos, pondera se é mesmo isso que queres, se estás disposta a ver o Ruben partir só porque o teu irmão está a fazer birra e acha que o Ruben já não é seu amigo.
- Patrícia vocês estão a partir do pressuposto que gosto dele quando isso não é verdade.
- Será que não? Mariana, cada vez tenho mais certezas que estás a usar esta situação como desculpa para fugires ao que sentes e que por algum motivo não estás a conseguir entender o que é - olhou-me - consegues negar que não sentiste a falta de falar com ele, de ouvir a sua voz, de o ver a sorrir, dos abraços e beijinhos dele.
Não consegui responder a verdade é que senti mesmo falta do meu amigo, talvez seja esse o motivo pelo qual dói ter que afastar-me do Ruben mas é isso que tenho de fazer e é isso que irá acontecer, de hoje em diante seremos só conhecidos. Acabei por sair do seu quarto e ir até ao meu, entrei e tranquei a porta, deitei-me na minha cama e chorei, chorei até não poder mais mas ao fim de uma hora estava pronta para enfrentar o mundo e lutar pela felicidade do meu irmão. Ainda fiquei deitada durante um bocado mas acabei por levantar-me e ir até ao quarto do Nuninho estava com saudades dele e a precisar de ver o seu sorriso que tal como o do meu irmão acalma-me de uma forma inexplicável.

Ruben

Os últimos quinze dias foram horríveis depois de chegar a Lisboa arrependi-me de não ter ido à festa do Martim e pior fiquei quando soube através do Nuno que o puto tinha ficado magoado comigo, ainda tentei ligar à Mariana para pedir desculpa mas de todas as vezes que pegava no telemóvel para o fazer acabava sempre por desistir, andei nisto quinze dias, quinze dias que formam um martírio para mim, a cada dia que passava a falta de ouvir a voz da Mariana aumentava o que fez com que andasse mais abatido algo que não passou despercebido ao Nuno nem à Patrícia que um dia encostaram-me entre “a espada e a parede”, eles tanto insistiram que acabei por contar o que se andava a passar, admiti que senti ciúmes e que amo a Mariana, que não sei como nem porquê, só sei que o que sinto por ela nunca senti por ninguém, eles ao início acharam que estava a exagerar mas acabaram por entender e ainda tentaram animar-me ao afirmar que quando a Mariana regressasse que iríamos conversar e resolver o assunto mas isso não aconteceu, tal como esperava a Mariana estava chateadíssima e nem deu-me hipótese de explicar.

***

As semanas passaram, estávamos agora no fim de Julho e apesar dos meus esforços para aproximar-me de novo da Mariana mas principalmente do Martim nada resultava, o puto ainda conseguia estar mais afastado de mim do que a irmã, pelo menos com ela sempre trocava algumas palavras uma vez que a Mariana fez questão de cumprir com o que afirmou quando falou que seríamos só conhecidos.
Hoje acordei sem vontade nenhuma de ir treinar talvez por saber que o treino seria aberto aos adeptos logo a confusão seria alguma no entanto não tive outra escolha a não ser comparecer ao treino. Equipei-me com o Nuno a dar-me na cabeça por andar distraído mas deixei-o a falar sozinho e fui até ao campo, o que iria implicar ver novamente a cara do Miguel que a cada dia que passa a vontade de lhe apertar o pescoço aumenta, pois sei que anda a conversar mais do que seria suposto com a Mariana.
O treino correu bem, aliás deve ser a única coisa que anda a correr-me bem mas foi quando já ia a recolher aos balneário que vi quem não esperava, a Mariana estava alegremente à conversa com o Miguel, com eles estavam o Martim e o filho dele, fiquei uns segundos a observá-los mas acabei por aproximar-me.
- Bom dia - falei ao chegar juntos deles.
- Bom dia - a Mariana respondeu secamente - Miguel depois falamos melhor porque agora tenho de ir - ela ignorou-me completamente e por isso tentei falar com os putos, o filho do Miguel ainda falou já o Martim simplesmente virou-me a cara, o puto consegue ser tão ou mais casmurro que a irmã.
- Sim vai lá que depois ligo-te para combinarmos o jantar - o Miguel sorriu e depois despediu-se da Mariana com um beijo no rosto, gesto que repetiu com o Martim e depois do seu filho se despedir deles foram embora.
- Vamos Martim - a Mariana falou para o irmão.
- Sim vamos que quero ir comer o gelado que a mana prometeu - falou alegremente provocando o sorriso na irmã, suspirei sem ter dado conta o que fez com que olhasse para mim.
- Estás a sentir-te bem? - perguntou-me inevitavelmente sorri por ver que estava preocupada comigo.
- Sim - olhámo-nos por uns segundos.
- Vamos mana - o Martim puxou-a pelo braço despertando-a para a realidade.
- Já estou a ir - sorriu novamente.
- Espera - pedi ao correr atrás deles.
- O que queres?
- Falar - ela sorriu cinicamente - Mariana por favor dá-me uma oportunidade para tentar remendar o que fiz - estava praticamente a suplicar e talvez por isso ela tenha vacilado.
- Tudo bem - olhou-me - terás a tua oportunidade no dia que conquistares novamente a confiança do Martim se conseguires que ele te desculpe depois falamos sobre o que quiseres até lá seremos unicamente conhecidos.
- Estás a colocar-me à prova, é?
- Sim.
- Ok - olhei para o puto - Martim posso ir convosco comer um gelado.
- Não - respondeu imediatamente.
- Porquê?
- Não és meu amigo - virou-se para a irmã - mana espero por ti ao pé do carro pode ser?
- Pode porque a mana daqui vê-te - o miúdo saiu a correr - como vês não será fácil.
- Fizeste de propósito, não foi? Já sabias que o miúdo não iria facilitar.
- Não, simplesmente tenho em conta a opinião do meu irmão, reconquista-lo e terás todo o tempo que quiseres para tentares fazer-me mudar de ideias, até lá continua como está.
- Pode levar tempo mas irei reconquista-lo e nesse dia terei a minha oportunidade.
- É como falei, reconquista-lo e depois falamos agora deixa-me ir que tenho o meu irmão à minha espera.
- Posso pelo menos dar-te um beijo de despedida?
- Não, reconquista-lo primeiro e terás a oportunidade para te justificares só depois disso é que decidirei se mereces ou não uma segunda oportunidade.
- Posso só fazer uma pergunta?
- Podes perguntar tudo o que quiseres mas daí a dar-me ao trabalho de responder já é outra questão.
- Tu e o Miguel - ela olhou-me - vocês andam a sair?
- Desde quando é que te devo satisfações com quem saio ou deixo de sair? Mas se estás assim tão interessado, sim ando a sair com ele porquê?
- Sabes que ele para todos os efeitos ainda continua casado com a mãe do puto, não sabes?
- Sei, mas caso não saibas isso está por dias - sorriu com desdém - já faltou mais para o Miguel ficar livre da ex-mulher se bem que isso não te diz respeito.
Ela virou costas e foi embora sem olhar uma única vez para trás, acabei por ir até ao balneário.
- Ui o que se passou?
- Nada.
- Ruben, vens mais animado e como sei que hoje tivemos dois adeptos que nos são próximos a assistir não será difícil concluir que tiveste a falar com a Mariana.
- Sim tive - sorri, apesar de não ter gostado da última informação que obtive da Mariana, só o facto de ela dar-me a oportunidade de tentar-me aproximar do puto já era motivo para estar contente.
- Conta - olhei-o e acabei por partilhar com o Nuno a minha conversa com a Mariana - puto aproveita a oportunidade que ela está a dar olha que pelo que sei a Mariana não é pessoa de dar oportunidades a quem a magoa se te deu a ti por alguma razão foi.
- Para ser sincero acho que só tive esta oportunidade porque a Mariana está convicta que não vou conseguir dar a volta ao puto mas está redondamente enganada, nem que seja a última coisa que faça mas o Martim vai voltar a falar comigo, ó se vai.
- Sempre ouvi dizer que a determinação é meu caminho andado para o sucesso - gargalhou - por isso vais no bom caminho.
- É, agora só tenho que descobrir como é que lhe vou dar a volta.
- Isso terás que descobrir sozinho.
- Por acaso estou a contar com a ajuda de uma pessoa.
- Vê lá o que fazes.
- Não te preocupes, só tenho que ligar para a Letícia afinal ela conhece o Martim tão bem como a irmã.
- Ok, agora deixa-me ir que tenho a Patrícia à minha espera para almoçarmos.
Depois do Nuno sair fui tomar um duche rápido queria ligar o quanto antes para a Letícia e pedir a sua ajuda. Estive vários minutos à conversa com ela e depois de lhe explicar o que se passava a Letícia lá me deu algumas ideias. Fui para casa a pensar nelas mas decidi-me por algo bem diferente, no entanto liguei-lhe a perguntar se seria boa ideia, algo que ela afirmou que melhor impossível já que o Martim em tempos pediu isso à irmã, aliás a Mariana pelo que a amiga disse anda a juntar dinheiro para realizar esse desejo ao puto. Acabei por desligar a chamada e não perdi tempo em começar a preparar o meu plano mas isso implicaria convencer a Patrícia e o Nuno a alinharem algo que fiz sem grandes demoras.

O que terá o Ruben decidido fazer? Irá conseguir que o Martim o perdoe?

9 comentários:

  1. Ahhh adoro surpresas... Mas só quando sou eu faze-las pq assim sei o que são.
    Quando são os outros não gosto nada porque detesto está sensação de não saber o que se passa por isso faz favor de dar ão dedo.

    Ahhh é que verdade adorei, a Mariana é que torta mas o puto ainda é pior... E o Ruben é que vai passar as passinhas do Algarve...

    Bjokinhas
    Mariaa

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  2. Céus!!!! Será que nem o Martim facilita??? Vai-me dar uma coisa...
    E eu a pensar que o puto ia ajudar... eu preciso de saber no que isto vai dar e rápido.
    Muito bom.
    Quero mais!!!!
    Beijinhos.

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  3. Não vai ser fácil a reconquista, vamos lá ver como é qe isto corre!
    Quero o próximo!
    Beijinhoos

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  4. lindoooo, adorei este capitulo!! :)) estou mortinha para ver o que o menino ruben anda a aprontar, e aposto que o puto vai adorar e a mariana vai se render ao ruben, perdoando-o! isso é que era optimo! ;DD

    fico à espera do proximo!

    beijinhos :)

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  5. magnifico...

    tou super curiosa para ver o proximo...continua...

    quero mais...

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  6. Concordo com a Maria, o Ruben anda mesmo a passar as passinhas do algarve, é que nem o puto facilita, ainda é mais torto que a irmã.
    Se a surpresa fôr aquilo que falámos no outro dia, digo-te uma coisa, até eu queria uma surpresa assim, o puto vai delirar, e aí a Mariana tem que cumprir com o prometido e dá outra oportunidade ao homem, que anda desesperado, tal como ela, mas como é torta não admite.
    Adorei,adorei, mas terminar assim não, quero vê-los rendidos um ao outro, por isso bandeia-te.

    Beijocas

    Fernanda

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  7. Olá :)
    Gosto imenso do Martim mas foge ele é um osso duro de roer xD e espero que o Rúben consiga dar a volta a esta situação e que a surpresa seja algo em grande!
    Mas não me deixes cheia de curiosidade sim?!
    Quero o próximo muito muito rápido!
    :P
    Beijinhos
    Rita

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  8. Olá!
    Tão, mas tão ansiosa pelo próximo!!!!!
    Espero que a ideia resulte. O Ruben apesar de parvo merece uma oportunidade!!!
    Fico à espera!

    Beijo
    Ana

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  9. Pronto, apesar de muito triste lá venho eu deixar o meu comentário ..

    Adoro, e pronto estás cenas de a Mariana negar que está triste pelo afastamento é o máximo .. :)

    Posta rápido, sim?? *.*

    Beijinho linda

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