Ruben
Acordei disposto a resolver de uma vez este mal-entendido
porque passar outra noite mal dormida não estaria com nada por isso levantei-me
e depois de despachar-me saí com destino à casa do Nuno. Quando lá cheguei a
Mariana já tinha saído para ir deixar o Martim por isso acabei por ficar à sua
espera enquanto jogava um pouco com o Nuno.
- O que é que tens?
- Nada.
- Nada? Estás
totalmente desconcentrado e farto de perder sem refilares uma única vez por
isso não acredito que não se passa nada?
- Discuti com a
Mariana - acabei por admitir.
- Qual foi o motivo?
- Miguel diz-te
alguma coisa?
- Ui, o que é que ele
fez?
- Por enquanto nada
mas tentei abrir os olhos à Mariana e ela ficou toda ofendida.
- Puto, estás
cheiinho de ciúmes algo que a Mariana já deve ter percebido por isso é lógico
que a rapariga não gostou, já bem basta o irmão.
- Sim, tenho ciúmes e
admiti isso mas caramba se visses outro gajo a atirar-se à Patrícia também não
irias gostar, além disso também já estranhaste o interesse dele na Mariana ou
vais negar?
- Não, realmente é
estranho perguntar por ela todos os dias mas não tens motivos para ficares
inseguro a Mariana só tem olhos para ti.
- Será que ninguém
percebe que tenho medo, que são mais as pessoas que estão contra nós do que do
nosso lado.
- Ruben, fala
calmamente com a Mariana explica-lhe os teus receios, a rapariga vai
entender-te, agora não lhe podes é exigir que deixe de falar com o Miguel
porque se entras por esse caminho ela não vai gostar e muito menos tolerar.
- Também aonde é que
foi que está a levar tanto tempo - bufei levando o Nuno a sorrir.
- Sossega que quando
chegar logo falas com ela.
Acabei por tentar distrair-me e quando dei por isso já tinha
diante de nós a Mariana.
- Bom dia - falou
ao entrar na sala mas nem se aproximou de mim saindo logo de seguida.
- Não vais falar com
ela? - o Nuno perguntou talvez porque fiquei sentado.
- Vou - respirei
fundo e levantei-me do sofá.
- Ruben, não comeces
a espingardear - olhei-o - a Mariana
tem um feitio especial não te esqueças disso.
- Não te preocupes
- respondi já a sair da sala, caminhei até ao seu quarto e quando lá cheguei
bati à porta antes de entrar - podemos
falar? - perguntei quando já estava no interior do quarto.
- Diz - olhou-me
e por isso viu-me a babar completamente ou não fosse estar a observá-la.
- Desculpa, amor sei
que não devia ter falado naquele tom mas a verdade é que sempre que penso no
que oiço todos os dias de manhã e no que vejo sempre que ele se aproxima de ti
fico com os nervos em franja - a Mariana sorriu - não tem piada.
- Ruben, não tens
motivos nenhuns para ficares com os nervos em franja porque o que está em causa
não é se o Miguel quer alguma coisa comigo mas sim o que pretendo para mim,
quando é que percebes que é de ti que gosto, é contigo que namoro e és tu que
ocupas o meu coração e pensamento - olhei-a - será que não confias em mim e por isso estás inseguro?
- Não é nada disso
- aproximei-me - amor só não gosto de
ver o Miguel tão próximo de ti.
- Deste para embirrar
com isso e não há nada que diga que faça mudar-te de ideias pois não?
- A questão não é
mudar de ideias - olhou-me - é mesmo
ter receio de te perder.
- Deixa de ser tonto
- sorriu ligeiramente - não vais
perder-me pelo menos enquanto tivermos este sentimento a ligar-nos -
olhou-me - não sei se é para a vida, só
sei que quero aproveitar ao máximo.
- Isso quer dizer que
não estás chateada comigo?
- Nunca estive -
olhei-a surpreendido - simplesmente
percebi que ontem não adiantava continuarmos com aquela conversa porque não
irias ouvir nada do que poderia falar.
- Sinceramente pensei
que estivesses chateada - sorriu.
- Ruben, não fiquei
chateada, no entanto espero que não repitas a gracinha, ciúmes todos temos mas
convém aprendermos a lidar com eles.
- Já percebi o recado
- tentei beijá-la mas fiquei-me só pela tentativa porque a Mariana fugiu com a
cara - o que foi?
- Preciso falar
contigo sobre outra coisa.
- Diz.
- Tens alguma coisa
para fazer esta tarde?
- Tirando estar
contigo - sorriu - não tenho nada,
porquê?
- Hum, isso quer
dizer que se te pedir para vires comigo ao primeiro treino do Martim aceitas?
- Lógico, mas queres
que vá?
- É mais o Martim que
quer, hoje acordou elétrico e pediu-me para te ligar porque quer que vás com
ele - sorri ao ouvir tal pedido.
- A sério?
- Ya, o Martim no
fundo adora-te só quando lhe dá para os ciúmes é que a coisa complica -
sorri.
- Temos mesmo que lhe
contar.
- Sim, mas quero ver
se acalma mais um pouco.
- Tudo bem mas amor
não queres regressar para junto do Nuno afinal deixamo-lo sozinho.
- Ele não tem medo
- sorriu para depois beijar-me demoradamente - além disso quero aproveitar que o Martim está na escola para estar
contigo - sorri ao ouvi-la - não
queres ir dar uma volta podíamos levar o Nuninho até ao parque para brincar?
- Amor, por mim
vamos.
- Fixe - sorriu -
vou só mudar de roupa - saiu do meu
colo e foi direta ao roupeiro onde escolheu algo mais confortável e sem que
tivesse à espera começou a despir-se bem na minha frente não resisti e quando
já estava só em lingeri aproximei-me - onde
é que o menino pensa que vem? - falou enquanto tentava fugir de mim mas
agarrei-a pela cintura encostando-a à parede o que fez com que olhasse bem nos
meus olhos.
- Tinhas mesmo que
provocar? - perguntei antes de unir as nossas bocas em um beijo a tender
para o selvagem.
- Não provoquei, só
estava a tentar mudar de roupa - falou quando a minha boca já percorria os
seus ombros - amor chega - olhei-a
imediatamente - deixa-me ir vestir -
pediu e por isso mesmo afastei-me no entanto fiquei a olhá-la e só quando já
estava vestida é que se justificou - desculpa
mas hoje é que não dá mesmo para nos amarmos - falou envergonhada o que deu
para perceber ao que se referia.
- Amor não tens culpa
de estares nesses dias - abracei-a - mas
para a próxima não provoques, está cada vez mais difícil ficar longe de ti e
agravou depois de quase nos termos amado na casa do meu irmão - fui
sincero.
- Ruben nunca pensei
que por veres-me de roupa interior ficasses tão animado, afinal já me viste
várias vezes de biquíni o que a bem da verdade não é muito diferente -
gargalhei - mas terei mais atenção no
futuro - colocou os seus braços à volta do meu pescoço - amo-te - beijou-me - mas agora vamos buscar o Nuninho.
Saímos do quarto abraçados e ao chegarmos à sala vimos o
Nuno a brincar com o filho e quando a Mariana disse que iria levá-lo ao parque
o nosso amigo colou-se, por isso mesmo saímos todos, passamos um resto de manhã
agradável com muita brincadeira e alguma conversa à mistura.
***
- Amor já dorme? - perguntei ao ver o meu
afilhado deitado na sua cama.
- Sim - sorriu
- Hum não queres ir
até ao jardim para aproveitarmos esta tarde de sol - pedinchei.
- Daqui a nada tenho
de ir buscar o Martim.
- Ainda falta quase
duas horas para o irmos buscar não sejas cortes, anda lá - dei-lhe um
beijo.
- Ok, chato -
sorriu - vai andando que vou só comer
qualquer coisa e já lá apareço.
- Até já -
beijei-a e depois segui até ao jardim onde o Nuno estava sentado na relva.
- Então a Mariana não
vem?
- Foi só comer-
informei-o.
- Puto, é verdade
como é que vocês estão?
- O que queres saber?
- olhei-o.
- A história do
Miguel?
- Ah isso já está
resolvido mas também não quero falar disso agora porque a Mariana vem aí -
falei ao vê-la a aproximar-se, assim que chegou junto de nós sentou-se no meio
das minhas pernas.
Estávamos os três a falarmos quando o Nuno informou que iria
buscar um sumo para ele, perguntando se também queríamos, respondemos e logo
depois ele desapareceu, aproveitei que estávamos a sós para a beijar, a
intenção não seria levar tão longe o beijo mas o certo é que quando o Nuno
regressou já estava deitado em cima da Mariana e com a minha mão a percorrer o
seu corpo, estávamos tão entregues um ao outro que não reparamos que já o
tínhamos do nosso lado, só mesmo quando abriu a boca é que percebemos.
- Vejam lá se não
querem uma cama - interrompi imediatamente o beijo e olhei para a Mariana,
já sabia que iria estar envergonhada mas ainda assim não consegui deixar de sorrir
ao vê-la sem saber o que dizer.
- Não lhe ligues
- sussurrei-lhe ao ouvido para a beijar novamente mas agora fomos bem mais
contidos - amo-te - sorriu e quando saí de cima dela, foi a vez de a Mariana
procurar alguma proximidade, o meu amor abraçou-me e colocou a sua cabeça no
meu peito, o que fez o Nuno sorrir.
- Que foi? -
perguntou-lhe.
- Nada de especial
mas lembrei-me como não suportavas o Ruben ao início e agora nove meses depois
estão assim tão apaixonados - a Mariana suspirou levando-nos a sorrir.
- A culpa é deste
menino - deu-me um beijo - que com a
sua teimosia e jeito de criança conquistou-me.
- Jeito de criança,
é? - inquiri.
- Sim, criança
traquina - o nosso amigo sorriu.
- Ai é? - sorri
para logo depois começar um ataque de cócegas umas vez que a Mariana já estava
novamente deitada na relva, acabei sentado em cima das suas pernas e na
brincadeira com ela, o que levou mais uma vez o Nuno a sorrir.
- Parecem dois putos
- olhámos quando ouvimos a voz da Patrícia.
- Amor já em casa?
- o nosso amigo perguntou afinal ainda não eram horas dela regressar do seu
trabalho.
- Estou maldisposta
por isso vim para casa.
- Não queres ir ao
médico?
- Não, isso passa
- a Mariana olhou imediatamente para a Patrícia.
- Tens a certeza?
- Sim.
- Patrícia se até à
noite não melhorares vamos ao médico e não há discussão possível - a
Mariana sorriu disfarçadamente o que levou-me a perguntar quase num murmúrio o
motivo pelo qual se estava a rir, afinal a nossa amiga estava indisposta.
- É engraçado ver o
Nuno todo preocupado - sorriu - quando
a Patrícia provavelmente só está indisposta porque comeu alguma coisa que lhe
caiu mal.
- Amor é normal que se
preocupe - olhou-me - se fosse
contigo também iria ficar.
- Então ainda bem que
está longe de acontecer - murmurou.
- Nunca se sabe-
olhou-me - ninguém está livre de comer
alguma coisa que faça mal - sorriu - onde
é que está a piada?
- Esquece -
beijou-me demoradamente o que fez os nossos amigos mandarem algumas piadas mas
a Mariana não ligou nenhuma e continuou numa de dar-me mimos, algo que estava
mesmo a saber bem mas como tudo o que é bom acaba depressa tivemos que
interromper para voltarmos à realidade de termos um piolho pela casa, já estava
na hora de irmos buscar o Martim à escola.
- Amor - entrei
no seu quarto.
- Diz.
- Posso ir busca-lo
sozinho? - beijei-a.
- Porquê? -
olhou-me.
- Para se habituar.
- Habituar a quê?
- A que vá busca-lo
- abracei-a - amor quero aproximar-me
ainda mais do Martim - olhou-me - Mariana
talvez se estiver mais presente na vossa vida ele aceite melhor o nosso namoro,
entendes?
- Sim mas
sinceramente não acho que seja por aí que vá entender que não queres roubar-me
dele - beijou-me - mas se fazes
questão de o ir buscar não vou opor-me, só te peço para teres cuidado, não
faças dessa ia à escola um alvoroço com as crianças.
- Vou ser discreto
- beijei-a - agora deixa-me ir para não
chegar atrasado - ela sorriu - o que
foi?
- Nada só achei piada
a essa tua tentativa de virares pai do meu irmão - olhei-a - amor não confundas as coisas sei que é
complicado quando passamos tanto tempo ao lado do Martim não o tratarmos como
se fosse um filho mas na realidade não o é. Ruben, não serás pai tal como não
sou mãe do Martim, não é por namorarmos que tens de ser responsável pelo meu
irmão.
- Mariana, não quero
ser pai dele mas se estamos juntos é logico que sinto-me também um pouco
responsável pelo Martim, sei que o puto não é meu filho mas na verdade é como
se fosse um enteado, amor a única coisa que te impede de chamar filho ao teu
irmão é o grau de parentesco direto porque em tudo o resto és a única mãe que
conhece e espero sinceramente ser o único homem que ele um dia possa
identificar com o que tiver de mais parecido com um pai - a Mariana
olhava-me atenta - amor podes pensar que
são frases feitas ou que já o disse a todas as raparigas com quem andei mas o
que sinto por ti é único não sei explicar mas contigo sinto uma paz interior
enorme, uma segurança e uma vontade de constituir família que nunca antes
senti, já para não falar na falta que me fazes, na necessidade que tenho em
estar do teu lado, Mariana está a tornar-se impossível pensar no amanhã sem que
estejas do meu lado a apoiar-me, amor se hoje tivesse que deixar o Braga para
voltar ao Benfica não sei se seria capaz de ir deixando-te aqui, sei que o fiz
com a Soraia deixei-a em Lisboa e vim para Braga mas contigo duvido muito que
consiga fazer algo do género, amo-te cada vez mais, por isso é impossível não
olhar o para Martim e não sentir-me também responsável por ele.
- Ruben -
suspirou - não sei o que dizer depois do
que acabei de ouvir - sorri - para
mim também está a tornar-se impossível continuar a fingir que somos só amigos
quando estamos perante terceiros mas sabes o que está em jogo, nunca te escondi
nada e muito menos o receio que tenho do que pode vir por aí se descobrem que
namoramos, é a segurança do meu irmão - as lágrimas vieram-lhe aos olhos - por muito que te ame vou ama-lo sempre mais
mas não vai ser esse amor que sinto pelo meu irmão que irá impedir-me de viver
e aproveitar ao máximo o que sinto por ti, só precisamos de não apressar as
coisas, sei que estou a pedir muito, que não é fácil, que queres começar a
fazer planos para o futuro, que queres chegar a casa e encontrares alguém à tua
espera, que queres casar e ser pai mas amor isso deve-se essencialmente porque
já viveste muito mais do que eu no que respeita a relacionamentos o que
contribuiu para que o teu lado de namorado e companheiro responsável tenha
vindo ao de cima mas eu nunca tive esse tempo apesar de sermos da mesma idade
neste campo já viveste muito mais do que vivi, para mim está a ser tudo
novidade e por muito que te ame acho que ainda é muito cedo para atirar-me de
cabeça, Ruben não te esqueças que tirando a parte dos beijos e dos amassos tudo
o resto é novidade para mim, nunca namorei a sério com ninguém e nem sei muito
bem o que é isso daí querer ir com calma, entendes?
- Sim, mas amor não
estou a querer apressar nada, até porque quero que vivas e aproveites todas as
fases do namoro, a única coisa que quero o mais rápido possível é que contes ao
Martim mesmo que vá reagir mal, que não aceite e que dificulte ao máximo, amor
não faz sentido que o miúdo continue posto de lado como se não fosse essencial
para que estejas bem, o Martim é a tua razão de viver e enquanto não estiver
incluído verdadeiramente no nosso namoro nunca vais conseguir pensar num futuro
a três e é isso que quero que comeces a pensar, só assim é que irás perder
esses medos todos que sentes.
- Tens razão o melhor
mesmo é contar o quanto antes ao meu irmão - beijou-me - ainda hoje vou tentar falar com ele mas não
prometo.
- Se fores tentando
já é um bom princípio mas agora tenho mesmo que ir ou o puto fica plantado à
minha espera - sorriu - até já amor
- beijei-a e finalmente saí com destino à escola do puto.
Conduzi calmamente e quando cheguei estacionei o carro no
parque em frente à escola, fiquei no seu interior à espera do toque de saída e
só quando o vi a aproximar-se do portão é que saí do carro, atravessei a
estrada e quando estava a chegar à entrada da escola vi o Miguel, também ele
tinha vindo buscar o filho.
- Ruben por aqui?
- perguntou surpreendido.
- Parece que sim
- respondi sem dar grande importância ao facto e talvez por isso não voltou a
meter conversa.
- Ruben - tinha
acabado de avisar a auxiliar que vinha buscar o Martim quando o vi a correr na
minha direção e a chamar por mim - vieste
buscar-me? - falou animado.
- Sim, a mana pediu
para passar por aqui e levar-te.
- Fixe - sorri - ela já te disse que quero que vás comigo?
- Já.
- E vais?
- Vou mas agora temos que ir, tens de mudar de
roupa e lanchares para ires então para o treino - sorri ao vê-lo
verdadeiramente entusiasmado.
- Sim vamos -
dei-lhe a mão e atravessamos a estrada - Ruben
porquê que a mana não veio buscar-me? - perguntou quando já íamos a caminho
da casa do Nuno.
- Ela ficou a
fazer-te o lanche para não chegares atrasado ao primeiro treino.
- Tavas na casa do
Nuno com ela? - desviei o olhar por segundos da estrada e encontrei-o a
olhar-me desconfiado de algo.
- Sim.
- Agora passas lá o
tempo todo.
- Não posso?
- Podes mas é
estranho tás sempre com a mana.
- Não gostas que a
mana passe tanto tempo comigo é isso?
- Não sei - encolheu
os ombros - ela quando tá contigo tá
contente - sorriu - mas é estranho
porque quando moravas lá em casa não passavam tanto tempo juntos e agora
passam.
- Sabes que nessa
altura tinha namorada - interrompeu-me.
- Mas não gostavas
dela - a observação do puto deixou-me sem saber o que dizer.
- Porquê que falas
isso?
- Então se gostasses
não tinhas acabado com ela - sorri ao ouvir a dedução dele.
- Tens razão quando
acabei com a Soraia já não gostava dela mas quando vim para Braga ainda gostava
- respondi ao sairmos do carro uma vez que já tínhamos chegado a casa do Nuno.
- Foi por isso que só
ficaste mais amigo da mana - olhei-o - como
deixaste de gostar da Soraia tens mais tempo para tares com a mana né? -
pela primeira vez vi ali a oportunidade de dar-lhe a entender que talvez goste
da Mariana não só como amigo.
- É verdade que desde
que fiquei sem namorada que aproximei-me mais da Mariana mas isso é porque
gosto muito de vocês.
- De mim também?
- Sim.
- Mas esse gostar é
como?
- Como assim?
- Ruben é gostar só
de amigo ou é gostar como a mana gosta de mim? - o miúdo perguntou ao
entrarmos na sala o que fez com que tanto o Nuno como a Patrícia olhassem
imediatamente.
- Se sou teu amigo é
gostar de amigo, a tua mana gosta de ti não só por seres amigo dela mas também
irmão.
- Não é isso -
falou quando já estávamos sentados ao lado dos nossos amigos.
- Então?
- A mana gosta de mim
como se fosse minha mãe - olhei-o - e
o que quero saber é se também gostas de mim como a mana gosta - os nossos
amigos sorriram com a pergunta do miúdo e quando ia para responder ouvi a voz
da Mariana.
- Martim vai lavar as
mãos para ires lanchar - falou ao entrar na sala.
- Ó mana já vou mas
quero que o Ruben responda à pergunta que fiz - ela olhou-me e deve ter
percebido que a pergunta trazia “água no bico” porque voltou a falar.
- Amor, isso não pode
ficar para depois? Ou queres chegar atrasado ao treino?
- Ó mana mas é rápido
o Ruben só tem que responder se gosta de mim como tu também gostas - olhou-o
sem entender, já o puto veio sentar-se no meu colo - podes responder?
- Martim porquê que
queres saber se gosto de ti como se fosses meu filho? - desviei o olhar
para a Mariana e por isso vi que esbugalhou os olhos assim que percebeu qual
foi a pergunta que o irmão tinha feito.
- Porque eu não tenho
pai mas gostava de ter um a fingir e tu tás sempre com a mana.
- Amor - a
Mariana veio sentar-se ao nosso lado - não
podes andar por aí a dizer que o Ruben é teu pai porque isso não é verdade
- olhei-a sabia que só o estava a dizer para evitar que o miúdo falasse isso na
escola mas ainda assim doeu ouvir, afinal estava mesmo disposto a assumir esse
papel na vida do Martim e ela sabia - e
podes arranjar-lhe problemas, entendes?
- Problemas porquê?
Ele já não tem namorada por isso ninguém se vai chatear com ele - sorri com
a dedução do puto.
- Mas estarás a
mentir e isso não se faz.
- Tu também andas a
mentir - olhámos todos para o miúdo.
- O que queres dizer
com isso?
- Eu sei que andas a
sair á noite e não queres que eu fique a saber mas ontem fui ao teu quarto e tu
não tavas lá e também não tavas em casa porque eu procurei bem e não te vi.
- Martim a mana teve
que sair mas já estavas a dormir por isso é que não te disse.
- Tás a mentir eu sei
que tás - o miúdo estava determinado e antes que a conversa azedasse mais
relembrei-os que tínhamos que ir para o treino por isso mesmo fui com o puto
até à cozinha para lanchar - tu sabes o
que se passa com a mana?
- Sei - admiti.
- Então conta.
- Martim, prometo que
conto tudo mas agora tens que lanchar para irmos ao treino, quando regressarmos
falamos pode ser?
- Sim mas contas
mesmo.
- Fica descansado que
vou falar com a tua irmã e pedir-lhe que conte tudo.
- Tá bom.
O Martim comeu e no fim fui com ele até ao seu quarto,
ajudei-o a mudar de roupa e quando entramos na sala percebi que a Mariana
continuava nervosa.
- Vamos?
- Sim, é melhor
mesmo.
A Mariana saiu à nossa frente e logo atrás de si foi o
Martim, quando já ia para sair a Patrícia chamou-me.
- Ruben, tem cuidado
que a Mariana está nervosa.
- Não precisas de
dizer, já deu para ver que está uma pilha de nervos mas não te preocupes que
trato do assunto - sorriu - de hoje
não passa, o puto vai saber a verdade toda - olhou-me.
- Acabei de dizer que
ela está nervosa e tu queres obriga-la a contar ao irmão que estão juntos?
- Não vou obrigar
ninguém, vou-lhe pedir mas agora deixa-me ir.
Despedi-me dos meus amigos e fui ter com eles ao carro,
decidimos ir no meu e seguimos até ao estádio uma vez que seria lá o encontro.
Como irá correr o primeiro treino? Será que o Ruben vai cumprir a
promessa que fez ao Martim e revela-lhe a verdade?
Desculpem a demora em publicar, espero que ainda continuem a querer acompanhar esta história pois é para vocês que escrevo! Deixem as vossas opiniões através de comentários pois é isso que dá animo para continuar a dedicar tempo a este espaço, o esforço é enorme pois tempo é coisa que não tenho.
Aproveito ainda para divulgar uma nova FIC http://givemelove06.blogspot. pt/ é da Ana Laranjeira.
Beijinhos e fico à espera das vossas opiniões :)
P.S. tentarei postar o quanto antes mas não prometo nada.
