sábado, 30 de junho de 2012

035 - “Martim porquê que queres saber se gosto de ti como se fosses meu filho?”


Ruben

Acordei disposto a resolver de uma vez este mal-entendido porque passar outra noite mal dormida não estaria com nada por isso levantei-me e depois de despachar-me saí com destino à casa do Nuno. Quando lá cheguei a Mariana já tinha saído para ir deixar o Martim por isso acabei por ficar à sua espera enquanto jogava um pouco com o Nuno.
- O que é que tens?
- Nada.
- Nada? Estás totalmente desconcentrado e farto de perder sem refilares uma única vez por isso não acredito que não se passa nada?
- Discuti com a Mariana - acabei por admitir.
- Qual foi o motivo?
- Miguel diz-te alguma coisa?
- Ui, o que é que ele fez?
- Por enquanto nada mas tentei abrir os olhos à Mariana e ela ficou toda ofendida.
- Puto, estás cheiinho de ciúmes algo que a Mariana já deve ter percebido por isso é lógico que a rapariga não gostou, já bem basta o irmão.
- Sim, tenho ciúmes e admiti isso mas caramba se visses outro gajo a atirar-se à Patrícia também não irias gostar, além disso também já estranhaste o interesse dele na Mariana ou vais negar?
- Não, realmente é estranho perguntar por ela todos os dias mas não tens motivos para ficares inseguro a Mariana só tem olhos para ti.
- Será que ninguém percebe que tenho medo, que são mais as pessoas que estão contra nós do que do nosso lado.
- Ruben, fala calmamente com a Mariana explica-lhe os teus receios, a rapariga vai entender-te, agora não lhe podes é exigir que deixe de falar com o Miguel porque se entras por esse caminho ela não vai gostar e muito menos tolerar.
- Também aonde é que foi que está a levar tanto tempo - bufei levando o Nuno a sorrir.
- Sossega que quando chegar logo falas com ela.
Acabei por tentar distrair-me e quando dei por isso já tinha diante de nós a Mariana.
- Bom dia - falou ao entrar na sala mas nem se aproximou de mim saindo logo de seguida.
- Não vais falar com ela? - o Nuno perguntou talvez porque fiquei sentado.
- Vou - respirei fundo e levantei-me do sofá.
- Ruben, não comeces a espingardear - olhei-o - a Mariana tem um feitio especial não te esqueças disso.
- Não te preocupes - respondi já a sair da sala, caminhei até ao seu quarto e quando lá cheguei bati à porta antes de entrar - podemos falar? - perguntei quando já estava no interior do quarto.
- Diz - olhou-me e por isso viu-me a babar completamente ou não fosse estar a observá-la.
- Desculpa, amor sei que não devia ter falado naquele tom mas a verdade é que sempre que penso no que oiço todos os dias de manhã e no que vejo sempre que ele se aproxima de ti fico com os nervos em franja - a Mariana sorriu - não tem piada.
- Ruben, não tens motivos nenhuns para ficares com os nervos em franja porque o que está em causa não é se o Miguel quer alguma coisa comigo mas sim o que pretendo para mim, quando é que percebes que é de ti que gosto, é contigo que namoro e és tu que ocupas o meu coração e pensamento - olhei-a - será que não confias em mim e por isso estás inseguro?
- Não é nada disso - aproximei-me - amor só não gosto de ver o Miguel tão próximo de ti.
- Deste para embirrar com isso e não há nada que diga que faça mudar-te de ideias pois não?
- A questão não é mudar de ideias - olhou-me - é mesmo ter receio de te perder.
- Deixa de ser tonto - sorriu ligeiramente - não vais perder-me pelo menos enquanto tivermos este sentimento a ligar-nos - olhou-me - não sei se é para a vida, só sei que quero aproveitar ao máximo.
- Isso quer dizer que não estás chateada comigo?
- Nunca estive - olhei-a surpreendido - simplesmente percebi que ontem não adiantava continuarmos com aquela conversa porque não irias ouvir nada do que poderia falar.
- Sinceramente pensei que estivesses chateada - sorriu.
- Ruben, não fiquei chateada, no entanto espero que não repitas a gracinha, ciúmes todos temos mas convém aprendermos a lidar com eles.
- Já percebi o recado - tentei beijá-la mas fiquei-me só pela tentativa porque a Mariana fugiu com a cara - o que foi?
- Preciso falar contigo sobre outra coisa.
- Diz.
- Tens alguma coisa para fazer esta tarde?
- Tirando estar contigo - sorriu - não tenho nada, porquê?
- Hum, isso quer dizer que se te pedir para vires comigo ao primeiro treino do Martim aceitas?
- Lógico, mas queres que vá?
- É mais o Martim que quer, hoje acordou elétrico e pediu-me para te ligar porque quer que vás com ele - sorri ao ouvir tal pedido.
- A sério?
- Ya, o Martim no fundo adora-te só quando lhe dá para os ciúmes é que a coisa complica - sorri.
- Temos mesmo que lhe contar.
- Sim, mas quero ver se acalma mais um pouco.
- Tudo bem mas amor não queres regressar para junto do Nuno afinal deixamo-lo sozinho.
- Ele não tem medo - sorriu para depois beijar-me demoradamente - além disso quero aproveitar que o Martim está na escola para estar contigo - sorri ao ouvi-la - não queres ir dar uma volta podíamos levar o Nuninho até ao parque para brincar?
- Amor, por mim vamos.
- Fixe - sorriu - vou só mudar de roupa - saiu do meu colo e foi direta ao roupeiro onde escolheu algo mais confortável e sem que tivesse à espera começou a despir-se bem na minha frente não resisti e quando já estava só em lingeri aproximei-me - onde é que o menino pensa que vem? - falou enquanto tentava fugir de mim mas agarrei-a pela cintura encostando-a à parede o que fez com que olhasse bem nos meus olhos.
- Tinhas mesmo que provocar? - perguntei antes de unir as nossas bocas em um beijo a tender para o selvagem.
- Não provoquei, só estava a tentar mudar de roupa - falou quando a minha boca já percorria os seus ombros - amor chega - olhei-a imediatamente - deixa-me ir vestir - pediu e por isso mesmo afastei-me no entanto fiquei a olhá-la e só quando já estava vestida é que se justificou - desculpa mas hoje é que não dá mesmo para nos amarmos - falou envergonhada o que deu para perceber ao que se referia.
- Amor não tens culpa de estares nesses dias - abracei-a - mas para a próxima não provoques, está cada vez mais difícil ficar longe de ti e agravou depois de quase nos termos amado na casa do meu irmão - fui sincero.
- Ruben nunca pensei que por veres-me de roupa interior ficasses tão animado, afinal já me viste várias vezes de biquíni o que a bem da verdade não é muito diferente - gargalhei - mas terei mais atenção no futuro - colocou os seus braços à volta do meu pescoço - amo-te - beijou-me - mas agora vamos buscar o Nuninho.
Saímos do quarto abraçados e ao chegarmos à sala vimos o Nuno a brincar com o filho e quando a Mariana disse que iria levá-lo ao parque o nosso amigo colou-se, por isso mesmo saímos todos, passamos um resto de manhã agradável com muita brincadeira e alguma conversa à mistura.

***

- Amor já dorme? - perguntei ao ver o meu afilhado deitado na sua cama.
- Sim - sorriu
- Hum não queres ir até ao jardim para aproveitarmos esta tarde de sol - pedinchei.
- Daqui a nada tenho de ir buscar o Martim.
- Ainda falta quase duas horas para o irmos buscar não sejas cortes, anda lá - dei-lhe um beijo.
- Ok, chato - sorriu - vai andando que vou só comer qualquer coisa e já lá apareço.
- Até já - beijei-a e depois segui até ao jardim onde o Nuno estava sentado na relva.
- Então a Mariana não vem?
- Foi só comer- informei-o.
- Puto, é verdade como é que vocês estão?
- O que queres saber? - olhei-o.
- A história do Miguel?
- Ah isso já está resolvido mas também não quero falar disso agora porque a Mariana vem aí - falei ao vê-la a aproximar-se, assim que chegou junto de nós sentou-se no meio das minhas pernas.
Estávamos os três a falarmos quando o Nuno informou que iria buscar um sumo para ele, perguntando se também queríamos, respondemos e logo depois ele desapareceu, aproveitei que estávamos a sós para a beijar, a intenção não seria levar tão longe o beijo mas o certo é que quando o Nuno regressou já estava deitado em cima da Mariana e com a minha mão a percorrer o seu corpo, estávamos tão entregues um ao outro que não reparamos que já o tínhamos do nosso lado, só mesmo quando abriu a boca é que percebemos.
- Vejam lá se não querem uma cama - interrompi imediatamente o beijo e olhei para a Mariana, já sabia que iria estar envergonhada mas ainda assim não consegui deixar de sorrir ao vê-la sem saber o que dizer.
- Não lhe ligues - sussurrei-lhe ao ouvido para a beijar novamente mas agora fomos bem mais contidos - amo-te - sorriu e quando saí de cima dela, foi a vez de a Mariana procurar alguma proximidade, o meu amor abraçou-me e colocou a sua cabeça no meu peito, o que fez o Nuno sorrir.
- Que foi? - perguntou-lhe.
- Nada de especial mas lembrei-me como não suportavas o Ruben ao início e agora nove meses depois estão assim tão apaixonados - a Mariana suspirou levando-nos a sorrir.
- A culpa é deste menino - deu-me um beijo - que com a sua teimosia e jeito de criança conquistou-me.
- Jeito de criança, é? - inquiri.
- Sim, criança traquina - o nosso amigo sorriu.
- Ai é? - sorri para logo depois começar um ataque de cócegas umas vez que a Mariana já estava novamente deitada na relva, acabei sentado em cima das suas pernas e na brincadeira com ela, o que levou mais uma vez o Nuno a sorrir.
- Parecem dois putos - olhámos quando ouvimos a voz da Patrícia.
- Amor já em casa? - o nosso amigo perguntou afinal ainda não eram horas dela regressar do seu trabalho.
- Estou maldisposta por isso vim para casa.
- Não queres ir ao médico?
- Não, isso passa - a Mariana olhou imediatamente para a Patrícia.
- Tens a certeza?
- Sim.
- Patrícia se até à noite não melhorares vamos ao médico e não há discussão possível - a Mariana sorriu disfarçadamente o que levou-me a perguntar quase num murmúrio o motivo pelo qual se estava a rir, afinal a nossa amiga estava indisposta.
- É engraçado ver o Nuno todo preocupado - sorriu - quando a Patrícia provavelmente só está indisposta porque comeu alguma coisa que lhe caiu mal.
- Amor é normal que se preocupe - olhou-me - se fosse contigo também iria ficar.
- Então ainda bem que está longe de acontecer - murmurou.
- Nunca se sabe- olhou-me - ninguém está livre de comer alguma coisa que faça mal - sorriu - onde é que está a piada?
- Esquece - beijou-me demoradamente o que fez os nossos amigos mandarem algumas piadas mas a Mariana não ligou nenhuma e continuou numa de dar-me mimos, algo que estava mesmo a saber bem mas como tudo o que é bom acaba depressa tivemos que interromper para voltarmos à realidade de termos um piolho pela casa, já estava na hora de irmos buscar o Martim à escola.
- Amor - entrei no seu quarto.
- Diz.
- Posso ir busca-lo sozinho? - beijei-a.
- Porquê? - olhou-me.
- Para se habituar.
- Habituar a quê?
- A que vá busca-lo - abracei-a - amor quero aproximar-me ainda mais do Martim - olhou-me - Mariana talvez se estiver mais presente na vossa vida ele aceite melhor o nosso namoro, entendes?
- Sim mas sinceramente não acho que seja por aí que vá entender que não queres roubar-me dele - beijou-me - mas se fazes questão de o ir buscar não vou opor-me, só te peço para teres cuidado, não faças dessa ia à escola um alvoroço com as crianças.
- Vou ser discreto - beijei-a - agora deixa-me ir para não chegar atrasado - ela sorriu - o que foi?
- Nada só achei piada a essa tua tentativa de virares pai do meu irmão - olhei-a - amor não confundas as coisas sei que é complicado quando passamos tanto tempo ao lado do Martim não o tratarmos como se fosse um filho mas na realidade não o é. Ruben, não serás pai tal como não sou mãe do Martim, não é por namorarmos que tens de ser responsável pelo meu irmão.
- Mariana, não quero ser pai dele mas se estamos juntos é logico que sinto-me também um pouco responsável pelo Martim, sei que o puto não é meu filho mas na verdade é como se fosse um enteado, amor a única coisa que te impede de chamar filho ao teu irmão é o grau de parentesco direto porque em tudo o resto és a única mãe que conhece e espero sinceramente ser o único homem que ele um dia possa identificar com o que tiver de mais parecido com um pai - a Mariana olhava-me atenta - amor podes pensar que são frases feitas ou que já o disse a todas as raparigas com quem andei mas o que sinto por ti é único não sei explicar mas contigo sinto uma paz interior enorme, uma segurança e uma vontade de constituir família que nunca antes senti, já para não falar na falta que me fazes, na necessidade que tenho em estar do teu lado, Mariana está a tornar-se impossível pensar no amanhã sem que estejas do meu lado a apoiar-me, amor se hoje tivesse que deixar o Braga para voltar ao Benfica não sei se seria capaz de ir deixando-te aqui, sei que o fiz com a Soraia deixei-a em Lisboa e vim para Braga mas contigo duvido muito que consiga fazer algo do género, amo-te cada vez mais, por isso é impossível não olhar o para Martim e não sentir-me também responsável por ele.
- Ruben - suspirou - não sei o que dizer depois do que acabei de ouvir - sorri - para mim também está a tornar-se impossível continuar a fingir que somos só amigos quando estamos perante terceiros mas sabes o que está em jogo, nunca te escondi nada e muito menos o receio que tenho do que pode vir por aí se descobrem que namoramos, é a segurança do meu irmão - as lágrimas vieram-lhe aos olhos - por muito que te ame vou ama-lo sempre mais mas não vai ser esse amor que sinto pelo meu irmão que irá impedir-me de viver e aproveitar ao máximo o que sinto por ti, só precisamos de não apressar as coisas, sei que estou a pedir muito, que não é fácil, que queres começar a fazer planos para o futuro, que queres chegar a casa e encontrares alguém à tua espera, que queres casar e ser pai mas amor isso deve-se essencialmente porque já viveste muito mais do que eu no que respeita a relacionamentos o que contribuiu para que o teu lado de namorado e companheiro responsável tenha vindo ao de cima mas eu nunca tive esse tempo apesar de sermos da mesma idade neste campo já viveste muito mais do que vivi, para mim está a ser tudo novidade e por muito que te ame acho que ainda é muito cedo para atirar-me de cabeça, Ruben não te esqueças que tirando a parte dos beijos e dos amassos tudo o resto é novidade para mim, nunca namorei a sério com ninguém e nem sei muito bem o que é isso daí querer ir com calma, entendes?
- Sim, mas amor não estou a querer apressar nada, até porque quero que vivas e aproveites todas as fases do namoro, a única coisa que quero o mais rápido possível é que contes ao Martim mesmo que vá reagir mal, que não aceite e que dificulte ao máximo, amor não faz sentido que o miúdo continue posto de lado como se não fosse essencial para que estejas bem, o Martim é a tua razão de viver e enquanto não estiver incluído verdadeiramente no nosso namoro nunca vais conseguir pensar num futuro a três e é isso que quero que comeces a pensar, só assim é que irás perder esses medos todos que sentes.
- Tens razão o melhor mesmo é contar o quanto antes ao meu irmão - beijou-me - ainda hoje vou tentar falar com ele mas não prometo.
- Se fores tentando já é um bom princípio mas agora tenho mesmo que ir ou o puto fica plantado à minha espera - sorriu - até já amor - beijei-a e finalmente saí com destino à escola do puto.
Conduzi calmamente e quando cheguei estacionei o carro no parque em frente à escola, fiquei no seu interior à espera do toque de saída e só quando o vi a aproximar-se do portão é que saí do carro, atravessei a estrada e quando estava a chegar à entrada da escola vi o Miguel, também ele tinha vindo buscar o filho.
- Ruben por aqui? - perguntou surpreendido.
- Parece que sim - respondi sem dar grande importância ao facto e talvez por isso não voltou a meter conversa.
- Ruben - tinha acabado de avisar a auxiliar que vinha buscar o Martim quando o vi a correr na minha direção e a chamar por mim - vieste buscar-me? - falou animado.
- Sim, a mana pediu para passar por aqui e levar-te.
- Fixe - sorri - ela já te disse que quero que vás comigo?
- Já.
- E vais?
- Vou mas agora temos que ir, tens de mudar de roupa e lanchares para ires então para o treino - sorri ao vê-lo verdadeiramente entusiasmado.
- Sim vamos - dei-lhe a mão e atravessamos a estrada - Ruben porquê que a mana não veio buscar-me? - perguntou quando já íamos a caminho da casa do Nuno.
- Ela ficou a fazer-te o lanche para não chegares atrasado ao primeiro treino.
- Tavas na casa do Nuno com ela? - desviei o olhar por segundos da estrada e encontrei-o a olhar-me desconfiado de algo.
- Sim.
- Agora passas lá o tempo todo.
- Não posso?
- Podes mas é estranho tás sempre com a mana.
- Não gostas que a mana passe tanto tempo comigo é isso?
- Não sei - encolheu os ombros - ela quando tá contigo tá contente - sorriu - mas é estranho porque quando moravas lá em casa não passavam tanto tempo juntos e agora passam.
- Sabes que nessa altura tinha namorada - interrompeu-me.
- Mas não gostavas dela - a observação do puto deixou-me sem saber o que dizer.
- Porquê que falas isso?
- Então se gostasses não tinhas acabado com ela - sorri ao ouvir a dedução dele.
- Tens razão quando acabei com a Soraia já não gostava dela mas quando vim para Braga ainda gostava - respondi ao sairmos do carro uma vez que já tínhamos chegado a casa do Nuno.
- Foi por isso que só ficaste mais amigo da mana - olhei-o - como deixaste de gostar da Soraia tens mais tempo para tares com a mana né? - pela primeira vez vi ali a oportunidade de dar-lhe a entender que talvez goste da Mariana não só como amigo.
- É verdade que desde que fiquei sem namorada que aproximei-me mais da Mariana mas isso é porque gosto muito de vocês.
- De mim também?
- Sim.
- Mas esse gostar é como?
- Como assim?
- Ruben é gostar só de amigo ou é gostar como a mana gosta de mim? - o miúdo perguntou ao entrarmos na sala o que fez com que tanto o Nuno como a Patrícia olhassem imediatamente.
- Se sou teu amigo é gostar de amigo, a tua mana gosta de ti não só por seres amigo dela mas também irmão.
- Não é isso - falou quando já estávamos sentados ao lado dos nossos amigos.
- Então?
- A mana gosta de mim como se fosse minha mãe - olhei-o - e o que quero saber é se também gostas de mim como a mana gosta - os nossos amigos sorriram com a pergunta do miúdo e quando ia para responder ouvi a voz da Mariana.
- Martim vai lavar as mãos para ires lanchar - falou ao entrar na sala.
- Ó mana já vou mas quero que o Ruben responda à pergunta que fiz - ela olhou-me e deve ter percebido que a pergunta trazia “água no bico” porque voltou a falar.
- Amor, isso não pode ficar para depois? Ou queres chegar atrasado ao treino?
- Ó mana mas é rápido o Ruben só tem que responder se gosta de mim como tu também gostas - olhou-o sem entender, já o puto veio sentar-se no meu colo - podes responder?
- Martim porquê que queres saber se gosto de ti como se fosses meu filho? - desviei o olhar para a Mariana e por isso vi que esbugalhou os olhos assim que percebeu qual foi a pergunta que o irmão tinha feito.
- Porque eu não tenho pai mas gostava de ter um a fingir e tu tás sempre com a mana.
- Amor - a Mariana veio sentar-se ao nosso lado - não podes andar por aí a dizer que o Ruben é teu pai porque isso não é verdade - olhei-a sabia que só o estava a dizer para evitar que o miúdo falasse isso na escola mas ainda assim doeu ouvir, afinal estava mesmo disposto a assumir esse papel na vida do Martim e ela sabia - e podes arranjar-lhe problemas, entendes?
- Problemas porquê? Ele já não tem namorada por isso ninguém se vai chatear com ele - sorri com a dedução do puto.
- Mas estarás a mentir e isso não se faz.
- Tu também andas a mentir - olhámos todos para o miúdo.
- O que queres dizer com isso?
- Eu sei que andas a sair á noite e não queres que eu fique a saber mas ontem fui ao teu quarto e tu não tavas lá e também não tavas em casa porque eu procurei bem e não te vi.
- Martim a mana teve que sair mas já estavas a dormir por isso é que não te disse.
- Tás a mentir eu sei que tás - o miúdo estava determinado e antes que a conversa azedasse mais relembrei-os que tínhamos que ir para o treino por isso mesmo fui com o puto até à cozinha para lanchar - tu sabes o que se passa com a mana?
- Sei - admiti.
- Então conta.
- Martim, prometo que conto tudo mas agora tens que lanchar para irmos ao treino, quando regressarmos falamos pode ser?
- Sim mas contas mesmo.
- Fica descansado que vou falar com a tua irmã e pedir-lhe que conte tudo.
- Tá bom.
O Martim comeu e no fim fui com ele até ao seu quarto, ajudei-o a mudar de roupa e quando entramos na sala percebi que a Mariana continuava nervosa.
- Vamos?
- Sim, é melhor mesmo.
A Mariana saiu à nossa frente e logo atrás de si foi o Martim, quando já ia para sair a Patrícia chamou-me.
- Ruben, tem cuidado que a Mariana está nervosa.
- Não precisas de dizer, já deu para ver que está uma pilha de nervos mas não te preocupes que trato do assunto - sorriu - de hoje não passa, o puto vai saber a verdade toda - olhou-me.
- Acabei de dizer que ela está nervosa e tu queres obriga-la a contar ao irmão que estão juntos?
- Não vou obrigar ninguém, vou-lhe pedir mas agora deixa-me ir.
Despedi-me dos meus amigos e fui ter com eles ao carro, decidimos ir no meu e seguimos até ao estádio uma vez que seria lá o encontro.

Como irá correr o primeiro treino? Será que o Ruben vai cumprir a promessa que fez ao Martim e revela-lhe a verdade?

Desculpem a demora em publicar, espero que ainda continuem a querer acompanhar esta história pois é para vocês que escrevo! Deixem as vossas opiniões através de comentários pois é isso que dá animo para continuar a dedicar tempo a este espaço, o esforço é enorme pois tempo é coisa que não tenho.
Aproveito ainda para divulgar uma nova FIC http://givemelove06.blogspot.pt/ é da Ana Laranjeira.

Beijinhos e fico à espera das vossas opiniões :)

P.S. tentarei postar o quanto antes mas não prometo nada.

terça-feira, 26 de junho de 2012

034 - “Então quando ele te quiser levar para a cama depois conversamos”


Mariana

Cada toque, cada beijo, o cuidado mas acima de tudo o sentimento presente naquele quarto fez-me ter a certeza que queria aquilo mas infelizmente a voz do meu irmão interrompeu o nosso momento e por isso mesmo vesti o meu top o mais rápido que consegui, não foi por estar arrependida mas por medo de ser apanhada pelo puto, algo que o Ruben não percebeu imediatamente e foi visível o ligeiro desespero dele, mas serenei-o afinal não estava nem um pouco arrependida do que se tinha passado.
- Ruben veste a t-shirt - pedi assim que separamos os nossos lábios e ao ouvir novamente o puto a chamar-nos - é melhor ir ver o que quer - suspirei - desculpa - tentei sair do quarto mas o Ruben puxou-me por um braço.
- Não tenho nada para desculpar - olhou-me nos olhos - só a agradecer - devo ter feito um ar de confusa porque ele sorriu - amor - abraçou-me ainda com mais força - adorei este bocadinho e o nosso momento irá chegar quando tiver que ser - sorri de forma envergonhada - ficas ainda mais bonita com esse sorriso de envergonhada - olhou-me - amo-te - beijei-o mas tivemos que nos separar porque percebemos que o Martim estava cada vez mais próximo do quarto onde estávamos - vai ter com o puto que já lá apareço.
- Mana tou farto de chamar por ti.
- Desculpa estava a falar com o Ruben mas diz lá o que queres.
- Saber se o Ruben já esqueceu o que fiz.
- Puto, não te preocupes que já passou - o Ruben respondeu ao sair do quarto já devidamente composto.
- Posso dar-te um abraço?
- Anda cá, ó piolho - o Ruben acabou por pegar nele ao colo e foi assim que o levou até à sala, ao entrar percebi que afinal deveríamos ter passado mais tempo no quarto do que aquele que imaginei porque o Rafael já se encontrava ao colo na Madalena e a mamar, o Mauro e a namorada assim que nos viram a entrar sorriram.

Mauro

Depois da troca de palavras que tive com o meu irmão e de o ver tão em baixo tive a certeza do que já desconfiava, ele está mesmo a amar a Mariana e terá pela frente uma dura prova, afinal o puto não irá facilitar em nada. Acabei por afastar-me quando o Martim se aproximou, deixei-os a falarem sozinhos e quando sentei-me novamente do lado da Madalena percebi que a Mariana estava decidida no que respeita ao namoro deles, ela não estava disposta a ceder ao capricho do puto o que serenou-me um pouco mas só consegui tranquilizar completamente quando a rapariga se levantou para ir falar com o meu irmão.
Os minutos passaram e quando dei por isso não os víamos há mais de uma hora, o Martim estava entretido a brincar com o meu cão e talvez por isso não se tenha apercebido do tempo a passar só mesmo quando ouvimos o Rafael a chorar com fome é que o miúdo acordou para a realidade e começou a perguntar pela irmã, tentei entretê-lo ao máximo mas não consegui aguentá-lo por muito tempo, ele acabou por entrar em casa a chamar pela Mariana e só descansou quando a deve ter encontrado pois deixamos de ouvir a sua voz.
Estava a ver o meu filho a mamar quando o meu irmão entrou com o Martim no colo, tanto a Mariana como o Ruben vinham extremamente calmos o que contribuiu para perceber que deviam ter-se entendido algo que levou-me a sorrir.
Ficamos a conviver todos juntos com o Rafael ao colo da Mariana e com o Ruben a babar completamente em cima da rapariga quando ouvimos a campainha, levantei-me e fui abrir.
- Pai - sorri ao vê-lo - entrem - com ele vinha a sua mulher e a minha irmã - o mano está na sala - informei quando já nos encaminhávamos para lá.
- Boa tarde - falaram ao entrarem na sala e só aí é que o Ruben deu pela presença no nosso pai, levantou-se e cumprimentou-o bem como a nossa irmã.
- Está tudo bem consigo? - perguntou-lhe depois de cumprimentar a nossa irmã.
- Sim e contigo? Não tens aparecido lá por casa.
- O pai sabe bem porquê - olhou para a Mariana que estava intrigada com o que via - mas isso agora também não interessa deixe-me apresentar a Mariana e o Martim - sorriu ao olhá-los - é o meu pai Virgílio e a minha irmã Raquel.
- Prazer - a Mariana levantou-se para cumprimentar o meu pai tal como à Raquel - bem já que ninguém nos apresenta sou a Mariana e este é o meu irmão Martim - falou para a mulher do meu pai.
- Prazer sou a Ana mulher do Virgílio - o Martim olhou muito admirado.
- Ruben mas a tua mãe não é a D. Anabela? - sorrimos todos com a pergunta do puto à exceção do meu irmão.
- Martim - chamei-o - os meus pais são divorciados - olhou-me - sabes o que isso quer dizer?
- Sim que deixaram de gostar um do outro e por isso vivem em casas separadas, né?
- Sim, é isso - a Mariana sorriu ao olhar para o irmão - então como estava a dizer os nossos pais separaram-se quando ainda eramos assim pequeninos e depois o meu pai casou novamente com a Ana, percebes?
- Sim, agora tens duas mães - encolheu os ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- É mais ou menos isso, a Ana não é minha mãe mas é como se fosse também um bocadinho.
- Mas o Ruben não gosta dela - a observação do puto apanhou todos de surpresa - porque ele não a apresentou e eu só faço isso quando não gosto das pessoas.
- Bem está na hora de irmos embora - o meu irmão apressou-se a falar talvez por não gostar deste assunto - ainda temos a viagem até Braga para fazer.
- Porquê que não gostas da tua mãe Ana? - o Ruben olhou-o mas não respondeu - Não percebo eu dava tudo para ter uma mãe de verdade e tu tens duas mas só gostas de uma - a Mariana estava a passar o Rafael para os braços da Madalena e por isso vi que limpou as lágrimas que se formaram nos seus olhos ao ouvi-lo.
- Martim despede-te das pessoas para irmos embora - a irmã pediu-lhe para dar o assunto por terminado mas o puto não se deu por vencido.
- Ó mana porquê que só nós é que não temos mãe? - falou agarrado às suas pernas e já com voz de choro, o Ruben aproximou-se da Mariana e passou mesmo o braço pela sua cintura, foi visível a todos o quanto aquela pergunta do miúdo a magoou ainda assim vimo-la a sentar-se com o irmão ao colo e a responder-lhe calmamente.
- Amor, a mana já te explicou que a nossa mãe tinhas uns problemas e que por isso teve que te deixar comigo para os ir resolver.
- Mas esses problemas nunca mais acabam? Porquê que ela não os consegue resolver?
- Porque são muito graves - percebi que o Ruben sabe o quão grave é, pela forma como os olhava era notório que tinha consciência que a história não seria bonita.
- Algum dia vou poder falar com ela?
- Talvez a mana não pode garantir isso.
- Mas não sabes onde é que a mãe anda? - ela olhou para o Ruben.
- Martim - o puto olhou para o meu irmão - não tens saudades do Nuninho e não queres brincar com ele?
- Sim - falou animado.
- Então despede-te para irmos brincar com o Nuninho, boa?
- Brincas com a gente? - a Mariana olhou para o Ruben.
- Se a tua mana deixar, sim brinco.
- Deixas não deixas?
- Deixo mas agora temos que ir - o miúdo acabou por se despedir de nós e quando estava a dar um beijinho e a fazer festinhas no Rafael vi a Mariana a procurar momentaneamente o conforto nos braços do meu irmão, o que deixou o nosso pai, a Ana e a Raquel a olharem surpreendidos, ainda mais quando ele lhe deu um beijinho bem no canto dos seus lábios acompanhado com algumas pequenas carícias.
Eles acabaram por se despedirem de nós e saíram finalmente com destino a Braga. Acabei por explicar ao meu pai quem era a Mariana mas pedi aos três para não divulgarem, que o mano não queria que se soubesse pelo menos para já, algo que eles acederam sem qualquer problema.

Mariana

Estava a pensar na reação do Martim mas principalmente em tudo o que se passou naquele quarto quando sentir a mão do Ruben a procurar a minha e assim que a encontrou entrelaçou os nossos dedos.
- Amor, estás a pensar no que o Martim falou sobre a vossa mãe? - perguntou-me com algum receio.
- Estou a pensa em tudo - falei depois de olhar para o banco traseiro e encontrar o meu piolho a dormir.
- Queres falar disso?
- Quero mas não agora tenho receio que ele possa acordar e ouvir, falamos quando chegarmos pode ser?
- Lógico que pode - sorriu - será quando e onde quiseres.
- Ruben, posso saber porquê que não falas com a Ana?
- Podes - suspirou - nunca fui com a cara dela e se queres mesmo saber nem sei o motivo simplesmente fui obrigado a aceitá-la mas daí a gostar de conviver com ela vai uma pequena grande diferença.
- Nunca aceitaste o divórcio dos teus pais, é isso?
- Aceitei e aceito até porque sou da opinião que quando duas pessoas se deixam de amar o melhor é mesmo ir cada um para o sei lado, não faz sentido continuarem juntos quando já não existe sentimento.
- Então qual é o motivo pelo qual não gostas da Ana.
- Amor, não é uma questão de gostar ou deixar de gostar, quando era pequeno sempre frequentei a casa do meu pai juntamente com o meu irmão, crescemos com a Raquel mas nunca consegui ter qualquer ligação com a Ana para mim era só a mulher que estava com o meu pai, não consegui nunca ver nela uma segunda mãe e ao longo dos anos isso não mudou.
- Tudo bem mas daí a ignorá-la e nem sequer teres-nos apresentado.
- Mariana, recentemente tive uma discussão com ela, coisa feia e desde esse dia simplesmente finjo que não a vejo.
- Isso não é uma atitude muito adulta.
- Tens razão mas quando ela decidiu opinar sobre a minha ida para Braga como se tivesse a mudar de cavalo para burro a coisa azedou, ela sabia que não andava satisfeito, que queria jogar mais mas mesmo assim não pretendia deixar o Benfica e em vez de ficar calada andou a colocar mais lenha na fogueira.
- Nunca falaste muito sobre a tua ida para Braga.
- Amor, para teres uma ideia a decisão de ir para Braga não foi de todo algo que quis mas sim algo que tive que fazer para jogar com mais frequência, por mim não tinha saído de juntos dos meus, em Lisboa estava no meu clube e tinha a minha família.
- Pois mas se não tivesses ido para Braga hoje não estaríamos aqui - sorri com o que falou.
- Gosto de ouvir-te a dizer essas coisas.
- Tonto.
Continuamos à conversa o que contribuiu para não darmos pelo tempo passar, o que tornou a viagem menos secante.
- Chegamos - falou ao parar o carro.
- Entras.
- Isso é um convite ou um pedido? - sorriu.
- Uma ordem - gargalhou o que acabou por despertar o Martim - amor já chegamos - ele espreguiçou-se - vamos piolho.
- Sim - falou ao retirar o cinto e a sair do carro - mana vou ter com o Nuninho - nem deu tempo que dissesse nada desapareceu a correr para o interior da casa.
- Ruben - chamei-o quando já estava a retirar a minha mala do seu carro.
- Sim, diz - falou ao coloca-la no chão.
Não falei, simplesmente envolvi o seu pescoço com os meus braços e não tive que esperar mais do que uns segundos para sentir as suas mãos a na minha cintura a puxarem-me para ele, beijamo-nos demoradamente, aliás foi quando a minha língua já passeava pelos recantos da sua boca que fomos interrompidos.
- Lindo serviço - interrompemos o nosso momento para olhar o Nuno.
- Passasse alguma coisa? - falei já com as minhas costas contra o peito do Ruben e com os seus braços a envolverem a minha cintura.
- Não mas tenho um filho pequeno por isso é melhor controlarem essas hormonas.
- Piada - ripostei levando-os a gargalhar.
- Fora brincadeiras como correu o fim-de-semana?
- Nem sei - olhei para o Ruben - bem e mal - sorrimos os dois - teve de tudo.
- Não querem ser mais específicos?
- Depois conto mas agora preciso de ir comer qualquer coisa que estou com fome.
- Ok, vai lá mas não te escapas.
- Sim paizinho - eles sorriram mas acabei por entrar em casa seguida por eles.
- Mariana onde é que queres que deixe tua mala - ouvi o Ruben a perguntar e já a sair da sala pedi-lhe que a colocasse no meu quarto.
Fui comer uma peça de fruta mas depressa juntei-me a eles, estávamos todos na sala a ver o Martim a brincar com o Nuninho quando a Patrícia perguntou-me como é que estava as coisas com o Ruben, sorri e disse-lhe que depois falávamos, ela compreendeu e não insistiu mais no assunto.
O Ruben acabou por jantar connosco e no final cumpriu o prometido e brincou um pouco com o Martim e com o afilhado, mas acabei por os ir deitar e quando regressei contamos finalmente aos nossos amigos o que se tinha passado, lógico que ocultamos o que quase teve para acontecer naquele quarto, isso a ninguém interessava a não ser a mim e ao Ruben, eles foram da opinião que temos que preparar mesmo muito bem o meu irmão e até se disponibilizaram para ajudar no que seja necessário nem que seja ficarem com o meu irmão para podermos namorar sossegados, agradecemos e acabamos por mudar de assunto.
As horas passaram e eles despediram-se de nós pois foram dormir, estava nos braços do Ruben a olharmos o céu estrelado como tanto gosto de fazer quando do nada o surpreendi com o pedido que fiz.
- Ficas comigo esta noite?
- Queres?
- Sim, estou a precisar de mimos - sorriu.
- Queres falar sobre a tua mãe?
- Não, neste momento só quero ir deitar-me e adormecer nos teus braços.
- Anda, vamos então - sorriu para logo depois beijar-me.
Entramos em casa de mãos dadas e depois de fechar as portas e janelas fomos finalmente para o meu quarto mas antes passei pelo dos meus piolhos para certificar-me que estava tudo bem. Quando entramos no meu quarto fechei a porta à chave para evitar que o meu irmão nos apanhasse, algo que na cabeça do Ruben deve ter funcionado como um sinal de que queria algo mais, o que não era de todo mentira afinal o nosso momento ainda estava bem presente na minha cabeça mas não deixei que avançasse queria mesmo só ficar com a cabeça deitada no seu peito e sentir o seu coração a bater, algo que o Ruben entendeu mesmo sem lhe dizer e por isso depressa nos deitamos, aninhei-me completamente nele e adormeci serena com ele a fazer-me um cafuné. 

***

Um mês passou e mal consegui estar com o Ruben porque o Martim continuava a marcar o território dele e sempre que tentava puxar o assunto de poder estar a gostar de alguém o meu irmão arranjava sempre forma de não deixar que continuasse, por momentos cheguei a ter a sensação que já sabe mas que não quer que fale nisso.
Quem tem tido uma paciência de santo é o Ruben, tem ido todos os dias lá a casa, brinca com o meu irmão até à exaustão e só quando consigo fazer com que adormeça é que podemos estar uns minutos a sós mesmo assim tem sido muito pouco.
- Mana, podemos ir ao jogo? - o Martim entrou na sala quando estava à conversa com a Patrícia.
- Queres ir ao estádio, é isso?
- Sim, podemos? - olhei para a Patrícia.
- Pode ser mas tens que te portar bem.
- Fixe - sentou-se no meu colo e abraçou-me.
- Mas se queres ir vai vestir a roupa que a mana deixou em cima da tua cama.
- Tá bom.
- Já sabes como é que lhe vais dizer? - a Patrícia perguntou assim que ficamos a sós.
- Não, aliás estou farta de pensar e de falar disso com o Ruben e ainda não conseguimos encontrar uma forma de o fazer.
- Vocês estão a tentar arranjar a forma perfeita mas isso não existe, digam simplesmente a verdade, o Martim possivelmente vai espernear mas irá acabar por aceitar.
- Talvez tenhas razão - sorriu - mas para lhe revelar tal coisa tem que ser numa altura que o meu irmão esteja mais calmo.
- Sim é melhor mas agora mudando ligeiramente de assunto como é que estão as coisas entre vocês?
- Bem.
- Esse bem vai até onde? - olhei-a sem entender o que queria saber - Vocês já - sorri.
- Não - respondi depois de ter percebido a insinuação dela.
- Não? - perguntou admirada - mas vocês já dormiram várias noites juntos e não aconteceu nada?
- Não.
- Bem isso é que é capacidade de resistência - sorri - o Ruben está a surpreender-me.
- Porquê?
- Mariana, tens que admitir que não é muito normal vocês namorarem, andarem a dormir quase todas as noites juntos, sim porque sei que o Ruben tem cá ficado quase todos os dias apesar de sair antes do Martim acordar - sorri ao ouvi-la - e ainda nunca ter acontecido nada.
Não respondi porque o Martim entrou na sala e acabamos por sair para irmos até ao estádio, hoje fomos só os dois uma vez que a Patrícia não lhe apeteceu até porque o Nuninho estava meio adoentado.
Estávamos já no camarote quando mandei mensagem ao Ruben a avisá-lo que hoje teria uma espectadora mais atenta e não foi preciso esperar muito para o ver a entrar.
- O Martim? - perguntou ao aproximar-se.
- Foi comprar água.
- Como é que ele está?
- Hoje parece estar mais calmo, aliás foi o Martim que pediu para vir ao estádio.
- Então depois do jogo querem ir jantar?
- Sim em princípio não haverá problema.
- Então esperas por mim?
- Ruben, é melhor ir andando assim que o jogo acabar depois quando tiveres despachado aparece lá em casa.
- Amor - sorri ao ouvi-lo - vim com o Nuno por isso estou sem carro.
- Ok, nós esperamos mas é para te despachares que não estou para criar raízes à tua espera.
- Tudo bem agora deixa-me que tenho o aquecimento para fazer - sorriu e quando já ia a sair do camarote chamei-o - diz - voltou a aproximar-se.
- Boa sorte - sorriu depois de lhe ter dado um beijo na sua bochecha e um abraço, já que não estávamos sozinhos no camarote.
- Obrigado - olhou-me - mas quando tivermos só os dois vais compensar-me por este beijo ser na bochecha - sussurrou-me ao ouvido.
- Com certeza - sorrimos - o Martim vem aí - informei-o ao ver o meu irmão a entrar.
- Está tudo bem? - o Ruben meteu-se com o meu irmão.
- Sim mas não devias estar com os outros jogadores? - entreolhamo-nos.
- Já estou de saída - o Ruben informou-o - mas depois do jogo vamos jantar pode ser?
- Pode - sorrimos e depois vi o Ruben a sair do camarote.
Estava concentrada no aquecimento deles quando vi o filho do Miguel a entrar com a avó, o miúdo quis sentar-se ao lado do Martim e por isso acabei por ficar a olhar pelos dois. Vi o jogo atentamente ao contrário do que sempre falei o futebol até tem o seu lado interessante e no final dos noventa minutos que terminou com uma derrota caseira tive que ficar à espera do Ruben.
- Mana o Ricardo pode ficar com a gente? - olhei para o Martim sem entender a pergunta - É que a avó dele tem que ir embora mas ele quer esperar o pai.
- Martim essa história é verdade?
- É mas se quiseres podes perguntar à avó dele.
Acabei mesmo por fazer isso e depois de a senhora confirmar que tinha mesmo que ir embora mas que o seu filho ainda estava atrasado concordei em ficar com o Ricardo. Estávamos os três no parque de estacionamento à espera do Miguel e do Ruben quando vi o primeiro a aproximar-se.

Ruben

O jogo correu mal ou melhor perdemos porque fomos roubados à força toda pela equipa de arbitragem e se já estava lixado com isso quando cheguei à garagem ainda fiquei pior ao encontrar a Mariana alegremente à conversa com o Miguel, não gosto nada quando se aproxima do meu amor e por isso apressei o passo até chegar juntos deles.
- Vamos? - falei ao olhar para a Mariana.
- Sim.
Vi a Mariana a despedir-se do Miguel e do Ricardo o que confesso fez-me uma certa urticária principalmente ver a mão do Miguel pousada no fundo das costas da Mariana mas respirei fundo antes que falasse e fosse desagradável.
- Posso saber o que tens? - perguntou-me ao entrar no carro.
- Nada.
- Então que cara é essa?
- Perdemos da forma que perdemos, queres que esteja satisfeito?
- Também não precisas estar tão chateado, acontece.
- É que nem vou discutir este assunto contigo - olhou-me - não percebes nada de futebol e hoje não estou para perder tempo.
- Tudo bem - não falou mais e quando percebi estava a conduzir com destino à minha casa.
- Não íamos jantar?
- Íamos mas como não estás numa de perder tempo é melhor ires direto para a cama - olhei-a e só aí é que percebi o que tinha dito anteriormente.
- Desculpa, não tens culpa por estar mal-humorado.
- Não tenho mesmo e como não estou para aturar birras de gente crescida estás entregue - falou ao parar o carro diante da porta da minha casa.
- Hey vamos jantar - pedi - já percebi que exagerei.
- Ruben lá porque perdeste e não interessa se foi por jogarem mal ou se pelo árbitro ter dado uma ajudinha não tenho culpa e muito menos preciso de ouvir respostas como a que deste, a menos que o teu problema não tenha sido a derrota mas sim outra coisa - olhou-me - que como não sou burra percebi nitidamente o motivo pelo qual estás de trombas.
- Sim tens razão, não gostei do que vi mas se fosse ao contrário também não irias achar muita piada.
- Não estou a dizer o contrário, só quero que entendas que não há motivos para ficares assim.
- Pois de um dos lados sei que não existe motivos mas do outro já tenho as minhas dúvidas.
- Não tens razões para afirmares tal coisa mas também só um dos lados é que deveriam interessar-te por isso esquece o outro, pode ser?
- É um bocado difícil quando todos os dias oiço um dos lados a perguntar pelo outro ao Nuno - olhou-me e percebi que não esperava ouvir tal coisa - Mariana não sejas ingénua porque nem todas as pessoas são como tu.
- O que queres dizer com isso?
Teria respondido mas o Martim perguntou se não íamos jantar, olhei-a como que a pedir para irmos mas a Mariana surpreendeu-me ao afirmar que o jantar seria na casa do Nuno e da Patrícia.
- O Ruben não vem? - o puto perguntou.
- Não, o Ruben está cansado e por isso vai dormir.
Olhei-a mas não falei, despedi-me do puto e depois dela para sair logo de seguida do seu carro, entrei em casa e deitei-me no sofá a remoer no que se passou. Não sei o tempo que fiquei a pensar no que vi no estádio mas principalmente na reação da Mariana, só sei que levantei-me quando o meu estômago deu sinal de que já não via comida há horas, fui preparar algo rápido para comer e depois de ter terminado arrumei a cozinha, estava já a caminhar para o quarto quando ouvi a porta a abrir, voltei atrás e vi a Mariana.
- O que é que estás aqui a fazer?
- Vim resolver um assunto pendente ou achas que iria estar a falar dele em frente ao meu irmão?
- Mariana - tentei falar mas ela impediu-me.
- Quem vai falar sou eu - olhei-a - Ruben, não tens motivos nenhuns para teres ciúmes meus, já bem basta o Martim para azucrinar-me a cabeça, caramba achas mesmo que vou trocar-te ou trair? Será que ainda não entendeste que o meu sentimento por ti é verdadeiro e que até podem vir mil Miguéis que não vão conseguir mudar isso? Dói saber que não confias em mim ao ponto de ficares tranquilo quanto à aproximação do Miguel, não é o caso mas mesmo que fosse não seria por ele tentar alguma coisa que iria ter.
- Vais dizer que ainda não percebeste os olhares e as mãozinhas no fundo das tuas costas quando te cumprimenta?
- Não vais conseguir convencer-me a afastar-me do Miguel, muito menos nesta altura em que o Ricardo precisa é de ter os amigos de volta dele, caso não saibas o puto está a sofrer com a separação dos pais e é disso que tenho falado com o Miguel, as nossas conversas não vão mais além nem muito menos ele tentou alguma vez o que quer que fosse, isso são coisas da tua cabeça.
- Achas mesmo?
- Sim.
- Então quando ele te quiser levar para a cama depois conversamos - olhou-me.
- Ruben, por acaso estás a insinuar que quero ir para a cama com ele?
- Não, estou a dizer que é isso que ele quer, sou gajo e sei bem como é que estas coisas funcionam por isso não venhas com tretas de que é só amizade porque não acredito, ele quer mais só tu é que ainda não viste porque até o Nuno já comentou que achas estranho tanto interesse do Miguel em ti.
- Estás a exagerar porque estás cheio de ciúmes mas amor - pela primeira vez aproximou-se abraçando-me - não tens razões para isso.
- Mariana se não acreditas em mim pergunta ao Nuno qual é a opinião dele e vais comprovar que tenho razão.
- Vais continuar a insistir nisso?
- Ok, não falo mais nesse assunto mas quando perceberes que estás errada depois não te queixes.
- És tão estúpido venho aqui tentar resolver o problema que tu próprio arranjaste sem teres motivos e ainda tens a lata de falares nesse tom, realmente devo andar a perder o meu tempo contigo, fica aí com as tuas invenções que vou regressar para junto de quem merece - não deu-me tempo de dizer mais nada, agarrou na sua mala e saiu porta fora, ainda pensei ir atrás dela mas seria pior porque não iria ouvir-me.

Será que a Mariana vai ficar aborrecida com o Ruben por muito mais tempo?

sábado, 23 de junho de 2012

033 - “…Ruben já te amo e agora não há volta a dar”


Mariana

A viagem foi animada com o Martim a fazer várias perguntas com o Ruben a responder a todas mas assim que chegamos ao nosso destino o meu irmão apressou-se a sair do carro, estava mesmo curioso para conhecer o Rafael.
- Linda mas o que é que deu ao puto para querer tanto conhecer o meu sobrinho?
- Não faço a mínima mas também estou curiosa - sorriu para depois sairmos do carro.
O Ruben tocou à campainha e quem abriu a porta foi a Madalena motivo suficiente para o Martim ficar a olhar pois não a conhecia.
- Bom dia - cumprimentou-nos - entrem - deu-nos passagem e por isso entramos - deves ser o Martim, certo? - meteu-se com o meu irmão.
- Sim e você quem é?
- Sou a Madalena a mãe do Rafael - respondeu-lhe quando já estávamos na sala.
- A mulher do Mauro, né? - sorrimos todos.
- Namora porque não sou casada com ele - o Martim olhou-me - o que foi? - perguntou-lhe curiosa.
- Nada.
- Então porquê que olhaste para a tua irmã?
- Quero ver o Rafael, posso? - o meu irmão mudou de assunto mas percebi que tinha achado estranho a Madalena não ser casada com o Mauro e já terem um bebé mas não toquei no assunto.
- Podes - sorriu - mas vou agora dar-lhe banho.
- Posso ir?
- Martim - iria repreende-lo mas o puto adiantou-se.
- Ó mana não ralhes eu sei que não devo dizer estas coisas mas eu quero muito conhecer o bebé - a Madalena sorriu.
- Então se a tua mana deixar podes vir comigo, queres?
- Posso mana? - olhou-me com uns olhinhos que foi impossível negar-lhe isso.
- Podes mas é para te portares com juízo, nada de falares alto ouviste?
- Sim.
- Querem vir? O Mauro está no quarto com o Rafael.
- Não queremos incomodar - o Ruben falou, sabia bem o motivo pelo qual ele estava a tentar esquivar-se ainda assim a Madalena não facilitou.
- Não incomodam nada, além disso vês o teu afilhado a tomar banho.
- Ok, vamos lá então - ela sorriu e depois foi à nossa frente.
Entramos no quarto e assim que o Martim viu o berço do Rafael aproximou-se com muito cuidado, ele estava mesmo concentrado a observar o bebé o que nos deixou a sorrir.
- Martim se queres ver-me a dar banho ao Rafael vem comigo - a Madalena falou ao pegar no bebé.
- Mana posso ir?
- Podes - saiu atrás da Madalena e assim que o deixamos de ver o Ruben abraçou-me colocando o seu queixo apoiado no meu ombro direito.
- O puto ainda não sabe que namoram? - o Mauro perguntou talvez por achar estranho só nos aproximarmos quando o Martim saiu.
- Não.
- Estão com receio da reação dele, é isso?
- Mais ou menos, Mauro ao início não quis que ninguém soubesse mas agora que já contamos às pessoas mais próximas também quero dizer-lhe mas tenho que o preparar para a notícia.
- O puto gosta do meu irmão vai aceitar o vosso namoro na boa.
- Não sei - olhei para o Ruben - ainda ontem apanhou-me ao colo da irmã e fez uma cena de ciúmes tremenda - sorri ao relembrar o momento.
- É normal, acha que são só amigos e apanha-te ao colo da irmã que até aqui era só dele achou estranho mas se lhe contarem que namoram duvido que o miúdo vá criar problemas.
- Pois não sabemos mas também já faltou mais para termos a certeza.
O assunto terminou por ali porque o Martim apareceu a rir e quando lhe perguntamos o porquê disse-nos que o Rafael tinha feito xixi quando a Madalena lhe estava a colocar a fralda gargalhamos os três perante o contentamento do meu irmão.
Já estávamos na sala quando a Madalena chegou com o Rafael e assim que entrou o Ruben pediu para lhe pegar, ainda conseguiu estar uns minutos com o bebé ao colo mas este começou a chorar algo que levou o Martim a gozar com o Ruben o que provocou algumas gargalhadas principalmente quando peguei no Rafael e ele se calou.
- Ó Ruben não percebes mesmo nada disto - o meu irmão picou-o.
- Olha viste como o “carapau já tem tosse” - o Ruben levantou-se e começou feito tonto a correr pela sala atrás do meu irmão e assim que o apanhou pegou nele tipo “saco de batatas” o que levou o puto a rir.
- Mana posso pegar no Rafael? - perguntou quando já estava sentado ao meu lado e a olhar para o bebé.
- Amor, o Rafael ainda é muito pequenino para pegares nele.
- Oh mas eu queria.
- Quando for maior já podes - olhou-me nada convencido - lindo, os bebés não são bonecos - sorriu.
- Eu sei - olhou-me - posso dar-lhe um beijinho?
- Podes - o meu irmão aproximou-se com cuidado e deu-lhe um beijinho na bochecha o que nos deixou aos quatro a sorrir.
- Mana - olhei-o - quando é que tens um bebé? - o Mauro e a Madalena gargalharam, já o Ruben olhou-o no que me diz respeito depois de uns segundos a assimilar o que ele disse lá respondi.
- Amor, para se ter um bebé não basta querer - interrompeu-me.
- Eu sei, é preciso um pai - sorrimos com a dedução dele - mas não precisa ser um bebé que vem da tua barriga - olhei-o.
- O que queres dizer com isso?
- Mana pode ser um bebé da instituição eles também precisam de uma mãe e eu quero um bebé para brincar.
- Ó piolho não basta querermos muito para pudermos cuidar de um bebé, para a mana poder levar um desses bebés para casa tinha que o adotar e sabes que isso não é fácil quando a mana vive só contigo, amor normalmente pedem sempre um pai e uma mãe entendes?
- Sim mas não podes pedir a alguém que finja ser o pai? - gargalhamos.
- Não, isso seria estarmos a mentir.
- Ó mas eu queria um mano mesmo que não fosse um verdadeiro porque eu sei que não és minha mãe mas é como se fosses e podias ser a mãe de outro bebé - as palavras dele tocaram-me de uma forma inexplicável algo que tanto o Ruben como a Madalena e o Mauro perceberam.
- Amor por muito que queiras um mano mesmo que seja emprestado - sorriu - vais ter que esperar porque agora a mana não pode cuidar de mais um bebé.
- Mas prometes que pensas nisso? - perguntou animado.
- Prometo - acabei por falar para ver se ele se calava.
- Podia ser a minha prenda no natal - gargalhamos - ó mana eu tou a falar a sério.
- Sim meu piolho, também estou a falar a sério, a mana promete que vai pensar no assunto mas não será para o próximo natal.
- Tá bom - lá se resignou e acabou por ficar sentado ao colo do Ruben porque segundo ele assim conseguia ver e brincar melhor com o Rafael que continuava no meu colo.

***

Acabamos por almoçar pela casa do Mauro e foi quando o Martim decidiu acompanhar a Madalena na tarefa de ir adormecer o Rafael que o Ruben aproveitou para pedir mimo, fiz-lhe a vontade o que deixou o Mauro a sorrir mas foi quando já estávamos no jardim que o meu irmão ao regressar apanhou o Ruben com a cabeça no meu ombro e não perdeu tempo em marcar território ao sentar-se no meu colo mas não satisfeito ainda arranjou forma do Ruben ser obrigado a afastar-se pois embirrou que aquele ombro seria para ele encostar a cabeça, algo que todos percebemos mas que ninguém comentou.
- Mariana - olhei para a Madalena - já decidiste quanto ao convite que fizemos ontem?
- A minha opinião mantem-se.
- Acho mal - o Mauro manifestou-se - não consigo perceber porquê que não aceitas o convite para ser madrinha do Rafael - o Martim olhou-me imediatamente.
- Mana aceita - falou animado com a ideia - já que não me dás um mano podias ser madrinha do bebé assim brincava com ele mais vezes - o Ruben sorriu - ó mana vá lá - pedinchou.
- O Martim tem razão - desta foi o Ruben que falou - até porque prefiro que sejas mesmo tu a madrinha do meu afilhado - o Martim olhou-o.
- Ó mana esquece o que disse - olhamos todos para o meu irmão.
- Porquê?
- Porque o Ruben já anda sempre atrás de ti - entreolhamo-nos todos - se aceitas ser a madrinha do Rafael então é que ele não te larga e tu és minha ouviste?
- Martim tem calma, amor não precisas falar nesse tom.
- Eu não estou a gostar que ele ande sempre atrás de ti - olhei para o Ruben e percebi que aquelas palavras do meu irmão o afetaram.
- Amor, explica lá à mana porquê que estás outra vez com esta conversa?
- Já disse és minha mana não dele.
- Mas a mana pode ter amigos - interrompeu-me.
- Podes mas não quero que eles andem sempre abraçados a ti - o Mauro e a Madalena sorriram disfarçadamente - se queres abraços pedes que eu dou.
- Martim estás com ciúmes do Ruben?
- O que é isso?
- É teres medo que os meus miminhos não sejam só para ti.
- Eu não tenho isso mas eu quero os teus miminhos só para mim.
- Amor por muito que goste de ti, que te meta sempre em primeiro lugar, que a tua opinião seja muito importante para mim, que não queira chatear-me contigo não vou admitir que mandes em mim, Martim a mana tem miminhos que chegue para ti, para o Ruben e para qualquer outra pessoa, entendes?
- Não, o Ruben não é nada à gente - olhei-o.
- Martim, o Ruben é nosso amigo e mesmo que não fosse não admito que fales nesse tom, sou tua irmã e tens que respeitar-me, estamos entendidos? - falei agora mais séria o que atingiu o meu irmão mais do que seria suposto uma vez que começou a chorar ainda assim continuei - e não adianta chorares porque não vai ser isso que irá fazer com que deixe de falar com o Ruben ou com qualquer outra pessoa, Martim por muito que goste de ti não podes decidir a minha vida.
- És má - falou a tentar sair do meu colo mas agarrei-o, o meu irmão bem que esperneou mas não o soltei - larga-me já não gosto de ti e a culpa é dele - falou revoltado e a apontar para o Ruben que estava com o olhar baixo.
- Chega - falei ligeiramente mais alto o que fez o meu irmão parar de espernear e olhar-me - pede desculpas ao Ruben, já - falei ao olhá-lo nos olhos - Martim não estou a brincar - baixou a cara e revirou os olhos, estava mesmo de trombas - queres ficar de castigo? - não respondeu - Martim Miguel - olhou-me - não repito mais vez nenhuma o que te disse - estava a fazer um esforço para conter as lágrimas e mesmo contrariado olhou para o Ruben e falou.
- Desculpa - o Ruben olhou-me sem saber bem o que dizer.
- E agora pedes desculpa ao Mauro e à Madalena.
- Não queres mais nada - falou irritado.
- Quero que pares de ser mal-educado, nunca admiti faltas de respeito e não tenciono começar agora, se não te comportas como deve de ser ficas de castigo e não estou a brincar.
- Desde que conheceste o Ruben que és má - respirei profundamente e vi o Ruben a sair de ao pé de nós, o que só deixou-me pior.
- Martim, estás a ser injusto.
- Não tou nada tu é que agora só queres saber dele.
- É isso que pensas?
- Sim.
- Achas que a mana não passa o mesmo tempo contigo, é isso?
- É.
- Então diz lá quantas vezes te deixei sozinho para ir ter com o Ruben? - olhou-me - então não respondes? Talvez porque nunca te deixei sozinho não é?
- Ontem - ripostou.
- Tudo bem Martim é assim que queres é assim que vai ser - olhou-me - de hoje em diante vais andar sempre comigo, esquece é as tardes de brincadeira com os teus amigos, os treinos e jogos de futebol, as idas ao cinema com a madrinha e tudo o resto que fazes além da escola porque a mana tem que trabalhar e por isso não pode ir contigo a esses sítios todos, logo como julgas que ando a trocar-te pelo Ruben talvez assim aprendas que todos gostamos de ter amigos e de passar algum tempo com eles sem que signifique que deixamos de gostar das outras pessoas - o Martim assim que ouviu que iria ter que deixar os treinos e jogos de futebol mudou logo de postura algo que foi audível assim que calei-me.
- Já percebi - a Madalena que continuava sentada ao nosso lado sorriu - que não posso pedir que sejas só minha.
- Então agora que já entendeste, vai pedir desculpas como deve de ser ao Ruben e explicar que estavas enganado mas que já percebeste que ele não é o culpado de nada muito menos de ter-me afastado de ti.
- Vem comigo.
- Não, foste homenzinho para arranjares a confusão agora também vais ser para a resolveres - a Madalena voltou a sorrir - vá andor violeta.
- Tá bem - falou nada convicto mas saiu do meu colo e foi direto ao Ruben que estava mais afastado e com o Mauro ao seu lado.
- O Martim não vai mesmo facilitar - olhei para a Madalena e suspirei.
- Sinceramente não esperava que começasse a sentir ciúmes do Ruben, eles sempre se deram bem, nem sei bem o que desencadeou este medo todo do Martim em perder-me.
- Mariana, o teu irmão só está a achar estranho a vossa aproximação - sorri ao ouvi-la.
- Madalena mas para todos os efeitos somos só amigos.
- O Martim apesar de ser criança conhece-te e já percebeu que talvez haja aí mais qualquer coisa que não lhe estás a contar, deve ser por isso que anda assim mais protetor.
- Pois talvez seja mesmo isso se já queria contar-lhe agora é que vou mesmo ter que o fazer, só ainda não sei bem como mas terei que lhe dizer.
Estava à conversa com a Madalena mas com os olhos postos no Ruben e no Martim, não sei o que o puto lhe estava a dizer mas vi o Ruben demasiado atento.
- Bem o teu irmão está a dar uma descasca ao meu que não é brincadeira - olhei imediatamente para o Mauro levando-o a gargalhar - calma estava a brincar - sorriu - o puto está só a pedir-lhe desculpas não sei o que lhe disseste mas sortiu efeito - voltou a sorrir.
- A Mariana repreendeu-o e no fim mostrou-lhe que tê-la só para ele não seria muito boa ideia porque o menino tinha que deixar de fazer algumas coisas que gosta pelo facto da Mariana não para puder acompanhar devido ao trabalho.
- Ah usaste aquela técnica da ameaça.
- Não amor, a Mariana não ameaçou só lhe explicou que não podem andar sempre atrás um do outro.
Teria continuado a conversa mas o regresso do meu irmão impediu isso mesmo. O miúdo sentou-se ao meu colo, já o Ruben que vinha uns passos atrás do Martim foi direto para dentro de casa nem sequer olhou o que deixou-me preocupada.
- Martim o que é que disseste ao Ruben?
- Pedi desculpas.
- Então porquê que não veio contigo?
- Não sei mas ó mana ele tava com os olhos vermelhos - olhei imediatamente para o Mauro - acho que teve a chorar - disse com o ar triste - e a culpa foi minha - os seus olhinhos já estavam rasos de lágrimas - eu fui muito mau para ele não fui?
- Foste - os adultos presentes olharam-me surpreendidos talvez porque não esperavam a minha resposta que só agravou mais a culpa do meu irmão - por acaso gostavas que um amigo teu fosse injusto contigo como foste com o Ruben? Martim acusaste o Ruben de ser o responsável por não andar a dar-te atenção, ele sabe o quanto és importante para mim e deve ter ficado a sentir-se culpado.
- Mas mana eu já pedi desculpas - as lágrimas saltaram dos seus olhos - podes ir lá explicar melhor ele se calhar não entendeu - falou preocupado - vais?
- Vou, fica aqui com o Mauro e a Madalena que a mana já volta.
- Tá bem - antes de sair do meu colo deu-me um beijinho e um abraço o que deixou tanto o Mauro como a Madalena a sorrirem.

Ruben

Ouvir o Martim a acusar-me de ser o responsável pela Mariana se afastar dele doeu mais do que pensava e vê-lo a insistir tanto mas principalmente a irmã a ser tão dura com o puto tornou-se insuportável de assistir por isso acabei por afastar-me, precisava de uns minutos a sós mas que infelizmente não foram respeitados pelo meu irmão.
- Mano tem calma - colocou uma mão no meu ombro esquerdo - o puto vai acabar por mudar de ideias.
- E se não mudar?
- Ruben, a Mariana não irá deixar o miúdo decidir a sua vida, pelo pouco que conheço dela não é pessoa de ceder.
- Será que ainda não entendeste que serei eu de um lado e o irmão de outro, que por muito que ela goste de mim o puto levará sempre a melhor, a Mariana por ele faz qualquer coisa ou porquê que achas que foi para Braga.
- Mano, saíste de lá por isso não ouviste a descasca que está a dar ao puto, a Mariana ama o puto mas não duvides que também já te ama caso contrário não seria tão dura com o Martim.
- Mauro - respirei profundamente - por muito que esteja a começar a amar-me nunca vai ser suficiente para resistir à pressão do irmão, até pode ser agora ao início mas a Mariana vai acabar por escolher - não consegui controlar as lágrimas ao colocar a hipótese dela deixar-me.
- Ruben tem calma já sabias que o puto é demasiado agarrado à irmã tens que lhe dar tempo para preparar o miúdo para a notícia.
- Será que ainda não entendeste que tenho medo que o puto não aceite, não quero perder a Mariana de forma alguma, caramba amo-a - o meu irmão olhou-me.
- Isso está assim tão avançado?
- Está e se queres saber sempre esteve, não queria era admitir talvez por ter receio do que está a acontecer agora.
- Mano, acalma-te até porque o Martim vem aí - limpei as lágrimas ao ouvi-lo.
- Posso falar contigo? - ouvi a voz do miúdo.
- Diz - falei mas evitei olhá-lo por saber que estava com os olhos vermelhos.
- Olha para mim por favor - não tive como negar tal pedido - tás a chorar? - perguntou preocupado.
- Não - menti mas lógico que o puto não acreditou.
- Tás sim e a culpa é minha desculpa - disse tristonho - a mana já explicou que não posso dizer aquelas coisas e que não posso querer que ela ande sempre atrás de mim - olhei-o surpreendido ao mesmo tempo que o Mauro se afastou - desculpas?
- Martim não gostei do que ouvi - olhou-me - doeu ouvir o que falaste.
- Eu não fiz por mal mas também não gostei de ver-te com a cabeça no ombro da mana - suspirei.
- Martim mas tens medo do quê?
- Que a mana comece a gostar de ti para andarem aos beijinhos e que se esqueça de mim - olhei-o surpreendido não esperava ouvir tal coisa.
- Porquê que achas que ela pode começar a gostar de mim dessa forma?
- Ela algum dia tem que gostar de alguém, né? - sorri com a dedução dele.
- Sim mas porquê que tenho de ser eu?
- Porque nunca vi mais nenhum rapaz tão perto dela como tu andas.
- Martim mesmo que isso venha a acontecer, que nós com o tempo começarmos a gostar um do outro dessa forma a mana nunca vai deixar de gostar de ti, além disso gosto muito de ti por isso não precisas de ter medo porque nunca vou pedir à tua mana para escolher entre nós os dois.
- Mas eu não quero isso.
- Martim já te ouvi dizer que gostavas de a ver aos beijinhos porque quem anda aos beijinhos anda feliz.
- Mas mudei de ideias agora não quero que ela ande aos beijinhos e não quero falar mais disso.
- Tudo bem.
- Tou desculpado?
- Sim.
- Então vamos ter com a mana?
- Não, vai tu que tenho de ir lá dentro.
- Continuas chateado comigo?
- Não mas tenho outras coisas para fazer.
- Tá bem -não estava convencido e nem podia estar afinal continuava magoado com ele apesar de ser só uma criança.
Não estava em condições para ir ter com a Mariana e por isso decidi ir ver o meu sobrinho que dormia no quarto, estava com as mãos apoiadas sobre o berço quando sentir uns braços a envolverem-me, sabia bem de quem eram e por isso suspirei.
- Ruben quero falar contigo - deu-me um beijo no pescoço - anda para não acordarmos o menino - não respondi simplesmente saí do quarto com ela a seguir-me, se queria falar não lhe iria negar mas então que fosse num sítio que não fossemos interrompidos por isso levei-a até a outro quarto e assim que entramos ouvi-a a fechar a porta - agora que já estamos sozinho podes olhar-me? - pediu.
- Para quê?
- Não fujas de mim - falou ao aproximar-se para novamente envolver o meu corpo nos seus braços mas agora de frente para mim - Ruben sei que tiveste a chorar não precisas tentar esconder isso porque o Martim já contou - olhei-a pela primeira vez - não fiques assim - tentou beijar-me - vais continuar a fugir?
- Mariana não quero nem posso ser o responsável pelo Martim ficar chateado e muito menos revoltado contigo - olhou-me - e neste momento é o que está a acontecer, o miúdo só te tem a ti e está numa idade complicada - baixei o olhar - se quiseres que me afaste diz que por muito que vá doer irei fazê-lo - já estava sentado na cama e por isso ela ajoelhou-se à minha frente.
- Agora já é um bocado tarde para arrependimentos - olhei-a sem entender o que dizia - Ruben com a tua persistência já conquistaste o teu lugar no meu coração e por muito que queiras sair não vou deixar - sorri ligeiramente - só te peço que me dês tempo para falar com o Martim mas não quero nem vou afastar-me de ti, o meu irmão vai ter que entender e aceitar que namoramos, nem que para isso tenha de ser mais dura com ele mas uma coisa garanto o puto não vai obrigar-me a escolher nenhum dos dois porque isto neste momento já é impossível - estava a olhá-la e vê-la tão segura transmitiu-me a tranquilidade que precisava - Ruben já te amo e agora não há volta a dar - não consegui dizer nada mas beijei-a e ao puxá-la para mim acabamos deitados na cama - o que é que o Martim te disse?
- Pediu desculpas mas avisou-me que não quer ver-te aos beijinhos a ninguém, que mudou de ideias e que não gosta de nos ver juntos porque tem medo que comeces a gostar de mim.
- Foi por isso que momentaneamente ponderaste afastares-te de mim?
- Queres o quê? Mariana por muito que não queira pensar nas coisas nestes termos o Martim terá sempre uma palavra a dizer e vê-lo cada vez mais a demonstrar o seu desagrado perante a ideia de namorarmos não ajuda.
- Ruben esquece o meu irmão nem que seja por minutos - olhei-a - e ouve o que vou dizer - a Mariana fez algo que não esperava, obrigou-me a ficar deitado de barriga para cima e sentou-se bem em cima da zona da minha cintura mas sem nunca magoar-me - eu AMO-TE é necessário soletrar para entenderes? - sorri - caramba Ruben isto não está a ser fácil para mim, detesto ter que repreender o meu irmão da forma que fiz hoje mas não tive outra solução que não fazê-lo, talvez sejas mesmo o responsável por isso mas ainda não ouviste uma vez que seja um “ai” da minha parte e muito menos estou a cobrar-te alguma coisa a não ser paciência porque no fundo sei que é só disso que o puto precisa, ele vai acabar por ceder, está a sentir-se amedrontado mas quando entender que talvez um dia possamos ser os três uma família vai aceitar-te na minha vida.
- Amor - sorriu como nunca a tinha visto sorrir antes - isso é o que mais quero - sentei-me o que permitiu que ficássemos com os rosto colados e ao olhar-lhe nos olhos falei - por mim contávamos já ao Martim para que pudéssemos começar já a planear a vida a três mas sei que precisas de tempo não só para preparar o Martim como também para conseguires lidar com tudo o que estás a sentir e que talvez seja mesmo novidade.
Não respondeu, simplesmente beijou-me de uma forma tão intensa que aliado ao facto de estarmos tão próximos fez com que perdesse o controlo, os minutos seguintes foram únicos e só não nos amamos porque ouvimos a voz do Martim a chamar por nós e assim que o ouvi também vi a Mariana a sair de cima de mim no mesmo instante e a vestir o seu top, ela fê-lo de forma tão rápida que não pude deixar de sorrir principalmente quando percebi que estava sem saber como reagir depois de cair na real e ter percebido que tivemos talvez a muito pouco de nos amarmos completamente - amor - chamei-a a medo não sabia o que iria na sua cabeça naquele momento e isso estava a deixar-me inseguro - estás bem? - perguntei ao aproximar-me dela que continuava sentada na cama e de costas para mim - Mariana fala comigo - pedinchei ao vê-la sem reação - amor desculpa se forcei alguma coisa - olhou-me pela primeira vez - estás chateada? - perguntei ao qual respondeu com um sorriso envergonhado - amor - reduzi ainda mais a distância que nos separava - não precisas ficar com vergonha - beijei-a.

Como é que irá a Mariana reagir depois do que quase teve para acontecer?

quarta-feira, 20 de junho de 2012

032 - “…ou será que queres ajuda para despires a roupa?”


Antes de começarem a ler quero só deixar um pedido de desculpas pela demora em publicar mas como avisei no último capítulo estou a atravessar novamente uma fase complicada em termos de ter tempo para a FIC :s.
Ah e aviso que não consegui reler o capítulo por isso se encontrarem algum erro não se admirem lol.
Gostaria ainda de saber o que estão a achar da história e se merece ou não que continue a escrever...
Beijinhos :D

Ruben

Desde que chegamos ao apartamento da Letícia que a Mariana deixou-me com o Martim, ela e a Letícia desapareceram percebi que deveriam estar a conversar e por isso fiquei na brincadeira com o Martim mas quando o puto foi à casa de banho fui procurá-las e depois de algumas palavras trocadas sentei-me no seu colo, estávamos na brincadeira quando o puto entrou demonstrando o seu desagrado por ver-me ao colo da irmã.
O Martim não facilitou e acabou mesmo por sair da cozinha chateado porque a Mariana negou-se a fazer o que lhe pediu, ela tentou ir atrás do irmão mas impedi-a, agora era a minha vez de falar com o puto talvez ele assim entendesse que está com receio de perder a irmã sem ter motivo para isso.
- Posso sentar-me do teu lado? - pedi ao entrar na sala mas o puto não abriu a boca, ainda assim sentei-me mas conforme o fiz o miúdo tentou levantar-se, algo que impedi ao agarrá-lo.
- Larga-me não gosto de ti queres roubar a mana de mim.
- Martim largo-te se prometeres que vais ouvir o que tenho para dizer-te - não abriu a boca - posso saber porquê que reagiste assim ao ver-me no colo da tua mana?
- Porque tas a querer roubar ela de mim - falou num tom agressivo que não era de todo dele.
- Não quero roubar a Mariana de ti - olhou-me - sabes porquê? - puxei-o para mim fazendo-o sentar-se no meu colo - Porque por muito que tentasse nunca iria conseguir, Martim a tua mana adora-te e não há rapaz nenhum que vai mudar isso, lindo gosto muito de vocês os dois por isso a última coisa que seria capaz de fazer era magoar-vos, não precisas de ter medo porque não vou roubar-te a mana.
- Então porquê que tavas ao colo dela?
- Porque tal como gostas dos miminhos dela eu também gosto mas isso não quer dizer que a Mariana te deixe de dar miminhos aliás estarás sempre primeiro.
- Mas por causa de ti ela hoje não passou o dia comigo.
- Então mas não gostaste de ir ver os animais? Ouvi dizer que já querias ir ao jardim zoológico há imenso tempo.
- Gostei mas ela não foi comigo por tua culpa.
- Porquê que só agora é que estás com essa conversa? Nós já estivemos a brincar e não demonstraste que estavas chateado comigo.
- Porque só agora é que vi que queres roubar a mana de mim foi por isso que não quiseste casar não foi? - fiquei a olhar para o puto sem saber muito bem o que dizer - eu sei que foi.
- Martim, não casei com a Soraia porque já não gostava dela não teve nada a ver com o querer roubar a tua mana de ti. Lindo, gosto imenso da tua mana como gosto de ti, somos amigos e isso não vai mudar só porque sentei-me no colo da Mariana mas se não queres que volte a sentar-me no seu colo, não volto agora não quero é que fiques chateado connosco porque nós gostamos imenso de ti, a tua mana está sempre a falar em ti e se hoje deixou-te com a Letícia foi porque lhe pedi muito.
- Porquê que quiseste levar a mana a conhecer o teu sobrinho - olhei-o admirado - eu sei que foi isso que foram fazer ela disse que vinhas conhecer o bebé.
- Martim pedi à tua irmã para ir comigo porque gosto muito dela - o puto olhou-me confuso - por isso quis que conhecesse o meu sobrinho, entendes?
- Porquê que não fui também? Não gosta de mim, é?
- Não, por mim tinhas ido mas a Letícia já tinha planeado a tarde para estar contigo.
- Mas eu também gosto de bebés não é só a mana.
- Queres conhecer o Rafael, é isso?
- O Rafael é o teu sobrinho?
- É - sorri ao vê-lo finalmente a ceder - queres ver uma foto dele?
- Sim - sorriu pela primeira vez desde que apanhou-me ao colo da irmã.
- Vê - passei-lhe o telemóvel para as mãos para que visse a foto.
- É bonito mas eu queria ter ido com a mana conhecer o bebé.
- Se quiseres posso ligar ao meu mano e perguntar se podemos passar por lá amanha.
- Não pode ser hoje? - sorri
- Hoje já está tarde o Rafael já deve estar a dormir mas amanhã antes de regressarmos a braga passamos pela casa do meu irmão, pode ser?
- Sim - olhou-me - tu gostas mesmo da minha mana né?
- Sim.
- E de mim?
- Também.
- E como é que é esse gostar?
- O que é que queres saber?
- Então se é o gostar de amigo ou se é aquele gostar para dares beijinhos?
Fiquei uns segundos a olhar para o puto por não saber o que responder, por mim abria o jogo mas a Mariana nunca iria perdoar tal coisa e foi quando ia a responder que ela entrou.
- Então já te passou a birra? - perguntou ao vê-lo no meu colo.
- Ó mana vai embora - ficamos a olhá-lo - que tou a ter uma conversa com o Ruben.
- Isto realmente primeiro fazes birra porque o Ruben está ao meu colo e agora já estás aí todo amiguinho dele e à conversa.
- Mana, não precisas ter ciúmes porque não vou roubar-te o Ruben - foi impossível não gargalhar ao ouvi-lo.
- Não tenho ciúmes até pelo contrário prefiro muito mais que estejas amigo do Ruben do que chateado com ele.
- Porquê?
- Porque a mana gosta muito dos dois.
- Ó mana vais gostar sempre de mim?
- Vou mas porquê essa pergunta?
- Mesmo quando encontrares um rapaz para dares beijinhos? - sorrimos ao ouvi-lo.
- Não te preocupes com isso que o coração da mana é muito grande por isso o meu amor chega para ti e para esse rapaz.
- Tá bom - ele saiu do meu colo e foi abraçar a irmã - desculpa ter ficado chateado mas não gostei mesmo de ver o Ruben no teu colo tive medo que já não gostasses de mim.
- Ó meu piolho a mana vai gostar sempre de ti independentemente de amar outro rapaz - olhou-me e por isso viu-me a suspirar quando ouvi a palavra amar - o teu espacinho no meu coração está garantido e a mana nunca vai abandonar-te nem tomar decisão nenhuma sem falar contigo primeiro, entendes?
- Sim mas mana sabes que amanhã o Ruben vai levar-me a conhecer o Rafael? - ela sorriu.
- Ai vai?
- Vai porque eu pedi - olhou-me.
- Ah agora percebi porquê que vocês já estavam todos amigos, ele fez-te a vontade.
- Não mana eu só quero conhecer o bebé e ele disse que sim - sorrimos.
- Ok - ela veio sentar-se ao meu lado com o irmão no colo.
Acabamos por ficar à conversa com a Letícia até o Rui chegar, a Mariana apresentou-me o namorado da madrinha do Martim e depois decidimos ir jantar todos juntos mas como estavam comigo quem decidiu o sítio fui eu, afinal a única exigência do meu amor foi que fosse um lugar sossegado, por isso fomos a um restaurante que normalmente vou quando quero privacidade.
As horas seguintes foram animadas mas sempre com o Martim grudado na Mariana, nem a mão consegui colocar na sua perna quanto mais uma troca de olhares das nossas, o miúdo já deve andar desconfiado e por isso não facilitou nem um pouco. O momento da despedida chegou e só aí é que o Martim foi informado que iria dormir ao meu apartamento juntamente com a irmã no entanto não se preocupou minimamente e depressa entrou para o meu carro.

***

Chegamos ao meu apartamento e como já era tarde a Mariana não deixou que o Martim ficasse na brincadeira comigo porque o miúdo tinha que ir dormir, a ideia não desagradou de todo porque se o puto adormecesse podia ser que tivesse sorte e pudesse finalmente receber os mimos dela.
A Mariana a pedido do Martim foi deitá-lo por isso fiquei pela sala à sua espera mas os minutos foram passando e nada de Mariana acabei por adormecer no sofá pois foi acordado umas horas depois por ela.

Mariana

Por incrível que pareça o Ruben conseguiu amansar a fera do meu irmão, estava a deliciar-me com a conversa daqueles dois quando ouvi o puto a perguntar ao Ruben até onde ia o gostar a que se referia, percebi que o Ruben não sabia o que responder talvez por não querer mentir mas também por não querer dizer a verdade, por isso acabei por entrar na sala e uns minutos depois já estava tudo normalizado, à exceção que desde o momento que o Martim apanhou o Ruben no meu colo não desgrudou mais de mim, para onde ia o puto ia atrás, foi assim durante o jantar e foi assim também no momento de ir para a cama.
- Mana, não veste o pijama?
- A mana ainda não vai já dormir.
- Porquê?
- Porque ainda não tem sono.
- Fixe porque também não tenho e assim podemos ficar à conversa.
- Martim já é tarde, por isso tens que dormir.
- Mas também não tenho sono.
- Tens sim olha aí o João pestana a mandar-te fechar os olhinhos.
- Ó mana porquê que viemos dormir na casa do Ruben?
- Porque o Rui ficou na casa da madrinha - dei a primeira desculpa que surgiu.
- Tá bem - olhou-me - mas mana veste o pijama e deita-te comigo - pedinchou - tenho saudades de dormir contigo.
- Ok, mas é para irmos dormir e não para ficarmos à conversa.
- Tá bem - sorriu - mana posso deitar a cabeça no teu braço como fazia quando era mais pequeno - gargalhei.
- Podes, podes mas até parece que agora já és um homem grande - ele sorriu.
- Gosto tanto de dormir contigo - além de deitar a cabeça no meu braço ainda se abraçou a mim, ele hoje estava mesmo numa de grudar-se a mim.
- Ó meu piolho a mana não foge não precisas prender-me.
- Mas eu gosto.
- Ok, mas vá agora vamos dormir - fechei os olhos numa tentativa que o puto adormecesse, esperei mais de uma hora e quando pensava que já dormia tentei levantar-me não sabia se o Ruben ainda estaria acordado mas estava disposta a ir ver.
- Mana onde é que vais? - perguntou-me ao perceber que estava a querer sair da cama.
- Á casa de banho, dorme meu piolho.
- Eu não tava a dormir tava só com os olhos fechados - falou com uma espertina desgraçada.
- Amor, dorme que já está tarde.
- Tá bem mas vou esperar que voltes - olhei-o numa tentativa de perceber se estava a falar a sério e ao ver que sim resolvi regressar para a cama sem mais demoras - então não ias à casa de banho?
- A vontade passou, agora dorme que a mana também vai dormir - virei-me de lado numa tentativa dele não se agarrar a mim mas não adiantou porque o puto abraçou-me na mesma, fiquei mais de uma hora a fazer-lhe um cafuné até adormecer e assim que certifiquei-me que estava mesmo a dormir levantei-me com cuidado e fui direta ao quarto do Ruben mas para meu espanto não estava na cama por isso fui procurá-lo e encontrei-o deitado no sofá ainda com a sua roupa mas a dormir o que deu-me vontade de sorrir, afinal quis ficar à minha espera mas não aguentou.
Fiquei a observar o Ruben enquanto dormia por vários minutos mas acabei por o despertar afinal estava todo torto e se passasse ali a noite no dia seguinte iria estar aflito com dores nas costas. Acordei-o com um beijo nos seus lábios, isto depois de ter passado os meus dedos pelo seu rosto e feito com que se mexesse.
- Desculpa adormeci - murmurou quando descolei os meus lábios dos dele.
- Se há alguém que tem de pedir desculpas sou eu, afinal ficaste à minha espera - sorriu.
- Deixa de ser tonta - percorreu todo o meu corpo com o seu olhar - que valeu a pena ter adormecido para ser acordado desta forma - colocou a mão na minha perna - mas porquê que demoraste tanto? - sorri ao ouvi-lo.
- Porque o Martim hoje decidiu que não tinha sono além de ter adormecido agarrado a mim.
- O puto está desconfiado - olhei-o e percebi que estava perdido a olhar para as minhas pernas.
- Pois está - inclinei-me para o beijar - se não tivesse não tinha perguntado se o teu gostar é de amigo ou de dar beijinhos - o Ruben olhou-me.
- Ouviste a conversa?
- Sim, toda se queres mesmo saber.
- Estavas com medo que falasse demais? Foi por isso que entraste na sala naquele instante?
- Não, estava curiosa para ver e ouvir-te a lidar com o meu irmão - beijei-o - e só entrei na sala porque percebi que não lhe querias mentir mas também não sabias o que dizer.
- Nós vamos ter que lhe contar, o Martim é esperto, já anda desconfiado, por isso mais cedo ou mais tarde descobre.
- Tratamos disso amanhã, agora dá aí um jeitinho para deitar-me - o Ruben sorriu mas fez o que pedi.
- Achas que ele vai reagir bem?
- Se for revelado com calma sim, só tenho que arranjar um jeito de lhe explicar que não queres roubar-me dele, que tenho espaço para os dois no meu coração, que vos amo - os olhos do Ruben brilharam como nunca antes tinha visto quando falei “amo” - e que não vou escolher um em detrimento do outro.
- Repete essa última parte - pediu-me a olhar bem no fundo dos meus olhos.
- Que não vou escolher um em detrimento do outro - sabia que não era isso mas resolvi brincar com o Ruben.
- Não era bem isso - falou com os seus lábios a roçarem nos meus - era mais o que falaste antes - beijou-me com uma calma estonteante.
- Que vos amo aos dois - disse-o a olhar para ele - Ruben hoje deste-me a única prova que precisava - beijei-o - quando tiveste a iniciativa de ires falar com o Martim demonstraste que queres mesmo que resulte, que o aceitas tal como é, bem como às birras e ciúmes, isso é a única coisa que sempre pedi e nunca nenhum outro rapaz consegui dar e muito menos compreender.
- Mariana não faz sentido ser de outra forma afinal quando nos conhecemos o Martim já existia e se não foi impedimento para apaixonar-me por ti muito menos será para te amar - estava vidrada nele - amo-te com todos os teus defeitos e virtudes, não duvides nunca que o Martim faz parte das virtudes e nunca dos defeitos, só alguém com um coração enorme é que seria capaz de fazer o que fizeste e é uma pessoa dessas que quero do meu lado, com quem quero fazer planos sem ter receio do futuro, que quero para mãe dos meus filhos e minha mulher - olhava-me de uma forma penetrante - Mariana quero que sejas essa mulher mas sem pressa, temos tempo para realizarmos todos os nossos sonhos e desejos, a única coisa que preciso é que digas se estás ou não disposta a levares por tabela, linda por muito que não queira vai chegar o dia que o nosso namoro irá ser descoberto e aí não vou conseguir fazer nada para evitar certos inconvenientes.
- Não te preocupes com isso porque não será pior do que já passei, posso não gostar de ser o centro das atenções mas desde que sejamos discretos acho que não nos vão incomodar muito, além disso o problema não será lidar com as tuas fãs mas sim lidar com o meu passado.
- Tens medo que seja descoberto?
- Não, tenho medo que a minha mãe nos descubra em Braga e que venha atrás do meu irmão.
- Tens a tutela dele por isso ela não pode fazer nada.
- Sim mas pode sempre tentar além disso não te quero envolver em confusões que não são tuas.
- Shiu não digas disparates - olhei-o - se isso acontecer, coisa que duvido, irei estar do teu lado antes de tudo sou vosso amigo e sei que o Martim está muito melhor contigo do que com a mãe por isso se for necessário farei tudo para que o menino fique connosco, ele vai crescer do nosso lado e isso nem tem discussão possível - sorri ao ouvi-lo a incluir o Martim.
Fiquei a olhá-lo durante uns minutos, estava a observar cada detalhe do seu rosto quando uma vontade louca de sentir os seus lábios contra os meus percorreu o meu corpo, não fiz por menos e puxei-o para mim, o Ruben não negou e por isso mesmo fiquei deitada por baixo dele, unimos as nossas bocas num beijo ardente e carregado de sentimento, as nossas línguas há muito que se tinham encontrado quando senti a sua mão direita na minha perna esquerda, o Ruben percorreu-a desde a zona do joelho até à coxa e pela primeira vez senti vontade de ir mais longe mas tive vergonha de o admitir e talvez por isso o Ruben não avançou, ficamos simplesmente a namorar no sofá e aos beijos uns mais ardentes que outros mas sempre carregados de muito sentimento.
- Linda não queres ir dormir? - perguntou ao abrir a boca era notório que estava cansado.
- Sim, vamos - o Ruben foi o primeiro a levantar-se até porque tinha de sair para que conseguisse levantar-me.
- Dormes comigo? - perguntou num sussurro enquanto beijava-me o pescoço e apertava-me contra o seu corpo.

Ruben

- Ruben não sei se é boa ideia - ia para falar mas ela colou as nossas bocas - não é por ti - olhou-me - é mesmo pelo Martim que se acorda e não me vê do seu lado pode tornar as coisas piores no momento que lhe for revelar que namoramos.
- O puto já está a dormir - pedinchei - e à hora que adormeceu duvido muito que acorde primeiro que nós - ela sorriu - anda lá - beijei-a no pescoço o que fez com que se encolhesse - temos tão poucas hipóteses de dormir abraçadinhos - continuei com os beijos no seu pescoço mas agora a percorrer em linha reta a sua pele até chegar aos seus lábios unindo-os num beijo carregado de desejo.
- Ruben não me tentes - pediu ao separarmos as nossas bocas.
- Para pedires isso é porque estou no bom caminho - não a deixei responder e voltei a puxa-la para mim - vem lá dormir comigo - suspirou - isso é um sim? - sorriu.
- Não devia ser - beijei-a sem mais demoras e foi por entre beijos que chegamos ao meu quarto, só aí é que nos separamos e enquanto fui colocar o telemóvel a carregar a Mariana puxou os lençóis, não sei se fez de propósito ou se foi inocentemente só sei que a visão que tive foi dela com o rabo empinado o que fez com que ficasse a olhá-la, já que os calções do seu pijama também não ajudavam em nada, ela não se apercebeu pois deitou-se como se nada fosse - então vais ficar aí feito múmia ou vens deitar-te - sorri ou a observação dela.
- Vou só à casa de banho já regresso - passei pela cama e dei-lhe um beijo rápido - linda - chamei-a ao regressar ao quarto.
- Diz - abriu os olhos.
- Incomoda-te se dormir só de boxers? - perguntei afinal não a queria incomodar mas a minha pergunta só fez com que gargalhasse - olha que acordas o puto - ela continuou a sorrir mas agora sem fazer barulho.
- Ó Ruben, estás a esquecer-te que já te vi só de boxers aliás até já te vi sem eles - sorri ao relembrar esse dia.
- Mas nunca dormimos na mesma cama comigo só em boxers - falei ao aproximar-me da cama.
- Deixa-te de cenas, dorme como estás habituado que a mim não faz confusão - beijou-me demoradamente - ou será que queres ajuda para despires a roupa?
- Não seria má ideia mas prefiro fazê-lo sozinho - levantei-me e dei a volta à cama, estava a despir-me com ela a olhar-me e confesso que não consegui evitar certos pensamentos, ainda assim deitei-me do seu lado sossegadinho mas depressa ela se chegou para mim, a Mariana acabou mesmo por colocar a cabeça no meu peito e foi assim que adormecemos.

***

Acordei com uma voz de criança a chamar-me, não foi difícil perceber que era o Martim e por isso abri os olhos.
- Precisas de alguma coisa? - perguntei ainda ensonado.
- Não sei da mana - falou preocupado.
- Já viste se não está na cozinha ou na casa de banho? - respondi depois de olhar para a porta da casa de banho do meu quarto e verificar que a Mariana não se encontrava lá.
- Já, ela não tá em casa.
- Ó piolho deita-te aqui que vou ligar-lhe.
O Martim estava mesmo preocupado e apesar de não haver razões para isso acabei por ligar à Mariana, lógico que obtive a confirmação do que já suspeitava, ela tinha saído para ir comprar pão para o nosso pequeno-almoço, informei o miúdo e acabamos por ficar à conversa na cama.
- Então conta lá como é que foi a ida ao jardim zoológico.
- Fui fixe - disse animado - deu para ver todos os animais que gosto.
- Então e quais são?
- Os macacos, os golfinhos, os elefantes, as girafas, os pinguins, os leões - comecei a sorrir - tas a rir porquê?
- Martim porque estás a dizer todos os animais que o zoo tem.
- Oh gosto de todos - encolheu os ombros levando-me a gargalhar.
- Mas deves gostar mais de uns do que de outros.
- Sim, dos golfinhos.
- Olha também gosto de golfinhos - ele sorriu.
- Ruben sempre vamos ver o Rafael - mudou de assunto.
- Ainda te lembras disso?
- Lembro e tu disseste que nós íamos.
- E vamos mas mais daqui pouco.
- Tá bom - olhou-me e fiquei com a sensação que queria perguntar alguma coisa.
- Queres perguntar alguma coisa? - ele olhou-me.
- Não.
- Tens a certeza?
- Sim, não quero perguntar quero fazer um pedido - sorri ao ouvi-lo.
- Diz lá.
- Tu és nosso amigo né?
- Sim.
- E gostas de sair à noite? - não entendi a pergunta mas respondi na mesma.
- Sim quando posso vou divertir-me com os meus amigos mas porquê?
- Porque eu quero ir sair á noite mas a mana não gosta de sair à noite - gargalhei.
- Mas o que é que consideras sair à noite?
- Ir jantar e depois passear - sorriu.
- Hum, temos que convencer a tua mana a sair à noite.
- Isso era muito fixe mas ela nunca quer diz sempre que tá cansada.
- Escolher um dia que esteja de folga.
- Podemos tentar mas não sei.
- Vais ver que conseguimos.
- Posso fazer outra pergunta? - olhei-o.
- Diz.
- Gostas mesmo da minha mana? - a pergunta dele apanhou-me desprevenido ainda assim respondi com a verdade.
- Gosto.
- Então e de mim?
- Também gosto muito.
- Então e da Soraia? - olhei-o afinal já era muita pergunta junta.
- Gostei muito dela mas agora é só uma amiga - o miúdo teria continuado com o interrogatório mas a entrada da Mariana não permitiu.
- Olha que bem dois homens enfiados na mesma cama - olhamos os dois ao ouvir a voz da Mariana - então piolho ouvi dizer que acordaste o Ruben porque não sabias de mim - deu-lhe um beijinho - pensavas que tinha fugido, foi? - a Mariana estava extremamente bem-disposta e quando dei por isso já estava em cima da cama a fazer cócegas ao miúdo.
- Ó mana pára - o miúdo bem que pedia mas ela estava numa de brincadeira.
- Pronto já parei - sentou-se - já se levantavam os dois, não?
- Ó mana tou aqui tão bem - gargalhamos ao ouvi-lo.
- Mas os meninos têm que se levantar porque o pequeno-almoço está feito e à vossa espera - ela tentou sair da cama mas puxei-a e como se desequilibrou caiu em cima de mim, o que fez o Martim gargalhar novamente - que piada - falou ao olhar-me - és mais criança que o puto - ela estava disposta a continuar a refilar por isso fiz-lhe o mesmo a ela que fez ao puto, iniciei um ataque de cócegas, algo que o Martim se juntou e só paramos quando a Mariana implorou - vá toca a despachar que temos de passar pela casa do teu irmão antes de regressar.
- Ainda temos tempo - falei enquanto a olhava com uma tremenda vontade de beijá-la algo que percebeu porque pediu ao puto para ir mudar de roupa e assim que o menino saiu não perdeu tempo a puxar-me para si, acabei deitado em cima dela e com os nossos lábios grudados - o puto - tentei alertá-la que o miúdo podia entrar mas a Mariana ignorou isso voltando a unir as nossas bocas.
- Vá, toca a vestir - falou quando as minhas mãos já passeavam no interior do seu top.
- Se tem mesmo que ser - falei resignado.
- Tem, temos que passar pela casa do teu irmão, já que o menino prometeu que ao meu irmão que iria conhecer o Rafael - ela sorriu mas não me deu tempo para lhe responder uma vez que saiu logo depois.
Fui tomar um duche rápido mas quando regressei ao quarto para vestir-me ela estava a arruma-lo e como se encontrava de costas aproveitei para a abraçar.
- O teu irmão perguntou-me se gostava mesmo de ti - sussurrei enquanto lhe dava beijinhos no pescoço.
- O que é que respondeste - perguntou-me já virada para mim e com os seus braços à volta do meu pescoço.
- A verdade, que gosto muito de ti - ela sorriu - ele está cada vez mais desconfiado.
- Depois falo com ele - beijou-me - mas agora vai-te vestir para irmos embora - ela tentou esquivar-se mas puxei-a para mim unindo de novo as nossas bocas mas desta vez num beijo intenso que acabou connosco deitados na cama e só interrompemos a trocas de carícias porque ouvimos os passos do Martim que entrou no quarto logo depois.
- Mana tenho fome - gargalhamos
- Anda lá meu reguila e tu vê se te despachas - falou ao sair do quarto.

Mariana

Acordei sem sono e por isso resolvi sair para comprar pão e preparar um pequeno-almoço decente para os meus dois homens, estava entretida à procura de um sítio que vendesse pão quando ouvi o telemóvel, era o Ruben a perguntar onde andava porque o Martim estava preocupado acabei por lhe dizer que dentro de algum tempo estava de regresso e expliquei o motivo da minha ausência.
Cheguei ao apartamento e estava um silêncio enorme algo estranho uma vez que o Martim já estava acordado, ainda assim fui para a cozinha adiantar o nosso pequeno-almoço e só quando já estava praticamente feito é que fui procura-los, primeiro ao quarto onde o meu piolho tinha dormido e depois ao do Ruben, foi quando aproximava-me da porta que percebi o tema de conversa ainda fiquei uns minutos a ouvir mas quando o Martim começou com as perguntas delicadas decidi entrar antes que ele deixasse novamente o Ruben sem saber o que dizer.
Ficámos vários minutos na brincadeira mas acabei por sair do quarto do Rubem e ir ajudar o meu irmão a vestir-se, quando terminei regressei à origem para arrumar o quarto e foi quando o estava a fazer que o Ruben aproveitou para tentar a sua sorte no que toca aos mimos mas tivemos que nos separar ao ouvirmos os passos do meu pequeno, acabei por ir com ele até à cozinha enquanto o Ruben ficou para trás.
- Mana - olhei-o - quando é que vamos ás compras?
- Como assim?
- Então comprar os cadernos para a escola - sorri.
- Amor, tratamos disso amanhã pode ser?
- Sim.
- Agora come para irmos ver o Rafael - falei ao ver o Ruben a entrar na cozinha.
Comemos sem grandes conversas até porque queria que o Martim se despachasse e assim que o miúdo terminou de comer pedi-lhe para ir lavar os dentes algo que fez sem questionar mas consigo arrastou o Ruben, não percebi o motivo pelo qual o fez só sei que a criança mor não se importou minimamente e saíram da cozinha na brincadeira.
Quando terminei de limpar a cozinha fui procura-los e encontrei-os no quarto do Ruben à conversa, fiquei uns minutos a olhá-los o que deu para perceber que falavam de futebol, o meu piolho estava a pedir ao Ruben para que o fosse levar ao primeiro treino o que deixou-me aliviada pelo menos a birra de ontem já tinha passado completamente.
Acabei por ter que interromper o momento deles ao avisar que já podíamos ir visitar o Rafael, algo que fez o Martim pular da cama.
- Isso é tudo pressa?
- É, quero conhecer o bebé.
- Então vamos lá - o Ruben falou e assim que o fez o Martim saiu do quarto motivo suficiente para agarrar-me pela cintura.
- Onde pensas que vais com essa pressa toda - falou-me ao ouvido não lhe respondi, virei-me e beijei-o afinal sabia que era isso que queria.
- Vá, toca a mexer - ele sorriu mas fez-me a vontade e por isso saímos finalmente do seu apartamento com destino à casa do irmão.

Será que o Martim vai continuar “amigo” do Ruben por muito mais tempo? Como irá ele reagir à constante presença do Ruben na vida da irmã?