segunda-feira, 4 de junho de 2012

024 - “…tenho medo de vir a descobrir que o que estou a sentir seja o que as pessoas chamam de amor…”


Mariana

Uma semana passou desde que falei com o Ruben e não sei se foi por isso ou não só sei que afastou-se completamente de nós quando deveria fazer o inverso, uma vez que lhe pedi que reconquistasse a confiança do meu irmão. Tentei ao máximo não pensar nisso mas a verdade é que está cada vez mais difícil desligar-me da realidade, está a custar-me imenso ficar longe dele, sempre que o vejo tenho uma vontade louca de esquecer o que se passou e abraça-lo principalmente por andar a sentir a falta dele de uma forma inexplicável que impede-me de ser racional, é frequente dar comigo a pensar em como tudo isto poderia ser diferente senão tivesse sido tão casmurra, se lhe tivesse dado a hipótese de se explicar quando pediu.
O fim-de-semana chegou e como tal tivemos que nos despedir da Patrícia e do Nuno, não percebi bem o motivo pelo qual nos ofereceram a viagem e estadia em Paris bem como os bilhetes para irmos até à Disneyland Paris só sei que acabei por aceitar, primeiro porque iria ser uma desfeita para eles, segundo porque o meu irmão já tinha pedido para lá ir e terceiro porque seria uma forma de afastar-me de Braga que ultimamente tem-me feito tanto mal.
O Martim estava elétrico e por isso não consegui que ficasse sossegado durante o voo ainda assim esteve calado. O meu irmão parecia uma pulguinha saltitante o que deixava-me de certa forma feliz por o ver alegre, já tínhamos as nossas malas quando o Martim parou de andar, ele ia ao meu lado mas de um momento para o outro parou o que fez com que olhasse para ele.
- O que foi? -perguntei ao vê-lo estático.
- Mana o Ruben.
- O que tem o Ruben? - perguntei por não estar a entender nada.
- Ele vem aí - falou ao apontar virei-me e dei de caras com ele já próximo de nós.
- Oi - sorriu.
- O que é que estás aqui a fazer?
- Só estou a cumprir com o que pediste - disse-me ao olhar-me nos olhos o que causou-me um arrepio por todo o corpo - estou a fazer pela vida - sorriu ligeiramente.
- Estás a dizer que isto é obra tua?
- Sim, pedi ajuda à Patrícia e ao Nuno para que não desconfiassem mas fui eu que preparei tudo - fiquei sem resposta, tê-lo ali diante de mim com um sorriso tímido no rosto estava a melindrar-me de uma forma estranha e só despertei quando ouvi a voz do meu piolho.
- Mana vamos - puxava-me por um braço ignorando a presença do Ruben.
- Espera - pedi - amor parece que vamos ter que levar com a companhia do Ruben.
- Não - foi perentório.
- Martim - o Ruben baixou-se diante dele - sabes que estás aqui porque vos ofereci a viagem - ele interrompeu-o.
- Estás a mentir quem deu a viagem e os bilhetes foi o Nuno.
- Foi o Nuno que vos entregou mas a ideia foi minha, fui eu que os comprei.
- Porquê?
- Porque quero pedir-te desculpas por ter faltado à tua festa - o meu irmão olhou-o - sei que errei e estou mesmo arrependido, gosto muito de ti e quero continuar a ser teu amigo por isso é que vos ofereci a viagem, sei que querias muito vir cá mas que a mana ainda não tinha conseguido juntar dinheiro suficiente para te trazer.
- Pois não - o Ruben sorriu.
- Martim será que dá para desculpares-me por ter sido um parvo e ter faltado à festa?
- Porquê que faltaste? - o Ruben olhou-me.
- Porque fui um parvo, desculpas?
- Porquê que foste um parvo? - percebi que o Ruben estava a evitar dizer a verdade talvez porque não sabia se queria que falasse.
- Lindo, sabes que nós adultos às vezes somos mais crianças que vocês - o Martim sorriu - e foi isso que aconteceu comigo, Martim nesse dia vi uma coisa que não gostei e não consegui esquecer mais isso - o Ruben olhou-me - por isso não estava capaz de ir até à tua festa, estava chateado e não queria que ficasses triste por veres-me aborrecido, desculpa nunca pensei que ficasses tão chateado por ter faltado.
- Tu falhaste na promessa que fizeste, tu disseste que nunca ias abandonar a mim e à minha mana e foi isso que fizeste.
- Martim não vos abandonei, falhei quando não consegui deixar de lado o que estava a sentir para estar presente da tua festa, desiludi-te por isso mesmo mas nunca vos abandonei e para te provar isso posso dizer que adoraste as férias no Algarve principalmente o teres visto os Golfinhos e a tua mana ter-te levado a passear à noite pelas ruas cheias de gente, foi ou não foi?
- Foi mas como é que sabes?
- Lindo, posso ter afastado de vocês mas nunca deixei de saber notícias vossas, se não era o Nuno e a Patrícia a dá-las era a Letícia mas sempre soube o que andavam a fazer - por esta não esperava algo que o Ruben percebeu - Martim desculpas-me? - o meu irmão olhou-me antes de responder.
- Prometes que não voltas a fazer o mesmo não quero saber se estás triste ou não porque isso não interessa.
- Sim prometo que nunca mais vou deixar-te à minha espera - o Martim sorriu - nem a ti nem à tua irmã.
- Tá bom então eu perdoo - o meu irmão abraçou o Ruben que acabou por se levantar ficando com o Martim ao colo.
- Agora faltas tu - olhou-me bem nos meus olhos - Mariana não dá para continuar chateado contigo, sei que agi mal, que tens razão para estares chateada mas dá-me uma oportunidade para redimir-me, aceita passar estes dois dias comigo vamos levar o teu irmão a conhecer a DisneyLand Paris, deixa-me provar-te que podes voltar a confiar em mim que a última coisa que quero é ver-te triste - estava perdida a olhá-lo e fui incapaz de lhe negar o que estava a pedir.
- Cumpro sempre o que digo, conseguiste que o Martim te perdoasse, por isso tens a tua oportunidade - ele sorriu e sem que tivesse a contar abraçou-me dando um beijo na minha bochecha - hey calminha aí primeiro temos que conversar e esclarecer umas coisas e depois é que vou decidir se voltaremos a ter a mesma liberdade ou não.
- Será como quiseres.
- Então vamos que quero ir deixar as malas no hotel e depois ainda quero dar uma volta.
- Iria jurar que não gostas de sair à noite - picou-me.
- Não gosto de ir para bares e discotecas mas gosto de passar serões agradáveis com os meus amigos - ele sorriu - já para não falar que estou em Paris.
- Ok, tens razão, vamos então.
O Ruben meteu finalmente o meu irmão no chão e depois fez questão de levar as nossas malas foi quando já estávamos no hotel que tirei a dúvida que estava a pavonear os meus pensamentos.
- Ruben quando é que chegaste? - ele sorriu.
- Vim no voo antes do vosso queria ter a certeza que estaria à vossa espera.
- Mas não tens treinos durante o fim-de-semana?
- Não, este fim-de-semana temos folga - sorriu - o que confesso que deu jeito.
- Hum, ok.
- Mariana espero-vos lá em baixo - informou ao chegarmos à porta do meu quarto, meu e do Martim.
- Ok, o Martim vai só mudar de roupa e já descemos.
Entrei no quarto e encontrei o meu piolho a explorá-lo, deixei-o uns minutos sossegado no seu mundo mas acabei por chamá-lo à realidade para que mudasse de roupa.
- Mana isto é bué fixe - falou animado - o Ruben teve uma ideia bacana.
- Teve, teve - suspirei - mas agora tens que te despachar para irmos ter com ele.
O meu irmão fez o que pedi enquanto fui espreitar a vista que tinha da varanda do meu quarto, aquilo era lindo e tenho que confessar que o Ruben esmerou-se nunca pensei que fizesse algo do género só para que o puto o pudesse desculpar. Estava perdida em pensamentos e cada vez mais confusa quando o Martim apareceu já vestido.
- Vamos?
- Sim piolho - ele sorriu e foi todo contente à minha frente, descemos pelo elevador e assim que as portas se abriram correu na direção do Ruben.
- Onde vamos? - perguntou animado.
- Agora vamos passear um pouco e depois vamos jantar.
- E depois?
- Depois voltamos para o hotel, temos que nos deitar cedo para amanhã não termos sono e aproveitar o dia na DisneyLand, certo?
- Sim - falou radiante o que deixou-me feliz por ele.
Passei as horas seguintes a presenciar a alegria do meu irmão, o puto andava a tirar fotos a tudo o que via incluindo a nós os três, ele tanto fez que conseguiu que permitisse o Ruben abraçar-me o que deixou-me desconfortável já não sentia os seus braços em volta da minha cintura há mais de um mês e tê-lo novamente perto de mim provocou-me uma sensação estranha, sentir o seu perfume, o seu toque mas principalmente os seus lábios contra as minhas bochechas fez com que suspirasse sem entender o motivo, algo que não passou despercebido ao Ruben que sorriu de uma forma como já não o via a sorrir há muito.     
A noite foi bastante agradável e houve momentos em que esqueci completamente os últimos acontecimentos parecia que nada se tinha passado e que continuávamos amigos como antes, foi por pensar nisso e em tudo o que se passou mas principalmente nas diversas conversas que tive com várias pessoas que mal consegui dormir no entanto levantei-me cheia de energia sabia que iria ter pela frente um dia cansativo mas que no final seria recompensador pois o Martim iria estar felicíssimo.
O dia como esperava rebentou connosco, andarmos de um lado para o outro a correr atrás do Martim não foi fácil, ele queria experimentar tudo e nem o facto de saber que o dia amanhã seria passado lá o fez abrandar, talvez por isso à noite assim que jantou quis dormir, fiz-lhe a vontade até porque também estava a querer esticar-me, deitei-me com o Martim e uns minutos depois já dormia serenamente ao contrário de mim que apesar de cansada estava sem sono, acabei por ir até à varanda e quando estava perdida em pensamentos vi que o Ruben observava-me de sorriso no rosto, ficamos uns segundos a olharmo-nos, segundos esses que serviram para ter a certeza que não poderia regressar para Braga com uma dúvida a assombrar-me o pensamento, por isso mesmo regressei ao quarto, vesti-me e saí.

Ruben

Estava com receio de não conseguir que o Martim desculpasse o que lhe fiz mas isso não aconteceu, o miúdo deslumbrou-se completamente com a surpresa que lhe fiz e por isso esqueceu rapidamente o que se tinha passado ainda assim pediu-me para prometer que não volto a repetir a piada.
A noite de ontem e o dia de hoje foram inesquecíveis ver a alegria do Martim com tão pouco deu-me uma paz de espírito enorme e contribuiu para ter a certeza que os quero do meu lado, tanto a Mariana como o Martim e que por isso vou ter que ganhar coragem e admitir que lhe menti ao afirmar que não gostava dela, mesmo correndo o risco de a desiludir mais uma vez não posso continuar a mentir. Era nisso que pensava quando fui até à varanda onde perdi-me completamente a olhá-la. A Mariana olhava as estrelas e como sempre estava linda com a luz da lua a refletir na sua pele, acabei por ser apanhado por ela e por isso sorri mas a Mariana simplesmente fugiu, regressou para o interior do quarto o que deixou triste, algo que passou quando ouvi alguém a bater à porta do meu quarto, apressei-me a ir abrir.
- Desculpa vir incomodar mas preciso falar contigo.
- Deixa-te de coisas e entra - sorri-lhe.
- Diz - pedi ao vê-la sentada na cama mas conforme o fez também se levantou, ela estava inquieta - passa-se alguma coisa? - perguntei ao aproximar-me dela.
- Acho que estou a dar em louca - olhei-a com vontade de rir - não te rias que não tem piada.
- Desculpa mas no mínimo é estranho chegares aqui a dizer que estás a dar em louca - ela suspirou - anda - puxei-a pela mão e levei-a até à varanda - senta-te - pedi e fiz o mesmo - agora fala pode ser que ajude.
- Ruben não sei por onde começar nem a melhor forma de perguntar o que preciso de saber - olhei-a sem entender nada - por isso vou direta à questão mas desta vez quero mesmo a verdade - ela respirou profundamente - ainda te lembras da conversa que tivemos em tempos e que perguntei se tinha sido a responsável pelo fim do teu noivado - ela calou-se percebi que estava à espera que respondesse e por isso mesmo afirmei que sim com a cabeça já que por palavras não o consegui fazer - sei que negaste, também sei que pedi a verdade e ainda te avisei que a única coisa que não desculpo é a mentira mas mesmo assim preciso que sejas sincero e digas se estavas mesmo a falar a verdade - tê-la diante de mim a remexer no único assunto que tinha medo de desenterrar deixou-me sem saber o que dizer e por isso mesmo voltei a ouvi-la - Ruben só quero a verdade por favor - respirei profundamente.
- Mariana, não fui totalmente honesto contigo quando falamos sobre isso - baixei o olhar.
- Como assim? E olha para mim enquanto estivermos a falar - elevei a cara e encarei-a.
- Fui sincero quando afirmei que não foste a responsável pelo fim do noivado afinal não tiveste culpa nenhuma e muito menos fizeste alguma coisa para que isso acontecesse mas menti-te quando neguei que não sinto nada por ti, a razão pela qual não fiquei na lama quando a Soraia terminou comigo foi porque já era em ti que pensava e não nela.
- Porquê que mentiste?
- Porque tive medo de te perder se admitisse em voz alta o que sinto por ti.
- Pedi-te para seres sincero e tu mentiste.
- Querias o quê - levantei-me - tinhas acabado de admitir que não sentes o mesmo, que se conseguisse lidar com um não da tua parte que poderíamos continuar a ser amigos mas que se isso não acontecesse que afastavas-te - ela interrompeu-me.
- Isso não serve de desculpa para teres mentido quando pedi a verdade - acusou-me.
- Sei disso mas agora já não posso voltar atrás mas desculpa se neguei aquilo que sinto por ti porque preferi ter-te como amiga do que não ter nada, Mariana por muito que afirmes que consegues separar as coisas isso não é verdade depois desta conversa sempre que te abraçar, que te der um beijo, que te faça uma carícia no rosto vais interpretar de outra forma, só quis evitar isso - ela interrompeu-me.
- O que tu queres é dar comigo em louca - olhei-a sem entender nada.
- O que queres dizer com isso?
- Que já não sei nada, que desde o dia que fizeste aquela cena por falar com o Miguel que fiquei completamente confusa, que olho para ti e vejo um amigo especial tão especial que não sei mais o que sinto quando estamos próximos e que por isso afastei-me - fiquei sem reação e talvez por isso ela levantou-se.
- Mariana - tentei falar mas ela interrompeu-me.
- Ruben não digas nada, é verdade que conseguiste algo que mais nenhum rapaz conseguiu em tão pouco tempo, não sei porquê nem como, só sei que quando reparei já tinha deixado que entrasses na minha vida de uma forma estranha, custa-me imenso estar afastada de ti mas neste momento estou confusa não sei o que sinto só sei que é algo estranho e forte, tenho medo de vir a descobrir que o que estou a sentir seja o que as pessoas chamam de amor - sorri ao ouvi-la aquilo era tudo o que mais queria - neste momento não consigo dar-te mais do que dou, tens e terás sempre a minha amizade só não sei se algum dia terás mais, não posso nem estou em condições de te prometer tal coisa - tê-la diante de mim a ser o mais sincera possível e a admitir que talvez um dia possa vir a chama-la de amor deixou-me completamente nas nuvens e num impulso puxei-a para mim numa tentativa desesperada de beijá-la mas a Mariana fugiu com a cara, olhei-a e quando já ia a abrir a boca para pedir desculpas ela falou - Ruben não peças desculpas, se não fosse este meu lado racional a impedir-me de fazer o que o lado emocional quer já há muito nos tínhamos beijado - sorri ao ouvi-la a admitir algo que afinal ambos queremos há tanto tempo - mas não consigo por muito que tente não consigo - ela suspirou - Ruben não quero magoar-te e muito menos arrastar-te para o meu mundo que de perfeito não tem nada, se um dia conseguir realmente perceber o que sinto por ti e se ainda sentires o mesmo por mim pode ser que nesse dia deixe de fugir mas até lá peço-te que respeites a minha vontade, não quero perder-te como amigo mas também não consigo dar-te mais - olhou-me - se para ti for melhor afastares-te vou entender e respeitar isso - ouvi-la a colocar a hipótese de nos afastarmos novamente fez com que a impedisse de continuar a falar, levei os meus dedos da mão direita à sua boca como que a pedir que se calasse algo que ela fez mas sem nunca deixar de olhar-me.
- Mariana não quero nunca mais voltar a afastar-me de ti, é verdade que gosto de ti, que dava tudo para teres a mesma certeza que tenho quanto ao que sinto por ti mas não é por não teres que vou afastar-me, só eu sei o que custou-me estas semanas longe de ti não consigo voltar a passar tanto tempo longe de ti antes de tudo somos amigos e quero continuar a manter esta amizade que nos une, afinal amizade também é uma forma de amar - as lágrimas escorreram-lhe pelo rosto - o que sinto por ti é muito forte e tem vindo a crescer de dia para dia, foi por já gostar de ti que tive certezas que o meu namoro com a Soraia não fazia mais sentido e muito menos o casamento, não perguntes como aconteceu porque não sei responder e para ser verdadeiro acho que nem teria percebido o que sinto por ti se não fosse a minha mãe a conversar comigo.
- Acho que todos perceberam isso menos nós os dois - disse em género de desabafo o que fez com que gargalhasse.
- Porquê que falas isso?
- Começando pelo meu irmão que em tempos perguntou se namorávamos ­ - sorri ao recordar esse dia - passando pela conversa que a tua mãe teve comigo, depois as conversas por meias palavras que tive com o Nuno e com a Patrícia, aquela cena de ciúmes - sorri ao ouvi-la - e por fim o que a Patrícia disse-me, ela falou com as letras todas que gostas de mim e ainda falou que estamos a ser casmurros que gostamos um do outro mas não o reconhecemos.
- Nisso tens razão parece que fomos os últimos a perceber o que estava a acontecer mas é bom saber que sou correspondido mesmo que ainda não seja a cem por cento.
- Ruben e agora?
- Agora? - sorri - Agora vamos dar tempo ao tempo se tivermos que ficar juntos ficamos não és tu que falas que o que é nosso á nossa mão vem parar - ela sorriu - então se os nossos caminhos se cruzaram é sinal que de uma forma ou de outra estamos destinados a ser um do outro, resta percebermos se será só como amigos ou algo mais, da minha parte podes ter a certeza que não irei fugir ao que sinto mas também não vou deixar que isso interfira na nossa amizade.
A Mariana não disse nada simplesmente abraçou-me, aquilo soube bem e nem sei ao certo o tempo que ficamos assim juntos nos braços um do outro, só sei que terminou com ela a dar-me um beijo no rosto.
- Ruben, preciso ir até ao meu quarto - olhou-me - o Martim está sozinho e depois preciso arrumar as ideias - sorri ao ouvi-la.
- Vai mas promete que esta conversa não vai mudar nada - olhei-a nos olhos - que amanhã vais acordar sem te arrependeres de termos falado, que não te vais afastar.
- Fica descansado que ter admitido em voz alta o que andava há demasiado tempo na minha cabeça não vai mudar nada primeiro que tudo somos amigos.
Não insisti mais, a Mariana acabou por se despedir de mim e foi até ao seu quarto.

Mariana

Acordei com o meu irmão a chamar-me como não lhe liguei nenhuma o puto resolveu começar a dar-me ligeiras chapadas no meu braço o que fez com que abrisse os olhos e assim que o fiz dei de caras com o Ruben a rir.
- Posso saber o que estás aqui a fazer?
- Iria jurar que combinamos a esta hora lá em baixo para comermos?
- Desculpa adormeci - ele gargalhou.
- É que nem deu para ver nem nada - sorriu - vá levanta-te que nós esperamos lá em baixo - só quando falou é que reparei que o puto já estava vestido e pronto a sair.
- Isso é tudo pressa?
- Ó mana pára lá de falar e vai vestir-te.
- Hey tem calminha que a DisneyLand não foge - resmunguei ao levantar-me da cama - e agora onde está o meu beijinho - pedinchei ao aproximar-me dele que estava ao lado do Ruben.
- Aqui - deu-me um beijinho repenicado - mas agora despacha-te.
- Ok - respondi enquanto endireitava-me - dez minutos e estou lá em baixo - falei a olhar para o Ruben e por isso percebi que estava indeciso quanto a poder ou não cumprimentar-me - mas antes quero o meu beijo - falei ao dar a cara para o Ruben beijar-me, ele não se fez de rogado e deu-me um beijo demorado na bochecha direita e depois outro na esquerda.
Eles saíram e por isso fui despachar-me, encontrei-me com eles dez minutos depois para comermos e assim que o fizemos voamos para a DisneyLand, voltamos a passar o dia lá e só regressarmos ao hotel para irmos buscar as malas, seguimos imediatamente para o aeroporto onde acabamos por fazer um pequeno lanche antes de entrarmos para o avião.
O voo foi calmo principalmente porque o Martim adormeceu, estava a contemplá-lo quando a vos do Ruben despertou-me para a realidade.
- Estava mesmo cansado - sorri.
- Pudera não parou um segundo que fosse.
- Mariana - olhei-o - preciso perguntar-te uma coisa.
- Diz.
- Porquê que agora falas tanto com o Miguel?
- Ruben, o Miguel é só uma pessoa com quem falo é que nem o posso considerar amigo para mim é um conhecido com quem troco algumas palavras porque o seu filho é amigo do Martim, os miúdos combinaram umas tardes de brincadeira e por isso enquanto eles brincavam nós conversávamos.
- Não gosto da forma como ele olha para ti.
- Primeiro não tens que gostar ou deixar de gostar somos só amigos lembra-te disso - ele baixou o olhar - e depois estou-me a borrifar se o Miguel olha para mim com segundas intenções isso que muda rigorosamente nada, só o vejo como um conhecido e só isso é que deveria interessar-te - ele suspirou - Ruben como falei ontem não consigo dar-te mais do que dou por isso não insistas. 
Teríamos continuado a falar mas o Ruben teve que se ir sentar porque estávamos a chegar, aterramos sem qualquer problema e saímos separados do cais de desembarque a meu pedido, não queria dar motivos para falatórios algo que ele compreendeu ainda assim combinamos de nos encontramos no parque de estacionamento. O Ruben deixou-nos em casa e seguiu para a sua, estávamos os três cansados e a precisar de dormir.
- Então como correu? - os nossos amigos estavam expectantes mas o Martim resolveu logo o assunto ao contar o que tinham sido estes dois dias e no final pediu para o ir deitar que tinha sono.
- Não queres comer nada?
- Mana, só tenho sono - sorrimos ao ouvi-lo.
- Ok, então vamos lá.
Adormeci o meu piolho e foi quando regressei à sala que fiz um pedido que deixou a Patrícia e o Nuno admirados.
- Posso saber porquê que queres ir quinze dias para Lisboa?
- Patrícia, preciso de afastar-me de Braga.
- Mas não te conseguiste entender com o Ruben?
- Sim mas mesmo assim preciso destes dias.
- Tudo bem mas é estranho.
- Nuno, não insistas por favor.
- Ok, podes ir até porque vou estar mesmo de férias, logo não irias ter muito que fazer porque tenciono ter o Nuninho só para mim - a Patrícia sorriu.
- Obrigada e agora se não se importam vou retirar-me para fazer as malas.
Eles já não questionaram e ainda bem afinal não queria dizer que iria estar a fugir da revelação que fiz ao Ruben mas precisava mesmo afastar-me dele para colocar definitivamente as ideias em ordem.

***

Duas semanas passaram e deu para colocar as ideias em ordem, ainda não estava certa do que sinto pelo Ruben mas pelo menos serviram para descansar e recuperar energias uma vez que os últimos tempos foram difíceis.
- Letícia, podes ficar com o Martim? - pedi quando estávamos a arrumar a cozinha.
- Posso saber o que vais fazer?
- Vou resolver um assunto.
- Vais ter com o Ruben, é isso não é? - sorriu.
- Não.
- Pára de mentir - olhei-a - é que deves julgar que não sei que ele está em Lisboa.
- Como sabes?
- Ó sua toina lá que não vês futebol não quer dizer que as outras pessoas não vejam e ontem foi o jogo do Benfica vs Braga não é difícil adivinhar que o rapaz tenha ficado cá.
- Ah - ela gargalhou.
- Vá, admite lá que vais ter com ele.
- Sim vou satisfeita?
- Não, só fico satisfeita quando parares de fugires ao que sentes, Mariana já confessaste ao rapaz que ele mexe contigo, sabes que o Ruben está caidinho por ti e continuas a fugir, vocês têm falado todos os dias e alguns mais do que uma vez já para não dizer que quando estão a falar pareces manteiga derretida.
- Não posso admitir algo que não sei se é verdade, além disso cada coisa a seu tempo.
- Ai ai o dia para ti deveria ter quarenta e oito horas e mesmo assim não sei se chegava - gozou - esquece o tempo e aproveita a vida.
- Deixa-me fazer as coisas da minha forma e agora podes ou não ficar com o Martim?
- Lógico que fico com o puto, vai descansada.
Assim que obtive a resposta que queria fui despedir-me do Martim que tentou saber onde ia, acabei por lhe dar uma desculpa esfarrapada e saí antes que voltasse a perguntar mais alguma coisa.
Fiz a viagem do apartamento da Letícia ao do Ruben a pensar qual seria a reação dele uma vez que não fazia a mínima ideia que o ia visitar.

O que andará a Mariana a pensar ou melhor a sentir? Irá ela conseguir obter a resposta que necessita?

9 comentários:

  1. Olá :)
    Ainda bem que o Martim perdoou o Rúben e isto sim uma surpresa fantástica tal como já foi dito num comentário anterior nem eu me importava de me fazerem uma surpresa destas xD
    Quero mais que estou TANTO curiosa quanto ao rumo da história destes dois :P
    Fico à espera
    Beijinhos
    Rita

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  2. Mau...mau... Então e onde é que ficou o encontro deles?
    Adorei a surpresa... Realmente nada melhor que a disney.
    O próximo por favor!!!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  3. olha nao te esqueceste do resto? é que eu tenho quase a certeza que falta uma boa parte neste capitulo e te esqueceste de publicar, pq ficou logo na parte "critica"!! quero ler esse resto, rapidinho ;))))


    fico à espera do proximo!
    beijinhos

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  4. Amei a surpresa do Rúben, fantástica!!!!
    Mas quando é que estes 2 se acertam???? Tinhas mesmo necessidade de acabar logo agora o capitulo????
    Muito bom, fantástico.
    Quero mais!!!
    Beijinhos.

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  5. Que lindos que eles são *.* e muito fofinhos :D

    Agora a Mariana que se decida de uma vez .. Ai ai a minha vida. Tem ali o moço a espera .. LOL

    BjnhO linda, fico a espera do próximo ..

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  6. fabuloso... fantastico...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo... continua...

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  7. Que bela surpresa, por esta é que o puto não esperava, assim foi fácil perdoar.
    Finalmente a menina Mariana admitiu que o Ruru não lhe é indiferente, e melhor ainda adimitiu-o ao próprio, mas ela que se despache porque não se faz esperar um homem destes.
    Tenho esperança que desta é que é, mas para isso preciso muito do resto do capitulo, e onde é que ele está menina Catarina? Não está, parece que temos um problema que só tu podes resolver, por isso dá corda aos dedinhos e mostra-nos o resto.
    Como sempre adorei, isto já se tornou um vicio.

    Beijocas

    Fernanda

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  8. Olá!
    Bem que oportunidade desperdiçada!!! Então os dois em Paris, na chamada Cidade do Amor e nada mais do que palavras??? Nem um beijinho???
    Ai ai ai quero o próximo e que venha com beijinhos ahahahahah

    Beijo
    Ana

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  9. Vai acabar bem esta visita? Vá lá *.* Estes dois precisam de apimentar as coisas :p Espero qe a Mariana já tenha as ideias em dia... E realmente, adorei! :D
    Beijinhoo

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