Ruben
Quinze dias passaram desde que fiz as pazes com a Mariana e
o Martim, apesar de ela ter decidido passar os últimos dias em Lisboa temos
falado diariamente o que tem contribuído para ter cada vez mais certezas que a
Mariana irá acabar por ceder e dar-me uma oportunidade.
Tinha acabado de jantar com o meu irmão quando ouvi a
campainha por isso fui ver quem seria e ao olhar para o monitor do
intercomunicador um sorriso enorme surgiu-me no rosto, afinal era a Mariana que
estava à espera que lhe abrisse a porta do prédio, algo que fiz sem hesitar e
fiquei à sua espera na porta do meu apartamento.
Abri-lhe a porta assim que a vi a sair do elevador, ela
estava linda e por sinal vinha sozinha o que contribuiu para que a vontade de
beijá-la aumentasse ainda assim controlei-me e cumprimentei-a como um bom amigo
que sou.
- Boa noite – ele
sorriu - preciso falar contigo.
- Entra.
A Mariana passou por mim e ao entrar na sala saudou o meu
irmão que não demorou mais que uns segundos a avisar que ia embora.
- Não precisas de ir
- ela falou - posso voltar noutra
altura.
- Mariana, o meu
irmão já estava mesmo de saída - falei imediatamente afinal queria tanto
poder estar um pouco com ela.
- Estava tanto de
saída que vos interrompi o jogo - falou ao olhar para a televisão.
- Ups puto, fomos
apanhados - o Mauro falou e a vontade que tive de o esganar foi mais que
muita - mas Mariana quem está aqui a
mais sou eu - ela olhou-me imediatamente - afinal para vires cá é porque deves querer falar com o meu irmão e deve
ser mais importante que um jogo de PES por isso bye bye que estou no ir -
ele despediu-se à pressa e saiu.
- O que é que se
passou aqui? - perguntou assim que ficamos a sós.
- Não ligues, o Mauro
às vezes tem destes vaipes.
- O que é que ele
quis dizer com “quem está aqui a mais sou eu”? - olhei-a sem saber o que
responder.
- Sei lá -
olhou-me - não estou na cabeça dele para
saber, esquece não ligues que é o melhor a ser feito.
- Ruben, ele sabe?
- olhei-a
- Sabe que gosto de
ti mas não faz a mínima ideia que já te disse aliás por isso mesmo dá-me na
cabeça todos os dias.
- Não queres ser mais
explícito - sorri ao ouvi-la.
- Ele acha que devo
ir à luta, que devo mostrar que gosto de ti, que o que sinto não é nenhum
capricho de menino mimado - olhava-a e por isso percebi que estava a ficar
incomodada - mas isso não interessa pelo
menos por enquanto já que quero saber o que a menina faz aqui?
- Vim ver-te -
sorriu timidamente - as saudades são mais
que muitas.
- Ai - suspirei
levando-a a sorri novamente - como é bom
ouvir isso - fiz-lhe uma carícia no rosto, a Mariana estava completamente
vidrada em mim o que arruinou com o meu discernimento e por isso num movimento
rápido aproximei-me dela numa tentativa de a beijar mas ela afastou-se - desculpa.
- Ruben não peças desculpas
o problema não é teu mas sim meu - ela baixou o olhar - há uma parte de mim que quer mas outra que
não deixa acontecer, acho que é desta que dou em louca.
- Anda cá -
abracei-a - Mariana não consigo negar
que quero muito beijar-te, que dava tudo para que não tivesses duvidas e
receios mas isso não depende de mim, a única coisa que depende e podes ter a
certeza que terás é respeito, linda por muito que custe estar do teu lado e
fingir que somo só amigos quando ambos já admitimos aquilo que sentimos não é
fácil mas enquanto não tiveres preparada para mais é isso que terás.
- Deixa-me só ficar
assim - sorri ao ouvi-la - tenho
saudades de sentir os teus abraços.
- Tontinha - ela
olhou-me - terás sempre os meus abraços,
basta pedires.
Ela não respondeu e deixou-se ficar abraçada a mim, ainda
falamos de várias coisas mas a Mariana acabou por ir embora pois estava a ficar
tarde.
Mariana
Acordei com o meu irmão aos pulos em cima do sofá cama o que
depois de uma noite quase sem dormir deixou-me irritada e por isso mesmo ralhei
com ele, mandei-o parar quieto o que foi suficiente para ele ficar aborrecido
comigo.
- Tás a ser má
porquê?
- Martim, a mana
estava a dormir.
- Mas já são horas de
acordar e depois eu chamei-te várias vezes tu é que não acordaste.
- Isso não te dá o
direito de começares aos pinotes em cima da cama e agora deixa-me dormir que
estou cansada.
- Mana a madrinha é
que mandou acordar-te - voltei a abrir os olhos - hoje vamos á praia - disse todo contente.
- Tudo bem podes ir
com a madrinha - respondi na esperança dele se calar.
- Mas mana é para
vires também.
- Martim, a mana só
quer dormir importaste de ficar calado.
Ele acabou por sair chateado comigo e não levou mais que uns
minutos para a Letícia aparecer.
- Posso saber o que
se passou para o Martim aparecer na cozinha a dizer que estás insuportável?
- Será assim tão
difícil entender que só quero dormir?
- A noite ontem
correu mal? O que é que o Ruben disse?
- Ok, como sei que
não vou mesmo conseguir dormir sem te contar - ela sorriu e depois de
ter-me sentado lá lhe contei a confusão que vai na minha cabeça, no final a
Letícia conseguiu mesmo arrancar-me da cama e convencer-me a ir com eles até à
praia.
Estava a comer quando o Martim perguntou se o Ruben estaria
por Lisboa uma vez que houve jogo, respondi que estava e assim que o fiz o meu
irmão pediu ligar ao Ruben e convidá-lo a vir à praia connosco o que levou a
Letícia a sorrir.
- Martim a mana não
sabe se ele pode - tentei desviar o assunto.
- Mas liga na mesma
- ela voltou a sorrir - mana tenho
saudades de brincar com ele.
- Ok - concordei
por saber que ele não ia desistir - a
mana quando acabar de comer liga-lhe.
- Fixe.
Não respondi e assim que terminei de comer o Martim apareceu
com o meu telemóvel o que fez a Letícia gargalhar, respirei profundamente para
não lhe responder torto e tentei ligar mas o Ruben não atendeu, voltei a
insistir a pedido do Martim mas não tive resposta no entanto o puto não
desistiu e conseguiu convencer a Letícia, o que não foi difícil, a passar pelo
apartamento do Ruben que podia ser que ele lá estivesse e quisesse vir
connosco.
Fui despachar-me e no fim seguimos com destino ao
apartamento do Ruben, quando chegamos o meu irmão quis colar-se a mim e subir
mas a madrinha dele não deixou, sabia bem o motivo pelo qual o convenceu a
ficar com ela ainda assim não comentei, saí do carro e após insistir acabei por
ter resposta ao ouvir a voz rouca do Ruben, ele abriu a porta e por isso subi.
- Bom dia -
dei-lhe um beijo no rosto - acordei-te?
- ele sorriu.
- Ya mas não faz mal -
olhou-me de uma forma que quase que poderia afirmar que senti um arrepio - entra.
- Obrigada -
passei por ele e assim que o fiz senti os seus braços em volta da minha cintura
bem como os seus lábios no meu rosto.
Ruben
- Posso saber o
motivo desta visita?
- Podes -
olhou-me - a pedido do Martim estás
convidado a vires connosco e com a Letícia à praia - olhei-a admirado não
esperava tal convite - ou já tens coisas
combinadas?
- Népia, só não
esperava tal convite - ela sorriu.
- Não fiques muito
convencido pois só recebeste o convite porque o Martim pediu muito.
- Não importa de quem
foi o convite - olhei-a - mas agora
vou vestir-me - ela sorriu.
Deixei-a na sala e fui até ao quarto mas quando reparei já a
tinha à porta a olhar-me.
- Demoras muito?
- Não, já estou -
falei ao pegar na carteira e no telemóvel - posso saber a que praia vamos?
- Poder até podias se
soubesse aonde vamos - sorri ao ouvi-la - ideias da Letícia, não faço a mínima de qual é a praia.
- Isso quer dizer que
vamos os dois à descoberta - abracei-a.
- Parece que sim.
- Então vamos -
ela parou - o que foi?
- Já comeste? -
gargalhei.
- Não mas depois como
qualquer coisa na praia, sim porque deve ter pelo menos um café, não?
- Se fosse a ti não
contava com o ovo no cu da galinha - gargalhei - é que vindo da Letícia nunca sei o que esperar.
Acabei por ir até à cozinha buscar um iogurte e uma peça de
fruta para comer pelo caminho e assim que entrei na sala encontrei-a sentada.
- Vamos?
- Sim - sorriu.
- Vens comigo no
carro? - perguntei-lhe quando estava a pegar nas chaves.
- Tenho o Martim no
carro da Letícia - sorri-lhe.
- Por isso mesmo
- falei quando já estávamos no elevador a descer para a garagem - podemos falar mais à vontade, além disso
não há necessidade de ir sozinho quando posso ter a tua companhia.
- Não.
- Teimosa - ela
sorriu.
- Nunca o escondi
-ripostou.
- Tudo bem mas pelo
menos podes vir comigo no carro até junto da Letícia, depois mudas então.
Ela concordou comigo e por isso assim que chegamos à garagem
saímos do elevador, dei-lhe passagem e caminhamos lado a lado até ao meu carro.
A Mariana colocou o cinto o que deu-me esperanças que tivesse mudado de ideias
mas não partilhei isso com ela até porque iria ter a certeza dentro de
momentos.
Saímos da garagem e depois de dizer qual era o carro da
amiga parei o meu ao lado do da Letícia, o que permitiu ao Martim ver-me, o
puto ficou mesmo contente por ter aceite o convite e quis saltar para o meu
carro, algo que a irmã não deixou até porque se juntou a ele, acabando assim com
as minhas esperanças de ter a sua companhia. Ficou acordado que iria atrás do
carro da Letícia e foi isso mesmo que aconteceu, seguimos viagem e cerca de
trinta minutos depois já estávamos a estacionar.
- Podias ter dito que
era para aqui que vínhamos - ouvi a mariana a reclamar o que fez com que
olhasse.
- Diz lá que não
escolhi bem - a Letícia sorriu - passamos
tão bons momentos aqui.
- Nisso tens razão
- sorriram as duas - belos tempos.
- Posso saber que
tempos foram esses? - meti-me na conversa.
- Podes - a
Letícia respondeu-me - esta é a praia
para onde vínhamos com o pessoal da instituição.
- Ah - a Mariana
sorriu-me - boas recordações portanto.
- Sim, apesar de tudo
somos felizes - quem respondeu foi a Letícia mas foi para a Mariana que
olhei, sorri ao vê-la nostálgica.
A conversa continuou mas agora já connosco na areia, a praia
estava praticamente vazia e só se via um grupo de pessoas ao longe, foi mesmo
para lá que a Letícia nos encaminhou e só percebi ao que ia quando o Martim
falou.
- Mana, mana olha ali
os meus amigos - falou todo contente.
- É, parece que a
madrinha resolveu surpreender-nos - olhou para a Letícia.
- Ó amiga não venhas
que não tens, já tinha combinado com eles vir cá ter e depois não tive coragem
para dizer que vínhamos ter com o pessoal pois vi o meu afilhado animado com a
ideia de teres concordado em convidarmos o Ruben.
- O que é que uma
coisa tem a ver com a outra?
- Olha se soubesses
que vínhamos para um sítio com mais pessoas não irias concordar que ele viesse
também porque já te conheço.
- Ok - a Mariana
quis terminar ali com o assunto algo que a Letícia acabou por fazer, até porque
já estávamos demasiado próximos dos miúdos que assim que as viram correram na
nossa direcção.
As crianças estavam felizes por as verem e só aí é que
percebi que tanto a Mariana como a Letícia mantinham contacto com os miúdos.
Estava perdido a olhá-las quando senti alguém a bater-me nas pernas, olhei para
baixo e encontrei um puto que não devia de ter mais do que quatro anos,
baixei-me e assim que o fiz ouvi-o a pedir para brincar com ele, sorri para
depois ceder ao seu pedido.
- Estou a ver que o
Santiago já arranjou alguém da sua idade para brincar - a Mariana meteu-se
comigo quando passou por nós o que provocou a gargalhada à auxiliar mais próxima.
- Vê lá se não queres
dar numa de mãe e ficares a cuidar destas duas crianças - respondi.
- Népia, já tenho
crianças a mais - sorriu-me e continuou a andar.
***
A manhã passou por entre muitas brincadeiras e só quando a
Mariana desafiou-me a dar um mergulho no mar é que tive a possibilidade de
aproximar-me um pouco mais dela uma vez que a Letícia preferiu ficar com as
crianças e o Martim estava entretido na brincadeira.
- Desculpa ter-te
arrastado para isto - falou quando já estávamos no mar.
- Só podes estar
maluquinha - ela sorriu - estou a
adorar, eles são miúdos fantásticos.
- É lá nisso tens
razão - voltou a sorrir - a parte
chata é mesmo não terem família.
- Têm as pessoas que
trabalham na instituição além disso pelo que percebi a Letícia vai lá sempre
que pode, coisa que também fazias quando estavas em Lisboa, certo?
- Sim - suspirou
- a parte má de estar em Braga é mesmo
não poder estar com eles mais vezes - ficou tristonha e por isso aproveitei
o facto de estarmos dentro de água para lhe dar a mão, já que abraça-la não
podia.
- Não fiques assim,
pensa que só saíste de Lisboa para o bem do teu irmão.
- Tens razão -
sorriu - agora é melhor regressarmos.
- Lá terá que ser.
Chegamos junto das crianças e encontramo-las a comer,
deitamo-nos ao sol e deixamo-nos ficar lado a lado, estávamos ambos de barriga
para baixo e a olharmos um para o outro quando o Martim resolveu deitar-se
entre nós.
- Mana, quero um
gelado?
- Martim ainda não almoçaste
e já queres um gelado?
- Ó mana apetece-me.
- Amor, fazemos assim,
depois do almoço a mana compra-te o gelado pode ser?
- Sim - ela
sorriu já o puto sossegou e por isso fiquei a observá-la enquanto olhava para o
irmão.
Os minutos passaram e tivemos que nos despedir dos miúdos
uma vez que iriam regressar para a instituição e após eles partirem a Letícia
desafiou-nos para irmos até à sua casa e almoçávamos por lá pois estava a ficar
muito calor, aceitamos sem hesitarmos e por isso arrumamos a nossa “tralha” e
regressamos para os carros.
- Amor, vais com a
madrinha que a mana vai no carro do Ruben, pode ser? - ouvi a Mariana
quando estava a colocar a toalha na bagageira do carro.
- Pode mas porquê que
vais com o Ruben? - sorri com a pergunta do miúdo.
- Então não queres um
gelado? A mana vai com o Ruben comprar enquanto vais com a madrinha para casa.
- Tá bom - o
miúdo entrou para o carro da Letícia que lhe colocou o cinto.
- Chama-lhe gelado,
chama - ouvi a Letícia a falar uma vez que a Mariana tinha a porta do carro
aberta.
- Deixa de ser parva
e vai mas é fazer o almoço para quando chegar ser só comer.
- Grande lata.
- Queres gelado de
quê?
- Pois desconversa.
- Deixa de ser chata.
- Depois conversamos
- a Mariana já não lhe respondeu.
***
- Mana a madrinha tá
a fazer o almoço - o Martim avisou-nos quando veio abrir a portar.
- Ok piolho a mana
vai até lá.
O miúdo não ligou nenhuma ao que a irmã falou e foi para a
sala brincar, acabei por ir com a Mariana até à cozinha e assim que entramos a
Letícia não perdoou a nossa demora mandando uma piada.
- Devem ter
percorrido Lisboa inteira à procura do gelado.
- Vais começar? -
a Mariana perguntou-lhe aborrecida.
- Se queres mesmo
saber vou - olhei-as - que não
queiram que meio mundo saiba até entendo agora que tentes atirar-me areia para
os olhos já não admito, caramba crescemos juntas achas mesmo que consegues
esconder que estão os dois doidinhos para caírem nos braços um do outro? -
olhei para a Mariana.
- Podes parar de
meter o bedelho num assunto que não é teu?
- Posso mas antes
quero deixar um aviso aqui a este
menino - olhou-me - se a magoas
parto-te as perninhas.
- Letícia menos.
- Menos nada só não
quero voltar a ver-te mal por causa de um gajo - olhei intrigado pela forma
como a Letícia falou.
- Isso é passado.
- Até pode ser mas o
Ruben fica já avisado que se sei que derramas uma lágrima que seja por causa
dele que no mínimo deixa de jogar futebol, estamos entendidos? -
perguntou-me.
- Não te preocupes
que não tenho intenção de magoá-la.
- Acho bem e agora
vamos para a mesa que o almoço está pronto.
Ajudamo-la a levar a comida e almoçamos sempre com muita
animação à mistura e para sobremesa comemos o gelado que a Mariana comprou, no
final fiquei na brincadeira com o Martim enquanto elas foram arrumar a cozinha.
Mariana
A confusão que vai na minha cabeça é mais do que muita por
um lado tenho o Ruben e tudo aquilo que estou a sentir por outro a dúvida se
devo ou não arriscar e foi quando estava perdida nestes pensamentos que a voz
da minha amiga despertou-me para a realidade.
- Ai rapariga
atira-te de cabeça pelo menos uma vez na vida - olhei-a.
- Estás a falar do
quê?
- Do Ruben, não é.
- Mas estás parva ou
quê?
- Não, só acho que
com a idade que tens ainda não viveste quase nada, devias começar a pensar um
pouco mais em ti.
Teria respondido mas ao virar-me dei de caras com o Ruben,
ele tinha acabado de entrar e vinha a mexer no telemóvel.
- Precisas de alguma
coisa? - perguntei na esperança que ele não tivesse ouvido a conversa.
- Vim despedir-me.
- Já? - a Letícia
gargalhou ao sair da cozinha fechando a porta atrás de si.
- A minha mãe
ligou-me a pedir para passar pela sua casa que precisa de falar comigo.
- Ok.
- Mas logo podíamos
jantar só os dois - aproximou-se de mim - podia vir-te buscar e íamos para o meu apartamento quero estar contigo sem sermos
interrompidos - falou ao olhar-me nos olhos.
- Ruben não sei se
vai dar - falei ao tentar desviar-me dele algo que não permitiu.
- Mariana pede à
Letícia para ficar com o Martim - olhou-me - linda só quero jantar e estar um pouco contigo não estou a pedir mais
do que isso.
- Tudo bem - ele
sorriu - quando tratares do assunto com
a tua mãe liga-me para combinarmos isso agora vai lá embora.
***
Passei a tarde estatelada no sofá na companhia do meu mano e
da Letícia mas assim que o meu telemóvel tocou levantei-me para ir atender, ela
sorriu pois não foi difícil adivinhar que seria o Ruben, estive uns minutos à
conversa com ele e depois de combinarmos as horas a que vinha-me buscar chamei
a Letícia ao quarto.
- Precisas de alguma
coisa?
- Sim, podes ficar
com o Martim esta noite?
- Ui, onde é que
vais?
- Jantar com o Ruben.
- Só jantar?
- Deixa de ser parva,
sabes bem que somos só amigos.
- Desculpa lá mas
qual é a dúvida?
- Sabes bem qual é a
dúvida.
- Deixa de pensar
nisso e vive o presente, aproveita a vida que são dois dias.
- Cada coisa a seu
tempo, hoje vou só jantar e estar um pouco com ele, noutro dia logo se vê.
- Ok, a vida é tua
por isso és tu que tens de decidir, mas podes ficar tranquila que fico com o
menino.
Agradeci e fui tomar um duche, estava no quarto a escolher a
roupa que iria vestir quando o meu piolho entrou.
- Mana a madrinha
convidou para ir jantar com ela e depois vamos ao cinema, posso ir? - sorri
ao ver que a minha amiga já tinha resolvido o problema da desculpa a dar ao
Martim.
- Podes - respondi.
- Mas mana a madrinha
quer ir só comigo não ficas triste?
- Não piolho, não
fico triste, vai com a madrinha e diverte-te.
- Tá bom - saiu
do quarto todo contente.
Acabei de vestir-me e fui até à sala onde a Letícia estava
sentada com o Martim no seu colo.
- Mana vais sair?
- Sim, a mana vai
jantar.
- Com quem? –
perguntou imediatamente levando a Letícia a sorrir.
- Com um amigo e tu
porta-te bem.
- Tá bom.
Ainda fiquei uns minutos com o meu piolho mas acabei por
sair assim que recebi a mensagem do Ruben a avisar que já tinha chegado,
despedi-me do meu pequeno e quando já tinha aberto a porta de casa a Letícia
pediu-me para esperar.
- O que foi?
- Abre a mão –
olhei-a intrigada ainda assim fiz o que pediu – não quero que estejas desprevenida – conforme falou colocou na
minha mão um preservativo, foi impossível não gargalhar só mesmo aquela doida
para fazer tal coisa – ah e não adianta
falares que não precisas porque algum dia vais precisar portanto guarda lá isso
dentro da mala e mexe esse cu que o Amorim ainda pensa que desististe.
- És impossível –
sorri e depois despedi-me, desci pelas escadas e quando saí do prédio vi o
carro dele parado em frente à porta.
- O que foi? –
perguntou-me assim que entrei.
- Nada –
beijei-o.
- Porquê que vinhas a
rir?
- Ah isso –
gargalhei ao recordar o que a minha amiga tinha entregado – foi a Letícia que fez das delas.
- Não queres
partilhar? Agora fiquei curioso.
- Não sei se vais
gostar – ele desviou o olhar por momentos da estrada para olhar-me – é que assim como não quer a coisa deu a
entender que és descuidado, desprevenido, irresponsável, entre outras coisas
– o Ruben olhou-me novamente – mas não
te preocupes que não liguei nenhuma.
- Porquê que ela acha
isso tudo a meu respeito – gargalhei – estás
a gozar com a minha cara não é?
- Jeitoso – ele
sorriu – a Letícia deu-me isto –
retirei o preservativo da mala e atirei-o para o meio das suas pernas, ele
olhou para baixo e ficou sem reação durante uns segundos.
- O que é que um
preservativo tem a ver com descuidado, desprevenido e irresponsável?
- Oh, ela deu-me isso
para andar prevenida logo partiu do pressuposto que és descuidado,
desprevenido, irresponsável e por isso não andas protegido – ele gargalhou.
- Estou a ver que
devem ter tido uma conversa muito interessante.
- Não, nem falamos
basicamente ela deu-me isso quando vinha a sair.
- Muito me contas
– ele sorriu – mas podes sossegar a tua
amiga porque ando prevenido – falou ao olhar-me nos olhos uma vez que
aproveitou ter que parar num sinal vermelho para informar-me de tal coisa – já agora avisa-a que para a próxima vez não
ofereça desta marca porque não gosto – gargalhou.
- Posso então saber
qual é a marca que gostas?
- Não – olhou-me
– se chegarmos a ter momentos desses
logo descobres - não respondi talvez por isso mudou de assunto – linda o que é que disseste ao Martim?
- Como assim?
- Tiveste que lhe
dizer que vinhas sair, certo?
- Ah isso – sorri
– avisei que vinha jantar com um amigo,
como o Martim vai jantar com a madrinha e depois vão ao cinema como tal não
ligou nenhuma para o facto de vir sair.
- Isso quer dizer que
estás por minha conta a noite inteira?
- Depende do que
queres dizer com noite inteira.
- Jantar, conversar e
dormir.
- Compro a parte do
jantar e do conversar agora a do dormir só se for cada um na sua casa.
- Estás com medo de
vires a descobrir qual é a marca que uso, é? - olhei-o chocada.
- Não, mas hoje estás
um pouco saído da casca.
- A culpa é tua,
atiras-me para o meio das pernas um preservativo queres que pense no quê?
- Que sou prevenida.
- Não preciso que
andes com preservativos na mala para saber que és prevenida, afinal não fazes
nada sem pensares muito bem nas consequências.
- É a vida –
suspirei.
Com tanta conversa chegamos ao seu apartamento, o Ruben
estacionou o carro na garagem e por isso subimos de elevador até ao andar dele,
entramos no apartamento abraçados e quando chegamos à sala fiquei parada a
olhar.
- Que foi? –
olhei-o.
- Isto por acaso é o
que estou a pensar?
O que será que a Mariana viu?
Olha lá que raio de final é este? Eu quero saber o que é que ela viu!!!
ResponderEliminarAdorei.o capítulo do princípio ao fim e ja agora fiquei curiosa sobre a marca...curiosidade estatística -tipo estudo de mercado- claro...
O próximo rápido por favor!!!
Bjokinhas
Mariaa
Oh my god ainda não foi desta... agora a da Leticia foi demais :D :D :D
ResponderEliminarAgora estou mortinha para saber como vai ser o jantar e que surpresa é que o Rúben preparou.
Quero mais!!!! Muito bom, fantástico.
Beijinhos
Ora bolas eu a pensar que era desta, e afinal ainda não foi.
ResponderEliminarO que será que o Amorim andou a preparar? Ele anda muito atrevido, com que então jantar, conversar e dormir? Será? Agora fiquei curiosa e como adorei este bocadinho, já sabes que só este não chega, quero mais. A história tá simplesmente maravilhosa.
Beijocas
Fernanda
Olá :)
ResponderEliminarQuando vi este título fiquei a morrer de curiosidade para saber o que vinha daí :D
E tenho de confessar que ADOREI!
Esta história toda da a Mariana andar prevenida teve imensa piada,principalmente pela facto do menino Amorim ter ficado todo "entusiasmado" xD
Fico à espera(e estou a ADORAR esta história,cada capitulo vicia-me mais nesta FIc :p)
Beijinhos
Rita
ui, jantar á luz das velas será? :p ai e essa do preservativo, tou é para ver se realmente ainda vão ser usados nessa noite ^^
ResponderEliminarAdorei :D
Beijinhoo
Olaaaaaaaaaaaaa :D
ResponderEliminarAdoreiii esta tua nova fic , finalmente consegui actualizar-me (:
Fiquei bastante curiosa :p por isso quero o proximo :))
Beijinhos
Anne M
Ontem esqueci-me de comentar .. :s
ResponderEliminarPor isso passei já para ver se ainda postas hoje .. Hihihihi
A minha opinião sobre a história já sabes .. :D Por isso digo-te para potares logo do que me falas-te ontem .. ah ah ah
Beijinho linda
Melhor que isto só mesmo o que vem a seguir :b
ResponderEliminarfico à espera de mais um capítulo BRUTAL, porque este jantar promete
beijinho
Raquel