terça-feira, 5 de junho de 2012

025 - “A culpa é tua, atiras-me para o meio das pernas um preservativo queres que pense no quê?”


Ruben

Quinze dias passaram desde que fiz as pazes com a Mariana e o Martim, apesar de ela ter decidido passar os últimos dias em Lisboa temos falado diariamente o que tem contribuído para ter cada vez mais certezas que a Mariana irá acabar por ceder e dar-me uma oportunidade.
Tinha acabado de jantar com o meu irmão quando ouvi a campainha por isso fui ver quem seria e ao olhar para o monitor do intercomunicador um sorriso enorme surgiu-me no rosto, afinal era a Mariana que estava à espera que lhe abrisse a porta do prédio, algo que fiz sem hesitar e fiquei à sua espera na porta do meu apartamento.
Abri-lhe a porta assim que a vi a sair do elevador, ela estava linda e por sinal vinha sozinha o que contribuiu para que a vontade de beijá-la aumentasse ainda assim controlei-me e cumprimentei-a como um bom amigo que sou.
- Boa noite – ele sorriu - preciso falar contigo.
- Entra.
A Mariana passou por mim e ao entrar na sala saudou o meu irmão que não demorou mais que uns segundos a avisar que ia embora.
- Não precisas de ir - ela falou - posso voltar noutra altura.
- Mariana, o meu irmão já estava mesmo de saída - falei imediatamente afinal queria tanto poder estar um pouco com ela.
- Estava tanto de saída que vos interrompi o jogo - falou ao olhar para a televisão.
- Ups puto, fomos apanhados - o Mauro falou e a vontade que tive de o esganar foi mais que muita - mas Mariana quem está aqui a mais sou eu - ela olhou-me imediatamente - afinal para vires cá é porque deves querer falar com o meu irmão e deve ser mais importante que um jogo de PES por isso bye bye que estou no ir - ele despediu-se à pressa e saiu.
- O que é que se passou aqui? - perguntou assim que ficamos a sós.
- Não ligues, o Mauro às vezes tem destes vaipes.
- O que é que ele quis dizer com “quem está aqui a mais sou eu”? - olhei-a sem saber o que responder.
- Sei lá - olhou-me - não estou na cabeça dele para saber, esquece não ligues que é o melhor a ser feito.
- Ruben, ele sabe? - olhei-a
- Sabe que gosto de ti mas não faz a mínima ideia que já te disse aliás por isso mesmo dá-me na cabeça todos os dias.
- Não queres ser mais explícito - sorri ao ouvi-la.
- Ele acha que devo ir à luta, que devo mostrar que gosto de ti, que o que sinto não é nenhum capricho de menino mimado - olhava-a e por isso percebi que estava a ficar incomodada - mas isso não interessa pelo menos por enquanto já que quero saber o que a menina faz aqui?
- Vim ver-te - sorriu timidamente - as saudades são mais que muitas.
- Ai - suspirei levando-a a sorri novamente - como é bom ouvir isso - fiz-lhe uma carícia no rosto, a Mariana estava completamente vidrada em mim o que arruinou com o meu discernimento e por isso num movimento rápido aproximei-me dela numa tentativa de a beijar mas ela afastou-se - desculpa.
- Ruben não peças desculpas o problema não é teu mas sim meu - ela baixou o olhar - há uma parte de mim que quer mas outra que não deixa acontecer, acho que é desta que dou em louca.
- Anda cá - abracei-a - Mariana não consigo negar que quero muito beijar-te, que dava tudo para que não tivesses duvidas e receios mas isso não depende de mim, a única coisa que depende e podes ter a certeza que terás é respeito, linda por muito que custe estar do teu lado e fingir que somo só amigos quando ambos já admitimos aquilo que sentimos não é fácil mas enquanto não tiveres preparada para mais é isso que terás.
- Deixa-me só ficar assim - sorri ao ouvi-la - tenho saudades de sentir os teus abraços.
- Tontinha - ela olhou-me - terás sempre os meus abraços, basta pedires.
Ela não respondeu e deixou-se ficar abraçada a mim, ainda falamos de várias coisas mas a Mariana acabou por ir embora pois estava a ficar tarde.

Mariana

Acordei com o meu irmão aos pulos em cima do sofá cama o que depois de uma noite quase sem dormir deixou-me irritada e por isso mesmo ralhei com ele, mandei-o parar quieto o que foi suficiente para ele ficar aborrecido comigo.
- Tás a ser má porquê?
- Martim, a mana estava a dormir.
- Mas já são horas de acordar e depois eu chamei-te várias vezes tu é que não acordaste.
- Isso não te dá o direito de começares aos pinotes em cima da cama e agora deixa-me dormir que estou cansada.
- Mana a madrinha é que mandou acordar-te - voltei a abrir os olhos - hoje vamos á praia - disse todo contente.
- Tudo bem podes ir com a madrinha - respondi na esperança dele se calar.
- Mas mana é para vires também.
- Martim, a mana só quer dormir importaste de ficar calado.
Ele acabou por sair chateado comigo e não levou mais que uns minutos para a Letícia aparecer.
- Posso saber o que se passou para o Martim aparecer na cozinha a dizer que estás insuportável?
- Será assim tão difícil entender que só quero dormir?
- A noite ontem correu mal? O que é que o Ruben disse?
- Ok, como sei que não vou mesmo conseguir dormir sem te contar - ela sorriu e depois de ter-me sentado lá lhe contei a confusão que vai na minha cabeça, no final a Letícia conseguiu mesmo arrancar-me da cama e convencer-me a ir com eles até à praia.
Estava a comer quando o Martim perguntou se o Ruben estaria por Lisboa uma vez que houve jogo, respondi que estava e assim que o fiz o meu irmão pediu ligar ao Ruben e convidá-lo a vir à praia connosco o que levou a Letícia a sorrir.
- Martim a mana não sabe se ele pode - tentei desviar o assunto.
- Mas liga na mesma - ela voltou a sorrir - mana tenho saudades de brincar com ele.
- Ok - concordei por saber que ele não ia desistir - a mana quando acabar de comer liga-lhe.
- Fixe.
Não respondi e assim que terminei de comer o Martim apareceu com o meu telemóvel o que fez a Letícia gargalhar, respirei profundamente para não lhe responder torto e tentei ligar mas o Ruben não atendeu, voltei a insistir a pedido do Martim mas não tive resposta no entanto o puto não desistiu e conseguiu convencer a Letícia, o que não foi difícil, a passar pelo apartamento do Ruben que podia ser que ele lá estivesse e quisesse vir connosco.
Fui despachar-me e no fim seguimos com destino ao apartamento do Ruben, quando chegamos o meu irmão quis colar-se a mim e subir mas a madrinha dele não deixou, sabia bem o motivo pelo qual o convenceu a ficar com ela ainda assim não comentei, saí do carro e após insistir acabei por ter resposta ao ouvir a voz rouca do Ruben, ele abriu a porta e por isso subi.
- Bom dia - dei-lhe um beijo no rosto - acordei-te? - ele sorriu.
- Ya mas não faz mal - olhou-me de uma forma que quase que poderia afirmar que senti um arrepio - entra.
- Obrigada - passei por ele e assim que o fiz senti os seus braços em volta da minha cintura bem como os seus lábios no meu rosto.

Ruben

- Posso saber o motivo desta visita?
- Podes - olhou-me - a pedido do Martim estás convidado a vires connosco e com a Letícia à praia - olhei-a admirado não esperava tal convite - ou já tens coisas combinadas?
- Népia, só não esperava tal convite - ela sorriu.
- Não fiques muito convencido pois só recebeste o convite porque o Martim pediu muito.
- Não importa de quem foi o convite - olhei-a - mas agora vou vestir-me - ela sorriu.
Deixei-a na sala e fui até ao quarto mas quando reparei já a tinha à porta a olhar-me.
- Demoras muito?
- Não, já estou - falei ao pegar na carteira e no telemóvel - posso saber a que praia vamos?
- Poder até podias se soubesse aonde vamos - sorri ao ouvi-la - ideias da Letícia, não faço a mínima de qual é a praia.
- Isso quer dizer que vamos os dois à descoberta - abracei-a.
- Parece que sim.
- Então vamos - ela parou - o que foi?
- Já comeste? - gargalhei.
- Não mas depois como qualquer coisa na praia, sim porque deve ter pelo menos um café, não?
- Se fosse a ti não contava com o ovo no cu da galinha - gargalhei - é que vindo da Letícia nunca sei o que esperar.
Acabei por ir até à cozinha buscar um iogurte e uma peça de fruta para comer pelo caminho e assim que entrei na sala encontrei-a sentada.
- Vamos?
- Sim - sorriu.
- Vens comigo no carro? - perguntei-lhe quando estava a pegar nas chaves.
- Tenho o Martim no carro da Letícia - sorri-lhe.
- Por isso mesmo - falei quando já estávamos no elevador a descer para a garagem - podemos falar mais à vontade, além disso não há necessidade de ir sozinho quando posso ter a tua companhia.
- Não.
- Teimosa - ela sorriu.
- Nunca o escondi -ripostou.
- Tudo bem mas pelo menos podes vir comigo no carro até junto da Letícia, depois mudas então.
Ela concordou comigo e por isso assim que chegamos à garagem saímos do elevador, dei-lhe passagem e caminhamos lado a lado até ao meu carro. A Mariana colocou o cinto o que deu-me esperanças que tivesse mudado de ideias mas não partilhei isso com ela até porque iria ter a certeza dentro de momentos.
Saímos da garagem e depois de dizer qual era o carro da amiga parei o meu ao lado do da Letícia, o que permitiu ao Martim ver-me, o puto ficou mesmo contente por ter aceite o convite e quis saltar para o meu carro, algo que a irmã não deixou até porque se juntou a ele, acabando assim com as minhas esperanças de ter a sua companhia. Ficou acordado que iria atrás do carro da Letícia e foi isso mesmo que aconteceu, seguimos viagem e cerca de trinta minutos depois já estávamos a estacionar.
- Podias ter dito que era para aqui que vínhamos - ouvi a mariana a reclamar o que fez com que olhasse.
- Diz lá que não escolhi bem - a Letícia sorriu - passamos tão bons momentos aqui.
- Nisso tens razão - sorriram as duas - belos tempos.
- Posso saber que tempos foram esses? - meti-me na conversa.
- Podes - a Letícia respondeu-me - esta é a praia para onde vínhamos com o pessoal da instituição.
- Ah - a Mariana sorriu-me - boas recordações portanto.
- Sim, apesar de tudo somos felizes - quem respondeu foi a Letícia mas foi para a Mariana que olhei, sorri ao vê-la nostálgica.
A conversa continuou mas agora já connosco na areia, a praia estava praticamente vazia e só se via um grupo de pessoas ao longe, foi mesmo para lá que a Letícia nos encaminhou e só percebi ao que ia quando o Martim falou.
- Mana, mana olha ali os meus amigos - falou todo contente.
- É, parece que a madrinha resolveu surpreender-nos - olhou para a Letícia.
- Ó amiga não venhas que não tens, já tinha combinado com eles vir cá ter e depois não tive coragem para dizer que vínhamos ter com o pessoal pois vi o meu afilhado animado com a ideia de teres concordado em convidarmos o Ruben.
- O que é que uma coisa tem a ver com a outra?
- Olha se soubesses que vínhamos para um sítio com mais pessoas não irias concordar que ele viesse também porque já te conheço.
- Ok - a Mariana quis terminar ali com o assunto algo que a Letícia acabou por fazer, até porque já estávamos demasiado próximos dos miúdos que assim que as viram correram na nossa direcção.
As crianças estavam felizes por as verem e só aí é que percebi que tanto a Mariana como a Letícia mantinham contacto com os miúdos. Estava perdido a olhá-las quando senti alguém a bater-me nas pernas, olhei para baixo e encontrei um puto que não devia de ter mais do que quatro anos, baixei-me e assim que o fiz ouvi-o a pedir para brincar com ele, sorri para depois ceder ao seu pedido.
- Estou a ver que o Santiago já arranjou alguém da sua idade para brincar - a Mariana meteu-se comigo quando passou por nós o que provocou a gargalhada à auxiliar mais próxima.
- Vê lá se não queres dar numa de mãe e ficares a cuidar destas duas crianças - respondi.
- Népia, já tenho crianças a mais - sorriu-me e continuou a andar.

***

A manhã passou por entre muitas brincadeiras e só quando a Mariana desafiou-me a dar um mergulho no mar é que tive a possibilidade de aproximar-me um pouco mais dela uma vez que a Letícia preferiu ficar com as crianças e o Martim estava entretido na brincadeira.
- Desculpa ter-te arrastado para isto - falou quando já estávamos no mar.
- Só podes estar maluquinha - ela sorriu - estou a adorar, eles são miúdos fantásticos.
- É lá nisso tens razão - voltou a sorrir - a parte chata é mesmo não terem família.
- Têm as pessoas que trabalham na instituição além disso pelo que percebi a Letícia vai lá sempre que pode, coisa que também fazias quando estavas em Lisboa, certo?
- Sim - suspirou - a parte má de estar em Braga é mesmo não poder estar com eles mais vezes - ficou tristonha e por isso aproveitei o facto de estarmos dentro de água para lhe dar a mão, já que abraça-la não podia.
- Não fiques assim, pensa que só saíste de Lisboa para o bem do teu irmão.
- Tens razão - sorriu - agora é melhor regressarmos.
- Lá terá que ser.
Chegamos junto das crianças e encontramo-las a comer, deitamo-nos ao sol e deixamo-nos ficar lado a lado, estávamos ambos de barriga para baixo e a olharmos um para o outro quando o Martim resolveu deitar-se entre nós.
- Mana, quero um gelado?
- Martim ainda não almoçaste e já queres um gelado?
- Ó mana apetece-me.
- Amor, fazemos assim, depois do almoço a mana compra-te o gelado pode ser?
- Sim - ela sorriu já o puto sossegou e por isso fiquei a observá-la enquanto olhava para o irmão.
Os minutos passaram e tivemos que nos despedir dos miúdos uma vez que iriam regressar para a instituição e após eles partirem a Letícia desafiou-nos para irmos até à sua casa e almoçávamos por lá pois estava a ficar muito calor, aceitamos sem hesitarmos e por isso arrumamos a nossa “tralha” e regressamos para os carros.
- Amor, vais com a madrinha que a mana vai no carro do Ruben, pode ser? - ouvi a Mariana quando estava a colocar a toalha na bagageira do carro.
- Pode mas porquê que vais com o Ruben? - sorri com a pergunta do miúdo.
- Então não queres um gelado? A mana vai com o Ruben comprar enquanto vais com a madrinha para casa.
- Tá bom - o miúdo entrou para o carro da Letícia que lhe colocou o cinto.
- Chama-lhe gelado, chama - ouvi a Letícia a falar uma vez que a Mariana tinha a porta do carro aberta.
- Deixa de ser parva e vai mas é fazer o almoço para quando chegar ser só comer.
- Grande lata.
- Queres gelado de quê?
- Pois desconversa.
- Deixa de ser chata.
- Depois conversamos - a Mariana já não lhe respondeu.

***

- Mana a madrinha tá a fazer o almoço - o Martim avisou-nos quando veio abrir a portar.
- Ok piolho a mana vai até lá.
O miúdo não ligou nenhuma ao que a irmã falou e foi para a sala brincar, acabei por ir com a Mariana até à cozinha e assim que entramos a Letícia não perdoou a nossa demora mandando uma piada.
- Devem ter percorrido Lisboa inteira à procura do gelado.
- Vais começar? - a Mariana perguntou-lhe aborrecida.
- Se queres mesmo saber vou - olhei-as - que não queiram que meio mundo saiba até entendo agora que tentes atirar-me areia para os olhos já não admito, caramba crescemos juntas achas mesmo que consegues esconder que estão os dois doidinhos para caírem nos braços um do outro? - olhei para a Mariana.
- Podes parar de meter o bedelho num assunto que não é teu?
- Posso mas antes quero deixar um aviso aqui a este menino - olhou-me - se a magoas parto-te as perninhas.
- Letícia menos.
- Menos nada só não quero voltar a ver-te mal por causa de um gajo - olhei intrigado pela forma como a Letícia falou.
- Isso é passado.
- Até pode ser mas o Ruben fica já avisado que se sei que derramas uma lágrima que seja por causa dele que no mínimo deixa de jogar futebol, estamos entendidos? - perguntou-me.
- Não te preocupes que não tenho intenção de magoá-la.
- Acho bem e agora vamos para a mesa que o almoço está pronto.
Ajudamo-la a levar a comida e almoçamos sempre com muita animação à mistura e para sobremesa comemos o gelado que a Mariana comprou, no final fiquei na brincadeira com o Martim enquanto elas foram arrumar a cozinha.

Mariana

A confusão que vai na minha cabeça é mais do que muita por um lado tenho o Ruben e tudo aquilo que estou a sentir por outro a dúvida se devo ou não arriscar e foi quando estava perdida nestes pensamentos que a voz da minha amiga despertou-me para a realidade.
- Ai rapariga atira-te de cabeça pelo menos uma vez na vida - olhei-a.
- Estás a falar do quê?
- Do Ruben, não é.
- Mas estás parva ou quê?
- Não, só acho que com a idade que tens ainda não viveste quase nada, devias começar a pensar um pouco mais em ti.
Teria respondido mas ao virar-me dei de caras com o Ruben, ele tinha acabado de entrar e vinha a mexer no telemóvel.
- Precisas de alguma coisa? - perguntei na esperança que ele não tivesse ouvido a conversa.
- Vim despedir-me.
- Já? - a Letícia gargalhou ao sair da cozinha fechando a porta atrás de si.
- A minha mãe ligou-me a pedir para passar pela sua casa que precisa de falar comigo.
- Ok.
- Mas logo podíamos jantar só os dois - aproximou-se de mim - podia vir-te buscar e íamos para o meu apartamento quero estar contigo sem sermos interrompidos - falou ao olhar-me nos olhos.
- Ruben não sei se vai dar - falei ao tentar desviar-me dele algo que não permitiu.
- Mariana pede à Letícia para ficar com o Martim - olhou-me - linda só quero jantar e estar um pouco contigo não estou a pedir mais do que isso.
- Tudo bem - ele sorriu - quando tratares do assunto com a tua mãe liga-me para combinarmos isso agora vai lá embora.

***

Passei a tarde estatelada no sofá na companhia do meu mano e da Letícia mas assim que o meu telemóvel tocou levantei-me para ir atender, ela sorriu pois não foi difícil adivinhar que seria o Ruben, estive uns minutos à conversa com ele e depois de combinarmos as horas a que vinha-me buscar chamei a Letícia ao quarto.
- Precisas de alguma coisa?
- Sim, podes ficar com o Martim esta noite?
- Ui, onde é que vais?
- Jantar com o Ruben.
- Só jantar?
- Deixa de ser parva, sabes bem que somos só amigos.
- Desculpa lá mas qual é a dúvida?
- Sabes bem qual é a dúvida.
- Deixa de pensar nisso e vive o presente, aproveita a vida que são dois dias.
- Cada coisa a seu tempo, hoje vou só jantar e estar um pouco com ele, noutro dia logo se vê.
- Ok, a vida é tua por isso és tu que tens de decidir, mas podes ficar tranquila que fico com o menino.
Agradeci e fui tomar um duche, estava no quarto a escolher a roupa que iria vestir quando o meu piolho entrou.
- Mana a madrinha convidou para ir jantar com ela e depois vamos ao cinema, posso ir? - sorri ao ver que a minha amiga já tinha resolvido o problema da desculpa a dar ao Martim.
- Podes - respondi.
- Mas mana a madrinha quer ir só comigo não ficas triste?
- Não piolho, não fico triste, vai com a madrinha e diverte-te.
- Tá bom - saiu do quarto todo contente.
Acabei de vestir-me e fui até à sala onde a Letícia estava sentada com o Martim no seu colo.
- Mana vais sair?
- Sim, a mana vai jantar.
- Com quem? – perguntou imediatamente levando a Letícia a sorrir.
- Com um amigo e tu porta-te bem.
- Tá bom.
Ainda fiquei uns minutos com o meu piolho mas acabei por sair assim que recebi a mensagem do Ruben a avisar que já tinha chegado, despedi-me do meu pequeno e quando já tinha aberto a porta de casa a Letícia pediu-me para esperar.
- O que foi?
- Abre a mão – olhei-a intrigada ainda assim fiz o que pediu – não quero que estejas desprevenida – conforme falou colocou na minha mão um preservativo, foi impossível não gargalhar só mesmo aquela doida para fazer tal coisa – ah e não adianta falares que não precisas porque algum dia vais precisar portanto guarda lá isso dentro da mala e mexe esse cu que o Amorim ainda pensa que desististe.
- És impossível – sorri e depois despedi-me, desci pelas escadas e quando saí do prédio vi o carro dele parado em frente à porta.
- O que foi? – perguntou-me assim que entrei.
- Nada – beijei-o.
- Porquê que vinhas a rir?
- Ah isso – gargalhei ao recordar o que a minha amiga tinha entregado – foi a Letícia que fez das delas.
- Não queres partilhar? Agora fiquei curioso.
- Não sei se vais gostar – ele desviou o olhar por momentos da estrada para olhar-me – é que assim como não quer a coisa deu a entender que és descuidado, desprevenido, irresponsável, entre outras coisas – o Ruben olhou-me novamente – mas não te preocupes que não liguei nenhuma.
- Porquê que ela acha isso tudo a meu respeito – gargalhei – estás a gozar com a minha cara não é?
- Jeitoso – ele sorriu – a Letícia deu-me isto – retirei o preservativo da mala e atirei-o para o meio das suas pernas, ele olhou para baixo e ficou sem reação durante uns segundos.
- O que é que um preservativo tem a ver com descuidado, desprevenido e irresponsável?
- Oh, ela deu-me isso para andar prevenida logo partiu do pressuposto que és descuidado, desprevenido, irresponsável e por isso não andas protegido – ele gargalhou.
- Estou a ver que devem ter tido uma conversa muito interessante.
- Não, nem falamos basicamente ela deu-me isso quando vinha a sair.
- Muito me contas – ele sorriu – mas podes sossegar a tua amiga porque ando prevenido – falou ao olhar-me nos olhos uma vez que aproveitou ter que parar num sinal vermelho para informar-me de tal coisa – já agora avisa-a que para a próxima vez não ofereça desta marca porque não gosto – gargalhou.
- Posso então saber qual é a marca que gostas?
- Não – olhou-me – se chegarmos a ter momentos desses logo descobres - não respondi talvez por isso mudou de assunto – linda o que é que disseste ao Martim?
- Como assim?
- Tiveste que lhe dizer que vinhas sair, certo?
- Ah isso – sorri – avisei que vinha jantar com um amigo, como o Martim vai jantar com a madrinha e depois vão ao cinema como tal não ligou nenhuma para o facto de vir sair.
- Isso quer dizer que estás por minha conta a noite inteira?
- Depende do que queres dizer com noite inteira.
- Jantar, conversar e dormir.
- Compro a parte do jantar e do conversar agora a do dormir só se for cada um na sua casa.
- Estás com medo de vires a descobrir qual é a marca que uso, é? - olhei-o chocada.
- Não, mas hoje estás um pouco saído da casca.
- A culpa é tua, atiras-me para o meio das pernas um preservativo queres que pense no quê?
- Que sou prevenida.
- Não preciso que andes com preservativos na mala para saber que és prevenida, afinal não fazes nada sem pensares muito bem nas consequências.
- É a vida – suspirei.
Com tanta conversa chegamos ao seu apartamento, o Ruben estacionou o carro na garagem e por isso subimos de elevador até ao andar dele, entramos no apartamento abraçados e quando chegamos à sala fiquei parada a olhar.
- Que foi? – olhei-o.
- Isto por acaso é o que estou a pensar?

O que será que a Mariana viu? 

8 comentários:

  1. Olha lá que raio de final é este? Eu quero saber o que é que ela viu!!!

    Adorei.o capítulo do princípio ao fim e ja agora fiquei curiosa sobre a marca...curiosidade estatística -tipo estudo de mercado- claro...
    O próximo rápido por favor!!!
    Bjokinhas
    Mariaa

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  2. Oh my god ainda não foi desta... agora a da Leticia foi demais :D :D :D
    Agora estou mortinha para saber como vai ser o jantar e que surpresa é que o Rúben preparou.
    Quero mais!!!! Muito bom, fantástico.
    Beijinhos

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  3. Ora bolas eu a pensar que era desta, e afinal ainda não foi.
    O que será que o Amorim andou a preparar? Ele anda muito atrevido, com que então jantar, conversar e dormir? Será? Agora fiquei curiosa e como adorei este bocadinho, já sabes que só este não chega, quero mais. A história tá simplesmente maravilhosa.

    Beijocas

    Fernanda

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  4. Olá :)
    Quando vi este título fiquei a morrer de curiosidade para saber o que vinha daí :D
    E tenho de confessar que ADOREI!
    Esta história toda da a Mariana andar prevenida teve imensa piada,principalmente pela facto do menino Amorim ter ficado todo "entusiasmado" xD
    Fico à espera(e estou a ADORAR esta história,cada capitulo vicia-me mais nesta FIc :p)
    Beijinhos
    Rita

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  5. ui, jantar á luz das velas será? :p ai e essa do preservativo, tou é para ver se realmente ainda vão ser usados nessa noite ^^
    Adorei :D
    Beijinhoo

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  6. Olaaaaaaaaaaaaa :D


    Adoreiii esta tua nova fic , finalmente consegui actualizar-me (:


    Fiquei bastante curiosa :p por isso quero o proximo :))


    Beijinhos


    Anne M

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  7. Ontem esqueci-me de comentar .. :s

    Por isso passei já para ver se ainda postas hoje .. Hihihihi
    A minha opinião sobre a história já sabes .. :D Por isso digo-te para potares logo do que me falas-te ontem .. ah ah ah

    Beijinho linda

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  8. Melhor que isto só mesmo o que vem a seguir :b

    fico à espera de mais um capítulo BRUTAL, porque este jantar promete

    beijinho
    Raquel

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