Mariana
Com o passar dos dias a certeza que quero o Ruben só para
mim tem vindo a aumentar de uma forma inexplicável, é de tal ordem que senti a
sua falta nos dois dias que teve ausente devido ao jogo, uma vez que o Braga
este fim-de-semana jogou em Olhão e por isso desde sexta que não o vejo.
Como sabia que vinha cansado do jogo e da viagem resolvi
passar o dia de domingo com o meu irmão, acordamos cedo e fomos dar um passeio
pelo parque para terminarmos a almoçar pizza no centro comercial, foi quando já
andava à procura de uns ténis para o meu irmão que o Martim viu um amigo, pediu
para ir falar com o menino e acabou por ser convidado a passar o resto da tarde
na casa do seu colega para brincarem, não lhe consegui negar isso mas ficou combinado
que o iria buscar antes do jantar.
Uma vez que estava sem o Martim fui direta à casa do Ruben,
queria estar com ele e sabia que se encontrava de folga mas infelizmente não
estava, por isso rumei até à casa do Nuno e da Patrícia, entrei e encontrei a
D. Joana, cumprimentei-a e fiquei a saber que os patrões estavam no jardim, fui
até lá e assim que pisei a relva vi quem queria, o Ruben estava tal como o Nuno
e a Patrícia deitado ao sol, aproximei-me e não resisti em mandar a piada o que
fez eles olharem imediatamente mas confesso que os únicos olhos que procurei
fui os do Ruben.
Após trocar algumas palavras com os nossos amigos acabei por
colocar o “pé na argola” quando numa picardia com o Ruben toquei num assunto
que não devia, afinal não gosta que se brinque com a lesão que teve e com toda
a razão. Por saber que ficou incomodado preferi afastar-me durante uns minutos
para lhe dar tempo de acalmar e quando regressei à toalha pedi-lhe desculpas,
algo que aceitou para meu alívio.
Estávamos perdidos a olhar um para o outro quando o Nuninho
chamou por mim, acabei por sentar-me na toalha com o menino ao meu colo,
dediquei os minutos seguintes ao meu pequenino e foi quando estávamos na
brincadeira que a Patrícia interrompeu o momento para lhe ir dar o lanche.
- Estás a olhar-me
assim porquê? - o Ruben perguntou assim que o Nuno se afastou.
- Tenho saudades tuas
- sorriu com o meu desabafo.
- Então agora podes
matá-las - sorri - também tenho
saudades de te ver, de estar assim contigo - falou perto dos meus lábios - de te beijar, de olhar para ti e ver esse
brilho no teu olhar - não resisti à proximidade dos nossos rostos e
beijei-o demoradamente mesmo correndo o risco de sermos apanhados pelos nossos
amigos
- Logo queres jantar
comigo? - perguntou-me.
- Tem mesmo que ser
hoje?
- Quero estar
contigo.
- Ruben, tenho que ir
buscar o Martim à casa do amigo antes do jantar.
- Tudo bem.
- Vais ficar
aborrecido comigo?
- Não mas queria
estar contigo - suspirei.
- Estou cansada, além
disso tenho o Nuninho e o Martim.
- Mas sempre tens que
jantar e podíamos fazê-lo juntos - olhou-me - o Martim pode fazer-nos companhia e quanto ao Nuninho sabes bem que não
será problema.
- Ok, aceito -
sorriu - mas ficas a saber que a gata
borralheira regressa a casa cedo porque o Martim amanhã tem aulas -
gargalhou o que despertou a curiosidade ao Nuno e à Patrícia que já brincavam
com o filho no jardim - achas que eles
desconfiam? - perguntei depois de vê-los a olharem como quem não quer.
- Mariana, eles não desconfiam,
eles têm a certeza apesar de continuarmos a negar, tanto o Nuno como a Patrícia
não param de mandar piadas sempre que apanham-me sozinho.
- E a tua mãe?
- O que tem?
- Ela sabe?
- Sabe que gosto e
que já admiti isso para ti mas que estamos juntos não - olhei-a - porquê?
- Curiosidade.
Continuamos a falar e as horas passaram sem que desse por
isso, só despertei para a realidade quando a Patrícia veio perguntar se o Ruben
ficava para jantar e quando ia para responder fi-lo pelos dois.
- Não contes connosco
para jantar - olhou-me.
- Vão jantar juntos,
é? - sorriu.
- Sim - respondi
serenamente - afinal estou livre que nem
passarinho por isso tenho que aproveitar - o Ruben olhou-me estupefacto.
- Quem é que está
livre e vai aproveitar? - o Nuno que entretanto se aproximou meteu-se na
conversa.
- Sou eu porquê? Não
posso, queres ver?
- Podes, podes mas
explica lá esse livre que nem passarinho e o aproveitar - pediu a olhar
para mim e a rir.
- O livre que nem
passarinho deve-se ao facto de estar de folga - eles sorriram - o aproveitar é porque também sou gente e
gosto de divertir-me apesar de às vezes não parecer.
- Então aproveita
- a Patrícia sorriu - e torra à vontade
a paciência aí ao Ruben que é o mínimo que ele pode fazer depois de teres
andado tanto tempo a ouvi-lo.
- Deixa cá se fazem
cá se pagam por isso é a vez de ele aturar-me - o Ruben sorriu - e por falar nisso vou despachar-me que ainda tenho de ir buscar o Martim.
Levantei-me e desapareci da frente deles, fui tomar um duche
rápido e quando regressei ao quarto tinha a Patrícia à minha espera.
- Precisas de alguma
coisa?
- Mariana, tu e o
Ruben - sorriu.
- O que tem?
- Vocês - sorri.
- Somos amigos.
- Amigos? Até quando
é que vocês vão insistir nessa? Mariana, ele faz aquela cena de ciúmes, mal se
falam durante as semanas seguintes, resolve surpreender-te com uma viagem a
Paris, regressam ambos misteriosos, pedes quinze dias de férias que não foi
mais do que para afastares-te, o Ruben durante este tempo andou completamente
distraído e estranho, regressas no mesmo dia que ele e coincidência ou não
vinham os dois extremamente bem-dispostos, desde esse dia que é frequente
ver-vos aos cochichos e enquanto não conseguem ficar a sós não sossegam, estás
de folga e há primeira oportunidade que tens despachas o teu irmão e regressas
a casa, deitas-te na toalha dele sem qualquer problema e agora vais jantar com
o Ruben, queres mesmo que acredite que é só amizade?
Não respondi, encolhi os ombros e acabei de vestir-me,
saindo logo depois com a Patrícia atrás de mim.
- Então vamos? -
falei assim que entrei na sala, o Ruben estava na brincadeira com o afilhado e
por isso quando viu-me ficou embasbacado a olhar-me o que serviu para a
Patrícia falar.
- E depois não tenho
razão - ripostou ao sentar-se do lado do Nuno.
O Ruben levantou-se e deixou o Nuninho ao colo do pai
aproximou-se de mim fazendo sinal para passar, algo que fiz e quando já íamos a
sair da sala ouvimos a Patrícia a chamar-nos.
- Meninos -
olhamos - juízo - gargalhei ao
ouvi-la.
- Sempre mãezinha -
ripostei o que provocou a gargalhada geral.
Eles já não responderam até porque saímos e foi quando já
estávamos dentro do carro que voltei a falar.
- Não achas que estás
a esquecer-te de alguma coisa? - olhou-me.
- Estou? - fez-se
de desentendido o que levou-me a sorrir para logo depois puxá-lo para mim,
beijando-o demoradamente.
- Finalmente a sós
- sorriu com o meu desabafo.
- Mariana, vamos já
buscar o teu irmão ou queres ir comprar primeiro o jantar, sim porque hoje não
te vais enfiar na cozinha.
- A ideia de não ir
enfiar-me na cozinha agrada - sorri - por
isso vamos passar pela tua casa, tomas um duche rápido e mudas de roupa -
olhou-me - para irmos buscar o Martim e
depois vamos jantar a um lado qualquer?
- Queres? -
perguntou a sorrir pois não esperava tal proposta.
- Desde que te
comportes com juízo não vejo mal nenhum em irmos jantar os três a um
restaurante.
- Ok, os seus desejos
são ordens - gargalhei.
Depois de o Ruben aceitar a minha proposta seguimos para a
sua casa e assim que parou o carro apressei-me a sair do mesmo, algo que também
fez e mal conseguiu agarrou-me pela cintura juntando assim os nossos corpos, o
Ruben olhou-me de uma forma intensa que deixou-me com aquela sensação de ter
borboletas na barriga, então quando uniu as nossas bocas num beijo carregado de
desejo deixou-me completamente a levitar, foi numa troca de beijos intensos que
entramos em casa dele e quando dei conta já estava deitada no sofá e com o seu
corpo sobre o meu, deixamo-nos ficar a namorar até que o Ruben afastou-se
repentinamente deixando-me a olhar.
- É melhor ir tomar
banho - sorriu - antes que isto
descambe.
- Não te demores que
tenho fome - ele gargalhou mas já não respondeu.
Acabei por ir até ao jardim e inevitavelmente dei comigo a
pensar na decisão que tinha tomado e que o Ruben ainda não sabia mas que iria
deixá-lo radiante, afinal decidi arriscar e aproveitar a oportunidade para ser
feliz, era nisso que pensava quando senti os seus braços em volta do meu corpo.
- Linda, tens algum
restaurante em mente? - perguntou assim que descolamos os nossos lábios.
- Vamos até ao centro
histórico.
- Tens a certeza?
- Sim mas se quiseres
ir a outro sítio é na boa.
- Não é isso -
olhei-o - mas o centro deve estar
concorrido afinal é verão e a malta sai mais de casa.
- Mas apetece-me ir
bater perna pelo centro da cidade - ele sorriu.
- Por mim vamos mas
se formos incomodados depois não te queixes - avisou-me.
- Prometo que não
refilo se prometeres que te comportas.
- Isso quer dizer que
nem um beijinho posso dar-te?
- Beijinhos só em
casa além disso o Martim vai estar connosco.
- Ainda estamos a
tempo de encomendar o jantar - falou imediatamente.
- Ruben, hoje
apetece-me mesmo ir passear pelo centro da cidade, podemos ir jantar, damos uma
volta e depois regressamos aqui no fim de deixar o Martim a dormir.
- Não te esqueças do
que acabaste de dizer principalmente da última parte - ele sorriu.
- Fica descansado que
hoje tenho a noite toda por tua conta.
- Isso de teres a
noite toda por minha conta agrada-me.
- Agrada, não agrada?
Mas ficas já avisado que há limites que não pretendo ultrapassar.
- Mariana não estava
a pensar nisso - olhou-me - se
tivesse com essa intenção não tinha ido tomar banho quando estávamos os dois
deitados no sofá ou achas que afastei-me de ti porque estava com pressa para ir
jantar? Não quero pressionar-te a nada mas isso não é sinónimo que para mim
seja fácil estar contigo e não te amar na plenitude no entanto posso e quero
esperar por ti porque o sentimento que tenho é verdadeiro.
Não consegui responder algo que deve ter percebido e por
isso arrastou-me até ao carro, da casa dele fomos buscar o Martim que adorou a
ideia de ir jantar com o Ruben e depois seguimos para o centro histórico,
estacionou e saímos, caminhamos lado a lado à procura de um restaurante que nos
agradasse e foi quando passei diante de um que parei.
- Que foi?
- Já sei onde vamos.
- Ai sim? E a minha
opinião não conta?
- Sei que vais gostar
e até vais estranhar mas é mesmo neste - apontei para o restaurante e como
já esperava ouvi-o a gargalhar.
- Tens a certeza?
- Tenho.
- É caso para dizer
que provaste e não mais vais parar de comer - gargalhei.
- A culpa é tua que
quase obrigaste-me a comer sushi.
- Mariana, achas que
o Martim vai jantar? - olhei para o meu piolho e depois para o Ruben que
sorria como quem diz “tenho razão”.
- Ok, tens razão é
melhor escolhermos outra coisa.
Acabamos por escolher um restaurante de comida típica da
região, o Martim embirrou que queria ficar do lado do Ruben e por isso foi ele
que ajudou o meu piolho a cortar a carne, estava a observá-lo enternecida
quando o meu irmão olhou e não perdeu tempo em perguntar o porquê que estava a
sorrir.
- A mana está
contente, é só isso.
- Porquê que tas
contente? - o Ruben sorriu disfarçadamente.
- Então estou a
jantar contigo e com o Ruben - o meu irmão interrompeu-me.
- Mana tu e o Ruben
- olhamos os dois para o puto - agora
tão sempre juntos.
- Qual é o mal?
- É estranho, parece
que são namorados - desviei o olhar para o Ruben e encontrei-o a sorrir.
- Irias gostar se
isso fosse verdade?
- Não sei -
respondeu depois de uns segundos de hesitação - mas acho que não - não esperava ouvir tal coisa.
- Porquê?
- Ó mana porque não
quero ter que dividir os teus miminhos com outro rapaz.
- Porquê que mudaste
de opinião? Já várias vezes falaste que gostavas de ver a mana aos beijinhos
- tentei perceber o verdadeiro motivo pelo qual o Martim estava contra a um
possível namoro.
- Isso foi antes de
perceber que se tiveres um namorado vais deixar de ter tempo para mim - o
Ruben estava a olhar-me talvez a tentar perceber o quanto as palavras do Martim
poderiam alterar alguma coisa naquilo que já tínhamos.
- Amor, anda cá -
pedi e por isso o menino veio sentar-se ao meu colo - a mana vai ter sempre tempo para ti mesmo que namore - ele
interrompeu-me.
- Mas tens namorado?
- Não - percebi
que a minha resposta afectou o Ruben mas a verdade é que não namoramos.
- Então não quero
ouvir mais nada - o Martim olhou-me - e
se gostas mesmo de mim não quero que namores - gelei ao ouvi-lo - és só minha - agarrou-se ao meu pescoço
e depois de ouvi-lo não consegui dizer nada, olhei o Ruben e encontrei-o triste
ainda assim teve um gesto que não esperava, ele esticou o braço em cima da mesa
e agarrou na minha mão para gesticular com os lábios um pedido de calma.
Não toquei mais no assunto durante o jantar e apesar do
desconforto que a conversa provocou no Ruben, ele não se coibiu de dar atenção
e mimo ao Martim que já estava sentado do seu lado, o que até certo ponto tranquilizou-me
e por isso consegui jantar. No final o Ruben pagou, ainda tentei dividir a
conta mas ele argumentou que quem convida paga e só por isso fiz-lhe a vontade,
acabamos por andar um pouco a pé até nos sentamos num banco de um jardim.
- Cada vez gosto mais
de Braga - confessei calmamente ao ver o Martim entretido a dar pontapés
numa pequena pedra que encontrou.
- Posso saber porquê?
- murmurou ao colocar o seu braço por cima dos meus ombros.
- Porque foi a cidade
que acolheu-me e onde a minha vida conheceu um novo rumo - olhei-o com uma
vontade enorme de beijá-lo.
- Esse novo rumo
inclui-me? - a pergunta dele surpreendeu-me, talvez porque a conversa que
tive com o Martim ao jantar estava bem presente na minha memória, ainda assim
respondi.
- Talvez sim, talvez
não a seu tempo iremos descobrir.
- Tinhas mesmo que
dar uma resposta tão vaga?
- Queres que diga o
quê? Não adivinho o futuro.
- Sabes que sem
presente não há futuro - olhou-me - por
isso deixa o futuro e responde se no presente faço parte desse novo rumo que
deste à tua vida - queria responder mas achei melhor não o fazer por
palavras, olhei em volta e ao perceber que estávamos sozinhos mas
principalmente por o Martim estar completamente distraído beijei-o ainda que
quase de fugida.
- Chega-te como
resposta? - ele sorriu.
- Por enquanto sim -
olhou-me - mas vou querer muito mais.
Não respondi até porque o Martim veio sentar-se no meu colo
e ao dizer que estava com frio pedi ao Ruben para nos levar a casa, ele
concordou e por isso caminhamos até ao seu carro. A viagem até à casa do Nuno
foi feita num silêncio agonizante ainda assim convidei-o a entrar, queria falar
com o Ruben sobre o que o Martim disse e não estava disposta a adiar por uma
noite.
***
Entrei em casa e fui deitar o meu irmão, estava cansado e
por isso aproveitei para o convencer a ir dormir, esperei que adormecesse para
regressar à sala, onde encontrei o Nuno à conversa com o Ruben, sentei-me do
seu lado à espera da minha oportunidade para esclarecer com ele a revelação
feita pelo meu irmão.
Os minutos passaram e o Nuno acabou por se despedir de nós
uma vez que se iria deitar, agradeci mentalmente e após ficarmos a sós respirei
profundamente para logo de seguida procurar o conforto dos seus braços, o Ruben
não negou e por isso nos minutos seguintes ficámos ambos calados simplesmente a
olharmo-nos.
- Mariana, não queres
ir até ao jardim? - achei estranho o seu pedido mas concordei.
- O que se passa?
- perguntei ao perceber que após uns minutos a olharmos para o céu o Ruben
observava-me de uma forma estranha.
- Foi aqui -
olhei-o intrigada - que encontraste-me
deitado e que pela primeira vez permitiste que conhecesse um pouco da
verdadeira Mariana - sorri ao ouvi-lo - foi aqui que querendo ou não demos o primeiro passo para o início de
uma amizade verdadeira que acabou por evoluir para algo mais sem que déssemos
conta - olhava-o na expectativa de saber o que iria dizer - e foi numa noite em que o céu estava
estrelado que tudo começou, que pela primeira vez tentei dizer-te o quanto
gosto de ti, por isso é aqui que quero - olhou-me nos olhos - pedir-te em namoro - não consegui
reagir algo que fez com que continuasse - Mariana
não consigo continuar a negar aquilo que sinto, prometi dar-te todo o tempo que
precisas mas posso fazer isso como teu namorado, afinal o namoro serve para
isso mesmo para nos conhecermos, para partilharmos o dia-a-dia, para nos
apoiarmos um no outro e é isso que quero - continuava muda a olhá-lo - Mariana gosto mesmo de ti, quero e muito
que este sentimento que nos une se torne num amor verdadeiro e forte por isso
não fujas, podemos ir com toda a calma que quiseres mas deixa-me ficar do teu
lado, aceitas namorar comigo?
Não consegui responder, o pedido apanhou-me completamente
desprevenida, apesar de ter decido que não iria fugir nunca pensei que o Ruben
quisesse oficializar algo desta forma, ainda para mais depois de ouvir o Martim
a dizer que não quer que namore e isso assustou-me por muito que quisesse
gritar que sim houve uma parte de mim que não deixou, acabei por afastar-me
mesmo sabendo que isso o iria magoar mas precisei de uns minutos a sós, algo
que deve ter entendido porque respeitou-os.
Já estava há demasiado tempo sentada na relva a olhar não
sei para onde quando o vi a aproximar-se, o Ruben sentou-se ao meu lado e fez
com que olhasse para ele.
- Não vou ficar
chateado se não quiseres mas responde por favor - olhei-o - linda só não quero afastar-me de ti, senão
puder chamar-te de minha namorada também não vem mal ao mundo - sorri com o
que disse e sem que tivesse à espera beijei-o.
- Ruben, quero estar
contigo mas não vamos apelidar de namoro algo que ainda é tão recente.
- Qual é o mal da
palavra? Sim porque é isso que está em causa, podes não considerar que o que
temos seja um namoro mas para mim vai ser.
- Chama-lhe o que
quiseres - olhou-me - mas promete-me
que vamos com calma, que não iremos divulgar isto a ninguém, muito menos ao
Martim.
- Não é por aceitares
o meu pedido de namoro que temos de divulgar o que quer que seja.
Não respondi até porque o Ruben uniu novamente os nossos
lábios e sem que desse muito bem conta disso já estávamos os dois deitados na
relva, comigo sobre o seu corpo ou não fosse tê-lo empurrado e feito com que
caísse de costas, ficamos naquela posição alguns minutos a trocar beijos mas
acabei por rodar o meu corpo até encontrar a relva, ficamos lado a lado a olhar
as estrelas até que o Ruben virou-se de lado encarando-me.
Ruben
Depois de ficar a saber que o Martim não quer que a irmã
namore um receio de perdê-la consumiu-me por dentro, ainda assim tentei
disfarçar, não queria que ela se sentisse mal pelas palavras do irmão mas
depois de ter-me beijado em pleno centro histórico de Braga acabei por tomar
uma decisão, por isso mesmo quando a Mariana pediu para os levar a casa não
hesitei um segundo que fosse e menos ainda quando perguntou se queria entrar.
Concordei e por isso fiquei na sala à conversa com o Nuno
enquanto foi adormecer o irmão, quando regressou sentou-se do meu lado mas só
quando o nosso amigo se foi deitar é que voltei a sentir os seus braços em
volta do meu corpo, ficamos uns minutos na sala que serviram para ganhar
coragem e pedir que fosse comigo até ao jardim, queria pedi-la em namoro e para
tal escolhi um local que nos diz muito, especialmente a mim afinal foi naquele
espaço que a Mariana cedeu pela primeira vez quando viu-me triste e que depois
disso tudo mudou.
Acabei por fazer o pedido, mesmo depois de ter tido que lhe
iria dar todo o tempo que precisasse e de ter ouvido o Martim a dizer que não
quer que namore. A Mariana não respondeu, preferiu afastar-se e por momentos a
dúvida que tivesse feito asneira passou pelo meu pensamento ainda assim não
desisti e fui falar com a Mariana, após umas palavras provou ao beijar-me que
não tinha ficado aborrecida comigo no entanto não respondeu de forma direta ao
pedido de namoro mas também não insisti.
Acabamos deitados na relva a namorar e depois de uma troca
de beijos a Mariana acabou por ficar simplesmente a olhar as estrelas, estava a
olhá-la quando ouvi a sua voz.
- Pergunta lá o que
queres saber - desviou o olhar.
- Como é que sabes
que quero perguntar alguma coisa?
- Já te vou
conhecendo - sorriu - por isso
desembucha.
- Não queres mesmo
contar ao teu irmão que estamos juntos?
- Não - respondeu
prontamente.
- Porquê?
- Porque não quero.
- É por não teres
certezas do que sentes por mim ou
pelo que o Martim falou ao jantar?
- Tens razão não sei
mesmo o que sinto por ti - falou a olhar-me - sabes porquê? - não deu tempo para que respondesse - porque cada vez que estou contigo a
sensação que tenho é que o que quer que nos une está mais forte e se queres
saber nunca senti algo assim por ninguém - olhava-a atentamente - mas se não consegues respeitar o meu tempo
não posso obrigar-te - calei-a com um beijo e ao contrário do que esperava
ela não interrompeu muito pelo contrário deixou-se envolver completamente no
momento e só voltou a falar quando descolamos os nossos lábios - Ruben, entende que esta vontade louca que
tenho de saltar para o teu colo, de beijar-te, de esquecer tudo o que está em
jogo e simplesmente viver é novidade para mim, nunca senti isto antes e está a
dar comigo em doida.
- A isso chama-se
amar alguém.
- Não deixa de ser
estranho - sorri ao ouvi-la.
- Mariana, concordei
em irmos com calma e não mudei de opinião mas isso não invalida que o teu irmão
não possa saber, além disso como queres esconder o nosso namoro dele se quando
estamos juntos é inevitável não nos olharmos, não nos tocarmos, não nos
desejarmos, Mariana é só uma criança mas vai acabar por perceber, sempre
tiveste em conta a sua opinião porquê que agora é diferente?
- Desde quando é que
preciso de opinião de um puto de sete anos para fazer aquilo que quero? -
sorri
- E o que queres
fazer? - perguntei em tom de desafio.
- O problema não é o
que quero fazer mas sim se o devo fazer.
- Estás a falar do
quê?
- De nada, esquece.
- Não mudes de
assunto porque estava a gostar de te ouvir.
- Ruben Filipe -
sorri ao ouvi-la - não sei no que estás
a pensar mas o que quis dizer é que não sei se devemos contar.
- Essa decisão terá
que ser sempre tua mas mais cedo ou mais tarde vai descobrir, afinal estamos
juntos e não faço intenções de afastar-me de ti por isso não vai dar para
andares a fugir a vida inteira.
- Sei disso -
suspirou - mas agora também não quero pensar
mais nisso, depois do que falou hoje, vou ter que ter muita calma e prepará-lo
antes de lhe dar a notícia, por isso se queres ouvir-me um dia a chamar-te de
meu namorado - sorri ao ouvi-la - vais
ter que dar tempo, a mim e ao Martim.
Concordei em dar-lhe esse tempo até porque sei que tem
razão, o menino vai mesmo ter que ser preparado para a notícia, porque se a
damos sem estar à espera irá reagir mal. Ficamos a namorar ainda deitados na
relva e confesso que no meio de tanto beijo acabei por entusiasmar-me, levando
a mão à sua perna que por se encontrar de vestido permitiu palmilhasse a
distância do seu joelho até quase à coxa mas a Mariana afastou-se
imediatamente, ela interrompeu o beijo e depois levantou-se assim que desviei o
meu tronco do dela.
- Desculpa não queria que ficasse incomodada.
- Não fiquei, só acho que é cedo para isso - sorri ao
ouvi-la - estás a rir porquê?
- Porque não passou
pela cabeça envolver-me fisicamente contigo.
- Ruben, ambos
sabemos onde uma troca de carinhos mais intensa pode levar-nos, até podes não
ter feito isso com a intenção de dormires comigo mas não podes negar que
normalmente começa sempre por uma mão mais atrevida e acaba com uma entrega
total - voltei a sorrir - só que
ainda não estou preparada para isso.
- Mariana será que
agora que estamos juntos podes responder à pergunta que te fiz em tempos? -
olhou-me.
- Queres saber se sou
virgem, é isso?
- Sim, é - admiti
a olhá-la nos olhos e por isso encontrei-a a sorrir.
Será que a Mariana responde?
Desculpem a demora em publicar mas nestes dois dias foi impossível vir aqui, tal como durante a próxima semana será complicado no entanto tentarei arranjar um tempinho para vos deixar aqui um capítulo.
Aproveito para vos agradecer pelo apoio e incentivo :D
Beijocas :)
Caty

Lindo, maravilhoso, mas estes dois vão ter um osso duro de roer que se chama Martim. Amigos sim mas namorados nem pensar, já tou a imaginar o Ruru a ver a vidinha dele a andar para trás.
ResponderEliminarAdorei como sempre, o Ruben foi um cavalheiro, com pedido de namoro e tudo... este homem é um romântico, tá a revelar-se uma verdadeira caixinha de surpresas.
Quanto à pergunta, já sabes qual é a minha opinião, mas acho que desta ela responde, vamos ver se acerto.
Continua
Beijocas
Fernanda
Isto não se pode acabar assim pá, agora tou para aqi a imaginar o qe é qe ela pode ter dito... quero saber isso rápido!
ResponderEliminarAgora, qe o Martim tem de se preparar para a grande notícia tem e a ver se realmente ele a recebe bem :)
Beijinhoo
Adorei
ResponderEliminarMas preciso com urgencia de mais
Bjokinhas
Mariaa
Gostei muito .. :) Muito fofinho ..
ResponderEliminarMas cheira-me que o Martim ainda vai dar problemas ao casalinho -.- e a Mariana que lhe dá em ir fugindo ..
Fico a espera do próximo :) Rápidinho :D
Beijinho linda
Olá :)
ResponderEliminarNossa que biolência xD
Estava fenomenal!Agora acabar a ssim é que não é nada fenomenal! xD
Quero o próximo e muito rápido:P
beijinhos
Rita
http://letitbe-5.blogspot.pt/
Ola
ResponderEliminarBem rapariga, isto não se faz , qualquer dia ainda me dá alguma coisa má por terminares os capitulos assim :)
Adoreii , está perfeitooo :D
Quero saber a resposta da Mariana :p
E o Martin têm de entender que a mana chega para ele e para o Ruben :)
Beijinhos
Anne M
Lindo, lindo ;)
ResponderEliminarAgora só me falta que o puto não facilite as coisas... e ainda não é desta que sabemos a resposta de Mariana.
Quero mais.
Beijinhos linda.
magnifico...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo...continua...