domingo, 3 de junho de 2012

022 - “A culpa é tua que trouxeste-me o pequeno-almoço à cama”


Ruben

Durante a noite pouco dormi, pensei e repensei em tudo mas principalmente em como a minha vida mudou desde que aceitei vir para Braga, quando saí do Benfica foi porque queria jogar com mais regularidade e após uma conversa com a equipa técnica e a direcção achamos que o empréstimo seria a melhor opção pois podia continuar vinculado ao clube mas a jogar que era algo que queria no entanto quando tomei essa decisão estava longe de adivinhar que iria conhecer a Mariana e que em tão pouco tempo a minha vida iria alterar por completo.
Não estava a conseguir dormir e por isso levantei-me para preparar um mimo para à aniversariante, fui até à cozinha onde preparei o nosso pequeno-almoço e depois fui até ao jardim onde escolhi uma flor para enfeitar o tabuleiro, com tudo pronto fui até ao seu quarto, bati na porta e apesar de não ouvir a permissão para entrar fi-lo na mesma, encontrei-a a dormir e por isso pousei o tabuleiro em cima da cómoda.
Fiquei a observá-la durante alguns minutos e só quando ela se mexeu é que despertei para a realidade, passei muito levemente a minha mão pelo seu rosto para logo de seguida lhe dar um beijinho na testa.
- Bom dia - falou ainda com a voz rouca própria de quem acabou de acordar e com um sorriso lindo nos lábios - o que é que estás aqui a fazer? - sorri ao ouvir tal pergunta.
- Vim acordar a aniversariante e trazer-lhe o pequeno-almoço à cama - ela gargalhou - o que foi?
- Nada.
- Então porquê que gargalhaste?
- Porque não estou habituada a ter alguém que traga-me o pequeno-almoço à cama e das poucas vezes que o fizeram foi por estar doente - olhou-me - é estranho ser acordada desta forma - sorriu timidamente.
- Com estranho espero que queiras dizer que é bom - ela suspirou.
- Sei lá - olhou-me - é uma sensação nova que ainda não consegui decifrar se é boa ou não - sorri-lhe - o que foi?
- Gosto de ver-te a sorrir - ela olhou-me.
- Hum então e onde é que está esse pequeno-almoço? - perguntou ao sentar-se na cama.
- Ali - desviei o olhar algo que a Mariana também vez e ao ver o tabuleiro sorriu.
- Está cá a parecer-me que não será tudo para mim - gargalhei.
- Não, é para nós - falei ao olhá-la nos olhos - a menos que não queiras - ela não respondeu simplesmente levantou-se da cama e quando já ia para abrir a boca e perguntar onde ia a Mariana aproximou-se da porta e deu uma volta à chave, deixando-me especado a olhar.
- O que foi? - perguntou ao regressar para a cama.
- Porquê que fechaste a porta à chave? - ela gargalhou.
- Porque o meu irmão com o sono de manhã tem tendência de entrar sem bater e não quero que ele te veja sentado na minha cama.
- Porquê - ela sorriu.
- O puto tem uma imaginação muito fértil e não preciso que fique a pensar coisas que não são verdade e assim podemos estar mais descansados - olhou-me - para comermos sem sermos interrompidos - gargalhei.
- Então não seja por isso vamos atacar - sorri ao vê-la a olhar para a flor - podes pegar, é tua - ela sorriu timidamente e depois pegou nela cheirando a rosa vermelha.
- Obrigada.
- Não agradeças, fiz de coração - percebi que ficou sem jeito e por isso mudou de assunto.
- Tens a certeza que isto está comestível? - ela torceu o nariz ao falar o que provocou nova gargalhada.
- Tenho mas se quiseres posso provar primeiro senão morrer já sabes que pelo menos envenenado não está.
- Hum - olhou-me pelo canto do olho - prefiro confiar até porque nunca deste motivos para não acreditar em ti - engoli em seco ou não fosse saber que ando a mentir-lhe, acabei por não responder agarrando numa torrada - então nunca te ensinaram boas maneiras - gargalhei ao ouvi-la a repreender-me - primeiro as senhoras.
- Já tinhas saudades desse teu lado materno e dessa mania irritante de nos repreenderes constantemente.
- O meu lado materno há muito que se revelou por isso lamento mas terás que levar com ele, faz parte de quem sou.
- Mariana não estou a queixar-me até pelo contrário gosto disso - ela olhou-me - posso saber-te uma pergunta?
- Diz - falou já com o copo de sumo numa mão e a torrada na outra.
- Já alguma vez pensaste em ser mãe?
- Já o sou - respondeu-me tranquilamente.
- Linda estou a perguntar se alguma vez pensaste em engravidar - ela gargalhou fortemente - o que foi?
- Ruben não tenho nada contra quem recorre a dadores de esperma para engravidar mas na minha cabeça isso nunca ocorreu, além disso achas mesmo que tenho vida para criar mais uma criança?
- Quando perguntei se nunca pensaste em engravidar não estava a pensar que o fizesses através de um dador - olhou-me - mas sim de uma forma mais tradicional - ela sorriu.
- Para isso era preciso que já tivesse encontrado a pessoa para ser pai dos meus filhos, sim porque quero mais do que um.
- Engraçado como estamos em sintonia - a Mariana parou de beber o sumo e olhou-me - também quero mais que um.
- O problema é que querer não é sinónimo de ter.
- O que queres dizer com isso?
- Que para ter mais que um filho preciso de condições.
- Estás a falar das questões monetárias?
- Também mas não só, além do dinheiro que faz sempre falta também é preciso estabilidade emocional que é coisa que ainda não tenho.
- Não? - ela sorriu.
- Não, vocês olham para mim e devem pensar que sou uma pessoa resolvida, estável mas isso não é verdade - estava a olhá-la - também tenho os meus cinco minutos de vez em quando - sorri ao ouvi-la - além disso sei o que custa criar um filho, o quanto pode ser desgastante mas ao mesmo tempo recompensador por isso neste momento não estou pronta para ser mãe novamente e nem imagino-me a ser nos próximos anos.
- Deves ter passado por muito quando ficaste com o Martim ainda por cima era tão nova.
- Tinha vinte anos quando vi-me com um bebé nas mãos mas sempre tive o apoio das pessoas que viram-me a crescer na instituição, não foi fácil mas lá consegui habituar-me às noites em claro, aos choros, às dores de barriga, às doenças, aos sorrisos, os primeiros passos, as primeiras palavras, a primeira vez que ouvi a chamar-me de mana foi único e inesquecível, foi nesses pequenos momentos que encontrei forças para continuar, hoje já é mais fácil pelo menos o Martim já entende o que se passa e até pode ficar chateado comigo porque não lhe deixo fazer tudo o que quer mas acaba sempre por dar-me razão.
- Ele nunca te chamou de mãe?
- Chamou quando era bebé mas quando ele já tinha idade para entender expliquei-lhe que não era a mãe dele mas sim a irmã.
Continuamos a falar e foi assim que terminamos de comer, ela acabou por colocar o tabuleiro no chão e depois de olhar para as horas voltou a deitar-se.
- Ui que ela está com preguiça - meti-me com ela.
- A culpa é tua que trouxeste-me o pequeno-almoço à cama.
- Isso quer dizer que gostaste, foi? - perguntei ao deitar-me do seu lado e sempre a olhá-la.
- O que achas? - perguntou a sorrir.
- Não sei, diz-me tu - a Mariana voltou a sorrir e sem que esperasse aproximou-se ainda mais dando-me um beijinho repenicado no rosto, confesso que tê-la ali tão serena por momentos fez-me perder um pouco o lado racional mas a coragem faltou-me no último instante e por isso voltei a calar-me, mais uma vez não consegui acabar com esta mentira e dizer-lhe que gosto dela.
- Ruben - ela elevou a cabeça para olhar-me - tenho que levantar-me - falou nada convicta.
- Isso é tudo vontade? - gargalhei ao ver a cara dela.
- Não gozes que por mim ficava aqui o resto do dia mas tenho que ir acordar o Martim que ele tem aulas.
- É verdade, hoje não é só o dia do teu aniversário - ela olhou-me quando já estava a escolher a roupa que iria vestir - é também o dia da criança.
- Ya, o que tem?
- Tipo o Martim não vai comemorar o dia na escola?
- Sim, eles hoje vão ter umas actividades de tarde mas durante a manhã têm aulas, porquê?
- Lembrei-me que podíamos fazer alguma coisa com ele.
- Como assim fazermos?
- Podíamos ir buscá-lo à escola e levá-lo a passear.
- Posso saber porquê que falas no plural? - olhei-a - O irmão é meu.
- Não te quero roubar o puto mas como amigo dele gostava de lhe proporcionar um dia diferente - levantei-me da cama e aproximei-me dela abraçando-a - além disso gostava de passar o dia com a minha aniversariante preferida - sussurrei-lhe ao ouvido.
- Vou pensar no teu caso - falou já virada para mim - mas agora sai porque preciso de mudar de roupa.
- Ok - sorri-lhe e depois de pegar no tabuleiro saí deixando-a à vontade.
Fui até à cozinha deixar o tabuleiro mas acabei por ficar e preparar o pequeno-almoço do Martim, já o tinha pronto quando a Mariana entrou com o irmão e ao perceber o que tinha feito sorriu-me já o puto assim que viu-me correu para junto de mim, acabei por lhe pegar ao colo e assim que o fiz ouvi a Mariana.
- Martim vai para o chão que és pesado - sorri perante a preocupação dela.
- Ó mana ele aguenta - gargalhei - e depois já tinha saudades do Ruben - a Mariana olhou-me enternecida ao ver-me com o irmão ao colo.
- Tudo bem mas agora vai comer que tens de ir para a escola - ele olhou pela primeira vez para a mesa.
- Foste tu que fizeste? - perguntou-me.
- Fui porquê?
- Não sabia que também sabes fazer - gargalhei.
- Ó meu pestinha caso não te lembres vivo sozinho por isso sei desenrascar-me.
- Tá bom - ele começou finalmente a comer e quando terminou perguntou-me o motivo de estar ali mas antes de responder olhei para a Mariana.
- Porque uma pestinha que conheço avisou-me ontem do aniversário da irmã, daí resolvi passar por cá para dar um beijinho a essa rapariga - ele sorriu.
- Ah tá bom.
Teríamos continuado à conversa mas a Mariana pediu que o puto fosse buscar a mochila para não se atrasar e como ela tinha que o levar à escola avisei que iria até casa mas que contava com ela para almoçarmos juntos algo que a Mariana aceitou sem demoras.

***

- O que é que estás aqui a fazer? - perguntei depois de abrir a porta à Mariana afinal ainda era cedo para almoçarmos.
- Não tenho nada melhor para fazer por isso vim fazer-te companhia - sorriu-me.
- Agrada-me a ideia - dei-lhe passagem para entrar.
- Sempre no vício - comentou assim que chegamos à sala.
- Não sabes tu o que perdes em não querer aprender.
- Ruben Filipe há coisas bem mais interessantes que se pode fazer.
- Como assim?
- Por exemplo irmos aproveitar este sol - ela sorriu - ali no jardim de papo para o ar e sem fazer nenhum - gargalhei.
- Aceito a sugestão - a Mariana sorriu.
Estava sentado na relva com ela do meu lado e a falarmos de tudo e de nada quando a Mariana se levantou, ainda lhe perguntei onde ia mas não respondeu, fiquei no mesmo sítio e uns minutos depois percebi o que tinha ido fazer, ela vinha com duas toalhas na mão. Deu-me uma, esticando a outra na relva e sem que tivesse à espera retirou a sua roupa, vê-la pela primeira vez em biquíni deixou-me a babar completamente. Fiquei feito parvo a olhá-la até que fui despertado para a realidade com um safanão dela.
- O que foi? - ela sorriu.
- O que foi pergunto eu, estou para aqui farta de falar para o boneco.
- Desculpa, estava distraído mas o que é que estavas a dizer?
- Não era bem a dizer mas sim a pedir.
- Diz.
- Estava a perguntar se tens bronzeador que possas emprestar-me uma vez que não tenciono virar lagosta - voltei a gargalhar.
- Tenho - sorri - vou buscar - levantei-me e quando regressei vinha com o frasco na mão - toma - falei ao esticar o braço.
- Importaste de colocar nas minhas costas? - falou serenamente, não respondi limitei-me a fazer o que pediu - Obrigada.
- De nada e agora vou vestir os calções que ver-te assim está a dar-me calores - ela gargalhou - o que foi?
- Tanto quanto sei quem aquece e faz calor é o sol - disse com desdém.
Não respondi até porque não consegui entender se estava no gozo ou se por algum motivo estava a provocar-me.

Mariana

Depois de deixar o Martim na escola acabei por ir ter com o Ruben a sua casa, não tinha mesmo mais nada para fazer e assim sempre distraia-me mas antes passei por casa para vestir o biquíni estava sol e a ideia de aproveitá-lo do lado do Ruben passou-me pela cabeça, ele concordou comigo e foi quando já estava no jardim mais concretamente quando retirei a roupa ficando só em biquíni que fiquei com a sensação que o deixei incomodado, talvez porque não estava à espera que o fizesse com tanto à vontade mas não comentei isso com o Ruben preferi antes fazer de conta que não percebi. O Ruben acabou por ir vestir os seus calções uma vez que segundo ele estava a ficar com calor, isto depois de lhe ter cravado o bronzeador e de lhe ter pedido que colocasse um pouco nas minhas costas.
Estava deitada de barriga para cima quando pressenti a presença do Ruben, abri os olhos e viu-o já deitado do meu lado, desta vez foi a minha de ficar a olhá-lo, não sei o que estava a passar comigo mas senti uma necessidade enorme de o observar e por incrível que pareça fi-lo sem qualquer problema algo que ele percebeu e por isso meteu-se comigo.
- Vê lá se não te cai os olhos - sorriu de forma traçada.
- Não caíram quando te vi nu não vai ser agora que vão cair - ele gargalhou.
- Estás a admitir que gostaste do que viste, foi?
- Não falei isso - disse com desdém - até porque mal vi - ele sorriu.
- Estás a insinuar alguma coisa? - gargalhei mas não respondi e talvez por isso o Ruben não insistiu mais.
***
- Ruben tenho fome - falei depois de ver as horas.
- Ui não tenho nada nos armários - gargalhamos - mas podemos ir almoçar a qualquer lado, aceitas?
- Shii depois de ter passado a manhã toda armada em dondoca - ele gargalhou fortemente - não me apetece mexer um braço quanto mais as pernas para ir enfiar-me num restaurante.
- Hum, ok então já volto.
- Onde é que vais? - perguntei ao vê-lo de pé.
- Comprar o nosso almoço - sorriu - já volto.
Não respondi limitei-me a ficar estendida na toalha uma vez que estava mesmo a saber-me bem ficar sem fazer nenhum. Perdi a conta aos minutos que estive sozinha mas não devem ter sido muitos porque quando reparei já tinha o Ruben do meu lado. Levantei-me da toalha e caminhei até à mesa que tem no jardim onde estava o nosso almoço, comemos com algumas brincadeiras à mistura e no fim regressei para a toalha enquanto ele foi colocar a loiça na cozinha.
- Linda - olhei-o - não queres ir lá para dentro?
- Porquê?
- Porque não devemos apanhar com este sol, só nos faz mal - gargalhei - o que foi?
- Gostei de ver o teu lado de paizinho a revelar-se - ele sorriu - mas já sou crescidinha não preciso de ter um a chatear-me o juízo.
- Piada mas anda lá, podemos ficar na sala.
- Ok, pode ser - concordei com ele até porque o Ruben tinha razão, o sol estava mesmo muito forte.
O Ruben ajudou-me a levantar e depois de vestir a minha roupa fomos até à sala, onde acabei sentada do seu lado a ver um filme.
- Ruben tenho de ir - falei quando o filme terminou.
- Porquê? - sorri.
- Tenho de ir buscar o Martim.
- Posso ir contigo?
- Podes - concordei e acabamos por ir no meu carro mas assim que estacionei em frente à porta da escola vi o Ruben a sair ainda tentei impedi-lo mas já não fui a tempo por isso deixei-o ir buscar o Martim à porta da escola.
Eles regressaram os dois de sorriso na cara e não foi preciso o Martim abrir a boca para saber que tinha feito alguma ainda assim não questionei depois falava com ele, da escola seguimos para casa.
Passei o resto da tarde na brincadeira com o meu irmão e só quando resolveu pedir ao Ruben para ir jogar futebol com ele é que tive uns minutos de descanso, ainda assim fiquei no jardim a observá-los.
As horas passaram e quando anoiteceu o Ruben desafiou-nos para irmos jantar fora mas não me apeteceu e por isso acabei por ir até à cozinha preparar algo para comermos, foi quando o estava a fazer que senti os braços do Ruben a envolverem-me a cintura.
- O que é que pensas que estás a fazer? - perguntei quando os seus lábios encontraram o meu rosto.
- Nada de mal - sorriu - só estou a dar um beijinho à aniversariante - gargalhei.
- Andas muito atencioso - ele olhou-me - isso deve ser sinal que aprontaste alguma e por falar nisso onde é que o Martim se enfiou?
- Não posso dizer.
- Ou seja está a tramar alguma e tu a encobri-lo - ele sorriu.
- O puto não está a fazer nada de mal fica descansada - abraçou-me - ele lembrou-se que não tinha nada para oferecer-te e por isso avisou-me que ia fazer um desenho, satisfeita?
- Não - ele olhou-me.
- Porquê?
- Porque preciso terminar o jantar e contigo agarrado a mim que nem lata não consigo - ele gargalhou mas acabou por soltar-me ficando unicamente a observar-me, o que estava a dar comigo em doida, não sei porquê mas a forma como o Ruben passou o dia a olhar-me tem cada vez mais vindo a deixar-me com uma sensação estranha, algo que não sei explicar o que é.

***

Depois do jantar o Ruben ainda ficou connosco algo que o meu irmão aproveitou para usar como desculpa uma vez que queria ficar acordado até mais tarde, coisa que não permiti e fui deitá-lo.
- Mariana podes ir levar-me? - murmurou para não acordar o meu irmão.
- Podes ficar cá se quiseres.
- Não há problema?
- Por mim não afinal cada um tem a sua cama - ele sorriu.
- Ok, então fico.
Acabamos por sair do quarto e ainda ficamos à conversa na sala mas o cansaço acabou por vencer-me, sim que isto de passar o dia sem fazer nenhum também chateia e acima de tudo cansa.

***

O fim-de-semana passou sem que desse bem por isso e como tal o Ruben teve que regressar a Lisboa, apesar de ter tido vontade de lhe pedir que ficasse não o fiz afinal o que precisava era de ficar longe dele para entender de uma vez o que estava a sentir.
Duas semanas passaram e durante estes quinze dias andei completamente no mundo da lua ao ponto do Martim já ter percebido e perguntado o que tinha, lógico que não admiti que andava distraída por culpa da dúvida parva que tenho.
Acordei animada, o meu piolho termina as aulas e por isso de tarde haverá um lanche de despedida onde as crianças puderam convidar a família e amigos uma vez que iria haver um género de teatrinho para animar o lanche. A pedido do Martim convidamos a Letícia, a Patrícia, o Nuno e o Ruben, ele queria a madrinha do seu lado bem como os amigos, ao início ainda o tentei convencer a deixar os amigos sossegados mas o puto não foi na conversa e acabou por conseguir vencer-me pelo cansaço, deixei-o convidar os amigos.
Estava a almoçar quando ouvi a campainha não foi difícil de prever quem seria uma vez que sabia que eles estavam a chegar.
- Boa tarde - cumprimentei a Letícia e depois o Ruben - fizeram boa viagem?
- Lógico que sim, amiga isto de se ter motorista é sempre agradável - o Ruben gargalhou.
- A viagem deve ter sido cá uma animação - sorri - com dois palhaços no mesmo carro - o Ruben interrompeu-me.
- Piadinha, estás cá com uma graça.
- Tadinho dele - olhei-o - estás com ciúmes por não seres o único palhaço, é?
- Não - olhou-me - onde é que está o Martim? - perguntou-me ao entrarmos na sala.
- Está na escola até parece que não sabes que ele almoça lá.
- Pensei que tivessem dispensa da parte da manhã como é a festa.
- Ya, deves pensar que os putos têm o mesmo privilégio de certas vedetas - a Letícia gargalhou - mas agora se não se importam vou acabar de almoçar.
Eles acompanharam-me e enquanto terminei de almoçar fiquei a saber das últimas novidades vindas de Lisboa. A Letícia contou-me o que o Rui lhe tinha preparado e a forma como a pediu em casamento, confesso que por momentos imaginei o dia que alguém pudesse fazer-me tal proposta mas como o sorriso veio também se foi imediatamente afinal esse dia estaria distante.
Quando terminei de almoçar convidei-os para irmos até ao centro histórico de Braga para a Letícia ficar com uma pequena ideia da cidade de Braga uma vez que nunca esteve em Braga. Estávamos sentados numa esplanada a saborear os gelados que tínhamos escolhido quando à nossa frente surgiu o Miguel que ao ver-nos aproximou-se.
- Boa tarde - sorriu.
- Está tudo bem? - perguntei alegremente afinal nestas últimas semanas tenho falado com alguma frequência com o Miguel.
- Sim e contigo? - perguntou ao cumprimentar-me com dois beijinhos algo que retribuí sem qualquer problema.
- Está tudo em ordem - sorri - mas deixa-me apresentar-te a Letícia, uma grande amiga e madrinha do Martim - ele sorriu - amiga é o Miguel - eles cumprimentaram-se - ah e este aqui dispensa apresentações - falei ao apontar para o Ruben levando o Miguel a gargalhar.
- Está tudo bem contigo? - o Miguel perguntou ao Ruben.
- Vai-se andando - olhei sem entender a resposta do Ruben muito menos as trombas com que estava.
- Então e mentalizado para o regresso ao trabalho.
- Sempre - o Ruben estava estranho mesmo assim ignorei e acabei por convidar o Miguel a juntar-se a nós.
- Até aceitava mas tenho a festa do meu filho por isso não quero atrasar-me.
- Hey ó Miguel a festa só começa daqui a uma hora - ele sorriu - além disso nós também vamos.
- Sendo assim aceito o convite - sorrimos e vi-o a sentar-se do meu lado bem de frente para o Ruben.
- Desculpem a pergunta mas vocês trabalham juntos? - a Letícia perguntou.
- Sim, sou preparador físico do Braga.
- Ah interessante - olhamos os três para a Letícia sem termos entendido tal afirmação.
- Não sei onde está o interessante - ripostou o Ruben levando-me a olhá-lo.
- Então está na parte que não me importava nada de ter o trabalho do Miguel - ainda olhei para ela numa tentativa que se calasse mas a Letícia não ligou nenhuma.
- Mas a profissão cativa-te?
- Miguel não puxes por ela - ele olhou-me - ou daqui a nada sai disparate daquela boca - ele gargalhou - que foi?
- Já percebi a parte do interessante - olhou para a Letícia - deves estar a referir-te a trabalhar com os jogadores.
- É confesso que alguns merecem serem olhados de perto - o Miguel sorriu.
- Acredito que aos teus olhos mereçam mas aos meus não passam de pessoas com quem trabalho.
- Ok - sorriu - mas Mariana como é que se conheceram mesmo? - percebi onde queria chegar e antes que começasse com piadas fui directa ao assunto.
- Conhecemo-nos porque aqui a criança - olhei para o Ruben que continuava de trombas - resolveu brincar aos cabeçudos e foi parar ao hospital.
- E ficaram assim logo tão amigos?
- Ah isso veio depois - sorri para o Miguel - mais concretamente nestas últimas semanas.
- Muito nos contas - o Ruben ripostou o que fez com que olhasse para ele.
- Estás com algum problema?
- Parece que não tiveste problemas em encontrar um substituto para os teus amigos - olhei-o incrédula.
- Ruben Filipe não sei o que é que te está a dar mas é melhor controlares esse mau feitio porque não tenho culpa e muito menos o Miguel, sim ultimamente tenho falado mais com ele mas não substitui ninguém simplesmente descobrimos que de certa forma temos algo em comum.
- Posso saber o quê?
- Não - ele olhou-me furioso - simplesmente porque não te devo justificações e muito menos quando és besta.
- Agora sou besta, é?
- Besta quadrada para ser mais específica - ele olhou-me como que a desafiar-me - ah e já agora se for para ires com essas trombas aviso já que não entras na escola ou ainda assustas os putos - o Miguel sorriu ligeiramente já a Letícia gargalhou.
- Não te preocupes - levantou-se - depois falo com o Martim e explico o motivo por não ter comparecido à festa - fiquei a olhar incrédula ao vê-lo a virar costa e a desaparecer, isto depois de ter colocado em cima da mesa o dinheiro para pagar o seu gelado.
- Alguém pode explicar-me o que se passou aqui como se fosse muito burra - eles sorriram - é que juro que não percebi.
- Mariana foi um bocado óbvio - olhei para o Miguel - o Ruben ficou com ciúmes.
- Ya e deve ter sido na ponta do corno imaginário - eles gargalharam.
- Amiga, concordo com o Miguel o Ruben não gostou de ver-te a falar alegremente com outro homem.
- Tanto quanto sei posso falar e rir para quem bem entender, o Ruben não é nem nunca vai ser meu dono, além disso não tem motivos nenhuns para ter ciúmes, somos todos amigos ou melhor ele e tu são amigos o Miguel é só uma pessoa que ainda estou a conhecer mas que por sinal estou a gostar daquilo que vejo - o Miguel sorriu.
- Sempre directa - olhei-o - mas um bocadinho ceguinha - a Letícia gargalhou - Mariana não conheço a vossa história mas o que vi aqui foi uma cena de ciúmes do Ruben.
- Não inventem, ele é só meu amigo e agora vamos embora que para não nos atrasarmos.
Eles concordaram em irmos embora e como tínhamos vindo com o Ruben acabamos por ir com o Miguel já que o outro nem se lembrou desse pormenor quando “alçou os cornos” e se foi embora.

Como será que fica a amizade deles depois desta reacção do Ruben?

11 comentários:

  1. Ahhh adorei!!!
    Quero saber como corre a festa e como é que ficam as coisas entre o Ruben e a Mariana, este aparecimento do Miguel não estava definitivamente nos planos do Ruben que não tentou esconder nem nada.
    O próximo muitoooooo rápido por favor!!!
    Bjokinhas
    Mariaa

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  2. bem ta magnifico... quero mais...

    continua... tou super curiosa para ver o proximo... cada vez ta melhor...

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  3. Olá :)
    ADOREI!
    Gostei imenso deste tempinho em que o Rúben e a Mariana andaram "juntinhos" :P
    Quero o próximo extremamente RÁPIDO!
    Beijinhos
    Rita

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  4. esse miguel nao se vai pôr no meio, certo?!
    era o que mais faltava agora, a Mariana quer mais prova que esta?! ciumento ahahah

    adorei o capitulo...
    beijinho
    Raquel

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  5. muito bom, mas muito bom mesmo! esta ultima parte foi perfeita e adorei estes ciumes do ruru, e até imaginei-o de trombas, devia ser bastante divertido :P

    agora e como sempre quero muito ler o proximo e ainda nao foi neste cap que aconteceu aquilo que mais queria ver, mas também nao deve demorar muito para que isso aconteça! ;)

    fico à espera de mais,

    beijinhos :)

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  6. Oh my God ainda não foi desta???!!!
    E claro que o Rúben ficou cheio de ciumes... Agora vamos ver no que vai dar...
    Muito bom.
    Quero mais!!!
    Beijinhos linda

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  7. Crise e que crise! Isso é que são ciumes :p agora, eu tou pa ver é qe nao vai correr bem a próxima conversa cm a Mariana, será? O qe é bom é qe ela já sei vai apercebendo de qlqer coisa qe sente pelo Rubinho :)
    Quero maiis!
    Beijinhos

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  8. novo capítulo,please...
    isto nao pode ficar assim!

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  9. Fantástico...
    espero que o Ruben admita que teve uma crise de ciumes...
    Quero mais

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  10. Tão amiguinhos que eles são, amiguinhos do peito, ele é pequeno almoço na cama, ele passa o protector solar nas costas dela, mas ainda haverá alguém no seu perfeito juizo que ache que eles se comportam como amigos? Só mesmo a Mariana, e até ela já começa a ter dúvidas, finalmente, é que já não era sem tempo. Para terminar em beleza, uma cena de ciúmes do menino Ruben, é que ele já nem consegue disfarçar. Oh! meu Deus Mariana, abre a pestana (até rimou).
    Eu só espero que a conversa não acabe mal, porque para além dele ter que ouvir a Mariana, palpita-me que o Martim não vai gostar de saber que convidou o Ruben e ele não apareceu.
    Adorei tudinho, por isso podes continuar.

    Beijocas

    Fernanda

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