Ruben
Durante a noite pouco dormi, pensei e repensei em tudo mas principalmente
em como a minha vida mudou desde que aceitei vir para Braga, quando saí do
Benfica foi porque queria jogar com mais regularidade e após uma conversa com a
equipa técnica e a direcção achamos que o empréstimo seria a melhor opção pois
podia continuar vinculado ao clube mas a jogar que era algo que queria no
entanto quando tomei essa decisão estava longe de adivinhar que iria conhecer a
Mariana e que em tão pouco tempo a minha vida iria alterar por completo.
Não estava a conseguir dormir e por isso levantei-me para
preparar um mimo para à aniversariante, fui até à cozinha onde preparei o nosso
pequeno-almoço e depois fui até ao jardim onde escolhi uma flor para enfeitar o
tabuleiro, com tudo pronto fui até ao seu quarto, bati na porta e apesar de não
ouvir a permissão para entrar fi-lo na mesma, encontrei-a a dormir e por isso
pousei o tabuleiro em cima da cómoda.
Fiquei a observá-la durante alguns minutos e só quando ela
se mexeu é que despertei para a realidade, passei muito levemente a minha mão
pelo seu rosto para logo de seguida lhe dar um beijinho na testa.
- Bom dia - falou
ainda com a voz rouca própria de quem acabou de acordar e com um sorriso lindo
nos lábios - o que é que estás aqui a
fazer? - sorri ao ouvir tal pergunta.
- Vim acordar a
aniversariante e trazer-lhe o pequeno-almoço à cama - ela gargalhou - o que foi?
- Nada.
- Então porquê que
gargalhaste?
- Porque não estou
habituada a ter alguém que traga-me o pequeno-almoço à cama e das poucas vezes
que o fizeram foi por estar doente - olhou-me - é estranho ser acordada desta forma - sorriu timidamente.
- Com estranho espero
que queiras dizer que é bom - ela suspirou.
- Sei lá -
olhou-me - é uma sensação nova que ainda
não consegui decifrar se é boa ou não - sorri-lhe - o que foi?
- Gosto de ver-te a
sorrir - ela olhou-me.
- Hum então e onde é
que está esse pequeno-almoço? - perguntou ao sentar-se na cama.
- Ali - desviei o
olhar algo que a Mariana também vez e ao ver o tabuleiro sorriu.
- Está cá a
parecer-me que não será tudo para mim - gargalhei.
- Não, é para nós
- falei ao olhá-la nos olhos - a menos
que não queiras - ela não respondeu simplesmente levantou-se da cama e
quando já ia para abrir a boca e perguntar onde ia a Mariana aproximou-se da
porta e deu uma volta à chave, deixando-me especado a olhar.
- O que foi? -
perguntou ao regressar para a cama.
- Porquê que fechaste
a porta à chave? - ela gargalhou.
- Porque o meu irmão
com o sono de manhã tem tendência de entrar sem bater e não quero que ele te veja sentado na minha cama.
- Porquê - ela
sorriu.
- O puto tem uma
imaginação muito fértil e não preciso que fique a pensar coisas que não são
verdade e assim podemos estar mais
descansados - olhou-me - para
comermos sem sermos interrompidos - gargalhei.
- Então não seja por
isso vamos atacar - sorri ao vê-la a olhar para a flor - podes pegar, é tua - ela sorriu
timidamente e depois pegou nela cheirando a rosa vermelha.
- Obrigada.
- Não agradeças, fiz
de coração - percebi que ficou sem jeito e por isso mudou de assunto.
- Tens a certeza que
isto está comestível? - ela torceu o nariz ao falar o que provocou nova
gargalhada.
- Tenho mas se
quiseres posso provar primeiro senão morrer já sabes que pelo menos envenenado
não está.
- Hum - olhou-me
pelo canto do olho - prefiro confiar até
porque nunca deste motivos para não acreditar em ti - engoli em seco ou não
fosse saber que ando a mentir-lhe, acabei por não responder agarrando numa
torrada - então nunca te ensinaram boas
maneiras - gargalhei ao ouvi-la a repreender-me - primeiro as senhoras.
- Já tinhas saudades
desse teu lado materno e dessa mania irritante de nos repreenderes
constantemente.
- O meu lado materno
há muito que se revelou por isso lamento mas terás que levar com ele, faz parte
de quem sou.
- Mariana não estou a
queixar-me até pelo contrário gosto disso - ela olhou-me - posso saber-te uma pergunta?
- Diz - falou já
com o copo de sumo numa mão e a torrada na outra.
- Já alguma vez
pensaste em ser mãe?
- Já o sou -
respondeu-me tranquilamente.
- Linda estou a
perguntar se alguma vez pensaste em engravidar - ela gargalhou fortemente -
o que foi?
- Ruben não tenho
nada contra quem recorre a dadores de esperma para engravidar mas na minha
cabeça isso nunca ocorreu, além disso achas mesmo que tenho vida para criar
mais uma criança?
- Quando perguntei se
nunca pensaste em engravidar não estava a pensar que o fizesses através de um
dador - olhou-me - mas sim de uma
forma mais tradicional - ela sorriu.
- Para isso era
preciso que já tivesse encontrado a pessoa para ser pai dos meus filhos, sim
porque quero mais do que um.
- Engraçado como
estamos em sintonia - a Mariana parou de beber o sumo e olhou-me - também quero mais que um.
- O problema é que
querer não é sinónimo de ter.
- O que queres dizer
com isso?
- Que para ter mais
que um filho preciso de condições.
- Estás a falar das
questões monetárias?
- Também mas não só,
além do dinheiro que faz sempre falta também é preciso estabilidade emocional
que é coisa que ainda não tenho.
- Não? - ela
sorriu.
- Não, vocês olham
para mim e devem pensar que sou uma pessoa resolvida, estável mas isso não é
verdade - estava a olhá-la - também tenho os meus cinco minutos de vez
em quando - sorri ao ouvi-la - além
disso sei o que custa criar um filho, o quanto pode ser desgastante mas ao
mesmo tempo recompensador por isso neste momento não estou pronta para ser mãe
novamente e nem imagino-me a ser nos próximos anos.
- Deves ter passado
por muito quando ficaste com o Martim ainda por cima era tão nova.
- Tinha vinte anos
quando vi-me com um bebé nas mãos mas sempre tive o apoio das pessoas que
viram-me a crescer na instituição, não foi fácil mas lá consegui habituar-me às
noites em claro, aos choros, às dores de barriga, às doenças, aos sorrisos, os
primeiros passos, as primeiras palavras, a primeira vez que ouvi a chamar-me de
mana foi único e inesquecível, foi nesses pequenos momentos que encontrei
forças para continuar, hoje já é mais fácil pelo menos o Martim já entende o
que se passa e até pode ficar chateado comigo porque não lhe deixo fazer tudo o
que quer mas acaba sempre por dar-me razão.
- Ele nunca te chamou
de mãe?
- Chamou quando era
bebé mas quando ele já tinha idade para entender expliquei-lhe que não era a
mãe dele mas sim a irmã.
Continuamos a falar e foi assim que terminamos de comer, ela
acabou por colocar o tabuleiro no chão e depois de olhar para as horas voltou a
deitar-se.
- Ui que ela está com
preguiça - meti-me com ela.
- A culpa é tua que
trouxeste-me o pequeno-almoço à cama.
- Isso quer dizer que
gostaste, foi? - perguntei ao deitar-me do seu lado e sempre a olhá-la.
- O que achas? -
perguntou a sorrir.
- Não sei, diz-me tu
- a Mariana voltou a sorrir e sem que esperasse aproximou-se ainda mais
dando-me um beijinho repenicado no rosto, confesso que tê-la ali tão serena por
momentos fez-me perder um pouco o lado racional mas a coragem faltou-me no
último instante e por isso voltei a calar-me, mais uma vez não consegui acabar
com esta mentira e dizer-lhe que gosto dela.
- Ruben - ela
elevou a cabeça para olhar-me - tenho
que levantar-me - falou nada convicta.
- Isso é tudo
vontade? - gargalhei ao ver a cara dela.
- Não gozes que por
mim ficava aqui o resto do dia mas tenho que ir acordar o Martim que ele tem
aulas.
- É verdade, hoje não
é só o dia do teu aniversário - ela olhou-me quando já estava a escolher a
roupa que iria vestir - é também o dia
da criança.
- Ya, o que tem?
- Tipo o Martim não
vai comemorar o dia na escola?
- Sim, eles hoje vão
ter umas actividades de tarde mas durante a manhã têm aulas, porquê?
- Lembrei-me que
podíamos fazer alguma coisa com ele.
- Como assim
fazermos?
- Podíamos ir
buscá-lo à escola e levá-lo a passear.
- Posso saber porquê
que falas no plural? - olhei-a - O
irmão é meu.
- Não te quero roubar
o puto mas como amigo dele gostava de lhe proporcionar um dia diferente -
levantei-me da cama e aproximei-me dela abraçando-a - além disso gostava de passar o dia com a minha aniversariante preferida
- sussurrei-lhe ao ouvido.
- Vou pensar no teu
caso - falou já virada para mim - mas
agora sai porque preciso de mudar de roupa.
- Ok - sorri-lhe
e depois de pegar no tabuleiro saí deixando-a à vontade.
Fui até à cozinha deixar o tabuleiro mas acabei por ficar e
preparar o pequeno-almoço do Martim, já o tinha pronto quando a Mariana entrou
com o irmão e ao perceber o que tinha feito sorriu-me já o puto assim que
viu-me correu para junto de mim, acabei por lhe pegar ao colo e assim que o fiz
ouvi a Mariana.
- Martim vai para o
chão que és pesado - sorri perante a preocupação dela.
- Ó mana ele aguenta
- gargalhei - e depois já tinha saudades
do Ruben - a Mariana olhou-me enternecida ao ver-me com o irmão ao colo.
- Tudo bem mas agora
vai comer que tens de ir para a escola - ele olhou pela primeira vez para a
mesa.
- Foste tu que
fizeste? - perguntou-me.
- Fui porquê?
- Não sabia que
também sabes fazer - gargalhei.
- Ó meu pestinha caso
não te lembres vivo sozinho por isso sei desenrascar-me.
- Tá bom - ele
começou finalmente a comer e quando terminou perguntou-me o motivo de estar ali
mas antes de responder olhei para a Mariana.
- Porque uma pestinha
que conheço avisou-me ontem do aniversário da irmã, daí resolvi passar por cá
para dar um beijinho a essa rapariga - ele sorriu.
- Ah tá bom.
Teríamos continuado à conversa mas a Mariana pediu que o
puto fosse buscar a mochila para não se atrasar e como ela tinha que o levar à
escola avisei que iria até casa mas que contava com ela para almoçarmos juntos
algo que a Mariana aceitou sem demoras.
***
- O que é que estás
aqui a fazer? - perguntei depois de abrir a porta à Mariana afinal ainda
era cedo para almoçarmos.
- Não tenho nada
melhor para fazer por isso vim fazer-te companhia - sorriu-me.
- Agrada-me a ideia
- dei-lhe passagem para entrar.
- Sempre no vício -
comentou assim que chegamos à sala.
- Não sabes tu o que
perdes em não querer aprender.
- Ruben Filipe há
coisas bem mais interessantes que se pode fazer.
- Como assim?
- Por exemplo irmos
aproveitar este sol - ela sorriu - ali
no jardim de papo para o ar e sem fazer nenhum - gargalhei.
- Aceito a sugestão -
a Mariana sorriu.
Estava sentado na relva com ela do meu lado e a falarmos de
tudo e de nada quando a Mariana se levantou, ainda lhe perguntei onde ia mas
não respondeu, fiquei no mesmo sítio e uns minutos depois percebi o que tinha ido
fazer, ela vinha com duas toalhas na mão. Deu-me uma, esticando a outra na
relva e sem que tivesse à espera retirou a sua roupa, vê-la pela primeira vez
em biquíni deixou-me a babar completamente. Fiquei feito parvo a olhá-la até
que fui despertado para a realidade com um safanão dela.
- O que foi? -
ela sorriu.
- O que foi pergunto
eu, estou para aqui farta de falar para o boneco.
- Desculpa, estava
distraído mas o que é que estavas a dizer?
- Não era bem a dizer
mas sim a pedir.
- Diz.
- Estava a perguntar
se tens bronzeador que possas emprestar-me uma vez que não tenciono virar
lagosta - voltei a gargalhar.
- Tenho - sorri -
vou buscar - levantei-me e quando
regressei vinha com o frasco na mão -
toma - falei ao esticar o braço.
- Importaste de
colocar nas minhas costas? - falou serenamente, não respondi limitei-me a
fazer o que pediu - Obrigada.
- De nada e agora vou
vestir os calções que ver-te assim está a dar-me calores - ela gargalhou - o que foi?
- Tanto quanto sei
quem aquece e faz calor é o sol - disse com desdém.
Não respondi até porque não consegui entender se estava no
gozo ou se por algum motivo estava a provocar-me.
Mariana
Depois de deixar o Martim na escola acabei por ir ter com o
Ruben a sua casa, não tinha mesmo mais nada para fazer e assim sempre
distraia-me mas antes passei por casa para vestir o biquíni estava sol e a
ideia de aproveitá-lo do lado do Ruben passou-me pela cabeça, ele concordou
comigo e foi quando já estava no jardim mais concretamente quando retirei a
roupa ficando só em biquíni que fiquei com a sensação que o deixei incomodado,
talvez porque não estava à espera que o fizesse com tanto à vontade mas não
comentei isso com o Ruben preferi antes fazer de conta que não percebi. O Ruben
acabou por ir vestir os seus calções uma vez que segundo ele estava a ficar com
calor, isto depois de lhe ter cravado o bronzeador e de lhe ter pedido que
colocasse um pouco nas minhas costas.
Estava deitada de barriga para cima quando pressenti a
presença do Ruben, abri os olhos e viu-o já deitado do meu lado, desta vez foi
a minha de ficar a olhá-lo, não sei o que estava a passar comigo mas senti uma
necessidade enorme de o observar e por incrível que pareça fi-lo sem qualquer
problema algo que ele percebeu e por isso meteu-se comigo.
- Vê lá se não te cai
os olhos - sorriu de forma traçada.
- Não caíram quando
te vi nu não vai ser agora que vão cair - ele gargalhou.
- Estás a admitir que
gostaste do que viste, foi?
- Não falei isso
- disse com desdém - até porque mal vi
- ele sorriu.
- Estás a insinuar
alguma coisa? - gargalhei mas não respondi e talvez por isso o Ruben não
insistiu mais.
***
- Ruben tenho fome
- falei depois de ver as horas.
- Ui não tenho nada
nos armários - gargalhamos - mas
podemos ir almoçar a qualquer lado, aceitas?
- Shii depois de ter
passado a manhã toda armada em dondoca - ele gargalhou fortemente - não me apetece mexer um braço quanto mais
as pernas para ir enfiar-me num restaurante.
- Hum, ok então já
volto.
- Onde é que vais?
- perguntei ao vê-lo de pé.
- Comprar o nosso
almoço - sorriu - já volto.
Não respondi limitei-me a ficar estendida na toalha uma vez
que estava mesmo a saber-me bem ficar sem fazer nenhum. Perdi a conta aos
minutos que estive sozinha mas não devem ter sido muitos porque quando reparei
já tinha o Ruben do meu lado. Levantei-me da toalha e caminhei até à mesa que
tem no jardim onde estava o nosso almoço, comemos com algumas brincadeiras à
mistura e no fim regressei para a toalha enquanto ele foi colocar a loiça na
cozinha.
- Linda - olhei-o
- não queres ir lá para dentro?
- Porquê?
- Porque não devemos
apanhar com este sol, só nos faz mal - gargalhei - o que foi?
- Gostei de ver o teu
lado de paizinho a revelar-se - ele sorriu - mas já sou crescidinha não preciso de ter um a chatear-me o juízo.
- Piada mas anda lá,
podemos ficar na sala.
- Ok, pode ser -
concordei com ele até porque o Ruben tinha razão, o sol estava mesmo muito
forte.
O Ruben ajudou-me a levantar e depois de vestir a minha
roupa fomos até à sala, onde acabei sentada do seu lado a ver um filme.
- Ruben tenho de ir
- falei quando o filme terminou.
- Porquê? -
sorri.
- Tenho de ir buscar
o Martim.
- Posso ir contigo?
- Podes -
concordei e acabamos por ir no meu carro mas assim que estacionei em frente à
porta da escola vi o Ruben a sair ainda tentei impedi-lo mas já não fui a tempo
por isso deixei-o ir buscar o Martim à porta da escola.
Eles regressaram os dois de sorriso na cara e não foi
preciso o Martim abrir a boca para saber que tinha feito alguma ainda assim não
questionei depois falava com ele, da escola seguimos para casa.
Passei o resto da tarde na brincadeira com o meu irmão e só
quando resolveu pedir ao Ruben para ir jogar futebol com ele é que tive uns
minutos de descanso, ainda assim fiquei no jardim a observá-los.
As horas passaram e quando anoiteceu o Ruben desafiou-nos
para irmos jantar fora mas não me apeteceu e por isso acabei por ir até à
cozinha preparar algo para comermos, foi quando o estava a fazer que senti os
braços do Ruben a envolverem-me a cintura.
- O que é que pensas
que estás a fazer? - perguntei quando os seus lábios encontraram o meu
rosto.
- Nada de mal -
sorriu - só estou a dar um beijinho à
aniversariante - gargalhei.
- Andas muito
atencioso - ele olhou-me - isso deve
ser sinal que aprontaste alguma e por falar nisso onde é que o Martim se
enfiou?
- Não posso dizer.
- Ou seja está a
tramar alguma e tu a encobri-lo - ele sorriu.
- O puto não está a
fazer nada de mal fica descansada - abraçou-me - ele lembrou-se que não tinha nada para oferecer-te e por isso avisou-me
que ia fazer um desenho, satisfeita?
- Não - ele
olhou-me.
- Porquê?
- Porque preciso
terminar o jantar e contigo agarrado a mim que nem lata não consigo - ele
gargalhou mas acabou por soltar-me ficando unicamente a observar-me, o que
estava a dar comigo em doida, não sei porquê mas a forma como o Ruben passou o
dia a olhar-me tem cada vez mais vindo a deixar-me com uma sensação estranha,
algo que não sei explicar o que é.
***
Depois do jantar o Ruben ainda ficou connosco algo que o meu
irmão aproveitou para usar como desculpa uma vez que queria ficar acordado até
mais tarde, coisa que não permiti e fui deitá-lo.
- Mariana podes ir
levar-me? - murmurou para não acordar o meu irmão.
- Podes ficar cá se
quiseres.
- Não há problema?
- Por mim não afinal
cada um tem a sua cama - ele sorriu.
- Ok, então fico.
Acabamos por sair do quarto e ainda ficamos à conversa na
sala mas o cansaço acabou por vencer-me, sim que isto de passar o dia sem fazer
nenhum também chateia e acima de tudo cansa.
***
O fim-de-semana passou sem que desse bem por isso e como tal
o Ruben teve que regressar a Lisboa, apesar de ter tido vontade de lhe pedir
que ficasse não o fiz afinal o que precisava era de ficar longe dele para
entender de uma vez o que estava a sentir.
Duas semanas passaram e durante estes quinze dias andei
completamente no mundo da lua ao ponto do Martim já ter percebido e perguntado
o que tinha, lógico que não admiti que andava distraída por culpa da dúvida
parva que tenho.
Acordei animada, o meu piolho termina as aulas e por isso de
tarde haverá um lanche de despedida onde as crianças puderam convidar a família
e amigos uma vez que iria haver um género de teatrinho para animar o lanche. A
pedido do Martim convidamos a Letícia, a Patrícia, o Nuno e o Ruben, ele queria
a madrinha do seu lado bem como os amigos, ao início ainda o tentei convencer a
deixar os amigos sossegados mas o puto não foi na conversa e acabou por
conseguir vencer-me pelo cansaço, deixei-o convidar os amigos.
Estava a almoçar quando ouvi a campainha não foi difícil de
prever quem seria uma vez que sabia que eles estavam a chegar.
- Boa tarde -
cumprimentei a Letícia e depois o Ruben - fizeram
boa viagem?
- Lógico que sim,
amiga isto de se ter motorista é sempre agradável - o Ruben gargalhou.
- A viagem deve ter
sido cá uma animação - sorri - com
dois palhaços no mesmo carro - o Ruben interrompeu-me.
- Piadinha, estás cá
com uma graça.
- Tadinho dele -
olhei-o - estás com ciúmes por não seres
o único palhaço, é?
- Não - olhou-me
- onde é que está o Martim? -
perguntou-me ao entrarmos na sala.
- Está na escola até
parece que não sabes que ele almoça lá.
- Pensei que tivessem
dispensa da parte da manhã como é a festa.
- Ya, deves pensar
que os putos têm o mesmo privilégio de certas vedetas - a Letícia gargalhou
- mas agora se não se importam vou
acabar de almoçar.
Eles acompanharam-me e enquanto terminei de almoçar fiquei a
saber das últimas novidades vindas de Lisboa. A Letícia contou-me o que o Rui
lhe tinha preparado e a forma como a pediu em casamento, confesso que por
momentos imaginei o dia que alguém pudesse fazer-me tal proposta mas como o
sorriso veio também se foi imediatamente afinal esse dia estaria distante.
Quando terminei de almoçar convidei-os para irmos até ao
centro histórico de Braga para a Letícia ficar com uma pequena ideia da cidade
de Braga uma vez que nunca esteve em Braga. Estávamos sentados numa esplanada a
saborear os gelados que tínhamos escolhido quando à nossa frente surgiu o
Miguel que ao ver-nos aproximou-se.
- Boa tarde -
sorriu.
- Está tudo bem?
- perguntei alegremente afinal nestas últimas semanas tenho falado com alguma
frequência com o Miguel.
- Sim e contigo? -
perguntou ao cumprimentar-me com dois beijinhos algo que retribuí sem qualquer
problema.
- Está tudo em ordem
- sorri - mas deixa-me apresentar-te a
Letícia, uma grande amiga e madrinha do Martim - ele sorriu - amiga é o Miguel - eles
cumprimentaram-se - ah e este aqui
dispensa apresentações - falei ao apontar para o Ruben levando o Miguel a
gargalhar.
- Está tudo bem
contigo? - o Miguel perguntou ao Ruben.
- Vai-se andando
- olhei sem entender a resposta do Ruben muito menos as trombas com que estava.
- Então e mentalizado
para o regresso ao trabalho.
- Sempre - o
Ruben estava estranho mesmo assim ignorei e acabei por convidar o Miguel a
juntar-se a nós.
- Até aceitava mas
tenho a festa do meu filho por isso não quero atrasar-me.
- Hey ó Miguel a
festa só começa daqui a uma hora - ele sorriu - além disso nós também vamos.
- Sendo assim aceito
o convite - sorrimos e vi-o a sentar-se do meu lado bem de frente para o
Ruben.
- Desculpem a
pergunta mas vocês trabalham juntos? - a Letícia perguntou.
- Sim, sou preparador
físico do Braga.
- Ah interessante
- olhamos os três para a Letícia sem termos entendido tal afirmação.
- Não sei onde está o
interessante - ripostou o Ruben levando-me a olhá-lo.
- Então está na parte
que não me importava nada de ter o trabalho do Miguel - ainda olhei para
ela numa tentativa que se calasse mas a Letícia não ligou nenhuma.
- Mas a profissão
cativa-te?
- Miguel não puxes
por ela - ele olhou-me - ou daqui a
nada sai disparate daquela boca - ele gargalhou - que foi?
- Já percebi a parte
do interessante - olhou para a Letícia - deves estar a referir-te a trabalhar com os jogadores.
- É confesso que
alguns merecem serem olhados de perto - o Miguel sorriu.
- Acredito que aos
teus olhos mereçam mas aos meus não passam de pessoas com quem trabalho.
- Ok - sorriu - mas Mariana como é que se conheceram mesmo?
- percebi onde queria chegar e antes que começasse com piadas fui directa ao
assunto.
- Conhecemo-nos
porque aqui a criança - olhei para o Ruben que continuava de trombas - resolveu brincar aos cabeçudos e foi parar
ao hospital.
- E ficaram assim
logo tão amigos?
- Ah isso veio depois
- sorri para o Miguel - mais
concretamente nestas últimas semanas.
- Muito nos contas
- o Ruben ripostou o que fez com que olhasse para ele.
- Estás com algum
problema?
- Parece que não
tiveste problemas em encontrar um substituto para os teus amigos - olhei-o
incrédula.
- Ruben Filipe não
sei o que é que te está a dar mas é melhor controlares esse mau feitio porque
não tenho culpa e muito menos o Miguel, sim ultimamente tenho falado mais com
ele mas não substitui ninguém simplesmente descobrimos que de certa forma temos
algo em comum.
- Posso saber o quê?
- Não - ele
olhou-me furioso - simplesmente porque
não te devo justificações e muito menos quando és besta.
- Agora sou besta, é?
- Besta quadrada para
ser mais específica - ele olhou-me como que a desafiar-me - ah e já agora se for para ires com essas
trombas aviso já que não entras na escola ou ainda assustas os putos - o
Miguel sorriu ligeiramente já a Letícia gargalhou.
- Não te preocupes -
levantou-se - depois falo com o Martim e
explico o motivo por não ter comparecido à festa - fiquei a olhar incrédula
ao vê-lo a virar costa e a desaparecer, isto depois de ter colocado em cima da
mesa o dinheiro para pagar o seu gelado.
- Alguém pode
explicar-me o que se passou aqui como se fosse muito burra - eles sorriram
- é que juro que não percebi.
- Mariana foi um
bocado óbvio - olhei para o Miguel - o
Ruben ficou com ciúmes.
- Ya e deve ter sido
na ponta do corno imaginário - eles gargalharam.
- Amiga, concordo com
o Miguel o Ruben não gostou de ver-te a falar alegremente com outro homem.
- Tanto quanto sei
posso falar e rir para quem bem entender, o Ruben não é nem nunca vai ser meu
dono, além disso não tem motivos nenhuns para ter ciúmes, somos todos amigos ou
melhor ele e tu são amigos o Miguel é só uma pessoa que ainda estou a conhecer
mas que por sinal estou a gostar daquilo que vejo - o Miguel sorriu.
- Sempre directa
- olhei-o - mas um bocadinho ceguinha
- a Letícia gargalhou - Mariana não
conheço a vossa história mas o que vi aqui foi uma cena de ciúmes do Ruben.
- Não inventem, ele é
só meu amigo e agora vamos embora que para não nos atrasarmos.
Eles concordaram em irmos embora e como tínhamos vindo com o
Ruben acabamos por ir com o Miguel já que o outro nem se lembrou desse pormenor
quando “alçou os cornos” e se foi embora.
Como será que fica a amizade deles depois desta reacção do Ruben?
Ahhh adorei!!!
ResponderEliminarQuero saber como corre a festa e como é que ficam as coisas entre o Ruben e a Mariana, este aparecimento do Miguel não estava definitivamente nos planos do Ruben que não tentou esconder nem nada.
O próximo muitoooooo rápido por favor!!!
Bjokinhas
Mariaa
bem ta magnifico... quero mais...
ResponderEliminarcontinua... tou super curiosa para ver o proximo... cada vez ta melhor...
Olá :)
ResponderEliminarADOREI!
Gostei imenso deste tempinho em que o Rúben e a Mariana andaram "juntinhos" :P
Quero o próximo extremamente RÁPIDO!
Beijinhos
Rita
esse miguel nao se vai pôr no meio, certo?!
ResponderEliminarera o que mais faltava agora, a Mariana quer mais prova que esta?! ciumento ahahah
adorei o capitulo...
beijinho
Raquel
muito bom, mas muito bom mesmo! esta ultima parte foi perfeita e adorei estes ciumes do ruru, e até imaginei-o de trombas, devia ser bastante divertido :P
ResponderEliminaragora e como sempre quero muito ler o proximo e ainda nao foi neste cap que aconteceu aquilo que mais queria ver, mas também nao deve demorar muito para que isso aconteça! ;)
fico à espera de mais,
beijinhos :)
Oh my God ainda não foi desta???!!!
ResponderEliminarE claro que o Rúben ficou cheio de ciumes... Agora vamos ver no que vai dar...
Muito bom.
Quero mais!!!
Beijinhos linda
Crise e que crise! Isso é que são ciumes :p agora, eu tou pa ver é qe nao vai correr bem a próxima conversa cm a Mariana, será? O qe é bom é qe ela já sei vai apercebendo de qlqer coisa qe sente pelo Rubinho :)
ResponderEliminarQuero maiis!
Beijinhos
novo capítulo,please...
ResponderEliminaristo nao pode ficar assim!
Fantástico...
ResponderEliminarespero que o Ruben admita que teve uma crise de ciumes...
Quero mais
nao publicas hoje?!
ResponderEliminarTão amiguinhos que eles são, amiguinhos do peito, ele é pequeno almoço na cama, ele passa o protector solar nas costas dela, mas ainda haverá alguém no seu perfeito juizo que ache que eles se comportam como amigos? Só mesmo a Mariana, e até ela já começa a ter dúvidas, finalmente, é que já não era sem tempo. Para terminar em beleza, uma cena de ciúmes do menino Ruben, é que ele já nem consegue disfarçar. Oh! meu Deus Mariana, abre a pestana (até rimou).
ResponderEliminarEu só espero que a conversa não acabe mal, porque para além dele ter que ouvir a Mariana, palpita-me que o Martim não vai gostar de saber que convidou o Ruben e ele não apareceu.
Adorei tudinho, por isso podes continuar.
Beijocas
Fernanda