sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

062 - "Mariana juro que não sabia... desculpa..."


Ruben

Sei que devia ter feito as cenas de outra forma, a minha família tinha o direito de saber desde o início que afinal hoje seria o nosso casamento e não só o aniversário da Mariana mas daí a terem reagido daquela forma foi abuso, no entanto acabaram por aceitar a nossa decisão e como já esperamos ficaram para presenciarem a nossa felicidade.
Confesso que os minutos que fiquei no altar à espera da Mariana foram um tormento, não por ter medo que desistisse mas sim porque estava desejoso de vê-la, algo no meu intimo dizia que a Mariana estava para aprontar alguma, algo que confirmei no momento que a vi diante de mim, afinal o vestido não era nada do que falou, resumindo tinha diante de mim uma autêntica princesa acompanhada por um aspirante a príncipe, o Martim vinha igualmente lindo e todo senhor de si, o que deixou-me orgulhoso daquela “amostra de gente”.
Estava vidrado neles e só despertei quando ouvi o aviso do meu cunhado para tratar bem da mana, aquilo foi motivo para ouvir algumas gargalhadas por parte dos nossos convidados para logo de seguida a cerimónia ter início, passei-a toda atento ao padre mas principalmente ao meu amor e o que senti no momento dos votos foi único e indescritível, tê-la diante de mim tão serena mas acima de tudo com certeza de que seremos eternamente felizes deixou-me a levitar completamente.
Os minutos passaram e o fim da cerimónia chegou, seguiu-se o momento de assinar os papéis e de mais algumas fotos dos dois ainda na capela, para depois caminharmos direitos à “chuva de arroz”.
O momento que se seguiu foi o das felicitações, primeiro da família e depois dos amigos, já estava de novo agarrado à Mariana quando senti uma mão no meu ombro e ao virar-me deparei-me com o meu empresário, também ele se aproximou para nos felicitar mas assim que falou senti todo o corpo da Mariana a tremer.
- Amor estás bem? - perguntei de imediato despertando ainda mais a curiosidade do Paulo.
- Sim... - murmurou.
- Tem a certeza? - olhei para o Paulo e depois para o meu amor - É que está um pouco pálida...
- Tenho! - a Mariana respondeu num tom de voz que não era de todo seu, chegou mesmo a ser bruta.
- Amor o Paulo tem razão... - falei visivelmente preocupado afinal a Mariana estava bem e de um momento para o outro ficou pálida e sem reação.
- Ruben - olhei para o Paulo - ela que se sente um pouco... deve ser da emoção - sorriu ligeiramente
- Anda... vamo-nos sentar ali... - começamos a andar e o Paulo seguiu-nos no entanto acabei por pedir que se afastasse ao perceber que a Mariana não estava confortável do seu lado, o que sinceramente achei estranho ainda assim não perguntei, deixei-me ficar do seu lado para uns minutos depois
- Vamos! - olhei-a sem entender - Amor desculpa a minha reação mas... - suspirou profundamente - já passou e nada nem ninguém nos vai estragar o dia - falou segura de si.
- Mas porquê que ficaste assim?
- Esquece... - baixou o olhar
- Esqueço nada - fi-la olhar para mim - amor ficaste assim quando viste o Paulo... - quando mencionei o nome do meu empresário os olhos dela reluziram e percebi que estava a fazer um enorme esforço para segurar as lágrimas que se estavam a formar nos seus olhos.
- Anda... - levantou-se e puxou-me pela mão - que estou com fome! - a Mariana estava nitidamente a evitar o assunto algo que percebi mas ainda assim deixei passar, caminhamos para junto dos nossos amigos e assim que a Letícia se aproximou a Mariana abraçou-a.
- O que é que ela tem? - o Nuno foi o primeiro a falar
- Não sei... não quis falar e também não insisti... - respondi depois dela se ter afastado com a Letícia
- Mas ela estava tão bem e de repente fica assim? - teria respondido ao Mauro mas o Paulo aproximou-se
- Desculpe a pergunta mas por acaso já conhecia a Mariana? - ficaram todos a olharem para mim sem entenderem a pergunta mas naquele momento passou-me algo pela cabeça que poderia muito bem explicar a reação do meu amor…
- Não... mas porquê?
- Nada esqueça...
A conversa ficou por isso mesmo até porque fui chamado por um dos fotógrafos, juntei-ma à Mariana para o momento de seca, tiramos fotografias com todos os convidados enquanto uns petiscavam outros sorriam para mais tarde recordarem o nosso dia.
- Mana posso ficar na vossa mesa? - o Martim perguntou assim que percebeu que não ficaria do nosso lado durante o almoço.
- Não - a Mariana respondeu-lhe
- Porquê?
- Ficas na mesa do Nuninho e da tua madrinha - tentei explicar que aquela mesa seria só nossa mas o puto não deixou
- Mas eu quero ficar aqui... oh mana deixa lá - pedinchou - eu porto-me bem - sorrimos ao ouvi-lo ainda assim a Mariana não deixou que ficasse na nossa mesa o que fez com que fosse ter com a madrinha aborrecido no entanto sabíamos que aquilo passava depressa e não nos preocupamos.
Estávamos a começar a comer quando a malta começou numa de “pedir” que nos beijássemos algo que acabamos por fazer mas no momento que nos voltamos a sentar e depois de olhar para o Martim...
- Estamos lixados - falei o que levou a Mariana a olhar-me sem entender - olha para a cara do Martim - sorri ao vê-lo com aquele ar de “anjinho” - ou muito me engano ou acabou de descobrir a forma de se vingar de nós por não o deixarmos ficar aqui na mesa - a Mariana sorriu assim que percebeu o que quis dizer.
- Pelo menos já lhe passou o burro - sorriu.
- Pois... mas vamos nós sofrer - parece que estava a adivinhar pois assim que falei o Martim começou a bater palmas para que nos beijássemos novamente algo que foi recorrente em todo o almoço, o que ajudou a Mariana a abstrair-se da presença do Paulo que a tinha incomodado, continuava intrigado e sem saber o motivo da reação dela ainda assim não a questionei.

Mariana

No momento que vi quem menos esperava foi como se o chão fugisse debaixo dos meus pés, acho mesmo que se não fosse o Ruben a agarrar-me que tinha-me estatelado no chão uma vez que por momentos perdi mesmo a força nas pernas.
O Ruben ainda tentou perceber o que se estava a passar mas não consegui dizer nada, por muito que tentasse nada sairia, senti-me pequenina e completamente desprotegida algo que deve ter percebido porque se limitou a dar-me mimos ainda que discretos.
Depois de uns minutos consegui finalmente acalmar-me o que permitiu fingir que nada se tinha passado e acabamos por nos juntar aos convidados, depois das fotos seguiu-se o almoço para no fim iniciar o “passeio” pelas mesas, conversamos e fomos brindados com algumas brincadeiras mas quando percebi que a próxima mesa seria a do dito-cujo subtilmente dei meia volta e afastei-me do Ruben, acabei mesmo por ir até ao jardim numa tentativa de afastar os pensamentos tristes mas foi pior a emenda que o soneto ou não fosse ter encontrado o Martim a brincar com a filha do traste.
Não aguentei e deixei cair as lágrimas que há muito segurava, só o fiz por pensar que estava sozinha mas depressa senti os braços do Ruben a envolverem-me a cintura e a puxar-me para ele, aquilo foi o suficiente para desatar num pranto e ser “arrastada” por ele para longe dali.
Não sei o tempo que fiquei completamente aninhada nos seus braços, só sei que despertei quando o ouvi.
- Mariana juro que não sabia... desculpa...
- Como é que sabes?
- Porque te conheço - suspirou - mas confesso que estava longe de imaginar que era ele o teu pai...
- Ele não é meu pai! Aliás ele não é nada além de uma pessoa sem carácter...
- Não digas isso - olhei-o atónica - Mariana é verdade que errou mas também não sabes o que o levou a tomar tal atitude...
- Só podes estar a gozar! Ruben, fui abandonada mesmo antes de nascer...
- Então e depois? - olhei-o com vontade de o esganar - Não chegaste até aqui? Não venceste? Quem perdeu foi ele... não foste tu Mariana, não duvido que tenhas sofrido mas também não consigo condená-lo sem saber as razões que teve...
- Só podes estar a gozar... abandonou-me não quis saber de mim e tu ainda o defendes?
- Não é uma questão de defendê-lo mas a verdade é que te amo tal como és e querendo ou não a atitude do Paulo moldou-te, tornou-te na pessoa que és, se para ti a família é tudo talvez seja porque foste abandonada, porque sofreste em criança e continuas a sofrer, se hoje estamos aqui foi porque demonstraste ter o coração que ele não teve, apoiaste-me sem julgar, deste-me a mão quando precisei, sabes ver para além da imagem e isso aprendeste sozinha, se ele não te tivesse abandonado hoje em dia terias outro nível de vida mas talvez fosses outra Soraia por isso por muito que queira não o consigo odiar porque isso seria o mesmo que odiar uma parte de ti... Mariana aprendi a amar-te pela pessoa que és e não por seres filha dele ou por frequentares o mesmo meio que frequento ou ainda por seres filha de alguém com uma posição marcada no futebol... e depois já pensaste que se ele não te tivesse abandonado muito provavelmente hoje não teríamos o Martim?
Amor acredito que tudo na vida tem uma razão de ser e se tiveste de passar por tudo isto talvez tenha sido para que hoje tenhamos do nosso lado um menino de ouro, alguém por quem daríamos a vida se fosse necessário, é verdade que carregas uma mágoa muito grande mas o amor que o Martim te dá todos os dias de forma gratuita compensa todo o sofrimento que uma decisão do Paulo possa ter causado, Mariana o passado ninguém pode mudar mas o presente e o futuro podemos...
- Estás a sugerir que esqueça tudo?
- Não... estou a sugerir que ignores a presença do Paulo tal como ele fez no passado, que aproveites o dia hoje porque este nunca mais se irá repetir e que amanhã pares, reflitas e logo decides se queres perceber as razões que o levaram a abandonar-te ou se simplesmente vais agir como fizeste até à data...
- Como queres que finja que não aconteceu nada... tu conhece-lo e pelos vistos muito bem para o teres convidado!
- Mariana - respirou profundamente - ele é o meu empresário - olhei-o atónica - mas empresários há muitos... - não o deixei continuar
- Mas com o renome deste não - olhou-me - Ruben nem penses... amor não é por não o poder ver à frente que vais deixar de ser agenciado por ele - sorriu - que foi?
- És única sabias? - não me deixou responder pois uniu as nossas bocas - Por muito que estejas a sofrer não consegues mesmo por o teu bem à frente do dos outros.
- Ruben...
- Shiu - beijou-me - vamos deixar esta discussão para depois que agora quero aproveitar o nosso dia - voltou a unir as nossas bocas agora num beijo demorado e carregado de amor.
Ficamos a namorar durante um bocado mas acabamos por regressar para junto dos convidados.
- Puto - o Mauro aproximou-se - chegou o momento - olhei para o meu cunhado algo desconfiada - sim Marianinha está na hora de levares os pés massacrados - gargalhou - vá... vão lá dançar!
- Deves! - atirei de rajada - Só se for em sonhos!
- Mau... noiva que é noiva dança!
- Mas ainda não percebeste que não sou que nem as outras?? Opa não te doa a ti os pés que a mim também não - o Ruben gargalhou
- Juro que não vos entendo... primeiro organizam o casamento em segredo e agora também não dançam?
- Quem não te entende sou eu... casei com o teu irmão não foi contigo logo não te tenho de aturar... vai atazanar o juízo da Paula e deixa-me a mim e ao teu irmão fora dessa!
- Tão espirituosa que a minha cunhadinha está...
- Mano a sério desampara-nos a loja!
- Juro que não vos entendo... qual foi mesmo o motivo disto tudo?
- Ai ainda não percebeste? - o Ruben olhou-me e talvez por ter percebido que já estava-me a passar abraçou-me - Então eu explico-te... nós fizemos as cenas desta forma por causa disto que nos estás a fazer agora... mete-te na tua vida e deixa-nos aos dois sossegados, boa? Será que ainda não percebeste que o casamento para mim é muito mais do que este carnaval que as pessoas montam com a desculpa de comemorarem? Se fosse pela festa tinha optado por festejar só os meus anos e como vês nem bolo tenho... Sim sei que não compreendem e sinceramente não estou à espera que o façam mas enquanto a maioria dos presentes sempre teve motivos para festejar aniversário após aniversário eu não... talvez por ter um pai que preferiu fingir que a minha mãe não estava grávida e desapareceu muito antes de ter nascido ou de ter uma mãe que me abandonou quando era ainda uma criança... - não sei o que me deu para falar sobre isso mas quando reparei já tinha saído, o Mauro tal como os restantes que estavam por perto ficou sem reação mas quem despertou a minha atenção foi aquele a quem deveria chamar de pai, ele estava a olhar-me talvez por saber o que fez no passado no entanto ignorei-o - e agora se não te importas deixa-nos viver este dia da nossa forma que pode não ser a tradicional mas é a aquela que revela quem nós somos, aquela que foi desde início a forma como vivemos o nosso amor, amo o teu irmão pelo que ele é e não para ter os olhos de não sei quantas pessoas em cima de mim, mesmo que essas pessoas sejam a família dele e os nossos amigos mais próximos, a verdade é que não fui feita para grandes festividades e se hoje estou aqui assim vestida diante de vocês é por ele, por o amar e por saber o quanto queria casar, sim que por mim tinha ficado unicamente pela cerimónia religiosa já que o Ruben fazia muita questão mas se cedi em comemorar convosco foi porque percebi que para ele isto tinha significado no entanto o Ruben também percebeu que iria estar a torturar-me se insistisse numa mega festa, ele conhece-me e sabe que acabaria por ceder se insistisse porque é isso que faço pelos que amo, se tiver que me magoar para os ver bem não hesito, estou habituada a ser deixada para trás... com isto tudo quero que entendas que se nos casamos desta forma foi porque o Ruben quis fazer deste dia algo inesquecível para os dois, preferiu abdicar da exuberância e ter-me verdadeiramente feliz do que ter do seu lado alguém que de cada vez que sorrisse estaria a ser falsa - calei-me e assim que o fiz o Ruben envolveu-me nos seus braços dando-me assim uma sensação de segurança total.
- Desculpa - olhei para o Mauro - nunca pensei que te custasse tanto festejares o vosso casamento...

Ruben

Depois de ter a confirmação que as minhas suspeitas estavam certas e que o meu empresário é mesmo o pai da Mariana ainda a ouvi dizer que não quer que troque para outro, ela é simplesmente única e apesar de tentar a todo o custo que a presença dele não interferisse na comemoração deste dia sei que não estava a conseguir esquecer-se e prova disso foi a forma como reagiu quando o meu irmão veio implicar connosco por ainda não termos dançado a suposta valsa, o Mauro ouviu o que não esperava mas não satisfeito voltou a atiçar a dor da Mariana e desta quem não se calou fui eu.
- Chega Mauro! Mano respeita a nossa decisão até porque tenho tudo o que sempre desejei, amo e sou amado sem falsidade, hipocrisia e mesmo cinismo, a Mariana é como é e não faço intenções de mudá-la porque se fizesse tudo deixaria de fazer sentido, foi esta Mariana que abriu-me os olhos, que me ensinou o que é amar verdadeiramente, o que é ficar feliz só por ver o sorriso no rosto dos que amamos, o que é lutar pelo que queremos verdadeiramente, o que é abdicar de nós para que o outro se sinta confortável, foi ela que me tornou homem, que me ensinou o que é educar uma criança mas principalmente foi ela que demonstrou-me que sou capaz de vencer todos os obstáculos, que posso cair porque vou ter alguém que irá esticar a mão e ajudar-me a levantar por isso peço-te que pares de julgar a forma como decidimos festejar este dia, porque acredita isto é o espelho do que é a minha vida desde que a conheci, simplicidade mas uma simplicidade que trás alegria e felicidade! - o meu irmão provavelmente teria respondido mas o Martim impediu isso quando
- Pai, pai - ele vinha a correr na minha direção e a chamar-me.
- O que foi? - perguntei ao vê-lo tão aflito.
- Preciso de ti!
- Diz.
- Não pode ser aqui - sorri algo na forma como falou alertou-me que viria animação - anda comigo - puxou-me pela mão até um canto mais reservado.
- Então já podes dizer o que se passou.
- Pois... ah... - o puto estava envergonhado, arrisco mesmo a dizer que nunca o tinha visto assim
- Amor podes falar...
- Pois mas...
- Mas??
- Tenho vergonha - sorri ao ouvi-lo
- Diz lá o que se passou!
- Oh pai é que... - olhei-o de forma a encoraja-lo - foi a...
- Sim... foi a...
- Olha foi a Carolina... ela… olha ela deu-me um beijinho - foi impossível não gargalhar perante a cara de enjoo do meu pequeno - não tem piada! Pai eu fugi e agora o que ela vai pensar de mim - por muito que não quisesse rir fui obrigado a fazê-lo de novo no momento que o vi a esconder-se atrás de mim assim que a viu a entrar - eu… eu nunca dei beijinhos a ninguém e não sei o que fazer agora.
- Então agora a primeira coisa que vais fazer e deixar de te esconder e depois olha depois finge que não se passou nada - sei que não é um conselho nada adulto mas sinceramente não esperava que o problema do Martim fosse desta natureza e muito menos sei o que devo responder nestas situações.
- Ó pai não tás a ajudar...
- Ó filho o que é que queres que te diga?
- Que vás dizer a ela que não quero beijinhos - fez uma cara de enjoado - pai não gostei nada disso... ela é maluca - voltei a gargalhar - tu tás a gozar comigo - ainda tentei explicar que não estava no gozo mas o menino não me deu tempo e correu até à irmã, acabei por segui-lo e assim que cheguei junto deles - preciso de ti que o pai não percebe nada disto - sei que não devia mas foi impossível não rir afinal o puto foi pedir conselhos logo à irmã que até há uns meses pouco percebia do assunto.
- Posso saber o que se passa? - perguntou ao alternar o olhar sobre nós os dois
- Podes mas não é para gozares comigo como o Ruben fez! - o meu amor olhou-me simplesmente encolhi os ombros e murmurei um “prepara-te” - oh mana tás a ver aquela menina ali - falou ao olhar na direção da pequena - ela deu-me um beijinho mas eu fugi, oh mana não gostei nada - a Mariana não riu mas vontade não lhe faltava - e agora não sei o que fazer - o meu amor respirou profundamente antes de falar ou caso contrário teria gargalhado.
- Amor é normal que não tenhas gostado... estas coisas não são para a tua idade mas também não precisas fugir da menina - gargalhei ao ouvi-la - o que é que foi? - perguntou-me ao olhar-me de lado.
- Gostei do conselho... para quem andou a fugir de mim tanto tempo... - não consegui continuar a falar que a Mariana deu-me um ligeiro beliscão - mas ainda agora casamos e já estou a sofrer de maus tratos, é? - impliquei com ela mas a Mariana ignorou-me e concentrou-se no irmão.
- Oh mana ela vem aí - sorrimos os dois - o que é que eu faço?
- Então dizes que não gostaste e que não queres que ela repita!
- Mas ela assim vai pensar que sou um menino - com esta a Mariana não se aguentou e gargalhou - também tu?
- Desculpa mas a verdade é que ainda são os dois pequeninos para andarem aos beijinhos mas também não podes fugir da menina só porque te deu um beijinho, tens de lhe dizer que não queres que volte a acontecer e olha se ela não gostar paciência...
- Mas ela depois goza comigo
- Amor se ela fizer isso falas connosco pode ser? - o Martim olhou-me algo desconfiado - Lindo se for preciso falo com ela e explico que não pode andar aos beijinhos aos meninos - a Mariana sorriu - mas agora vai lá brincar, sim?
- Tá bem! - o Martim assim que respondeu foi a correr ter com os outros meninos.
- Posso saber porquê que estás a rir?
- Amor pagava para te ver a falar com a miúda - gargalhou de forma prazerosa - oh se pagava - voltou a gargalhar - tu nem com o Martim consegues falar quanto mais com uma miúda...
- É fala aquela que diz ao irmão que não pode fugir quando na verdade fez o mesmo - deitei-lhe a língua de fora que nem puto
- É... vê lá se não começo a fugir novamente!
- Nem penses!!
- Então não me tentes! E agora vou comer qualquer coisa que estou com fome!
A Mariana afastou-se e quem se aproveitou disso foi a minha mãe.
- Filho dá para falarmos?
- Sim, diga!
- A mãe está feliz desde que estejas bem mas não consigo entender o motivo que te levou a esconderes-nos o dia do vosso casamento, gostava tanto de ter participado na preparação nem que fosse só nos pequenos detalhes.
- Oh mãe…
- Oh mãe nada! Ruben desde que vieste para Braga que te tens afastado cada vez mais de nós - olhei-a com admiração talvez por não esperar ouvir tal coisa vinda da minha mãe - e agora fazes uma destas? Sinceramente não te passou pela cabeça que nós como teus pais gostávamos de partilhar contigo todos os momentos que antecederam ao que se passou hoje?
- Mãe ao contrário do que julga percebo-a perfeitamente mas se não partilhei convosco esses momentos foi porque amo a Mariana e por ter consciência que por mais que lhe pedisse para se conter nos comentários e opiniões sobre o casamento não iria conseguir calar-se, mãe a Mariana é especial, não é como a maioria das raparigas que idealizam um casamento de sonho, para o meu amor bastava a nossa presença, a do Martim e do padre para casarmos, ela detesta tudo isto que nos rodeia neste momento, a Mariana tem pavor a ser o centro da “polémica”.
- Por muito que tente entendê-la não consigo! Tudo bem a rapariga pode ter sofrido bastante no passado mas daí a obrigar-te a mudar radicalmente.
- Está enganada… não mudei por obrigação, mudei por amor, segui o meu coração não foi isso que você nos ensinou? Que devemos ser justos com os outros e seguir sempre o que o nosso coração diz? Pois bem… é isso que estou a fazer… mãe se decidi desta forma foi porque quis ser justo com a Mariana, caramba não pode ser sempre ela a ceder, oh mãe você não tem a mínima ideia mas desde que nos conhecemos a Mariana já abdicou de tanta coisa - suspirei - começou logo ao início quando deixou que me aproximasse do Martim, ou quando me viu mal e colocou de lado os fantasmas do passado para apoiar-me, ou quando sem ter obrigação tomou conta de mim quando fui parar ao hospital com o traumatismo ou ainda quando finalmente consegui admitir que a amo e a obriguei a contrariar o irmão porque o puto simplesmente tinha medo que a pudesse afastar dele, ou então quando se entregou a mim como nunca se tinha entregue a ninguém, ou quando voltou a abdicar do seu sonho de se licenciar para realizar um desejo meu que é o de ser pai biológico ou ainda hoje quando descobriu que o pai dela, pessoa que não pode ver nem pintado de ouro, é o meu empresário a vi vacilar no instante que coloquei a hipótese de mudar de representante por isso mãe não condene a minha decisão quando ao pé de tudo o que a Mariana já teve que aceitar não é nada.
- Parece que vou ter que aceitar mais uma… - no momento que a ouvi fechei os olhos talvez por perceber no mesmo instante que se estava a referir ao facto de falar do seu pai com a minha mãe.

E agora será que a Mariana aceita numa boa o descuido do Ruben ou irá este casamento começar “azedo”?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

061 - "Ruben Filipe... tu diz-me que isto não é o que estou a pensar!"


Ruben
Confesso que nunca passou-me pela cabeça casar tão depressa e ainda mais desta forma mas não tive como negar o pedido da Mariana, afinal sei que para ela só o facto de tê-la pedido da forma que fiz já foi demais.
As últimas semanas passaram sem que desse conta, o fim do campeonato chegou e o Braga ficou em terceiro, mas sinceramente nem foi com o final do campeonato que andei preocupado, foi mesmo com a preparação do grande dia que a pedido da Mariana foi tudo organizado pelos dois, também não vai ser nada de exuberante.
Só falta uma semana para o aniversário dela e tenho notado que anda cada vez mais ansiosa, já para não falar que anda impossível de se aturar ainda assim amo-a mais a cada dia que passa.
- Bom dia! - assim que abri os olhos fui brindado com um bom dia bem animado, a Mariana ao contrário dos últimos dias acordou extremamente bem disposta.
- Posso saber o motivo de tanta animação? - perguntei depois de termos separado os nossos lábios.
- Não posso acordar bem-disposta é? - não deixou que respondesse pois voltou a unir as nossas bocas mas desta vez com segundas intenções, a Mariana começou numa de provocar-me e acabamos por nos amar.
- Amor... linda - a Mariana lá elevou a cabeça que estava no meu peito para olhar-me - quando é que contamos ao Martim? - sorriu.
- Hoje?
- Sério?
- Sim... afinal o meu aniversário - gargalhemos os dois - é já daqui a uns dias...
- É tens razão... como será que vai reagir?
- Bem! Afinal quer tanto que isso aconteça... mas deixemos de perder tempo a falar disto e vamos mas é acordá-lo que hoje apetece-me aproveitar o dia convosco.
Acabei por lhe fazer a vontade e depois de estarmos os dois despachados fui acordar o puto enquanto a Mariana foi preparar o nosso pequeno-almoço. Comemos os três com algumas brincadeiras à mistura, coisa que a Mariana não gosta quando estamos à mesa mas por incrível que pareça hoje além de não implicar ainda alinhou nelas levando o Martim a comentar isso mesmo.
- É... estás muito aproveitadinho - refilou enquanto lhe fez algumas cocegas - se a mana refila é porque refila se te deixo brincar é porque deixo...
- Oh mana podes deixar sempre que eu não me importo - foi impossível não gargalharmos perante a resposta do puto.
- Pois mas não pode ser sempre... só às vezes!
- Mana... o que se passa para tares tão contente? - a pergunta do Martim fez com que sorrisse.
- Porquê que se tem de passar alguma coisa?
- Oh mana eu sei que desde que namoras com o Ruben que andas mais contente mas hoje tás ainda mais - sorrimos.
- Piolho anda cá - a Mariana afastou a cadeira de forma que o Martim se pudesse sentar ao colo dela - tens razão... realmente a mana e o Ruben temos uma coisa para te contar...
- Vou ter um mano? - o Martim disparou de imediato o que nos levou a gargalhar - é isso, é?
- Não!
- Ohhh - foi evidente o desânimo no seu rosto.
- Mas é uma coisa boa...
- Oh mas eu queria um mano - sorrimos.
- Amor não é um mano mas é uma coisa que também queres muito - olhou-me algo confuso e depois da Mariana ter-me feito sinal para continuar falei - lindo lembras-te que pedi a mana em casamento?
- Sim.
- Então o que queremos dizer-te é que já temos data...
- Quando é? - perguntou imediatamente e de sorriso no rosto.
Acabamos por lhe dizer o dia e explicar que tinha de manter segredo porque seria uma surpresa, ainda lhe explicamos que iria ser o menino das alianças o que o deixou super contente, lógico que não descansou até saber mais detalhes, algo que calhou-me a mim, sim que a Mariana basicamente despachou o irmão para mim.
O resto do dia foi passado a três bem como os restantes que se seguiram até à véspera do aniversário da Mariana.

Mariana
A última semana passou sem que desse conta talvez por andar de volta dos últimos preparativos para o meu “aniversário”.
Hoje e por imposição da Letícia e da Patrícia mudei-me por uma única noite para a casa da Patrícia, sim que segundo elas já bem bastava o resto que já tínhamos aprontado.
Acordei com as galinhas e com a voz histérica das duas, só me apeteceu mandar a almofada às suas caras mas acabei por reprimir tal pensamento e obedeci às duas, levantei-me e depois de um banho relaxante fui finalmente despachar-me.
- Bem tu estás... - a Patrícia ficou sem palavras assim que me viu, sim apesar de ficar esta última noite na sua casa não dei permissão para que visse o vestido antes de tempo.
- Oh Patrícia diz lá que o Ruben quando a vir não cai de cu - gargalhei com o que a Letícia falou.
- Cai ele e os restantes convidados... mas confesso que o que vai dar-me mais gozo ver é a reação da família do Ruben que quando perceberem o que vocês tramaram... ai vai ser lindo vai...
- E que tal pararem de melgar-me o juízo...
- Ui que ela está a ficar ainda mais nervosa - a Patrícia gozou.
- Amiga... só te vi assim no dia que foste buscar o Martim...
Não respondi, simplesmente virei costas e saí do quarto.
- Mana... tás... tás... tás tão linda! - gargalhamos as três perante a reação do Martim que assim que me viu correu na minha direção, abraçando-me - Mana o Ruben vai ficar totó quando te vir - sorri - sabes eu prometi a ele que tomava conta de ti mas acho que ele é que precisa que alguém tome conta dele...
- Porquê?
- Porque quando te vir vai ficar feito parvo a olhar para ti - sorri ao ouvi-lo e teria continuado aquela conversa de “manos” se não tivesse sido interrompida pelo fotografo para mais umas fotos, sim que apesar do casamento ser algo simples o Ruben “obrigou-me” a tolerar a presença de dois “abutres” durante o dia de hoje porque o meu amor fez questão de ficar com todos os momentos registados.
Com as últimas fotos tiradas chegou finalmente o momento de ir até ao local indicado nos convites de “aniversário” e talvez por ter consciência que o momento de encarar a família e os amigos mais próximos estava cada vez mais perto os nervos tomaram conta de mim.

Ruben
Hoje acordei sem os mimos da Mariana que por culpa da madrinha dela fomos obrigados a dormir em casas separadas, ainda assim acordei super animado afinal de contas dentro de horas seremos finalmente Marido e Mulher.
Estava já a terminar de vestir-me quando o meu telemóvel começou a tocar e pelo toque percebi que era o meu irmão daí pedir ao Nuno que atendesse.
- O que é que queria?
- Saber o motivo pelo qual vocês mandaram-nos diretos à quinta! - gargalhei - Sinceramente ainda estou para perceber como é que conseguiram esconder isto do pessoal todo, principalmente da tua mãe!
- Simples... confesso que nas últimas semanas mas principalmente nos últimos dias pouco tenho falado com eles, normalmente é a Mariana que atende as chamadas.
- Ai... ai... isto realmente... nunca tiveste muito juízo mas conseguiste arranjar para mulher alguém com menos que tu... estou para ver a reação da tua mãe!
- Oh... sei que vou ouvi-la até à quinta geração mas... - suspirei
- Sim... sei... no fundo vai compensar! - sorri ao ouvi-lo - Puto confesso que esperava encontrar-te mais nervoso do que estás!
- E quem te disse que não estou? - sorrimos
- Então disfarças muito bem!
- Oh... no fundo sei que vai correr bem!
- É... tens razão mas para correr bem é melhor irmos andando que se a noiva chega antes já sei que vou ouvir as madrinhas da noiva... sim que se a oficial já é o que é... a emprestada nem te conto - gargalhei - ri-te, ri-te não sabes tu o que tive de ouvir desde que nos comunicaram o que estavam a tramar... basicamente ordenou-me que não te atrasasses com direito a castigo se isso acontecer!
- Não seja por isso... bora!
O caminho até à quinta foi feito com muita conversa à mistura e talvez por isso não dei pelo tempo passar, a verdade é que quando reparei já estava a chegar à Casa de Vessadas, em Barcelos, local escolhido por nós para a realização do casamento, tanto a parte religiosa como a festa em si.
- Preparado?
- Sim...
- Que sim sem convicção foi esse?
- Não stress - gargalhou - não sei onde está a piada!
- Puto... a piada está no facto que até aqui vinhas numa boa mas agora que tens noção que vais levar com as perguntas da malta assim que te virem vestido de pinguim estás cheiinho de medo!
- Epá... pára! - gargalhou.
- Pronto... não digo mais nada... mas vamos lá atirar-te às feras! - continuou a gozar mas confesso que desliguei completamente e uns segundos depois - Preparado?
- Sim!

Nuno
Confesso que desde o dia que os pombinhos nos informaram, a mim e à Patrícia, que afinal o dia do casamento estava mais perto do que se pensava que lá em casa passou a ser tema de conversa, talvez por sabermos que esta ideia no mínimo original que tiveram em usarem a desculpa do aniversário dela para convidarem a família e amigos mais chegados a comparecerem ao casamento sem lhes ser dito ia dar que falar.
Apesar de ser obrigado ao silêncio cumpri na integra o meu papel de padrinho do noivo principalmente na parte de gozar com o desgraçado no momento em que os nervos tomaram conta dele.
A verdade é que até a mim os nervos chegaram, sim que apesar de saber que a família iria aceitar a boa nova também sabia que no início seria um choque, por isso estava com um ligeiro receio ainda assim não o partilhei com os pombinhos.
Fui incumbido pela Letícia e pela Patrícia de levar o noivo até à quinta a tempo e horas, tarefa que cumpri e à hora estipulada pelas duas lá estávamos nós. O caminho da casa do Ruben até à quinta usei-o para gozar com ele, confesso que não resisti ao vê-lo cada vez mais ansioso.
Chegamos e assim que estacionei o carro vi o Ruben a respirar profundamente para sair uns segundos depois quando lhe perguntei se estava preparado. Caminhamos lado a lado numa calma aparente, sim que no exato momento que demos a última curva e ficamos diante dos convidados percebi que a calma fingida dele evaporou-se o que vez com que desse uma valente gargalhada, talvez por ver a falta de reação dele.
- Puto... - dei-lhe um encontrão no braço - acorda!
- Ah! - voltei a rir perante a reação dele que não teve mais tempo para reagir...
- Mano podes explicar o que fazemos à porta de uma capela contigo vestido assim? - se o irmão foi o primeiro a falar a mãe foi a segunda.
- Ruben Filipe - gargalhei afinal sei que a Anabela só o chama de Filipe quando a coisa está “azeda” - tu diz-me que isto não é o que estou a pensar!
- Ah... pois... - por muito que quis parar de rir não consegui - é melhor entrarmos!
- Eu não acredito que nos tenhas feito uma coisa destas!
- Oh pai...
- Puto mas vocês endoidaram, foi?
- Hey... parem lá com isso - acabei por intervir ao ver o meu amigo a não reagir - ok... eles podiam ter feito as cenas de outra forma mas...
- Tu cala-te - a Anabela resmungou com o dedo apontado à minha cara - que sabias desde o início e compactuaste com esta maluquice!
- Chega! - ouvi pela primeira vez o Ruben a falar com convicção - Vocês até podem estar aborrecidos por terem sido convidados supostamente para o aniversário da Mariana quando na verdade foram convidados para o nosso casamento mas daí a dizerem que é maluquice vai uma grande distância! Sim amo a Mariana e sim organizamos o casamento às escondidas mas ou era assim ou não era por isso vão se calar e esperar que ela chegue coisa que está para acontecer daqui a uns minutos por isso vou lá para dentro esperá-la e se quiserem testemunhar este momento muito bem caso contrário podem ir embora! - fiquei perplexo a olhá-lo tal como os restantes convidados - Como é? Vão amuar ou vão ficar para testemunharem o nosso casamento?
- Filho não esperava isto de ti mas se é assim que querem... que seja - a Anabela aproximou-se dele e abraçou-o - O meu pequeno vai casar! - falou já com a voz arrastada devido à emoção.
- Oh mãe... pare lá com isso ou ainda mete o mano a chorar e depois a Mariana ainda pensa que é por arrependimento! - com a saída do Mauro acabamos todos a gargalhar.
- Isso nunca! - a segurança com que o Ruben falou fez-nos sorrir tranquilamente.
Os minutos seguintes serviram para a restante família e amigos cumprimentarem o noivo e depois entramos finalmente.
- Puto acalma-te que a Mariana deve estar a chegar! - falei ao vê-lo a ficar cada vez mais ansioso
- Isso é mais fácil falar do que fazer! - sorri com a resposta dele.
- É... tens razão!
Teria continuado a falar mas calei-me assim que vi a Patrícia a entrar o que serenou o Ruben pois aquilo foi sinal que a Mariana já tinha chegado. Sorri para o meu amor assim que se sentou nos primeiros lugares e logo depois começamos a ouvir a marcha nupcial e em segundos vimos a noiva a entrar acompanhada pelo Martim que vinha de braço dado à irmã, no mesmo instante que a vi também olhei para o Ruben, lógico que o encontrei tal como esperava com os olhos a reluzir, afinal tinha diante de si as duas pessoas que ama e que farão sempre parte da sua vida.
Confesso que fiquei surpreendido ao vê-la, afinal não cumpriu com o que disse, ela andou o tempo todo a dizer que o vestido era simples quando na verdade...

Patrícia
O dia começou cedo mas ainda assim sempre com muita animação e nervos à mistura que agravaram quando chegamos à quinta.
- Amiga tem calma! - a Letícia foi a primeira a falar assim que chegamos à porta da capela.
- Como será que reagiram? - sorrimos as duas ao ouvi-la.
- Realmente só tu... quer dizer tens lá dentro o noivo todo nervosinho à tua espera, sim que se bem o conheço deve estar numa pilha, e a tua preocupação é a reação das pessoas? Oh miúda vamos mas é entrar antes que lhe dê o treco!
- É... tens razão - sorri perante a resposta dela.
Saímos do carro e ajudamo-la com o vestido, foi quando já estava a entrar na capela que ouvi o Martim a pedir para entrar de braço dado com a irmã e assim que olhei para a Mariana encontrei-a de lagrimazita no canto do olho, ela autorizou que o menino fizesse o lugar do pai e depois de lhe dar mais um sorriso de encorajamento entrei finalmente, sentei-me logo nas primeiras filas e ao olhar para o Ruben percebi que estava igual ou pior que ela, os nervos tinham-se apoderado dos dois.
Mas foi no momento que ouvimos a marcha nupcial que a verdadeira emoção apoderou-se dele, o Ruben não conseguiu disfarçar a felicidade que estava a sentir ao vê-la a caminhar lentamente para si e deixou mesmo escapar uma ou outra lágrima mais teimosa, confesso que também me emocionei principalmente no momento que o Martim entregou a irmão ao Ruben ou não fosse o fedelho fazer das deles.
- É para tratares bem da mana ouviste! - o menino falou todo senhor de si o que levou as pessoas mais próximas a gargalharem.
A cerimónia teve início e foi-nos visível o quanto estavam os dois felizes principalmente quando os ouvimos “Eu Ruben, recebo-te por minha esposa a ti Mariana, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença todos os dias da nossa vida”, seguido dela “Eu Mariana, recebo-te por meu esposo a ti Ruben, e prometo ser-te fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença todos os dias da nossa vida”
Aquele momento foi seguido pelo da troca de alianças que foram entregues pelo Martim.
“Mariana recebe esta aliança, como sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

“Ruben recebe esta aliança, como sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
O padre continuou com a cerimónia e quando finalmente chegou o momento do beijo, testemunhamos algo que não esperávamos pelo menos não da parte da Mariana uma vez que foi dela a iniciativa de prolongar ao máximo o beijo, seguiu-se o momento de assinarem os papeis e enquanto o foram fazer os convidados saíram da capela apoderando-se de imediato do arroz e pétalas de rosas para mandarem no instante que os noivos saíram.

Mariana
Se já estava ansiosa quando vi o Ruben no altar ainda mais fiquei no entanto os nervos sumiram no momento que o senti a agarrar-me a mão, isto depois do Martim o avisar que é para o Ruben tratar-me bem. Durante a cerimónia perdi a conta às vezes que o olhei, o sorriso dele dá-me a calma de que preciso e hoje não foi exceção.
Os minutos voaram e quando caí novamente em mim já estava a levar um banho de arroz para pouco tempo depois sentir o meu mundo a desabar por completo...
O que terá acontecido? Como acabará este dia que tinha tudo para ser um dos mais felizes...