domingo, 10 de junho de 2012

028 - “…porque foi por ti que apaixonei-me e não por uma boneca sem cérebro …”


Mariana

Depois da noite repleta de emoções assim que cheguei ao meu quarto caí redonda na cama e foi impossível não recordar o pedido de namoro, apesar de ainda custar-me a nomear o que temos como namoro a ideia não desagrada de todo e acho que serei mesmo capaz de habituar-me a ela, foi a pensar nisso que adormeci.
Acordei cedo e por isso levantei-me, não apetecia-me a ficar na cama muito pelo contrário queria mexer-me e por isso decidi ir dar uma caminhada, vesti uma roupa confortável e depois de comer saí sem rumo mas quando reparei estava na rua da casa do Ruben, não resisti e acabei por tocar à campainha, após insistir durante uns minutos o portão acabou por abrir, entrei e aproximei-me da porta por onde o Ruben espreitava.
- Bom dia - falei de sorriso no rosto e ainda a uns passos dele.
- Que bela forma de começar o dia - gracejou para logo a seguir puxar-me para ele, uni os nossos lábios mas o Ruben fez questão de procurar algo mais no beijo e acabei por entreabrir os lábios dando permissão para a sua língua se encontrar com a minha, estava completamente entregue ao momento que não consegui ter controlo sobre as minhas próprias mãos que não se privaram de percorrer o seu peito despido, não sei se foi isso ou se foi mesmo a vontade dele, só sei que acabei encostada à porta que entretanto ele tinha fechado e com as mãos dele a levantarem a minha t-shirt o que fez com que interrompesse o beijo.
- Desculp… - a ideia dele devia ser pedir desculpa pelo seu atrevimento mas ficou-se pela intenção uma vez que uni novamente as nossas bocas em mais um beijo intenso e duradouro.
- Olha lá isso lá é forma de abrires a porta? - falei quando conseguimos desgrudar um do outro.
- Estás com problemas, é? - beijou-me o pescoço o que provocou-me um arrepio - quase que arrisco dizer que senti aí uma pontinha de ciúme - gargalhou.
- Não até porque não sou tua dona - sorri de forma traçada - mas podias ter vestido qualquer coisita, olha se viesse acompanhada.
- A culpa é tua - olhei-o - desorientas-me - gargalhei - sim que isto de vires de surpresa ainda por cima para retirares-me da cama tem muito que se lhe diga.
- Tadinho do meu menino - sorriu quando ouviu o “meu menino” - ainda estavas a dormir, era?
- Não mas estava na cama a pensar numa certa menina - voltou a beijar-me - e em como queria estar com ela.
- Hum, isso quer dizer que vim atrapalhar? Vê lá se quiseres ir ter com essa menina posso ir embora.
- Deixa-te de disparates, sabes bem que já tenho tudo o que quero - beijou-me - anda - dei-lhe a mão e caminhamos até à sala.
- Não queres ir vestir-te?
- Porquê? Estás com medo de não resistires, é?
- Não, mas pensei que pudéssemos tomar o pequeno-almoço juntos.
- Ainda não comeste?
- Já mas confesso que depois desta caminhada já como outra vez.
- Vieste a pé?
- Ya, porquê?
- Isso foi tudo vontade de estares comigo? - sorriu.
- Não, foi mesmo vontade de caminhar - beijei-o - e agora vai-te vestir enquanto preparo algo para comermos que o menino deve ter treino, não?
- Tenho mas por mim ficava mesmo em casa.
- Deixa de ser parvo e vai-te vestir.
Ele acabou por ir até ao quarto enquanto fui para a cozinha e depois de percorrer os armários todos à procura do que precisava cheguei à conclusão que aquela cozinha estava a precisar de levar uma volta e das grandes. Estava entretida a colocar doce nas torradas do menino quando senti os seus braços em volta da minha cintura mas acabei por pedir que se afastasse para irmos comer, algo que o Ruben fez e sentamo-nos de frente um para o outro.
- Olha lá, não achas que esta cozinha está a precisar de levar uma volta? - não resisti em dar-lhe nas orelhas.
- Desculpa?
- Não sei se desculpo, é que isto mais parece um atentado à minha sanidade mental - ele gargalhou - é que só falta enfiares o açúcar e o café no armário dos detergentes - ele ria - ainda achas piada? Ruben tive que correr os armários todos para encontrar a loiça e a comida.
- Linda isso resolve-se - olhei-o e vi que retirava alguma coisa do bolso das calças - sei que as recusaste em tempo mas agora são tuas por direito - mostrou-me o porta-chaves que tentou dar-me quando comprou a casa - afinal o argumento que usaste foi que não eramos namorados - sorriu - algo que agora já não faz sentido além disso não há razão para teres que tocar à campainha sempre que quiseres entrar já para não falar que tens carta verde para mudares o que quiseres cá em casa, afinal não quero ser acusado de dar contigo em louca porque tenho as coisas fora de sítio - sorriu - toma - esticou-me o braço para que agarra-se nas chaves.
Acabei por agarrar nas chaves o que fez com que o Ruben sorrisse e depois terminamos de comer, arrumei a cozinha enquanto ele foi preparar o saco para levar e quando regressou já estava na sala à sua espera.
- Deixas-me em casa?
- Sim - beijou-me - vamos - sorriu.
- Ya - dei-lhe a mão e só as separamos quando chegamos junto do carro.
O Ruben conduziu até à casa do Nuno e depois de despedir-me dele sai do carro, fiquei a vê-lo a partir e só quando deixei de ver o seu carro é que entrei. Encontrei a Patrícia com o Nuninho e assim que sentei-me no sofá ouvi-a.
- Madrugaste - sorriu.
- Fui caminhar um pouco - respondi serenamente.
- Então e ontem o jantar correu bem?
- Sim.
Teríamos continuado a falar mas o Martim entrou na sala e perguntou imediatamente onde tinha ido, disse-lhe que fui caminhar e por isso não fez mais perguntas, o que permitiu que fosse tomar um duche e passei os minutos seguintes debaixo do chuveiro a pensar no Ruben e no que temos.

***

Passei a manhã toda na brincadeira com o Nuninho e com o Martim junto da piscina, como estava calor resolvi que iríamos aproveitar para estar de “molho” dentro de água, os miúdos adoram estar na piscina e por isso entretivemo-nos a manhã toda.
Estava a torrar ao sol quando ouvi vozes e não foi preciso olhar para saber quem seriam uma vez que o Nuninho assim que viu o pai e o padrinho não só chamou por eles como se levantou e foi a correr ter com pai.
Deixei-me estar deitada e só levantei-me quando eles se aproximaram, o meu olhar cruzou com o do Ruben e sem que tivesse à espera ele cumprimentou-me com um beijo no rosto, confesso que tive vontade de gargalhar ao ver que estava a tentar disfarçar ao máximo o que temos.
- Bons olhos a vejam - o Nuno implicou comigo - sim que a menina vai sair à noite e depois dorme a manhã na cama - gargalhei.
- Para tua informação levantei-me cedo, tão cedo que nos desencontramos, fui caminhar e quando regressei já tinhas saído para o treino.
- Foste caminhar?
- Yap
- Ui o que é que te fez perder o sono? - olhou para o Ruben e depois para mim.
- Nada, acordei só com muita energia acumulada e precisei de a ir gastar.
- Engraçado, tu acordaste com energia a mais, este daqui acordou com falta dela - olhei para o Ruben - e passou o treino todo com a cabeça no mundo da lua.
- Epá vai chatear outro - sorri ao vê-lo irritado.
- Isso é tudo mau feitio? - impliquei com ele.
- Não, é mesmo birra por ter ficado de castigo a dar umas voltas extra por não ter feito nada do que o mister mandou - o Nuno picou-o.
- Não tens vergonha? Com esse tamanho e ainda ficas de castigo? - o nosso amigo gargalhou.
- Fico, fico, vê lá se não queres ficar também - o Nuno olhou intrigado.
- E qual é mesmo o castigo que queres dar-me? É que se for deixar de falar comigo não será castigo mas sim alivio.
- Puto não aprendes mesmo, sabes que ela responde sempre mas insistes em picá-la - sorri ao ver o falso amuo do Ruben.
- Nuno é melhor deixarmos a criança sossegada antes que comece a chorar.
O Ruben ainda ripostou mas não liguei e por isso deitei-me na toalha com ele sentado do meu lado e o Nuno do outro com o filho ao colo. Ficamos na conversa até o Martim aparecer e desafiar o Ruben para dar uns toques na bola com ele, lógico que a criança mor alinhou imediatamente e por isso fiquei a deliciar-me ao vê-los a brincar.
- Quando é que admitem? - olhei para o Nuno.
- Admitir o quê?
- Mariana achas mesmo que somos cegos?
- Não.
- Então não tentes tapar o sol com a peneira.
Não respondi porque somos chamados para almoçar, sentei-me do lado do Ruben algo que ele aproveitou para descansar a sua mão na minha perna, olhei-o de lado mas não abri a boca, até porque tínhamos o Nuno e o meu irmão diante de nós. Comemos com muita conversa à mistura e no fim fomos até à sala, estávamos a conviver quando fui adormecer o Nuninho, estava na hora da sesta e por isso deixei-os sozinho.
Quando regressei à sala não os encontrei, fui ao jardim mas também não os vi, acabei por ir até à sala das “crianças mor” como lhe chamo e foi lá que os encontrei, estavam a jogar snooker.
- Queres jogar?
- Ó Nuno sabes bem que não consigo entender-me com um taco nas mãos - o Ruben gargalhou - o que foi?
- Sabes que isso é só uma questão de prática e de jeitinho - gozou.
- É? Então em vez de estares a gozar se ensinasses não era bem melhor?
- Não seja por isso - toma - deu-me para as mãos um taco e começou a tentar explicar-me a forma de agarrar naquilo.
Escusado será dizer que proporcionei uma tarde de gargalhadas, pois o meu jeito para snooker pura e simplesmente não existe, no entanto deu para nos divertir à brava, foi de tal forma que nem demos pelas horas passarem e só reparamos quando vimos a Patrícia a entrar com o filho no colo.
O Ruben foi convidado a jantar algo que aceitou na hora e ainda ficou connosco durante as horas seguintes, foi quando estava a vestir o pijama ao Nuninho que o vi a entrar no quarto, ele esperou que deitasse o menino para se aproximar.
- O que é que pensas que estás a fazer? - perguntei quando os seus lábios já passeavam pelo meu pescoço.
- Nada de mal - sorriu - mas isto de passar a tarde toda do teu lado sem poder beijar-te não é fácil - falou a olhar para o afilhado que lutava para manter os olhos abertos, uma vez que o “João Pestana” já estava a atacar.
- Pois mas é melhor que te habitues à ideia porque é isso que vai acontecer todos os dias.
- Não estou a queixar-me - olhei-o - mas não posso dizer que esta situação agrada-me quando não é verdade.
- Compreendo o que queres dizer mas mesmo assim mantenho o que sempre disse, desde o início que fiz questão de dizer-te a verdade.
- Eu sei - levou a mão à minha cara o que fez com que o olhasse - tal como sei que aceitei e não estou a pensar mudar de ideias no entanto acho que devemos ser sempre sinceros um com o outro daí ter dito que estar do teu lado e não poder beijar-te não é fácil - sorri ao ouvi-lo - linda não estou a cobrar nada, entendes?
- Sim - aproximei-me e uni os nossos lábios - está melhor assim? - sorriu.
- Muito melhor.
- Pois mas agora vamos embora que o Nuninho já adormeceu - falei ao vê-lo a dormir.
- Amanhã dá para passarmos a tarde juntos?
- Talvez, mas mentaliza-te que esse juntos vai ser a três.
- Não há meio da aulas do Martim começar - sorri ao ouvir o seu desabafo - mas agora tenho que ir que amanhã tenho treino.
- Tudo bem - aproveitei que estávamos à porta do meu quarto para a abrir e puxá-lo - mas antes quero o meu beijo de despedida - coloquei os meus braços à volta do seu pescoço e uni as nossas bocas, deixando que as nossas línguas se encontrassem - vá agora vai-te lá embora.
- Amanhã depois ligo-te para saber se dá para estarmos juntos.
- Fico à espera - sorri e depois de nos beijarmos novamente o Ruben saiu do meu quarto.
Acabei por atirar-me para cima da cama e só após uns minutos é que levantei-me para vestir o pijama, estava já deitada quando o meu telemóvel tocou e ao ver que era a Letícia atendi tive vários minutos à conversa com ela a contar-lhe os últimos acontecimentos que a deixar super animada mas acabei por despedi-me dela e no fim de desligar adormeci serenamente com a certeza que amanhã será um novo dia e que não irei fugir mais daquilo que quero.

***

Acordei com o telemóvel a tocar atendi sem ver quem era mas assim que percebi tratar-se do Ruben um sorriso surgiu no meu rosto, ficamos uns minutos a trocar umas palavras melosas mas acabamos por desligar, isto depois de lhe garantir que passaríamos a tarde juntos.
Levantei-me e fui ver o meu pequenino como o Nuninho ainda dormia fui até à cozinha perguntar à D. Joana se precisava de ajuda mas a senhora correu comigo da cozinha porque a Patrícia deu-lhe indicações que sou unicamente a babá do Nuninho e como tal o resto do trabalho é da sua responsabilidade, lógico que não tenho feitio para virar a cara e não ajudar por isso mesmo sem ela querer ajudo-a sempre que posso.
Tomei o pequeno-almoço com os meus amigos e com o Martim para depois ir cuidar do Nuninho que entretanto tinha acordado, estava a vesti-lo quando o Martim entrou no quarto com o meu telemóvel.
- Mana é a avó do Ricardo, ela quer falar contigo.
Agarrei no telemóvel e após uns minutos a falar com a senhora concordei em deixar o Martim ir passar o dia com o Ricardo, afinal o amigo está a passar por um momento difícil e precisa de se distrair, além disso ficava com o dia só para mim e para o Ruben.
Avisei a D. Joana que iria sair com o Nuninho, que se perguntassem por nós que dissesse que tínhamos ido passear, a senhora não questionou e por isso agarrei nos meus dois amores e saí de casa. Passei pela casa do Ricardo onde deixei o Martim e segui para a do Ruben. Aproveitei o facto de estar no treino para dar um jeito à casa que bem estava a precisar, comecei pela cozinha que era o que sabia que estava pior mas acabei por dar uma volta pela casa toda sempre com o Nuninho por perto. Estava a acabar de colocar a mesa quando ouvi a porta a abrir não perdi tempo e fui ter com ele, o Ruben estava a olhar em volta, talvez porque não estava a reconhecer a sala uma vez que tinha agora um ar mais decente.
- Resolveste fazer uso às chaves, foi? - falou enquanto se aproximava.
- Diz lá que isto não está com um ar mais decente?
O Ruben sorriu mas não respondeu até porque puxou-me para si beijando-me demoradamente.
- Já tinha saudades tuas - sorri ao ouvi-lo.
- Acredito mas como beijos não matam a fome o que dizes de irmos almoçar antes que fique frio.
- Ui além de dares um ar decente à sala ainda fizeste o almoço?
- Sim e para que conste também limpei o resto da casa.
- Mariana, não te dei a chave para virares minha empregada.
- Deixa-te de coisas, não custou nada e depois tens que admitir que a casa já estava mesmo a precisar de ser “apresentada” a uma mulher - ele gargalhou.
- Mesmo assim - calei-o com um beijo.
- Ruben, vamos ver se nos entendemos, não é porque estou contigo que vou deixar de fazer a minha vida normalmente e muito menos vou dar numa de dondoca e deixar as esfregonas e panos do pó de lado, cresci a aprender a desenvencilhar-me sozinha, a fazer as minhas próprias coisas, a limpar não só o que sujo mas como o que os outros sujam e desarruam, nunca tive vergonha de dizer que sou empregada e não é por estarmos juntos que vou começar a ter, até porque não faço intenções de deixar de ser quem sou ou aceitas-me assim ou então o melhor é seguirmos caminhos separados, porque não vou negar as minhas origens e muito menos tenciono deixar de trabalhar.
- Já acabaste? - perguntou assim que calei-me.
- Sim.
- Então agora é a minha vez de falar - olhei-o - não quero que deixes de trabalhar primeiro porque não tenho o direito de exigir isso e depois porque nunca irias permitir, é verdade que és empregada, que limpas o que os outros sujam mas não tenho qualquer problema com isso, é uma profissão como outra qualquer e que merece todo o respeito. Mariana, não quero que deixes de ser quem és, porque foi por ti que apaixonei-me e não por uma boneca sem cérebro, tenho orgulho na pessoa que és e para mim é isso que interessa, não quero saber o que os outros possam pensar porque sei quem tenho em casa à minha espera, os outros podem ter as mulheres perfeitas, lindas de morrer mas que quando olhamos com atenção percebemos que só as têm porque as sustentam, prefiro ter uma mulher que trabalha do que ter uma que acorda a pensar onde vai gastar aquilo que ganho com o meu suor, prefiro ter uma empregada que é honesta e verdadeira do que alguém que sorri e diz que sim a tudo só para continuar a viver à grande e à francesa, prefiro chegar a casa e ver a pessoa de quem gosto a cozinhar do que vê-la a discutir com as amigas a roupa que alguém levou a determinado evento, quero uma mulher que apoie e que alerte-me quando acha que estou errado, quero alguém que esteja do meu lado mas principalmente que tenha a capacidade de lutar contra as adversidades da vida, quero alguém que queira uma família, que queira ser mãe, que bata o pé e diga não faço porque não concorda comigo, resumindo quero uma mulher normal igual a tantas outras que andam por este mundo fora e não uma dondoca, porque isso foi o que tive no passado e garanto que não é o que quero no presente e muito menos no futuro.
Mariana, caso ainda não tenhas entendido, é por seres o oposto da maioria das mulheres com quem privo que fez com olhasse para ti, que faz com que te deseje e que te queira para minha namorada.
- Então se achas isso tudo porquê que atrofiaste só porque passei a manhã a limpar a casa? - ele sorriu.
- Se queres vir cá limpar a casa não vou opor-me desde que não me troques por uma esfregona podes vir cá as vezes que quiseres não tenho qualquer problema com isso e muito menos atrofiei por teres limpo a casa só acho que já tens trabalho que chegue na casa do Nuno.
Não respondi simplesmente o beijei e depois puxei-o pela mão para irmos almoçar, comemos com algumas brincadeiras à mistura e na companhia do seu afilhado, até que lembrei-me de algo e tive que falar.
- Ruben, desde quando é que tens uma moldura no teu quarto com uma foto nossa e do Martim? - ele olhou-me.
- Desde que regressei a Braga, porquê? - olhou-me.
- Ruben, preferia que não tivesses fotos do Martim espalhadas pela casa.
- Porquê?
- Porque alguém pode ver.
- Mariana a única foto que tenho nossa, cá em casa, é essa que está no meu quarto sítio da casa que além de mim só entras tu por isso qual é o mal?
- Mesmo assim preferia que retirasses a foto.
- Sinceramente não vejo qual é o mal mas se quiseres que tire tudo bem.
- Ruben, se queres ter uma foto nossa escolhe uma em que não esteja o Martim.
- Porquê que não posso ter uma foto de nós os três?
- Uma coisa é teres uma foto nossa outra é teres uma dos três - olhou-me - sei que isto vai soar estranho mas - hesitei - Ruben para todos os efeitos o Martim não te é nada.
- Não concordo com isso - olhou-me - ele é teu irmão, és tu que o estás a criar e se namoramos o Martim acaba por ser um bocadinho meu, neste momento para ele não passo de um amigo vosso mas daqui a algum tempo serei o namorado da irmã e talvez o pai que não tem - olhei-o - amo-te e não estou a dizê-lo da boca para fora, se o digo é porque estou consciente do que falo, sei que nunca serei o pai dele nem é isso que quero mas a verdade é que serei a referência masculina mais perto que terá de um pai. Mariana para mim não tem sentido deixar o Martim de lado, ele faz parte de ti, é a razão do teu viver, é por ele que lutas diariamente contra as adversidades da vida, conheci-te em grande parte por culpa dele uma vez que foi pelo Martim que vieste para Braga, a tua primeira prioridade foi, é e será sempre o miúdo por isso vais desculpar-me mas o puto também é um bocadinho meu, posso só vos ter conhecido agora mas quando apaixonei-me por ti o Martim já existia, tenho-vos aos dois no meu coração logo não peças para fingir que ele não existe.
Não consegui dizer nada porque já estava a chorar, as palavras dele tocaram-me de uma forma inexplicável, talvez porque nunca tive ninguém do meu lado que entendesse o que o Martim significa para mim, o Ruben sem nunca lhe ter pedido incluiu o meu irmão no nosso namoro, perceber que para ele a nossa relação só faz sentido se tiver o Martim do nosso lado tranquilizou-me, deu-me uma paz interior que há muito não sentia.
O Ruben deve ter percebido que estava sem palavras porque levantou-se para abraçar-me, fiquei nos seus braços até que as lágrimas secaram.
- É incrível como quanto mais conheço mais quero conhecer - suspirei levando-o a sorrir.
- Se te serve de consolo fica a saber que estamos em sintonia - olhou-me - porque quanto mais tenho mais quero - sorriu - e não estou disposto a abdicar de ti por nada nem por ninguém - beijou-me - não queres ir para o sofá - perguntou-me - lá estamos melhor - sorri ao ouvi-lo e depois de concordar com o Ruben fomo-nos sentar no sofá, ficamos a brincar com o Nuninho mas quando percebi que o menino estava a ficar com sono fui adormecê-lo.
- Mariana - olhei para a porta do quarto - o menino não vai cair da cama - sorri ao ouvi-lo.
- Não tenciono deixá-lo sozinho.
- Fogo se não é o Martim é o Nuninho - olhei-o com uma vontade tremenda de rir - mas será que não dá para termos um momento só nosso?
- Anda cá bebé - sorri ao ver a carinha dele de menino abandonado - lá porque não vou deixar o Nuninho sozinha não quer dizer que não possas ficar connosco - beijei-o - a cama é suficientemente grande para cabermos os três - sorriu mas não respondeu, até porque beijei-o novamente e quando dei por isso já estava deitada na cama com o Ruben a mimar-me.
Os minutos seguintes foram para namorarmos estava totalmente entregue ao momento que acabei deitada em cima dele sem ter percebido muito bem como no entanto deixei-me ficar, por incrível que pareça sinto-me confortável, talvez por o Ruben nunca ter forçado nada, só sei que com ele sinto que posso estar tranquila, que posso confiar nele e talvez por isso não faz-me confusão estar tão próxima dele.
- Linda - olhei-o - estou com receio da reação do Martim quando lhe contarmos.
- Não vai ser fácil, além de nunca lhe ter apresentado nenhum rapaz como meu namorado, o meu irmão está habituado a ter-me só para ele ou melhor a dividir-me só com crianças mais novas e não com uma criança maior que ele - o Ruben sorriu - já para não falar que o Martim já disse que não quer que namore mas isso não vai impedir-me de ficar contigo.
- E se ele não aceitar o nosso namoro? - percebi que o Ruben estava com receio que o deixasse se o meu irmão pedisse talvez porque sabe que para mim o Martim é tudo.
- Ruben - sentei-me no meio das suas pernas para o poder olhar melhor - duvido que isso vá acontecer o meu irmão já te conhece e vocês até se entendem bem.
- Isso é tudo verdade mas o Martim pode não aceitar.
- Está com receio que te deixe por causa do Martim? - ele olhou-me.
- Sim - sorri ao ouvi-lo - afinal ambos sabemos que o Martim vem sempre em primeiro, que por ele fazes tudo, o que é perfeitamente normal.
- Não te preocupes com isso - ele interrompeu-me.
- Será que ainda não percebeste que a cada dia que passa o que sinto por ti aumenta? Que quero mesmo que resulte, que quero amar-te sem receio de sair magoado.
- Ruben quando falei para não te preocupares queria dizer que por muito que o Martim estranhe e até peça para deixar-te não o vou fazer, ao contrário do que pensas não faço as vontades todas ao puto, só faço aquelas que acho que devo fazer e ele decidir a minha vida é uma das coisas que não aceito nem nunca permite que o fizesse. O Martim vem sempre em primeiro e se nunca apresentei ninguém a ele não foi com medo ou receio da reação dele mas sim porque nunca tive ninguém do meu lado que o aceitasse verdadeiramente, que percebesse que tenho um irmão mas que na realidade é um filho.
- Só espero que quando lhe contares mantenhas a mesma opinião.
- Hey - voltei a deitar-me em cima dele, colocando o queixo no seu peito de forma a poder olhá-lo - é impressão minha ou estás com medo que um puto de sete anos consiga levar a melhor sobre ti?
- Mariana não é um puto qualquer - olhou-me - é o teu puto, que por sinal é o responsável por teres desistido dos teus sonhos para lhe dares a infância que nunca tiveste - beijei-o.
- O Martim não é só o responsável por ter desistido de estudar, é também o responsável por nos termos conhecido porque se não fosse por ele não tinha vindo para Braga e os nossos caminhos não se teriam cruzado, Ruben o que quero dizer é que não precisas ficar preocupado com o facto de seres ou não aceite pelo Martim.
- Isso é fácil de falar mas é difícil de acreditar - olhava-me com carinha de cachorro abandonado o que fez com que sorrisse - vou estar sempre em desvantagem mesmo que digas o contrário sei que se o Martim não aceitar o nosso namoro que mais cedo ou mais tarde acabas por saltar fora.
- Nunca pensei que ficasses tão inseguro em relação a isto.
- Mariana gosto mesmo de ti e não estou a brincar quando o afirmo, posso ter levado tempo a admitir para mim mesmo mas desde que o fiz que é impossível não pensar em ti, se soubesses o que custa fingir que somos só amigos sempre que estamos com outras pessoas ou as saudades que sinto sempre que ficamos sem nos vermos percebias o meu receio.
Não consegui dizer nada, tê-lo diante de mim a admitir tal coisa deixou-me sem palavras, por isso mesmo beijei-o, um beijo simples mas que acabamos por intensificar, ficamos a namorar até que um pedido dele interrompeu a troca de mimos.
- Gostava de passar a noite contigo.
- Não leves a mal mas ainda é cedo para isso.
- Tens medo que tente alguma coisa, é?
- Não.
- Então aceita, não precisa ser hoje porque sei que tens o Martim mas - interrompi-o.
- Posso saber o motivo deste pedido?
- Porque apetece-me dormir abraçado a ti - beijou-me.
- Não me parece - interrompeu-me.
- Não confias em mim? - olhei-o sem entender a pergunta.
- O que queres dizer com isso?
- Que não aceitas porque tens receio que tente alguma coisa - sorri ao ouvi-lo.
- Não é nada disso, se fosse por ter medo do que pudesse acontecer não estaria aqui e muito menos deitada tão perto de ti.
- Queres falar sobre isso? - voltou a insistir no mesmo assunto por isso acabei por abrir o jogo.
- Pergunta lá o que queres saber.
- Tens a certeza?
- Sim - sorri - podes perguntar o que quiseres.

Será que a Mariana vai conseguir responder às questões todas? O que irá o Ruben perguntar?

9 comentários:

  1. Isto não se acaba assim!!!

    Então parasse uma conversa destas a meio?!
    Eu quero perguntas e respostas!!!

    Rápido por favor!!
    Ah e sem "chantagem" ;)

    Bjokinhas
    Mariaa

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    Respostas
    1. Ah... chantagem nada... só estou a lutar pelos meus direitos de leitora... ou achas que isto é só exigir capítulos novos aqui à minha pessoa sem darem nada em troca???

      Na na ni na não... por isso queres ler mais... mexe os dedinhos :P

      Bjs

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  2. Olá :)
    Mas isto é lá forma de acabar?
    Quero mais e rápido!
    Beijinhos
    Rita

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  3. A conversa do capitulo anterior será qe vem á baila no próximo? Estou curiosíssima! ^^
    Isto cada vez vem melhor e também estou com a pulga na orelha de saber como é qe o Martim irá reagir ao casalinho...
    E qe venha o próximo rapidinho!
    Beijinhoo

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  4. fabuloso...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...continua...

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  5. Mau, outra vez a mesma conversa? Da primeira vez ela não respondeu será que é agora? Que comece o segundo round...
    Concordo com as meninas, Catarina Maria isto não são maneiras de se terminar um capitulo.
    O Ruben tá com medinho do puto, e é bom que tenha, os putos ás vezes são lixados, e este agarradinho à irmã como ele é, é bom que o Ruru se ponha a pau.
    Agora toca de dar corda ao dedinhos, que isto assim não pode ser.
    Quero o próximo, bandeia-te.

    Beijocas

    Fernanda

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  6. Então, cadê a resposta da Mari que o Ruben fez no capítulo anterior? Quer me ver louca? È que só pode! u-u E esse? Isso é lá forma de acabar moça?
    Estou aqui entretida, achando que é desta que ela conta tudinho, quando tu acabas ¬.¬

    Quero mais rapidinho, beijinhos! :*

    Gabii

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  7. Ai o Martim está ali a causar umas inseguranças no Ruben que não devia ..
    Vamos lá ver como a Senhora escritora resolveu a situação .. ;)

    Sabes que gosto muito minha linda, continua .. :)

    Beijinho

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  8. Muito bom, adoro!!!
    Acho que a Mariana e o Rúben vão ter de contar pelo menos ao Nuno e à mulher... :D
    Tinhas mesmo de acabar agora??? A minha sorte é que vou já ler o seguinte ;)
    Beijinhos.

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