Mariana
Depois da noite repleta de emoções assim que cheguei ao meu
quarto caí redonda na cama e foi impossível não recordar o pedido de namoro,
apesar de ainda custar-me a nomear o que temos como namoro a ideia não
desagrada de todo e acho que serei mesmo capaz de habituar-me a ela, foi a
pensar nisso que adormeci.
Acordei cedo e por isso levantei-me, não apetecia-me a ficar
na cama muito pelo contrário queria mexer-me e por isso decidi ir dar uma
caminhada, vesti uma roupa confortável e depois de comer saí sem rumo mas
quando reparei estava na rua da casa do Ruben, não resisti e acabei por tocar à
campainha, após insistir durante uns minutos o portão acabou por abrir, entrei
e aproximei-me da porta por onde o Ruben espreitava.
- Bom dia - falei
de sorriso no rosto e ainda a uns passos dele.
- Que bela forma de
começar o dia - gracejou para logo a seguir puxar-me para ele, uni os
nossos lábios mas o Ruben fez questão de procurar algo mais no beijo e acabei
por entreabrir os lábios dando permissão para a sua língua se encontrar com a
minha, estava completamente entregue ao momento que não consegui ter controlo
sobre as minhas próprias mãos que não se privaram de percorrer o seu peito
despido, não sei se foi isso ou se foi mesmo a vontade dele, só sei que acabei
encostada à porta que entretanto ele tinha fechado e com as mãos dele a
levantarem a minha t-shirt o que fez com que interrompesse o beijo.
- Desculp… - a
ideia dele devia ser pedir desculpa pelo seu atrevimento mas ficou-se pela
intenção uma vez que uni novamente as nossas bocas em mais um beijo intenso e
duradouro.
- Olha lá isso lá é
forma de abrires a porta? - falei quando conseguimos desgrudar um do outro.
- Estás com
problemas, é? - beijou-me o pescoço o que provocou-me um arrepio - quase que arrisco dizer que senti aí uma
pontinha de ciúme - gargalhou.
- Não até porque não
sou tua dona - sorri de forma traçada - mas podias ter vestido qualquer coisita, olha se viesse acompanhada.
- A culpa é tua -
olhei-o - desorientas-me - gargalhei
- sim que isto de vires de surpresa
ainda por cima para retirares-me da cama tem muito que se lhe diga.
- Tadinho do meu
menino - sorriu quando ouviu o “meu menino” - ainda estavas a dormir, era?
- Não mas estava na
cama a pensar numa certa menina - voltou a beijar-me - e em como queria estar com ela.
- Hum, isso quer
dizer que vim atrapalhar? Vê lá se quiseres ir ter com essa menina posso ir
embora.
- Deixa-te de
disparates, sabes bem que já tenho
tudo o que quero - beijou-me - anda
- dei-lhe a mão e caminhamos até à sala.
- Não queres ir
vestir-te?
- Porquê? Estás com
medo de não resistires, é?
- Não, mas pensei que
pudéssemos tomar o pequeno-almoço juntos.
- Ainda não comeste?
- Já mas confesso que
depois desta caminhada já como outra vez.
- Vieste a pé?
- Ya, porquê?
- Isso foi tudo
vontade de estares comigo? - sorriu.
- Não, foi mesmo
vontade de caminhar - beijei-o - e
agora vai-te vestir enquanto preparo algo para comermos que o menino deve ter
treino, não?
- Tenho mas por mim
ficava mesmo em casa.
- Deixa de ser parvo
e vai-te vestir.
Ele acabou por ir até ao quarto enquanto fui para a cozinha
e depois de percorrer os armários todos à procura do que precisava cheguei à
conclusão que aquela cozinha estava a precisar de levar uma volta e das
grandes. Estava entretida a colocar doce nas torradas do menino quando senti os
seus braços em volta da minha cintura mas acabei por pedir que se afastasse
para irmos comer, algo que o Ruben fez e sentamo-nos de frente um para o outro.
- Olha lá, não achas
que esta cozinha está a precisar de levar uma volta? - não resisti em
dar-lhe nas orelhas.
- Desculpa?
- Não sei se
desculpo, é que isto mais parece um atentado à minha sanidade mental - ele
gargalhou - é que só falta enfiares o
açúcar e o café no armário dos detergentes - ele ria - ainda achas piada? Ruben tive que correr os armários todos para
encontrar a loiça e a comida.
- Linda isso
resolve-se - olhei-o e vi que retirava alguma coisa do bolso das calças - sei que as recusaste em tempo mas agora são
tuas por direito - mostrou-me o porta-chaves que tentou dar-me quando
comprou a casa - afinal o argumento que
usaste foi que não eramos namorados - sorriu - algo que agora já não faz sentido além disso não há razão para teres
que tocar à campainha sempre que quiseres entrar já para não falar que tens
carta verde para mudares o que quiseres cá em casa, afinal não quero ser
acusado de dar contigo em louca porque tenho as coisas fora de sítio -
sorriu - toma - esticou-me o braço
para que agarra-se nas chaves.
Acabei por agarrar nas chaves o que fez com que o Ruben
sorrisse e depois terminamos de comer, arrumei a cozinha enquanto ele foi
preparar o saco para levar e quando regressou já estava na sala à sua espera.
- Deixas-me em casa?
- Sim - beijou-me
- vamos - sorriu.
- Ya - dei-lhe a
mão e só as separamos quando chegamos junto do carro.
O Ruben conduziu até à casa do Nuno e depois de despedir-me
dele sai do carro, fiquei a vê-lo a partir e só quando deixei de ver o seu
carro é que entrei. Encontrei a Patrícia com o Nuninho e assim que sentei-me no
sofá ouvi-a.
- Madrugaste -
sorriu.
- Fui caminhar um
pouco - respondi serenamente.
- Então e ontem o
jantar correu bem?
- Sim.
Teríamos continuado a falar mas o Martim entrou na sala e
perguntou imediatamente onde tinha ido, disse-lhe que fui caminhar e por isso
não fez mais perguntas, o que permitiu que fosse tomar um duche e passei os
minutos seguintes debaixo do chuveiro a pensar no Ruben e no que temos.
***
Passei a manhã toda na brincadeira com o Nuninho e com o
Martim junto da piscina, como estava calor resolvi que iríamos aproveitar para
estar de “molho” dentro de água, os miúdos adoram estar na piscina e por isso
entretivemo-nos a manhã toda.
Estava a torrar ao sol quando ouvi vozes e não foi preciso
olhar para saber quem seriam uma vez que o Nuninho assim que viu o pai e o
padrinho não só chamou por eles como se levantou e foi a correr ter com pai.
Deixei-me estar deitada e só levantei-me quando eles se
aproximaram, o meu olhar cruzou com o do Ruben e sem que tivesse à espera ele
cumprimentou-me com um beijo no rosto, confesso que tive vontade de gargalhar
ao ver que estava a tentar disfarçar ao máximo o que temos.
- Bons olhos a vejam
- o Nuno implicou comigo - sim que a
menina vai sair à noite e depois dorme a manhã na cama - gargalhei.
- Para tua informação
levantei-me cedo, tão cedo que nos desencontramos, fui caminhar e quando
regressei já tinhas saído para o treino.
- Foste caminhar?
- Yap
- Ui o que é que te
fez perder o sono? - olhou para o Ruben e depois para mim.
- Nada, acordei só
com muita energia acumulada e precisei de a ir gastar.
- Engraçado, tu
acordaste com energia a mais, este daqui acordou com falta dela - olhei
para o Ruben - e passou o treino todo
com a cabeça no mundo da lua.
- Epá vai chatear
outro - sorri ao vê-lo irritado.
- Isso é tudo mau
feitio? - impliquei com ele.
- Não, é mesmo birra
por ter ficado de castigo a dar umas voltas extra por não ter feito nada do que
o mister mandou - o Nuno picou-o.
- Não tens vergonha?
Com esse tamanho e ainda ficas de castigo? - o nosso amigo gargalhou.
- Fico, fico, vê lá
se não queres ficar também - o Nuno olhou intrigado.
- E qual é mesmo o
castigo que queres dar-me? É que se for deixar de falar comigo não será castigo
mas sim alivio.
- Puto não aprendes
mesmo, sabes que ela responde sempre mas insistes em picá-la - sorri ao ver
o falso amuo do Ruben.
- Nuno é melhor
deixarmos a criança sossegada antes que comece a chorar.
O Ruben ainda ripostou mas não liguei e por isso deitei-me
na toalha com ele sentado do meu lado e o Nuno do outro com o filho ao colo.
Ficamos na conversa até o Martim aparecer e desafiar o Ruben para dar uns
toques na bola com ele, lógico que a criança mor alinhou imediatamente e por
isso fiquei a deliciar-me ao vê-los a brincar.
- Quando é que
admitem? - olhei para o Nuno.
- Admitir o quê?
- Mariana achas mesmo
que somos cegos?
- Não.
- Então não tentes
tapar o sol com a peneira.
Não respondi porque somos chamados para almoçar, sentei-me
do lado do Ruben algo que ele aproveitou para descansar a sua mão na minha
perna, olhei-o de lado mas não abri a boca, até porque tínhamos o Nuno e o meu
irmão diante de nós. Comemos com muita conversa à mistura e no fim fomos até à
sala, estávamos a conviver quando fui adormecer o Nuninho, estava na hora da
sesta e por isso deixei-os sozinho.
Quando regressei à sala não os encontrei, fui ao jardim mas
também não os vi, acabei por ir até à sala das “crianças mor” como lhe chamo e
foi lá que os encontrei, estavam a jogar snooker.
- Queres jogar?
- Ó Nuno sabes bem
que não consigo entender-me com um taco nas mãos - o Ruben gargalhou - o que foi?
- Sabes que isso é só
uma questão de prática e de jeitinho - gozou.
- É? Então em vez de
estares a gozar se ensinasses não era bem melhor?
- Não seja por isso -
toma - deu-me para as mãos um taco e começou a tentar explicar-me a forma de
agarrar naquilo.
Escusado será dizer que proporcionei uma tarde de
gargalhadas, pois o meu jeito para snooker pura e simplesmente não existe, no
entanto deu para nos divertir à brava, foi de tal forma que nem demos pelas
horas passarem e só reparamos quando vimos a Patrícia a entrar com o filho no
colo.
O Ruben foi convidado a jantar algo que aceitou na hora e
ainda ficou connosco durante as horas seguintes, foi quando estava a vestir o
pijama ao Nuninho que o vi a entrar no quarto, ele esperou que deitasse o
menino para se aproximar.
- O que é que pensas
que estás a fazer? - perguntei quando os seus lábios já passeavam pelo meu
pescoço.
- Nada de mal -
sorriu - mas isto de passar a tarde toda
do teu lado sem poder beijar-te não é fácil - falou a olhar para o afilhado
que lutava para manter os olhos abertos, uma vez que o “João Pestana” já estava
a atacar.
- Pois mas é melhor
que te habitues à ideia porque é isso que vai acontecer todos os dias.
- Não estou a
queixar-me - olhei-o - mas não posso
dizer que esta situação agrada-me quando não é verdade.
- Compreendo o que
queres dizer mas mesmo assim mantenho o que sempre disse, desde o início que
fiz questão de dizer-te a verdade.
- Eu sei - levou
a mão à minha cara o que fez com que o olhasse - tal como sei que aceitei e não estou a pensar mudar de ideias no
entanto acho que devemos ser sempre sinceros um com o outro daí ter dito que
estar do teu lado e não poder beijar-te não é fácil - sorri ao ouvi-lo - linda não estou a cobrar nada, entendes?
- Sim -
aproximei-me e uni os nossos lábios - está
melhor assim? - sorriu.
- Muito melhor.
- Pois mas agora
vamos embora que o Nuninho já adormeceu - falei ao vê-lo a dormir.
- Amanhã dá para
passarmos a tarde juntos?
- Talvez, mas mentaliza-te
que esse juntos vai ser a três.
- Não há meio da aulas
do Martim começar - sorri ao ouvir o seu desabafo - mas agora tenho que ir que amanhã tenho treino.
- Tudo bem -
aproveitei que estávamos à porta do meu quarto para a abrir e puxá-lo - mas antes quero o meu beijo de despedida
- coloquei os meus braços à volta do seu pescoço e uni as nossas bocas,
deixando que as nossas línguas se encontrassem - vá agora vai-te lá embora.
- Amanhã depois
ligo-te para saber se dá para estarmos juntos.
- Fico à espera -
sorri e depois de nos beijarmos novamente o Ruben saiu do meu quarto.
Acabei por atirar-me para cima da cama e só após uns minutos
é que levantei-me para vestir o pijama, estava já deitada quando o meu
telemóvel tocou e ao ver que era a Letícia atendi tive vários minutos à
conversa com ela a contar-lhe os últimos acontecimentos que a deixar super
animada mas acabei por despedi-me dela e no fim de desligar adormeci
serenamente com a certeza que amanhã será um novo dia e que não irei fugir mais
daquilo que quero.
***
Acordei com o telemóvel a tocar atendi sem ver quem era mas
assim que percebi tratar-se do Ruben um sorriso surgiu no meu rosto, ficamos
uns minutos a trocar umas palavras melosas mas acabamos por desligar, isto
depois de lhe garantir que passaríamos a tarde juntos.
Levantei-me e fui ver o meu pequenino como o Nuninho ainda
dormia fui até à cozinha perguntar à D. Joana se precisava de ajuda mas a
senhora correu comigo da cozinha porque a Patrícia deu-lhe indicações que sou
unicamente a babá do Nuninho e como tal o resto do trabalho é da sua
responsabilidade, lógico que não tenho feitio para virar a cara e não ajudar
por isso mesmo sem ela querer ajudo-a sempre que posso.
Tomei o pequeno-almoço com os meus amigos e com o Martim
para depois ir cuidar do Nuninho que entretanto tinha acordado, estava a
vesti-lo quando o Martim entrou no quarto com o meu telemóvel.
- Mana é a avó do
Ricardo, ela quer falar contigo.
Agarrei no telemóvel e após uns minutos a falar com a senhora
concordei em deixar o Martim ir passar o dia com o Ricardo, afinal o amigo está
a passar por um momento difícil e precisa de se distrair, além disso ficava com
o dia só para mim e para o Ruben.
Avisei a D. Joana que iria sair com o Nuninho, que se
perguntassem por nós que dissesse que tínhamos ido passear, a senhora não
questionou e por isso agarrei nos meus dois amores e saí de casa. Passei pela
casa do Ricardo onde deixei o Martim e segui para a do Ruben. Aproveitei o
facto de estar no treino para dar um jeito à casa que bem estava a precisar,
comecei pela cozinha que era o que sabia que estava pior mas acabei por dar uma
volta pela casa toda sempre com o Nuninho por perto. Estava a acabar de colocar
a mesa quando ouvi a porta a abrir não perdi tempo e fui ter com ele, o Ruben estava
a olhar em volta, talvez porque não estava a reconhecer a sala uma vez que
tinha agora um ar mais decente.
- Resolveste fazer
uso às chaves, foi? - falou enquanto se aproximava.
- Diz lá que isto não
está com um ar mais decente?
O Ruben sorriu mas não respondeu até porque puxou-me para si
beijando-me demoradamente.
- Já tinha saudades
tuas - sorri ao ouvi-lo.
- Acredito mas como
beijos não matam a fome o que dizes de irmos almoçar antes que fique frio.
- Ui além de dares um
ar decente à sala ainda fizeste o almoço?
- Sim e para que
conste também limpei o resto da casa.
- Mariana, não te dei
a chave para virares minha empregada.
- Deixa-te de coisas,
não custou nada e depois tens que admitir que a casa já estava mesmo a precisar
de ser “apresentada” a uma mulher - ele gargalhou.
- Mesmo assim -
calei-o com um beijo.
- Ruben, vamos ver se
nos entendemos, não é porque estou contigo que vou deixar de fazer a minha vida
normalmente e muito menos vou dar numa de dondoca e deixar as esfregonas e
panos do pó de lado, cresci a aprender a desenvencilhar-me sozinha, a fazer as
minhas próprias coisas, a limpar não só o que sujo mas como o que os outros sujam
e desarruam, nunca tive vergonha de dizer que sou empregada e não é por
estarmos juntos que vou começar a ter, até porque não faço intenções de deixar
de ser quem sou ou aceitas-me assim ou então o melhor é seguirmos caminhos
separados, porque não vou negar as minhas origens e muito menos tenciono deixar
de trabalhar.
- Já acabaste? -
perguntou assim que calei-me.
- Sim.
- Então agora é a
minha vez de falar - olhei-o - não
quero que deixes de trabalhar primeiro porque não tenho o direito de exigir
isso e depois porque nunca irias permitir, é verdade que és empregada, que
limpas o que os outros sujam mas não tenho qualquer problema com isso, é uma
profissão como outra qualquer e que merece todo o respeito. Mariana, não quero
que deixes de ser quem és, porque foi por ti que apaixonei-me e não por uma
boneca sem cérebro, tenho orgulho na pessoa que és e para mim é isso que
interessa, não quero saber o que os outros possam pensar porque sei quem tenho
em casa à minha espera, os outros podem ter as mulheres perfeitas, lindas de
morrer mas que quando olhamos com atenção percebemos que só as têm porque as
sustentam, prefiro ter uma mulher que trabalha do que ter uma que acorda a
pensar onde vai gastar aquilo que ganho com o meu suor, prefiro ter uma
empregada que é honesta e verdadeira do que alguém que sorri e diz que sim a
tudo só para continuar a viver à grande e à francesa, prefiro chegar a casa e
ver a pessoa de quem gosto a cozinhar do que vê-la a discutir com as amigas a
roupa que alguém levou a determinado evento, quero uma mulher que apoie e que
alerte-me quando acha que estou errado, quero alguém que esteja do meu lado mas
principalmente que tenha a capacidade de lutar contra as adversidades da vida,
quero alguém que queira uma família, que queira ser mãe, que bata o pé e diga
não faço porque não concorda comigo, resumindo quero uma mulher normal igual a
tantas outras que andam por este mundo fora e não uma dondoca, porque isso foi
o que tive no passado e garanto que não é o que quero no presente e muito menos
no futuro.
Mariana, caso ainda
não tenhas entendido, é por seres o oposto da maioria das mulheres com quem
privo que fez com olhasse para ti, que faz com que te deseje e que te queira
para minha namorada.
- Então se achas isso
tudo porquê que atrofiaste só porque passei a manhã a limpar a casa? - ele
sorriu.
- Se queres vir cá
limpar a casa não vou opor-me desde que não me troques por uma esfregona podes
vir cá as vezes que quiseres não tenho qualquer problema com isso e muito menos
atrofiei por teres limpo a casa só acho que já tens trabalho que chegue na casa
do Nuno.
Não respondi simplesmente o beijei e depois puxei-o pela mão
para irmos almoçar, comemos com algumas brincadeiras à mistura e na companhia
do seu afilhado, até que lembrei-me de algo e tive que falar.
- Ruben, desde quando
é que tens uma moldura no teu quarto com uma foto nossa e do Martim? - ele
olhou-me.
- Desde que regressei
a Braga, porquê? - olhou-me.
- Ruben, preferia que
não tivesses fotos do Martim espalhadas pela casa.
- Porquê?
- Porque alguém pode
ver.
- Mariana a única
foto que tenho nossa, cá em casa, é essa que está no meu quarto sítio da casa
que além de mim só entras tu por isso qual é o mal?
- Mesmo assim
preferia que retirasses a foto.
- Sinceramente não
vejo qual é o mal mas se quiseres que tire tudo bem.
- Ruben, se queres
ter uma foto nossa escolhe uma em que não esteja o Martim.
- Porquê que não
posso ter uma foto de nós os três?
- Uma coisa é teres
uma foto nossa outra é teres uma dos três - olhou-me - sei que isto vai soar estranho mas - hesitei - Ruben para todos os efeitos o Martim não te é nada.
- Não concordo com
isso - olhou-me - ele é teu irmão,
és tu que o estás a criar e se namoramos o Martim acaba por ser um bocadinho
meu, neste momento para ele não passo de um amigo vosso mas daqui a algum tempo
serei o namorado da irmã e talvez o pai que não tem - olhei-o - amo-te e não estou a dizê-lo da boca para
fora, se o digo é porque estou consciente do que falo, sei que nunca serei o
pai dele nem é isso que quero mas a verdade é que serei a referência masculina
mais perto que terá de um pai. Mariana para mim não tem sentido deixar o Martim
de lado, ele faz parte de ti, é a razão do teu viver, é por ele que lutas
diariamente contra as adversidades da vida, conheci-te em grande parte por
culpa dele uma vez que foi pelo Martim que vieste para Braga, a tua primeira
prioridade foi, é e será sempre o miúdo por isso vais desculpar-me mas o puto
também é um bocadinho meu, posso só vos ter conhecido agora mas quando
apaixonei-me por ti o Martim já existia, tenho-vos aos dois no meu coração logo
não peças para fingir que ele não existe.
Não consegui dizer nada porque já estava a chorar, as
palavras dele tocaram-me de uma forma inexplicável, talvez porque nunca tive
ninguém do meu lado que entendesse o que o Martim significa para mim, o Ruben
sem nunca lhe ter pedido incluiu o meu irmão no nosso namoro, perceber que para
ele a nossa relação só faz sentido se tiver o Martim do nosso lado
tranquilizou-me, deu-me uma paz interior que há muito não sentia.
O Ruben deve ter percebido que estava sem palavras porque
levantou-se para abraçar-me, fiquei nos seus braços até que as lágrimas
secaram.
- É incrível como
quanto mais conheço mais quero conhecer - suspirei levando-o a sorrir.
- Se te serve de
consolo fica a saber que estamos em sintonia - olhou-me - porque quanto mais tenho mais quero -
sorriu - e não estou disposto a abdicar
de ti por nada nem por ninguém - beijou-me - não queres ir para o sofá - perguntou-me - lá estamos melhor - sorri ao ouvi-lo e depois de concordar com o
Ruben fomo-nos sentar no sofá, ficamos a brincar com o Nuninho mas quando
percebi que o menino estava a ficar com sono fui adormecê-lo.
- Mariana - olhei
para a porta do quarto - o menino não
vai cair da cama - sorri ao ouvi-lo.
- Não tenciono deixá-lo sozinho.
- Fogo se não é o
Martim é o Nuninho - olhei-o com uma vontade tremenda de rir - mas será que não dá para termos um momento
só nosso?
- Anda cá bebé -
sorri ao ver a carinha dele de menino abandonado - lá porque não vou deixar o Nuninho sozinha não quer dizer que não
possas ficar connosco - beijei-o - a
cama é suficientemente grande para cabermos os três - sorriu mas não
respondeu, até porque beijei-o novamente e quando dei por isso já estava
deitada na cama com o Ruben a mimar-me.
Os minutos seguintes foram para namorarmos estava totalmente
entregue ao momento que acabei deitada em cima dele sem ter percebido muito bem
como no entanto deixei-me ficar, por incrível que pareça sinto-me confortável,
talvez por o Ruben nunca ter forçado nada, só sei que com ele sinto que posso
estar tranquila, que posso confiar nele e talvez por isso não faz-me confusão
estar tão próxima dele.
- Linda - olhei-o
- estou com receio da reação do Martim
quando lhe contarmos.
- Não vai ser fácil,
além de nunca lhe ter apresentado nenhum rapaz como meu namorado, o meu irmão
está habituado a ter-me só para ele ou melhor a dividir-me só com crianças mais
novas e não com uma criança maior que ele - o Ruben sorriu - já para não falar que o Martim já disse que
não quer que namore mas isso não vai impedir-me de ficar contigo.
- E se ele não
aceitar o nosso namoro? - percebi que o Ruben estava com receio que o
deixasse se o meu irmão pedisse talvez porque sabe que para mim o Martim é
tudo.
- Ruben -
sentei-me no meio das suas pernas para o poder olhar melhor - duvido que isso vá acontecer o meu irmão já
te conhece e vocês até se entendem bem.
- Isso é tudo verdade
mas o Martim pode não aceitar.
- Está com receio que
te deixe por causa do Martim? - ele olhou-me.
- Sim - sorri ao
ouvi-lo - afinal ambos sabemos que o
Martim vem sempre em primeiro, que por ele fazes tudo, o que é perfeitamente
normal.
- Não te preocupes
com isso - ele interrompeu-me.
- Será que ainda não
percebeste que a cada dia que passa o que sinto por ti aumenta? Que quero mesmo
que resulte, que quero amar-te sem receio de sair magoado.
- Ruben quando falei
para não te preocupares queria dizer que por muito que o Martim estranhe e até
peça para deixar-te não o vou fazer, ao contrário do que pensas não faço as
vontades todas ao puto, só faço aquelas que acho que devo fazer e ele decidir a
minha vida é uma das coisas que não aceito nem nunca permite que o fizesse. O
Martim vem sempre em primeiro e se nunca apresentei ninguém a ele não foi com
medo ou receio da reação dele mas sim porque nunca tive ninguém do meu lado que
o aceitasse verdadeiramente, que percebesse que tenho um irmão mas que na
realidade é um filho.
- Só espero que
quando lhe contares mantenhas a mesma opinião.
- Hey - voltei a
deitar-me em cima dele, colocando o queixo no seu peito de forma a poder
olhá-lo - é impressão minha ou estás com
medo que um puto de sete anos consiga levar a melhor sobre ti?
- Mariana não é um
puto qualquer - olhou-me - é o teu
puto, que por sinal é o responsável por teres desistido dos teus sonhos para
lhe dares a infância que nunca tiveste - beijei-o.
- O Martim não é só o
responsável por ter desistido de estudar, é também o responsável por nos termos
conhecido porque se não fosse por ele não tinha vindo para Braga e os nossos
caminhos não se teriam cruzado, Ruben o que quero dizer é que não precisas ficar
preocupado com o facto de seres ou não aceite pelo Martim.
- Isso é fácil de
falar mas é difícil de acreditar - olhava-me com carinha de cachorro
abandonado o que fez com que sorrisse - vou
estar sempre em desvantagem mesmo que digas o contrário sei que se o Martim não
aceitar o nosso namoro que mais cedo ou mais tarde acabas por saltar fora.
- Nunca pensei que
ficasses tão inseguro em relação a isto.
- Mariana gosto mesmo
de ti e não estou a brincar quando o afirmo, posso ter levado tempo a admitir para
mim mesmo mas desde que o fiz que é impossível não pensar em ti, se soubesses o
que custa fingir que somos só amigos sempre que estamos com outras pessoas ou
as saudades que sinto sempre que ficamos sem nos vermos percebias o meu receio.
Não consegui dizer nada, tê-lo diante de mim a admitir tal
coisa deixou-me sem palavras, por isso mesmo beijei-o, um beijo simples mas que
acabamos por intensificar, ficamos a namorar até que um pedido dele interrompeu
a troca de mimos.
- Gostava de passar a
noite contigo.
- Não leves a mal mas
ainda é cedo para isso.
- Tens medo que tente
alguma coisa, é?
- Não.
- Então aceita, não
precisa ser hoje porque sei que tens o Martim mas - interrompi-o.
- Posso saber o
motivo deste pedido?
- Porque apetece-me
dormir abraçado a ti - beijou-me.
- Não me parece -
interrompeu-me.
- Não confias em mim?
- olhei-o sem entender a pergunta.
- O que queres dizer
com isso?
- Que não aceitas
porque tens receio que tente alguma coisa - sorri ao ouvi-lo.
- Não é nada disso,
se fosse por ter medo do que pudesse acontecer não estaria aqui e muito menos
deitada tão perto de ti.
- Queres falar sobre
isso? - voltou a insistir no mesmo assunto por isso acabei por abrir o
jogo.
- Pergunta lá o que
queres saber.
- Tens a certeza?
- Sim - sorri - podes perguntar o que quiseres.
Será que a Mariana vai conseguir responder às questões todas? O que irá
o Ruben perguntar?
Isto não se acaba assim!!!
ResponderEliminarEntão parasse uma conversa destas a meio?!
Eu quero perguntas e respostas!!!
Rápido por favor!!
Ah e sem "chantagem" ;)
Bjokinhas
Mariaa
Ah... chantagem nada... só estou a lutar pelos meus direitos de leitora... ou achas que isto é só exigir capítulos novos aqui à minha pessoa sem darem nada em troca???
EliminarNa na ni na não... por isso queres ler mais... mexe os dedinhos :P
Bjs
Olá :)
ResponderEliminarMas isto é lá forma de acabar?
Quero mais e rápido!
Beijinhos
Rita
A conversa do capitulo anterior será qe vem á baila no próximo? Estou curiosíssima! ^^
ResponderEliminarIsto cada vez vem melhor e também estou com a pulga na orelha de saber como é qe o Martim irá reagir ao casalinho...
E qe venha o próximo rapidinho!
Beijinhoo
fabuloso...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo...continua...
Mau, outra vez a mesma conversa? Da primeira vez ela não respondeu será que é agora? Que comece o segundo round...
ResponderEliminarConcordo com as meninas, Catarina Maria isto não são maneiras de se terminar um capitulo.
O Ruben tá com medinho do puto, e é bom que tenha, os putos ás vezes são lixados, e este agarradinho à irmã como ele é, é bom que o Ruru se ponha a pau.
Agora toca de dar corda ao dedinhos, que isto assim não pode ser.
Quero o próximo, bandeia-te.
Beijocas
Fernanda
Então, cadê a resposta da Mari que o Ruben fez no capítulo anterior? Quer me ver louca? È que só pode! u-u E esse? Isso é lá forma de acabar moça?
ResponderEliminarEstou aqui entretida, achando que é desta que ela conta tudinho, quando tu acabas ¬.¬
Quero mais rapidinho, beijinhos! :*
Gabii
Ai o Martim está ali a causar umas inseguranças no Ruben que não devia ..
ResponderEliminarVamos lá ver como a Senhora escritora resolveu a situação .. ;)
Sabes que gosto muito minha linda, continua .. :)
Beijinho
Muito bom, adoro!!!
ResponderEliminarAcho que a Mariana e o Rúben vão ter de contar pelo menos ao Nuno e à mulher... :D
Tinhas mesmo de acabar agora??? A minha sorte é que vou já ler o seguinte ;)
Beijinhos.