Oi :)
Primeiro quero pedir desculpas pela demora em publicar mas não ando com muita vontade em escrever para esta história, talvez porque a sensação que não anda a ser lida é cada vez maior...
Segundo deixo o aviso que não reli o capítulo por isso se tiver erros peço desculpas!
***
Ruben
Hoje ao contrário do que tem sido comum não entrei nas
contas do treinador, fiquei sentado no banco dos suplentes algo que desagradou
o Martim que mal me viu correu na minha direção e fez questão de o dizer,
confesso que soube muito bem ouvir simples palavras como Não fiques triste, o treinador é um totó, eu gosto muito de ti, o
menino no seu jeito de criança reconfortou-me e fez com que mais uma vez
desejasse tê-lo para sempre do meu lado.
Mas se o Martim mostrou preocupação por não ter jogado a
Mariana não se ficou atrás, também ela achou estranho a minha ausência do onze
e só serenou quando lhe expliquei que não passou de uma opção. Depois de uns
mimos e troca de palavras acabamos por seguir até casa onde deixamos o carro
dela e prosseguimos no meu, jantamos sempre com bastante animação e no fim
regressamos para a nossa casa.
Assim que chegamos fui deitar o menino que por ter
adormecido durante a viagem acordou rabugento e a fazer birra, tive que ficar
no seu quarto até adormecer novamente e só depois é que consegui sair. Fui à
procura das mulheres da minha vida mas a única que encontrei foi a Mariana,
estava entretida a comer na cozinha e nem deu pela minha entrada, aproximei-me
e abracei-a.
- Já estás com fome?
- perguntei junto da sua orelha e aproveitei para lhe beijar o pescoço.
- Não é fome -
beijou-me - é mesmo vicio - sorriu -
o menino já adormeceu?
- Já, ainda tentou
lutar contra o sono mas não conseguiu - o meu amor sorriu - onde é que está a minha mãe?
- Deve estar no
quarto, porquê?
- Então está na hora
de irmos para o nosso - tentei puxá-la mas a Mariana resistiu - anda, quero deitar-me - sorriu.
- Vai andando que já
lá vou ter.
- O que ficas aqui a
fazer?
- A comer que ainda
não estou satisfeita - olhei-a - hey
pára de olhar assim que não vais obrigar-me a fazer mais nenhum teste de
gravidez - gargalhei ao ouvi-la - não
sei onde está a piada - aproximei-me dela abraçando-a.
- Amor a piada está
na cara que a minha mãe fez - fiz sinal com a cabeça para a Mariana olhar
na direção da porta onde a minha mãe se encontrava a olhar-nos - não precisas ficar envergonhada -
meti-me com a Mariana, afinal estava mesmo à procura de um buraco para se
enfiar.
- Não tem piada -
afastou-se - vou para o quarto -
virou costas e ao passar pela minha mãe deu-lhe as boas noites.
- Filho - olhei-a
- ouvi bem? - sorri - Vocês andam a tentar- interrompi-a.
- Tenha calma que não
andamos a tentar nada - sentei-me a comer uma fatia de bolo.
- Mas ouvi a Mariana
a falar em teste de gravidez - sentou-se à minha frente.
- Ouviu muito bem,
ela mencionou isso mesmo mas estava a referir-se a um passado recente -
suspirei - mãe houve aí uns acontecimentos
que fez com que ficasse a pensar na hipótese dela estar grávida, acabei por lhe
pedir para fazer um teste mas a Mariana não o chegou a fazer, não foi preciso.
- Isso quer dizer que
estão a pensar em dar-me um neto para breve?
- Não - olhei-a -
isso quer dizer que ambos sabemos o que
andamos a fazer mas mesmo assim quis certificar-me que aqueles sintomas todos
não estavam relacionados com gravidez.
- Mas querias que
tivessem? - olhei-a novamente, era a minha mãe que estava diante de mim e
sabia que não adiantava mentir-lhe, que ela iria perceber por isso limitei-me a
baixar o olhar e continuar a “bicar” a fatia de bolo que tinha na mão - Filho a Mariana sabe?
- Do quê? -
fiz-me de desentendido.
- Que por ti ela já
estava grávida.
- Mãe, não meta
palavras na minha boca - interrompeu-me.
- Ruben, só alguém
que não te conheça minimamente é que pode acreditar que estás verdadeiramente
disposto a esperar - engoli em seco, afinal no fundo bem no fundo a minha
mãe tinha razão - filho devias falar com
a Mariana sobre esse assunto.
- Já falamos e mais
do que uma vez, por isso pode ter a certeza que não será avó de um filho meu
nos próximos anos.
- Estás mesmo
disposto a esperar?
- Mãe por muito que
queira ser pai e você sabe disso, não posso obrigar a Mariana a engravidar,
além disso compreendo os motivos dela em querer adiar os filhos para mais
tarde.
- Ela ainda tem
dúvidas do teu amor?
- Não, as razões são
outras.
- Queres falar sobre
isso?
- Mãe a Mariana quer
licenciar-se, é um sonho que sempre teve e que adiou para cuidar do Martim, não
tenho como pedir-lhe que volte a adiá-lo só porque quero ser pai.
- Mas um filho não é
impedimento.
- Acha mesmo que a
Mariana conseguiria deixar o filho entregue a alguém para ir estudar? Ela
passou os últimos anos a abdicar dela própria para viver em função do irmão se
engravida agora vai voltar a deixar o sonho de concluir os estudos e de ter uma
oportunidade de trabalhar no que realmente a fará sentir-se realizada para
cuidar e amar o nosso filho, não tenho como lhe pedir isso, quando sei o quanto
magoa ter algo que nos impede de sentirmos realizados profissionalmente.
- Filho, a tua
atitude é bonita e compreendo-a mas vais negar que não pensas nisso? Que sempre
que há um sinal de gravidez que não ficas a torcer calado para que seja mesmo
isso?
- Lógico que penso
mas no momento seguinte esqueço essa hipótese não posso andar a viver na ilusão
quando sei que nem sequer andamos a tentar.
- Fala com a Mariana
pode ser que consigam arranjar um meio-termo - interrompi-a
- Acha? Ó mãe se lhe
dissesse que quero ser pai já, que penso nisso cada vez mais, a Mariana acabaria
por ceder e quando desse por isso estava a anunciar a gravidez.
- Se isso acontecesse
era só uma prova que te ama.
- Mãe, não duvido do
amor da Mariana por mim, não preciso que abdique novamente de um sonho para ter
certeza de nada, além disso ser eu a esperar também é uma prova de amor minha
para com ela.
- Tu é que sabes mas
espero que estejas ciente que não estás habituado a esperar muito para teres o
que queres - olhei-a incrédulo.
- Está a insinuar o
quê? Que sou mimado e que por isso não consigo esperar que a mulher da minha
vida, aquela que amo verdadeiramente e por quem daria a vida se fosse
necessário, consiga ter a oportunidade que procura há anos para se sentir
realizada?
Não esperei resposta, virei costas e fui até ao quarto, a
minha mãe não tem o direito de julgar uma decisão que é minha e da Mariana.
Cheguei ao quarto e encontrei-a deitada e de olhos fechados, julguei que já
tivesse adormecido mas depressa percebi que não quando a ouvi dizer que tinha
demorado.
- Fiquei à conversa
com a minha mãe - esclareci-a - e tu
porquê que vieste a correr para o quarto? - perguntei quando já estava
deitado ao seu lado e com ela nos meus braços.
- Oh é estranho -
sorri ao ouvi-la - nós estávamos a ter
uma conversa enquanto casal e quando reparei tinha a mãe do meu namorado a
assistir - hesitou por segundos mas continuou - não estou habituada a isso, sei que é tua mãe, que estou na tua casa
mas gostava que a avisasses para deixar de ouvir conversas alheias, é a nossa
privacidade e intimidade enquanto casal que está em jogo, compreendo que
desabafes tudo com ela mas isso não quer dizer que tenha de ouvir as nossas
conversas - suspirou - desculpa
posso estar a ser injusta mas senti-me uma estranha na casa do meu namorado.
- Já acabaste? -
olhou-me - Amor, primeiro não é a casa
do teu namorado, é a nossa casa, não quero voltar a ouvir-te a falar desta
forma, Mariana percebe de uma vez que o que é meu é teu e isso nem se discute,
podemos não estar casados com papel passado mas sinto-me como se tivéssemos, o
que importa é o que nos une - beijei-a - quanto à minha mãe fica descansada que depois da conversa que tive com
ela duvido que se volte a meter onde não é chamada, já deixei nítido que as
decisões que terei que tomar serão entre nós, que ela não tem nada que meter o
bedelho quando não é chamada.
- Discutiram?
- Não, trocamos
algumas ideias.
- Ruben o que é que
não estás a contar?
- Amor, resumindo
porque já estou farto do assunto, ela é da opinião que te devo pedir um filho
para já - olhou-me imediatamente - porque
não estou habituado a ter que esperar por aquilo que quero.
- Não é nada que não
tenha já pensado - confessou de olhar baixo - até onde é que serás capaz de aguentar os meus caprichos?
- Hey, amor - fiz
com que olhasse nos meus olhos - quereres
estudar não é um capricho, é verdade que quero ser pai, nunca o escondi mas se
esperei até aqui posso continuar a esperar.
- A verdade é que
também posso esperar - olhei-a sem perceber - se até aqui não retomei os estudos porque o Martim precisou e precisa
de mim também posso continuar a adiar isso para engravidar.
- Mariana não quero
ouvir-te a dizer isso novamente, amor entende que não quero que te anules
enquanto pessoa, tens todo o direito de lutar por mais e melhor, se estudar é
aquilo que queres tens todo o meu apoio, temos tempo para tudo.
- Mas a verdade é que
na vida há momentos certos para se fazer as coisas e o meu já passou, perdi o
comboio quando escolhi ficar na estação a vê-lo partir, no dia que peguei no
Martim pela primeira vez fiz uma escolha e por muito que queira não posso
mudá-la.
- Chega -
olhou-me - primeiro não acredito que
alguma fez tenhas pensado sequer em mudar a escolha que fizeste quanto mais a
desejares que isso acontecesse, amas o Martim como se fosse um bocado de ti,
por muito que digas o contrário, o menino é e será sempre o teu primeiro filho,
ama-lo como tal e nem venhas dizer o contrário - a Mariana já tinha os
olhos rasos de lágrimas - quanto a haver
um momento certo para tudo, tens razão mas por algum motivo existe tanta gente
adulta a regressar às faculdades, se elas podem tu também podes, aliás deves.
- Não entendes que
neste momento estou a escolher entre um sonho antigo e um recente, que só começou
a fazer sentido desde que te conheci, caramba já não sou propriamente uma
adolescente de dezoito anos que vai agora encarrar um novo desafio, tenho vinte
e oito anos e quanto mais adiar a vinda do nosso primeiro filho pior é, já não
sou uma criança e também não quero ser mãe quando já tiver idade para ser avó.
- E parares de ser
exagerada, não? Desde quando é que ser mãe aos trinta e poucos é tarde?
- É porque não quero
ter só um - sorri ao ouvi-la.
- Amor anda cá -
sentei-me na cama e pedi-lhe que se sentasse entre as minhas pernas - Mariana também quero mais que um filho mas
não há necessidade de construirmos uma equipa de futebol, não quero o rancho de
filhos por isso falta-nos é tempo para ser pais.
- Resta saber se
quero esperar esse tempo todo - atirou de rajada e confesso que apanhou-me
desprevenido - se queres mesmo saber
tenho pensado cada vez mais no assunto e não tenho chegado a conclusão nenhuma,
por um lado quero prosseguir com os estudos mas por outro não quero abdicar da
família, de ti e do meu irmão, não sei explicar mas cada vez que penso no
assunto a sensação que tenho é que vou estar a abandonar-vos, a ser egoísta e a
pensar só em mim.
- Amor, por muito que
queira não consigo decidir por ti, mas independentemente da tua decisão irei apoiá-la.
- O problema é que
não sei mesmo o que fazer, por um lado tenho o sonho de querer ir mais além em
termos profissionais por outro tenho vocês os dois que querem tal como eu ver a
família a crescer - foi inevitável não sorrir - e depois querendo ou não a verdade é que quanto mais tarde engravidar
maior a probabilidade de existir problemas - suspirou - já para não falar que a licenciatura posso
tirá-la quando quiser e ser mãe já não é bem assim.
- Mariana -
olhou-me - vamos com calma, amor já
tinhas decidido que só para o ano é que irias tentar entrar na faculdade por
isso até lá tens muito tempo para ponderares e decidires, por agora vamos
deixar como está, continuas a tomar a pílula e quando souberes o que queres
voltamos a falar no assunto, pode ser?
- Sim - beijou-me
- agora vamos dormir que estou cansada.
Respeitei o pedido dela e deitamo-nos para a ver a adormecer
logo de seguida, no entanto não consegui seguir-lhe o exemplo por mais que
quisesse fechar os olhos e não pensar mais no assunto sempre que o tentava
fazer a nossa conversa voltava, vê-la tão indecisa faz com que sinta-me culpado,
não quero nada que abdique do seu sonho para realizar um meu e isso deixa-me
preocupado.
***
Os dias passaram e hoje acordei animado, afinal tenho que
preparar as surpresas que o meu amor irá receber amanhã durante o dia e que será
impossível fazê-la esquecer-se o quanto a amo.
Comecei por ir acordar o Martim para o despachar, uma vez
que tinha aulas e foi quando já estávamos os dois a comer que a minha mãe entrou
na cozinha, cumprimentou-nos e foi impossível não ter reparado no sorriso dela,
talvez por mais uma vez se aperceber que somos de facto uma família feliz e
unida, que tanto o Martim como a Mariana são indispensáveis para o meu viver.
- Ruben - olhei-o
- logo tens treino?
- Não, porquê?
- Então és tu que
vais comigo ao meu treino, né? - perguntou visivelmente animado já que esta
semana não consegui ir vez nenhuma com o menino.
- Sim - sorri-lhe
- já avisei a Mariana que vou buscar-te
à escola e que te levo ao treino.
- Boa - falou
animado - posso pedir um favor?
- O que é que vem por
aí?
- Nada de mal -
falou com o seu ar de anjinho - mas é
amanhã que é o dia dos namorados, né?
- Sim.
- Aquele em que se dá
uma prenda à namorada, né?
- Sim.
- Então quero a tua
ajuda para escolher uma prenda para a minha namorada - gargalhei ao
ouvi-lo, afinal o menino falou muito convicto de si - não é para rir - fez beicinho - eu não gozei contigo quando explicaste que tinha de ficar com a vó Bela
para fazeres aquela surpresa à mana, pois não? - perguntou chateado.
- Desculpa, tens
razão - olhou-me - mas sabes o que
queres oferecer à tua namorada?
- Não por isso é que
preciso de ajuda, ó pai - sorri ao ouvi-lo afinal volta e meia o menino
deixa escapar o “pai” - eu quero que ela
goste mas eu não percebo nada disto das namoradas e dos presentes - desviei
o olhar para a minha mãe e encontrei-a a olhar-nos de forma ternurenta.
- Hum, vou pensar em
alguma coisa e depois quando acabares o teu treino tratamos do assunto pode
ser?
- Tá bem - sorriu
- já preparaste as surpresas todas para
a mana?
- Não mas agora acaba
lá de comer que tenho de te levar à escola e seguir para o meu treino.
O menino acabou de comer e depois de nos despedirmos da
minha mãe saímos, deixei-o na escola e fui até ao estádio. O treino correu bem
apesar do Nuno ter passado o tempo todo a querer saber os meus planos para
amanhã, lógico que não falei e ele lá se calou.
O resto da manhã serviu para tratar dos últimos detalhes
para amanhã correr tudo às mil maravilhas e no fim ainda dei comigo a pensar no
que o Martim poderá oferecer à namorada, a última coisa que quero é que o meu
piolho tenha o seu primeiro desgosto no dia dos namorados.
As horas passaram e depois do treino do Martim terminar
fomos lanchar os dois, momento esse que serviu para o convencer que a melhor
prenda a dar seria um beijinho e lhe dizer que gosta dela, porque os meninos da
idade deles ainda não oferecem outro tipo de prendas, o piolho lá acabou por se
deixar convencer e seguimos até casa. Quando lá chegamos fui obrigado a
mostrar-lhe tudo o que tinha preparado para oferecer à Mariana e após ter a
aprovação arrumei tudo.
Ajudei-o nos trabalhos e quando já estávamos na conversa com
a minha mãe vimos a Mariana a chegar, o meu amor entrou, cumprimentou-nos e
seguiu direta para o quarto, o Martim levantou-se imediatamente para ir ver o
que se passava mas pedi-lhe que me deixasse ir, o menino ainda reclamou mas
acabou por ceder.
- Está tudo bem?
- perguntei ao entrar no quarto e vê-la deitada.
- Sim, dói-me só a
cabeça, o teu afilhado hoje não me deu descanso - sorriu - acreditas que passou o dia todo a fazer
birras atrás de birras?
- Sentiu a falta do
padrinho, foi o que foi.
- É deve ter sido
isso mas fica a saber que não foi o único que sentiu a tua falta - olhou-me
- afinal onde é que andaste?
- Por aí -
deitei-me ao seu lado.
- Por aí não é
resposta.
- Mas é aquela que te
dei e com aquela que te vais contentar - beijei-a.
- Ruben, espero que
não estejas a fazer grandes planos para amanhã - olhei-a - amor nem te atrevas - sorri - Ruben Filipe - gargalhei - o que é que vai nessa cabeça?
- Amanhã descobres
- beijei-a sem lhe dar hipótese de refilar e o que era um simples beijo passou
a algo mais, acabamos por nos entusiasmarmos mas tivemos que parar ou não fosse
o Martim ter entrado no quarto sem bater.
- Martim mas agora
entras bem pedires? - a Mariana repreendeu-o.
- Ó mana tava
preocupado contigo - com esta o menino desarmou-a - tu chegaste e vieste logo para o quarto e o Ruben não deixou eu vir ver
como tavas - fez beicinho e agarrou-se à irmã, sim que com isto tudo acabei
por afastar-me da Mariana.
- Amor, a mana está
só cansada mas já ia ter contigo.
- Não ias nada -
olhou-nos - se fosses o Ruben não tava
em cima de ti.
- Martim - o
menino olhou-me - mas afinal que modos
são esses? E ficas já avisado que para a próxima bates à porta, percebeste?
- Sim - baixou o
olhar - desculpa - a Mariana
olhou-nos à vez e sorriu - mana eu não
fiz por mal e nem fiquei zangado por ver o Ruben e a mana a namorar só tava
preocupado contigo.
- A mana não fica
chateada porque já percebeu que estás arrependido mas o Ruben tem razão não
podes entrar sem bateres e sabes disso.
- Tá bem, agora vens
brincar comigo?
- Amor, a mana já vai
ter contigo pode ser?
- Pode, tou no quarto
à tua espera.
- Ok - a Mariana
deu-lhe um beijinho e depois vimos o menino a sair.
- Olha lá tinhas
mesmo que repreender o meu irmão daquela forma?
- Essa é boa, o puto
entra sem avisar, fala-te naquele tom e queres que fique calado? -
gargalhou - Não vejo onde está a piada.
- Amor, só reagiste
assim porque o Martim fez com que ficasses “na mão”, porque se tivéssemos só a
falar de certeza que não dizias nada, não é?
- Estás a ser injusta
- aproveitou que estávamos novamente os dois deitados para começar a dar-me
beijos no pescoço - sabes bem que tenho
tentado não lhe fazer as vontades todas e repreendê-lo quando erra - sorriu
- estou a dizer alguma piada, é?
- Não mas estás mais
preocupado em justificar-te quando podíamos estar a aproveitar estes minutos de
outra forma.
A Mariana demonstrou bem o que pretendida e em menos de nada
retomamos de onde tínhamos parado, mas ao contrário do que sempre acontecia, em
que nos amamos sem pressa desta vez o meu amor não quis nem saber, digamos que
foi a primeira vez que chegamos ao limite tão depressa.
- Vais ficar aí?
- perguntou segundos depois de nos termos amado e já quando se estava a vestir
- Que foi? Estás a olhar-me assim
porquê?
- Amor talvez porque
estás estranha.
- Desculpa?
- Mariana tens noção
que isto esteve mais perto daquilo a que chamamos de rapidinha do que de outra
coisa? - gargalhou.
- Vais começar a
contar os minutos, é? - beijou-me.
- Não, simplesmente
surpreendeste-me, só isso.
- E isso é mau?
- Não mas é estranho
- olhou-me - afinal foi a menina que há
uns meses atrás disse que não o conseguia fazer - provoquei - e afinal - a Mariana revirou os olhos.
- Sabes que mais fica
aí deitado que vou ver o meu irmão - ainda tentou sair da cama mas impedi-a
ao agarrá-la - larga-me, amor o menino
ainda regressa porque lhe prometi não demorar.
- Já vais - fi-la
sentar-se ao meu colo - mas antes
deixa-me dizer-te que adorei o momento - beijei-a - e que se for para ser sempre assim podes ter dores de cabeça todos os
dias - a Mariana gargalhou.
- És tão tonto -
beijou-me demoradamente - mas agora
deixa-me ir - voltou a beijar-me - vê
se te vestes que assim ficas ainda mais irresistível - suspirou o que fez
com que sorrisse a Mariana anda outra vez mais desinibida e sempre que assim é
consegue surpreender-me pela positiva.
Acabei por vê-la a sair do quarto, ainda fiquei alguns
minutos deitado mas acabei por vestir-me e ir procurar os meus amores,
encontrei-os na sala de volta de um puzzle e com a minha mãe a assistir à
montagem do mesmo. Sentei-me no sofá mas depressa juntei-me a eles, uma vez que
o Martim assim o quis, estava ao lado da Mariana que sempre que apanhava o
irmão distraído arranjava forma de provocar-me e na última vez que o fez foi
apanhada pela minha mãe ainda assim não se incomodou nem um pouco.
- Martim a mana tem
que ir fazer o jantar - alertou-o - mas
depois continuamos pode ser?
- Tá bem, o Ruben
fica comigo.
- Não - olhamos
todos para a Mariana - o Ruben vai com a
mana.
- Vou? - saiu-me
o que fez a minha mãe sorrir.
- Sim vais, afinal
não deste folga à empregada então agora vens comigo fazer o jantar que é para
aprenderes.
- Ó mana a vó Bela
vai contigo.
- Martim quem vai é o
Ruben e acabou a conversa, no final brincamos contigo.
A Mariana nem deu tempo ao menino para refilar, levantou-se
e obrigou-me a ir com ela, fomos diretos à cozinha.
- Posso saber o
motivo de quereres a minha ajuda para fazer o jantar quando normalmente a
dispensas?
- Quem te disse que
quero a tua ajuda para o jantar? - falou ao fechar a porta deixando-me a
olhá-la - Os préstimos que quero de ti
não são para o jantar - aproximou-se levando de imediato as mãos aos botões
das minhas calças - mas sim para
apagares o fogo que tenho hoje - gargalhei ao ouvi-la, nunca pensei que a
minha Mariana se revelasse neste sentido - que
tal parares de rir e fazeres algo para o meu bem?
Não respondi, acabei só por a puxar ainda mais para mim e
beijá-la, estávamos os dois dispostos a muito mais mas voltamos a ser
interrompidos, desta vez pela minha mãe que entrou sem aviso prévio a sorte foi
que ainda só estávamos na fase dos beijos com a Mariana sentada na bancada da
cozinha e numa tentativa de desabotoar os botões das minhas calças, lógico que
a minha mãe percebeu o que se estava a passar e como abriu a porta também a
fechou.
- Acho melhor irmos
fazer o jantar - a Mariana afastou-me imediatamente - ou então eu vou fazer o jantar e tu vais ver a tua mãe, não vá ter-lhe
dado os cinco minutos - olhei-a incrédulo - posso saber o que estás ainda aqui a fazer?
- Talvez à espera de
uma justificação para o teu comportamento?
- O que tem o meu
comportamento? Vais dizer que não gostas?
- A questão é mesmo
essa - olhou-me - estou a gostar
tanto que quero perceber qual o segredo para te deixar assim - abracei-a - em brasa - beijei-lhe o pescoço - amor o que se passa?
- Se queres saber nem
sei - olhou-me - mas apetece-me
estar contigo - suspirou - até a dor
de cabeça passou - sorri ao ouvi-la - acho
que estou a dar em louca.
- Amor, podes dar em
louca as vezes todas que quiseres - sorriu - amo essa loucura - beijou-me.
- Pois mas talvez
seja mesmo melhor ires até à sala porque caso contrário não vai haver jantar
hoje - gargalhamos os dois - acertamos
contas quando nos formos deitar - percorreu o meu corpo com o olhar e ainda
trincou o lábio inferior - e nem penses
que escapas.
- Achas mesmo que vou
querer escapar-me - beijei-a demoradamente - amo-te - sorriu - mas agora
deixa-me ir - voltamos a unir os nosso lábios mas no fim saí mesmo da
cozinha.
- Já voltaste? -
o Martim manifestou-se assim que entrei na sala.
- Parece que fui
corrido da cozinha - a minha mãe sorriu - vamos brincar?
- Fixe - sorri ao
ver a alegria do meu piolho - podemos
jogar PES?
- Ok, mas só um jogo.
- Tá bem -
levantou-se e foi ligar a playstation trazendo com ele os comandos.
Começamos a jogar mas confesso que só estava presente
fisicamente, porque mentalmente estava longe ou melhor estava com a cabeça na
cozinha e na Mariana, ela hoje estava estranha e isso não me saia de forma
alguma do pensamento, tanto que o Martim acabou por ganhar o jogo sem
dificuldade e no fim ainda o ouvi a reclamar.
- Isto assim não teve
piada, tu deixaste-me ganhar - olhei-o - vamos jogar outro.
- Ok - nem
contestei, afinal o menino tinha razão aquilo não tinha mesmo sido um jogo, mas
voltei a estar completamente no mundo da Mariana e por isso o menino parou o
jogo.
- O que tu tens?
- foi visível a preocupação no rosto do menino.
- Nada -
sorri-lhe.
- Mas tu não tás cá
ou melhor tás mas é como se não tivesses eu falo para ti e tu nem ouves.
- Desculpa estava distraído
- a minha mãe voltou a sorrir.
- Porquê?
- Porquê o quê?
- Porquê que tavas
distraído.
- Olha porque estava
a pensar na tua mana - admiti e percebi que a minha mãe ficou surpreendida.
- Oh mas isso tás
sempre - gargalhei ao ouvi-lo - e
das outras vezes consegues jogar comigo.
- Amor, anda cá -
sentou-se no meu colo - tens toda a
razão quando falas que ando sempre a pensar na Mariana mas hoje ainda estou a
pensar mais.
- Porquê? - a
minha mãe olhava-nos divertidíssima talvez porque sabia que não iria admitir ao
miúdo o que quase se passou na cozinha.
- Porque faz amanhã
um ano que a tua mana deixou-me aproximar dela e que foi desde esse dia que
começamos a construir o que temos hoje, faz amanha um ano que cheguei de Lisboa
muito triste e foi a tua mana que sem que estivesse à espera ajudou-me a
ultrapassar aquela tristeza toda, ouviu-me e deu-me bastante na cabeça, ralhou
comigo como às vezes ralhamos contigo quando fazes alguma coisa mal feita -
o menino sorriu - mas também me deu amor
inicialmente esse amor foi de amiga mas acabou por tornar-se no amor que
sentimos e que partilhamos hoje, um amor capaz de aguentar tudo e que por vezes
faz com que queiramos estar sempre juntos, a pensar um no outro, entendes?
- Acho que sim -
olhou-me - tu nunca sentiste este amor
pela Soraia pois não?
- Não - o menino
sorriu - gostei da Soraia mas o amor que
sinto pela tua irmã é muito maior.
- Isso quer dizer que
nunca vais deixar a gente, né?
- Martim deixar-vos é
impossível, amo-te meu piolho - fiz-lhe algumas cocegas - vocês fazem parte de mim, são a razão do
meu viver - a minha mãe olhava-nos atenta - é pela Mariana que o meu coração bate e és tu que me deixas muito feliz
quando me chamas de pai, se a Mariana é a mulher que quero para mãe dos meus
filhos, tu és o nosso primeiro filho - o menino deu-me um abraço apertado -
nunca duvides do amor que sinto por ti,
Martim pode haver dias como os de hoje em que estou distraído e sem conseguir
brincar contigo mas isso não é porque não te amo, percebes?
- Tu nos dias que tás
distraído é porque tás a pensar na mana, né? - sorri.
- É.
- Então eu não fico
chateado - voltou a abraçar-me - eu
quero ver a mana feliz e ela é feliz contigo, eu nunca vi a mana a rir tanto
como ri quando tás com ela - dei-lhe um beijinho no seu rosto - sabes eu nunca disse mas a mana quando vais
jogar longe e ficas aqueles dias fora de casa fica sempre mais triste mas
sempre que fala contigo ao telemóvel depois fica mais contente, por isso é que
eu gosto de ti, porque tu fazes a mana ficar contente e depois também gostas de
mim - sorri.
- Podes ter a certeza
que gosto muito de ti e que farei sempre tudo para sermos os três muito
felizes.
- Posso pedir só mais
uma coisa?
- Diz.
- Eu quero muito um
mano - desviei por segundos o olhar do meu piolho e encontrei a minha mãe
atenta à conversa - eu sei que tu
consegues convencer a mana - sorri ao ouvi-lo.
- Martim, explica-me
o motivo de quereres tanto um mano?
- Para eu brincar.
- Tenta outra - o
menino olhou-me - amor se é para
brincares tens os teus amigos ou tens-nos a nós que brincamos todos os dias
contigo.
- Posso dizer a
verdade?
- Podes e deves-
falei muito serenamente.
- Eu tenho medo que
um dia a mana se zangue e vá embora e se tiverem um bebé ela já não vai - o
menino deixou-me “sem chão” não esperava que o motivo fosse esse - e assim eu fico sempre contigo e com a
mana.
- Amor não precisas
de ter esse medo - olhou-me - nós
vamos ficar sempre juntos mas mesmo que isso não venha a acontecer vou gostar
sempre de ti e isso não vai mudar nunca.
- Mas eu depois fico
sem o pai e eu não quero isso.
- Martim isso não vai
acontecer, acreditas em mim?
- Sim mas contínuo
com medo.
- Consegues explicar
esse medo?
- Posso tentar -
encolheu os ombros - eu nunca tive isto
que tenho aqui em casa, a mana sempre deu tudo o que pedi às vezes não dava
logo porque não tinha dinheiro mas ela prometia sempre que quando pudesse dava
mas aqui eu tenho mais coisas, tenho o pai e isso eu só tenho se ficares sempre
com a mana e é disso que tenho medo de perder o pai - as palavras dele
apesar de confusas tocaram-me de uma forma inexplicável, tanto que as lágrimas
vieram-me aos olhos - eu tenho amigos
que os pais ficam zangados e eles depois só podem tar com um de cada vez e eu
não quero isso, eu quero sempre tar com os dois ao mesmo tempo, eu não quero
escolher a mana ou o pai, eu quero os dois sempre.
- Martim não posso
prometer que será para sempre - olhou-me - por muito que queira não posso, nós não sabemos o dia de amanhã mas
posso prometer-te que no que depender de mim ou da Mariana vamos fazer de tudo
para que resulte, nós quando falamos no futuro imaginamo-nos velhinhos e
juntos.
- Então porquê que
não convences a mana a terem um bebé? - a minha mãe sorriu.
- Martim se queres
mesmo saber, nós já falamos do assunto, aliás várias vezes mas a decisão de
termos um filho não pode ser tomada assim de um dia para o outro, um bebé muda
algumas coisas nas nossas vidas e neste momento a prioridade é outra, nós
queremos aproveitar todos os momentos a três, amor não te preocupes que a decisão
de adiarmos a vinda do bebé não significa que não nos amamos, muito pelo
contrário estamos a pensar enquanto casal, Martim talvez não saibas mas a
Mariana está a pensar regressar à escola - o menino olhou-me - e se ela quiser mesmo isso vou apoiá-la mas
para isso o bebé terá que ficar para depois, entendes?
- Mas porquê que a
mana quer voltar á escola? Ela não precisa disso.
- Martim não digas
isso - o menino olhou-me - a Mariana
sempre quis concluir os estudos e só saiu da escola por amor a ti mas com o
desejo de um dia poder regressar, é por isso que a mana insiste tanto contigo
para estudares, ela sabe o quanto é importante os estudos ou achas que se
pudesse não procurava outro trabalho em que conseguisse mais dinheiro para te
dar tudo sem teres que esperar?
- Mas ela agora pode
dar-me tudo, tu tens dinheiro ela não precisa trabalhar nem de estudar.
- Martim, é verdade
que tenho dinheiro e que nunca neguei-te nada e nem vou negar, mas não é por
isso que a Mariana vai deixar de trabalhar ou de estudar, aliás nenhum dos dois
quer isso - olhou-me aborrecido - compreendo
que queres ter a tua mana sempre perto de ti mas não tens o direito de lhe
exigires que deixe de estudar ou de trabalhar.
- Eu posso não ter
mas tu tens, como namorado dela podes pedir para ficar em casa e cuidar do
vosso bebé.
- Posso mas nunca o
vou fazer.
- Porquê?
- Martim, pedir isso
à tua mana é o mesmo que ela me pedir para deixar o futebol, compreende que não
temos o direito de obrigar o outro a escolher entre a profissão e a relação, as
duas coisas são conciliáveis.
- Pois vocês
conseguem tudo mas esquecem é que sou uma criança e que preciso dos dois -
olhei-o.
- Martim, és de facto
uma criança mas tanto quanto sei a tua irmã antes de namorarmos nunca falhou
com nada e agora que estamos juntos muito menos, nós organizamo-nos de forma a
nunca ficares sozinho, a teres sempre um de nós por perto por isso não podes
acusar-nos de não pensarmos em ti, isso é feio e magoa muito, a tua irmã que
nunca te oiça dizeres uma coisa dessas ou vais deixá-la muito triste, ela que
sempre fez de tudo para que não te faltasse nada agora acusas a Mariana de se
esquecer de ti?
- Desculpa -
pediu já a choramingar - eu não quero
que fiques chateado comigo e não contes nada à mana.
- Não vou contar
porque sei que ela ia ficar muito triste mas não repitas a brincadeira ou quem
se chateia a sério contigo sou eu.
- Desculpa -
abraçou-me - eu gosto muito dos dois.
- Também gostamos
muito de ti e só por isso vamos esquecer o que acabou de acontecer.
O menino já não abriu mais a boca mas deixou-se ficar
agarrado ao meu pescoço, ainda choramingou durante uns minutos mas lá conseguiu
acalmar, deixamo-nos ficar os dois no silêncio mas quando desviei o olhar vi a
Mariana, não foi preciso abrir a boca para ter percebido que tinha ouvido a
conversa ou pelo menos a última parte.
Como irá reagir a Mariana ao desabafo do irmão? Irá isto afetar os
planos do Ruben para o dia seguinte?