sexta-feira, 1 de junho de 2012

021 - “Mas é aqui que te tenho a ti e ao Martim”


Ruben

Desde que ouvi da boca da Mariana as suas desconfianças em relação ao que estava a sentir por ela que a vontade de mandar tudo à fava, de esquecer o mundo mas principalmente lutar por ela aumentou drasticamente, sei que lhe menti com tantos dentes quantos os que tenho na boca mas naquele momento só o fiz por achar que era o melhor, afinal ela tinha admitido que não gosta de mim mas depois da conversa que tivemos a sensação que tive foi que não estava a ser totalmente verdadeira, que talvez nem saiba aquilo que sente e foi devido a esta dúvida que assombrou-me o pensamento que perguntei à Letícia se podia ir ter com ela ao quarto, queria despedir-me da Mariana sem que o irmão visse algo que a sua amiga deve ter entendido porque disse-me imediatamente onde era o quarto.
Levantei-me do sofá e saí da sala com a desculpa que iria até à casa de banho para o pequeno não desconfiar, percorri o corredor e encontrei o quarto, a Mariana estava entretida a dobrar a roupa do irmão e não reparou que estava a observá-la, por isso mesmo entrei e fechei a porta.
A vontade de chegar junto dela e beijá-la era imensa mas controlei-me ao máximo e só quando deu pela minha presença é que aproximei-me, a Mariana tentou fugir mas impedi ao abraça-la, ficamos frente a frente mas foi quando ela perguntou se não podia ter esperado na sala para despedir-me dela que ao afirmar que até podia mas lá não poderia fazê-lo da forma que pretendia que a senti a tremer, até pode ser coisa da minha cabeça mas aquela reação fez com que perdesse o pouco autocontrolo que vinha a impor a mim mesmo, acabei por levar a mão à sua cara ao mesmo tempo que reduzi ainda mais a distância que nos separava, estávamos agora a olharmo-nos de uma forma intensa, acho que ambos estávamos na expectativa para saber o que o outro iria fazer até que acabei com a nossa espera ao beijar-lhe inicialmente a bochecha do lado direito para de seguida lhe dar um abraço apertado.
- Linda quando chegares a Braga liga - pedi o que a levou a sorrir.
- Fica descansado que aviso quando chegar - sorri-lhe - e tu vê se tens juízo nessas férias que vais fazer não sei bem aonde.
- Queres saber, é?
- Não, porque sei que nem à tua mãe contaste.
- Como é que sabes isso?
- O Nuno comentou comigo - sorri novamente.
- Mas a ti digo-te - ela olhou-me - se quiseres lógico.
- Quero - ouvi-la a admitir que queria saber deixou-me a levitar completamente - mas só digas se quiseres.
Não pensei em mais nada simplesmente aproximei a minha boca do seu ouvido e disse-lhe praticamente num sussurro como se alguém fosse ouvir, ela gargalhou perante a minha atitude mas foi quando afastou ligeiramente o rosto para olhar-me que as nossas caras ficaram demasiado próximas, não sei onde fui buscar o autocontrolo para não a beijar só sei que esse foi completamente melindrado quando senti a sua mão e os seus lábios no meu rosto, tê-la assim nos meus braços era tudo o que mais desejava por isso abracei-a ainda mais, deixamo-nos ficar naquela posição alguns minutos mas sempre a olharmo-nos.
- Deixa estar que levo a mala - falei quando a vi a pegar na mala algo que ela não levantou problema e por isso saí do quarto com a mala.
- Então já fizeste a mala? - a Letícia manifestou-se ao ver-nos a entrar.
- Já, não vês que sim?
- Vejo, vejo e foi só a mala que fizeste? - a Mariana fuzilou-a com o olhar o que a mim deu-me vontade para gargalhar algo que não fiz.
- Martim despede-te da madrinha que temos de regressar - o miúdo fez o que a irmã pediu e quando já se vinha para despedir de mim ela informou-o que ainda tínhamos que ir até à minha casa, que era lá que estava o seu carro, o puto ficou contente pois assim iria conhecer a minha casa em Lisboa, sorri ao ouvi-lo e depois de despedir-me da Letícia saí com o Martim, já a Mariana ficou para trás à conversa com a amiga.

Mariana

A conversa que tive com o Ruben por algum motivo deixou-me confusa, não sei o porquê mas a verdade é que fiquei com a sensação que desenterrei um assunto que não devia, as cenas entre nós ficaram estranhas apesar de estarmos ambos a tentar negar isso e a forma como o Ruben falou e olhou-me no quarto da Letícia só aumentou o desconforto que estava a sentir talvez porque pela primeira vez coloquei a hipótese que se ele tivesse confirmado as minhas suspeitas a nossa amizade poderia sofrer com isso mas tentei disfarçar isso ao regressar à sala. A Letícia insinuou que poderíamos ter estado a fazer algo mais naquele quarto mas não respondi preferi ignorar e pedir ao Martim que se despedisse dela. Foi quando já ia a sair que a Letícia puxou-me pelo braço.
- Então?
- Então o quê?
- Namoram? - olhei-a chocada.
- Deixa de ser parva já te disse que somos só amigos.
- Pois, pois, é por serem só amigos que o rapaz pediu para ir ter contigo ao quarto, não é?
- Estás louca - gargalhei - é verdade que estamos próximos mas não tanto como imaginas somos só amigos.
- Só o facto de deixar que se aproxime já é muito bom.
- Lá estás tu - ela olhou-me - deixa de ver coisas onde não existem e agora vamos que tenho uma viagem para fazer.
- Desta escapas mas não penses que te vês livre do assunto.
Não respondi mas ela acompanhou-me até à porta do apartamento onde novamente nos despedimos e depois descemos até ao carro do Ruben, ele colocou a mala na bagageira enquanto colocava o cinto no meu irmão que teoricamente deveria ir na cadeira mas que não ia afinal a cadeira estava no meu carro.
A viagem até ao apartamento do Ruben foi feita com muita conversa à mistura uma vez que o meu pequeno estava curioso para saber qual o destino de férias do Ruben, ele acabou por partilhar com o Martim o que deixou o meu irmão feliz e por isso lá se calou.
Chegamos ao condomínio do seu prédio e a pedido do Martim acabamos por subir, o meu irmão queria conhecer o apartamento do Ruben algo que não incomodou minimamente o nosso amigo que fez a vontade ao meu irmão. Subimos de elevador e connosco foi a nossa mala uma vez que entramos diretos da garagem para os elevadores.
Enquanto o Ruben foi mostrar a casa ao meu irmão fiquei na varanda, a vista era fantástica e foi quando estava perdida a apreciá-la que senti uns braços a envolverem-me a cintura, não foi preciso olhar para saber de quem seriam e muito menos fiz algo para fugir do Ruben.
- O meu irmão? -perguntei-lhe.
- Pediu para ir á casa de banho.
- Ah ok - sorri-lhe.
- Não queres ficar para jantar? - perguntou-me ao ouvido o que arrepiou-me.
- Não dá - olhei-o - depois fica tarde para fazer a viagem e amanhã o Martim tem aulas - ele suspirou.
- Queria tanto passar mais umas horas contigo - sorri com o desabafo dele.
- Daqui a um mês já vamos ter oportunidade para passarmos mais tempo juntos - falei ao afastar-me ligeiramente dele.
- Não sei se aguento - olhei-o - fazes-me falta - sorriu - afinal vou estar um mês sem ter ninguém para implicar comigo - gargalhei.
- Temos sempre o telemóvel ou a net e depois vais estar de férias a divertires-te por isso o tempo vai passar sem dares conta.
- Talvez - falou nada convicto e teria respondido mas o meu irmão apareceu.
- Mana, já estou despachado - o Martim falou ao chegar junto de nós.
- Então despede-te do Ruben - olhei-o - que temos de ir.
O Martim despediu-se do Ruben e quando chegou a minha vez dei-lhe um abraço acompanhado de um beijinho no rosto.
- Tem juízo nessas férias - ele gargalhou - a sério diverte-te que bem precisas.
- Obrigado.
Tentei despedir-me dele mas o Ruben informou que descia connosco, pegou nas chaves de casa e depois de sairmos fechou a porta.
- Não te esqueças de avisar quando chegares - sorri.
- Fica descasado que aviso e agora deixa-me ir caso contrário nunca mais chego a Braga - ele sorriu.
- Olha que a ideia não é má de todo.
- Piadinha, estás a esquecer-te que o puto amanhã tem aulas.
- Pode sempre dar-lhe uma dor de barriga repentina - gargalhei ao ouvi-lo.
- Deixa de ser parvo.
- Ok até porque não quero que nada de mal aconteça ao Martim e agora vai lá embora - senti os seus lábios do lado esquerdo do meu rosto - adoro-te - sussurrou-me ao ouvido o que deixou-me momentaneamente sem saber o que responder por isso limitei-me a abrir a porta do condutor e a entrar para o carro.

***

- Martim acorda – chamei-o quando chegamos a Braga.
- Já chegamos?
- Sim meu lindo já chegamos – ele sorriu e depois de sair do carro espreguiçou-se o que deu-me vontade de rir.
Retirei a mala do carro e entramos em casa, o Martim foi a correr para o jardim porque viu o Nuno a dar toques numa bola e por isso aproveitei para mandar uma mensagem ao Ruben a avisá-lo que tínhamos chegado bem.
Estava na sala completamente no mundo da lua quando a voz da Patrícia despertou-me para a realidade.
- Está tudo bem? O fim-de-semana foi bom?
- Sim, surpreendente mas bom – sorri.
- Ui o que é que se passou por Lisboa?
- Nada de especial.
- Porquê que acho que estás a tentar iludir-me?
- Simplesmente estou contente por ter estado com os meus amigos.
- Presumo que esse “estado com os meus amigos” – imitou-me – inclui o Ruben.
- Sim, estive com ele, fui visitá-lo hoje de manhã e acabei por convidá-lo a almoçar comigo, com o Martim e a madrinha dele.
- Como é que ele está? O Nuno contou-me que ontem estava com uma azia tremenda por causa do jogo.
- Está bem, a azia já passou.
- E quanto ao resto?
- Qual resto?
- A ele andar distraído conseguiste saber o motivo?
- Irra tanta pergunta mas sim consegui falar com ele e para que fiques tranquila o Ruben já voltou ao que era.
- Por algum motivo em especial?
- Não, só resolveu o que tinha para resolver.
- Ok, fico contente por fazer que está bem.
A conversa ficou por ali uma vez que fui arrumar a mala no meu quarto, aproveitei e deitei-me um pouco na cama, estava cansada mas principalmente precisava de ficar sozinha e pensar no que foi as minhas últimas horas, era isso que ocupava os meus pensamentos quando o Martim pediu licença para entrar no quarto e assim que lhe dei saltou para cima da cama deitando-se do meu lado.
- Mana o que tens?
- Nada meu piolho.
- Tás deitada e isso não é normal – gargalhei ao ouvi-lo.
- A mana está só cansada da viagem.
- Ah tá bom mas mana tenho fome – voltei a gargalhar.
- Então anda lá que a mana vai fazer o jantar mas arranja-te alguma coisa para comeres.
Fui até à cozinha com o meu pequeno e depois de lhe preparar um pequeno lanche comecei a fazer o jantar, uma vez que a D. Joana estava de folga. Estava entretida a terminar de colocar a comida nas travessas quando a Patrícia entrou com o meu telemóvel na mão.
- Toma, isto está farto de tocar.
- Quem é?
- O Ruben.
- Ah deixa aí na mesa que depois ligo-lhe.
- O rapaz está farto de tentar ligar-te pode ser importante.
- Não deve ser caso de vida ou de morte, depois falo com ele.
- Lá sabes – olhou-me – queres ajuda para levar isso?
- Se quiseres ajudar-me aceito – ela sorriu e pegou em duas travessas.
Jantamos com muita conversa à mistura uma vez que o Martim quis contar como tinha sido o fim-de-semana e no final fiquei a saber que eles partiam de férias dentro de uma semana logo iria ficar com a casa toda só para mim e para o Martim, algo que agradou-me afinal dentro de duas semanas faço anos e assim não tinha que comemora-los com ninguém uma vez que detesto fazê-lo.
Depois do jantar arrumei a cozinha e fiquei na brincadeira com o Nuninho e com o Martim, mas quando chegou a hora de irem dormir fui deitá-los, regressei à sala só para despedir-me do Nuno e da Patrícia porque estava cansada e além disso ainda queria falar com o Ruben, liguei-lhe e estivemos alguns minutos a jogar conversa fora para depois desligarmos com a promessa que amanhã ele ligaria.

***

Os dias passaram e o momento de ver o meu pequenino a ir de férias com os pais chegou, despedi-me deles, algo que o Martim também fez e depois vimo-los a partir, a primeira coisa que o meu irmão pediu foi para lhe fazer pipocas que queria ver um filme comigo, acabei por lhe fazer a vontade e ficamos a tarde toda com o rabo sentado no sofá, só despertei para a realidade quando ouvi o meu telemóvel, era o Ruben atendi e estivemos vários minutos a jogar conversa fora até que o Martim pediu para falar por isso coloquei em alta voz o que nos permitiu ficar os três a conversar o que proporcionou algumas gargalhadas ao meu pequenino ou não fosse o Ruben só ter dito baboseiras.

Ruben

Apesar de estar de férias e longe de Portugal tenho falado todos os dias com a Mariana é a única forma que encontrei para conseguir lidar com a distância, sei que não temos nada, que somos só amigos mas a necessidade de senti-la próxima de mim é enorme.
Tenho aproveitado estes dias para pensar imenso no que fazer, sei que se chego a Portugal e lhe digo que gosto dela, que menti quando perguntou que a Mariana se vai afastar mas a verdade é que está cada vez mais difícil continuar com esta farsa, afinal cada vez tenho mais certezas que gosto dela, que o que sinto é muito mais que mera atracção e talvez por isso o melhor será mesmo ser sincero.

***

Hoje acordei bem-disposto afinal regresso a Portugal, mais concretamente a Lisboa depois de umas férias solitárias que serviram para abstrair-me dos problemas e recarregar energias. Cheguei ao aeroporto de Lisboa e à minha espera tinha o meu irmão, cumprimentei-o e depois seguimos até à casa da nossa mãe onde tinha à minha espera um almoço.
- Filho como correu as férias?
- Bem, deu para descansar.
- Já deu para ver que sim – olhei-a – vens animado.
- Ya.
- Então puto conta lá isso é tudo porque as paisagens eram bonitas ou é porque encontraste distração por lá?
- Mauro se quis ir sozinho foi porque não queria companhia logo como é lógico não encontrei distração nenhuma.
- Então e tens falado com a Mariana? – olhei para o meu irmão.
- Sim porquê?
- Curiosidade.
- Hum ok.
-Então e como é que ela está?
- Bem – não alonguei muito a conversa porque não queria dar a entender que pudesse andar a falar mais do que devia com a Mariana.
- Então e quando é que regressas a Braga? – desta foi a minha mãe a perguntar.
- Talvez passe por lá estes dias mas ainda não sei, porquê?
- Só para saber.
- É impressão minha ou vocês estão estranhos?
- Nós? Não – o meu irmão apressou-se a falar.
- Ok, digam de uma vez o que se passa. – pedi
- Puto - olhei para o meu irmão - quando é que admites o que sentes pela Mariana - olhei-o.
- Que raio de pergunta é essa?
- Mano, pediste para dizermos o que se passa então fui directo à questão.
- Questão que não tem razão de ser - tentei dar o assunto por terminado.
- Será que não tem? Ruben, não é só a mãe que estranhou a vossa amizade, puto podes nem perceber mas a verdade é que reages de forma diferente quando estás com a Mariana, já para não falar no alívio que sentiste quando a Soraia acabou tudo.
- A Mariana não tem nada que ver com o fim do meu namoro.
- Mano que não tenhas admitido que ela mexe contigo enquanto namoravas com a Soraia até compreendo mas agora estás livre por isso se gostas dela só tens que lutar pela rapariga, pelo pouco que conheço da Mariana acho que deves arriscar, não tens nada a perder.
- Mas quem é que te disse a ti que gosto dela - olhei para a minha mãe afinal era a única a quem tinha admitido tal coisa.
- Ninguém mas somos irmãos logo conheço-te.
- Isso não te dá o direito de te meteres nos meus assuntos.
- Tudo bem não insisto mais mas apesar de não admitires sei que tenho razão e estás a ser parvo em continuares a negar isso, ela é uma rapariga como outra qualquer, pode não ter o mesmo nível de vida que actualmente tens mas tanto quanto sei nunca foste de ligar a isso, aliás nem sempre tiveste o que tens hoje por isso qual é o motivo que te impede de tentares algo.
- Mauro o problema não é nem nunca foi dinheiro mas sim não ser correspondido, é verdade gosto da Mariana cada vez mais se queres mesmo saber mas isso não adianta nada porque não sou correspondido, ela só me vê como amigo e prefiro ter a amizade dela do que não ter nada.
- Já tentaste falar com ela?
- Falei com ela antes de ir de férias e a Mariana foi bem explícita ao afirmar que sou só um amigo por isso como é óbvio não lhe disse que gosto dela, aliás neguei quando ela o perguntou.
- Filho a Mariana questionou os teus sentimentos por ela?
- Sim porquê?
- Não te passou pela cabeça que pode estar confusa e que talvez tenha sido essa a razão pela qual perguntou o que sentias por ela.
- Mãe não diga isso - suspirei - a última coisa que preciso é agarrar-me a uma esperança falsa, a Mariana deixou bem nítido que não gosta de mim da mesma forma.
- Continuo a dizer que deverias ser honesto com ela.
- Mauro isso implica dizer-lhe que menti quando antes de responder a Mariana avisou-me que a única coisa que não perdoa é a mentira, chegar junto dela e dizer-lhe a verdade é o mesmo que perdê-la como amiga.
- Puto não compliques - olhei-o sem entender - não precisas admitir que mentiste, só precisas dizer que durante estes quinze dias que estiveram afastados que percebeste que o que sentes por ela é mais que amizade.
- Isso não é solução, vou estar a mentir para encobrir outra mentira.
- Então diz a verdade, diz que tiveste medo de a perder e que por isso negaste, ela pode não gostar que lhe mintam mas se explicares a Mariana entende.
- Não sei.
- Devias falar com ela e ser honesto mas a decisão será sempre tua.
- Neste momento não vou remexer neste assunto ainda tenho uns dias de férias e vou aproveitar para tentar organizar a confusão que vai na minha cabeça e coração depois logo decido.
Eles já não insistiram mais e o resto do almoço serviu para contar o que tinha sido os meus quinze dias e depois mostrei algumas fotos mas foi quando cheguei a casa e comecei a desarrumar a mala que ao encontrar a prenda do Martim lembrei-me dele e por isso liguei à Mariana, estive vários minutos à conversa com ela mas acabei por pedir para falar com o miúdo, ela cedeu e ouvi-a a chamar o puto, A Mariana acabou por deixá-lo sozinho pois tinha que ir fazer qualquer coisa e por isso pudemos falar sem problemas foi no meio da conversa que o Martim disse-me algo que não sabia e que fez alterar por completo os meus planos, uma vez que fiquei a fazer que a Mariana faz anos amanhã, pedi ao miúdo para não comentar com a irmã que tinha dito que fazia anos algo que ele só aceitou depois de lhe explicar que queria fazer uma surpresa.
Ainda fiquei um pouco à conversa com ele mas acabei por desligar, tinha uma viagem até Braga para fazer e queria chegar antes da Mariana se ir deitar.
Só tive tempo de avisar a minha mãe que iria até Braga algo que a levou a perguntar imediatamente se a minha ida repentina a Braga tinha alguma coisa a ver com a conversa que tínhamos tido ao qual respondi com a verdade, que ia para Braga devido ao aniversário da Mariana mas que não estava a pensar revelar o sentimento que tenho por ela.
Fiz viagem toda a pensar na Mariana, cheguei a Braga umas horas depois e já à porta da casa do Nuno mandei mensagem.
Oi linda, quando o Martim estiver a dormir manda mensagem para ligar-te preciso falar contigo mas sem sermos interrompidos pelo puto.
Bjs:)
Esperei pela sua resposta que não tardou mas ao contrário do que esperava não foi através de uma mensagem mas sim de um telefonema afinal já eram mesmo horas do puto estar a dormir.
- Oi jeitoso– sorri ao ouvi-la – querias falar comigo?
- Quero mas para isso abre a porta de casa.
- Como assim? – perguntou imediatamente levando-me a gargalhar – estás a gozar comigo, é?
- Não, estou a pedir para abrires o portão para entrar com o carro para podermos falar pessoalmente, isto se quiseres.
- Ruben, nem em Portugal estás quanto mais em Braga – gargalhei até porque ela não sabia mesmo quando é que iria regressar a Lisboa.
- Mariana, abre o portão ou então vem até cá fora.
- Estás a brincar comigo – voltei a sorrir principalmente quando vi o portão a abrir.
- Estava difícil abrires o portão – ela interrompeu-me.
- Estás mesmo cá – perguntou imediatamente levando-me a gargalhar mas quando ia a responder percebi que já tinha desligado, aproveitei para entrar com o carro e assim que o fiz encontrei-a à porta, sorri sozinho e apressei-me a sair do carro.
- Estava complicado acreditares em mim – falei ao aproximar-me dela, a Mariana olhava-me atenta a todos os meus movimentos.
- O que é que estás aqui a fazer? – sorri
- Resolvi visitar-te a ti e ao Martim – estava agora diante dela a olhá-la atentamente quando a Mariana falou.
- Posso saber o motivo de teres regressado de férias mais cedo?
­- Podes - olhei-a - tive saudades tuas e do Martim e como estava por Lisboa sem fazer nenhum vim passar o fim-de-semana a Braga antes de ir de férias com a minha família.
- Pensava que ainda não tivesses regressado a Portugal.
- Regressei hoje - ela sorriu - e agora será que não mereço um beijinho e um abraço da minha amiga.
- Tadinho dele quer um abracinho é? - gargalhou.
- É e já agora um beijinho também - ela sorriu para logo depois abraçar-me, senti-la de novo junto do meu corpo fez com que o meu ritmo cardíaco aumentasse, a sensação de tê-la nos meus braços ainda que só como amiga é algo único.
- Satisfeito? - perguntou depois de dar-me o tal beijinho repenicado do lado esquerdo do meu rosto.
- Ya - ela sorriu.
- Anda vamos entrar - esticou o braço e por isso dei-lhe a mão.
- O Martim já dorme? – perguntei assim que entrei na sala.
- Já, ele hoje estava cansado, por isso adormeceu mais cedo – ela sentou-se no sofá algo que também fiz – mas conta como é que foram as férias.
- Deu para descansar.
- Ainda bem – ela sorriu e ficámos simplesmente vidrados um no outro como se estivéssemos só a falar pelo olhar, perdi a noção do tempo que estivemos simplesmente a observar o outro e só quando reparei nas horas é que percebi que já passava da meia-noite, sorri o que fez com que ela perguntasse o motivo.
- Parabéns - sorriu - pelas vinte sete primaveras.
- Como é que descobriste?
- O Martim comentou comigo quando estive a falar com ele ao telemóvel.
- Foi por isso que regressaste a Braga?
- Regressei principalmente por ter saudades vossas e como já tinha decidido vir cá nos próximos dias quando o Martim partilhou a novidade comigo não resisti e vim imediatamente, só não tive foi tempo para comprar nada.
- Não digas disparates a melhor prenda que podia receber já a deste quando decidiste vir passar o dia do meu aniversário comigo.
- Quem te disse que vim só por um dia? - ela olhou-me surpreendida - Linda, vim para passar mais que um dia.
- Mas estás de férias.
- E? Lá porque estou de férias não posso passar um fim-de-semana em Braga, é?
- Podes mas é em Lisboa que tens a tua família e a maioria dos amigos.
- Mas é aqui que te tenho a ti e ao Martim.
- O que é que queres dizer com isso? - ouvir tal pergunta fez com que vacilasse e por momentos a vontade de lhe dizer que para mim não era só uma amiga aumentou drasticamente por isso mesmo não consegui falar - Ruben o que é que se passa? - olhou-me - Parece que queres dizer alguma coisa mas que por algum motivo não o fazes.
- É impressão tua.
- Será que é mesmo?
- O que é que queres dizer com isso?
- Não sei o que se passa mas estás estranho.
- Estou só cansado - olhei-a - acho que vou até casa.
- Podes ficar cá afinal quartos não faltam.
- Hum acho que vou aceitar o convite – ela sorriu.
- Então vou colocar os lençóis na cama para ires descansar.
A Mariana levantou-se e saiu da sala mas acabei por segui-la, ajudei-a a colocar os lençóis na cama e foi quando o estávamos a fazer que inevitavelmente recordei todos os momentos de cumplicidade que partilhamos no espaço onde dormi durante alguns meses.
Acabei por ter que despedir-me dela e assim que a Mariana fechou a porta deitei-me na cama numa tentativa desesperada de conseguir adormecer.

Será que o Ruben vai conseguir aguentar estar do lado da Mariana e não lhe revelar a verdade? 

13 comentários:

  1. Ai, meu Deus!! Então, quando é que o Ruru conta pra Mariana que o que sente por ela já passa da amizade? hum? Estou que não me aguento LOOL
    Nem precisa dizer que está maravilhoso não é? Quero mais! =)

    Gabii.

    ResponderEliminar
  2. Ahh isto soube-me a pouco!!
    Então nem uma prendinha?! é que nem que fosse um autocolante da área de serviço...

    Isto de ele ficar por lá a dormir traz agua no bico com certeza!

    Quero mais!!

    Bjokinhas
    Mariaa

    ResponderEliminar
  3. porque estou com a sensaçao que esta noit irá ser bem longa? hum, a mariana ainda vai ter um dia de anos bem diferente dos outros, mas para acabar com as minhas suspeitas terei de esperar pelo proximo! :)

    como sempre, este está maravilhoso e parece que tudo o que leio é pouco, isto está cada vez mais lindo! :)

    ah, nao te enviei aquilo que te tinha dito pq acabei por adormecer mas vou tratar disso agora :)

    beijinhos

    ResponderEliminar
  4. fabuloso...

    quero mais... tou super curiosa pata ver o proximo...

    continua...

    ResponderEliminar
  5. Irá acontecer alguma coisa durante a noite? :p
    Quero sabeer rápido! A Marianinha já vai dando umas abébias ao Rubinho, já se vai apercebendo, talvez...
    Beijinhoo

    ResponderEliminar
  6. Olá :)
    Ai quero o próximo MUITO rápido!
    Beijinhos
    Rita
    http://letitbe-5.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  7. Olá :)
    Ai quero o próximo MUITO rápido!
    Beijinhos
    Rita
    http://letitbe-5.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  8. ai que querido.. fazer tanto quilometro, depois de ter chegado de viagem so pra ir ter com a sua mais que tudo... AH e de facto a Mariana já está a ceder, espero e que ela nao volte atrás!
    Cheira-me que está próximo, quase... quase...
    como já sabes, o capitulo está completamente AWESOME !!!

    beijinho ENORME

    Raquel

    ResponderEliminar
  9. Uma pessoa espera e desespera com estes dois, mas quando é que ele pensa abrir o jogo com a Mariana? quando forem velhinhos? Ai Ruben Amorim, bandeia-te.
    Espero que a noite seja muito boa conselheira, para os dois, que bem precisam.
    Adorei, mas já sabes que agora quero saber como vai correr a noite.

    Beijocas

    Fernanda

    ResponderEliminar
  10. Estou a desesperar por o Ruben contar tudo o que sente ou que aconteça algo entre eles...

    quero mais

    ResponderEliminar
  11. Olá linda, ainda li ontem mas estava a cair de sono e não comentei e hoje só agora cheguei...
    Acho que estes meninos precisam de uma ajudinha... será que tem de ser o Martim que é uma criança a mete-los a conversar verdadeiramente... raios... e tranca-los num quarto??!!! Pode ser que resulte... :D
    Espero cheia de esperanças para este dia ;)
    Tenho de confessar que já via toda contente a pensar que tinha o capitulo 22...
    Muito bom!
    Quero mais!!!!
    Beijinhos.

    ResponderEliminar
  12. Olá!
    Isto nao se faz! Mas nunca mais admitem o que sentem???
    Fogo que desespero! xD
    Quero o próximo e que de preferência venha com declaração!!!

    Beijo
    Ana

    ResponderEliminar