quinta-feira, 31 de maio de 2012

020- “… há coisas na vida que são inevitáveis e uma delas é o amor…”


Ruben

Nas duas últimas semanas mal tenho falado com a Mariana preferi afastar-me um pouco para tentar organizar a confusão de sentimentos que ia dentro de mim e ao fim de quinze dias a certeza que ela já é demasiado importante para mim deixou de ser uma incerteza para passar a ser certeza mas agora a luta interior é outra, não sei o que fazer em relação ao sentimento que tenho por ela, por um lado quero partilhar com a Mariana mas por outro sei que ela se irá afastar e por isso mesmo tenho preferido continuar afastado.
O jogo ontem correu-me mal a todos os níveis e quando acabou só queria chegar a casa e dormir até ao dia seguinte mas isso não aconteceu primeiro porque fui jantar com a minha família que teimaram em saber o que andava a acontecer comigo mas que fugi a todas as questões e depois porque quando cheguei finalmente à cama a Mariana e as saudades que já tenho de ver o ser sorriso não deixaram que dormisse quase nada.
Acabei por levantar-me e depois de comer fiquei estatelado no sofá a ver televisão, foi quando o estava a fazer que ouvi a campainha e apesar de não ter vontade nenhuma levantei-me para ver quem seria e foi quando olhei pelo intercomunicador que nem queria acreditar, era a minha Mariana que estava à espera que lhe abrisse a porta, não hesitei um segundo que fosse e abri a porta do prédio bem como a do meu apartamento, fiquei encostado à ombreira à sua espera e uns minutos depois vi a porta do elevador a abrir para finalmente a ver diante de mim.
Não consegui reagir e por isso foi dela a iniciativa de se aproximar, a Mariana deu-me um beijo repenicado no rosto para logo depois ouvir a sua voz.
- Então desaparecido - sorri-lhe - será que dá para conversarmos sem que fujas? - suspirei, ela não estava mesmo disposta a sair dali sem respostas.
- Entra - dei-lhe passagem e assim que ela passou por mim o seu perfume entranhou-se nas minhas narinas - como é que descobriste a minha morada?
- Nós nem temos amigos em comum nem nada - gargalhei
- Queres alguma coisa para beber ou comer?
- Não, só quero que te sentes aqui do meu lado - olhei-a - Ruben o que é que se passa? - perguntou-me quando já estava sentado do seu lado.
- Nada.
- Nada? Queres que acredite nisso?
- É verdade.
- Não, não é e sabes disso melhor do que eu - olhou-me - só gostava de saber porquê que te afastaste de mim.
- Não afastei-me de ninguém simplesmente tenho andado ocupado - tentei fugir à questão mas ela não facilitou.
- Ruben além de cobarde também és mentiroso, é? Não sei o que se passou só sei que desde que recusei o maldito convite para jantar contigo que afastaste-te e desde dessa altura que ando a levar constantemente com as perguntas do Nuno e da Patrícia porque eles acham que sou responsável por andares distante e distraído - interrompi-a.
- Não tens culpa de nada - suspirei - o problema sou eu.
- Queres ser mais explícito?
- Não.
- Ok, então fica aí a remoer nos problemas sozinho - ela levantou-se mas agarrei-a pela mão.
- Onde vais?
- Embora porque não estou aqui a fazer nada.
- Espera - ela olhou-me - desculpa.
- Ruben não quero um pedido de desculpas, só quero saber o que se passa e se posso ajudar nalguma coisa.
- Mariana, prefiro não falar e quanto a ajudares não há nada que possas fazer.
- Tens a certeza? - ela perguntou-me a olhar directamente nos meus olhos ao mesmo tempo que agarrou-me na mão e não sei porquê mas instintivamente afastei-me o que a deixou triste - ainda falas que não se passa nada? - ela levantou-se e foi até à janela - Podes dizer a verdade porque não é nada que não esteja à espera, sempre fui descartável para as pessoas e contigo não há-de ser diferente - doeu ouvi-la a dizer tal coisa quando a vontade que tinha era dizer-lhe o quanto gosto dela.
- Mariana - aproximei-me dela e ao tocá-la no ombro ela fugiu.
- Esquece não preciso que tenhas pena de mim, já percebi que perdi o meu tempo a vir aqui mas principalmente a deixar que entrasses de alguma forma na minha vida.
- Não digas isso - pedi a olhá-la nos olhos - se soubesses o quanto estás a ser injusta não dirias tal coisa.
- Injusta?
- Sim injusta - aproximei-me ainda mais - Mariana não quero afastar-me de ti mas precisei de uns dias para reorganizar a confusão de sentimentos que ia dentro de mim - ela olhava-me e quanto mais minutos passava ali diante dela mais a vontade de beijá-la consumia-me - ter terminado com o noivado deixou-me um bocado à deriva - desculpei-me com o fim do relacionamento com a Soraia - desculpa se te magoei por ter andado mais distante mas precisei mesmo destes dias, é verdade que podia ter-te dado uma justificação mas não consegui, não sou prefeito também cometo erros e um deles foi afastar-me de ti quando não é disso que estava a precisar - fiz-lhe uma carícia no seu rosto - Mariana - suspirei - o problema é que - não consegui concluir fui interrompido pelo barulho irritante da campainha.
- É melhor ires ver quem é - ela afastou-se, por isso fui até à porta e ao ver quem era ainda pensei não abrir mas de nada adiantaria, a Soraia não iria desistir por isso abri a porta do prédio e depois fui avisar a Mariana.
- É a Soraia - falei ao entrar na sala.
- Vou embora - falou ao pegar na mala.
- Espera não vás - pedi-lhe - fica por favor.
- Ruben não estou com disposição para aturar a Soraia.
- Se não quiseres ficar na sala podes ir até ao meu quarto, espera lá que quando ela sair vou chamar-te.
- Ok - sorri ao ouvi-la a ceder - mas depois quero que expliques muito bem o que se anda a passar.
- Tudo bem.
Ela acabou por ir até ao meu quarto enquanto fui abrir a porta à Soraia.
- Bom dia.
- Olá, posso entrar? - pediu-me.
- Precisas de alguma coisa? - perguntei ainda com ela à porta.
- Sim se não te importares gostava de levar as minhas coisas e queria falar contigo.
- Tudo bem, entra - dei-lhe passagem afinal tínhamos mesmo que ter uma última conversa.
- Posso ir até ao quarto buscar as minhas roupas?
- Não - ela olhou-me - porque já está tudo dentro de um saco por isso vou buscar.
- Isso é que foi pressa para te veres livre das minhas roupas.
- Soraia, nós terminamos de vez, se tu própria emitiste um comunicado a avisar a imprensa que não iria haver mais casamento dado que nos separamos não vejo motivo para que as tuas coisas continuassem espalhadas pela minha casa e se queres saber nem fui eu que arrumei mas sim a minha mãe, pedi-lhe que o fizesse para que quando chegasse não ter que levar com recordações nossas.
- Estás assim tão arrependido do tempo que passaste ao meu lado?
- Não estou arrependido.
- Não é isso que parece.
- Soraia, amei-te e pensei mesmo que fosse para a vida mas isso não aconteceu, continuo a gostar imenso de ti mas já não é amor e quanto a isso não posso fazer nada, nós não escolhemos quem amamos.
- Dói ouvir isso - ela estava com as lágrimas nos olhos e pela primeira vez tive a noção que estava a sofrer com o fim do nosso namoro - mas dói ainda mais saber a forma como terminou - olhei-a - trocaste-me por outra ainda por cima por alguém que nem é do nosso classe social - interrompi-a.
- Podes parar por aí, não te troquei por ninguém, estou sozinho e é assim que quero continuar.
- Estás a dizer que a empregada se está a fazer de difícil, é?
- Soraia, não metas a Mariana no meio da nossa conversa porque a rapariga não tem nada com o assunto.
- Até quando é que vais continuar a negar o óbvio? Ruben, conheço-te muito bem para perceber que estás apanhadinho por ela, a forma como olhas, como os teus olhos brilham quando se fala no nome dela não deixa margem para dúvidas, o brilho que tens no olhar quando estás perto dela é o mesmo que em tempo tinhas quando estavas comigo, não negues aquilo que não tem negação possível - suspirei - admite de uma vez aquilo que sentes.
- Não dá - ela olhou-me - porque não sei aquilo que sinto, não amo a Mariana mas também não posso dizer que é indiferente quando não é, sinto-me bem do seu lado mas ainda assim não é amor e muito menos temos alguma coisa, sempre te respeitei.
- Sempre respeitaste-me - falou ironicamente - principalmente quando trocaste os nossos nomes, Ruben não sejas ridículo e admite o que se anda a passar.
- Queres que diga que gosto dela, sim gosto, se queres saber dava tudo o que tenho e o que não tenho para que a Mariana sentisse o mesmo em relação a mim mas infelizmente ela só me vê como um amigo e agora que já sabes a verdade deixa-me ir buscar o saco que tem as tuas coisas.
Não lhe dei tempo para dizer nada, saí da sala e fui buscar o saco, quando regressei encontrei-a sentada, entreguei-lhe o saco e pedi que saísse, algo que acabou por fazer mas antes teve que avisar-me que isto não ficaria assim, que ainda iria arrepender-me por tudo o que lhe fiz. Fiquei triste apesar de tudo não queria que as coisas terminassem assim mas a verdade é que não escolhi quando apaixonei-me pela Mariana, simplesmente aconteceu sem que desse por isso e agora não há volta a dar.
Estava na varanda quando pressenti alguém a chegar e por saber quem seria um sorriso surgiu no meu rosto e ficou ainda maior quando a ouvi falar.
- Ó jeitoso - virei-me e ficamos novamente frente a frente e demasiado próximos – estás bem? - perguntou-me visivelmente preocupada.
- Mais ou menos - suspirei - dói perceber que a magoei mesmo sem ter essa intenção.
- Ruben, há coisas na vida que são inevitáveis e uma delas é o amor, não escolhemos por quem é que nos vamos apaixonar, hoje estás com uma pessoa amanhã podes estar com outra, são coisas que acontecem principalmente quando a relação que mantemos com alguém não está a atravessar uma boa fase.
- Tens razão mas podia ter sido logo honesto com ela.
- Ruben não penses mais nisso por muito que queiras já não podes alterar o passado logo segue em frente, sei que dói quando reconhecemos que magoamos alguém mas não nos adianta de nada ficar presos a essa dor, se deixaste de amá-la e encontraste o amor ao lado de outra então aproveita a oportunidade para seres feliz e não cometas os mesmo erros.
- O problema é que a pessoa de quem estou a gostar não sente o mesmo por mim - olhei-a nos olhos enquanto falei queria ver a sua reacção mas como já estava à espera a Mariana não entendeu o que queria dizer.
- Tal como não escolhemos por quem nos vamos apaixonar também não podemos obrigar essa pessoa a sentir o mesmo.
- Isso não serve de grande consolo.
- Ruben o tempo é o nosso melhor amigo.
- O que queres dizer com isso?
- Que nunca sabemos o que esperar, que talvez com o tempo essa rapariga por quem te apaixonaste possa vir a sentir o mesmo por ti, nós nunca sabemos o dia de amanhã mas se há algo que já aprendi é que o amanhã traz-nos sempre surpresas umas vezes boas outras nem tanto mas que não há nada certo na vida lá isso não há.
- Estás a querer dizer que devo ter esperanças?
- Estou a dizer que deves parar e tentar perceber se vale mesmo a pena esperares por essa rapariga.
- E se não quiser esperar - aproximei-me ainda mais dela colocando a mão no seu rosto - e se quiser que ela responda à pergunta se vale mesmo a pena esperar?
- Então pergunta-lhe - ela afastou-se.
- Não tenho coragem - admiti ao baixar o olhar.
- Não tens coragem ou tens medo da resposta?
- As duas.
- Ruben - ela aproximou-se e levou a mão à minha cara obrigando-me a olhá-la - não sou parva.
- O que queres dizer com isso?
- Que cada vez tenho mais certeza que sei de quem é que estamos a falar - disse-me olhos nos olhos - Ruben até aqui andei a evitar esta conversa porque quis acreditar que não era mais do que macaquinhos da minha cabeça mas sinceramente já estou a dar em doida com esta dúvida, isto pode parecer estranho mas pela primeira vez não estou a conseguir ser racional e muito menos consigo distinguir se sou eu que estou a ver coisas onde não existem ou se pelo contrário ando é a negar o óbvio. Ruben desde que nos afastamos mas principalmente nestes últimos dias existe uma série de acontecimentos que andam a tirar-me o sono, por isso desculpa mas vais ter que responder-me se sou ou não a responsável pelo fim do teu namoro.
- Não - percebi que não tinha ficado convencida da resposta e talvez por isso voltou a insistir.
- Tens a certeza? Ruben, não quero parecer egocêntrica mas há uma data de situações e conversas que não saem da minha cabeça, pior ainda que estão a deixar-me cada vez mais confusa e se há coisa que detesto são assuntos mal resolvidos porque acabam sempre por vir ao de cima - ela não estava convencida e o facto de estar a olhar-me enquanto falava não estava a ajudar.
- Que conversas e situações são essas que te levam a pensar que és a responsável pelo fim do meu noivado e namoro?
- Ruben começando pelas bocas e suposições do Nuno e da Patrícia, passando pela conversa que a tua mãe teve comigo no dia seguinte ao que vocês acabaram e terminando com as nossas últimas conversas em que tenho ficado com a sensação que andas a fugir de mim e a falar por meias palavras - pela primeira vez desviei o olhar o que fez com que falasse novamente - vês é disso que falo, são essas atitudes que levam-me a pensar que ou estou louca ou então demasiado perto da verdade.
- Mariana a última coisa que quero é magoar-te - ela interrompeu-me.
- O que pode magoar-me é a mentira - olhou-me - consigo lidar com tudo menos com pessoas falsas.
- Estás a dizer que não acreditas em mim?
- Não tenho razões para não acreditar mas ficas avisado que dificilmente perdoo quem não é honesto comigo, detesto que não digam a verdade e que depois dão aquela desculpa esfarrapada de que é para proteger-me - interrompi-a.
- Queres à força que admita que estás certa, que por algum motivo foste a responsável pelo fim do meu namoro, é?
- Não - olhou-me - só quero a verdade independentemente de qual seja.
- É a verdade que queres?
- Sim.
- Então responde-me o que sentes por mim - olhou-me - e já agora como é que reagirias se te confirmasse que tens razão mas que não sentes o mesmo por mim.
- Ruben o que sinto por ti é amizade unicamente isso - disse segura de si - quanto ao resto não posso responder-te pois não passa de uma suposição e a minha forma de lidar com essa realidade iria depender e muito da forma como lidarias tu com o facto de não seres correspondido, se conseguisses separar as coisas podes ter a certeza que continuarias a ter-me do teu lado caso contrário terias sempre a minha amizade mas não duvides que iria afastar-me, a última coisa que iria querer era dar-te esperanças, infelizmente sei bem o que é viver na ilusão e isso não é algo que desejo a ninguém muito menos a um amigo.
- Então ainda bem que estás enganada - estava a custar mentir-lhe mas ou era isso ou vê-la a afastar-se de mim porque os meus sentimentos não são correspondidos - Mariana não foste a responsável pelo fim do meu namoro, a minha relação com a Soraia acabou porque deixei de ama-la e não porque esteja a gostar de ti. Linda, esquece a conversa que tiveste com a minha mãe e quanto às bocas dos nossos amigos não ligues, eles podem pensar aquilo que quiserem mas não é por isso que vai virar realidade.
- Então porquê que andaste a evitar-me? - ela não estava convencida o que fez com que vacilasse por momentos ainda assim continuei a negar o óbvio.
- Não te evitei simplesmente precisei de uns dias para reflectir no que fiz de errado, no porquê que depois de quatro anos a relação terminou da forma que foi.
- Ok - ela sorriu - mas para a próxima não fiques tanto tempo sem dar notícias, todos precisamos do nosso espaço mas não custa muito dizer isso aos nossos amigos, se tivesses falado que precisavas deste espaço tinha respeitado o pedido e terias evitado esta conversa embaraçosa.
- Desculpa, não fiz por mal.
- Esquece - voltou a sorrir - já passou, nada como uma conversa franca e agora tenho que ir - ela aproximou-se e deu-me um beijinho no rosto seguido de um abraço.
- Não queres ficar mais um bocado - ela olhou-me - podíamos almoçar juntos.
- Hum a proposta agrada-me mas tenho o meu puto à espera.
- É verdade com isto tudo nem perguntei por ele.
- O Martim está sempre bem e ontem teve com os amigos dele por isso não deve ser difícil adivinhar que está radiante.
- Onde é que o deixaste?
- Na casa da Letícia que é a madrinha dele.
- Ah ok - ela sorriu - e não queres ir buscá-lo?
- Como assim?
- Oh vou de férias por isso podíamos almoçar os três em género de despedida.
- Lamento mas não vai dar.
- Porquê?
- Porque já tinha combinado de almoçar com a Letícia.
- Então ela que venha também - a Mariana olhou-me - podíamos ir buscá-los e almoçávamos num lado qualquer.
- Não sei se é boa ideia.
- Tens receio de ser vista comigo, não é?
- Ruben, estamos em Lisboa o melhor é não arriscarmos.
- Juro que não entendo essa tua paranóia, quando namorava ainda tinha um motivo mas agora - ela interrompeu-me.
- Agora o motivo continua a ser o mesmo porque nunca foi a Soraia - olhei-a admirado - Ruben, o problema não era namorares mas sim seres conhecido e mesmo sem quereres isso pode trazer-me consequências que não quero.
- Como assim?
- Ruben, saí de Lisboa porque a minha mãe andava a querer ver o Martim, digamos que fugi para parte incerta na esperança de ver-me livre dela como tal ser vista contigo a passear em Lisboa ainda para mais com as revistas a especularem a razão pela qual já não vais casar não é de todo algo benéfico, desculpa não tens culpa mas neste momento só quero proteger o meu irmão.
- Tudo bem compreendo isso mas não podes andar a vida inteira a fugir da vossa mãe.
- Ruben não ando a fugir mas se puder evitar, evito.
- O que é que não estás a contar? - ela olhou-me.
- Lembraste do dia que encontraste-me a chorar e que até foste falar disso com o Nuno?
- Sim isso foi logo nos primeiros dias que nos conhecemos mas o que tem?
- Encontraste-me a chorar e andei os dias seguintes mais em baixo porque ligaram-me a avisar que a minha mãe andava a querer saber para onde tínhamos ido, que queria a todo o custo ver o Martim e como ninguém lhe disse, ela ameaçou que iria tentar através da justiça ter permissão para ver o Martim, ninguém lhe deu credibilidade até porque não era a primeira vez que ameaçava mas ao contrário das outras que não fez nada para conseguir isso desta fez, ela internou-se numa clínica para fazer nova desintoxicação - a Mariana já estava com as lágrimas nos olhos e sem pensar duas vezes abracei-a - tenho medo do que possa vir a acontecer se ela não desiste desta ideia.
- Mariana, ela até pode ficar limpa das drogas e até pode levar o caso para a justiça mas nunca na vida um juiz irá tirar-te o Martim para entregar a ela.
- Não sei, tenho medo.
- Shiu - limpei-lhe as lágrimas - isso não vai acontecer e mesmo que ela tente não irás estar sozinha para além dos teus amigos que te acompanharam desde o início agora tens-me a mim, ao Nuno e à Patrícia, se quiseres até posso falar com o meu advogado ele deve conhecer alguém que te pode ajudar se for necessário, mas agora não quero que penses mais nisso - fi-la olhar para mim - vamos buscar o Martim e a madrinha dele para almoçarmos e não aceito um não como resposta, tens que te distrair até porque não queres que o Martim perceba que se passa algo, não é?
- Sim - ela sorriu ligeiramente - mas mesmo assim preferia não andar a desfilar contigo para Lisboa inteira ver - gargalhei.
- Deixa de ser exagerada mas se queres passar despercebida podes sempre ligar à madrinha do Martim e dá-lhe a morada daqui.
- Como assim?
- Então se concordares em fazeres o almoço para o esfomeado podemos almoçar aqui.
- Para isso vamos até à casa da Letícia e almoçamos por lá - sorri-lhe - que foi?
- É impressão minha ou não queres trazer a tua amiga aqui a casa?
- Não é bem não querer mas prefiro que sejamos nós a ir ter com eles.
- Ok, avisa lá que vais levar uma visita contigo enquanto vou mudar de roupa - dei-lhe um beijo no rosto para depois deixá-la sozinha.
Mudei de roupa o mais rápido que consegui e quando regressei à sala encontrei-a com o meu portátil no colo.
- Posso saber o que a menina tanta vê?
- Ups fui apanhada - gargalhei ao ouvi-la - mas já que perguntaste precisei de ir ao meu mail e acabei por usar o teu portátil, desculpa.
- Podes usar sempre que precisares - ela olhou-me - não tenho nada aí que não possas ver.
- Pois mas fiquei a saber que o fundo do teu ecrã é uma foto nossa - sorri ao ouvi-la.
- Tens algum problema com isso? - aproximei-me dela quando já estava de pé - Somos amigos por isso não vejo mal nenhum nisso - olhou-me - vamos? - a Mariana sorriu.
- Sim vamos que a Letícia já está a fazer conta com mais uma boca que por sinal come por duas.
- Piadinha.
Ela não respondeu e por isso descemos até à garagem em silêncio que só foi quebrado quando ela teve que dar a morada da casa da amiga.

Mariana

Quando decidi procurar o Ruben nunca pensei que terminasse desta forma comigo a abrir o jogo e a dizer-lhe com as letras todos o que andava a povoar os meus pensamentos, tivemos uma conversa franca e apesar de ser um assunto delicado não fiquei minimamente incomodada, talvez por ter a consciência que precisávamos mesmo de esclarecer as coisas.
O Ruben acabou por convencer-me a deixá-lo almoçar comigo e com o Martim por isso enquanto se foi vestir aproveitei para ligar à Letícia e informa-la que levaria alguém para o almoço, ela começou a fazer filmes mas não liguei nenhuma e muito menos lhe disse que comigo iria um dos seus jogadores preferidos.
Já íamos a caminho da sua casa quando lembrei-me de pedir ao Ruben para passarmos por um supermercado, queria levar gelado para a sobremesa uma vez que o Martim adora gelados, lógico que o Ruben fez-me a vontade e desviou caminho só para comprar aquilo que queria.
Foi quando já estávamos a chegar que o Ruben perguntou-me algo que levou-me a gargalhar.
- A Letícia sabe quem é que vais levar contigo?
- Não.
- Porquê que gargalhaste?
- Porque estou curiosa para ver a reacção dela.
- Como assim?
- Digamos que ela é uma fã tua.
- Benfiquista portanto?
- Não, é mesmo só tua fã - ele olhou-me - tua e de mais não sei quantos - gargalhei ao ver a cara dele - é que ela é daquelas que só vê futebol pelas pernas e cus de quem joga, ou seja, joguem vocês de azul, vermelho ou amarelo às bolinhas roxas é completamente indiferente.
- És terrível.
- Amigo - ele sorriu - só estou a ser sincera mas agora deixemos a conversa para depois e estaciona mas é o carro que o prédio é aquele - falei ao apontar.
O Ruben lá conseguiu encontrar um lugar e depois de estacionar saímos, toquei à campainha e depois de ouvir a voz do meu pequeno a perguntar quem era a porta abriu assim que lhe disse que era eu.
Subimos de elevador e assim que chegamos ao andar da Letícia o Martim abriu a porta do apartamento, escusado será dizer que se atirou para os braços do Ruben, não pude deixar de sorrir ao ver a alegria do meu irmão.
- Que sorriso foi esse? - o Ruben perguntou-me assim que o Martim nos deixou aos dois à porta e foi até à sala.
- Nada de especial só fiquei contente por ver o meu pirralho animado e agora vamos entrar - falei ao agarrar--lhe a mão para o puxar, entramos e o Ruben fechou a porta mas ao virar-se ficamos perdidos a olhar um para o outro, não sei o que estava a dar-me mas senti uma vontade louca de observar cada detalhe seu o que estava a deixar-me assustada.
- Ó Mariana vais ficar a fazer sala à porta de casa - ouvi a voz da Letícia cada vez mais perto e só quando se calou é que desviei o olhar e encontrei-a petrificada a olhar-nos e só aí é que percebi que continuava de mão dada ao Ruben, automaticamente desprendi-me dele e falei.
- Letícia é o Ruben, Ruben é a Letícia - apresentei-os e vi o Ruben a cumprimentá-la.
- A minha alma está parva - gargalhamos os dois perante tal comentário - desde quando é que falas com jogadores?
- Desde que fui trabalhar para a casa de um.
- Amiga temos que conversar - o Ruben olhou-me.
- Depois porque agora estou com fome - falei ao passar por ela - anda - falei para o Ruben.
O almoço foi divertido, as gargalhadas foram uma constante e apesar de sentir que estava a ser observada pela minha amiga não deixei de ser eu mesma já o Ruben desligou completamente ou não fosse estar habituado a ser observado.
No final do almoço fui ajudá-la a arrumar a cozinha, oportunidade que a Letícia aproveitou para perguntar algo que queria saber.
- Tu e o Ruben - gargalhei.
- Somos só amigos - falei antes que ela concluísse.
- Não foi isso que pareceu quando fui ter convosco à porta - sorriu - amiga foste tu a responsável pelo fim do namoro e noivado dele?
- Não e podes parar com os filmes porque não temos nada.
- Pois, pois vais dizer que é fruto da minha imaginação, é? Mariana, sei aquilo que vi.
- Ai sim então diz lá o que viste para além de dois amigos.
- Se fosse só amizade vocês não se olhavam daquela forma e muito menos estavam de mãos dadas.
- Qual é o mal?
- O mal não é nenhum até pelo contrário - olhei-a - gostei do que vi - ela sorriu.
- Pára - ela interrompeu-me.
 - Porquê? Algo diz-me que tenho razão, que entre ti e o Ruben existe alguma coisa.
- Já te disse que somos só amigos agora acredita no que quiseres.
- Tudo bem não volto a insistir neste assunto.
Acabei por mudar de assunto dando continuação à conversa enquanto arrumávamos a cozinha e assim que terminamos regressamos à sala, o Ruben estava na brincadeira com o Martim o que foi razão suficiente para a Letícia mandar a piada.
- É que é mesmo fofo, além de ser jeitoso todos os dias, o teu irmão adora-o - respirei fundo o que foi motivo para ela gargalhar denunciando assim a nossa presença.
- Mana - olhei para o Martim - quando é que temos de regressar para Braga - perguntou-me quando já estava sentada ao lado do Ruben e com o meu piolho ao colo.
- Daqui pouco porquê?
- Por nada - sorri ao ouvi-lo.
Fiquei à conversa com o Ruben e a Letícia enquanto o meu piolho foi arrumar os seus brinquedos uma vez que tínhamos mesmo que regressar a Braga e quando voltou avisei que iria arrumar a mala para depois seguirmos. Estava a terminar de fechar a mala quando reparei na presença do Ruben, ele estava encostado à porta uma vez que a tinha fechado.
- O que estás aqui a fazer? - perguntei e vi que ele sorria - Então não respondes - ele continuava mudo mas cada vez mais perto, o Ruben caminhava lentamente na minha direcção e sem nunca desviar os seus olhos dos meus, o que estava a deixar-me desconfortável e quando tentei sair do quarto o Ruben agarrou-me pela cintura.
- Não fujas - olhei-o - só quero despedir-me de ti.
- Podias esperar que chegasse à sala - ele sorriu.
- Poder até podia mas lá não podia fazer aquilo que quero - tremi ao ouvir tal insinuação ainda assim não consegui desgrudar um milímetro que fosse e afastar-me dele - Mariana - ele aproximou-se ainda mais e levou a mão direita à minha cara.

O que irá o Ruben fazer ou dizer? Será que vai voltar atrás e dizer-lhe o que verdadeiramente sente?

11 comentários:

  1. aaaaaaaaaaaaaaai que esta historia está a deixar-me doida!! a serio... isto nao se faz !!!
    quero e preciso de desenvolvimento nisto LOOL
    tive pena do Ruben, bolas... a Mariana e osso duro de roer... vamos la a ver o que e o ruben vai fazer e se se arrepende depois

    ja sabes que isto merece capitulo 21 e rapidinho, sff

    beijinho grande
    Raquel

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  2. ai ai ai ai!!! isto assim nao se aguenta, eu já nao vou dizer que isto nao sao geitos de acabar um capitulo porque deves estar farta de saber, mas que nao é justo nao é! ai, eu suspeito do que o ruru vai fazer, mas quero ver as minhas suspeias confirmadas no proximo, quero muito o ler, e vou aguardar muito ansiosa para o ler!!

    beijinhos :)

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  3. Ahhhh onde é que está o resto??
    Então acaba-se um capítulo assim?! A meio da despedida?!
    Explica-me lá como é que eu vou conter a ansiedade ler o resto Hummm?

    O próximo rápido por favor!!!!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  4. Explica-me como se fosse muito burra porque raio tinhas de acabar agora o capitulo???!!!! Nem posso acreditar... e o que é que deu ao Rúben para dar aquela volta toda à questão??? E a Mariana nem ouviu nada da conversa com a Soraia???? Isto é tudo do contra... raios.
    QUERO MAIS!!!
    Muito bom, mesmo.
    Beijinhos linda.

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  5. Olá :)
    Eu juro que te vou matar!xD
    Acabas o capitulo agora,nem deixas nos saber se o Amorim vai fazer o nós bem sabemos(e sinceramente espero que o faça!)
    O próximo que venha à velocidade da luz!! :D
    Fico à espera.
    Beijinhos
    Rita

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  6. Ai que nervos, então mas ele não abriu logo o jogo porquê? Tou desconfiada que a Mariana ouviu a conversa do Ruben com a perua, ou pelo menos parte da conversa. Ela a dizer-lhe que não perdoa mentiras e ele mente-lhe descaradamente, vamos ver se ele não se vai arrepender.
    Tou a imaginar a cara da Letícia quando viu quem era o outro convidado para o almoço, quanto à despedida, acho que o Ruru como vai de férias quer deixar a Mariana ainda com mais motivos para ter saudades dele, eu acho que ela não vai resistir.
    Quero mais, porque terminar assim um capitulo não tá com nada.

    Beijocas

    Fernanda

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  7. Mas será qe a Mariana não se apercebe qe não é só amizade? O Ruben já percebeu isso, agora vamos lá ver se ela abre os olhinhos! E tou para o qe é qe vai acontecer no quartinho :p
    Beijinhoo

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  8. ai a parte final precisa de continuação... hoje certo?

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  9. Então Caty, acha mesmo que isso é certo? Acabar assim, na melhor parte? O.M.G
    Estou quase indo te fazer postar u-u LOOL É sério agora, posta rapidinho tá?
    Beijinhos! :*

    Gabii!

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  10. quero mais... tou super curiosa agora para ver o proximo...

    continua...

    como sempre ta fantastico, fabuloso...

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