Ruben
A primeira parte correu mal connosco a sair para o intervalo
a perder por uma bola mas assim que aproximei-me do túnel de acesso ao
balneário foi impossível não sorrir quando o Martim que estava à minha espera ao
ver-me correu na minha direção atirando-se para o meu colo.
- Ruben não fiques
triste, vocês na segunda parte ganham aos lampiões e és melhor que eles todos
juntos - sorri ao ouvi-lo.
- Obrigado -
dei-lhe um beijo nas bochechas - mas
agora tens de ir para o chão que tenho de ir até ao balneário.
- Tá bem - deu-me
um abraço e depois coloquei-o no chão, estava a caminhar para juntar-me aos
meus colegas quando a voz do Javi fez-me parar.
- Quem é o puto?
- olhei-o e sorri.
- Alguém importante
para mim mas depois falamos - sorri e entrei no balneário.
Estive uns minutos a ouvir o mister mas acabei por sair e ir
à procura do Martim antes de regressar para a segunda parte, encontrei-o junto
com alguns suplentes do Benfica, aproximei-me e assim que o fiz o miúdo colocou
os seus bracinhos em volta da minha cintura.
- Então a conviver
com o inimigo - meti-me com o Martim e ao mesmo tempo com os meus
ex-colegas mas acima de tudo amigos.
- É vê lá se o
inimigo passa-te a perna - o Saviola meteu-se na conversa o que originou um
momento cómico ou não fosse o Martim abrir a boca.
- Já aprendias a
falar porque não entendo nada do que falas.
- Martim -
olhou-me - o Saviola é argentino, é
normal que não fale português.
- Não quero saber já
está á muito tempo cá por isso já devia saber falar - foi impossível não
sorrimos - tão a rir porquê?
- Por nada, piolho
- passei a mão pelo seu cabelo.
- Ruben - olhei-o
- tu tens saudades de jogar com eles?
- a pergunta do miúdo deixou todos os que se encontravam por perto a
olharem-me, talvez porque à nossa volta não estava só jogadores do Benfica mas
também alguns elementos do Braga.
- Martim, somos
amigos é lógico que tenho saudades de estar com eles mas agora no que toca a
jogar tenho que ser profissional e saber separar as coisas.
- Mas tu sabes -
sorriu - tanto que vais marcar - os
olhinhos do Martim brilharam.
- Iria jurar que és
do Porto - meti-me com ele.
- E sou mas quero que
o Braga ganhe - olhou-me - o Benfica
não merece ganhar - sorri - não
gosto do treinador deles - a vontade de gargalhar foi mais que muita, até
porque o senhor a quem se referia passou no exato momento que falou mas não
cheguei a manifestar-me porque tive de regressar ao jogo.
Os seguintes quarenta e cinco minutos foram intensos,
conseguimos empatar o jogo e já quando os adeptos julgavam que o resultado
estava definido numa jogada individual consegui marcar mas ao contrário do que
seria de esperar não festejei o golo, limitei-me a olhar para o camarote e a beijar
o meu dedo da mão direita e depois aproximei-me da linha lateral onde estava o
Martim que sorriu ao perceber que caminhava na sua direção, passei a mão pela
sua cabeça e regressei para junto dos meus colegas para uns segundos depois o
árbitro dar a partida como terminada. Enquanto a restante equipa ficou no
relvado a festejar a vitória com os adeptos fui até à zona mista, hoje
calhou-me a mim comparecer na zona da entrevista.
- Boa noite Ruben
- o jornalista cumprimentou-me algo que correspondi e depois deu início às
curtas perguntas - marcou o golo da vitória
esta noite, um golo contra a equipa que assume ser a sua equipa do coração, foi
um golo com um sabor agridoce?
- Foi só mais um golo
- tentei esquivar-me à pergunta mas sem grande efeito.
- Mas foi um golo que
fez questão em não festejar de forma efusiva - olhei-o.
- Foi um momento
complicado, de sentimentos contrários, no entanto sou profissional e dentro das
quatro linhas tento cumprir sempre com as minhas obrigações, se tiver a
oportunidade de voltar a marcar ao Benfica volto.
- Apesar de não ter
festejado o golo de forma efusiva e junto com os seus colegas dedicou-o a
alguém, apontando na direção do camarote - sorri - e depois ainda comemorou com o menino que entrou consigo no relvado,
quando hoje os seus colegas entraram com os filhos, não quer esclarecer os
adeptos?
- Hoje foi-nos dada a
hipótese de entráramos em campo com os nossos filhos ou com uma criança por
quem temos afeto, como é do conhecimento de muitos de vocês, não tenho filhos
daí ter entrado com o irmão da minha namorada e foi a ela que dediquei o golo.
O jornalista não insistiu mais e por isso segui caminho, fui
até ao balneário onde despachei-me o mais rápido que consegui por ter o Martim
à minha espera. Assim que saí do balneário fiquei uns segundos sem reação ou
não fosse ter dado de caras com o menino diante do treinador do Benfica acabei
por aproximar-me até porque junto deles estavam alguns dos jogadores com quem
queria falar e quando estava atrás do miúdo ouvi o que não esperava.
- Então continua a
achar que o Ruben não é jogador para o Benfica? - os meus amigos e
ex-colegas calaram-se todos, já o treinador depositou o seu olhar em mim
respondendo serenamente ao Martim.
- Nunca coloquei o
valor do Ruben em causa.
- Mas não o deixava
jogar - o Martim ripostou o que deu-me vontade de rir ainda assim não o
fiz.
- Rapaz não basta
querer é preciso provar que está em condições de disputar o lugar com os
colegas.
- Tá a dizer que ele
não é bom mas a verdade é que foi o Braga que ganhou e com um golo do Ruben -
desta não consegui deixar de sorrir ao ver o treinador sem resposta.
- Martim -
olhou-me - vamos?
- Sim que aqui não
aprendo nada.
Os meus amigos sorriram, isto depois do treinador deles ter
virado costas e seguido caminho.
- Ruben - olhei
para o Saviola - quem é mesmo o puto?
- sorri ao vê-lo na brincadeira com o Nuno.
- É o Martim.
- Sim desenvolve lá
isso - desta foi o Javi que falou - porque
já todos percebemos que o puto é alguém especial para ti afinal foi o único com
quem festejaste o golo - sorri.
- Mete especial nisso
- voltei a sorrir ao vê-lo a aproximar-se.
- Ruben quando é que
vamos ter com a mana? - perguntou-me assim que chegou junto de nós.
- Já vamos -
voltou a afastar-se dando espaço aos meus amigos para voltarem à carga.
- Mana?
- Sim, mana -
olhei para o Martim - é irmão da Mariana
- os meus amigos olharam-me à espera que continuasse - ou seja meu cunhado - sorri - mas
no fundo é mais como um filho já que é a Mariana que cuida dele desde bebé.
- Espera lá, explica
lá isso como se fosse muito burro - o Nelson falou levando-me a gargalhar -
desde quando é que viraste pai de
família?
- Desde que consegui
convencer a Mariana a morar comigo.
- Morar? - o Javi
estava incrédulo tal como os restantes afinal sabiam que nunca fui dessas
coisas.
- Sim - respondi
serenamente.
- E falas isso assim
com essa descontração toda?
- Javi, querias que
falasse como? Até parece que é algo de outro mundo - sorriram.
- Do outro mundo não
mas vindo de ti é no mínimo surpreendente - sorri ao ouvir o Nelson - afinal há uns meses estavas noivo e
continuavas a dizer que não vias motivo nenhum para partilharem casa.
- Nelson, de há uns
meses para cá muita coisa mudou como por exemplo ter percebido que só com a
Mariana é que descobri o que é amar.
- Ui, isso está
bonito - sorri ao ouvir o Saviola.
- Quando é que pensas
em apresenta-la à malta? - desta foi o Aimar que até ao momento tinha
estado calado.
- Temos que combinar
um jantar.
- Por falar em jantar
a malta está a pensar juntarmo-nos todos na minha casa para a passagem de ano,
alinhas? - o Javi manifestou-se.
- Em princípio sim
mas quero falar primeiro com a Mariana - sorriram - o que foi?
- Nada de especial
mas quando namoravas com a Soraia não tinhas esse cuidado todo, aceitavas as
coisas na hora sem te importares com o facto dela querer ou não mas com a Mariana
parece que a coisa mudou.
- Não é nada disso,
só não sei se já tem planos e como tenho intenção de passar o ano com ela -
voltaram a sorrir - vão continuar a
gozar?
- Nada disso mas não
deixa de ter a sua piada ver-te apanhado por uma rapariga ao ponto de deixares
de sair com a malta para ficares do seu lado.
- Não exagerem -
o Javi interrompeu-me.
- Exagero? Tanto
quanto sei o menino não mete os pés em Lisboa há imenso tempo e quando lá vai é
a correr - sorri.
- Tem sido complicado
gerir o tempo até porque as poucas folgas que tive para ir até Lisboa ou eram
vocês que não podiam ou já tinha coisas combinadas.
- Pois, pois -
sorriram - diz antes que a Mariana
mantém a rédea curta - o Nelson falou e os outros desataram a rir.
- Estão redondamente
enganados, se há coisa que a Mariana não controla é onde e com quem estou,
aliás se formos por aí a Soraia controlava muito mais que a Mariana - sorri
ao vê-la a aproximar-se do Martim que estava na brincadeira com outro menino.
- É ela? - o Javi
perguntou imediatamente ao ver-me a sorrir feito parvo.
- É - aproveitei
que a Mariana olhou na minha direção para a chamar e só por isso aproximou-se -
o que andas a fazer por aqui? -
perguntei assim que se juntou a nós.
- Boa noite -
cumprimentou-os antes de responder-me - vim
à procura do Martim para irmos embora já que o puto só não dorme cá porque não
pode - sorri.
- Não sejas exagerada
- olhou-me - e agora deixa-me
apresentar-te ao pessoal - olhou-os e conforme os fui apresentando
cumprimentou-os - amor, o Javi convidou-nos
para passarmos a passagem de ano em Lisboa - aproveitei para deixar o
assunto decidido - queres?
- Por mim qualquer
coisa serve mas aviso já que não tenciono deixar o Martim em casa - sorri
ao ouvi-la.
- Não te preocupes
porque vai ser na casa do Javi, logo o Martim pode ir connosco.
- Sendo assim não
vejo qualquer problema - sorriu - mas
agora vou andando que o meu irmão tem que jantar.
- Trouxeste carro?
- Não vim com a
Patrícia por isso convém não fazê-la esperar - sorri ou não fosse aquilo ter
sido uma boca para mim.
- Hum, avisa que vais
comigo - olhou-me.
- Desculpa, deves
estar a pensar que sou planta para criar raízes à espera de vossa excelência -
os meus amigos gargalharam - além disso tens de aproveitar para estares
com os teus amigos - sorri ao ouvi-la.
- Toma - dei-lhe
as chaves do carro - vou só despedir-me
do pessoal e já vou ter contigo ao carro - olhou-me nada convencida - amor prometo que não demoro.
- Ok, mas aviso que
se demorares muito ficas apeado porque não estou para ouvir o meu irmão a
reclamar com fome.
- Cinco minutos no
máximo.
- Hum, estão a contar
nem mais um segundo - sorri.
- Ok - agarrou na
chave e depois de se despedir dos meus amigos chamou o Martim e vi-os a seguirem
na direção da garagem.
- Estás mesmo
apanhadinho - o Nelson voltou a manifestar-se.
- Mete apanhadinho
nisso - sorriram.
- Isso está mesmo
mau.
- Javi estás enganado
nunca teve foi tão bom - gargalharam - a
Mariana é alguém muito especial que quero para sempre do meu lado, com ela
tenho a certeza que nunca tive com a Soraia, quero que seja para a vida -
olhavam-me atentos - levei algum tempo a
admitir mas amo-a como nunca amei ninguém - sorriram.
- Sempre desconfiei
que houvesse alguém no meio de ti e da Soraia mas nunca pensei que fosse assim
tão forte.
- Javi, enquanto
namorei com a Soraia nunca houve nada entre mim e a Mariana, aliás só começamos
a namorar uns meses depois mas foi por gostar dela que não casei, para ser
sincero nem percebi como é que aconteceu, só sei que quando reparei já a amava
- sorriram - de uma forma que nunca
pensei ser possível mas agora deixem-me ir antes que fique apeado que a Mariana
é pessoa para cumprir com o que diz - gargalharam - depois falamos para combinar então os detalhes para o final de ano.
Despedi-me deles e depois dos meus colegas de equipa que
ainda por ali circulavam, caminhei até ao carro e assim que lá cheguei dei pela
falta do Martim.
- Onde é que está o
menino? - perguntei ao sentar-me no lugar do condutor.
- Foi com a Patrícia que
achei por bem irmos festejar a vitória mas essencialmente o golo - sorriu -
só os dois.
- Olha, aí está uma
coisa que agrada-me - beijei-a - mas
o Martim podia vir também.
- Poder até podia -
a mão da Mariana começou a subir pela minha perna - mas foi o próprio Martim que pediu para ir com a Patrícia porque estava
com muita fome, resolvi aproveitar e pedir se podia dormir lá outra vez -
voltamos a unir novamente os nossos lábios mas desta vez também as nossas
línguas se encontraram, a Mariana estava nitidamente a provocar-me algo que
levou-me a sorrir assim que nos afastamos - o que foi? - perguntou-me quando já estávamos a sair da garagem.
- Nada - suspirei
- gosto de ver-te mais solta - sorri
- a começares a ter também iniciativa e
a procurares algo mais - fui sincero o que a deixou sem jeito - amor não precisas ficar envergonhada.
- Não estou
envergonhada, estou mesmo a sentir-me ridícula.
- Hey, amor -
olhou-me - não estás a ser ridícula
coisa nenhuma muito pelo contrário gosto desse teu lado mais atrevido -
coloquei a mão na sua perna - Mariana
sempre te disse que com o tempo irias começar a aproveitar ainda mais os
momentos a dois e é isso que está a acontecer, amor estás a libertar-te porque
finalmente estás a ganhar confiança e a conhecer tanto o teu corpo como o meu,
é normal aquilo que estás a sentir e ainda bem.
Não respondeu e por saber que o assunto ainda é um pouco
desconfortável para ela não insisti. Conduzi calmamente até ao centro da cidade
onde estacionei para irmos jantar, a Mariana não questionou, o que se tem
tornado cada vez mais um hábito afinal está finalmente a deixar de ter medo de
ser vista comigo sinal que as inseguranças dela têm vindo a diminuir de dia
para dia.
A pedido dela fomos até a um restaurante de Sushi onde
jantamos em clima de romance, aliás foi dela a iniciativa de trocarmos algumas
carícias enquanto jantávamos, talvez porque no sítio onde estávamos tínhamos
alguma privacidade, o certo é que serviu de rastilho para uma noite intensa,
pela primeira vez amamo-nos sem tabus o que deixou-me a levitar completamente.
Mariana
Acordei com um cheirinho de torradas que serviu para “abrir
o apetite” não demorei muito a sentar-me na cama e a devorar o pequeno-almoço
que o Ruben preparou para os dois. Comemos com muita brincadeira à mistura e no
final desafiei-o para um duche a dois que só não foi por outros caminhos porque
não fui na conversa do menino uma vez que queria despachar-me, já que tinha as
malas para fazer pois ainda hoje iríamos rumar até Lisboa onde vamos passar os
próximos dias.
- Amor - olhei-o
enquanto vestia-me - estes dias que
vamos estar em Lisboa ficam lá em casa, certo?
- Não sei.
- Porquê?
- O que é que a tua
família não vai pensar - interrompeu-me.
- Que estou feliz -
beijou-me.
- Ruben, ainda não
contaste à tua família que estou a viver contigo - sorriu - o que é que a tua mãe vai pensar?
- Que o filho ganhou
juízo - puxou-me para si e por isso acabamos por cair em cima da cama - amor só não contei já porque quero fazê-lo
pessoalmente, aliás já tinha dito isso - olhou-me.
- Mesmo assim -
não consegui continuar a falar, o Ruben uniu as nossas bocas.
- Amor não vai ser o
caso mas mesmo que a minha família não aceitasse a nossa decisão de vivermos
juntos não era isso que iria mudar alguma coisa. Mariana pára de ver problemas
onde não existem.
- Tudo bem -
sorriu - nós ficamos contigo mas agora
deixa-me terminar de colocar a roupa na mala.
O Ruben lá deixou que saísse da cama e uma hora depois já
estávamos na casa do Nuno, assim que entramos na sala o meu piolho veio ter
connosco, lógico que saltou imediatamente para o colo do Ruben.
- O que é que a mana
teve a fazer com o Ruben? - olhamos os dois para o miúdo sem entender o
motivo da pergunta, já o Nuno sorriu.
- Porquê?
- Demoraram muito
- sorrimos.
- Desculpa se fiz o
menino esperar - dei-lhe um beijinho no rosto - mas qual é o motivo de tanta pressa?
- Quero ir ver o
Rafael - sorri ao ouvir o meu irmão.
- Nós vamos passar a
noite de natal com a família do Ruben, aliás a mana já te tinha dito -
sorriu - por isso vais poder estar com o
Rafael.
- Não percebeste
- olhou-me - eu quero ir visitar o
Rafael hoje quando chegarmos a Lisboa.
- Martim a mana não
sabe se dá - interrompeu-me.
- Ruben podes ligar
ao teu mano e perguntar se ele deixa eu ir ver o bebé - o meu amor
gargalhou - não é para rir, é para
ligares - sorri e depois vi o Ruben a retirar o telemóvel do bolso das
calças.
- Toma - deu-lhe
o telemóvel depois de o colocar a chamar - se
queres lá ir fala com o Mauro e pergunta-lhe se podes.
Ao contrário do que esperava o meu irmão agarrou no
telemóvel e esteve uns minutos a falar com o Mauro, não conseguimos perceber o
que lhe respondia mas que o meu irmão esteve entretido lá isso esteve, algo que
o Ruben aproveitou para reivindicar por mimos, estávamos a namorar quando o
entusiasmo do Martim quebrou o “clima”.
- Mana ele deixou por
isso nós vamos, né? - perguntou visivelmente contente.
- Ok, passamos por lá
mas não é para nos demorarmos.
- Tá bem - sorriu
e depois abraçou-me, o que obrigou o Ruben a afastar-se.
- Olha lá - o meu
amor falou enquanto fazia algumas cócegas ao Martim - não viste que estava abraçado à tua irmã?
- Tás a ver como tu
sabes - olhamos os dois para o Martim - ela é minha irmã não é tua por isso eu tou sempre em primeiro e sempre
que quero dar abraços e beijinhos à mana tu ficas para depois - gargalhei
perante a resposta do meu irmão principalmente porque o Ruben ficou sem saber o
que lhe responder.
- Estás tramado -
olhamos para o Nuno - se não é a Mariana
a deixar-te sem resposta é o Martim - gargalhei.
- É o que faz ser
fraquinho - piquei-o.
- Fraquinho? -
olhou-me de lado - Depois vemos quem é o
fraquinho.
Não respondi e por isso ficamos na conversa com os nossos
amigos, acabamos por almoçar todos juntos e no final seguimos até Lisboa. A
viagem foi animada sempre com o Martim a cantar ou melhor a testar a
resistências dos nossos ouvidos já que se há coisa que o meu irmão não tem é
jeito para cantar ainda assim deu-lhe para cantarolar todas as músicas que
passavam no rádio.
- Mana, nós temos de
ir ver o bebé - o Martim reclamou assim que percebeu que estávamos a chegar
ao apartamento do Ruben.
- Martim, combinei
com o meu irmão jantarmos lá na casa dele por isso vamos mais daqui pouco, pode
ser? - o Ruben respondeu-lhe.
- E o que tamos aqui
a fazer? - olhei para o meu amor e antes dele responder fi-lo eu.
- Martim, viemos
deixar as malas - olhei para o meu irmão - lindo, nós vamos ficar na casa do Ruben estes dias - olhou-nos à
vez - não queres? - perguntei com
algum receio da sua resposta.
- Não sei -
encolheu os ombros num gesto muito seu - mana
eu pensava que íamos ficar na casa da madrinha.
- Martim - o
Ruben chamou-o - não queres ficar
comigo?
- Eu gosto muito de
ti mas também gosto muito da madrinha e tenho saudades dela.
- Amor, a Letícia
estes dias vai estar a trabalhar mas a mana já combinou com ela jantarmos e no
dia de Natal vais puder brincar muito com ela, porque a madrinha vem passar o
dia connosco e agora leva lá o teu saco de brinquedos - dei-lhe o saco e
peguei numa das malas, o Ruben levou as outras.
Subimos de elevador e assim que o Ruben abriu a porta o
Martim entrou imediatamente, deixamos de o ver e quando regressou á sala já
vinha sem o seu saco de brinquedos.
- Onde foste? -
perguntei.
- Meter o saco no meu
quarto - o Ruben sorriu, talvez por ouvir o Martim a tomar posse do quarto
- tás sempre a dizer que não posso
deixar as coisas espalhadas - sorri.
- Fizeste bem -
dei-lhe um beijinho na bochecha - a mana
vai fazer o mesmo - saí da sala com as malas enquanto o Ruben ficou com o
Martim.
Ainda retirei as roupas das malas e só depois é que
regressei, tal como esperava encontrei-os no vício, fiquei a observá-los
enquanto jogavam e só quando lhes disse que estava na hora de irmos é que
desligaram a playstation. O Ruben conduziu calmamente até à casa do irmão e mal
chegamos o Martim saiu imediatamente, já o Ruben beijou-me, lógico que o Martim
não achou piada pois estávamos a demorar muito tempo e só por isso é que nos
afastamos caminhando até à porta, tocamos e uns segundos depois o Mauro
apareceu.
- Boa noite -
sorriu-nos.
- Onde tá o Rafael
- o meu irmão perguntou imediatamente sem nos dar tempo de cumprimentar o
Mauro.
- Está na sala com a
Madalena - assim que obteve a resposta que queria entrou sem pedir.
- Desculpa, ele
estava mesmo desejoso de ver o menino.
- Mariana não tens de
pedir desculpas - sorriu - é só uma
criança e além disso o Martim é que tem razão em não ligar aos formalismos
afinal estamos em família, certo? - fiquei parada a olhá-lo.
- Mano, vamos entrar
ou nem por isso? - a voz do Ruben fez com que saísse do transe em que tinha
entrado ao ouvir as palavras do Mauro.
- Sim, entrem e
estejam à vontade - sorriu-nos.
Entramos e caminhamos até à sala onde encontrei o meu irmão
sossegado a observar o Rafael que dormia no colo da Madalena, cumprimentámo-la
e depois vimo-la a sair da sala para ir deitar o filho, lógico que o Martim se
colou e foi com ela.
- Mariana - olhei
para o Mauro - o Martim é assim com
todos os bebés ou é só com o Rafael? - sorri.
- O meu irmão desde
cedo aprendeu a conviver com outros bebés, o Martim gosta imenso de ficar
simplesmente a observá-los enquanto dormem ou a brincar com eles e com o Rafael
não é diferente.
- Então e já não está
a implicar com o vosso namoro?
- Já aceitou ainda
assim há vezes que parece que sente ciúmes mas nada de como foi ao início.
- Ainda bem -
sorriu - olha e quanto ao outro assunto
já decidiste?
- Estás a falar do
quê?
- De aceitares o
convite que te fizemos? O Rafael ainda está à espera que aceites ser madrinha
dele.
- Continuo a dizer
que deveriam escolher outra pessoa mas se querem que seja eu - olhei para o
Ruben - então aceito - o meu amor
sorriu.
- Finalmente -
olhamos e encontramos a Madalena que tinha acabado de regressar à sala de
sorriso no rosto - faço gosto que sejas
tu porque independentemente da volta que a vida possa dar algo me diz que nunca
lhe irás virar a cara e isso deixa-me tranquila - sorri meio sem jeito.
- O Martim? -
perguntei por não o ver.
- Quis ficar no
quarto com o Rafael - sorriu - o teu
irmão é único - o Ruben gargalhou.
- A quem o dizes, é
uma autêntica pestinha mas sempre amorosa - olhei de lado para o Ruben o
que fez com que gargalhasse novamente - mas
é uma pestinha que amo e que sinceramente já não me vejo sem ele - fiquei
sem reação ao ouvi-lo.
- Ui que isto de ver
o meu irmão todo lamechas é novidade - o Mauro aproveitou para mandar a
piada - quem te viu e quem te vê -
olhei sem entender nada - Mariana caso
não saibas esse que tens aí do teu lado não era nada dado a estas coisas e
muito menos demonstrava o seu lado mais romântico.
- E que tal parares
de falar disso.
- O que é que tem? A
rapariga tem o direito de saber que conseguiu mudar alguma coisa em ti.
O Ruben teria respondido mas a entrada do Martim na sala deu
o assunto por terminado, ficamos à conversa e um tempo depois fomos jantar, no
final ainda tive tempo para pegar no meu afilhado e mimá-lo um pouco. Estava
com o menino ao colo quando o Martim se veio sentar ao colo do Ruben, ele
olhava para o Rafael muito atento e uns segundos chegaram para que o meu irmão
começasse a fazer festinhas ao bebé, aquele gesto de carinho do meu piolho
enterneceu-me o que deve ter sido visível aos restantes porque sorriram.
Fiquei ainda algum tempo com o menino ao colo mas quando
começou a rabujar com fome dei-o à Madalena e após ter mamado foi entregue ao
padrinho mas não esteve muito tempo nos braços do meu amor uma vez que começou
a rabujar e por isso mesmo a Madalena foi adormece-lo. Esperamos que
regressasse para nos despedirmos e só depois é que fomos embora.
***
Dois dias passaram desde que chegamos a Lisboa, já tinha
estado com a Letícia que “obrigou-me” a contar com o máximo de detalhe possível
como foram estes últimos meses e hoje iríamos até à instituição onde crescemos
que tal como os outros anos fizemos questão de passar a véspera do Natal com os
meninos, mas este ano levei comigo um apêndice chamado Ruben que fez os rapazes
delirarem afinal tinham novamente um jogador de futebol junto deles.
Estávamos todos a almoçar quando anunciaram que a seguir ao
almoço os meninos tinham uma surpresa, lógico que ficaram animados ainda assim
comportaram-se devidamente e terminaram de comer.
Se as crianças tinham ficado curiosas, eu não estava menos
até porque tive a sensação que dos adultos presentes era a única que não sabia
o teor da surpresa, ainda tentei saber mas ninguém disse.
No fim de almoçarmos fomos até à sala de convívio e uns
segundos bastaram para ter percebido o motivo pelo qual era a única a não
saber, bastou-me olhar para o Ruben para depreender que aquilo tinha dedo dele,
afinal todos os meninos tiveram direito a um presente, já para não falar dos
computadores que estavam ainda nas caixas.
- Amor, porquê que
não disseste? - olhou-me e sorriu.
- Porque quis que fosse
surpresa - abraçou-me.
- Obrigada -
beijei-o sem qualquer problema o que surpreendeu os adultos principalmente
aqueles que me viram crescer.
- Amor, não precisas
agradecer, se o fiz foi porque podia e porque quis - sorriu.
- Mesmo assim não
tinhas obrigação nenhuma - calou-me ao unir novamente os nossos lábios.
Teríamos continuado a falar mas os meninos ao serem
informados que tinha sido o Ruben a oferecer tudo quiseram agradecer-lhe e uns
segundos bastaram para o meu amor estar completamente envolvido pelas crianças.
Fiquei a observá-lo durante os minutos seguintes e só despertei quando ouvi a
voz da Letícia.
- Posso fazer-te uma
pergunta - olhei-a.
- Diz.
- Já houve pedido de
casamento? - gargalhei.
- Sabes bem que não
dou o mesmo significado ao casamento que a maioria dos jovens hoje em dia, a
casar-me será pelo ato em si e não pela festa, como tal é óbvio que se o Ruben
pedisse-me em casamento aceitava porque o que sinto por ele é verdadeiro -
sorriu - mas isso não vai acontecer tão
depressa e para ser sincera nem quero que aconteça, nós queremos ir com calma.
- Querem ir com
calma? - gargalhou - Essa é mesmo
para rir, se quisessem ir com calma não estariam a viver juntos e muito menos
tinham assumido o namoro. Amiga, o que
queres não é calma, o que queres é fugir ao passado - olhei-a - Mariana, contínuas com medo que a tua mãe
possa descobrir onde estão - suspirei - amiga, disse-te na altura em que decidiste ir para Braga e repito agora
não é a fugires que resolves isso, além do mais agora tens alguém do teu lado
disposto a lutar pelo Martim, não sejas teimosa, aceita o apoio do Ruben, vive
a vida do lado dele, se a tua mãe aparecer só têm que enfrentar isso e pelo
pouco que conheço do Ruben ele vai fazer de tudo para que o meu afilhado fique
convosco e vamos ser realistas se estiverem juntos, se forem uma família as
hipóteses da tua mãe reduzem ainda mais, já não são muitas e se tiveres todas
as condições para o Martim continuar a crescer rodeado de amor e estabilidade
ninguém o irá tirar de ti.
- Não vou casar com o
Ruben com esse objetivo - interrompeu-me.
- Não falei isso mas
tens que admitir que se casarem estão a dar uma família ao Martim, pela
primeira vez terá um pai, uma mãe e quem sabe um irmão pequeno para brincar,
sim porque qualquer pessoa com dois olhos na cara percebe que o Ruben além de
querer ser pai tem imenso jeito com as crianças, já para não falar que ambas
sabemos que o Martim vê-te como uma mãe logo irá ver o Ruben como pai e os
vossos filhos como irmãos.
Não respondi mas fiquei a pensar nas suas palavras e só
interrompi os meus pensamentos quando senti os braços do Ruben a envolver o meu
corpo.
- Amor - beijei-o
- é melhor irmos embora, temos que
passar por casa antes de irmos para a casa da minha mãe - sorri ao vê-lo a
justificar-se talvez por saber que por mim ficávamos pela instituição.
- Sim, é melhor até
porque o Martim ainda tem que tomar banho.
Despedimo-nos das crianças e depois dos adultos que voltaram
a agradecer ao Ruben a generosidade. Da instituição fomos diretos ao
apartamento do Ruben e mais uma vez o Martim quis que fosse o meu amor a
ajudá-lo a tomar banho, não disse nada até porque há muito que desisti de
querer ser eu a fazê-lo já que sempre que o Ruben estava presente o meu irmão
teimava que tinha de ser ele a ajudá-lo.
Estava no quarto do meu piolho a escolher a roupa para
vestir quando os vi a entrarem, o Martim vinha com o seu robe vestido mas
apressou-se a mudar de roupa, afinal queria chegar o quanto antes à casa da
Anabela para ver o Rafael. Enquanto o despachei o Ruben foi mudar de roupa e
uns minutos depois já estávamos a caminho da casa da mãe do meu amor.
Como irá correr a consoada? Irá o Martim aprontar alguma?
Lindo, tirando a parte do Benfica ter perdido o jogo, adorei tudinho. Mas como é a fingir ficas perdoada por esse percalço, e ainda por cima o Ruben a marcar o golo da vitória.
ResponderEliminarO que eu ri com as bocas do Martim para o Saviola, por ele não falar português, o puto tem razão já tinha tempo de ter aprendido alguma coisa, mas a melhor foi com o JJ, essa é que foi mesmo a estocada final.
Eu sinceramente espero que a consoada corra bem, mas palpita-me que o puto vai fazer das dele.
Adorei, fico à espera do próximo, e obrigada, acredita que fiquei mais motivada.
Beijocas
Fernanda
Preciso dizer que adorei?!
ResponderEliminarO momentos do jogo tão de mais!!
Preciso do próximo!!
Bjokinhas
Mariaa
Adoreei :D
ResponderEliminarE aquela boquinha do Martim ao Jesus, no ponto! :p Este Martim é demais!
Agora vamos lá ver como corre o Natal, se vêm daí problemas...
Beijinhoo
Olá :D
ResponderEliminarAdorei!
Quero mais :p
Beijinhos
Ritááá xD
Olá :)
ResponderEliminarComo sempre adorei o capitulo! :P
Esta Martim é cá um pestinha xD
E como é claro estou a adorar esta "família Amorim" e espero pela consoada para ver se o Martim faz mais alguma :P
Quero mais!
Beijinhos
Rita
http://lifegoesonr.blogspot.pt/
Primeiro tenho uma reclamação menina, quer dizer, ontem a noite que eu tava sem nada de jeito para fazer não postas-te, e depois postas-te quando estava MUITO ocupada .. Não é justo .. :P
ResponderEliminarAgora posso falar do capitulo, como sempre adorei e quero sempre mais .. :) Adoro o Martim é um menino muito querido .. :)
Beijinho linda e posta rápido :)
fantastico...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo...
continua...
Tirando a parte do meu Glorioso ter perdido o jogo com o Braga (ai Caty que isto dá azar para a 1ª jornada!) AMEI
ResponderEliminarAdoro quando o assunto BEBES começa a aparecer...
Estou já à espera desse Natal. Já que significa "nascimento" porque nao pensar num nascimento dentro de 9 meses?
Ainda assim ler capitulos as 2h20 da manha é muito xD
Beijo
Ana
Havia necessidade de ganharem????
ResponderEliminarMas adorei o capitulo ;) como era de esperar :D
Quero mais!!!
Beijinhos