domingo, 5 de agosto de 2012

046 - “…tavam a namorar, eu vi o Ruben deitado em cima de ti, é assim que se faz os bebés né?”

Ruben

Este ano a véspera de Natal foi diferente uma vez que decidi passar o dia com as crianças da instituição onde a Mariana cresceu, confesso que reconfortou-me ver o sorriso no rosto daqueles miúdos quando perceberam que tinham presentes.

***

- O que é que tens? - perguntei quando chegamos a casa da minha mãe.
- Nada.
- Amor, estás nervosa? Mariana, é só um jantar na casa da minha mãe - sorri ao vê-la ligeiramente incomodada - até parece que não estiveste já com eles.
- Ruben sabes muito bem o motivo pelo qual estou assim.
- Quantas vezes tenho que dizer que a minha mãe vai adorar saber que o filho casula finalmente ganhou juízo, amor a Belinha adora-te por isso não precisas estar com receio que não goste das novidades que temos para lhe contar.
A Mariana não respondeu limitou-se a sair do carro, segui-lhe o exemplo e depois de a abraçar entramos finalmente na casa da minha mãe já que usei a chave que tenho para abrir a porta.
- Mãe, chegamos - falei ao entrarmos na cozinha onde a encontramos de volta dos tachos.
- Filho - sorriu e depois cumprimentou-me - ainda bem que já chegaram, o teu irmão também deve estar a chegar - esclareceu-nos depois de cumprimentar a Mariana - então o Martim não veio convosco? - perguntou por não o ver uma vez que o menino estava atrás de nós, desviamo-nos e assim que o viu meteu-se com ele - estás com vergonha? - o miúdo sorriu mas escondeu a cara.
- Amor - a Mariana baixou-se para ficar ao seu nível - o que se passa? É a D. Anabela, a mãe do Ruben.
- Eu sei - respondeu-lhe.
- Então porquê que estás com vergonha?
O menino não respondeu, encolheu simplesmente os ombros e ficou abraçado à Mariana, nos minutos seguintes ficamos à conversa com a minha mãe mas assim que ouvimos vozes na sala fomos até lá, o Martim ao ver o Rafael aproximou-se e sentou-se do lado do meu sobrinho que estava no carrinho.
- Mana, podes chegar aqui - a Mariana ao ouvir o pedido do Martim aproximou-se.
- Diz piolho.
- Tu pensaste no que pedi - olhou-o sem entender ao que se referia.
- Estás a falar do quê?
- Já não te lembras do que pedi para prenda de natal? - perguntou visivelmente aborrecido - eu pedi um mano - no momento que o puto falou a minha família olhou-nos imediatamente - tu disseste que ias pensar mas ainda não deste a resposta - a Mariana ficou literalmente de boca aberta a olhá-lo - mana eu quero um bebé - a minha mãe sorriu, já o meu irmão resolveu meter lenha na fogueira.
- É, concordo com o Martim também quero um sobrinho - a vontade que tive foi de mandá-lo dar uma volta mas a Mariana antecipou-se.
- Também quero muita coisa e não é por isso que tenho - olhou-os a todos - quanto a filhos estão a delirar se acham que os vou ter num futuro próximo. Quanto a ti Martim - olhou-o - no dia que a mana decidir ter um bebé serás o primeiro a saber até lá não quero que voltes a tocar no assunto, pode ser?
- Mas eu quero e tu sempre deste tudo o que eu queria porquê que não dás agora?
- Martim, um bebé não é um boneco que se usa e depois deita-se fora.
- Eu sei mas tu já tens um pai para ele e eu quero um mano para brincar, já tenho o pai Ruben - foi impossível não sorrir ao ouvi-lo - agora só falta o mano - a Mariana ficou a olhá-lo.
- Martim - chamei-o - amor sabes que gosto muito de ti e da mana mas ainda é cedo para termos bebés - olhou-me nada convencido.
- Não queres ser o pai do bebé da mana? - sorri.
- Quero e muito - respondi ao olhá-la - mas não temos pressa nisso, entendes?
- Não - a minha família sorriu - porque sempre deste tudo o que pedi e agora não queres dar-me um mano eu sei que fiquei com medo mas depois tu falaste comigo e explicaste as coisas, Ruben eu sei que gostas de mim e que não vai ser por terem um bebé que vais deixar de gostar por isso qual é o mal de terem um bebé?
- Martim o mal não é nenhum mas nós ainda queremos fazer outras coisas antes de termos um bebé.
- Tás a dizer que vais casar com a mana? - com esta o puto deixou-me sem saber o que responder e talvez pela minha mãe ter percebido veio em nosso socorro ao perguntar se não queríamos ir jantar.
- Bem o Martim não vos vai facilitar a vida - o Mauro comentou assim que a Mariana saiu com o irmão para irem lavar as mãos.
- Nunca facilitou - sorriu - o Martim é de ideias fixas.
- Falas isso mas babaste completamente quando o puto te chamou de pai - desta foi a Madalena que falou - isso está mesmo avançado ou é impressão minha - sorri ao ouvi-la - o Martim chama-te de pai?
- Chamar-me de pai nunca o tinha feito mas pediu-me se podia ser o seu pai a fingir, isto depois de ter percebido que afinal não lhe queria roubar a irmã.
- A Mariana foi na conversa? - olhei para a minha mãe.
- Não foi fácil convence-la mas após alguma insistência minha e do puto, ela acabou por ceder - sorri - afinal se namoramos acabo também por ser um pouco responsável pelo Martim.
- Filho - olhei-a - a pergunta do Martim não foi descabida pois não?
- Não, aliás sempre disse que quero casar, não tenho nada contra quem não se casa mas para mim não faz grande sentido partilhar a vida com alguém e não oficializarmos a união, vocês sempre souberam disso.
- Mano, vocês vão viver juntos - sorri ao ouvi-lo principalmente porque vi a Mariana a entrar novamente na sala - é que remodelas-te o quarto para o puto com a desculpa dele perceber que não o estavas a excluir da vossa vida mas aqui para nós que te conhecemos como ninguém isso foi mesmo só desculpa, a tua intenção é mesmo que a Mariana aceite viver contigo, não é? - gargalhei mas não respondi - Então não respondes? - aproximei-me da Mariana que continuava à porta da sala e abracei-a.
- Mauro, não remodelei o quarto com a intenção de convencer a Mariana a viver comigo mas sim para que o menino se sentisse bem na minha casa - olhei-a - mas aproveito que o assunto veio à baila para vos informar que nós já vivemos juntos.
- Desde quando? - a pergunta da minha mãe fez com que a Mariana tremesse um pouco.
- Está quase a fazer um mês.
- Porquê que só agora é que nos contaste?
- Mãe, porque quis contar-vos pessoalmente além disso a Mariana foi lá para casa porque o Martim teve varicela e não podiam ficar na casa da Patrícia, a verdade é que já não regressaram uma vez que decidimos assumir o namoro e iniciar uma vida em comum.
- Filho, tens a certeza da decisão que tomaste? - olhei para a minha mãe.
- Amo a Mariana e o Martim logo tenho certeza absoluta da decisão que tomei.
- Sendo assim fico feliz por vocês - a minha mãe foi a primeira a abraçar-nos e a desejar felicidades para esta nova etapa o que serviu para a Mariana descontrair.

***

- Martim, estás a gostar de jogar no Braga? - O Mauro meteu-se com o Martim quando já estávamos a jantar.
- É fixe tou a fazer o mesmo que o Ruben - sorri ao ouvi-lo.
- O que queres dizer com isso?
- Que tou a fazer o mesmo que - olhou primeiro para a Mariana e depois para mim - o pai faz - não sei o que lhe estava a dar hoje para chamar-me de pai mas confesso que estava a adorar ouvi-lo e ao contrário do que esperava a Mariana estava serena - e depois gosto de ir com o Ruben aos treinos, ele é fixe para os meus amigos - sorri - e fala comigo sobre assuntos de homens - gargalhamos todos ou não fosse o Martim ter dito “assuntos de homens” com se fosse algo muito importante.
- Posso saber que assuntos são esses?
- Não, você é mulher - respondeu para a minha mãe - e depois são conversas minhas e do pai.
- Sabes que apesar de ser mulher sempre tive essas conversas com os meus filhos - olhei para a minha mãe - e aposto que a tua mana se lhe perguntasses também falava contigo - olhou-nos, talvez por ter percebido que assuntos são esses.
- Você não sabe que conversas são porque eu pedi segredo ao Ruben e sei que ele não conta - sorri-lhe
- Será que não sei?
- Se sabe diga lá - desafiou-a.
- Então essas conversas metem futebol e meninas, acertei?
- Você deve ser bruxa - gargalhamos todos à exceção da Mariana que teve de o repreender.
- Martim, pede imediatamente desculpas porque isso não se diz.
- Ó mana mas ela acertou.
- Primeiro não é ela, é D. Anabela e segundo não se chama bruxa às pessoas.
- Desculpe, não volto a dizer aquilo - falou para a minha mãe.
- Lindo, não levei a mal mas a Mariana tem razão não podes chamar as pessoas de bruxas, agora quanto ao tratares-me por D. Anabela ou por você - olhou para a Mariana - se a tua mana concordar podes chamar-me só de Bela que é assim que os meus amigos chamam-me e o mesmo se aplica a ti - olhou novamente para o meu amor - Mariana prefiro ser chamada só de Bela ou quanto muito Anabela, afinal já nos conhecemos, além disso és a namorada do meu filho - percebi que a Mariana estava a ficar sem jeito e por isso levei a mão até à sua perna uma vez que estávamos sentados um ao lado do outro.
- Vou tentar mas não prometo - falou assim que a minha mãe se calou.
- Mana, isso quer dizer que também posso tentar? - gargalhamos ao ouvi-lo.
- Podes.
- Fixe e se o Ruben é o meu pai a fingir a Bela pode ser a minha avó a fingir - a minha mãe sorriu - avó Bela fica bem - olhei-o enternecido com as suas palavras que apesar de não serem muitas deixou-me feliz por vê-lo a querer integrar a minha família na sua vida.
- Martim - olhamos para a minha mãe - terei muito gosto em ser a tua avó - o miúdo levantou-se imediatamente e foi abraça-la - és um menino de ouro.
- O que é um menino de ouro? - sorrimos com a pergunta dele.
- Lindo é uma forma de dizer que és especial e que gosto muito de ti - deu-lhe um beijinho mas foi quando olhei para a Mariana e que a encontrei de lágrima no canto do olho que a abracei.
- Amor - olhou-me e por isso uni os nossos lábios a intenção era passar despercebido mas o radar do Martim nunca deixa passar nada e por isso ouvimo-lo.
- Mana não se dá beijinhos á mesa - sorrimos ao sermos apanhados.
- Tens razão, desculpa - a Mariana respondeu-lhe serenamente o que deixou-me tranquilo.
A conversa continuou mas assim que terminamos de comer fomos até à sala. Estava na brincadeira com o meu afilhado quando percebi que o puto precisava da fralda mudada, ainda fiz a conversa à Mariana para que o fosse trocar mas o meu amor arrastou-me com ela até ao quarto onde o menino tinha estado a dormir, que não era mais que o quarto do Mauro quando vivíamos com a nossa mãe.
O meu amor “obrigou-me” a mudar a fralda e com a orientação dela até correu bem, no fim a Mariana pegou no menino e adormeceu-o, até porque já estava numa de fazer birra devido ao sono, fiquei a observá-la e inevitavelmente imaginei-a com o nosso primeiro filho nos braços, era nisso que estava a pensar quando a vi a deitar o menino no berço que a minha mãe tem no quarto para quando fica a tomar conta do neto.
- Amor - olhou-me - anda comigo - pedi antes de ligar o intercomunicador para no caso de o Rafael acordar ouvirmos na sala e assim que o fiz puxei-a pela mão.
- Para onde é que estás a levar-me?
- Vamos ao meu quarto - sorri - é mais um bocadinho de mim que conheces.
A Mariana não questionou e por isso caminhamos abraçados até ao quarto, abri a porta e assim que entramos vi o meu amor a sentar-se na cama no entanto olhou em seu redor.
- Mariana - olhou-me quando já estava deitado na cama - o que achaste da conversa do Martim?
- Estás a referir-te ao quê?
- A ele ter pedido à minha mãe para ser sua avó.
- Não esperava que fosse dizer tal coisa - sorriu - o meu irmão tem uma capacidade enorme para surpreender-me.
- Mas incomoda-te?
- Não é incómodo mas a verdade é que o Martim vos está a usar para colmatar a ausência de uma estrutura familiar.
- É normal - beijei-a - o menino só quer o que qualquer outra criança quer, amor tu melhor do que eu sabes o que deve ir na cabeça dele, também já tiveste a idade do Martim - olhou-me - mas com a agravante que na altura não tinhas uma irmã para cuidar de ti logo deves saber bem o que o menino sente.
Não respondeu simplesmente beijou-me demoradamente, a Mariana acabou mesmo por intensificar o beijo, o que serviu de rastilho para desejar por mais, acabamos deitados na cama e por entre algumas carícias e beijos mais atrevidos a minha camisola encontrou o chão mas foi quando já estava a tentar ver-me livre da sua que a Mariana colocou um ponto final ao afirmar que não conseguia ir mais além por estarmos na casa da minha mãe, apesar de achar que não tinha mal nenhum respeitei-a e ficamos simplesmente a namorar sem segundas intenções durante os minutos seguintes.

Mauro

Estávamos todos na sala quando vi o meu irmão e a Mariana a saírem com o meu filho, não questionei porque confio em ambos, os minutos foram passando e não havia sinal deles, foi quando o Martim se lembrou que já não os via há imenso tempo que resolveu ir procura-los, não o impedimos mas assim que o miúdo regressou à sala percebemos que vinha estranho.
- Martim, o que é que tens?
- Nada - respondeu-me assim que se sentou do meu lado.
- Então a tua mana e o Ruben não veem? - olhou-me - foste lá chama-los certo?
O miúdo não respondeu porque vimos aqueles dois a entrarem na sala abraçados, o Ruben vinha com um sorriso misterioso mas não tive oportunidade de perguntar o motivo uma vez que ouvimos a voz do Martim.
- Mana porquê que o Ruben tava sem camisola - a Mariana não reagiu, já o Ruben olhou-nos talvez à procura de uma explicação para a pergunta do miúdo - eu fui à vossa procura e vi o Ruben sem camisola.
- Tava com calor - gargalhei ao ouvir a resposta do Ruben.
- Então porquê que agora já tás com a camisola vestida?
- Já passou.
- Mana, tens de ensinar o Ruben que mentir é feio - a rapariga devia estar a sentir aquela sensação de se querer enfiar num buraco - eu sei que não era por teres calor que tavas sem camisola - olhamos para o miúdo - tavam a namorar, eu vi o Ruben deitado em cima de ti, é assim que se faz os bebés né?
O Martim falou super animado já a Mariana estava sem saber o que dizer mas quem surpreendeu foi mesmo o meu irmão que puxou o Martim para o seu colo e falou muito calmamente.
- Quem é que te disse isso?
- É o que vejo na televisão - sorrimos ao ouvi-lo - eles também tiram a roupa e deitam-se depois os bebés aparecem.
- Martim, nós não estávamos a fazer bebé nenhum, estávamos só a namorar.
- Namorar faz calor? - confesso que estava a dar-me gozo ouvir aquela conversa mas ao contrário do que esperava vi o meu irmão com uma serenidade enorme.
- Às vezes faz - olhou para a Mariana que estava incrédula perante a conversa daqueles dois.
- Porquê?
- Então quando estás a brincar com os teus amigos, a correr de um lado para o outro também ganhas calor não é? Namorar é mais ou menos isso.
- Não percebi vocês não tavam a correr tavam deitados - gargalhei de facto o Martim não estava a facilitar.
- O que dizes de irmos abrir os presentes? - o meu irmão desviou o assunto ainda assim o puto não facilitou.
- Pode ser mas depois tens de explicar melhor porque ainda não percebi.
O meu irmão já não respondeu, limitou-se a levantar e ir buscar os presentes do Martim que passou os minutos seguintes a rasgar o papel de embrulho.

Ruben

Depois de ter tomado consciência que o Martim apanhou-nos a namorar e que lhe tinha feito alguma confusão acabamos por o ver a desembrulhar os presentes. O puto estava todo contente de volta dos brinquedos que recebeu e diga-se de passagem foram bastantes quando um novo momento cómico chegou ou melhor acredito que para os restantes adultos tenha sido cómico para mim e para a Mariana nem por isso, é que o atrasado do meu irmão resolveu brincar com o que não seria suposto e como prenda ofereceu-me uma caixa de preservativos do Benfica, lógico que eles gargalharam despertando a atenção do Martim que sem estar a contar com isso retirou-me das mãos a bendita caixa, olhou muito atento e no fim começou a ler uma por uma as frases que constam nas embalagens.
- Ruben o que é que isto quer dizer - olhou-me - esta vai ser à Benfica? - os adultos gargalharam fortemente já a Mariana retirou os preservativos das mãos do irmão - ó mana dá cá isso que ainda não vi tudo - a Mariana olhou-o - só não sei para que serve - voltaram a gargalhar.
- Também não precisas de saber - arrumou os preservativos na caixa - isto não são coisas para a tua idade.
- Mas isso serve para quê? - definitivamente hoje o Martim estava numa de nos deixar sem palavras.
- Para nada, foi o Mauro que não tinha mais nada com que brincar e resolveu dar-me isso - respondi numa tentativa de desviar o assunto.
- Mas isso é do Benfica - sorrimos todos - por isso deve servir para alguma coisa.
- Martim, tens de agradecer os presentes que te deram.
Assim como ouvi a voz da Mariana também vi o miúdo a sair do meu colo para agradecer os presentes, ele deu um beijinho a todos e depois sentou-se no chão da sala a brincar com alguns dos brinquedos que lhe oferecemos. Estava a observá-lo quando ao desviar o olhar vi a minha mãe atenta, sorri mas continuei a olhar o meu pequeno, sim meu, mesmo tendo consciência que o Martim não é mais que o irmão da minha namorada para mim é como se fosse um filho, não sei como é que aconteceu a verdade é que quando percebi o miúdo já tinha conquistado o meu amor.
As horas seguintes foram passadas à conversa com os adultos e só a abandonei quando o Martim reclamou por atenção, acabei por ir brincar com ele.

Mariana

Desde que o Martim nasceu que o Natal passou a ter um novo significado para mim mas este estava a ser ainda mais especial, pela primeira vez senti o que é passá-lo em família e confesso que houve vários momentos que desejei nunca mais perder isto.
O Martim conseguiu deixar-me por diversas vezes sem saber o que dizer mas em todas deliciei-me completamente ao ver o Ruben a lidar com a situação, a cada dia que passa a certeza que tenho do meu lado alguém especial aumenta.
Estava a conviver com a família do homem que amo quando levantei-me para ir beber um pouco de água, estava mais afastada deles quando vi a Anabela a aproximar-se de mim.
- Podemos falar? - perguntou assim que ficamos próximas.
- Sim, diga.
- Mariana espero que não leves a mal a minha pergunta - olhei-a - mas como mãe preciso de saber em que ponto está a vossa relação.
- Está tudo bem mas se quer saber mais detalhes fale com o seu filho.
- Não preciso falar com o Ruben para saber o que sente por ti, isso está espelhado nos seus olhos, na forma como fala de ti, como te quer sempre do seu lado - olhou para o filho que estava a brincar com o Martim - na forma como lida e trata o Martim, Mariana o Ruben trata o teu irmão como se fosse seu filho, não tenho nada contra muito pelo contrário estou feliz desde que o Ruben também esteja e isso nem se discute porque já não o vi-a tão bem há imenso tempo mas confesso que tenho receio em como isto tudo pode terminar, vocês ainda se estão a conhecer, será que não estão a avançar muito depressa? - olhei-a e engoli em seco - Mariana, não quero que interpretes a minha pergunta de forma incorreta mas como mãe preocupo-me com o Ruben, ele apegou-se a vocês os dois e se de um momento para o outro vos perde não sei como irá lidar com isso, entendes?
- D. Anabela ao contrário do que possa pensar o seu filho ainda não nos tem como um dado adquirido e tem consciência disso mesmo, nunca o enganei, sempre fiz questão de lhe dizer com o que podia contar, o Ruben sabia desde início que não seria fácil até porque sabia o que estava em jogo mas mesmo assim não desistiu e tem provado de dia para dia que podemos ser felizes.
- Mariana, já percebi que o teu passado de alguma forma está a condicionar o vosso futuro - olhei-a - porque continuas com um certo receio em viveres o presente - hesitou uns segundos - o que quero saber é se esse passado que não gostas de falar e que estás no teu direito vier ao de cima como é que achas que lidarás com a situação, nomeadamente se o Ruben corre o risco de ser deixado para trás.
- D. Anabela a parte do meu passado que pode abalar-me diz respeito ao Martim mas o Ruben tem consciência disso e de todas as vezes que falamos sobre o assunto, o seu filho é perentório ao afirmar que irá apoiar-me o que sinceramente não duvido uma vez que o Ruben tem um carinho enorme pelo meu irmão, por isso fique tranquila que não será o meu passado que nos pode afastar.
- A decisão de assumirem o namoro foi dos dois? - olhei-a por uns segundos.
- O que quer saber em concreto?
- Mariana, o Ruben já confirmou que vivem juntos e apesar de não ter dito nada as alianças que estão a usar não passaram despercebidas, conheço o meu filho e isto não é nada dele, o que tenho receio é que para Ruben esteja a avançar depressa demais.
- Está a insinuar que o estou a obrigar a alguma coisa?
- Não, estou a dizer que isto é tudo novidade, o Ruben nunca usou aliança e muito menos quis partilhar casa com as ex-namoradas mas contigo isso mudou, o meu medo é que não consigam lidar com a pressão de uma vida a dois e que ele possa sair magoado.
- Por vontade do seu filho tínhamos assumido desde o início o nosso namoro, só não o fizemos porque quis ir com calma mas a verdade é que tornou-se impossível continuarmos a esconder o sentimento que nutrimos um pelo outro, amamo-nos e só queremos viver este amor como qualquer outro casal, se decidimos partilhar a vida em comum e assumir que namoramos foi porque ambos quisemos, a decisão foi mútua.
- Mariana, estás disposta a largar tudo para acompanhares o Ruben sempre que a profissão dele o exigir?
- Estou.
- Mesmo que o Martim não queira ir?
- D. Anabela, o Martim vê no Ruben o pai que nunca teve, para o meu irmão o seu filho é um exemplo a seguir, o menino tem um orgulho enorme pelo Ruben por isso não será o Martim o responsável de uma possível separação, muito pelo contrário, o meu irmão é um elo de ligação, pode ter dificultado ao início mas foi porque não percebia o porquê de ter que partilhar-me com outra pessoa mas até nisso o Ruben foi impecável, se o Martim o aceitou deveu-se à forma como o seu filho lidou com a situação, outros no lugar do Ruben teriam saltado fora à primeira contrariedade.
- Tenho que concordar que para mim foi uma surpresa aliás nunca pensei que o Ruben em tão pouco tempo revelasse este lado de pai.
- Ele tem sido incansável para o meu irmão.
- Só mais uma pergunta - sorriu ligeiramente - e só respondes se quiseres - voltou a sorrir ao olhar para o Ruben que continuava a brincar com o Martim - e quanto a darem-me mais um netinho - fiquei sem reação, não esperava tal pergunta algo que a Anabela percebeu - não precisas de ficar assim, é normal que pensem nisso - sorriu - até porque pelo que percebi o Martim quer um mano - sorriu.
- Do querer ao ter vai uma grande diferença.
- Mas não pensas nisso? Em teres o teu próprio filho?
- Quero ser mãe mas sinceramente não me imagino grávida num futuro próximo, no entanto tenho consciência que o Ruben quer ser pai, que por ele tratávamos já do assunto - a Anabela sorriu - mas um filho é uma responsabilidade para a vida, não quer dizer que o Ruben seja irresponsável mas sinceramente acho que ainda tem que amadurecer mais um pouco, talvez o convívio com o Martim o faça desenvolver o lado de pai, o seu filho tem que aprender a dizer “não” pois pai não é para fazer as vontades todas, é para educar e dar amor - olhei-os - o Ruben amor dá mas na parte da educação - torci um pouco o nariz levando a Anabela a gargalhar despertando a atenção dos adultos - a coisa complica um pouco, por ele fazia as vontades todas ao Martim e não quero um filho mimado, quero um filho preparado para enfrentar a realidade, que perceba desde cedo que as coisas não caem do céu aos trambolhões. Além disso, ainda é cedo para pensarmos em filhos, primeiro quero ter estabilidade, talvez esteja a ser antiquada mas para mim antes dos filhos temos que fortalecer a relação, aprender a lidar enquanto casal com as adversidades da vida, só assim é que teremos condições para sermos pais, colocar um filho no mundo não custa, o que custa é educá-lo e felizmente ou infelizmente sei bem o que isso é e muito sinceramente não acho que o Ruben esteja minimamente ciente da responsabilidade que vem junto com o filho.
- Nisso tenho de concordar contigo, és muito mais madura que o meu filho por isso mesmo é que ainda tenho algum receio - olhei-a - Mariana sinceramente tenho medo que o Ruben te possa dececionar com algumas atitudes, conheço o meu filho e tenho consciência que por vezes é um pouco imaturo, o que às vezes traz-lhe consequências negativas, espero sinceramente que consigam arranjar um ponto de equilíbrio entre o teu lado mais responsável e o dele mais sonhador.
- Não precisei que o falasse para perceber isso, essa é uma das razões que levou-me a querer ir com calma e que faz com que lhe meta alguns travões, nomeadamente nesta questão de filhos, temos que crescer os dois enquanto casal e só depois virá os bebés, posso ceder nalguns aspetos até porque para uma relação resultar tem que haver cedência de ambas as partes, já concordei em irmos viver juntos quando há um ano nem pensava em namorar quanto mais partilhar a minha vida com alguém.
Teríamos continuado a falar mas o Ruben veio ter comigo para perguntar se não queria ir embora uma vez que o Martim estava com sono, acabamos por nos despedirmos e seguimos até ao seu apartamento.

***

- Amor - olhei para a porta e vi o Ruben a entrar na cozinha - não vens dormir? - perguntou já com o seu corpo grudado ao meu.
- Vou - beijei-o - vim só beber água que tinha sede - sorri ao vê-lo a olhar-me - o que foi?
- O que é que tanto falavas com a minha mãe? - foi visível a sua curiosidade.
- Nada de especial, estivemos a falar sobre o nosso namoro, a tua mãe quis certificar-se que ando a tratar bem o menino dela - sorriu.
- Hum, podias tratar ainda melhor - vi o desejo no seu olhar - não queres ir até ao quarto? - sussurrou-me ao ouvido, aproveitando para dar-me alguns beijinhos no pescoço o que arrepiou-me - o puto já está a dormir - notei uma certa malícia no seu tom de voz.
- Queres ter os teus quinze minutos à Benfica, é? - falei num tom de gozo fazendo alusão à prenda que o irmão lhe deu.
- Eu dou-te os quinze minutos, dou-te, dou-te - resmungou assim que o deixei sozinho na cozinha e fui até ao quarto - amor abre a porta - falou ao perceber que tinha trancado a porta da casa de banho à chave, afinal não queria ser incomodada.
- Se tens assim tanta urgência para usares o WC vai ao outro - respondi em tom de gozo - que este está ocupado - o Ruben ainda refilou mas acabou por se calar, no entanto sabia que continuava no quarto pois ouvia barulho, não demorei mais do que os minutos necessários para trocar de roupa e assim que abri a porta o olhar do Ruben recaiu sobre o meu corpo, o meu amor ficou literalmente de boca aberta e sem reação, talvez por não esperar que fosse capaz de usar algo tão atrevido e sinceramente nem sei como tive coragem para comprar tal coisa mas a verdade é que a Letícia conseguiu convencer-me a fazê-lo quando fui com ela às compras.
Aproximei-me lentamente do Ruben mas sempre com o olhar preso no dele, o meu amor sorriu assim que colei os nossos corpos e bastou uns segundos para sentir as suas mãos nas minhas nádegas, pressionando-me ainda mais contra o seu corpo, os seus lábios há muito que se tinham encontrado com os meus e as nossas línguas exploraram minuciosamente a boca do outro enquanto as minhas mãos ganharam vida própria e começaram a retirar a sua roupa mas foi quando lhe desapertei os botões das suas calças que perdi toda e qualquer vergonha que até aqui ainda sentia sempre que partilhávamos momentos destes e acariciei-o, percebi que aquilo não só o apanhou desprevenido como lhe deu prazer, não me fiz de rogada e continuei com a brincadeira, acabei por obrigá-lo a deitar-se na cama, o Ruben não fez questão de ter iniciativa nenhuma por isso continuei a “brincar” com ele, iniciei uma sucessão de beijos que começaram nos seus lábios, percorreram o rosto e foram descendo pelo seu tronco com algumas brincadeiras que lhe fiz com a língua cheguei a onde queria, ao limite delimitado pelos seus boxers, parei ou melhor fui obrigada a parar assim que consegui livrar-me dos mesmos, pois pela primeira vez desde que meti os pés no quarto o Ruben quis tomar as rédeas do momento, o meu amor voltou-se deixando-me debaixo de si, o que aproveitou para se “vingar” do que lhe tinha feito momentos antes e também ele deixou qualquer tipo de pudor ou receio que pudesse não gostar e brindou-me com umas carícias diferentes de todas as que já tinha oferecido, o Ruben livrou-se da lingeri que tinha e com os seus dedos e boca levou-me à loucura, nunca pensei que fosse possível mas a verdade é que a descarga de prazer que senti foi tanta ou mais ainda do que aquela que senti de todas as vezes que já nos amamos, quando ele une os nossos corpos e nos leva ao limite, ainda assim não estávamos satisfeitos, continuamos com aquela brincadeiras de mãos, explorávamos o corpo um do outro de uma forma nova, descobri um conjunto de sensações que desconhecia mas todas elas ótimas mas foi quando o Ruben uniu finalmente os nossos corpos e que nos entregamos um ao outro que atingimos o auge, amamo-nos noite dentro nas mais diversas formas possíveis, muitas delas nem imaginava ser possível mas quando as nossas energias se esgotaram a sensação de preenchimento total foi única.
- Amor - elevei a cabeça que estava repousada no seu peito - estás bem? - sorri.
- Estou - beijei-o demoradamente - porquê que não deveria de estar?
- Estás tão caladinha - acariciou-me o rosto com os seus dedos.
- A culpa é tua - sorriu - aniquilaste com as minhas reservas de energia - beijou-me - amo-te - não consegui dizer mais nada pois o Ruben voltou a unir os nossos lábios e uns minutos depois já estava novamente a sentir o peso do seu corpo que por mais que estivéssemos esgotados era impossível não nos desejarmos, no entanto ficamos só pelas carícias, o Ruben estava disposto a tornar aquela noite única e inesquecível, o que não foi difícil afinal desde a nossa primeira vez que ainda não tinha sentido tanto prazer, o que só veio comprovar que tinha razão ao afirmar que quanto melhor nos conhecêssemos melhor seria os momentos a dois.
- Mariana - olhei-o - porquê que decidiste surpreender-me desta forma? - sorri ao ouvi-lo.
- Amor - beijei-o - não foi nada planeado - sorri envergonhada - acho que fiz sem pensar, sei lá deixei-me levar pelo que sinto por ti.
- Gosto disso mas acho que fiquei viciado - sorriu de forma traçada - por isso vou querer repetir outras vezes - trincou o lábio e percorreu com o seu olhar todo o meu corpo - amo-te - suspirou - quero-te na minha vida para sempre - beijou-me demoradamente e depois de algumas carícias acabamos por nos levantarmos uma vez que desafiou-me para um banho a dois, onde acabamos por nos amar novamente.

A noite de consoada correu bem mas será que o almoço de Natal irá ser igual?

9 comentários:

  1. Olá :D
    Adorei!
    Ri-me bastante com o Martim, o raio do puto fez com cada pergunta! Mas o Ruben saiu-se perfeito no seu papel de pai : )
    Quero muito ler o próximo :p
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  2. Uau, amei! :D O qe me ri com a saídas do Martim, aquele miudo estava "on fire" :p e pelos vistos o casalinho também ^^
    Agora quero ver é como corre o resto...
    Beijinhos

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  3. Olá!

    Como os teus capítulos são ainda longos comparando a outras fics que leio, eu amo lê-los bem tarde antes de adormecer (sim, porque acabei o meu romance de Nicholas Sparks e fiquei sem leitura), mas quando vi este título, não resisti e tive de ler!

    Bem, está fantástico!
    Primeiro, todas aquelas perguntas do Martim a que o Ruben respondia com toda a serenidade, depois a mãe galinha Bela xD e para finalizar um momento a dois. Simplesmente FANTASTICO!

    Já espero o proximo!

    Beijo
    Ana

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  4. A-D-O-R-E-I!!!
    Diz que Natal é quando um Homem quiser... por mim podia ser hoje! Ahahahh
    Venha de lá esse almoço que me cheira que vai ser bem recheado!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  5. Olá :)
    Tenho de dizer que assim que vi o titulo só pensei Martim fez das suas! xD
    Adorei e este Martim está casa vez melhor :P
    E isto sim é que foi uma grande maneira de acabar ;D
    Quero mais!
    Beijinhos
    Rita
    http://lifegoesonr.blogspot.pt/

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  6. O que me ri com o Martim ele estava demais :D :D :D não deu uma única trégua...
    Amei :D
    Quero mais!!!
    Beijinhos

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  7. fantastico...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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  8. Como é habito tenho de começar com as reclamações: Falta a minha dedicação! :P

    De resto ADOREI como sempre. O Martim é um espectaculo, já tem avo e tudo .. Ah ah ah

    E já sabes que detesto escrever comentários :)

    Beijinho linda ..

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  9. Se o puto na consoada tava com esta pedalada toda, agora depois de receber os presentes e de uma noite de sono, eu imagino como vai correr este almoço de Natal, a coisa promete.
    Se em vez de uma consoada tivesse sido uma noite de entrega de óscares, o Martim era o grande vencedor da noite, ganhou um pai e agora uma avó, o puto ganhou foi uma familia, e isso foi a melhor prenda de todas, ADOREI, tudinho, e este final então nem se discute, não podemos reclamar, porque como diz a Rita Martins "isto sim é que foi uma grande maneira de acabar".
    Continua

    Beijocas

    Fernanda

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