segunda-feira, 6 de agosto de 2012

047 - “Ó Ruben porquê que não falaste que a prenda que o teu mano deu eram balões… mas estes escorregam… podes dar num nó para eu brincar… tá tudo a rir porquê?

Ruben

Acordei numa felicidade extrema sem dúvida que a noite passada foi a melhor que tivemos desde que namoramos e coincidiu com a melhor consoada que tive até ao momento, poder partilhar a noite com a minha família mas principalmente com a Mariana e o Martim foi algo único, pela primeira vez desejei que os ponteiros do relógio parassem para que pudéssemos ficar eternamente juntos e em completa harmonia. Mas se a entrega da Mariana deixou-me a levitar, ter acordado com o Martim a dormir com a cabeça no meu ombro deu-me uma paz de espírito enorme, o menino no seu jeito de criança irrequieta e muito ligado à irmã conquistou-me desde o primeiro dia que o vi, quase que arrisco a dizer que conquistou-me ainda antes da irmã e agora tê-lo ali mas principalmente poder ser o seu pai deixa-me feliz, afinal são a minha família e aquela que amo verdadeiramente.

Fiquei a observá-los os dois, ambos dormiam serenamente mas não resisti e acabei por despertar o meu amor ao dar-lhe um beijinho na sua testa, a Mariana quando abriu os olhos sorriu ao ver o irmão a dormir.
- Amor o que é que está aqui a fazer? - perguntou-me com voz de quem tinha acabado de acordar.
- Não sei, quando abri os olhos já aqui estava - sorri ao vê-la a olhá-lo enternecida.
- Estou com uma fome - gargalhei ao ouvi-la ou não fosse estar com o mesmo problema e assim que o fiz o Martim acordou - oh lindo desculpa acordei-te - dei-lhe um beijinho no rosto.
- Não faz mal - respondeu-me enquanto se espreguiçava.
- Olha lá, ó meu piolho o que é que vieste fazer para a nossa cama?
- Ó mana não ralhes comigo foi só hoje - sorrimos ao ouvi-lo.
- A tua sorte é que vai mesmo ser só hoje - olhou-a - Martim, não podes vir dormir todos os dias para a cama da mana e do Ruben.
- Tá bem - assim como respondeu deitou-se no espaço vazio entre nós os dois - mas hoje é natal e quero miminhos - gargalhamos os dois.
- Sabes muito - respondi-lhe e depois ficamos na brincadeira durante uns minutos mas acabamos por nos levantar para irmos comer.
No final ainda quis ajudar a Mariana, até porque hoje vinha cá a minha mãe, o Mauro, a Madalena, a Letícia e o Rui almoçarem mas o meu amor preferiu que ficasse a olhar pelo Martim, já que o puto estava a reclamar por mimos. A manhã foi dedicada à brincadeira que só foi interrompida quando a Mariana pediu que fosse vestir o irmão, foi quando já estava despachado que ouvi a campainha, fui até à porta e abri-a à minha família.
- Bom dia - cumprimentei-os - entrem - sorri.
- Avó Bela - sorri ao ouvir o Martim a chamar a minha mãe por avó - tás boa?
- Sim e contigo está tudo bem? - a minha mãe deu-lhe um beijinho.
- Sim - respondeu quando já estava concentrado no Rafael que dormia ao colo da Madalena.
- Ó puto e nós não merecemos uma receção dessas, é tudo para a avó Bela e para o Rafael, é? - o Martim olhou-o como se tivesse a sentir culpado o que nos levou a sorrir.
- Desculpa - deu um beijo ao Mauro e outro à Madalena - mas eu gosto de ver o Rafael a dormir - respondeu muito serenamente.
Estava simplesmente a observá-los quando a minha mãe perguntou pela Mariana, informei-a que estava na cozinha e por isso vi as mulheres a saírem da sala, enquanto nós ficamos com os miúdos na sala.
- Puto - desviei o olhar que estava direcionado para as crianças e olhei o meu irmão - desculpa a pergunta mas estás mesmo confortável com essa cena do Martim te chamar de pai?
- Se queres saber, estou. O Martim sabe que não sou o seu pai tal como a Mariana não é mãe mas é connosco que o miúdo vive além disso já o amo como se fosse.
- Daqui a uns meses estás casado e a Mariana grávida - gozou mas a ideia agradou-me e muito.
- Quem sabe - sorri ao imaginar a Mariana barriguda - mas não acredito que isso esteja assim para tão breve, ela já cedeu em muita coisa por isso agora quero dar-lhe tempo para assimilar estas mudanças todas.
- Olha e como é que acha que a Soraia vai reagir quando tiver a confirmação que namoras com a Mariana?
- Não sei mas espero que não faça nenhum drama, até porque nunca a traí.
- Mano nunca se passou nada entre ti e a Mariana quando namoravas com a Soraia?
- Não.
- Nem assim uns beijos?
- A Mariana nunca deixou que acontecesse - sorriu - mas houve uma ou outra vez que esteve perto de acontecer.
- Mano, ao longo dos meses nunca percebeste que a rapariga mexia contigo?
- Mauro, não posso dizer que não percebi mas evitei ao máximo admitir, andei um tempo sem saber muito bem o que sentia por ela, a Mariana é como um porto de abrigo, sei que posso contar sempre com o apoio dela e talvez por isso levei mais tempo a admitir aquilo que sentia, sinceramente andei confuso não sabia se era só amizade ou algo mais, a única certeza que tinha é que não a queria perder.
- Bateu-te mesmo forte - sorri - nunca te vi tão vidrado em ninguém.
- Podes achar ridículo mas é verdade com a Mariana sinto tudo de forma diferente, com mais intensidade não consigo explicar bem mas tudo faz sentido do lado dela, o que nos une é verdadeiro e ao contrário do que possam imaginar a nossa relação é algo sólido, mano a Mariana está farta de dar-me provas do seu amor.
- Não queres ser mais explícito?
- Há coisas que não se comentam e prefiro guardar para mim esses momentos.
- Mano - hesitou e por isso olhei-o - vocês já.
- Podes parar por aí que não vou estar a comentar a minha vida íntima e muito menos a da Mariana.
- Não estava a pensar nisso - gargalhou - mas sim se já falaram como é que vai ser se tiveres de regressar ao Benfica no final da época - suspirei.
- Já, qualquer decisão a ser tomada será pelos dois, só assim é que faz sentido e agora ainda mais já que vivemos juntos.
- Ora aí está uma coisa que deixou-me boquiaberto nunca pensei que a convidasses a viver contigo afinal nunca quiseste viver com a Soraia.
- Mauro, gostei muito da Soraia mas como já falei o que sinto pela Mariana é diferente e muito mais forte, além disso elas são o oposto, agora tenho do meu lado alguém que independentemente da situação sei que irá apoiar-me a cem por cento mas principalmente que não está comigo por interesse se assim fosse tinha aproveitado as oportunidades que teve para se envolver comigo e olha que foram algumas, afinal sempre houve uma grande proximidade entre nós que só não descambou porque a Mariana sempre se deu ao respeito, aliás por muitas brincadeiras que pudéssemos ter, por muitos abraços e beijinhos que dávamos ao outro nunca experimentei pisar o risco, sabia que se o fizesse a Mariana no mínimo dava-me um par de estalos e nunca mais falava comigo.
- Nunca pisaste o risco mas chegaste a andar lá perto ou estou enganado?
- Não - sorri ao recordar alguns desses momentos - confesso que houve momentos complicados e que não sei mesmo como é que consegui controlar a vontade que tinha mas acredita nunca houve nada entre nós, o nosso primeiro beijo aconteceu uns meses depois de ter terminado com a Soraia.
- Pediste-a em namoro? - voltei a sorrir.
- Sim.
- O meu maninho está a tornar-se num homenzinho - gozou - até já usa aliança de comprometido - gargalhou por saber que nunca gostei de usar aliança, aliás foi um dos motivos que originou mais discussões entre mim e a Soraia, uma vez que ao início ela queria usar e fazia questão nisso.
Não respondi e ele teria continuado mas tive que levantar-me para ir abrir a porta. Cumprimentei a Letícia e o Rui para logo depois apresenta-los ao meu irmão, o Martim ficou eufórico quando viu a madrinha talvez porque iria desembrulhar mais uns presentes. Enquanto o menino estava entretido com a madrinha fui até à cozinha.

Mariana

A manhã foi na cozinha a preparar o almoço de Natal e quando já estava a terminar vi a Anabela e a Madalena a entrarem, cumprimentaram-me e ficamos à conversa enquanto colocava o comer nas travessas e quando olhei na direção da porta vi o Ruben parado a observar-nos.
- Precisas de alguma coisa? - perguntei.
- Não, vim só avisar que a Letícia e o Rui já chegaram.
- Hum, isto está quase pronto, já lá vou ter.
- Queres ajuda para levar as travessas?
- Mais duas mãos são sempre bem-vindas - sorri ao vê-lo a aproximar-se pegando em duas travessas e levando-as com ele. A Anabela e a Madalena também ajudaram a levar tudo para a mesa e no fim fomos chamá-los.
Almoçamos com bastante conversa à mistura que serviu para conhecer algumas travessuras que o Ruben aprontou em pequeno, apesar de estar a deliciar-me com o que ouvia foi inevitável não ficar triste afinal não tinha ninguém que pudesse contar como foi a minha infância, algo que o Ruben deve ter percebido porque mudou de assunto, olhei-o e sorri, é bom saber que já me conhece assim tão bem.
A tarde foi animada com muita conversa à mistura mas o inesperado aconteceu quando o Martim entrou na sala todo molhado e com algo nas mãos que assim que vi o que era a vontade de desaparecer foi mais que muita.
- Ó Ruben porquê que não falaste que a prenda que o teu mano deu eram balões - falou com o ar mais angelical possível e com um preservativo cheio de água nas mãos - mas estes escorregam - se estava atónica a olhar para o Martim o Ruben não estava muito diferente - podes dar num nó para eu brincar - os adultos presentes na sala gargalhavam que nem perdidos - tá tudo a rir porquê?
- Por nada Martim e isso não é para brincares - o Ruben repreendeu-o mas tinha ganho mais se tivesse calado.
- Mas tu e a mana devem ter brincado porque encontrei um saquinho destes - mostrou a embalagem do preservativo - vazio debaixo da tua cama - se estava sem saber onde enfiar-me depois de ouvir a última nem consegui olhar para mais ninguém simplesmente saí da sala.
- Amor - ouvi o Ruben a chamar-me mas só lhe dirigi a palavra quando estávamos os dois no quarto.
- Onde é que guardaste aquela porcaria - gargalhou talvez por saber que só estava a falar assim por ter vontade de desaparecer.
- Sabes bem onde os tenho - falou já com os seus braços a rodearem a minha cintura.
- Hey, hey chega-te para lá - sorriu.
- Não seja assim, ok foi um bocado embaraçoso a parte em que o Martim falou da embalagem vazia mas agora também não podemos mudar isso.
- Ai podemos, podemos, ficas desde já avisado que ao mínimo deslize teu ficas de castigo e vê se para a próxima metes tudo no lixo - sorriu - não estou a achar piada, com que cara é que vou olhar para a tua família.
- Com a tua - teria refilado mas o Ruben não deu hipótese unindo as nossas bocas, é lógico que não consegui negar-lhe até porque para ser sincera já estava a sentir saudades dos seus lábios - amor não fiques assim envergonhada, eles só tiveram a confirmação de algo que já desconfiavam, achas mesmo que pensavam que nós só dormimos juntos?
- Não mas daí a saberem quando o fazemos ou não já é abuso - gargalhou.
- És única - beijou-me - anda vamos regressar para a sala porque o Martim continua lá e para ser sincero até tenho medo do que possa estar a dizer - desta quem gargalhou fui eu.
- Já percebeste que educar uma criança não é um mar de rosas, é? Que eles por vezes são inconvenientes.
- Não digas isso, amor não é por o Martim ter estas saídas inesperadas que vou deixar de amá-lo ou que vou ficar chateado com o menino.
- Quero ver como é que descalçamos a bota, sim porque o Martim vai continuar com as perguntas sobre o balão que escorrega das mãos - voltou a gargalhar.
- Podemos resolver o assunto se deixarmos de usar - olhei-o numa tentativa de perceber se falava a sério - isso reduzia as hipóteses dele apanhar novamente os preservativos.
- Só podes estar maluco dessas ideias - soltei-me dos seus braços e fui até à casa de banho do quarto - Martim Miguel - chamei-o uns decibéis acima do normal o que foi suficiente para o meu irmão aparecer à minha frente e com ele os adultos todos - já viste o que fizeste?
- Ó mana eu só queria encher o balão.
- Martim, isso não é nenhum balão e muito menos algo para brincares, segundo andaste a mexer no que não é teu e por último sabes que a mana não gosta que brinques com água dentro de casa, molhaste o chão todo já para não falar da tua roupa.
- Não ralhes comigo - falou a tremelicar o queixo - eu não fiz por mal - as primeiras lágrimas brotaram dos seus olhos - eu limpo e prometo que não mexo mais nas coisas do Ruben.
- Ai limpas, limpas porque não sou tua criada, fica aqui que vou buscar um pano - passei por todos sem olhar para ninguém e uns minutos depois já estava de regresso com o balde e a esfregona, expliquei-lhe o que tinha a fazer e fiquei a observá-lo.
- Tá bom?
- Não, limpa melhor.
- Já tá? - olhei-o.
- Já, agora vai para o quarto que tens de mudar de roupa, já vou ter contigo.
O menino nem questionou, lógico que assim que saiu tive de limpar a casa de banho, afinal uma criança de sete anos ainda não o consegue fazer mas o Martim tem que aprender que tudo tem consequências e que não pode brincar com o que não é dele. Quando terminei de limpar o chão já estava sozinha, pois a família do Ruben e os meus amigos saíram de fininho. Arrumei o balde e a esfregona na dispensa e fui até ao quarto do meu irmão, ajudei-o a mudar de roupa e no fim regressei à sala.
- O menino? - o Ruben perguntou imediatamente.
- Ficou no quarto - informei-o quando já estava sentado do seu lado.
- Meteste-o de castigo? - olhei-o - Amor não é caso para tanto - continuava a olhá-lo - só teve curiosidade, é normal.
- Eu dou-lhe a curiosidade ó se dou - sorriram todos - mas o castigo dele foi limpar o chão.
- Então porquê que não veio contigo?
- Porque não quis, o Martim sabe bem quando apronta alguma e depois passa as horas seguintes longe do meu olhar.
- Também é difícil não saber quando apronta - olhei-o - não deixas passar nada, dás-lhe sempre algum castigo.
- Não vou estar a discutir a educação que dou ao meu irmão e muito menos em frente à tua família - olhou-me - e para que fique já esclarecido educo o Martim há sete anos, nunca precisei de ninguém a dar palpites por isso agradeço que não o faças, estamos entendidos?
- Não - olhei-o - sei que o irmão é teu, que o educas o melhor que sabes e que consegues mas isso não quer dizer que concorde com tudo o que fazes e dizes, se queres saber desta vez acho que exageraste o menino não fez por mal.
- Ruben quando é que entendes que as crianças nunca fazem por mal mas se não lhe colocamos um travão que depois ninguém as segura, hoje foi isto amanhã será outra e quando dermos por isso o Martim faz tudo o que lhe passar pela cabeça sem nos respeitar.
- Acho que estás a exagerar também aprontei algumas e não era por isso que estava sempre de castigo.
- Não o meti de castigo só limpou o que sujou, não sou criada dele.
- Mariana, é só uma criança.
Não respondi por ter consciência que se continuássemos com aquele bate boca que ainda nos chateávamos, preferir levantar-me e sair da sala, fui para o quarto e uns minutos depois alguém bateu à porta, dei permissão para entrar pois pensei que fosse a Letícia mas enganei-me, quem entrou foi a Anabela.
- Podemos falar?
- Diga - sentei-me na cama.
- Sei que não gostas que se metam na educação que dás ao teu irmão - olhei-a - mas não leves a mal o meu filho, ele só precisa de tempo para entender como se educa uma criança, tem um pouco de paciência.
- D. Anabela - interrompeu-me
- Trata-me só por Bela ou Anabela como preferires.
- Não estou chateada com o Ruben, no fundo entendo o que quis dizer mas não posso dar abébias ao meu irmão, conheço-o e sei que se as dou vai abusar.
- Se não estás chateada porquê que vieste para o quarto?
- Porque como conheço o meu irmão também já conheço o Ruben e sei que não iria desistir por isso resolvi dar o assunto por terminado antes que falássemos os dois demasiado - sorriu.
- Até nisso és diferente - olhei-a - podias ter ficado a alimentar uma discussão mas preferiste sair da sala, de facto as tuas atitudes revelam que conheces o meu filho, sabes que é teimoso que nem mula e já percebeste qual é a melhor forma de lidar com ele, coisa que - calou-se mas percebi o que queria dizer.
- Coisa que a Soraia não conseguiu durante anos de namoro - sorriu - Anabela a única coisa que distingue-me da Soraia é o facto de saber dar valor ao que tenho mas principalmente ter aprendido desde cedo que a vida dá-nos por um lado mas retira por outro, que se não formos nós a estar atentos e a lidar com os problemas assim que surgem ninguém o faz por nós.
Não sou cega por isso no dia que conheci a Soraia, percebi imediatamente que a relação deles tinha os dias contados, desculpe que o diga desta forma mas nenhum dos dois tinha maturidade suficiente, eles discutiam por coisas sem importância, se o Ruben sente uma certa dificuldade em dar valor ao que tem, ela ainda consegue ser pior, por isso é que não resultou, ferviam os dois em pouca água, nem o seu filho nem a Soraia percebem o quanto a vida pode ser madrasta, eles nunca precisaram de “crescer” nesse sentido, por isso à primeira contrariedade em vez de se sentarem e falarem como dois adultos faziam exatamente o contrário, discutiam.
- Tens razão mas também ferves em pouca água, tens é o discernimento de saber quando é o momento de parar.
- Só perco a cabeça quando o assunto é o Martim ou então quando magoam-me e não é preciso muito para tirarem-me do sério quando atingem esses dois pontos, se há coisa que não tolero é que se metam com o meu irmão, quanto a mim quem magoa ou desilude-me dificilmente consegue o meu perdão, até posso desculpar agora perdoar é muito complicado porque não consigo esquecer.
- Tens muita mágoa guardada dentro de ti - olhei-a - não conheço o teu passado mas já percebi que sofres calada, ainda assim não desistes de tentar ser feliz e isso é de louvar.
- No dia que desistir de procurar a minha felicidade estou a assinar a minha sentença de morte e se antes de ter o Martim nunca o fiz não será agora que o vou fazer, o meu objetivo é ver o meu irmão a crescer, a tornar-se num homem com princípios, sonhos e ambições por isso dê por onde der tenho que continuar em frente, posso cair mas levanto-me e continuo a caminhar, por ele e por mim.
- Espero que esse caminho seja ao lado do meu filho, Mariana para ser sincera quando te conheci fiquei incomodada com a vossa amizade, talvez por não conhecer-te, tive receio que fosses só mais uma a tentar atravessar-se no caminho do Ruben mas aqueles dias que passei em Braga serviram para perceber que és mesmo o que demonstras, que não estavas a tentar agradá-lo mas sim a seres tu própria, sempre direta mas acima de tudo justa, apesar de seres alguém que está sempre com as defesas no máximo acabas por deixar que te conheçam verdadeiramente e isso é algo que nos dias de hoje é cada vez mais raro, as pessoas normalmente usam mascaras para esconderem o seu lado mais frágil ou simplesmente acham que se foram de determinada forma vão agradar com mais facilidade e quando descobrimos desiludimo-nos com elas, tu não, nunca escondeste que sofreste no passado, é verdade que não falas nisso mas acredito que seja uma forma de te protegeres a ti própria no entanto não tens problemas em assumir que se hoje és assim se deve a esse passado que te moldou, tens mágoa dentro de ti mas vergonha é coisa que não tens, por isso lidas com a realidade e não finges ser quem não és, quem gosta muito bem, quem não gosta que siga em frente.
Não respondi porque quando o ia fazer o meu irmão pediu autorização para entrar no quarto e assim que a dei deitou-se ao meu lado, pediu desculpas e garantiu que não voltava a mexer nas coisas do Ruben, acabei por mimá-lo um pouco e no fim regressamos à sala, onde encontramos os rapazes a jogarem e as raparigas à conversa, aproximei-me do Rafael pegando-lhe ao colo, estava a mimar o meu afilhado quando fui surpreendida pelo Ruben que abraçou-me por trás.
- Desculpa, exagerei - olhei-o.
- Não exageraste simplesmente temos pontos de vista diferentes por isso é que uma das primeiras coisas que te disse quando andaram os dois a chatearam-me a cabeça para concordar com essa ideia de fingirem serem pai e filho foi que a última palavra no que toca à educação do meu irmão será sempre minha, isto não foi nada que não tenha previsto antes de acontecer, afinal tens uma tendência natural para mimares os putos - a Anabela sorriu.
- Isso quer dizer que não estás chateada?
- Não, só te dei tempo de assimilares o que estavas a dizer.
O Ruben limitou-se a unir os nossos lábios num beijo decente ainda assim carregado de sentimento, acabei sentada ao seu colo enquanto vi a Madalena a dar peito ao menino.

***

- Amor apetece-me ir dar um passeio o que achas de irmos os três.
- A esta hora? - perguntei afinal já era noite e sinceramente não estava a apetecer-me sair do sofá depois de uma tarde cansativa a dar à língua.
- Não te apetece, é? - sorri.
- Confesso que estou mais numa de ficar aqui abraçada a ti.
- Tudo bem mas amanhã fazemos qualquer coisa os três, pode ser?
- Sim, amanhã podes escolher o programa que nós cumprimos na íntegra. 
Ele não insistiu mais e por isso voltei a deitar a minha cabeça no seu peito, foi assim que fiquei até à hora de ir fazer o jantar, o Ruben ajudou-me e depois de comermos o Martim quis ver o filme de desenhos animados que o Ruben lhe ofereceu por isso metemos o DVD a rodar e enquanto o puto via os bonecos nós aproveitamos para namorar. No final o Ruben foi deitar o Martim enquanto fiquei estatelada no sofá à sua espera.
- Será que dá para falarmos - abri os olhos ao ouvi-lo.
- Diz.
- Mariana já não somos nenhumas crianças - olhei-o intrigada - e já vivemos juntos por isso porquê que achaste a ideia de deixarmos de usar preservativo descabida?
- Ruben, temos que falar disso agora?
- Qual é o mal?
- O mal é nenhum mas porquê que queres deixar de usar? Não é igual? - sorriu.
- A questão não é essa.
- Então é o quê?
- Prefiro não usar, é só isso, até porque podes tomar a pílula ou então escolheres outro método anticoncetivo.
- Ruben, sempre tomei a pílula - olhou-me surpreendido - aliás faço-o desde os meus quinze anos.
- Porquê? - sorri com a pergunta dele.
- Caso não saibas a pílula não serve só como anticoncetivo, também serve para regular os ciclos e o meu era bastante irregular por isso desde cedo que tomo a pílula.
- Porquê que nunca disseste?
- Nunca perguntaste, além disso não achei que fosse necessário dizê-lo.
- Amor se já tomas a pílula não há problema em deixar de usar - não respondi - Mariana, podes pelo menos pensar no assunto?
- Posso mas agora quero ir dormir que estou com sono.
O Ruben não contestou e seguiu-me, chegamos ao quarto e não demorei mais que uns minutos a deitar-me na cama, estava de facto com sono e assim que coloquei a cabeça na almofada não levei muito tempo a adormecer.

Ruben

O dia ontem teve de tudo, momentos bons e outros para esquecer como foi o caso da troca de palavras que tive com a Mariana quando tentei meter-me na educação do Martim, por isso acordei disposto a passar um dia diferente com eles. Levantei-me com uma ideia em mente e por isso fui pesquisar na net para ver se seria possível uma vez que estamos em pleno inverno mas assim que percebi que não haveria inconveniente nenhum fui acordar a Mariana.
Informei-a dos meus planos o que deixou-a de sorriso no rosto ou não fosse saber que o Martim iria adorar, enquanto foi tomar um duche, fui acordar o menino, escolhi uma roupa quente e ajudei-o a vestir-se, já estava na cozinha a preparar o nosso pequeno-almoço quando o meu amor entrou, sorriu e depois uni os nossos lábios num beijo demorado.
- Mana onde vamos? - sorrimos - O Ruben não diz.
- Se é surpresa é normal que não diga mas amor vais adorar este dia.
- Isso assim não vale - sorrimos perante o falso amuo do meu pequeno.
- Não adianta fazeres beicinho porquê não vou dizer e agora vai buscar o casaco para sairmos - o Martim nem questionou e uns segundos depois já tinha o casaco na mão.
O menino passou a viagem toda a fazer perguntas mas assim que percebeu que iríamos passar o dia no Badoca Park rejubilou afinal adora animais. Divertimo-nos imenso e quando regressamos a casa no final do dia o Martim pediu-me que fosse com ele no momento que a Mariana lhe disse para ir tomar banho e vestir o pijama. Ajudei-o e quando já estávamos no quarto o menino voltou a tocar num assunto que julguei que já tinha esquecido.
- Ruben afinal para que serve a prenda que o Mauro te deu - olhei-o sem saber muito bem o que responder - se não é um balão é o quê?
- Aquilo é algo que os adultos utilizam.
- Para quê?
- Quando fores maior depois percebes.
- Mas eu quero perceber agora.
- Martim és muito pequeno para falarmos sobre isso.
- É sempre a mesma coisa, quando não querem falar comigo dizem que sou pequeno - cruzou os braços em frente ao peito.
- Não fiques chateado.
- Então explica - respirei profundamente ao perceber que o miúdo não ia desistir - eu quero perceber porquê que ficaram tão chateados comigo por ter brincado com aquilo.
- O problema não foi teres brincado com aquilo mas sim mexeres no que não é teu.
- Mas eu só fiz isso porque não explicaram o que era e continuam a não dizer.
- Martim esquece isso, já te disse que não é assunto para meninos da tua idade.
- Mas eu quero saber e se não explicas vou perguntar à mana e dizer que foste mau para mim - interrompi-o.
- Martim, não vou admitir que faças chantagem comigo, vê se queres que seja mesmo mau e te coloque de castigo, sim porque se falar com a tua irmã e lhe contar o que acabaste de dizer, ela não vai achar piada.
- Queixinhas - conforme falou saiu do quarto de “rabo alçado”, fui atrás dele e ouvi o que não esperava.

O que terá visto o Ruben?

8 comentários:

  1. Oh que fofo e tão os 3 uma verdadeira familia.
    Agora o pequenote é fresco! Chantagem e tudo?!
    O que será que o Ruben vai ouvir??
    Tou super curiosa!

    Bjokinhas
    Mariaa

    ResponderEliminar
  2. Olá :D
    Amei!
    Fartei-me de rir com as travessuras do Martim : )
    Quero mais : )
    Beijinhos
    Ritááá xD

    ResponderEliminar
  3. Oi ;b

    Adorei o capitulo, este martim é ca uma peça (;

    Estou ansiosa pelo próximo

    Da um pulinho á minha fic e deixa a tua opiniao ;b

    Beijinhos

    Nii'i

    ResponderEliminar
  4. Olá :)
    Tu sabes que adorei esta ideias dos "balões" xD
    Amei e quero mais que acabar desta forma não é nada menina Caty!
    Beijinhos
    Rita

    ResponderEliminar
  5. A minha pessoa ficou abismada com este capitulo.
    Este Martim parte tudo :O

    Quero o proximo! Ate ja tenho medo do que pode ai vir!

    Beijo
    Ana

    ResponderEliminar
  6. A Mariana e o Ruben estão a educar, ou pelo menos tentam educar uma "fera", o puto é fresco, como já viu que não descobre de maneira nenhuma o que são os "balões" que o Mauro ofereceu ao Ruben, agora virou-se para a chantagem, isto tá bonito. O que virá a seguir? porque eu já espero tudo.
    O Ruben bem que tenta mas não resiste em mimar o puto, agora foi uma visita ao Badoca Park, não podemos dizer que o rapaz tem mau gosto, porque é mesmo um dia muito bem passado, fazer o safari e o rafting, mas nem assim o puto se esqueceu dos "balões".
    Adorei, e dei umas belas gargalhadas, mas agora quero saber o que é que o Ruru viu e ouviu.
    Continua

    Beijocas

    Fernanda

    ResponderEliminar
  7. Ai o que eu ri nesses últimos capítulos :P
    Agora, estou mesmo é curiosa pra saber o que o Ruben viu/ouviu... pelo que parece, coisa boa não foi u.u
    Quero mais *-*

    Gabii.

    ResponderEliminar
  8. O que eu me ri à conta do Martim... demais os balões ;)
    Mas agora fiquei com receio do que o Martim vai aprontar é que os miúdos são terríveis.
    Estou super curiosa, o que será que vem por aí...
    Quero mais!!!
    Beijinhos.

    ResponderEliminar