Ruben
Fiquei sozinho no quarto e sem entender o que vai na cabeça
da Mariana, afinal acusou-me de não a ajudar mas a verdade é que por muito que
queira nunca fica do agrado dela, tentei explicar-lhe isso mesmo mas a resposta
que obtive foi a sua saída do quarto. Ainda pensei ir atrás dela mas daria
confusão de certeza por isso preferi deixar o assunto por resolver.
Acabei por adormecer sem a ter do meu lado mas quando
acordei durante a noite encontrei o espaço reservado para ela ocupado, não
resisti e abracei-a, até isso a Mariana anda a evitar.
Despertei com a Mariana a tentar ver-se livre do meu braço
que continuava a prendê-la e a impedi-la de sair da cama e por isso mesmo fiz
questão de não facilitar.
- Larga-me -
ordenou - quero levantar-me.
- Só sais daqui
quando explicares o que se anda a passar contigo e não adianta dizeres que não
é nada porque não acredito - suspirou - amor, fala comigo - olhou-me.
- Não há nada para
dizer - interrompi-a.
- Não atires areia
para os meus olhos, é lógico que existe alguma coisa só ainda não entendi o
quê, sim porque essa de não ajudar-te não cola, é que caso não tenhas percebido
se o deixei de fazer foi porque de um momento para o outro tudo o que faço está
sempre mal, andas irritada e a descontar em cima de mim, nunca falei nada
porque pensei que fosse passageiro mas já dura há quase duas semanas e
sinceramente já está a ultrapassar os limites do razoável, é que já nem deixas
que te toque de uma forma mais intima - teria continuado a reclamar mas
vê-la já com as lágrimas nos olhos fez com que parasse, mas se não falei mais e
Mariana também não o fez, aliás acabou mesmo por se refugiar na casa de banho.
Não insisti, vesti-me e fui acordar o Martim, despachei-o e
dei-lhe o pequeno-almoço, comemos os dois e quando já estávamos a chegar à
porta da sua escola o menino perguntou se sabia o motivo da Mariana andar
estranha, tentei fazê-lo acreditar que era impressão mas não consegui e acabei
por ser desarmado completamente quando o Martim afirmou que conhece muito bem a
irmã para saber que alguma coisa se passa, expliquei-lhe que também não sabia e
que já tinha tentado falar com ela mas que não obtive resposta.
***
Três dias passaram e com o aproximar do fim-de-semana tive
que abordar um assunto com a Mariana, aproveitei o facto de estarmos sozinhos
para o fazer uma vez que não sabia como iria reagir.
- Preciso falar
contigo - olhou-me - podes só parar
durante uns minutos de fingires que limpas o pó para ouvires o que tenho a
dizer? - pedi.
- Diz - sentou-se
no sofá ao meu lado.
- No fim-de-semana
vou a Lisboa e quero levar-vos comigo.
- Ruben, ando cansada
- interrompi-a.
- Por isso mesmo,
vens comigo e assim descansas - olhou-me - amor além disso é o meu aniversário e quero passa-lo com a minha
família logo é óbvio que vos quero aos dois do meu lado.
- Tudo bem -
levantou-se no mesmo instante que já aproximava o meu rosto do seu para
beijá-la - tenho que acabar de limpar a
casa - esquivou-se mais uma vez.
- Mariana -
olhou-me - vou contratar uma empregada
cá para casa e nem adianta refilares, está decidido - ainda tentou abrir a
boca para refilar mas não lhe dei hipótese - estás cansada o que é perfeitamente normal afinal trabalhas o dia
inteiro.
- Se é isso que
queres - estranhei ter aceite tão depressa - mas quem escolhe sou eu porque não quero cá qualquer uma, ah e ficas já
avisado que a idade mínima é de quarenta para cima e nunca para baixo -
gargalhei - onde é que está a piada?
- Sabes que há
quarentonas bem jeitosas, não sabes? - olhou-me furiosa - mas nenhuma delas é a pessoa que amo,
aquela por quem faço tudo e que por muito que ande insuportável continuo a
ama-la cada dia mais - a Mariana baixou o olhar, percebi que de alguma
forma consegui amolecer o coração dela - amor,
será que podes explicar-me o motivo pelo qual andas tão irritada? Linda, estou
preocupado contigo.
- Não é nada, isto
passa daqui a uns dias - suspirou.
Não respondi mas puxei-a para mim beijando-a, ao início foi
só um encosto de lábios mas não resisti em procurar algo mais, afinal as
saudades eram imensas, a Mariana não impediu o meu atrevimento e acabamos
deitados no sofá mas foi quando já estava ligeiramente animado que a Mariana
pediu para pararmos, estranhei principalmente quando argumentou que estava
maldisposta, saindo mesmo da sala a correr, fui atrás dela mas impedido de
entrar na casa de banho, no entanto fiquei à sua espera do lado de fora.
- Amor, estás melhor?
- perguntei assim que abriu a porta.
- Não, vou deitar-me
para ver se passa.
- Queres ajuda?
- Ajuda? Só estou
indisposta, ainda consigo andar sozinha - ripostou e foi até ao quarto,
deitou-se e como percebi que não estava para conversas, avisei-a que iria
buscar o Martim à escola e que o levava a ver o meu treino, ela nem abriu a
boca ainda assim pedi-lhe que se precisasse de alguma coisa que ligasse para o
telemóvel, tentei despedir-me dela com um beijo mas a Mariana virou-me a cara
no momento que ia unir os nossos lábios.
***
- Porquê que vim contigo se hoje o treino não é para os adeptos verem?
- perguntou assim que o informei que teria de ficar sossegado e sentado num dos
bancos de suplentes.
- Quis trazer-te
- tentei desviar o assunto ao entrarmos no balneário.
- O que é que não tás
a dizer?
- Martim cumprimenta
os meus colegas - voltei a não responder ao que tinha perguntado.
- Agora que já disse
olá a eles podes explicar o que se passa? - o Nuno que estava ao meu lado a
mudar de roupa olhou-me - eu sei que tás
a mentir - encolheu os ombros - e
que se passa alguma coisa - olhei-o - tu
e a mana tão chateados não tão? - com a pergunta do menino os meus colegas
que estavam mais próximos olharam - eu
não sei porquê mas a mana todos os anos fica triste neste mês, não fiques zangado
com ela, eu não quero sair da tua casa, eu gosto muito de ti - foi
impossível não sorrir ao ouvi-lo.
- Amor anda cá -
sentei-me com ele no meu colo o que despertou a curiosidade aos meus colegas e
alguns sorrisos - podes ficar descansado
que não estou chateado com a tua mana nem ela comigo e quanto a teres que sair
lá de casa tira essa ideia dessa cabecinha porque isso não vai acontecer nem
permitiria tal coisa, também gosto muito de ti - deu-me um abraço
acompanhado por um sorriso gigantesco - agora
deixa-me acabar de vestir o equipamento - o menino voltou a sentar-se ao
meu lado sempre muito atento - vamos?
- perguntei assim que terminei de calçar-me.
- Sim - sorri ao
vê-lo mais animado, dei-lhe a mão e caminhamos até ao campo.
- Agora fica aí
sossegado.
- Tá bem.
Durante o treino olhei diversas vezes para o Martim, tinha
que certificar-me que o miúdo estava sossegado mas sempre que fazíamos uma
pausa o menino corria para mim.
- Ruben está mesmo
tudo bem com a Mariana? - o Nuno perguntou quando já estávamos nos
alongamentos.
- Não - suspirei
- o Martim tem razão, ela anda estranha
e o pior é que não sei o que se passa - desabafei.
- Estranha como?
- Embirra com tudo,
se faço é porque não fica como quer se não faço é porque devia ter feito,
responde torto e - olhei em volta para certificar-me que ninguém estava
atento ao meu desabafo - até nos
momentos mais íntimos anda a falhar - o Nuno olhou-me - já para não falar que por vontade dela não
iria a Lisboa no fim-de-semana, acho mesmo que se não lhe tivesse dito que faço
anos nem se lembrava, como vês não anda fácil e o pior é que já lhe perguntei
diversas vezes mas nunca obtenho resposta.
- Tem calma -
olhei-o - o Martim disse algo no
balneário e com muita razão, este mês para a Mariana é complicado, vais ver que
daqui a uns dias passa-lhe.
- Nuno, recordo-me
que há um ano atrás a encontrei a chorar, agora reforças o que o Martim disse,
isto tem alguma ligação?
- Tem mas mais não te
posso dizer - suspirei - até porque
ao certo não sei o que é, só sei que o mês de Janeiro lhe trás más recordações
e que fica sempre mais em baixo.
Teria continuado à conversa com o Nuno mas os exercícios de
alongamento terminaram e com o regresso ao balneário não foi possível continuar
a falar. Despachei-me o mais rápido que consegui e saí com o Martim, pelo
caminho de regresso a casa puxei pelo menino para tentar perceber o que poderia
ter acontecido no passado da Mariana que ainda hoje a afeta mas não consegui
descobrir nada uma vez que o menino também não sabe.
Chegamos a casa e não havia sinal da Mariana, acabei por lhe
dizer que podia estar a descansar e assim que o fiz o menino correu até ao
nosso quarto, fui atrás dele e encontramo-la a dormir, deixamo-la sossegada e
fomos lanchar, assim que terminamos ajudei-o nos trabalhos de casa e de seguida
fui preparar algo para o nosso jantar.
Já estava a colocar a mesa com a ajuda do Martim quando vi a
Mariana a entrar, vinha mesmo com cara de quem tinha acabado de acordar, deu um
beijinho ao irmão e aproximou-se de mim, percebi que também vinha cumprimentar
mas infelizmente não o chegou a fazer pois assim que destapei o tacho com o
nosso jantar para mete-lo numa travessa a Mariana saiu disparada da cozinha.
- O que a mana tem?
- Não sei mas fica
aqui que vou lá ver.
- Eu também vou.
- Martim, espera aqui
por favor - tinha uma pequena ideia do que se passava por isso quis evitar
que o menino a visse maldisposta.
- Mas ela é minha
mana e eu tou preocupado - não consegui persuadi-lo e por isso fomos os
dois até ao quarto - ela não tá aqui
- falou assim que entramos.
- Senta-te na cama
- pedi antes de bater na porta da casa de banho - posso? - não obtive resposta no entanto a Mariana abriu a porta - amor - olhou-me - queres ir ao hospital?
- Não.
- Já não é a primeira
vez… - fui interrompido.
- Mana tás doente?
- o Martim perguntou ao passar por mim e a encontrar a Mariana debruçada no
lavatório a lavar os dentes.
- Não, a mana só
comeu qualquer coisa que fez-me mal.
- Anda vem deitar-te
- o menino puxava-a pela mão o que de certa forma fez com que sorrisse - que eu fico a fazer companhia.
- A mana vai
deitar-se mas não preciso que fiques a fazer companhia.
- Mas eu quero -
deu-lhe um beijinho assim que a Mariana se deitou na cama - tu também ficas a fazer companhia quando tou
doente - o meu amor sorriu ligeiramente.
- A mana não está
doente, amanhã já estou boa e agora vai jantar com o Ruben, pode ser?
- Tá bem mas depois
venho fazer companhia á mana.
A Mariana acabou por concordar e depois de certificar-me que
estaria melhor fui jantar com o menino, no fim fiquei a arrumar tudo enquanto
ele regressou para junto da irmã.
Mariana
Hoje além de continuar sem paciência nenhuma para aturar o
Ruben ainda fiquei verdadeiramente indisposta, sim nestes dias que passaram
falei que estava indisposta mas não era de todo verdade, foi antes a forma que
arranjei para não ferir os sentimentos do Ruben mas parece que o feitiço virou
contra o feiticeiro e agora sim a maldita indisposição não havia meio de
passar.
Estava deitada com o meu irmão do meu lado quando do nada o
puto surpreendeu-me com as suas palavras.
- Tás a ser má para o
Ruben - olhei-o - ele gosta de ti e
tá preocupado e tu não falas o porquê que andas estranha.
- Martim a mana anda
só cansada.
- É sempre a mesma
coisa quando não queres dizer a verdade falas que tás cansada ou então que é
assunto de gente crescida mas tu tás a mentir e eu não quero que o Ruben fique
chateado eu gosto dele e tu tás a ser má.
- Não estou a ser má,
estou é sem paciência para vos aturar aos dois - o meu irmão saiu do quarto
a correr e só aí é que percebi o que tinha dito por isso mesmo levantei-me e
fui procura-lo.
Fui direta ao seu quarto mas não o encontrei por isso
continuei caminho e quando cheguei à sala vi-o ao colo do Ruben e a chorar mas
ao mesmo tempo a tentar falar.
- Amor tem calma
- o Ruben limpava-lhe as lágrimas - assim
não consigo perceber o que estás a dizer - deu-lhe um beijinho e
aconchegou-o melhor nos seus braços.
- A mana - o
Martim chorava desesperado - ela já não
gosta da gente.
- Lindo não digas
isso, amor isso não é verdade.
- É sim ela disse que
tá farta de aturar a gente.
- Martim, a Mariana
anda cansada e falou sem pensar mas ela gosta muito de ti - deu-lhe mais um
beijinho - não fiques chateado.
- Ruben tu gostas
mesmo de mim? - o meu amor sorriu.
- Gosto muito.
- Então deixas eu
ficar contigo?
- Mas já estás
comigo.
- Sim mas o que tava
a dizer é se a mana for embora posso ficar contigo - doeu ouvir o meu
irmão.
- Amor, a Mariana não
vai embora mas mesmo que isso acontecesse nunca deixaríamos de falar no entanto
terias que ir com ela.
- Mas ela já não
gosta de mim e tu gostas.
- Martim, a mana
gosta muito de ti - o Ruben tentava-o convencer que dizia a verdade - como também sei que gosta de mim, é verdade
que anda estranha, também já lhe perguntei o que tem mas a Mariana não fala,
nós já a conhecemos por isso sabemos que o melhor é não chateá-la, que quando
quiser contar ela conta, vamos só esperar mais uns dias pode ser?
- Mas se ela gosta
tanto da gente devia dizer sempre a verdade.
- Amor, ela não está
a mentir simplesmente não fala.
- É por isso que
gosto de ti tu falas sempre a verdade e respondes sempre às minhas perguntas.
- Lindo a Mariana
também diz sempre as verdades e quanto a responder sabes que ela também o faz,
pode não fazê-lo imediatamente mas acaba sempre por responder.
- Tu tás sempre a
defender a mana nunca ficas chateado com ela?
- Não gosto desta
situação mas se a Mariana precisa de tempo para falar então tento dar-lhe,
gosto imenso da tua irmã para conseguir chatear-me com ela, entendes?
- Acho que sim -
o Ruben sorriu - é isso que os adultos
chamam de amor, né?
- É.
- Então eu acho que a
mana não sabe o que isso é, ela tá a ser uma parva porque tu ficas triste e não
mereces.
Não consegui continuar a ouvir aquela conversa e por isso
aproveitei o facto de não terem dado pela minha presença para regressar ao
quarto, deitei-me e fiquei a pensar nas palavras do meu irmão, estava perdida
nos meus próprios pensamentos que nem dei pelas horas a passarem, só mesmo quando
o Ruben entrou no quarto é que vi que já estava ali sozinha há demasiado tempo.
O Ruben não abriu a boca, entrou no quarto e foi direto à
casa de banho, quando regressou já vinha com o pijama vestido, deitou-se na
cama e quando pensava que iria ignorar-me o Ruben surpreendeu-me com o que
falou.
- Que estejas numa de
ser estúpida comigo tudo bem mas não tinhas necessidade nenhuma de o ser com o
teu irmão, tens noção de como é que o menino ficou depois de ouvir-te dizer que
estás farta de o aturar? Desde quando é que o Martim tem culpa desse mau humor
todo? É só uma criança que por sinal te vê como uma mãe, por isso vê se amanhã
lhe pedes desculpas - estava a tentar controlar as lágrimas - ah e se não quiseres ir no fim-de-semana a
Lisboa está à vontade só espero que me deixes levar o menino porque ele não tem
culpa que andes estranha.
Ainda tentei responder mas o Ruben não deu tempo uma vez que
se deitou e apagou a luz, aquilo doeu mas no fundo tinha consciência que só
estava a colher o que semeei, fiquei deitada no meu canto e pensar numa forma
de redimir-me perante as duas pessoas que mais amo neste mundo quando do nada
voltei a ter vontade de vomitar, levantei-me imediatamente e quando regressei
ao quarto já tinha o Ruben sentado na cama a olhar-me à espera de uma
justificação.
- Amanhã se não
estiver melhor vou ao médico - falei ao deitar-me novamente.
- Espero bem que vás,
deixa de ser casmurra e admite que não estás bem, caramba estou preocupado
contigo e nem posso abrir a boca para dizer o que quer que seja que respondes
imediatamente com sete pedras na mão, ignoras-me à força toda e isso magoa, dói
saber que alguma coisa te atormenta e que não confias em mim para desabafares,
ainda por cima até no menino descontas, afinal o que se passa contigo? - olhei-o
e após respirar profundamente comecei a falar e só parei quando contei tudo - é por isso que andas assim tão irritada?
- Achas pouco?
- Não - olhou-me
- o que acho é que é completamente
disparatado, Mariana o que acabaste de contar faz parte do teu passado, de uma
decisão que tomaste e que sinceramente nunca senti qualquer arrependimento da
tua parte logo não entendo o porquê que tanto ano depois isso vem á baila.
- Isto vem á baila
todos os anos por esta altura, desculpa se não consigo ignorar o facto de ter
apanhado mais uma desilusão, desilusão essa que marcou-me mais do que todas as
outras e não me arrependo da decisão que tomei, o Martim é a pessoa mais
importante que tenho mas não tenho culpa que ainda hoje sinta repulsa, nojo,
ódio de quem nos trouxe ao mundo, ela estava bem, tinha tudo para deixar-me ser
feliz e mais uma vez destruiu tudo ao voltar a drogar-se, pior ainda continuou
a fazê-lo tendo consciência que estava grávida e ainda por cima teve o
descaramento de afirmar que não estava minimamente preocupada com as
consequências dos seus atos - já soluçava de tanto chorar - não imaginas o que é desejar que a pessoa
que te carregou durante 9 meses na barriga desapareça de vez.
Não consegui continuar a falar, algo que o Ruben deve ter
entendido porque respeitou o meu silêncio ainda assim puxou-me para os seus
braços.
- Amor, não teria
sido muito mais fácil se tivesses partilhado imediatamente isto comigo?
Mariana, não faço mesmo a mais pequena ideia do que sentes sempre que pensas
nisso mas pergunto se o dia em que o teu irmão nasceu, em que o tiveste pela
primeira vez nos teus braços não compensa de alguma forma tudo o resto, amor
não podes deixar-te afetar tanto pelo passado, linda pode parecer egoísmo meu
pedir-te isto mas de hoje em diante pensa só no presente e no futuro, vamos
enterrar de uma vez o passado, todos temos um passado, um presente e um futuro,
aceita de uma vez o teu presente e deixa-nos sonhar com o futuro - olhei-o
confusa - Mariana, hoje quando o Martim
pediu para ficar comigo no caso de nós acabarmos senti verdadeiramente pela
primeira vez o que é ser pai, o teu irmão já percebeu que temos um presente mas
acima de tudo um futuro juntos não nos negues isso por favor faz um esforço
para desprender-te do passado e se não for pedir muito gostava que da próxima
vez que tenhas algum problema ou fantasma a atormentar que dividas comigo, é
isso que os verdadeiros casais fazem.
Fiquei uns segundos a assimilar tudo o que falou e quando o
consegui fazer prometi-lhe que iria fazer um esforço para mudar, acabamos por
trocar alguns mimos e depois adormeci nos seus braços ligeiramente mais serena
e estranhamente confortável por ter desabafado com ele.
***
Acordei com o Ruben a despachar-se para sair uma vez que
hoje é dia de jogo.
- Vais ao jogo? -
perguntou depois de dar-me os bons dias.
- Não sei -
olhou-me - achas que o Martim ainda está
muito chateado comigo?
- Não, o menino ficou
magoado contigo mas consegui fazê-lo entender que falaste da boca para fora.
- Obrigada.
- Não tens de agradecer.
- Tenho sim afinal
não tinhas obrigação de o fazeres.
- Mariana amo-vos,
logo tenho sim a obrigação de fazer isso e muito mais. Quando é que entendes
que não estou a brincar quando afirmo que o Martim é como se fosse o nosso
filho.
- Ruben, tu queres
mesmo ser pai, não queres? - olhou-me surpreendido - Cê sincero, por ti não esperávamos muito mais pois não?
- Mariana, vais
inscrever-te nos exames de acesso à facultada e concluíres a tua licenciatura,
filhos só depois de teres o “canudo” que sempre sonhaste e que é um direito que
tens, quero muito ser pai mas posso e vou esperar.
- Mas se acontecesse -
olhou-me imediatamente - se por acaso
ficasse grávida não ficavas contente?
- Contente é pouco,
ficaria radiante, híper feliz mas isso não vai acontecer, seria preciso um
descuido muito grande diria mesmo um descuido propositado para que
engravidasses e como sei que não és de ter descuidos é impossível que
engravides sem quereres ou estou enganado?
- Não - baixei o
olhar por ter sido apanhada.
- Mariana onde é que
estás a querer chegar com essa conversa?
- A lado nenhum ou
melhor queria entender o que queres mesmo.
- O que quero mesmo?
É isso que queres saber?
- Sim.
- Quero ver-te
realizada quer pessoalmente quer profissionalmente, quero amar-te e partilhar o
resto da minha vida comigo com ou sem filhos não interessa desde que possa
ter-te do meu lado - aproximou-se da cama e deu-me um tremendo beijo - e agora tenho de ir antes que chegue
atrasado - sorriu - dá um beijinho
meu ao Martim e logo quero-vos no estádio.
Concordei com a exigência do Ruben e depois de trocarmos
mais uns beijos ele saiu finalmente com destino ao estádio.
A manhã revelou-se complicada, uma vez que o Martim fez
questão de demonstrar que não tinha gostado da forma como lhe falei ontem mas
acabei por conseguir que me perdoasse totalmente e por isso passamos a tarde na
brincadeira, isto depois de ter colocado tudo o que iríamos precisar para o
fim-de-semana dentro de uma mala.
No fim do dia, fomos então ao estádio onde vimos o jogo mas
não me livrei de levar com a Patrícia e toda a sua preocupação de amiga.
Expliquei-lhe muito por alto o que se passou e isso chegou para a serenar.
Ruben
Ter finalmente a minha Mariana de volta contribuiu e muito
para deixar de andar tenso algo que se notou ainda durante o dia mas
principalmente no jogo, esse correu bem e conseguimos três pontos importantes
na luta pelo título.
Estava a vestir-me quando o Nuno avisou que a Mariana estava
à minha espera na garagem, que tinha vindo com a Patrícia mas que ia esperar
por mim, tentei despachar-me o mais rápido possível e quando cheguei junto da
Mariana encontrei-a à conversa com a Patrícia enquanto esperavam pelo Nuno que
estava a dar autógrafos. A minha ideia era sair do estádio o quanto antes mas
quando caminhava na direção do carro, bem como da Mariana os adeptos
chamaram-me e por isso dei meia volta e fui até junto dos meus colegas que
distribuíam sorrisos, autógrafos e até fotos.
Foi quando estava a assinar uma camisola que a conversa de
duas raparigas despertou-me a curiosidade, elas bem que falavam “entre dentes”
mas deu para entender que o motivo de tanta agitação era a minha aliança.
- Boa noite - uma
das duas raparigas cumprimentou-me assim que chegou a vez delas.
- Olá - retribui
levando-a a sorrir.
- Aceitas tirar uma
foto comigo? - pediu meio envergonhada.
- Desde que seja
rápido porque tenho de ir.
- Sim - sorriu - é - passou a máquina à amiga que em vez
de tirar a foto começou a falar.
- Rita vê mas é onde
metes as mãos - a rapariga abriu os olhos numa tentativa desesperada que a
amiga se calasse - olha que ainda
aparece aí a dona do pedaço e te mete a correr - com o que a rapariga falou
os meus colegas gargalharam todos despertando assim a curiosidade tanto da
Mariana como das restantes.
- Qual dona do pedaço
- quando pensava que não iria piorar uma terceira rapariga tagarelou - esse daí é livre que nem passarinho até
parece que não sabem que terminou com a namorada a poucos meses de se casarem
- olhou-me - deves ser cá dos meus e não
gostas que te metam a coleira - ignorei apesar dos meus colegas estarem a
achar uma piada tremenda.
- Mas estás parva?
Não vês que ele já usa aliança e tudo? - a rapariga que mandou a piada das
mãos voltou a falar.
- Estás a chamar
parva a quem?
A outra ia para responder mas não o chegou a fazer, é que
com isto tudo os minutos passaram e perdi um pouco a noção das horas mas a
Mariana fez o favor de chamar a atenção de todos os presentes no momento que se
aproximou sem que tivesse dado conta e rodeou a minha cintura com os seus
braços para no mesmo instante dar-me os parabéns seguidos de um beijo discreto,
tão discreto que foi dado no rosto, lógico que foi o suficiente para deixar-me
a levitar completamente, talvez por ter sido a primeira vez que a Mariana se
prestou a uma manifestação de carinho em frente dos adeptos.
- Mesmo sério é com
essa daí que namoras? - a Mariana olhou-me talvez à procura de uma
justificação para aquilo - Fogo podias
ter arranjado melhor - a miúda estava a exagerar e quando ia para responder-lhe
fui novamente surpreendido pelo meu amor.
- Com melhor deves
estar a referir-te a ti, não? - a miúda sorriu de forma irónica - É que se estás, espero que tenhas noção que
pedofilia é crime - confesso que vontade para rir não faltou ainda assim
preferi não o fazer.
- Ui que ela está a
sentir-se ameaçada aqui pela criança - a Mariana revirou os olhos e virou
costas com a intenção de ir embora mas a miúda voltou a falar - ficaste sem argumentos, foi?
- Não - respondeu
serenamente ao olhá-la - pelo simples
facto de não existir nada para ser argumentado, tanto quanto sei vivo num país
democrático em que cada pessoa tem direito à sua opinião, o que pensas a meu
respeito é completamente indiferente, não te conheço de lado nenhum e só vim
aqui dar os parabéns ao MEU NAMORADO como tal não vai ser uma adolescente que
irá tirar-me o sono com a sua opinião, fica bem - a Mariana virou costas e
foi embora sem responder a mais nenhuma provocação, ainda assim não fui o único
a ficar surpreso já que os meus colegas mas principalmente o Nuno também
estavam de boca aberta, aquilo não era de todo atitude do meu amor.
Mas se ainda estava a recuperar do que os meus olhos e
ouvidos tinham presenciado já o Martim estava a despertar a curiosidade dos
adeptos quando fez o favor de chamar-me, olhei para trás e vi o menino a correr
na minha direção, só tive tempo de preparar-me para o embate e segurá-lo nos
meus braços, já que o menino saltou literalmente para o meu colo.
- PARABÉNS -
falou visivelmente animado e a
dar-me um abraço apertado.
- Obrigado piolho
- dei-lhe um beijinho.
- Tou com fome não
queres deixar isso para depois? - gargalhei.
- Pode ser -
sorriu - vamos lá então - coloquei o
menino no chão e despedi-me dos adeptos, uma vez que com os meus colegas ainda
iria ter oportunidade para o fazer.
- O que é que pensas
que estás a fazer? - ouvi a Mariana a reclamar assim que ao chegar junto
dela a abracei colocando o meu queixo no seu ombro direito.
- A abraçar a minha
namorada - dei-lhe um beijo no rosto.
- Tanto quanto sei não
dei autorização para tamanho atrevimento.
- Ai não? Iria jurar
que foi a menina que se aproximou dos adeptos, abraçou-me, deu-me os parabéns e
ainda não satisfeita bateu boca com uma miúda tresloucada - provoquei-a e
quando se virou para mim com a intenção de “mandar vir” não lhe dei hipótese
unindo os nossos lábios, pensei que fosse resistir mas muito pelo contrário foi
a Mariana que prolongou o beijo.
- Amo-te -
proferiu assim que as nossas bocas deixaram de estar unidas o que levou-me a
sorrir.
- Ó mana deixa os
beijinhos para depois tou com fome - gargalhamos ao ouvir o menino.
- Desculpa sim? -
o Martim sorriu - Vamos então - a
Mariana deu-me a mão e foi assim que fomos até ao carro, isto depois de
despedir-me dos meus colegas.
O jantar foi em casa e assim que o Martim acabou de comer
fui deitá-lo porque amanhã o acordar será cedo uma vez que temos a viagem para
Lisboa. Levei mais tempo que o previsto e quando fui até ao nosso quarto
encontrei a Mariana em frente do espelho e a olhar muito séria, aquilo fez-me
recordar as palavras da miúda.
- Amor, és linda mas
acima de tudo és a pessoa que amo - olhou-me - espero que essa inércia toda em frente ao espelho não seja consequência
das palavras sem sentido da miúda.
- Quero lá saber da
miúda - ripostou.
- Então porquê que
estavas parada a olhar para o espelho - suspirou - que foi?
- Não notas nada de
diferente em mim - deu uma volta completa, confesso que perdi-me a olhar
para o seu corpo - podes dizer a verdade
- baixou o olhar - eu sei que estou mais
gorda - gargalhei - também não
precisas gozar - falou irritada e a tentar vestir-se mas retirei-lhe as
calças das mãos - dá cá isso.
- Não dou -
coloquei um braço no fundo das suas costas e puxei-a para mim - primeiro porque se vestes isto só me vais
dar trabalho depois a retirar - beijei-lhe o pescoço o que fez com que se
encolhesse - e depois porque vais ter
que dar mais umas voltinhas para ver onde é que está essa gordura toda que
falas porque juro que não vejo nada - suspirei ao percorrer com o olhar o
seu corpo que para mim era o mais perfeito à face da terra.
- Não precisas ser
simpático - olhei-a - a balança
dá-me razão.
- Dá? No quê numas
gramas a mais, é? Mariana, não és modelo nem tens o corpo de uma mas és ainda
mais bonita e sabes porquê? - olhou-me - porque ao contrário delas o teu corpo é verdadeiro, tudo o que tens aí
é teu e não obra do silicone, amor não estás gorda coisa nenhuma mesmo sério de
onde é que tiraste essa ideia?
- Sabes que mais,
esquece vou dormir.
Não insisti, deixei que se fosse deitar e quando já tinha
trocado de roupa fui fazer-lhe companhia, aproximei-me da Mariana e foi com o
meu braço por cima da sua cintura que adormeci.
Os últimos dias não têm sido fácies… a Mariana anda insuportável… será
que o Ruben vai ter paciência para a aturar assim durante muito mais tempo?
Obrigada a todas sem vocês isto não era possível :P como prometi aqui deixo o capítulo.
Espero que continuem a acompanhar e a comentar porque independentemente de haver quem não compreende o que deixo aqui, é sempre bom perceber que há quem goste!
Beijinhos
Olá :D
ResponderEliminarAdorei o capítulo (como sempre xD)
A Mariana anda mesmo terrível! Pobre Ruru :p
Espero que ele a consiga aturar neste estado mais irritante e espero que ela volte ao normal :)
Quero o próximo!
Beijinhos
Ritááá xD
A-D-O-R-E-I!!!!
ResponderEliminarAgora esta "azia" dela vou-te contar, nem o Martim escapou coitado :(
Mas o que eu quero mesmo é que me contes como vai ser esse fim-de-semana na capital!
Bjokinhas
Mariaa
AAAAAAH!
ResponderEliminarTu não tem ideia do quanto que eu gritei & pulei quando cheguei do colégio e vi o 'Aviso de continuação e Pedido de desculpas' lool. Nós é que temos que agradecer a você por tudo. E já agora, continua, porque a perfeição perto disso aqui não é nada u___u haha :P
Beiijos.
GabiiS
Olaaaaaaaa
ResponderEliminarAMEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII :D
beijinhos
Anne M
Olá :)
ResponderEliminarAi tão mas tão bom ler mais um capitulo teu :P
E quanto à paciência do Rúben é bom que tenha!xD
são "ossos do oficio" por isto o menino que tenha paciência para a mari :P
Beijinhos
Rita
Adorei, tá lindo como sempre.
ResponderEliminarEu não te disse que ainda hoje lia e comentava, cá está. A Mariana andava mesmo com a lua, até o Martim sofreu as consequencias, mas o que eu gostei mesmo foi quando ela pôs as mãozinhas de fora e defendeu o seu homem do assédio das fãs. Amei, quero muito saber como vai correr este aniversário.
Continua.
Beijocas
Fernanda
olá :)
ResponderEliminarAMEI *.*
muitos parabéns, continua por favor!
fica bem
fantastico...
ResponderEliminarquero amis... tou super curiosa para ver o proximo...
continua...
Faz um teste de gravidez JA!!!
ResponderEliminarDesculpa, entusiasmei-me! Ahahahahah
Tens de postar o proximo rapido!
Fiquei com fome de mais!!!
Beijo
Ana
AMEI !! está brutal ;)
ResponderEliminarestou ansiosa pelo próximo capítulo...
beijinhos
raquel
He he he!
ResponderEliminarAdorei!
Continua que isto está a ficar mesmo mesmo interessante!
Beijinhos
Olá, olá:
ResponderEliminarDesculpa o atraso, mas o meu comentário chega sempre ;)
Ora bem, mais um grande capitulo, de uma história brutal, claro porque a autora é um espectáculo.
Adoro as tuas fic´s
Agora espero que a azia da Mariana passe rápido, não quero o casalinho chateado.
Quero mais!!!
Beijinhos.