sexta-feira, 24 de agosto de 2012

054 - “Enches a boca para gozares com a minha profissão, chama-nos palhaços mas a verdade é namoras com um palhaço”


Mariana

Os últimos dez dias foram serenos apesar da agitação propícia da escolha de empregada, não houve problemas de maior, tanto que nem dei pelos dias passarem.
Estava deitada e quase a adormecer quando o Ruben voltou a abordar o assunto da gravidez, confesso que deu-me vontade de brincar com a situação mas resolvi não o fazer a partir do momento que o meu amor pediu para dizer de uma vez.
- Ok eu digo, queres saber se estou grávida por isso tenho a dizer que não estou.
- Tens a certeza absoluta? - gargalhei
- Tenho ou porquê que achas que já há dois dias que te dou descanso - falei enquanto deixei a minha mão ir passear até aos seus boxers para no mesmo instante senti-lo a retrair-se - Ruben como esperava fiquei menstruada no dia certo.
- Hum ok - notei-lhe uma pontinha de desilusão no seu tom de voz.
- Amor, também não andamos a tentar por isso é normal que não esteja grávida.
- Pois.
- Então agora que já sabes que não estou grávida coisa nenhuma e que a indisposição deve ter sido provocada por algo que comi posso finalmente dormir? Amorzinho estou cansadita - aconcheguei-me nos seus braços.
- Dorme - beijou-me.
Não levou muito tempo para que adormecesse e quando acordei ainda tinha o braço do Ruben a rodear-me a cintura mas a sua mão estava na minha barriga, aquilo fez-me mais uma vez pensar se deveria deixar as inseguranças de lado e tentar a nossa sorte deixando de tomar a pílula, uma vez que já tinha liberado o Ruben quanto ao uso do preservativo, era nisso que pensava quando os lábios do meu amor contra a minha bochecha direita fez-me despertar de tais pensamentos.
- Bom dia amor - beijei-o agora em condições - tens treino hoje?
- Só de tarde porquê?
- Porque não me apetece ficar trancada em casa com o Nuninho e pensei que pudéssemos ir os três dar um passeio.
- A ideia agrada - beijou-me.
- Então despacha-te - falei ao sair da cama para ir acordar o meu piolho.

***

Como tinha ficado combinado o Ruben foi deixar o Martim na escola e depois veio ter comigo à casa do Nuno, estava a acabar de vestir o menino quando senti os braços do meu amor rodearem-me a cintura.
- Importaste de deixar-me terminar de vestir o teu afilhado - refilei, afinal o Ruben estava numa de provocar-me.
- Tenho saudades tuas - gargalhei.
- Amor quem te ouvir falar ainda pensa que já não nos vemos há uma eternidade - gozei.
- Sabes bem ao que me estou a referir - falou enquanto a sua mão foi passear pelo interior da minha camisola.
- Olha lá que atrevimento é esse em frente da criança - repreendi-o o que foi motivo para rir.
- O problema é a criança e não o que estou a fazer - continuou a acariciar-me o peito.
- Pára - retirei-lhe a mão e afastei-me.
- Afinal não sou só eu que ando a sentir falta - provocou.
- Ruben comporta-te - gargalhou - e se queres mesmo saber sinto falta mas sabes bem o que nos impede - sorriu - e pára de rir.
- Amor - aproximou-se aproveitando para abraçar-me novamente - quem te viu e quem te vê - falou com os seus lábios a roçarem nos meus.
- Mas afinal o que queres? - resmunguei ao empurra-lo.
- Adoro quando ficas assim envergonhada - gargalhou.
- Ruben Filipe - teria continuado mas ele interrompeu-me.
- Sim mamã - hoje estava nitidamente a fazer de tudo para tirar-me do sério, respirei fundo e antes que lhe respondesse peguei no Nuninho e saí do quarto - amor, fofinha - vinha atrás de mim e por sinal continuava numa de só dizer disparates - ó coisa boa - perdi a paciência.
- Épa desaparece - falei nuns decibéis elevados o que fez com que percebesse que não estava a achar piada.
- Hey estava só a brincar não precisas gritar - não respondi e fui dar o pequeno-almoço ao menino mas o Ruben veio atrás de mim - ficaste chateada?
- Não.
- Não é isso que parece.
- Ai ó Ruben hoje estás impossível - o Nuno que tinha acabado de entrar na cozinha ficou a olhar-nos - precisas de alguma coisa? - perguntei agora para o Nuno.
- Vinha comer mas acho que volto depois.
- Qual voltas depois até parece que a casa não é tua - falei agora já no meu tom de voz normal - queres que prepare alguma coisa em especial?
- Não, deixa-te estar que vim só mesmo buscar uma peça de fruta.
- Ok.
Continuei a dar a papa ao Nuninho sempre com os olhos do Ruben postos em mim que à primeira oportunidade que teve retomou o assunto.
- Amor, desculpa estava mesmo só a brincar - aproximou-se lentamente - desculpas?
- Não - o Ruben baixou o olhar - porque não estou chateada - elevou a cara e sorriu - logo não há nada para perdoar mas isso não quer dizer que tenho achado piada à brincadeira, caramba estávamos diante do teu afilhado no mínimo tinhas respeitado isso.
- Ok, reconheço que abusei um bocadinho mas era só uma brincadeira e além disso o puto ainda não entende nada.
- Até pode não entender mas não são coisas que se façam ainda para mais quando te pedi para parares.
- Já entendi - sentou-se na cadeira vaga ao meu lado - agora que já esclarecemos o que se passou será que posso saber onde a menina quer ir passear?
- Se queres mesmo saber perdi a vontade.
- Hey amor - olhei-o - esquece… - calei-o com um beijo.
- O ter perdido a vontade não está relacionado com o que se passou, simplesmente já não me apetece.
- Já andas outra vez com mudanças de humor e de ideias repentinas, é? - teria respondido mas a entrada no Nuno impediu isso mesmo.
- Mariana será que dá para ir passear um pouco com o Nuninho?
- Dá - o Ruben olhou-me - mas queres ir onde?
- Ah quanto a isso não te preocupes porque vai ser um programa entre pai e filho - olhei-o - considera-te de folga até à hora do nosso treino.
- Mas - interrompeu-me.
- Mas nada aqui quem é o patrão sou eu e estou neste momento a dispensar os teus serviços porque quero passar umas horas com o meu filho por isso aproveita mas é as horas de folga para fazeres aquilo que quiseres, estamos entendidos?
- Sim.
- Ótimo.
Acabei de dar a papa ao Nuninho e depois de ir buscar um casaco para o menino vestir, entreguei-o ao pai que fez questão de sair logo de seguida com o filho.
- Agora nós - o Ruben olhou-me - isto por acaso não teve dedo do menino? - perguntei ao sentar-me no seu colo.
- Juro que não.
- Quem mais jura mais mente - gargalhou.
- Conheço o ditado mas neste caso não se aplica - beijei-o - amor não tive rigorosamente nada com o assunto mas já que estás de folga podíamos aproveitar para fazermos qualquer coisa juntos, só os dois - sorriu.
- O que vai nessa cabeça?
- Nada de extraordinário mas podíamos ir dar um passeio, temos ainda várias horas podíamos aproveitar.
- Pode ser - sorriu.
Ainda trocamos alguns mimos mas acabamos por nos levantar e sair, não fazia a pequena ideia para onde o Ruben nos levaria mas um tempo depois percebi que estávamos em Barcelos.
O resto da manhã foi passada a visitar a cidade, aproveitamos para namorar bastante e ao contrário do que tinha ocorrido anteriormente, quando não deixei que o Ruben extrapolasse com as demonstrações de carinho e desejo em frente do afilhado agora não tive que me preocupar com os limites, uma vez que o Ruben comporta-se sempre dentro dos possíveis quando estamos em sítios públicos, lógico que houve algumas trocas de mimos mas nada que tivesse o carimbo de “indecente”.
- Amor importaste que ligue ao César.
- A quem? - interrompi-o o que provocou a gargalhada ao Ruben.
- Ao César Peixoto - falou como se fosse obrigada a saber quem seria.
- Hum é suposto saber quem é? - voltou a rir.
- Amor irra que não gostas mesmo de futebol - olhei-o.
- Ah já entendi é mais um palhaço que corre atrás de uma bola - brinquei com o Ruben.
- Enches a boca para gozares com a minha profissão, chama-nos palhaços mas a verdade é namoras com um palhaço.
- Oh amorzinho mas com um palhacinho namorava sempre - encolhi os ombros - ou nunca ouviste dizer que o coração de uma mulher é uma tenda de circo para os palhaços de serviço atuarem - falei com o ar mais sério possível mas acabei por acompanhar o Ruben na gargalhada que deu.
- Só mesmo tu para te saíres com uma dessas - falou assim que parou de rir.
- É né sou meio louca mas tu amas-me assim, fazer o quê? - falei toda senhora de si e sem que tivesse à espera o Ruben puxou-me o si unindo as nossas bocas.
- Agora a sério o que achas de ligar ao César a perguntar se quer almoçar connosco?
- Amor como é que queres que emita opinião se não sei de quem estás a falar? - sorriu.
­- O César é um amigo meu que também jogou no Benfica mas agora está aqui no Gil Vicente e como até estamos em Barcelos lembrei-me de o convidar para almoçarmos assim apresentava-vos.
- Hum e estás à espera do quê - beijei-o - liga lá para esse amigo que agora fiquei curiosa para saber quem é - sorriu.
O Ruben ligou ao tal de César e ficou combinado de nos encontrarmos num determinado restaurante onde almoçamos com bastante conversa à mistura, deu para conhecer mais um amigo do Ruben e ainda descobrir mais algumas histórias do meu amor, posso mesmo dizer que me diverti imenso mas como o que é bom tem sempre um fim tivemos que nos despedir para regressarmos a Braga, o meu amor tinha treino e eu tinha o Nuninho à minha espera.

Ruben

Os dias passaram e com o aproximar do dia dos namorados andei ocupado a prepará-lo, queria algo especial não tanto pelo significado do dia em si mas sim pela importância que tem para nós ou pelo menos para mim tem e acredito que para a Mariana também apesar de nunca ter comentado com ela.
Como os planos para a nossa noite implicava que o Martim não nos acompanhasse tive que arranjar uma solução e esta não foi mais do que convidar a minha mãe para passar uns dias a Braga.
- Oi mãe, está tudo bem consigo? - cumprimentei-a assim que atendeu a chamada.
- Sim e convosco?
- Está tudo bem.
- Então e estás a ligar porquê?
- Estava aqui sozinho e pensei em ligar à mãe e convidá-la para passar a próxima semana connosco, o que diz?
- Filho qual é o motivo desse convite?
- Quem a ouvir ainda pensa que só a convido quando há algum motivo oculto.
- Ruben Filipe, conheço-te para saber que alguma coisa se passa, além disso desde que namoras mas principalmente vives com a Mariana que tens sentido menos necessidade de falares comigo, agora de um momento para o outro convidas-me para passar uns dias convosco, no mínimo é estranho.
- Shii que filme que a mãe está a fazer e até parece que não lhe ligo praticamente todos os dias.
- Filho, entendeste o que quis dizer mas contínuo à espera de uma justificação para o convite.
- Querer passar uns dias com a mãe não é motivo suficiente?
- É e se queres saber até acreditava nele se o dia dos namorados não fosse para a semana - gargalhei ao ser apanhado - mesmo sério pensavas que conseguias enganar-me?
- Oh mãe nunca a quis enganar mas a verdade é que podemos juntar o útil ao agradável e passarmos uns dias todos juntos.
- Filho o que é que essa cabeça está a pensar?
- Quero fazer um programa diferente com a Mariana mas para isso preciso que alguém fique com o Martim, que o vá buscar à escola no dia 14 e que o vá levar no dia seguinte.
- Ah e essa pessoa tenho que ser eu?
- É a única em quem pensei uma vez que não vou pedir isso à Patrícia que como é óbvio também deve ter planos, já vai ser mau a Mariana ter folga durante o dia não quero abusar, além disso dava a oportunidade ao Martim de conviver com a vó Bela - a minha mãe gargalhou.
- Não precisas dar graxa
- Isso quer dizer que aceita o convite?
- Aceito mas espero que a Mariana esteja informada que vai ter visitas.
- Desde quando é que você é visita? Ah e ainda não falei com a Mariana mas também não há problema, ela gosta de você.
Continuei à conversa com a minha mãe que serviu entre outras coisas para combinarmos os detalhes da sua viagem, ficou acordado que viria de comboio no sábado para chegar a tempo de assistir ao jogo. Agora que já tinha “ama” para com o Martim só faltava convencer a Patrícia a dar folga à Mariana, o que não foi complicado afinal os nossos amigos também sabiam que o dia 14 de Fevereiro nos diz muito e por fim tive que tratar da reserva do hotel.
Estava entretido a pesquisar possíveis locais para ser o “nosso ninho do amor” durante umas horas quando o Martim apareceu vindo não sei de onde e ao ver que estava tão entretido perguntou o que estava a fazer.
- Estou a procurar umas coisas.
- Tás a ver casas? - sorri com a pergunta dele.
- Não são bem casas, é mais à procura de um sítio para passar uma noite.
- Porquê?
- Amor anda cá - coloquei o portátil no sofá ao nosso lado e puxei-o para o meu colo - quero fazer uma surpresa à Mariana mas para isso preciso de encontrar um sítio para passarmos uma noite - o menino olhou-me desconfiado - e também preciso que não digas nada à mana, pode ser?
- Pode mas e eu? - sorri ao ouvi-lo.
- Lindo, nessa noite ficas cá em casa com a minha mãe, pode ser?
- Porquê que não posso ir contigo e com a mana?
- Amor, porque gostava de ir só com a Mariana.
- Porquê?
- Martim sabes o que é o dia dos namorados?
- Não.
- Amor, o dia dos namorados é a 14 de Fevereiro e nesse dia normalmente os namorados fazem qualquer coisa só os dois, entendes?
- Acho que sim- voltei a sorrir perante o ar de confuso do meu piolho - e tu queres tar sozinho com a mana né?
- Sim, ficas chateado?
- Não eu fico com a vó Bela - falou todo orgulhoso o que deixou-me emocionado - assim posso brincar com ela.
- Vais poder brincar muito com a minha mãe, ela vem passar uma semana connosco.
- Fixe vou ter a vó Bela cá - voltei a sorrir.
- Mas não podes dizer nada à mana - interrompeu-me.
- Não posso dizer da surpresa ou que a vó Bela vem cá?
- As duas, amor deixas-me ser eu a contar à Mariana que a minha mãe vem cá?
- Tá bem - encolheu os ombros - e a surpresa?
- A surpresa é que não podes mesmo dizer, fica um segredo só nosso.
- Quando souberes onde vais levar a mana posso saber?
- Podes, quando decidir mostro.
- Fixe.
Continuamos à conversa que só foi interrompida quando a Mariana chegou vinda da casa do Nuno.
- Olhem só os meus dois amores à conversa - sorrimos ao ouvi-la.
- Não podemos queres ver? - retorqui.
- Podem, podem - beijou-me a mim primeiro e depois encheu o irmão de mimos.
- Amor preciso falar contigo - parou de fazer cócegas ao irmão e olhou-me.
- Diz.
- Convidei a minha mãe para vir cá passar uns dias connosco espero que não leves a mal.
- Não tenho nada que levar a casa é tua.
- Nossa - olhou-me - a casa é nossa - suspirou.
- Como queiras.
- Amor, ficaste aborrecida por não ter perguntado antes de fazer o convite?
- Não - sorriu - deixa de ser tonto - beijou-me - a tua mãe pode visitar-nos as vezes todas que quiser.
Continuamos à conversa e a mimarmo-nos aos três até que fomos interrompidos pela Filomena que nos avisou que o jantar estava servido, comemos e no final dedicamos o nosso tempo ao Martim, ficamos na brincadeira com o menino até ser horas dele ir dormir e só quando a Mariana o deitou é que podemos ter um tempinho a dois.

***

Os dias passaram e como hoje tinha jogo quem foi buscar a minha mãe à estação dos comboios foi a Mariana. O dia foi passado junto com os meus colegas até ser horas de irmos para o estágio, assim que lá chegamos recebi uma mensagem do meu amor a avisar que já lá estavam, não resisti e fui até ao camarote em busca do meu beijo de boa sorte, quando lá entrei encontrei-a à conversa com a minha mãe, aproximei-me e abracei-a.
- Oi amor.
- Não devias estar com os teus colegas? - perguntou assim que cumprimentei a minha mãe.
- Preciso do meu beijo de boa sorte - a minha mãe sorriu.
- Parece que estás com azar - olhei-a - é que já procurei a fada da sorte mas não a encontrei cá hoje.
- Ai não? - abanou a cabeça em sinal de negação - engraçado pois eu encontrei-a - sorriu - e sabes onde está?
- Não.
- Aqui bem nos meus braços - beijei-a, a ideia era ser algo discreto mas a Mariana fez questão que não o fosse dando início a uma pequena sucessão de beijos que só conheceu o seu fim quando ouvimos um som proveniente de um forçar de tosse que o Nuno achou por bem fazer.
- Dói-te alguma coisa? - o meu amor falou assim que nos separamos ligeiramente.
- A mim nada agora aqui parece que a coisa tava difícil - fez uma pequena pausa - só não consegui perceber qual dos dois estava com falta de ar e a precisar urgentemente de respiração boca a boca.
A Mariana teria respondido mas o Nuninho reclamou pela atenção do pai e por isso o nosso amigo deixou-nos em paz.
- Amor no fim do jogo esperas por mim?
- Fazes assim muita questão que espere?
- Podias esperar até porque não vais fazer nada para casa ou já te esqueceste que depois vamos jantar com o Nuno e a Patrícia?
- Não esqueci mas em vez de ficar a criar raízes aqui posso criá-las em casa - a minha mãe que se mantinha ao nosso lado gargalhou ao ouvir o meu amor.
- É que nem mereces resposta.
- Pudera, não tens como negar - beijou-me - mas se fazes assim tanta questão nós esperamos por ti.
- Prometo que vou tentar ser rápido mas agora deixa-me ir que está na hora.
Despedi-me delas e depois do Martim que estava a brincar com as outras crianças que já circulavam pelo camarote para juntar-me finalmente aos meus colegas.

Mariana
Acordei com o Ruben a despachar-se para sair mas ainda tive tempo de pedir alguns miminhos e desejar-lhe boa sorte para o jogo.
Levantei-me sem grande vontade, hoje apetecia-me ficar a manhã na cama mas tinha dito ao Ruben que iria buscar a sua mãe e como não queria chegar atrasada tive que vencer a preguiça e sair da cama.
Acordei o meu irmão e decidi que hoje iríamos comer o pequeno-almoço numa pastelaria, dias não são dias e estava mesmo a apetecer um bolo cheio de creme, quem delirou com a ideia foi mesmo o puto.
Comemos e no fim fomos dar um pequeno passeio pelo centro da cidade uma vez que tínhamos de fazer tempo para ir buscar a vó Bela como o Martim a chama.

***

Estávamos sentados num banco quando ouvimos o aviso que o comboio estava a chegar o Martim levantou-se imediatamente e assim que avistou a Anabela fez questão de chamá-la, o que despertou a curiosidades dos transeuntes que por ali circulavam ou não fosse o meu irmão ter gritado Vó Bela e acenado para que nos visse.
- Olá vó - o Martim foi o primeiro a falar assim que a Anabela chegou junto de nós.
- Olá neto - sorri ao ouvi-la a chamar o Martim de neto - dás-me um beijinho? - perguntou ao sentar-se no banco para ficar à altura do piolho.
- Sim - o meu irmão deu-lhe o beijinho seguido de um abraço.
- Fez boa viagem? - perguntei depois de a ter cumprimentado devidamente.
- Sim - sorriu.
Ainda trocamos mais algumas palavras mas acabamos por seguir até ao carro, conduzi calmamente até casa onde instalei a mãe do Ruben comodamente para depois ouvir o meu piolho perguntar à vó Bela se queria brincar com ele.
- Martim não incomodes a Anabela.
- Mas mana eu quero brincar e depois a vó Bela só vai tar cá uns dias - a Anabela sorriu.
- Queres que brinque contigo?
- Sim.
- Então vamos lá brincar - sorriu-me.
Acompanhei-os até ao quarto do meu irmão e foi visível que a Anabela ficou surpreendida com o que viu.
- Bem o meu filho esmerou-se - comentou.
- Exagerou é mais o termo - a Anabela sorriu.
- O Ruben só queria que o Martim se sentisse bem.
- Deve querer dizer que o seu filho quis arranjar forma de dar a volta ao Martim, foi de tal forma que por vontade do menino tinha-se mudado imediatamente para cá.
- Mariana não adianta dizer o contrário porque apesar de o Ruben sempre ter afirmado que só quis que o menino percebesse que tinha o seu espaço na vida do meu filho nós sabemos que o objetivo sempre foi amolecer o teu coração e provar que vos queria com ele - sorriu - para ser sincera quando o Ruben comentou que iria remodelar o quarto tive algum receio de que não fosse boa ideia, temi que não fosses reagir da melhor forma.
- Para ser sincera se o Ruben tivesse comentado comigo a sua ideia talvez a coisa não corresse tão bem mas depois deste trabalho todo mas principalmente ter visto a felicidade estampada no rosto do meu irmão não seria eu que iria destruir a alegria do meu piolho.
- Tenho que admitir que desta vez o meu filho esteve bem - sorriu - o Ruben percebeu que só conquistando verdadeiramente o Martim mas acima de tudo provando que estava preparado para assumir uma responsabilidade que não era de todo dele é que conseguiria ser feliz contigo, o Ruben lutou e sinceramente pela primeira vez vi o meu filho a fazer as coisas com cabeça, dei com ele a ponderar muito bem as suas atitudes algo que não era de todo um costume nele. Mariana, o Ruben mudou por ti não tenhas a menor dúvida disso, o meu filho faz qualquer coisa para vos ver bem.
- Acredite que tenho a plena consciência disso.
Ainda trocamos mais algumas palavras mas o Martim exigiu que a Anabela fosse brincar com ele e por isso deixamos a conversa para depois.

***

O dia passou e a hora do jogo chegou finalmente, estava no camarote quando o Ruben apareceu mas após uns mimos e palavras trocadas teve que regressar para junto dos colegas, hoje ficou no banco o que irritou o Martim que se visse o treinador do Braga à frente era bem capaz de o mandar dar uma volta, quem se divertiu à brava com a fúria do meu piolho foi a Anabela.
Com o final do jogo descemos imediatamente até ao ponto de encontro, isto porque o Martim estava impaciente para ver o Ruben, aliás pediu mesmo que enviasse uma mensagem a pedir que não demorasse muito e assim que viu o Ruben correu na direção dele.
- O Martim adora mesmo o meu filho - olhei para a Anabela que sorria maravilhada por ver aqueles dois juntos.
- O meu irmão há muito que usa o Ruben para colmatar a ausência do pai.
- Não é só isso - olhei-a - Mariana ali existe mesmo amor do mais puro que pode haver e nem não estou a falar do sentimento que o meu filho tem pelo teu irmão, estou mesmo a referir-me ao amor que o Martim tem por vocês, o menino simplesmente ama-vos independentemente de seres só a irmã dele e o Ruben o teu namorado no coração do Martim são os pais dele, aliás se tivesse alguma dúvida tinha-a desfeito quando o teu irmão pediu-me ajuda para a prenda de aniversário do Ruben.
- Agora que fala nisso como é que o meu irmão lhe pediu ajuda? - sorriu.
- Através do Nuno, o Martim pediu-lhe que ligasse para mim, ele queria dar alguma coisa mas não sabia o quê, tadinho estava mesmo triste porque não tinha ideia nenhuma prometi-lhe que pensaria em alguma coisa e uns dias depois voltou a ligar-me para dizer que tinha falado com a professora dele e que esta lhe tinha dado a ideia do álbum mas que para isso precisava de algumas fotos do Ruben, acabei por concordar em facultar as fotos e combinei com o Nuno lhe enviar por email, as outras fotos não sei como as conseguiu mas presumo que tenha sido através do Nuno ou da Patrícia.
- Resumindo sabiam os três e ninguém se descaiu, bonito sim senhora - a mãe do Ruben sorriu.
- Mariana desculpa mas o Martim obrigou-nos a prometer que não contávamos a ninguém - o assunto “morreu” até porque os meus dois amores aproximaram-se.
- Porquê que não jogaste? - o Ruben sorriu.
- Olha outra - puxou-me para si beijando-me - já aqui a pulga saltitante também demonstrou logo o seu desagrado - sorriu - agora a sério foi só uma opção tática e agora o que dizem de irmos embora?
- Não queres ir ter com os adeptos?
- Fica para outro dia - beijou-me.
- Posso ir contigo? - o Martim perguntou assim que percebeu que íamos embora.
- Podes.
- Fixe - o Ruben destrancou o carro e assim que o fez o Martim entrou imediatamente, enquanto nós combinamos encontramo-nos em casa porque ia lá deixar o meu carro.
- Mariana, deixas o teu irmão ir assim no carro do Ruben? - perguntou quando já estávamos a caminho de casa.
- Assim como?
- Então a cadeira do Martim está aqui - sorri com a observação da Anabela.
- Não se preocupe porque o Martim tem outra cadeira no carro do Ruben.
- Ah - percebi que tinha sido apanhada de surpresa.
- O Ruben sempre que pode vai levá-lo e busca-lo à escola e como muitas vezes é decidido à última da hora não dava para andarmos a trocar a cadeira de um carro para o outro por isso optamos por comprar outra, esclareci-a.
- Pois tem a sua lógica.
A conversa continuou e só foi interrompida no momento de trocarmos de carro. O jantar decorreu como bastante animação e o regresso a casa foi pacífico ou não fosse o menino ter adormecido pelo caminho.

Como irá correr estes dias? E que surpresa será essa que o Ruben tem preparada para a Mariana?

9 comentários:

  1. Então e agora eu fico sem saber como é que é o dia dos namorados??
    Publica lá isso rapidinho se faz favor!
    Que isto assim não tem piadinha nenhuma!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  2. Eu queria saber como vai correr o dia dos namorados!
    Ai, Ai! Faça favor de postar rápido que estou curiosa.
    Beijinhos!

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  3. Olá (:
    Adorei, mas isso tu já sabes :p
    Estou muito curiosa para ver o que o Ruben anda a preparar e acima de tudo espero que a Mariana goste!
    Quero mais :b
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  4. Tu sais-te com cada uma, essa do coração de uma mulher ser como uma tenda de circo, só tu para te lembrares de uma coisa dessas.
    Adorei,como sempre, até parece que tenho o disco riscado, porque digo sempre o mesmo, mas é verdade,adorei mesmo.
    Gostei muito da versão do Ruben meloso, que melga mais fofa...
    O Ruben sabe muito, mas esquece-se que as mães sabem muito mais, a dar graxa à mamã, mas a senhora sabia que o dia dos namorados se está a aproximar, não a conseguiu enganar. A vó Bela sabe muito...
    Agora só me resta saber que surpresa é essa que o Ruru tá a preparar para a Mariana, por isso dá corda aos dedinhos.
    Continua,

    Beijocas

    Fernanda

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  5. Olá :)
    ADOREI!
    Ai este dia de namorados promete xD
    Toca a escrever o próximo e a postar o mais rápido possível ;D
    Beijinhos
    Rita

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  6. Olá!
    Começa-se logo com a noticia que não há nenhum baby, o que me chateou logo xD
    Mas depois veio a vó Bela e a preparaçao do Dia dos Namorados. Eh pah até eu estou ansiosa! xD
    Estou a espera do proximo!

    Beijo
    Ana

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  7. magnifico...

    quero mais...

    continua...

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  8. Olá olá, por aqui digo o mesmo, finalmente 5 minutinhos para ligar o PC..

    Já estás farta de saber que adoro e que estou a espera do próximo, por isso não tenho grande coisa a acrescentar ..

    Beijinho linda

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  9. Olá, olá demorei mas voltei para ler tudinho ;)
    Claro que não vou deixar de ler uma unica linha ;) sabes perfeitamente que não falto :D
    Já estava com saudades do casalinho agora é já ler o próximo ;)
    Beijinhos

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