Mariana
Os últimos dez dias foram serenos apesar da agitação propícia da escolha de
empregada, não houve problemas de maior, tanto que nem dei pelos dias passarem.
Estava deitada e quase a adormecer quando o Ruben voltou a abordar o
assunto da gravidez, confesso que deu-me vontade de brincar com a situação mas
resolvi não o fazer a partir do momento que o meu amor pediu para dizer de uma
vez.
- Ok eu digo, queres
saber se estou grávida por isso tenho a dizer que não estou.
- Tens a certeza
absoluta? - gargalhei
- Tenho ou porquê que
achas que já há dois dias que te dou descanso - falei enquanto deixei a minha mão ir passear até
aos seus boxers para no mesmo instante senti-lo a retrair-se - Ruben como esperava fiquei menstruada no
dia certo.
- Hum ok - notei-lhe uma
pontinha de desilusão no seu tom de voz.
- Amor, também não
andamos a tentar por isso é normal que não esteja grávida.
- Pois.
- Então agora que já
sabes que não estou grávida coisa nenhuma e que a indisposição deve ter sido
provocada por algo que comi posso finalmente dormir? Amorzinho estou cansadita - aconcheguei-me nos
seus braços.
- Dorme - beijou-me.
Não levou muito tempo para que adormecesse e quando acordei ainda tinha o
braço do Ruben a rodear-me a cintura mas a sua mão estava na minha barriga,
aquilo fez-me mais uma vez pensar se deveria deixar as inseguranças de lado e
tentar a nossa sorte deixando de tomar a pílula, uma vez que já tinha liberado
o Ruben quanto ao uso do preservativo, era nisso que pensava quando os lábios
do meu amor contra a minha bochecha direita fez-me despertar de tais
pensamentos.
- Bom dia amor - beijei-o agora em
condições - tens treino hoje?
- Só de tarde porquê?
- Porque não me apetece
ficar trancada em casa com o Nuninho e pensei que pudéssemos ir os três dar um
passeio.
- A ideia agrada - beijou-me.
- Então despacha-te - falei ao sair da
cama para ir acordar o meu piolho.
***
Como tinha ficado combinado o Ruben foi deixar o Martim na escola e depois
veio ter comigo à casa do Nuno, estava a acabar de vestir o menino quando senti
os braços do meu amor rodearem-me a cintura.
- Importaste de deixar-me
terminar de vestir o teu afilhado - refilei, afinal o Ruben estava numa de
provocar-me.
- Tenho saudades tuas - gargalhei.
- Amor quem te ouvir
falar ainda pensa que já não nos vemos há uma eternidade - gozei.
- Sabes bem ao que me
estou a referir - falou enquanto a sua mão foi passear pelo interior da minha camisola.
- Olha lá que
atrevimento é esse em frente da criança - repreendi-o o que foi motivo para rir.
- O problema é a
criança e não o que estou a fazer - continuou a acariciar-me o peito.
- Pára - retirei-lhe a mão e
afastei-me.
- Afinal não sou só eu
que ando a sentir falta - provocou.
- Ruben comporta-te - gargalhou - e se queres mesmo saber sinto falta mas
sabes bem o que nos impede - sorriu - e
pára de rir.
- Amor - aproximou-se
aproveitando para abraçar-me novamente - quem
te viu e quem te vê - falou com os seus lábios a roçarem nos meus.
- Mas afinal o que
queres? - resmunguei ao empurra-lo.
- Adoro quando ficas
assim envergonhada - gargalhou.
- Ruben Filipe - teria continuado mas
ele interrompeu-me.
- Sim mamã - hoje estava
nitidamente a fazer de tudo para tirar-me do sério, respirei fundo e antes que
lhe respondesse peguei no Nuninho e saí do quarto - amor, fofinha - vinha atrás de mim e por sinal continuava numa de
só dizer disparates - ó coisa boa -
perdi a paciência.
- Épa desaparece - falei nuns decibéis
elevados o que fez com que percebesse que não estava a achar piada.
- Hey estava só a
brincar não precisas gritar - não respondi e fui dar o pequeno-almoço ao menino mas
o Ruben veio atrás de mim - ficaste
chateada?
- Não.
- Não é isso que
parece.
- Ai ó Ruben hoje estás
impossível - o Nuno que tinha acabado de entrar na cozinha ficou a olhar-nos - precisas de alguma coisa? - perguntei
agora para o Nuno.
- Vinha comer mas acho
que volto depois.
- Qual voltas depois
até parece que a casa não é tua - falei agora já no meu tom de voz normal - queres que prepare alguma coisa em
especial?
- Não, deixa-te estar
que vim só mesmo buscar uma peça de fruta.
- Ok.
Continuei a dar a papa ao Nuninho sempre com os olhos do Ruben postos em
mim que à primeira oportunidade que teve retomou o assunto.
- Amor, desculpa estava
mesmo só a brincar - aproximou-se lentamente - desculpas?
- Não - o Ruben baixou o
olhar - porque não estou chateada -
elevou a cara e sorriu - logo não há
nada para perdoar mas isso não quer dizer que tenho achado piada à brincadeira,
caramba estávamos diante do teu afilhado no mínimo tinhas respeitado isso.
- Ok, reconheço que
abusei um bocadinho mas era só uma brincadeira e além disso o puto ainda não
entende nada.
- Até pode não entender
mas não são coisas que se façam ainda para mais quando te pedi para parares.
- Já entendi - sentou-se na cadeira
vaga ao meu lado - agora que já
esclarecemos o que se passou será que posso saber onde a menina quer ir
passear?
- Se queres mesmo saber
perdi a vontade.
- Hey amor - olhei-o - esquece… - calei-o com um beijo.
- O ter perdido a
vontade não está relacionado com o que se passou, simplesmente já não me
apetece.
- Já andas outra vez
com mudanças de humor e de ideias repentinas, é? - teria respondido mas
a entrada no Nuno impediu isso mesmo.
- Mariana será que dá
para ir passear um pouco com o Nuninho?
- Dá - o Ruben olhou-me - mas queres ir onde?
- Ah quanto a isso não
te preocupes porque vai ser um programa entre pai e filho - olhei-o
- considera-te de folga até à hora do
nosso treino.
- Mas -
interrompeu-me.
- Mas nada aqui quem
é o patrão sou eu e estou neste momento a dispensar os teus serviços porque
quero passar umas horas com o meu filho por isso aproveita mas é as horas de
folga para fazeres aquilo que quiseres, estamos entendidos?
- Sim.
- Ótimo.
Acabei de dar a papa ao Nuninho e depois de ir buscar um
casaco para o menino vestir, entreguei-o ao pai que fez questão de sair logo de
seguida com o filho.
- Agora nós - o
Ruben olhou-me - isto por acaso não teve
dedo do menino? - perguntei ao sentar-me no seu colo.
- Juro que não.
- Quem mais jura mais
mente - gargalhou.
- Conheço o ditado
mas neste caso não se aplica - beijei-o - amor não tive rigorosamente nada com o assunto mas já que estás de
folga podíamos aproveitar para fazermos qualquer coisa juntos, só os dois -
sorriu.
- O que vai nessa
cabeça?
- Nada de
extraordinário mas podíamos ir dar um passeio, temos ainda várias horas
podíamos aproveitar.
- Pode ser -
sorriu.
Ainda trocamos alguns mimos mas acabamos por nos levantar e
sair, não fazia a pequena ideia para onde o Ruben nos levaria mas um tempo
depois percebi que estávamos em Barcelos.
O resto da manhã foi passada a visitar a cidade,
aproveitamos para namorar bastante e ao contrário do que tinha ocorrido
anteriormente, quando não deixei que o Ruben extrapolasse com as demonstrações
de carinho e desejo em frente do afilhado agora não tive que me preocupar com
os limites, uma vez que o Ruben comporta-se sempre dentro dos possíveis quando
estamos em sítios públicos, lógico que houve algumas trocas de mimos mas nada
que tivesse o carimbo de “indecente”.
- Amor importaste que
ligue ao César.
- A quem? -
interrompi-o o que provocou a gargalhada ao Ruben.
- Ao César Peixoto
- falou como se fosse obrigada a saber quem seria.
- Hum é suposto saber
quem é? - voltou a rir.
- Amor irra que não
gostas mesmo de futebol - olhei-o.
- Ah já entendi é
mais um palhaço que corre atrás de uma bola - brinquei com o Ruben.
- Enches a boca para
gozares com a minha profissão, chama-nos palhaços mas a verdade é namoras com
um palhaço.
- Oh amorzinho mas
com um palhacinho namorava sempre - encolhi os ombros - ou nunca ouviste dizer que o coração de uma
mulher é uma tenda de circo para os palhaços de serviço atuarem - falei com
o ar mais sério possível mas acabei por acompanhar o Ruben na gargalhada que
deu.
- Só mesmo tu para te
saíres com uma dessas - falou assim que parou de rir.
- É né sou meio louca
mas tu amas-me assim, fazer o quê? - falei toda senhora de si e sem que
tivesse à espera o Ruben puxou-me o si unindo as nossas bocas.
- Agora a sério o que
achas de ligar ao César a perguntar se quer almoçar connosco?
- Amor como é que
queres que emita opinião se não sei de quem estás a falar? - sorriu.
- O César é um amigo
meu que também jogou no Benfica mas agora está aqui no Gil Vicente e como até
estamos em Barcelos lembrei-me de o convidar para almoçarmos assim
apresentava-vos.
- Hum e estás à
espera do quê - beijei-o - liga lá
para esse amigo que agora fiquei curiosa para saber quem é - sorriu.
O Ruben ligou ao tal de César e ficou combinado de nos
encontrarmos num determinado restaurante onde almoçamos com bastante conversa à
mistura, deu para conhecer mais um amigo do Ruben e ainda descobrir mais
algumas histórias do meu amor, posso mesmo dizer que me diverti imenso mas como
o que é bom tem sempre um fim tivemos que nos despedir para regressarmos a
Braga, o meu amor tinha treino e eu tinha o Nuninho à minha espera.
Ruben
Os dias passaram e com o aproximar do dia dos namorados
andei ocupado a prepará-lo, queria algo especial não tanto pelo significado do
dia em si mas sim pela importância que tem para nós ou pelo menos para mim tem
e acredito que para a Mariana também apesar de nunca ter comentado com ela.
Como os planos para a nossa noite implicava que o Martim não
nos acompanhasse tive que arranjar uma solução e esta não foi mais do que
convidar a minha mãe para passar uns dias a Braga.
- Oi mãe, está tudo
bem consigo? - cumprimentei-a assim que atendeu a chamada.
- Sim e convosco?
- Está tudo bem.
- Então e estás a ligar porquê?
- Estava aqui sozinho
e pensei em ligar à mãe e convidá-la para passar a próxima semana connosco, o
que diz?
- Filho qual é o motivo desse convite?
- Quem a ouvir ainda
pensa que só a convido quando há algum motivo oculto.
- Ruben Filipe, conheço-te para saber que alguma coisa se passa, além
disso desde que namoras mas principalmente vives com a Mariana que tens sentido
menos necessidade de falares comigo, agora de um momento para o outro
convidas-me para passar uns dias convosco, no mínimo é estranho.
- Shii que filme que
a mãe está a fazer e até parece que não lhe ligo praticamente todos os dias.
- Filho, entendeste o que quis dizer mas contínuo à espera de uma
justificação para o convite.
- Querer passar uns
dias com a mãe não é motivo suficiente?
- É e se queres saber até acreditava nele se o dia dos namorados não
fosse para a semana - gargalhei ao ser apanhado - mesmo sério pensavas que
conseguias enganar-me?
- Oh mãe nunca a quis
enganar mas a verdade é que podemos juntar o útil ao agradável e passarmos uns
dias todos juntos.
- Filho o que é que essa cabeça está a pensar?
- Quero fazer um
programa diferente com a Mariana mas para isso preciso que alguém fique com o
Martim, que o vá buscar à escola no dia 14 e que o vá levar no dia seguinte.
- Ah e essa pessoa tenho que ser eu?
- É a única em quem
pensei uma vez que não vou pedir isso à Patrícia que como é óbvio também deve
ter planos, já vai ser mau a Mariana ter folga durante o dia não quero abusar,
além disso dava a oportunidade ao Martim de conviver com a vó Bela - a
minha mãe gargalhou.
- Não precisas dar graxa
- Isso quer dizer que
aceita o convite?
- Aceito mas espero que a Mariana esteja informada que vai ter visitas.
- Desde quando é que
você é visita? Ah e ainda não falei com a Mariana mas também não há problema,
ela gosta de você.
Continuei à conversa com a minha mãe que serviu entre outras
coisas para combinarmos os detalhes da sua viagem, ficou acordado que viria de
comboio no sábado para chegar a tempo de assistir ao jogo. Agora que já tinha
“ama” para com o Martim só faltava convencer a Patrícia a dar folga à Mariana,
o que não foi complicado afinal os nossos amigos também sabiam que o dia 14 de
Fevereiro nos diz muito e por fim tive que tratar da reserva do hotel.
Estava entretido a pesquisar possíveis locais para ser o
“nosso ninho do amor” durante umas horas quando o Martim apareceu vindo não sei
de onde e ao ver que estava tão entretido perguntou o que estava a fazer.
- Estou a procurar
umas coisas.
- Tás a ver casas?
- sorri com a pergunta dele.
- Não são bem casas,
é mais à procura de um sítio para passar uma noite.
- Porquê?
- Amor anda cá -
coloquei o portátil no sofá ao nosso lado e puxei-o para o meu colo - quero fazer uma surpresa à Mariana mas para
isso preciso de encontrar um sítio para passarmos uma noite - o menino
olhou-me desconfiado - e também preciso
que não digas nada à mana, pode ser?
- Pode mas e eu?
- sorri ao ouvi-lo.
- Lindo, nessa noite
ficas cá em casa com a minha mãe, pode ser?
- Porquê que não
posso ir contigo e com a mana?
- Amor, porque
gostava de ir só com a Mariana.
- Porquê?
- Martim sabes o que
é o dia dos namorados?
- Não.
- Amor, o dia dos
namorados é a 14 de Fevereiro e nesse dia normalmente os namorados fazem
qualquer coisa só os dois, entendes?
- Acho que sim-
voltei a sorrir perante o ar de confuso do meu piolho - e tu queres tar sozinho com a mana né?
- Sim, ficas chateado?
- Não eu fico com a
vó Bela - falou todo orgulhoso o que deixou-me emocionado - assim posso brincar com ela.
- Vais poder brincar
muito com a minha mãe, ela vem passar uma semana connosco.
- Fixe vou ter a vó
Bela cá - voltei a sorrir.
- Mas não podes dizer
nada à mana - interrompeu-me.
- Não posso dizer da
surpresa ou que a vó Bela vem cá?
- As duas, amor
deixas-me ser eu a contar à Mariana que a minha mãe vem cá?
- Tá bem -
encolheu os ombros - e a surpresa?
- A surpresa é que
não podes mesmo dizer, fica um segredo só nosso.
- Quando souberes
onde vais levar a mana posso saber?
- Podes, quando
decidir mostro.
- Fixe.
Continuamos à conversa que só foi interrompida quando a
Mariana chegou vinda da casa do Nuno.
- Olhem só os meus
dois amores à conversa - sorrimos ao ouvi-la.
- Não podemos queres
ver? - retorqui.
- Podem, podem -
beijou-me a mim primeiro e depois encheu o irmão de mimos.
- Amor preciso falar
contigo - parou de fazer cócegas ao irmão e olhou-me.
- Diz.
- Convidei a minha
mãe para vir cá passar uns dias connosco espero que não leves a mal.
- Não tenho nada que
levar a casa é tua.
- Nossa -
olhou-me - a casa é nossa -
suspirou.
- Como queiras.
- Amor, ficaste
aborrecida por não ter perguntado antes de fazer o convite?
- Não - sorriu - deixa de ser tonto - beijou-me - a tua mãe pode visitar-nos as vezes todas
que quiser.
Continuamos à conversa e a mimarmo-nos aos três até que
fomos interrompidos pela Filomena que nos avisou que o jantar estava servido,
comemos e no final dedicamos o nosso tempo ao Martim, ficamos na brincadeira
com o menino até ser horas dele ir dormir e só quando a Mariana o deitou é que
podemos ter um tempinho a dois.
***
Os dias passaram e como hoje tinha jogo quem foi buscar a
minha mãe à estação dos comboios foi a Mariana. O dia foi passado junto com os
meus colegas até ser horas de irmos para o estágio, assim que lá chegamos
recebi uma mensagem do meu amor a avisar que já lá estavam, não resisti e fui
até ao camarote em busca do meu beijo de boa sorte, quando lá entrei encontrei-a
à conversa com a minha mãe, aproximei-me e abracei-a.
- Oi amor.
- Não devias estar
com os teus colegas? - perguntou assim que cumprimentei a minha mãe.
- Preciso do meu
beijo de boa sorte - a minha mãe sorriu.
- Parece que estás
com azar - olhei-a - é que já
procurei a fada da sorte mas não a encontrei cá hoje.
- Ai não? -
abanou a cabeça em sinal de negação - engraçado
pois eu encontrei-a - sorriu - e
sabes onde está?
- Não.
- Aqui bem nos meus
braços - beijei-a, a ideia era ser algo discreto mas a Mariana fez questão
que não o fosse dando início a uma pequena sucessão de beijos que só conheceu o
seu fim quando ouvimos um som proveniente de um forçar de tosse que o Nuno
achou por bem fazer.
- Dói-te alguma
coisa? - o meu amor falou assim que nos separamos ligeiramente.
- A mim nada agora
aqui parece que a coisa tava difícil - fez uma pequena pausa - só não consegui perceber qual dos dois
estava com falta de ar e a precisar urgentemente de respiração boca a boca.
A Mariana teria respondido mas o Nuninho reclamou pela
atenção do pai e por isso o nosso amigo deixou-nos em paz.
- Amor no fim do jogo
esperas por mim?
- Fazes assim muita
questão que espere?
- Podias esperar até
porque não vais fazer nada para casa ou já te esqueceste que depois vamos jantar
com o Nuno e a Patrícia?
- Não esqueci mas em
vez de ficar a criar raízes aqui posso criá-las em casa - a minha mãe que
se mantinha ao nosso lado gargalhou ao ouvir o meu amor.
- É que nem mereces
resposta.
- Pudera, não tens
como negar - beijou-me - mas se
fazes assim tanta questão nós esperamos por ti.
- Prometo que vou
tentar ser rápido mas agora deixa-me ir que está na hora.
Despedi-me delas e depois do Martim que estava a brincar com
as outras crianças que já circulavam pelo camarote para juntar-me finalmente
aos meus colegas.
Mariana
Acordei com o Ruben a despachar-se para sair mas ainda tive
tempo de pedir alguns miminhos e desejar-lhe boa sorte para o jogo.
Levantei-me sem grande vontade, hoje apetecia-me ficar a
manhã na cama mas tinha dito ao Ruben que iria buscar a sua mãe e como não
queria chegar atrasada tive que vencer a preguiça e sair da cama.
Acordei o meu irmão e decidi que hoje iríamos comer o
pequeno-almoço numa pastelaria, dias não são dias e estava mesmo a apetecer um
bolo cheio de creme, quem delirou com a ideia foi mesmo o puto.
Comemos e no fim fomos dar um pequeno passeio pelo centro da
cidade uma vez que tínhamos de fazer tempo para ir buscar a vó Bela como o
Martim a chama.
***
Estávamos sentados num banco quando ouvimos o aviso que o
comboio estava a chegar o Martim levantou-se imediatamente e assim que avistou
a Anabela fez questão de chamá-la, o que despertou a curiosidades dos
transeuntes que por ali circulavam ou não fosse o meu irmão ter gritado Vó Bela
e acenado para que nos visse.
- Olá vó - o
Martim foi o primeiro a falar assim que a Anabela chegou junto de nós.
- Olá neto -
sorri ao ouvi-la a chamar o Martim de neto - dás-me um beijinho? - perguntou ao sentar-se no banco para ficar à
altura do piolho.
- Sim - o meu irmão
deu-lhe o beijinho seguido de um abraço.
- Fez boa viagem? -
perguntei depois de a ter cumprimentado devidamente.
- Sim - sorriu.
Ainda trocamos mais algumas palavras mas acabamos por seguir
até ao carro, conduzi calmamente até casa onde instalei a mãe do Ruben
comodamente para depois ouvir o meu piolho perguntar à vó Bela se queria
brincar com ele.
- Martim não
incomodes a Anabela.
- Mas mana eu quero
brincar e depois a vó Bela só vai tar cá uns dias - a Anabela sorriu.
- Queres que brinque
contigo?
- Sim.
- Então vamos lá
brincar - sorriu-me.
Acompanhei-os até ao quarto do meu irmão e foi visível que a
Anabela ficou surpreendida com o que viu.
- Bem o meu filho
esmerou-se - comentou.
- Exagerou é mais o
termo - a Anabela sorriu.
- O Ruben só queria
que o Martim se sentisse bem.
- Deve querer dizer
que o seu filho quis arranjar forma de dar a volta ao Martim, foi de tal forma
que por vontade do menino tinha-se mudado imediatamente para cá.
- Mariana não adianta
dizer o contrário porque apesar de o Ruben sempre ter afirmado que só quis que
o menino percebesse que tinha o seu espaço na vida do meu filho nós sabemos que
o objetivo sempre foi amolecer o teu coração e provar que vos queria com ele -
sorriu - para ser sincera quando o Ruben
comentou que iria remodelar o quarto tive algum receio de que não fosse boa
ideia, temi que não fosses reagir da melhor forma.
- Para ser sincera se
o Ruben tivesse comentado comigo a sua ideia talvez a coisa não corresse tão
bem mas depois deste trabalho todo mas principalmente ter visto a felicidade
estampada no rosto do meu irmão não seria eu que iria destruir a alegria do meu
piolho.
- Tenho que admitir
que desta vez o meu filho esteve bem - sorriu - o Ruben percebeu que só conquistando verdadeiramente o Martim mas acima
de tudo provando que estava preparado para assumir uma responsabilidade que não
era de todo dele é que conseguiria ser feliz contigo, o Ruben lutou e
sinceramente pela primeira vez vi o meu filho a fazer as coisas com cabeça, dei
com ele a ponderar muito bem as suas atitudes algo que não era de todo um
costume nele. Mariana, o Ruben mudou por ti não tenhas a menor dúvida disso, o
meu filho faz qualquer coisa para vos ver bem.
- Acredite que tenho
a plena consciência disso.
Ainda trocamos mais algumas palavras mas o Martim exigiu que
a Anabela fosse brincar com ele e por isso deixamos a conversa para depois.
***
O dia passou e a hora do jogo chegou finalmente, estava no
camarote quando o Ruben apareceu mas após uns mimos e palavras trocadas teve
que regressar para junto dos colegas, hoje ficou no banco o que irritou o
Martim que se visse o treinador do Braga à frente era bem capaz de o mandar dar
uma volta, quem se divertiu à brava com a fúria do meu piolho foi a Anabela.
Com o final do jogo descemos imediatamente até ao ponto de
encontro, isto porque o Martim estava impaciente para ver o Ruben, aliás pediu
mesmo que enviasse uma mensagem a pedir que não demorasse muito e assim que viu
o Ruben correu na direção dele.
- O Martim adora
mesmo o meu filho - olhei para a Anabela que sorria maravilhada por ver
aqueles dois juntos.
- O meu irmão há
muito que usa o Ruben para colmatar a ausência do pai.
- Não é só isso -
olhei-a - Mariana ali existe mesmo amor
do mais puro que pode haver e nem não estou a falar do sentimento que o meu
filho tem pelo teu irmão, estou mesmo a referir-me ao amor que o Martim tem por
vocês, o menino simplesmente ama-vos independentemente de seres só a irmã dele
e o Ruben o teu namorado no coração do Martim são os pais dele, aliás se
tivesse alguma dúvida tinha-a desfeito quando o teu irmão pediu-me ajuda para a
prenda de aniversário do Ruben.
- Agora que fala
nisso como é que o meu irmão lhe pediu ajuda? - sorriu.
- Através do Nuno, o
Martim pediu-lhe que ligasse para mim, ele queria dar alguma coisa mas não
sabia o quê, tadinho estava mesmo triste porque não tinha ideia nenhuma
prometi-lhe que pensaria em alguma coisa e uns dias depois voltou a ligar-me
para dizer que tinha falado com a professora dele e que esta lhe tinha dado a
ideia do álbum mas que para isso precisava de algumas fotos do Ruben, acabei
por concordar em facultar as fotos e combinei com o Nuno lhe enviar por email,
as outras fotos não sei como as conseguiu mas presumo que tenha sido através do
Nuno ou da Patrícia.
- Resumindo sabiam os
três e ninguém se descaiu, bonito sim senhora - a mãe do Ruben sorriu.
- Mariana desculpa
mas o Martim obrigou-nos a prometer que não contávamos a ninguém - o
assunto “morreu” até porque os meus dois amores aproximaram-se.
- Porquê que não jogaste?
- o Ruben sorriu.
- Olha outra -
puxou-me para si beijando-me - já aqui a
pulga saltitante também demonstrou logo o seu desagrado - sorriu - agora a sério foi só uma opção tática e
agora o que dizem de irmos embora?
- Não queres ir ter
com os adeptos?
- Fica para outro dia
- beijou-me.
- Posso ir contigo? -
o Martim perguntou assim que percebeu que íamos embora.
- Podes.
- Fixe - o Ruben
destrancou o carro e assim que o fez o Martim entrou imediatamente, enquanto
nós combinamos encontramo-nos em casa porque ia lá deixar o meu carro.
- Mariana, deixas o
teu irmão ir assim no carro do Ruben? - perguntou quando já estávamos a
caminho de casa.
- Assim como?
- Então a cadeira do
Martim está aqui - sorri com a observação da Anabela.
- Não se preocupe
porque o Martim tem outra cadeira no carro do Ruben.
- Ah - percebi
que tinha sido apanhada de surpresa.
- O Ruben sempre que
pode vai levá-lo e busca-lo à escola e como muitas vezes é decidido à última da
hora não dava para andarmos a trocar a cadeira de um carro para o outro por
isso optamos por comprar outra, esclareci-a.
- Pois tem a sua
lógica.
A conversa continuou e só foi interrompida no momento de
trocarmos de carro. O jantar decorreu como bastante animação e o regresso a
casa foi pacífico ou não fosse o menino ter adormecido pelo caminho.
Como irá correr estes dias? E que surpresa será essa que o Ruben tem
preparada para a Mariana?
Então e agora eu fico sem saber como é que é o dia dos namorados??
ResponderEliminarPublica lá isso rapidinho se faz favor!
Que isto assim não tem piadinha nenhuma!
Bjokinhas
Mariaa
Eu queria saber como vai correr o dia dos namorados!
ResponderEliminarAi, Ai! Faça favor de postar rápido que estou curiosa.
Beijinhos!
Olá (:
ResponderEliminarAdorei, mas isso tu já sabes :p
Estou muito curiosa para ver o que o Ruben anda a preparar e acima de tudo espero que a Mariana goste!
Quero mais :b
Beijinhos
Ritááá xD
Tu sais-te com cada uma, essa do coração de uma mulher ser como uma tenda de circo, só tu para te lembrares de uma coisa dessas.
ResponderEliminarAdorei,como sempre, até parece que tenho o disco riscado, porque digo sempre o mesmo, mas é verdade,adorei mesmo.
Gostei muito da versão do Ruben meloso, que melga mais fofa...
O Ruben sabe muito, mas esquece-se que as mães sabem muito mais, a dar graxa à mamã, mas a senhora sabia que o dia dos namorados se está a aproximar, não a conseguiu enganar. A vó Bela sabe muito...
Agora só me resta saber que surpresa é essa que o Ruru tá a preparar para a Mariana, por isso dá corda aos dedinhos.
Continua,
Beijocas
Fernanda
Olá :)
ResponderEliminarADOREI!
Ai este dia de namorados promete xD
Toca a escrever o próximo e a postar o mais rápido possível ;D
Beijinhos
Rita
Olá!
ResponderEliminarComeça-se logo com a noticia que não há nenhum baby, o que me chateou logo xD
Mas depois veio a vó Bela e a preparaçao do Dia dos Namorados. Eh pah até eu estou ansiosa! xD
Estou a espera do proximo!
Beijo
Ana
magnifico...
ResponderEliminarquero mais...
continua...
Olá olá, por aqui digo o mesmo, finalmente 5 minutinhos para ligar o PC..
ResponderEliminarJá estás farta de saber que adoro e que estou a espera do próximo, por isso não tenho grande coisa a acrescentar ..
Beijinho linda
Olá, olá demorei mas voltei para ler tudinho ;)
ResponderEliminarClaro que não vou deixar de ler uma unica linha ;) sabes perfeitamente que não falto :D
Já estava com saudades do casalinho agora é já ler o próximo ;)
Beijinhos