segunda-feira, 13 de agosto de 2012

050 - “Mano mesmo sério ainda não chegaste ao epicentro do momento de estranheza da Mariana?”


Mariana

Ao contrário do que tem acontecido ultimamente, hoje acordei híper bem-disposta e com um desejo ou melhor uma necessidade avassaladora que consumiu todo e qualquer constrangimento que pudesse ter, foi de tal ordem que quando dei por mim já estava a despertar o Ruben de uma forma que nunca antes tinha feito muito menos pensado ou não fosse a minha mão ter ganho vida própria e andar a passear pelo corpo do Ruben, mais concretamente no interior das suas calças e por cima do tecido dos seus boxers, não foi preciso mais que uns segundos para o Ruben abrir os olhos, não lhe dei tempo de dizer nada, uni as nossas bocas com a mesma rapidez com que o brindei com algumas “festinhas” onde nitidamente lhe estava a dar prazer, a partir daqui as palavras que melhor descrevem o momento que se seguiu são talvez qualquer coisa do género “revelei a tarada sexual que até ao momento esteve oculta…”. Estava a tentar recuperar minimamente do momento que levou-nos aos dois ao limite dos limites quando percebi que o Ruben estava a sorrir completamente aparvalhado.
- Que foi? - gargalhou - estás a rir porquê?
- Ainda perguntas? Tens noção que foi SÓ o melhor acordar que tive em toda a minha existência, que acabaste de elevar a fasquia e que de hoje em diante no mínimo vou exigir que seja sempre assim e no máximo que seja melhor ainda? - sorriu de forma traçada para no segundo seguinte unir as nossas bocas num beijo intenso, o que despoletou a pontinha de insatisfação que ainda restava dentro de mim e serviu de rastilho a mais um momento de entrega. De facto não sei o que se passava comigo hoje mas estava insaciável, tudo no Ruben despertava-me os desejos mais obscenos e que nem fazia ideia que os podia ter.
- Amor assim acabas comigo em três tempos - sussurrou-me ao ouvido levando-me a gargalhar fortemente.
- Menino - o Ruben sorriu - mas pronto hoje tens desculpa afinal és bebé - beijei-o calmamente - e por isso mesmo está na hora de sairmos da cama - suspirei ao regressar à realidade - temos uma viagem para fazer e um dia para passarmos com a tua família.
- Nossa.
- Nossa o quê?
- Nossa família ou achas mesmo que te vou deixar fugir? Mariana serás minha para todo o sempre logo é a nossa família e não a minha, estamos entendidos?
Não respondi por palavras mas sim por atos, beijei-o e de seguida arrastei-o comigo para o banho, onde nos voltamos a amar agora de uma forma mais pacata ainda assim muito proveitosa.

***

Ao contrário do que o Ruben imaginava hoje o dia prometia, afinal tinha organizado um jantar de aniversário com os seus amigos mais próximos, onde estavam incluídos alguns ex-colegas do Benfica, mas isso seria para mais tarde até porque antes tínhamos o almoço na casa da Anabela.
A viagem até Lisboa foi serena e para isso contribuiu e muito o facto de o Martim ter adormecido.
- Amor o que tens? - desviei o olhar que estava “preso” no vidro lateral do seu carro e encarei-o.
- Nada - sorri.
- Estás tão caladinha - a sua mão “viajou” pela minha perna - tens andado estranha - suspirei - e não é só por este mês te recordar de algo que não gostas - o Ruben falava com uma segurança enorme - não queres partilhar comigo?
- Não há nada para partilhar - respondi serenamente.
- Ok não insisto mais - o tom da sua voz revelava alguma mágoa.
- Não fiques chateado - suspirei profundamente - o problema não é falta de confiança em ti, é mesmo meu.
- Não queres ser mais explícita?
- Querer até quero mas para isso é preciso saber o motivo pelo qual tenho andado tão irritada ou melhor insuportável.
- Explica lá isso melhor.
- Ruben, já não me reconheço a mim própria, estas mudanças de humor não é comum e para ser sincera não sei o motivo mas tudo irrita-me e tira do sério.
- Amor não leves a mal mas isso não será por andares cansada - olhei-o - temos mesmo que tratar da questão da empregada, sozinha não consegues fazer tudo e sinceramente prefiro ter empregada do que não ter nem empregada nem namorada, amor tenho saudades dos dias em que chegavas a casa e que conseguíamos estar a falar numa boa, a namorar ou até mesmo a brincar com o teu irmão, não consideres isto como uma falha e muito menos estou a apontar-te o dedo mas a verdade é que andas distante até do teu irmão, algo que em ti é novidade, o menino já comentou comigo que andas estranha, pensa nisso e depois dá uma resposta, percebe que não quero fazer de ti dondoca nenhuma mas tens direito ao teu descanso como qualquer outra pessoa e termos empregada não é vergonha nenhuma.
- Tudo bem - desviou o olhar por segundos da estrada - ainda esta semana resolvemos essa questão - o Ruben sorriu - talvez tenhas mesmo razão e o que preciso é de descanso.
- Não estás muito esperançosa que seja isso pois não?
- Sinceramente não, amor acredita que já houve alturas em que andava verdadeiramente cansada e nunca reagi assim - suspirei - sabes a sensação que tenho é que já não me reconheço, sei lá sinto-me estranha dentro do meu próprio corpo, nem sei explicar mas parece que algo está a sufocar-me ou então sou mesmo eu que estou a dar em louca.
- Mariana - olhei-o - responde o mais sinceramente possível - fez uma pequena pausa como se tivesse a ganhar coragem - estás arrependida por teres aceite viver comigo?
- Não - respondi imediatamente - viver contigo é das poucas certezas que tenho, Ruben o facto de andar assim nada tem a ver com o vivermos juntos, como disse não sei explicar mas é algo que sinto dentro de mim.
- Será que estás a precisar de um tempo só para ti?
- O que queres dizer com isso?
- Amor, pode parecer estupidez minha mas se calhar o que estás a sentir é derivado ao facto de agora não estares sozinha, de saberes que podes contar comigo para tudo.
- Não entendi.
- Mariana até aqui sempre tiveste o teu espaço, para o bem ou para o mal sabias que só podias contar contigo e talvez seja isso que mudou, amor já pensaste se o que estás a sentir não é falta de teres os teus cinco minutos de solidão, aqueles que qualquer pessoa tem para refletir ou aqueles que simplesmente fechamos os olhos e temos a sensação que somos só nós e o mundo. Amor, viveste toda a tua vida sozinha no sentido de não teres com quem partilhar as tuas angústias ou medos e agora que começaste a fazê-lo comigo sentes-te estranha, já não te reconheces a ti própria, será isso?
- Posso não ter tido pais para partilhar os medos ou as dúvidas mas sempre tive amigos, nunca estive sozinha no mundo.
- Pois não mas diz-me com quantos desses amigos conseguiste dizer verdadeiramente o que te ia no coração ou na cabeça, aposto contigo que nem a Letícia sabe de tudo a teu respeito - engoli em seco, o Ruben tinha razão - aliás ainda nem fez um mês que lhe ocultaste uma cena - estava a referir-se ao ter encontrado o meu pai no centro comercial, só o Ruben é que sabia o motivo pelo qual tinha reagido assim - pergunto-me quantas mais não escondeste ao longo dos anos, amor posso estar a ser um convencido de primeira mas o que sinto é que comigo és verdadeira mas acima de tudo transparente, que mais minuto menos minuto contas o que te atormenta e talvez seja isso que está diferente, que te faz sentir essa sensação desconhecida, daí dizer que o tens é falta dos teus cinco minutos de solidão.
- Estás a dizer que não te devo contar tudo? - perguntei confusa afinal se somos um casal é para não haver segredos e nos apoiarmos mutuamente, pelo menos é isso que penso.
- Amor o que quero dizer é que talvez sintas falta de teres o teu tempo, aquele que tinhas quando deitavas o teu irmão e que após a casa estar num silêncio absoluto podias ficar simplesmente sentada no jardim a olhar as estrelas, Mariana sinceramente acho que estás a acusar a pressão de partilhares a tua vida comigo, amor percebe que não é por vivermos juntos que tens de deixar de ter os teus momentos de solidão, todos precisamos deles, eu próprio tenho os meus mais que não seja quando estou nos estágios, é normal que sintas falta de estares no teu canto mas isso não quer dizer que temos de começar a ter segredos, só tens é que aprender a respeitar o teu tempo, amor nunca te pressionei para que contasses nada porque detesto que o façam comigo, também preciso dos meus minutos a sós mais que não seja para respirar fundo e sentir-me livre que nem passarinho, entendes o que quero dizer? - falou ao estacionar o carro numa estação de serviço.
- Estás a querer dizer que estou a sufocar-te por querer estar o máximo de tempo contigo afinal quem está arrependido de vivemos juntos és tu - atirei de rajada para logo depois sair do carro, a intenção era ir apanhar um pouco de ar, ter os meus cinco minutos de solidão mas o Ruben não facilitou a tarefa e saiu também ele do carro agarrou-me o braço puxando-me, ainda tentei resistir mas confesso que quando o olhei não aguentei e beijei-o.
- O que quis dizer foi que qualquer pessoa precisa dos seus minutos de solidão mais que não seja para se preparar mentalmente para dar ou receber por vezes notícias menos boas. Amor, não tenho razões nenhumas de queixas, muito pelo contrário para ser sincero surpreendeste pela positiva porque esperava que fosse muito mais complicado aceitares partilhar a tua vida comigo da forma como o estás a fazer, sem segredos ou vergonha, é lógico que quero que continue assim mas também percebo se num momento ou outro queiras estar sozinha, é normal que tenhas essa necessidade - teria continuado a tentar justificar-se mas impediu-o ao unir novamente os meus lábios aos dele, acabei por entusiasmar-me mais do que seria suposto e só não descambou porque o Ruben colocou limites ao meu descontrolo - hoje estás impossível - falou ainda com os seus lábios colados ao meu ouvido.
- Pensei que gostavas mas sendo assim - tentei “fugir” dele mas ficou mesmo pela intenção ou não fosse ele puxar-me.
- Onde pensas que vais? - falou ao arrastar a sua voz.
- Ao WC e comprar água que estou com sede - beijei-o - vamos? - tentei puxá-lo pela mão mas não consegui - então? - reclamei quando o Ruben nem um pé mexeu.
- Amor, é melhor ires sozinha.
- Porquê?
- Porque o teu irmão está a dormir no carro e não o vamos deixar sozinho.
- Hum, desta escapas - gargalhou - queres que te traga alguma coisa?
- Não, obrigado.
O Ruben ficou no carro enquanto fui fazer o que lhe tinha dito e uns minutos depois já estávamos novamente na estrada, o resto da viagem continuou connosco à conversa mas agora eram assuntos banais e assim que chegamos à casa da mãe do Ruben acordei o meu irmão que mal viu o Mauro e a Madalena a chegar saiu imediatamente do carro correndo na direção deles.
- O teu irmão adora mesmo o Rafael - sorri ao ouvi-lo falar quando já estávamos no exterior.
- É resta saber se também vai adorar quando tivermos o “nosso Rafael” nos braços - falei quando já tinha o Ruben agarrado a mim.
- Lógico que vai - falou convicto - mas também para isso acontecer ainda falta uns aninhos - beijou-me - e quando tivermos o “nosso Rafael” já o “nosso Martim” - sorri ao ouvi-lo - tem idade para nos ajudar a cuidar do “irmão” - estava completamente maravilhada com os planos do Ruben mas principalmente pela forma como falava - mas porquê que puxaste este assunto? - perguntou-me curioso.
- Lembrei-me disso mas não tem motivo nenhum em especial - beijei-o e mais uma vez prologamos ao máximo aquela troca de mimos.
- Olha e que tal deixarem isso para depois e entrarmos, não? É que já almoçava.
O Mauro implicou e o Ruben teria respondido se tanto eu como a Madalena tivéssemos dado hipótese mas resolvemos terminar de imediato com o bate boca e entrarmos finalmente na casa da Anabela.
Os minutos seguintes foram para o filhinho matar saudades da mamã e para o Martim pegar no Rafael, finalmente conseguiu ter autorização para o fazer e ficou radiante, lógico que tive sempre atenta e quando percebi já o Ruben estava a observar-nos aos três com um sorriso gigantesco, pedi à Madalena para ficar no meu lugar e levantei-me, caminhei até ao meu amor e “atirei-me” para os seus braços razão mais do que suficiente para o Mauro mandar piadas mas nenhum dos dois ligamos, aliás ainda fiz pior pois beijei o Ruben.
Estava com os braços do meu amor a envolver-me a cintura e com as suas mãos na zona da minha barriga quando um desejo estúpido de ficar grávida “desceu” sobre mim e só percebi que o estava a fazer quando a voz do Ruben despertou-me.
- Posso saber o motivo desse sorriso? - sussurrou ao ouvido.
Fui salva no último instante ou não fosse a Anabela nos avisar que o almoço estava servido. Já o almoço decorria dentro da normalidade possível quando temos à mesa duas crianças mas que de um momento para o outro tornaram-se em quatro uma vez que o Mauro e o Ruben começaram com os seus despiques quando tive de repreender o meu irmão, ele já estava a abusar nas brincadeiras e assim que o fiz ouvi o que não esperava.
- Tás a ralhar comigo porquê tu também andastes estes dias a ser criança e o Ruben não ralhou contigo e eu também não disse nada - a família do Ruben olhou imediatamente.
- Martim - o Ruben chamou-o - a Mariana tem razão é melhor pararmos, brincamos depois.
- Vês é por isso que a mana faz o que quer tu fazes sempre as vontades a ela a mim é que ninguém faz as vontades - teria continuado mas o Ruben surpreendeu-me ao tomar uma atitude.
- Martim já chega, já te pedimos para parar e quanto ao que falas depois conversamos, estamos entendidos? - o Martim baixou a cara - Agora acaba de almoçar.
O meu irmão fez o que o Ruben mandou e o ambiente só não ficou estranho porque a Madalena resolveu puxar o assunto do batizado, combinamos alguns detalhes já que a data aproximava-se e com tanta conversa terminamos a refeição, os rapazes foram para a sala e as raparigas para a cozinha, pois fizemos questão de ajudar a Anabela.
- Mariana desculpa tocar no assunto mas o que é que o teu irmão quis dizer com aquilo ao almoço?
- Anabela andei aí uns dias mal-humorada e sem paciência para nenhum dos dois mas agora já está tudo bem.
- Isso é o que interessa - a Madalena meteu-se talvez por saber que a Anabela quando se trata dos filhos é pior que as beatas à porta da igreja - o que deixou-me de queixo caído foi o Ruben - olhei-a - então não é que está um pai autêntico, até já repreende o Martim com pulso firme - sorri ao ouvi-la.
- Se vos serve de consolo também foi novidade para mim.
Continuamos a falar e o assunto andou em volta das primeiras semanas partilhadas a três e depois do jantar surpresa do Ruben. Quando regressei à sala notei que o meu amor estava ligeiramente estranho mas resolvi deixar passar e quando estivéssemos só os dois falaríamos.

Ruben

Se os dias que antecederam o do meu aniversário foram complicados a manhã deste compensou e muito, a Mariana brindou-me com duas horas intensas de mimos, primeiro com a forma como acordou-me e depois por tudo o que se seguiu, se o meu amor já me tinha surpreendido no passado por se ter “soltado” hoje deixou-me no céu quando deixou vir ao de cima toda a sensualidade possível e imaginária, o prazer que senti foi incalculável e único.
As horas seguintes tiveram de tudo, desde mimos a uma conversa mais séria durante a viagem mas que serviu para perceber melhor o que se passa com a Mariana, mas o que nos deixou aos dois incomodados foi a resposta do Martim no momento que a Mariana o repreendeu, o menino mesmo sem querer estava a faltar ao respeito tanto nós como à minha família e por isso repreendi-o de uma forma mais dura o que fez o Martim ficar amuado mas não fiquei preocupado pois sabia que aquilo passava. No final do almoço fui até à sala com o meu irmão e com os nossos pequenos, estávamos os dois atentos ao Martim a brincar com o Rafael quando o meu irmão mudou o tema de conversa.
- Mano o que é que se passou para o Martim ter dito aquilo na mesa?
- Nada de especial - tentei desvalorizar.
- Alguma coisa foi, porque tanto tu como a Mariana ficaram incomodados com a insinuação do menino.
- Ok - suspirei - a Mariana andou estranha ou melhor ainda anda, agora é frequente as mudanças de humor, a falta de paciência para estar connosco, até com o irmão foi desagradável, o menino chegou a perguntar se estávamos chateados e pediu que se nos separássemos se podia ficar comigo mas depois expliquei-lhe que a irmã só estava cansada e a coisa acalmou, mas para agravar mais a situação a Mariana andou uns dias vomitar, às vezes bastava só ver ou sentir o cheiro a comida para correr até à casa de banho - o meu irmão sorriu mas não liguei continuando o desabafo - e ontem depois do jogo passou-se quando uma das miúdas que estavam a pedir autógrafos abusou ligeiramente - contei com detalhes o que se tinha passado o que levou o Mauro a gargalhar - não tem piada.
- Vais dizer que não adoraste ver a Mariana a meter as garras do lado de fora e defender o que é dela?
- Oh - sorri - lógico que gostei principalmente porque foi a primeira vez que assumiu diante dos adeptos que namoramos.
- Ui não digas mais nada - gargalhou - já estou a ver que a noite foi animada.
- Muito animada - falei em tom de sarcasmo - connosco a chegar a casa e a Mariana a ter uma crise de insegurança enorme, acreditas que colocou na cabeça que a miúda tinha razão quando disse que podia ter arranjado melhor.
- Ó mano desculpa mas vou ter que ser sincero - olhei-o - a Mariana não é modelo mas é bem gira - sorri.
- Achas que não sei disso? Aliás foi o que lhe falei mas ela acha que está a ficar gorda, acreditas que fui dar com ela em frente ao espelho e a ver gordura onde não existe?
- Ui como isso já está - voltou a gargalhar - se já vai assim espera daqui a uns meses - não entendi e por isso interrompi-o.
- Não agoires - sorriu - mano se a Mariana mete isso na cabeça vai ser um caos, ela consegue ser mais teimosa que eu - gargalhou, não sei o que lhe estava a dar mas que tudo o que falava era motivo para rir lá isso era - mas pelos menos ontem consegui fazê-la entender que não tem motivos nenhuns para estar preocupada, que continua linda como sempre e que se há coisa que não está é gorda.
- Então e depois disso tudo como é que ficaram?
- Fomos dormir abraçados mas hoje de manhã posso dizer que foi o melhor acordar em toda a minha vida.
- Ui que a minha cunhadinha esmerou-se - suspirei ao relembrar o momento do início ao fim - estás mesmo apanhadinho.
- Mano, podes não acreditar mas a cada segundo que passo a certeza que a Mariana nasceu para completar-me solidifica ainda mais - voltei a suspirar - amo aquela teimosa.
- Disso não tenho dúvidas aliás o único que chegou a tê-las foste tu - sorri ao recordar essa altura - mas diz-me uma cena, agora já está tudo bem pelo menos quando aqui chegaram estavam em completa harmonia.
- Sim, agora está tudo bem principalmente depois da conversa que tivemos durante a viagem - voltei a contar tudo - mas para ser sincero tenho receio que lhe dê novamente a travadinha, não sei mesmo o que se passa mas a Mariana anda estranha.
- Mano mesmo sério ainda não chegaste ao epicentro do momento de estranheza da Mariana?
- Como queres que chegue se nem ela se consegue compreender?
- Ó Ruben ou são os dois muito tapadinhos ou é a Mariana que não se sente preparada para assumir.
- Estás a falar do quê?
- Mano presta atenção aos que vou enumerar - abanei a cabeça em sinal afirmativo - mudanças de humor, enjoos, complexos de que está a ficar gorda, está a sentir-se diferente, sente uns desejos rebuscados por ti e ainda fica completamente embevecida quando vê um bebé - sorriu - mesmo sério nunca te passou pela cabeça que a Mariana esteja grávida?
- Hã? - gargalhou perante a minha reação.
- Oh mano até parece que não sabes o que andaram a fazer - sorriu.
- Sei por isso mesmo é que não pode ser isso.
- Ai não? Ó mano já passei por tudo o que acabaste de dizer, a Madalena ao início da gravidez também andou insuportável ou já não te recordas?
- Lembro-me disso mas no nosso caso não se aplica.
- E posso saber porquê?
- Porque vocês andavam a tentar à bué e no nosso caso isso não se verifica.
- Ya mas quem anda à chuva molha-se.
- Isso é impossível.
- Qual é mesmo o teu problema?
- Como assim?
- Tanto quanto sei queres ser pai por isso não entendo essa negação toda.
- Mano, não estou a negar nada pelo simples facto de não existir nada para ser negado, sei perfeitamente o que faço com a Mariana por isso é que digo que é impossível.
- Até parece que não andam nos treinos.
- É verdade que nos amamos com frequência mas sempre que o fazemos tomamos precauções.
- Mano sabes que a pílula ou qualquer outro método do género pode ser falível.
- Sei e acredita que a Mariana também sabe ou porquê que achas que demos uso à tua prenda de natal.
- Vocês usaram aquilo?
- Ya, não era suposto?
- Mano ofereci aquilo numa de brincar, nunca pensei que fossem dar uso.
- A Mariana obriga-me a usar preservativo de todas as vezes que nos amamos e se aqueles estavam à mão.
- Ruben, tens mesmo a certeza que não há hipótese da Mariana estar grávida?
- É muito improvável, só houve uma vez que não usamos mas tendo em conta que a Mariana toma a pílula é praticamente impossível que seja esse o motivo.
- Mano, descuidos às vezes acontecem e como vocês usam sempre preservativo a Mariana pode ter descurado a toma da pílula, já pensaste nisso?
- Agora que falas nisso, há uns dias a Mariana teve uma conversa estranha sobre descuidos - o Mauro sorriu - perguntou-me se queria mesmo ser pai, voltei a dizer que sim mas que nos próximos anos não seriamos porque a Mariana quando aceitou viver comigo impôs uma condição, ela quer licenciar-se antes de ser mãe e eu concordei com isso, até porque sei o quanto a realização pessoal e profissional é importante, por isso disse-lhe que era impossível ficar grávida por um descuido, uma vez que a Mariana não é de ter descuidos.
- És mesmo totó, a rapariga a fazer a conversa toda e não chegaste lá.
- Pára - olhou-me - se fosse isso a Mariana já tinha falado, ela não iria esconder tal coisa, além disso sei que também anda angustiada por não se reconhecer a ela própria.
- Não estou a dizer que a Mariana sabe, estou a colocar a hipótese dela estar desconfiada mas com receio da confirmação.
- Se fosse esse o caso ela falava na mesma.
- Tens a certeza disso?
- Tenho.
- Tu é que sabes mas se tivesse no teu lugar ia a uma farmácia e comprava um teste, não tens nada a perder em pedir-lhe que faça um.
Não respondi mas fiquei a pensar nas palavras dele e só despertei novamente para a realidade quando as mulheres da nossa família regressaram à sala. A Mariana sentou-se ao meu lado e aninhou-se nos meus braços, algo que fez o Mauro sorrir, o meu amor pediu-me mesmo mimos e por isso os minutos seguintes foram inteiramente dedicados a ela.
A tarde passou entre muita conversa e com o anoitecer a Mariana decidiu que o jantar não seria em casa, por minha vontade não saímos do conforto da casa da minha mãe mas o meu amor insistiu tanto que acabou por conseguir convencer-me, no entanto a tarefa de escolher o restaurante incube-a ao Mauro, achei estranho mas nem questionei.
Acabamos por irmos todos jantar e quando descobri o destino a vontade que tive foi de esganar o Mauro, afinal decidiu-se pelo BBC quando por mim iríamos a um sítio mais sossegado mas nem tive hipótese de reclamar uma vez que a Mariana subscreveu a sugestão do Mauro e como argumento usou o de que nunca lá tinha ido, calei-me e conduzi até ao nosso destino.
- Amor ainda vais explicar esse teu desejo súbito pelas luzes da ribalta - gargalhou - tens noção que isso deve estar cheio, não tens?
- Quero lá saber - sorriu - hoje é o teu aniversário e não devias estar à espera que fossemos passar a noite em casa pois não? - beijei-a.
- Ok, convenceste-me.
Não reclamei mais e assim que estacionamos o carro saímos, a Mariana fez questão de dar-me a mão direita já que do meu lado esquerdo estava o Martim que também quis dar-me a mão, esperamos uns minutos pelo meu irmão que tinha ido estacionar o carro um pouco mais afastado e quando chegou entramos todos mas foi quando abri a porta do local onde iríamos jantar que percebi o motivo de tanta insistência para virmos ao BBC afinal tinha os meus amigos mais próximos todos reunidos à minha espera para comemorarmos o meu aniversário, olhei para o Mauro a pensar que tinha sido ideia dele mas assim que o fiz o meu irmão apontou para a Mariana que se encontrava a sorrir.
- Dou-me por culpada - sorriu - parabéns amor - puxei-a pela cintura e uni os nossos lábios em mais um beijo demorado, que foi interrompido por quem menos esperava.
- Cê deixe isso p'ra outra altura que tou com saudades suas - a voz do David fez com que voltasse à realidade e assim que virei-me encontrei-o a bater o pé impaciente.
- Ó cara de cu isso é tudo saudades, é? - meti-me com ele.
- É né, cê me trocou por essa daí.
- David essa daí tem nome e verga a língua que estás a falar da minha namorada - disparei imediatamente e só quando ouvi o pessoal a gargalhar é que percebi o que tinha dito mas acima de tudo a quem.
- Pô não precisa virar fera que não sou ciumento, viu - o pessoal voltou a gargalhar - ah e p'ra que fique a saber cê teve maió sorte.
- Porquê?
- Ainda pergunta? Cê achou maió gata - dei-lhe um calçudo assim que ouvi o que falou - pô não precisa batê só falei a verdade viu.
- É gata mas é minha - sorrimos os dois.
- Mas como tava dizendo é maió gata e ainda consegue aturar cê, isso é dose viu?
- Piadinha, os ares de Londres andam a fazer-te mal a essa cabeça - ripostei para finalmente lhe dar o tão esperado abraço, já não estávamos juntos há imenso tempo.
Os minutos seguintes foram para cumprimentar e receber tanto os parabéns como as lembranças dos meus amigos, o jantar, esse serviu para ficar a saber das últimas mas acima de tudo para nos divertirmos todos juntos, que para falar a verdade já não o fazíamos desde que fui para Braga, umas vezes por culpa minha que não podia outras por culpa de algum que por algum motivo também não podia, não sei como mas a Mariana conseguiu reunir todos os meus amigos, aqueles que estariam presentes se fosse eu a organizar o jantar.
Já tínhamos terminado de jantar e encontrava-me agora naquela fase de andar a pular de lugar em lugar a tentar dar atenção a todos quando o Martim que até ao momento até tinha estado sossegado resolveu dizer que estava presente e fê-lo de uma forma que deixou-me completamente abananado a olhá-lo.

O que terá feito o Martim?

10 comentários:

  1. Olá :D
    Mais um capítulo fantástico!
    Ai ai! Agora estou super curiosa...será que a Mariana está grávida? E o que fez o Martim?
    Quero mais :p
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  2. Olá :)
    Primeiro ADOREI!
    Continua a ser tão bom ler um capitulo teu :P
    Espero pelo o próximo já que quero mesmo saber se vai haver bebé ou não e claro a reacção ao presente do pequeno Martim ;D
    Beijinhos
    Rita
    http://lifegoesonr.blogspot.pt/

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  3. Olá :D
    Bem adorei,está espectacular!Fiquei super mas super curiosa pra ver o que é que o Martim terá aprontado desta vez.Beijinhos xD

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  4. Ahhh que lindo. Estou mesmo a ficar doidinha com todas essas hipóteses do Mauro o.O
    E muito, muito curiosa pra saber o que o Martim aprontou :P

    Quero maissss! Beijos.

    Gabii.

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  5. Então e o resto?! O que é que o puto vez?!

    Ahhh adorei a versão Pai "mau" do Ruben :p

    Próximo!!!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  6. Era tao lindo se a mariana estivesse grávida *.*

    O que terá feito o Martim? ;s

    Quero MUITOOO o próximo (;

    Beijinhos

    Nii'i

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  7. A minha alminha está aparvalhada!!! Uma Mariana selvagem, um brasuca no ponto... E como fã atenta, exijo (ok, nao exijo, apenas peço. Sou bem-educada nao ando para aqui a exigir coisas ahahahah) que seja feito um teste de gravidez e que seja postado rapidamente um novo capitulo porque estou curiosa para saber o que aquela pestinha disse!!!!!
    Vá rápido! Pode ser já amanhã, sim?

    Beijo
    Ana

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  8. finalmente consegui pôr a leitura em dia, mas que bem me soube ler estes capitulos que tinha em atraso...de facto maravilhosos! :)

    realmente o ruben é mesmo tapadinho, ainda nao percebeu que vem a caminho um rubenzinho junior? ou talvez nao? quero saber isso e rapidinho! :)


    fico à espera do proximo e ainda bem que nao decidistes terminar com a fic, é melhor esquecer quem nao consegue distinguir o lado fictício do real e quem lÊ esta historia merece que continues, seria uma perda muito grande caso terminasses, por isso fico contente por poder ler mais capitulos teus! :)

    aguardo por mais!

    beijinhos

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  9. Bem agora a Mariana grávida é que me apanhou de surpresa... será que o casalinho vai mesmo dar frutos??? Estou mortinha por saber :D
    Já agora e o que será que o Martim arranjou.
    Adoro, adoro.
    Vou já ler o seguinte :D :D
    Beijinhos.

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  10. Finalmente vou conseguir ficar com a leitura em dia.
    Não é preciso dizer, mas eu digo na mesma, o capitulo tá lindo com sempre.Não sei se a Mariana tá grávida ou não mas que ela anda estranha lá isso anda, e o Ruben anda tão tapadinho, como também já é hábito que não vê nada, não repara nos pormenores, tinha mesmo que ser o irmão a dar-lhe uns toques para ele abrir a pestana, enfim,homens.
    O que eu adorei mesmo é a forma carinhosa como os colegas, principalmente o David o trata, adorei.
    Fiquei curiosa com o que o Martim aprontou, mas vou já ler o próximo, para matar a curiosidade.

    Beijocas

    Fernanda

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