Mariana
Ao contrário do que tem acontecido ultimamente, hoje acordei
híper bem-disposta e com um desejo ou melhor uma necessidade avassaladora que
consumiu todo e qualquer constrangimento que pudesse ter, foi de tal ordem que
quando dei por mim já estava a despertar o Ruben de uma forma que nunca antes
tinha feito muito menos pensado ou não fosse a minha mão ter ganho vida própria
e andar a passear pelo corpo do Ruben, mais concretamente no interior das suas
calças e por cima do tecido dos seus boxers, não foi preciso mais que uns
segundos para o Ruben abrir os olhos, não lhe dei tempo de dizer nada, uni as nossas
bocas com a mesma rapidez com que o brindei com algumas “festinhas” onde
nitidamente lhe estava a dar prazer, a partir daqui as palavras que melhor
descrevem o momento que se seguiu são talvez qualquer coisa do género “revelei
a tarada sexual que até ao momento esteve oculta…”. Estava a tentar recuperar
minimamente do momento que levou-nos aos dois ao limite dos limites quando
percebi que o Ruben estava a sorrir completamente aparvalhado.
- Que foi? -
gargalhou - estás a rir porquê?
- Ainda perguntas? Tens
noção que foi SÓ o melhor acordar que tive em toda a minha existência, que
acabaste de elevar a fasquia e que de hoje em diante no mínimo vou exigir que
seja sempre assim e no máximo que seja melhor ainda? - sorriu de forma
traçada para no segundo seguinte unir as nossas bocas num beijo intenso, o que
despoletou a pontinha de insatisfação que ainda restava dentro de mim e serviu
de rastilho a mais um momento de entrega. De facto não sei o que se passava
comigo hoje mas estava insaciável, tudo no Ruben despertava-me os desejos mais
obscenos e que nem fazia ideia que os podia ter.
- Amor assim acabas
comigo em três tempos - sussurrou-me ao ouvido levando-me a gargalhar
fortemente.
- Menino - o
Ruben sorriu - mas pronto hoje tens
desculpa afinal és bebé - beijei-o calmamente - e por isso mesmo está na hora de sairmos da cama - suspirei ao
regressar à realidade - temos uma viagem
para fazer e um dia para passarmos com a tua família.
- Nossa.
- Nossa o quê?
- Nossa família ou
achas mesmo que te vou deixar fugir? Mariana serás minha para todo o sempre
logo é a nossa família e não a minha, estamos entendidos?
Não respondi por palavras mas sim por atos, beijei-o e de
seguida arrastei-o comigo para o banho, onde nos voltamos a amar agora de uma
forma mais pacata ainda assim muito proveitosa.
***
Ao contrário do que o Ruben imaginava hoje o dia prometia,
afinal tinha organizado um jantar de aniversário com os seus amigos mais
próximos, onde estavam incluídos alguns ex-colegas do Benfica, mas isso seria
para mais tarde até porque antes tínhamos o almoço na casa da Anabela.
A viagem até Lisboa foi serena e para isso contribuiu e
muito o facto de o Martim ter adormecido.
- Amor o que tens?
- desviei o olhar que estava “preso” no vidro lateral do seu carro e encarei-o.
- Nada - sorri.
- Estás tão caladinha
- a sua mão “viajou” pela minha perna - tens
andado estranha - suspirei - e não é
só por este mês te recordar de algo que não gostas - o Ruben falava com uma
segurança enorme - não queres partilhar
comigo?
- Não há nada para
partilhar - respondi serenamente.
- Ok não insisto mais
- o tom da sua voz revelava alguma mágoa.
- Não fiques chateado
- suspirei profundamente - o problema
não é falta de confiança em ti, é mesmo meu.
- Não queres ser mais
explícita?
- Querer até quero
mas para isso é preciso saber o motivo pelo qual tenho andado tão irritada ou
melhor insuportável.
- Explica lá isso
melhor.
- Ruben, já não me
reconheço a mim própria, estas mudanças de humor não é comum e para ser sincera
não sei o motivo mas tudo irrita-me e tira do sério.
- Amor não leves a
mal mas isso não será por andares cansada - olhei-o - temos mesmo que tratar da questão da empregada, sozinha não consegues
fazer tudo e sinceramente prefiro ter empregada do que não ter nem empregada
nem namorada, amor tenho saudades dos dias em que chegavas a casa e que
conseguíamos estar a falar numa boa, a namorar ou até mesmo a brincar com o teu
irmão, não consideres isto como uma falha e muito menos estou a apontar-te o
dedo mas a verdade é que andas distante até do teu irmão, algo que em ti é
novidade, o menino já comentou comigo que andas estranha, pensa nisso e depois
dá uma resposta, percebe que não quero fazer de ti dondoca nenhuma mas tens
direito ao teu descanso como qualquer outra pessoa e termos empregada não é
vergonha nenhuma.
- Tudo bem -
desviou o olhar por segundos da estrada - ainda
esta semana resolvemos essa questão - o Ruben sorriu - talvez tenhas mesmo razão e o que preciso é de descanso.
- Não estás muito
esperançosa que seja isso pois não?
- Sinceramente não,
amor acredita que já houve alturas em que andava verdadeiramente cansada e
nunca reagi assim - suspirei - sabes
a sensação que tenho é que já não me reconheço, sei lá sinto-me estranha dentro
do meu próprio corpo, nem sei explicar mas parece que algo está a sufocar-me ou
então sou mesmo eu que estou a dar em louca.
- Mariana -
olhei-o - responde o mais sinceramente
possível - fez uma pequena pausa como se tivesse a ganhar coragem - estás arrependida por teres aceite viver
comigo?
- Não - respondi
imediatamente - viver contigo é das
poucas certezas que tenho, Ruben o facto de andar assim nada tem a ver com o
vivermos juntos, como disse não sei explicar mas é algo que sinto dentro de
mim.
- Será que estás a
precisar de um tempo só para ti?
- O que queres dizer
com isso?
- Amor, pode parecer
estupidez minha mas se calhar o que estás a sentir é derivado ao facto de agora
não estares sozinha, de saberes que podes contar comigo para tudo.
- Não entendi.
- Mariana até aqui
sempre tiveste o teu espaço, para o bem ou para o mal sabias que só podias
contar contigo e talvez seja isso que mudou, amor já pensaste se o que estás a
sentir não é falta de teres os teus cinco minutos de solidão, aqueles que
qualquer pessoa tem para refletir ou aqueles que simplesmente fechamos os olhos
e temos a sensação que somos só nós e o mundo. Amor, viveste toda a tua vida
sozinha no sentido de não teres com quem partilhar as tuas angústias ou medos e
agora que começaste a fazê-lo comigo sentes-te estranha, já não te reconheces a
ti própria, será isso?
- Posso não ter tido
pais para partilhar os medos ou as dúvidas mas sempre tive amigos, nunca estive
sozinha no mundo.
- Pois não mas diz-me
com quantos desses amigos conseguiste dizer verdadeiramente o que te ia no
coração ou na cabeça, aposto contigo que nem a Letícia sabe de tudo a teu
respeito - engoli em seco, o Ruben tinha razão - aliás ainda nem fez um mês que lhe ocultaste uma cena - estava a
referir-se ao ter encontrado o meu pai no centro comercial, só o Ruben é que
sabia o motivo pelo qual tinha reagido assim - pergunto-me quantas mais não escondeste ao longo dos anos, amor posso
estar a ser um convencido de primeira mas o que sinto é que comigo és
verdadeira mas acima de tudo transparente, que mais minuto menos minuto contas
o que te atormenta e talvez seja isso que está diferente, que te faz sentir
essa sensação desconhecida, daí dizer que o tens é falta dos teus cinco minutos
de solidão.
- Estás a dizer que
não te devo contar tudo? - perguntei confusa afinal se somos um casal é
para não haver segredos e nos apoiarmos mutuamente, pelo menos é isso que
penso.
- Amor o que quero
dizer é que talvez sintas falta de teres o teu tempo, aquele que tinhas quando
deitavas o teu irmão e que após a casa estar num silêncio absoluto podias ficar
simplesmente sentada no jardim a olhar as estrelas, Mariana sinceramente acho
que estás a acusar a pressão de partilhares a tua vida comigo, amor percebe que
não é por vivermos juntos que tens de deixar de ter os teus momentos de
solidão, todos precisamos deles, eu próprio tenho os meus mais que não seja
quando estou nos estágios, é normal que sintas falta de estares no teu canto
mas isso não quer dizer que temos de começar a ter segredos, só tens é que
aprender a respeitar o teu tempo, amor nunca te pressionei para que contasses
nada porque detesto que o façam comigo, também preciso dos meus minutos a sós
mais que não seja para respirar fundo e sentir-me livre que nem passarinho,
entendes o que quero dizer? - falou ao estacionar o carro numa estação de
serviço.
- Estás a querer
dizer que estou a sufocar-te por querer estar o máximo de tempo contigo afinal
quem está arrependido de vivemos juntos és tu - atirei de rajada para logo
depois sair do carro, a intenção era ir apanhar um pouco de ar, ter os meus
cinco minutos de solidão mas o Ruben não facilitou a tarefa e saiu também ele
do carro agarrou-me o braço puxando-me, ainda tentei resistir mas confesso que
quando o olhei não aguentei e beijei-o.
- O que quis dizer
foi que qualquer pessoa precisa dos seus minutos de solidão mais que não seja
para se preparar mentalmente para dar ou receber por vezes notícias menos boas.
Amor, não tenho razões nenhumas de queixas, muito pelo contrário para ser
sincero surpreendeste pela positiva porque esperava que fosse muito mais
complicado aceitares partilhar a tua vida comigo da forma como o estás a fazer,
sem segredos ou vergonha, é lógico que quero que continue assim mas também
percebo se num momento ou outro queiras estar sozinha, é normal que tenhas essa
necessidade - teria continuado a tentar justificar-se mas impediu-o ao unir
novamente os meus lábios aos dele, acabei por entusiasmar-me mais do que seria
suposto e só não descambou porque o Ruben colocou limites ao meu descontrolo - hoje estás impossível - falou ainda com
os seus lábios colados ao meu ouvido.
- Pensei que gostavas
mas sendo assim - tentei “fugir” dele
mas ficou mesmo pela intenção ou não fosse ele puxar-me.
- Onde pensas que
vais? - falou ao arrastar a sua voz.
- Ao WC e comprar
água que estou com sede - beijei-o - vamos?
- tentei puxá-lo pela mão mas não consegui - então? - reclamei quando o Ruben nem um pé mexeu.
- Amor, é melhor ires
sozinha.
- Porquê?
- Porque o teu irmão
está a dormir no carro e não o vamos deixar sozinho.
- Hum, desta escapas
- gargalhou - queres que te traga alguma
coisa?
- Não, obrigado.
O Ruben ficou no carro enquanto fui fazer o que lhe tinha
dito e uns minutos depois já estávamos novamente na estrada, o resto da viagem
continuou connosco à conversa mas agora eram assuntos banais e assim que
chegamos à casa da mãe do Ruben acordei o meu irmão que mal viu o Mauro e a
Madalena a chegar saiu imediatamente do carro correndo na direção deles.
- O teu irmão adora
mesmo o Rafael - sorri ao ouvi-lo falar quando já estávamos no exterior.
- É resta saber se
também vai adorar quando tivermos o “nosso Rafael” nos braços - falei
quando já tinha o Ruben agarrado a mim.
- Lógico que vai
- falou convicto - mas também para isso
acontecer ainda falta uns aninhos - beijou-me - e quando tivermos o “nosso Rafael” já o “nosso Martim” - sorri ao
ouvi-lo - tem idade para nos ajudar a
cuidar do “irmão” - estava completamente maravilhada com os planos do Ruben
mas principalmente pela forma como falava - mas porquê que puxaste este assunto? - perguntou-me curioso.
- Lembrei-me disso
mas não tem motivo nenhum em especial - beijei-o e mais uma vez prologamos
ao máximo aquela troca de mimos.
- Olha e que tal
deixarem isso para depois e entrarmos, não? É que já almoçava.
O Mauro implicou e o Ruben teria respondido se tanto eu como
a Madalena tivéssemos dado hipótese mas resolvemos terminar de imediato com o
bate boca e entrarmos finalmente na casa da Anabela.
Os minutos seguintes foram para o filhinho matar saudades da
mamã e para o Martim pegar no Rafael, finalmente conseguiu ter autorização para
o fazer e ficou radiante, lógico que tive sempre atenta e quando percebi já o
Ruben estava a observar-nos aos três com um sorriso gigantesco, pedi à Madalena
para ficar no meu lugar e levantei-me, caminhei até ao meu amor e “atirei-me”
para os seus braços razão mais do que suficiente para o Mauro mandar piadas mas
nenhum dos dois ligamos, aliás ainda fiz pior pois beijei o Ruben.
Estava com os braços do meu amor a envolver-me a cintura e
com as suas mãos na zona da minha barriga quando um desejo estúpido de ficar
grávida “desceu” sobre mim e só percebi que o estava a fazer quando a voz do
Ruben despertou-me.
- Posso saber o
motivo desse sorriso? - sussurrou ao ouvido.
Fui salva no último instante ou não fosse a Anabela nos
avisar que o almoço estava servido. Já o almoço decorria dentro da normalidade
possível quando temos à mesa duas crianças mas que de um momento para o outro
tornaram-se em quatro uma vez que o Mauro e o Ruben começaram com os seus
despiques quando tive de repreender o meu irmão, ele já estava a abusar nas
brincadeiras e assim que o fiz ouvi o que não esperava.
- Tás a ralhar comigo
porquê tu também andastes estes dias a ser criança e o Ruben não ralhou contigo
e eu também não disse nada - a família do Ruben olhou imediatamente.
- Martim - o
Ruben chamou-o - a Mariana tem razão é
melhor pararmos, brincamos depois.
- Vês é por isso que
a mana faz o que quer tu fazes sempre as vontades a ela a mim é que ninguém faz
as vontades - teria continuado mas o Ruben surpreendeu-me ao tomar uma
atitude.
- Martim já chega, já
te pedimos para parar e quanto ao que falas depois conversamos, estamos
entendidos? - o Martim baixou a cara - Agora
acaba de almoçar.
O meu irmão fez o que o Ruben mandou e o ambiente só não
ficou estranho porque a Madalena resolveu puxar o assunto do batizado,
combinamos alguns detalhes já que a data aproximava-se e com tanta conversa
terminamos a refeição, os rapazes foram para a sala e as raparigas para a cozinha,
pois fizemos questão de ajudar a Anabela.
- Mariana desculpa
tocar no assunto mas o que é que o teu irmão quis dizer com aquilo ao almoço?
- Anabela andei aí
uns dias mal-humorada e sem paciência para nenhum dos dois mas agora já está
tudo bem.
- Isso é o que
interessa - a Madalena meteu-se talvez por saber que a Anabela quando se
trata dos filhos é pior que as beatas à porta da igreja - o que deixou-me de queixo caído foi o Ruben - olhei-a - então não é que está um pai autêntico, até
já repreende o Martim com pulso firme - sorri ao ouvi-la.
- Se vos serve de
consolo também foi novidade para mim.
Continuamos a falar e o assunto andou em volta das primeiras
semanas partilhadas a três e depois do jantar surpresa do Ruben. Quando
regressei à sala notei que o meu amor estava ligeiramente estranho mas resolvi
deixar passar e quando estivéssemos só os dois falaríamos.
Ruben
Se os dias que antecederam o do meu aniversário foram
complicados a manhã deste compensou e muito, a Mariana brindou-me com duas
horas intensas de mimos, primeiro com a forma como acordou-me e depois por tudo
o que se seguiu, se o meu amor já me tinha surpreendido no passado por se ter
“soltado” hoje deixou-me no céu quando deixou vir ao de cima toda a
sensualidade possível e imaginária, o prazer que senti foi incalculável e
único.
As horas seguintes tiveram de tudo, desde mimos a uma
conversa mais séria durante a viagem mas que serviu para perceber melhor o que
se passa com a Mariana, mas o que nos deixou aos dois incomodados foi a resposta
do Martim no momento que a Mariana o repreendeu, o menino mesmo sem querer
estava a faltar ao respeito tanto nós como à minha família e por isso
repreendi-o de uma forma mais dura o que fez o Martim ficar amuado mas não
fiquei preocupado pois sabia que aquilo passava. No final do almoço fui até à
sala com o meu irmão e com os nossos pequenos, estávamos os dois atentos ao
Martim a brincar com o Rafael quando o meu irmão mudou o tema de conversa.
- Mano o que é que se
passou para o Martim ter dito aquilo na mesa?
- Nada de especial
- tentei desvalorizar.
- Alguma coisa foi,
porque tanto tu como a Mariana ficaram incomodados com a insinuação do menino.
- Ok - suspirei -
a Mariana andou estranha ou melhor ainda
anda, agora é frequente as mudanças de humor, a falta de paciência para estar
connosco, até com o irmão foi desagradável, o menino chegou a perguntar se
estávamos chateados e pediu que se nos separássemos se podia ficar comigo mas
depois expliquei-lhe que a irmã só estava cansada e a coisa acalmou, mas para
agravar mais a situação a Mariana andou uns dias vomitar, às vezes bastava só
ver ou sentir o cheiro a comida para correr até à casa de banho - o meu
irmão sorriu mas não liguei continuando o desabafo - e ontem depois do jogo passou-se quando uma das miúdas que estavam a
pedir autógrafos abusou ligeiramente - contei com detalhes o que se tinha
passado o que levou o Mauro a gargalhar - não
tem piada.
- Vais dizer que não
adoraste ver a Mariana a meter as garras do lado de fora e defender o que é
dela?
- Oh - sorri - lógico que gostei principalmente porque foi
a primeira vez que assumiu diante dos adeptos que namoramos.
- Ui não digas mais
nada - gargalhou - já estou a ver
que a noite foi animada.
- Muito animada -
falei em tom de sarcasmo - connosco a
chegar a casa e a Mariana a ter uma crise de insegurança enorme, acreditas que
colocou na cabeça que a miúda tinha razão quando disse que podia ter arranjado
melhor.
- Ó mano desculpa mas
vou ter que ser sincero - olhei-o - a
Mariana não é modelo mas é bem gira - sorri.
- Achas que não sei
disso? Aliás foi o que lhe falei mas ela acha que está a ficar gorda, acreditas
que fui dar com ela em frente ao espelho e a ver gordura onde não existe?
- Ui como isso já
está - voltou a gargalhar - se já
vai assim espera daqui a uns meses - não entendi e por isso interrompi-o.
- Não agoires -
sorriu - mano se a Mariana mete isso na
cabeça vai ser um caos, ela consegue ser mais teimosa que eu - gargalhou,
não sei o que lhe estava a dar mas que tudo o que falava era motivo para rir lá
isso era - mas pelos menos ontem
consegui fazê-la entender que não tem motivos nenhuns para estar preocupada,
que continua linda como sempre e que se há coisa que não está é gorda.
- Então e depois
disso tudo como é que ficaram?
- Fomos dormir abraçados
mas hoje de manhã posso dizer que foi o melhor acordar em toda a minha vida.
- Ui que a minha
cunhadinha esmerou-se - suspirei ao relembrar o momento do início ao fim - estás mesmo apanhadinho.
- Mano, podes não
acreditar mas a cada segundo que passo a certeza que a Mariana nasceu para
completar-me solidifica ainda mais - voltei a suspirar - amo aquela teimosa.
- Disso não tenho
dúvidas aliás o único que chegou a tê-las foste tu - sorri ao recordar essa
altura - mas diz-me uma cena, agora já
está tudo bem pelo menos quando aqui chegaram estavam em completa harmonia.
- Sim, agora está
tudo bem principalmente depois da conversa que tivemos durante a viagem -
voltei a contar tudo - mas para ser
sincero tenho receio que lhe dê novamente a travadinha, não sei mesmo o que se
passa mas a Mariana anda estranha.
- Mano mesmo sério
ainda não chegaste ao epicentro do momento de estranheza da Mariana?
- Como queres que
chegue se nem ela se consegue compreender?
- Ó Ruben ou são os
dois muito tapadinhos ou é a Mariana que não se sente preparada para assumir.
- Estás a falar do
quê?
- Mano presta atenção
aos que vou enumerar - abanei a cabeça em sinal afirmativo - mudanças de humor, enjoos, complexos de que
está a ficar gorda, está a sentir-se diferente, sente uns desejos rebuscados
por ti e ainda fica completamente embevecida quando vê um bebé - sorriu - mesmo sério nunca te passou pela cabeça que
a Mariana esteja grávida?
- Hã? - gargalhou
perante a minha reação.
- Oh mano até parece
que não sabes o que andaram a fazer - sorriu.
- Sei por isso mesmo
é que não pode ser isso.
- Ai não? Ó mano já
passei por tudo o que acabaste de dizer, a Madalena ao início da gravidez
também andou insuportável ou já não te recordas?
- Lembro-me disso mas
no nosso caso não se aplica.
- E posso saber
porquê?
- Porque vocês
andavam a tentar à bué e no nosso caso isso não se verifica.
- Ya mas quem anda à
chuva molha-se.
- Isso é impossível.
- Qual é mesmo o teu
problema?
- Como assim?
- Tanto quanto sei
queres ser pai por isso não entendo essa negação toda.
- Mano, não estou a
negar nada pelo simples facto de não existir nada para ser negado, sei
perfeitamente o que faço com a Mariana por isso é que digo que é impossível.
- Até parece que não
andam nos treinos.
- É verdade que nos
amamos com frequência mas sempre que o fazemos tomamos precauções.
- Mano sabes que a pílula
ou qualquer outro método do género pode ser falível.
- Sei e acredita que
a Mariana também sabe ou porquê que achas que demos uso à tua prenda de natal.
- Vocês usaram aquilo?
- Ya, não era
suposto?
- Mano ofereci aquilo
numa de brincar, nunca pensei que fossem dar uso.
- A Mariana obriga-me
a usar preservativo de todas as vezes que nos amamos e se aqueles estavam à
mão.
- Ruben, tens mesmo a
certeza que não há hipótese da Mariana estar grávida?
- É muito improvável,
só houve uma vez que não usamos mas tendo em conta que a Mariana toma a pílula
é praticamente impossível que seja esse o motivo.
- Mano, descuidos às
vezes acontecem e como vocês usam sempre preservativo a Mariana pode ter
descurado a toma da pílula, já pensaste nisso?
- Agora que falas
nisso, há uns dias a Mariana teve uma conversa estranha sobre descuidos - o
Mauro sorriu - perguntou-me se queria
mesmo ser pai, voltei a dizer que sim mas que nos próximos anos não seriamos
porque a Mariana quando aceitou viver comigo impôs uma condição, ela quer
licenciar-se antes de ser mãe e eu concordei com isso, até porque sei o quanto
a realização pessoal e profissional é importante, por isso disse-lhe que era
impossível ficar grávida por um descuido, uma vez que a Mariana não é de ter
descuidos.
- És mesmo totó, a
rapariga a fazer a conversa toda e não chegaste lá.
- Pára - olhou-me
- se fosse isso a Mariana já tinha
falado, ela não iria esconder tal coisa, além disso sei que também anda
angustiada por não se reconhecer a ela própria.
- Não estou a dizer
que a Mariana sabe, estou a colocar a hipótese dela estar desconfiada mas com
receio da confirmação.
- Se fosse esse o
caso ela falava na mesma.
- Tens a certeza
disso?
- Tenho.
- Tu é que sabes mas
se tivesse no teu lugar ia a uma farmácia e comprava um teste, não tens nada a
perder em pedir-lhe que faça um.
Não respondi mas fiquei a pensar nas palavras dele e só
despertei novamente para a realidade quando as mulheres da nossa família
regressaram à sala. A Mariana sentou-se ao meu lado e aninhou-se nos meus
braços, algo que fez o Mauro sorrir, o meu amor pediu-me mesmo mimos e por isso
os minutos seguintes foram inteiramente dedicados a ela.
A tarde passou entre muita conversa e com o anoitecer a
Mariana decidiu que o jantar não seria em casa, por minha vontade não saímos do
conforto da casa da minha mãe mas o meu amor insistiu tanto que acabou por
conseguir convencer-me, no entanto a tarefa de escolher o restaurante incube-a
ao Mauro, achei estranho mas nem questionei.
Acabamos por irmos todos jantar e quando descobri o destino
a vontade que tive foi de esganar o Mauro, afinal decidiu-se pelo BBC quando
por mim iríamos a um sítio mais sossegado mas nem tive hipótese de reclamar uma
vez que a Mariana subscreveu a sugestão do Mauro e como argumento usou o de que
nunca lá tinha ido, calei-me e conduzi até ao nosso destino.
- Amor ainda vais
explicar esse teu desejo súbito pelas luzes da ribalta - gargalhou - tens noção que isso deve estar cheio, não
tens?
- Quero lá saber
- sorriu - hoje é o teu aniversário e
não devias estar à espera que fossemos passar a noite em casa pois não? -
beijei-a.
- Ok, convenceste-me.
Não reclamei mais e assim que estacionamos o carro saímos, a
Mariana fez questão de dar-me a mão direita já que do meu lado esquerdo estava
o Martim que também quis dar-me a mão, esperamos uns minutos pelo meu irmão que
tinha ido estacionar o carro um pouco mais afastado e quando chegou entramos
todos mas foi quando abri a porta do local onde iríamos jantar que percebi o
motivo de tanta insistência para virmos ao BBC afinal tinha os meus amigos mais
próximos todos reunidos à minha espera para comemorarmos o meu aniversário,
olhei para o Mauro a pensar que tinha sido ideia dele mas assim que o fiz o meu
irmão apontou para a Mariana que se encontrava a sorrir.
- Dou-me por culpada
- sorriu - parabéns amor - puxei-a
pela cintura e uni os nossos lábios em mais um beijo demorado, que foi
interrompido por quem menos esperava.
- Cê deixe isso p'ra
outra altura que tou com saudades suas - a voz do David fez com que
voltasse à realidade e assim que virei-me encontrei-o a bater o pé impaciente.
- Ó cara de cu isso é
tudo saudades, é? - meti-me com ele.
- É né, cê me trocou
por essa daí.
- David essa daí tem
nome e verga a língua que estás a falar da minha namorada - disparei
imediatamente e só quando ouvi o pessoal a gargalhar é que percebi o que tinha
dito mas acima de tudo a quem.
- Pô não precisa
virar fera que não sou ciumento, viu - o pessoal voltou a gargalhar - ah e p'ra que fique a saber cê teve maió
sorte.
- Porquê?
- Ainda pergunta? Cê
achou maió gata - dei-lhe um calçudo assim que ouvi o que falou - pô não precisa batê só falei a verdade viu.
- É gata mas é minha
- sorrimos os dois.
- Mas como tava
dizendo é maió gata e ainda consegue aturar cê, isso é dose viu?
- Piadinha, os ares
de Londres andam a fazer-te mal a essa cabeça - ripostei para finalmente
lhe dar o tão esperado abraço, já não estávamos juntos há imenso tempo.
Os minutos seguintes foram para cumprimentar e receber tanto
os parabéns como as lembranças dos meus amigos, o jantar, esse serviu para
ficar a saber das últimas mas acima de tudo para nos divertirmos todos juntos,
que para falar a verdade já não o fazíamos desde que fui para Braga, umas vezes
por culpa minha que não podia outras por culpa de algum que por algum motivo
também não podia, não sei como mas a Mariana conseguiu reunir todos os meus
amigos, aqueles que estariam presentes se fosse eu a organizar o jantar.
Já tínhamos terminado de jantar e encontrava-me agora
naquela fase de andar a pular de lugar em lugar a tentar dar atenção a todos
quando o Martim que até ao momento até tinha estado sossegado resolveu dizer
que estava presente e fê-lo de uma forma que deixou-me completamente abananado
a olhá-lo.
O que terá feito o Martim?
Olá :D
ResponderEliminarMais um capítulo fantástico!
Ai ai! Agora estou super curiosa...será que a Mariana está grávida? E o que fez o Martim?
Quero mais :p
Beijinhos
Ritááá xD
Olá :)
ResponderEliminarPrimeiro ADOREI!
Continua a ser tão bom ler um capitulo teu :P
Espero pelo o próximo já que quero mesmo saber se vai haver bebé ou não e claro a reacção ao presente do pequeno Martim ;D
Beijinhos
Rita
http://lifegoesonr.blogspot.pt/
Olá :D
ResponderEliminarBem adorei,está espectacular!Fiquei super mas super curiosa pra ver o que é que o Martim terá aprontado desta vez.Beijinhos xD
Ahhh que lindo. Estou mesmo a ficar doidinha com todas essas hipóteses do Mauro o.O
ResponderEliminarE muito, muito curiosa pra saber o que o Martim aprontou :P
Quero maissss! Beijos.
Gabii.
Então e o resto?! O que é que o puto vez?!
ResponderEliminarAhhh adorei a versão Pai "mau" do Ruben :p
Próximo!!!
Bjokinhas
Mariaa
Era tao lindo se a mariana estivesse grávida *.*
ResponderEliminarO que terá feito o Martim? ;s
Quero MUITOOO o próximo (;
Beijinhos
Nii'i
A minha alminha está aparvalhada!!! Uma Mariana selvagem, um brasuca no ponto... E como fã atenta, exijo (ok, nao exijo, apenas peço. Sou bem-educada nao ando para aqui a exigir coisas ahahahah) que seja feito um teste de gravidez e que seja postado rapidamente um novo capitulo porque estou curiosa para saber o que aquela pestinha disse!!!!!
ResponderEliminarVá rápido! Pode ser já amanhã, sim?
Beijo
Ana
finalmente consegui pôr a leitura em dia, mas que bem me soube ler estes capitulos que tinha em atraso...de facto maravilhosos! :)
ResponderEliminarrealmente o ruben é mesmo tapadinho, ainda nao percebeu que vem a caminho um rubenzinho junior? ou talvez nao? quero saber isso e rapidinho! :)
fico à espera do proximo e ainda bem que nao decidistes terminar com a fic, é melhor esquecer quem nao consegue distinguir o lado fictício do real e quem lÊ esta historia merece que continues, seria uma perda muito grande caso terminasses, por isso fico contente por poder ler mais capitulos teus! :)
aguardo por mais!
beijinhos
Bem agora a Mariana grávida é que me apanhou de surpresa... será que o casalinho vai mesmo dar frutos??? Estou mortinha por saber :D
ResponderEliminarJá agora e o que será que o Martim arranjou.
Adoro, adoro.
Vou já ler o seguinte :D :D
Beijinhos.
Finalmente vou conseguir ficar com a leitura em dia.
ResponderEliminarNão é preciso dizer, mas eu digo na mesma, o capitulo tá lindo com sempre.Não sei se a Mariana tá grávida ou não mas que ela anda estranha lá isso anda, e o Ruben anda tão tapadinho, como também já é hábito que não vê nada, não repara nos pormenores, tinha mesmo que ser o irmão a dar-lhe uns toques para ele abrir a pestana, enfim,homens.
O que eu adorei mesmo é a forma carinhosa como os colegas, principalmente o David o trata, adorei.
Fiquei curiosa com o que o Martim aprontou, mas vou já ler o próximo, para matar a curiosidade.
Beijocas
Fernanda