Mariana
A distância que percorri até chegar junto do Ruben serviu
para mentalizar-me que a solução seria mesmo ignorá-las ainda assim cumprimentei-as
mas como seria de esperar só a Inês é que rosnou qualquer coisa, ignorei e
fiquei a olhar para a Soraia na esperança que se tocasse e saísse do meu lugar
mas já que não o fez resolvi aplicar aquele ditado que diz “quando Maomé não
vai à montanha vem a montanha a Maomé” não estive por modas e estiquei o braço
na direção do Ruben, o meu amor deu-me a mão e no segundo seguinte já o tinha
abraçado a mim, uma vez que o puxei.
- Queres ir embora?
- o Ruben perguntou-me assim que separamos os nossos lábios.
- Não - sorriu - quem está mal que se mude.
- Amor, se tiverem a
incomodar podemos ir na boa.
- Ruben, não vou
andar a fugir da tua amiga e muito menos da tua ex, não lhes devo nada além
disso estou com o meu namorado e um grupo de amigos que convidei, as outras
duas são as ovelhas ranhosas do grupo - o Ruben gargalhou fortemente
despertando a curiosidade do pessoal que ainda tentou perceber o motivo de tal
animação mas não nos descaímos - o que
dizes de nos irmos sentar ali - desviei o olhar para a varanda do bar onde
estava um puff que tinha ficado vago naquele instante.
- Vamos - sorriu.
Caminhamos até ao puff onde o Ruben se sentou comigo no seu
colo, aproveitei para lhe dar alguns mimos e ouvi-lo a agradecer a noite.
- Amor, não tens nada
que agradecer - beijei-o demoradamente - sempre festejaste os teus anos junto dos amigos - sorriu - sim porque aqui a tua namorada andou a
informar-se - beijou-me - por isso
não seria este ano que iria mudar.
- Mas mudou -
olhei-o sem entender - este foi o
primeiro ano que comemorei o meu aniversário com duas pessoas que amo e que
quero para sempre do meu lado - beijei-o sem qualquer constrangimento amo-o
e quem não goste que não olhe.
Estávamos a trocar alguns mimos e palavras quando a Inês
resolveu interrompeu ao aparecer e tocar na perna do Ruben, obrigando-o a
olhá-la.
- Já pagavas uma
rodada ao pessoal - desafiou-o.
- Não seja por isso
- o meu amor deu-me um beijo rápido e depois levantou-se - vai lá chamar o pessoal que vou tratar das bebidas - o Ruben ainda
uniu de novo os nossos lábios mas acabou para ir buscar as bebidas.
Estava quieta no meu canto quando o pessoal se animou com a
chegada do álcool, sinceramente não sei onde está a piada disso mas tudo bem,
levantei-me afinal não queria ficar de parte e o Ruben à primeira oportunidade
que teve abraçou-me.
- Toma, este é teu
- sorriu-me - não tem álcool.
- É piadinha -
dei-lhe um leve beijo que foi interrompido pela Soraia que estava já
ligeiramente animada.
- Vá, vamos lá
brindar ao Ruben - olhamo-la - que
os teus vinte e oito anos sirvam para ganhares juízo, já não tens idade para
andares a brincar às bonecas e a fingires ser pai de um rejeitado - ela
teria continuado mas o Ruben interrompeu-a.
- Obrigada Soraia, a
sério obrigada pelo brinde, mais uma vez demonstras que a melhor decisão que
tomei em toda a minha vida foi ter acabado contigo, sabes neste último ano que
julgas que andei a brincar às bonecas e a ser pai de um rejeitado descobrir o
amor, coisa que nunca antes tinha alcançado e muito menos chegado perto.
O que para ti é um
rejeitado para mim é o meu filho, um menino que conquistou-me em segundos,
ama-me porque lhe dou amor, venera-me porque vê em mim um exemplo a seguir,
sofre quando por algum momento vê-me desanimado, defende-me quando sente que
estão a ser injustos comigo, resumindo faz o que nunca fizeste em anos de
namoro, por isso para a próxima lembra-te o quanto ridícula estás a ser.
- Além de cego agora
também és estúpido, realmente andou a tua mãe a criar-te com educação para num
ano uma gaja qualquer arruinar tudo - o pessoal estava todo a olhar.
- Uma gaja qualquer?
- o Ruben sorriu - Pois fica a saber que
foi esta mulher que deu-me, dá e dará sempre o que nunca conseguiste, amor
sincero e verdadeiro, além disso é a pessoa que amo, que demonstra a cada dia
que passo do seu lado o que é viver enquanto casal, o que é a partilha mutua, o
que é desejar que o tempo páre só para ficar eternamente a olhá-la enquanto
dorme nos meus braços, o que é fazer planos a dois sem serem forçados, o que é
partilhar o que tenho sem haver cobrança de nada.
Soraia, com a Mariana
cresci, deixei de ser a eterna criança que conheceste para ser homem e pai de
família, hoje tenho uma noção diferente da realidade porque percebi que a vida
tem mais do que duas cores, a vida não é a preto e branco mas sim um festival
de cores, umas vezes alegres e outras nem tanto, talvez um dia venhas a
perceber o que digo, talvez esse dia chegue quando tiveres nos teus braços um
filho que te diga “eu amo-te”.
- Juro que não
entendo o que viste na empregada.
- Talvez um dia
quando encontrares alguém que ames verdadeiramente percebas o que vi na
Mariana, até lá irás continuar a destilar veneno, só espero sinceramente que
quando essa pessoa aparecer à tua frente a consigas enxergar e admitir o que
sentes, não há nada pior que lutar contra aquilo que o nosso coração nos diz e
que a cabeça nega.
Soraia muito
honestamente sai da tua zona de conforto e procura novas realidades, deixa de
lado esta prepotência toda e entrega-te às maravilhas da vida, procura, luta e
vence só assim serás feliz, não tenhas vergonha se um dia descobrires que o teu
verdadeiro amor é alguém com menos posses que tu, porque acredita serás ainda
mais amada, essa pessoa dará mais importância a um beijo ou a um amo-te do que
a um relógio de luxo ou a umas férias numa ilha paradísica.
A Soraia não respondeu limitou-se a agarrar na sua mala e a
desaparecer da nossa frente, estava ainda a assimilar tudo o que ouvi quando o
Ruben uniu os nossos lábios, deixei-me levar e só nos afastamos quando ouvimos
a voz da Inês.
- Parece que vos devo
um pedido de desculpas - olhamos os dois - não fui propriamente correta contigo - falava agora para mim - quando estive aqueles dias em Braga,
julguei-te não pelo que vi mas sim pelo que ouvi a teu respeito, mas hoje
percebi que o meu amigo está realmente feliz, arrisco mesmo a dizer que nunca o
vi tão bem, tão seguro de si e tão amado por isso desejo-vos as mais sinceras
felicidades.
O Ruben agradeceu mas da minha parte a Inês só levou um
sorriso, o meu lado de desconfiada não permitiu que acreditasse nas suas
palavras, algo que o Ruben percebeu e na primeira oportunidade comentou comigo.
- Amor, é verdade não
acreditei - sorriu - ninguém muda de
opinião tão rapidamente mas agora também não quero falar mais disso - pedi,
o assunto Soraia e Inês para mim estava morto e enterrado.
- Então e queres
falar do quê?
Já estávamos novamente afastados do grupo e sentados no
puff, aproveitei esse facto para o mimar, hoje estava numa de distribuir mimos
sem me preocupar com quem pudesse ver, foi de tal forma que só parei quando o
meu amor implorou, afinal já estava a deixá-lo numa posição complicada. O Ruben
aproveitou que fui buscar mais um sumo para ir até ao WC, quando cheguei juntos
dos nossos amigos fui informada do destino do meu amor e resolvi ir procura-lo.
- Posso saber o que
uma miúda faz à porta do WC dos rapazes? - perguntou-me ao ouvido e com as
mãos a rodearem-me a cintura.
- A miúda veio à
procura do seu paizinho - sussurrei-lhe ao ouvido - você é que podia dizer se está alguém ali dentro - olhei para a
porta do WC.
- Lamento mas não
está lá ninguém - sorriu - mas se me
deres a morada da tua casa levo-te - aproveitou que falava-me ao ouvido
para provocar-me, o Ruben deu uma ligeira mordidela na orelha e logo depois
beijou-me o pescoço, aquilo teve em mim um efeito estranho e sem pensar no que
estava a fazer empurrei-o para dentro do WC dos rapazes - amor - sorriu - o que é que
estás a fazer?
- O que achas -
fiz-lhe um ligeiro chupão.
- Aqui? - falou
incrédulo quando as minhas mãos já estavam nos botões das suas calças - ainda entra alguém - olhei em volta.
- É, tens razão -
senti-o a respirar de alívio - por isso
é que vamos para ali - apontei para um compartimento fechado e sem que
tivesse tempo para refilar já lá estávamos dentro. O Ruben ainda tentou
chamar-me à razão mas desistiu no momento que sentiu os meus lábios a tocá-lo
onde não seria suposto ou pelo menos não no local onde nos encontrávamos. Uns
minutos chegaram para que a união dos nossos corpos fosse perfeita, foi naquele
compartimento minúsculo que nos amamos e que atingimos o limite máximo do
prazer - que foi? - perguntei quando
estava ajeitar o vestido que tinha
escolhido para o aniversário do meu amor.
- O que foi? -
sorriu - Ainda perguntas?
- Então se não sei a
resposta tenho que perguntar, não é?
- Ai não sabes a
resposta - puxou-me pela cintura - precisas
que te avive a memória - a mão do Ruben viajou pelo meu vestido e só parou
quando encontrou a minha “marianita”.
- Ruben pára - pedi mas tinha ganho mais
se ficasse calada, ele não só não parou como intensificou os movimentos com os
seus dedos, ora o desejo que percorria o meu corpo aliado ao momento que
minutos antes tínhamos partilhado, foi suficiente para que as calças do Ruben
encontrassem novamente o chão daquele WC, não sei o que estava a acontecer
comigo mas que soube que nem “ginjas” o tratamento que o Ruben me deu lá isso
soube.
- Então já sabes a
resposta? - atirou assim que conseguimos manter a distância física mínima
para vestirmo-nos ou melhor o Ruben puxar as calças e boxers para cima e eu
colocar o vestido no lugar e tentar disfarçar o amasso do mesmo.
- Já, já, agora a questão que se levanta é
como é que vou sair daqui - sussurrei-lhe ao ouvido pois naquele momento
ouvimos vozes, que sinceramente não fazia a mínima ideia se só agora tinham
chegado ou se já lá estavam.
- Tu não sei por onde
queres sair mas eu vou mesmo pela porta - gozou - amor, como é óbvio temos que esperar - beijou-me - mas ficas já a saber que está a ser o
melhor aniversário que tive em toda a minha existência - sorriu - amo-te.
Ainda ficamos alguns minutos trancados e numa troca de mimos
agora muito mais contidos e assim que deixamos de ouvir vozes o Ruben saiu para
se certificar que não estava ninguém na casa de banho. Conseguimos sair sem nos
cruzarmos com ninguém e quando chegamos junto dos nossos amigos tivemos que os
ouvir, pois já tinham andado à nossa procura e nada.
Ainda ficamos mais um tempo com eles mas acabamos por sair,
uma vez que amanhã teríamos que regressar a Braga e por sinal bem cedo uma vez
que o Martim tinha aulas.
Ruben
Estava no bar a conviver com os meus amigos depois de uma
noite cheia de emoções quando a Soraia e a Inês se aproximaram lógico que
acabou mal, comigo a trocar algumas palavras com a Soraia e depois com a saída
tempestiva dela. Tentei abstrair-me disso até porque tinha a Mariana nos meus
braços que acabou por se animar e levar-me por arrasto, mas se julgava que o
momento no puff seria o máximo que poderia ter naquele local enganei-me
redondamente, afinal a Mari como o David a chama deu-me um presente inesperado
ao ter permitido ama-la num cubículo tão pequeno em pleno WC dos rapazes, no
entanto adorei todas aqueles minutos que pareceram horas, regressamos para
juntos do pessoal mas pouco tempo depois já estávamos no meu carro onde a
Mariana fez questão de demonstrar que não tinha intenções nenhumas de ir dormir
assim que chegássemos a casa ou não fosse ter aproveitado o facto de lhe pedir
que levasse o carro para se sentar ao meu colo e voltar a provocar-me, ficamos
ainda uns minutos a namorar no banco do pendura e só depois é que seguimos viagem.
- Amor, podes voltar
atrás? - olhou-me sem entender.
- Está ali uma
farmácia e preciso de lá ir.
- Porquê? Dói-te a
cabeça é? Bebesse menos - gargalhou.
- Oh amor faz-me lá a
vontade - coloquei a mão na sua perna e fui subindo - a menos que querias ficar a ver navios.
- Desculpa?
- Amor, acabamos com
o stock de- não consegui terminar pois ela interrompeu-me ao gargalhar.
- Não precisas ficar
aflito que com ou sem terás o teu presente de aniversário na mesma.
- Explica lá isso
melhor?
- O que não entendeste?
- Estás a insinuar
que podemos deixar de usar?
- Hoje sim amanhã
logo se vê.
- Amor qual é mesmo o
motivo dessa benesse?
- Fogo, tanta
pergunta até parece que não queres.
- Só achei estranho.
A Mariana não respondeu mais e com a conversa chegamos a
casa, subimos no elevador onde fui logo brindado com uma amostra do que seria a
nossa noite ou não fosse a Mariana ter-me encostado a uma das extremidades do
elevador e unindo as nossas bocas, senti as suas mãos no meu cinto e assim que
o abriu, concentrou-se nos botões das minhas calças, não sei o que lhe ia na
cabeça mas se o andar fosse um dos últimos não sei se teríamos tempo para
chegar a casa. Assim que abri a porta, o meu amor encaminhou-nos para a sala e
foi no sofá que nos amamos a primeira vez desde que entramos no apartamento,
porque as seguintes foram já no quarto e sem qualquer limite, só sei que a
noite ultrapassou em tudo o acordar com que já tinha sido presenteado.
Adormecemos os dois exaustos mas felizes para acordarmos
horas depois com o alarme do telemóvel da Mariana a tocar, ainda lhe pedi para
desligar aquela porra que queria dormir mas o meu amor não foi na conversa, até
porque tínhamos que chegar a Braga a tempo do menino ir para as aulas.
Levantamos-mos a custo e depois de um duche rápido já estava pronto para ir
comer, mas o meu amor surpreendeu-me com um pedido estranho.
- Amorzinho do meu
coração podias ir àquela pastelaria que tem sempre aqueles croissants deliciosos
e trazer-me um para comer.
- Mariana quando
chegarmos a Braga vais a uma pastelaria e compras agora temos que nos
despachar.
- Mas amor, os de
Braga não são tão bons como estes que quero.
- Hey, o teu irmão
está à nossa espera, despacha-te e deixa de ter ideias.
- Ai é assim, então
vou lá eu - começou a vestir-se.
- De onde é que vem
essa vontade louca que não podes comer croissants noutro lugar.
- Porque é daqueles
que tenho desejo - olhei-a imediatamente e mais depressa ainda veio-me à
lembrança a conversa que tive ontem com o meu irmão, foi impossível não
relacionar as coisas apesar de ter certezas que não estava grávida - fogo está mesmo a apetecer um daqueles croissants
de chocolate ou mesmo de ovo são deliciosos e a culpa por estar de desejo é tua
por isso o mínimo que podias fazer era ir lá enquanto acabo de vestir-me e
preparado o resto do pequeno-almoço - pedinchou e acabou por convencer-me.
- Ok, vou lá então
mas ainda vais explicar-me porque motivo a culpa desse desejo é minha.
- Ah isso é simples,
porque foste tu que me deste a conhecer os deliciosos croissants - gritou
do quarto uma vez que já tinha saído.
Fui até à pastelaria em causa, quase a rezar para que ainda
tivesse os tais croissants uma vez que é o que tem mais saída logo pelas
primeiras horas da manhã, consegui comprar o que queria e no regresso a casa
passei por uma farmácia, entrei e comprei um teste de gravidez com sorte não
devo ter sido reconhecido afinal a senhora já tinha uma certa idade e não deu
sinais que tivesse identificado a minha cara, paguei e saí o quanto antes.
Cheguei a casa e a Mariana já tinha na mesa o nosso
pequeno-almoço mas assim que viu os croissants não perdeu tempo a retirar-me o
saco das mãos e a sentar-se, devorou o dela em três tempos e ainda teve o
descaramento de ficar a olhar para o meu.
- Se o desejo for
muito grande podes comer o meu - olhou-me a sorrir - não quero ser acusado de não satisfazer os seus caprichos.
- Piadinha -
agarrou no croissants - mas já que
ofereceste e como fica mal recusar vou fazer o sacrifício de o comer -
gargalhei ao vê-la a deliciar-se.
- Isso é tudo fome?
- Ai, ó amor se
soubesses a fome com que acordei - respirou profundamente - a continuar assim não sei onde vou parar
mas daqui a uns meses rebolo.
- Não sejas exagerada
- beijei-lhe a nuca ao passar por trás dela.
Comemos com alguma conversa à mistura e ainda tentei puxar o
assunto de uma possível gravidez mas das duas uma ou a Mariana não percebeu ou
fez que não entendeu. No fim ajudei-a a arrumar tudo e quando já estava de mala
ao ombro e pronta para sair de casa pedi-lhe que esperasse.
- O que é que te
esqueceste Ruben Filipe? - sorri.
- Não esqueci nada
mas tenho uma coisa para te dar.
- Dás depois que agora
temos de ir embora.
- Amor -
agarrei-a pela mão - anda comigo até ao
quarto, é só uns minutos e apesar de achar que não é nada do que estou a pensar
gostava que desses uso ao que te vou dar.
- Estás estranho
- falou ao entrar no quarto.
- Mariana - olhei-a
- toma - pegou no saco e ao olhar
para o seu interior teve uma reação que não esperava, o meu amor gargalhou
fortemente.
- Amor desculpa ter
gargalhado mas não estou grávida e já agora de onde é que tiraste essa ideia?
- Como é que tens a
certeza que não estás?
- Porque sempre
tivemos cuidado.
- Houve aquela vez em
que não usamos preservativo - sorriu.
- Ya mas sabes que
tomo a pilula.
- Mas isso também
pode falhar e tens que concordar comigo que as mudanças subidas de humor, os
enjoos e os desejos que tens tido são sintomas de gravidez.
- Amor, desculpa
desiludir-te mas não estou grávida, tenho a certeza mas se fazes tanta questão
que faça o teste não vou negar-me.
- Toma então.
- Ruben, faço o teste
depois, agora vamos que o Martim já deve estar à nossa espera.
- Tudo bem mas não te
escapas - beijou-me e acabamos por sair com destino à casa da minha mãe.
O Martim já estava à nossa espera e por isso não demoramos
mais que uns minutos na casa da minha mãe, seguimos viagem e aproveitei o facto
de o menino ter adormecido para puxar novamente o assunto da gravidez.
- Amor, tens mesmo a
certeza absoluta que não estás? - olhou-me e sorriu.
- Tenho.
- Como?
- Ruben porque a
probabilidade de estar é mínima para não dizer inexistente.
- Mas e se tiveres?
- Onde queres chegar?
- Mariana, a verdade
é que se tiveres não foi algo planeado e vai alterar os nossos planos mas
principalmente os teus.
- Ruben se estiver
grávida não há nada que possa fazer a não ser esperar nove meses para ter o
nosso filho - a Mariana colocou a sua mão na minha perna - e quanto aos planos, é verdade que não
planeamos nada mas sempre falaste que queres ser pai logo não vejo onde está o
drama.
- Não é drama mas
amor a ficares grávida neste momento, vais adiar mais uma vez a concretização
de um dos teus objetivos.
- Amor, quero
licenciar-me e nunca escondi isso de ti mas também te disse que não seria já
neste ano, logo se por acaso estivesse grávida o bebé nascia muito antes de
iniciar a jornada da licenciatura.
- Mariana, é
impressão minha ou já não colocas de parte a ideia de engravidares nos próximos
tempos?
- Não quis dizer
isso, mantenho tudo o que sempre falei, acho que temos muito tempo para sermos
pais mas é lógico que se tivesse grávida só poderia adaptar-me à nova
realidade, nunca na vida iria abortar.
- Nem eu deixava que
o fizesses - sorriu - sou contra o
aborto a não ser em casos extremos como a violação ou a deficiência do bebé,
não acho justo trazermos ao mundo um bebé que irá ficar sempre dependente de
terceiros, é uma irresponsabilidade fazê-lo quando à partida sabemos que se a
vida seguir o curso natural partiremos antes do nosso filho, agora nos
restantes caso sou contra, existe métodos suficientes para evitar uma gravidez
indesejada.
- Concordo contigo
mas não julgo quem o faz e até te digo que quando foi o referendo votei a favor
- olhei-a por segundos - pelo simples
facto de achar que qualquer pessoa tem o direito de decidir consoante os seus
princípios, não sou ninguém para julgar quem o faz, além disso abortos sempre houve
por isso não era por ser considerado crime que deixariam de existir.
- Ou seja és a favor.
- Ruben nem a favor
nem contra, se perguntares se conseguia fazer um, digo que não mas isso sou eu
mas outra mulher pode pensar de forma diferente e acredito que se opta por essa
solução é porque acha que é a melhor. Ruben, choca-me muito mais ver uma mulher
a colocar um filho no mundo para este ser rejeitado após a nascença ou mal
tratado do que uma que assume que não está preparada ou que não tem condições
para ser mãe a decidir-se pelo aborto, a segunda pode no máximo ser acusada de
egoísmo mas a primeira nem o perdão merece, uma criança quando nasce é um ser
inofensivo que só precisa de amor e cuidado, não é um objeto que podem usar
para descarregar a frustração de um dia de trabalho ou o arrependimento por não
terem abortado.
- Desculpa -
olhou-me confusa - por ter tocado neste
assunto.
- O que é que tem o
assunto?
- Faz-te lembrar de
coisas que não gostas.
- Estás a insinuar
que condeno a mulher que carregou-me a mim e ao meu irmão no ventre por não ter
abortado? - não confirmei mas ela respondeu na mesma - amor apesar de tudo não a consigo odiar por ter prosseguido com a
gravidez e ter-me colocado no mundo, quanto ao meu irmão sou sincera se
soubesse desde início que estava grávida não sei se não lhe pediria para
abortar, amo o meu irmão mas foi algo completamente inconsciente ela ter
prosseguido com a gravidez, felizmente as drogas não afetaram o Martim mas
podiam ter causado danos irreversíveis, o que iria de encontro ao que mesmo
falaste, aquela mulher traria ao mundo uma criança que sem ter culpa iria ficar
marcada para o resto da vida.
- Como é que geriste
as emoções todas a partir do momento que ficaste a saber que ela estava
grávida?
- Foi complicado,
principalmente até decidir lutar pelo meu irmão, andei umas semanas a “bater
mal” não sabia se estaria em condições de cria-lo mas ao mesmo tempo não queria
que o menino passasse pelo que passei, foi uma altura de sentimentos
contraditórios por um lado odiei a mulher grávida que tinha diante de mim por
ser tão cobarde e inconsciente mas por outro senti que tinha ali mais uma razão
para seguir em frente ao assumir a responsabilidade de educar o meu irmão.
- Amor não leves a
mal a pergunta mas quando decidiste assumires a responsabilidade de educares o
teu irmão estavas mesmo consciente da responsabilidade?
- Apesar dos meus
dezanove anos quando decidi estava consciente, primeiro devido à minha própria
história e depois porque procurei aconselhamento, a decisão não foi tomada de
ânimo leve e os responsáveis pela instituição onde cresci apoiaram-me desde o início
quer em termos jurídicos quer a nível pessoal.
- Nunca contaste como
foram os primeiros meses, aqueles em que tiveste de aprender a ser mãe.
- A responsabilidade
foi o mais difícil de lidar porque cuidar de um bebé de certa forma já estava
habituada, quando estava na instituição sempre gostei de ajudar a cuidar dos
meus pequenos, lógico que é diferente cuidar de um bebé mas correu bem, nos
primeiros dias fiquei na casa de uma das pessoas que me viu crescer na
instituição mas ao fim de duas semanas já estava no meu apartamento.
- Tens muitas
recordações desse tempo?
- Sim - sorriu - e saudades também - suspirou - a sensação que aquele ser tão pequenino
depende de ti é única e depois quando começa a interagir contigo é algo
fantástico, o primeiro sorriso, a primeira brincadeira, a primeira vez que se
tenta levantar sozinho, a fase dos dentes que é chata mas que faz parte do
crescimento dele, a primeira refeição de faca e garfo, a primeira palavra, o
primeiro passo, a primeira queda que deixa-te com o coração nas mãos -
sorri ao ouvi-la tão entusiasmada - as
primeiras perguntas embaraçosas ou mesmo o primeiro dia do infantário em que
sentes que estás a deixar uma parte de ti para trás, são tudo coisas que sinto
saudades, são momentos únicos e inesquecíveis.
- Mariana cê sincera
- olhou-me - tens a certeza que queres
esperar para engravidares?
- Porquê que
perguntas isso?
- Responde à pergunta
que fiz e de preferência sem outra - suspirou pesadamente.
- É a verdade que
queres - abanei a cabeça em sinal afirmativo - então é a verdade que vais ouvir - olhei-a por escassos segundos - tenho pensado mais vezes no assunto do que
as que seria suposto - sorri ao ouvi-la.
- Amor porquê que
tens andado a pensar mais vezes nisso?
- Ohh - sorriu de
forma envergonhada - talvez porque te
amo, porque quero ser mãe e por saber que também desejas ser pai o quanto
antes, que só estás a adiar porque sabes que quero licenciar-me.
- Mariana, nunca
escondi o quanto desejo ver-te grávida mas não quero que te sintas pressionada
para engravidares.
- Não estou a acusar
pressão mas posso pensar no assuntou ou nem por isso?
- Podes -
sorri-lhe.
- Até porque se penso
nisso o menino já quer concretizar - gargalhou - tinhas mesmo que ir comprar o teste?
- Querias o quê?
Amor, tens todos os sintomas.
- Todos menos o mais
importante - olhei-a por segundos - amor
não tenho atraso nenhum.
- Tens a certeza?
- voltou a sorrir.
- Tenho, amor só para
a semana é que estarei nesses dias.
- Vês isso quer dizer
que podes estar - gargalhou fortemente o que fez o Martim despertar e a
conversa terminar.
- Mana porquê que
tavas a rir?
- Ó piolho desculpa a
mana não queria acordar-te mas a piada do Ruben foi muito boa - provocou-me
- mas volta a dormir que ainda tens
tempo.
- Qual é que foi a piada
também quero rir.
- Não foi nada, vá
dorme.
- Mas eu quero saber.
A insistência do Martim estava a dar-me um certo gozo
principalmente por estar curioso por saber como iria a Mariana descalçar a bota
e por isso mesmo provoquei-a mais um pouco ao pedir que contasse a piada, o meu
amor olhou-me para no instante seguinte falar algo que não esperava de todo.
O que terá dito a Mariana?
Olá :)
ResponderEliminarOh pá à pouco deixas-te a morrer!E depois de um capitulo fantástico acabas assim?! :P
Quero mais!
Beijinhos
Rita
Este capítulo está fenomenal!!
ResponderEliminarO momento Ruben vs Soraia + momento wc + momento desejo + discussão aborto + possível gravidez = espetacular!!
Fiquei super curiosa com o que a Mariana terá dito!
Bjokinhas
Mariaa
A Mariana deve ter dito "O Ruben conta" ou "Para! Quero vomitar" ahahahahah mas são só palpites!
ResponderEliminarQuero o proximo!
Beijo
Ana
Será desta que as peruas acalmam o stress.... bem eu já estou a ficar curiosa se vai haver Ruruzinho ou não... e a menina Mariana a sair das cascas... muito bem ;)
ResponderEliminarAdoro, adoro.
Quero mais!!!
Beijinhos.
Olá :D
ResponderEliminarAdorei como sempre!
Estou super curiosa para ler o próximo!
Beijinhos
Ritááá xD
Adorei!
ResponderEliminarContinua que isto está a ficar cada vez mais interessante!
Beijinhos
Lá diz o velho ditado "quem diz o que quer, ouve o que não quer", foi o que aconteceu à perua da Soraia, é bem feita, mas aposto que ainda não foi desta que aprendeu a lição.
ResponderEliminarA Mariana tá irreconhecível e insaciável, o que é que se passa com a mulher? Acho que o Ruru se continuar assim não se aguenta nas canetas.
Adorei, ela diz que não tá grávida, vejamos o que acontece nas próximas semanas.
Continua,
Beijocas
Fernanda