sábado, 18 de agosto de 2012

052 - “Ok, vou lá então mas ainda vais explicar-me porque motivo a culpa desse desejo é minha”

Mariana

A distância que percorri até chegar junto do Ruben serviu para mentalizar-me que a solução seria mesmo ignorá-las ainda assim cumprimentei-as mas como seria de esperar só a Inês é que rosnou qualquer coisa, ignorei e fiquei a olhar para a Soraia na esperança que se tocasse e saísse do meu lugar mas já que não o fez resolvi aplicar aquele ditado que diz “quando Maomé não vai à montanha vem a montanha a Maomé” não estive por modas e estiquei o braço na direção do Ruben, o meu amor deu-me a mão e no segundo seguinte já o tinha abraçado a mim, uma vez que o puxei.
- Queres ir embora? - o Ruben perguntou-me assim que separamos os nossos lábios.
- Não - sorriu - quem está mal que se mude.
- Amor, se tiverem a incomodar podemos ir na boa.
- Ruben, não vou andar a fugir da tua amiga e muito menos da tua ex, não lhes devo nada além disso estou com o meu namorado e um grupo de amigos que convidei, as outras duas são as ovelhas ranhosas do grupo - o Ruben gargalhou fortemente despertando a curiosidade do pessoal que ainda tentou perceber o motivo de tal animação mas não nos descaímos - o que dizes de nos irmos sentar ali - desviei o olhar para a varanda do bar onde estava um puff que tinha ficado vago naquele instante.
- Vamos - sorriu.
Caminhamos até ao puff onde o Ruben se sentou comigo no seu colo, aproveitei para lhe dar alguns mimos e ouvi-lo a agradecer a noite.
- Amor, não tens nada que agradecer - beijei-o demoradamente - sempre festejaste os teus anos junto dos amigos - sorriu - sim porque aqui a tua namorada andou a informar-se - beijou-me - por isso não seria este ano que iria mudar.
- Mas mudou - olhei-o sem entender - este foi o primeiro ano que comemorei o meu aniversário com duas pessoas que amo e que quero para sempre do meu lado - beijei-o sem qualquer constrangimento amo-o e quem não goste que não olhe.
Estávamos a trocar alguns mimos e palavras quando a Inês resolveu interrompeu ao aparecer e tocar na perna do Ruben, obrigando-o a olhá-la.
- Já pagavas uma rodada ao pessoal - desafiou-o.
- Não seja por isso - o meu amor deu-me um beijo rápido e depois levantou-se - vai lá chamar o pessoal que vou tratar das bebidas - o Ruben ainda uniu de novo os nossos lábios mas acabou para ir buscar as bebidas.
Estava quieta no meu canto quando o pessoal se animou com a chegada do álcool, sinceramente não sei onde está a piada disso mas tudo bem, levantei-me afinal não queria ficar de parte e o Ruben à primeira oportunidade que teve abraçou-me.
- Toma, este é teu - sorriu-me - não tem álcool.
- É piadinha - dei-lhe um leve beijo que foi interrompido pela Soraia que estava já ligeiramente animada.
- Vá, vamos lá brindar ao Ruben - olhamo-la - que os teus vinte e oito anos sirvam para ganhares juízo, já não tens idade para andares a brincar às bonecas e a fingires ser pai de um rejeitado - ela teria continuado mas o Ruben interrompeu-a.
- Obrigada Soraia, a sério obrigada pelo brinde, mais uma vez demonstras que a melhor decisão que tomei em toda a minha vida foi ter acabado contigo, sabes neste último ano que julgas que andei a brincar às bonecas e a ser pai de um rejeitado descobrir o amor, coisa que nunca antes tinha alcançado e muito menos chegado perto.
O que para ti é um rejeitado para mim é o meu filho, um menino que conquistou-me em segundos, ama-me porque lhe dou amor, venera-me porque vê em mim um exemplo a seguir, sofre quando por algum momento vê-me desanimado, defende-me quando sente que estão a ser injustos comigo, resumindo faz o que nunca fizeste em anos de namoro, por isso para a próxima lembra-te o quanto ridícula estás a ser.
- Além de cego agora também és estúpido, realmente andou a tua mãe a criar-te com educação para num ano uma gaja qualquer arruinar tudo - o pessoal estava todo a olhar.
- Uma gaja qualquer? - o Ruben sorriu - Pois fica a saber que foi esta mulher que deu-me, dá e dará sempre o que nunca conseguiste, amor sincero e verdadeiro, além disso é a pessoa que amo, que demonstra a cada dia que passo do seu lado o que é viver enquanto casal, o que é a partilha mutua, o que é desejar que o tempo páre só para ficar eternamente a olhá-la enquanto dorme nos meus braços, o que é fazer planos a dois sem serem forçados, o que é partilhar o que tenho sem haver cobrança de nada.
Soraia, com a Mariana cresci, deixei de ser a eterna criança que conheceste para ser homem e pai de família, hoje tenho uma noção diferente da realidade porque percebi que a vida tem mais do que duas cores, a vida não é a preto e branco mas sim um festival de cores, umas vezes alegres e outras nem tanto, talvez um dia venhas a perceber o que digo, talvez esse dia chegue quando tiveres nos teus braços um filho que te diga “eu amo-te”.
- Juro que não entendo o que viste na empregada.
- Talvez um dia quando encontrares alguém que ames verdadeiramente percebas o que vi na Mariana, até lá irás continuar a destilar veneno, só espero sinceramente que quando essa pessoa aparecer à tua frente a consigas enxergar e admitir o que sentes, não há nada pior que lutar contra aquilo que o nosso coração nos diz e que a cabeça nega.
Soraia muito honestamente sai da tua zona de conforto e procura novas realidades, deixa de lado esta prepotência toda e entrega-te às maravilhas da vida, procura, luta e vence só assim serás feliz, não tenhas vergonha se um dia descobrires que o teu verdadeiro amor é alguém com menos posses que tu, porque acredita serás ainda mais amada, essa pessoa dará mais importância a um beijo ou a um amo-te do que a um relógio de luxo ou a umas férias numa ilha paradísica.
A Soraia não respondeu limitou-se a agarrar na sua mala e a desaparecer da nossa frente, estava ainda a assimilar tudo o que ouvi quando o Ruben uniu os nossos lábios, deixei-me levar e só nos afastamos quando ouvimos a voz da Inês.
- Parece que vos devo um pedido de desculpas - olhamos os dois - não fui propriamente correta contigo - falava agora para mim - quando estive aqueles dias em Braga, julguei-te não pelo que vi mas sim pelo que ouvi a teu respeito, mas hoje percebi que o meu amigo está realmente feliz, arrisco mesmo a dizer que nunca o vi tão bem, tão seguro de si e tão amado por isso desejo-vos as mais sinceras felicidades.
O Ruben agradeceu mas da minha parte a Inês só levou um sorriso, o meu lado de desconfiada não permitiu que acreditasse nas suas palavras, algo que o Ruben percebeu e na primeira oportunidade comentou comigo.
- Amor, é verdade não acreditei - sorriu - ninguém muda de opinião tão rapidamente mas agora também não quero falar mais disso - pedi, o assunto Soraia e Inês para mim estava morto e enterrado.
- Então e queres falar do quê?
Já estávamos novamente afastados do grupo e sentados no puff, aproveitei esse facto para o mimar, hoje estava numa de distribuir mimos sem me preocupar com quem pudesse ver, foi de tal forma que só parei quando o meu amor implorou, afinal já estava a deixá-lo numa posição complicada. O Ruben aproveitou que fui buscar mais um sumo para ir até ao WC, quando cheguei juntos dos nossos amigos fui informada do destino do meu amor e resolvi ir procura-lo.
- Posso saber o que uma miúda faz à porta do WC dos rapazes? - perguntou-me ao ouvido e com as mãos a rodearem-me a cintura.
- A miúda veio à procura do seu paizinho - sussurrei-lhe ao ouvido - você é que podia dizer se está alguém ali dentro - olhei para a porta do WC.
- Lamento mas não está lá ninguém - sorriu - mas se me deres a morada da tua casa levo-te - aproveitou que falava-me ao ouvido para provocar-me, o Ruben deu uma ligeira mordidela na orelha e logo depois beijou-me o pescoço, aquilo teve em mim um efeito estranho e sem pensar no que estava a fazer empurrei-o para dentro do WC dos rapazes - amor - sorriu - o que é que estás a fazer?
- O que achas - fiz-lhe um ligeiro chupão.
- Aqui? - falou incrédulo quando as minhas mãos já estavam nos botões das suas calças - ainda entra alguém - olhei em volta.
- É, tens razão - senti-o a respirar de alívio - por isso é que vamos para ali - apontei para um compartimento fechado e sem que tivesse tempo para refilar já lá estávamos dentro. O Ruben ainda tentou chamar-me à razão mas desistiu no momento que sentiu os meus lábios a tocá-lo onde não seria suposto ou pelo menos não no local onde nos encontrávamos. Uns minutos chegaram para que a união dos nossos corpos fosse perfeita, foi naquele compartimento minúsculo que nos amamos e que atingimos o limite máximo do prazer - que foi? - perguntei quando estava  ajeitar o vestido que tinha escolhido para o aniversário do meu amor.
- O que foi? - sorriu - Ainda perguntas?
- Então se não sei a resposta tenho que perguntar, não é?
- Ai não sabes a resposta - puxou-me pela cintura - precisas que te avive a memória - a mão do Ruben viajou pelo meu vestido e só parou quando encontrou a minha “marianita”.
- Ruben pára - pedi mas tinha ganho mais se ficasse calada, ele não só não parou como intensificou os movimentos com os seus dedos, ora o desejo que percorria o meu corpo aliado ao momento que minutos antes tínhamos partilhado, foi suficiente para que as calças do Ruben encontrassem novamente o chão daquele WC, não sei o que estava a acontecer comigo mas que soube que nem “ginjas” o tratamento que o Ruben me deu lá isso soube.
- Então já sabes a resposta? - atirou assim que conseguimos manter a distância física mínima para vestirmo-nos ou melhor o Ruben puxar as calças e boxers para cima e eu colocar o vestido no lugar e tentar disfarçar o amasso do mesmo.
 - Já, já, agora a questão que se levanta é como é que vou sair daqui - sussurrei-lhe ao ouvido pois naquele momento ouvimos vozes, que sinceramente não fazia a mínima ideia se só agora tinham chegado ou se já lá estavam.
- Tu não sei por onde queres sair mas eu vou mesmo pela porta - gozou - amor, como é óbvio temos que esperar - beijou-me - mas ficas já a saber que está a ser o melhor aniversário que tive em toda a minha existência - sorriu - amo-te.
Ainda ficamos alguns minutos trancados e numa troca de mimos agora muito mais contidos e assim que deixamos de ouvir vozes o Ruben saiu para se certificar que não estava ninguém na casa de banho. Conseguimos sair sem nos cruzarmos com ninguém e quando chegamos junto dos nossos amigos tivemos que os ouvir, pois já tinham andado à nossa procura e nada.
Ainda ficamos mais um tempo com eles mas acabamos por sair, uma vez que amanhã teríamos que regressar a Braga e por sinal bem cedo uma vez que o Martim tinha aulas.

Ruben

Estava no bar a conviver com os meus amigos depois de uma noite cheia de emoções quando a Soraia e a Inês se aproximaram lógico que acabou mal, comigo a trocar algumas palavras com a Soraia e depois com a saída tempestiva dela. Tentei abstrair-me disso até porque tinha a Mariana nos meus braços que acabou por se animar e levar-me por arrasto, mas se julgava que o momento no puff seria o máximo que poderia ter naquele local enganei-me redondamente, afinal a Mari como o David a chama deu-me um presente inesperado ao ter permitido ama-la num cubículo tão pequeno em pleno WC dos rapazes, no entanto adorei todas aqueles minutos que pareceram horas, regressamos para juntos do pessoal mas pouco tempo depois já estávamos no meu carro onde a Mariana fez questão de demonstrar que não tinha intenções nenhumas de ir dormir assim que chegássemos a casa ou não fosse ter aproveitado o facto de lhe pedir que levasse o carro para se sentar ao meu colo e voltar a provocar-me, ficamos ainda uns minutos a namorar no banco do pendura e só depois é que seguimos viagem.
- Amor, podes voltar atrás? - olhou-me sem entender.
- Está ali uma farmácia e preciso de lá ir.
- Porquê? Dói-te a cabeça é? Bebesse menos - gargalhou.
- Oh amor faz-me lá a vontade - coloquei a mão na sua perna e fui subindo - a menos que querias ficar a ver navios.
- Desculpa?
- Amor, acabamos com o stock de- não consegui terminar pois ela interrompeu-me ao gargalhar.
- Não precisas ficar aflito que com ou sem terás o teu presente de aniversário na mesma.
- Explica lá isso melhor?
- O que não entendeste?
- Estás a insinuar que podemos deixar de usar?
- Hoje sim amanhã logo se vê.
- Amor qual é mesmo o motivo dessa benesse?
- Fogo, tanta pergunta até parece que não queres.
- Só achei estranho.
A Mariana não respondeu mais e com a conversa chegamos a casa, subimos no elevador onde fui logo brindado com uma amostra do que seria a nossa noite ou não fosse a Mariana ter-me encostado a uma das extremidades do elevador e unindo as nossas bocas, senti as suas mãos no meu cinto e assim que o abriu, concentrou-se nos botões das minhas calças, não sei o que lhe ia na cabeça mas se o andar fosse um dos últimos não sei se teríamos tempo para chegar a casa. Assim que abri a porta, o meu amor encaminhou-nos para a sala e foi no sofá que nos amamos a primeira vez desde que entramos no apartamento, porque as seguintes foram já no quarto e sem qualquer limite, só sei que a noite ultrapassou em tudo o acordar com que já tinha sido presenteado.
Adormecemos os dois exaustos mas felizes para acordarmos horas depois com o alarme do telemóvel da Mariana a tocar, ainda lhe pedi para desligar aquela porra que queria dormir mas o meu amor não foi na conversa, até porque tínhamos que chegar a Braga a tempo do menino ir para as aulas. Levantamos-mos a custo e depois de um duche rápido já estava pronto para ir comer, mas o meu amor surpreendeu-me com um pedido estranho.
- Amorzinho do meu coração podias ir àquela pastelaria que tem sempre aqueles croissants deliciosos e trazer-me um para comer.
- Mariana quando chegarmos a Braga vais a uma pastelaria e compras agora temos que nos despachar.
- Mas amor, os de Braga não são tão bons como estes que quero.
- Hey, o teu irmão está à nossa espera, despacha-te e deixa de ter ideias.
- Ai é assim, então vou lá eu - começou a vestir-se.
- De onde é que vem essa vontade louca que não podes comer croissants noutro lugar.
- Porque é daqueles que tenho desejo - olhei-a imediatamente e mais depressa ainda veio-me à lembrança a conversa que tive ontem com o meu irmão, foi impossível não relacionar as coisas apesar de ter certezas que não estava grávida - fogo está mesmo a apetecer um daqueles croissants de chocolate ou mesmo de ovo são deliciosos e a culpa por estar de desejo é tua por isso o mínimo que podias fazer era ir lá enquanto acabo de vestir-me e preparado o resto do pequeno-almoço - pedinchou e acabou por convencer-me.
- Ok, vou lá então mas ainda vais explicar-me porque motivo a culpa desse desejo é minha.
- Ah isso é simples, porque foste tu que me deste a conhecer os deliciosos croissants - gritou do quarto uma vez que já tinha saído.
Fui até à pastelaria em causa, quase a rezar para que ainda tivesse os tais croissants uma vez que é o que tem mais saída logo pelas primeiras horas da manhã, consegui comprar o que queria e no regresso a casa passei por uma farmácia, entrei e comprei um teste de gravidez com sorte não devo ter sido reconhecido afinal a senhora já tinha uma certa idade e não deu sinais que tivesse identificado a minha cara, paguei e saí o quanto antes.
Cheguei a casa e a Mariana já tinha na mesa o nosso pequeno-almoço mas assim que viu os croissants não perdeu tempo a retirar-me o saco das mãos e a sentar-se, devorou o dela em três tempos e ainda teve o descaramento de ficar a olhar para o meu.
- Se o desejo for muito grande podes comer o meu - olhou-me a sorrir - não quero ser acusado de não satisfazer os seus caprichos.
- Piadinha - agarrou no croissants - mas já que ofereceste e como fica mal recusar vou fazer o sacrifício de o comer - gargalhei ao vê-la a deliciar-se.
- Isso é tudo fome?
- Ai, ó amor se soubesses a fome com que acordei - respirou profundamente - a continuar assim não sei onde vou parar mas daqui a uns meses rebolo.
- Não sejas exagerada - beijei-lhe a nuca ao passar por trás dela.
Comemos com alguma conversa à mistura e ainda tentei puxar o assunto de uma possível gravidez mas das duas uma ou a Mariana não percebeu ou fez que não entendeu. No fim ajudei-a a arrumar tudo e quando já estava de mala ao ombro e pronta para sair de casa pedi-lhe que esperasse.
- O que é que te esqueceste Ruben Filipe? - sorri.
- Não esqueci nada mas tenho uma coisa para te dar.
- Dás depois que agora temos de ir embora.
- Amor - agarrei-a pela mão - anda comigo até ao quarto, é só uns minutos e apesar de achar que não é nada do que estou a pensar gostava que desses uso ao que te vou dar.
- Estás estranho - falou ao entrar no quarto.
- Mariana - olhei-a - toma - pegou no saco e ao olhar para o seu interior teve uma reação que não esperava, o meu amor gargalhou fortemente.
- Amor desculpa ter gargalhado mas não estou grávida e já agora de onde é que tiraste essa ideia?
- Como é que tens a certeza que não estás?
- Porque sempre tivemos cuidado.
- Houve aquela vez em que não usamos preservativo - sorriu.
- Ya mas sabes que tomo a pilula.
- Mas isso também pode falhar e tens que concordar comigo que as mudanças subidas de humor, os enjoos e os desejos que tens tido são sintomas de gravidez.
- Amor, desculpa desiludir-te mas não estou grávida, tenho a certeza mas se fazes tanta questão que faça o teste não vou negar-me.
- Toma então.
- Ruben, faço o teste depois, agora vamos que o Martim já deve estar à nossa espera.
- Tudo bem mas não te escapas - beijou-me e acabamos por sair com destino à casa da minha mãe.
O Martim já estava à nossa espera e por isso não demoramos mais que uns minutos na casa da minha mãe, seguimos viagem e aproveitei o facto de o menino ter adormecido para puxar novamente o assunto da gravidez.
- Amor, tens mesmo a certeza absoluta que não estás? - olhou-me e sorriu.
- Tenho.
- Como?
- Ruben porque a probabilidade de estar é mínima para não dizer inexistente.
- Mas e se tiveres?
- Onde queres chegar?
- Mariana, a verdade é que se tiveres não foi algo planeado e vai alterar os nossos planos mas principalmente os teus.
- Ruben se estiver grávida não há nada que possa fazer a não ser esperar nove meses para ter o nosso filho - a Mariana colocou a sua mão na minha perna - e quanto aos planos, é verdade que não planeamos nada mas sempre falaste que queres ser pai logo não vejo onde está o drama.
- Não é drama mas amor a ficares grávida neste momento, vais adiar mais uma vez a concretização de um dos teus objetivos.
- Amor, quero licenciar-me e nunca escondi isso de ti mas também te disse que não seria já neste ano, logo se por acaso estivesse grávida o bebé nascia muito antes de iniciar a jornada da licenciatura.
- Mariana, é impressão minha ou já não colocas de parte a ideia de engravidares nos próximos tempos?
- Não quis dizer isso, mantenho tudo o que sempre falei, acho que temos muito tempo para sermos pais mas é lógico que se tivesse grávida só poderia adaptar-me à nova realidade, nunca na vida iria abortar.
- Nem eu deixava que o fizesses - sorriu - sou contra o aborto a não ser em casos extremos como a violação ou a deficiência do bebé, não acho justo trazermos ao mundo um bebé que irá ficar sempre dependente de terceiros, é uma irresponsabilidade fazê-lo quando à partida sabemos que se a vida seguir o curso natural partiremos antes do nosso filho, agora nos restantes caso sou contra, existe métodos suficientes para evitar uma gravidez indesejada.
- Concordo contigo mas não julgo quem o faz e até te digo que quando foi o referendo votei a favor - olhei-a por segundos - pelo simples facto de achar que qualquer pessoa tem o direito de decidir consoante os seus princípios, não sou ninguém para julgar quem o faz, além disso abortos sempre houve por isso não era por ser considerado crime que deixariam de existir.
- Ou seja és a favor.
- Ruben nem a favor nem contra, se perguntares se conseguia fazer um, digo que não mas isso sou eu mas outra mulher pode pensar de forma diferente e acredito que se opta por essa solução é porque acha que é a melhor. Ruben, choca-me muito mais ver uma mulher a colocar um filho no mundo para este ser rejeitado após a nascença ou mal tratado do que uma que assume que não está preparada ou que não tem condições para ser mãe a decidir-se pelo aborto, a segunda pode no máximo ser acusada de egoísmo mas a primeira nem o perdão merece, uma criança quando nasce é um ser inofensivo que só precisa de amor e cuidado, não é um objeto que podem usar para descarregar a frustração de um dia de trabalho ou o arrependimento por não terem abortado.
- Desculpa - olhou-me confusa - por ter tocado neste assunto.
- O que é que tem o assunto?
- Faz-te lembrar de coisas que não gostas.
- Estás a insinuar que condeno a mulher que carregou-me a mim e ao meu irmão no ventre por não ter abortado? - não confirmei mas ela respondeu na mesma - amor apesar de tudo não a consigo odiar por ter prosseguido com a gravidez e ter-me colocado no mundo, quanto ao meu irmão sou sincera se soubesse desde início que estava grávida não sei se não lhe pediria para abortar, amo o meu irmão mas foi algo completamente inconsciente ela ter prosseguido com a gravidez, felizmente as drogas não afetaram o Martim mas podiam ter causado danos irreversíveis, o que iria de encontro ao que mesmo falaste, aquela mulher traria ao mundo uma criança que sem ter culpa iria ficar marcada para o resto da vida.
- Como é que geriste as emoções todas a partir do momento que ficaste a saber que ela estava grávida?
- Foi complicado, principalmente até decidir lutar pelo meu irmão, andei umas semanas a “bater mal” não sabia se estaria em condições de cria-lo mas ao mesmo tempo não queria que o menino passasse pelo que passei, foi uma altura de sentimentos contraditórios por um lado odiei a mulher grávida que tinha diante de mim por ser tão cobarde e inconsciente mas por outro senti que tinha ali mais uma razão para seguir em frente ao assumir a responsabilidade de educar o meu irmão.
- Amor não leves a mal a pergunta mas quando decidiste assumires a responsabilidade de educares o teu irmão estavas mesmo consciente da responsabilidade?
- Apesar dos meus dezanove anos quando decidi estava consciente, primeiro devido à minha própria história e depois porque procurei aconselhamento, a decisão não foi tomada de ânimo leve e os responsáveis pela instituição onde cresci apoiaram-me desde o início quer em termos jurídicos quer a nível pessoal.
- Nunca contaste como foram os primeiros meses, aqueles em que tiveste de aprender a ser mãe.
- A responsabilidade foi o mais difícil de lidar porque cuidar de um bebé de certa forma já estava habituada, quando estava na instituição sempre gostei de ajudar a cuidar dos meus pequenos, lógico que é diferente cuidar de um bebé mas correu bem, nos primeiros dias fiquei na casa de uma das pessoas que me viu crescer na instituição mas ao fim de duas semanas já estava no meu apartamento.
- Tens muitas recordações desse tempo?
- Sim - sorriu - e saudades também - suspirou - a sensação que aquele ser tão pequenino depende de ti é única e depois quando começa a interagir contigo é algo fantástico, o primeiro sorriso, a primeira brincadeira, a primeira vez que se tenta levantar sozinho, a fase dos dentes que é chata mas que faz parte do crescimento dele, a primeira refeição de faca e garfo, a primeira palavra, o primeiro passo, a primeira queda que deixa-te com o coração nas mãos - sorri ao ouvi-la tão entusiasmada - as primeiras perguntas embaraçosas ou mesmo o primeiro dia do infantário em que sentes que estás a deixar uma parte de ti para trás, são tudo coisas que sinto saudades, são momentos únicos e inesquecíveis.
- Mariana cê sincera - olhou-me - tens a certeza que queres esperar para engravidares?
- Porquê que perguntas isso?
- Responde à pergunta que fiz e de preferência sem outra - suspirou pesadamente.
- É a verdade que queres - abanei a cabeça em sinal afirmativo - então é a verdade que vais ouvir - olhei-a por escassos segundos - tenho pensado mais vezes no assunto do que as que seria suposto - sorri ao ouvi-la.
- Amor porquê que tens andado a pensar mais vezes nisso?
- Ohh - sorriu de forma envergonhada - talvez porque te amo, porque quero ser mãe e por saber que também desejas ser pai o quanto antes, que só estás a adiar porque sabes que quero licenciar-me.
- Mariana, nunca escondi o quanto desejo ver-te grávida mas não quero que te sintas pressionada para engravidares.
- Não estou a acusar pressão mas posso pensar no assuntou ou nem por isso?
- Podes - sorri-lhe.
- Até porque se penso nisso o menino já quer concretizar - gargalhou - tinhas mesmo que ir comprar o teste?
- Querias o quê? Amor, tens todos os sintomas.
- Todos menos o mais importante - olhei-a por segundos - amor não tenho atraso nenhum.
- Tens a certeza? - voltou a sorrir.
- Tenho, amor só para a semana é que estarei nesses dias.
- Vês isso quer dizer que podes estar - gargalhou fortemente o que fez o Martim despertar e a conversa terminar.
- Mana porquê que tavas a rir?
- Ó piolho desculpa a mana não queria acordar-te mas a piada do Ruben foi muito boa - provocou-me - mas volta a dormir que ainda tens tempo.
- Qual é que foi a piada também quero rir.
- Não foi nada, vá dorme.
- Mas eu quero saber.
A insistência do Martim estava a dar-me um certo gozo principalmente por estar curioso por saber como iria a Mariana descalçar a bota e por isso mesmo provoquei-a mais um pouco ao pedir que contasse a piada, o meu amor olhou-me para no instante seguinte falar algo que não esperava de todo.

O que terá dito a Mariana? 

7 comentários:

  1. Olá :)
    Oh pá à pouco deixas-te a morrer!E depois de um capitulo fantástico acabas assim?! :P
    Quero mais!
    Beijinhos
    Rita

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  2. Este capítulo está fenomenal!!
    O momento Ruben vs Soraia + momento wc + momento desejo + discussão aborto + possível gravidez = espetacular!!

    Fiquei super curiosa com o que a Mariana terá dito!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  3. A Mariana deve ter dito "O Ruben conta" ou "Para! Quero vomitar" ahahahahah mas são só palpites!
    Quero o proximo!

    Beijo
    Ana

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  4. Será desta que as peruas acalmam o stress.... bem eu já estou a ficar curiosa se vai haver Ruruzinho ou não... e a menina Mariana a sair das cascas... muito bem ;)
    Adoro, adoro.
    Quero mais!!!
    Beijinhos.

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  5. Olá :D
    Adorei como sempre!
    Estou super curiosa para ler o próximo!
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  6. Adorei!
    Continua que isto está a ficar cada vez mais interessante!
    Beijinhos

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  7. Lá diz o velho ditado "quem diz o que quer, ouve o que não quer", foi o que aconteceu à perua da Soraia, é bem feita, mas aposto que ainda não foi desta que aprendeu a lição.
    A Mariana tá irreconhecível e insaciável, o que é que se passa com a mulher? Acho que o Ruru se continuar assim não se aguenta nas canetas.
    Adorei, ela diz que não tá grávida, vejamos o que acontece nas próximas semanas.
    Continua,

    Beijocas

    Fernanda

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