quinta-feira, 16 de agosto de 2012

051 - “Pai, A certeza de um amigo para sempre”


Mariana

O Ruben estava feliz e a aproveitar verdadeiramente todos os segundos para estar com os amigos, ainda assim fez sempre questão de arrastar-me com ele para tudo o que era lado.
- Amor, estava a falar com a Patrícia - reclamei quando o Ruben exigiu que voltasse para junto dele e do resto do pessoal.
- Vocês têm muito tempo para colocar a conversa em dia - beijou-me - agora quero que conheças melhor os meus amigos, pode ser? - pedinchou e por saber que tinha razão cedi.
- Pode mas ficas avisado que só te faço a vontade porque hoje és bebé - meti a língua de fora e fiz uma careta o que provocou uma gargalhada sentida ao Ruben e que fez com que todos nos olhassem, sorri envergonhada por mais uma vez ser o centro da “polémica” algo que o Ruben percebeu e talvez por isso conseguiu fazer pior ao anular por completo os escassos centímetros que nos separavam e a unir as nossas bocas, o beijo esse fui tudo menos discreto o que originou uma algazarra em volta de nós.
- Manz cê tá um safado feito - ouvi a voz do David e ainda tentei afastar-me do Ruben colocando termo ao beijo mas não o consegui fazer, o braço do meu amor em volta da minha cintura e a sua mão na minha nuca impediram-me de afastar-me já para não dizer que os seus lábios não desgrudaram dos meus de forma alguma - cê parece um aspirador - os amigos do Ruben gargalharam - pô deve ser os ares do Norte tá fazendo mal ao senhor bem comportado.
- Amo-te - o Ruben sussurrou-me ao ouvido assim que terminamos com a troca de saliva, já que o David não estava mesmo disposto a desgrudar de nós - não ligues aos disparates que o manz fala - sorriu-me o que foi suficiente para perder-me no seu olhar, teríamos ficado ali o resto da noite a olharmo-nos mutuamente e a sorrir mas mais uma vez o David despertou-nos para a realidade.
- Manz cê pare de olhar assim p'ra Mari ou ela se derrete toda e depois cê não tem com qui brincá - não gostei de ouvir as últimas palavras mas se fiquei calada já o Ruben fez questão de demonstrar o seu desagrado.
- David mesmo sério já te calavas, é que isso já está a passar as marcas - o pessoal olhou todo.
- Tava zoando- defendeu-se.
- Pois puto mas há coisas com as quais não se zoa, ah e para que conste o nome da minha namorada - o Ruben encheu a boca para dizer “minha namorada” - é Mariana e não Mari - confesso que estava “parva” a olhar para ele enquanto falava.
- Pô cê antes era bem mais bacana - olhei à vez para aqueles dois galos fora do poleiro mas nem tive tempo para abrir a boca porque o Ruben respondeu-lhe.
- Sempre fui e continuo a ser bacana - imitou o amigo - desde que não me lixem a vida.
- Qui cê quer falá com isso? - o Ruben ia para responder mas desta antecipei-me.
- Acabou se os putos não se comportam vai cada um para o seu canto, mesmo sério o que é que vos deu aos dois? - o David baixou o olhar e quanto ao restante pessoal uns sorriram outros ficaram estupefatos a olharem-me.
- Amor, ele abusou ao falar que ando a brincar e nem precisas dizer o contrário que sei bem que não gostaste - olhava-o atenta - se soubesse o que é amar alguém e viver na corda bamba com medo que um passo em falso faça essa pessoa se afastar talvez não falasse o que falou - a família e amigos olhavam-nos de repente fez-se um silêncio incomodativo ainda assim o Ruben continuou - hoje a nossa relação está sólida mas sabes muito bem que nem sempre foi assim - engoli em seco - e ninguém imagina sequer as noites em claro que passei até conseguir admitir para mim mesmo que o que me fazia correr para a casa do Nuno era o amor que sentia e sinto por ti ou o que me custou aquelas semanas que mal falavas comigo ou mesmo os ciúmes do Martim quando percebeu que a nossa aproximação não seria normal para dois amigos, os primeiros meses não foram fáceis e sabes bem disso agora este vem para aqui mandar bocas mas quem é que ele julga que é?
- Teu amigo e teu confidente, companheiro de muitas brincadeiras, de momentos bons e maus, mas acima de tudo mais uma pessoa de quem te afastaste desde que foste para Braga - o Ruben baixou o olhar - já paraste para pensar que se hoje estarmos aqui, que se o nosso namoro está sólido, em grande parte podes agradecer a todos os que estão aqui presentes que nunca te julgaram nem cobraram a tua ausência, a verdade é que abdicaste de vires a Lisboa, nas tuas folgas, veres a tua família e amigos para ficares comigo e com o Martim, que falhaste a jantares como o que estás a ter hoje para mais uma vez ficares com o Martim porque o meu irmão assim te pedia ou ainda que já perdeste a conta às vezes que despachaste o David quando te liga só porque tens o menino de volta de ti a querer brincar.
Ruben antes de julgares o David ou qualquer outra pessoa aqui presente lembra-te que a maioria mal me conhece, que tirando a Patrícia, o Nuno e a tua família que os restantes só sabem que namoraras com alguém que conheceste em Braga, que tem um miúdo para criar, que não tem onde “cair morta”, que em menos de um ano de namoro já usas aliança e vives comigo quando sempre foste contra isso, que tens um menino de sete anos a chamar-te de pai, que fazes qualquer coisa para que a tua namorada e o irmão dela não se sintam deslocados no meio do teu mundo nem que para isso tenhas de abdicar dele em prol do amor que nos une aos três. Amor, tenho consciência disto e de muito mais, tal como também tens por isso não os julgues, tu melhor que qualquer pessoa sabes o quanto mudaste neste último ano e fizeste-o por iniciativa própria, nunca pedi nada mas a verdade é que se hoje estamos juntos em parte é pelo esforço que fizeste, porque percebeste que se não fosse assim dificilmente conseguirias destruir os muros que construi durante anos para proteger o meu irmão.
Por isso vê se pedes desculpas ao David pelo modo como lhe falaste que o rapaz só estava na brincadeira, não tem culpa que o amigo com quem fazia todo o tipo de judiarias encarnou em pleno o papel de “pai de família” e que agora aquelas bocas que mandava aos outros já o incomodam porque toca naqueles que ama.
O Ruben olhou-me durante uns segundos para depois brindar-me com o seu mais belo sorriso e unir os nossos lábios, assim que coloquei fim ao beijo ouvi-o a pedir desculpas não só ao David como aos restantes e uns minutos depois a animação regressou.

***

Aproveitei que o Ruben se distraiu com os amigos para afastar-me um pouco, estava ligeiramente indisposta mas não queria que percebesse, ele tinha era mais que aproveitar a noite. Estava sentada numa das muitas cadeiras vagas quando vi as raparigas a aproximarem-se.
- Podemos? - olhei para a Elena e encontrei-a a sorrir.
- Sim - dei permissão e com ela sentou-se as restantes.
- Estás bem? - a Magali foi a primeira a falar - Desculpa estar a perguntar mas não pareces estar lá muito bem - sorri ao ouvi-la a justificar-se.
- Estou só ligeiramente indisposta mas isto já passa, obrigada na mesma.
- Oh não tens que agradecer - olhei para a Romanela - só achamos estranho estares com os rapazes e depois vires sentar-te sozinha.
- Não estou habituada a ter tanta gente de volta de mim- fui sincera - não é nada contra vocês, é mesmo a minha maneira de ser.
- Ainda não consegues conviver com o “mundo do Ruben” - sorri da forma como a Elena se referiu à fama - não é?
- Não tenho nada contra mas se puder fugir dele fujo - gargalharam.
- O que é que te faz mais confusão?
- Magali tudo - não sei onde estava a piada mas que elas se riram lá isso riram.
- Mas é as fãs ou aquela sensação que para onde vão estão sempre a ser observados?
- Com fãs deves querer dizer aquelas miúdas que não têm dois dedos de testa e que não devem ter pais em casa, caso contrário não as deixavam fazer certas figuras - atirei de rajada e só no fim é que percebi o que tinha dito afinal ficaram as três a olharem-me - desculpem mas é o que penso.
- Com o tempo aprendes a dar um desconto e até a divertires-te com as cenas que dizem e fazem, não passam de miúdas.
- Magali por serem miúdas é que não deviam andar assim à solta que nem gado sem dono - gargalharam - posso ser antiquada e tudo o resto mas sei o que é educar uma criança e faz-me confusão ver miúdas tão novinhas assim ao deus dará atrás dos seus ídolos sejam eles jogadores de futebol, cantores, atores ou outra coisa qualquer, o perigo não está neles - olhei para os rapazes que se divertiam - nem em nós que ficamos sentadas na primeira fila a assistir ao espetáculo - voltaram a gargalhar - está no resto que os pais não controlam, no que as miúdas podem aceitar dos estranhos que as rodeiam mas por os verem sempre do seu lado passam a amigos, é isso que me faz pensar.
- Confesso que nunca tinha pensado por esse prisma.
- É normal o teu filho ainda é um bebé - a Magali sorriu - mas daqui a uns anos acredita que começas a ver certas situações de outra forma.
Teríamos continuado a falar mas a Mónica fez o favor de nos vir chamar para nos juntarmos aos rapazes porque eles tinham preparado uma pequena brincadeira para o Ruben, aproximei-me do meu amor e assim que o fiz os seus braços rodearam-me a cintura. O jogo consistia em descrever o meu amor numa só palavra, o que originou momentos de gargalhadas ou não fossem os amigos terem aproveitado para segundo eles descreverem a pessoa que tinha agarrada a mim o melhor possível para que mais tarde não puder dizer que não me alertaram para o perigo que corria a tê-lo do meu lado.

***

O jogo já tinha terminado mas continuava inserida no grupo de amigos do Ruben, agora já sentada ao seu colo e a participar nas conversas paralelas que foram surgindo. Foi quando estava a falar com os rapazes que vi o empregado a trazer uma taça de gelado para a Patrícia, tinha-lhe dado um desejo súbito e como tal teve que o satisfazer ou não fosse o bebé nascer com cara de gelado de chocolate, ninguém ligou a este facto já o mesmo não posso dizer quando após alguns minutos a olhar para carta das sobremesas nada me agradava, foi quando já estava a desistir que a vontade mudou e passou de algo doce e frio para algo quente, pedi um chocolate bem quentinho e devo ter feito um pedido completamente estapafúrdio porque o empregado olhou-me com aquela cara de que “só pode estar a gozar” mas após insistir o rapaz lá foi perguntar se seria possível e a verdade seja dita que uns minutos depois já estava a deliciar-me com a bela da caneca de chocolate quente.
- Está mesmo a saber-te bem - o Mauro foi o primeiro a manifestar-se talvez porque percebeu que estava mesmo a deliciar-me com o belo do chocolate quente.
- Por acaso está.
- Tens muitas vezes assim desejos súbitos? - não entendi a pergunta do Mauro mas respondi.
- Desejos? Digo antes que são vontades mas se queres nomear como desejos tudo bem - levei novamente a caneca à boca.
- Desejos ou vontades tanto faz mas não respondeste à pergunta que te fiz - voltou a insistir e talvez por isso fez com que a malta olhasse toda para mim, incluindo o Ruben, à espera de uma resposta.
- Juro que não entendo o motivo de tanta curiosidade quanto às vontades que tenho e à frequência das mesmas mas para que conste até sou pessoa fácil de contentar e não tenho muitas vontades súbitas.
- Mas ultimamente as vontades não têm sido mais frequentes? - olhei-o e devo ter feito uma cara do género “não bebes mais hoje” porque a malta gargalhou toda.
- Se responder a essa pergunta ofereceste para seres o meu lacaio de serviço?
- Mor - gargalhei ao ouvir o Ruben a manifestar-se automaticamente talvez por saber que ultimamente as minhas vontades têm recaído todas sobre ele e o seu maravilhoso corpo.
- Que foi? - fiz-me de desentendida.
- Eu digo-te o que é que foi quando chegarmos a casa.
- Ui, isso é motivo para não ir dormir nos próximos dias, é? - não sei o que me deu só sei que com esta deixei o Ruben boquiaberto e a malta a gozar o “prato”.
- Ué manz cê não diga que as vontades da Mari são todas aquelas que mete esforço físico pelo meio - com esta saída do David a malta gargalhou e o Ruben ficou a olhar-me talvez à espera de uma reação minha.
- David nunca ouviste dizer que entre “marido e mulher não se mete a colher” - o David coçou a farta cabeleira o que provocou nova gargalhada ao pessoal - que é o mesmo que falar que não tens nada que te meter no assunto, deixa que trato muito bem do teu amigo podes ficar tranquilo - o Ruben olhava-me num misto de surpresa e de gozo.
O pessoal lá deixou as minhas vontades de lado mas continuamos na mera cavaqueira, permaneci no colo do Ruben mas agora a observar o meu irmão a brincar com as outras crianças, estava tão absorvida pelo cenário que tinha diante dos meus olhos que só despertei para a realidade quando o Ruben avisou que o momento de cantar os parabéns tinha chegado, pois alguns dos seus amigos tinham que ir embora uma vez que a hora já ia adiantada.
Cantamos os parabéns e quando o Ruben se preparava para cortar o bolo o Martim fez das dele ao falar e dizer que estava presente.
- Pára - falou ligeiramente alto deixando a malta a olhar.
- O que foi? - o Ruben perguntou por também não ter entendido a reação do menino.
- Tens pedir um desejo e morder a vela - gargalhamos.
- Isso é para os pequeninos.
- Não interessa, eu quero que mordas a vela e que o teu pedido seja para eu e a mana ficarmos sempre contigo - o Ruben sorriu enternecido - tás à espera do quê? - retirou a vela do bolo e deu-a ao meu amor que lhe fez a vontade - vês não doeu nada - ouviu-se nova gargalhada - tá tudo a rir porquê?
- Por nada piolho - o Ruben deu-lhe um beijinho - agora deixa-me partir o bolo, pode ser?
- Pode mas eu ajudo.
- Ai sim?
- Sim.
- E como é que pensas fazer isso?
- Tu cortas e eu dou - o Ruben sorriu.
- Temos acordo - o Martim sorriu animado com a ideia de ajudar o Ruben e saiu da frente do meu amor para que pudesse cortar o bolo - posso saber a quem vais dar a primeira fatia?
- Há pessoa mais importante que tu tens - a segurança com que o Martim falou deixou os adultos todos a olharem-me talvez por pensarem que seria para mim mas o menino surpreendeu-os ao esclarecer a sua escolha - para a tua mãe - o Ruben sorriu ao vê-lo a aproximar-se da Anabela, esta agradeceu e o Martim regressou para junto do meu amor.
- Então e a próxima é para quem? - o Ruben estava mesmo a puxar pelo Martim.
- É para a mana - sorriu - porque te atura - gargalhei acompanhada pelos restantes.
- És assim tá bem - o Ruben fingiu um amuo mas que durou uns segundos ou não fosse o Martim o desarmar com o que falou.
- Não fiques zangado porque a mana é só uma a aturar a gente por isso temos que dar miminhos a ela - o Ruben sorriu e continuou a cortar o bolo com o Martim a distribuir as fatias, uns minutos depois já tinham terminado a tarefa com êxito.
- O teu irmão é mesmo uma doçura - olhei para a Mónica.
- Só podia ser - olhamos para o Ruben - a ser criado pelo maior torrão de açúcar que conheço - o pessoal começou com as bocas mas nem liguei e para cortar ali com o momento de gozo chamei o meu irmão, afinal tinha algo revelar que só os adultos sabiam mas que era do desconhecimento do Ruben.
- Diz mana - falou assim que se aproximou de nós.
- Amor, a mana tem uma coisa para dizer-te.
- Eu tou a portar-me bem - os adultos sorriram.
- A mana sabe - dei-lhe um beijinho - mas quero dizer-te que hoje vais dormir a casa da mãe do Ruben - os meus dois amores olharam-me, afinal nenhum dos dois sabia - não te impostas?
- Porquê que não posso ir para a nossa casa? - o Ruben sorriu talvez por o ouvir chamar o apartamento dele de nossa casa.
- Porque a mana e o Ruben ainda vamos ficar mais um bocado e está a ficar tarde para ti.
- Mas eu quero ficar e eu não tenho sono - o pessoal gargalhou - tá tudo a rir porquê?
- Porque tu estás a destruíres os planos da tua mana - o Ruben falou ao abraçar-me.
- Não entendi - voltaram a gargalhar.
- Amor, não ligues ao que o Ruben disse - olhei-o de lado - Martim nós, os adultos, ainda vamos demorar mas para o sítio onde vamos não pode ir crianças por isso a mana lembrou-se que podias ficar com a Anabela, sabes o Rafael também vai ficar lá.
- Tá bem - sorri ao ouvi-lo - eu vou mas agora quero brincar mais.
- Vai lá que daqui a pouco tens de ir embora.
O menino não disse mais nada e saiu para se juntar às outras crianças mas consoante os pais delas foram saindo o Martim aproximou-se dos adultos, já só se encontrava connosco o pessoal “sem filhos” e que mantinham a vontade de ir dançar e beber uns copos por isso decidi ir falar com a Anabela.
- Não se importa mesmo de ficar com o meu irmão?
- Mariana, o menino fica bem comigo, aproveita que vocês merecem uma noite a sós - sorri meio envergonhada.
- Obrigada, vou então chamar o meu irmão - ela concordou e por isso aproximei-me novamente do Ruben que já estava com o Martim ao colo - Amor, está na hora de ires embora - olhou-me - despede-te dos nossos amigos - vi o Ruben a sorrir - que a Anabela já está à tua espera.
- Mas mana ainda falta uma coisa.
- O quê? - sorriu.
- Ruben deixa eu ir para o chão - o meu amor fez-lhe a vontade e colocou-o no chão e assim que o fez o menino correu na direção da Anabela e a chamá-la de “vó Bela” o que deixou os adultos a olharem-nos mas antes de formularem qualquer pergunta já o Martim estava de regresso e com um saco na mão, estranhei até porque não sabia o que continha o saco - toma é para ti - esticou o braço e o Ruben agarrou no saco olhando-me.
- Não olhes para mim que não sei o que está aí.
- Pois não eu pedi ajuda à vó Bela - olhei-o - eu queria dar um presente ao pai mas não sabia o quê e ela ajudou - se o Ruben estava emocionado, no que me toca estava sem palavras - não abres? - o meu amor sorriu.
- Abro sim mas antes quero o meu beijinho de parabéns.
- Eu já dei mas dou mais aqueles todos que quiseres - dito isto lançou-se para os braços do Ruben que se encontrava agachado diante do meu irmão, escusado será dizer que com o impacto o Ruben desequilibrou-se e caíram os dois no chão, aquilo para o meu irmão foi motivo para gargalhar e acabou por ser acompanhado pelos nossos amigos e familiares que agora já nos rodeavam todos - abre.
O Ruben cedeu ao pedido do Martim até porque tal como eu estava curioso para saber o que continha o saco mas assim que viu ficou realmente emocionado, ao ponto das lágrimas se terem formado nos seus olhos, ele tinha nas mãos uma caixa, aproximei-me e ao fazê-lo percebi a razão de tanta emoção quando vi a foto mas principalmente a frase que estava inscrita “Pai, A certeza de um amigo para sempre”. O Martim continuava à espera que o Ruben visse o resto e ao vê-lo sem reação voltou a insistir para que abrisse a caixa e assim que o meu amor o fez deparamo-nos com um álbum, em que tinha fotos tanto do Ruben como do Martim e lá numa ou noutra aparecia eu, o que não é de admirar já que detesto fotos, mas as deles de facto compensavam bem a falta das minhas, havia para todos os gostos, desde as mais compostas às que eles faziam caretas e macacadas, vimos foto a foto e pela primeira vez percebi que apesar do espaço temporal que une a minha vida à do Ruben ser ainda curto em termos de vivência já não posso dizer o mesmo, afinal num ano o Martim viveu o que em sete nunca teve.
Estava completamente maravilhada com o que via diante de mim, posso mesmo dizer que pela primeira vez não fiquei incomodada de ouvir o Martim a chamar o Ruben de pai, afinal foi o que senti naquele momento, não é só para o meu irmão que o Ruben é um pai também para mim já o considero pai do meu irmão, ele em meses conseguiu desarmar-me completamente com todo o amor que disponibilizou de forma gratuita ao meu piolho, deixei de ter argumentos para opor-me à relação de “pai e filho” que aqueles dois criaram ao ver diariamente que é isso que eles são, pai e filho. Estava perdida em pensamentos quando fui acordada para a realidade com um puxão do Ruben, acabei completamente envolvida pelos seus braços e a ter aquela sensação de ficar sem ar ou não fosse o Ruben ter unido os nossos lábios num beijo que teve tanto de ardente como de duração, só sei que quando nos afastamos o pessoal se encontrava todo a rir a observar a cena.
 - Gostaste? - o Martim perguntou ao mesmo tempo que tentava rodear os nossos corpos com os seus bracinhos.
- Se gostei? Amei, anda cá - pegou-lhe ao colo apertando-o contra si - és o melhor filho que podia ter - o Martim sorriu e deu-lhe um abraço apertado, já estava novamente perdida a olhar para aqueles dois - amo-te muito piolho e obrigado pelo presente.
- Não precisas agradecer eu dei porque quis - sorrimos - e porque tu és meu pai e meu amigo e fazes anos - se até aqui tinha segurado as lágrimas deixei de o conseguir fazer no instante que ouvi o meu irmão - tu e a mana são os meus pais e eu não quero saber que não é verdade porque o que interessa é o que sinto aqui - apontou para o lado esquerdo do seu peito - eu sei que não nasci da barriga da mana e nem foste tu que meteste a sementinha lá - o Ruben gargalhou - mas isso não interessa porque se os meninos que já moraram no sítio onde a mana morou e que depois de saíram podem chamar os senhores que ficaram com eles de papá e mamã eu também posso chamar vocês assim.
- Tens razão - olhei para o Ruben - quanto à tua mana compreendo que não queira que lhe chames de mãe mas a mim podes chamar de pai as vezes todas que quiseres, Martim nunca duvides que te amo como se fosses mesmo meu filho e que farei sempre tudo para que estejas feliz.
- Desculpa - olhamos os dois para o meu irmão - eu ao início sei que fui mau para ti - o Ruben interrompeu-o.
- Pshiu isso já passou - deu-lhe um beijo - e o que interessa é que hoje estás aqui e que sou o teu pai - a segurança com que o Ruben falou transmitiu-me uma sensação de calma absoluta - mas agora tens que ir com a minha mãe, está a ficar tarde para o Rafael.
- Tá bem - voltou a dar um abraço ao Ruben e mais um beijinho para no momento em que o meu amor o colocou no chão ser também eu brindada pelos mimos do meu irmão - gosto muito de ti - sorriu e deu-me muitos beijinhos para logo depois sair a correr na direção da Anabela.
Não tive tempo de reagir, o Ruben voltou a reduzir a distância existente entre os nossos corpos beijando-me agora de uma forma mais serena.
- Amo-te, foste a melhor coisa que aconteceu na minha vida - estávamos a olhar olhos nos olhos - Mariana, contigo aprendi o que é amar, o que é ser pai e ser amado como tal, o que é sair para trabalhar e desejar que as horas passem para chegar a casa e encontrar a minha família, deste-me o céu e a razão de querer melhorar de dia para dia - calei-o com um beijo, ainda ficamos numa troca de mimos mais uns minutos mas acabamos por nos aproximar dos restantes e assim que o fizemos despedimo-nos mais uma vez do meu irmão, bem como da Anabela e do Rafael que hoje também ia ficar na casa da avó.

***

Estávamos já todos no bar quando o Ruben resolveu puxar-me para dançar, ainda tentei negar afinal nunca tive muito jeito para isso mas o meu amor não foi na conversa, estive uns minutos a fazer-lhe a vontade mas consegui convencê-lo a parar ao argumentar que estava com sede.
- Ok, vai-te sentar que vou buscar qualquer coisa para bebermos - aproveitou que estava a falar-me ao ouvido para provocar-me ao dar uma ligeira trinca na orelha - tens preferência na bebida?
- Não, escolhe tu mas não tragas nada com álcool.
- Porquê? - olhou-me nos olhos.
- Até parece que não sabes que não estou habituada a beber álcool.
- Oh um copo não faz mal a ninguém.
- Pois mas não me apetece, trás um sumo qualquer mas sem álcool se faz favor.
- Tudo bem a menina manda - sorriu e depois seguiu até ao bar.
Estava já sentada quando o Ruben se aproximou sentando-se do meu lado, ficámos a trocar alguns mimos discretos quando ao ouvir uma música deu-me uma vontade louca de ir dançar, assim que o falei o Ruben desmanchou-se a rir mas fez-me a vontade, dançamos e quando terminou tentei regressar ao meu lugar mas o meu amor puxou-me novamente para ele.
- Nem penses que vais regressar já - beijou-me o pescoço - é o meu aniversário por isso tens que me fazer as vontades todas - o tom dele era de todo rebarbado.
- Meu menino tanto quanto sei já é dia 28 logo o seu dia de aniversário já terminou.
- Então tenho uma reclamação a fazer - continuávamos no meio da pista de dança mas agora mais a falar do que outra coisa.
- Ai sim? Então diga lá.
- Ainda não recebi a tua prenda - fez beicinho o que levou-me a gargalhar a sorte é que com o barulho ninguém ouviu.
- Não dei? Ora vejamos, acordei-te de uma forma assim um tanto ao quanto intensa - o Ruben trincou o lábio e sorriu à descarada - depois organizei-te aquele maravilhoso jantar, onde conviveste com os teus amigos todos, ainda achas que não chega?
- Não - sorriu - ainda falta qualquer coisita.
- Não vejo o que possa ser - voltou a sorrir - mas se o menino quiser esclarecer agradeço.
- O lugar não é o mais apropriado para te dizer o que falta - senti a sua boca e língua a passear pelo meu pescoço, o que se traduziu num arrepio pela minha coluna.
- Amor não faças isso ou deixo de responder por mim - lógico que o Ruben fez ainda pior e para ajudar à festa a música seguinte foi mais calminha, ele fez questão de dança-la, a proximidade dos nossos corpos aliada à vontade de ser dele vez com que perdesse um pouco a noção do sítio onde estava e quando a música ia a meio já as minhas mãos estavam a passear por baixo da sua camisa, beijei-o sem qualquer problema mas quando a música terminou arrependi-me de o ter feito, é que no momento que quis voltar para a mesa onde estava os nossos amigos percebi que tínhamos despertado a curiosidade de algumas pessoas, baixei o olhar e fui-me sentar no meu canto.
- Amor, não precisas ficar assim envergonhada, amanhã ninguém se lembra - beijou-me a face do lado direito - e depois não fizemos nada de mais.
Resolvi ignorar o que se tinha passado e aproveitei durante vários minutos a companhia dos nossos amigos mas como em todos os grupos de amigos há sempre uma “ovelha ranhosa” a nossa apareceu vinda do nada, quando olhei para o lado tinha a Soraia e a Inês a aproximarem-se e como não queria confusões resolvi dizer que ia até ao WC, esquivei-me sem dar hipóteses ao Ruben de refilar.
Confesso que levei mais tempo do que seria suposto mas mesmo assim quando regressei aquelas duas ainda continuavam inseridas no meio do grupo e para piorar ainda mais estavam ambas sentadas uma de cada lado do Ruben, aquilo mexeu-me com o sistema nervoso de uma forma que só tinha vontade de lhes arrancar o cabelo, respirei profundamente e caminhei em direção à mesa.

Como irá acabar a noite? Irá a Soraia conseguir melindrar a felicidade do casal?

8 comentários:

  1. Oh adorei o jantar a "pega" com o David, a prenda do Martim, o Mauro a tentar perceber se vai ser tio, a dança... Agora o aparecimento ds amigas era desnecessário.
    Posto isto onde é que está o resto????

    O próximo rápido!!

    Bjokinha
    Mariaa

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  2. Olá!
    Estes capítulos sao de deixar uma pessoa boquiaberta :O
    Adoro o Martim! Engraçado mas tão amoroso! E estas vontades da Mariana ui ui! Se lhe dá vontade de arrancar cabelos às meninas, esta tudo tramado! Ahahahah
    Quero mais!!!

    Beijo
    Ana

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  3. ai que capitulo lindooooo!!! adorei tanto o presente que o Martim ofereceu ao ruben, até a mim que deixou emocionada! LOL

    estava tudo a correr tao bem e agora aparecem estas duas para estragar a festa, mas tinhas mesmo de acabar nesta parte? isso nao é justo! xD
    quero o proximo, quero muito saber como vai correr o resto da noite! :)

    ah, e eu ainda vou descubrir quem é o pai dela, só estou à espera de fazer luz! xD

    aguardo novidades! :)

    beijinhos

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  4. Olá :D
    Como já era de esperar adorei! :p
    O Martim foi mesmo muito querido *.* ah e agora espero bem que a Soraia não estrague a felicidade do casal!
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  5. Olá :)
    Adorei o momento "pai e filho" do Rúben e do Martim *.*!!
    Tão fofinhos !!
    Quero mais,para sabermos se o Rúben irá ter o "presente" que tanto quer xD sem ninguém a atrapalhar!
    Continua ;)
    Beijinhos
    Rita

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  6. Claro né? Estava tudo bem demais pra ser verdade u.u O quê que essas das penetras vão fazer ein? Acho bom que fiquem quietinhas ou ainda apanham u_u hahaha A-M-E-I o presente e as coisas lindas que o Martim falou *-*
    Quero mais, claro. Beijos.

    Gabii :*

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  7. Bem um lindo capitulo que tinha de ter espinhas.... o que é que aquelas duas querem???
    Até já estou com medo... a minha sorte é que vou já ler :D
    Adoro, adoro.
    Beijinho.

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  8. Havia mesmo necessidade destas duas aves raras aparecerem?Uma pessoa já não pode ter uma festa de aniversário com os amigos em paz e sossego? Assim não há condições, só espero que não armem confusão, o que não deve ser nada difícil.
    Adorei a prenda do Martim, foi um querido, e a maneira como ele distribuiu o bolo pelos convidados.

    Beijocas

    Fernanda

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