Mariana
O Ruben estava feliz e a aproveitar verdadeiramente todos os
segundos para estar com os amigos, ainda assim fez sempre questão de
arrastar-me com ele para tudo o que era lado.
- Amor, estava a
falar com a Patrícia - reclamei quando o Ruben exigiu que voltasse para
junto dele e do resto do pessoal.
- Vocês têm muito
tempo para colocar a conversa em dia - beijou-me - agora quero que conheças melhor os meus amigos, pode ser? -
pedinchou e por saber que tinha razão cedi.
- Pode mas ficas
avisado que só te faço a vontade porque hoje és bebé - meti a língua de
fora e fiz uma careta o que provocou uma gargalhada sentida ao Ruben e que fez
com que todos nos olhassem, sorri envergonhada por mais uma vez ser o centro da
“polémica” algo que o Ruben percebeu e talvez por isso conseguiu fazer pior ao
anular por completo os escassos centímetros que nos separavam e a unir as
nossas bocas, o beijo esse fui tudo menos discreto o que originou uma algazarra
em volta de nós.
- Manz cê tá um
safado feito - ouvi a voz do David e ainda tentei afastar-me do Ruben
colocando termo ao beijo mas não o consegui fazer, o braço do meu amor em volta
da minha cintura e a sua mão na minha nuca impediram-me de afastar-me já para
não dizer que os seus lábios não desgrudaram dos meus de forma alguma - cê parece um aspirador - os amigos do
Ruben gargalharam - pô deve ser os ares
do Norte tá fazendo mal ao senhor bem comportado.
- Amo-te - o
Ruben sussurrou-me ao ouvido assim que terminamos com a troca de saliva, já que
o David não estava mesmo disposto a desgrudar de nós - não ligues aos disparates que o manz fala - sorriu-me o que foi
suficiente para perder-me no seu olhar, teríamos ficado ali o resto da noite a
olharmo-nos mutuamente e a sorrir mas mais uma vez o David despertou-nos para a
realidade.
- Manz cê pare de
olhar assim p'ra Mari ou ela se derrete toda e depois cê não tem com qui brincá
- não gostei de ouvir as últimas palavras mas se fiquei calada já o Ruben fez
questão de demonstrar o seu desagrado.
- David mesmo sério
já te calavas, é que isso já está a passar as marcas - o pessoal olhou
todo.
- Tava zoando-
defendeu-se.
- Pois puto mas há
coisas com as quais não se zoa, ah e para que conste o nome da minha namorada -
o Ruben encheu a boca para dizer “minha namorada” - é Mariana e não Mari - confesso que estava “parva” a olhar para ele
enquanto falava.
- Pô cê antes era bem
mais bacana - olhei à vez para aqueles dois galos fora do poleiro mas nem
tive tempo para abrir a boca porque o Ruben respondeu-lhe.
- Sempre fui e
continuo a ser bacana - imitou o amigo - desde que não me lixem a vida.
- Qui cê quer falá
com isso? - o Ruben ia para responder mas desta antecipei-me.
- Acabou se os putos
não se comportam vai cada um para o seu canto, mesmo sério o que é que vos deu
aos dois? - o David baixou o olhar e quanto ao restante pessoal uns
sorriram outros ficaram estupefatos a olharem-me.
- Amor, ele abusou ao
falar que ando a brincar e nem precisas dizer o contrário que sei bem que não
gostaste - olhava-o atenta - se
soubesse o que é amar alguém e viver na corda bamba com medo que um passo em
falso faça essa pessoa se afastar talvez não falasse o que falou - a família
e amigos olhavam-nos de repente fez-se um silêncio incomodativo ainda assim o
Ruben continuou - hoje a nossa relação
está sólida mas sabes muito bem que nem sempre foi assim - engoli em seco -
e ninguém imagina sequer as noites em
claro que passei até conseguir admitir para mim mesmo que o que me fazia correr
para a casa do Nuno era o amor que sentia e sinto por ti ou o que me custou
aquelas semanas que mal falavas comigo ou mesmo os ciúmes do Martim quando
percebeu que a nossa aproximação não seria normal para dois amigos, os
primeiros meses não foram fáceis e sabes bem disso agora este vem para aqui
mandar bocas mas quem é que ele julga que é?
- Teu amigo e teu
confidente, companheiro de muitas brincadeiras, de momentos bons e maus, mas
acima de tudo mais uma pessoa de quem te afastaste desde que foste para Braga
- o Ruben baixou o olhar - já paraste
para pensar que se hoje estarmos aqui, que se o nosso namoro está sólido, em
grande parte podes agradecer a todos os que estão aqui presentes que nunca te
julgaram nem cobraram a tua ausência, a verdade é que abdicaste de vires a
Lisboa, nas tuas folgas, veres a tua família e amigos para ficares comigo e com
o Martim, que falhaste a jantares como o que estás a ter hoje para mais uma vez
ficares com o Martim porque o meu irmão assim te pedia ou ainda que já perdeste
a conta às vezes que despachaste o David quando te liga só porque tens o menino
de volta de ti a querer brincar.
Ruben antes de
julgares o David ou qualquer outra pessoa aqui presente lembra-te que a maioria
mal me conhece, que tirando a Patrícia, o Nuno e a tua família que os restantes
só sabem que namoraras com alguém que conheceste em Braga, que tem um miúdo
para criar, que não tem onde “cair morta”, que em menos de um ano de namoro já
usas aliança e vives comigo quando sempre foste contra isso, que tens um menino
de sete anos a chamar-te de pai, que fazes qualquer coisa para que a tua
namorada e o irmão dela não se sintam deslocados no meio do teu mundo nem que
para isso tenhas de abdicar dele em prol do amor que nos une aos três. Amor,
tenho consciência disto e de muito mais, tal como também tens por isso não os
julgues, tu melhor que qualquer pessoa sabes o quanto mudaste neste último ano
e fizeste-o por iniciativa própria, nunca pedi nada mas a verdade é que se hoje
estamos juntos em parte é pelo esforço que fizeste, porque percebeste que se
não fosse assim dificilmente conseguirias destruir os muros que construi
durante anos para proteger o meu irmão.
Por isso vê se pedes
desculpas ao David pelo modo como lhe falaste que o rapaz só estava na
brincadeira, não tem culpa que o amigo com quem fazia todo o tipo de judiarias
encarnou em pleno o papel de “pai de família” e que agora aquelas bocas que
mandava aos outros já o incomodam porque toca naqueles que ama.
O Ruben olhou-me durante uns segundos para depois brindar-me
com o seu mais belo sorriso e unir os nossos lábios, assim que coloquei fim ao
beijo ouvi-o a pedir desculpas não só ao David como aos restantes e uns minutos
depois a animação regressou.
***
Aproveitei que o Ruben se distraiu com os amigos para
afastar-me um pouco, estava ligeiramente indisposta mas não queria que
percebesse, ele tinha era mais que aproveitar a noite. Estava sentada numa das
muitas cadeiras vagas quando vi as raparigas a aproximarem-se.
- Podemos? -
olhei para a Elena e encontrei-a a sorrir.
- Sim - dei
permissão e com ela sentou-se as restantes.
- Estás bem? - a
Magali foi a primeira a falar - Desculpa
estar a perguntar mas não pareces estar lá muito bem - sorri ao ouvi-la a
justificar-se.
- Estou só
ligeiramente indisposta mas isto já passa, obrigada na mesma.
- Oh não tens que
agradecer - olhei para a Romanela - só
achamos estranho estares com os rapazes e depois vires sentar-te sozinha.
- Não estou habituada
a ter tanta gente de volta de mim- fui sincera - não é nada contra vocês, é mesmo a minha maneira de ser.
- Ainda não consegues
conviver com o “mundo do Ruben” - sorri da forma como a Elena se referiu à
fama - não é?
- Não tenho nada
contra mas se puder fugir dele fujo - gargalharam.
- O que é que te faz
mais confusão?
- Magali tudo -
não sei onde estava a piada mas que elas se riram lá isso riram.
- Mas é as fãs ou
aquela sensação que para onde vão estão sempre a ser observados?
- Com fãs deves
querer dizer aquelas miúdas que não têm dois dedos de testa e que não devem ter
pais em casa, caso contrário não as deixavam fazer certas figuras - atirei
de rajada e só no fim é que percebi o que tinha dito afinal ficaram as três a
olharem-me - desculpem mas é o que
penso.
- Com o tempo
aprendes a dar um desconto e até a divertires-te com as cenas que dizem e
fazem, não passam de miúdas.
- Magali por serem
miúdas é que não deviam andar assim à solta que nem gado sem dono -
gargalharam - posso ser antiquada e tudo
o resto mas sei o que é educar uma criança e faz-me confusão ver miúdas tão
novinhas assim ao deus dará atrás dos seus ídolos sejam eles jogadores de
futebol, cantores, atores ou outra coisa qualquer, o perigo não está neles
- olhei para os rapazes que se divertiam - nem
em nós que ficamos sentadas na primeira fila a assistir ao espetáculo -
voltaram a gargalhar - está no resto que
os pais não controlam, no que as miúdas podem aceitar dos estranhos que as
rodeiam mas por os verem sempre do seu lado passam a amigos, é isso que me faz
pensar.
- Confesso que nunca
tinha pensado por esse prisma.
- É normal o teu
filho ainda é um bebé - a Magali sorriu - mas daqui a uns anos acredita que começas a ver certas situações de
outra forma.
Teríamos continuado a falar mas a Mónica fez o favor de nos
vir chamar para nos juntarmos aos rapazes porque eles tinham preparado uma
pequena brincadeira para o Ruben, aproximei-me do meu amor e assim que o fiz os
seus braços rodearam-me a cintura. O jogo consistia em descrever o meu amor
numa só palavra, o que originou momentos de gargalhadas ou não fossem os amigos
terem aproveitado para segundo eles descreverem a pessoa que tinha agarrada a
mim o melhor possível para que mais tarde não puder dizer que não me alertaram
para o perigo que corria a tê-lo do meu lado.
***
O jogo já tinha terminado mas continuava inserida no grupo
de amigos do Ruben, agora já sentada ao seu colo e a participar nas conversas
paralelas que foram surgindo. Foi quando estava a falar com os rapazes que vi o
empregado a trazer uma taça de gelado para a Patrícia, tinha-lhe dado um desejo
súbito e como tal teve que o satisfazer ou não fosse o bebé nascer com cara de
gelado de chocolate, ninguém ligou a este facto já o mesmo não posso dizer
quando após alguns minutos a olhar para carta das sobremesas nada me agradava,
foi quando já estava a desistir que a vontade mudou e passou de algo doce e
frio para algo quente, pedi um chocolate bem quentinho e devo ter feito um
pedido completamente estapafúrdio porque o empregado olhou-me com aquela cara
de que “só pode estar a gozar” mas após insistir o rapaz lá foi perguntar se
seria possível e a verdade seja dita que uns minutos depois já estava a
deliciar-me com a bela da caneca de chocolate quente.
- Está mesmo a
saber-te bem - o Mauro foi o primeiro a manifestar-se talvez porque
percebeu que estava mesmo a deliciar-me com o belo do chocolate quente.
- Por acaso está.
- Tens muitas vezes
assim desejos súbitos? - não entendi a pergunta do Mauro mas respondi.
- Desejos? Digo antes
que são vontades mas se queres nomear como desejos tudo bem - levei
novamente a caneca à boca.
- Desejos ou vontades
tanto faz mas não respondeste à pergunta que te fiz - voltou a insistir e
talvez por isso fez com que a malta olhasse toda para mim, incluindo o Ruben, à
espera de uma resposta.
- Juro que não
entendo o motivo de tanta curiosidade quanto às vontades que tenho e à
frequência das mesmas mas para que conste até sou pessoa fácil de contentar e
não tenho muitas vontades súbitas.
- Mas ultimamente as
vontades não têm sido mais frequentes? - olhei-o e devo ter feito uma cara
do género “não bebes mais hoje” porque a malta gargalhou toda.
- Se responder a essa
pergunta ofereceste para seres o meu lacaio de serviço?
- Mor - gargalhei
ao ouvir o Ruben a manifestar-se automaticamente talvez por saber que
ultimamente as minhas vontades têm recaído todas sobre ele e o seu maravilhoso
corpo.
- Que foi? -
fiz-me de desentendida.
- Eu digo-te o que é
que foi quando chegarmos a casa.
- Ui, isso é motivo
para não ir dormir nos próximos dias, é? - não sei o que me deu só sei que
com esta deixei o Ruben boquiaberto e a malta a gozar o “prato”.
- Ué manz cê não diga
que as vontades da Mari são todas aquelas que mete esforço físico pelo meio
- com esta saída do David a malta gargalhou e o Ruben ficou a olhar-me talvez à
espera de uma reação minha.
- David nunca ouviste
dizer que entre “marido e mulher não se mete a colher” - o David coçou a
farta cabeleira o que provocou nova gargalhada ao pessoal - que é o mesmo que falar que não tens nada
que te meter no assunto, deixa que trato muito bem do teu amigo podes ficar
tranquilo - o Ruben olhava-me num misto de surpresa e de gozo.
O pessoal lá deixou as minhas vontades de lado mas
continuamos na mera cavaqueira, permaneci no colo do Ruben mas agora a observar
o meu irmão a brincar com as outras crianças, estava tão absorvida pelo cenário
que tinha diante dos meus olhos que só despertei para a realidade quando o
Ruben avisou que o momento de cantar os parabéns tinha chegado, pois alguns dos
seus amigos tinham que ir embora uma vez que a hora já ia adiantada.
Cantamos os parabéns e quando o Ruben se preparava para
cortar o bolo o Martim fez das dele ao falar e dizer que estava presente.
- Pára - falou
ligeiramente alto deixando a malta a olhar.
- O que foi? - o
Ruben perguntou por também não ter entendido a reação do menino.
- Tens pedir um
desejo e morder a vela - gargalhamos.
- Isso é para os
pequeninos.
- Não interessa, eu
quero que mordas a vela e que o teu pedido seja para eu e a mana ficarmos
sempre contigo - o Ruben sorriu enternecido - tás à espera do quê? - retirou a vela do bolo e deu-a ao meu amor
que lhe fez a vontade - vês não doeu
nada - ouviu-se nova gargalhada - tá
tudo a rir porquê?
- Por nada piolho
- o Ruben deu-lhe um beijinho - agora
deixa-me partir o bolo, pode ser?
- Pode mas eu ajudo.
- Ai sim?
- Sim.
- E como é que pensas
fazer isso?
- Tu cortas e eu dou
- o Ruben sorriu.
- Temos acordo -
o Martim sorriu animado com a ideia de ajudar o Ruben e saiu da frente do meu
amor para que pudesse cortar o bolo - posso
saber a quem vais dar a primeira fatia?
- Há pessoa mais
importante que tu tens - a segurança com que o Martim falou deixou os
adultos todos a olharem-me talvez por pensarem que seria para mim mas o menino
surpreendeu-os ao esclarecer a sua escolha - para a tua mãe - o Ruben sorriu ao vê-lo a aproximar-se da Anabela,
esta agradeceu e o Martim regressou para junto do meu amor.
- Então e a próxima é
para quem? - o Ruben estava mesmo a puxar pelo Martim.
- É para a mana -
sorriu - porque te atura - gargalhei
acompanhada pelos restantes.
- És assim tá bem -
o Ruben fingiu um amuo mas que durou uns segundos ou não fosse o Martim o
desarmar com o que falou.
- Não fiques zangado
porque a mana é só uma a aturar a gente por isso temos que dar miminhos a ela
- o Ruben sorriu e continuou a cortar o bolo com o Martim a distribuir as
fatias, uns minutos depois já tinham terminado a tarefa com êxito.
- O teu irmão é mesmo
uma doçura - olhei para a Mónica.
- Só podia ser -
olhamos para o Ruben - a ser criado pelo
maior torrão de açúcar que conheço - o pessoal começou com as bocas mas nem
liguei e para cortar ali com o momento de gozo chamei o meu irmão, afinal tinha
algo revelar que só os adultos sabiam mas que era do desconhecimento do Ruben.
- Diz mana -
falou assim que se aproximou de nós.
- Amor, a mana tem
uma coisa para dizer-te.
- Eu tou a portar-me
bem - os adultos sorriram.
- A mana sabe -
dei-lhe um beijinho - mas quero dizer-te
que hoje vais dormir a casa da mãe do Ruben - os meus dois amores
olharam-me, afinal nenhum dos dois sabia - não
te impostas?
- Porquê que não
posso ir para a nossa casa? - o Ruben sorriu talvez por o ouvir chamar o
apartamento dele de nossa casa.
- Porque a mana e o
Ruben ainda vamos ficar mais um bocado e está a ficar tarde para ti.
- Mas eu quero ficar
e eu não tenho sono - o pessoal gargalhou - tá tudo a rir porquê?
- Porque tu estás a
destruíres os planos da tua mana - o Ruben falou ao abraçar-me.
- Não entendi -
voltaram a gargalhar.
- Amor, não ligues ao
que o Ruben disse - olhei-o de lado - Martim
nós, os adultos, ainda vamos demorar mas para o sítio onde vamos não pode ir
crianças por isso a mana lembrou-se que podias ficar com a Anabela, sabes o
Rafael também vai ficar lá.
- Tá bem - sorri
ao ouvi-lo - eu vou mas agora quero
brincar mais.
- Vai lá que daqui a
pouco tens de ir embora.
O menino não disse mais nada e saiu para se juntar às outras
crianças mas consoante os pais delas foram saindo o Martim aproximou-se dos
adultos, já só se encontrava connosco o pessoal “sem filhos” e que mantinham a
vontade de ir dançar e beber uns copos por isso decidi ir falar com a Anabela.
- Não se importa
mesmo de ficar com o meu irmão?
- Mariana, o menino
fica bem comigo, aproveita que vocês merecem uma noite a sós - sorri meio
envergonhada.
- Obrigada, vou então
chamar o meu irmão - ela concordou e por isso aproximei-me novamente do
Ruben que já estava com o Martim ao colo - Amor,
está na hora de ires embora - olhou-me - despede-te dos nossos amigos - vi o Ruben a sorrir - que a Anabela já está à tua espera.
- Mas mana ainda
falta uma coisa.
- O quê? -
sorriu.
- Ruben deixa eu ir
para o chão - o meu amor fez-lhe a vontade e colocou-o no chão e assim que
o fez o menino correu na direção da Anabela e a chamá-la de “vó Bela” o que
deixou os adultos a olharem-nos mas antes de formularem qualquer pergunta já o
Martim estava de regresso e com um saco na mão, estranhei até porque não sabia
o que continha o saco - toma é para ti
- esticou o braço e o Ruben agarrou no saco olhando-me.
- Não olhes para mim
que não sei o que está aí.
- Pois não eu pedi
ajuda à vó Bela - olhei-o - eu
queria dar um presente ao pai mas não sabia o quê e ela ajudou - se o Ruben
estava emocionado, no que me toca estava sem palavras - não abres? - o meu amor sorriu.
- Abro sim mas antes
quero o meu beijinho de parabéns.
- Eu já dei mas dou
mais aqueles todos que quiseres - dito isto lançou-se para os braços do
Ruben que se encontrava agachado diante do meu irmão, escusado será dizer que
com o impacto o Ruben desequilibrou-se e caíram os dois no chão, aquilo para o
meu irmão foi motivo para gargalhar e acabou por ser acompanhado pelos nossos
amigos e familiares que agora já nos rodeavam todos - abre.

Estava completamente maravilhada com o que via diante de
mim, posso mesmo dizer que pela primeira vez não fiquei incomodada de ouvir o
Martim a chamar o Ruben de pai, afinal foi o que senti naquele momento, não é
só para o meu irmão que o Ruben é um pai também para mim já o considero pai do
meu irmão, ele em meses conseguiu desarmar-me completamente com todo o amor que
disponibilizou de forma gratuita ao meu piolho, deixei de ter argumentos para
opor-me à relação de “pai e filho” que aqueles dois criaram ao ver diariamente
que é isso que eles são, pai e filho. Estava perdida em pensamentos quando fui
acordada para a realidade com um puxão do Ruben, acabei completamente envolvida
pelos seus braços e a ter aquela sensação de ficar sem ar ou não fosse o Ruben
ter unido os nossos lábios num beijo que teve tanto de ardente como de duração,
só sei que quando nos afastamos o pessoal se encontrava todo a rir a observar a
cena.
- Gostaste? - o Martim perguntou ao mesmo
tempo que tentava rodear os nossos corpos com os seus bracinhos.
- Se gostei? Amei,
anda cá - pegou-lhe ao colo apertando-o contra si - és o melhor filho que podia ter - o Martim sorriu e deu-lhe um
abraço apertado, já estava novamente perdida a olhar para aqueles dois - amo-te muito piolho e obrigado pelo
presente.
- Não precisas
agradecer eu dei porque quis - sorrimos - e porque tu és meu pai e meu amigo e fazes anos - se até aqui tinha
segurado as lágrimas deixei de o conseguir fazer no instante que ouvi o meu
irmão - tu e a mana são os meus pais e
eu não quero saber que não é verdade porque o que interessa é o que sinto aqui
- apontou para o lado esquerdo do seu peito - eu sei que não nasci da barriga da mana e nem foste tu que meteste a
sementinha lá - o Ruben gargalhou - mas
isso não interessa porque se os meninos que já moraram no sítio onde a mana
morou e que depois de saíram podem chamar os senhores que ficaram com eles de
papá e mamã eu também posso chamar vocês assim.
- Tens razão -
olhei para o Ruben - quanto à tua mana
compreendo que não queira que lhe chames de mãe mas a mim podes chamar de pai
as vezes todas que quiseres, Martim nunca duvides que te amo como se fosses
mesmo meu filho e que farei sempre tudo para que estejas feliz.
- Desculpa -
olhamos os dois para o meu irmão - eu ao
início sei que fui mau para ti - o Ruben interrompeu-o.
- Pshiu isso já
passou - deu-lhe um beijo - e o que
interessa é que hoje estás aqui e que sou o teu pai - a segurança com que o
Ruben falou transmitiu-me uma sensação de calma absoluta - mas agora tens que ir com a minha mãe, está a ficar tarde para o
Rafael.
- Tá bem - voltou
a dar um abraço ao Ruben e mais um beijinho para no momento em que o meu amor o
colocou no chão ser também eu brindada pelos mimos do meu irmão - gosto muito de ti - sorriu e deu-me
muitos beijinhos para logo depois sair a correr na direção da Anabela.
Não tive tempo de reagir, o Ruben voltou a reduzir a
distância existente entre os nossos corpos beijando-me agora de uma forma mais
serena.
- Amo-te, foste a
melhor coisa que aconteceu na minha vida - estávamos a olhar olhos nos
olhos - Mariana, contigo aprendi o que é
amar, o que é ser pai e ser amado como tal, o que é sair para trabalhar e
desejar que as horas passem para chegar a casa e encontrar a minha família,
deste-me o céu e a razão de querer melhorar de dia para dia - calei-o com
um beijo, ainda ficamos numa troca de mimos mais uns minutos mas acabamos por
nos aproximar dos restantes e assim que o fizemos despedimo-nos mais uma vez do
meu irmão, bem como da Anabela e do Rafael que hoje também ia ficar na casa da
avó.
***
Estávamos já todos no bar quando o Ruben resolveu puxar-me
para dançar, ainda tentei negar afinal nunca tive muito jeito para isso mas o
meu amor não foi na conversa, estive uns minutos a fazer-lhe a vontade mas
consegui convencê-lo a parar ao argumentar que estava com sede.
- Ok, vai-te sentar
que vou buscar qualquer coisa para bebermos - aproveitou que estava a
falar-me ao ouvido para provocar-me ao dar uma ligeira trinca na orelha - tens preferência na bebida?
- Não, escolhe tu mas
não tragas nada com álcool.
- Porquê? -
olhou-me nos olhos.
- Até parece que não
sabes que não estou habituada a beber álcool.
- Oh um copo não faz
mal a ninguém.
- Pois mas não me
apetece, trás um sumo qualquer mas sem álcool se faz favor.
- Tudo bem a menina
manda - sorriu e depois seguiu até ao bar.
Estava já sentada quando o Ruben se aproximou sentando-se do
meu lado, ficámos a trocar alguns mimos discretos quando ao ouvir uma música
deu-me uma vontade louca de ir dançar, assim que o falei o Ruben desmanchou-se
a rir mas fez-me a vontade, dançamos e quando terminou tentei regressar ao meu
lugar mas o meu amor puxou-me novamente para ele.
- Nem penses que vais
regressar já - beijou-me o pescoço - é
o meu aniversário por isso tens que me fazer as vontades todas - o tom dele
era de todo rebarbado.
- Meu menino tanto
quanto sei já é dia 28 logo o seu dia de aniversário já terminou.
- Então tenho uma
reclamação a fazer - continuávamos no meio da pista de dança mas agora mais
a falar do que outra coisa.
- Ai sim? Então diga
lá.
- Ainda não recebi a
tua prenda - fez beicinho o que levou-me a gargalhar a sorte é que com o
barulho ninguém ouviu.
- Não dei? Ora
vejamos, acordei-te de uma forma assim um tanto ao quanto intensa - o Ruben
trincou o lábio e sorriu à descarada - depois
organizei-te aquele maravilhoso jantar, onde conviveste com os teus amigos
todos, ainda achas que não chega?
- Não - sorriu - ainda falta qualquer coisita.
- Não vejo o que
possa ser - voltou a sorrir - mas se
o menino quiser esclarecer agradeço.
- O lugar não é o
mais apropriado para te dizer o que falta - senti a sua boca e língua a
passear pelo meu pescoço, o que se traduziu num arrepio pela minha coluna.
- Amor não faças isso
ou deixo de responder por mim - lógico que o Ruben fez ainda pior e para
ajudar à festa a música seguinte foi mais calminha, ele fez questão de
dança-la, a proximidade dos nossos corpos aliada à vontade de ser dele vez com
que perdesse um pouco a noção do sítio onde estava e quando a música ia a meio
já as minhas mãos estavam a passear por baixo da sua camisa, beijei-o sem
qualquer problema mas quando a música terminou arrependi-me de o ter feito, é
que no momento que quis voltar para a mesa onde estava os nossos amigos percebi
que tínhamos despertado a curiosidade de algumas pessoas, baixei o olhar e
fui-me sentar no meu canto.
- Amor, não precisas
ficar assim envergonhada, amanhã ninguém se lembra - beijou-me a face do
lado direito - e depois não fizemos nada
de mais.
Resolvi ignorar o que se tinha passado e aproveitei durante
vários minutos a companhia dos nossos amigos mas como em todos os grupos de
amigos há sempre uma “ovelha ranhosa” a nossa apareceu vinda do nada, quando
olhei para o lado tinha a Soraia e a Inês a aproximarem-se e como não queria
confusões resolvi dizer que ia até ao WC, esquivei-me sem dar hipóteses ao
Ruben de refilar.
Confesso que levei mais tempo do que seria suposto mas mesmo
assim quando regressei aquelas duas ainda continuavam inseridas no meio do
grupo e para piorar ainda mais estavam ambas sentadas uma de cada lado do
Ruben, aquilo mexeu-me com o sistema nervoso de uma forma que só tinha vontade
de lhes arrancar o cabelo, respirei profundamente e caminhei em direção à mesa.
Como irá acabar a noite? Irá a Soraia conseguir melindrar a felicidade
do casal?
Oh adorei o jantar a "pega" com o David, a prenda do Martim, o Mauro a tentar perceber se vai ser tio, a dança... Agora o aparecimento ds amigas era desnecessário.
ResponderEliminarPosto isto onde é que está o resto????
O próximo rápido!!
Bjokinha
Mariaa
Olá!
ResponderEliminarEstes capítulos sao de deixar uma pessoa boquiaberta :O
Adoro o Martim! Engraçado mas tão amoroso! E estas vontades da Mariana ui ui! Se lhe dá vontade de arrancar cabelos às meninas, esta tudo tramado! Ahahahah
Quero mais!!!
Beijo
Ana
ai que capitulo lindooooo!!! adorei tanto o presente que o Martim ofereceu ao ruben, até a mim que deixou emocionada! LOL
ResponderEliminarestava tudo a correr tao bem e agora aparecem estas duas para estragar a festa, mas tinhas mesmo de acabar nesta parte? isso nao é justo! xD
quero o proximo, quero muito saber como vai correr o resto da noite! :)
ah, e eu ainda vou descubrir quem é o pai dela, só estou à espera de fazer luz! xD
aguardo novidades! :)
beijinhos
Olá :D
ResponderEliminarComo já era de esperar adorei! :p
O Martim foi mesmo muito querido *.* ah e agora espero bem que a Soraia não estrague a felicidade do casal!
Beijinhos
Ritááá xD
Olá :)
ResponderEliminarAdorei o momento "pai e filho" do Rúben e do Martim *.*!!
Tão fofinhos !!
Quero mais,para sabermos se o Rúben irá ter o "presente" que tanto quer xD sem ninguém a atrapalhar!
Continua ;)
Beijinhos
Rita
Claro né? Estava tudo bem demais pra ser verdade u.u O quê que essas das penetras vão fazer ein? Acho bom que fiquem quietinhas ou ainda apanham u_u hahaha A-M-E-I o presente e as coisas lindas que o Martim falou *-*
ResponderEliminarQuero mais, claro. Beijos.
Gabii :*
Bem um lindo capitulo que tinha de ter espinhas.... o que é que aquelas duas querem???
ResponderEliminarAté já estou com medo... a minha sorte é que vou já ler :D
Adoro, adoro.
Beijinho.
Havia mesmo necessidade destas duas aves raras aparecerem?Uma pessoa já não pode ter uma festa de aniversário com os amigos em paz e sossego? Assim não há condições, só espero que não armem confusão, o que não deve ser nada difícil.
ResponderEliminarAdorei a prenda do Martim, foi um querido, e a maneira como ele distribuiu o bolo pelos convidados.
Beijocas
Fernanda