Mariana
Depois de um dia animado estava na cozinha a terminar o
jantar quando o Martim entrou a correr na cozinha, agarrando-se às minhas
pernas.
- Mana o Ruben tá a
ser mau para mim - olhei-o.
- Explica lá isso.
- Eu tava a falar com
ele e perguntei uma coisa e o Ruben não respondeu, depois eu disse que vinha
perguntar a ti e contar que ele tinha sido mau para mim e o Ruben disse que dava-me
um castigo se falasse isso.
- O que é que não
estás a contar? - olhou-me - O Ruben
não diria uma coisa dessas sem motivo.
- Tás do lado dele?
Vês eu sabia que ias deixar de gostar de mim - o Martim tentou sair da
cozinha mas agarrei-o pelo braço - larga-me
não gosto de ti.
- Quero falar contigo
- disse calmamente - Martim não te
admito cenas destas, sabes bem que não é verdade o que acabaste de falar, a
mana gosta muito de ti mas não acredito que o Ruben iria meter-te de castigo
sem motivo por isso vamos ter os três uma conversa e resolver este mal-entendido
de uma vez.
- Não quero, ele é
mau.
- Martim, o Ruben
adora-te, ainda hoje levou-te a passear, foste conhecer um sítio novo com
animais.
- Ele só diz que
gosta de mim á tua frente.
- Martim Miguel já
estás a abusar - olhou-me chateado - se
isso fosse verdade não pedias ao Ruben para levar-te aos treinos, para brincar
contigo, para ajudar-te nos trabalhos da escola ou a tomar banho. Afinal o que
é que te deu para começares a dizer essas mentiras todas?
O Martim não respondeu e saiu da cozinha deixando-me a falar
para as paredes, já ia toda lançada atrás do meu irmão quando a voz do Ruben
fez com que parasse, olhei para trás e encontrei-o com o “rosto fechado”.
- Ruben, afinal o que
se passou? Sim, porque como é lógico não acredito no que o Martim falou.
- Ele começou
novamente com perguntas sobre o presente que o Mauro ofereceu, disse-lhe que
aquilo não era assunto para a idade dele e o menino achou por bem ameaçar-me ao
falar que vinha dizer-te que estava a ser mau para ele, disse-lhe que não
admitia isso e que se o fizesse o metia de castigo, o resto já sabes -
olhou-me - foi a conversa que tiveste
com ele.
Apesar da situação acabei por gargalhar perante a aflição do
Ruben, por momentos até tive pena dele, coitado, estava mesmo sem saber como
lidar com o amuo do meu irmão, aquilo para o Ruben tinha sido novidade uma vez
que o Martim apesar de já ter feito birras por ciúmes nunca lhe deixou de falar
e muito menos tentou colocar-nos um contra o outro, talvez por isso o Ruben
estava mais preocupado.
- Ruben não precisas
fazer disto um drama - abracei-o - amor
o Martim só achou que iria conseguir algo com esta cena toda, mas a única coisa
que conseguiu foi dois trabalhos - olhou-me - emburrar e desemburrar.
- Vais falar com ele?
- Vou mas daqui a um
bocado, deixa-o curtir o burro sozinho que é para não ser mimado.
- Isso não o irá
deixar mais chateado, afinal não lhe estás a ligar nenhuma.
- Nunca liguei às
birras do Martim, conforme amarra o burro também o liberta por isso não ligues.
- Mas custa ver o
menino aborrecido comigo - sorri - não
tem piada.
- Amor habitua-te
porque birras destas vais ter de aturar sempre que lhe “morder a mosca”.
- Se lhe
explicássemos o que quer saber podia ser que lhe passasse mais depressa -
gargalhei.
- Ruben, tens todo o
meu apoio para ires em frente, isto se arranjares uma forma de lhe explicar o
que quer saber de modo a que entenda o que estás a dizer, mas quando o fizeres
quero estar presente porque garanto-te que vai ser uma cena digna de Óscar
-olhou-me - amor mesmo sério estás à
espera que um puto de sete anos perceba o que vais dizer? Ruben, é só uma
criança não podes chegar e dizer que é um preservativo sem lhe explicares para
que serve e ao fazeres isso corres o risco do Martim perguntar como se usa,
queres mesmo ter essa conversa com ele?
- Pois - sorriu -
talvez seja mesmo melhor estar quieto e
esperar que lhe passe a birra.
- Sim, é melhor mas
agora vai chamá-lo para jantar enquanto coloco o comer na mesa.
- Amor não queres
fazer antes ao contrário?
- Ui, estás com medo
de um puto de sete anos?
- Não, mas se for lá
o Martim de certeza que não vem.
- Ó vida - sorri
- não faltava mais nada - barafustei
enquanto caminhava até ao quarto onde estava o Martim.
Entrei e encontrei-o deitado na cama de barriga para baixo,
chamei-o mas o Martim resolveu fingir que não ouviu e ainda teve o descaramento
de esconder a cara na almofada.
- Martim levanta-te
imediatamente, vamos jantar.
- Não tenho fome.
- Ai não? Tudo bem
mas vais sentar-te à mesa connosco na mesma.
- Não quero.
- Quero eu, por isso
temos pena mas vais sair dessa cama imediatamente e sem refilar - continuou
a fingir que não ouvia - Martim já estás
a abusar, queres ficar de burro é lá contigo, o problema é teu mas nunca admiti
faltas de respeito por isso não falo mais vez nenhuma, estás a ouvir?
Não respondeu, levantou-se e seguiu à minha frente de
trombas, assim que se sentou na mesa o Ruben olhou-me, não comentei nada mas
sorri-lhe. Coloquei a comida do Martim no prato que lhe meti à frente mas como
esperava não tocou no jantar.
- Não queres comer?
- o Ruben perguntou-lhe - Não respondes?
- insistiu ao não obter resposta - O
gato comeu-te a língua? - o Martim olhou-o mas continuou mudo e de trombas
- Não tens fome? - o meu irmão
abanou a cabeça em sinal de negação.
Percebi que não adiantava o Ruben continuar a insistir e por
isso fiz-lhe sinal para que parasse, jantamos com alguma conversa à mistura e
sempre com o Martim atento ainda assim sem abrir a boca. No final de jantar fui
buscar a sobremesa que não era mais do que o gelado preferido do meu irmão mas
como castigo só servi o Ruben e retirei um bocadinho para mim, estávamos a
comer quando vi o Martim a esticar-se para chegar ao gelado.
- Ó meu menino tira a
mão - olhou-me - se não tiveste fome
para jantar também não tens para comer gelado - olhou-me novamente danado -
não adianta olhares-me assim, não tenho
medo de ti. Queres gelado, comes primeiro o que tens no prato.
Não respondeu, olhou para o prato e puxou-o para si mas
assim que meteu a primeira garfada à boca reclamou.
- Tá frio.
- A sério? Quem te
mandou não comeres ao mesmo tempo que nós, agora comes assim e é se queres
porque se não tinhas fome há cinco minutos também não tens agora, se é por
gulosice não te faz mal nenhum não comeres sobremesa - o Ruben olhou-me mas
não atreveu a abrir a boca.
- Posso sair da mesa?
- perguntou de trombas.
- Não, ainda não
terminamos.
Não abriu mais a boca mas também não deu o braço a torcer,
lá nisso somos ambos parecidos, teimosos até dizer chega. Fiz questão de
saborear o gelado lentamente, algo que o Ruben percebeu porque notei que estava
a fazer um esforço enorme para não rir e só quando terminei de comer é que dei
permissão para o Martim se levantar, assim que o fiz, o menino foi direto ao
quarto.
- Amor, foste mazinha
- gargalhou - mas olha que o Martim
também não vergou - sorri ao ouvi-lo.
- Deixa que há-de
vergar.
- Ele costuma fazer
isto muitas vezes?
- Já chegou a fazer,
ele sabe que não tem razão mas nunca dá o braço a torcer e acha que ao fazer
cenas destas que leva a água ao seu moinho.
- Não digas isso
- olhei-o - já vi o menino a dar o braço
a torcer muita vez - sorri ao ouvi-lo.
- Amor mas de todas
as vezes foi porque errou e repreendi-o, não foi porque resolveu emburrar
sozinho. Ruben, o que quis dizer é que o Martim quando tem consciência que
errou mas que não o castigo faz cenas destas para chamar a atenção, mas não
posso dar-me ao luxo de ignorá-las porque depois torna-se um hábito, percebes?
- Sim mas sou sincero
não gostei do que vi - voltei a olhá-lo afinal estava a lavar a loiça.
- Porquê?
- O menino ficou sem
comer.
- Não morre por isso
e se a fome for muita daqui a um bocado mete o rabinho entre as pernas para
pedir comer.
- Mesmo assim -
sorri - o que foi?
- Não consegues mesmo
dizer que não ao Martim.
- O que queres?
Faz-me confusão, olho para ele e vejo uma criança e não um adulto que consegue
entender que agiu mal.
- Amor, por ser
criança é que temos a obrigação de sermos mais duros com ele no sentido de
repreendê-lo, o Martim tem de crescer a saber distinguir o certo do errado,
muitas vezes só se consegue isso castigando-os ou ralhando, sinceramente
prefiro o castigo porque para a próxima ele recorda-se.
- Faz-me confusão ver
que consegues ser fria a esse ponto.
- Ruben, não gosto de
fazer o que fiz hoje mas é para o bem dele, não é fácil mas educar uma criança
não tem só coisas boas.
- Então não vou ser
capaz de educar ninguém - sorri com o desabafo dele - olho para o Martim e derreto-me completamente.
- Amor dá tempo ao
tempo, acredita que daqui a uns meses já consegues castigá-lo sem grandes
remorsos, é só o Martim começar a aprontar para cima de ti.
- Mariana com isto
tudo ainda queres ir viver comigo? - gargalhei.
- Deu-te para a
insegurança, foi? - aproveitei o facto de já ter terminado de lavar a loiça
para o abraçar - Amor, não é uma birra
do meu irmão que vai alterar o que quer que seja.
Terminamos por ir até à sala onde passamos as horas
seguintes a namorar e foi quando decidimos ir dormir que voltamos a ver o
Martim, uma vez que fomos até ao seu quarto, assim que entramos vimo-lo a
dormir serenamente o que deu-me vontade de rir, a pestinha do meu irmão levou a
birra até à última e acabou por adormecer, aconcheguei-lhe a roupa e demos-lhe
um beijinho.
Chegamos ao nosso quarto e uns minutos depois já estava
deitada, o Ruben bem que reclamou por mimos mas não teve grande sorte, ainda
lhe dei alguns mas o que queria mesmo não teve, estava cansada e com sono por
isso acabei por adormecer rapidamente.
***
Acordei disposta a recompensar o Ruben pela nega que lhe
tinha dado na noite anterior, por isso mesmo despertei-o com alguns beijos e
carícias, não foi preciso muito para que nos voltássemos a entregar um ao
outro, amamo-nos e quando já estávamos a recuperar ouvi o meu irmão a bater à
porta, suspirei mas acabei por levantar-me para ir abrir a porta.
- Mana, tenho fome
- falou ao sentar-se na cama para logo de seguida dar um beijinho ao Ruben e
que apanhou o meu amor desprevenido.
- Então vai beber um
iogurte que a mana daqui pouco prepara o nosso pequeno-almoço.
- Tá bem - sorriu
e saiu feliz da vida do nosso quarto.
- Que foi? -
perguntei ao voltar a aninhar-me nos braços do Ruben.
- Já lhe passou o
burro - sorri - mas não deixa de ser
estranho.
- Amor, avisei-te que
não havia razões para ficares preocupado.
O Ruben não respondeu, beijou-me e depois foi para o duche
enquanto fui preparar o nosso pequeno-almoço. Comemos os três e no fim fomos
dar um passeio.
- Onde vamos? - o
Martim perguntou assim que entramos para o carro do Ruben.
- Tens algum sítio
que gostasses de ir? - o Ruben perguntou de facto faz-lhe as vontades
todas.
- Quero ver o mar
- sorrimos os dois ao ouvi-lo e logo depois o Ruben deu início à condução.
Fizemos a viagem à conversa com o meu irmão e quando reparei
já estávamos em Cascais, o meu amor estacionou o carro e saímos, fomos até à
praia para o meu irmão ver o mar. Estávamos atentos ao Martim que brincava na
areia quando ouvimos uma voz familiar a chamar pelo Ruben, não precisei de
olhar para identificar como sendo a Soraia.
O Ruben cumprimentou-a simplesmente com um bom dia, gesto
que repeti mas que ao contrário dele que teve resposta a mim a Soraia além de
ignorar-me ainda teve o descaramento de ser desagradável ao perguntar se o
Ruben tinha vindo mostrar Cascais à empregada.
- Soraia respeita a
Mariana – ouvi o meu amor a pedi-lhe.
- Até parece que essa
daí respeitou-me – olhei-a.
- Aqui ninguém te
faltou ao respeito.
- Lógico que não, ela
nem se enfiava no teu quarto nem nada – respirei profundamente e antes que
pudesse responder o Ruben fê-lo por mim.
- A Mariana de todas
as vezes que entrou no meu quarto enquanto namorávamos sempre se deu ao
respeito e pediu sempre licença, se entrava era porque lhe permitia isso, logo
se alguém não se deu ao respeito quanto muito fui eu mas nem nisso tens razões
para falar, nunca te traí.
- Nunca traíste?
- Não.
- Podes nunca o ter
feito fisicamente mas em pensamento fizeste-o mais do que uma vez e nem adianta
negares porque teres-me chamado Mariana depois de termos acabado de fazer sexo
foi como uma traição para mim e nem
assim tiveste a coragem para admitir que estavas deserto de ir para a cama com
a empregada.
- Chega, estás a
humilhar-te sem razão, nós acabamos e por isso já não temos nada que nos meter
na vida um do outro. Aceita de uma vez que a nossa história terminou, segue com
a tua vida porque eu já segui com a minha.
- Estás a confirmar
que estão juntos? – olhei para o Ruben.
- Sim, namoramos–
abraçou-me.
- Deves estar
satisfeita – acusou – tanto que
fizeste que finalmente conseguiste prender o Ruben mas olha que esse daí é
daqueles que usa e deita fora – o Ruben iria responder mas antecipei-me.
- Soraia isso a
acontecer será problema meu e não teu, nunca me meti na tua vida por isso
agradeço que faças o mesmo, sei que custa quando alguém de quem gostamos nos
desilude mas se o Ruben já não te amava também não adiantava nada que ficasse
contigo, seriam os dois infelizes.
- Nós estávamos bem
até apareceres – acusou-me.
- Soraia desculpa mas
não estavam, vocês já não eram um casal há muito.
- Isso é o que o
Ruben diz.
- Não, isso foi o que
vi no dia que nos conhecemos, não foi preciso o Ruben dizer nada, bastou ver-vos
juntos para perceber que o vosso namoro não andava bem e depois com o passar
dos meses só tive a confirmação do que já sabia. Soraia, nós namoramos e independentemente
do que falares não consegues que fique com dúvidas.
- Ele vai acabar por
fazer-te o mesmo – olhei para o Ruben – e nesse dia vou estar cá para rir.
- Chega – o Ruben
meteu-se na conversa - Soraia percebe de
uma vez por todas que amo a Mariana como nunca te amei a ti, desculpa dizer
isto assim mas já estás a passar os limites, não tenho culpa de tudo o que nos
aconteceu, é verdade que fui eu que me apaixonei por outra rapariga mas são
coisas que acontecem, não deu para evitar, percebo que para ti não seja fácil
mas não podia continuar do teu lado quando amo outra mulher.
- Mulher que só está
interessada no teu dinheiro.
- Soraia, essa é a
tua opinião e se queres saber nem vou estar a discuti-la contigo porque ao
contrário de ti conheço a mulher que tenho do meu lado e para mim isso basta.
Agradeço que deixes de te meter na nossa vida.
- Tudo bem, fica
descansado que nunca mais vais ouvir falar de mim mas podes ter a certeza que
serei a primeira da fila a rir na tua cara quando essa daí se revelar.
- Se isso te deixa
feliz então continua na minha sombra mas depois não reclames quando perceberes
que não é assim que serás feliz.
A Soraia não respondeu até porque o Ruben não lhe deu tempo
uma vez que mal acabou de falar virou costas e levou-me com ele. Caminhamos até
junto do meu irmão onde nos sentamos na areia a brincar com o menino. Ficámos
mais de uma hora na praia e só de lá saímos quando o Martim reclamou com fome,
o Ruben quis almoçar por ali mesmo e por isso fomos à procura de um
restaurante, foi quando o estávamos a fazer que o Ruben encontrou um amigo e ex
colega de equipa.
- Então puto como é
que estás? - o tal rapaz cumprimentou-o.
- Está tudo bem -
sorriu para o Ruben - e convosco? -
perguntou depois de cumprimentar-me.
- Também - o meu
amor olhou-me - Mariana é a Elena
namorada do Javi - cumprimentei a rapariga - Elena é a minha namorada - falou todo orgulhoso o que levou-me a
sorrir e a abraça-lo.
- Mana - olhei-o
- tenho fome - gargalhamos ao
ouvi-lo.
- Martim, já vamos
almoçar mas agora cumprimenta o Javi e a namorada dele - o Ruben falou.
- Tens nome? -
perguntou à Elena depois de cumprimentar o Javi que já conhecia o que nos levou
a gargalhar novamente.
- Chamo-me Elena
- sorriu-lhe.
- Outra que não sabe
falar.
- Martim -
chamei-o em tom de repreensão.
- Ó mana é verdade os
amigos do Ruben não sabem falar - encolheu os ombros - não percebo nada do que dizem - foi impossível não sorrimos todos.
- Desculpem -
falei - ele diz tudo o que lhe vem à
cabeça - a Elena sorriu.
- Não te preocupes as
crianças são assim - sorriu - genuínas.
- E por vezes
inconvenientes - o Ruben falou em género de desabafo ainda assim olhei-o - amor é verdade então aqui esta pestinha
- começou a fazer-lhe cócegas.
- É pestinha mas
adora-lo - o Javi manifestou-se.
Sorrimos os dois mas não nos manifestamos sobre o que
ouvimos, o Ruben acabou por convidá-los a almoçarem connosco e por isso
partilhamos as horas seguintes com o Javi e a Elena uma vez que depois de
comermos fomos convidados para irmos até à casa deles, lógico que a tarde
acabou por ser passada não só com eles os dois mas também com mais amigos e ex
colegas de equipa do meu amor que se juntaram todos na casa do Javi.
***
Nos últimos três dias aproveitei o máximo de tempo para
passar com o Ruben e a sua família, queria conhecê-los melhor afinal é a
família do homem que amo. Mas hoje ao contrário do que é habitual não iria
passar o dia com o Ruben nem com o Martim uma vez que tinha combinado com a
Letícia irmos às compras e nenhum dos dois quis ser integrados no programa.
Passei a tarde toda com a Letícia no centro comercial, tinha
que comprar um vestido para a passagem de ano mas não tinha ideia nenhuma da
escolha a fazer, a minha amiga já estava um pouco farta da minha indecisão e
foi quando já estávamos a desistir que olhei para uma das muitas montras e vi
um vestido pelo qual me apaixonei.
- Tens a certeza que
queres levar isso? - a Letícia perguntou assim que saí do provador.
- Fica assim tão mal?
- perguntei insegura.
- Mal? Só podes estar
louca o vestido fica-te muito bem - sorriu - duvido é que o Ruben te deixe sair de casa assim.
- Deixa de ser parva
- gargalhou.
- Parvo vai ficar o
Amorim quando te vir.
Não respondi por saber que se o fizesse nunca mais parávamos
com aquela troca de palavras, decidi mesmo levar o vestido e depois de o pagar
saímos da loja. Passamos ainda por uma de lingeri pois estava a precisar de renovar
a minha roupa intima e como seria de esperar a Letícia quis opinar e até tentou
convencer-me a comprar algo mais provocante mas não fui na conversa, não por a
ideia desagradar mas sim porque a minha amiga não tinha nada de saber o que o
Ruben iria ver.
- O que dizes de
irmos comer um crepe? - perguntou assim que demos as compras por
terminadas.
- Alinho -
sorriu.
Estávamos a saborear os nossos crepes quando olhei para o
lado e vi quem menos esperava e por momento fiquei sem reação algo que a
Letícia notou.
- Amiga o que tens?
- Nada - tentei
disfarçar mas sem grande sorte.
- Marina, estás
incomodada com alguma coisa - olhei-a - conheço-te muito bem para tentares enganar-me.
- Não insistas -
respirei profundamente - por favor.
- Estás a deixar-me preocupada,
é que para não quereres falar a coisa é séria.
- Só quero ir embora
daqui.
- Mas ainda não
acabaste de comer.
- Esquece, perdi a
vontade - olhou-me à espera que continuasse - Letícia a sério não quero falar, só preciso ir embora.
- Tudo bem mas sabes
que se precisares de alguma coisa é só falares.
- Sei mas agora
vamos.
Não esperei pela resposta da minha amiga e levantei-me,
agarrei nos meus sacos e comecei a andar, queria sair do centro comercial e de
preferência sem cruzar-me com a pessoa que tinha visto que foi o suficiente
para ter ficado enojada. A Letícia percebeu que não estava bem e por isso mesmo
não insistiu durante toda a viagem mas assim que estacionou o carro em frente
ao prédio do Ruben tentou tirar “nabos da púcara” mas não consegui explicar a
minha atitude, simplesmente despedi-me dela e subi.
Felizmente os rapazes ainda não tinham chegado, por isso fui
direta ao quarto, arrumei as compras e deitei-me na tentativa de esquecer a
pessoa que tinha visto, mas principalmente a imagem de felicidade que vi diante
dos meus olhos, a vontade que tive foi de chegar junto daquele ser humano
nojento e dizer-lhe das boas mas só iria magoar-me ainda mais, daí ter ficado
uma vez mais calada e a remoer sozinha no assunto.
Estava deitada quando ouvi as vozes dos meus dois amores a
aproximarem-se cada vez mais do quarto e apesar de estar acordada fechei os
olhos para que pensassem que estava a dormir. O Ruben acabou por dizer ao
Martim para não fazer barulho e saíram do quarto, ainda fiquei algum tempo
sozinha mas acabei por ganhar coragem para sair do quarto quando reparei nas
horas.
- Olha a Bela
Adormecida acordou - o Ruben falou assim que entrei na cozinha onde os
rapazes preparavam o jantar.
- Desculpa - o
Ruben olhou-me - queres ajuda?
- Não, isto está
quase - continuava a olhar-me - Martim
se quiseres podes ir jogar um pouco que depois nós chamamos.
- Fixe - o meu
irmão saiu a correr.
- Agora nós -
limpou as mãos e aproximou-se de mim abraçando-me - o que é que se passa?
- Nada.
- Nada? - olhei-o
- Então que cara é essa?
- Ruben a sério não
insistas - reduzi ainda mais o espaço que nos separava e abracei-o com
alguma força.
- Amor, estás a
deixar-me preocupado.
- Não é nada -
respirei pesadamente - só preciso ficar
assim abraçada a ti - o Ruben sentou-se e puxou-me para o seu colo.
- Não queres mesmo
falar?
- Agora não.
O Ruben não insistiu ainda assim deu-me alguns mimos e uns
minutos depois acabamos por chamar o Martim para jantar. Comemos sem grandes
brincadeiras nem conversas e no fim ajudei o Ruben a limpar a cozinha.
Estava na sala com eles mas acabei por ir até ao quarto,
hoje não estava boa companhia para ninguém e não queria que o Martim
percebesse, o Ruben deve ter entendido que queria ficar sozinha e talvez por
isso nem questionou. Estava deitada quando o Martim se veio despedir de mim e
mais uma vez o Ruben olhou-me como que a pedir uma explicação minha para aquela
inércia toda, eles saíram e enquanto o Ruben não regressava aproveitei para ir
tomar um duche.
- Posso? - o
Ruben perguntou antes de entrar na casa de banho.
- Sim.
- Agora que o Martim
já dorme será que podes dizer o que tens?
- Vi o meu pai -
disparei de imediato - estava
acompanhado por uma mulher.
- Mas falaste com
ele?
- Achas? - fui
bruta - Desculpa - baixei o olhar - não
tens culpa - tentei regressar ao quarto mas o Ruben impediu-me ao
abraçar-me e assim que o fez foi impossível segurar as lágrimas.
- Amor tem calma
- caminhamos até à cama - não gosto de
te ver assim - limpou-me as lágrimas.
- Dói saber que podia
ter sido tudo diferente se ele tivesse assumido as responsabilidades.
- Amor, não consigo
sequer imaginar o que deves sentir sempre que pensas nisso mas será que esse
homem merece que fiques assim? Mariana, é verdade que podia ter sido diferente
mas infelizmente não foi, essa pessoa não teve coragem nem princípios para
assumir-te como filha no entanto e apesar das dificuldades todas que tiveste
conseguiste vencer e chegar até aqui por isso só tens motivos para orgulhar-te
de ti própria, esquece essa pessoa e todo o mal que te fez caso contrário
sempre que te cruzares com ele ficas neste estado.
Não respondi simplesmente aninhei-me nos seus braços, estava
a precisar de carinho algo que o Ruben percebeu mesmo sem lhe dizer e nos
minutos seguintes foi isso que recebi, acabei por adormecer nos seus braços.
***
Os dias passaram e hoje regressávamos a Braga, a passagem de
ano foi divertida, deu para conhecer melhor alguns amigos e ex colegas do
Ruben, bem como as suas namoradas ou esposas, tive mais contacto com as
raparigas que foram simpáticas e “acolheram-me”, gargalhei bastante ao ver
fotos e a ouvir relatos de certos momentos que passaram todos juntos, o que
serviu para perceber que o Ruben sente saudades dessa altura.
A noite serviu para mais uma vez ter a certeza que tenho do
meu lado alguém especial, o Ruben teve a noite toda atento ao meu piolho que
nem por uns minutos desgrudou dele, o que foi motivo para as raparigas
comentarem e quererem conhecer mais da nossa história, quando dei por mim já
falava com elas com um à-vontade enorme e sem constrangimento contei-lhes
algumas coisas.
Era nisso que estava a pensar quando o Ruben despertou-me
para a realidade ao chamar-me pois estava mais do que na hora de rumarmos a
Braga.
***
As últimas três semanas foram cansativas, além de cuidar do
Nuninho tive que fazer o restante trabalho na casa da Patrícia pois a D. Joana
pediu uns dias de férias, para agravar ainda mais quando chegava a casa tinha à
minha espera o segundo dia de trabalho uma vez que o Ruben com o passar dos
dias foi-se desabituando a ajudar-me, agora é frequente chegar e ainda ter que fazer
o nosso jantar, já para não dizer que a casa fica de pantanas sempre que o
Ruben e o Martim ficam sozinhos.
- Porquê que não
avisaste que vinhas para a cama? - o Ruben falou assim que entrou no
quarto.
- Desculpa se não me
lembrei de avisar - ripostei o que fez com que olhasse para mim - sabes é que sofro de amnésia provocada pelo
cansaço.
- Também não precisas
responder com sete pedras na mão.
- Ruben, estou
cansada e quero dormir, será que posso?
- Não - olhei-o -
podes explicar o que se passa?
- Ai não sabes o que
se passa? Então eu digo, talvez o facto de chegar a casa depois de um dia de
trabalho e ainda ter que andar a limpar o que sujas.
- Desculpa?
- Em vez de pedires
desculpas se ajudasse nalguma coisa seria bem melhor - ripostei.
- Ajudar?
- Sim.
- Para quê? -
olhei-o - Só se for para no fim ouvir-te
a criticares tudo, já reparaste que não há nada que faça que fique ao teu
gosto.
Não respondi, no fundo sabia que o Ruben tinha razão, tenho
andado impossível e por isso mesmo preferi sair do quarto, ele ainda perguntou
onde ia mas não falei.
E agora será que o Ruben vai ficar chateado?
Uii que o capitulo começou tão bem, mas acabou tão estranho...
ResponderEliminarPreciso muito do próximo!!
Bjokinhas
Mariaa
Olá :)
ResponderEliminarAi ai,mas isto são maneiras de acabar! :P
Estes dois meninos ficam bem é juntos,não desta forma.
Quero mais!
Beijinhos
Rita
Olá :)
ResponderEliminarAi ai que isto não é maneiras de acabar com estes dois a "conversarem" desta forma! :P
Para o próximo quero já eles como deve ser até mesmo porque eles ficam muito bem é juntinhos ;D
Continua
Beijinhos
Rita
Olá :D
ResponderEliminarAinda bem que o puto não se chateou com o Ruben xD
Agora este final! Não podes acabar assim! Espero que estes dois não se chateiem :p
Quero mais
Beijinhos
Ritááá xD
Tinhas razão, este final não foi mesmo nada à minha vontade, então mas que feitio é este senhores? Que bicho é que mordeu à rapariga para ela andar assim? Eu bem que dizia que já era muita paz e amor, pronto vem aí tempestade, eu só espero que passe rápido.
ResponderEliminarAdorei mais uma vez, o Martim também para prender burros, vai lá vai, nem come, valente, mas como a Mariana disse e bem "prendeu-o sozinho solta-o sozinho", bem dito bem feito.
Continua, e já sabes que quero mais, porque não os quero chateados.
Beijocas
Fernanda
Que capitulo este... é o Martim a fazer birras, a Soraia a fazer cena e para matar com tudo o casalinho chateasse... não gosto nada... quero o casalinho bem ;)
ResponderEliminarAdoro!!!
Quero mais!!! Tenho de saber como fica o casalinho.
Beijinhos.
Olá!
ResponderEliminarEstes capítulos são demasiado para mim :O
Começam com uma birra do Martim, passam pelo reencontro com a Soraia e acabam com uma discussão entre casal? Wow! E sem esquecer a aparição do pai da Mariana. Nossa! Isto é muito "biolento" xD
Estou para ver como é que isto acaba...
Quero mais!
Beijo
Ana
P.S. Desculpem a pergunta mas será que sou a única que quando lê as frases da Soraia me aparece uma voz aguda e histérica na cabeça? Ok, sou a unica... ahahahahah