segunda-feira, 20 de agosto de 2012

053 - “Ok eu digo, queres saber se estou grávida por isso tenho a dizer que…”


Boa noite!

Em primeiro lugar quer-vos deixar novamente o link de uma fic nova que estou a escrever em parceria com a Maria, se quiserem passar aqui fica o endereço reencontrosdeamigos.blogspot.pt

Em segundo fica o pedido de desculpas pela demora em publicar um capítulo :S outra coisas que gostava de vos perguntar é se por algum motivo a FIC está a perder o interesse, é que os comentários têm diminuído de capítulo para capítulo... o que dá que pensar!

Beijinhos

****

Mariana

Ter percebido que o Ruben apesar de não o admitir está desejoso que o teste dê positivo fez-me gargalhar fortemente e por isso acordei o meu irmão, o menino quis saber o motivo de tanta risota e não se deu satisfeito quando afirmei ter sido uma piada do Ruben. O Martim insistiu para que contasse e o Ruben por achar que não o faria também afirmou que não tinha piada o menino não saber, não estive por meias medidas e esclareci o meu piolho de forma muito serena.
- Amor, a mana e o Ruben estivemos a falar de bebés - o Ruben olhou-me surpreendido - e depois de tanta conversa aqui o Sr. Meu namorado - o Martim gargalhou - pensou que podia estar grávida - o menino manifestou-se imediatamente.
- E tás? Eu vou ter um mano?
- Não amor, a mana não está grávida e foi por isso que gargalhou.
- Mas podes ficar eu quero muito um mano - senti a mão do Ruben a procurar a minha e quando a encontrou entrelaçou os seus dedos nos meus deixando as nossas mãos a descansarem sobre a sua perna - ó mana porquê que não queres ter bebés?
- Quem te disse que não quero?
- Ninguém mas falas sempre que ainda é cedo - sorri ao ouvi-lo.
- Mas é mesmo cedo.
- Ó mana não é nada - o Ruben sorriu - eu até já sou crescido e posso ajudar a cuidar do bebé.
- Hum vou pensar no assunto.
- Fixe, ó mana mas quando pensares no assunto pensa que eu quero muito - voltamos a gargalhar ao ouvi-lo.
- Ok, mas agora volta a dormir que ainda falta muito caminho.
O Martim acabou por ceder ao sono e voltou a adormecer, o resto da viagem foi connosco a falar dos mais diversos assuntos e assim que chegamos a Braga fomos deixar imediatamente o Martim na escola uma vez que estávamos em cima da hora, algo que tinha previsto e por isso tinha colocado a mala do meu irmão no carro antes de seguirmos para Lisboa.

***

Tinha acabado de entrar no nosso quarto e caído em cima da cama quando o Ruben relembrou-me de algo ao retirar da nossa mala o teste.
- Amorzinho do meu coração vais mesmo obrigar-me a levantar da cama, logo agora que acabei de deitar-me para fazer o teste?
- Não inventes - aproximou-se da cama sentando-se ao meu lado - amor não te custa nada fazeres-me a vontade e assim tínhamos certeza.
- Ruben não adianta nada fazer o teste - interrompeu-me.
- Sei que tens a certeza absoluta que vai dar negativo mas mesmo assim faz o teste por favor.
- Amor, faço o teste na boa mas se leres as indicações vais perceber que não é a melhor altura, esses testes fazem-se nos dias seguintes à falha da menstruação e a minha a falhar será só daqui a uma semana.
- Isso quer dizer que vou ter de esperar uma semana? - sorri foi impossível não o ter feito perante o desespero do meu amor.
- Pois é o mais acertado a fazer e agora podias deixar-me descansar que estou morta de sono, boa?
- Ok, dorme que vou até à sala - falou resignado com a sua pouca sorte e saiu após dar-me um beijo.

Ruben

A justificação da Mariana para não realizar o teste apesar de ter lógica não me convenceu por completo e por isso assim que cheguei à sala agarrei no portátil para começar a pesquisar sobre os testes de gravidez e logo na primeira página que abri descobri que existe testes em que é possível saber uns dias antes da menstruação se a mulher está grávida mas também li que nem todos dão, tentei decifrar se o que tinha comprado permitia isso mas fiquei na mesma, ainda pensei ir novamente a uma farmácia e retirar a dúvida mas desisti dessa ideia, afinal a última coisa que queria era dar motivos para se falar de uma possível gravidez e passar despercebido em Braga seria mil vezes mais complicado do que em Lisboa, daí ter decidido pela solução mais prática e razoável, esperar uns míseros dias que iriam parecer uma eternidade.
Estava perdido em pensamentos quando o toque do meu telemóvel acordou-me para a realidade, atendi sem ver quem era.
- Bom dia.
- Ena tanto formalismo - o meu irmão implicou comigo.
- Desculpa não vi que eras tu mas o que queres? Não digas que já estás com saudades minhas - brinquei.
- Para estares com tanta boa disposição é porque ainda não sabes.
- Não sei o quê? - perguntei imediatamente.
- Mano, não stresses mas foste notícia.
- Como assim notícia?
- Ruben Amorim, jogador emprestado ao Sporting Clube de Braga festeja o seu aniversário na capital até altas horas da madrugada e com companhia feminina - percebi que lia o que quer que tivesse sido publicado - não se privou em trocar afetos com a rapariga que ao que tudo indica é a sua atual namorada e ainda de ter no mesmo grupo de amigos a sua ex-namorada com quem esteve para casar - já estava farto do que ouvia e por isso interrompi-o.
- Mano não quero saber de mais nada.
- Puto mas se fosse a ti queria.
- O que estás a querer dizer.
- Que há mais e que mete o Martim em xeque-mate.
- Como assim? Fala de uma vez - perdi a calma quando ouvi o nome do menino.
- Mano respira também não é caso para tanto.
- Fala de uma vez ou melhor diz-me onde é que saiu essa porcaria que quero ler com os meus próprios olhos.
- Ruben em que jornal é que achas que saiu, qual deles é que dá importância à vida das pessoas sem se incomodar com os estragos que pode causar.
- Só podia, mano vou desligar para ler essa treta.
- Mano, antes de desligares e de começares a ler peço que não te deixes afetar pelo que irás encontrar, lembra-te que são só uma cambada de abutres que só querem vender.
- Mauro, é assim tão mau?
- É inconveniente, mau não é ou pelo menos não falam nada que possa atingir a Mariana mas mesmo assim duvido que vá gostar do que vão ler.
Despedi-me do meu irmão e desliguei com a promessa que lhe ligaria de volta quando a poeira acalmasse, como ainda tinha o portátil ligado agarrei nele e fui à página do tal jornal / revista e assim que entrei vi que era “notícia” de grande enfase.
“Ruben Amorim, jogador emprestado ao Sporting Clube de Braga festeja o seu aniversário na capital até altas horas da madrugada e com companhia feminina não se privou em trocar afetos com a rapariga que ao que tudo indica é a sua atual namorada e ainda de ter no mesmo grupo de amigos a sua ex-namorada com quem esteve para casar.
A relação já dura há meses e foi a causa do fim do relacionamento que o jogador manteve durantes anos com a sua ex-namorada, ao que tudo indica o casal conheceu-se em Braga por intermédio de um amigo e colega de profissão do Ruben e desde logo revelaram uma cumplicidade enorme que tornou-se a cada dia mais evidente, sendo mesmo o motivo para o fim do noivado e consequentemente do fim da relação que mantinha com Soraia Valente.
Ruben e a sua atual namorada tudo fizeram para manter a relação em segredo mas foi impossível continuarem a fugir ao sentimento que os unia, recentemente o jogador assumiu que vive dias felizes mas ainda não tinha sido visto com a sua namorada, de quem pouco se sabe a não ser que se recusa a abdicar do seu trabalho em prol do jogador e que tem um irmão de tenra idade com quem o Ruben mantém uma relação bastante próxima, há quem diga que o menino o considera como um pai e que foi um dos grandes responsáveis para que o casal já partilhe casa em completa harmonia.
Segundo o que conseguimos apurar o casal pretende oficializar a união perante a família e amigos o quanto antes, o que fará o jogador mudar de clube dos solteiros para o dos casados, assumindo assim o papel de pai de um menino que apesar da sua idade nunca teve uma figura masculina que pudesse identificar como a paterna, a criança está ao cuidado da irmã desde que nasceu e pelo que se conseguiu apurar nunca apresentou namorado nenhum ao irmão a não ser o Ruben Amorim.
Tentamos entrar em contato com o jogador de forma a obter uma declaração mas tal não nos foi possível”
Quando acabei de ler a vontade que tive foi de ligar para o jornal em causa e perguntar quem tinha autorizado tal matéria mas a verdade é que a única coisa que estava escrita e que não seria completamente verdade é a urgência em oficializar o nosso relacionamento mas ao mesmo tempo sabia que se não fizesse nada que iria estar a dar espaço para especulações, fiquei os minutos seguintes a pensar na melhor forma de lidar com o assunto mas resolvi esperar que a Mariana acordasse, a decisão de fazermos ou não algo seria tomada pelos dois.
Estava entretido a ver um pouco de televisão quando a Mariana se veio sentar do meu lado.
- Precisamos falar - disse assim que se acomodou no sofá.
- Pois temos - suspirei - mas primeiro as senhoras - sorriu ligeiramente.
- Ruben acordei com o meu telemóvel a tocar - baixei o olhar - já sabes? - deve ter deduzido pela minha reação.
- Se estás a falar do que saiu no jornal, sim já sei, o Mauro ligou-me quando estavas a dormir.
- Leste? - confirmei unicamente com um aceno de cabeça - É muito mau? - notei-lhe receio no seu tom de voz.
- Quem te acordou não disse?
- A Letícia ainda tentou mas não lhe dei hipótese - procurou conforto nos meus braços - desliguei-lhe o telefone antes que contasse.
- Porquê?
- Amor independentemente do que estiver escrito prefiro ver contigo do que ficar a saber por terceiros mesmo que seja pela Letícia - aconcheguei-a nos meus braços ao perceber que estava com receio do que pudesse ter sido publicado e se restasse duvidas ela tinha-as dissipado no momento que confirmou isso mesmo - tempo medo do que podem ter inventado.
- Amor, não inventaram nada ou melhor a única parte em que extrapolaram um pouco foi na que afirmam que queremos oficializar a relação o quanto antes - olhou-me surpreendida - mas é melhor leres.
A Mariana concordou e depois de abrir novamente a página do jornal passei-lhe o portátil, o meu amor leu com atenção e no fim colocou o portátil novamente em cima da mesa levantando imediatamente caminhando até à porta que dá acesso ao jardim mas nunca a transpôs, dei-lhe uns minutos e quando já me preparava para lhe perguntar quais seriam os estragos causados pela notícia a Mariana resolveu perguntar algo que no mínimo surpreendeu-me.
- Mesmo sério o querer continuar a ser independente é mau e ainda por cima motivo para ser notícia? - sorri perante a indignação da Mariana, ela não estava chateada pela notícia em si mas sim por a criticarem de não ser a típica namorada de jogador que pouco faz da vida.
- Amor ignora, nós estamos de acordo no que respeita a continuares a trabalhar, sabes bem que te apoio por isso o melhor é mesmo nem ligar, até porque não é isso que me preocupa - a Mariana olhou-me - mas sim terem mencionado o teu irmão - baixei o olhar.
- Ruben - falou ao sentar-se do meu lado - nós sabíamos que isto podia acontecer - olhei-a, a Mariana estava serena até de mais - aliás esta foi uma das razões pelas quais não quis que se soubesse imediatamente mas quando aceitei viver contigo fi-lo consciente que mais dia ou menos dia o nosso namoro seria assunto, só espero que não comecem a tentar tirar “nabos da púcara” porque se tocam nem que seja num “fio de cabelo” do meu irmão podes ter problemas sérios, Ruben não vou admitir que tentem sequer usarem a minha história para venderem, ninguém tem esse direito, é a minha vida e a do meu irmão, a figura pública és tu e quanto a isso não podemos fazer nada mas com o Martim ninguém brinca, não sei bem como funciona isto mas duvido que possam escrever o que quiserem sem que dê autorização.
- Amor, espero que não seja necessário irmos tão longe mas se for há sempre forma de impedirmos que publiquem o que quer que seja, lógico que são processos demorosos e enquanto não os vencemos vão continuar a escrever.
- Ou seja não posso fazer nada para prevenir essa situação?
- Julgo que não mas posso informar-me melhor se isso te deixar mais tranquila.
- É melhor, não gosto de ser apanhada desprevenida e então quando o assunto é o meu irmão é que detesto mesmo que isso aconteça.
- Mariana queres reagir à notícia?
- Como assim?
- Se quiseres podemos emitir um comunicado qualquer a confirmar que partilhamos casa e que é verdade que tens um irmão que vive connosco, aproveitávamos e pedíamos que nos deixassem em paz.
- Isso não é dar demasiada importância ao assunto? Se nos manifestamos ainda chamamos mais a atenção da comunicação social, não sei se será a melhor ideia.
- Amor por mim não faço nada, estou habituado a que volta e meia apareça notícias sobre a minha vida pessoal mas não quero que isto interfira no nosso namoro e se tiver que tomar outra atitude diferente da que sempre tomei não hesitarei um segundo que seja.
- Prefiro adotar a tua técnica e tentar ignorar o que escreveram.
- Tudo bem mas se voltar a acontecer e que te sintas melindrada por alguma razão quero que seja imediatamente sincera comigo.
- Ok, é justo- sorriu o que serviu para que serenasse, afinal a Mariana reagiu muito melhor do que pensava.
- Agora temos que preparar o Martim porque pode haver comentários na escola.
- Pois.
- Amor, o menino se lhe explicarmos que o melhor é ignorar ele vai entender.
- O problema não é ele mas sim o que as outras crianças possam dizer e pensar.
- Não nos adianta de nada estar a colocar possíveis cenários.
- Então o que achas que devemos fazer?
- Estarmos mais atentos ao Martim para que se for o caso entrevirmos ao primeiro sinal que algo posso não estar bem.
- É talvez seja mesmo o melhor a fazer.
A Mariana voltou a procurar o conforto que o meu abraço lhe dá e acabamos deitados no sofá o resto da manhã. Por decisão dela fomos almoçar ao centro da cidade, confesso que surpreendeu-me mais uma vez a sua atitude mas principalmente a sua segurança, não ousei em abrir a boca para questionar o pedido que fez e levantei-me no mesmo segundo assim que ouvi os seus planos.
Conduzi até ao centro e estacionei o carro no primeiro lugar vago que encontrei, até porque a Mariana tinha-me informado que queria esticar as pernas ou seja andar a pé, algo que faz sempre que precisa de colocar as ideias no lugar.
Caminhamos de mãos dadas e com alguma sorte à mistura conseguimos chegar ao restaurante sem sermos incomodados por ninguém, sentamo-nos e uns minutos depois já tínhamos feito o pedido.
Almoçamos numa troca constante de mimos ainda assim discretos para no fim sairmos tal como entramos abraçados. A Mariana quis ir dar uma volta pelo centro pois tinha que comprar qualquer coisa para o irmão e por isso acompanhei-a mas foi quando já estávamos sentados numa esplanada a beber um café que a Mariana voltou a tocar no assunto.
- Amor, há uma coisa que está a deixar-me com “macaquinhos no sótão” - sorri com a expressão que usou - como será que a notícia surgiu.
- Onde queres chegar.
- Ruben, é verdade que ontem não nos privamos nas demonstrações de carinho mas quer dizer não era por isso que seriamos notícia, alguém deve ter falado.
- Ou tivemos azar e no mesmo espaço estava um jornalista.
- Ya até podia estar mas houve detalhes na notícia que só saberiam se tivessem perguntado a alguém, nós nunca tínhamos sido notícia e a única coisa que podiam saber é que namoras porque assumiste isso naquela entrevista que dão a seguir aos jogos - sorri, afinal a Mariana contínua a não conseguir familiarizar com os termos mais técnicos da minha profissão - agora como é que sabem que vivemos juntos ou que o Martim te vê como um pai?
- Não tinha pensado nisso.
- Só pode ter sido alguém que estava connosco - olhei-a - e apesar de não os conhecer bem acho que os teus amigos estão fora de questão por isso só sobra duas pessoas.
- A Soraia e a Inês - falamos ao mesmo tempo o que nos levou a rir.
- Achas que seriam capaz?
- Amor, a Soraia sempre gostou das luzes da ribalta e temos que ser realistas, a forma como a história que me ligava a ela terminou e o facto de ter prometido que não ficaria sem resposta não abona muito a seu favor.
- É que precisa mesmo ser muito mesquinha para fazer tal coisa mas o que me deixei mesmo parva é saber que andaste com aquilo durante tanto tempo - gargalhei ao ver a cara de completo frete da Mariana quando mencionou o facto inegável de ter namorado com a Soraia - amor como é que conseguiste aturar durante tanto tempo aquela betinha afetada?
- Oh a Soraia nem sempre foi assim, quando começamos a namorar gostava mesmo dela e conforme foi mudando também me fui habituando, a verdade é que a paixão que sentia por ela foi diminuindo mas deixei-me ficar acomodado a uma relação que se tornava cada vez mais inexistente, até que te conheci e dentro de mim deu-se o click que fez-me acordar para a vida e entender que aquilo que tinha com ela não era nada.
- Resumindo todos temos uma pedra no sapato daquelas bem pequeninas que quase não se veem mas que magoam p'ra caraças - gargalhei com a comparação que fez - e a tua é de facto a Soraia.
- É talvez seja mesmo isso mas deixemos de falar em quem não merece - inclinei-me para a frente numa tentativa de alcançar os seus lábios para matar saudades, a Mariana deve ter entendido pois também o fez e assim conseguimos saciar o desejo que sentíamos mas foi quando o estávamos a fazer que alguém resolveu incomodar.
- Podes dar-me um autófago - separei os meus lábios da Mariana e sorri ao ouvir o menino que não tinha mais do que seis anos a pedir um autógrafo.
- Posso - sorriu - tens um papel? - perguntei e como resposta tive um encolher de ombros acompanhado com uma cara de desanimo pois o menino não tinha nem papel e muito menos caneta.
- Amor, toma - a Mariana retirou da sua mala um pequeno bloco e a caneta que tem sempre consigo - e tu pequenino como te chamas? - meteu-se com o menino assim que teve oportunidade.
- Tenho o mesmo nome que ele - sorri ao vê-lo a apontar para mim.
- Ruben? - a Mariana voltou a meter conversa.
- Não - olhei-o sem entender - é o outro nome dele - sorriu envergonhado.
- Hum estou a ver és Filipe.
- Sim - disse todo feliz.
- Sabes que poucos são aqueles que conhecem o Ruben por Filipe? - a Mariana estava numa de puxar pelo puto.
- Mas eu sei - disse todo senhor de si.
- Então e como é que soubeste?
- Ouvi um dia - encolheu novamente os ombros - e não esqueci mais.
- Então e quantos anos tens?
- Tenho estes - e mostrou os cincos dedos da mão.
- E esses são quantos? - o menino olhou-a - Não sabes?
- Sei são cinco - o meu amor sorriu.
- Muito bem, então e gostas do Ruben, é?
- Gosto mas já gostei mais.
- Porquê?
- Atão quando jogava no Benfica - sorri ao perceber que tinha um benfiquista de meia leca diante de mim.
- Mas agora ele joga pelo clube da tua cidade - o menino interrompeu-a.
- Eu não sou de cá - gargalhei.
- Então és de onde?
- Do Porto.
- Como é que consegues ser do Benfica morando na cidade do Porto? - perguntei curioso mas o menino não chegou a responder porque a sua mãe aproximou-se.
- Filipe já chega - o menino olhou-a - o senhor já te deu o autógrafo por isso não incomodes mais.
- Mas eu tou á conversa - a Mariana sorriu.
- Pois estás mas temos que ir embora - o menino deu a mão à sua mãe - agradece e despede-te.
- Obigado - falou com um sorriso envergonhado mas depois surpreendeu-nos quando se virou para a Mariana - posso dar um beijinho a ti - o meu amor sorriu e acenou que sim com a cabeça, o menino largou a mão da mãe e foi dar o tal beijinho repenicado à Mariana.
- Desculpe, ele nem é de muitas falas, não sei mesmo o motivo pelo qual fez tal pedido.
- Não se preocupe não tem mal e é só uma criança - a Mariana respondeu-lhe serenamente e no fim retribuiu o beijinho que o menino lhe tinha dado - e tu porta-te bem, tens de fazer o que a mamã diz.
O Menino afirmou que sim com a cabeça e depois voltou para junto da mãe que mais uma vez pediu desculpas pelo incómodo que o filho possa ter causado e retirou-se logo de seguida.
- Perdeste completamente com as crianças - provoquei-a assim que ficamos sozinhos.
- E tu babas completamente quando me vês com uma - gargalhei com a sua resposta.
- Fui apanhado na minha própria brincadeira - a Mariana sorriu - amo-te.
- Também te amo muito mas o que dizes de irmos andando, o Martim daqui a nada termina as aulas.
- O que achas de o irmos buscar e dar um passeio a três?
- Amor, prefiro ir para casa. Ruben o menino deve estar cansado apesar de ter ido para casa a horas minimamente decentes não está habituado a deitar-se fora de horas, além disso tem os trabalhos para fazer.
Concordei com a Mariana e seguimos caminho, ainda tivemos que fazer tempo para o ir buscar mas acabamos por ir até à escola do menino, a irmã foi esperá-lo à porta enquanto fiquei no carro a observa-la, foi notório a desilusão no rosto do Martim quando viu a irmã talvez por pensar que não o tinha ido buscar mas isso passou-lhe assim que entrou no carro. Conduzi até casa e ajudei-o nos trabalhos, isto depois de termos lanchado os três juntos.
- Vamos brincar? - o Martim perguntou assim que terminou os trabalhos.
- Podemos brincar depois mas agora quero falar contigo, pode ser?
- Sim.
- Então vamos procurar a mana?
- Eu fiz alguma coisa mal feita? - sorri perante a duvida existencial que caiu sobre o meu piolho.
- Não, é mesmo só uma coisa que nós temos que falar contigo.
- Ah tá bem.
Encontramos a Mariana a preparar o nosso jantar mas assim que lhe disse que já tínhamos terminado o meu amor parou o que estava a fazer e acompanhou-nos até à sala, sentamo-nos no sofá de três lugares com o menino no meio de nós e percebi que a Mariana estava com algum receio da forma como o Martim poderia reagir, por isso tomei a iniciativa de lhe revelar os últimos acontecimentos.
- Amor - olhou-me - nunca escondemos nada de ti por isso é que queremos contar-te uma coisa, lindo lembraste de em tempos ter falado contigo sobre as consequências de ser conhecido?
- Sim, falaste que às vezes as pessoas falam do que não sabem e que até pode aparecer escrito nos jornais - sorri ao perceber que o menino não se tinha esquecido.
- Pois e isso aconteceu - o Martim olhou imediatamente para a Mariana abraçando-a o que fez com que sorrisse - lindo houve um jornal hoje que escreveu sobre o nosso namoro - interrompeu-me.
- Não tem mal é verdade - sorrimos.
- Realmente não tem mal, é verdade que namoro com a Mariana, como também é verdade praticamente tudo o que escreveram, Martim falaram do facto de consideras-me um pai e de vivermos juntos, entre outras coisas mas o que interessa é que entendas que não podes reagir mal se ouvires alguma piada, amor agora que já todos sabem que vives comigo pode haver comentários maus mas se isso acontecer quero que fales comigo ou com a tua mana, pode ser?
- Sim.
- Amor, promete que não vais responder aos meninos que possam ser mauzinhos contigo, se alguém falar qualquer coisa que não gostes finge que não ouviste e depois falas connosco que resolvemos o assunto, percebes?
- Mas assim eles vão pensar que sou bebé e não sei defender-me - confesso que tive vontade de rir perante a indignação do Martim ainda assim tentei dar-lhe a volta.
- Se eles pensarem isso é porque são ainda mais bebés que os bebés, amor já és crescido e os crescidos não reagem ao soco sempre que se sentem ofendidos, olha o meu exemplo já pensaste se fosse reagir ao que falam a meu respeito ou quando fazem uma falta sobre mim andava sempre a trocar farpas e isso não é bom e muito menos bonito. Martim o correto é fingir que não ouvimos ou que não nos magoaram mas isso não quer dizer que temos que esquecer, amor o que estou a pedir é que fales connosco que ajudamos-te a resolver esses problemas de uma forma adulta, assim provas aos outros meninos que os bebés são eles.
- Tá bem eu vou fazer como o pai faz - olhei para a Mariana e via sorrir.
- Então fica combinado e não te esqueces do que falei.
- Não esqueço porque eu quero ser igual a ti - sorri - eu gosto muito dos dois - é incrível a capacidade que uma criança de sete anos tem em desarmar-nos completamente.
- Ó piolho também gostamos muito de ti - dei-lhe um beijinho - e agora se quiseres já podemos ir brincar.
- Fixe.
- Então vai lá ligar a playstation que já vou ter contigo - o menino saiu da sala feliz da vida e quando tentei abrir a boca para falar com a Mariana, esta atirou-se literalmente para o meu colo beijando-me imediatamente.
- Obrigada amor - olhei-a - foste fantástico - sorri perante o exagero dela.
- Tens noção que não fiz nada de especial, não tens?
- Achas que não?
- Tenho a certeza.
- Ruben até pode não ter sido nada de especial mas foi o suficiente para o Martim perceber o que tem que fazer no caso de o chatearem mas acima de tudo provaste mais uma vez que a cada dia que passa te tornas num pai ainda melhor, o meu irmão tem muita sorte em ter-te como exemplo a seguir.
- Phsiu não é só ele que tem sorte - beijei-a - também tive muita quando me deram a hipótese de vir para Braga e que aceitei, afinal conheci-vos, tornei-me numa pessoa completa e redescobri-me a mim mesmo, Mariana nestes últimos meses aprendi a dar valor a coisas que antes nem imaginava que pudessem existir, amadureci enquanto homem e isso só foi possível porque o amor que sentem por mim é verdadeiro.
- Verdadeiro e reciproco - sorri ao ouvi-la a dizer a mais pura das verdades ainda tentamos elevar a outro patamar os mimos com que já nos estávamos a brindar mas voz do Martim vinda da sala onde brincamos fez-nos despertar para a realidade, a Mariana foi terminar o jantar enquanto nós os dois brincamos.

***

Dez dias passaram e o nosso pior receio não se confirmou, afinal não recebemos nenhuma queixa do Martim. Durante estes dias andamos ocupados com a escolha da empregada, fiz questão de ajudar a Mariana nessa tarefa e por isso as horas vagas foram ocupadas com as entrevistas às pessoas que responderam ao anúncio de trabalho e no fim decidimo-nos por uma senhora, a D. Filomena que com os seus quase cinquenta anos nos cativou pela simpatia mas principalmente pela serenidade que nos transmitiu.
Com isto tudo acabei por deixar de parte o assunto da possível gravidez mas foi quando abri uma gaveta do móvel da casa de banho e encontrei a caixa do teste que voltei a sentir a necessidade de esclarecer a dúvida com a Mariana.
- Amor, linda abre os olhos - pedinchei ao deitar-me do seu lado, sabia que ainda não dormia.
- Que foi? - perguntou já com os olhos abertos mas sem grande vontade de mantê-los assim.
- Quero saber se existe motivos para darmos uso ao teste que comprei? - a Mariana sorriu - Amor, responde.
- Hum… O que achas? - perguntou ao agarrar-me na mão e colocando-a sobre a sua barriga.
- Amor não brinques comigo.
- Não estou a brincar só te fiz uma pergunta.
- Se soubesse a resposta não estaria a perguntar - sorriu.
- Mas não tens nem assim uma desconfiança?
- Mariana diz de uma vez, por favor.
- Ok eu digo, queres saber se estou grávida por isso tenho a dizer que…

E agora o que irá a Mariana dizer? Terá o Ruben razão?

12 comentários:

  1. Isto não se acaba assim e tenho dito!

    Ahh adorei o resto e quero um pai destes para o meu Jr!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  2. Olá!
    Então mas isto acaba assim?! Eu quero saber se ela está ou não grávida :p
    Está maravilhoso como sempre ;)
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  3. Ola

    O capitulo esta fantástico e estou a adora a fic.
    Fiquei curiosa pelo próximo.:)

    Beijos
    LM

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  4. Olá :)
    Mas?!?!?Acabas assim?!?!?!
    Vais me deixar a MORRER! lol
    Quero mais e rápido :P
    Beijinhos
    Rita

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  5. Como assim? Vou mesmo é entrar em estado de erupção o.O LOOL
    Quero mais rapidinho shim? *-*

    Gabii :*

    PS: Tira da cabeça que isso aqui não está bom, por favor. Tua fic, é PERFEITA, sem mais.

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  6. Olá!
    Isto não se faz! Eu posso torturar os meus leitores com isto da espera do resultado do teste, mas tu tambem es tramada! Va la! Estou curiosa!!!

    Ja espero o proximo e com este assunto esclarecido!!!

    Beijo
    Ana

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  7. bem tive ausente uns dias e por isso perdi uns quantos capitulos e ao ver uns avisos ia-me dando um treco! mas ainda bem qe continuaste e ando a gostar muito, e agora estes dois vão ser papás ou não? quero sabeeer!!
    beijinhoos

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  8. Olha lá mas que raio de maneira foi esta para terminares o capitulo? Eu sei que até tinha uns capitulos em atraso, mas já tenho a leitura em dia e agora fico assim, sem saber qual o resultado? Mau Maria, bandeia-te com o próximo,porque adorei este.
    Tenho que admitir que adorei o que li, mas esta noticia do jornal...cambada de abelhudos, isto tem dedinho da Soraia, só pode.
    Continua, tá mesmo emocionante.

    Beijocas

    Fernanda

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  9. Mas isto lá é maneira de acabar o capitulo?????
    Só consigo pensar no próximo capitulo... quero mais!!!
    Adoro, adoro!!!
    Beijinhos.
    Elsa (não consigo entrar com a minha conta)

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  10. Entao? Está gravida ou nao?!

    Beijinhos*

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  11. Olá :)
    Olhe posso dizer que estás muito enganada!:P
    A tua Fic é lida e seguida por MUITO boa gente!E é bom que saibas disto que te dei-a assim uma inspiração para escreves o 56 e postar bem rapinho!
    Agora tenho de falar sobre acabares assim...Então acabas sem uma "respostas" quero saber se é um sim ou um não (e acho que é óbvio que todas gostávamos de uma resposta positiva :P)
    Fico à espera de mais ,e tira lá esta ideia de que não andam a ler!! lol
    Beijinhos
    Rita

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  12. Olá :D
    Adorei e já estava cheia de saudades de ler um capítulo teu!
    Espero bem que aquilo que a Mariana ouviu não estrague tudo o que o Ruben preparou para o dia seguinte : ) Bem esta Mariana hoje estava cá com um fogo ahah
    Olha agora quanto à diminuição de comentários, parece que é comum...eu também tenho visto os meus comentários nas duas fics a caírem a pique... por isso acho que está relacionado com as férias e não por não estarem a gostar da fic!
    Beijinhos
    Ritááá xD

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