quinta-feira, 2 de agosto de 2012

044 - “Ele não é meu pai… mas eu gosto dele como se fosse… e ele sabe disso”

Mariana


Aproveitei o facto do Ruben se ter oferecido para ir buscar o Martim à escola e fui às compras, cheguei a casa e para minha surpresa o meu irmão já tinha feito os trabalhos e estava a ajudar o Ruben a preparar o nosso jantar.
- Ena os meus dois homens na cozinha deve estar algum “burro para morrer ou algum santo para cair do altar” - falei assim que entrei na cozinha.
- Para a próxima fico sentado no sofá à tua espera - fez-se de ofendido.
- Ai sim? Vê lá se depois não ficas também sentado à espera de outra coisa.
- Não serias capaz - afirmou convicto.
- Não? Amor quem passou vinte e sete anos sem nada pode muito bem passar mais algum tempo.
- Isso foi porque não sabias o que era bom - abraçou-me - duvido muito que consigas cumprir com o que falaste - sussurrou-me ao ouvido.
- Não provoques - gargalhou - ou ainda ficas sem nada.
O Ruben já não respondeu mas também não desgrudou de mim, o que irritou o Martim pois segundo o meu irmão não estávamos a ligar-lhe nenhuma.
- Ó piolho estive até agora contigo não posso estar com a Mariana nem um bocadinho? - o Ruben meteu-se com ele.
- Tens muito tempo para tares com a mana - olhei para o meu irmão - quando forem dormir - gargalhei - ela agora é minha - agarrou na minha mão - continua a fazer o jantar que eu vou com a mana para a sala.
A vontade de rir foi mais que muita mas controlei-me no entanto fui com o Martim até à sala onde ficamos até o Ruben chamar-nos para jantar. Comemos e no fim fui novamente com o meu irmão para a sala enquanto o Ruben tratou de limpar o que tinha sujo para confecionar o nosso jantar. Quando terminou juntou-se a nós e as horas seguintes foram animadas mas acabei por ir deitá-lo uma vez que hoje o menino estava numa de querer que fosse eu a acompanhá-lo.

***

- Amor, preciso falar uma coisa contigo - falou assim que deitei-me na cama.
- Diz.
- Quero fazer um pedido - olhei-o.
- O que vem por aí - sorriu.
- Como sabes o último jogo antes da paragem do campeonato vai ser em casa e chegou-me aos ouvidos que os meus colegas vão entrar no relvado com os filhos - fez uma ligeira pausa - gostava que o Martim entrasse comigo - falou a medo.
- E estás a dizer-me isso a mim porque “carga de água”?
- Talvez porque tens de concordar - olhou-me - não vou levá-lo sem o teu consentimento.
- Lamento - assim que falei o Ruben baixou o olhar e mesmo sem o dizer percebi que tinha ficado triste - mas não sou eu que tenho de consentir - olhou-me imediatamente visivelmente baralhado - afinal não sou eu que vou subir ao relvado contigo - sorri-lhe - amor se o queres levar tens de lhe perguntar se quer.
- Isso quer dizer que por ti não tem problema?
- Não até porque se não entrares com o Martim entras com outro qualquer.
- Isso não é bem assim, se não concordasses iria entrar sozinho.
- Ruben, podes levá-lo mas se por acaso perguntarem alguma coisa tem cuidado com o que respondes.
- Fica descansada - beijou-me - que não irei dizer nada que possa ter repercussões de maior.
- Então amanhã fala com ele mas não é difícil de adivinhar qual vai ser a resposta - sorrimos.
- Obrigado - beijou-me.
- Não precisas de agradecer, sei que fazes gosto em entrar com o meu irmão além disso se aceitei viver contigo não tem muito sentido continuar a evitar certo tipo de coisas ou situações, só espero que não tenhamos de lidar com consequências de maior.
- Não vamos pensar muito nisso - abracei-o - se acontecer estaremos cá para lidar com elas.
- É, tens razão - suspirei - não vou estar a sofrer por antecipação - beijamo-nos - e agora vamos dormir.
O Ruben não respondeu mas ainda ficamos uns minutos numa troca de mimos algo acesa.

Ruben

Quatro dias passaram com o Martim cada vez mais próximo de mim, o menino pediu-me que fosse à festa de Natal da escola pois os outros pais também iam, não tive como negar até porque queria mesmo ir.
- Amor - sorri ao entrar no quarto e ao encontra-la só em lingeri - o melhor é levarmos os dois carros - olhou-me.
- Porquê?
- Para que possas ficar para o fim da festa do Martim ou já te esqueceste que não posso ficar devido ao treino.
- Ah pois - sorri ao vê-la sem saber o que vestir.
- Amor qualquer trapinho fica-te bem - olhou-me de lado - posso saber o motivo de estares a hesitar tanto na escolha da roupa - abracei-a - não és nada disso - beijei-lhe o pescoço.
A Mariana não respondeu e escolheu a roupa, vestindo-se rapidamente o que nos permitiu namorar um pouco antes de seguirmos para a escola do Martim. Chegamos e ao sair do carro esperei por ela, a Mariana caminhou até junto de mim e sem que estivesse à espera entrelaçou os dedos das nossas mãos, confesso que surpreendeu-me tal atitude tanto que o meu amor olhou-me.
- O que foi? - largou a minha mão - Não queres entrar de mãos dadas comigo é isso não é?
- Deixa de ser tonta - agarrei-a pela cintura e reduzi o espaço existente entre os nossos corpos beijando-a - só não esperava que quisesses entrar na escola do Martim de mãos dadas comigo - fiz-lhe uma carícia no rosto - se o fizermos iremos estar a assumir o nosso relacionamento.
- Não queres?
Não respondi por palavras mas sim por atos, beijei-a demoradamente e só separei as nossas bocas quando precisamos de ar, ainda assim não a larguei, continuava com os meus braços em volta da sua cintura.
- Chega-te como resposta ou vou ter que berrar para todos ouvirem que namoro com a rapariga mais fantástica que conheço - sorriu - amor por mim tínhamos assumido desde o início que estamos juntos, nunca tive dúvidas do que sinto por ti e muito menos que é isto que quero - beijou-me.
- Então vamos ou o Martim ainda pensa que nos esquecemos.
Caminhamos lado a lado e de mãos unidas, a Mariana estava de facto serena e isso só contribuiu para que o meu sorriso fosse ainda maior. Entramos na sala onde iria decorrer a festa de final de período, as professoras junto com os alunos tinham preparado uma pequena peça de teatro na qual o Martim era um dos protagonistas.
Percebi que ter entrado na sala de mãos dadas à Mariana despertou a curiosidade de algumas pessoas, principalmente das crianças, ainda assim o meu amor manteve-se serena. Estávamos os dois sossegados no nosso canto quando a mãe de um amigo do Martim veio falar com a Mariana e por isso acabei por afastar-me um pouco.
- Resolveram assumir? - olhei para o lado e encontrei o Miguel.
- Desculpa?
- Vocês entraram de mãos dadas.
- Ah isso - olhei para a Mariana - já sabias do namoro por isso não entendo a admiração.
- No fundo ainda tinha esperanças que não fosse durar muito - olhei-o incrédulo.
- Miguel a tua opinião não interessa nem ao menino Jesus mas se julgas que o meu namoro com a Mariana é um passatempo estás redondamente enganado, nós amamo-nos e sabemos muito bem aquilo que queremos e que fazemos, se resolvemos assumir o namoro talvez seja porque já não há motivos para esconder algo tão bonito como um amor verdadeiro.
- Tudo tem um início e um fim - o Miguel estava a habilitar-se a levar uma resposta menos civilizada e por isso decidi afastar-me antes que perdesse a cabeça.

***

- O que é que o Miguel queria? - a Mariana perguntou assim que teve oportunidade.
- Chatear-me a cabeça.
- Não queres ser mais explícito?
- Amor, basicamente o Miguel está à espera de uma oportunidade para tentar a sua sorte - a Mariana sorriu - o que foi?
- Nada - voltou a sorrir - mas até tem piada ser disputada por dois galos - acabei por sorri com o que falou - Ruben não sei o que ele falou nem estou interessada em saber - abraçou-me - para mim só um interessa e esse um é o rapaz com quem namoro e que faz-me feliz - sorri-lhe - esquece que o Miguel está a olhar e a roer-se por dentro, cê tu próprio que o resto não interessa.
- Isso quer dizer que posso beijar-te - falei quase a sussurrar para que não ouvissem.
- Nem penses - sorri-o - ou queres meter o resto da sala a olhar para nós, sim porque metade já está.
- E qual era o mal? Só seriam testemunhas de um beijo dado com amor.
- Ui que ele está todo romântico - sorrimos e continuamos a falar até nos sentarmos para assistir ao teatro.
Nos minutos seguintes deliciei-me completamente ao ver o Martim, a verdade é que julgo que o orgulho que tenho nele é o mesmo que um pai sente por um filho. A Mariana também estava extremamente feliz por ver o seu irmão e nem o facto de quando estávamos no lanche que se seguiu à apresentação as pessoas olharem mais para nós a incomodou.
- Mana porquê que está tudo a olhar para nós? - sorrimos com a pergunta do menino.
- Martim, a mana quando chegou vinha de mãos dadas com o Ruben deve ser por isso - esclareceu-o.
- Mana não gosto de ter as pessoas todas a olhar para mim - a Mariana ficou sem saber o que dizer.
- Martim - baixei-me para ficar ao seu nível, o que despertou ainda mais a curiosidade nos presentes - amor nós já te tínhamos avisado que isto podia acontecer.
- Mas eu não gosto de ter tanta gente a olhar para mim.
- Lindo, compreendo o que falas mas não posso mudar isto, desculpa mas por ser conhecido as pessoas às vezes olham mais. Estás chateado comigo?
- Não - o Martim abraçou-me sem que estivesse à espera - eu gosto muito de ti.
- Também gosto muito de ti meu piolho - levantei-me mas como o Martim não largou o meu pescoço acabei por ficar com o menino ao meu colo.
- Ruben vai ser sempre assim? - olhámos para o Martim que observava as pessoas.
- Enquanto for novidade as pessoas vão sempre olhar mas daqui a um tempo já não o fazem - esclareci-o.
- É por isso que a mana não deixa que diga que o Ruben é o meu pai a fingir? - a Mariana sorriu.
- É.
- Tá bem - deu-me mais um abraço - agora quero ir brincar.
Coloquei-o no chão e vimo-lo a correr na direção dos seus amigos, ainda fiquei durante alguns minutos com a Mariana mas tive que sair, afinal tinha treino. Fui despedir-me do Martim que estava com os amigos e assim que aproximei-me ouvi um dos meninos.
- Olha o teu pai - o Martim olhou para mim e riu.
- Ele não é meu pai - sorri ao ouvir o Martim - mas eu gosto dele como se fosse - colocou os seus bracinhos em torno da minha cintura - e ele sabe disso.
- Também gosto muito de ti, ó piolho, mas agora vou ter que ir embora - olhou-me - tenho treino - esclareci-o.
- Tá bem - encolheu os ombros - Ruben eu não esqueci o que nós combinamos - sorri - e não disse nada à mana.
- Eu sei - dei-lhe um beijinho nas suas bochechas rechonchudas - também já combinei com a Patrícia.
- Isso quer dizer que hoje já não tou contigo.
- Ainda nos vemos porque vou buscar a tua mana à casa do Nuno.
- Tá bem - sorriu.
Despedi-me do menino e regressei para junto da Mariana que falava com a professora do Martim, despedi-me delas e segui caminho.

Mariana

Acordei determinada em deixar de fugir, se estou com o Ruben é para o bem e para o mal como tal quando chegamos à escola do Martim fiz questão de dar-lhe a mão, algo que estranhou mas após uns minutos de conversa e troca de mimos lá entramos na sala. As pessoas mais atentas olharam-nos mas decidi ignorar esse facto e continuei na minha mas percebi que o Miguel devia ter dito alguma coisa ao Ruben que o deixou aborrecido ainda assim nada que merecesse muita importância.
Vi a peça de teatro do meu piolho e no fim o meu irmão ainda assustou-me quando começou com a conversa que não gosta que as pessoas olhem, no entanto o Ruben conseguiu serenar o Martim, o que deixou-me também serena. Os minutos seguintes foram passados com o Ruben do meu lado mas o meu amor acabou por ter que sair, uma vez que tinha treino.

***

Tinha acabado de chegar a casa com o Martim quando tocaram à campainha, fui ver quem seria e deparei-me com a Patrícia.
- Por aqui? - peguei no Nuninho uma vez que o tinha no colo.
- Ena tanto entusiasmo, vê lá se não sou bem-vinda avisa - sorrimos as duas.
- Sabes bem que não é isso, só não esperava ver-vos mas entra.
- Como foi a festa?
- Foi engraçada mas houve um momento que tive receio que o Martim pudesse ficar chateado - contei-lhe tudo e no fim a Patrícia comentou a reação do meu amor.
- O Ruben está a revelar-se uma autêntica caixa de surpresas, quem diria que em tão pouco tempo iria aprender a ser um pai de verdade.
- O facto deles se adorarem contribui muito - a Patrícia sorriu - o Ruben faz qualquer coisa para ver o meu irmão feliz e o puto adora toda a atenção que o Ruben lhe dá.
- Mariana desce à terra - olhei-a - o Ruben está a revelar-se um pai atencioso e preocupado porque ama-vos aos dois.
- Achas que não sei disso - sorriu - não é o caso mas se tivesse dúvidas bastava olhar atenta para a forma como fala e cuida do meu irmão para saber que o ama, já para não falar que no que toca a mim basta pensar nos nossos momentos a dois para ter a certeza absoluta que o Ruben ama-me - voltou a sorrir - o que foi?
- Nada, gosto de ouvir-te a dizer estas coisas.
- Olha e não queres comer nada?
- Não, mas quero que venhas comigo às compras - olhei-a - sei que estás de folga mas preciso comprar roupa e não apetece-me ir sozinha, pensei que podíamos ir juntas.
- Por mim tudo bem mas e os miúdos?
- Veem connosco.
- Ok, vou só chamar o Martim.

***

Passei as duas horas seguintes a bater perna no centro comercial atrás da Patrícia, ela conseguiu comprar tudo o que queria e no fim ainda convenceu-me a comprar algo para mim, aceitei só para a calar mas quando reparei já estava a pagar um vestido lindo de morrer mas que sinceramente não sabia bem porque o tinha comprado, acho que foi mesmo para que não chateasse mais.
Do centro comercial seguimos para a sua casa, ela insistiu para que jantássemos por lá e por isso cedi, só não esperava que fosse ainda mais longe ao praticamente obrigar-me a produzir-me mais do que seria suposto, afinal fez-me usar o vestido que tinha comprado.
O Nuno quando chegou e que viu-me ficou momentaneamente sem reação isto porque o vestido não tinha muito a ver com o que costumo usar.
- Amor, está linda não está? - a voz da Patrícia fez com que o Nuno sorrisse.
- Linda? A Mariana está um arraso.
- Vês, bem te disse que é um exagero - sorriram.
- Exagero era deixares o vestido na loja quando ficas um arraso nele - repetiu as palavras do Nuno.
- Ai ficas, ficas e ainda matas o Ruben - o Nuno gargalhou.
- Deixa de ser parvo e por falar em Ruben, ele não vinha contigo?
- Isso é tudo pressa para o veres a babar por ti - a Patrícia voltou a sorrir - mas para ficares descansada, o Ruben foi só a casa.
- A casa? Fazer o quê? Sabia que estava aqui.
- Isso agora - olhei para a Patrícia.
- O que se passa aqui? Ou melhor o que vocês sabem que não sei? - sorriram.
- Nada.
Teria ripostado mas a entrada do meu irmão na sala impediu.
- Mana tás linda - sorri ao ouvi-lo.
- Obrigada - dei-lhe um beijinho.
- O Ruben já chegou?
- Não, parece que foi a casa - ripostei.
- Mana posso pedir uma coisa?
- Diz.
- Eu hoje quero ficar a dormir aqui, deixas?
- Martim porquê que estás a dizer isso?
- Tenho saudades de dormir naquele quarto - olhei para os meus amigos e encontrei-os a sorrirem.
- Martim foi o Ruben que te pediu isso não foi?
- Eu não posso mentir, pois não? - gargalhei ao ouvi-lo algo que o Nuno e a Patrícia também fizeram.
- Conta o que é que o Ruben está a tramar.
- Eu não sei - encolheu os ombros - ele só pediu para eu dizer que queria ficar cá hoje.
- Então e queres?
- Quero porque eu gosto de ver a mana contente e o Ruben prometeu que ias ficar muito contente - sorriu animado o que deixou-me emocionada - tu deixas não deixas?
- Não - respondi só para ver a reação do meu piolho que foi a que menos imaginava, o Martim começou a chorar e a dizer que o Ruben assim deixava de gostar dele - amor não chores - pedi - a mana estava só a brincar contigo, podes ficar aqui as vezes que quiseres desde que o Nuno e a Patrícia não se importem.
Uns minutos depois o Martim já estava calmo mas continuava sem saber o que o Ruben estava a planear uma vez que ninguém abriu a boca para contar. Estava entretida à conversa com a Patrícia sobre a gravidez quando vi o Ruben a entrar, levantei-me imediatamente disposta a reclamar pois tinha sido por culpa dele que a Patrícia arrastou-me para o centro comercial e ainda obrigou-me a “produzir-me dos pés à cabeça” mas fiquei-me mesmo pela intenção ou não fosse o Ruben ter ficado estático a olhar-me, vê-lo a percorrer o meu corpo com os olhos e a trincar o lábio fez com que sorrisse, confesso que o mau humor passou no mesmo segundo que vi a falta de reação dele.
- Pronto não morreu mas ficou petrificado - o Nuno implicou mas no mesmo segundo a Patrícia mandou-lhe uma cotovelada para se calar.
- Estás - suspirou - linda - sorriu de uma forma única para segundos depois beijar-me igualmente de forma única.
- Será que já posso saber o motivo disto tudo? - falei assim que separamos as nossas bocas.
- Não, vais ter que vir comigo para saberes.
- Ruben, o que estás a tramar? Até meteste o meu irmão ao barulho.

- Shiu não reclames - agarrou-me na mão - anda.
- Só espero não arrepender-me - refilei mas segui atrás do meu amor.
O Ruben “fechou-se em copas” e não disse o que tinha preparado mas foi só preciso alguns minutos para adivinhar para onde íamos, afinal conduzia em direção ao centro da cidade. Durante a viagem o Ruben sempre que podia olhava-me deixando transparecer o quanto gosta de mim. Assim que estacionou o carro não tive tempo para dizer nada muito menos para “mandar cantar um cego” uma vez que o meu amor beijou-me com uma intensidade tremenda e não se privou nem um pouco em demonstrar quais as suas intenções para aquela noite uma vez que a sua mão “voou” até à minha perna fazendo questão de ir vaguear por baixo do pouco tecido que cobria a minha coxa, confesso que aquele atrevimento dele “desconsertou-me” de tal modo que tive de interromper a troca de beijos ou então não sei onde iriamos parar.
- Vamos? - sorriu.
- Ruben porquê isto tudo?
- O que queres saber? - perguntou quando já estava abraçado a mim enquanto caminhávamos.
- Porquê que pediste à Patrícia para ir comigo às compras - gargalhou - o que foi?
- Amor a única coisa que pedi à Patrícia foi que ficasse com o Martim, mas para isso tive que lhe contar que queria jantar a sós contigo o resto foi iniciativa dela, aliás não fazia ideia que ia encontrar-te assim - parou de andar e voltou a olhar-me - estás - trincou o lábio - um arraso - beijou-me - és linda mas confesso que esse vestido assenta-te que nem luva e deixa-me louco por o arrancar do teu corpo - baixei o olhar - quando é que perdes a vergonha - colocou a sua mão na minha cara e fez com que os nossos olhos se encontrassem - amor não há nada em ti que não conheça - sorriu - logo podes deixar de sentir vergonha.
- Não é vergonha - beijei-o - é mesmo não saber o que dizer.
- Um amo-te é suficiente - sorriu.
Não consegui dizer nada perdi-me a olhá-lo, o Ruben estava com um brilho lindo no olhar e ainda ficou mais quando coloquei os meus braços em volta do seu pescoço e o beijei como se não houvesse amanhã, nem o facto de estarmos em pleno centro histórico de Braga com pessoas a passarem foi impedimento para o fazer, limitei-me a beijá-lo, afinal é o que os namorados fazem e nós não somos diferentes só porque o podem reconhecer.
- Amor por mim ficava aqui mas por muito bom que sejam os teus beijos, estes ainda não têm a capacidade de matar-me a fome - gargalhou.
- Anda - abraçou-me e caminhamos até ao restaurante onde o Ruben tinha feito marcação, sentamo-nos numa mesa que nos proporcionava alguma privacidade e por isso aproveitamos o jantar para namorar bastante.
- Amor, acho que ainda não te disse mas a tua mãe ligou-me ontem a convidar-me para a consoada - sorriu.
- Ela avisou-me que já te tinha dito mas para ser sincero também me esqueci de comentar contigo.
- Será que vai achar piada ao facto de estarmos a viver juntos e não lhe teres dito imediatamente?
- Não estou minimamente preocupado - beijou-me - independentemente da opinião dela, nós amamo-nos e a mim só isso interessa - suspirei - o que foi?
- Isto tudo parece um sonho.
- Mas não é - voltou a unir os nossos lábios - e agora o que achas de irmos andando?
- Onde é que queres ir?
- Para casa.
- Estás à espera que acredite nisso? - sorriu - Amor, conheço-te por isso não adianta porque não consegues mentir-me ou ocultar nada.
- Tudo bem - sorriu - quero ir a um sítio antes de ir para casa mas mais não falo.
- Bom Jesus - falei convicta o que provocou o sorriso no Ruben.
- Não consigo mesmo enganar-te - falou quando já estávamos a caminhar para o carro.
- Amor o facto de conhecer-te só revela que talvez tenhamos mesmo sido feitos um para o outro - puxou-me para si beijando-me, senti as suas mãos na minha cintura mas depressa começaram a descer, o Ruben estava a ser atrevido demais para o local onde nos encontrávamos e só por isso quebrei o momento, no entanto não foi preciso justificar-me pois percebeu o motivo porque o fiz.
- Ainda tens dúvidas? - falou quando já estávamos dentro do carro.
- Dúvidas do quê? - sorriu.
- Que fomos feitos um para o outro - a sua mão já estava novamente na minha perna.
- Tens a certeza que ainda queres ir para o Bom Jesus - perguntei já que estava tão atrevido.
- Tenho - olhou-me nos olhos - estou desejoso de ser teu novamente mas antes quero ir passear naqueles jardins - beijou-me.
Não questionei a vontade dele mas também não me privei em mimá-lo durante a viagem. Chegamos ao nosso destino e saímos do carro, caminhamos ora abraçados ora de mãos dadas e aos beijos até chegarmos a um ponto daquele jardim que fez-me recordar uma noite em especial, aquela em que o Ruben disse que já não se iria casar com a Soraia, não sei porquê mas sorri ao recordar essa noite o que foi suficiente para o meu amor perguntar o motivo do sorriso.
- Não sei se te recordas mas foi aqui que comunicaste-me o fim do teu noivado.
- E foi aqui que pela primeira vez tive vontade de esquecer tudo e beijar-te, dizer-te o quanto mexias comigo, o quanto te desejava de uma forma inexplicável, que por muito que tentasse não conseguia deixar de pensar em ti - calou-se por um segundos - se soubesses o que custou-me estar aqui contigo naquela noite e obrigar-me a mim mesmo a tentar acreditar que o que sentia por ti não passava de uma confusão da minha cabeça - olhava-o fixamente - só porque tinha medo de perder-te para sempre, Mariana ao longo destes meses senti algo que nunca tinha sentido por ninguém, o amor que nos une é de tal forma gigante que andei angustiado, só a ideia de perder-te deixava-me arrasado e depois ter que lutar contra o teu passado de rejeição não foi fácil, tens noção das vezes todas que recuaste.
- Não, mas acredito que tenham sido muitas porque fugir era algo que fazia como forma de proteger-me, de evitar dor e sofrimento.
- Mariana - o Ruben estava a olhar-me de uma forma tão profunda que por momentos senti um arrepio, uma sensação estranha como se a minha vida dependesse dele - contigo descobri que amar é muito mais do que uma palavra, vai para além da entrega física, amar é abdicar de um pouco de nós para darmos ao outro, é cedermos mutuamente para crescermos juntos enquanto casal, é desejarmos o outro, é rir e chorar em conjunto, é partilhar o bom e o mau, é procurarmos sempre o melhor em nós e no outro, é fechar os olhos e conseguirmos imaginar-nos velhos mas um do lado do outro, é querer a eternidade só para nunca nos termos que separar, é olhar para o outro e ver um amigo, alguém que temos a certeza que terá sempre do nosso lado nos bons e maus momentos, é adormecer com a certeza que por muitas voltas que a vida dê que não seremos abandonados à primeira contrariedade é querer viver para sempre com essa pessoa - se as palavras dele tocaram-me de uma forma inexplicável quando o vi a ajoelhar-se fiquei sem “chão” - é querer e sonhar com o início de uma vida em comum, com filhos, netos e se não for pedir muito com bisnetos - vi-o a retirar uma caixa do bolso do casaco - não me negues isso, Mariana vamos deixar de fugir, quero assumir de uma vez o amor que nos une - abriu a caixa o que permitiu que visse pela primeira vez as alianças, iluminadas pela luz da lua que refletia nelas tornando-as ainda mais bonitas - quero-te para sempre na minha vida - sorri para no instante seguinte puxá-lo para cima, assim que o Ruben se levantou beijei-o por não conseguir dizer nada, algo que o Ruben deve ter percebido porque sorriu assim que interrompemos por momentos a troca de beijos para retomarmos logo de seguida, deixamo-nos ficar naquilo vários minutos até que finalmente consegui recompor-me do estado em que as suas palavras deixaram-me e sem perder mais tempo estiquei a mão direita, o Ruben sorriu e colocou a aliança no meu dedo, gesto que repeti ao colocar a dele.
- Amo-te - beijamo-nos - tens noção que nunca me imaginei de aliança no dedo - gargalhou - o que foi? - perguntei quando já estava sentada no seu colo uma vez que o Ruben se sentou num dos bancos do jardim e puxou-me o si.
- Se te dizer que recusei-me a usar aliança acreditas?
- Explica lá isso - sorriu.
- Amor sempre achei que aliança de namoro era algo inútil sem grande sentido porque não era um anel no dedo que mudaria algo numa relação mas a verdade é que no outro dia passei por uma ourivesaria e ao olhar para o interior vi um casal a escolher as deles e naquele momento percebi que é muito mais que um anel, é mais um de muitos símbolos do amor que une duas pessoas, mais uma das muitas etapas que uma vida a dois tem, etapas essas que quero percorre-las a todas.
- Estás a querer dizer que nunca usaste aliança?
- Não.
- É desta que a Soraia mata-me - olhou-me sem entender - amor para além do ex namorado andar a dormir com a empregada ainda usa aliança - gargalhou.
- Só mesmo tu para te lembrares disso - beijei-o.
- Ruben, contaste ao Martim o motivo de quereres passar a noite só comigo?
- Não, só lhe disse que queria fazer-te uma surpresa e o menino alinhou de imediato mas porquê?
- Curiosidade - sorri ao olhar para a minha mão.
- Por acaso estou curioso para ver a reação dele mas principalmente a do Nuno e da Patrícia, eles sabem o que pensava em relação a alianças de namoro.
- Isso quer dizer que nem eles sabem?
- Nop - beijou-me - vai ser novidade para todos.
- Isso quer dizer que vou ouvir piadas - sorriu e como resposta tive um super beijo - não queres ir embora estou a ficar com frio - falei assim que consegui recuperar o folego, o Ruben fez-me a vontade no mesmo segundo e por isso regressamos ao carro mas ao contrário do que esperava não seguimos viagem, muito pelo contrário o Ruben quis mimos e por isso dei-os, mas o que era uma troca de carinhos inocente passou a algo mais, o Ruben ainda tentou puxar-me para o seu colo mas não deixei, caso contrário não sei onde aquilo nos levaria, o Ruben acabou por conduzir até casa mas sempre que podíamos trocávamos alguns beijos.
Chegamos a casa e fomos diretos ao quarto onde nos amamos noite dentro, acabei por adormecer nos braços do meu amor e com uma certeza inabalável que seremos muito felizes.

Ruben

Acordei primeiro que a Mariana e por isso resolvi preparar um mimo para os dois, fui até à casa de banho e preparei o jacuzzi para nos receber assim que conseguisse retirar o meu amor da cama. Despertei-a com uma sucessão de beijos para nos minutos seguintes pegar nela ao colo e levá-la para a casa de banho, caso contrário não conseguia convencê-la uma vez que a Mariana estava mesmo numa de ficar na cama.
Os minutos que estivemos no jacuzzi serviram para namorarmos e só saímos porque tínhamos “obrigações” a cumprir, vestimo-nos e depois fomos até à casa dos nossos amigos, tinha prometido ao Martim que iriamos tomar o pequeno-almoço com ele.
Entramos sem pré-aviso uma vez que a Mariana usou a chave que tem e assim que aparecemos na sala o menino veio a correr ter connosco.
- Tava a ver que não chegavam tou com fome - reclamou levando-nos a rir.
- Desculpa piolho a culpa foi da mana que quis ficar mais tempo na cama - a Mariana deu-lhe um beijinho.
- É a tua mana hoje acordou muito preguiçosa - a Mariana olhou-me de lado mas não respondeu até porque o Martim já estava ao meu colo, o menino sempre que pode salta para os meus braços, lógico que nunca é por muito tempo afinal já não é propriamente leve mas que adora que lhe pegue ao colo lá isso adora.
- Mana qual foi a surpresa do Ruben? - perguntou assim que nos sentamos no sofá e depois de termos cumprimentado os nossos amigos.
- Fomos jantar e passear um pouco.
- Só isso? - o Nuno e a Patrícia gargalharam.
- O que querias mais?
- Não sei mas se foi só jantar podia ter ido também - a Mariana olhou-me e sorriu.
- Vais para a próxima mas o que achas de irmos comer afinal tinhas fome - o meu amor desconversou.
- Tá bem.
O Martim não insistiu mais e por isso fomos para a mesa onde a D. Joana já tinha colocado o pequeno-almoço. Estávamos sentados a começar a servir-nos quando o Martim ao falar fez com que os nossos amigos olhassem com atenção para a mão dela.
- Mana que anel é esse?
- Foi o Ruben que ofereceu à mana - o menino olhou-me.
- Porquê? - perguntou-me.
- Porque gosto muito da tua mana.
- É por isso que tens um parecido - sorrimos.
- É, lindo quando gostamos muito de uma rapariga e namoramos com ela se quisermos podemos usar estes anéis, é como um símbolo do nosso amor, entendes?
- Mas isso não se usa só depois de casar? - sorrimos.
- Não, lindo se reparares nós estamos a usar na mão direita mas o Nuno e a Patrícia que estão casados usam na esquerda.
- E quando é que casam? - olhei para o Martim sem saber o que responder - Eu quero ser aquele menino que leva os anéis.
A Mariana acabou por lhe explicar que não nos vamos casar tão cedo e por isso o Martim acabou por sossegar. Terminamos de comer e depois tive que sair com o Nuno para o treino e já só voltávamos a vê-las momentos antes do jogo uma vez que tínhamos de ir buscar o Martim e o Nuninho que iriam entrar connosco em campo, isto se entrássemos no onze inicial.

***

- Puto o que é que te deu? - o Nuno perguntou quando já estávamos a vestir depois do ligeiro treino que tivemos.
- Não me deu nada, estou aqui tão sossegado.
- Desconversa - sorriu - nunca pensei ver-te de aliança no dedo.
- Não comeces.
- Ai Mariana, Mariana - gozou comigo e foi suficiente para os meus colegas ficarem a olhar, acabei por confirmar as suspeitas de muitos deles que já andavam desconfiados que entre mim e a Mariana pudesse haver mais do que amizade.

***

- Puto como é que estás?
- Bem mas porquê?
- Queres enganar quem? - olhei-o - Ruben, vamos jogar contra o Benfica além disso vais entrar com o Martim - sorri ao ouvi-lo.
- Acredita que é o que está a dar-me animo, hoje não me apetece nada entrar dentro de campo mas tenho de ser profissional.
Continuamos a falar sobre o jogo que seria o último do antes de paragem do campeonato. As horas passaram e o momento de ir buscar o Martim chegou, aproveitei para ver a Mariana e receber alguns mimos, ao contrário do que é habitual o meu amor uniu os nossos lábios assim que teve oportunidade, o que deixou as pessoas que se encontravam no camarote a olharem, como se fosse uma grande novidade, quando já todas deviam desconfiar que não seriamos só amigos.
Desci com o Martim até à zona nos balneários e uns minutos depois já estávamos a entrar.

Como será que corre o jogo? Será que o casal vai ter descanso agora que resolveu assumir o namoro?

10 comentários:

  1. Olá : )
    Adorei o capítulo!
    Quero mais :p
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  2. Onde é que está o resto??
    Então acaba-se a coisa assim mesmo no começo do jogo??
    Quero o resto!

    Nem preciso dizer que adorei né?
    Bjokinhas
    Mariaa

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  3. Adorei, mas já começo a desconfiar de tanta felicidade, espero bem que não venha por aí nenhuma tempestade, ainda por cima depois do comentário do Miguel, é mesmo ave de mau agoiro.
    O Ruben tá a revelar-se um romântico incurável, adorei a declaração de amor e adorei quando se ajoelhou e mostrou as alianças, no fundo acho que todas gostariamos de ter um momento assim.
    Espero que o jogo corra bem, para o Benfica, gosto muito do Ruru, mas gosto muito mais do Benfica, por isso secalhar o melhor é mesmo um empate, mas o que vinha mesmo a calhar era ler o próximo, assim fica tudo esclarecido.

    Beijocas

    Fernanda

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  4. Olá :)
    Adorei as alianças e a reacção do pimpolho a elas xD
    Mas isto é lá maneira de acabar?! :P
    Toca a escrever que quero mais!
    Beijinhos
    Rita
    http://lifegoesonr.blogspot.pt/

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  5. Olá!
    Adorei! Uma familia tao feliz que uma pessoa até tem medo que nao dure para sempre!
    Este Miguel se fosse pastar era mais inteligente...
    Já este jogo estou em pulgas para saber como corre!
    Espero o proximo

    Beijo
    Ana

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  6. Adoreei :D
    Este Miguel se calhar devia conhecer a Inês, não? provavelmente davam um bom par :p
    E tou com duvidas se realmente irá correr tudo bem neste jogo, vamos lá ver...
    Beijinhoo

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  7. ta fantastico...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    coontinua...

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  8. Cá estou eu finalmente, demora mas chega sempre .. ah ah ah

    Não sei porquê mas estou com um presentimento que algo vai correr mal agora, cheira-me que já houve muita felicidade .. Mas espero estar enganada, muito enganada .. ;)

    Mas continua, sabes que estou cá sempre pa ler mesmo que nem sempre comente .. :D

    Beijinho linda

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  9. Olaaaa :)


    Ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii :D



    Quero mais *_*



    Beijinhos



    Anne M




    http://luta-por-um-sonho.blogspot.pt

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  10. Muito bom, mesmo... lindas alianças ;)
    Jogo contra o Benfica??!!! Não gosto nada...
    Agora vamos ver o que vem por aí com o assumir do namoro... e com o Martim a aparecer com o Ruben..
    Adoro!!!
    Beijinhos

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