terça-feira, 26 de junho de 2012

034 - “Então quando ele te quiser levar para a cama depois conversamos”


Mariana

Cada toque, cada beijo, o cuidado mas acima de tudo o sentimento presente naquele quarto fez-me ter a certeza que queria aquilo mas infelizmente a voz do meu irmão interrompeu o nosso momento e por isso mesmo vesti o meu top o mais rápido que consegui, não foi por estar arrependida mas por medo de ser apanhada pelo puto, algo que o Ruben não percebeu imediatamente e foi visível o ligeiro desespero dele, mas serenei-o afinal não estava nem um pouco arrependida do que se tinha passado.
- Ruben veste a t-shirt - pedi assim que separamos os nossos lábios e ao ouvir novamente o puto a chamar-nos - é melhor ir ver o que quer - suspirei - desculpa - tentei sair do quarto mas o Ruben puxou-me por um braço.
- Não tenho nada para desculpar - olhou-me nos olhos - só a agradecer - devo ter feito um ar de confusa porque ele sorriu - amor - abraçou-me ainda com mais força - adorei este bocadinho e o nosso momento irá chegar quando tiver que ser - sorri de forma envergonhada - ficas ainda mais bonita com esse sorriso de envergonhada - olhou-me - amo-te - beijei-o mas tivemos que nos separar porque percebemos que o Martim estava cada vez mais próximo do quarto onde estávamos - vai ter com o puto que já lá apareço.
- Mana tou farto de chamar por ti.
- Desculpa estava a falar com o Ruben mas diz lá o que queres.
- Saber se o Ruben já esqueceu o que fiz.
- Puto, não te preocupes que já passou - o Ruben respondeu ao sair do quarto já devidamente composto.
- Posso dar-te um abraço?
- Anda cá, ó piolho - o Ruben acabou por pegar nele ao colo e foi assim que o levou até à sala, ao entrar percebi que afinal deveríamos ter passado mais tempo no quarto do que aquele que imaginei porque o Rafael já se encontrava ao colo na Madalena e a mamar, o Mauro e a namorada assim que nos viram a entrar sorriram.

Mauro

Depois da troca de palavras que tive com o meu irmão e de o ver tão em baixo tive a certeza do que já desconfiava, ele está mesmo a amar a Mariana e terá pela frente uma dura prova, afinal o puto não irá facilitar em nada. Acabei por afastar-me quando o Martim se aproximou, deixei-os a falarem sozinhos e quando sentei-me novamente do lado da Madalena percebi que a Mariana estava decidida no que respeita ao namoro deles, ela não estava disposta a ceder ao capricho do puto o que serenou-me um pouco mas só consegui tranquilizar completamente quando a rapariga se levantou para ir falar com o meu irmão.
Os minutos passaram e quando dei por isso não os víamos há mais de uma hora, o Martim estava entretido a brincar com o meu cão e talvez por isso não se tenha apercebido do tempo a passar só mesmo quando ouvimos o Rafael a chorar com fome é que o miúdo acordou para a realidade e começou a perguntar pela irmã, tentei entretê-lo ao máximo mas não consegui aguentá-lo por muito tempo, ele acabou por entrar em casa a chamar pela Mariana e só descansou quando a deve ter encontrado pois deixamos de ouvir a sua voz.
Estava a ver o meu filho a mamar quando o meu irmão entrou com o Martim no colo, tanto a Mariana como o Ruben vinham extremamente calmos o que contribuiu para perceber que deviam ter-se entendido algo que levou-me a sorrir.
Ficamos a conviver todos juntos com o Rafael ao colo da Mariana e com o Ruben a babar completamente em cima da rapariga quando ouvimos a campainha, levantei-me e fui abrir.
- Pai - sorri ao vê-lo - entrem - com ele vinha a sua mulher e a minha irmã - o mano está na sala - informei quando já nos encaminhávamos para lá.
- Boa tarde - falaram ao entrarem na sala e só aí é que o Ruben deu pela presença no nosso pai, levantou-se e cumprimentou-o bem como a nossa irmã.
- Está tudo bem consigo? - perguntou-lhe depois de cumprimentar a nossa irmã.
- Sim e contigo? Não tens aparecido lá por casa.
- O pai sabe bem porquê - olhou para a Mariana que estava intrigada com o que via - mas isso agora também não interessa deixe-me apresentar a Mariana e o Martim - sorriu ao olhá-los - é o meu pai Virgílio e a minha irmã Raquel.
- Prazer - a Mariana levantou-se para cumprimentar o meu pai tal como à Raquel - bem já que ninguém nos apresenta sou a Mariana e este é o meu irmão Martim - falou para a mulher do meu pai.
- Prazer sou a Ana mulher do Virgílio - o Martim olhou muito admirado.
- Ruben mas a tua mãe não é a D. Anabela? - sorrimos todos com a pergunta do puto à exceção do meu irmão.
- Martim - chamei-o - os meus pais são divorciados - olhou-me - sabes o que isso quer dizer?
- Sim que deixaram de gostar um do outro e por isso vivem em casas separadas, né?
- Sim, é isso - a Mariana sorriu ao olhar para o irmão - então como estava a dizer os nossos pais separaram-se quando ainda eramos assim pequeninos e depois o meu pai casou novamente com a Ana, percebes?
- Sim, agora tens duas mães - encolheu os ombros como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- É mais ou menos isso, a Ana não é minha mãe mas é como se fosse também um bocadinho.
- Mas o Ruben não gosta dela - a observação do puto apanhou todos de surpresa - porque ele não a apresentou e eu só faço isso quando não gosto das pessoas.
- Bem está na hora de irmos embora - o meu irmão apressou-se a falar talvez por não gostar deste assunto - ainda temos a viagem até Braga para fazer.
- Porquê que não gostas da tua mãe Ana? - o Ruben olhou-o mas não respondeu - Não percebo eu dava tudo para ter uma mãe de verdade e tu tens duas mas só gostas de uma - a Mariana estava a passar o Rafael para os braços da Madalena e por isso vi que limpou as lágrimas que se formaram nos seus olhos ao ouvi-lo.
- Martim despede-te das pessoas para irmos embora - a irmã pediu-lhe para dar o assunto por terminado mas o puto não se deu por vencido.
- Ó mana porquê que só nós é que não temos mãe? - falou agarrado às suas pernas e já com voz de choro, o Ruben aproximou-se da Mariana e passou mesmo o braço pela sua cintura, foi visível a todos o quanto aquela pergunta do miúdo a magoou ainda assim vimo-la a sentar-se com o irmão ao colo e a responder-lhe calmamente.
- Amor, a mana já te explicou que a nossa mãe tinhas uns problemas e que por isso teve que te deixar comigo para os ir resolver.
- Mas esses problemas nunca mais acabam? Porquê que ela não os consegue resolver?
- Porque são muito graves - percebi que o Ruben sabe o quão grave é, pela forma como os olhava era notório que tinha consciência que a história não seria bonita.
- Algum dia vou poder falar com ela?
- Talvez a mana não pode garantir isso.
- Mas não sabes onde é que a mãe anda? - ela olhou para o Ruben.
- Martim - o puto olhou para o meu irmão - não tens saudades do Nuninho e não queres brincar com ele?
- Sim - falou animado.
- Então despede-te para irmos brincar com o Nuninho, boa?
- Brincas com a gente? - a Mariana olhou para o Ruben.
- Se a tua mana deixar, sim brinco.
- Deixas não deixas?
- Deixo mas agora temos que ir - o miúdo acabou por se despedir de nós e quando estava a dar um beijinho e a fazer festinhas no Rafael vi a Mariana a procurar momentaneamente o conforto nos braços do meu irmão, o que deixou o nosso pai, a Ana e a Raquel a olharem surpreendidos, ainda mais quando ele lhe deu um beijinho bem no canto dos seus lábios acompanhado com algumas pequenas carícias.
Eles acabaram por se despedirem de nós e saíram finalmente com destino a Braga. Acabei por explicar ao meu pai quem era a Mariana mas pedi aos três para não divulgarem, que o mano não queria que se soubesse pelo menos para já, algo que eles acederam sem qualquer problema.

Mariana

Estava a pensar na reação do Martim mas principalmente em tudo o que se passou naquele quarto quando sentir a mão do Ruben a procurar a minha e assim que a encontrou entrelaçou os nossos dedos.
- Amor, estás a pensar no que o Martim falou sobre a vossa mãe? - perguntou-me com algum receio.
- Estou a pensa em tudo - falei depois de olhar para o banco traseiro e encontrar o meu piolho a dormir.
- Queres falar disso?
- Quero mas não agora tenho receio que ele possa acordar e ouvir, falamos quando chegarmos pode ser?
- Lógico que pode - sorriu - será quando e onde quiseres.
- Ruben, posso saber porquê que não falas com a Ana?
- Podes - suspirou - nunca fui com a cara dela e se queres mesmo saber nem sei o motivo simplesmente fui obrigado a aceitá-la mas daí a gostar de conviver com ela vai uma pequena grande diferença.
- Nunca aceitaste o divórcio dos teus pais, é isso?
- Aceitei e aceito até porque sou da opinião que quando duas pessoas se deixam de amar o melhor é mesmo ir cada um para o sei lado, não faz sentido continuarem juntos quando já não existe sentimento.
- Então qual é o motivo pelo qual não gostas da Ana.
- Amor, não é uma questão de gostar ou deixar de gostar, quando era pequeno sempre frequentei a casa do meu pai juntamente com o meu irmão, crescemos com a Raquel mas nunca consegui ter qualquer ligação com a Ana para mim era só a mulher que estava com o meu pai, não consegui nunca ver nela uma segunda mãe e ao longo dos anos isso não mudou.
- Tudo bem mas daí a ignorá-la e nem sequer teres-nos apresentado.
- Mariana, recentemente tive uma discussão com ela, coisa feia e desde esse dia simplesmente finjo que não a vejo.
- Isso não é uma atitude muito adulta.
- Tens razão mas quando ela decidiu opinar sobre a minha ida para Braga como se tivesse a mudar de cavalo para burro a coisa azedou, ela sabia que não andava satisfeito, que queria jogar mais mas mesmo assim não pretendia deixar o Benfica e em vez de ficar calada andou a colocar mais lenha na fogueira.
- Nunca falaste muito sobre a tua ida para Braga.
- Amor, para teres uma ideia a decisão de ir para Braga não foi de todo algo que quis mas sim algo que tive que fazer para jogar com mais frequência, por mim não tinha saído de juntos dos meus, em Lisboa estava no meu clube e tinha a minha família.
- Pois mas se não tivesses ido para Braga hoje não estaríamos aqui - sorri com o que falou.
- Gosto de ouvir-te a dizer essas coisas.
- Tonto.
Continuamos à conversa o que contribuiu para não darmos pelo tempo passar, o que tornou a viagem menos secante.
- Chegamos - falou ao parar o carro.
- Entras.
- Isso é um convite ou um pedido? - sorriu.
- Uma ordem - gargalhou o que acabou por despertar o Martim - amor já chegamos - ele espreguiçou-se - vamos piolho.
- Sim - falou ao retirar o cinto e a sair do carro - mana vou ter com o Nuninho - nem deu tempo que dissesse nada desapareceu a correr para o interior da casa.
- Ruben - chamei-o quando já estava a retirar a minha mala do seu carro.
- Sim, diz - falou ao coloca-la no chão.
Não falei, simplesmente envolvi o seu pescoço com os meus braços e não tive que esperar mais do que uns segundos para sentir as suas mãos a na minha cintura a puxarem-me para ele, beijamo-nos demoradamente, aliás foi quando a minha língua já passeava pelos recantos da sua boca que fomos interrompidos.
- Lindo serviço - interrompemos o nosso momento para olhar o Nuno.
- Passasse alguma coisa? - falei já com as minhas costas contra o peito do Ruben e com os seus braços a envolverem a minha cintura.
- Não mas tenho um filho pequeno por isso é melhor controlarem essas hormonas.
- Piada - ripostei levando-os a gargalhar.
- Fora brincadeiras como correu o fim-de-semana?
- Nem sei - olhei para o Ruben - bem e mal - sorrimos os dois - teve de tudo.
- Não querem ser mais específicos?
- Depois conto mas agora preciso de ir comer qualquer coisa que estou com fome.
- Ok, vai lá mas não te escapas.
- Sim paizinho - eles sorriram mas acabei por entrar em casa seguida por eles.
- Mariana onde é que queres que deixe tua mala - ouvi o Ruben a perguntar e já a sair da sala pedi-lhe que a colocasse no meu quarto.
Fui comer uma peça de fruta mas depressa juntei-me a eles, estávamos todos na sala a ver o Martim a brincar com o Nuninho quando a Patrícia perguntou-me como é que estava as coisas com o Ruben, sorri e disse-lhe que depois falávamos, ela compreendeu e não insistiu mais no assunto.
O Ruben acabou por jantar connosco e no final cumpriu o prometido e brincou um pouco com o Martim e com o afilhado, mas acabei por os ir deitar e quando regressei contamos finalmente aos nossos amigos o que se tinha passado, lógico que ocultamos o que quase teve para acontecer naquele quarto, isso a ninguém interessava a não ser a mim e ao Ruben, eles foram da opinião que temos que preparar mesmo muito bem o meu irmão e até se disponibilizaram para ajudar no que seja necessário nem que seja ficarem com o meu irmão para podermos namorar sossegados, agradecemos e acabamos por mudar de assunto.
As horas passaram e eles despediram-se de nós pois foram dormir, estava nos braços do Ruben a olharmos o céu estrelado como tanto gosto de fazer quando do nada o surpreendi com o pedido que fiz.
- Ficas comigo esta noite?
- Queres?
- Sim, estou a precisar de mimos - sorriu.
- Queres falar sobre a tua mãe?
- Não, neste momento só quero ir deitar-me e adormecer nos teus braços.
- Anda, vamos então - sorriu para logo depois beijar-me.
Entramos em casa de mãos dadas e depois de fechar as portas e janelas fomos finalmente para o meu quarto mas antes passei pelo dos meus piolhos para certificar-me que estava tudo bem. Quando entramos no meu quarto fechei a porta à chave para evitar que o meu irmão nos apanhasse, algo que na cabeça do Ruben deve ter funcionado como um sinal de que queria algo mais, o que não era de todo mentira afinal o nosso momento ainda estava bem presente na minha cabeça mas não deixei que avançasse queria mesmo só ficar com a cabeça deitada no seu peito e sentir o seu coração a bater, algo que o Ruben entendeu mesmo sem lhe dizer e por isso depressa nos deitamos, aninhei-me completamente nele e adormeci serena com ele a fazer-me um cafuné. 

***

Um mês passou e mal consegui estar com o Ruben porque o Martim continuava a marcar o território dele e sempre que tentava puxar o assunto de poder estar a gostar de alguém o meu irmão arranjava sempre forma de não deixar que continuasse, por momentos cheguei a ter a sensação que já sabe mas que não quer que fale nisso.
Quem tem tido uma paciência de santo é o Ruben, tem ido todos os dias lá a casa, brinca com o meu irmão até à exaustão e só quando consigo fazer com que adormeça é que podemos estar uns minutos a sós mesmo assim tem sido muito pouco.
- Mana, podemos ir ao jogo? - o Martim entrou na sala quando estava à conversa com a Patrícia.
- Queres ir ao estádio, é isso?
- Sim, podemos? - olhei para a Patrícia.
- Pode ser mas tens que te portar bem.
- Fixe - sentou-se no meu colo e abraçou-me.
- Mas se queres ir vai vestir a roupa que a mana deixou em cima da tua cama.
- Tá bom.
- Já sabes como é que lhe vais dizer? - a Patrícia perguntou assim que ficamos a sós.
- Não, aliás estou farta de pensar e de falar disso com o Ruben e ainda não conseguimos encontrar uma forma de o fazer.
- Vocês estão a tentar arranjar a forma perfeita mas isso não existe, digam simplesmente a verdade, o Martim possivelmente vai espernear mas irá acabar por aceitar.
- Talvez tenhas razão - sorriu - mas para lhe revelar tal coisa tem que ser numa altura que o meu irmão esteja mais calmo.
- Sim é melhor mas agora mudando ligeiramente de assunto como é que estão as coisas entre vocês?
- Bem.
- Esse bem vai até onde? - olhei-a sem entender o que queria saber - Vocês já - sorri.
- Não - respondi depois de ter percebido a insinuação dela.
- Não? - perguntou admirada - mas vocês já dormiram várias noites juntos e não aconteceu nada?
- Não.
- Bem isso é que é capacidade de resistência - sorri - o Ruben está a surpreender-me.
- Porquê?
- Mariana, tens que admitir que não é muito normal vocês namorarem, andarem a dormir quase todas as noites juntos, sim porque sei que o Ruben tem cá ficado quase todos os dias apesar de sair antes do Martim acordar - sorri ao ouvi-la - e ainda nunca ter acontecido nada.
Não respondi porque o Martim entrou na sala e acabamos por sair para irmos até ao estádio, hoje fomos só os dois uma vez que a Patrícia não lhe apeteceu até porque o Nuninho estava meio adoentado.
Estávamos já no camarote quando mandei mensagem ao Ruben a avisá-lo que hoje teria uma espectadora mais atenta e não foi preciso esperar muito para o ver a entrar.
- O Martim? - perguntou ao aproximar-se.
- Foi comprar água.
- Como é que ele está?
- Hoje parece estar mais calmo, aliás foi o Martim que pediu para vir ao estádio.
- Então depois do jogo querem ir jantar?
- Sim em princípio não haverá problema.
- Então esperas por mim?
- Ruben, é melhor ir andando assim que o jogo acabar depois quando tiveres despachado aparece lá em casa.
- Amor - sorri ao ouvi-lo - vim com o Nuno por isso estou sem carro.
- Ok, nós esperamos mas é para te despachares que não estou para criar raízes à tua espera.
- Tudo bem agora deixa-me que tenho o aquecimento para fazer - sorriu e quando já ia a sair do camarote chamei-o - diz - voltou a aproximar-se.
- Boa sorte - sorriu depois de lhe ter dado um beijo na sua bochecha e um abraço, já que não estávamos sozinhos no camarote.
- Obrigado - olhou-me - mas quando tivermos só os dois vais compensar-me por este beijo ser na bochecha - sussurrou-me ao ouvido.
- Com certeza - sorrimos - o Martim vem aí - informei-o ao ver o meu irmão a entrar.
- Está tudo bem? - o Ruben meteu-se com o meu irmão.
- Sim mas não devias estar com os outros jogadores? - entreolhamo-nos.
- Já estou de saída - o Ruben informou-o - mas depois do jogo vamos jantar pode ser?
- Pode - sorrimos e depois vi o Ruben a sair do camarote.
Estava concentrada no aquecimento deles quando vi o filho do Miguel a entrar com a avó, o miúdo quis sentar-se ao lado do Martim e por isso acabei por ficar a olhar pelos dois. Vi o jogo atentamente ao contrário do que sempre falei o futebol até tem o seu lado interessante e no final dos noventa minutos que terminou com uma derrota caseira tive que ficar à espera do Ruben.
- Mana o Ricardo pode ficar com a gente? - olhei para o Martim sem entender a pergunta - É que a avó dele tem que ir embora mas ele quer esperar o pai.
- Martim essa história é verdade?
- É mas se quiseres podes perguntar à avó dele.
Acabei mesmo por fazer isso e depois de a senhora confirmar que tinha mesmo que ir embora mas que o seu filho ainda estava atrasado concordei em ficar com o Ricardo. Estávamos os três no parque de estacionamento à espera do Miguel e do Ruben quando vi o primeiro a aproximar-se.

Ruben

O jogo correu mal ou melhor perdemos porque fomos roubados à força toda pela equipa de arbitragem e se já estava lixado com isso quando cheguei à garagem ainda fiquei pior ao encontrar a Mariana alegremente à conversa com o Miguel, não gosto nada quando se aproxima do meu amor e por isso apressei o passo até chegar juntos deles.
- Vamos? - falei ao olhar para a Mariana.
- Sim.
Vi a Mariana a despedir-se do Miguel e do Ricardo o que confesso fez-me uma certa urticária principalmente ver a mão do Miguel pousada no fundo das costas da Mariana mas respirei fundo antes que falasse e fosse desagradável.
- Posso saber o que tens? - perguntou-me ao entrar no carro.
- Nada.
- Então que cara é essa?
- Perdemos da forma que perdemos, queres que esteja satisfeito?
- Também não precisas estar tão chateado, acontece.
- É que nem vou discutir este assunto contigo - olhou-me - não percebes nada de futebol e hoje não estou para perder tempo.
- Tudo bem - não falou mais e quando percebi estava a conduzir com destino à minha casa.
- Não íamos jantar?
- Íamos mas como não estás numa de perder tempo é melhor ires direto para a cama - olhei-a e só aí é que percebi o que tinha dito anteriormente.
- Desculpa, não tens culpa por estar mal-humorado.
- Não tenho mesmo e como não estou para aturar birras de gente crescida estás entregue - falou ao parar o carro diante da porta da minha casa.
- Hey vamos jantar - pedi - já percebi que exagerei.
- Ruben lá porque perdeste e não interessa se foi por jogarem mal ou se pelo árbitro ter dado uma ajudinha não tenho culpa e muito menos preciso de ouvir respostas como a que deste, a menos que o teu problema não tenha sido a derrota mas sim outra coisa - olhou-me - que como não sou burra percebi nitidamente o motivo pelo qual estás de trombas.
- Sim tens razão, não gostei do que vi mas se fosse ao contrário também não irias achar muita piada.
- Não estou a dizer o contrário, só quero que entendas que não há motivos para ficares assim.
- Pois de um dos lados sei que não existe motivos mas do outro já tenho as minhas dúvidas.
- Não tens razões para afirmares tal coisa mas também só um dos lados é que deveriam interessar-te por isso esquece o outro, pode ser?
- É um bocado difícil quando todos os dias oiço um dos lados a perguntar pelo outro ao Nuno - olhou-me e percebi que não esperava ouvir tal coisa - Mariana não sejas ingénua porque nem todas as pessoas são como tu.
- O que queres dizer com isso?
Teria respondido mas o Martim perguntou se não íamos jantar, olhei-a como que a pedir para irmos mas a Mariana surpreendeu-me ao afirmar que o jantar seria na casa do Nuno e da Patrícia.
- O Ruben não vem? - o puto perguntou.
- Não, o Ruben está cansado e por isso vai dormir.
Olhei-a mas não falei, despedi-me do puto e depois dela para sair logo de seguida do seu carro, entrei em casa e deitei-me no sofá a remoer no que se passou. Não sei o tempo que fiquei a pensar no que vi no estádio mas principalmente na reação da Mariana, só sei que levantei-me quando o meu estômago deu sinal de que já não via comida há horas, fui preparar algo rápido para comer e depois de ter terminado arrumei a cozinha, estava já a caminhar para o quarto quando ouvi a porta a abrir, voltei atrás e vi a Mariana.
- O que é que estás aqui a fazer?
- Vim resolver um assunto pendente ou achas que iria estar a falar dele em frente ao meu irmão?
- Mariana - tentei falar mas ela impediu-me.
- Quem vai falar sou eu - olhei-a - Ruben, não tens motivos nenhuns para teres ciúmes meus, já bem basta o Martim para azucrinar-me a cabeça, caramba achas mesmo que vou trocar-te ou trair? Será que ainda não entendeste que o meu sentimento por ti é verdadeiro e que até podem vir mil Miguéis que não vão conseguir mudar isso? Dói saber que não confias em mim ao ponto de ficares tranquilo quanto à aproximação do Miguel, não é o caso mas mesmo que fosse não seria por ele tentar alguma coisa que iria ter.
- Vais dizer que ainda não percebeste os olhares e as mãozinhas no fundo das tuas costas quando te cumprimenta?
- Não vais conseguir convencer-me a afastar-me do Miguel, muito menos nesta altura em que o Ricardo precisa é de ter os amigos de volta dele, caso não saibas o puto está a sofrer com a separação dos pais e é disso que tenho falado com o Miguel, as nossas conversas não vão mais além nem muito menos ele tentou alguma vez o que quer que fosse, isso são coisas da tua cabeça.
- Achas mesmo?
- Sim.
- Então quando ele te quiser levar para a cama depois conversamos - olhou-me.
- Ruben, por acaso estás a insinuar que quero ir para a cama com ele?
- Não, estou a dizer que é isso que ele quer, sou gajo e sei bem como é que estas coisas funcionam por isso não venhas com tretas de que é só amizade porque não acredito, ele quer mais só tu é que ainda não viste porque até o Nuno já comentou que achas estranho tanto interesse do Miguel em ti.
- Estás a exagerar porque estás cheio de ciúmes mas amor - pela primeira vez aproximou-se abraçando-me - não tens razões para isso.
- Mariana se não acreditas em mim pergunta ao Nuno qual é a opinião dele e vais comprovar que tenho razão.
- Vais continuar a insistir nisso?
- Ok, não falo mais nesse assunto mas quando perceberes que estás errada depois não te queixes.
- És tão estúpido venho aqui tentar resolver o problema que tu próprio arranjaste sem teres motivos e ainda tens a lata de falares nesse tom, realmente devo andar a perder o meu tempo contigo, fica aí com as tuas invenções que vou regressar para junto de quem merece - não deu-me tempo de dizer mais nada, agarrou na sua mala e saiu porta fora, ainda pensei ir atrás dela mas seria pior porque não iria ouvir-me.

Será que a Mariana vai ficar aborrecida com o Ruben por muito mais tempo?

11 comentários:

  1. então o capítulo começa tão bem e depois acaba como acaba?!
    preciso de um novo com a solução desta "zanga" sim que acredito que depois do que aconteceu na casa do MAuro eles não vão seprar-se por causa dum Miguel qualquer...

    bjokinhas
    mariaa

    ResponderEliminar
  2. Olá!
    Bem só o título mata tudo xD
    E eu concordo com a Maria tens de arranjar uma solução, porque estes dois foram uma trabalheira para juntar-se!
    Quero o próximo!!!

    Beijo
    Ana

    ResponderEliminar
  3. Bolas! Isto é que foi uma discussão!
    Eu gostei, mas eu concordo com a Maria e com a Ana. Eles ficam tão bem juntos e demorou tanto para ficarem assim...
    Quero tanto ler o próximo!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Olá :)
    No inicio temos estes dois todos fofinhos e tal e depois pumba! :P
    Já sabes que os gosto de ver é bem e juntinhos sem ninguém chateado!
    Fico à espera do próximo ;)
    Beijinhos
    Rita

    ResponderEliminar
  5. Então mas agora chateiam-se? Esse Miguel tem é de se pôr no lugar dele, mau mau -.- qe a Mariana é só do Ruben e vice-versa! E agora para fazerem as pazes, precisam assim de uma noite e tal :p
    Gosteei muito! :D
    Beijinho

    ResponderEliminar
  6. Eita, mas está tudo muito doido. Acho bom que esse Miguel não se meta onde não é chamado u___u
    Quero mais, e reconciliação *-*

    Gabii.

    ResponderEliminar
  7. Oh my God agora vão chatear-se???!?!!!
    Um capitulo tão perfeito... apesar do Martim não facilitar nada...
    Adoro!!!
    Quero mais!!!

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  8. Bem, cá estou eu como prometido .. :)
    Bem, primeiro em relação ao Martim, eu também acho que o puto já sabe mas não o quer ouvir da boca da irmã ..
    Em relação ao Miguel, já não estou a achar piada, discussões por causa de outros é que não, espero que não cause muitos problemas .. :D

    Continua, quero muito o proximo capitulo ..

    Beijinho grande
    Diidii

    ResponderEliminar
  9. Agora é que o caldo entornou, então tavam tão bem, tão fofinhos os dois, tinha que vir este Miguel? Que o gajo anda a arrastar a asa, já todos percebemos,todos menos a Mariana. O Ruben tá com ciúmes, e depois? é normal, eu queria ver se fosse ao contrário, não é uma questão de não confiar na Mariana ele não confia mesmo é no Sr.Miguel.
    Então não bastava a perua da Soraia agora tinha que aparecer este galo chinês? Mas adorei na mesma, o Martim continua com marcação cerrada, o puto já sabe, só não quer é ver a confirmação dos factos.
    Já sabes que agora quero as pazes, O Ruru tem que se esmerar.

    Beijocas

    Fernanda

    ResponderEliminar
  10. Olá :D
    A situação não está nada fácil para a Mariana e o Ruben. o Martin nao facilita mesmo! Espero que o puto aceite bem o namoro destes dois :p
    Aguardo o próximo ;)
    Beijinhos
    Ritááá xD

    ResponderEliminar
  11. aserio?? depois destas maravilhas que acabei d eler acabas desta forma? isto nao é justo, eu quero ver este casalinho juntinho e sem discussoes, apesar que este miguelito ainda vai arranjar mais confusoes! :P

    querooooo muito o proximo, só agora consegui actualizar-me nesta fic :s

    fico a espera! :)

    beijinhos linda!

    ResponderEliminar