quarta-feira, 30 de maio de 2012

019 - “Mariana será que não entendeste que o Ruben quer os teus mimos e não os das outras pessoas?”


Ruben

Acordei porque o maldito despertador tocou e apesar da vontade que tinha em ficar na cama acabei por levantar-me, tinha treino e não queria mesmo chegar atrasado. Tomei o pequeno-almoço à pressa pois não estava com paciência para aturar as piadas do meu irmão que a pedido da nossa mãe lá se calou.
O treino podia ter corrido melhor e por isso no fim não me livrei de levar com as perguntas do Nuno enquanto regressávamos ao balneário.
- Puto o que é que tens hoje?
- Nada.
- Isso é tudo falta da Mariana? – parei de andar o que o fez parar também.
- Desde quando é que a Mariana é motivo para estar distraído no treino?
- Ah, afinal confessas que estavas distraído durante o treino.
- Ó Nuno pára de chatear-me a cabeça que não preciso disso.
- Porquê que não admites de uma vez que tens dúvidas quanto à realização do casamento?
- Já não vai haver casamento – teria explicado mas ele interrompeu-me.
- Como assim? Explica lá bem isso como se fosse muito burro – sorri com o que ele disse.
- Não há muito para explicar, simplesmente não vai haver mais casamento - fiz uma ligeira pausa - nós terminamos de vez sem volta possível.
- Posso saber ao que se deve essa certeza absoluta?
- Podes, já não amo a Soraia – ele olhou-me estupefacto, acho que não esperava que o admitisse desta forma.
- Tens a certeza?
- Tenho.
- Mas ainda ontem falavas que a amavas?
- Ultimamente também falei outras coisas que não eram verdade – ele olhava-me talvez à espera de uma explicação – se queres saber andei a enganar-me a mim próprio.
- Queres ser mais explícito?
- Desculpa mas neste momento prefiro não falar sobre tudo o que se tem vindo a passar mas que insisto em não ver e muito menos admitir – comecei a andar de novo mas a voz dele deteve-me.
- Mariana – olhei-o – é esse o nome de todas as tuas dúvidas, é esse o nome pelo qual o teu coração tem vindo a chamar mas que a cabeça teima em negar – engoli em seco – Ruben deixa de negar o óbvio, já todos percebemos que a rapariga mexe contigo, só não falamos mais cedo porque ainda pensamos que pudesse ser algo da nossa cabeça mas as tuas últimas atitudes só vieram confirmar isso – ele fez uma ligeira pausa mas continuou logo de seguida – não quero ser pessimista mas é bom que estejas preparado para ouvir um não por parte da Mariana, ela só tem olhos para o irmão – interrompi-o.
- Podes ficar descansado que não pretendo correr atrás da Mariana, até porque não sei aquilo que sinto por ela, só sei que gosto de estar do seu lado, ela dá-me a paz de que preciso, não sei explicar, só sei que do lado dela parece tudo mais fácil mas tenho a consciência que independentemente daquilo que sinto por ela que não é recíproco, para a Mariana sou só um amigo.
- Isso chega-te?
- Neste momento sim até porque estou demasiado confuso, Nuno o que sinto pela Mariana não é amor mas também não é só amizade – ele sorriu – o que foi?
- Como é que deixaste que chegasse a este ponto? Será que não conseguiste enxergar mais cedo o que se estava a passar ou será não quiseste fazê-lo?
- O que é que estás a insinuar?
- Ruben, a Mariana é o oposto da Soraia, nela encontraste o apoio que na tua ex noiva não tinhas e acabaste por confundir os sentimentos.
- Não acho que tenha confundido nada.
- Será que não?
- Nuno ao início quando olhava para a Mariana via uma rapariga simples, sincera, amiga, justa, magoada, triste e talvez mesmo desiludida mas hoje quando perco-me a olhá-la além de continuar a ver isso tudo ainda vejo a mulher que talvez um dia venha a ser minha mas que no presente não dá e não é por ter consciência que a Mariana não sente o mesmo por mim, é porque no presente estou demasiado confuso, não consigo ser egocêntrico ao ponto de pensar só em mim, ela não merece que brinque com os seus sentimentos sejam eles quais forem, só quero que a Mariana veja feliz.
- Espero que não te esqueças do que acabaste de falar – ele olhou-me – Ruben, já por diversas vezes avisei e volto a dizer não a quero magoada.
- Também não a quero magoar – suspirei – não sei o que vou fazer mas se tiver que afastar-me para ela não sofrer não hesitarei em fazê-lo, de qualquer forma as férias estão aí e nós vamos ficar um tempo sem nos vermos pode ser que consiga perceber o que sinto verdadeiramente pela Mariana.
- Puto o que é que te fez perceber que afinal a Mariana mexe contigo?
- Nuno, simplesmente percebi que já não amo a Soraia e que a Mariana não sai dos meus pensamentos.
- Não estás a dizer tudo mas também não vou insistir.
- Obrigado.
O Nuno não insistiu mais e por isso fui despachar-me, foi quando estava no duche que lembrei-me de convidar a Mariana para jantar e por isso mesmo avisei o Nuno que iria com ele até à sua casa, ele simplesmente sorriu mas não falou nada.
Chegamos à sua casa e mal entrei fui direto ao local que sabia que iria encontra-la, entrei na cozinha e só parei quando os meus braços já estavam a envolver o seu corpo, a Mariana refilou e após algumas palavras fiquei a saber que a minha mãe estava no mesmo espaço e ainda por cima teve a falar com ela, a primeira coisa em que pensei foi que tivesse vindo falar sobre a confusão de sentimentos que vai dentro de mim mas depressa fui esclarecido pela Mariana.
 - Ruben - olhei-a - sim tivemos a falar de ti, sabes como é preocupação de mãe.
- Mãe o que é que você lhe veio dizer?
- Não te preocupes que não falou nada que não tivesse à espera - olhei-a novamente - e como não gosto de assuntos por esclarecer digo-te já que a tua mãe veio com a conversa de sossegar coração de mãe, ou seja quis certificar das minhas intenções para com o seu menino que apesar de ser um marmanjo continua a ser criança, resumindo a tua mãe estava preocupada se pudesse levar o menino dela para a cama e servir de consolo – gargalhei ao ouvi-la mas não pude deixar de reparar que a minha mãe estava estupefacta a olhar talvez pela forma como a Mariana esclareceu o assunto sem qualquer problema por ela estar ali a ouvir - onde é que está a piada?
- Confesso que tem, gostava de ter visto essa cena – respondi.
- Posso saber porquê?
- Porque por muito que imagine acho que não chego à resposta que lhe deves ter dado, se bem que faço uma pequena ideia – sorri-lhe.
- Ai é, tem assim tanta piada – ela bateu-me no braço e vi a minha mãe a sair de fininho algo que aproveitei para confessar à Mariana um dos meus receios.
- Não é o facto de ter piada mas sim o de não teres ficado chateada comigo à conta disso.
- Iria chatear-me contigo porquê? As palavras foram da tua mãe e a bem da verdade nem disse nada simplesmente insinuou.
- Ah, ela insinuou e tu como gostas dos pontos nos i’s entraste logo a matar, não foi?
- Só chamei os “bois pelos nomes” - voltei a sorrir.
- O que é que lhe disseste? - perguntei agora mais sério.
- Algo do género que não é por ser empregada que sou “pau para toda a obra”, que não faço determinados “serviços” e que antes de respeitar-te a ti respeito-me a mim.
- Gostava de ter visto a cara da minha mãe – gargalháramos os dois – por norma nunca é tão direta e ter levado contigo assim deve doído.
- Olha que não viesse para o meu lado, se não gostou temos pena, sei que é tua mãe mas daí a andar com a ela nas palmas das minhas mãos a conversa é outra.
- Agora não entendi.
- Quis dizer que não é por ser tua mãe que a tenho de agradar e muito menos fingir ser quem não sou.
- Só posso concordar contigo – ela sorriu – mas agora até tenho medo de fazer o convite que tinha em mente.
- Convite?
- Passei por cá para te desafiar a irmos jantar - gargalhou - o que foi?
- Tenho de falar com o Miguel – olhei-a sem entender - cá para mim isso é efeito retardado da cabeçada que deste no fim-de-semana.
- Muito me contas - olhou-me - estou a ver que ficaste muito amiga do Miguel – fui irónico mas não fiquei sem resposta.
- Por acaso não mas agora que falas nisso podias era arranjar-me o número do telemóvel dele para o desafiar a vir jantar connosco, é que assim fico conhecê-lo melhor, afinal deve ser santo porque para vos aturar todos os dias ou é burro ou é santo.
- Que conversa é esta? Desde quando é que te interessas por homens? não gostei do que ouvi e mostrei o meu desagrado para a ouvir logo de seguida.
- Não venhas dar numa de pai para cima de mim porque não estou habituada a isso, saio com quem quero e não com quem impõe a sua presença, já para não falar que não sou exclusividade de ninguém, muito menos tua, não admito que tentem controlar-me muito menos um amigo, estamos entendidos?
- Desculpa não quis ofender.
- Ofendes se continuares com essa postura de protetor, podemos ser amigos mas isso não te dá o direito de puderes opinar no que respeita às pessoas com quem falo ou quero vir a falar.
- Tudo bem, já entendi.
- Ótimo.
- Mas aceitas ou não o meu convite?
- Não.
- Porquê?
- Ruben ontem deixei o meu irmão e o Nuninho sozinhos porque precisavas de falar, tudo bem, fui porque quis mas só o fiz porque não estavas bem, mas hoje pelo que acabei de ver aqui nesta cozinha estás fresco e fofo, por isso não venhas que não tens, as crianças aqui são eles e não tu.
- Quer dizer se meter-me aqui a chorar baba e ranho que vens jantar comigo, é?
- Deixa de ser estúpido e já agora mimado também, vê se cresces de uma vez, a idade das birras já passou.
- Pronto, ok, não digo mais nada.
- Mas também não penses que ficas aqui amuado, vai mas é à tua vida e deixa-me trabalhar.
- Estás a falar assim porquê?
- Porque sinceramente enjoa olhar para ti e ver que não passas de um puto mimado que só porque leva uma nega fica de burro.
- Vou embora.
- Adeus.
Não respondi simplesmente sai da cozinha e ao passar pela sala encontrei a minha mãe à conversa com o Nuno, eles ainda perguntaram algo mas não obtiveram resposta porque desapareci daquela casa precisava de estar sozinho talvez assim encontrasse as respostas que tanto preciso.

Mariana

A conversa com a Bela deixou-me algo desconfortável ainda assim resolvi esquecê-la uma vez que não queria chatear-me com ninguém, muito menos com o Ruben mas isso acabou por acontecer quando recusei ir jantar com ele, mais uma vez teve uma atitude de criança e não soube aceitar um não como resposta, ele deixou-me sozinha na cozinha e só voltei a ter a companhia de terceiros quando fui à sala avisar o Nuno que o almoço estava servido.
- Mariana – parei quando já ia a sair da sala – o que é que se passou para o meu filho sair daqui com a pressa toda?
- O filho é seu por isso pergunte-lhe – ela sorriu – porque não estou para aturar birras de pessoas adultas.
- Ui, o que é que o Ruben fez?
- Basicamente ficou de burro porque não aceitei ir jantar com ele – eles sorriram – é que não falta mais nada que servir de ama a ele também.
- O rapaz só está a precisar de mimos – interrompi o Nuno.
- Podes parar por aí, se quer mimo que peça à mãe ou que vá à procura de quem lhe queira dar mas que desampare a minha loja porque os meus mimos são para crianças com idade inferior a dez anos – o Nuno gargalhou – não estou a encontrar a piada.
- Mariana será que não entendeste que o Ruben quer os teus mimos e não os das outras pessoas? – olhei-o sem entender.
- O que é que queres dizer com isso?
- Que o Ruben está a precisar de ti e da tua amizade.
- O que ele precisa é de alguém que o faça esquecer a Soraia e essa pessoa não sou eu de certeza por isso que vá procurar para outro lugar e não perca tempo comigo – eles voltaram a sorrir.
- Não te subestimes – olhei para o Nuno.
- Não estou a subestimar-me simplesmente não sou a pessoa que o Ruben precisa.
- Será que não? – a mãe dele olhou-me.
- Nuno não sei onde queres chegar mas aviso já que de mim o Ruben só terá amizade.
- Nunca digas nunca – olhei-o – já ouvi muita boa gente a dizer nunca e foi quando caíram mais depressa, não subestimes o poder dos sentimentos.
- Onde é que queres chegar com esta conversa?
- A lado nenhum.
- Ok, então vamos almoçar que depois quero aproveitar para sair um pouco com o Nuninho.
O Nuno ainda convidou a D. Anabela para almoçar mas ela recusou pois queria almoçar com os filhos antes de regressar com o Mauro para Lisboa.
Durante a tarde fui passear com o Nuninho mas levei o apêndice do pai dele atrás, passei momentos agradáveis à conversa com o Nuno, até porque ele quis convencer-me a ir de férias com eles algo que neguei e depois de lhe explicar que o meu irmão ainda terá aulas até Junho e que normalmente utilizo a altura das férias para dedicar-me inteiramente ao Martim, o Nuno lá entendeu e até deu-me algumas ideias de destinos a escolher.

***

Nestas duas últimas semanas conheci a minha nova colega de trabalho, a senhora é simpática e criamos logo uma afinidade, a D. Joana apesar de ter uns anos a mais tem uma forma de ser que cativa as pessoas e por isso a sua integração não foi difícil.
Mas se estas semanas serviram para conhecer a D. Joana também serviram para mal ver o Ruben, desde que neguei o convite para jantarmos que ele ficou estranho, agora vem a casa do Nuno menos vezes e quando vem é a correr, mal está com o afilhado. Já tentei perceber o que se passa mas o Ruben fecha-se em copas e diz que anda só cansado algo que não acredito mas que até aqui tenho respeitado a sua vontade em não querer falar até porque sei bem o que isso é.
Hoje acordei com uma alegria imensa talvez porque amanhã estou de partida até Lisboa, vou finalmente visitar as pessoas que considero como sendo da minha família, vou com o Martim à instituição onde cresci e isso é motivo mais do que suficiente para recarregar as baterias.
Estava a colocar a roupa do Martim na mala que iríamos levar quando vi a Patrícia a do meu lado a olhar-me.
- Posso falar contigo?
- Sim, diz - sentou-se na cama.
- Sabes o que se passa com o Ruben?
- Não.
- Ele anda estranho, vocês agora falam muito menos e o Nuno ontem comentou comigo que ele nos treinos anda desconcentrado, vais continuar a dizer que não sabes o que ele tem?
- Patrícia, não sei mesmo até porque o Ruben não fala comigo sobre isso, quando aqui vem trocamos algumas palavras mas nada como fazíamos num passado bem recente.
- Isso não te faz confusão? Não achas isso estranho?
- Sim faz-me confusão mas não o posso obrigar a falar até porque não lhe vou fazer algo que detesto que façam a mim, o Ruben sabe que se precisar de alguma coisa estou por aqui.
- Sinceramente acho que devias ir falar com ele.
- Patrícia já lhe perguntei diversas vezes o que tinha mas o Ruben foge sempre a essa conversa além disso deste que recusei o convite para jantar que ele se afastou.
- Nunca paraste para pensar no motivo?
- É mimado e não aceita uma nega - ela sorriu.
- Ou então não esperava que lhe negasses isso e ficou ressentido mas é demasiado orgulhoso para admitir.
- Então ele que enfie o orgulho num sítio que cá sei e faça bom proveito - ela gargalhou.
- Ai, ai vocês são os dois teimosos mas vou estar cá para ver qual dos dois vai ceder.
- Não se trata de ceder pelo menos da minha parte porque já tentei saber o que se passava mais do que uma vez, o Ruben é que não fala.
- Ok, não insisto mais mas devias tentar perceber o que se passa, ele não anda bem e isso é notório.
- Agora vai ser difícil perceber o que quer que seja - ela olhou-me - eles já foram para Lisboa e o Ruben já não regressa a Braga tão cedo.
- Mas vais a Lisboa, fala com ele não o deixes ir de férias sem terem uma última conversa.
- Patrícia é impressão minha ou está a escapar-me alguma coisa?
- O que achas que te anda a escapar?
- Sei lá mas que esta conversa está estranha lá isso está - ela sorriu.
- Faz-me só um favor - ela olhou-me e depois deu-me um papel para a mão - tens aí a morada do apartamento do Ruben se tiveres um tempinho tenta falar com ele antes que parta de férias.
- Mas passa-se alguma coisa que deva saber?
- Não mas fala com ele, tenta entender o motivo que o levou a afastar-se de nós.
- Patrícia se estás assim tão interessada pergunta-lhe.
- Achas que não fiz já isso, aliás eu e o Nuno mas o Ruben não fala, pode ser que contigo se abra.
- Duvido mas vou tentar - ela sorriu.
Ainda continuamos à conversa mas o momento de ir buscar o meu piolho à escola chegou e como seguíamos directos para Lisboa despedi-me da Patrícia e do Nuninho, bem como da D. Joana.

***

Chegamos a Lisboa e fomos diretos à casa da Letícia uma vez que além de ser lá que iríamos ficar o Martim também estava cheio de saudades da madrinha. As horas seguintes foram para colocarmos a conversa em dia sempre com o meu pequeno de volta de nós, por isso só depois de o ter deitado é que pudemos finalmente conversar sem interrupções.
- Agora que o puto já dorme quero saber se já encontraste um o bracarense que encha as tuas medidas - gargalhei ao ouvir tal disparate.
- Não mudas mesmo.
- Hey não comeces com essa conversa que não queres saber de gajo nenhum, que tens o Martim e isso para ti chega.
- Letícia não comeces sabes bem que não quero homem nenhum na minha vida.
- És tão casmurra mas isso também não é novidade afinal já te conheci assim.
- Por falar nisso amanhã vou à instituição não queres vir?
- Até ia mas tenho que trabalhar - ela sorriu - além disso não fui eu que resolvi ir para Braga e não meter os pés em Lisboa nos meses seguintes, ah e para que conste ainda ontem estive lá.
- Letícia sabes bem porquê que não regressei mais cedo mas isso não quer dizer que vos tenha esquecido ou abandonado.
- Deixa de ser toina sabes bem que só estava a implicar contigo - sorrimos - mas agora a sério ainda nenhum bracarense se encantou por ti?
- Que tenha dado por isso não - ela gargalhou - que foi?
- Não mudas mesmo já no tempo em que estávamos na instituição eras tapadinha, então quando saímos ficaste cega de vez, principalmente depois de teres o Martim.
- Sabes bem que o teu afilhado é tudo o que tenho de mais valioso na vida.
- Isso não te impede de pensares um pouco mais em ti.
- Letícia não tenho cabeça para namoros.
- A tua mãe continua a chatear-te?
- Não, acho que por agora desistiu, só não sei até quando.
- Amiga, esquece a tua mãe, ela por muito que tente nunca vai conseguir ficar com o Martim.
- Sabes que o facto de ter-se submetido à desintoxicação dá-lhe pontos a seu favor.
- Ya então e tudo o que fizeste pelo Martim ao longo de sete anos não conta queres ver? A vossa mãe até pode estar a lutar para ficar sóbria mas isso não é motivo para que consiga ficar com o Martim.
- Tenho medo - as lágrimas vieram-me aos olhos - só de pensar nisso até tremo.
- Hey, nem penses, isso não é hipótese além disso tens a guarda do Martim.
- Pois mas mesmo assim - ela não deixou que continuasse.
- Mesmo assim nada, nenhum juiz vai retirar-te a guarda do puto para o entregar a uma ex toxicodependente que já tem histórico de recaídas quando o menino contigo tem tudo o que precisa para ser uma criança feliz.
Teríamos continuado a falar mas fomos interrompidas pelo som do seu telemóvel, ela sorriu e não foi preciso dizer mais nada, sabia que era o seu namorado e por isso saí da sala com a desculpa de ir até à cozinha.

***

Acordei com o Martim aos pulos na minha cama improvisada no sofá da sala e depois de alguns momentos de brincadeiras só nossos acabamos por ir até à cozinha onde tomamos o pequeno-almoço na companhia da Letícia, ela entretanto saiu para ir trabalhar e nós fomos até à instituição, onde passamos o dia.
O Martim estava feliz por voltar a estar com alguns os seus amigos de Lisboa e ainda mais ficou quando recebeu a lembrança que as crianças lhe fizeram como prenda de anos, que apesar de atrasada deixou-o super animado e feliz.
Com o anoitecer chegou o momento das crianças jantarem, ajudei a dar a refeição e depois seguimos até à sala de convívio, foi quando estava a ler uma história que o meu irmão interrompeu.
- Mana quando é que vamos para casa? - olhei-o sem entender o motivo da pergunta afinal ele adora estar na instituição.
- Porquê tanta pressa?
- Mana o jogo do Braga tá a dar na televisão e eu quero ver - sorri ao ouvi-lo.
- Martim - o diretor da instituição chamou-o - desde quando é que és adepto do Braga? Não eras do Porto?
- E sou mas no Braga tenho dois amigos que jogam lá - as crianças não reagiram mas os adultos olharam-me talvez à espera que confirmasse tal coisa.
- Então e quem são esses amigos?
- Sr. João é o Ruben Amorim e o Nuno Gomes - o meu irmão respondeu todo orgulhoso.
- Isto é verdade? - o Sr. João e diretor da instituição perguntou-me talvez por saber a aversão que tenho ao futebol.
- Sim, é.
- Mas desde quando é que deixas o teu irmão se dar com jogadores de futebol? - perguntou a rir.
- Desde que um deles é o meu patrão.
- Explica lá isso melhor, se puderes lógico - sorri.
- Trabalho para o Nuno Gomes, foi ele e a Patrícia que acolheram-me em Braga e além de trabalho, casa, comida ainda deram-nos a sua amizade. O Ruben Amorim veio por acréscimo quando se mudou para Braga, ele é amigo e colega de Nuno, visita frequente lá em casa por isso o Martim acabou por criar laços com os dois.
- Por esta não esperava, tu que nunca gostaste de futebol vais trabalhar para a casa de um jogador.
- Trabalho para quem paga e depois tanto o Nuno como o Ruben são excelentes pessoas.
- O Nuno não sei, agora o Ruben posso corroborar o que acabaste de dizer.
- Como assim?
- O Ruben Amorim com o projeto de solidariedade dele já ajudou uma instituição que é gerida por um amigo meu, proporcionou um dia animado às crianças e deixou o pessoal da instituição em causa com muito boa impressão dele.
- Sim, o Ruben é cinco estrelas tal como o Nuno.
- Gostei de saber disso - sorriu - é bom ficar a saber que Braga te anda a fazer bem.
- Anda mesmo pelo menos lá esqueço certos problemas.
Continuamos a falar mas acabei por despedir-me das crianças uma vez que o Martim fez mesmo questão de ir para casa porque queria ver o jogo.
Vi o jogo sentada ao seu lado mas para ser sincera a minha cabeça estava noutro lado, mais concretamente em Braga porque durante os noventa minutos as palavras da Patrícia não saíram do meu pensamento, de facto o Ruben estava distraído e isso reflectiu-se no seu jogo, foi após o apito sinal que tomei a decisão de tentar falar com ele, nem que para isso fosse montar guarda à porta do seu apartamento.
Deitei o meu irmão e fiquei à espera da Letícia, contei-lhe o que foi o meu dia e pedi-lhe para ficar com o Martim no dia seguinte uma vez que tinha algo para resolver mas não o queria levar comigo, ela aceitou na hora até porque assim passava umas horas com o seu afilhado e depois de combinar as cenas com ela fui deitar-me.

Será que a Mariana fala com o Ruben? E o que terá acontecido para ele se afastar?

10 comentários:

  1. ahhhhhhhhhh, matas me de ansiedade :(
    mas será que a mariana nao da o braço a torcer? coitadinho do ruben...

    ResponderEliminar
  2. Eu hoje só não me queixo porque sei que eu nem tinha publicado.

    Mas que amanhã preciso de mais isso não se questiona!!

    Quero ver como corre a "visita" ao mimado do Ruben!

    Bjokinhas
    Mariaa

    ResponderEliminar
  3. fabuloso...

    quero mais... agora fiquei a morrer de curiosidade para ver o proximo...

    continua...

    ResponderEliminar
  4. Agora fico mortinha por esta conversa... mas será que não podias acabar o capitulo depois dela ir ter ao apartamento...
    Ai tanta curiosidade...
    Muito bom!!!
    Quero mais.
    beijinhos

    ResponderEliminar
  5. ai ai que esta Mariana ainda nao percebeu que o ruben quer os mimos dela, mas espero que isso mude o que nao será nada facil , mas estou mesmo curiosa para saber como isto vai acabar, é que estou mesmo! :)

    quero muito ler o proximo, este está maravilhoso como todos, vá lá nao me deixes muito curiosa, sim?

    fico à espera!!

    beijinhos :)

    ResponderEliminar
  6. Olá :)
    Então o rapaz convida-a para um jantar e tem um NÃO como resposta?!Ele quer os miminhos apenas da Mariana ....Eles que resolvam isto da "birra" do Rúben ,que sem Soraia´s estes dois vão dar que falar :P
    Quero mais!
    Beijinhos
    Rita

    ResponderEliminar
  7. Ai que o Ruben armou-se em menino mimado, mas para o lado da Mariana vai de carrinho, e ainda por cima ela veio com a conversa de lhe pedir o número do Miguel, a birra dele é um camadão de ciúmes, e como são os dois teimosos que nem burros, vamos ver quem dá o braço a torcer.
    Ele anda carente dos mimos da Mariana, já toda a gente percebeu isso menos ela, mas ver se é desta, pode ser que a conversa corra pelo melhor, pelo menos é o que eu quero.
    Quero mais, isto tá cada vez melhor.
    Continua,

    Beijocas


    Fernanda

    ResponderEliminar
  8. Isto não se faz!!!
    Até me esqueci do meu habitual "olá!" e tudo!
    Eu pensava que ainda ia ler essa conversa neste capítulo!!!
    Estou mesmo curiosa... O Amorim bateu com a cabeça, amuou ou há mais alguma coisa?
    Vamos lá a postar o próximo rapidinho porque fiquei ansiosa!!!

    Beijo
    Ana
    http://desempreparasempre28.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  9. então mas agora acaba-se assim um capítulo... gostas mesmo de me fazer sofrer
    quero ver como vai correr a conversa eentre estes dois, discussão na certa...

    posta um hoje, sim?

    beijinho

    Raqul

    ResponderEliminar
  10. Será qe é agora qe o Ruben vai-se desbroncar todo á Mariana? Quero ver o qe vem aí!
    Gostei muitoo :D
    E este afastamento não dá com nada, eles ficam bem é juntinhos :p
    Beijinho

    ResponderEliminar