Ruben
Acordei porque o maldito despertador tocou e apesar da vontade que tinha em
ficar na cama acabei por levantar-me, tinha treino e não queria mesmo chegar
atrasado. Tomei o pequeno-almoço à pressa pois não estava com paciência para
aturar as piadas do meu irmão que a pedido da nossa mãe lá se calou.
O treino podia ter corrido melhor e por isso no fim não me livrei de levar
com as perguntas do Nuno enquanto regressávamos ao balneário.
- Puto o que é que tens
hoje?
- Nada.
- Isso é tudo falta da
Mariana? – parei de andar o que o fez parar também.
- Desde quando é que a
Mariana é motivo para estar distraído no treino?
- Ah, afinal confessas
que estavas distraído durante o treino.
- Ó Nuno pára de
chatear-me a cabeça que não preciso disso.
- Porquê que não
admites de uma vez que tens dúvidas quanto à realização do casamento?
- Já não vai haver
casamento – teria explicado mas ele interrompeu-me.
- Como assim? Explica
lá bem isso como se fosse muito burro – sorri com o que ele disse.
- Não há muito para
explicar, simplesmente não vai haver mais casamento - fiz uma ligeira pausa
- nós terminamos de vez sem volta
possível.
- Posso saber ao que se
deve essa certeza absoluta?
- Podes, já não amo a
Soraia – ele olhou-me estupefacto, acho que não esperava que o admitisse desta
forma.
- Tens a certeza?
- Tenho.
- Mas ainda ontem
falavas que a amavas?
- Ultimamente também
falei outras coisas que não eram verdade – ele olhava-me talvez à espera de uma explicação
– se queres saber andei a enganar-me a
mim próprio.
- Queres ser mais
explícito?
- Desculpa mas neste
momento prefiro não falar sobre tudo o que se tem vindo a passar mas que
insisto em não ver e muito menos admitir – comecei a andar de novo mas a voz dele
deteve-me.
- Mariana – olhei-o – é esse o nome de todas as tuas dúvidas, é
esse o nome pelo qual o teu coração tem vindo a chamar mas que a cabeça teima
em negar – engoli em seco – Ruben
deixa de negar o óbvio, já todos percebemos que a rapariga mexe contigo, só não
falamos mais cedo porque ainda pensamos que pudesse ser algo da nossa cabeça
mas as tuas últimas atitudes só vieram confirmar isso – ele fez uma ligeira
pausa mas continuou logo de seguida – não
quero ser pessimista mas é bom que estejas preparado para ouvir um não por
parte da Mariana, ela só tem olhos para o irmão – interrompi-o.
- Podes ficar
descansado que não pretendo correr atrás da Mariana, até porque não sei aquilo
que sinto por ela, só sei que gosto de estar do seu lado, ela dá-me a paz de
que preciso, não sei explicar, só sei que do lado dela parece tudo mais fácil
mas tenho a consciência que independentemente daquilo que sinto por ela que não
é recíproco, para a Mariana sou só um amigo.
- Isso chega-te?
- Neste momento sim até
porque estou demasiado confuso, Nuno o que sinto pela Mariana não é amor mas
também não é só amizade – ele sorriu – o
que foi?
- Como é que deixaste
que chegasse a este ponto? Será que não conseguiste enxergar mais cedo o que se
estava a passar ou será não quiseste fazê-lo?
- O que é que estás a
insinuar?
- Ruben, a Mariana é o
oposto da Soraia, nela encontraste o apoio que na tua ex noiva não tinhas e
acabaste por confundir os sentimentos.
- Não acho que tenha
confundido nada.
- Será que não?
- Nuno ao início quando
olhava para a Mariana via uma rapariga simples, sincera, amiga, justa, magoada,
triste e talvez mesmo desiludida mas hoje quando perco-me a olhá-la além de
continuar a ver isso tudo ainda vejo a mulher que talvez um dia venha a ser
minha mas que no presente não dá e não é por ter consciência que a Mariana não
sente o mesmo por mim, é porque no presente estou demasiado confuso, não
consigo ser egocêntrico ao ponto de pensar só em mim, ela não merece que
brinque com os seus sentimentos sejam eles quais forem, só quero que a Mariana
veja feliz.
- Espero que não te
esqueças do que acabaste de falar – ele olhou-me – Ruben, já por diversas vezes avisei e volto a dizer não a quero
magoada.
- Também não a quero
magoar – suspirei – não sei o que vou
fazer mas se tiver que afastar-me para ela não sofrer não hesitarei em fazê-lo,
de qualquer forma as férias estão aí e nós vamos ficar um tempo sem nos vermos
pode ser que consiga perceber o que sinto verdadeiramente pela Mariana.
- Puto o que é que te
fez perceber que afinal a Mariana mexe contigo?
- Nuno, simplesmente
percebi que já não amo a Soraia e que a Mariana não sai dos meus pensamentos.
- Não estás a dizer
tudo mas também não vou insistir.
- Obrigado.
O Nuno não insistiu mais e por isso fui despachar-me, foi quando estava no
duche que lembrei-me de convidar a Mariana para jantar e por isso mesmo avisei
o Nuno que iria com ele até à sua casa, ele simplesmente sorriu mas não falou
nada.
Chegamos à sua casa e mal entrei fui direto ao local que sabia que iria
encontra-la, entrei na cozinha e só parei quando os meus braços já estavam a
envolver o seu corpo, a Mariana refilou e após algumas palavras fiquei a saber
que a minha mãe estava no mesmo espaço e ainda por cima teve a falar com ela, a
primeira coisa em que pensei foi que tivesse vindo falar sobre a confusão de
sentimentos que vai dentro de mim mas depressa fui esclarecido pela Mariana.
- Ruben - olhei-a - sim tivemos a falar de ti, sabes como é
preocupação de mãe.
- Mãe o que é que
você lhe veio dizer?
- Não te preocupes
que não falou nada que não tivesse à espera - olhei-a novamente - e como não gosto de assuntos por esclarecer
digo-te já que a tua mãe veio com a conversa de sossegar coração de mãe, ou
seja quis certificar das minhas intenções para com o seu menino que apesar de
ser um marmanjo continua a ser criança, resumindo a tua mãe estava preocupada
se pudesse levar o menino dela para a cama e servir de consolo – gargalhei
ao ouvi-la mas não pude deixar de reparar que a minha mãe estava estupefacta a
olhar talvez pela forma como a Mariana esclareceu o assunto sem qualquer
problema por ela estar ali a ouvir - onde
é que está a piada?
- Confesso que tem, gostava de ter visto essa cena – respondi.
- Posso saber porquê?
- Porque por muito que imagine acho que não chego à resposta que lhe
deves ter dado, se bem que faço uma pequena ideia – sorri-lhe.
- Ai é, tem assim tanta piada – ela bateu-me no braço e vi a minha
mãe a sair de fininho algo que aproveitei para confessar à Mariana um dos meus
receios.
- Não é o facto de ter piada mas sim o de não teres ficado chateada
comigo à conta disso.
- Iria chatear-me contigo porquê? As palavras foram da tua mãe e a bem
da verdade nem disse nada simplesmente insinuou.
- Ah, ela insinuou e tu como gostas dos pontos nos i’s entraste logo a
matar, não foi?
- Só chamei os “bois pelos nomes” - voltei a sorrir.
- O que é que lhe disseste? - perguntei agora mais sério.
- Algo do género que não é por ser empregada que sou “pau para toda a
obra”, que não faço determinados “serviços” e que antes de respeitar-te a ti respeito-me
a mim.
- Gostava de ter visto a cara da minha mãe – gargalháramos os dois
– por norma nunca é tão direta e ter
levado contigo assim deve doído.
- Olha que não viesse para o meu lado, se não gostou temos pena, sei
que é tua mãe mas daí a andar com a ela nas palmas das minhas mãos a conversa é
outra.
- Agora não entendi.
- Quis dizer que não é por ser tua mãe que a tenho de agradar e muito
menos fingir ser quem não sou.
- Só posso concordar contigo – ela sorriu – mas agora até tenho medo de fazer o convite que tinha em mente.
- Convite?
- Passei por cá para te desafiar a irmos jantar - gargalhou - o que foi?
- Tenho de falar com o Miguel – olhei-a sem entender - cá para mim isso é efeito retardado da
cabeçada que deste no fim-de-semana.
- Muito me contas - olhou-me - estou
a ver que ficaste muito amiga do Miguel – fui irónico mas não fiquei sem
resposta.
- Por acaso não mas agora que falas nisso podias era arranjar-me o
número do telemóvel dele para o desafiar a vir jantar connosco, é que assim
fico conhecê-lo melhor, afinal deve ser santo porque para vos aturar todos os
dias ou é burro ou é santo.
- Que conversa é esta? Desde quando é que te interessas por homens?
não gostei do que ouvi e mostrei o meu desagrado para a ouvir logo de seguida.
- Não venhas dar numa de pai para cima de mim porque não estou
habituada a isso, saio com quem quero e não com quem impõe a sua presença, já
para não falar que não sou exclusividade de ninguém, muito menos tua, não
admito que tentem controlar-me muito menos um amigo, estamos entendidos?
- Desculpa não quis ofender.
- Ofendes se continuares com essa postura de protetor, podemos ser
amigos mas isso não te dá o direito de puderes opinar no que respeita às
pessoas com quem falo ou quero vir a falar.
- Tudo bem, já entendi.
- Ótimo.
- Mas aceitas ou não o meu convite?
- Não.
- Porquê?
- Ruben ontem deixei o meu irmão e o Nuninho sozinhos porque precisavas
de falar, tudo bem, fui porque quis mas só o fiz porque não estavas bem, mas
hoje pelo que acabei de ver aqui nesta cozinha estás fresco e fofo, por isso
não venhas que não tens, as crianças aqui são eles e não tu.
- Quer dizer se meter-me aqui a chorar baba e ranho que vens jantar
comigo, é?
- Deixa de ser estúpido e já agora mimado também, vê se cresces de uma
vez, a idade das birras já passou.
- Pronto, ok, não digo mais nada.
- Mas também não penses que ficas aqui amuado, vai mas é à tua vida e
deixa-me trabalhar.
- Estás a falar assim porquê?
- Porque sinceramente enjoa olhar para ti e ver que não passas de um
puto mimado que só porque leva uma nega fica de burro.
- Vou embora.
- Adeus.
Não respondi simplesmente sai da
cozinha e ao passar pela sala encontrei a minha mãe à conversa com o Nuno, eles
ainda perguntaram algo mas não obtiveram resposta porque desapareci daquela
casa precisava de estar sozinho talvez assim encontrasse as respostas que tanto
preciso.
Mariana
A conversa com a Bela deixou-me
algo desconfortável ainda assim resolvi esquecê-la uma vez que não queria
chatear-me com ninguém, muito menos com o Ruben mas isso acabou por acontecer
quando recusei ir jantar com ele, mais uma vez teve uma atitude de criança e
não soube aceitar um não como resposta, ele deixou-me sozinha na cozinha e só
voltei a ter a companhia de terceiros quando fui à sala avisar o Nuno que o
almoço estava servido.
- Mariana – parei quando já ia a sair da sala – o que é que se passou para o meu filho sair
daqui com a pressa toda?
- O filho é seu por isso pergunte-lhe – ela sorriu – porque não estou para aturar birras de
pessoas adultas.
- Ui, o que é que o Ruben fez?
- Basicamente ficou de burro porque não aceitei ir jantar com ele –
eles sorriram – é que não falta mais
nada que servir de ama a ele também.
- O rapaz só está a precisar de mimos – interrompi o Nuno.
- Podes parar por aí, se quer mimo que peça à mãe ou que vá à procura
de quem lhe queira dar mas que desampare a minha loja porque os meus mimos são
para crianças com idade inferior a dez anos – o Nuno gargalhou – não estou a encontrar a piada.
- Mariana será que não entendeste que o Ruben quer os teus mimos e não
os das outras pessoas? – olhei-o sem entender.
- O que é que queres dizer com isso?
- Que o Ruben está a precisar de ti e da tua amizade.
- O que ele precisa é de alguém que o faça esquecer a Soraia e essa
pessoa não sou eu de certeza por isso que vá procurar para outro lugar e não
perca tempo comigo – eles voltaram a sorrir.
- Não te subestimes – olhei para o Nuno.
- Não estou a subestimar-me simplesmente não sou a pessoa que o Ruben
precisa.
- Será que não? – a mãe dele olhou-me.
- Nuno não sei onde queres chegar mas aviso já que de mim o Ruben só terá
amizade.
- Nunca digas nunca – olhei-o – já ouvi muita boa gente a dizer nunca e foi quando caíram mais
depressa, não subestimes o poder dos sentimentos.
- Onde é que queres chegar com esta conversa?
- A lado nenhum.
- Ok, então vamos almoçar que depois quero aproveitar para sair um
pouco com o Nuninho.
O Nuno ainda convidou a D. Anabela
para almoçar mas ela recusou pois queria almoçar com os filhos antes de
regressar com o Mauro para Lisboa.
Durante a tarde fui passear com o
Nuninho mas levei o apêndice do pai dele atrás, passei momentos agradáveis à
conversa com o Nuno, até porque ele quis convencer-me a ir de férias com eles
algo que neguei e depois de lhe explicar que o meu irmão ainda terá aulas até
Junho e que normalmente utilizo a altura das férias para dedicar-me
inteiramente ao Martim, o Nuno lá entendeu e até deu-me algumas ideias de
destinos a escolher.
***
Nestas duas últimas semanas
conheci a minha nova colega de trabalho, a senhora é simpática e criamos logo
uma afinidade, a D. Joana apesar de ter uns anos a mais tem uma forma de ser
que cativa as pessoas e por isso a sua integração não foi difícil.
Mas se estas semanas serviram para
conhecer a D. Joana também serviram para mal ver o Ruben, desde que neguei o
convite para jantarmos que ele ficou estranho, agora vem a casa do Nuno menos
vezes e quando vem é a correr, mal está com o afilhado. Já tentei perceber o
que se passa mas o Ruben fecha-se em copas e diz que anda só cansado algo que
não acredito mas que até aqui tenho respeitado a sua vontade em não querer
falar até porque sei bem o que isso é.
Hoje acordei com uma alegria
imensa talvez porque amanhã estou de partida até Lisboa, vou finalmente visitar
as pessoas que considero como sendo da minha família, vou com o Martim à
instituição onde cresci e isso é motivo mais do que suficiente para recarregar
as baterias.
Estava a colocar a roupa do Martim
na mala que iríamos levar quando vi a Patrícia a do meu lado a olhar-me.
- Posso falar contigo?
- Sim, diz - sentou-se na cama.
- Sabes o que se passa com o Ruben?
- Não.
- Ele anda estranho, vocês agora falam muito menos e o Nuno ontem
comentou comigo que ele nos treinos anda desconcentrado, vais continuar a dizer
que não sabes o que ele tem?
- Patrícia, não sei mesmo até porque o Ruben não fala comigo sobre
isso, quando aqui vem trocamos algumas palavras mas nada como fazíamos num
passado bem recente.
- Isso não te faz confusão? Não achas isso estranho?
- Sim faz-me confusão mas não o posso obrigar a falar até porque não
lhe vou fazer algo que detesto que façam a mim, o Ruben sabe que se precisar de
alguma coisa estou por aqui.
- Sinceramente acho que devias ir falar com ele.
- Patrícia já lhe perguntei diversas vezes o que tinha mas o Ruben foge
sempre a essa conversa além disso deste que recusei o convite para jantar que
ele se afastou.
- Nunca paraste para pensar no motivo?
- É mimado e não aceita uma nega - ela sorriu.
- Ou então não esperava que lhe negasses isso e ficou ressentido mas é
demasiado orgulhoso para admitir.
- Então ele que enfie o orgulho num sítio que cá sei e faça bom
proveito - ela gargalhou.
- Ai, ai vocês são os dois teimosos mas vou estar cá para ver qual dos
dois vai ceder.
- Não se trata de ceder pelo menos da minha parte porque já tentei
saber o que se passava mais do que uma vez, o Ruben é que não fala.
- Ok, não insisto mais mas devias tentar perceber o que se passa, ele
não anda bem e isso é notório.
- Agora vai ser difícil perceber o que quer que seja - ela olhou-me
- eles já foram para Lisboa e o Ruben já
não regressa a Braga tão cedo.
- Mas vais a Lisboa, fala com ele não o deixes ir de férias sem terem
uma última conversa.
- Patrícia é impressão minha ou está a escapar-me alguma coisa?
- O que achas que te anda a escapar?
- Sei lá mas que esta conversa está estranha lá isso está - ela
sorriu.
- Faz-me só um favor - ela olhou-me e depois deu-me um papel para a
mão - tens aí a morada do apartamento do
Ruben se tiveres um tempinho tenta falar com ele antes que parta de férias.
- Mas passa-se alguma coisa que deva saber?
- Não mas fala com ele, tenta entender o motivo que o levou a
afastar-se de nós.
- Patrícia se estás assim tão interessada pergunta-lhe.
- Achas que não fiz já isso, aliás eu e o Nuno mas o Ruben não fala,
pode ser que contigo se abra.
- Duvido mas vou tentar - ela sorriu.
Ainda continuamos à conversa mas o
momento de ir buscar o meu piolho à escola chegou e como seguíamos directos
para Lisboa despedi-me da Patrícia e do Nuninho, bem como da D. Joana.
***
Chegamos a Lisboa e fomos diretos
à casa da Letícia uma vez que além de ser lá que iríamos ficar o Martim também
estava cheio de saudades da madrinha. As horas seguintes foram para colocarmos
a conversa em dia sempre com o meu pequeno de volta de nós, por isso só depois
de o ter deitado é que pudemos finalmente conversar sem interrupções.
- Agora que o puto já dorme quero saber se já encontraste um o
bracarense que encha as tuas medidas - gargalhei ao ouvir tal disparate.
- Não mudas mesmo.
- Hey não comeces com essa conversa que não queres saber de gajo
nenhum, que tens o Martim e isso para ti chega.
- Letícia não comeces sabes bem que não quero homem nenhum na minha
vida.
- És tão casmurra mas isso também não é novidade afinal já te conheci
assim.
- Por falar nisso amanhã vou à instituição não queres vir?
- Até ia mas tenho que trabalhar - ela sorriu - além disso não fui eu que resolvi ir para
Braga e não meter os pés em Lisboa nos meses seguintes, ah e para que conste
ainda ontem estive lá.
- Letícia sabes bem porquê que não regressei mais cedo mas isso não
quer dizer que vos tenha esquecido ou abandonado.
- Deixa de ser toina sabes bem que só estava a implicar contigo -
sorrimos - mas agora a sério ainda
nenhum bracarense se encantou por ti?
- Que tenha dado por isso não - ela gargalhou - que foi?
- Não mudas mesmo já no tempo em que estávamos na instituição eras
tapadinha, então quando saímos ficaste cega de vez, principalmente depois de
teres o Martim.
- Sabes bem que o teu afilhado é tudo o que tenho de mais valioso na
vida.
- Isso não te impede de pensares um pouco mais em ti.
- Letícia não tenho cabeça para namoros.
- A tua mãe continua a chatear-te?
- Não, acho que por agora desistiu, só não sei até quando.
- Amiga, esquece a tua mãe, ela por muito que tente nunca vai conseguir
ficar com o Martim.
- Sabes que o facto de ter-se submetido à desintoxicação dá-lhe pontos
a seu favor.
- Ya então e tudo o que fizeste pelo Martim ao longo de sete anos não
conta queres ver? A vossa mãe até pode estar a lutar para ficar sóbria mas isso
não é motivo para que consiga ficar com o Martim.
- Tenho medo - as lágrimas vieram-me aos olhos - só de pensar nisso até tremo.
- Hey, nem penses, isso não é hipótese além disso tens a guarda do
Martim.
- Pois mas mesmo assim - ela não deixou que continuasse.
- Mesmo assim nada, nenhum juiz vai retirar-te a guarda do puto para o
entregar a uma ex toxicodependente que já tem histórico de recaídas quando o
menino contigo tem tudo o que precisa para ser uma criança feliz.
Teríamos continuado a falar mas
fomos interrompidas pelo som do seu telemóvel, ela sorriu e não foi preciso
dizer mais nada, sabia que era o seu namorado e por isso saí da sala com a
desculpa de ir até à cozinha.
***
Acordei com o Martim aos pulos na
minha cama improvisada no sofá da sala e depois de alguns momentos de
brincadeiras só nossos acabamos por ir até à cozinha onde tomamos o pequeno-almoço
na companhia da Letícia, ela entretanto saiu para ir trabalhar e nós fomos até
à instituição, onde passamos o dia.
O Martim estava feliz por voltar a
estar com alguns os seus amigos de Lisboa e ainda mais ficou quando recebeu a
lembrança que as crianças lhe fizeram como prenda de anos, que apesar de
atrasada deixou-o super animado e feliz.
Com o anoitecer chegou o momento
das crianças jantarem, ajudei a dar a refeição e depois seguimos até à sala de
convívio, foi quando estava a ler uma história que o meu irmão interrompeu.
- Mana quando é que vamos para casa? - olhei-o sem entender o
motivo da pergunta afinal ele adora estar na instituição.
- Porquê tanta pressa?
- Mana o jogo do Braga tá a dar na televisão e eu quero ver - sorri
ao ouvi-lo.
- Martim - o diretor da instituição chamou-o - desde quando é que és adepto do Braga? Não eras do Porto?
- E sou mas no Braga tenho dois amigos que jogam lá - as crianças
não reagiram mas os adultos olharam-me talvez à espera que confirmasse tal
coisa.
- Então e quem são esses amigos?
- Sr. João é o Ruben Amorim e o Nuno Gomes - o meu irmão respondeu
todo orgulhoso.
- Isto é verdade? - o Sr. João e diretor da instituição
perguntou-me talvez por saber a aversão que tenho ao futebol.
- Sim, é.
- Mas desde quando é que deixas o teu irmão se dar com jogadores de
futebol? - perguntou a rir.
- Desde que um deles é o meu patrão.
- Explica lá isso melhor, se puderes lógico - sorri.
- Trabalho para o Nuno Gomes, foi ele e a Patrícia que acolheram-me em
Braga e além de trabalho, casa, comida ainda deram-nos a sua amizade. O Ruben
Amorim veio por acréscimo quando se mudou para Braga, ele é amigo e colega de
Nuno, visita frequente lá em casa por isso o Martim acabou por criar laços com
os dois.
- Por esta não esperava, tu que nunca gostaste de futebol vais
trabalhar para a casa de um jogador.
- Trabalho para quem paga e depois tanto o Nuno como o Ruben são
excelentes pessoas.
- O Nuno não sei, agora o Ruben posso corroborar o que acabaste de
dizer.
- Como assim?
- O Ruben Amorim com o projeto de solidariedade dele já ajudou uma
instituição que é gerida por um amigo meu, proporcionou um dia animado às
crianças e deixou o pessoal da instituição em causa com muito boa impressão
dele.
- Sim, o Ruben é cinco estrelas tal como o Nuno.
- Gostei de saber disso - sorriu - é bom ficar a saber que Braga te anda a fazer bem.
- Anda mesmo pelo menos lá esqueço certos problemas.
Continuamos a falar mas acabei por
despedir-me das crianças uma vez que o Martim fez mesmo questão de ir para casa
porque queria ver o jogo.
Vi o jogo sentada ao seu lado mas
para ser sincera a minha cabeça estava noutro lado, mais concretamente em Braga
porque durante os noventa minutos as palavras da Patrícia não saíram do meu pensamento,
de facto o Ruben estava distraído e isso reflectiu-se no seu jogo, foi após o
apito sinal que tomei a decisão de tentar falar com ele, nem que para isso
fosse montar guarda à porta do seu apartamento.
Deitei o meu irmão e fiquei à
espera da Letícia, contei-lhe o que foi o meu dia e pedi-lhe para ficar com o
Martim no dia seguinte uma vez que tinha algo para resolver mas não o queria
levar comigo, ela aceitou na hora até porque assim passava umas horas com o seu
afilhado e depois de combinar as cenas com ela fui deitar-me.
Será que a Mariana fala com o
Ruben? E o que terá acontecido para ele se afastar?
ahhhhhhhhhh, matas me de ansiedade :(
ResponderEliminarmas será que a mariana nao da o braço a torcer? coitadinho do ruben...
Eu hoje só não me queixo porque sei que eu nem tinha publicado.
ResponderEliminarMas que amanhã preciso de mais isso não se questiona!!
Quero ver como corre a "visita" ao mimado do Ruben!
Bjokinhas
Mariaa
fabuloso...
ResponderEliminarquero mais... agora fiquei a morrer de curiosidade para ver o proximo...
continua...
Agora fico mortinha por esta conversa... mas será que não podias acabar o capitulo depois dela ir ter ao apartamento...
ResponderEliminarAi tanta curiosidade...
Muito bom!!!
Quero mais.
beijinhos
ai ai que esta Mariana ainda nao percebeu que o ruben quer os mimos dela, mas espero que isso mude o que nao será nada facil , mas estou mesmo curiosa para saber como isto vai acabar, é que estou mesmo! :)
ResponderEliminarquero muito ler o proximo, este está maravilhoso como todos, vá lá nao me deixes muito curiosa, sim?
fico à espera!!
beijinhos :)
Olá :)
ResponderEliminarEntão o rapaz convida-a para um jantar e tem um NÃO como resposta?!Ele quer os miminhos apenas da Mariana ....Eles que resolvam isto da "birra" do Rúben ,que sem Soraia´s estes dois vão dar que falar :P
Quero mais!
Beijinhos
Rita
Ai que o Ruben armou-se em menino mimado, mas para o lado da Mariana vai de carrinho, e ainda por cima ela veio com a conversa de lhe pedir o número do Miguel, a birra dele é um camadão de ciúmes, e como são os dois teimosos que nem burros, vamos ver quem dá o braço a torcer.
ResponderEliminarEle anda carente dos mimos da Mariana, já toda a gente percebeu isso menos ela, mas ver se é desta, pode ser que a conversa corra pelo melhor, pelo menos é o que eu quero.
Quero mais, isto tá cada vez melhor.
Continua,
Beijocas
Fernanda
Isto não se faz!!!
ResponderEliminarAté me esqueci do meu habitual "olá!" e tudo!
Eu pensava que ainda ia ler essa conversa neste capítulo!!!
Estou mesmo curiosa... O Amorim bateu com a cabeça, amuou ou há mais alguma coisa?
Vamos lá a postar o próximo rapidinho porque fiquei ansiosa!!!
Beijo
Ana
http://desempreparasempre28.blogspot.com/
então mas agora acaba-se assim um capítulo... gostas mesmo de me fazer sofrer
ResponderEliminarquero ver como vai correr a conversa eentre estes dois, discussão na certa...
posta um hoje, sim?
beijinho
Raqul
Será qe é agora qe o Ruben vai-se desbroncar todo á Mariana? Quero ver o qe vem aí!
ResponderEliminarGostei muitoo :D
E este afastamento não dá com nada, eles ficam bem é juntinhos :p
Beijinho