quinta-feira, 17 de maio de 2012

008 - “Mana tu e o Ruben são namorados?”


Mariana

Não esperava que o Ruben insistisse tanto para ir comigo à escola do Martim, usei tudo o que era argumento válido pelo menos para mim para o fazer entender que não seria grande ideia ele vir comigo mas o Ruben conseguiu ser mais teimoso e depois de quase ter-me obrigado a entrar no carro dele, seguimos finalmente viagem.
- Mesmo sério vais passar o caminho toda calada? – perguntou-me – Mariana será que podes olhar para mim – pediu pois teimava em olhar pela janela.
- O que queres? – olhei-o.
- Vais ficar chateada só porque estou a fazer o mesmo que tens andado a fazer comigo? Mariana só estou a apoiar-te.
- Não pedi apoio – ripostei.
- Pois não mas dou na mesma é isso que normalmente faço quando os meus amigos precisam.
- Será que ainda não entendes-te que detesto ser o centro da polémica, que detesto ter as pessoas a olharem-me e que vai ser isso que irá acontecer se insistires em ires comigo.
- Desiste, não vais conseguir convencer-me.
- Casmurro.
- Somos dois – ele sorriu o que sem entender muito bem fez com que sorrisse também – é assim que ficas linda, a sorrir – olhei-o – Mariana, concentra-te só no Martim, tudo o resto não interessa, vais estar lá por ele.
- Só espero não arrepender-me disto e que esta tua atitude não traga consequências para o teu lado.
- Esquece as possíveis consequências, esquece a Soraia, esquece o que a minha mãe possa pensar, esquece o mundo inteiro, porque também já esqueci, quando entrar naquela escola, entro pelo Martim e por ti, não porque fica bem ou por obrigação, faço-o de coração e só isso interessa. Se tiver que sofrer represálias porque estou a apoiar uma amiga, então sofro, também não vai ser pior do que já li e ouvi a meu respeito.
- Ainda te inventam um filho – ele gargalhou – não sei onde está a piada.
- Não sou pai mas não me importava nada de ter um Martim – olhei-o - o teu irmão é um amor de criança, educado e verdadeiro, pode ser irrequieto mas qual é a criança que não o é.
- Ruben não estou a brincar.
- Também não. Mariana tenho a consciência tranquila sei que meu filho ele não é de certeza por isso mesmo que inventem tal coisa, algo que duvido, vai passar-me completamente ao lado e agora vamos que já estamos atrasados – falou ao estacionar o carro no parque da escola, respirei fundo e por fim sai.
- Ruben, ainda estás a tempo de mudares de ideias.
- Ai o raio da rapariga, mas quantas vezes tenho que repetir que vou estar do teu lado, doa a quem doer?
- Diz-me pelo menos que contaste esta intenção à tua noiva.
- Não, ela é minha noiva, não é minha dona.
- Ruben – não consegui dizer mais nada, ele agarrou-me na mão e puxou-me até à porta da escola.
- Mete um sorriso nessa cara ou ainda assustas o puto – pediu-me quando já estávamos perto da sala convívio, onde seria o lanche e a entrega das lembranças, fiz o que pediu e depois de respirar profundamente entramos finalmente na sala.
- Mana – ouvi imediatamente o meu piolho e mais depressa ainda senti o embate nas minhas penas, ele veio a correr até junto de nós – tava a ver que não vinhas – sorri ao ouvi-lo.
- A mana cumpre sempre com o que promete, só se atrasou – desviei o olhar para o Ruben, ele estava a sorrir.
- Anda, vem sentar-te ali – puxou-me pela mão e indicou qual era a cadeira.
- Martim – ainda o chamei mas ele já não olhou, o meu irmão foi falar com a professora, não sei o que lhe disse, só sei que a senhora trouxe uma cadeira e colocou-a do meu lado, já o meu irmão foi buscar o Ruben que continuava no mesmo sítio desde que tínhamos chegado.
- Pronto agora já podes sentar – falou para o Ruben o que levou-me a rir.
- Não precisavas ter incomodado a tua professora, o Ruben podia ter ficado lá atrás e de pé – não perdoei e tive que demonstrar mais uma vez o meu desagrado por ele estar ali.
- Ó mana mas se os outros meninos podem ter a mãe sentada ao lado do pai eu também posso ter a mana sentada ao lado do Ruben – doeu ouvir tal dedução, afinal ele com os seus seis anos foi muito mais justo do que eu.
- Se tivesses calada tinhas evitado ouvir tal coisa – o Ruben murmurou assim que o Martim se afastou.
- Cala-te.
Ele sorriu mas fez o que pedi, até porque a entrega das lembranças começou, eles estavam a entrega-las pela ordem alfabética dos nomes, escusado será dizer que sempre que um deles se levantava e vinha entregar a lembrança ao pai, o meu coração de irmã mirrava mais um pouco, nunca pensei desejar tal coisa mas naquele momento desejei que o pai do meu Martim pudesse ter comparecido à chamada. O Ruben deve ter percebido que aquilo estava a custar-me porque sem esperar deu-me a mão, confesso naquele momento soube bem tê-lo do meu lado e por isso não fiz nada para evitar o apoio dele.
Estava vidrada no meu pequeno quando o vejo a levantar-se, caminhou devagarinho e assim que ficou diante de mim falou.
- Mana não fiz a prenda porque não tenho pai mas fiz um desenho, toma somos nós os dois e a pitucha sei que já morreu mas também gostava muita dela - deu-me o desenho que tinha feito, fiquei a olhar para aquilo completamente embevecida mas acima de tudo emocionada – então gostaste? – perguntou-me e só consegui reagir porque o Ruben deu-me uma ligeira cotovelada.
- Amor, é lindo – abracei-o.
- Mana, gosto muito de ti – sorri-lhe.
- A mana também gosta muito de ti mas agora volta para ao pé dos teus amigos para o Pedro entregar a prenda dele ao pai, pode ser? – pedi, afinal enquanto ele não regressasse o amigo não tinha autorização para se levantar.
Estava perdida a olhar para o desenho e para o meu piolho que aguardava impacientemente que a entrega terminasse para puder vir para junto de mim, quando percebi que o Ruben olhava-me muito atento.
- Estás bem? – sussurrou-me ao ouvido assim que a entrega das prendas terminou e que os pais se começaram a levantar.
- Sim – olhei-o – obrigada por estares aqui – ele sorriu e teria respondido mas o Martim apareceu.
- Mana – olhei-o.
- Diz amor.
- Não queres ir lanchar? – o Ruben sorriu ao ouvi-lo – e tu também podes ir – falou agora para ele.
- Nós já vamos – respondeu-lhe.
- Tá bom, mana posso ir brincar com os meus amigos?
- Podes, vai lá.

***

Estava a falar com a professora do Martim, que fez questão de elogiar o comportamento do meu irmão, bem como a sua capacidade de lidar com os problemas, mesmo sendo ainda só uma criança, quando ele se aproximou.
- Professora, posso ir mostrar à minha mana os meus trabalhos? – sorri com a pergunta dele.
- Podes mas tens que deixar tudo arrumado.
- Tá bem – olhou-me – mana espera só aqui que vou buscar o Ruben para ele ir também – não tive sequer tempo de dizer nada, o Martim simplesmente desapareceu para regressar pouco tempo depois de mão dada ao Ruben – já podemos ir.
O meu irmão ia no meio de mim e do Ruben, de mãos dadas connosco e radiante, o puto estava mesmo feliz por ter-me ali. O Martim mostrou-nos todos os seus trabalhos e foi quando estava a arrumar tudo novamente nos devidos lugares que a pergunta dele nos apanhou aos dois desprevenidos.
- Mana tu e o Ruben são namorados?
- Não – respondi depois de olhar para o Ruben – mas porquê que perguntas?
- Porque ele veio contigo e porque a mana agora fala muito com ele.
- Martim, a mana e o Ruben somos só amigos.
- Tá bom.
O meu irmão não insistiu mais, algo que agradeci mentalmente porque não estava mesmo para muitas falas e então para dar justificações a um fedelho de seis anos é que não apetecia mesmo nada.
Estava na sala de convívio à conversa com as mães de outros meninos quando reparei que o Ruben já tinha sido “raptado” pelos miúdos que estavam todos contentes por terem ali um jogador de futebol, inevitavelmente o meu pensamento voou para bem longe dali e uma revolta tremenda apoderou-se de mim, ainda assim tentei disfarçar e quando o meu amigo conseguiu finalmente ver-se livre das crianças fomos embora.
O Martim passou a curta viagem até casa a falar com o Ruben, já que eu estava completamente no mundo da lua e só regressei à terra quando o meu pequeno ao entrarmos em casa falou para mim.
- Mana, foi tão fixe teres levado o Ruben contigo – o Ruben gargalhou – tas a rir porquê?
- Porque por vontade da tua irmã não tinha ido – interrompi-o.
- E estares calado não? – refilei.
- Mana, porquê que estás a ser má para o Ruben?
- Martim, vai mas é colocar a mochila no quarto que a mana já vai ajudar-te nos trabalhos – mandei.
- Mana não respondeste à pergunta que fiz – o Ruben voltou a sorrir.
- Não estou a ser má, simplesmente acho que o Ruben não tinha nada que ir com a mana.
- Porquê?
- Porque aquilo era para os pais e ele não nos é nada.
- É nosso amigo – respondeu-me de forma automática, já o Ruben olhou-me como quem diz “toma para aprenderes”.
- Tens razão mas agora vai fazer o que a mana pediu, se faz favor.
- Tá bem.
Ele saiu da sala e quando já ia a fazer o mesmo fui impedida pelo Ruben que agarrou-me o braço.
- O que é que se passa contigo? – olhei-o.
- Nada.
- Queres mesmo que acredite nisso?
- Ai, deixa de ser melga e agora vou ajudar o meu irmão - sai da sala sem lhe dar hipótese de dizer nada mas regressei logo depois – D. Anabela, desculpe incomodar – ela estava sentada no sofá a ler um livro.
- Diga – olhou-me.
- Quer comer ou beber algo? – perguntei.
- Não, estou bem mas obrigada.
- Se precisar é só chamar – pedi licença e fui finalmente ajudar o meu irmão.

Anabela

Durante o fim-de-semana consegui reunir os meus dois filhos à mesa, o Ruben aproveitou a folga para vir visitar-nos e foi impossível não ter percebido que ele estava diferente, mas apesar da desconfiança de mãe não consegui descortinar o que fez o meu filho mudar.
O Ruben aproveitou o dia de sábado para passá-lo comigo falamos imenso mas sempre que o assunto era a sua adaptação a Braga a sensação que ele não estava a contar tudo aumentava drasticamente ainda assim não o pressionei, se ele quisesse contar sabia que o podia fazer. Tinha ficado acordado que viria almoçar no domingo comigo mas acabou por ligar-me e desmarcar, só lhe perdoei por saber o motivo, ele estava com a Soraia, algo que surpreendeu-me afinal na última vez que abordamos tal assunto estava decidido que não voltava atrás, ainda assim dei comigo a desejar que eles resolvessem tudo e que retomassem o noivado, a Soraia pode ter alguns detalhes que não agradam de todo mas é a mulher que o meu filho ama e com o tempo aprendi a gostar dela, já para não falar que conheço o meu filho e sei que ele nem sempre é fácil, também tem os seus defeitos.
- Filho, juro que gostava de entender porquê que decidiste regressar mais cedo a Braga – voltei a insistir quando já íamos a caminho de Braga.
- Mãe, já lhe disse, sempre tinha que regressar por isso não percebo a admiração.
- Não é admiração, é mesmo curiosidade para saber o que há em Braga que faz com que deixes a tua noiva antes do previsto e vás com esta pressa toda para Braga quando ainda ontem fizeram as pazes.
- Você não desiste mesmo, pois não?
- Filho, desde sábado que tenho a sensação que não estás a contar tudo, que sempre que falas em Braga fica algo para dizer.
- Você não desiste mesmo mas se lhe interessa tanto saber o motivo pelo qual estou a regressar antes do previsto, é porque tenho um compromisso.
- Compromisso?
- Sim, tenho de ir a um sítio com a Mariana.
- Quem é essa Mariana? – ele sorriu.
- Uma amiga minha que a mãe vai gostar de conhecer.
- Amiga? – perguntei desconfiada o que fez com que o meu filho gargalhasse.
- Sim, amiga e como ela diz “deixe lá os filmes para quem os sabe saber” – desviou momentaneamente o olhar da estrada – mãe, nós somos mesmo só amigos.
- Se o dizes, acredito.
- Pode acreditar porque é a verdade.
- Então mas como é que conheceste essa rapariga e já agora aonde.
- Vai começar com o interrogatório, é?
- Filho, é só curiosidade de mãe.
- Ok, respondo mas aviso que é só a essas duas perguntas, não estou com paciência para interrogatórios. Mãe, a Mariana é a empregada do Nuno e da Patrícia.
- Empregada?
- Sim, empregada e amiga, é ela que cuida do Nuninho mas agora chega de perguntas.
Ainda voltei a insistir mas o meu filho fechou-se em copas o que sinceramente estava a deixar-me cada vez mais intrigada e curiosa para conhecer a tal Mariana. Chegamos a Braga e assim que entramos na sala vi imediatamente uma rapariga sentada no sofá muito concentrada na leitura, o meu filho fez sinal para não fazer barulho, algo que respeitei até porque queria ver o que ele iria fazer. Nos minutos seguintes fiquei unicamente a observar a cena que estava diante dos meus olhos, pude comprovar o tamanho da cumplicidade deles, algo que por momentos fez-me tremer ao pensar que ainda poderei ouvir falar muito desta Mariana.
O Ruben apresentou-nos e a sensação com que fiquei é que a rapariga além de simpática é educada, eles continuaram com as picardias mas foi quando o meu filho tocou no nome da Soraia e que lhe disse que tinham feito as pazes que vi da parte dela uma reação de amiga, pelo menos foi a sensação com que fiquei.

***

- Filho – ele olhou-me – a Mariana é de facto muito importante para ti, não é? – perguntei depois dela se ter retirado da sala para ir ajudar o irmão nos deveres da escola.
- Sim – respondeu sem qualquer problema e como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Quando é que foram apresentados?
- Conheci-a quando vim para cá. – voltou a responder sem problema de maior e enquanto jogava uma partida de PES.
- Ficaram logo amigos?
- Não, mas porquê tanta pergunta? – questionou-me colocando o jogo na pausa e olhando para mim.
- É estranho, conheces a rapariga há tão pouco tempo e já se dão lindamente, parecem amigos de longa data – ele sorriu.
- Você diz isso porque nem imagina como foi ao início – voltou a sorrir – a mãe acredita que só há coisa de um mês é que começamos a falar sem que ela fugisse.
- Isso coincidiu com o teu afastamento da Soraia.
- Ya – respondeu com a maior naturalidade possível.
- Não achas isso estranho? – fui direta o que fez com que o Ruben olhasse novamente.
- Mãe se está a insinuar que a Mariana está interessada em mim pode tirar daí a ideia, já disse e repito, somos só amigos. É verdade que nos aproximamos nessa altura e se quer saber não esperava tal coisa mas a Mariana acabou por revelar-se uma grande amiga mas acima de tudo uma excelente pessoa. Lembra-se de como saí de Lisboa depois de ter acabado de vez com a Soraia?
- Sim.
- Pois, garanto-lhe que cheguei a Braga muito pior e foi a Mariana com a sua mania irritante de achar que deve cuidar de todos como se fossemos crianças mas principalmente filhos dela que apoiou-me, ela no fim de um dia desgastante ainda tinha sempre cinco minutos para ouvir as minhas lamurias e reconfortar-me de alguma forma com as suas palavras, mesmo com todos os seus problemas está sempre disposta a ajudar-nos, a cuidar de nós, ela mete-nos sempre em primeiro, pode estar cansada ou cheia de trabalho mas se alguém precisa do que for, ela larga tudo e faz.
- Porquê que ela cuida do irmão?
- Mãe não se meta nesse assunto, a mariana não fala disso, só o Nuno e a Patrícia é que sabem e sinceramente duvido que tenham conhecimento de tudo.
- Não achas isso estranho?
- Acho mas é a vida dela e a Mariana só conta se quiser.
Não voltei a insistir até porque o menino entrou na sala e veio sentar-se junto do Ruben.
- Queres jogar? – ouvi o meu filho a desafiar o miúdo.
- Sabes que a minha mana não gosta que passe muito tempo a jogar – ele sorriu.
- Ela não sabe o que diz – o miúdo gargalhou – toma – deu-lhe um comando.
- Ruben quem é esta senhora? – perguntou-lhe timidamente.
- É a minha mãe Anabela – falou a olhar para ele - mãe é o Martim irmão da Mariana.
- Olá, está bom? – perguntei, o miúdo tinha um ar simpático.
- Sim e a senhora? – sorri, além de simpático é educado.
- Também.
- Então mas vamos jogar ou nem por isso? – o Ruben desafiou-o.
- Vou só perguntar à mana se posso – o miúdo não deu tempo sequer para o Ruben dizer nada, saiu da sala a correr e voltou logo de seguida – a mana deixou mas só durante meia hora – sorri ao ver a cara de desagrado da criança.
Voltei à leitura enquanto eles jogavam e foi visível o quanto o meu filho se dá bem com o Martim, pareciam duas crianças.

***

- Mas a meia hora nunca mais acaba? – ouvi a voz da Mariana.
- Ó mana foi o Ruben que disse que não fazia mal – sorri perante a honestidade da criança de facto foi o meu filho que o desencaminhou.
- Ruben Filipe – o meu filho olhou imediatamente – quantas vezes tenho de dizer que não quero que interfiras na educação que dou ao Martim? – confesso que fiquei surpreendida pela forma como ela falou mas principalmente por se ter imposto daquela forma.
- Desculpa se quis ficar na brincadeira com o teu irmão. Mariana sinceramente não entendo essa tua implicância, não vejo mal nenhum em que ele jogue.
- O problema não é o jogar mas o tempo em que passa agarrado a isso. Sabes bem que não o quero viciado nesses jogos, se não tem trabalhos da escola para fazer que vá brincar para a rua, vá correr, saltar ou mesmo fazer os puzzles que tanto adora, tudo é mais útil do que ficar agarrado a um comando e sentado o dia inteiro – estava estupefacta a olhá-la, hoje em dia a maioria dos jovens já não pensam desta forma.
- Fonix que hoje estás impossível – o Ruben resmungou.
- Modera a linguagem – foi inevitável não sorrir.
- É preciso paciência para te aturar – resmungou.
- Primeiro nunca pedi para aturas-me e depois estás mal muda-te, agora na educação do meu irmão é que não metes o bedelho, até posso estar redondamente enganada e ser antiquada e o diabo ó sete mas não tens o direito de interferir no que não te diz respeito, sempre o eduquei conforme os princípios que tenho e não tenciono alterá-los, estamos entendidos?
- Sim – se já estava admirada por ver alguém com personalidade tão forte, ter visto o meu filho a vergar perante a Mariana deixou-me boquiaberta, conheço o filho que tenho e por norma não admite que os outros têm razão.
- Mana, não ralhes mais com o Ruben eu também quis jogar.
- Estou feita ao bife com vocês os dois, agora deste para defender o Ruben, foi?
- Ó mana sei que ele é grande mas tu quando ralhas, ralhas mesmo.
- É e tu andas a sair muito da casca, ó pintainho – pegou nele ao colo – mas a mana não está chateada com o Ruben, só não quero que vás na conversa dele, ouviste? – o menino ficou a olhá-la – Amor, tens cabeça para pensar por ti e se sabes que deves obedecer à mana porque que não o fazes?
- Ó mana eu sei que devo fazer o que mandas mas gosto tanto de jogar.
- Martim a mana não está a dizer que não podes jogar mas sim que deves fazer outras coisas, amor tens tempo para tudo, para fazeres os trabalhos da escola e para brincares, se queres brincar com o Ruben e se ele não se importa, podem fazer outras coisas sem ser passar a tarde toda de comando na mão.
- Tá bom – ela sorriu genuinamente e como resposta teve um beijinho repenicado e um abraço por parte do irmão.
- Agora que já entendeste o que a mana falou vai lá brincar mais um pouco.
- Tá bem – saiu-o do colo da irmã – Ruben queres fazer um puzzle comigo? – sorri ao ouvir a criança a desafiar o meu filho pois se há coisa que ele detesta são puzzles.
- Se quiseres ir jogar à bola tudo bem agora puzzles não gosto de fazer.
- Porquê?
- Olha porque não gosto.
- Isso não é resposta.
- Ó puto, nunca tive jeito para isso.
- Oh eu também não sabia jogar PES e tu ensinaste, posso ensinar-te a fazer puzzles se quiseres – a Mariana sorriu ainda que disfarçadamente.
- Hum, está bem, vai lá buscar um puzzle – o tom de voz do meu filho era nitidamente desafiador algo que não passou despercebido à Mariana que assim que o irmão saiu não perdeu a oportunidade de se meter com o meu filho.
- Vê se aprendes alguma coisa com o puto.
- Estás a insinuar alguma coisa?
- Não, estou só a afirmar que fazer puzzles é bom para exercitar o cérebro.
- Estás a chamar-me de burro?
- As palavras foram tuas mas para que conste burro é um animal de quatro patas de porte médio, focinho e orelhas compridas – o meu filho olhava-a – tanto quanto sei destas características só se for as orelhas que possam ser parecidas – não resisti a dar uma gargalhada e acho que só quando a dei é que eles perceberam que estava atenta à conversa, principalmente a Mariana que apressou-se a pedir-me desculpas pelo que tinha dito.
- Essa é boa, é as minhas orelhas que insultas mas pedes desculpas é à minha mãe.
- Não refiles e vai mas é exercitar o cérebro – respondeu ao ver o irmão a regressar.
- Depois conversamos – o Ruben retorquiu quando a Mariana já estava a sair da sala ainda assim não ficou sem resposta.
- É quando quiseres – ela sorriu e finalmente saiu da sala.
Os minutos seguintes serviram para presenciar algo que nunca esperei ver, o meu filho a fazer um puzzle. Eles estavam entretidos e só pararam quando a Mariana os interrompeu ao perguntar ao Ruben quanto tempo é que iria ficar, pois precisava de saber para se orientar, assim que obteve a resposta necessária voltou a sair.

***

Estava na conversa com os anfitriões da casa que já tinham chegado quando a rapariga informou-nos que o jantar iria ser servido, segui-os e quando entramos na sala de jantar reparei na quantidade de pratos e logo percebi que tanto a Mariana como o Martim têm lugar na mesa, algo que vindo da Patrícia e do Nuno não surpreendeu.
- Ó mãe – olhei-o – está preparada para provar aqui o pitéu da Mariana – ela olhou-o de lado – vai desculpar-me mas até ao momento é a única que consegue bater os seus cozinhados – foi notório o quanto a rapariga ficou constrangida perante o elogio mas mesmo assim ele não ficou sem resposta.
- És mesmo criança – o Nuno e a Patrícia sorriram.
- Que foi? Só disse a verdade – olhou-a em claro desafio – não é isso que ensinas ao Martim, que temos sempre de dizer a verdade – ela não lhe respondeu e por isso ele voltou a insistir – então ficaste sem resposta, foi? – provocou-a.
- Não Ruben, tens toda a razão, a verdade é algo que não dispenso – olhou-o - já o mesmo não acontece com as brincadeiras às refeições que são totalmente dispensáveis.
Depois desta o meu filho calou-se, o jantar foi um momento agradável de partilha, percebi que a Mariana e o menino estão totalmente inseridos na vida do Nuno e da Patrícia, que entre eles existe uma relação de trabalho mas acima de tudo de amizade, uma vez que os vi a partilhar o que tinha sido o fim-de-semana, bem como a tal entrega de prendas do dia do pai.

***

Apesar da conversa com a Patrícia estar a ser agradável acabei por despedir-me dela uma vez que queria ir deitar-me, estava cansada e desejosa de esticar o corpo na cama, mas foi quando decidi despedir-me do meu filho que ao espreitar para o interior do seu quarto deparei-me com algo que não esperava.

O que terá visto a mãe do Ruben? E onde andará a Mariana?

9 comentários:

  1. Mas isto acabas assim??
    Eu quero saber o que a Senhora viu e tenho alguma urgência nisso!!!
    Por isso é rapidinho se faz favor!


    Bjokinhas
    Mariaa

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  2. Como assim? Esqueceu de postar o restante do capítulo? È que só pode não é? u.u
    Já vi que vou ter mesmo é que roer minhas unhas até amanhã - talvez - pra descobrir o que a Bela viu!
    Mais, please! :)

    Gabii.

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  3. Olá!
    Bem, nao se acabam os capítulos assim!!! E desta vez nada de fugir ao que aconteceu!
    Merecemos saber!!!
    Precisamos urgentemente de saber o que é que a Anabela viu!!!
    Vamos lá a dar corda aos dedinhos xD

    Beijo
    Ana
    http://desempreparasempre28.blogspot.com/

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  4. Maauuuu mas tu ainda não nos explicaste duas situações e já nos deixas mais uma vez pendura????
    Como é possível que tenhas acabado assim o capitulo???? Não estou em mim!!!!!
    Só me resta fazer filmes.... até vir o próximo capitulo!!!!
    Céus onde vais buscar toda esta imaginação para me petrificares de ansiedade???? Muito bom.
    QUERO MAIS.
    Beijinhos ;)

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  5. Bem, Adorei!
    Mas há algum capítulo teu que eu não adore? - pergunto eu. resposta: Não e nunca há-de haver.
    LOL
    Agora fiquei tão curiosa para saber o que/quem está no quarto do Rúben...
    Isto não se faz! Agora vou dormir a pensar nisto!
    Beijinhos

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  6. Olá :)
    Não se acaba assim menina Catarina! :P
    Quero o próximo,que estou a morrer de curiosidade.
    Quero saber o se anda a passar dentro do quarto do Rúben ;D
    Beijinhos
    Rita
    http://letitbe-5.blogspot.pt/

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  7. cada vez mais adoro estes dois, picam-se a toda a hora mas adoram-se!! e eu que pensava que a mae do ruru nao gostava da mariana, mas enganei-lhe e ainda bem! :)

    escusado será dizer que quero ler o proximo, isso já é uma necessidade sempre que acabo!:p

    vou ficar à espera do proximo!

    beijinhos:)

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  8. Ai ai ai, o qe é qe se passará no qarto? :O Qero sabeer!
    E agora só falta estes dois perceberem qe têm uma qeda um pelo o outro, sempre ás boqinhas :p
    Gostei muito como é habito!
    Beijinhoos

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  9. E vão dois, dois capitulos que nos deixas a ver navios, com perguntas por responder, agora vou dar uma de Mariana, isso não se faz menina Catarina.
    Corro sempre o risco de me repetir, mas tá lindo e adorei. A D.Anabela anda com a pulga atrás da orelha, e por falar em orelhas havia mesmo necessidade de comparar as orelhas do rapaz ás orelhas de um burro Maria Catarina? O rapaz ainda fica traumatizado.
    Eu só quero é saber o que é que a D.Anabela viu, por isso dá corda aos dedinhos para o próximo capitulo.

    Beijocas


    Fernanda

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