Patrícia
Uma semana passou desde a
visita relâmpago da Soraia e apesar deles terem terminado o noivado, ainda não
tinha sido divulgado, o Ruben acabou por deixar passar, acho que no fundo ainda
tem esperanças que a relação tenha salvação.
Nestes últimos dias tenho
notado que a Mariana anda mais em baixo mas ela insisti em dizer que não é
nada, por isso decidimos respeitar o espaço dela e nem eu nem o Nuno voltamos a
perguntar.
- Mariana, não contes comigo nem com o Nuno para o
jantar, que decidimos aproveitar a desculpa de ser o dia dos namorados para
fazermos um programa diferente -
ela sorriu.
- Tudo bem, divirtam-se.
- Obrigada. Olha, mas talvez seja melhor
perguntares ao Ruben se ele janta, porque não sei se tem planos - ela olhou-me algo surpresa.
- Não se preocupe com esse detalhe.
- Então e já decidistes o que vais fazer?
- Em relação ao quê?
- À proposta que te fizemos em tempos.
- Ah, isso.
- Sim, isso. Espero que não desistas só porque
achas que não consegues.
- Não sei, mas também ainda falta alguns meses por
isso tenho tempo para decidir.
- Mariana, é do teu futuro que estamos a falar,
quer dizer do teu e do Martim.
- Por isso mesmo, tenho que pensar no futuro do
Martim e se começar a estudar vou ficar com menos tempo para o meu irmão, ele
precisa de mim.
- Tenho a certeza que consegues conciliar tudo, o
teu irmão durante o dia está na escola, o mesmo vai acontecer com o Nuninho que
para o ano já vai para a creche, por isso se decidires inscreveres-te na
faculdade durante o dia, não vai haver problema, à noite estarás em casa.
- Não sei, como lhe disse agradeço a oferta mas
tenho que pensar no Martim e na estabilidade emocional dele.
- És teimosa.
- Com muito orgulho, foi por ser teimosa que
cheguei até aqui.
- Tens razão, mas não te esqueças que podes ir
muito mais além.
- Tudo bem, vou pensar no assunto.
Não insisti mais, ela já
é adulta e responsável pelas suas decisões além disso tinha que despachar-me
para ir trabalhar.
Ruben
Hoje acordei sem
paciência, talvez por ser o dia dos namorados e por já não estar habituado a
passa-lo sozinho ou então seja pelas recordações que este dia traz-me, afinal
faz precisamente um ano que pedi a Soraia em casamento, enfim se a vida muda no
espaço de segundos então num ano muda mesmo muita coisa. Levantei-me e depois
de vestir-me, saí para ir comer, foi quando o estava a fazer que o Nuno
informou-me que iria jantar com a Patrícia, o que sinceramente fez com que
decidisse aproveitar a folga para ir até Lisboa, não estava disposto a jantar
só com a Mariana e por isso preferi ter uma desculpa credível.
- Mariana, sabes se a minha camisa azul está
lavada? - perguntei ao entrar na
cozinha.
- Aquela às riscas?
- Sim.
- Está lavada mas ainda não a passei.
- Ah, então deixa estar.
- Se quiser vesti-la posso passa-la.
- Não é preciso, levo outra.
Ela já não respondeu e
por isso fui até ao quarto, estava a colocar umas roupas na mala, pois em
princípio só viria amanha quando ela pediu autorização para entrar.
- Aqui tem a camisa - olhei-a.
- Não era preciso, mas obrigado.
- Vai viajar?
- Vou a Lisboa, uma vez que temos folga aproveito
para visitar a minha família e como não sei se regresso hoje ou amanhã, vou
levar roupa.
- Isso quer dizer que não janta? - perguntou algo aliviada.
- Podes ficar descansada que não terás que
fazer-me companhia ao jantar e muito menos ao almoço.
- Desculpe, não quis parecer inconveniente.
Assim que falou saiu,
deixando-me sozinho, terminei de colocar as roupas na mala e depois de
fechá-la, agarrei nela e saí de casa, com destino a Lisboa.
Mariana
Hoje passei o dia todo
praticamente sozinha com o Nuninho uma vez que o meu irmão só regressou a casa
no final do dia, hoje tinha tido uma visita de estudo ao Porto e vinha super
animado.
- Ó mana aquilo é lindo.
- Eu sei, piolho, a mana também conhece.
- Sabes, foi muito fixe nunca tinha passeado com
os meus amigos - sorri ao
ouvi-lo.
- Então mas conta lá o que visitaste.
Ele entreteve-se a contar
o que tinha sido o seu dia enquanto preparei o nosso jantar, mas foi visível
que estava cansado e cheio de sono, por isso assim que acabou de comer, fui
deitá-lo. O Martim adormeceu rapidamente e depois foi a vez do Nuninho ir
também para a cama, mas não tive a mesma sorte e por isso levou mais tempo a
adormecer, no entanto assim que o consegui adormecer regressei para a sala, não
sem antes passar pela cozinha e levar comigo pipocas e sumo para
acompanharem-me durante o filme que iria ver.
Mas a ideia de ver um
filme sozinha ficou para depois, pois percebi que estaria alguém no jardim, o
que fez com que saísse de casa para ver quem seria. Ao aproximar-me vi que era
o Ruben, ele estava deitado na relva e de olhos fechados, talvez por isso não
tenha dado pela minha presença e assim que falei assustou-se.
- Desculpe não o queria
assustar - olhei-o nos olhos e
assim que o fiz percebi que não estava bem - precisa de alguma coisa?
- apressei-me a perguntar, nunca gostei de ver ninguém a chorar e não seria por
ser ele que iria ser diferente.
- Não.
- Tem a certeza?
- Tenho - ele levantou-se e caminhou até junto da piscina
e sem que estivesse a contar com isso despiu a sua roupa e mergulhou só em
boxers e nem o frio que se fazia sentir foi impedimento para o fazer, ele nadou
de um lado ao outro e repetiu a proeza mais algumas vezes, estava já a ficar
preocupada, a continuar ali dentro ainda adoecia e por isso fui até ao interior
da casa buscar-lhe uma toalha para ele se enrolar.
Regressei ao jardim e ele
ainda continuava dentro de água mas agora estava parado a olhar não sei bem
para o quê, acho que estava simplesmente perdido nos seus próprios pensamentos,
aproximei-me e pedi-lhe que saísse da água.
- Será que não consegues deixar-me sozinho? - foi rude na forma como falou.
- Desculpe mas não o vou deixar aí a congelar, a
água deve estar gelada, já para não falar no frio que está.
- Não pedi opinião.
- Pois não, mas dou na mesma e agora faça o favor
de sair daí.
- Julgas que dás-me ordens, é?
- Não é uma ordem, é um pedido mas se continuar a
agir que nem criança mimada não vou ter qualquer problema de lidar consigo da
mesma forma que lidaria com uma.
- É uma ameaça?
- Não abuse da minha paciência.
- Porquê? Vais bater-me?
- Bater não digo mas que tem umas belas orelhas
para serem puxadas lá isso tem, ou sai a bem ou sai a mal, agora escolha - falei já irritada.
- Chata - refilou enquanto saía da piscina, aproximei-me
das escadas e assim que ele saiu dei-lhe a toalha para se enrolar - Obrigado.
- Vá mas é tomar um banho quente e se enfiar na
cama antes que fique doente -
ordenei-lhe o que fez com que olhasse para mim.
- Incomoda-te assim tanto que fique doente? - perguntou-me em claro desafio.
- Incomoda pois vai acabar por sobrar para mim,
não preciso de um adulto armado em criança e ainda por cima doente a dar-me
trabalho - ripostei e sem esperar
ele sorriu.
- Só tu para me fazeres
rir - disse baixinho, ainda
assim ouvi mas fiz de conta que não.
- Vá, andor lá para
dentro que aqui não aprende nada
- agarrei as suas roupas e comecei a andar, mas o Ruben manteve-se no mesmo sítio
- vai
demorar muito?
- Estás mesmo preocupada comigo? - perguntou surpreendido.
- Por norma preocupo-me com as pessoas, tanto
quanto sei ainda não é animal e mesmo que fosse até esses merecem consideração.
- Logo vi que era bom
demais - resmungou ao passar por
mim, ignorei e fui atrás dele - mas também vens comigo para o banho? - olhei-o com vontade de lhe dar um
par de tabefes ainda assim controlei-me.
- Não, mas não duvide que vou certificar-me da
temperatura da água, é que já está a ficar com os miolos congelados e a dizer
mais disparates do que aqueles que diz normalmente.
Não lhe dei hipóteses de
responder e entrei no seu quarto, fui directa à casa de banho e enchi-lhe a
banheira de água bem quente, a vontade era que fosse mesmo a escaldar para ele
aprender a ter tento na língua ainda assim não o fiz. Foi quando virei-me para
o ir chamar que esbarrei no seu corpo, que por sinal estava gelado, o Ruben sem
que desse por isso entrou na casa de banho e deixou-se ficar bem atrás de mim,
aquilo irritou-me mas mesmo assim resolvi ignorar, desviei-me dele e tentei
sair da casa de banho mas fui travada pela insinuação que ele fez.
- Acho melhor certificares-te que aqui a criança
entra dentro da banheira.
- Chega, deixe de se aproveitar da situação, acha
mesmo que se quisesse alguma coisa que iria precisar que desse autorização? Se
quisesse alguma coisa, fazia por isso e nunca ficaria à espera de uma
oportunidade. Agora entre dentro de água que está gelado - não lhe dei tempo para responder, saí e fechei a
porta.
Não sei o que ficou a
fazer, só sei que saí do seu quarto e fui até à cozinha preparar-lhe um chá bem
quente e quando este já estava pronto fui procurá-lo, bati na porta do seu
quarto mas não respondeu, voltei a insistir e nada, não estive por meias
medidas e mesmo correndo o risco de ver alguma coisa que não deveria entrei.
- Hey, não sabes
esperar - reclamou com os boxers
nas mãos.
- Se tivesse respondido
não teria entrado - ripostei e
inevitavelmente gargalhei perante o incomodo dele.
- Estás a rir porquê? - perguntou já com os boxers vestidos.
- Desculpe, não devia
ter gargalhado - confesso que
vontade para gargalhar era coisa que não faltava.
- Onde é que está a piada?
- Quer mesmo que seja sincera? - ele olhou-me.
- Estás a insinuar alguma coisa, é?
- Eu? Não.
- Ficaste assim tão admirada que deu-te para rir,
foi isso? - gargalhei novamente.
- Desculpe ser tão directa mas assim só
hipoteticamente está a pensar que gargalhei por o ver nu? Ou terá sido mesmo
por achar que tem aí alguma coisa do outro mundo - o Ruben arregalou os olhos - é que se está lamento mas não tem nada que
os outros não tenham, pequeno, médio ou grande, é preciso é saberem usá-lo
- o Ruben ficou estático a olhar-me, abriu e fechou a boca não sei quantas
vezes mas se a ideia era falar, não conseguiu dizer uma única palavra - ah e para que não fique afónico tem aqui um
chá quente para beber.
Coloquei a chávena em
cima da cómoda e saí do quarto, fui para a sala e finalmente pude sentar-me
para ver o meu filme em paz e sossego, estava entretida a dar gargalhadas ou
não fosse o filme uma comédia das mais parvas que possa existir quando o vi a
entrar na sala embrulhado num cobertor.
- Precisa de alguma
coisa?
- olhou-me.
- Não preciso de nada mas não tenho sono.
- Não vai dizer que está à espera que o vá
embalar, é que depois de tanta atitude de criança é só a que falta.
- Porquê que estás a ser assim para mim? - olhei-o sem entender a pergunta - estás realmente preocupada comigo -
olhei-o - podes tentar disfarçar com as
piadas mas no fundo preocupaste-te comigo.
- Não preciso de umas piadas para disfarçar nada,
sim, confesso que fiquei preocupada, nenhuma pessoa no seu prefeito juízo se
atira para dentro de uma piscina com praticamente zeros graus na rua, no
entanto a situação não deixa de ter uma certa piada.
- Vais gozar agora, é?
- Não, infelizmente sei o que é ser gozada e por
isso nunca faria o mesmo a outra pessoa, mas não nego que tê-lo visto todo
atarantado por o ter apanhado nu, teve a sua piada.
- Confesso que não esperava o teu à vontade - olhei-o.
- Desculpe, mas desde cedo que lido com crianças e
sempre os vi nus, tanto rapazes como raparigas portanto não vi nada que não
tenha visto anteriormente.
- Estás a insinuar o quê? - perguntou-me chocado - Por acaso estás a comparar - gargalhei ao ouvi-lo - onde é que está a piada?
- Realmente, para os homens só interessa o tamanho
e não o que fazem com ele -
olhou-me estupefacto - ah e não deve
estar à espera que vá avaliar o seu físico, certo?
- Mariana, bebeste?
- Desculpe? Lá porque estou a chamar as coisas pelos
nomes é sinal que bebi? Ruben, não foi nem há-de ser o último rapaz
que vou ver nu. Ok, se podia ter sido evitado, podia mas aconteceu e não posso
mudar isso, mas daí a fazer um drama já é abuso.
- Gosto de ver-te assim - olhei imediatamente.
- Desculpe?
- Gosto de ver-te assim mais descontraída, ficas
ainda mais bonita.
- Deve estar a preparar-se para ir visitar um
dentista, só pode - resmunguei
por entre os dentes.
- O que é que falaste? - perguntou enquanto colocou uma madeixa do meu
cabelo que estava a tapar o meu rosto atrás da minha orelha.
- Que se não tira as suas mãos de cima de mim, vai
passar a noite ao hospital e não será por estar com gripe, veja lá se quer
deixar de jogar futebol - ele
gargalhou.
- Não serias capaz de bater-me.
- Se fosse a você não arriscava, o último que
tentou deu-se mal.
- Ena mulher valente.
- Com muito orgulho, aprendi a defender-me sozinha
mas faço-o na perfeição.
- Porquê que és sempre tão bruta?
- Se tivesse passado
por metade do que passei não falaria isso - tentei levantar-me mas fui impedida pelo pedido que ele fez.
- Espera, não vás embora.
- O que quer?
- Posso ser sincero? - estranhei a pergunta mas respondi
afirmativamente - Quero conhecer a
verdadeira Mariana, aquela que os meus amigos conhecem e que adoram, aquela que
hoje mesmo sem saber reconfortou-me, aquela que está sempre preocupada com as
pessoas que a rodeiam mesmo que sejam uns chatos, aquela que é capaz de se
sacrificar para o bem do irmão e aquela que vai à luta mesmo sabendo que pode
morrer na praia - olhei-o - Mariana,
porquê que comigo sempre adoptaste uma postura totalmente oposta à que tens com
o Nuno.
- Sinceramente? - ele abanou a cabeça em sinal afirmativo - Porque sou desconfiada e acho sempre que as pessoas querem algo mais do
que demonstram, então quando vem de jogadores de futebol a coisa agrava
drasticamente.
- Porquê?
- Não quero falar sobre isso.
- Desculpa, mas confesso que agora fiquei ainda
mais curioso por saber qual é a tua história.
- Não sei porquê e muito menos entendo qual é o
motivo de tanta curiosidade.
- Para ser honesto, nem eu sei, simplesmente há
algo em ti que desperta-me curiosidade, afinal uma rapariga que abdica da sua
vida em prol do irmão deve ser especial.
- Terá que se esforçar muito mais se quiser
levar-me para a cama mas aviso já que não vai conseguir.
- Porquê que és assim? Não acreditas mesmo que
possa querer só a tua amizade, pois não?
- Não.
- Podias pelo menos fazer um esforço e tentares
conhecer-me primeiro antes de julgares-me por aquilo que não sou.
- Ruben, a cantiga do bandido já a conheço desde
que me lembro de ser gente, não é em meia dúzia de palavras que vais conseguir
convencer-me que estás só interessado na minha amizade, não preciso de rapaz
nenhum a dar-me cabo do juízo e a torrar a minha paciência, para isso já tenho
o Martim e garanto que é o único homem que tenho e continuarei a ter na minha
vida. Desiste, porque não vais conseguir sequer chegar mais perto do que estás - ele sorriu - e estás a sorrir porquê?
- Porque finalmente estás a tratar-me por tu, foi
difícil mas conseguiste - voltou
a sorrir - e fica descansada que não
quero levar-te para a cama, porque ao contrário do que pensas tenho princípios
e sentimentos, apesar de tudo amo a Soraia e por isso mesmo seria incapaz de
envolver-me com outra rapariga, seja ela quem for - fiquei feita parva a
olhá-lo - o que foi? Estás a olhar-me
assim porquê? Não acreditas mesmo em mim, pois não?
- Foi ela a razão pela qual estava a chorar quando
o encontrei e que se atirou à piscina? - desta vez foi a dele ficar a olhar-me - Desculpe, já estou a meter-me onde não sou chamada.
- Mariana prefiro quando tratas-me por tu e quanto
à pergunta que fizeste, sim foi ela o motivo pelo qual encontraste-me naquele
estado.
- Sabe que não há mulher nenhuma no mundo que
mereça isso, não sabe? - ele
olhou-me surpreendido - O que foi? Lá
porque sou mulher acha que devo ter a obrigação de defende-las?
- Trata-me por tu, por favor, pode ser? - ele ficou à espera de uma resposta - Tenta pelo menos - pedinchou.
- Posso tentar mas não sei se serei capaz.
- Lógico que és, já o fizeste uma vez - sorriu - e
sim, esperava que fosses defender as mulheres.
- Só defendo quem merece, independentemente do
sexo, defendo unicamente aqueles que julgo estarem correctos.
- Estás a querer dizer que a Soraia não merece ser
defendida?
- Não falei isso, simplesmente pelo pouco tempo e
felizmente foi mesmo pouco que passei com a sua - ele olhou-me o que fez com que corrigisse - a tua - ele sorriu - ex-noiva deu para perceber que pertence
àquele grupo de pessoas que julgam ter o rei na barriga e desculpa não posso
com elas nem por um corno - ele gargalhou - o que foi?
- Tens umas expressões engraçadas, faz-me rir com
a tua maneira de ser - interrompi-o.
- Isso é mesmo mais forte do que você, tem que
galantear sempre - ele sorriu.
- E tu tens sempre que levar para esse lado, não
és mesmo capaz de receber um elogio que achas logo que quero levar-te para a
cama.
- Não é defeito, é feitio. Sou assim se não gosta
meta de parte e siga para a próxima, até é um favor que me faz.
- Lamento mas não vou meter de parte, até porque
estou a gostar imenso do que estou a conhecer - falou olhando-me directamente nos olhos - até podes pensar que estou a galantear-te mas isso não vai fazer com
que desista de ti, gosto de estar rodeado de pessoas com bom fundo, que tenham
coração e que se preocupem com quem as rodeia. Mariana, tu és assim, é a tua
maneira de ser e por muito que não queiras demonstrar sempre que olho para ti
percebo que no fundo estás preocupada comigo, foi por isso é que agiste da
forma que agiste e não descansaste enquanto não me viste minimamente bem -
fiquei sem saber o que dizer e isso foi notório - não precisas ficar envergonhada, gosto de saber que apesar das nossas
divergências, de achares que estou a querer levar-te para a cama, não deixas de
ser quem és, a tua preocupação é legítima e é isso que faz com que queira
realmente chamar-te de amiga, espero sinceramente um dia poder fazê-lo.
- A amizade é algo que se conquista com o tempo e
com as atitudes.
- Concordo, mas para isso é preciso que deixes de
lado toda essa desconfiança - ele
espirrou.
- Tinha que ser, com este frio todo só podia dar
nisto - ele sorriu - já volto - saí da sala e fui até ao armário
dos medicamentos, procurei aquilo que queria e regressei à sala - tome, engula isso que se bem não fizer mal
também não faz.
- Obrigado, mas se queres que melhor bem que
podias tratar-me por tu.
- Não parece que uma coisa tenha a ver com a
outra.
- Não desmanchas mesmo, irra, és mais teimosa que
um burro.
- Obrigadinha pelo elogio - ele sorriu.
- Juro que não consigo entender-te, se elogio é
porque quero levar-te para a cama, se faço o inverso criticas-me na mesma.
- Talvez se for você mesmo, sem trocadilhos nem
palavrinhas bonitas, a coisa mude de figura.
- Ok, então fazemos um acordo se cumprires a tua
parte podes ter a certeza que cumpro com a minha.
- Qual é mesmo o disparate que vem por aí? - gargalhou.
- Tratas-me por tu e eu deixo de querer agradar-te.
- Afinal confessas que
andavas a querer agradar-me -
falei convicta e sem reparar que o tratei por tu.
- Estou a ver que aceitaste o acordo - sorriu - quanto
ao agradar não é nesse sentido mas sim em termos de ter andado a tentar ganhar
a tua confiança.
- Tudo bem vou baixar a guarda mas aviso já que
não vou andar a dormir, à primeira escorregadela vais de patins.
- Ok - voltou a espirrar.
- Não sei se isso passa assim - falei preocupada.
- Não te preocupes que
não quebro facilmente - levei a
mão à sua testa e percebi que deferia estar com febre.
- Lá porquê, a continuar assim duvido que amanhã
consiga - ele olhou-me - consigas treinar, já tens febre, devias ir
para a cama - falei e depois levei mais umas pipocas à boca.
- Achas mesmo que te deixo aqui a comeres essas
pipocas todas sozinha?
- Estás a insinuar alguma coisa? É que se estás,
esquece mais quilo menos quilo é igual ao litro - sorriu.
- És linda e não tens motivos nenhuns para ficares
preocupada - olhei-o de lado.
- Qual é mesmo o número
que calças? - olhou-me sem entender a
pergunta mas respondeu-me - amanhã já vou comprar os patins -
ele sorriu.
- Foste má, fizeste de propósito para ver se
escorregava.
- Sabes, é que adoro bananas então deixar as
cascas para os outros cair, amo de paixão.
- Ui, estou a ver que és perigosa.
- Perigosa não mas atenta sim, só se aproxima de
mim quem deixo e não quem quer. Se queres é bom que estejas atento porque ao
longo do caminho vais apanhar muitas cascas de bananas.
- Agradeço o aviso.
- Sim, sim vai mas é agradecer na cama que já
devias estar a dormir que amanhã tens treino.
- Talvez tenhas razão e deva mesmo ir dormir - olhou-me - posso
pedir-te um beijo de boa noite?
- Mama mas não abuses, vai mas é dormir.
- Pedir não custa.
- Ai queres uns patins,
queres - ele sorriu e sem que
estivesse à espera deu-me um beijinho no rosto, fiquei a olhá-lo à espera de
uma explicação para aquilo.
- Até podes pôr-me os patins mas garanto que só
por este bocadinho já valeu a pena - olhei-o e pela primeira vez vi sinceridade nos seus olhos - Mariana - agarrou-me nas mãos - obrigado por tudo o que fizeste esta noite,
podes achar que foi pouco ou mesmo nada mas acabaste por ser a única pessoa que
conseguiu fazer algo para que o meu dia não fosse um desastre completo, foste a
única que percebeu que realmente não estava bem e mesmo sem saberes o que na
verdade se passou, não julgaste, não criticaste, só quiseste assegurar que
estou minimamente bem.
- Ruben, não sou ninguém para criticar-te, não sei
nem interessa as razões pelas quais chegaste a casa naquele estado, não sei se
a culpa foi tua ou dela, mas uma coisa é certo, ninguém merece ficar na lama
por causa de outra pessoa, muito menos por causa de uma relação que não deu
certo.
- Mas dói quando penso que podia ter dado.
- Então não penses, dá tempo ao tempo, se tiverem
que ficar juntos, ficam. Ruben, o que é teu à tua mão vem parar, pode demorar
mas o que é da casa à casa regressa. Vive um dia de cada vez, se queres um
conselho, evita a Soraia nos próximos tempos, porque sinceramente e mesmo não
sabendo o que se passou é evidente que estão os dois a precisar de tempo e
espaço para arrumarem as ideias mas principalmente os sentimentos.
- Talvez tenhas razão e seja mesmo o melhor a
fazer.
- Ruben, as rédeas da tua vida têm de estar nas
tuas mãos e nunca nas mãos de terceiros, não deixes nunca que tentem retirar-te
o que de mais sagrado tens, se perdes a capacidade de decidires o que queres
para a tua vida nunca serás feliz, para amarmos alguém é necessário amarmo-nos
a nós próprios primeiro e sinceramente o que vi hoje ali naquela piscina não
foi isso, és muito mais forte do que possas pensar, a força está dentro de nós
só temos que aprender a usá-la.
- Obrigado mesmo do fundo do coração obrigado por
estas palavras.
- Não agradeças, se queres-me como amiga
mentaliza-te que levarás o pacote completo, terás que aguentar com o meu mau
feitio mas também com a minha mania irritante de achar que devo sempre dar a
minha opinião e um conselho - ele
sorriu.
- Gosto disso - sorriu e não sei porque mas quando percebi já
sorria também - agora vou dormir que estou a precisar - ele levantou-se mas
foi quando já ia a sair da sala que o chamei - diz.
Não respondi,
simplesmente levantei-me e caminhei na sua direcção - dorme bem -
abracei-o e dei-lhe um beijinho de boa noite - descansa que bem precisas
- percebi que ficou surpreendido com a minha atitude mas não lhe dei tempo de
reagir, fui até à cozinha deixar a taça das pipocas e o copo do sumo para
depois ir deitar-me.
O primeiro passo já eles deram mas
será que a amizade aguentará firme ao longo do tempo?
Finalmente a Mariana baixou a guarda... Banho de piscina com 0graus?! Tá parvo!!
ResponderEliminarQue raio de trauma é esse da Mariana com Jogadores de futebol?!!
Próximo se faz favor!!!
Bjokinhas
Mariaa
fabuloso...
ResponderEliminarquero mais... continua... tou curiosa para ver o proximo...
AAAAAAAAi que lindinhos que eles estão... Isto vai mesmo dar em alguma coisinha, ai isso vai...
ResponderEliminarnão cheira que está proximo, mas quem espera sempre alcança!! ADOREI, simplesmente...
beijinho
Raquel
Bem este capitulo está fantástico!!!! Amei.
ResponderEliminarEstá mesmo completo, fartei-me de rir com a cena do nu demais e as expressões da Mariana... brutal.
Completamente viciada.
Quero mais.
Beijinhos linda.
O Ruben passou-se, arriscar-se a ficar doente por causa da perua da Soraia? Oh Ruben Filipe abre os olhinhos...
ResponderEliminarO coração da Mariana tá a amolecer, ficou preocupada com o menino? adorei os momentos com estes dois, preparar o banho, fazer um cházinho, arranjar-lhe um comprimido porque o menino tá a ficar constipado e com febre, ai, ai tanta preocupação, só falta mesmo é ela agora ir puxar a mantinha e ver se o menino já tá a dormir, isso é que era terminar a noite em beleza.
Tá lindo, adorei, quanto à pergunta, eu espero que seja o inicio de uma grande amizade, se aguentará firme ou não isso já não sei, mas espero que sim, pelo menos a Mariana já o avisou que se ele quiser ser amigo dela tem que levar com o pacote todo, por isso é bom que se prepare, porque a mulher é fogo.
Quero mais, por isso bandeia-te.
Beijocas
Fernanda
Olá :)
ResponderEliminarAi parece que a Mariana foi muito boa enfermeira xD o Amorim ficou em boas mãos mas concordo concordo com a Fernanda,ela ir ver o menino é que acabava a noite em bem :P
No que toca à pergunta fiquei MUITO curiosa!Quero o próximo,e como este não foge à regra.Rápido! :P
Beijinhos
Rita
http://letitbe-5.blogspot.pt/
Eh lá, já há abraços e beijinhos? :P está a ir beem! E espero qe continue ^^
ResponderEliminarA Mariana toda preocupada cm o meninoo, muito bem!!
Quero o próximo :)
beijinhoos
ahahaha, que a mariana já baixou um pouco a guarda! finalmente!!! :)))
ResponderEliminaradorei essa preocupação toda dela, tem um feitio dificil mas lá no fundo preocupa-se como o moçp e ele que agradece! agora como é que isso vai ser daqui para a frente? eu vou quer muito ler isso, por isso já sabes quero o proximo rapidinho para satisfazer a minha curiosidade!!
fico à espera e mais uma vez ADOREI!!! (:
beijinhos
Adorei!
ResponderEliminarQuando li o título pensei logo: "Querem ver que ela lhe vai bater a sério?"
Mas depois li e li e achei tanta piada às expressões da Mariana e à maneira como eles estabeleceram o primeiro passo... Adorei mesmo.
Obrigada por postares hoje.
Espero pelo próximo.
Beijinhos!
Aiii que eu ontem esqueci-me do comentário .. Upss :( Mas cá estou eu para cumprir .. :D
ResponderEliminarEstou a ADORAR e ansiosa a espera do próximo.. :D
Parto-me a rir com as expressões da Mariana .. hihihihi
Bjnho linda