Ruben
Estive o dia inteiro deitado na cama como a Soraia grudada a mim o que
confesso ao início amei mas depois de umas horas estava um pouco farto por isso
levantei-me e fui até à varanda onde vi a Mariana e o Martim a brincarem no
jardim, eles estavam simplesmente a divertirem-se e isso deixou-me de sorriso
no rosto. Ainda fiquei uns minutos a observá-los mas fui interrompido pela
chegada da Soraia, ela avisou-me que tinha uma visita e por isso fui até à sala
para a receber.
Fiquei a falar um pouco com o Miguel, ele quis saber como tinha passado a
noite e após algum tempo de conversa deitada fora a Mariana apareceu na sala,
eles falaram-se e percebi que por algum motivo estavam muito animados e não sei
porquê aquilo mexeu-me com os nervos, acabei por fazer uma observação que a
Mariana não gostou e por isso mesmo saiu da sala, algo que também fiz assim que
o Miguel se foi embora, a ideia era falar com ela mas a minha noiva colou-se
novamente a mim e por isso tive que desistir da conversa.
Já estava novamente na sala junto dos meus amigos e família quando a
Mariana entrou, ela vinha linda e confesso que perdi-me a olhá-la na esperança
que pudesse ver os seus olhos mas ela nunca olhou na minha direção, até parecia
que estava a evitar fazê-lo, foi quando ia para abrir a boca e meter conversa
que o Martim se sentou ao colo dela e pediu para fazer uma pergunta, algo que
ela autorizou.
- Como é que nós
sabemos que gostamos de alguém? – sorri ao ouvir a pergunta já a Mariana
respondeu de forma muito vaga.
- Meu lindo isso não
se explica, sente-se. Tu gostas da mana porque sentes isso dentro do teu
coração, não é?
- Sim mas tu não
percebeste a pergunta.
- Então?
- Eu gosto de ti
porque és minha mana e gosto dos meus amigos porque são meus amigos mas o que
quero saber é como é que nós sabemos que gostamos de uma menina – ela ficou
estarrecida a olhá-lo, já nós que ouvimos a pergunta sorrimos – então não dizes nada?
- Martim vais
perceber isso quando tiveres idade.
- Ó mana mas os meus
amigos dizem todos que já gostam das meninas e eu também quero gostar mas não
sei como se faz – neste momento já estávamos todos atento à conversa, da
minha parte confesso que estava curioso para ver como é que ela iria lidar com
a situação.
- Martim mas tu
gostas das meninas, elas são tuas amigas não são – ele abanou a cabeça em
sinal afirmativo – então isso só
acontece porque gostas delas.
- Mas mana os meus
amigos dão beijinhos nelas e elas deixam mas a mim não.
- Não ligues.
- Mas porquê que não
posso dar beijinhos nelas também?
- Porque ainda não
encontraste a menina de quem gostas e que goste de ti, lindo não tenhas pressa
essa menina vai aparecer e aí percebes que gostas dela.
- Então é por isso
que nunca te vi dar beijinhos a ninguém – a dedução do miúdo deixou a
Mariana sem jeito e a mim com a certeza de algo que já desconfiava, ela ou
nunca teve uma relação séria ou então sempre foi muito discreta – ainda não encontraste a pessoa que gostas,
é isso?
- Sim, é meu
pirralhinho.
- Ó mana eu gostava
de ver-te aos beijinhos a alguém.
- Martim menos.
- Ó mana é verdade as
pessoas quando andam aos beijinhos andam contentes e eu quero ver-te contente e
não triste.
- Amor a mana está
contente, sabes bem que desde que estejas com a mana que estou sempre bem.
- Mas eu gostava que
andasse ainda mais contente, olha o Ruben ele hoje tá mais contente é porque
pode andar aos beijinhos – sorri ao ouvi-lo realmente o puto é de facto
especial – e os pais do Nuninho também
andam sempre contentes.
- Ó Martim deixa de
reparar nisso pode ser?
- Porquê?
- É feio andar a
controlar os beijinhos que as pessoas dão.
- Mas é giro – foi
inevitável não gargalharmos o que fez a Mariana nos repreender com o olhar.
- Martim, não quero
que andes a espreitar as pessoas, pode ser?
- Ó mana não tenho a
culpa se quando sai do meu quarto vi o Ruben aos beijinhos à namorada – ela
primeira vez ela olhou-me e percebi que o assunto estava a começar a deixá-la
incomodada e tive a confirmação disso quando ouvi a sua resposta.
- Já chega, vai para
o quarto que a mana chama-te quando for para comer.
- Estás a meter-me de
castigo porque falei a verdade? – perguntou chateado.
- Não, a mana está a
pedir que vás para o quarto porque tem de ir fazer o jantar e porque foste
inconveniente. Amor, até podes ter visto isso mas não precisavas de contar.
- Ó mana tu é que falas
que devo contar-te tudo – o puto hoje estava numa de deixa-la mesmo sem
resposta.
- Pois mas essas
coisas não se contam porque não são coisas tuas e sim de outras pessoas. Martim
a mana sempre pediu que quando tens alguma duvida que perguntes, tal como
quando houver alguma coisa para a mana saber sobre ti que prefere que sejas tu
a contar, mas no que respeita ao que possas ver as outras pessoas a fazerem
mesmo que seja por descuido não
precisas contar a menos que isso te faça confusão e que queiras que a mana
explique, entendeste?
- Sim. Ó mana mas não
é um bocado estranho enfiar a nossa língua na boca de outra pessoa como vi o
Ruben a fazer – se até aqui estava a achar piada à conversa deixei de achar
no momento que o menino comentou o que viu, ele não tem culpa afinal quem
deveria ter cuidado era eu mas mesmo assim não gostei de ouvir.
- Martim, a mana
entende que aches estranho até porque isso não é algo que devas fazer com a tua
idade mas quando cresceres e tiveres a idade da mana vais perceber porquê que
nós adultos o fazemos, já não vais achar assim tão estranho mas agora também
não precisas ficar a pensar no que viste, esquece pode ser?
- Pode.
- Então vai lá
brincar para o quarto que a mana depois chama-te.
- Tá bom – ele
saiu do seu colo e assim que desapareceu da nossa frente olhei para a Mariana e
além de comprovar que estava aborrecida ainda a tive de ouvir.
- Sei que não tenho o
direito de pedir isto mas será que dá para controlares-te diante do meu irmão? –
teria respondido mas a Soraia meteu-se no meio.
- Que foi agora já
não posso beijar o meu namorado quando quero, é?
- Pode, só lhe estou
a pedir que tenha um pouco mais de contenção quando sabe que tem crianças por
perto – a Mariana tentou manter a postura mesmo perante o tom de voz
desagradável da Soraia.
- Se a criança ficar
fechada no quarto já não vai haver problema.
- Soraia com todo o
respeito que tenho por si não acha que isso é um atentado à infância do meu
irmão? Ele é só uma criança de sete anos que tem tanto direito como você de andar
pela casa, não estou a pedir nada de outro mundo, só peço que tenha contenção
nas demonstrações de amor que tem com o Ruben, até porque sinceramente acho
falta de educação andarem por aí nos amassos até parece que não têm casa.
- Desde quando é que
tens alguma coisa a ver com o assunto? Ou será que faz assim tanta confusão
veres que o Ruben tem namorada e está feliz com ela? – teria falado se
tivesse tido hipóteses mas a Mariana que até agora se tinha controlado acabou
por dizer tudo o que tinha entalado.
- Sim faz-me confusão
estar diante de uma pessoa que não tem dois dedos de testa e não está
minimamente preparada para enfrentar uma vida a dois, mas isso também não me
diz respeito, até porque o que interessa-me verdadeiramente é o Martim, ao
contrário de si que não sabe o que é educar uma criança eu sei, tenho muito
orgulho na educação que lhe dou e em tudo o que fiz durante sete anos para que
o Martim cresça a saber o que é certo do errado, pode ter a certeza que se
depender de mim não é por ter que conviver consigo que vai desaprender tudo o
que lhe ensinei, por isso das duas uma ou modera-se e evita situações destas ou
então bem pode cavar um buraco para se enfiar porque garanto-lhe que o meu
irmão não fica sem resposta por muito que a observação seja inconveniente, tal
como “Ó mana mas é um bocado estranho enfiar a nossa língua na boca de outra
pessoa como vi o Ruben a fazer” – repetiu o que o seu irmão tinha dito o
que levou o Nuno e a Patrícia a sorrirem – desta
foi a língua se para a próxima for outra coisa pode ter a certeza que lhe irei
explicar com a verdade ainda que adaptada à cabeça de uma criança de sete anos,
entendeu?
- Estás a insinuar o
quê?
- Nada, mas se a
carapuça serviu é porque não ando assim tão longe da verdade – o meu irmão
estava a adorar aquilo, percebi isso pela sua cara.
- Amor vês como ela
não tem educação nenhuma – olhei para a Soraia - e quem é que ela julga que é para dizer aquilo que posso ou não fazer
contigo – a Mariana olhava-me à espera de uma resposta tal como os restantes
e como já estava farto daquilo resolvi abrir a boca e assim demos início a mais
uma das nossas maravilhosas discussões.
- Concordo contigo o
assunto não lhe diz respeito no entanto ao contrário a mim diz-me tudo e podes
ter a certeza que o que acabou de acontecer aqui não se irá voltar a passar
– ela olhou-me – e agora sai de cima de
mim que a Mariana tem toda a razão no que diz quando afirma que devemos ter
mais cuidado.
- Só podes estar a
gozar – olhei-a – vais mesmo
concordar com a criada?
- Chega, não te
admito mais isso, ela não é a criada, é a Mariana minha amiga como tal ou
aceitas isso ou então – ela interrompeu-me.
- Ou então o quê?
Vais acabar novamente comigo por causa dela, é?
- Não, vou acabar
contigo porque ultimamente sempre que estamos juntos só me desiludes com as
tuas atitudes mesquinhas, ainda vais ter que explicar o motivo dessa
implicância com a rapariga.
- Ainda não
percebeste que ela se atira a ti? – falou a olhá-la, a Mariana simplesmente
sorriu e ao contrário do que esperava não se manifestou, acho que pela primeira
vez esperava uma reação minha, coisa que não tardou.
- A Mariana? Atira-se
a mim? Isso é para rir, só pode mas se estás assim tão insegura é porque não
confias caso contrário não temias a Mariana ou outra qualquer.
- Não mudes o jogo a
teu favor.
- Soraia não estou a
mudar nada estou só a dizer que não tens motivos para armar escândalos muito
menos com a Mariana ou será que ainda não entendeste que o único homem na vida
dela é o irmão, é que até o puto já percebeu isso ao afirmar que nunca a viu
aos beijinhos a ninguém.
- Isso até pode ser
verdade mas se estalasses os dedos ela não hesitava nem dois segundos –
fiquei boquiaberto e mais ainda quando ouvi a resposta da Mariana.
- Soraia não devia
dizer isto mas já que insiste no assunto – neste momento as atenções já
estavam viradas para a Mariana – está
redondamente enganada e até digo mais ainda ontem o Ruben tirou a prova dos
noves em relação a isso – ela ficou possessa e ainda tentou falar mas a
Mariana impediu-a – nem pense
interromper-me porque na minha terra quando “um burro fala o outro baixa as
orelhas” – ela ainda tentou mas a Mariana continuou – sabe quando é que ele tirou a prova dos noves, sabe? Não sabe porque
quando devia ser você a passar a noite com ele fui eu que o fiz, mas sim foi
ontem que se ele tivesse dúvidas em relação às minhas intenções tinha as
perdido, porque se quisesse alguma coisa não teria fugido quando ele abraçou-me,
não o teria relembrado que tem noiva e que lhe deve respeito, por muito que
tivesse na lama depois de relembrar algo que não gosto seria razão para deixá-lo
reconfortar-me com um abraço mais apertado mesmo sabendo que a intenção dele
seria unicamente essa, respeito-me demasiado para permitir que um rapaz que tem
namorada se aproxime de mim mesmo que seja só como amigo, seja ele jogador de
futebol ou o Zé da esquina, tenho um irmão para criar não posso dar-me ao luxo
de hoje andar com um e amanhã com outro, não é esse o exemplo que lhe quero
dar.
- Achas mesmo que
acredito neste discurso do politicamente correto, posso ser loira mas não sou
burra.
- Jura? É que por
momentos parece, só uma burra é que não vê que o seu namorado a ama e que está
pouco borrifando para as outras raparigas. Se perder o Ruben não vai ser por
minha culpa será por essas suas atitudes de miúda mimada que nunca foi
contrariada na vida e que acha que tudo cai dos céus aos trambolhões, se quer
um conselho abra os olhos enquanto é tempo ou ainda acaba sozinha.
- Mete-te no teu
lugar que não és paga para comentar a minha vida – a Mariana teria
respondido mas antecipei-me.
- Chega, Soraia só
vou avisar uma vez ou deixas de implicar com a Mariana ou isto não acaba bem,
caso tenhas memória curta posso relembrar-te que foi ela que se deu ao trabalho
de ir ter comigo ao hospital, que se ofereceu para ficar acordada a noite toda
só para que pudesse vir para casa, foi ela que esteve do meu lado e que ainda
tentou de alguma forma minimizar o que estava a sentir porque praticamente a
minha noiva não quis saber de mim, foi a Mariana que fez-me entender que se nós
andávamos sempre a discutir que a culpa era minha também porque nunca tinha
parado para tentar perceber o teu lado, foi ela que andou um mês a ouvir-me
todos os dias a lamentar-me porque a mulher de quem gosto não é mais a mesma,
porque andava triste com a nossa separação, foi a Mariana que fez-me entender
que não adiantava nada ficar a chorar pelos cantos, que tinha de correr atrás
de ti, foi ela que depois de tudo o que lhe disseste ficou verdadeiramente
feliz quando soube da nossa reconciliação, foi ela que ajudou-me na escolha da
casa, foi ela que ajudou-me a limpa-la sem querer nada em troca por isso espero
que para a próxima vez penses antes de a acusar do que quer que seja, porque
não vou permitir que continues a implicar com a rapariga sem motivos, estamos
entendidos?
- Espera aí estás a
insinuar que só mandaste aquela mensagem para ir ter contigo ao teu apartamento
porque ela convenceu-te a fazeres as pazes comigo?
- Soraia não sei que
mensagem é essa porque não mandei rigorosamente nada, até digo mais se não
tivesses ido ter comigo naquele dia também não iria procurar-te.
- Estás a ser assim
porquê? Admite que rastejaste aos meus pés – a Soraia estava a passar tudo
o que era limite mas foi o que a Mariana disse que deixou-me estarrecido.
- O Ruben não
rastejou aos seus pés, é verdade que andou um mês na lama porque apesar de tudo
gosta de si, também é verdade que andei o mesmo tempo a ouvi-lo a lamentar-se e
só por isso é que decidi enviar a mensagem do telemóvel dele antes de sair com
destino a Lisboa – olhamos todos para a Mariana – porque ele estava a ser casmurro em não querer falar consigo, fiquei
feliz por terem feito as pazes e para ser sincera pensei que tivessem aprendido
alguma coisa com a situação mas pelo que consegui ouvir estão os dois a serem
duas autenticas crianças, vocês amam-se ou pelo menos quero acreditar que sim,
e estão a armar este carnaval todo, sinceramente já têm os dois idade para ter
juízo.
- Estás a querer
dizer que fui ter com o Ruben porque armaste para cima de nós?
- Realmente é muito
mal-agradecida, posso ter errado em ter feito isso sem que o Ruben soubesse e
ele até pode ficar chateado comigo mas tenho a consciência tranquila, não o fiz
com má intenção muito pelo contrário, só queria ver o meu amigo feliz mas
sinceramente começo a achar que foi um erro, que vocês estão bem é separados.
- Ah finalmente
admites que queres afastar-me do Ruben – a Mariana sorriu – ainda sorris?
- E não ter
gargalhado já é com sorte.
- Ainda gozas?
- Não estou a gozar
mas não deixa de ter a sua piada, estar diante de alguém que deve ter tido
acesso aos melhores colégios, a uma educação de excelência mas que depois
quando abre a boca só diz asneiras.
A Mariana não disse mais nada e nem permitiu que a Soraia
respondesse porque simplesmente saiu da sala.
***
Já tínhamos terminado de jantar quando avisei que iria para
casa, não queria complicar mais as coisas e além disso precisava de ter uma
conversa franca com a Soraia mas principalmente definitiva.
Mariana
Depois da troca de palavras mais azeda senti necessidade de
retirar-me e como tal usei a desculpa de preparar o jantar. Passei os minutos
seguintes a pensar no que foi estes últimos meses e a desejar que pudesse
voltar atrás e não ter deixado o Ruben se aproximar por já andar farta de
aturar a namorada dele.
Jantamos sobre um silêncio agonizante que só foi
interrompido uma ou outra vez pelo Nuno. Assim que terminamos de comer o Ruben
apressou-se a dizer que iria para a casa dele, foi notório que estava a evitar-me
e isso deixou-me triste ainda assim decidi não ligar muito e depois de terminar
de arrumar a cozinha fui deitar os pequenos, algo que também acabei por fazer
logo de seguida, estava cansada e a precisar de meter as ideias em ordem.
Estava já deitada quando bateram à porta e após dar
autorização para entrar vi a Patrícia.
- Posso falar uns
minutos contigo?
- Sim, diz – ela
sorriu.
- Mariana, com tudo o
que se passou nem consegui falar contigo – olhei-a – mas após discutir o assunto com o Nuno chegamos a uma decisão, vamos
contratar uma pessoa para assegurar as tarefas domésticas, aliás essa pessoa
irá começar no início da próxima semana.
- Mas não estão
satisfeitos?
- Não é nada disso,
até pelo contrário, estamos muito satisfeitos mas o acordo inicial é que virias
só cuidar no Nuninho e no entanto andas a fazer o trabalho todo.
- Patrícia, vocês é
que sabem se querem ou não contratar alguém, não tenho que meter-me nesse
assunto mas posso muito bem continuar a fazer tudo.
- Sei disso mas nós
não queremos - sorriu - peço só para
que fiques atenta durante os primeiros dias e que orientes a nova empregada uma
vez que tenho de ir uns dias a Lisboa.
- Não te preocupes
que faço isso e já agora já sabes quem vem?
A Patrícia confirmou que já tinha estado com a minha futura
colega e ainda ficamos uns minutos a falar dela que serviram para recolher
algumas informações mas a Patrícia acabou por sair e por isso aproveitei para
descansar, virei-me para o outro lado e adormeci.
Anabela
Depois da confusão de ontem hoje acordei decidida a ter uma
conversa com o meu filho e por isso pedi-lhe que arranjasse forma de almoçar só
comigo, ele desconfiou e por isso mesmo afirmou que não estava com paciência
para sermões e muito menos queria discutir comigo, que já lhe tinha chegado o
dia de ontem, ainda assim não desisti e ele durante o pequeno-almoço acabou por
informar a noiva que não iria dar para almoçarem juntos, ela ainda refilou mas
lá se calou depois dele lhe ter dado uma desculpa esfarrapada.
Passei a manhã toda em casa dele e numa coisa tenho que
concordar a Mariana sabe mesmo como orientar uma casa, era evidente que tinha
dedo dela tanto na pouca decoração que já existia bem como por exemplo na
arrumação dos armários, estava tudo prefeito.
Estava a terminar de lhe arrumar a roupa que tinha acabado
de engomar quando a Soraia veio informar que iria dar uma volta pela cidade que
queria fazer umas compras e uma vez que o Ruben não vinha almoçar em casa iria
aproveitar.
- Mãe – ouvi o
Mauro a chamar – sabe da Soraia?
- Ela foi às compras.
- Típico, aquela
também não sabe fazer mais nada.
- Mauro olha a forma
como falas da noiva do teu irmão.
- Ó mãe nunca escondi
que o mano podia ter arranjado melhor sinceramente ainda estou para saber o que
viu nela.
- O Ruben gosta dela
e só temos que respeitar isso.
- Sei disso e tenho
respeitado mas custa cada vez mais ficar calado, você viu bem o filme que ela
fez só porque quisemos vir logo de manhã para Braga? Quer dizer enquanto a
Mariana que não lhe é nada fica acordada durante a noite inteira a olhar pelo
mano a noiva ainda reclama porque se tem de levantar cedo.
- Estás a falar de
duas pessoas diferentes, não deves fazer comparações.
- Mãe sei que no
coração não se manda mas o mano ficava bem melhor com a Mariana do que com a
Soraia, pelo pouco que privei com a rapariga já deu para entender que tem a
cabeça no lugar, pode ser um pouco intempestiva mas desde que não lhe toquem no
irmão a Mariana fica no seu canto.
- Mauro, o teu irmão
é que sabe, a vida é dele e por isso não adianta nos metermos.
O meu filho mais velho não insistiu e acabou por dizer que
iria dar uma volta pela cidade, fiquei em casa e só saí quando chegou a hora de
ir ter com o Ruben, tínhamos combinado almoçar num restaurante no centro da
cidade.
- Oi mãe -
cumprimentou-me ao chegar e depois entramos no restaurante.
- Filho como é que
estás? - perguntei quando já estávamos sentados e a escolher a ementa.
- Bem, foi só um
susto não precisa estar constantemente a perguntar como estou a sentir-me, além
disso hoje já treinei.
- Não estava a
referir-me à questão física.
- Então?
- Ruben, desculpa mas
não consigo ignorar aquilo que se passou ontem na casa do Nuno - ele olhou-me
- sei que és amigo da Mariana mas vais
casar e daqui a uns meses é com a Soraia que vais partilhar o dia-a-dia por
isso não achas que deves ponderar afastares-te da rapariga para evitar
problemas?
- A mãe só pode estar
a gozar.
- Não, estou a falar
muito a sério, Ruben não vais querer começar uma vida a dois com constantes
discussões, certo?
- Sim.
- Então é bom que
comeces a pensar em afastares-te da Mariana e do irmão dela, filho só assim é
que vais evitar mais discussões como as de ontem.
- Mãe, a Soraia é que
tem de entender que posso ser amigo de quem bem entender, não a obrigo a gostar
e muito menos a conviver com as pessoas que para mim de uma forma ou de outra
são importantes mas também não vou admitir que ela obrigue-me a deixar de falar
com os meus amigos só porque não vai com a cara deles, ainda para mais se for a
Mariana que nunca lhe fez mal nenhum.
- Será que não?
- O que é que quer
dizer com isso?
- Ruben, já não és
criança e muito menos acredito que não tenhas já percebido que a tua noiva se
sente ameaçada pela Mariana.
- Ó mãe isso não tem
cabimento nenhum, a Mariana é só minha amiga.
- Cada vez desconfio
mais disso.
- Então? -
perguntou ofendido.
- Então que quando
começamos a repetir tanta vez a mesma coisa é porque queremos acreditar nela
- ele interrompeu-me.
- Está a sugerir que
o que sinto pela Mariana não é só amizade?
- Estou a sugerir que
não sabes aquilo que sentes e queres-te convencer que é só amizade porque tens
medo de descobrir que afinal a simples empregada não é só uma amiga. Filho,
sinceramente devias afastar-te dela para colocares essa cabeça e os sentimentos
em ordem.
- Mãe não há nada
para colocar em ordem muito menos os sentimentos, sei muito bem o que sinto
pela Mariana.
- Será que sim?
- Mas afinal o que é
que você quer?
- Ruben, sei que não
fazes por mal mas já reparaste que desde que começamos esta conversa que só
falas na Mariana e na amizade que sentes por ela? Pergunto onde está a Soraia e
o amor que vos une?
- Só falo da Mariana
porque é dela que estamos a falar.
- Não desconverses
- ele olhou-me - Ruben explica-me só o
que te impede de admitires que a Mariana mexe contigo, filho estamos só os dois
aqui e conheço-te desde bebé, não estou a dizer que já não amas a Soraia, estou
sim a dizer que por algum motivo o aparecimento da Mariana na tua vida deixou-te
balançado, confuso e como não sabes o que sentes insistes em afirmar que é só
amizade.
- Não posso admitir
uma coisa que não é verdade e a mãe pare com esta conversa.
- O tema deixa-te
desconfortável? É que se deixa só estás a dar-me razão.
- Ou você deixa de
meter palavras na minha boca ou fica a almoçar sozinha, agora escolha.
- Filho, a forma como
estás a reagir só prova que tenho alguma razão por isso pensa bem no que queres
para a tua vida. Ruben não há motivo nenhum para que te cases sem teres
certezas do que sentes, não te esqueças disso.
- Mãe, vou-me casar
porque gosto da Soraia e não porque estou a ser obrigado.
- Tudo bem, gostas da
Soraia, acredito que sim afinal já namoram há tanto tempo mas consegues negar
que quando vais jogar fora e que por isso passas mais tempo sem veres a Mariana
não sentes a falta dela?
- Lógico que sinto -
olhou-me - como sinto a falta de todos
os meus amigos.
- Filho, essa
conversa de amizade não convence, sinceramente já não amas a Soraia, gosta dela
é um facto mas não a amas e isso já vem de muito antes de a Mariana aparecer na
tua vida, ainda estavas em Lisboa quando comecei a perceber isso nunca comentei
contigo porque pensei que fosse uma fase, vocês andavam a stressar um com o
outro, depois surgiu esta oportunidade de vires para Braga e julguei que
pudesse ser benéfico, que vocês iriam sentir a falta um do outro mas os meses
passaram e o que vejo não é nada disso, ela está por Lisboa e faz a vida dela e
tu estás aqui cada vez mais apegado à Mariana, Ruben estás a substituir a
Soraia pela Mariana sem dares conta, pensa nisto que acabei de dizer antes que
seja tarde, filho peço-te que não te cases sem teres a certeza absoluta do que
sentes pela Mariana, é que a Soraia é cada vez mais uma carta fora do baralho.
- Já chega ou você
cala-se ou fica mesmo sozinha.
- Ruben por muito que
queiras demonstrar que estou enganada só estás a conseguir o inverso.
- Juro que não a
entendo estou a três meses de casar e você vem com esta conversa.
- Filho, “o maior
cego é aquele que não quer ver”. Ruben, até a Soraia já percebeu isso, aliás
percebeu desde o início mas como não quer admitir a verdade tal como é,
desconta na Mariana. Nós sabemos muito bem que o problema não é a rapariga, o
problema és tu e os teus sentimentos, porque os da Mariana estão muito bem esclarecidos,
pelo menos é a impressão que tenho sempre que estou com ela, a rapariga
realmente sente só amizade por ti mas o mesmo não posso afirmar de ti, filho
quando estás com ela pareces outro, o brilho que vejo no teu olhar nada tem com
aquele que vejo quando a tua noiva está em cima de ti, com a Mariana és tu
mesmo, não precisas fingir que uma conversa te agrada só para não aborreceres a
namorada, ela diz-te as coisas na cara ao contrário da Soraia, Ruben podia
estar aqui o resto da tarde a falar das diferenças entre elas mas sabes melhor
do que eu quais são por isso pondera se bem no que queres para a tua vida.
- Você está enganada,
é verdade gosto imenso da Mariana, admiro-a por tudo e agora ainda mais desde
que sei pelo que passou até chegar onde chegou mas não passa disso, o que temos
é amizade pura e verdadeira.
- Tudo bem, não
insisto mas continuo na minha se a Mariana chegasse ao pé de ti e falasse com
as letras todas que te ama não hesitarias.
- Agora você está a
passar os limites - ele estava mesmo a ficar incomodado e só por saber que
já o tinha deixado a pensar no assunto resolvi deixar morrer ali a conversa.
- Desculpa filho não
volto a manifestar-me sobre este assunto, já és adulto para tomares as tuas
decisões e arcares com as consequências das mesmas.
Não insisti mais no assunto até porque o nosso comer chegou,
estávamos a almoçar quando olhei para o lado e vi quem não esperava, a Mariana
a entrar com o Mauro, eles ao verem-nos aproximaram-se.
- Então puto como é
que estás?
- Bem - o Ruben
olhou para a Mariana - o que é que estão
a fazer juntos?
- Porquê? Agora não
posso convidar quem quero para almoçar sem que dês permissão, é? - o irmão
não perdeu a oportunidade de espicaçar o Ruben.
- Podes, só achei
estranho - olhou para a Mariana.
- Assim está melhor e
agora dêem-nos licença que vamos almoçar - a Mariana sorriu para o Mauro, o
que deixou o Ruben incomodado ainda assim disfarçou e acabou por convidá-los a
sentarem-se ao nosso lado.
- Deixa estar -
ela respondeu.
- Deixa-te de coisas
e senta-te - ela olhou-o.
- Desde quando é que
dás ordens? Queres mandar, manda na tua noiva e já agora aproveita para lhe
pedires que para a próxima tenha mais cuidado que lá porque sou criada não
preciso ser atropelada por uma burra de saias carregada de sacos - o Mauro
sorriu.
- O que é que queres
dizer com isso?
- Olha que
praticamente fui abalroada por ela, é que já nem no centro comercial posso
andar descansada sem ter que levar com a tua excelentíssima noiva, além disso é
burra todos os dias - o Mauro ria.
- Posso saber o
motivo de a estares a ofender?
- Ofender? Meu caro
depois do que vi hoje chamá-la de burra é elogio mas não incomodo mais porque
quero almoçar - olhou para o Mauro - vamos?
Já que convidaste agora no mínimo não deixes que morra à fome, não é?
- Sim, vamos.
O Ruben ainda tentou que se sentassem na mesma mesa mas isso
não aconteceu e por isso o meu filho casula passou o resto do almoço a olhar na
direção da mesa onde a Mariana se encontrava, o que só veio reforçar as minhas
suspeitas.
Terminamos de comer e quando íamos a sair o Ruben teve que
arranjar forma de passar pela mesa do irmão com a desculpa de se despedir
deles, lógico que o motivo não foi esse mas não ousei abrir a boca para dizer o
contrário.
Será que a aproximação do Mauro e da Mariana irá trazer problemas?
fantastico... magnifico...
ResponderEliminarcontinua... quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...
Ahhh... estes momentos Mariana vs Soraia são do melhor!!
ResponderEliminarAdorei o capitulo, mas queria mesmo era saber o que e passou quando as Soraia "atropelou" a Mariana!
E este almoço com o Mauro... que almoço é este???
Bjokinhas
Mariaa
Fantastico adorei continua.bjs
ResponderEliminarOlá :)
ResponderEliminarEstou a AMAR o Martim está cada vez mais fofo! xD{e já te disse as minhas frases favoritas xD}
e o que quero é a Soraia fora daqui! :P
Fico à espera do próximo.
Beijinhos
Rita
Desde que comecei a acompanhar as fanfics(foi ha cerca de 2 anos que descobri esse mundo imaginário), posso afirmar que ja me deliciei com muitas e muitas historias, com diferentes personagens e com diferentes rumos e claro que haviam sempre aquelas que eu nao perdia um capitulo... Mas esta historia, a tua historia, meu deus :D. .. Pela maneira que escreves, pela maneira que constrois as tuas personagens, pela maneira que consegues cativar com esta amizade que terá muito que falar e por me viciares, dou- te os meus sinceros parabens.. . Que na tua vida tenhas tanto sucesso como tens a escrever... Tens aqui uma leitora assidua..obrigada por esta pequena "alegria" que nos tens dado todos os dias. . Continua
ResponderEliminarOlá :)
ResponderEliminarEste Martim está cada vez melhor,já o AMO!! xD
Sabes que o que quero é esta Soraia bem LONGE!e depressa tal como o próximo capitulo :P
Fico à espera.
Beijinhos
Rita
Eita!
ResponderEliminarMais os dias da Soraia estão mesmo contados, haha! Não vejo a hora dela vazar logo mesmo, não irá fazer falta nenhuma u.u E cá pra mim, o Mauro vai ser o pivor hahaha!
Quero maaaaaaaais, muito mais! Beijos *-*
Gabii
Queres ver qe ela prefere o mais velho? :p até qe também não é nada mau (bem, mas vão vamos por aí ahah)
ResponderEliminarGostei imenso, como já é hábito! :D
Essa Soraia pá, grr.. apetece apertar-lhe o gasganete e ela tem sorte pq a Mariana controla-se e muito :p
Cá pra mim, os ciuminhos do ruben vão vir ao de cima, e vai ser lindo de ver! xD
Beijinhoo
Eu logo vi que o Martim ia fazer das dele, e claro que a emproada da Soraia tinha que dar uma de ofendida, adorei quando a Mariana lhe disse "quando um burro fala o outro baixa as orelhas".
ResponderEliminarAté a D.Anabela já reparou que há mais qualquer coisa na amizade do Ruben pela Mariana, mas lá está "pior cego é aquele que não quer ver". Adorei, a conversa entre a Mariana e a perua, foi de mais. O menino Mauro anda a ver se tira o mano do sério, porque ele já topou que há ali mais qualquer coisa, muito vai o Ruru sofrer, porque ele vai picá-lo. Mas falta saber o que aconteceu no centro comercial, o que é que a burra de saias fez para atropelar a Mariana com os sacos das compras? bandeia-te, que eu agora fiquei curiosa.
Beijocas
Fernanda
já vais ouvir!!! isto sao maneiras de acabar o capitulo?? achas mesmo?? logo na melhor parte?? isto nao se faz, estava tao entretida e deliciada a ler o capitulo e tu decides acabar nesta parte! agora quero o proximo, e rapidinho! :))
ResponderEliminarfico à espera, para meu desespero nao demores muito! :)
beijinhos
Ola, olá:
ResponderEliminarBem o Martim é mesmo muito atento :D :D :D como qualquer criança não lhe passa nada ao lado.
Agora não estou a perceber, mas a Mariana está a criar uma fila de pretendentes??? Ora bem já temos o Miguel e agora o Mauro??? não estou a perceber....
Quero mais!!!!
Beijinhos