domingo, 27 de maio de 2012

016 - “Então é por isso que nunca te vi dar beijinhos a ninguém”


Ruben

Estive o dia inteiro deitado na cama como a Soraia grudada a mim o que confesso ao início amei mas depois de umas horas estava um pouco farto por isso levantei-me e fui até à varanda onde vi a Mariana e o Martim a brincarem no jardim, eles estavam simplesmente a divertirem-se e isso deixou-me de sorriso no rosto. Ainda fiquei uns minutos a observá-los mas fui interrompido pela chegada da Soraia, ela avisou-me que tinha uma visita e por isso fui até à sala para a receber.
Fiquei a falar um pouco com o Miguel, ele quis saber como tinha passado a noite e após algum tempo de conversa deitada fora a Mariana apareceu na sala, eles falaram-se e percebi que por algum motivo estavam muito animados e não sei porquê aquilo mexeu-me com os nervos, acabei por fazer uma observação que a Mariana não gostou e por isso mesmo saiu da sala, algo que também fiz assim que o Miguel se foi embora, a ideia era falar com ela mas a minha noiva colou-se novamente a mim e por isso tive que desistir da conversa.      
Já estava novamente na sala junto dos meus amigos e família quando a Mariana entrou, ela vinha linda e confesso que perdi-me a olhá-la na esperança que pudesse ver os seus olhos mas ela nunca olhou na minha direção, até parecia que estava a evitar fazê-lo, foi quando ia para abrir a boca e meter conversa que o Martim se sentou ao colo dela e pediu para fazer uma pergunta, algo que ela autorizou.
- Como é que nós sabemos que gostamos de alguém? – sorri ao ouvir a pergunta já a Mariana respondeu de forma muito vaga.
- Meu lindo isso não se explica, sente-se. Tu gostas da mana porque sentes isso dentro do teu coração, não é?
- Sim mas tu não percebeste a pergunta.
- Então?
- Eu gosto de ti porque és minha mana e gosto dos meus amigos porque são meus amigos mas o que quero saber é como é que nós sabemos que gostamos de uma menina – ela ficou estarrecida a olhá-lo, já nós que ouvimos a pergunta sorrimos – então não dizes nada?
- Martim vais perceber isso quando tiveres idade.
- Ó mana mas os meus amigos dizem todos que já gostam das meninas e eu também quero gostar mas não sei como se faz – neste momento já estávamos todos atento à conversa, da minha parte confesso que estava curioso para ver como é que ela iria lidar com a situação.
- Martim mas tu gostas das meninas, elas são tuas amigas não são – ele abanou a cabeça em sinal afirmativo – então isso só acontece porque gostas delas.
- Mas mana os meus amigos dão beijinhos nelas e elas deixam mas a mim não.
- Não ligues.
- Mas porquê que não posso dar beijinhos nelas também?
- Porque ainda não encontraste a menina de quem gostas e que goste de ti, lindo não tenhas pressa essa menina vai aparecer e aí percebes que gostas dela.
- Então é por isso que nunca te vi dar beijinhos a ninguém – a dedução do miúdo deixou a Mariana sem jeito e a mim com a certeza de algo que já desconfiava, ela ou nunca teve uma relação séria ou então sempre foi muito discreta – ainda não encontraste a pessoa que gostas, é isso?
- Sim, é meu pirralhinho.
- Ó mana eu gostava de ver-te aos beijinhos a alguém.
- Martim menos.
- Ó mana é verdade as pessoas quando andam aos beijinhos andam contentes e eu quero ver-te contente e não triste.
- Amor a mana está contente, sabes bem que desde que estejas com a mana que estou sempre bem.
- Mas eu gostava que andasse ainda mais contente, olha o Ruben ele hoje tá mais contente é porque pode andar aos beijinhos – sorri ao ouvi-lo realmente o puto é de facto especial – e os pais do Nuninho também andam sempre contentes.
- Ó Martim deixa de reparar nisso pode ser?
- Porquê?
- É feio andar a controlar os beijinhos que as pessoas dão.
- Mas é giro – foi inevitável não gargalharmos o que fez a Mariana nos repreender com o olhar.
- Martim, não quero que andes a espreitar as pessoas, pode ser?
- Ó mana não tenho a culpa se quando sai do meu quarto vi o Ruben aos beijinhos à namorada – ela primeira vez ela olhou-me e percebi que o assunto estava a começar a deixá-la incomodada e tive a confirmação disso quando ouvi a sua resposta.
- Já chega, vai para o quarto que a mana chama-te quando for para comer.
- Estás a meter-me de castigo porque falei a verdade? – perguntou chateado.
- Não, a mana está a pedir que vás para o quarto porque tem de ir fazer o jantar e porque foste inconveniente. Amor, até podes ter visto isso mas não precisavas de contar.
- Ó mana tu é que falas que devo contar-te tudo – o puto hoje estava numa de deixa-la mesmo sem resposta.
- Pois mas essas coisas não se contam porque não são coisas tuas e sim de outras pessoas. Martim a mana sempre pediu que quando tens alguma duvida que perguntes, tal como quando houver alguma coisa para a mana saber sobre ti que prefere que sejas tu a contar, mas no que respeita ao que possas ver as outras pessoas a fazerem mesmo que seja por descuido não precisas contar a menos que isso te faça confusão e que queiras que a mana explique, entendeste?
- Sim. Ó mana mas não é um bocado estranho enfiar a nossa língua na boca de outra pessoa como vi o Ruben a fazer – se até aqui estava a achar piada à conversa deixei de achar no momento que o menino comentou o que viu, ele não tem culpa afinal quem deveria ter cuidado era eu mas mesmo assim não gostei de ouvir.
- Martim, a mana entende que aches estranho até porque isso não é algo que devas fazer com a tua idade mas quando cresceres e tiveres a idade da mana vais perceber porquê que nós adultos o fazemos, já não vais achar assim tão estranho mas agora também não precisas ficar a pensar no que viste, esquece pode ser?
- Pode.
- Então vai lá brincar para o quarto que a mana depois chama-te.
- Tá bom – ele saiu do seu colo e assim que desapareceu da nossa frente olhei para a Mariana e além de comprovar que estava aborrecida ainda a tive de ouvir.
- Sei que não tenho o direito de pedir isto mas será que dá para controlares-te diante do meu irmão? – teria respondido mas a Soraia meteu-se no meio.
- Que foi agora já não posso beijar o meu namorado quando quero, é?
- Pode, só lhe estou a pedir que tenha um pouco mais de contenção quando sabe que tem crianças por perto – a Mariana tentou manter a postura mesmo perante o tom de voz desagradável da Soraia.
- Se a criança ficar fechada no quarto já não vai haver problema.
- Soraia com todo o respeito que tenho por si não acha que isso é um atentado à infância do meu irmão? Ele é só uma criança de sete anos que tem tanto direito como você de andar pela casa, não estou a pedir nada de outro mundo, só peço que tenha contenção nas demonstrações de amor que tem com o Ruben, até porque sinceramente acho falta de educação andarem por aí nos amassos até parece que não têm casa.
- Desde quando é que tens alguma coisa a ver com o assunto? Ou será que faz assim tanta confusão veres que o Ruben tem namorada e está feliz com ela? – teria falado se tivesse tido hipóteses mas a Mariana que até agora se tinha controlado acabou por dizer tudo o que tinha entalado.
- Sim faz-me confusão estar diante de uma pessoa que não tem dois dedos de testa e não está minimamente preparada para enfrentar uma vida a dois, mas isso também não me diz respeito, até porque o que interessa-me verdadeiramente é o Martim, ao contrário de si que não sabe o que é educar uma criança eu sei, tenho muito orgulho na educação que lhe dou e em tudo o que fiz durante sete anos para que o Martim cresça a saber o que é certo do errado, pode ter a certeza que se depender de mim não é por ter que conviver consigo que vai desaprender tudo o que lhe ensinei, por isso das duas uma ou modera-se e evita situações destas ou então bem pode cavar um buraco para se enfiar porque garanto-lhe que o meu irmão não fica sem resposta por muito que a observação seja inconveniente, tal como “Ó mana mas é um bocado estranho enfiar a nossa língua na boca de outra pessoa como vi o Ruben a fazer” – repetiu o que o seu irmão tinha dito o que levou o Nuno e a Patrícia a sorrirem – desta foi a língua se para a próxima for outra coisa pode ter a certeza que lhe irei explicar com a verdade ainda que adaptada à cabeça de uma criança de sete anos, entendeu?
- Estás a insinuar o quê?
- Nada, mas se a carapuça serviu é porque não ando assim tão longe da verdade – o meu irmão estava a adorar aquilo, percebi isso pela sua cara.
- Amor vês como ela não tem educação nenhuma – olhei para a Soraia - e quem é que ela julga que é para dizer aquilo que posso ou não fazer contigo – a Mariana olhava-me à espera de uma resposta tal como os restantes e como já estava farto daquilo resolvi abrir a boca e assim demos início a mais uma das nossas maravilhosas discussões.
- Concordo contigo o assunto não lhe diz respeito no entanto ao contrário a mim diz-me tudo e podes ter a certeza que o que acabou de acontecer aqui não se irá voltar a passar – ela olhou-me – e agora sai de cima de mim que a Mariana tem toda a razão no que diz quando afirma que devemos ter mais cuidado.
- Só podes estar a gozar – olhei-a – vais mesmo concordar com a criada?
- Chega, não te admito mais isso, ela não é a criada, é a Mariana minha amiga como tal ou aceitas isso ou então – ela interrompeu-me.
- Ou então o quê? Vais acabar novamente comigo por causa dela, é?
- Não, vou acabar contigo porque ultimamente sempre que estamos juntos só me desiludes com as tuas atitudes mesquinhas, ainda vais ter que explicar o motivo dessa implicância com a rapariga.
- Ainda não percebeste que ela se atira a ti? – falou a olhá-la, a Mariana simplesmente sorriu e ao contrário do que esperava não se manifestou, acho que pela primeira vez esperava uma reação minha, coisa que não tardou.
- A Mariana? Atira-se a mim? Isso é para rir, só pode mas se estás assim tão insegura é porque não confias caso contrário não temias a Mariana ou outra qualquer.
- Não mudes o jogo a teu favor.
- Soraia não estou a mudar nada estou só a dizer que não tens motivos para armar escândalos muito menos com a Mariana ou será que ainda não entendeste que o único homem na vida dela é o irmão, é que até o puto já percebeu isso ao afirmar que nunca a viu aos beijinhos a ninguém.
- Isso até pode ser verdade mas se estalasses os dedos ela não hesitava nem dois segundos – fiquei boquiaberto e mais ainda quando ouvi a resposta da Mariana.
- Soraia não devia dizer isto mas já que insiste no assunto – neste momento as atenções já estavam viradas para a Mariana – está redondamente enganada e até digo mais ainda ontem o Ruben tirou a prova dos noves em relação a isso – ela ficou possessa e ainda tentou falar mas a Mariana impediu-a – nem pense interromper-me porque na minha terra quando “um burro fala o outro baixa as orelhas” – ela ainda tentou mas a Mariana continuou – sabe quando é que ele tirou a prova dos noves, sabe? Não sabe porque quando devia ser você a passar a noite com ele fui eu que o fiz, mas sim foi ontem que se ele tivesse dúvidas em relação às minhas intenções tinha as perdido, porque se quisesse alguma coisa não teria fugido quando ele abraçou-me, não o teria relembrado que tem noiva e que lhe deve respeito, por muito que tivesse na lama depois de relembrar algo que não gosto seria razão para deixá-lo reconfortar-me com um abraço mais apertado mesmo sabendo que a intenção dele seria unicamente essa, respeito-me demasiado para permitir que um rapaz que tem namorada se aproxime de mim mesmo que seja só como amigo, seja ele jogador de futebol ou o Zé da esquina, tenho um irmão para criar não posso dar-me ao luxo de hoje andar com um e amanhã com outro, não é esse o exemplo que lhe quero dar.
- Achas mesmo que acredito neste discurso do politicamente correto, posso ser loira mas não sou burra.
- Jura? É que por momentos parece, só uma burra é que não vê que o seu namorado a ama e que está pouco borrifando para as outras raparigas. Se perder o Ruben não vai ser por minha culpa será por essas suas atitudes de miúda mimada que nunca foi contrariada na vida e que acha que tudo cai dos céus aos trambolhões, se quer um conselho abra os olhos enquanto é tempo ou ainda acaba sozinha.
- Mete-te no teu lugar que não és paga para comentar a minha vida – a Mariana teria respondido mas antecipei-me.
- Chega, Soraia só vou avisar uma vez ou deixas de implicar com a Mariana ou isto não acaba bem, caso tenhas memória curta posso relembrar-te que foi ela que se deu ao trabalho de ir ter comigo ao hospital, que se ofereceu para ficar acordada a noite toda só para que pudesse vir para casa, foi ela que esteve do meu lado e que ainda tentou de alguma forma minimizar o que estava a sentir porque praticamente a minha noiva não quis saber de mim, foi a Mariana que fez-me entender que se nós andávamos sempre a discutir que a culpa era minha também porque nunca tinha parado para tentar perceber o teu lado, foi ela que andou um mês a ouvir-me todos os dias a lamentar-me porque a mulher de quem gosto não é mais a mesma, porque andava triste com a nossa separação, foi a Mariana que fez-me entender que não adiantava nada ficar a chorar pelos cantos, que tinha de correr atrás de ti, foi ela que depois de tudo o que lhe disseste ficou verdadeiramente feliz quando soube da nossa reconciliação, foi ela que ajudou-me na escolha da casa, foi ela que ajudou-me a limpa-la sem querer nada em troca por isso espero que para a próxima vez penses antes de a acusar do que quer que seja, porque não vou permitir que continues a implicar com a rapariga sem motivos, estamos entendidos?
- Espera aí estás a insinuar que só mandaste aquela mensagem para ir ter contigo ao teu apartamento porque ela convenceu-te a fazeres as pazes comigo?
- Soraia não sei que mensagem é essa porque não mandei rigorosamente nada, até digo mais se não tivesses ido ter comigo naquele dia também não iria procurar-te.
- Estás a ser assim porquê? Admite que rastejaste aos meus pés – a Soraia estava a passar tudo o que era limite mas foi o que a Mariana disse que deixou-me estarrecido.
- O Ruben não rastejou aos seus pés, é verdade que andou um mês na lama porque apesar de tudo gosta de si, também é verdade que andei o mesmo tempo a ouvi-lo a lamentar-se e só por isso é que decidi enviar a mensagem do telemóvel dele antes de sair com destino a Lisboa – olhamos todos para a Mariana – porque ele estava a ser casmurro em não querer falar consigo, fiquei feliz por terem feito as pazes e para ser sincera pensei que tivessem aprendido alguma coisa com a situação mas pelo que consegui ouvir estão os dois a serem duas autenticas crianças, vocês amam-se ou pelo menos quero acreditar que sim, e estão a armar este carnaval todo, sinceramente já têm os dois idade para ter juízo.
- Estás a querer dizer que fui ter com o Ruben porque armaste para cima de nós?
- Realmente é muito mal-agradecida, posso ter errado em ter feito isso sem que o Ruben soubesse e ele até pode ficar chateado comigo mas tenho a consciência tranquila, não o fiz com má intenção muito pelo contrário, só queria ver o meu amigo feliz mas sinceramente começo a achar que foi um erro, que vocês estão bem é separados.
- Ah finalmente admites que queres afastar-me do Ruben – a Mariana sorriu – ainda sorris?
- E não ter gargalhado já é com sorte.
- Ainda gozas?
- Não estou a gozar mas não deixa de ter a sua piada, estar diante de alguém que deve ter tido acesso aos melhores colégios, a uma educação de excelência mas que depois quando abre a boca só diz asneiras.
A Mariana não disse mais nada e nem permitiu que a Soraia respondesse porque simplesmente saiu da sala.

***

Já tínhamos terminado de jantar quando avisei que iria para casa, não queria complicar mais as coisas e além disso precisava de ter uma conversa franca com a Soraia mas principalmente definitiva.

Mariana

Depois da troca de palavras mais azeda senti necessidade de retirar-me e como tal usei a desculpa de preparar o jantar. Passei os minutos seguintes a pensar no que foi estes últimos meses e a desejar que pudesse voltar atrás e não ter deixado o Ruben se aproximar por já andar farta de aturar a namorada dele.
Jantamos sobre um silêncio agonizante que só foi interrompido uma ou outra vez pelo Nuno. Assim que terminamos de comer o Ruben apressou-se a dizer que iria para a casa dele, foi notório que estava a evitar-me e isso deixou-me triste ainda assim decidi não ligar muito e depois de terminar de arrumar a cozinha fui deitar os pequenos, algo que também acabei por fazer logo de seguida, estava cansada e a precisar de meter as ideias em ordem.
Estava já deitada quando bateram à porta e após dar autorização para entrar vi a Patrícia.
- Posso falar uns minutos contigo?
- Sim, diz – ela sorriu.
- Mariana, com tudo o que se passou nem consegui falar contigo – olhei-a – mas após discutir o assunto com o Nuno chegamos a uma decisão, vamos contratar uma pessoa para assegurar as tarefas domésticas, aliás essa pessoa irá começar no início da próxima semana.
- Mas não estão satisfeitos?
- Não é nada disso, até pelo contrário, estamos muito satisfeitos mas o acordo inicial é que virias só cuidar no Nuninho e no entanto andas a fazer o trabalho todo.
- Patrícia, vocês é que sabem se querem ou não contratar alguém, não tenho que meter-me nesse assunto mas posso muito bem continuar a fazer tudo.
- Sei disso mas nós não queremos - sorriu - peço só para que fiques atenta durante os primeiros dias e que orientes a nova empregada uma vez que tenho de ir uns dias a Lisboa.
- Não te preocupes que faço isso e já agora já sabes quem vem?
A Patrícia confirmou que já tinha estado com a minha futura colega e ainda ficamos uns minutos a falar dela que serviram para recolher algumas informações mas a Patrícia acabou por sair e por isso aproveitei para descansar, virei-me para o outro lado e adormeci.

Anabela

Depois da confusão de ontem hoje acordei decidida a ter uma conversa com o meu filho e por isso pedi-lhe que arranjasse forma de almoçar só comigo, ele desconfiou e por isso mesmo afirmou que não estava com paciência para sermões e muito menos queria discutir comigo, que já lhe tinha chegado o dia de ontem, ainda assim não desisti e ele durante o pequeno-almoço acabou por informar a noiva que não iria dar para almoçarem juntos, ela ainda refilou mas lá se calou depois dele lhe ter dado uma desculpa esfarrapada.
Passei a manhã toda em casa dele e numa coisa tenho que concordar a Mariana sabe mesmo como orientar uma casa, era evidente que tinha dedo dela tanto na pouca decoração que já existia bem como por exemplo na arrumação dos armários, estava tudo prefeito.
Estava a terminar de lhe arrumar a roupa que tinha acabado de engomar quando a Soraia veio informar que iria dar uma volta pela cidade que queria fazer umas compras e uma vez que o Ruben não vinha almoçar em casa iria aproveitar.
- Mãe – ouvi o Mauro a chamar – sabe da Soraia?
- Ela foi às compras.
- Típico, aquela também não sabe fazer mais nada.
- Mauro olha a forma como falas da noiva do teu irmão.
- Ó mãe nunca escondi que o mano podia ter arranjado melhor sinceramente ainda estou para saber o que viu nela.
- O Ruben gosta dela e só temos que respeitar isso.
- Sei disso e tenho respeitado mas custa cada vez mais ficar calado, você viu bem o filme que ela fez só porque quisemos vir logo de manhã para Braga? Quer dizer enquanto a Mariana que não lhe é nada fica acordada durante a noite inteira a olhar pelo mano a noiva ainda reclama porque se tem de levantar cedo.
- Estás a falar de duas pessoas diferentes, não deves fazer comparações.
- Mãe sei que no coração não se manda mas o mano ficava bem melhor com a Mariana do que com a Soraia, pelo pouco que privei com a rapariga já deu para entender que tem a cabeça no lugar, pode ser um pouco intempestiva mas desde que não lhe toquem no irmão a Mariana fica no seu canto.
- Mauro, o teu irmão é que sabe, a vida é dele e por isso não adianta nos metermos.
O meu filho mais velho não insistiu e acabou por dizer que iria dar uma volta pela cidade, fiquei em casa e só saí quando chegou a hora de ir ter com o Ruben, tínhamos combinado almoçar num restaurante no centro da cidade.
- Oi mãe - cumprimentou-me ao chegar e depois entramos no restaurante.
- Filho como é que estás? - perguntei quando já estávamos sentados e a escolher a ementa.
- Bem, foi só um susto não precisa estar constantemente a perguntar como estou a sentir-me, além disso hoje já treinei.
- Não estava a referir-me à questão física.
- Então?
- Ruben, desculpa mas não consigo ignorar aquilo que se passou ontem na casa do Nuno - ele olhou-me - sei que és amigo da Mariana mas vais casar e daqui a uns meses é com a Soraia que vais partilhar o dia-a-dia por isso não achas que deves ponderar afastares-te da rapariga para evitar problemas?
- A mãe só pode estar a gozar.
- Não, estou a falar muito a sério, Ruben não vais querer começar uma vida a dois com constantes discussões, certo?
- Sim.
- Então é bom que comeces a pensar em afastares-te da Mariana e do irmão dela, filho só assim é que vais evitar mais discussões como as de ontem.
- Mãe, a Soraia é que tem de entender que posso ser amigo de quem bem entender, não a obrigo a gostar e muito menos a conviver com as pessoas que para mim de uma forma ou de outra são importantes mas também não vou admitir que ela obrigue-me a deixar de falar com os meus amigos só porque não vai com a cara deles, ainda para mais se for a Mariana que nunca lhe fez mal nenhum.
- Será que não?
- O que é que quer dizer com isso?
- Ruben, já não és criança e muito menos acredito que não tenhas já percebido que a tua noiva se sente ameaçada pela Mariana.
- Ó mãe isso não tem cabimento nenhum, a Mariana é só minha amiga.
- Cada vez desconfio mais disso.
- Então? - perguntou ofendido.
- Então que quando começamos a repetir tanta vez a mesma coisa é porque queremos acreditar nela - ele interrompeu-me.
- Está a sugerir que o que sinto pela Mariana não é só amizade?
- Estou a sugerir que não sabes aquilo que sentes e queres-te convencer que é só amizade porque tens medo de descobrir que afinal a simples empregada não é só uma amiga. Filho, sinceramente devias afastar-te dela para colocares essa cabeça e os sentimentos em ordem.
- Mãe não há nada para colocar em ordem muito menos os sentimentos, sei muito bem o que sinto pela Mariana.
- Será que sim?
- Mas afinal o que é que você quer?
- Ruben, sei que não fazes por mal mas já reparaste que desde que começamos esta conversa que só falas na Mariana e na amizade que sentes por ela? Pergunto onde está a Soraia e o amor que vos une?
- Só falo da Mariana porque é dela que estamos a falar.
- Não desconverses - ele olhou-me - Ruben explica-me só o que te impede de admitires que a Mariana mexe contigo, filho estamos só os dois aqui e conheço-te desde bebé, não estou a dizer que já não amas a Soraia, estou sim a dizer que por algum motivo o aparecimento da Mariana na tua vida deixou-te balançado, confuso e como não sabes o que sentes insistes em afirmar que é só amizade.
- Não posso admitir uma coisa que não é verdade e a mãe pare com esta conversa.
- O tema deixa-te desconfortável? É que se deixa só estás a dar-me razão.
- Ou você deixa de meter palavras na minha boca ou fica a almoçar sozinha, agora escolha.
- Filho, a forma como estás a reagir só prova que tenho alguma razão por isso pensa bem no que queres para a tua vida. Ruben não há motivo nenhum para que te cases sem teres certezas do que sentes, não te esqueças disso.
- Mãe, vou-me casar porque gosto da Soraia e não porque estou a ser obrigado.
- Tudo bem, gostas da Soraia, acredito que sim afinal já namoram há tanto tempo mas consegues negar que quando vais jogar fora e que por isso passas mais tempo sem veres a Mariana não sentes a falta dela?
- Lógico que sinto - olhou-me - como sinto a falta de todos os meus amigos.
- Filho, essa conversa de amizade não convence, sinceramente já não amas a Soraia, gosta dela é um facto mas não a amas e isso já vem de muito antes de a Mariana aparecer na tua vida, ainda estavas em Lisboa quando comecei a perceber isso nunca comentei contigo porque pensei que fosse uma fase, vocês andavam a stressar um com o outro, depois surgiu esta oportunidade de vires para Braga e julguei que pudesse ser benéfico, que vocês iriam sentir a falta um do outro mas os meses passaram e o que vejo não é nada disso, ela está por Lisboa e faz a vida dela e tu estás aqui cada vez mais apegado à Mariana, Ruben estás a substituir a Soraia pela Mariana sem dares conta, pensa nisto que acabei de dizer antes que seja tarde, filho peço-te que não te cases sem teres a certeza absoluta do que sentes pela Mariana, é que a Soraia é cada vez mais uma carta fora do baralho.
- Já chega ou você cala-se ou fica mesmo sozinha.
- Ruben por muito que queiras demonstrar que estou enganada só estás a conseguir o inverso.
- Juro que não a entendo estou a três meses de casar e você vem com esta conversa.
- Filho, “o maior cego é aquele que não quer ver”. Ruben, até a Soraia já percebeu isso, aliás percebeu desde o início mas como não quer admitir a verdade tal como é, desconta na Mariana. Nós sabemos muito bem que o problema não é a rapariga, o problema és tu e os teus sentimentos, porque os da Mariana estão muito bem esclarecidos, pelo menos é a impressão que tenho sempre que estou com ela, a rapariga realmente sente só amizade por ti mas o mesmo não posso afirmar de ti, filho quando estás com ela pareces outro, o brilho que vejo no teu olhar nada tem com aquele que vejo quando a tua noiva está em cima de ti, com a Mariana és tu mesmo, não precisas fingir que uma conversa te agrada só para não aborreceres a namorada, ela diz-te as coisas na cara ao contrário da Soraia, Ruben podia estar aqui o resto da tarde a falar das diferenças entre elas mas sabes melhor do que eu quais são por isso pondera se bem no que queres para a tua vida.
- Você está enganada, é verdade gosto imenso da Mariana, admiro-a por tudo e agora ainda mais desde que sei pelo que passou até chegar onde chegou mas não passa disso, o que temos é amizade pura e verdadeira.
- Tudo bem, não insisto mas continuo na minha se a Mariana chegasse ao pé de ti e falasse com as letras todas que te ama não hesitarias.
- Agora você está a passar os limites - ele estava mesmo a ficar incomodado e só por saber que já o tinha deixado a pensar no assunto resolvi deixar morrer ali a conversa.
- Desculpa filho não volto a manifestar-me sobre este assunto, já és adulto para tomares as tuas decisões e arcares com as consequências das mesmas.
Não insisti mais no assunto até porque o nosso comer chegou, estávamos a almoçar quando olhei para o lado e vi quem não esperava, a Mariana a entrar com o Mauro, eles ao verem-nos aproximaram-se.
- Então puto como é que estás?
- Bem - o Ruben olhou para a Mariana - o que é que estão a fazer juntos?
- Porquê? Agora não posso convidar quem quero para almoçar sem que dês permissão, é? - o irmão não perdeu a oportunidade de espicaçar o Ruben.
- Podes, só achei estranho - olhou para a Mariana.
- Assim está melhor e agora dêem-nos licença que vamos almoçar - a Mariana sorriu para o Mauro, o que deixou o Ruben incomodado ainda assim disfarçou e acabou por convidá-los a sentarem-se ao nosso lado.
- Deixa estar - ela respondeu.
- Deixa-te de coisas e senta-te - ela olhou-o.
- Desde quando é que dás ordens? Queres mandar, manda na tua noiva e já agora aproveita para lhe pedires que para a próxima tenha mais cuidado que lá porque sou criada não preciso ser atropelada por uma burra de saias carregada de sacos - o Mauro sorriu.
- O que é que queres dizer com isso?
- Olha que praticamente fui abalroada por ela, é que já nem no centro comercial posso andar descansada sem ter que levar com a tua excelentíssima noiva, além disso é burra todos os dias - o Mauro ria.
- Posso saber o motivo de a estares a ofender?
- Ofender? Meu caro depois do que vi hoje chamá-la de burra é elogio mas não incomodo mais porque quero almoçar - olhou para o Mauro - vamos? Já que convidaste agora no mínimo não deixes que morra à fome, não é?
- Sim, vamos.
O Ruben ainda tentou que se sentassem na mesma mesa mas isso não aconteceu e por isso o meu filho casula passou o resto do almoço a olhar na direção da mesa onde a Mariana se encontrava, o que só veio reforçar as minhas suspeitas.
Terminamos de comer e quando íamos a sair o Ruben teve que arranjar forma de passar pela mesa do irmão com a desculpa de se despedir deles, lógico que o motivo não foi esse mas não ousei abrir a boca para dizer o contrário.

Será que a aproximação do Mauro e da Mariana irá trazer problemas?

11 comentários:

  1. fantastico... magnifico...

    continua... quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

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  2. Ahhh... estes momentos Mariana vs Soraia são do melhor!!
    Adorei o capitulo, mas queria mesmo era saber o que e passou quando as Soraia "atropelou" a Mariana!

    E este almoço com o Mauro... que almoço é este???

    Bjokinhas
    Mariaa

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  3. Fantastico adorei continua.bjs

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  4. Olá :)
    Estou a AMAR o Martim está cada vez mais fofo! xD{e já te disse as minhas frases favoritas xD}
    e o que quero é a Soraia fora daqui! :P
    Fico à espera do próximo.
    Beijinhos
    Rita

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  5. Desde que comecei a acompanhar as fanfics(foi ha cerca de 2 anos que descobri esse mundo imaginário), posso afirmar que ja me deliciei com muitas e muitas historias, com diferentes personagens e com diferentes rumos e claro que haviam sempre aquelas que eu nao perdia um capitulo... Mas esta historia, a tua historia, meu deus :D. .. Pela maneira que escreves, pela maneira que constrois as tuas personagens, pela maneira que consegues cativar com esta amizade que terá muito que falar e por me viciares, dou- te os meus sinceros parabens.. . Que na tua vida tenhas tanto sucesso como tens a escrever... Tens aqui uma leitora assidua..obrigada por esta pequena "alegria" que nos tens dado todos os dias. . Continua

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  6. Olá :)
    Este Martim está cada vez melhor,já o AMO!! xD
    Sabes que o que quero é esta Soraia bem LONGE!e depressa tal como o próximo capitulo :P
    Fico à espera.
    Beijinhos
    Rita

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  7. Eita!

    Mais os dias da Soraia estão mesmo contados, haha! Não vejo a hora dela vazar logo mesmo, não irá fazer falta nenhuma u.u E cá pra mim, o Mauro vai ser o pivor hahaha!
    Quero maaaaaaaais, muito mais! Beijos *-*

    Gabii

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  8. Queres ver qe ela prefere o mais velho? :p até qe também não é nada mau (bem, mas vão vamos por aí ahah)
    Gostei imenso, como já é hábito! :D
    Essa Soraia pá, grr.. apetece apertar-lhe o gasganete e ela tem sorte pq a Mariana controla-se e muito :p
    Cá pra mim, os ciuminhos do ruben vão vir ao de cima, e vai ser lindo de ver! xD
    Beijinhoo

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  9. Eu logo vi que o Martim ia fazer das dele, e claro que a emproada da Soraia tinha que dar uma de ofendida, adorei quando a Mariana lhe disse "quando um burro fala o outro baixa as orelhas".
    Até a D.Anabela já reparou que há mais qualquer coisa na amizade do Ruben pela Mariana, mas lá está "pior cego é aquele que não quer ver". Adorei, a conversa entre a Mariana e a perua, foi de mais. O menino Mauro anda a ver se tira o mano do sério, porque ele já topou que há ali mais qualquer coisa, muito vai o Ruru sofrer, porque ele vai picá-lo. Mas falta saber o que aconteceu no centro comercial, o que é que a burra de saias fez para atropelar a Mariana com os sacos das compras? bandeia-te, que eu agora fiquei curiosa.

    Beijocas

    Fernanda

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  10. já vais ouvir!!! isto sao maneiras de acabar o capitulo?? achas mesmo?? logo na melhor parte?? isto nao se faz, estava tao entretida e deliciada a ler o capitulo e tu decides acabar nesta parte! agora quero o proximo, e rapidinho! :))

    fico à espera, para meu desespero nao demores muito! :)

    beijinhos

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  11. Ola, olá:
    Bem o Martim é mesmo muito atento :D :D :D como qualquer criança não lhe passa nada ao lado.
    Agora não estou a perceber, mas a Mariana está a criar uma fila de pretendentes??? Ora bem já temos o Miguel e agora o Mauro??? não estou a perceber....
    Quero mais!!!!
    Beijinhos

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