domingo, 20 de maio de 2012

010 - “Mariana … Marianita … não precisas de fugir…começo a achar que não me resistes”


Anabela

Passei a manhã toda a pensar no que vi ontem à noite no quarto do meu filho e quanto mais pensava mais as suspeitas que ele já não ama a Soraia aumentavam, o que agravou ainda mais quando percebi qual era a sua intenção.
O Ruben queria mesmo que a Mariana o acompanhasse e não desistiu enquanto não conseguiu convence-la, a rapariga bem que tentou argumentar e fazê-lo entender que não deveria ser ela a acompanhá-lo mas sim a Soraia que verdade seja dita, deveria mesmo ser mas o meu filho não desistiu e levou a melhor.

***

Já tínhamos visitado duas das três casas que o Ruben previamente tinha selecionado com a ajuda da Mariana e não pude deixar de reparar que apesar de contrariada a rapariga reparou em tudo o que era detalhe, talvez para mais tarde dar a sua opinião quando fosse solicitada. Já o meu filho estava numa de sempre tenho que arranjar casa por isso qualquer uma serve, ele não estava minimamente preocupado se a casa seria só para ele morar ou se seria o lar que iria acolher o início de uma vida em comum com a Soraia.
Estávamos, agora, na última casa e por isso o Sr. Rogério, que era quem estava a mostrá-las, perguntou ao Ruben qual das três lhe tinha agradado, ele como já esperava foi muito prático na resposta.
- Todas – a Mariana olhou de imediato para ele como se o Ruben tivesse dito algo estapafúrdio – que foi? – perguntou-lhe ao vê-la a olhar para ele.
- Nada – baixou o olhar o que fez o meu filho voltar a falar.
- Não gostaste das casas, foi? – o Sr. Rogério olhou-a.
- Se queres mesmo saber, não – respondeu-lhe – e como vim contigo foi para opinar digo já que por mim não ficavas com nenhuma das três – se o meu filho ficou a olhá-la e a sorrir, talvez pela forma direta que falou, o Sr. Rogério manifestou-se mas começou logo mal.
- Se precisar de discutir o assunto com a sua companheira – a Mariana olhou para o Ruben com vontade de o mandar dar uma volta – posso retirar-me.
- Desculpe informá-lo mas sou só uma amiga que de companheira não tem nada – apressou-se a esclarecer o senhor que ficou de tal forma encavacado que o Ruben teve que intervir.
- Se não for incomodo, nós iremos até ao jardim para trocarmos algumas ideias – olhou para a Mariana que lhe revirou os olhos, de facto não estava nada satisfeita com as casas e depois da insinuação do Sr. Rogério ainda ficou pior.
- Estejam à vontade.
- Tinhas mesmo que responder daquela forma? – perguntou-lhe mal teve oportunidade.
- Desculpa, grande lata a dele, quem é que mandou opinar sobre o que não lhe diz respeito? Não faltava mais nada do que ser a tua companheira - disse em tom de escárnio.
- Seria assim tão mau? – fiquei surpreendida pela pergunta do Ruben.
- Não se trata de ser ou não ser mau, trata-se que não tem fundamento nenhum tal insinuação.
- Isso quer dizer que não descartas essa hipótese – disse a sorrir e sem se preocupar com o facto de estar a ouvir.
- Ruben Filipe controla lá as hormonas antes que sofras as consequências – afastou-se – e já agora as duas horas estão a terminar – ripostou.
- Mariana – aproximou-se dela – Marianita – ele estava praticamente colado a ela e a falar-lhe ao ouvido – não precisas de fugir – o meu filho gargalhou mas como resposta teve o que não esperava, a Mariana virou-se de frente para ele e muito calmamente falou.
- Continua – ele olhou-a sem entender – continua assim que estás no caminho certo para ficares sem noiva e sozinho – disse-lhe a olhá-lo nos olhos e sem vacilar – queres o quê? Dar motivos à Soraia para ser ainda mais possessiva, mais obcecada e fazer-te a vida negra? É que se queres realmente estás no caminho certo, aviso é para procurares outra que não se importe de servir os teus intentos, porque de certeza que gente dessa encontras com facilidade, basta ao virar da esquina estalares os dedos que elas caem-te que nem tordos aos pés.
- Desculpa estava só a brincar não quis ofender-te.
- Ruben, tens a perfeita noção que detesto estas brincadeiras por isso vê se paras com elas de uma vez ou vou ser obrigada a afastar-me e se o fizer garanto que será sem retorno, estamos entendidos?
- Sim – ele deu dois passos para trás mantendo assim uma distância razoável – e agora diz-me porquê que não gostaste das casas quando nas fotos achavas que eram as melhores.
- Ah isso é muito fácil de responder – ele olhou-a – para mim todas têm defeitos.
- Como assim? – ele estava curioso e confesso que também estava, afinal tinha gostado de todas.
- A primeira é de facto muito boa só que tem o inconveniente das casas de banho que por serem interiores não terem janelas para se poder abrir – olhei-a admirada realmente foi detalhe que passou-me ao lado mas que não deixa de ter uma certa importância.
- Então e depois?
- E depois que se fosse para morar cá queria que tivesse, gosto de arejar a casa e para isso preciso de janelas em todas as divisões, já para não falar que não sou vampira e que amo a luz natural – o Ruben gargalhou, de facto a Mariana por muito que o assunto seja sério arranja quase sempre forma de torná-lo cómico.
- Ok, então e na segunda o que não gostaste?
- A segunda é um espetáculo mas não a queria nem dada – ele sorriu – é que além da mobília no geral ser de cor escura, coisa que para se ver o pó não há melhor, ainda tem a questão que o sol nunca entra nos quartos, pois do lado que estão de inverno devem ser húmidos até dizer chega, nunca na vida metia um filho meu num quarto desses – confesso que a Mariana estava a deixar-me estupefacta, afinal tinha mesmo reparado em detalhes que nunca passaram pela minha cabeça mas que até faziam todo o sentido.
- Ok, então e desta o que não gosta?
- Esta seria a casa dos meus sonhos, tem um bom jardim para as crianças brincarem ao ar livre – o Ruben olhava-a e sorria embevecido – os quartos são grandes e virados para o lado do sol, toda a casa pode ser arejada, não tem escadas o que facilitaria e muito a minha vida na altura que os meus filhos começassem a andar pois não teria que me preocupar com as quedas do primeiro andar para o rés-do-chão, não tem cá daquelas modernizes de uma parede de cada cor que só serve para nos enjoarmos e andarmos constantemente a gastar dinheiro para mudarmos a decoração, as divisões são amplas – o Ruben já estava a ficar impaciente pois se era só coisas a favor não estava a ver onde é que estaria o problema e como ele não é de perder muito tempo interrompeu-a.
- Passa logo à parte que não gostas.
- Ok, a parte que não gosto é mesmo a cozinha.
- O que é que têm? É bem grande.
- É grande mas não é grande coisa – inevitavelmente gargalhei mas a Mariana prosseguiu sem se importar – sei que não estás habituado a estas coisas mas a cozinha além de não ser nada prática para quem vai passar lá as horas a confecionar a comidinha para comeres, pois o fogão está no centro e longe da bancada mas principalmente da torneira e do lava-loiça, não tem quase arrumação nenhuma o que sinceramente não agrada-me.
- Ou seja não há mesmo nenhuma que gostes ou que quisesses para ti?
- Não, mas como também não é para mim, escolhe a que quiseres.
- Ah para ti não servem mas como é para mim já pode ser?
- Ruben, sinceramente se queres decidir já, deves optar por esta, são mais as coisas a favor do que contra e como também não estou a imaginar a Soraia de avental e de luvas a lavar a loiça ou a preparar-te o comer porque estraga a unha – ele sorriu - não se deve incomodar muito com o facto da desgraçada da vossa empregada passar o dia a patinhar de trás para a frente sempre que precisar de lavar alguma coisa para colocar na panela ou a limpar o chão porque por muito que possa evitar ficará sempre molhado.
- Então e a mãe que está tão calada também concorda com tudo o que a Mariana falou? – pela primeira vez o meu filho perguntou-me a opinião e só aí é que lembrei-me que tinha aceitado vir para Braga nestes dias para o ajudar na escolha da casa, sim porque confesso que estava tão abismada com a Mariana e a sua forma de ser prática mas principalmente atenta a tudo o que era detalhe que nem reparei que estava muda desde que eles iniciaram a discussão de qual das casas seria melhor.
- Filho, sinceramente também gostei de todas e se não fosse a opinião da Mariana nem tinha reparado em tais detalhes mas depois de ouvi-la acho que deves ponderar mas se queres decidir já, partilho da ideia dela, esta de facto é a melhor de todas.
- Ok, já percebi a mensagens – ela olhou-o – vou falar com o Sr. Rogério.
O Ruben não nos disse qual era a sua decisão e por isso mesmo fomos atrás dele, o meu filho comunicou que apesar de ter gostado das casas estas tinham alguns inconvenientes e por isso mesmo não iria adquirir nenhuma, lógico que o senhor quis saber que detalhes eram esses que não tinham agradado à Mariana e depois de ser esclarecido garantiu que iria procurar a casa ideal, que só precisava de uns dias, o Ruben que pelo que tenho visto não deve fazer questão de se afastar da Mariana não se preocupou nem um pouco até porque o Nuno e a Patrícia já lhe garantiram que poderia ficar lá por casa o tempo que necessitasse.
- Fonix nunca pensei que fosses tão esquisita – o meu filho falou quando já estávamos no carro.
- Temos pena, tanto quanto sei pediste a minha opinião.
- Pois sei disso nunca pensei que fosses reparar nesses detalhes todos.
- Alô talvez porque aqui a empregada sou eu? É normal que repare em certos detalhes que para ti são isso mesmo, detalhes, mas que para mim são tremendas dores de cabeça, não fazes a mais pequena ideia do que é passar o pano para limpar o pó e mal acabas de o fazer parece que já tem pó novamente ou o que é andar a patinhar numa cozinha de trás para a frente e chegar ao fim do dia com as pernas cansadas ou ainda estares preocupada porque a criança que está à tua responsabilidade e que até já anda possa acordar e decidir vir ter contigo mesmo que para isso tenha que descer umas escadas e se estatelar no meio do chão ou ainda entrares numa casa de banho que acabaste de limpar e cheirar a mofo porque não é arejada, queres que continue?
- Ok, já deu para entender.
- Sabes que tudo na vida tem o seu lado positivo e garanto-te que já aprendi muito à conta da minha profissão.
Estava atenta à conversa deles e de facto cada minuto que passo com a Mariana só serve para surpreender-me ainda mais, ela não tem vergonha do que faz e diga-se de passagem nem deve ter, afinal é uma profissão que merece ter todo o respeito, além disso parece ser alguém com os pés assentes na terra.
A viagem de regresso à casa do Nuno sofreu um pequeno desvio que só entendi quando a Mariana abriu a boca para refilar.
- O que pensas que vais fazer? – ele sorriu – Nem sonhes fazer o que estou a pensar que vais fazer.
- Lamento mas não tenciono mudar de ideias.
- Ruben Filipe – sorri ao ouvi-la, afinal a única pessoa que o chama pelos dois nomes sou eu e normalmente é quando apronta alguma que mesmo depois de adulto ainda as faz.
- Shiu, não reclames que sabes tão bem como eu que o Martim está a terminar as aulas dentro de minutos.
A Mariana lá se calou e depois do meu filho estacionar o carro no parque em frente à escola, ela saiu para ir buscar o irmão.
- Filho – chamei-o uma vez que estava a olhar pelo vidro a ver a Mariana a afastar-se.
- Sim, diga – falou ao olhar na minha direção.
- A Mariana é realmente uma rapariga que merece todo o nosso respeito.
- Ya, tal como todas as outras, tanto quanto sei foi o que a mãe ensinou-me a mim e ao mano durante a vida toda.
- Sim, sei disso mas o que queria dizer é que por algum motivo reages de forma diferente quando o assunto é Mariana.
- Oh, já a considero amiga e a mãe sabe bem que os meus amigos são que nem irmãos para mim, por isso preocupo-me com ela e com o Martim tal como preocupo-me com o Mauro.
- Mas tens de confessar que a rapariga é bem gira.
- Sim é bonita principalmente porque não anda enfeitada que nem árvore de natal, ela é assim simples mas com muito bom gosto e nem se deve sentir bem toda maquilhada e cheia de adornos que a bem da verdade só servem para atrapalhar.
- Ou seja, ela é o oposto da maioria das raparigas que conheces.
- Sim.
- Por exemplo é o oposto da tua noiva.
- Ó mãe onde é que quer chegar com esta conversa?
- A lado nenhum estou só a meter conversa enquanto esperamos pela Mariana.
- Hum, está bem – ele voltou a desviar o olhar na direção da rapariga que continuava ao portão da escola à espera do irmão.
- Sabes porquê que o Martim está a ser criado por ela? – perguntei curiosa.
- Só sei que o miúdo é a única família que a Mariana tem, ela não fala do passado por não ter motivos para sorrir, pelo que o Nuno falou a história não é propriamente de uma infância feliz e daí ela evitar tocar no assunto.
- Ou seja vem de uma família problemática.
- Acho que não vem mesmo de família nenhuma.
- Como assim?
- Mãe, é só uma desconfiança e como não tenho certezas de nada não quero estar a fazer especulações, além disso é a vida dela e tem direito à sua privacidade.
- Tens razão mas confessa lá que adoras desafia-la.
- Ó mãe dá-me gozo picá-la e ouvi-la a responder, a Mariana tem uma personalidade vincada e quando não concorda com algo não há quem lhe dê a volta, confesso que é das coisas que mais adoro nela, dá luta não aceita as cenas por aceitar, já para não falar que resolve os seus problemas sozinha que não está à espera que alguém o faça por ela.
- Sim, ela é de facto uma lutadora.
- Lutadora e vencedora - o Ruben voltou a desviar o olhar e assim que o fez um sorriso genuíno surgiu no seu rosto ao ver o Martim a correr para a irmã e a atirar-se para os seus braços, a forma como a Mariana sorri e o trata é algo que deixa-me com a certeza que será uma ótima mãe e foi isso mesmo que comentei com o meu filho.
- A Mariana vai dar uma excelente mãe.
- Mãe, ela já o é, para todos os efeitos é a única que o Martim tem, a Mariana pelo irmão faz tudo e a maior prova de amor que ela lhe dá todos os dias é ter abdicado de si para cuidar do miúdo, não teve medo da responsabilidade, de ter que deixar de seguir o seu sonho para ir trabalhar e reunir as condições necessárias para o criar, ela podia ter simplesmente ignorado a existência do miúdo e não o fez.
- Tenho que concordar contigo nem todas as pessoas seriam capazes de fazer o mesmo que ela.
- Pois, e eu vou casar com uma dessas pessoas – atirou sem que estivesse à espera que o fizesse.
- Filho, sabes que não és obrigado a casar – ele interrompeu-me.
- E vou fazer o quê? Prolongar o noivado e o namoro eternamente? Ó mãe isso não faz sentido, apesar de todos os defeitos que a Soraia possa ter é a mulher que amo.
 - Ruben, muitas vezes só amar não chega.
- Pare não lhe admito isso, sei que a Mariana é o oposto da Soraia que se lhe tiram o SPA ou a ida às compras o mundo acaba, que não sabe nem estrelar um ovo quanto mais cozinhar, não sabe sequer que para colocar uma máquina de roupa a lavar é de bom-tom separar as cores claras das escuras mas mesmo com todos os seus defeitos é a pessoa que amo e agora vamos terminar com esta conversa porque a Mariana vem aí.
Fiz o que falou e não toquei mais no assunto, o Martim assim que entrou no carro saudou-nos com um “boa tarde” educado e acompanhado de um sorriso, retribuímos-lhe o cumprimento e o miúdo continuou a partilhar com a irmã o que tinha sido o seu dia.
Chegamos a casa e depois da Mariana lhe recomendar que fosse ao quarto colocar a mala e lavar as mãos ele saiu para regressar uns minutos depois uma vez que tinha de lanchar antes de ir fazer os trabalhos.

***

- Então, já terminaste os trabalhos? – o Ruben perguntou assim que viu o Martim a entrar na sala e sentar-se do seu lado.
- Sim, hoje eram poucos e agora vim perguntar se não queres brincar comigo – sorri ao ouvi-lo.
- Queres brincar ao quê?
- Podia ser aos puzzles? – o meu filho torceu o nariz – é que pode ser que a minha mana brinque também porque ela disse que hoje tá de folga – o Martim estava mesmo contente com tal novidade e não sei se foi por isso ou se foi pela parte da Mariana, só sei que o Ruben aceitou – fixe vou perguntar a ela se quer – o miúdo saiu a correr.
- Então conseguiste convencê-la? – o Ruben meteu-se com a Mariana assim que a viu.
- Sim.
- Começo a achar que não me resistes – ele atirou para o ar.
- Deixa de ser labrego – o meu filho olhou-a chocado mas não teve tempo para responder porque o Martim falou.
- Ó mana o que é labrego? – a irmã olhou-o.
- Não é nada, vamos jogar? – desconversou.
- Ó mana não conheço essa palavra – o miúdo voltou a insistir.
- Vá, agora explica lá o que é que chamaste-me.
- Martim labrego é uma pessoa que por vezes é mal-educado – o miúdo olhou-a sem entender nada.
- Mas mana o Ruben não foi nada disso.
- Toma incha aí.
Estava a ser mera espectadora e confesso que estava a achar piada a esta implicância toda do meu filho com a Mariana, no entanto ela ignorou as últimas palavras do Ruben e sentou-se no chão, abriu a caixa do puzzle para logo a seguir espalhar as peças, o irmão sentou-se ao lado dela e o meu filho em frente deles, estiveram entretidos mais de uma hora até que terminaram o puzzle e depois foi cada um para o seu lado, uma vez que estava na hora de nos despacharmos para ir jantar.

***

Três dias passaram desde que cheguei a Braga e cada vez estou mais intrigada com o tamanho da amizade que o meu filho tem pela Mariana para agravar a situação de todas as vezes que tento falar com ele sobre o casamento o Ruben desconversa, diz que está tudo a ser tratado pela pessoa que contrataram para o efeito e que por isso não se precisa preocupar, o que sinceramente deixa-me com sérias dúvidas e talvez algum arrependimento, pois quando ele terminou o noivado com a Soraia fui uma das pessoas que o aconselhei a ponderar muito bem se seria mesmo isso que queria.
Hoje tínhamos mais uma casa para visitar e mais uma vez o Ruben tentou arrastar a Mariana algo que ao contrário do que aconteceu anteriormente não conseguiu, ela despachou-o e não lhe restou outra solução que não a minha companhia.
Vimos a casa e sinceramente gostei dela mas o meu filho não, disse que para ele não servia, que queria uma vivenda para ter um jardim espaçoso porque se fosse para estar confinado a quatro paredes então escolhia um apartamento.
- Então gostaste da casa? – a Mariana perguntou quando estávamos todos reunidos a jantar.
- Se tivesses interessada tinhas vindo comigo – ele foi ligeiramente rude o que não passou despercebido ao Martim.
- Estás a falar assim para a minha irmã porquê? – acho que a forma como o miúdo se expressou apanhou todos de surpresa incluindo a Mariana que teve que o repreender.
- Martim pede desculpas ao Ruben.
- Porquê?
- Pela forma como falaste.
- Então diz isso a ele também.
- Martim – ela olhou-o e foi o suficiente para o miúdo se encolher e mesmo contrariado falar.
- Desculpa, não faço mais mas também tens que pedir desculpas à minha irmã – o menino estava nitidamente irritado.
- Martim não te aviso mais vez nenhuma a próxima que fizeres já sabes.
- Desculpa mana mas não gostei da forma como o Ruben falou, lá porque tem dinheiro não pode falar contigo assim – ela olhou-o – não é isso que ensinas-me que não podemos tratar as pessoas mal – falou já com as lágrimas nos olhos o que nos deixou a todos a olhá-lo – e ele tratou-te mal, só fizeste uma pergunta.
- Desculpa Mariana – o Ruben falou.
- Tudo bem.
- Martim – o menino olhou-o – tens razão e não devia mesmo ter falado daquela forma e prometo que não volto a fazer.
- Tá bom mas não gosto que falem assim para a minha mana – o Ruben sorriu.
- Ainda bem que a Mariana tem-te a ti para a defenderes – o miúdo interrompeu o meu filho.
- Ela não precisa de mim para a defender já é grande – sorrimos todos incluindo a Mariana – mas como ela quando não gosta de uma coisa diz eu sou igual e não gostei do que fizeste por isso falei.
- Martim, já percebemos todos agora come – o miúdo não disse mais nada e o silêncio só foi quebrado pelo meu filho uns minutos depois.
- Mariana – ela olhou-o – não gostei da casa.
- Então só lhe resta continuar à procura – acho que ninguém esperava que ela o fosse tratar com este distanciamento todo e por isso ficamos a olhá-la – desejo-lhe sorte para essa tarefa.
- Mariana porquê que estás a tratar-me assim?
- Nunca lhe devia ter tratado doutra forma.
- Vais ficar chateada comigo?
- Não mas também não vou meter-me mais nos seus assuntos.
- Só podes estar a brincar – ela olhou-o em claro desafio – Mariana, já reconheci que estive mal e também já pedi desculpas mas se quiseres que faça mais alguma coisa diz, agora não vais é ficar sem falares comigo.
- Ruben, só reconheceu que exagerou porque uma criança de seis anos refilou consigo caso contrário nem tinha dado por isso o que só demonstra que não deve estar habituado a ser contrariado logo duvido muito que possamos continuar a manter a mesma relação, não tenho feitio para aceitar tudo calada e muito menos acarretar ordens de pessoas que não me são nada, além disso não estou para andar a repreender o meu irmão quando quem devia ter sido repreendido era você.
- Mariana, não faças isso - ela não lhe respondeu, pediu licença e saiu da mesa – passou-se mas o que é que lhe deu?
- Filho, podias ter falado de outra forma, ela não teve culpa porque não gostaste da casa que para ser sincera ainda não percebi o motivo.
- Mãe não se meta entre mim e a Mariana.
- Ruben Filipe tem tento na língua que estás a falar comigo e não com um amigo teu – o Martim olhou-nos – e quanto à Mariana está coberta de razão quando diz que nunca foste habituado a ser contrariado.
- Ah, agora fica do lado dela, é?
- Não tenho motivos para ficar do teu, foste tu que estiveste mal, a rapariga perguntou-te na boa-fé se tinhas gostado da casa e tu foste bruto.
- Tudo bem – ele não disse mais nada até porque a Mariana regressou com a sobremesa.
- Mana posso dizer uma coisa?
- Diz.
- A D. Anabela teve a ralhar com o Ruben – o miúdo disse-o com uma satisfação enorme o que provocou o riso em todos, exceto na Mariana.
- Posso saber porquê que estás contente? Achas isso bonito, é?
- Não é bonito mas gostei de saber que as mães dos outros também ralham quando eles se portam mal e o Ruben portou-se mas mana ele também já pediu desculpas e tu sempre ensinaste que devemos perdoar – sorri ao ouvi-lo – faz lá as pazes com o Ruben para ele não ficar triste.
- Martim não te metas nos assuntos da mana.
- Pois mas tu podes meter-te nos meus quando estou chateado com os meus amigos falas que devo esquecer e agora não estás a fazer isso.
- Tens razão mas a mana não está chateada com o Ruben.
- Então porquê que falaste daquela forma? Só falas assim para as pessoas que não conheces ou para as que não são tuas amigas – o Ruben olhava para a Mariana à espera de uma reação sua que não tardou a chegar.
- Ruben – eles olharam-se – desta escapa até porque o meu irmão tem alguma razão no que fala mas desde já aviso que para a próxima vais de carrinho, estamos entendidos?
- Sim e mais uma vez desculpa.
Depois deste episódio terminamos finalmente de comer e enquanto fomos para a sala a Mariana foi cumprir com as suas obrigações. Estava sentada ao lado do meu filho quando a rapariga se sentou noutro sofá e não foi preciso mais que uns minutos para o Ruben se levantar e ir-se sentar do seu lado.
- Precisas de alguma coisa? – perguntou-lhe.
- Vim só brincar com o meu afilhado – foi notório que ele usou o Nuninho como desculpa uma vez que o menino estava ao colo da Mariana.
- Para a próxima inventa outra desculpa que essa não cola e para que conste não quero cá brincadeiras com o Nuninho que depois fica irrequieto e não quer dormir.
- Já nem com o meu afilhado posso brincar?
- Ruben tens o dia inteiro para isso não precisa ser à noite precisamente momentos antes de o ir deitar.
- Ok mas posso pelo menos pegar-lhe ao colo?
- Não, que és mais criança que ele e daqui a nada já anda o puto numa roda-viva.
Confesso que achei piada à situação, ela tem pelo Nuninho o mesmo cuidado que tem pelo Martim e isso é bonito de se ver, talvez por isso a Patrícia confia tanto nela para cuidar do filho e da casa, de facto a Mariana tem-nos a todos debaixo da sua asa, cuida de todos com uma dedicação e carinho que não se vê muito nos dias de hoje.
- Fogo qual é o mal em pegar no meu afilhado.
- O mal não é nenhum desde que não o espevites.
- Ok mãezinha – ela olhou-o de lado – dá cá o puto.
- O puto tem nome – refilou quando o Nuninho já estava ao colo do meu filho.
Os minutos seguintes serviram para ficar a observar o meu filho a brincar com o afilhado sempre sob o olhar atento da Mariana que volta e meia repreendia o meu filho. Quem estava também perdida a olhá-los era a Patrícia que apesar do Nuninho estar com o padrinho não desgrudava o olhar.

***

- Ruben dá cá o menino – a Mariana pediu ao ver que o Nuninho já estava a adormecer – que quero ir deitá-lo.
- Deixa-o adormecer que depois levo-o para o quarto.
- Ruben, o menino precisa de mudar de roupa e não vai adormecer ao teu colo para depois ter que o acordar para lhe vestir o pijama.
- Hum, então diz-me onde está o pijama que trato disso.
- Ui que lhe deu para hoje ser um padrinho responsável – o Nuno e a Patrícia sorriram.
- Estás a querer dizer alguma coisa?
- Não mas se queres ir deitar o menino vamos lá – ela levantou-se e por isso vi-os a sair da sala.
- Este meu filho anda à procura de lenha para se queimar – falei em género de desabafo mas que não passou despercebido ao Nuno.
- Você também já percebeu – comentou.
- Estou a ver que afinal não sou a única.
- Desculpem mas acho que estão a exagerar o Ruben e a Mariana são só amigos – a Patrícia também se meteu.
- Amor, não duvido que sejam só amigos e muito menos que a Mariana esteja interessada nele mas o mesmo já não posso afirmar em relação ao Ruben.
- Sinceramente acho que estão a extrapolar. O Ruben ama a Soraia, quer dizer o rapaz andou por ai triste e abatido quando estava separado dela e tu estás agora a insinuares que está interessado na Mariana.
- Patrícia, não estou a dizer que o Ruben gosta da Mariana mas que ela desperta no meu filho uma curiosidade e interesse que não é normal, lá isso desperta e sinceramente tenho receio que isto descambe para algo mais.
- O Ruben vai casar com a Soraia não se metam com histórias sem fundamento.
- A ver vamos, espero que seja mesmo algo sem fundamento – o Nuno manifestou-se e sinceramente concordo com ele.
Ainda fiquei uns minutos à conversa com eles mas acabei por despedir-me deles e ir dormir, amanhã teria que regressar a Lisboa e por isso queria descansar.

 Será que as suspeitas da mãe do Ruben se vão confirmar?

9 comentários:

  1. Olá :)
    Ai esta Soraia podia dar corda aos sapatos e meter-se a milhas -.-
    E concordo que uma mulher sem aqueles enfeites todos ficava muito melhor ao lado do Amorim xD
    Por isto toca a escrever que quero o próximo ;)
    Beijinhos
    Rita

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  2. As problemáticas da escolha da casa...ui como detesto fazer...
    Adorei e concordo com a d. Anabela e com o Nuno.

    Bjokinhas
    Mariaa

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  3. O senhor amorim foi posto na ordem pelo pequeno martim :)
    Adoreiiiiiii , espero bem que a d. Anabela e o Nuno tenham razão .
    beijinhos

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  4. Olá!

    Bem, eu acho que passo partes à frente. É que só pode! Será que fui a única que não percebi o que é que a D. Anabela viu?! Nao gosto de mistérios!

    E quanto ao pequeno Martim... Isto é que foi! Pôr o menino Amorim fino porque nao se trata assim a mana xD
    Esta história está cada vez melhor!!!

    Espero pelo próximo!

    Beijo
    Ana

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  5. fantastico...

    quero mais... continua... tou super curiosa para ver o proximo...

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  6. Chama-lhe histórias sem fundamento, chama :p Têm fundamento e não é pouco!
    Estes dois, fazem um casalinho tão fofo! :D Qual Soraia, qal qê!
    Adoreeei!!
    Beijinho

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  7. Adorei quando o Martim repreendeu o Ruben, o puto não deixa escapar uma, assim é que é defender a mana.
    Quanto ás suspeitas da D.Anabela e do Nuno têem mais do que razão de ser, só me admiro é da Patrícia como mulher que é (porque nós mulheres normalmente topamos estas cenas a léguas de distancia)não suspeitar de nada.
    Adorei, mesmo, cada vez mais.

    Beijocas

    Fernanda

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  8. Olaaaaaaaa



    ADOREIIII *_*





    BEIJINHOS :D

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  9. Bem isto começa a aquecer... o Ruru ainda vai apanhar do Martim ahahahah
    Está demais e isto vai pegar fogo, o Ruben estava a começar a a passar a linha... da amizade... :D :D :D gosto tanto.
    Quero mais!!!
    Beijinhos

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