Anabela
Passei a manhã toda a pensar no
que vi ontem à noite no quarto do meu filho e quanto mais pensava mais as suspeitas
que ele já não ama a Soraia aumentavam, o que agravou ainda mais quando percebi
qual era a sua intenção.
O Ruben queria mesmo que a Mariana
o acompanhasse e não desistiu enquanto não conseguiu convence-la, a rapariga
bem que tentou argumentar e fazê-lo entender que não deveria ser ela a
acompanhá-lo mas sim a Soraia que verdade seja dita, deveria mesmo ser mas o
meu filho não desistiu e levou a melhor.
***
Já tínhamos visitado duas das três
casas que o Ruben previamente tinha selecionado com a ajuda da Mariana e não
pude deixar de reparar que apesar de contrariada a rapariga reparou em tudo o
que era detalhe, talvez para mais tarde dar a sua opinião quando fosse
solicitada. Já o meu filho estava numa de sempre tenho que arranjar casa por
isso qualquer uma serve, ele não estava minimamente preocupado se a casa seria
só para ele morar ou se seria o lar que iria acolher o início de uma vida em
comum com a Soraia.
Estávamos, agora, na última casa e
por isso o Sr. Rogério, que era quem estava a mostrá-las, perguntou ao Ruben
qual das três lhe tinha agradado, ele como já esperava foi muito prático na
resposta.
- Todas – a Mariana olhou de imediato para ele como se o Ruben
tivesse dito algo estapafúrdio – que
foi? – perguntou-lhe ao vê-la a olhar para ele.
- Nada – baixou o olhar o que fez o meu filho voltar a falar.
- Não gostaste das casas, foi? – o Sr. Rogério olhou-a.
- Se queres mesmo saber, não – respondeu-lhe – e como vim contigo foi para opinar digo já que por mim não ficavas com
nenhuma das três – se o meu filho ficou a olhá-la e a sorrir, talvez pela
forma direta que falou, o Sr. Rogério manifestou-se mas começou logo mal.
- Se precisar de discutir o assunto com a sua companheira – a
Mariana olhou para o Ruben com vontade de o mandar dar uma volta – posso retirar-me.
- Desculpe informá-lo mas sou só uma amiga que de companheira não tem
nada – apressou-se a esclarecer o senhor que ficou de tal forma encavacado
que o Ruben teve que intervir.
- Se não for incomodo, nós iremos até ao jardim para trocarmos algumas
ideias – olhou para a Mariana que lhe revirou os olhos, de facto não estava
nada satisfeita com as casas e depois da insinuação do Sr. Rogério ainda ficou
pior.
- Estejam à vontade.
- Tinhas mesmo que responder daquela forma? – perguntou-lhe mal
teve oportunidade.
- Desculpa, grande lata a dele, quem é que mandou opinar sobre o que
não lhe diz respeito? Não faltava mais nada do que ser a tua companheira -
disse em tom de escárnio.
- Seria assim tão mau? – fiquei surpreendida pela pergunta do
Ruben.
- Não se trata de ser ou não ser mau, trata-se que não tem fundamento
nenhum tal insinuação.
- Isso quer dizer que não descartas essa hipótese – disse a sorrir
e sem se preocupar com o facto de estar a ouvir.
- Ruben Filipe controla lá as hormonas antes que sofras as
consequências – afastou-se – e já
agora as duas horas estão a terminar – ripostou.
- Mariana – aproximou-se dela – Marianita – ele estava praticamente colado a ela e a falar-lhe ao
ouvido – não precisas de fugir – o
meu filho gargalhou mas como resposta teve o que não esperava, a Mariana virou-se
de frente para ele e muito calmamente falou.
- Continua – ele olhou-a sem entender – continua assim que estás no caminho certo para ficares sem noiva e
sozinho – disse-lhe a olhá-lo nos olhos e sem vacilar – queres o quê? Dar motivos à Soraia para ser
ainda mais possessiva, mais obcecada e fazer-te a vida negra? É que se queres
realmente estás no caminho certo, aviso é para procurares outra que não se
importe de servir os teus intentos, porque de certeza que gente dessa encontras
com facilidade, basta ao virar da esquina estalares os dedos que elas caem-te
que nem tordos aos pés.
- Desculpa estava só a brincar não quis ofender-te.
- Ruben, tens a perfeita noção que detesto estas brincadeiras por isso
vê se paras com elas de uma vez ou vou ser obrigada a afastar-me e se o fizer
garanto que será sem retorno, estamos entendidos?
- Sim – ele deu dois passos para trás mantendo assim uma distância
razoável – e agora diz-me porquê que não
gostaste das casas quando nas fotos achavas que eram as melhores.
- Ah isso é muito fácil de responder – ele olhou-a – para mim todas têm defeitos.
- Como assim? – ele estava curioso e confesso que também estava,
afinal tinha gostado de todas.
- A primeira é de facto muito boa só que tem o inconveniente das casas
de banho que por serem interiores não terem janelas para se poder abrir –
olhei-a admirada realmente foi detalhe que passou-me ao lado mas que não deixa
de ter uma certa importância.
- Então e depois?
- E depois que se fosse para morar cá queria que tivesse, gosto de
arejar a casa e para isso preciso de janelas em todas as divisões, já para não
falar que não sou vampira e que amo a luz natural – o Ruben gargalhou, de
facto a Mariana por muito que o assunto seja sério arranja quase sempre forma
de torná-lo cómico.
- Ok, então e na segunda o que não gostaste?
- A segunda é um espetáculo mas não a queria nem dada – ele sorriu
– é que além da mobília no geral ser de
cor escura, coisa que para se ver o pó não há melhor, ainda tem a questão que o
sol nunca entra nos quartos, pois do lado que estão de inverno devem ser húmidos
até dizer chega, nunca na vida metia um filho meu num quarto desses –
confesso que a Mariana estava a deixar-me estupefacta, afinal tinha mesmo
reparado em detalhes que nunca passaram pela minha cabeça mas que até faziam
todo o sentido.
- Ok, então e desta o que não gosta?
- Esta seria a casa dos meus sonhos, tem um bom jardim para as crianças
brincarem ao ar livre – o Ruben olhava-a e sorria embevecido – os quartos são grandes e virados para o
lado do sol, toda a casa pode ser arejada, não tem escadas o que facilitaria e
muito a minha vida na altura que os meus filhos começassem a andar pois não
teria que me preocupar com as quedas do primeiro andar para o rés-do-chão, não
tem cá daquelas modernizes de uma parede de cada cor que só serve para nos enjoarmos
e andarmos constantemente a gastar dinheiro para mudarmos a decoração, as
divisões são amplas – o Ruben já estava a ficar impaciente pois se era só
coisas a favor não estava a ver onde é que estaria o problema e como ele não é
de perder muito tempo interrompeu-a.
- Passa logo à parte que não gostas.
- Ok, a parte que não gosto é mesmo a cozinha.
- O que é que têm? É bem grande.
- É grande mas não é grande coisa – inevitavelmente gargalhei mas a
Mariana prosseguiu sem se importar – sei
que não estás habituado a estas coisas mas a cozinha além de não ser nada
prática para quem vai passar lá as horas a confecionar a comidinha para
comeres, pois o fogão está no centro e longe da bancada mas principalmente da
torneira e do lava-loiça, não tem quase arrumação nenhuma o que sinceramente
não agrada-me.
- Ou seja não há mesmo nenhuma que gostes ou que quisesses para ti?
- Não, mas como também não é para mim, escolhe a que quiseres.
- Ah para ti não servem mas como é para mim já pode ser?
- Ruben, sinceramente se queres decidir já, deves optar por esta, são
mais as coisas a favor do que contra e como também não estou a imaginar a
Soraia de avental e de luvas a lavar a loiça ou a preparar-te o comer porque
estraga a unha – ele sorriu - não se
deve incomodar muito com o facto da desgraçada da vossa empregada passar o dia
a patinhar de trás para a frente sempre que precisar de lavar alguma coisa para
colocar na panela ou a limpar o chão porque por muito que possa evitar ficará
sempre molhado.
- Então e a mãe que está tão calada também concorda com tudo o que a
Mariana falou? – pela primeira vez o meu filho perguntou-me a opinião e só
aí é que lembrei-me que tinha aceitado vir para Braga nestes dias para o ajudar
na escolha da casa, sim porque confesso que estava tão abismada com a Mariana e
a sua forma de ser prática mas principalmente atenta a tudo o que era detalhe
que nem reparei que estava muda desde que eles iniciaram a discussão de qual
das casas seria melhor.
- Filho, sinceramente também gostei de todas e se não fosse a opinião
da Mariana nem tinha reparado em tais detalhes mas depois de ouvi-la acho que
deves ponderar mas se queres decidir já, partilho da ideia dela, esta de facto
é a melhor de todas.
- Ok, já percebi a mensagens – ela olhou-o – vou falar com o Sr. Rogério.
O Ruben não nos disse qual era a
sua decisão e por isso mesmo fomos atrás dele, o meu filho comunicou que apesar
de ter gostado das casas estas tinham alguns inconvenientes e por isso mesmo
não iria adquirir nenhuma, lógico que o senhor quis saber que detalhes eram
esses que não tinham agradado à Mariana e depois de ser esclarecido garantiu
que iria procurar a casa ideal, que só precisava de uns dias, o Ruben que pelo
que tenho visto não deve fazer questão de se afastar da Mariana não se
preocupou nem um pouco até porque o Nuno e a Patrícia já lhe garantiram que
poderia ficar lá por casa o tempo que necessitasse.
- Fonix nunca pensei que fosses tão esquisita – o meu filho falou
quando já estávamos no carro.
- Temos pena, tanto quanto sei pediste a minha opinião.
- Pois sei disso nunca pensei que fosses reparar nesses detalhes todos.
- Alô talvez porque aqui a empregada sou eu? É normal que repare em
certos detalhes que para ti são isso mesmo, detalhes, mas que para mim são
tremendas dores de cabeça, não fazes a mais pequena ideia do que é passar o
pano para limpar o pó e mal acabas de o fazer parece que já tem pó novamente ou
o que é andar a patinhar numa cozinha de trás para a frente e chegar ao fim do
dia com as pernas cansadas ou ainda estares preocupada porque a criança que
está à tua responsabilidade e que até já anda possa acordar e decidir vir ter
contigo mesmo que para isso tenha que descer umas escadas e se estatelar no
meio do chão ou ainda entrares numa casa de banho que acabaste de limpar e
cheirar a mofo porque não é arejada, queres que continue?
- Ok, já deu para entender.
- Sabes que tudo na vida tem o seu lado positivo e garanto-te que já
aprendi muito à conta da minha profissão.
Estava atenta à conversa deles e
de facto cada minuto que passo com a Mariana só serve para surpreender-me ainda
mais, ela não tem vergonha do que faz e diga-se de passagem nem deve ter,
afinal é uma profissão que merece ter todo o respeito, além disso parece ser
alguém com os pés assentes na terra.
A viagem de regresso à casa do
Nuno sofreu um pequeno desvio que só entendi quando a Mariana abriu a boca para
refilar.
- O que pensas que vais fazer? – ele sorriu – Nem sonhes fazer o que estou a pensar que vais fazer.
- Lamento mas não tenciono mudar de ideias.
- Ruben Filipe – sorri ao ouvi-la, afinal a única pessoa que o
chama pelos dois nomes sou eu e normalmente é quando apronta alguma que mesmo
depois de adulto ainda as faz.
- Shiu, não reclames que sabes tão bem como eu que o Martim está a
terminar as aulas dentro de minutos.
A Mariana lá se calou e depois do
meu filho estacionar o carro no parque em frente à escola, ela saiu para ir
buscar o irmão.
- Filho – chamei-o uma vez que estava a olhar pelo vidro a ver a
Mariana a afastar-se.
- Sim, diga – falou ao olhar na minha direção.
- A Mariana é realmente uma rapariga que merece todo o nosso respeito.
- Ya, tal como todas as outras, tanto quanto sei foi o que a mãe
ensinou-me a mim e ao mano durante a vida toda.
- Sim, sei disso mas o que queria dizer é que por algum motivo reages
de forma diferente quando o assunto é Mariana.
- Oh, já a considero amiga e a mãe sabe bem que os meus amigos são que
nem irmãos para mim, por isso preocupo-me com ela e com o Martim tal como
preocupo-me com o Mauro.
- Mas tens de confessar que a rapariga é bem gira.
- Sim é bonita principalmente porque não anda enfeitada que nem árvore
de natal, ela é assim simples mas com muito bom gosto e nem se deve sentir bem
toda maquilhada e cheia de adornos que a bem da verdade só servem para
atrapalhar.
- Ou seja, ela é o oposto da maioria das raparigas que conheces.
- Sim.
- Por exemplo é o oposto da tua noiva.
- Ó mãe onde é que quer chegar com esta conversa?
- A lado nenhum estou só a meter conversa enquanto esperamos pela
Mariana.
- Hum, está bem – ele voltou a desviar o olhar na direção da
rapariga que continuava ao portão da escola à espera do irmão.
- Sabes porquê que o Martim está a ser criado por ela? – perguntei
curiosa.
- Só sei que o miúdo é a única família que a Mariana tem, ela não fala
do passado por não ter motivos para sorrir, pelo que o Nuno falou a história
não é propriamente de uma infância feliz e daí ela evitar tocar no assunto.
- Ou seja vem de uma família problemática.
- Acho que não vem mesmo de família nenhuma.
- Como assim?
- Mãe, é só uma desconfiança e como não tenho certezas de nada não
quero estar a fazer especulações, além disso é a vida dela e tem direito à sua
privacidade.
- Tens razão mas confessa lá que adoras desafia-la.
- Ó mãe dá-me gozo picá-la e ouvi-la a responder, a Mariana tem uma
personalidade vincada e quando não concorda com algo não há quem lhe dê a
volta, confesso que é das coisas que mais adoro nela, dá luta não aceita as
cenas por aceitar, já para não falar que resolve os seus problemas sozinha que
não está à espera que alguém o faça por ela.
- Sim, ela é de facto uma lutadora.
- Lutadora e vencedora - o Ruben voltou a desviar o olhar e assim
que o fez um sorriso genuíno surgiu no seu rosto ao ver o Martim a correr para
a irmã e a atirar-se para os seus braços, a forma como a Mariana sorri e o
trata é algo que deixa-me com a certeza que será uma ótima mãe e foi isso mesmo
que comentei com o meu filho.
- A Mariana vai dar uma excelente mãe.
- Mãe, ela já o é, para todos os efeitos é a única que o Martim tem, a
Mariana pelo irmão faz tudo e a maior prova de amor que ela lhe dá todos os
dias é ter abdicado de si para cuidar do miúdo, não teve medo da
responsabilidade, de ter que deixar de seguir o seu sonho para ir trabalhar e
reunir as condições necessárias para o criar, ela podia ter simplesmente
ignorado a existência do miúdo e não o fez.
- Tenho que concordar contigo nem todas as pessoas seriam capazes de
fazer o mesmo que ela.
- Pois, e eu vou casar com uma dessas pessoas – atirou sem que estivesse
à espera que o fizesse.
- Filho, sabes que não és obrigado a casar – ele interrompeu-me.
- E vou fazer o quê? Prolongar o noivado e o namoro eternamente? Ó mãe
isso não faz sentido, apesar de todos os defeitos que a Soraia possa ter é a
mulher que amo.
- Ruben, muitas vezes só amar
não chega.
- Pare não lhe admito isso, sei que a Mariana é o oposto da Soraia que
se lhe tiram o SPA ou a ida às compras o mundo acaba, que não sabe nem estrelar
um ovo quanto mais cozinhar, não sabe sequer que para colocar uma máquina de
roupa a lavar é de bom-tom separar as cores claras das escuras mas mesmo com
todos os seus defeitos é a pessoa que amo e agora vamos terminar com esta
conversa porque a Mariana vem aí.
Fiz o que falou e não toquei mais
no assunto, o Martim assim que entrou no carro saudou-nos com um “boa tarde”
educado e acompanhado de um sorriso, retribuímos-lhe o cumprimento e o miúdo
continuou a partilhar com a irmã o que tinha sido o seu dia.
Chegamos a casa e depois da
Mariana lhe recomendar que fosse ao quarto colocar a mala e lavar as mãos ele
saiu para regressar uns minutos depois uma vez que tinha de lanchar antes de ir
fazer os trabalhos.
***
- Então, já terminaste os trabalhos? – o Ruben perguntou assim que
viu o Martim a entrar na sala e sentar-se do seu lado.
- Sim, hoje eram poucos e agora vim perguntar se não queres brincar
comigo – sorri ao ouvi-lo.
- Queres brincar ao quê?
- Podia ser aos puzzles? – o meu filho torceu o nariz – é que pode ser que a minha mana brinque
também porque ela disse que hoje tá de folga – o Martim estava mesmo
contente com tal novidade e não sei se foi por isso ou se foi pela parte da
Mariana, só sei que o Ruben aceitou – fixe
vou perguntar a ela se quer – o miúdo saiu a correr.
- Então conseguiste convencê-la? – o Ruben meteu-se com a Mariana
assim que a viu.
- Sim.
- Começo a achar que não me resistes – ele atirou para o ar.
- Deixa de ser labrego – o meu filho olhou-a chocado mas não teve
tempo para responder porque o Martim falou.
- Ó mana o que é labrego? – a irmã olhou-o.
- Não é nada, vamos jogar? – desconversou.
- Ó mana não conheço essa palavra – o miúdo voltou a insistir.
- Vá, agora explica lá o que é que chamaste-me.
- Martim labrego é uma pessoa que por vezes é mal-educado – o miúdo
olhou-a sem entender nada.
- Mas mana o Ruben não foi nada disso.
- Toma incha aí.
Estava a ser mera espectadora e
confesso que estava a achar piada a esta implicância toda do meu filho com a
Mariana, no entanto ela ignorou as últimas palavras do Ruben e sentou-se no
chão, abriu a caixa do puzzle para logo a seguir espalhar as peças, o irmão
sentou-se ao lado dela e o meu filho em frente deles, estiveram entretidos mais
de uma hora até que terminaram o puzzle e depois foi cada um para o seu lado,
uma vez que estava na hora de nos despacharmos para ir jantar.
***
Três dias passaram desde que
cheguei a Braga e cada vez estou mais intrigada com o tamanho da amizade que o
meu filho tem pela Mariana para agravar a situação de todas as vezes que tento
falar com ele sobre o casamento o Ruben desconversa, diz que está tudo a ser
tratado pela pessoa que contrataram para o efeito e que por isso não se precisa
preocupar, o que sinceramente deixa-me com sérias dúvidas e talvez algum
arrependimento, pois quando ele terminou o noivado com a Soraia fui uma das
pessoas que o aconselhei a ponderar muito bem se seria mesmo isso que queria.
Hoje tínhamos mais uma casa para
visitar e mais uma vez o Ruben tentou arrastar a Mariana algo que ao contrário
do que aconteceu anteriormente não conseguiu, ela despachou-o e não lhe restou
outra solução que não a minha companhia.
Vimos a casa e sinceramente gostei
dela mas o meu filho não, disse que para ele não servia, que queria uma vivenda
para ter um jardim espaçoso porque se fosse para estar confinado a quatro
paredes então escolhia um apartamento.
- Então gostaste da casa? – a Mariana perguntou quando estávamos
todos reunidos a jantar.
- Se tivesses interessada tinhas vindo comigo – ele foi
ligeiramente rude o que não passou despercebido ao Martim.
- Estás a falar assim para a minha irmã porquê? – acho que a forma
como o miúdo se expressou apanhou todos de surpresa incluindo a Mariana que
teve que o repreender.
- Martim pede desculpas ao Ruben.
- Porquê?
- Pela forma como falaste.
- Então diz isso a ele também.
- Martim – ela olhou-o e foi o suficiente para o miúdo se encolher
e mesmo contrariado falar.
- Desculpa, não faço mais mas também tens que pedir desculpas à minha
irmã – o menino estava nitidamente irritado.
- Martim não te aviso mais vez nenhuma a próxima que fizeres já sabes.
- Desculpa mana mas não gostei da forma como o Ruben falou, lá porque
tem dinheiro não pode falar contigo assim – ela olhou-o – não é isso que ensinas-me que não podemos
tratar as pessoas mal – falou já com as lágrimas nos olhos o que nos deixou
a todos a olhá-lo – e ele tratou-te mal,
só fizeste uma pergunta.
- Desculpa Mariana – o Ruben falou.
- Tudo bem.
- Martim – o menino olhou-o – tens
razão e não devia mesmo ter falado daquela forma e prometo que não volto a
fazer.
- Tá bom mas não gosto que falem assim para a minha mana – o Ruben
sorriu.
- Ainda bem que a Mariana tem-te a ti para a defenderes – o miúdo
interrompeu o meu filho.
- Ela não precisa de mim para a defender já é grande – sorrimos
todos incluindo a Mariana – mas como ela
quando não gosta de uma coisa diz eu sou igual e não gostei do que fizeste por
isso falei.
- Martim, já percebemos todos agora come – o miúdo não disse mais
nada e o silêncio só foi quebrado pelo meu filho uns minutos depois.
- Mariana – ela olhou-o – não
gostei da casa.
- Então só lhe resta continuar à procura – acho que ninguém
esperava que ela o fosse tratar com este distanciamento todo e por isso ficamos
a olhá-la – desejo-lhe sorte para essa
tarefa.
- Mariana porquê que estás a tratar-me assim?
- Nunca lhe devia ter tratado doutra forma.
- Vais ficar chateada comigo?
- Não mas também não vou meter-me mais nos seus assuntos.
- Só podes estar a brincar – ela olhou-o em claro desafio – Mariana, já reconheci que estive mal e
também já pedi desculpas mas se quiseres que faça mais alguma coisa diz, agora
não vais é ficar sem falares comigo.
- Ruben, só reconheceu que exagerou porque uma criança de seis anos
refilou consigo caso contrário nem tinha dado por isso o que só demonstra que
não deve estar habituado a ser contrariado logo duvido muito que possamos
continuar a manter a mesma relação, não tenho feitio para aceitar tudo calada e
muito menos acarretar ordens de pessoas que não me são nada, além disso não
estou para andar a repreender o meu irmão quando quem devia ter sido
repreendido era você.
- Mariana, não faças isso - ela não lhe respondeu, pediu licença e
saiu da mesa – passou-se mas o que é que
lhe deu?
- Filho, podias ter falado de outra forma, ela não teve culpa porque
não gostaste da casa que para ser sincera ainda não percebi o motivo.
- Mãe não se meta entre mim e a Mariana.
- Ruben Filipe tem tento na língua que estás a falar comigo e não com
um amigo teu – o Martim olhou-nos – e
quanto à Mariana está coberta de razão quando diz que nunca foste habituado a
ser contrariado.
- Ah, agora fica do lado dela, é?
- Não tenho motivos para ficar do teu, foste tu que estiveste mal, a
rapariga perguntou-te na boa-fé se tinhas gostado da casa e tu foste bruto.
- Tudo bem – ele não disse mais nada até porque a Mariana regressou
com a sobremesa.
- Mana posso dizer uma coisa?
- Diz.
- A D. Anabela teve a ralhar com o Ruben – o miúdo disse-o com uma
satisfação enorme o que provocou o riso em todos, exceto na Mariana.
- Posso saber porquê que estás contente? Achas isso bonito, é?
- Não é bonito mas gostei de saber que as mães dos outros também ralham
quando eles se portam mal e o Ruben portou-se mas mana ele também já pediu
desculpas e tu sempre ensinaste que devemos perdoar – sorri ao ouvi-lo – faz lá as pazes com o Ruben para ele não
ficar triste.
- Martim não te metas nos assuntos da mana.
- Pois mas tu podes meter-te nos meus quando estou chateado com os meus
amigos falas que devo esquecer e agora não estás a fazer isso.
- Tens razão mas a mana não está chateada com o Ruben.
- Então porquê que falaste daquela forma? Só falas assim para as
pessoas que não conheces ou para as que não são tuas amigas – o Ruben
olhava para a Mariana à espera de uma reação sua que não tardou a chegar.
- Ruben – eles olharam-se – desta
escapa até porque o meu irmão tem alguma razão no que fala mas desde já aviso
que para a próxima vais de carrinho, estamos entendidos?
- Sim e mais uma vez desculpa.
Depois deste episódio terminamos
finalmente de comer e enquanto fomos para a sala a Mariana foi cumprir com as
suas obrigações. Estava sentada ao lado do meu filho quando a rapariga se
sentou noutro sofá e não foi preciso mais que uns minutos para o Ruben se
levantar e ir-se sentar do seu lado.
- Precisas de alguma coisa? – perguntou-lhe.
- Vim só brincar com o meu afilhado – foi notório que ele usou o
Nuninho como desculpa uma vez que o menino estava ao colo da Mariana.
- Para a próxima inventa outra desculpa que essa não cola e para que
conste não quero cá brincadeiras com o Nuninho que depois fica irrequieto e não
quer dormir.
- Já nem com o meu afilhado posso brincar?
- Ruben tens o dia inteiro para isso não precisa ser à noite
precisamente momentos antes de o ir deitar.
- Ok mas posso pelo menos pegar-lhe ao colo?
- Não, que és mais criança que ele e daqui a nada já anda o puto numa
roda-viva.
Confesso que achei piada à
situação, ela tem pelo Nuninho o mesmo cuidado que tem pelo Martim e isso é
bonito de se ver, talvez por isso a Patrícia confia tanto nela para cuidar do
filho e da casa, de facto a Mariana tem-nos a todos debaixo da sua asa, cuida
de todos com uma dedicação e carinho que não se vê muito nos dias de hoje.
- Fogo qual é o mal em pegar no meu afilhado.
- O mal não é nenhum desde que não o espevites.
- Ok mãezinha – ela olhou-o de lado – dá cá o puto.
- O puto tem nome – refilou quando o Nuninho já estava ao colo do
meu filho.
Os minutos seguintes serviram para
ficar a observar o meu filho a brincar com o afilhado sempre sob o olhar atento
da Mariana que volta e meia repreendia o meu filho. Quem estava também perdida
a olhá-los era a Patrícia que apesar do Nuninho estar com o padrinho não
desgrudava o olhar.
***
- Ruben dá cá o menino – a Mariana pediu ao ver que o Nuninho já
estava a adormecer – que quero ir deitá-lo.
- Deixa-o adormecer que depois levo-o para o quarto.
- Ruben, o menino precisa de mudar de roupa e não vai adormecer ao teu
colo para depois ter que o acordar para lhe vestir o pijama.
- Hum, então diz-me onde está o pijama que trato disso.
- Ui que lhe deu para hoje ser um padrinho responsável – o Nuno e a
Patrícia sorriram.
- Estás a querer dizer alguma coisa?
- Não mas se queres ir deitar o menino vamos lá – ela levantou-se e
por isso vi-os a sair da sala.
- Este meu filho anda à procura de lenha para se queimar – falei em
género de desabafo mas que não passou despercebido ao Nuno.
- Você também já percebeu – comentou.
- Estou a ver que afinal não sou a única.
- Desculpem mas acho que estão a exagerar o Ruben e a Mariana são só
amigos – a Patrícia também se meteu.
- Amor, não duvido que sejam só amigos e muito menos que a Mariana
esteja interessada nele mas o mesmo já não posso afirmar em relação ao Ruben.
- Sinceramente acho que estão a extrapolar. O Ruben ama a Soraia, quer
dizer o rapaz andou por ai triste e abatido quando estava separado dela e tu
estás agora a insinuares que está interessado na Mariana.
- Patrícia, não estou a dizer que o Ruben gosta da Mariana mas que ela
desperta no meu filho uma curiosidade e interesse que não é normal, lá isso
desperta e sinceramente tenho receio que isto descambe para algo mais.
- O Ruben vai casar com a Soraia não se metam com histórias sem
fundamento.
- A ver vamos, espero que seja mesmo algo sem fundamento – o Nuno
manifestou-se e sinceramente concordo com ele.
Ainda fiquei uns minutos à
conversa com eles mas acabei por despedir-me deles e ir dormir, amanhã teria
que regressar a Lisboa e por isso queria descansar.
Será que as suspeitas da mãe do Ruben se vão confirmar?
Olá :)
ResponderEliminarAi esta Soraia podia dar corda aos sapatos e meter-se a milhas -.-
E concordo que uma mulher sem aqueles enfeites todos ficava muito melhor ao lado do Amorim xD
Por isto toca a escrever que quero o próximo ;)
Beijinhos
Rita
As problemáticas da escolha da casa...ui como detesto fazer...
ResponderEliminarAdorei e concordo com a d. Anabela e com o Nuno.
Bjokinhas
Mariaa
O senhor amorim foi posto na ordem pelo pequeno martim :)
ResponderEliminarAdoreiiiiiii , espero bem que a d. Anabela e o Nuno tenham razão .
beijinhos
Olá!
ResponderEliminarBem, eu acho que passo partes à frente. É que só pode! Será que fui a única que não percebi o que é que a D. Anabela viu?! Nao gosto de mistérios!
E quanto ao pequeno Martim... Isto é que foi! Pôr o menino Amorim fino porque nao se trata assim a mana xD
Esta história está cada vez melhor!!!
Espero pelo próximo!
Beijo
Ana
fantastico...
ResponderEliminarquero mais... continua... tou super curiosa para ver o proximo...
Chama-lhe histórias sem fundamento, chama :p Têm fundamento e não é pouco!
ResponderEliminarEstes dois, fazem um casalinho tão fofo! :D Qual Soraia, qal qê!
Adoreeei!!
Beijinho
Adorei quando o Martim repreendeu o Ruben, o puto não deixa escapar uma, assim é que é defender a mana.
ResponderEliminarQuanto ás suspeitas da D.Anabela e do Nuno têem mais do que razão de ser, só me admiro é da Patrícia como mulher que é (porque nós mulheres normalmente topamos estas cenas a léguas de distancia)não suspeitar de nada.
Adorei, mesmo, cada vez mais.
Beijocas
Fernanda
Olaaaaaaaa
ResponderEliminarADOREIIII *_*
BEIJINHOS :D
Bem isto começa a aquecer... o Ruru ainda vai apanhar do Martim ahahahah
ResponderEliminarEstá demais e isto vai pegar fogo, o Ruben estava a começar a a passar a linha... da amizade... :D :D :D gosto tanto.
Quero mais!!!
Beijinhos