Mariana
Hoje é daqueles dias que acordei com uma vontade enorme de
mandar o despertador pela janela, a noite foi agitada mas não pelos melhores
motivos ou não fosse o arrependimento ter-me consumido as horas de sono, o
momento que passei com o Ruben no seu quarto apesar de bom não saia de forma
alguma do meu pensamento, por um lado sei que a culpa foi minha, que meti-me
mesmo na toca do lobo mas por outro lado ele também podia e devia ter evitado.
Levantei-me e depois de um longo e demorado banho, vesti-me
e fui acordar o meu irmão.
- Mana, o que tens?
- perguntou-me.
- Nada.
- Não dormiste bem?
- Ai ó Martim a mana
está com pressa por isso cala-te e despacha-te.
- Má - olhei-o e
depois de respirar profundamente sentei-me na cama.
- Desculpa amor, a
mana não devia ter falado assim.
- Estás triste.
- Não, a mana está só
cansada.
- Porquê?
- Não consegui dormir
bem mas não precisas ficar preocupado que isto passa - dei-lhe um beijinho
no rosto - agora tens que acabar de
vestir a tua roupa.
- Tá bem - deu-me
um abraço - gosto muito de ti -
sorri ao ouvi-lo, só mesmo o meu anjinho para conseguir animar o meu dia com
tão pouco.
- Martim, acaba de
arrumar a mochila e depois vai ter com a mana.
- Tá bem.
Ele ficou no quarto enquanto fui preparar o pequeno-almoço,
já estava a acabar de colocá-lo na mesa quando a Patrícia surgiu na sala.
- Bom dia, está tudo
bem?
- Sim.
- Então que cara é essa?
- Dormi mal.
- Por algum motivo em
especial?
- Patrícia, não tive
sono, só isso.
Ela não insistiu mais até porque saí da sala para ir buscar
os cereais para o meu irmão, foi quando estava a colocá-los na sua tigela que
senti um braço a envolver-me a cintura para logo de seguida os lábios do Ruben
se precipitarem a direito ao meu rosto.
- Bom dia - ele
sorriu.
- Bom dia, queres
cereais ou torradas? - se a forma como o Ruben cumprimentou-me já tinha
deixado o Nuno e a Patrícia a olharem a forma como reagi ainda piorou mais a
situação.
- Posso comer cereais
- respondeu a olhar-me diretamente nos olhos.
- Se quiseres
torradas posso ir fazer.
- Mariana, acalma-te,
senta-te e come - fiz o que pediu, sentei-me e comi, só ouviram a minha voz
quando tive que responder ao meu irmão.
- Mana, estás
chateada com o Ruben? - olhei para o Martim e sem ter olhado para as outras
três pessoas sabia que estavam a encarar-me e à espera de uma resposta.
- Não.
- Então porquê que
não olhas para ele? - já tinha esquecido o quanto o meu irmão por vezes
consegue ser inconveniente.
- Martim, despacha-te
a comer.
- Não respondeste à
minha pergunta.
- A mana não está
chateada com ninguém, aliás já te tinha dito que só está com sono.
- Tá bem.
Ele calou-se mas não livrei-me de levar com os olhares da
Patrícia que tal como o Nuno estavam à espera de uma justificação para o que se
estava a passar.
Ruben
Acordei animado algo que já não acontecia há dias,
levantei-me e fui tomar banho, regressei ao quarto só com a toalha a
envolver-me a cintura e sem que desse muito bem por isso o meu pensamento voou
para o dia em que a Mariana entrou no meu quarto e apanhou-me nesta situação,
lembrei-me como ela ficou sem jeito para logo depois recordar o dia em que tudo
começou, em que finalmente ela cedeu e deixou-me aproximar dela, o dia em que
ao ver-me mal não descansou até ter a certeza que estava minimamente bem que
coincidiu com o dia que viu-me tal como vim ao mundo, estas recordações aliadas
às da noite anterior deixaram-me com um sorriso parvo no rosto, como é que a
mesma pessoa consegue reagir de formas tão distintas perante situações tão
parecidas.
- Ui que ele hoje
esmerou-se - ao sair do quarto cruzei-me com o Nuno - estás todo janota, sim senhor - meteu-se comigo e que fez com que
sorrisse - e bem-disposto, gosto de
ver-te assim animado.
- Sim, é verdade hoje
acordei animado.
- Animado? Diria mais
que deves ter encontrado uma nova razão para o teu viver durante a noite,
porque ontem quando nos despedimos não estavas assim.
- Fogo que exagero,
dormi bem só isso.
- E sozinho, espero -
olhei-o - é que isto é uma casa de
família, vê lá quem é que trazes para dormir contigo - ele gargalhou.
- Deixa de ser parvo
até porque dormi sozinho.
- Mas alguma coisa se
passou durante a noite para estares tão animado - sorri.
- Tens razão,
passou-se mesmo alguma coisa.
- Queres ser mais
explícito - perguntou-me quando já estávamos a entrar na sala e teria
respondido se a Mariana não tivesse diante de mim, não resisti e tive que a
cumprimentar primeiro, mas depois da forma como ela reagiu a minha conversa com
o Nuno morreu ali mesmo.
Hoje ao contrário do que é hábito quem falou mais foi mesmo
o Martim que ao ver a irmã a reagir de uma forma inesperada demonstrou não só
que a conhece bem como também a sua preocupação. A Mariana, tentou
tranquilizá-lo mas vê-lo de uma forma que deixou o Nuno e a Patrícia intrigados
mais o Nuno, talvez pelas palavras que tínhamos trocado momentos antes.
- Ruben o que é que
se passa? - a Patrícia perguntou-me assim que o Martim saiu da mesa para ir
buscar a mochila e já sem a Mariana estar presente que na primeira oportunidade
que teve saiu da mesa.
- Nada - respondi
calmamente.
- Alguma coisa escapou-me,
primeiro a Mariana diz que não dormiu nada, depois reage daquela forma quando a
cumprimentaste e para culminar o Martim tem razão quando fala que ela mal olha
para ti, já para não falar que ao contrário dela, tu hoje estás ou melhor
estavas super animado.
Teria respondido mas a entrada do Martim na sala
impossibilitou isso, no entanto aproveitei para também sair da sala, tinha que
falar com a Mariana e queria fazê-lo antes de ir para o treino.
Fui direto à cozinha, onde a encontrei, ela estava a preparar
o lanche para o Martim levar e por isso não deu pela minha presença.
- Posso falar
contigo? - perguntei já encostado à bancada e do seu lado.
- Diz - ela nem
olhou.
- O que é que se
passa?
- Nada.
- A quem queres
enganar? A mim ou a ti? Mariana, não estás a falar com o Martim, nós os dois
sabemos bem o porquê desta tua reação - ela interrompeu-me.
- Se sabes então
porquê que perguntas?
- Porque queria que
admitisses.
- Ruben, entende uma
coisa, não há nada para admitir.
- Será que não?
- Esquece o que se
passou, por ti, por mim e por nós esquece.
- E se não quiser
esquecer? Vais obrigar-me, é?
- Não compliques,
Ruben somos só amigos ou talvez nem isso - não aguentei ouvi-la a colocar
em causa a nossa amizade ou aquilo que temos e sem ponderar as minhas atitudes,
obriguei-a a olhar-me, ficamos alguns segundos frente a frente sem nada
dizermos.
- Mariana, por favor
não te afastes de mim, prometo que não se repete mas não te afastes, acima de
tudo somos amigos.
- Não vou afastar-me
mas este assunto morre aqui e agora.
- Ok.
- Agora deixa-me
terminar o lanche do Martim.
- Posso só pedir uma
coisa?
- Diz.
- Dá-me um abraço -
ela suspirou - somos amigos, certo?
Ela sorriu e depois deu-me o tal abraço que pedi - satisfeito?
- Já está melhor -
fiz-lhe uma caricia do rosto - Mariana a
última coisa que queria é que nos afastássemos por causa de um impulso -
ela olhou-me - impulso esse de ambas as
partes.
- Não precisas dizer
que o erro foi de ambas as partes porque não sou pessoa de fugir das consequências
dos meus atos, se aconteceu foi porque ambos vacilamos. Ruben, se não reagi da
melhor forma foi porque nunca lidei bem com estas situações e não por estar
chateada contigo, aconteceu e já não podemos voltar a trás, só podemos esquecer
e seguir como se nada fosse, é isso que quero fazer e desde que faças o mesmo
não vejo motivo para nos afastarmos.
***
Mariana
Os dias passaram, as cenas entre mim e o Ruben continuaram
na mesma, depois da conversa sincera que tivemos, decidimos os dois esquecermos
o que se passou naquela noite e por isso continuávamos a ter as nossas
conversas.
Hoje acordei mais tarde pois só tinha que despachar o meu
piolho, uma vez que como o mister dos rapazes concedeu-lhes folgas, tanto o
Ruben como o Nuno aproveitaram para irem até Lisboa matar saudades dos
familiares, ainda fui convidada para acompanhar o Nuno e a Patrícia mas acabei
por recusar, o que permitia que eles só regressassem na segunda ao final do
dia.
- Mana, posso fazer
um pedido?
- Podes, aliás sabes
que podes pedir tudo o que quiseres tal como sabes que a mana só não te dá se
não puder.
- Desta vez podes
- sorri ao ouvi-lo - hoje é o lanche lá
na escola.
- Sim, aquele para os
pais dos meninos mas o que tem?
- Eu sei que é para
os pais mas mana eu quero que vás - olhei-o - eu até já perguntei à professora se podia ser e ela disse que sim -
tive que fazer um esforço enorme para as lágrimas não escorrerem.
- Ó meu piolho lindo
mesmo que não pedisses a mana ia, achas mesmo que irias ser o único menino que
não iria entregar a prenda? - ele sorriu.
- Gosto muito de ti
- abracei-o.
- A mana também gosta
muito de ti mas agora temos que ir para não chegares atrasado à escola.
Ele concordou comigo e depois de deixá-lo na escola fui
fazer as compras necessárias, cheguei a casa perto da hora de almoço, arrumei
tudo e preparei algo rápido para o meu almoço. Estava sentada no sofá e com o
portátil no colo quando o Ruben chegou por trás de mim e deu-me um beijinho no
rosto.
- Já de regresso?
- perguntei sem desviar o olhar do portátil.
- Parece que sim.
- Já almoçaste? -
ele sorriu.
- Ya, comi pelo
caminho.
- Ou seja, comeste
porcarias - ele gargalhou.
- Não mãezinha, parei
numa área de serviço e almocei comida de prato e não uma sandes ou coisa do
género.
- Acho bem, afinal
não ando eu a imaginar as mais diversas formas de confecionar as coisas verdes
para os meninos comerem para depois quando se apanham longe estragarem tudo
- voltou a gargalhar.
- Tu não existes,
tratas-nos a todos que nem crianças - refilou.
- Pudera, tu e o Nuno
juntos conseguem ser mais crianças que o Martim e o Nuninho.
- Olha e se deixasses
de difamar-me e olhasses dois minutos para mim.
- O quê? Vais dizer
que vens com penteado novo, é que se fosse a ti aproveitava enquanto tens
cabelo é que com a quantidade de gel que metes daqui a uns anos nem isso tens
- continuei a refilar sem nunca desviar o olhar do portátil.
- Irra vem uma pessoa
mais cedo e é recebido assim, já agora o que tanto lês que ainda não tiveste
tempo para olhar e ver que não vim sozinho - mal o meu cérebro processou o
“sozinho” olhei imediatamente, o que fez com que o Ruben sorrisse - fogo estava difícil ter dois minutos da tua
atenção e agora que a tive deixa-me apresentar-te a minha mãe - olhei
novamente para a senhora - mãe é a
Mariana, Mariana é a minha mãe Anabela - levantei-me.
- Prazer - a
senhora cumprimentou-me com dois beijinhos algo que o Ruben aproveitou para
fazer das dele.
- Como vês é mal de
família - olhei-o quase que a fuzilá-lo com o olhar ao qual ele reagiu com
uma tremenda gargalhada, já a sua mãe ficou a olhar-nos, talvez à espera de uma
resposta que não chegou a receber porque o Ruben mudou imediatamente de assunto
assim que viu o que estava a consultar na internet - gosto do que estou a ver - sorriu - pelo menos já andas à procura de informações para regressares aos
estudos.
- Nunca te ensinaram
que é feio mexer naquilo que não é teu? - Inevitavelmente a mãe dele
sorriu.
- Lá ensinar,
ensinaram e a responsável por isso está aqui por isso não deixa que te minta.
- Também não
consegues - a mãe dele oscilava o olhar entre mim e ele - já te conheço para saber quando é que
mentes.
- Para mal dos meus
pecados - gargalhou - agora fora
brincadeira, vais candidatar-te à faculdade?
- Estou só a recolher
informação para decidir.
- Já sabes a minha
opinião.
- Sim, por ti não
pensava duas vezes mas esqueces-te que tenho o Martim que é só uma criança de
seis anos e que por sinal precisa de mim.
- Mariana sabes bem
que isso não seria problema, primeiro porque tens a noção que de uma forma ou
de outra irás conseguir conciliar tudo e depois já te dizemos que podes contar
com o nosso apoio, a Patrícia está farta de insistir contigo e ela tem razão em
tudo o que diz.
- Sei que tem razão e
sinceramente quero mesmo voltar a estudar mas primeiro está e estará sempre o
Martim - a mãe do Ruben continuava calada talvez porque estava a presenciar
uma conversa que não era dela.
- És teimosa, o puto
nunca foi problema para ti.
Teria respondido mas a mãe do Ruben meteu-se na conversa ao
perguntar se o Martim era meu filho, aquilo devia-lhe estar a fazer confusão e
por isso resolveu esclarecer a dúvida.
- Não, o Martim é meu
irmão mas desde bebé que quem cuida dele sou eu.
- E por sinal tens
feito um trabalho excelente - o Ruben elogiou-me e como estava a olhar para
a mãe dele não foi difícil perceber que a nossa cumplicidade estava a incomodar
a senhora.
- Deixa-te de cenas.
- Só falei a verdade.
- Tudo bem mas
mudando de assunto como é que correu a visita a Lisboa?
- Como sei o que
queres saber vou direto ao assunto – sorriu.
- E?
- Segui o teu
conselho e falei com a Soraia.
- Como correu?
- Ela apareceu no meu
apartamento e depois de falamos chegamos a um consenso, depois de uns meses em
que qualquer conversa terminava em discussão conseguimos falar civilizadamente
e vamos tentar mais uma vez - ele estava feliz e isso deixou-me a mim
também muito feliz.
- Irra que isso é que
se chama um parto difícil - ele gargalhou - mas fico feliz por ti - abracei-o uma vez que ele estava sentado ao
meu lado - agora não tenhas juízo que
depois falamos.
- Isso é uma ameaça?
- Não, é um aviso
seguido de castigo que te portares mal.
- Tinha que vir o teu
lado de mãe, desgraçado daquele que tiver que levar contigo - ele falou sem
pensar mas ouviu o que não esperava.
- Não é à toa que por
mim a vossa raça era extinta, só servem para arranjar confusão.
- É mau feitio.
- Nunca te enganei,
sempre te disse que o tinha - sorriu - mas
conta lá como é que vais fazer agora.
- Como assim?
- Então a Soraia vem
para Braga, certo?
- Ah isso, por
enquanto podes respirar de alívio - a mãe dele olhou-me - que ela vai ficar por Lisboa, depois do
casamento é que virá para cá.
- Tinha que vir a
piada, Ruben lá porque a acho uma betinha irritante não quer dizer que não
consigo respirar com ela do meu lado - ele sorriu - além disso sabes muito bem que se foste falar com ela e se agora estás
aqui com esse sorriso parvo próprio de quem está a amar que podes agradecer-me,
afinal foi aos meus ouvidos que andaste a buzinar este tempo todo e foi aqui a
minha pessoa que pelo visto te conseguiu meter algum juízo na cabeça.
- Ok, não precisas
bater mais, mas sim tens razão e só posso agradecer-te por tudo.
- Amizade não se
agradece, retribui-se.
- Hum, sendo assim
tenho a minha divida saldada.
- Ui, que ele veio
inspirado, Lisboa fez-te mesmo bem ou será antes - o Ruben interrompeu-me.
- Vê lá o que falas,
olha que a minha mãe está a ouvir - gargalhei.
- Ah, apanhei-te -
ele olhou-me sem entender o que quis dizer - acabei de saber que és daqueles que à frente da mãe é santo mas por
trás um autêntico diabo, se a D. Anabela não estivesse aqui já podia falar à
parva e entravas na brincadeira sem qualquer problema mas como estás diante da
tua mãe tens que passar por santo, é?
- Tinhas mesmo que
desmascarar-me, era?
- Amigo, mãe que é
mãe conhece o filho de olhos fechados, até podes pensar que a enganas mas
lamento informar duvido muito que consigas - a mãe dele sorriu ao ouvir-me.
- Ó mãe, está a ver
como ela trata-me?
- É tão feio fazer
queixinhas, é mesmo à puto - a Sra voltou a sorrir - e por falar em puto, tenho que ir.
- É verdade como é
que ele acordou? Ontem falaste que ele estava ainda mais triste do que tem
andado.
- Acordou bem, como
se nada fosse e antes de sair para a escola fez-me um pedido.
- Então?
- Oh, virou-se para
mim e disse que queria que fosse ao lanche, que até já tinha pedido autorização
à professora para que fosse no lugar do pai dele.
- Grande Martim,
confessa lá que fizeste um esforço enorme para não alagares a casa - sorri
ao ouvi-lo.
- Foi difícil mas
aguentei-me.
- Como sempre -
sorriu-me de forma cúmplice.
- Tem dias mas agora
tenho mesmo que ir - levantei-me e fui buscar a mala.
Ruben
O dia de domingo revelou-se melhor do que esperava, aliás
muito melhor, sem que estivesse à espera a Soraia apareceu no meu apartamento e
acabamos por falar, durante a conversa lembrei-me diversas vezes das palavras
sábias da Mariana, tentei usar alguns dos seus conselhos, principalmente aquele
que deu quando afirmou que deveria ter uma conversa definitiva com a Soraia mas
principalmente perceber os motivos que a levaram a mudar a sua maneira de ser.
Estive algumas horas simplesmente na conversa, falámos de
tudo e de nada, até que chegamos ao centro da questão, o nosso relacionamento,
pela primeira vez em meses, dialogamos sem nos ofendermos, ouvimo-nos e no fim
decidimos tentar uma última vez, afinal amamo-nos.
***
Hoje acordei a sentir-me leve e ao olhar para o lado lá
estava o meu amor, dormia que nem anjo, quando dei por mim já sorria feito
parvo ao recordar a nossa noite, a nossa entrega um ao outro, amamo-nos como há
muito não fazíamos.
Despertei-a com beijos repenicados que lhe dei no seu rosto
e ombros, não tenho palavras para descrever o que senti ao vê-la a sorrir e a
chamar-me novamente de amor, passámos a manhã toda a namorar mas acabei por ter
que despedir-me da Soraia, tinha que regressar a Braga e como sabia que hoje o
dia seria diferente para os lados da Mariana e do Martim resolvi ir mais cedo uma
vez que queria acompanhá-la à escola, a minha amiga faz-se de forte mas só quem
não a conhece é que acredita que não lhe pesa nos ombros tanta
responsabilidade.
Passei a viagem a ser exprimido que nem laranja, a minha mãe
estava curiosa por saber quem era essa Mariana que fez com que deixasse a
Soraia e rumasse a Braga, mas não lhe adiantei muita coisa e ainda lhe pedi que
não comentasse com a minha noiva, agora que estamos bem não quero dar-lhe motivos
para discutirmos novamente.
Chegamos ao nosso destino e assim que entrei na sala vi a
Mariana muito concentrada a ler algo no portátil, fiz sinal à minha mãe para
não fazer barulho e aproximei-me da minha amiga, lógico que assim que deu pela
minha presença começou logo com as piadas dela, a Mariana ainda não tinha visto
a minha mãe e por isso tive que avisá-la, apresentei-as e depois continuamos a
conversa, até que o assunto foi parar à Soraia, contei-lhe ainda que muito por
alto o que se tinha passado e a reação dela foi a que já esperava, ficou feliz
por mim e não teve qualquer problema de o demonstrar.
A Mariana acabou por sair da sala para ir buscar a mala uma
vez que estava na hora de ir até à escola para o tal lanche mas assim que se
veio despedir informei que iria com ela.
- Estás maluquinho só
pode - respondeu-me de sorriso no rosto.
- Porquê?
- Ruben, primeiro
porque aquilo é para os pais, logo não vejo o que vais lá fazer, segundo porque
não preciso que cerca de vinte crianças comecem aos berros porque têm diante
delas um jogador do Braga, terceiro tens cá a tua mãe e quarto porque não quero
ter as atenções viradas para mim e muito menos para o Martim.
- Tinha que ser, não
tens mesmo outra desculpa para usares que não a do ser jogador de futebol.
- Ruben não
compliques.
- Juro que não
entendo esse teu problema em relação à minha profissão mas isso também agora
não interessa porque o que está em causa neste momento é querer ir contigo.
- Então temos um
problema, é que não queremos os dois a mesma coisa e como o Martim é meu irmão
e não teu, tu ficas aqui e eu vou, estamos entendidos?
- Não, nem em sonhos
vou deixar-te ir sozinha.
- Desculpa?
- Sim, nem penses que
vais sozinha. Mariana por muito que digas o contrário, sei que isto afeta-te
mais do que demonstras por isso quero e vou estar do teu lado.
- Será que não
entendes que só estou a salvaguardar a tua pele.
- Agora não entendi.
- Ruben, ainda ontem
fizeste as pazes com a Soraia e já estás à procura de lenha para te queimares,
é? Caramba, és conhecido e sabes que as pessoas comentam, o que é que achas que
vão pensar se te virem a entrar numa escola de putos, onde está a decorrer um
lanche em que os miúdos vão entregar aos pais a lembrança que fizeram?
- Grande filme que
para aí vai, como mesmo falaste é uma escola e não um centro comercial cheio de
pessoas que não tem mais nada que fazer a não ser olhar para quem passa. E
depois na escola todos sabem que o Martim não tem pais, que é criado pela irmã,
logo dificilmente vão associar o meu nome como sendo o pai.
- Prefiro não
arriscar.
- Deixa de ser
casmurra e vamos que já estamos a ficar atrasados.
- Mas tu endoidaste
de vez, foi?
- Não, estou só a ser
teu amigo e a retribuir um pouco aquilo que tens feito por mim nos últimos
tempos, afinal não és tu que falas que amizade não se agradece mas sim
retribui-se? Então agora come e cala-te.
- Ruben, tens cá a
tua mãe, não a vais deixar sozinha, não é?
- Ela não tem medo,
além disso não nos devemos demorar.
- Mas isto tem algum
jeito, quer dizer, trazes ela contigo e depois fica fechada em casa e vens
comigo?
- Não seja por isso,
a minha mãe também pode vir.
- Ya e daqui a nada
tenho a família Amorim em peso numa escola primária algures em Braga.
- Vais continuar a
refilar ou vamos embora?
- Ruben - ela
iria continuar a tentar fazer-me mudar de ideias e por isso mesmo quase que a
obriguei a sair de casa, não sei antes despedir-me da minha mãe, que por sinal
estava atónica a olhar para toda aquela situação mas não foi nada que tenha-me
deixado preocupado.
O Ruben conseguiu levar a melhor mas será que não estará mesmo a
arranjar lenha para se queimar?
fabuloso...
ResponderEliminarcontinua... quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...
Caty Maria isto lá é momento de acabar o capitulo??
ResponderEliminarPreciso urgentemente (como de ar para respirar) do resto!!!
Publica RÁPIDOOOOOOO!!!!!
Bjokinhas
Mariaa
Oh my GOD eu nem sei por onde começar!!!!
ResponderEliminarNem sei se pela a cena do Ruben e a Mariana que não explicaste ou pela volta do Ruben para a Soraia... GOOOODDD
Não posso ter lido isto, eu quero saber o que se passou entre eles e espero que esta volta com a perua tenha sido só um fim de semana.
Tu matas-me!!!!!!
Fantástico.
Querooooo mais!!!!! HOJE.
Olá!
ResponderEliminarBem, acho que devo ter passado uma parte do capítulo à frente...
Então e a resposta? Afinal como correu o resto da noite? Voltei ao capítulo 6, depois voltei ao 7 e nada! Mas que é isto de ocultar informação preciosa às fãs?! Ahahahahah
Estou curiosa! Quero o próximo rápido porque já sou dependente!!!
Beijo
Ana
http://desempreparasempre28.blogspot.pt/
Olá :)
ResponderEliminarConcordo com a Aninhas e a respostas à pergunta do Amorim? :P
Como sempre estou à espera do próximo ;D
E rápido, que isto de nos deixar com imensa curiosidade não pode ser xD
Beijinhos
Rita
eu acho esse entendimento entre a Soraia e o Ruben nao vai durar muito ... mas qem sabe... a D. Anabela deve tar é mesmo á toa xD
ResponderEliminarGostei muito, como sempre :D
Beijinho
Só podes estar a gozar comigo?? Aii a minha vida, então isto é assim?? Acho muito mal, muito mal mesmo ..
ResponderEliminarAdorei, agora quero mais, muito mais .. hihihihi
BjnhO
Vamos lá a ver se nos entendemos, então onde é que está a resposta da Mariana à pergunta do Ruben,hã? E afinal o que é que aconteceu naquela noite entre eles? Tu queres mesmo acabar comigo, ainda apanho uma camada de nervos à pala disto. Concordo com a Elsa, esta volta com a perua da Soraia tem que ser sol de pouca dura.
ResponderEliminarTá fantástico, adorei, mas há um problema, agora quero o próximo, e rápido.
Beijocas
Fernanda
cá para mim o ruru vai ficar todo chamuscado ou nao será a Soraia descubrir disso e ela bater mal do capacete!! mas tambem nao era mal pensado, nao a aprte do ruru ficar chamuscado, coitadinho seria um valente desperdicio xD, mas sim a soraia saber disso e dar à costa, assim o caminho ficava livre para a Mariana!! (grandes filmes LOL)
ResponderEliminarADOREIII, quero muito ler o proximo capitulo para saber como vai correr na escola do martim e cá para mim a mae do ruben nao gostou assim muito da amizade do ruben e da Mariana??hum...
fico à espera!! quero mais! :)
beijinhos