Ruben
Quando saí do quarto a ideia era desaparecer daquela casa não estava a conseguir respirar mais aquele ar, precisava de arejar as ideias mas antes de sair senti a necessidade de confirmar que estava tudo terminado, não sei porquê mas senti que o tinha de fazer para conseguir seguir em frente. Lógico que acabei por trocar mais umas palavras com a Soraia que só serviram para ter consciência que agora sim era mesmo o fim.
Saí de casa e assim que entrei no carro conduzi para o meu porto de abrigo, aquele que sabia que iria estar sempre à minha espera por mais cansada que estivesse nunca iria negar socorro.
Estacionei em frente à casa do Nuno, ainda pensei entrar mas acabei por optar por mandar uma mensagem à Mariana a pedir que viesse ter comigo, ela tentou convencer-me a entrar mas insisti no contrário, queria e precisava de falar muito com ela mas não queria que os nossos amigos percebem-se o que estava a passar, pelo menos para já.
O tempo que esperei por ela deu para pensar novamente nas palavras da minha mãe que faziam cada vez mais sentido, a verdade é que sempre que penso na Mariana é impossível não sorrir, aquela rapariga deixa-me a levitar completamente com tão pouco, muitas vezes basta um sorriso ou uma palavra.
Estava a desesperar quando a vi a sair, não consegui esperar muito mais e saí do carro, precisava urgentemente de vê-la, senti-la e até mesmo de ouvi-la a dar-me na cabeça, tê-la diante de mim verdadeiramente preocupada deu-me a uma tranquilidade estranha, acabei por arrastá-la comigo, tinha de deitar cá para fora a confusão que ia na minha cabeça mas principalmente no meu coração.
Conduzi até ao Bom Jesus, percebi que estava a observar-me e por isso perguntei o que se passava, iniciamos dessa forma uma longa conversa que sem entender passou da Soraia e do fim do relacionamento para a confusão de sentimentos, neste momento ainda não consigo entender aquilo que sinto pela Mariana mas acredito que esteja mesmo a caminhar para algo mais forte, o que deixa-me assustado, não quero perdê-la mas não sei até quando vou conseguir guardar isto só para mim, até porque no meio da conversa dei comigo a tentar fazê-la entender que talvez o motivo para estar desorientado é mesmo ela, mas a Mariana não percebeu e por isso resolvi mudar de assunto, fomos caminhando enquanto falávamos mas quando vi um jardim não pensei em mais nada que não puxá-la, sabia o quanto adora deitar-se na relva e ficar simplesmente a olhar o céu, que por sinal hoje estava lindo, todo estrelado.
A ideia era fazê-la parar mas quando a puxei a distância que nos separava reduziu a quase nada, confesso que por momentos perdi-me a olhá-la e a vontade de finalmente beijar os seus lábios consumiu-me, perdi todo e qualquer discernimento e reduzi ainda mais o espaço que nos separava, ela não se mexeu, acho que estava a ver até onde iria e confesso que a razão venceu, acabei por desviar as nossas caras no último instante, beijei-a na bochecha e por fim falei-lhe ao ouvido.
- O que está a apetecer-me é deitar-me naquela relva e ficar a olhar as estrelas – ela gargalhou e sem que estivesse à espera retribuiu-o o beijo para puxar-me logo depois.
- Então vamos – ela deitou-se sem qualquer problema – que foi? Não querias olhar as estrelas?
- Querer até queria mas – ela sorriu – faz-me uma certa confusão deitar-me assim num sítio sem saber se está limpo – ela gargalhou – o que foi?
- Deixa de ser menino, Ruben não vejo muito futebol mas quando vejo é pela televisão e são mais as vezes que vocês cospem para o chão do que as que não o fazem, aí não tens problemas em caíres em cima da relva – acompanhei-a na gargalhada.
- É, talvez tenhas razão e estou mesmo a ser menino mas o que queres faz-me confusão – ela olhou-me.
- Ok, então ajuda-me a levantar – ela esticou os braços e por isso agarrei-lhe nas mãos a pensar que queria ajuda mas o que ia no pensamento da Mariana não era isso mas sim obrigar-me a deitar, ela puxou-me o que fez com que desequilibrasse, resultado caí redondo em cima dela, a Mariana ria às gargalhadas talvez pela cara que fiz.
- Achas piada, é? – perguntei já minimamente recomposto e escarranchado em cima das suas pernas.
- Confesso que teve – voltou a gargalhar – não sei como é que ainda calhas em todas.
- Talvez porque confio em ti, não?
- Oh tadinho dele – ela estava a apertar-me as bochechas – tão inocente que o menino é.
- Vai gozar com outro – fiz cara de amuado o que resultou numa nova gargalhada dela.
- O que foi? – perguntou ao ver-me a olhá-la fixamente.
- Posso fazer-te uma pergunta?
- Sim.
- Já namoraste alguma vez? – ela olhou-me.
- Outra vez esta conversa, não te chegou naquele dia no teu quarto?
- Tal como naquele dia hoje estás novamente a fugir à pergunta.
- Mas afinal o que queres? Primeiro insinuas que posso ser virgem e agora vens com esta do namorado? Só falta dizeres que tencionas ser o meu primeiro em tudo – falou ironicamente.
- Isso quer dizer que estou correto?
- Não, quer dizer que estás a abusar, será assim tão complicado entenderes que não quero falar disso, que não tens nada que saber, que é a minha intimidade e como tal não a quero partilhar com o mundo.
- Não sou o mundo, sou teu amigo.
- Por isso mesmo, és só meu amigo, ainda se fosses algo mais até compreendia essa curiosidade, agora assim não entendo.
- Gostava de perceber se o Martim tem razão quando afirma que nunca te viu aos beijinhos com ninguém.
- E não viu mesmo, sempre protegi o meu irmão logo como é óbvio nunca levei ninguém para dentro de casa e muito menos lhe apresentei algum namorado, mas isso não quer dizer que não tenha tido os meus namoros.
- Posso ser sincero?
- Diz – por esta altura já estava deitado ao seu lado mas como queria ver a sua reação virei-me de lado para que conseguisse olhá-la nos olhos, deixei mesmo o meu braço passar por cima da sua barriga – é impressão minha ou estás com medo que fuja? – gargalhei afinal da forma como tinha o braço ela não conseguiria levantar-se.
- Nunca se sabe – sorri – mas o que queria dizer é que – hesitei ao olhá-la – naquele dia no meu quarto – os olhos dela estavam presos aos meus – quando quase nos beijamos a sensação que tive foi que nunca tinhas estado tão próxima de um rapaz como estás de mim – ela nada falou continuava a olhar-me – e depois teres pedido para esquecer que quase nos beijamos, que só não aconteceu porque desviaste a cara no último instante só faz com que pense que estou correto.
- Mas não estás – respondeu serenamente – aliás já te falei do Bruno.
- Falaste mas sinceramente não consegui entender se algum dia foram mais do que amigos, podias gostar dele mas daí a ter acontecido alguma coisa.
- Afinal o que queres? – não lhe respondi, fiquei simplesmente a fintá-la com o olhar – Não acreditas mesmo em mim, pois não?
- Fica difícil quando sei que foges dos rapazes – ela sorriu – que foi?
- Não fujo dos rapazes mas sim dos problemas.
- Agora não entendi – ela olhou-me de uma forma que nunca tinha olhado e a intensidade com que o fazia deixou-me atordoado.
- Rapazes, é sinónimo de problemas, tal como nós raparigas também o somos. Ruben por muito que possa gostar ou sentir-me atraída por alguém irei pensar sempre primeiro no Martim e na estabilidade dele.
- Mas se gostasse de um rapaz e que esse rapaz te apoiasse na luta constante que é criar uma criança não serias capaz de deixá-lo entrar na tua vida e na do Martim?
- Talvez não sei responder a isso porque foi algo que nunca aconteceu – falou com alguma mágoa.
- Queres falar sobre isso? - voltei a deitar-me na relva mas ainda assim fiquei a olhá-la.
- Ruben por norma os rapazes fogem a sete pés quando sabem que tenho uma criança em casa.
- É porque ainda não encontraste alguém que te ame verdadeiramente, não acredito que o Martim seja impedimento para nada, muito menos para namorares e quem sabe um dia constituíres família.
- Sinceramente casar e ter filhos não faz parte dos meus planos para os próximos anos, além disso prefiro levar um dia de cada vez, se esse amor aparecer não irei virar costas mas também não vou andar desesperada à procura dele, a vida já ensinou-me que o que é meu à minha mão vem parar, que não adianta andar a correr e a saltar de cama em cama porque não é assim que vou ser feliz.
- É isso que admiro em ti, a forma como encaras a vida, o facto de ficares feliz com tão pouco e desde que vejas o teu irmão bem para ti está perfeito.
- Sabes que quando se experimenta as duas realidades fica muito mais fácil de escolhermos aquela que queremos, é verdade que podia ter escolhido o caminho mais fácil, podia ter-me revoltado e desgraçado com o que sobrava da minha vida mas tive a sorte de ainda em criança ter pessoas fantásticas na instituição que ensinaram o que é o certo e o errado, que nos amaram como se fossemos filhos delas, que de uma forma ou de outra lutaram connosco, que vibram com as nossas conquistas mas que também sofrem quando alguma coisa não corre bem, foi na instituição que aprendi que temos sempre duas ou mais opções de escolha, só temos que aprender a identificá-las, foi isso que fiz quando tive que sair da instituição, preferi continuar no mesmo caminho em vez de seguir para aquele que à partida seria o mais fácil e o mais cool na cabeça de muita gente que anda por este mundo, aquele em que se não fumasse não era fixe ou aquele em que se diz “é só uma vez não fico agarrado” convivi de perto com o mundo da droga e da decadência talvez por isso sei que quem entra dificilmente sai e os que conseguem ficam eternamente rotulados, não quis isso para mim e daí ter escolhido o caminho com mais pedras e buracos mas ainda assim o correto.
- Continuas a manter contato com as pessoas da instituição onde estiveste?
- Sim, aliás foram essas pessoas que ajudaram-me quando descobri que iria ter um irmão e que decidi lutar por ele.
- Não tens saudades de estares com essas pessoas?
- Tenho, aliás quero ir a Lisboa brevemente para visitar a instituição mas principalmente as pessoas que fazem parte da minha vida.
- Vais levar o Martim?
- Sim, porquê?
- Curiosidade.
- Então e tu?
- Eu o quê?
- Então o campeonato não está a terminar?
- Ya daqui a duas semanas.
- Isso quer dizer que regressas para Lisboa?
- Porquê que queres saber?
- Curiosidade - ela sorriu.
- Hum, então para que não fiques curiosa fica a saber que ainda vais aturar-me pelo menos mais uma época, o meu empréstimo ao Braga foi por época e meia.
- Mas vais de férias, certo?
- Sim, daqui a duas semanas regresso a Lisboa, fico por lá uns dias mas depois faço as malas e vou viajar ainda só não sei qual será o destino.
- Ou seja só nos voltamos a ver lá para Julho, certo?
- Errado - sorri - nem penses que te vês livre de mim assim tão facilmente, primeiro o Braga regressa aos trabalhos ainda em Junho e depois não tenciono estar tanto tempo longe de ti, começas a ser imprescindível - ela olhou-me - para mim - sorriu - sabes é que tenho de ter alguém para dar-me na cabeça ou então descarrilo completamente - gargalhou.
- Deixa de ser parvo porque tens cabeça para pensar por ti e além disso não és como a maioria que só tem mania que porque são jogadores e ganham balúrdios podem tudo - sorri ao ouvi-la - o que foi?
- É bom ouvir-te dizer isso, finalmente reconheces que não sou nada do que pensavas.
- Nunca tive problemas em reconhecer quando erro, não sou perfeita, também tenho falhas mas sempre que percebo que errei admito-o e sim contigo errei, julguei-te pelo estereótipo sem tentar conhecer-te primeiro mas ainda bem que insististe - ela sorriu - porque caso contrário não teria conhecido mais um amigo.
Não respondi estava perdido a olhá-la, ela fixou as estrelas e estava ainda mais bonita, a Mariana consegue tornar algo tão simples como olhar as estrela num momento único de partilha sincera e verdadeira.
Ficámos no silêncio e só abandonei os meus pensamentos quando ela falou, a Mariana avisou-me que já era tardíssimo e que amanhã tínhamos que levantar cedo, sorri mas acabei de concordar com ela, levantei-me e dei-lhe a mão para ajudá-la, caminhamos lado a lado até ao carro e sempre calados.
- O que tens? - perguntei quando já estávamos no carro e de regresso à casa do Nuno.
- Nada.
- Então porquê que estás tão calada?
- Ah isso - sorriu - deu-me para a nostalgia - suspirou.
- Então linda?
- Oh tenho saudades de estar com os meus pequenos, já não vou à instituição à imenso tempo.
- Sabes que isso resolve-se - ela olhou-me - Braga a Lisboa não é assim tão longe, porquê que não falas com a Patrícia e pede-lhes uns dias para ires até à capital.
- Porque tenho o meu irmão e a ir quero levá-lo.
- Então vai no fim-de-semana.
- Não posso o Martim tem uma festa de aniversário de um amiguinho.
- Hum, então e no fim-de-semana seguinte tens alguma coisa marcada?
- Não, porquê?
- Então passas a ter - ela olhou-me - o último jogo do Braga é em Lisboa por isso é uma ótima oportunidade para ires até à capital de certeza que a Patrícia também vai e assim até fazem companhia uma à outra.
- Até é uma boa ideia - ela sorriu - amanhã falo com a Patrícia - a Mariana ficou animada o que deixou-me feliz.
- Mesmo que ela não vá, podes sempre ir.
- É tens razão - sorriu - mas tenho de ver isso porque se não puder ficar na casa da madrinha do Martim preciso de alugar um quarto para mim e ele.
- Deves estar maluquinha, só pode - olhou-me - caso não te recordes tenho casa em Lisboa, além disso duvido que a Patrícia e o Nuno te deixem ir alugar um quarto quando também eles têm sitio onde possas ficar com o teu irmão.
- Não quero incomodar.
- Ai de ti que repitas tal coisa - olhei-a - era só o que faltava com sítio para ficarem e terem que ir alugar um quarto, ficas no meu apartamento e não se fala mais nisso.
- Nem penses, não vou para o teu apartamento sem que lá estejas - gargalhei - que foi?
- Vais dizer que tens medo de ficar sozinha, é?
- Não mas é abuso.
- Qual abuso qual quê, ficas lá e está decidido, além disso o jogo é no sábado por isso vais ter companhia.
- Não sei, tenho de pensar.
- Ok, daqui a uns dias voltamos a falar.
Continuamos à conversa mas o momento da despedida chegou, a Mariana deu-me um beijo no rosto e saiu do carro, fiquei à espera que entrasse e só depois fui embora.
Cheguei a casa e estava um silêncio enorme mas como não tinha sono fiquei pela sala, liguei a TV e comecei a ver um filme, foi quando já ia a meio que a minha mãe apareceu na sala ensonada.
- Já chegaste? -sorri
- Parece que sim a menos que julgue estar a sonhar.
- Isso é que é boa disposição, eu a pensar que te iria encontrar mal e afinal estás feliz.
- Mãe não estou feliz mas também não vou ficar a chorar pelos cantos.
- Filho, onde é que estiveste até a esta hora?
- Por aí.
- Com a Mariana queres tu dizer - olhei-a - e nem adianta negares porque liguei para a casa do Nuno a perguntar se estavas lá e fiquei a saber que não mas que a Mariana tinha saído sem dar grandes justificações, não foi difícil adivinharmos que deviam estar juntos - suspirei - Ruben afinal o que é que queres?
- Mãe, não vai começar novamente com a conversa de que tenho alguma coisa com ela, pois não?
- Nunca falei que tinham alguma coisa mas sim que ela não te é indiferente.
- Não estou com paciência para ouvi-la, já chegou à hora de almoço.
- Ruben, admite que tenho razão, até a Soraia percebeu isso.
- É verdade onde é que ela está?
- Foi embora, preferiu ficar num hotel e amanhã segue para Lisboa.
- Ah.
- Ruben, pelo menos podias demonstrar um pouco mais de compaixão por ela, vocês estiveram para se casarem, lá porque deixaste de amá-la não quer dizer que tenhas de lhe virar as costas dessa forma.
- Mãe, ela é que quis que as coisas fossem assim.
- Ruben Filipe deixa de ser criança e assume do uma vez o que sentes, nem que seja com um “não sei mãe, estou confuso” agora não digas que é só amizade, porque se fosse não tinhas ido a correr ter com a rapariga e feito com que saísse de casa sem dar grandes explicações, já para não falar que chegaste a esta hora da madrugada.
- Sim, fui ter com a Mariana porque precisava de falar mas principalmente de perceber o que sinto e se quer saber sim estou confuso, sim a vontade que tenho em beijá-la, abraça-la, dizer-lhe que mexe comigo é muita mas isso nunca vai acontecer porque não quero perder a amizade dela, pronto já admiti e agora deixe-me em paz - levantei-me com a intenção de sair mas a minha mãe travou-me ao agarrar na minha mão e ao falar.
- Filho, se estás confuso porquê que insististe em levar o casamento para a frente? Porquê que não foste sincero com a Soraia mas principalmente contigo?
- Porque só hoje é que percebi que não sei aquilo que sinto pela Mariana - sentei-me no sofá com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos a taparem a cara - mãe, depois da nossa conversa as suas palavras não saíram mais do meu pensamento, andei a tarde toda a pensar nisso, quando a Soraia chegou quis fazer amor comigo mas não consegui, era ela que estava deitada do meu lado mas era a Mariana que estava na minha cabeça, acabei por sair, andei por aí sozinho e quando regressei a Soraia foi ter comigo, acabei por envolver-me com ela mas terminou da pior forma, mãe pela primeira vez não senti nada, a Soraia atirou-me à cara e com muita razão que o que tínhamos feito não foi amor mas sim sexo, doeu ouvir isso talvez porque foi de facto o que aconteceu, até o nome dela troquei, chamei-a de Mariana.
- Ruben, o que é que se passou depois de saíres daqui de casa? - olhei-a - Porquê que só chegaste a esta hora?
- Estive este tempo todo com a Mariana mas se está a insinuar que fiz alguma coisa pode tirar daí a ideia, não me envolvi com ela nem o vou fazer.
- Será que não?
- Não mãe, a Mariana não sente o mesmo, além disso prefiro tê-la como amiga do que não ter nada.
- Já lhe disseste o que estás a sentir?
- Não.
- Então como é que sabes que ela não sente o mesmo?
- Porque a conheço, mãe a Mariana é transparente, quando gosta não consegue disfarçar e o que sente por mim é só amizade, além disso como é que vou-lhe dizer que gosto dela se nem eu sei aquilo que sinto.
- Filho se queres um conselho aproveita as férias que estão cada vez mais próximas para afastares-te dela, tens que perceber o que sentes e a continuares a conviver diariamente com a Mariana não ajuda, estás confuso e cada vez ficas mais.
- Não se preocupe porque já tinha decidido ir de férias sozinho, lógico que não seria tanto tempo porque tinha a Soraia mas agora vou prolongá-las ao máximo.
A minha mãe concordou comigo e depois acabei por ir deitar-me, estava a precisar dormir.
Anabela
Esta noite mal dormir e por isso acordei cansada ainda assim levantei-me e fui preparar o pequeno-almoço para os meus filhos.
- Bom dia mãe - o Mauro cumprimentou-me assim que entrou na cozinha - sabe se o mano já regressou?
- Já, chegou de madrugada.
- Onde é que ele andou?
- Mariana diz-te alguma coisa?
- Só podia, o mano anda todo queimado, não sabe o que fazer e só faz porcaria.
- Não julgues o teu irmão e muito menos mandes piadas, deixa-o sossegado.
- Tudo bem.
Continuamos a falar mas o Ruben entrou com uma cara de sono que até metia dó, o Mauro ainda meteu-se com ele mas o irmão não lhe respondeu, limitou-se a sentar e a comer.
- Então puto não falas nada?
- Mauro, estou com pressa e sem disposição para as tuas brincadeiras - ripostou.
- Ok, tem lá calma.
O Ruben não respondeu e mal acabou de comer saiu para o treino, já o Mauro decidiu ficar por casa sem fazer nenhum, estava na sala a ver um filme quando o fui avisar que iria sair, precisava de tirar uma dúvida que estava a consumir-me por dentro e não queria regressar a Lisboa com ela.
Conduzi até à casa do Nuno e quem veio abrir a porta foi a Mariana, com ela vinha o Nuninho, o menino estava todo contente ao colo dela.
- Bom dia D. Anabela - cumprimentou-me educadamente.
- Bom dia.
- Entre mas a Patrícia e o Nuno já saíram - sorri-lhe.
- É mesmo consigo que quero falar.
- Precisa de alguma coisa? - perguntou quando já estávamos na sala.
- Gostava de fazer-lhe uma pergunta do foro pessoal – olhei-a – só responde se quiser.
- Pode fazer a pergunta mas digo-lhe já que duvido que tenha resposta - sorri ao vê-la já na defensiva.
- É sempre tão direta?
- Sim, não gosto de fingir o que não sou, como não gosto de pessoas a quererem saber mais do que devem.
- Mais direta que isso não podia ser.
- Há assuntos dos quais não gosto de falar e muito menos que se metam neles, mas diga lá o que quer saber que se puder respondo.
- Desculpa se estou a incomodar mas o meu coração de mãe está a falar mais alto e tenho mesmo que perguntar – voltei a olhá-la e mesmo sem que perguntasse respondeu.
- D. Anabela, pode sossegar o seu coração de mãe, sei bem qual é o meu lugar e até onde é que posso ir, não se preocupe que não vai ter que lidar com a vergonha de ter uma empregada doméstica no caminho do seu filho mesmo que seja algo passageiro. Posso não ter tido acesso à mesma educação que você lhe deve ter dado mas não é por isso que não tenho princípios. É certo que empregada é para servir os seus patrões e convidados mas recuso-me a fazer certos e determinados serviços, se os querem que vão procura-los a outro lugar que não sou objeto para andar de mão em mão e muito menos de consolo, prefiro passar fome do que humilhar-me a esse ponto – estava surpreendida, ela foi mesmo direta ao assunto – espero que tenha sido esclarecedora o suficiente para lhe sossegar o coração de mãe.
- Desculpe se ofendi, Mariana não era isso que pretendia e nem estava a colocar as coisas nesses termos.
- D. Anabela, não precisa justificar-se e muito menos tentar-se redimir. Sei o que é preocupação de mãe e o que somos capazes para defender os nossos filhos, o Martim é meu irmão mas para mim é como se fosse filho, aliás só não o carreguei dentro de mim porque de resto fui e sou a única mãe que ele conhece. Em relação ao Ruben, não se preocupe que não faço intenções de servir de distração para que o menino não pense no fim do namoro e muito menos de lhe passar a mão pelo pêlo, ele tem é que aprender a lidar com as consequências dos seus atos, deixar de ser criança e assumir de uma vez o que se passa, só assim é que vai encontrar o caminho dele.
- Sabe o que se passa? - perguntei
- O Ruben falou comigo mas se quer saber pergunte-lhe a ele.
- Mariana, sei o que se passa - ela olhou-me - o meu filho ontem quando chegou a casa depois de deixa-la aqui esteve a falar comigo.
- Então se sabe porquê que veio chatear-me a cabeça? Não fiz nem vou fazer nada e muito menos sou a responsável pelo fim do noivado - sorri disfarçadamente, afinal não é só o meu filho que não enxergava o que sente por ela, a Mariana também ainda não percebeu o que na realidade se passa.
- Desculpe a pergunta mas o que é que sente pelo meu filho?
- Amizade, mas porquê?
- Porque a cumplicidade que têm é enorme.
- Se está a insinuar que estou apaixonada pelo Ruben pode tirar daí a ideia, não estou, quanto a envolver-me com ele está fora de questão respeito-me demasiado a mim mesma para conseguir deitar-me com alguém só porque sim.
- Obrigada por teres sido direta.
- Não finjo ser quem não sou, esta é a minha forma de ser, direta e honesta.
- Calculo que já te deve ter dado problemas, é que isto de dizer tudo o que vem à cabeça nem sempre dá bom resultado.
- Desculpe, mas não considero que digo tudo o que vem à cabeça, só não tolero que façam de mim algo que não sou.
- Nunca quis ofendê-la mas confesso que precisava de ter esta conversa.
- Não ofendeu, muito pelo contrário preferi ter esta conversa em fez de não a ter.
- Posso saber porquê?
- Pode, deu-me a oportunidade de esclarecer as suas dúvidas, não ficou só com os juízos de valores que fez, preferiu ouvir o meu lado em vez de julgar-me sem saber ou pelo menos ter tido a oportunidade de ouvir a verdade - ela olhou-me - agora se acredita ou não no que lhe disse já não sei mas sinceramente também é-me indiferente.
- Provavelmente não irá fazer muita diferença mas acredito em si, há algo na forma como fala que transmite-me sinceridade, não foge às questões por muito que sejam impertinentes, fala sem medo ou receio de ser mal interpretada e isso normalmente acontece quando temos certezas do que dizemos, ou seja, quando falamos a verdade.
- Não tenho motivos para mentir, tenho a consciência tranquila, nunca fiz nada que não devia nem tenciono fazer mas daí a afastar-me de alguém que considero amigo só porque existe pessoas mesquinhas e que não conseguem distinguir a cumplicidade da amizade da de um relacionamento físico entre um homem e uma mulher a história é outra.
Continuei à conversa com a Mariana e acabei por acompanhá-la até à cozinha, a rapariga tinha que ir fazer o almoço e como estava a gostar bastante de ouvi-la aceitei o seu convite para acompanhá-la, isto se quisesse continuar a jogar conversa fora.
Estava sentada numa das cadeiras quando inesperadamente vi o meu filho a entrar na cozinha mas ao contrário de mim que o vi, o Ruben pensou que a Mariana estivesse sozinha e por isso chegou junto dela e abraçou-a, lógico que ela mandou logo uma rebocada o que fez o Ruben olhá-la.
- Acordaste com os pés do lado de fora, foi?
- Não, diz antes que tiveram pouco tempo tapados porque um certo menino fez-me ficar acordada até às tantas - sorri.
- Vais dizer que não gostaste da companhia.
- Ah, eu gostei, já os meus ouvidos não podem dizer o mesmo - desta gargalhei o que fez o meu filho olhar para trás.
- Mãe?
- Sim, filho.
- O que é que está aqui a fazer?
- Vim falar com a Mariana - ele olhou-a.
- Como assim? - percebi que o meu filho estava com receio do teor da conversa que tive com a Mariana e teria dito qual tinha sido mas ela antecipou-se.
O que irá dizer a Mariana? Será que o Ruben se vai chatear?
estava a espera de mais... acho que deverias postar outro hoje xD
ResponderEliminarSó tenho a dizer que se os capítulos continuam a acabar assim faço greve aos comentários!!
ResponderEliminarTirando isso como sempre adorei e estou já desejosa pelo próximo.
Bjokinhas
Mariaa
Posta mais um hoje sim?! é que uma pessoa fica assim no suspense.. e nao dá com nada, era um presentinho :)
ResponderEliminarbeijinho
Catarina
fabuloso... maravilhoso... cad vez ta melhor...
ResponderEliminarcontinua... tou super curiosa para ver o proximo... quero mais...
Olá :)
ResponderEliminarADOREI!
Estes dois ficam muito,MUITO bem juntos!E espero que leve isto em consideração e já nos próximos capítulos haja mais "proximidade" xD
Fico à espera do próximo ;)
Beijinhos
Rita
Ai como gosto deste capitulo... musica para os meus ouvidos :D :D :D
ResponderEliminarMuito bom, adoro!!!
Quero mais!!!!
Beijinhos
Um dos mistérios já foi revelado, eles não se beijaram mas tiveram mesmo quase a beijar-se.
ResponderEliminarGostei muito, mas como gosto sempre isso também já não é novidade.
Se a D.Anabela tinha dúvidas, acho que agora ficou perfeitamente esclarecida, agora palpita-me que o Ruben ficou um bocadinho aflito quando deu pela presença da mãe e soube que ela foi falar com a Mariana, por isso menina Caty, faça o favor de publicar o próximo, rapidinho.
Beijocas
Fernanda
Peço desculpa por não ter comentado o capitulo anterior, mas já o li e está optimo como este! :D
ResponderEliminarEu ainda tou cm a dúvida se realmente a Mariana esteve cm alguém e se o Ruben irá realmente ser o primeiro :p
E agora o qe é qe será qe a Mariana disse? uiui!
Beijinhoo
Olá!
ResponderEliminarBem, atrasei-me nos capítulos e tive de ler os últimos 3 FANTÁSTICOS capítulos de uma vez...
Magnífico para não variar!
Quero mais, até porque afinal não se beijaram!!! Ai... um beijinho já calhava bem xD
Beijo
Ana
http://desempreparasempre28.blogspot.com/
nao ha capitulo hoje? xd.. uma pessoa ja nao acaba bem o dia sem um capitulo desta historia fantastica
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