segunda-feira, 28 de maio de 2012

017 – “O problema não é descobrir que já não amo a Soraia mas sim descobrir o motivo pelo qual deixei de a amar”

Ruben

Tive treino de manhã, este correu bem e estava-me a sentir em perfeitas condições. Acabei por sair do estádio e ir direto ao restaurante que tinha combinado com a minha mãe uma vez que queria falar a sós comigo, mal sabia que o tema seria a Mariana, não sei o que lhe deu, mas a minha mãe hoje acordou para embirrar com a minha relação de amizade com a Mariana.
Ela insistiu bastante mas lá consegui fazer com que se calasse, aquilo não tinha sentido nenhum e foi quando já estávamos a comer que vi o Mauro acompanhado pela Mariana, confesso que achei estranho, ainda mais quando eles insistiram em irem para outra mesa, a atitude deles deixou-me curioso e por isso sempre que podia desviava o olhar para ver o que faziam.
Quando terminei de almoçar, pedi a conta e ao sair do restaurante fiz questão de passar pela mesa deles, despedi-me e segui para casa, queria descansar um pouco e por isso mal cheguei fui direto ao quarto.
Estava a pensar na conversa que tive com a minha mãe e quanto mais o fazia mais confuso ficava, não conseguia entender o motivo pelo qual a minha mãe insistiu tanto quando o que sinto pela Mariana é só amizade.
- Amor - a Soraia entrou no quarto cheia de sacos e histérica.
- Não grites - pedi já que estava a falar uns decibéis a cima do normal.
- Nem sabes aquilo que comprei - olhei-a.
- Então?
- Gostas? - mostrou-me umas roupas de criança, olhei para aquilo sem entender muito bem o motivo pelo qual o fez.
- Isso é para o quê?
- Então para ofereceres ao Nuninho - foi inevitável e tive de gargalhar - estás a rir porquê?
- Soraia, duvido muito que as roupas sirvam ao Nuninho mas tudo bem.
- Porquê?
- Porque compraste o tamanho abaixo do que ele usa.
- Não comprei nada.
- Tudo bem não queres acreditar não acredites mas então és tu que vais oferecer isso porque não vou pagar esse mico.
- És pobre e mal-agradecido - olhei-a.
- Tanto quanto sei não pedi para comprares nada, além disso sabes bem que nunca dou roupa ao Nuninho quando quero dar-lhe algum presente por norma é brinquedos.
- Por isso mesmo, achei que podíamos dar algo diferente.
- Tudo bem mas então tinhas perguntado qual é o tamanho que ele veste, foste gastar dinheiro numa coisa que já está pequena, além disso isso nem faz o estilo de roupa que a Patrícia lhe costuma comprar.
- Lá está, o teu afilhado tem que andar na moda - olhei-a.
- Estás a dizer que a Patrícia tem mau gosto? Que não sabe as tendências da moda?
- Não é bem isso mas pode diversificar um pouco.
- E diversifica, quando o puto vai sair com eles para algum sítio mais de cerimónia, caso contrário veste-o de forma simples e prática que é como uma criança deve andar.
- Ai amor não concordo nada com isso.
- Também não tens de concordar, o Nuninho não é teu afilhado e muito menos filho por isso deixa a mãe dele decidir o que lhe quer vestir que não tens nada que te meter.
- Pois fica sabendo que no dia que tivermos os nossos eles vão andar sempre bem vestidos.
- Se esse dia chegar logo vemos.
- O que é que falaste? Sempre falaste que queres filhos, já não queres, é?
- Quero ser pai de uma criança alegre e bem-disposta, não de um palhaço andante.
- Aposto contigo que se fosse a Mariana a escolher já irias amar - ripostou ao levantar-se da cama e ir até à casa de banho.
- Se fosse a Mariana a escolher nunca teria comprado tal coisa, ela sabe o que é ser mãe e com que roupas os miúdos se sentem confortáveis.
- Ela até pode ser a menina querida e perfeita mas é comigo que vais casar por isso é bom que te habitues que quando nos casarmos muita coisa vai mudar - olhei-a.
- Mesmo sério vais começar? Caso não te lembres preciso de descanso por isso modera lá o tom de voz que não estou a comparar-te a ela, até porque não há comparação possível, vocês são o oposto - olhei-a - não é à toa que amo-te a ti e que por ela só sinto amizade, estamos esclarecidos? - ela sorriu.
- Sim - sentou-se na cama - gosto tanto quando falas que amas-me - beijou-me primeiro nos lábios e depois no pescoço regressando aos lábios, as suas mãos foram até ao interior da minha t-shirt, deixei-me levar, estivemos uns minutos a trocar algumas carícias mais intensas mas acabei por afastar-me - o que é que se passa?
- Não me apetece - fui sincero.
- Não te apetece? Só podes estar a gozar comigo - falou irritada.
- Soraia não grites que a casa inteira não precisa de saber.
- Não precisa saber o raio que te parta, quer dizer, venho de Lisboa até aqui a este fim de mundo e nem amor fazes comigo.
- Hey estou cansado.
- Cansado? Passaste o dia ontem na cama e hoje quando cheguei já estavas aqui outra vez por isso não inventes desculpas.
- Passei o dia na cama porque caso não te lembras na noite anterior fui parar ao hospital para despistar as suspeitas de um traumatismo craniano por isso acalma-te.
- Acalmo-me? Ainda te lembras a última vez que fizemos amor?
- Ya, foi quando cá tiveste a passar duas semanas comigo.
- Achas isso normal? Quer dizer ontem não quiseste porque tinhas que repousar, hoje inventas que estás cansado, qual será a próxima?
- Sabes que mais - olhei-a - fica aí que vou até à sala, não estou para aturar isto.
 Não lhe dei tempo de refilar, levantei-me e saí do quarto, como não estava para a aturar decidi ir dar uma volta e quando dei por mim já estava na casa do Nuno, ainda pensei em entrar mas vi o carro do meu irmão e não apetecia-me dar justificações a ele por isso resolvi dar meia volta e ir para outro lado.
Acabei por ir até a um sítio que tem boas recordações afinal o Bom Jesus é sinónimo de momentos de alegria e algumas brincadeiras tanto com o Martim como com a Mariana, estava sentado num dos bancos quando o telemóvel começou a tocar, vi que era a minha mãe e por isso atendi, ela queria saber onde é que tinha-me enfiado, acabei por dizer que já estava de regresso uma vez que nem tinha dado pelas horas a passarem.
Cheguei a casa e fui até ao quarto, queria tomar um duche antes de jantar e foi quando o estava a fazer que a Soraia resolveu fazer-me companhia, não lhe neguei isso até porque ela tinha razão ao afirmar que ainda não nos tínhamos amado, partilhamos alguns momentos de carícias e brincadeiras mas foi quando regressamos ao quarto que acabamos por ser um do outro.
- Ruben, o que é que tens? - perguntou-me quando já nos estávamos a vestir.
- Nada porquê?
- Pareces distante - olhei-a.
- É impressão tua - beijei-a - agora veste-te que a minha mãe já deve estar à nossa espera.
- Está mesmo tudo bem?
- Sim.
- É que fiquei com a sensação que para ti isto não significou nada.
- Estás a falar do quê?
 - De termos feito amor, Ruben já foste muito mais carinhoso.
- Estás a querer dizer alguma coisa?
- Que para ti pareceu mais uma obrigação do que outra coisa.
- Mariana não impliques.
- O que é que me chamaste? - ela não falou, ela berrou.
- Hey, não grites e chamei-te pelo nome.
- Pois mas não foi o meu de certeza - olhei-a - acabamos de fazer amor ou melhor sexo porque amor não foi de certeza, digo-te que achei-te distante e ainda tens o descaramento de chamar-me Mariana, só podes estar a gozar com a minha cara.
- Deixa a Mariana fora desta conversa.
- Até deixava se ela não tivesse na tua cabeça 24 horas por dia, cá para mim enquanto fizeste sexo comigo era nela que pensavas.
- Cala-te não sabes o que falas.
- Nunca tive tanta certeza do que falo como acabei de ter agora, isto foi o limite, não aturo mais, chega - olhei-a - queres ser ridículo e ires para a cama com a empregada força vai mas esquece o noivado e o casamento, posso ter todos os defeitos do mundo mas não merecia isto, podias pelo menos ser sincero e admitires que era nela que pensavas enquanto estivemos naquela cama.
- Se é mesmo nisso que acreditas não posso fazer nada para mudar a tua opinião, agora que está redondamente enganada, estás.
- Esquece, acabou de vez - olhei-a - vou regressar a Lisboa e desta quem vai cancelar o casamento e tudo o que me liga a ti sou eu, cansei de ser humilhada e antes que seja trocada pela empregada prefiro reconhecer perante Portugal inteiro que a três meses do casamento nos separamos.
Não consegui dizer nada, ela simplesmente agarrou nas suas roupas e depois de se vestir saiu do quarto, ainda fiquei uns minutos sentado na cama a absorver tudo o que se tinha passado mas foi quando caí em mim que agarrei na carteira e saí disparado.

Anabela

Depois da conversa que tive com o meu filho percebi que ficou a pensar no assunto ou não fosse ter-se enfiado no quarto mal chegou a casa, conheço bem o meu filho e ele só se isola quando precisa colocar as ideias em ordem. Estava na sala quando vi a Soraia a entrar, ela vinha cheia de sacos e foi direta ao quarto, não sei o que se passou só sei que um tempo depois o Ruben saiu de casa para regressar umas horas depois.
O meu filho voltou a não falar, ele estava estranho e por isso nem questionei, deixei-o ir à sua vida e foi quando estava a terminar o nosso jantar que o Mauro veio ter comigo à cozinha.
- Lá estão eles a discutir de novo - o meu filho falou ao entrar.
- Deixa o teu irmão resolver os problemas dele.
- Mãe se fosse o mano acabava com aquilo de uma vez.
- Mauro, isso só ele é que pode decidir.
- Sabe o que e pior no meio disto tudo?
- Não.
- O mano não vai abrir os olhos a tempo de ver a asneira que está a fazer e quando quiser fazer alguma coisa já vai tarde.
- Estás a falar do quê?
- Da Mariana e da Soraia.
- Pois mas pode ser que isso mude.
- Como assim?
- Mauro, hoje quis ir almoçar com o teu irmão para ver se lhe abria os olhos.
- Então deve isso o motivo da discussão.
- Não sei mas também não vou perguntar e agora vamos comer, eles depois que comam se quiserem.
O Mauro concordou comigo mas ficamos só pela intenção uma vez que vi a Soraia sentada no sofá a chorar desalmadamente não consegui deixar de ir ver se estava bem.
- Precisas de alguma coisa? - perguntei.
- De esquecer que alguma vez conheci o Ruben - atirou com rancor o que sinceramente assustou-me, eles ultimamente discutiam muito mas nunca a vi tão em baixo como estava agora.
- Tem calma, vocês discutiram mas quando tiverem mais serenos conversam e resolvem isto.
- Você ainda não percebeu que não há nada para resolver?
- Como assim?
- Não há mais namoro, nem noivado e muito menos casamento - olhei para o Mauro que estava de pé encostado à ombreira da porta da sala - acabou de vez.
- Soraia, isso é o que falam agora daqui a uns dias já estão bem - o Mauro falou.
- Não, desta é definitivo, acabou.
- Posso saber porquê?
- Mauro se queres saber isso pergunta ao Ruben ele se tiver coragem para assumir o que fez que te diga.
- Mas o que é que se passou naquele quarto para além dos gritos?
- Anabela o Ruben desiludiu-me da pior forma possível mas agora não quero falar disso, só quero regressar a Lisboa e esquecer que o conheci.
Teria tentado reconfortá-la, afinal esteve para ser a minha nora e verdade seja dita estava a sofrer, mas a entrada intempestiva do Ruben na sala impediu isso mesmo.
- Tens a certeza que é isto que queres? - perguntou-lhe.
- Chega, pára de tentares ser o menino bonito quando foste tu que arrastaste-nos para esta situação.
- Essa é boa, agora a culpa é só minha?
- Não, é minha também afinal não devia ter ido atrás de ti quando no fundo já sabia que estava só a adiar o inadiável.
- O que queres dizer com isso?
- Que perdi-te quando vieste para Braga só não quis acreditar nisso.
- Isso não é verdade - ela interrompeu-o.
- É, admite Ruben, admite que já não sou a dona do teu coração - o Mauro olhou-me - pelo menos vê se és sincero contigo próprio, já que comigo não foste.
- Não metas a Mariana na conversa que ela não tem culpa.
- Vês, vês como ela está constantemente na tua cabeça e quem sabe se não está já no coração apesar de não admires isso.
- És a única pessoa de quem gosto - ela sorriu de forma irónica.
- Nem vou responder a isso, sabes perfeitamente o que se passou naquele quarto por isso pára de negar o óbvio, só se fosse muito parva é que não iria perceber que estás completamente apanhado pela outra.
A discussão continuou e só terminou uns minutos depois quando o Ruben saiu porta fora porque não estava para aturar aquilo. A Soraia estava triste, ela pode nem sempre ter escolhido a melhor forma para o demonstrar mas sempre amou o meu filho e ninguém merece sofrer.
Tentei reconfortá-la de alguma forma mas a Soraia pediu para ficar sozinha, tanto eu como o Mauro respeitamos o seu pedido e fomos jantar.

***

Estava na sala com o meu filho mais velho quando vimos a Soraia a entrar com uma mala, percebemos que eram as poucas coisas dela que já tinha na casa do meu filho e se tivéssemos dúvidas com o que falou tinham sido dissipadas. Ela informou-nos que iria procurar um hotel para passar a noite uma vez que já estava tarde mas que no dia seguinte iria regressar a Lisboa, ainda lhe perguntei como é que iria uma vez que tinham vindo connosco mas ela disse só para não nos preocuparmos que dava um jeito, acabei por lhe fazer a vontade e vimo-la a sair da casa do Ruben.

Mariana

Estava a terminar de arrumar a cozinha quando ouvi o meu telemóvel dar sinal de mensagem por isso apressei-me a lê-la.
Linda, podes vir ter comigo cá fora?
Estou no carro à tua espera.
Bjs
Resolvi responder pois não estava a entender o motivo pelo qual não queria entrar.
Oi, não queres entrar? Ainda não deitei os miúdos além disso o que é que essa cabeça está a planear?
Bjs
Terminei de arrumar a cozinha e já estava na sala com o Nuninho ao colo quando o meu telemóvel voltou a dar sinal de nova mensagem.
Preciso falar contigo mas não quero que seja aí em casa… depois percebes.
Se não te importares prefiro esperar aqui.
Diz qualquer coisa. Bjs
Estava a olhar para o telemóvel a tentar decifrar aquela mensagem quando a voz do Nuno despertou-me para a realidade.
- Passa-se alguma coisa?
- Não.
- Tens a certeza? Estás a olhar para o telemóvel com cara de caso.
- Tenho – levantei-me com a intensão de ir adormecer o Nuninho para depois puder sair mas fui travada pela entrada da Patrícia.
- Onde é que vais?
- Adormecer o menino.
- Já? Ainda é cedo.
- Pois mas tenho que sair e queria deixá-lo a dormir.
- Sair? A esta hora? – o Nuno falou.
- Que foi? Não posso, querem ver? – ripostei nunca gostei de ser controlada.
- Podes mas só achei estranho.
- Nuno preciso ir resolver um assunto.
- É assim tão urgente que não pode esperar para amanhã?
- Não.
- Ok, então dá o Nuninho e vai lá resolver o assunto com o Ruben – ela falou nitidamente para provocar-me.
- Desde quando é que tudo gira em volta dele?
- Desde que ficaram amigos.
- Estás a exagerar e agora deixa-me ir – despedi-me deles e fui até ao quarto do meu irmão – piolho a mana vai ter que sair – ele olhou-me.
- Onde vais?
- A mana vai ter com o Ruben mas não quero que digas nem à Patrícia nem ao Nuno, pode ser?
- Mas porquê?
- Martim faz só o que estou a pedir a mana promete que amanhã depois explica pode ser?
- Sim.
- Olha veste o pijama e vai para a caminha que quando a mana chegar vem cá dar-te mais um beijinho – ele sorriu.
- Mana dá um beijinho ao Ruben também diz que foi eu que mandei.
- Ok, vá dorme bem meu piolho – dei-lhe um beijinhos e depois saí do quarto, passei pelo meu para pegar num casaco e na mala, afinal não sabia o que é que o Ruben tinha em mente.
Assim que abri o portão da casa deles vi o carro do Ruben do outro lado da estrada, aproximei-me e ele saiu do carro.
- Oi – cumprimentei-o – o que se passa? – achei-o abatido.
- Preciso de falar contigo.
- Diz – ele olhava-me fixamente – estás a assustar-me, passa-se alguma coisa de grave?
- Não – ele suspirou – quer dizer não sei.
- Não estás a dizer coisa com coisa – agarrei-lhe nas mãos – anda, vamos entrar para conversarmos com mais calma.
- Espera – pediu quando já estava a tentar puxá-lo – não quero falar aqui, vem comigo.
- Vou contigo a onde?
- Não sei para qualquer lado menos aqui.
- Ruben estás estranho – ele olhou-me – fala ou então não saio daqui contigo.
- Mariana – ele baixou o olhar – separei-me da Soraia e desta vez é definitivo – olhei-o.
- Ruben, daqui a uns dias estão novamente juntos – não dei grande importância.
- Não, desta vez não há mesmo volta a dar.
- Vamos dar uma volta – ele sorriu-me e depois entrou no carro.
O Ruben conduzia calado enquanto o observava, ele estava estranho, por um lado parecia triste mas por outro aliviado e sinceramente isso estava a deixar-me confusa.
- O que foi? – perguntou-me ao olhar-me por segundos.
- Nada.
- Estavas perdida a olhar-me porquê? – perguntou depois de estacionar o carro e quando percebi lá estávamos nós no Bom Jesus.
- Isto está a tornar-se um hábito.
- O quê?
- Virmos para aqui – ele sorriu-me.
- Gosto do sítio, é sossegado e traz-me boas recordações – olhou-me – anda – sorriu e depois saiu do carro, segui o seu exemplo dando a volta ao carro – mas não respondeste à pergunta que te fiz – falou quando já estava do seu lado.
- Estava a observar-te numa tentativa falhada de perceber se estás triste ou aliviado, é que para ser sincera ainda não entendi – suspirou.
- Se serve de consolo nem eu – olhei-o – não sei o que sinto – confessou – e isso está a dar comigo em doido.
- Como assim?
- Mariana, é complicado.
- Explica se falares pode ser que perceba.
- Estou farto de dar voltas e mais voltas mas não chego a conclusão nenhuma, estou triste e desiludido pela separação, gosto da Soraia mas ao mesmo tempo à algo dentro de mim que diz que foi o melhor, que o nosso casamento estava condenado ao falhanço mas dói admitir isso, entendes?
- Ruben o que entendo é que já não amas a Soraia e por isso estás tão angustiado, acredito que gostes dela mas isso já não é amor, caso contrário terias ficado e lutado pelo casamento mas principalmente pela relação. Estás confuso porque não consegues gerir o que sentes neste momento.
- Por muito que tente não consigo entender como posso estar contente e ao mesmo tempo triste pelo vim do noivado e do namoro.
- Ruben – fi-lo olhar para mim já que estava com os olhos pregados no chão – estás confuso porque a cabeça diz-te uma coisa e o coração outra.
- O que queres dizer com isso?
- Deixa a razão de lado e escuta o coração, é ele que está a sofrer neste momento, cura esse primeiro e depois logo pensas no que vais fazer.
- O problema está aí.
- Como assim.
- Não sei se vou gostar de ouvir o que o coração tem a dizer – ele olhava-me fixamente.
- Porquê?
- Porque tenho medo do que possa vir a descobrir.
- Estás com medo de descobrires que já não amas a Soraia, é isso? – ele sorriu ligeiramente – Ruben quanto mais cedo descobrires a verdade melhor para os dois, se já não há volta a dar então seguiam os vossos caminhos em separado.
- O problema não é descobrir que já não amo a Soraia mas sim descobrir o motivo pelo qual deixei de a amar. Mariana, estou confuso e quanto mais tento ouvir o coração e a razão pior fico – suspirou – sabes quando queremos muito uma coisa mas o medo de a perder não nos deixa avançar e muito menos admitir aquilo que sentimos?
- Não.
- Pois mas é assim que sinto-me, o coração quer uma coisa mas a cabeça por medo e cobardia não deixa que aconteça.
- É impressão minha ou já não estamos a falar do teu noivado e muito menos da Soraia – ele sorriu – que foi?
- Os problemas parecem que desaparecem quando estou contigo, a sensação que tenho é que somos só os dois e que o resto do mundo desaparece.
- Ruben não estás a dizer coisa com coisa, desde quando é que o mundo desaparece – ele gargalhou.
- És única – ele levou a mão à minha cara para desviar uma madeixa de cabelo – contigo parece que tudo fica mais fácil, faz-me rir com uma facilidade enorme, és verdadeira, amiga e só queres que esteja bem.
- Lá está sou tua amiga e como tal desde que estejas bem também fico.
Continuamos a andar e a falar mas foi ao passarmos por um jardim que o Ruben sem que estivesse à espera agarra-me pela cintura e puxa-me para ele, ficamos frente a frente, praticamente colados e a olharmos nos olhos um do outro, ele estava com uma expressão facial que lhe desconhecia e isso estava a deixar-me inquieta, foi quando ia para abrir a boca e perguntar o que se passava que ele falou.
- Sabes o que estás a apetecer-me agora?
- Não – sorriu e trincou o lábio, estava vidrada nele quando percebi que os seus lábios estavam cada vez mais perto dos meus e por muito que quisesse afastar-me não estava a conseguir, o meu corpo não respondia ao que a cabeça queria e por isso fiquei simplesmente à espera do que iria acontecer.

Será que o Ruben ganha coragem e finalmente admite o que sente pela Mariana? Irá ele ter a ousadia de a beijar? E como irá reagir a Mariana?

8 comentários:

  1. magnifico... fabuloso...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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  2. Eu nem vou comentar o momento escolhido para o fim porque é chover no molhado;-)

    Adorei tudo, mas admito que cheguei a ter pena da Soraia é que ninguém merece ser recusada duas vezes e depois ainda ser chamada pelo nome de outra... :s

    Esta última situação com o Ruben a agarrar assim a Mariana deixa-me, como sempre que leio algo teu desejos por mais.
    Quero mais... Muito mais!! E rápido por favor

    bjokinhas
    Mariaa

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  3. a Mariana vai bater.lhe xDD

    mais ummm , please

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  4. ahhhhhhhhhh, catarina Maria isto nao se faz!! agora já nem vou conseguir dormir em condiçoes só para saber o que a Mariana ou o ruben possam fazer!! LOOL

    isto está bom demais, quero mais, please sim??

    fico à espera, nao demores muito pff!! :p

    beijinhos :)

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  5. Cá pra mim vai ser cena de novela u-u LOOL
    Não me arrisco a dizer o que vai acontecer, mas vindo de ti, coisa boa será, com certeza! Quero muito mais :P

    Gabii

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  6. Olá :)
    Primeiro eu e a Soraia estamos de acordo numa coisa,ela que vá para Lisboa e que fique longe, bem longe do Amorim! :P
    A Mariana é que está a ser muito querida com o Rúben,agora o que o Rúben vai querer fazer só tu sabes e tens de postar rápido!Que eu quero saber se vai haver um beijo ou não[e se for mais qualquer coisa não à mal nenhum :P]
    Fico à espera
    Beijinhos
    Rita

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  7. Eu até posso não gostar nadinha da emproada da Soraia, mas ninguém merece ser chamada pelo nome de outra, é mau demais, até para a perua.
    O momento do Ruben e da Mariana no Bom Jesus, tá lindo, ele declarou-se, pode ter sido sem intenção, "os problemas parece que desaparecem quando estou contigo, a sensação que tenho é que somos só os dois e que o resto do mundo desaparece", palavras para quê. Eu acho que ele não vai ter coragem de dizer com todas as letras o que sente por ela, apesar dos gestos de carinho revelarem muito desse novo sentimento que anda a "atormentar" o coraçãozinho do Ruru. Eu acho que ele vai beijá-la, pode é não ser o beijo que estamos à espera.
    Continua, tá cada vez melhor, e agora sem a perua a rondar, isto vai aquecer...

    Beijocas

    Fernanda

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  8. Bye, bye perua!!!!! ahahah Foi grande o deslize do Rúben... tanto negou que a boca fugiu para a verdade. Mas muito bem a Soraia sem hipótese de desculpas, esta foi forte.
    Agora já que me dás uma grande noticia tinha de acabar assim o capitulo???? A minha sorte é que ontem não vim à net e só tenho de esperar mais um bocadito para o próximo... :D :D :D mal posso esperar...
    Quero mais!!!
    Beijinhos

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