sábado, 26 de maio de 2012

015 - “Passaste a noite com o meu noivo?”


Ruben

Acordei durante a noite e assim que tentei sair da cama ouvi de imediato da Mariana a perguntar onde é que ia.
- Pensava que estavas a dormir – sorri ao vê-la abrir os olhos.
- Tanto quanto sei hoje estou de plantão a um certo jeitoso – olhei-a - que resolveu andar a brincar aos cabeçudos – sorri ao ouvi-la.
- Gracias pela parte do jeitoso – ela sorriu ainda que timidamente – agora a parte do cabeçudo dispensava.
- Não seja por isso, posso sempre chamar-te de cornudo – fui obrigado a sorrir novamente, ela estava nitidamente a picar-me.
- Vê lá se não queres que aqui o cornudo se vingue.
- Ui estou cheia de medo – provocou-me mas resolvi não responder ou então não sei onde isto iria parar – onde é que vais? – perguntou-me assim que coloquei os pés no chão.
- Fazer algo que ninguém faz por mim – ela sorriu – será que posso ou também tens que vir atrás de mim?
- Não, dispenso essa parte – olhei-a – já vi tristezas que cheguem na vida – já estava perto da casa de banho mas assim que a ouvi tive que parar.
- Estás mesmo a insinuar o quê?
- Para bom entendedor meia palavra basta – falou num tom de gozo.
Resolvi não responder, até porque isso era o que a Mariana esperava que fizesse e preferi aguardar pela minha oportunidade para vingar-me.
Estava já a lavar as mãos quando a imagem da Soraia voltou ao meu pensamento e mais uma vez a tristeza invadiu-me não deveria ser a Mariana a estar ali mas sim ela.
Regressei ao quarto e ao olhar para a cama não vi a minha enfermeira predileta, espreitei para a varanda mas não a encontrei por isso acabei por sair do quarto e ir procura-la, estava sem sono e não apetecia-me ficar sozinho. Passei pelo quarto do Martim e percebi que era lá que a Mariana se encontrava, aproximei-me devagarinho e sem que estivesse à espera abracei-a, o que foi suficiente para ela mandar um pulo e se ter virado para o meu lado.
- Estás parvo – murmurou de frente para mim e com o seu rosto bem perto do meu – larga-me – apesar de ter pedido não o fiz estava a olhá-la nos olhos e não sei porquê mas os meus braços não obedeceram ao que a cabeça queria – estás a ouvir-me – acabei por soltá-la no entanto permanecemos frente a frente – não devias estar de pé – sorri de facto a preocupação dela era verdadeira – ainda ris? Ruben o médico avisou-te que tens de estar deitado.
- Vim à tua procura – ela abanou a cabeça em sinal de reprovação.
- Regressa para o teu quarto que já lá vou ter – continuava a olhá-la fixamente e sem que esperasse a Mariana deu-me um beijinho no rosto acompanhado por um sorriso genuíno o que acabou por reconfortar-me de uma forma estranha – toca a andar – ela agarrou-me na mão e puxou-me para fora do quarto do irmão – quero ver-te deitado quando regressar ao quarto – sorriu-me para desaparecer logo depois.
Regressei ao quarto mas como estava sem sono agarrei num cobertor e fui até ao exterior do quarto, estava sentado no cadeirão que existe na varanda quando a Mariana chegou com duas canecas de chocolate quente e umas bolachas, sorri ao ver que ela não descura mesmo nos cuidados que tem com as pessoas de quem gosta.
- Estás a rir porquê? E já agora disse que te queria ver na cama não aqui na varanda – repreendeu-me.
- Deixa de ser embirrenta, posso não estar deitado mas estou sentado e sossegado.
- Ok, desta escapas – sorriu – toma pode ser que ao aqueceres o estômago que o sono regresse – gargalhei – cala-te ou queres acordar a casa toda.
- Se bem conheço o Nuno não acorda, aquele parece uma pedra quando adormece, pode cair a casa em cima que mesmo assim continua na dele. Se soubesses as judiarias que a malta lhe fazia quando adormecia durante as viagens.
- Isso é tudo saudade? – olhei sem entender a pergunta – Do tempo em que jogavam os dois no Benfica – ela esclareceu.
- Afinal até entendes alguma coisa de futebol pelo menos sabes de que clube é que viemos.
- Não é difícil saber quando se tem um irmão que adora aliás ama de paixão gozar com os jogadores desse clube – provocou – e depois o mínimo que posso saber é quais foram os clubes por onde o meu patrão andou.
- Ah, então o Martim gozava connosco, era?
- Não é bem convosco, acho que é mesmo no geral.
- É o que faz não ter quem o ensine o que é bom – teria continuado mas fui interrompido por ela.
- Ainda vais bens a tempo de lhe ensinares alguma coisa – fiquei surpreso por ouvi-la e isso foi visível no meu rosto – o que foi? Será que não farias esse sacrifício pelo puto?
- O que deixou-me surpreso foi teres proposto que ensinasse alguma coisa ao teu irmão ainda para mais sobre futebol.
- O que tem? O tema pode não agradar-me mas sempre eduquei o meu irmão na base das escolhas, sempre tentei fazer com que entendesse que temos sempre opções, que umas vezes acertamos nas escolhas outras não por isso no que respeita ao futebol ou à equipa que ele defende não vai ser muito diferente, o puto tem o direito de puder escolher qual o seu clube mas cabe-me a mim ou neste caso a quem perceba do assunto mostrar-lhe outras opções.
- Foi por isso que acabaste por ceder e deixar o teu irmão entrar para as escolinhas do Braga?
- Sim mas nem me lembres dessa.
- Porquê?
- Olha porque daqui a uns meses lá vou ter que encaixar mais uma atividade no meu horário, afinal alguém terá que levá-lo ao treino - sorri - mas quando chegar o momento logo vejo.
- Podes contar comigo se algum dia não puderes basta dizeres que se estiver disponível levo-o aos treinos - ela sorriu - e agora queres que seja eu a falar de futebol com ele?
- Ruben tenho que ser realista futebol não é de todo algo que perceba e muito menos algo que goste, estás em melhor posição para o fazeres, mas compreendo que tens outras coisas com que te preocupares.
- Deixa de ser tonta – olhou-me – tenho todo o gosto em conversar sobre futebol com o teu irmão – desta quem gargalhou foi ela – estás a rir porquê?
- Opa, desculpa mas no dia que decidires fazer isso quero estar presente, é que vai ser lindo de se ver – gozou.
- Estás a gozar, é?
- Não estou a gozar mas que vai ser engraçado lá isso vai.
- Porquê?
- Talvez porque o Martim é de ideias fixas.
- É, tem a quem sair – provoquei – mas se a irmã acabou por ceder aqui aos encantos do Je, o puto também vai ceder.
- Deixa de ser convencido – ela afastou-se e foi até à outra extremidade da varanda, fiquei a observá-la mas quando percebi que estava a ficar com frio coloquei a caneca que já estava vazia no chão e aproximei-me dela – o que é que estás a fazer? – perguntou-me assim que a abracei e a embrulhei no cobertor que tinha – não achas que andas a abraçar-me vezes de mais? – interrogou-me ao mesmo tempo que tentou ver-se livre dos meus braços.
­- E tu não achas que andas a fugir vezes de mais?
- Ruben, afinal o que é que queres?
- Como assim?
- Como assim? Ruben, já não é a primeira vez que tive a sensação que queres algo mais por isso aviso já que ou paras com estas brincadeiras ou afasto-me de vez, tens noiva e deves-lhe respeito, já para não falar que exijo que o faças comigo, nunca te faltei ao respeito por isso espero que não faças o inverso.
- Hey, tem calma – ela olhou-me – não quero envolver-me contigo podes ficar tranquila.
- Acho bem caso contrário vai cada um para o seu lado, não quero nada contigo e muito menos confusões com a tua noiva.
- Se o problema é a Soraia podes respirar de alívio como vês ela nem sequer cá está.
- Desculpa, toquei num assunto que não devia. Ruben, não quero ver-te triste por causa dela, esquece-a nem que seja só por esta noite e vamos para a cama que tens de descansar.
Acabei por fazer o que pediu e fui deitar-me, ainda dei algumas voltas na cama mas acabei por adormecer.

Mariana

Passei a noite em claro, ter partilhado com o Ruben a parte do meu passado que os meus amigos mais próximos sabem deixou-me abalada mas o que arruinou comigo foi recordar quem é o responsável por tudo o que aconteceu ao longo da minha vida, aquele a quem deveria chamar de pai mas que para mim não devia sequer existir.
Acabei por conseguir “passar pelas brasas” já nas primeiras horas do dia, os raios de sol já entravam pela janela quando consegui descansar alguma coisa mas despertei pouco tempo depois uma vez que tinha os meus afazeres, além disso o Martim precisava de ir para a escola.
Levantei-me com cuidado para não acordar o Ruben que dormia serenamente e saí do quarto, tinha que ir despachar o meu irmão que já estava a ficar atrasado para a escola, passei pelo seu quarto e vi que já não se encontrava na cama, pensei que a Patrícia o pudesse ter acordado por isso fui procura-lo e foi quando entrei na sala que deparei-me com o Nuno acompanhado da mãe do Ruben, de um rapaz que não conhecia e da Soraia.
- Bom dia – saudei-os.
- Olá, está tudo bem? – a senhora perguntou-me depois de o Nuno ter feito o mesmo.
- Sim e consigo? – desviei o olhar para o rapaz que se encontrava a sorrir.
- Podia estar melhor se o meu filho não tivesse dado este susto.
- Não fique preocupada porque foi mesmo só um susto, ele passou bem a noite e daqui a nada já acorda com aquele humor dele – o rapaz gargalhou o que fez com que olhasse novamente para ele – e você quem é? – o Nuno sorriu, já a Soraia olhou de lado com o seu ar de importante.
- Hey, trata-me por tu se faz favor que esse você até deixa-me com cabelos brancos – olhei-o nada convencida – sou o Mauro, irmão do Ruben.
- Prazer, sou a Mariana – teria continuado mas ele interrompeu-me.
- A Mariana, empregada do Nuno e da Patrícia mas que por algum motivo cativou a amizade deles e do meu irmão.
- Tem alguma coisa contra? – perguntei imediatamente por não ter gostado do seu tom de voz.
- Não.
Já não lhe respondi simplesmente olhei para o Nuno e avisei que iria preparar o pequeno-almoço.
- Mariana – olhei para trás quando já ia a sair da sala.
- Sim, diga.
- Como é que está o meu filho?
- Quando saí do seu quarto ainda dormia mas deve estar a acordar.
- Passaste a noite com o meu noivo? – ouvi a histérica e antes de lhe responder respirei fundo.  
- Se com o passar a noite quis dizer que fiquei a cuidar do seu noivo, sim fiquei – o Mauro sorriu ainda que timidamente - ele só podia ter alta do hospital se alguém ficasse durante a noite a vigiá-lo, porque apesar de ter sido só um susto não convinha ficar sozinho e já que a sua noiva estava longe calhou-me a mim ficar acordada a noite toda para hoje estar cheia de olheiras mas mesmo assim nada arrependida de o ter feito.
- Estás a insinuar que não preocupo-me com o meu noivo?
- Não – fiz uma pequena pausa – estou mesmo a afirmar – desta o irmão do Ruben não se preocupou minimamente em disfarçar e sorriu à “cara podre”.
- Querias que fizesse o quê? Que viesse de Lisboa àquela hora?
- Qualquer coisa seria melhor do que um simples telefonema. Desculpe que lhe diga mas não era assim tão tarde que não pudesse ter vindo para Braga, até lhe digo mais tinha chegado bem a tempo de ter passado a noite em claro a cuidar dele mas como isso iria provocar-lhe olheiras resolveu ignorar o facto de o seu noivo estar numa cama de hospital, local que detesta e sujeito a passar lá a noite porque não tinha ninguém que pudesse sacrificar umas horas de sono a cuidar dele.
- Insolente.
- Verdadeira e amiga – ripostei – além disso pode pensar o que quiser a meu respeito porque tenho a consciência tranquila, não virei costas a um amigo e sei muito bem aquilo que faço e quem sou.
- Petulante – passou por mim a bufar – vou ver o meu noivo.
- Veja lá se não parte uma unha ao abrir a porta – o Mauro gargalhou o que fez a sua mãe repreende-lo.
- Desculpe mãe mas desde que saímos de Lisboa que a Soraia estava a pedi-las.
- Isso não te dá o direito de achar piada ao que se passou aqui – a mãe do Ruben estava aborrecida.
- Desculpe que lhe diga mas a Mariana teve muita razão em tudo o que falou, além disso aqui quem foi insolente foi a Soraia na forma como insinuou que a rapariga tinha passado a noite com o mano, até parece que não conhece o Ruben.
Não estava para ouvir mais aquilo, pedi licença e saí da sala. Comigo veio o Nuno que os deixou sozinhos talvez por também achar que estaria a mais.
- Desculpe – falei assim que saímos da sala.
- Mariana, quantas vezes tenho de pedir para tratares-me por tu? – sorriu – E quanto a teres respondido à Soraia concordo com o Mauro, ela estava mesmo a pedi-las.
- Mas não devia ter respondido.
- Discordo disso, acho que fizeste bem em responder-lhe ainda para mais não falaste mentira nenhuma e agora esquece isso.
Acabei por fazer o que pediu até porque quando entrei na cozinha deparei-me com a Patrícia a preparar o pequeno-almoço o que deixou-me incomodada, aquilo era obrigação minha e fui isso mesmo que falei quando tentei terminar o que a Patrícia já tinha começado.
- Deixa de ser teimosa – falou – Mariana, deves ter passado a noite acordada por isso vai descansar que termino isto.
- Mas posso fazer sem problemas, estou bem.
- Estás bem? Então que olheiras são essas? E essa cara? Estás abatida e cansada.
- Até pode ser verdade mas ainda aguento – falei já a cortar o pão para as torradas.
- És teimosa, rapariga fizeste aquilo que mais ninguém teve coragem de fazer, assumiste a responsabilidade de ficar a noite toda acordada a olhar pelo Ruben só porque o rapaz foi mimado e não quis ficar no hospital por isso no mínimo agora vai descansar que ele já tem a Soraia para cuidar dele.
- Isso deve ser para rir.
- Porquê? Não foi para isso que veio?
- Patrícia, acreditas mesmo no que acabaste de falar?
- Não mas é ela a noiva dele e como sei que não queres problemas não vais ficar no meio deles, logo podes ir descansar que termino isto e ainda levo o Martim à escola, quanto ao almoço o Nuno vai ter comigo para comermos e leva o Nuninho. Ah e a Bela já está avisada que pode invadir a cozinha para preparar o almoço do Ruben e o deles se quiser caso contrário eles que se virem porque hoje estás de folga e não quero ouvir-te a refilar, estamos entendidas?
- Sim, mas deixa-me ajudar.
- Qual é a parte que não entendeste?
- Patrícia, estou acordada e sem sono por isso posso muito bem ajudar-te já que não deixas-me fazê-lo sozinha.
- Tudo bem.
Acabei por ajudá-la a terminar de preparar o pequeno-almoço e depois de levarmos tudo para a mesa fui chamar o Nuno juntamente com as visitas e de seguida fui buscar o Nuninho e o meu irmão.
- Mana como é que está o Ruben? – o meu piolho perguntou quando já estávamos a comer.
- Está bem.
- Mana – olhei-o o que serviu de incentivo para continuar a falar – porquê que não foste tu que foste acordar-me e quando fui ao teu quarto não estavas lá.
- Martim, a mana passou a noite no quarto do Ruben – ele interrompeu-me imediatamente.
- Ah ficaste a cuidar dele como cuidas de mim quando estou doente – sorri ao ouvi-lo.
- Sim foi isso.
- Então ele fica bom depressa – a Patrícia e o Nuno sorriram tal como o Mauro que estava a olhar para o meu irmão.
- Vá come que tens de ir para a escola – pedi e ele acabou por se calar.

***

Passei a manhã no meu quarto não estava com disposição para aturar a Soraia e como o Nuno disse que ficava com o Nuninho uma vez que estava de folga aproveitei para descansar um pouco mas acabei por levantar-me.
- Então já acordada? – o Nuno meteu-se comigo assim que viu-me a entrar na sala.
- Parece que sim – ele sorriu.
- Devias descansar que esta semana foi puxada para ti.
- Agradeço a preocupação mas sabes que vaso ruim não quebra com facilidade por isso não te preocupes que não é por ter passado mais uma noite acordada que vai fazer diferença.
- Ok, não insisto mais.
- Olha e já agora como é que está o Ruben? – perguntei ao Nuno mas quem respondeu foi o Mauro.
- Não deve estar lá muito bem – olhei-o – tendo em conta que a Soraia não deixa ninguém se aproximar.
- Não? Deu-lhe para ser uma noiva preocupada foi?
- Parece que sim – o Mauro respondeu-me a sorrir.
- Ok, resta saber se vai continuar a zelar pelo noivo na altura de lhe fazer a paparoca – murmurei mas eles ouviram e por isso gargalharam.
- Bem embirraste mesmo com a Soraia.
- Mauro, certo? – ele abanou com a cabeça em sinal afirmativo – Não tenho nada contra a noiva do teu irmão desde que se mantenha no lugar dela – ele sorriu – e não se vire cá para o meu lado está tudo muito bem.
- Ainda vos vou ver a andar à bulha.
- Desculpe? Não sou de andar à bulha além disso não quero ser acusada de partir uma unha à menina que tem todo o ar de ser daquelas que fazem um escândalo quando isso acontece – o Nuno ria já o Mauro gargalhou.
- És das poucas pessoas que conheço que não precisou de muito tempo para entender que a Soraia tem um feitio especial.
- Mauro, não considero que seja burra por isso não foi difícil entender que a noiva do seu irmão tem ali um problema grave de insegurança já para não falar que se acha superior às reles empregadas, esquece-se é que são as reles empregadas que lhe fazem o trabalho, enfim.
- Insegurança?
- Sim, insegurança. Ela tem medo de qualquer rabo de saias que se aproxime do Ruben que não consegue enxergar o quanto é ridícula. Se a Soraia se preocupasse mais com o noivo e menos com as raparigas que o rodeiam talvez não ficasse tão insegura porque já teria percebido que o Ruben a ama mas isso é problema deles, já são os dois maiores e vacinados portanto que se entendam e deixem-me de fora.
Teríamos continuado a falar mas a entrada da Soraia na sala impediu isso, estava sentada ao lado do Nuno e por lá fiquei até que uns segundos depois de ter entrado resolveu abrir a boca.
- Mariana – olhei-a.
- Sim, diga – respondi educadamente.
- O Ruben está com fome – informou-me.
- Precisa que lhe vá mostrar onde é a cozinha? – perguntei o que levou o Nuno e o Mauro a terem que se controlar para não rirem.
- Não, quero que vás fazer alguma coisa para ele comer.
- Estou de folga mas se quiser explico-lhe a ciência de colocar uma panela de água a ferver para cozer umas batatas e uma posta de peixe, sim porque deverá ser esse o almoço do seu noivo.
- Nuno como é que admites este comportamento da tua empregada?
- Soraia primeiro modera o tom de voz e segundo controla-te porque não admito que trates a Mariana dessa forma.
- Empregada é para nos servir.
- Talvez tenhas razão mas tanto quanto sei estás na minha casa e quando eu e a Patrícia não tratamos a Mariana como uma empregada mas sim como uma amiga que por acaso até trabalha para nós e que por sinal estamos satisfeitíssimos com o resultado, exijo que a respeites. Além disso a rapariga avisou-te que está de folga por isso não é obrigada a servir nenhum de nós, se o fizer é porque quer e não se importa. A Mariana hoje é só a amiga e não a empregada.
- Essa é boa, a insolente é a ela e é a mim que chamas a atenção.
- Insolente? Só porque encontraste pela primeira vez alguém na vida do Ruben que não tem medo de fazer-te frente que se está marimbando para o que pensas ou possas ir dizer ao rapaz achas que é insolente? Soraia, se não implicares com a Mariana podes ter a certeza que ela não se atravessa no teu caminho, agora não lhe pises os calos porque aí levas com ela e ainda te habilitas a ser cilindrada pela empregada.
A Soraia não falou mais nada simplesmente saiu da sala e por isso o Nuno virou-se para o meu lado.
- Mariana, quanto a ti e apesar de saber que tens todos os motivos para lhe responderes, evita fazê-lo – olhei-o – a Soraia tem o feitio dela tal como tens o teu, não estou a defendê-la mas tenta-te controlar porque és muito mais ponderada que ela e sei que mesmo que te custe consegues fazê-lo.
- Tudo bem.
- Vais ficar chateada comigo? – perguntou-me ao perceber que tencionava sair da sala.
- Não, vou aproveitar a minha folga para apanhar ar.
Saí da sala sem lhe dar tempo para responder, sabia que tinha razão e isso foi o que mais custou mas uma coisa é certo não voltarei a ser repreendida por causa daquela emproada armada em Rainha.
Como era quase horas de almoço decidi procurar um lugar para comer, encontrei um restaurante que agradou-me por ter esplanada e apesar do frio que se fazia sentir foi na rua que almocei.
Já estava a terminar quando vi que o preparador físico do Braga se aproximava.
- Boa tarde Mariana – sorriu.
- Boa tarde, está tudo bem consigo? – perguntei por uma questão de educação.
- Sim, será que posso fazer-lhe companhia no café? – olhei desconfiada algo que deve ter percebido porque se apressou a justificar-se – Quero saber como o Ruben passou a noite.
- Sente-se – ele sorriu e depois pediu o seu café – quanto ao Ruben passou bem a noite.
- Deixou-o sozinho?
- Gente de volta dele não lhe falta, quando saí de casa deixei-o com a mãe, com a noiva, com o irmão e com o Nuno.
- Mas não teve indisposto, nem com dores de cabeça durante a noite, correto?
- Não se preocupe que ele está pronto para outra – o Miguel sorriu – nada como umas boas horas de sono em casa para resolver o assunto.
- Teve uma atitude bonita – olhei-o novamente – em ter assumido a responsabilidade de ficar com ele.
- Os amigos são para isso.
- Posso confessar uma coisa?
- Já vem por aí disparate – ele gargalhou – desculpe mas diga.
- É sempre assim tão espontânea?
- Tem dias mas acredito que não era isso que queria dizer.
- Tem razão – olhou-me – o que queria dizer é que por momentos pensei que fosse você a noiva do Ruben.
- Eu? Credo que o diabo seja cego, surdo e mudo – o Miguel gargalhou.
- Então? Seria assim algo tão mau?
- Expressei-me de forma incorreta, o que quis dizer é que não tenho feitio para namorada quanto mais noiva de alguém muito menos de um jogador de futebol que tem sempre não sei quantos olhos em cima dele.
- Isso quer dizer que está solteira?
- Isso quer dizer que você é um bocado atiradiço, não? Desde quando é que o meu estado civil lhe interessa?
- Desculpe, não quis invadir a sua privacidade mas confesso que deixou-me curioso.
- E posso saber porquê?
- Posso ser sincero consigo sem correr risco de vida – sorri não sei porquê mas estava a gostar deste bocadinho.
- Pode, prometo que vou controlar-me mas ainda assim é melhor não abusar da sorte – ele sorriu.
- Fiquei curioso devido à forma como tratou o Ruben quando ainda estava no hospital, meteu-o na linha sem que ele refilasse muito o que sinceramente pelo pouco que conheço do Ruben é algo incomum – sorri ao ouvi-lo, não deixava de ter razão – e depois a forma como se preocupou com ele demonstra que é uma boa amiga.
- Isso de boa amiga varia consoante os olhos que nos olham.
- Agora não entendi.
- Deixe, é uma longa história e acredito que deve ter mais que fazer.
- Por acaso até não tenho, afinal estou de folga.
- Somos dois – ele sorriu – mas agora vou ter que ir.
O Miguel não falou mais acabamos por nos levantar e ir pagar a nossa despesa, cada um pagou a sua e quando já ia para despedir-me dele, o Miguel perguntou se iria para casa.
- Posso saber o motivo de tal pergunta?
- Gostava de ir ver o Ruben, só por isso.
- Hum, não vou já para casa mas se quiser posso dar-lhe a morada e você vai lá vê-lo.
- Agradeço se puder fazer isso.
Após revirar a minha mala de pantanas lá consegui encontrar a caneta e depois de escrever a morada num papel entreguei ao Miguel, que mais uma vez agradeceu para depois finalmente seguirmos cada um o seu caminho, não sem antes ter-me despedido dele que ao contrário das outras pessoas que têm a mania irritante dos beijinhos ele simplesmente esticou a sua mão, apertei-a e virei costas com a sensação que irei cruzar-me mais vezes com ele, ideia que não desagrada de todo uma vez que gostei da sua atitude.
Passei as horas seguintes a bater perna na avenida principal de Braga, podia não ter dinheiro para gastar mas sempre adorei passear e ver coisas novas. Quando reparei já era horas de ir buscar o Martim e por isso fui até à escola, o meu piolho assim que me viu correu e como sempre atirou-se para os meus braços, fomos o caminho todo a falar do seu dia de aulas e dos trabalhos que tinha para fazer.

***

- Mana – o meu piolho apareceu na sala.
- Diz.
- Queres ir brincar comigo para o jardim.
Sorri e como é lógico aceitei o desafio, adoro brincar com ele principalmente ao ar livre onde podemos correr que nem desalmados, sempre que o faço sinto-me livre por momentos é como se os problemas todos deixam de existir.
Estava a jogar à apanhada quando reparei que estávamos a ser observados, o Ruben estava na varanda do seu quarto a olhar-nos e assim que percebeu que a sua presença tinha sido notada acenou, teria retribuído o gesto mas como a Soraia grudou nele de forma imediata resolvi fingir que não tinha visto e acatar o pedido do Nuno. Continuei na brincadeira com o meu irmão até que nos cansamos e regressamos para dentro.
- Boa tarde novamente – sorri ao ver o Miguel o que deixou todos os presentes a olharem nomeadamente o Ruben que já estava na sala sentado a fazer companhia à visita dele.
- Afinal sempre nos voltamos a encontrar.
- Parece que sim – teria continuado a falar com o Miguel mas a pergunta do meu irmão impediu isso.
- Mana quem é?
- É o Sr. Miguel Moita preparador físico do Braga.
- Ah isso quer dizer que trabalha com o Nuno e com o Ruben – eles gargalharam.
- Sim, trabalha com eles – o Miguel sorria ao olhar para o meu irmão.
- Então e tu como te chamas? – meteu-se com o meu irmão.
- Sou o Martim e irmão da Mariana.
- Muito prazer – o Miguel cumprimentou o meu irmão que depois disso se foi sentar ao lado do Ruben e do Nuno – engraçado o miúdo – comentou comigo.
- Tem dias mas sim não posso queixar-me – respondi e teria continuado à conversa se o Ruben não falasse.
- Mas isto é assim? Ó Mariana o Miguel veio visitar-me a mim não foi a ti – olhei-o
­- Desde quando é que controlas com quem falo ou deixo de falar? Mas não te incomodes porque já estou de saída.
Não tinha entendido a implicância do Ruben mas sinceramente também não quis alongar mais aquilo, despedi-me do Miguel e fui até ao meu quarto queria tomar um banho e mudar de roupa pois estar a brincar com o Martim deixa-me sempre de rastos, aquele pirralho tem uma energia terrível que dá cabo de mim em três tempos.

***

Estava na sala acompanhada pelos meus amigos e pela família do Ruben a fazer tempo para ir preparar o jantar que após ter insistido consegui convencer a Patrícia a não encomendar comida quando o meu irmão se veio sentar ao meu colo.
- Mana posso fazer uma pergunta?
- Diz.

Que pergunta será? E irá o Martim deixar a irmã sem resposta?

9 comentários:

  1. Olá:)
    Quando vi o titulo só pensei ai vem mais uma troca de palavras,só espero que a Mariana diga umas verdades!
    Quanto às conversas de futebol do Rúben e do Martim isto sim é algo bonito de ser ver xD
    Agora o que será que o Martim quer perguntar à mana?
    Rápido!
    Beijinhos
    Rita

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  2. Olá :D
    Adorei o capítulo! Esta fic está cada vez melhor : )
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  3. Hoje a coisa correu bem para o meu lado... :D a perua levou "porrada" de vários lados :D :D :D
    Ai e os abraços constantes do Ruben à Mariana??? Acho que o Ruru já estava com vontade de mais carinho...
    Estou a ver que este Miguel vai começar a aparecer... vai dar que falar, bem o Ruben ficou com ciumes claramente ;)
    Quero mais, como é fim de semana devias dar-nos mais um capitulo ;)
    Beijinhos linda.

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  4. A única coisa que posso dizer é um que preciso dos próximos, pelo menos 15, capítulos com muita urgência!!!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  5. fantastico... agora tou curiosa para saber o k o martin vai perguntar a irma...

    continua... quero mais...

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  6. Eu realmente qando li o titulo ainda pensei qe viesse aí porrada da boa :p e realmente essa soraia anda a merecer!
    E o Rubinho realmente anda a qerer muitos abraços ^^, agora é qe vamos ver os ciuminhos do menino em relação ao Dr.? ahah vou qerer ver o qe vem daí!
    Beijinhoo

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  7. Olá!
    Bem, esta Soraia já podia ir até Milão ver umas lojinhas de roupa e ficar por lá a arranjar as unhas...
    E quanto a este Miguel, ui ui que eu acho que vai dar em confusão. Já estou a ver o menino Amorim com um ataque de ciúmes.
    E quanto ao Martim até tenho medo! Sai cada pergunta do pirralho xD

    Espero pelo próximo!!!
    Beijo
    Ana
    http://desempreparasempre28.blogspot.com/

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  8. Adorei, para não variar! Com tanto abraço, parece-me a mim que o Ruben anda a ficar muito carente por mimos da Mariana! :P
    E quer parecer-me também que vêm aí mais surpresas... esse Miguel ainda vai dar que falar!
    Quero o próximo o quanto antes, estou a ficar cada vez mais rendida à história. :)

    Beijinhos, minha linda :)

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  9. O menino Ruben anda muito carente, só quer abracinhos da Mariana.
    Esta Soraia... haja paciencia, bem que o Ruben lhe podia meter uns patins e mandá-la dar uma curva, de preferência uma curva bem grande, que mulherzinha chata, mas a Mariana é que a mete na linha. Adorei, como sempre, mas este Miguel, vamos ver se isto não dá confusão, porque o Amorim já lhe deu uma picada de ciúmes.
    Quanto à perguntinha, o puto deve ir fazer alguma das dele.

    Beijocas

    Fernanda

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