Patrícia
Passei a manhã toda a cuidar dos detalhes para a festa do
Martim, apesar de ter contratado pessoas para o efeito queria que estivesse
tudo pronto a tempo mas principalmente ao jeito da Mariana, afinal aquilo era
também para ela, uma vez que sabia que nunca tinha conseguido fazer uma festa
em condições para o irmão, daquelas que todas as crianças adoram, com muito
animação e diversão.
Já tínhamos tudo pronto só faltava mesmo o anfitrião da
festa chegar quando recebemos a mensagem do Ruben a avisar que já vinham a
caminho por isso avisei os amiguinhos do Martim que ele já vinha a caminho.
Estávamos no jardim com as crianças quando vimos o Ruben e
atrás dele a Mariana e o Martim, se o puto ficou extasiado ao ver o que tinha
diante dos olhos e não perdeu tempo a correr para junto dos amigos, a irmã
ficou sem reação, a Mariana simplesmente estava pasmada com o que tinha diante
dos olhos.
- Então não falas
nada? – o Nuno meteu-se com ela.
- Vocês são loucos
– gargalhamos – porquê que fizeram isto
tudo?
- Olha porque o
Martim merece e além disso é a nossa prenda de aniversário, ainda pensamos dar-lhe
algo mais material mas sinceramente achei que ele iria gostar muito mais de ter
uma festa e poder festejar com os amigos.
- Obrigada –
agradeceu quase sem palavras – foi um
gesto bonito – ela continuava a olhar para o irmão e ao vê-lo a brincar
felicíssimo com os amigos acabou por se emocionar, quem se apressou a
reconfortá-la foi o Ruben que depressa passou o seu braço por cima dos ombros
da Mariana mas que acabou por deixar descair até às suas costas, abraçando-a.
- Então o que é isto?
– perguntou-lhe ao limpar as lágrimas com os seus dedos – é suposto hoje ser um dia de alegria e não de lágrimas – o Ruben
sorria-lhe – quer dizer o puto anda aos
pulos nos insufláveis e a irmã dele chora – ela sorriu – ah assim já gosto mais – estávamos
simplesmente a olhar para eles quando inesperadamente vimo-la a sair do jardim
em passo apressado e regressar para dentro de casa.
- O que é que se
passou?
- Não sei Nuno mas
vou já saber – tentei ir ter com ela mas o Ruben antecipou-se ainda assim
acabamos por ir atrás dele.
- Então o que se
passa? – ele sentou-se ao lado da Mariana que estava no sofá com as
lágrimas nos olhos.
- Isto já passa –
falou a limpar a cara com as mãos – só
não estava à espera disto e não quis que o Martim percebesse – é incrível
como ela mete sempre o irmão em primeiro.
- Hum, ok – o
Ruben sorriu-lhe – agora anda cá que
estás a precisar de mimos – desviei o olhar para o Nuno e encontrei-o a
sorrir – vá não te quero ver assim,
anima-te que o Martim está em êxtase – ela deixou que o Ruben a abraçasse e
acabamos por nos afastar.
Estávamos no jardim quando vi a Soraia a aparecer, algo que
não estava de todo nos meus planos ainda assim fui ter com ela.
- Boa tarde –
cumprimentou-me – mas o que se passa
aqui? – olhei-a e mesmo sem ter nada com o assunto acabei por lhe
responder.
- O Martim faz anos
hoje.
- A criança faz anos
e a empregada monta este carnaval todo no vosso jardim.
- Soraia, para tua
informação quem montou este carnaval fui eu e o Nuno, a Mariana nem sequer
sabia e o Martim muito menos – percebi que ela arrependeu-se daquilo que
disse – então e tu o que estás aqui a
fazer?
- O Ruben não
comentou que vinha? – perguntou incrédula.
- Sim mas disse que
só chegavas à noite.
- Resolvi vir mais
cedo para lhe fazer uma surpresa mas ele não estava em casa e muito menos a
atender o telemóvel por isso vim aqui ter convosco.
- Pois, o Ruben deve
andar por aí a brincar com os miúdos – sabia que não era verdade, ele devia
estar com a Mariana algures pela casa mas não iria dizer isso à Soraia.
- Importaste que vá
procurá-lo?
- Não, está à
vontade.
- Obrigada.
Ela agradeceu e conforme se virou deu de caras com o Ruben e
a Mariana a chegarem ao jardim, eles ainda não a tinham visto e por sinal
vinham bem animados, a rirem às gargalhadas mas assim que a nossa amiga
percebeu que a noiva do Ruben estava presente mudou radicalmente de postura o
que fez o Ruben olhá-la, trocaram meia dúzias de palavras e depois ele veio ter
connosco.
- Amor – sorriu –
o que estás aqui a fazer?
- Isso lá é forma de
cumprimentares a tua noiva? – perguntou visivelmente irritada.
- Desculpa tens razão
mas não estava à espera de ver-te tão cedo – beijou-a de forma rápida e sem
grande entusiasmo.
- Ruben, venho mais
cedo para fazer-te uma surpresa e recebes-me assim? Nem um beijo em condições
dás?
- Amor, temos
crianças a ver – falou quando ela já se aproximava – e já agora como é que sabias que estava aqui?
- Não sabia mas como
não encontrei-te em casa e nem atendias o telemóvel resolvi passar por aqui.
- Ah, está bem.
- Posso saber porquê
que não atendeste?
- Olha porque devo
ter deixado o telemóvel no carro – desconversou – e agora anda – puxou-a pela mão.
- Onde é que vamos?
- Já vês – sorriu-lhe
e desapareceram os dois de mãos dadas, o Ruben levou-a para o interior da casa.
- Desculpa – a
Mariana olhou-me.
- Porquê?
- Pela presença da
Soraia no aniversário do teu irmão, isto não estava previsto – ela
gargalhou.
- Não te incomodes
que o Ruben entretém-na – sorri ao ouvi-la afinal a Mariana não estava
minimamente incomodada – além disso hoje
é o dia do meu mano e não há nada nem ninguém, muito menos ela, que vai
conseguir aborrecer-me.
- Ainda bem –
sorri ao vê-la novamente a apreciar a alegria do irmão.
- Patrícia desculpa
mas vou ter que juntar-me às crianças – falou alegremente e por momentos vi
um brilho no olhar dela igual ao do irmão quando percebeu que aquilo tudo era
para ele.
- Vai lá, aproveita
que isto também é para ti – ela agradeceu e fiquei a vê-la a correr em
direção ao irmão.
Estava a observá-la na brincadeira com as crianças quando o
Nuno se aproximou abraçando-me.
- Parece uma
autêntica criança – comentou ao vê-la a pular no insuflável.
- Amor, é a primeira
vez que a vejo verdadeiramente feliz.
- É nisso concordo
contigo, a Mariana hoje parece mais criança que o irmão – gargalhamos os
dois ao vê-la a desafiar os miúdos para brincarem.
- É normal, afinal o
Martim está contente e querendo ou não todas as crianças sonham com uma festa
de aniversário como esta, coisa que a Mariana nunca teve e dificilmente iria
conseguir dar uma ao irmão.
- Sim, tens razão
– ela continuava na brincadeira e nós ficamos a ver até que os rapazes se
lembraram de vir perguntar ao Nuno se alinhava num jogo de futebol, lógico que
a criança crescida que tenho em casa concordou imediatamente e juntou-se a
eles, acabei por aproximar-me da Mariana.
- Não sei quem é mais
criança hoje se o Martim ou se a Mariana – comentei como quem não quer a
coisa o que provocou uma gargalhada estridente nela – estás mesmo feliz, não estás?
- Sim, é a festa que
sempre quis e nunca tive em criança, além disso o Martim está a adorar –
ela sorria como nunca a tinha visto a sorrir – obrigada, a sério do fundo do coração muito obrigada – ela abraçou-me.
- Não precisas de
agradecer desde que te divirtas estás tudo bem.
- Achas mesmo que não
estou a divertir-me? Acho que nunca pulei tanto na minha vida – gargalhei
pela primeira vez vi uma Mariana totalmente despreocupada, simplesmente deixou
vir ao de cima a criança que todos temos dentro de nós, esqueceu os problemas e
preocupações, estava unicamente a aproveitar a tarde.
- Já deu para ver
– ela sorriu – agora continua aí a pular
que já regresso.
Ela não ligou nenhuma para o que estava a falar e continuou
na brincadeira com as meninas uma vez que os rapazes já andavam a jogar com o
Nuno. Afastei-me e fui até ao interior da casa, queria ver o Nuninho que estava
a dormir serenamente no seu quarto. Foi quando já regressava à sala que vi o
Ruben e a Soraia abraçados e a caminharem para o quarto que em tempos foi dele.
- Juízo – meti-me
com eles – olhem que isto é uma casa de
família.
- Até parece que não
sei comportar-me – o Ruben fez-se de ofendido – já para não falar que não vamos fazer nada que os pais do Nuninho não
façam também – gargalhei já a Soraia não gostou da insinuação do Ruben e
fez questão de mencionar isso, ele para a calar beijou-a.
- Não atrapalho mais
– o Ruben sorriu e quando já estavam a entrar para o quarto o Martim apareceu
ao início do corredor e chamou por ele.
- Sim – o Ruben
olhou.
- O que é que vais
fazer? – sorri ao ouvir a pergunta e ainda mais pela cara que o Ruben fez.
- Porquê? – ele
preferiu desviar o assunto.
- Porque quero que
venhas jogar connosco – a Soraia olhou-o à espera que ele negasse tal
pedido.
- Martim não pode ser
mais daqui pouco? É que agora precisava falar com a Soraia.
- Deixa estar –
foi notório que o miúdo ficou triste e quando já tinha virado costas ao Ruben,
ele chamou-o – diz.
- Martim não fiques
triste que depois eu jogo contigo.
- Não estou triste
também não tens obrigação de brincar comigo – atirou deixando o Ruben sem
resposta.
- Ó lindo – o
Ruben deixou a Soraia plantada a olhá-lo e aproximou-se do Martim – prometo que depois brinco contigo, pode
ser?
- Não – o Ruben
olhou-o – se não podes agora também
depois já não é preciso porque é agora que vou jogar com os meus amigos e com o
Nuno – o meu amigo olhou para o puto e depois para a Soraia talvez na
esperança que ela dissesse para ir com o Martim mas ela calou-se.
- Ficas chateado
comigo se não for?
- Não, já percebi que
a tua noiva está primeiro – o Martim ripostou e confesso que não esperava
tal resposta – mas podias vir comigo é
só um jogo e a Soraia não vai embora ou vai?
- Não.
- Então e não podes
deixar a conversa para depois – a vontade de rir foi imensa mas controlei-me
– é que só hoje é que tenho cá os meus
amigos e eles queriam jogar com o Nuno e contigo.
- Ok, vamos lá então
– a Soraia não gostou do que ouviu ainda assim não abriu a boca – vai lá avisar os teus amigos que já vou.
- Fixe – o Martim
desapareceu a correr.
- Amor, anda vamos
até ao jardim.
- Andas a mudar de
opinião muito rápido – ripostou.
- Soraia não comeces
o Martim tem razão os amigos dele no final do dia vão embora enquanto tu ficas,
temos tempo e prometo que depois compenso – ele abraçou-a e ainda os vi a
unir as bocas mas acabei por afastar-me, dispensava ver certas cenas.
***
Estava no jardim já com o Nuninho ao meu colo e a ver os
rapazes a jogarem quando a Mariana se aproximou.
- O meu pequenino já
acordou – pegou-lhe ao colo.
- Então já te
cansaste de brincar, foi? – meti-me com ela.
- Não mas resolvi
deixar o lado infantil e regressar à realidade.
- Fazes mal, devias
aproveitar até porque o Nuninho está com a mãe dele – ela gargalhou – o que foi?
- Realmente já levo
com os ciúmes daquela, agora levo com os teus e daqui a nada levo os da
namoradinha do meu irmão, ó vida – ela voltou a gargalhar e acabei por a
acompanhar o que despertou a atenção da Soraia que se mantinha a um canto – bem agora que a Mariana responsável e
adulta já regressou vou fazer a boa ação do dia – olhei sem entender o que
queria dizer – pega lá no Nuninho que já
regresso – assim que peguei no meu filho a Mariana caminhou na direção da
Soraia e por isso fiquei a ver o que iria fazer.
Mariana
O dia hoje estava a ser inesquecível, começou logo de manhã
com os meus amigos a desarmarem-me completamente perante o Martim e
praticamente obrigaram-me a assinar o impresso para ele entrar para as
escolinhas do Braga mas acabei por esquecer esse episódio assim que vi o
sorriso do meu irmão, a minha pestinha queria mesmo aquilo e só não pediu antes
porque tinha receio da minha reação.
Depois seguiu-se a manhã no Bom Jesus, onde o Martim fartou-se
de correr e tirar fotos, o que proporcionou alguns momentos engraçados, de
seguida veio o almoço e consequentemente ter sido confundida com a namorada do
Ruben, que confesso deu-me algum gozo apresar de não o ter demonstrado mas amei
ver a cara das raparigas quando as informei que estavam enganadas.
Mas o que desarmou-me completamente foi a festa surpresa, se
o Martim adorou acho que eu rejubilei, não sei bem porquê mas quando dei conta
já andava a pular juntamente com as crianças, talvez porque ao fim de vinte
seis anos fiquei a saber qual é a sensação de se ter uma festa de anos daquelas
que em pequena sempre sonhei mas que infelizmente nunca tive.
Só parei quando vi que o meu pequenino já tinha acordado e
estava ao colo da mãe, não resisti e tive que lhe ir dar um beijinho afinal
hoje ainda não o tinha visto. Estive uns minutos à conversa com a Patrícia mas
acabei por ter um rasgo de bom senso e resolvi aproximar-me da Soraia, ela
estava a um canto sem necessidade nenhum pois podia muito bem-estar connosco.
- O que queres? –
perguntou assim que cheguei junto dela.
- Vim perguntar se
não queria juntar-se a nós.
- Vais dar numa de
sonsa e boazinha para cima de mim, é?
- Não, só estava a
tentar ser educada mas já percebi que perdi o meu tempo e como não quero ser
contagiada com esse seu mau humor fique aí sozinha que vou regressar para junto
da Patrícia.
- Julgas que não te
topei logo no primeiro dia que te vi?
- Soraia, o que você
pensa a meu respeito é lá consigo, não vou perder o meu tempo e muito menos a boa
disposição a tentar explicar que está enganada.
- És mesmo fingida e
o pior é que os consegues enganar todos.
- É a sua opinião e
respeito-a, faça dela o que quiser e seja muito feliz – não estava para
chatear-me por isso virei costas e regressei para junto da Patrícia.
- O que foste fazer?
- Convidá-la a juntar-se
a nós mas a Soraia deve ter medo de sufocar se respirar o mesmo ar que a
empregada.
- Mariana, não ligues,
és demasiado boa pessoa para entenderes isto mas neste caso o melhor que tens a
fazer é mesmo ignorá-la.
- Podes ter a certeza
que é o que vou fazer hoje nada nem ninguém vai conseguir arruinar com o meu
dia – ela sorriu.
- Mas custa olhar
para a Soraia e ver no tipo de pessoa que se está a tornar.
- Como assim?
- Segundo o Nuno ela
quando começou a namorar com o Ruben não era assim, não tinha tantas manias mas
depois com o passar do tempo tornou-se no que vês.
- Não acredito que as
pessoas mudem – ela olhou-me – elas
simplesmente se revelam, talvez a Soraia se esteja agora a revelar.
- Pois não sei.
- Patrícia, a vida
ensina-nos muita coisa e a Soraia não é exceção, ela vai acordar um dia e
perceber que está a implicar com o que não tem sentido, eu e o Ruben somos só
amigos por isso tenho a consciência tranquila.
- Mariana desculpa a
pergunta mas tenho que a fazer – olhei-a – nunca se passou nada entre ti e o Ruben? – não respondi
simplesmente desviei o olhar na direção dele – Quem cala consente – voltei a olhá-la.
- Não respondi porque
a pergunta não tem fundamento nenhum.
- Consegues negar que
nunca se passou nada? Nem mesmo assim uma aproximação mais comprometedora?
- Posso saber o
motivo desta conversa?
- Curiosidade.
- Vá, agora diz lá a
verdade – ela sorriu.
- Pronto ok, acho que
da tua parte não mas da do Ruben não sei se não existe qualquer coisa mesmo que
esteja disfarçada pela amizade.
- E queres saber se
já falamos disso?
- Confesso que nunca
o vi a dar-se tão bem com uma rapariga como se dá contigo.
- Oh, isso é porque
ele insiste em saber o meu passado como ainda não lhe contei o Ruben continua a
rondar-me.
- Estás a insinuar
que se lhe contares que ele se afasta?
- Não, o que quis
dizer é que como faço tanto segredo à volta disso, agucei a sua curiosidade,
ele tentou aproximar-se para descobrir o meu passado mas acabamos por nos tornar
amigos, tal como vos considero meus amigos também o considero a ele.
- É diferente tu
connosco falas e até sabemos que passado é esse do qual não gostas falar mas
com o Ruben vocês têm uma afinidade estranha e é isso que a Soraia já percebeu.
- Não confundas as
coisas, o que a Soraia tem são ciúmes sem fundamento e uma implicância porque o
noivo se dá com a empregada, quanto à afinidade para ser sincera acho que
depois do choque inicial que tive com ele acabei por perceber que atrás daquele
ar de gozão e brincalhão está uma pessoa com um coração enorme, identifico-me
com o Ruben e a sua maneira de ser, temos falado imenso e o facto de ter sido
comigo que falava mais quando esteve separado da Soraia serviu para nos
aproximarmos mais, é só isso.
- É mesmo só isso?
- É.
- Então se pedisse
que jurasses que nunca se passou nada entre vocês farias sem hesitar?
- Não.
- Eu sabia –
disse triunfante.
- Não faria porque se
pedisses que jurasse era sinal que não confias em mim, além disso não devo
satisfações a ninguém e detesto quando tentam encurralar-me.
- Ok, não insisto
mais.
A conversa terminou por ali, algo que agradeci mentalmente,
afinal não queria relembrar o que nem sequer devia ter acontecido. Estava
perdida a olhar para o meu irmão quando a Patrícia chamou-me.
- Diz.
- O que dizes de
irmos partir o bolo?
- Pode ser.
Concordei com a Patrícia e depois de informar os rapazes que
tinham de deixar o jogo, pedi aos meninos que fossem atrás do Martim para
cantarmos os parabéns, algo que eles fizeram com a algazarra propícia de
crianças daquela idade.
***
Estava estatelada no sofá e toda partida por ter andado
feita maluca na brincadeira com os amigos do Martim, quando ele veio a correr e
se atirou para o meu colo.
- Martim tem cuidado –
refilei.
- Ó mana tou tão
contente – sorri afinal ele conseguiu desarmar-me completamente com tão
poucas palavras – lembraste do dia que
falaste comigo que tinhas arranjado um novo trabalho?
- Sim, o que tem?
- Ó mana eu sei que
fiz birra – sorri ao ouvi-lo – mas
que depois passou quando explicaste que aqui ia encontrar novos amigos e que ia
gostar, não foi?
- Foi mas porquê que
estás com esta conversa? – por esta altura já tinha o Nuno, a Patrícia e o
Ruben, apesar de ter a Soraia agarrada ao seu pescoço, a ouvir a nossa conversa.
- Porque quero dizer
que tinhas razão.
- Até parece que não
tenho sempre razão – fiz-lhe cócegas o que originou mais um momento de
brincadeira e partilha entre nós os dois, algo que deixou os nossos amigos de
sorriso na cara à exceção da Soraia que se manteve no seu canto ainda que a
reprovar com o olhar o que se estava a passar naquela sala, ignorei-a e
continuei a falar com o meu piolho – mas
a mana fica contente por gostares.
- Sabes o que gostei
mais até agora?
- Não mas vais dizer
não vais?
- Sim – sorriu – foi conhecer e ficar amigo da Patrícia, do
Nuno e depois do Ruben – olhei-os e encontrei-os a enternecidos com as
palavras do puto – os teus antigos
patrões eram bons para mim mas o Nuno e a Patrícia são uns fixes – sorri – e o Ruben às vezes é mais criança do que eu
– gargalhamos todos menos o Ruben que se fez de ofendido e a Soraia que não
estava a achar piada nenhuma – e depois
tu dás nas orelhas dele, é fixe ver que ralhas com ele – continuei a rir.
- Martim, acho que o
Ruben não está a gostar do que estás a dizer.
- Mas é verdade –
ele olhou para o Ruben e como o viu a fazer cara de mau saiu do meu colo e
aproximou-se dele – mas eu gosto muito
de ti – agarrou-se ao pescoço do Ruben e acabou sentado ao seu colo.
- A tua sorte é mesmo
essa – ele sorriu para o Martim – e
fica a saber que também gosto muito de ti.
- Só de mim? –
perguntou confuso o que levou o Ruben a sorrir.
- De ti e da tua mana
– olhou-me e sorriu.
- Isso quer dizer que
o teu coração tem um espacinho para ela – olhamos todos para o Martim – e para mim?
- Não.
- Porquê? –
perguntou-lhe imediatamente.
- Porque esse
espacinho já vocês o ocuparam – o Ruben deu-lhe o beijo na bochecha direita
– ó meu pirralho fica tranquilo que já
vos adoro aos dois – a Soraia olhou-o chocada mas o Ruben prosseguiu – e por isso não se vão ver livres de mim tão
facilmente.
- Mesmo depois de
casares?
- Sim, mesmo depois
de casar mas o que é que uma coisa tem com a outra?
- Tem tudo ou achas
que não sei que a tua noiva não gosta de mim e da mana – o Ruben olhou-me.
- Martim – tentei
repreende-lo mas o Ruben meteu-se ao barulho.
- Não interessa se a
Soraia gosta ou não de vocês, Martim já vos considero dois amigos e não
tenciono deixar de falar com os meus amigos só porque vou casar ou porque a
minha namorada não gosta, não somos obrigados a gostar todos da mesma coisa ou
das mesmas pessoas, só temos é que respeitar a opinião de quem nos rodeia por
isso acredito que não vai haver problema.
- Isso quer dizer que
depois de casares posso continuar a visitar-te?
- Podes, sabes bem
que as portas da minha casa estão sempre abertas para ti e para a tua irmã.
- E vais gostar de
mim mesmo depois de seres pai? – as perguntas do Martim estavam a deixar a
Soraia incomodada ainda assim o Ruben respondeu-lhe.
- Vou mas também não
precisas ficar preocupado com isso porque a Soraia não quer ser mãe tão cedo
– a forma como falou deu a sensação que estava a picar a noiva.
- Mas tu gostas tanto
de brincar comigo e com o Nuninho não queres ser pai?
- Quero mas para isso
preciso de uma mãe para o meu filho não é?
- É – o meu irmão
olhou-me e depois sussurrou algo ao ouvido do Ruben que o fez gargalhar
fortemente.
- E tu querias isso?
– o Ruben perguntou-lhe o que aguçou ainda mais a curiosidade dos presentes.
- Era fixe – o
meu irmão sorriu.
- E achas que ela
aceitava?
- Pois – ele
torceu o nariz – acho que não –
encolheu os ombros.
- Posso saber o que é
que a criança te disse? – a Soraia perguntou algo irritada e antes que o
Ruben falasse o Martim respondeu.
- Não, isto é uma conversa
de amigos e tu não gostas de mim – teria repreendido o Martim pela forma
como falou mas ela respondeu-lhe.
- Mas o Ruben é meu
noivo – ripostou – tenho o direito
de saber.
- Soraia olha a forma
como falas com o Martim, é só uma criança – o Ruben alertou-a.
- Se é só uma criança
posso saber o que ele falou afinal deve ser algo inocente – o Ruben olhou
para o Martim.
- Se queres saber ele
não falou, o Martim perguntou-me se a mãe dos meus filhos não podia ser a
Mariana porque ele não se importava de me ter como pai, satisfeita?
- Só podes estar a
gozar?
- Não, perguntaste e
como não tenho nada a esconder falei.
- Só falta dizeres
que a ideia agrada-te afinal ela não se deve importar – teria respondido
mas o Ruben antecipou-se.
- Acredito que a
Mariana quer ser mãe mas daí a ser eu o pai dos filhos dela é algo sem sentido,
nós somos só amigos e agora vamos acabar aqui com a conversa que não nos vai
levar a lado nenhum.
- Depois falamos em
casa.
A conversa terminou mesmo ali até porque resolvi sair da sala
e levei o Martim comigo, acabamos no meu quarto os dois deitados lado a lado e
a conversarmos sobre o dia do seu aniversário, ele estava realmente feliz mas
também cansado e acabou por adormecer pouco tempo depois, ainda fiquei alguns
minutos no quarto mas acabei por sair, fui até ao jardim e estava perdida em
pensamentos quando o Ruben toca-me no ombro.
- Precisas de alguma
coisa?
- Vim só despedir-me
que a Soraia quer à força ir conhecer a sua futura casa – gargalhei ao ouvi-lo
– o que foi?
- Diz antes que quer
ir conhecer a futura cama, sofá, mesa e afins – ele gargalhou.
- Estás a ser muito
perversa até porque daqui vou direto à cama, o teu irmão e os amigos arrasaram
comigo.
- Tadinho dele –
apertou-me as bochechas o que fez com que sorrisse - até parece que não está habituado a treinar todos os dias e a jogar 90
minutos.
- É diferente e agora
nem isso.
- Desculpa não queria
tocar nesse assunto falei sem pensar.
- Não faz mal e agora
deixa-me ir que ela está impaciente – sorriu e depois deu-me um beijo na
bochecha direita e outro na testa que levou-me a sorrir – o Martim?
- Está a dormir no
meu quarto.
- É o que faz estar
cansado – sorriu.
- Ya e se queres
saber já não falta muito para ir dormir também – desviei o olhar e vi a
Soraia a aproximar-se – ela vem aí –
informei-o, o Ruben sorriu e acabou por se afastar, vi-os a desaparecerem e
depois fui para dentro.
Ainda fiquei um tempo com o Nuno e com a Patrícia, onde mais
uma vez agradeci pela festa mas acabei por ir deitar-me.
A Soraia está em Braga… resta saber se será para ficar ou partir de vez
da vida do Ruben.
magnifico...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo...
continua... cada vez tou mais curiosa para ver o desenrolar da fic...
Olá!
ResponderEliminarCada vez melhor a fic e cada vez mais insuportável a Soraia! Essa em vez te a teres mandado a Braga podias tê-la mandado a outro sítio (nao vou especificar por motivos de educação xD)
Quero o próximo porque sinto que há uma bomba prestes a explodir. Nao sei como o Ruben a atura!
Beijo
Ana
http://desempreparasempre28.blogspot.pt/
Olá!
ResponderEliminarGostei muito e por mim, se tivesse mais tempo e já estivesse disponível, lia o próximo. lol
A Soraia já podia era ir embora de uma vez. Já estou farta dela, é uma chata! Irritante!
Adoro a Mariana! (Afinidades de nomes, é o que dá!) lol
Beijinhos
Amei, adorei... O Martim é um querido!!! Até consegui ver uma perua com as penas todas no ar com os acontecimentos do dia apreciados pela Soraia :D :D :D
ResponderEliminarEstou mortinha para ver o Rúben e a Mariana cederem aos sentimentos.... mortinha
Como não publicaste ontem devias publicar outro ;)
Quero mais.
Beijinhos
Preciso mesmo voltar a dizer que adorei?!
ResponderEliminarAgora não sei qual dos moments o preferido, mas aquele em que o Martim resolveu arranjar um pai para os sobrinhos foi divino ;-)
Agora quero ser como vai correr essa estadia da Sorria por Braga. Cá para mim acabava antes do previsto e de vez.
Jokinhas
Mariaa
Eu tenho cá para mim qe nao é para ficar...ela irrita -.-! E o Martim é qe a sabe toda, há qe lhe dizer tudo :p
ResponderEliminarEsses dois têm de abrir os olhinhos, qe já é tempo!
Beijinhoo
Oh my God!!! Preciso mesmo dizer que está maravilindo? u.u
ResponderEliminarO Martim é mesmo um fofo & mereceu tudo isso. Mas tenho cá pra mim que a Soraia não passa dessa semana, é u_u
Enfim, quero mais *-*
Beijos! :*
Tu dizes bem "a Soraia tá em Braga" por enquanto... porque cá pra mim nem lhe dava tempo de aquecer o lugar, personagem irritante, é que é mesmo perua. Queria saber qual foi o segredo que o Martim disse ao Ruben não queria? Bem feita ouviu o que não queria ouvir.
ResponderEliminarEU, mais uma vez adorei, mas isso não é novidade, a festa foi o máximo, o Martim teve uma tarde de sonho, e a Mariana também. A Patrícia bem que apertou com a Mariana mas ela não se descoseu, ou seja vamos continuar a pensar se já aconteceu algo entre os dois ou não.
Como diz a Elsa e muito bem, como ontem não publicaste, hoje deveriamos ter direito a dose dupla.
Beijocas
Fernanda
OlÁ :)
ResponderEliminarEsta Martim...É assim mesmo!
Diz-se o que se quer ouve-se o que não se quer :P
A Soraia que saia rápido da vida do Rúben e de Braga .. -.-
Fico à espera ;)
Beijinhos
Rita