Ruben
Duas semanas passaram desde que tive a minha mãe em Braga e
neste espaço de tempo consegui finalmente arranjar o meu cantinho como quem diz
a minha casa. Depois de algumas visitas falhadas consegui encontrar uma que após
discutir com a Mariana ela acabou por concordar que seria a melhor.
- Finalmente posso
ver-me livre de ti – a Mariana estava nitidamente a gozar comigo.
- Fica a saber que é
recíproco – a Patrícia e o Nuno sorriram.
- Ai sim?
- Sim, afinal já
começa a ser complicado levar com o teu feitio implicante todos os dias ao
pequeno-almoço.
- Sua excelência só
atura porque quer afinal foi sua majestade que andou atrás da serva a pedinchar
ser ouvido – desta os nossos amigos gargalharam.
- Isso só aconteceu
porque és uma serva boa.
- Gracias pelo elogio
– ele sorriu – mas deixando as
brincadeiras de lado quando é que mudas mesmo?
- Isso é tudo pressa
para veres-me pelas costas? Sabes que não é por mudar de casa que vais ver-te
livre de mim, não sabes?
- Sei, infelizmente
ainda não posso mudar o padrinho do Nuninho – falou enquanto pegava no
menino que estava a brincar.
- É que nem vou ligar
ao que falaste – ela sorriu – até
porque tenho uma coisa para te dar – olhou-me desconfiada – toma.
- Isso é mesmo o quê?
– perguntou ao olhar para o que tinha nas mãos.
- As chaves da minha
casa.
- Desculpa não achas
que já tenho trabalho suficiente para ainda ir à tua casa limpar aquilo que
vais sujar? – perguntou incrédula – Já
para não falar que o Nuno e a Patrícia não devem achar muita piada que lhe
roubes a empregada.
- Deixa de ser
parola, quero que fiques com a chave para poderes entrar quando quiseres.
- Iria jurar que a
bolada que levaste ontem foi na outra cabeça mas pelos visto afetou-te o tico e
o teco – o Nuno gargalhou talvez ao relembrar o episódio que ocorreu ontem
no treino à porta aberta, treino este que a Mariana foi assistir com o Martim.
- Não gozes com isso
porque doeu p'ra – ela interrompeu-me.
- Vê lá o que falas
que tens crianças ao pé de ti mas sim deve doer, isso é coisa que não tenho mas
sempre ouvi dizer que dói mas temos pena quem te mandou a ti olhares para onde
não devias?
- Vais continuar a
dizer que estava a olhar para a rapariga?
- Estás a fazer-te de
inocente porquê? Tanto quanto sei não tens a Soraia aqui e ao contrário da
maioria das mulheres acho que devem mesmo olhar – a Patrícia olhou-a - porque “fruto proibido é o mais apetecido”
e enquanto estão a olhar não estão a fazer, além disso também gosto de olhar
para aquilo que não é meu logo vocês tem o mesmo direito de olhar para as que
não são vossas.
- Isso quer dizer que
olhas para mim?
- Ruben, gosto muito
de olhar mas detesto perder tempo – o Nuno e a Patrícia gargalharam – por isso lamento mas para ti não olho.
- Quem desdenha quer
comprar.
- Hum se queres mesmo
saber até comprava em altura de crise e em saldos porque de resto acho que
seria dinheiro mal empregue – teria refilado mas o Nuno meteu-se na
conversa.
- Não aprendes mesmo
– a Mariana sorriu – sabes que ela não
se fica que responde sempre mas mesmo assim insistes – mais uma vez não
consegui responder pois a Mariana adiantou-se.
- Deixa Nuno, ele
deve gostar ficar sempre por baixo – desta até a Patrícia gargalhou.
- Vê lá se queres ir
experimentar para tirares as dúvidas.
- Só experimento as
coisas quando as quero adquirir e como falei a ti só comprava em saldos e se
houvesse crise. Ah e para que conste o ficar por baixo não estava a referir-me
ao que pensaste mas sim a ficares sem resposta.
- Agora desconversa
– ripostei.
- Não estou a
desconversar nada só estou a esclarecer essa tua cabeça depravada.
- Ah agora sou eu que
tenho cabeça depravada?
- Foste tu que
levaste a conversa para esses lados.
- É incrível como
consegues mudar o jogo sempre a teu favor – ela gargalhou.
- E tu és sempre tão
picuinhas.
- Depois vemos quem é
o picuinhas – ela sorriu – mas toma
lá as chaves que são tuas.
- Ruben ou dás-me um
motivo plausível para que fique com as chaves ou então não as aceito.
- Porque quero.
- Então temos um
problema que é facilmente resolvido – olhei-a – não preciso das chaves pois não tenciono entrar na tua casa sem lá
estares por isso guardas as chaves e entregas à Soraia quando ela se dignar a
vir cá ver a casa, sim porque é com ela que vais casar e é com ela que vais
viver portanto é ela que vais ter que aturar e deixas-me no meu canto que não
quero problemas para o meu lado, estamos entendidos?
- Qual é o mal em
teres as chaves somos amigos.
- Ruben, o Nuno e a
Patrícia também são teus amigos e por sinal há muito mais tempo e não ouvi-te a
dizer para ficarem com as chaves, compreendo que prefiras que alguém as tenha,
até porque nem sempre estás cá mas daí a entregares-me a mim vai uma grande
diferença.
- Isso é tudo por
causa da Soraia não é?
- Não mistures os
assuntos, podemos não nos gramar mas isso não é nem vai ser impedimento para
afastar-me de ti a menos que queiras.
- Porquê que a Soraia
não pensa como tu, facilitava-me tanto a vida – desabafei mas não fiquei
sem resposta.
- Talvez porque “gato
escaldado de água fria tem medo” ou então porque sabe o que tem em casa.
- Estás a insinuar
que faço refeições por fora?
- Quem colocou essa
hipótese foste tu mas se queres mesmo saber não me admirava nada que o fizesses.
- Ui e quem fala
assim não é gago – o Nuno meteu-se o que originou uma gargalhada da Mariana
e outra da Patrícia.
- Olhem sabem que
mais fiquem aí que vou deitar-me.
Depois daquela insinuação da Mariana que não gostei nem um
pouco fui deitar-me sem lhes dar tempo de dizerem nada, não estava para ser
acusado de uma coisa que não é de todo verdade.
Mariana
Hoje ao contrario do que é hábito não vi ninguém de manhã
uma vez que saí antes deles acordarem, precisei de ir ao médico com o Martim
que passou a noite toda mal disposto.
Almoçamos só os dois já que a Patrícia não vinha comer e os
rapazes iam almoçar com os colegas de equipa, a tarde foi passada entre o
quarto do meu irmão e o do Nuninho.
- Olá –
cumprimentei o Ruben que vinha a sair do seu quarto.
- Oi, olha é mesmo
contigo que preciso falar.
- Estou a ver que já
desamarraste o burro.
- Estás a falar do
quê?
- Então ontem saíste
chateado da sala – ele interrompeu-me.
- Sabes muito bem
porquê mas já passou.
- Hum, ok então diz
lá o que queres falar comigo.
- Será que podes
ajudar-me a fazer a mudança?
- Queres que te faça
as malas, é isso?
- As malas eu faço
mas queria que a casa fosse limpa e confesso que isso não é bem o meu forte.
- Ah, ok.
- Mas Mariana não
quero que vás para lá sozinha.
- Ruben, não conheço
ninguém em Braga que vá querer ajudar-me por isso e se não te importares posso
ir lá durante o resto da semana aos bocados e limpo a casa.
- Não percebeste
– olhei-o – pedi ajuda não pedi que
fizesses o trabalho sozinha por isso quando quiseres lá ir diz-me que vou
contigo – gargalhei – estás a rir
porquê?
- Ruben confesso que
imaginar-te de pano do pó na mão tem a sua piada.
- Piada, achas mesmo
que não sou capaz de fazer isso?
- Acho.
- Então depois vemos
isso.
- Ok, por mim pode
ser já amanhã.
- Combinado – ele
afastou-se porque o seu telemóvel estava a tocas, ainda o ouvi a atender e por
isso não foi difícil adivinhar que era a sua noiva.
***
A semana passou e o Ruben já estava a viver na sua casa no
entanto passava todos os dias pela do Nuno, já que era por lá que ele jantava.
- Ouvi dizer que
amanhã estás de folga – o Ruben falou quando já estávamos a jantar.
- Sim, o Martim faz
anos por isso vamos passear os dois – o meu irmão sorriu.
- Será que posso
colar-me a vocês? – olhei-o.
- Se deres uma razão
lógica para o fazeres, podes.
- Então dar-vos a
honra de ter a minha companhia não é motivo mais do que suficiente? –
gargalhei.
- Peço uma razão
lógica e o que arranjas é isso? Desde quando é que vossa excelência tem assim
tanta importância para que nós tenhamos a honra de privar consigo – o Nuno
e a Patrícia já riam.
- És muito
aproveitadinha – sorri.
- E tu és muito
amuadinho.
- Agora a sério deixa-me
lá ir passear convosco.
- Qual é mesmo o
motivo para tanta insistência? E já agora não é amanhã que a tua noiva vem
visitar-te?
- Ya, mas ela só
chega à noite por isso durante o dia estou disponível.
- Ah, tu estás
disponível e achas que também sou obrigada a estar para te aturar? – a
Patrícia voltou a rir.
- Piada, ó Martim
deixas-me ir convosco? – virou-se para o lado do meu irmão a pensar que
seria mais fácil convencê-lo a ele do que a mim mas saiu-lhe o tiro pela
culatra.
- Não – sorri ao
ouvir o meu piolho.
- Posso saber porquê?
- Porque a mana não
quer e porque faço anos e quero passar o dia só com a minha mana.
- Posso saber porquê?
- Porque sempre foi
assim, era dos poucos dias que a mana tinha para estar comigo, só depois que
viemos para Braga é que ela passou a ter mais tempo para brincar comigo –
doeu ouvir o meu irmão algo que os adultos perceberam.
- Então mas se for
convosco vai ser mais divertido – o meu irmão olhou-me talvez à espera do
meu consentimento afinal o Martim gosta imenso de brincar com o Ruben.
- Ok, podes ir afinal
um palhaço anima sempre – o Nuno gargalhou.
- Irra não perdes
mesmo uma oportunidade para implicares comigo.
- Tadinho dele –
o Martim sorriu.
- Um dia ainda vais
engolir uma por uma todas essas piadas.
- Ui, estou cheia de
medo.
A conversa continuou sempre com algumas provocações à
mistura e só terminou quando tive que ir arrumar a cozinha depois de jantarmos,
era isso que estava a fazer quando o Ruben entrou.
- Posso saber quais
os planos para amanhã?
- Além de impores a
tua presença ainda sou obrigada a partilhar contigo os meus planos?
- Deixa de ser embirrenta.
- Agora sou
embirrenta? Pois fica a saber que quem não gosta cheire e ponha de parte –
ele sorriu e sem que estivesse à espera colou-se a mim e ainda teve a ousadia
de encostar o seu nariz no meu pescoço – posso
saber o que estás a fazer?
- A cheirar para
saber se meto de parte, não foi isso que disseste para fazer? – ele estava
nitidamente no gozo – Mas lamento
informar que não vou colocar de parte – sussurrou-me ao ouvido – afinal cada vez gosto mais do que vejo, do
que cheiro – o Ruben teve a ousadia de colocar as suas mãos na minha
cintura e obrigar-me a virar de modo que ficasse de frente para ele – do que toco – olhou-me nos olhos e
levou as mãos à minha cara - do que oiço
– não sei como foi possível mas conseguiu reduzir ainda mais a pouca distância
que separava as nossas bocas – só falta
provar – estava sem reação quando ele se afastou e foi impossível não
recordar algo que ambos juramos esquecer e quando estava perdida nesse
pensamento fui interrompida pela voz dele – mas isso nunca irá acontecer porque nenhum dos dois quer – ele
sorriu – por isso pára de arranjar
desculpas para te afastares de mim, sim porque ainda não entendi qual é a tua
de achares que não deves ir à minha casa quando estou lá sozinho, o que é quase
sempre.
- Deixa lá, vais
deixar de estar sozinho, afinal a tua noiva vem passar cá uns dias –
respondi já afastada dele.
- Nem me digas nada.
- Então?
- Ó, então segundo a
Soraia ainda não tratei do assunto mais importante e do qual ela não prescinde
de forma alguma.
- Estás a falar do
quê? Afinal casa já tens.
- Ya mas falta-me a
empregada.
- Ah, já entendi o
teu problema, a Soraia não vai ter com quem implicar logo tens que a aturar a
tempo inteiro – ele sorriu.
- És terrível.
- Realista meu caro,
mas sabes que ela não deixa de ter uma certa razão, precisas mesmo contratar
alguém a menos que queiras continuar a seres tu a fazer as coisas ou melhor a
fazeres algumas porque o resto sobra aqui para mim, não é?
- Hey, neste momento
ainda só engomas a minha roupa porque o resto tenho feito.
- Tiveste bem com
esse ainda – ele sorriu – porque
quando precisares de alguém que limpe a sério o que andas a fingir que limpas
vens ter aqui comigo, não é?
- Não, tenho é mesmo
que tratar desse assunto.
- Porquê que não
aproveitas que a Soraia vem cá para fazerem isso em conjunto, pelo menos depois
não pode dizer que não gosta da empregada.
- Sim, talvez tenhas
razão, mas mudando de assunto diz lá quais são os teus planos para amanhã.
- Irra que és chato
mas estou a pensar ir passear com ele pelo Bom Jesus, espaço para correr não
falta e é um sítio que ele gosta.
- Hum, ok.
Continuamos à conversa e quando acabei o que tinha para
fazer fomos para a sala, ficámos a conviver com a Patrícia e o Nuno um bocado
mas o Ruben acabou por se despedir de nós e após combinarmos as horas para
amanhã ele foi finalmente embora.
Ruben
Acordei animado afinal iria passar o meu dia de folga
rodeado de animação, a Mariana não sabe e o Martim nem sonha mas a Patrícia e o
Nuno decidiram preparar-lhe uma festa surpresa com os seus amiguinhos da
escola, esta seria na casa deles daí terem pedido que arranjasse forma de
afastar a Mariana e o Martim de lá durante a manhã de Domingo, uma vez que
tinham de preparar tudo, algo que concordei na hora e após muito insistir acabei
por conseguir convencer a Mariana a deixar-me acompanhá-la durante o dia.
- Bom dia –
cumprimentei o Nuno quando veio abrir-me a porta.
- Oi, entra – deu-me
passagem – já sabes como vais fazer para
convencê-la a regressar antes do previsto a casa?
- Nop mas na hora
logo invento qualquer coisa – ele sorriu.
- Espero que ela não
fique chateada porque a Patrícia abordou-a para saber se não iria fazer festa e
a Mariana descartou imediatamente essa hipótese.
- Oh isso foi porque
não tem a sua própria casa e não queria estar a incomodar, sabes bem como
aquela cabeça pensa e não adianta dizermos o contrário, porque a Mariana tem
que ter sempre razão.
- Pois mas mesmo
assim preparamos tudo nas costas dela.
- Não te preocupes o
puto vai adorar e quando ela vir o irmão feliz esquece o resto.
- É, tens razão –
sorri-lhe mas não respondi porque entramos na sala.
- Então campeão já
estás preparado para um dia em cheio – meti-me com o puto e só depois é que
dei os bons dias.
- Sim – ele olhou
para o saco que tinha na mão.
- Toma – estiquei
o braço – pega, é para ti – a
Mariana olhou-me.
- É um presente?
– perguntou visivelmente animado o que fez com que gargalhasse.
- Sim, é.
- Fixe, obrigado
– sorri e depois vidrei nele à espera da sua reação.
O Martim desembrulhou a prenda com uma rapidez enorme e
assim que abriu a caixa um sorriso enorme surgiu-lhe no rosto o mesmo não posso
dizer da Mariana que no mínimo tinha-me matado se pudesse, mal ela sabia o
motivo pelo qual lhe tinha oferecido umas chuteiras, já o mesmo não posso dizer
do Nuno e da Patrícia que estavam a par do que se passava e do pedido que o
Martim queria fazer à irmã mas que estava com medo da sua reação.
- Então gostaste?
- Sim, são bué fixes
e parecidas com as tuas – gargalhei.
- Realmente são
parecidas mas se não gostares podes trocar.
- Gosto, são bonitas
– sorriu – mana posso experimentar?
- Podes – ela
olhou-me – o que é que te passou pela
cabeça para lhe ofereceres aquilo? – murmurou quando o irmão estava a
tentar calçar as chuteiras.
- Porquê não posso?
- És livre de
ofereceres o que quiseres mas se era para gastares dinheiro podias ter comprado
alguma coisa que o puto fosse usar, não? – sorri
- Então precisas de
ajuda? – perguntei ao baixar-me diante do Martim para o ajudar.
- Não, já está –
colocou-se de pé – ó mana ficam giras
não ficam? – sorrimos todos menos a Mariana.
- Sim, mas agora
arruma isso na caixa porque temos de ir embora – o miúdo olhou-me.
- Mariana, antes de
irmos preciso entregar-te uma coisa – desta foi o Nuno, olhei-o por saber o
que seria, afinal tínhamos decidido aquilo em conjunto – toma – ele deu-lhe um envelope e ficamos os três na expectativa
para vermos a sua reação, uma vez que a Patrícia também sabia.
- Mas o que é que
julgam que estão a fazer? – perguntou ao perceber que o Nuno tinha entregue
os impressos para que assinasse de forma a podermos inscrever o Martim nas
escolinhas do Braga.
- Mariana – ela
olhou para a Patrícia – como não há duas
sem três – sorrimos – aqui tens a
caneta, é só assinar que o resto está feito – o Martim olhava sem entender uma
vez que ele não sabia que tínhamos decidido os três por mútuo acordo
“encurralar” a Mariana de forma que ela não pudesse negar-lhe o que tanto
queria.
- Mas vocês estão a
gozar com a minha cara? Quer dizer do Ruben até percebo mas vocês os dois,
sinceramente.
- Mariana, por muito
que tenhas as tuas razões e que são legitimas tens que ouvir o teu irmão.
- Se soubessem o que
estão a fazer estavam quietos – resmungou o que fez o Martim falar.
- Mana não fiques
zangada – ela olhou-o – mas eu quero
jogar – o puto surpreendeu-nos a todos ao tentar impor a sua vontade.
- Martim o que é que
te deu para quereres agora jogar futebol? Nunca ligaste nada a isso.
- Eu sempre gostei e
agora que posso falar com o Nuno sobre isso ainda gosto mais – ela olhou-nos.
- Uma coisa é gostar
de falar outra é querer jogar.
- Porquê que não
posso? – olhei-a à espera que respondesse algo que fizesse com que
entendesse o motivo da aversão dela ao futebol mas a Mariana esquivou-se.
- Queres jogar, é
isso não é?
- Sim.
- Tudo bem a mana
deixa mas aviso já que a escola está primeiro, só contínuas no futebol se
conseguires fazer as duas coisas, estamos entendidos?
- Sim – ele
apressou-se a ir abraça-la – gosto muito
de ti – sorrimos ao ouvi-lo.
- Também gosto muito
de ti ó pirralho mas agora deixa a mana assinar os papéis.
- Isso é que o quê?
- O impresso para o
Nuno ou o Ruben amanhã entregarem no clube para ires jogar nas escolinhas do
Braga.
- A sério? –
gargalhamos todos incluindo a Mariana.
- Sim, a sério.
- Que fixe mana –
ela sorriu e depois vimo-la a assinar o impresso.
- Depois temos que
conversar – falou para a Patrícia e para o Nuno que simplesmente sorriram –
mas isso fica para outro dia porque hoje
é só quero saber aqui da minha pestinha – encheu o irmão de beijos e só o
largou quando o puto refilou – pronto já
parei e agora vai arrumar as chuteiras no quarto para irmos embora – ela
pediu-lhe algo que fez sem hesitar.
- O que foi? –
perguntei ao vê-la a olhar para o impresso.
- Nada –
suspirou.
- Sabes que podes
falar comigo se precisares – ela olhou-me.
- Prefiro não falar e
agora vamos – aproveitou o regresso do Martim para terminar com o assunto
por ali.
***
- O que foi? –
perguntei ao vê-la completamente distante enquanto olhava para o Martim que continuava
a tirar fotos ao q ia vendo.
- Nada –
suspirou.
- Nada? Queres que
acredite nisso? – ela olhou-me – Mariana
ficaste aborrecida por lhe ter oferecido as chuteiras?
- Não, és livre de
ofereceres o que quiseres.
- Juro que não
entendo essa tua implicância com o futebol.
- Não é com o
desporto em si mas sim com o tipo de gente que frequenta o teu mundo.
- Agora estás a ser
preconceituosa.
- Desculpa sei que
tens razão mas é mais forte que eu.
- Será que um dia vou
puder saber os motivos para reagires assim tão negativamente quando o assunto é
futebol?
- Sim – ela olhou-me
– um dia conto mas hoje não quero falar
disso.
- Ok, até porque hoje
é o dia do Martim – ela sorriu.
- Faz hoje sete anos
que vi o meu piolho pela primeira vez, foi uma sensação única poder olhar para
ele, pegar-lhe ao colo mas principalmente saber que estava bem – olhei-a – sabes foi nesse dia que ganhei uma nova
razão para o meu viver.
Teríamos continuado a falar sobre isso mas o Martim
aproximou-se e por isso a Mariana calou-se, acabamos por ir tirar umas fotos
com o menino uma vez que ele pediu.
Passamos a manhã toda a rir com as palhaçadas do miúdo, o
Martim estava mesmo feliz e isso deixava a Mariana radiante.
Acabamos por ir almoçar ao centro da cidade, a Mariana ainda
refilou mas não teve hipótese já que o Martim resolveu alinhar comigo e como
tal a irmã fez-lhe a vontade. Estávamos a comer quando percebi que algo
incomodava a Mariana e ao olhar para o lado percebi o que era.
- Não ligues –
ela olhou-me – se ignorares elas param.
- Ruben, que estejas
habituado a teres as pessoas a olharem para ti e a comentarem tudo bem mas eu
não estou nem gosto.
- Ignora que elas já
param.
A Mariana acabou por fazer o que pedi e por isso conseguimos
desfrutar do nosso almoço mas foi quando já estávamos de saída depois de ter
teimado com ela para pagar a conta e da Mariana ter levado a melhor pois
conseguiu convencer-me a dividirmos a conta em partes iguais que chamaram-me,
olhei e vi que eram as raparigas que estavam do lado de fora do restaurante à
minha espera.
- Importaste que vá
lá? – perguntei afinal não queria deixá-la pendurada à minha espera.
- Desde quando é que
tens de pedir autorização – ela sorriu – tanto quanto sei o único irmão que tenho é o Martim.
- Piadinha.
- Vá vai lá ter com as
meninas antes que venham elas ter aqui.
- Não tens mesmo
paciência nenhuma para aturar isto.
- Sabes bem que
detesto por isso mexe esses pés.
Acabei por fazer o que pediu e afastei-me ligeiramente dela
e do Martim, as raparigas aproximaram-se e depois de pedirem-me um autografo
cada uma ainda quiseram a foto da praxe, acabei por concordar mas arrependi-me
de imediato ou não fosse uma delas se virar para a Mariana e falar.
- Olha, pode tirar a
foto, é que queremos uma todas juntas com o seu namorado – confesso que
tive vontade de rir, já a Mariana olhou-as com vontade de as mandar passear.
- Posso – falou
enquanto se aproximava para pegar na máquina – mas não sou a namorada dele – esclareceu-as e para meu espanto de
uma forma muito calma.
- Ah, desculpe pensava
que fosse.
- A pensar morreu um
burro – gargalhei ao ouvi-la – mas
para a próxima pergunte antes de tirar conclusões.
A rapariga calou-se e a Mariana não perdeu tempo a disparar
a máquina, resultado nem eu nem as miúdas estávamos a olhar e por isso elas
pediram outra foto, a Mariana olhou-me e percebi que já estava farta daquilo
ainda assim fez o que a miúda pediu e tirou outra foto.
- Obrigada – a
miúda agradeceu algo que a Mariana simplesmente retribuiu com um “de nada” e
afastou-se para ir ter com o Martim.
- Não são mesmo
namorados ou ela é que não quer que se saiba? – olhei para a miúda e depois
de sorrir respondi.
- Somos só amigos.
- Mas é verdade que
vais casar?
- Apesar de não vos
dizer respeito, sim é verdade.
- Ah ok, felicidades
então.
- Obrigado e agora
desculpem mas tenho mesmo de ir – despedi-me das miúdas e aproximei-me da
Mariana.
- Já está?
- Sim – sorri – e agora o que dizem de irmos até à casa do
Nuno e da Patrícia desafiá-los a irem dar uma volta connosco.
- Fixe – o Martim
manifestou-se imediatamente – ó mana
podemos ir assim o Nuninho também vem.
- Ok, pode ser já que
adoras brincar com o Nuninho – a Mariana concordou na hora algo que
agradeci mentalmente afinal a tarefa de convence-la a regressar a casa foi mais
fácil do que esperava.
Antes de entrar no carro mandei mensagem ao Nuno a avisá-lo
que já íamos a caminho e assim que chegamos o Martim saiu disparado do carro
por isso tive que o chamar, algo que deixou a Mariana intrigada ainda para mais
quando pedi ao puto para entrarmos os três juntos.
Como irá o Martim reagir à festa e a Mariana será que vai ficar
emocionada pelo gesto dos amigos? E a festa terá só surpresas agradáveis ou irá
haver alguma menos boa?
Olá :)
ResponderEliminarAdorei o facto do Martim ir para as escolinhas do Braga! :P
Agora sempre que vejo "Soraia" "estraga" logo o cenário...
Quanto à festa para o Martim espero que cora tudo muito bem e se é para vir surpresas que sejam muito boas..tipo o desaparecimento do Soraia ou assim xD
Beijinhos
Rita
"Ruben, gosto muito de olhar mas detesto perder tempo por isso lamento mas para ti não olho." A-D-O-R-E-I!
ResponderEliminarNão só esta declaração como toda a conversa.
E a forma bastante subtil com que os "amigos" convencem a Mariana a deixar o Martim ir para o futebol também está maravilhosa... lool
Mas onde é que está o resto?? Então acaba-se assim mesmo quando começa a parte boa... a festa?? Vindo da tua parte de certeza que não haverá só surpresas boas... E lá vou ficar eu a dar cabo das unhas até publicares o próximo!
bjokinhas
Mariaa
Não sei se a Mariana irá reagir bem a esta surpresa, qero ver como corre!
ResponderEliminarE aqele atrevimento na cozinha, beeem, os calores qe já iam para ali :p o qe eles qerem sei eu!
Está lindoo! ;D
Beijinhoo
fabuloso, magnifico...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo...
continua...
eu começo sem saber o que dizer a cada capitulo que passa, mas começo mesmo!! isto está cada vez mais espectacular, fico vidrada nesta história, em tudo, o rumo que estás a levar, as personagens..tudo mesmo!
ResponderEliminare mais uma vez amei este capitulo, por isso quero muito ler o proximo, toca lá a postar! :)
fico à espera!
beijinhos :)
Bem este já foi de pegar fogo... a cena da cozinha é demais... e claro a tal noite que ficou por esclarecer voltou a pairar... desconfio que algo ele já "provou" só falta mesmo sabermos... não é Maria Catarina??????
ResponderEliminarMas agora fiquei é em pulgas para saber como vai ser a festa, espero mesmo que corra bem, o Martim merece ;)
Ah acho que com tanta saída a Soraia vai ouvir alguma que não querer... a perua vai se depenar... ahahahah
Quero mais!!!!
Beijinhos
Adorei a cena da cozinha, e devo dizer que concordo com o Ruben, quem desdenha quer comprar, mas a Mariana deu-lhe uma resposta à altura "...até comprava em altura de crise e em saldos porque de resto acho que seria dinheiro mal empregue", e pronto, ficou um moço bem apresentado.
ResponderEliminarMas o que eu gostei mesmo, e já te disse isso, é a parte em que ele lhe diz "...cada vez gosto mais do que vejo, do que cheiro, do que toco, do que oiço, só falta provar...", será que só falta mesmo provar? Este mistério continua por desvendar. Menina Caty, quanto tempo é que ainda vamos ter que esperar para saber se ele já provou ou não?
Adorei o capitulo todo, o Martim ficou todo contente com as prendas de anos, mas vamos ver se a festa corre bem, palpita-me que algo ou alguém vai impedir que isso aconteça.
Beijocas
Fernanda
Olá!
ResponderEliminarBem, pareceu um presságio! Hoje a falar de uma colega sobre esta fic e a comentar que os momentos "ocultados", tal como a resposta sobre a virgindade da Mariana ou o que a Anabela viu e eu a recusar de todo que tivesse sido um beijo e afinal..."foi impossível não recordar algo que ambos juramos esquecer e quando estava perdida nesse pensamento fui interrompida pela voz dele"
Ai ai ai esta Mariana tem resposta para tudo! Até dá medo! xD
Agora vamos a essa festa porque fiquei curiosa. Esperemos que nao haja visitas nao bem-vindas do género Soraia...
Beijo
Ana
http://desempreparasempre28.blogspot.com/