sexta-feira, 18 de maio de 2012

009 - “A proposta indecente que tenho para ti é…”


Ruben

Depois do jantar ainda fiquei a fazer companhia à minha mãe durante um bocado mas para ser sincero não era dos conselhos dela que precisava e muito menos de quem estava a sentir falta por isso acabei por levantar-me do sofá e ir procurar a Mariana, sabia que estaria ou no quarto do Martim ou no do Nuninho e foi no do irmão que a encontrei, ela estava a observar o miúdo enquanto este dormir por isso mesmo aproximei-me fazendo notar a minha presença.
- Precisas de alguma coisa?
- Ya.
- Diz – olhou-me.
- Anda – agarrei-lhe a mão e puxei-a comigo – entra – pedi ao abrir a porta do meu quarto para a encostar depois de entramos.
- O que se passa? – perguntou-me ao sentar-se na cama.
- Quero saber como estás – olhei-a – e não adianta dizeres que estás bem.
- Queres que dia o quê? Que preferia não ter visto o meu irmão a passar pelo que passou hoje mesmo tendo consciência que ele aceitou isso muito melhor do que eu, sim preferia mas agora também não quero falar mais disso, já passou e não sou de ficar a remexer no passado.
- Que mania irritante que tens de quereres mostrar sempre que estás bem, que não precisas de desabafar, que não precisas de ninguém do teu lado – olhou-me – custa-te assim tanto admitires que tinha razão em ter ido contigo hoje.
- Mas afinal o que queres? – levantou-se e fui até junto da janela.
- Quero que fales, que deites tudo cá para fora, hoje não estás bem e não adianta negares – aproximei-me e retirei-lhe uma madeixa de cabelo que tinha diante dos olhos – já te vou conhecendo – afirmei seguro das minhas palavras e a olhá-la nos olhos – Mariana considero-te uma amiga, será que não consegues fazer o mesmo e confiares em mim?
- Ruben o problema não é falta de confiança – ela afastou-se de mim – é mesmo não gostar de falar, desde sempre habituei-me a guardar tudo para mim, é assim que sou e não vou mudar só porque achas que o devo fazer – voltou a sentar-se na cama.
- Imagino que nem sempre tenha sido assim, que no passado não tenhas tido pessoas com quem partilhar mas no presente tens, tens o Nuno, a Patrícia e tens-me a mim – sentei-me do seu lado.
- Será que não entendes que a única pessoa que entrou na minha vida para não mais sair é o Martim? Todas as outras entram para mais tarde saírem – interrompi-a.
- Queres dizer com isso que sou descartável? Que a minha amizade não interessa para nada, que não acreditas que realmente já te considero uma amiga, é?
- Ruben não falei isso – voltou a levantar-se.
- Mas foi o que pareceu e pára de fugir – fui até junto dela.
- Quando é que entendes que a nossa amizade não vai ser muito diferente das outras?
- O que queres dizer com isso?
- Que tu tal como as outras pessoas todas que ao longo dos anos entraram na minha vida também um dia vais sair e que por isso prefiro não apegar-me demasiado a ti – disse com as lágrimas nos olhos, ela hoje estava de facto mais fragilizada – que estou farta de ser abandonada, rejeitada e tratada como um objeto que só serve enquanto precisam e depois jogam fora – estava incrédulo a olhá-la – que prefiro estar só do que depois ficar na fossa quando olhar para o lado e não encontrar as pessoas que um dia chamei de amiga ou amigo – ela chorava como nunca a tinha visto a chorar.
- Shiu – limpei-lhe as lágrimas com os meus dedos – anda cá – abracei-a fortemente, a Mariana ao início ainda tentou resistir mas acabou por ceder – não sei o teu passado e se queres saber já nem interessa, neste momento só quero saber do presente e do futuro – fi-la olhar nos meus olhos – Mariana, acredito que tenhas sofrido imenso e que tenhas perdido pelo caminho algumas pessoas que não esperavas mas não podes julgar as restantes pelos erros dessas – ela sorriu ironicamente.
- Ruben, isso é só conversa da treta, neste momento até podes acreditar no que falas mas quando já não precisares daqui da parva para ouvir as tuas lamúrias dás-me um pontapé no cu e não me resta outra solução do que seguir em frente.
- Pára – agarrei-lhe a cara e aproximei-me ainda mais, estávamos agora a escassos centímetros um do outro – pára de dizer disparates, se soubesses a falta que senti neste fim-de-semana de ouvir-te a dares-me na cabeça, de ver o teu sorriso, de olhar-te no olhos e ver como és verdadeira, Mariana tu és como és, não fazes ou dizes as coisas para ficar bonito ou para conquistares as pessoas, simplesmente és assim quem gosta muito bem quem não gosta que siga o seu caminho longe do teu, podes não acreditar mas dou muito valor a pessoas como tu, genuínas e honestas.
- Desculpa mas não consigo acreditar.
- Porquê? Será que magoaram-te assim tanto que não consegues confiar mais nas pessoas?
- Sim, magoaram-me, enquanto tu recebeste amor e sempre tiveste pessoas do teu lado eu não tive ninguém, sabes o que é ninguém? Pois foi mesmo isso que tive, NINGUÉM – ela elevou a voz – olhava para o lado e onde deveria estar uma mãe estava um lugar vazio, onde deveria estar um amigo estava uma pessoa interessada em usar-me e deitar fora, onde deveria estar amor estava dor, onde deveria estar um prato de comida estava fome, queres mesmo que continue?
Não consegui dizer nada, pela primeira vez senti que estava a abrir-se comigo, que estava a deitar para fora as amarguras de uma vida, vida que ela não escolheu mas que heroicamente conseguiu sair, provavelmente à custa de muitas lágrimas derramadas e de muitas dificuldades, foi isso que deixou-me com o coração nas mãos, mas acima de tudo foram aquelas palavras que fizeram com que percebesse o quanto a vida pode ser madrasta, o quanto a rapariga que se encontrava nos meus braços não terá passado.

***

A Mariana estava agora mais calma do meu lado e deitada com a cabeça no meu peito, estava a afaga-lhe os longos e bonitos cabelos que tem quando percebi que tinha adormecido, ainda pensei acordá-la para que fosse para o seu quarto mas não tive coragem, acabei por levantar-me com cuidado e fui até ao armário onde tirei um cobertor para tapa-la. Ela mexeu-se mas continuou a dormir por isso fui trocar de roupa para depois também ir dormir.
Regressei ao quarto e depois de ter ficado a observá-la durante alguns minutos enquanto dormia serenamente acabei por deitar-me do seu lado e adormecer com a certeza que amanha será um novo dia, uma nova luta.  
Acordei durante a noite e ao olhar para o lado encontrei a cama vazia, sinal que a Mariana tinha despertado e ido para o seu quarto por isso virei-me para o outro lado e adormeci novamente, amanhã falaria com ela.

Mariana

Ontem foi daqueles dias que não deveria ter saído da cama, se o facto de ter que lidar com a ausência de uma figura paterna na vida do meu irmão fragilizou-me mais a mim do que ao Martim, a conversa com o Ruben arruinou o que sobrava de mim, não sei bem porquê mas as palavras dele tocaram-me de uma forma inexplicável, a preocupação que demonstra ter por mim e que sinceramente faz-me vacilar de uma forma que nunca antes aconteceu, deixa-me sem saber o que fazer, por um lado quero acreditar que é verdadeira, que terei ali um amigo para a vida mas por outro não dá para esquecer o que a vida ensinou-me ao longo dos meus vinte seis anos e é esta duvida que está a consumir-me aos poucos e poucos.
Mas se ontem foi um dia para esquecer, hoje acordei com energia e super bem-disposta. Levantei-me e depois de despachar o meu irmão fui preparar o pequeno-almoço para todos. Estava na cozinha quando ouvi passos e não precisei mais que uns segundos para perceber de quem eram.
- Bom dia Mariana – olhei-a e sorri para depois também lhe ter dado os bons-dias – esqueci-me de te dizer mas hoje à tarde vou com o Nuninho ao pediatra e depois vou passear um pouco com o meu filho por isso tens a tarde de folga.
­- Obrigada, para ser sincera até dá jeito preciso ir com o Martim às compras.
- Então pronto, vai descansada e não te preocupes com o jantar que acabei de decidir que iremos jantar todos fora.
- Mas porquê? – ela sorriu – Tenho tempo para fazer tudo.
- Sei que sim mas apetece-me por isso não questiones.
- Tudo bem – encolhi os ombros – você é que sabe – ela sorriu.
- Já pedi que deixasses o você de lado – repreendeu-me – e o iremos jantar todos fora inclui-te a ti e ao Martim, espero que tenhas entendido isso.
- Patrícia – ela interrompeu-me.
- Nem penses em recusar, estamos entendidas?
- Sim – falei nada satisfeita o que levou-a a gargalhar.
- Não mudas mesmo.
Já não lhe respondi uma vez que a Patrícia saiu da cozinha e assim que as torradas ficaram feitas fui juntar-me a eles, à mesa só faltava mesmo o Ruben que para não variar foi o último a chegar.
Estava já sentada no meu lugar que por sinal era em frente do dele quando a presença do menino se fez notar, o Ruben cumprimentou-nos a todos com um bom dia alegre e depois de dar um beijo na mãe olhou-me talvez a tentar decifrar se podia cumprimentar-me da mesma forma mas como fingi que não tinha visto, ele sentou-se finalmente.

Ruben

Se quando cheguei junto da mesa tive a sensação que a Mariana estava incomodada com alguma coisa durante o pequeno-almoço só confirmei aquilo que desconfiava, ela não olhou uma única vez para mim e assim que terminamos de comer apressou-se a sair.
Por minha vontade teria falado com ela imediatamente mas tive que sair pois tinha treino e não queria atrasar-me, logo quando chegasse falaria com ela.
- Ruben depois do treino sempre vais ver as casas? – o Nuno perguntou quando íamos a caminho do estádio, hoje íamos os dois no meu carro.
- Ya, já é tempo de arranjar o meu canto.
- Até parece, por nós sabes bem que podias continuar a viver lá em casa.
- Sim, sei disso mas preciso do meu próprio espaço, além disso daqui a uns meses irei estar casado e como diz o ditado “quem casa quer casa”.
- Essa de teres feito as pazes com a Soraia é que apanhou-me completamente na curva.
- A ti e a mim – ele olhou-me – Nuno para ser sincero ainda não percebi muito bem o motivo pelo qual a Soraia apareceu lá em casa.
- Espera aí, está a escapar-me alguma coisa, por acaso estás a insinuar que se ela não fosse ter contigo que continuariam de costas voltadas?
- Sim.
- Falas isso com essa descontração?
- É verdade, se não fosse a Soraia a ir ter comigo podes ter a certeza que não iria ter com ela e que hoje continuaríamos separados.
- Ruben, desculpa mas vou ter que perguntar, tens certeza que ainda a amas? Que queres casar?
- Lógico que tenho.
- Desculpa mas não parece.
- Porquê?
- Olha pela forma como falaste tão despreocupado, tipo parece que teres feito as pazes com a Soraia é “igual ao litro” tipo fizeste ah e tal é bom mas se não tivesses feito também não faria muita diferença.
- Faria diferença sim, mas no fundo já estava mentalizado que não iria ter volta mas teve e estou muito feliz por isso.
- Se o dizes.
- Não estás minimamente convicto do que estou a dizer, pois não?
- Ruben, aqui quem tem de estar convicto és tu, afinal quem se vai casar com ela não sou eu.
- Não te preocupes que sei aquilo que estou a fazer e o que sinto.
- Ok, tudo bem. Só quero que estejas bem.
- E estou amigo, podes ter a certeza que estou.
- Olha e vais escolher a casa sem ela ver?
- Oh falei disso à Soraia mas ela disse para escolher, que aquela que estiver bem para mim também vai estar para ela, além disso a Soraia não pode vir cá nos próximos tempos por isso não vou deixar arrastar mais esta situação.
- Foi por isso que a tua mãe veio contigo?
- Sim, também quero a opinião da minha mãe no momento que escolher a casa.
- Espera aí mas queres a opinião de mais alguém, é?
- Ya, vou convidar a Mariana a vir comigo – ele sorriu – estás a rir porquê?
- Achas mesmo que ela aceita? Ó Ruben se a queres convidar certifica-te que o fazes longe de objetos que ela possa usar como arma de arremesso, porque conhecendo a Mariana como conheço no mínimo manda-te à fava e depois atira-te com algo à cabeça.
- Estás a exagerar.
- Ah estou? Então faz-me um favor, convida-a à minha frente porque vou gostar de ver essa cena.
- Lá estás tu a gozar.
- Ó Ruben, mesmo sério achas que ela vai contigo?
- Qual é o mal?
- O mal não é nenhum mas estamos a falar da Mariana, daquela que só sai connosco de casa se for na condição de babá do Nuninho e que faz questão de se comportar como sendo só a empregada e não nossa amiga.
- Olha para tua informação estás desatualizado.
- Como assim?
- Ontem acompanhei-a à escola do Martim.
- Tu o quê?
- Foi isso que ouviste, fui com ela ao lanche que houve para os pais.
- A minha alma está parva, por esta não esperava, mas conta lá como é que se deu esse milagre.
- Não foi milagre, foi mais obrigada. Digamos que não lhe dei muitas hipóteses de escolha ou ia comigo ou ia comigo.
- Espera aí, impuseste a tua presença?
- Lógico – ele olhou-me – não a ia deixar ir sozinha.
- A Mariana aceitou isso assim sem refilar?
- Refilar, refilou mas não lhe adiantou de nada.
- Vou querer saber dessa história como deve de ser mas agora temos que nos ir equipar ou o mister aperta-nos o pescoço – gargalhei ao ouvi-lo mas acabei por concordar com o Nuno e seguimos diretos ao balneário.
O treino correu bem e assim que acabou despachei-me o mais rápido que pude e apressei o Nuno, ele não estava a entender o motivo da minha pressa mas lá o relembrei que tinha de ir convidar a Mariana para ver as casas comigo e com a minha mãe.
O Nuno no regresso a casa pediu que lhe contasse com detalhes a minha ida à escola do Martim mas principalmente a forma como a Mariana reagiu perante tal acontecimento.
- És completamente louco, teres imposto a tua presença foi quase um suicídio.
- Deixa de ser exagerado que a Mariana não é assim tão violenta.
- Muito me contas – gargalhou – para quem há dois meses mal conseguia trocar meia dúzia de palavras agora estão muito amigos.
- Porquê tens alguma coisa contra?
- Não, mas continuo a avisar-te, não a quero ver magoada.
- Um dia ainda vais-me explicar o porquê desses avisos todos, até parece que lhe vou fazer algum mal.
- Ruben sempre ouvi dizer que “quem brinca com o fogo acaba queimado” por isso tem cuidado.
- O que é que queres dizer com isso?
- Que vais casar dentro de alguns meses.
- Agora perdi-me algures no meio da conversa.
- Perdeste e não foi na conversa muito menos agora.
- Desculpa? Andas-te a beber às escondidas, foi?
- “Para bom entendedor meia palavra basta”.
- Ai, ó Nuno deixa lá os provérbios e diz de uma vez o que queres.
- Não tenho mais nada para dizer, já alertei-te que não quero a Mariana metida em confusões, por isso estás avisado.
Não percebi nada da conversa mas sinceramente também não estava para insistir no assunto, ainda para mais quando já tínhamos chegado a casa. Saí do carro e fui procurar a Mariana.
- Posso falar contigo? – perguntei ao entrar na cozinha.
- Diz – sorriu-me.
- Primeiro quero saber se já não estás chateada comigo.
- Chateada contigo? Desde quando é que estava? – fez uma careta.
- Mariana não desconverses porque sabes muito bem que hoje de manhã estavas estranha.
- Ah isso, não ligues aquilo foi do sono – falou enquanto colocava a comida nas travessas.
- Porquê que estás a mentir?
- Mentir?
- Mariana – olhei-a à espera que falasse a verdade.
- O que foi? – perguntou-me – Estás a olhar-me com esse “olhos de carneiro mal morto” porquê? – gargalhei ao ouvi-la e a sensação que de manhã estava aborrecida agora já não fazia sentido, de facto estava mais bem-disposta.
- Só mesmo tu para fazer-me gargalhar.
- Deixa de ser exagerado.
- E tu deixa de fugir da pergunta que te fiz, responde de uma vez.
- Ó Ruben, estás a ver coisas onde não existem – falou serenamente.
- Não vais mesmo dizer pois não?
- Chato – sorri – mas se queres saber foi por causa da tua mãe, pronto já disse.
- Da minha mãe?
- Sim, da tua mãe – olhei à espera que continuasse – opa o que queres não me sinto confortável ao lado dela, parece que está sempre atenta a tudo o que faço ou deixo de fazer.
- Oh linda – ela olhou-me com vontade de esganar-me e interrompeu-me imediatamente.
- Linda o catano, gosto muito do meu nome aliás a bem da verdade foi a única coisa de jeito que a minha mãe fez por mim – olhei-a – o que foi?
- Nada mas continuando não ligues à minha mãe, aquilo não é defeito é feitio, a D. Anabela é mesmo assim, gosta de observar as pessoas que não conhece.
- Gosta de se meter onde não é chamada, é o que é – gargalhei.
- Se queres ver as coisas por esse prisma, tudo bem – ela sorriu-me – mas agora que já percebi que não se passa nada de mais tenho um convite para fazer-te.
- Convite? Tu vê lá, olha que não gosto de propostas indecentes – gargalhei ao ouvi-la, a Mariana hoje estava extremamente bem-disposta.
- A proposta indecente que tenho para ti é um desafio.
- Queres ser mais explícito? – perguntou – mas antes de responderes pega nisto e ajuda-me a levar para a mesa – fiz o que pediu e agarrei numa das travessa do nosso almoço para logo depois segui-la.
- Vem comigo ver as casas que ajudaste-me a pré selecionar – ela parou de andar e olhou-me – preciso de uma opinião feminina para além da minha mãe – ela não respondeu e continuou caminho – então não respondes à proposta que te fiz? – perguntei quando já estávamos na mesa.
- A resposta – calou-se numa de fazer mistério o que fez com que a minha mãe nos olhasse tal como o Nuno – como é óbvio será um não redondinho como uma boa de futebol que tanto amas de paixão – o Nuno gargalhou, talvez por desconfiar qual tinha sido a proposta que lhe tinha feito – está a rir porquê? – ela perguntou direcionada ao Nuno.

- Achei piada à resposta que lhe deste – voltou a sorrir ao olhar para mim – ainda para mais porque desconfio da proposta que ele te fez – a minha mãe olhou-me à espera que lhe explicasse o que se estava a passar.
- Espere o Nuno sabia deste delírio do Ruben e não fez nada para o impedir? – perguntou fingindo-se incrédula - Ainda para mais permitiu que ele fosse ter comigo à cozinha, sitio onde facas e objetos cortantes estão à mão de semear, prontinhos para desfazer Rubenzinhos às postas e não fez nada para o impedir – o Nuno gargalhou, já a minha mãe olhou-a chocada, algo que a Mariana ignorou completamente e continuou – Nuno, diga-me que o Ruben está a delirar porque bateu com a cabeça ou levou com alguma bolada, é que caso contrário está pronto para ser internado num hospício.
- Hoje estás cheia de piada – ripostei, fingindo-me de ofendido.
- Tadinho dele, agora amua que nem criança mimada.
- Mariana – o Nuno chamou-a o que fez com que olhasse para ele – hoje que estás a dar dez a zero ao Ruben?
- Sabe, isso por norma acontece quando uma equipa da liga principal joga com uma da terceira liga – o Nuno gargalhou – acho que é assim que se diz, mesmo que não seja passa a ser, já que as minhas lacunas nessa área são mais que muitas.
- Deixa, são suficientes para deixares aí o Ruben sem resposta – o Nuno voltou a picar, ele estava a adorar aquilo.
- Sabe, aqui o menino até pode ter a mania que é engraçadinho mas depois quando se vai a ver é que nem aquelas laranjas fora de época que por muito que sejam espremidas não sai sumo nenhum.
- Calma aí porque não podes afirmar tal coisa – ripostei o que provocou a gargalhada nela e no Nuno.
- Não? Acabei agora mesmo de provar a minha teoria – olhei-a à espera que continuasse – é que além de ficares sem resposta ainda tens a indecência de insinuares que quando falei em espremer estava a falar de outra coisa e não de laranjas – teria respondido mas o Nuno falou.
- Bem vocês hoje estão com o power todo mas moderem lá isso antes que o almoço que por acaso deve estar divinal ou não fosse preparado por ti – olhou para a Mariana que sorriu como forma de agradecimento pelo elogio dele – fique frio.
- Desculpe, você tem razão, à mesa não é para se ter certas e determinadas conversas – olhou-me de lado – muito menos brincadeiras e pior ainda insinuações de muito mau tom – agora sim olhou-me diretamente.
- Mariana, hoje já arrumaste o Ruben na prateleira – sorriu – deixa-o respirar um pouco ou então daqui a nada não se aguenta – gozou comigo.
- É tem razão, é mesmo o melhor a ser feito.
- Sim, faz isso para que o Ruben sobreviva - ela sorriu – tal como deves começar-me a tratar por tu, porque quer dizer a esse daí já tratas e a mim que conheces há mais tempo não o fazes – dei comigo a agradecer mentalmente ele ter desviado o assunto.
- Nuno, você não é tão persistente que nem este daqui – sorri ao ouvi-la, ela hoje estava mesmo numa de implicar comigo e eu a pensar que de manhã poderia estar chateada porque a deixei ficar a dormir no meu quarto.
- Não seja por isso, de hoje em diante de cada vez que tratares-me por você desconto no teu vencimento – ela olhou-o aflita o que fez o Nuno gargalhar – calma estava a brincar mas vê se perdes essa mania de nos tratares por você, que não deixes o Martim fazê-lo até entendo mas tu vê se esqueces isso, já te pedi diversas vezes e a Patrícia outras tantas.
- Tudo bem, vou tentar.
- Assim está melhor mas agora vamos lá começar finalmente a comer que com tanta animação ainda não tive o prazer de provar a comida.
Concordamos com ele e começamos finalmente a comer, tal como o Nuno falou a comida estava divinal, o que foi motivo para a elogiarmos mais uma vez e como seria de esperar ficou acanhada, ela detesta ser o centro das atenções e gosta ainda menos de ser elogiada.
O almoço foi agradável mas quando o Nuno informou-me a mim e à minha mãe que hoje o jantar seria no seu restaurante preferido uma vez que a Mariana estava de folga e que a Patrícia lhe apetecia fazer algo diferente que aproveitei para voltar à carga, a Mariana ainda não tinha respondido ao meu convite e por isso mesmo relembrei-a.
- Mariana – ela olhou-me – estou a contar contigo para ires comigo e com a minha mãe ver as casas.
- Se fosse a ti esperava sentado ou deitado para não criares calos onde não deves – o Nuno sorriu ainda que discretamente.
- Mariana, anda lá.
- Ruben e que tal se fosses chagar a cabeça da Soraia com esse assunto, não seria mais proveitoso?
- Ela não pode, por isso bem que podias vir comigo e com a minha mãe ver as casas, até porque foste tu que ajudaste-me a pré-selecionar.
- Ya, porque foi aqui, não tive que sair nem perder tempo mas dai a andar tipo cãozinho atrás de ti para vê-las o caso muda de figura – o Nuno sorriu ou não fosse ter-me avisado.
- Não custa muito, hoje até estás de folga por isso tens tempo.
- Desculpa? Desde quando é que controlas os meus horários? Ah e quem é que te disse que tenho tempo? Será que não tenho o direito de ter vida própria? De poder ter coisas combinadas?
- Desculpa não foi isso que quis dizer mas deixa de embirrar e vem lá comigo.
- Não.
- Porquê?
- Tenho mais que fazer e depois vais com a tua mãe, ela conhece-vos aos dois por isso a opinião dela será mais vantajosa que a minha.
- Mas eu quero a tua.
- Também quero muita coisa e não tenho e nunca morri por isso.
- Anda lá.
- Quando acabar de comer já ando – gozou comigo – Ruben a sério não vejo razão nenhuma para ir contigo.
- O facto de estar a pedir-te não é razão suficiente?
- Não e já agora menino Ruben vê se falas com a Soraia e lhe contas a tua proeza de ontem, sim que ainda não esqueci a tua incursão à escola do Martim e não quero problemas para o meu lado à conta de uma atitude e decisão que foi só tua.
- Fogo outra vez essa conversa?
- Ai vais levar com ela até ter a certeza que lhe contaste, a noiva é tua, a atitude foi tua logo agora vais lidar com as duas e sem refilares, és homem para umas coisas então também és para as outras.
- Chata, embirrenta, teimosa – ela interrompeu-me.
- Sim sou casmurra e nunca o neguei.
- Ok, logo quando falar com ela conto-lhe.
- Acho bem mas vê a forma como o vais fazer.
- Sim mãezinha, vou ter cuidado na forma que falo até porque não quero ficar sem noiva.
- Acho bem porque depois do trabalho que tive espero bem que não jogues ele janela fora.
- Vou levar com isso o resto dos meus dias, não é? Sei que aluguei os teus ouvidos e paciência mas não precisas estar sempre a relembrar disso.
- Tadinho da criança está sensível, é?
- Hey – olhamos os dois para o Nuno – não vão começar com as vossas provocações, pois não?
- Depois continuamos a conversa – ripostei ao olhar para a Mariana – até porque quero uma resposta afirmativa para a proposta que te fiz.
- Qual é a parte de que não vou que ainda não percebeste?
- Não és capaz de fazer isso por um amigo?
- Isso é jogo sujo sujeito a vermelho direto e consequente expulsão – o Nuno voltou a gargalhar.
- O que queres dizer com isso? – perguntei-lhe ao olha-a nos seus olhos.
- Que estou farta desta conversa.
- Então vem comigo por favor – ela olhou-me e percebi que algures o “por favor” fez com que vacilasse – Mariana no máximo será duas horas nem tanto, além disso já viste as fotos das casas e ajudaste-me a escolher as que devia de visitar por isso não vejo motivo para não ires comigo e com a minha mãe – ela suspirou.
- Tudo bem vou contigo mas só despendo duas horas nem mais um minuto para aturar sua excelência, estamos entendidos?
- Perfeitamente, até porque depois tens de ir buscar o Martim à escola.
- Ah pelo menos não esqueceste que a criança aqui é o Martim e que é ele que precisa de companhia e da irmã.
Ela ainda provocou mas resolvi ignorar e depois de tanta conversa conseguimos terminar de comer, a Mariana tratou de ir arrumar a cozinha e depois foi mudar de roupa para irmos ver as casas.

Como irá correr a escolha da casa? E irá o Ruben contar à Soraia que foi com a Mariana à escola do Martim?

11 comentários:

  1. magnifico...

    quero mais... tu super curiosa para ver o proximo...

    continua...

    ResponderEliminar
  2. Olha eu nem sei que te diga ADOREI as conversas entre o Nuno e o Ruben e a conversa ao almoço, sobre a escolha da casa estão maravilhosas, mas a mim particularmente, hoje com este capitulo, a Mariana mais uma vez teve o dom de me deixar nostalgica e emocionada uma vez que "o problema não é falta de confiança é mesmo não gostar de falar, desde sempre habituei-me a guardar tudo para mim, é assim que sou e não vou mudar só porque achas que o devo fazer" ou "Que tu tal como as outras pessoas todas que ao longo dos anos entraram na minha vida também um dia vais sair e que por isso prefiro não apegar-me demasiado a ti que estou farta de ser abandonada, rejeitada e tratada como um objeto que só serve enquanto precisam e depois jogam fora que prefiro estar só do que depois ficar na fossa quando olhar para o lado e não encontrar as pessoas que um dia chamei de amiga ou amigo" fazem parte de conversa(s) que já tive...e são sentimentos que conheço de perto...

    Agora por favor publica o próximo rápido!

    Bjokinhas
    Mariaa

    ResponderEliminar
  3. Ah que linda, ela aceitou *-*
    Tá perfeito, como você já nos acostumou mesmo linda, agora quero mais porque isso aqui já virou vício !!
    Gabii.

    ResponderEliminar
  4. Olá!
    Bem, ainda bem que apanhei esta fic!
    Está cada vez melhor!!!
    E cheira-me que em breve a bomba vai rebentar e lá fica o Amorim "desnoivado"!
    Fico à espera do próximo!

    Beijo
    Ana

    ResponderEliminar
  5. Olá :)
    concordo com os comentários anteriores esta Fic já vicia mesmo! :P
    Quero o próximo rápido ;)
    Beijinhos
    Rita

    ResponderEliminar
  6. eu fartei-me de rir com a tentativa do ruben convencer a Mariana a ver as casas, tava demais!! Mas tal como o nuno falou e bem a Mariana quando se trata do ruben consegue mesmo acabar por aceitar o que ele pede, hum...porque será? :p

    agora quero imenso ler o proximo capitulo, nao demores muito please!!

    Adorei, tá maravilhoso e tal como te disse fartei-me de rir!

    fico à espera!

    beijinhos :)

    ResponderEliminar
  7. O Ruben enquanto a Mariana não aceitou a proposta não descansou, é mesmo melga, mas ainda bem que é assim. A conversa ao almoço foi demais, e a Mariana para quem não gosta de futebol até já tem alguma cultura futebolistica.
    Adorei, agora quero mais, por isso já sabes o que tens a fazer.
    Continua

    Beijocas

    Fernanda

    ResponderEliminar
  8. LINDO! :D Cheira-me é qe SE o ruben contar á soraia, a conversa não vai ser agradável... mas será qe o ruben não vê qe tá caídinho pela mariana? :p
    Beijinhoo e quero o próximo!

    ResponderEliminar
  9. Muito bom, este é só o nono capitulo e estou completamente agarrada à fic.
    Fantástica!!!
    Estou curiosa para saber o que a Sra Anabela anda a pensar, porque fiquei com a ideia que ela os deve ter visto a dormir juntos.
    Foi muito engraçado ele consegui que ela fosse ver as casas, qd a perua souber... :D :D :D
    Quero mais!!!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  10. Tal como as outras fic's tuas, esta tambem casa dia me surpreende mais (;

    Estou a adorar completamente (;

    Fico a espera de mais ;b

    Podes divulgar a minha nova fic? http://simples-rascunhos.blogspot.pt

    Beijinhos

    ResponderEliminar
  11. Minha linda, finalmente consegui arranjar um tempinho para me actualizar desta tua nova fic, que ainda vai no seu início mas já promete deixar-nos com as emoções à flor da pele! :P
    Não sei o que te dizer, a cada capítulo que leio surpreendes-me mais e estou a adorar esta história... tem tudo para ser um sucesso, tal como já nos habituaste com a tua escrita!
    Sabes que vou esperar por mais capítulos, e desta vez não vou perder nem um!!
    Um beijinho, minha linda :)

    ResponderEliminar