terça-feira, 15 de maio de 2012

006 - "Agora é aquela parte em que confessas ser virgem, é?"

Mariana


Acordei durante a noite e quando dei por isso já estava a pensar no Ruben e em como a nossa noite terminou, foi aí que a preocupação de “mãe” falou mais alto e sem pensar duas vezes, levantei-me, vesti o robe e fui até ao quarto dele.
Entrei sem fazer barulho, não o queria acordar mas sim certificar-me que não estava com febre, aproximei-me devagar e coloquei a mão na sua testa, ao ver que não deveria ter febre, aconcheguei-lhe os lençóis mas foi quando já estava a virar-me para ir embora que ele agarrou-me a mão, inevitavelmente assustei-me e por isso não fui nem um pouco contida nas palavras.
- Merda, assustaste-me não sabias avisar que estavas acordado - refilei já depois do Ruben ter acendido a luz.
- Desculpa, foi sem intenção e para que conste estava a dormir a menina é que acordou-me.
- Desculpa, foi sem intenção - tentei imitá-lo o que originou uma gargalhada do lado do Ruben - a sério desculpa só estava preocupada, não quis acordar-te.
- Não faz mal mas agora que a mãezinha já se certificou que aqui a criança está bem já pode ir dormir descansada.
- Piada - ripostei provocando novo sorriso nele - mas vou deitar-me e desculpa qualquer coisita.
- Na boa, não faz mal.
Despedi-me dele e regressei ao meu quarto mas antes ainda passei pelo do meu irmão e também pelo do Nuninho.

***

Acordei à hora habitual, levantei-me e fui cumprir com as minhas obrigações de irmã, acordei o Martim e depois de o despachar deixei-o a arrumar a mochila enquanto fui preparar o pequeno-almoço para a família. Já estava a terminar de colocá-lo na mesa quando a Patrícia apareceu.
- Estou a ver que acordaste inspirada - meteu-se comigo ao ver a mesa com algumas coisas que por norma não faço, tipo panquecas e crepes - posso saber o motivo de hoje sermos brindados com uma mesa farta?
- Apeteceu-me e uma vez não são vezes.
- Nada contra desde que não seja todos dias porque depois não passo nas portas.
- Patrícia, está a exagerar - ela sorriu.
- Epá não sei no que é que a minha mulher está a exagerar mas tu definitivamente exageraste no nosso pequeno-almoço - o Nuno sorriu - a sorte é que tenho treino a seguir.
- Pois amor era mesmo sobre isso que falávamos, a Mariana a continuar assim desgraça-nos em três tempos - eles gargalharam mas foram interrompidos pelo Martim.
- Fixe mana, já não fazias crepes á tanto tempo.
- Martim, comporta-te.
- Desculpa - os meus patrões sorriram - mas é que já tinha saudades de comer os teus crepes.
- Mariana, lamento mas desta vez o Martim tem razão, até eu já tinha saudades de comer os teus maravilhosos crepes - o Nuno elogiou os meus dotes para a cozinha que modéstia à parte até são bastantes, teria respondido mas a entrada do Ruben impediu-me.
- Bom dia - olhou para a mesa - de sabor não sei mas de aspeto estão maravilhosos - sorriu e sem que estivesse à espera deu-me um beijinho no lado esquerdo do meu rosto.
- Porquê que deste um beijo à minha irmã? - o Martim apressou-se a pedir justificações o que fez com que o Ruben gargalhasse.
- Porquê? Não posso ou não deixas? - tanto o Nuno como a Patrícia olhavam-nos sem entender nada.
- Só os amigos da minha mana é que podem dar-lhe beijinhos e tu não és.
- Martim, olha a forma como falas - repreendi-o.
- Mana é verdade não deixas os rapazes dar-te beijinhos porquê que deixaste o Ruben? - o Ruben sorriu e ficou nitidamente à espera que respondesse, resposta que o Nuno e a Patrícia também aguardavam.
- Martim deixa a conversa para depois e come - olhei para o Ruben e vi que sorria - estás melhor? - perguntei-lhe.
- Sim, como vês já passou.
- Tiveste sorte, foi o que foi - o Nuno olhava-nos à espera de uma explicação que não foi dada por nenhum de nós.

***

- Mariana - olhei para o lado e encontrei-o já sentado na bancada da cozinha.
- Sai daí que bancada da cozinha não é lugar para teres o rabo - ele sorriu.
- Pronto já sai - olhou-me - que vício que tens de andares sempre a repreender as pessoas.
- A educá-las, queres tu dizer - ele sorriu - mas diz lá o que precisas.
- Porquê que tenho de precisar de alguma coisa?
- Parto do pressuposto que se vieste até aqui deves querer alguma coisa.
- Ok, fui apanhado.
- Não, o que foste foi muito óbvio - voltou a sorrir.
- Tudo bem, que seja - olhou-me - mas vim fazer um convite.
- Diz.
- Preciso da opinião de uma mulher e pensei em ti - olhei-o com ar de desconfiada - quero comprar um presente para a minha mãe que faz anos daqui a uns dias mas não tenho ideia nenhuma, será que podes vir comigo ao centro comercial para ver se encontro alguma coisa?
- Eu? Deves estar maluquinho, só pode.
- Porquê?
- Que tal porque não conheço a tua mãe de lado nenhum e por isso não faço a mínima ideia dos gostos dela.
- Oh isso é fácil, ela é como eu, simples, simpática, linda - falei ao mesmo tempo que ele.
- Convencida - ele sorriu.
- Piadinha, mas aceitas o meu convite ou não?
- Ruben, não sou a melhor pessoa para ir contigo, não tenho grande jeito para essas coisas.
- Mulher que é mulher tem sempre jeito para compras.
- Primeiro deixa de ser machista e depois lá porque sou mulher não é sinónimo de que goste de compras principalmente quando não há dinheiro para elas.
- Tens dificuldades financeiras?
- O que é que achas? Que o dinheiro cai do céu aos trambolhões? Ou que se dá meia dúzia de pontapés numa bola e no final do mês a conta bancária é recheada?
- Hey, tem lá calma.
- Desculpa, mas sim tive dificuldades financeiras mas felizmente é coisa que já não tenho, não nado em dinheiro mas o que tenho chega para educar o Martim e para mim isso basta-me.
- Adoras mesmo o puto.
- Adorar é pouco, o Martim é a única razão do meu viver, é por ele que acordo todos os dias e que sou capaz de ir ao fim do mundo só para o ver bem.
- Vocês não têm pais?
- Ruben, prefiro não falar sobre isso.
- Ok, não queria tocar num assunto que deixa-te incomodada, foi só mesmo a curiosidade que falou mais alto.
- Não faz mal.
- Então e posso contar com a tua ajuda para a prenda da minha mãe?
- Ruben, já disse que não tenho jeito para isso, é melhor pedires à Patrícia.
- Anda lá comigo.
- Epá não insistas, que coisa.
- Ok, nunca pensei que fosses ficar irritada por causa do pedido.
- Não é o pedido, é a tua insistência que irrita-me, ainda ontem mal nos falávamos e hoje já queres ser o meu melhor amigo, é? Já agora porquê que deste-me aquele beijo ali na sala?
- Qual é o mal, cumprimentei-te normalmente.
- Abusaste um bocadinho, não?
- Incomoda-te que o Nuno e a Patrícia fiquem a saber que já nos falamos sem mandarmos farpas um ao outro?
- Não, incomoda-me o que o meu irmão possa ter pensado.
- É só um puto.
- Não é só um puto, é o meu puto.
- Ok, irmã galinha mas achas que ele não vai gostar do facto de pudermos ser amigos?
- Sei lá.
Teríamos continuado a falar mas tive que sair para levar o Martim à escola e quando regressei o Ruben já tinha saído para o treino. Passei a manhã toda atarefada a limpar a casa e só parei para fazer o almoço, uma vez que hoje eles vinham comer a casa.
Estava já a colocar a mesa quando vi o Nuno a olhar-me.
- Precisa de alguma coisa?
- Sim, fazer-te uma pergunta.
- Diga.
- O que é que se passou ontem para que hoje tu e o Ruben acordassem como os melhores amigos? - olhei-o.
- Não considero o Ruben o meu melhor amigo e duvido muito que seja a sua melhor amiga, quanto ao que se passou ontem, pergunte a ele, se quiser que fale.
- Engraçado, ele disse-me rigorosamente o mesmo, para falar contigo.
- Sendo assim, só lhe posso dizer que falamos e algures no meio da conversa resolvi dar-lhe o benefício da dúvida.
- Ao fim de um mês de se terem conhecido?
- Antes tarde do que nunca - ele sorriu.
- Continuo a achar que aí tem coisa.
- Desculpe mas está a insinuar mesmo o quê? Espero que não seja o que estou a pensar? Porque aviso já, homens é raça que quero longe de mim.
- Quem desdenha quer comprar.
- Nuno, não estou a desdenhar nada e muito menos o Ruben, simplesmente o único homem que tem e terá sempre lugar cativo no meu coração é o meu irmão, todos os outros são dispensáveis e quanto ao Ruben está muito longe de puder ser mais que um amigo.
- Porquê que dizes isso?
- Porque não ando à procura de um relacionamento e pelo que percebi ele ama a Soraia.
- Sim, nisso tens razão, ele gosta mesmo da ex-namorada.
- Então peço-lhe que deixe os filmes para quem os sabe fazer e dedique-se ao futebol que é para isso que tem habilidade - ele sorriu.
Almoçamos os três e depois de arrumar a cozinha fui passear com o Nuninho até ao parque próximo da casa dos seus pais. No regresso, fui buscar o meu irmão e depois de o ajudar com os trabalhos, fui fazer o jantar.

***

Um mês passou desde que comecei a falar com o Ruben, agora é frequente tê-lo na cozinha a fazer-me companhia enquanto faço as nossas refeições, temos falado de tudo e de nada mas continuo a não conseguir falar sobre o meu passado, o que o deixa super intrigado mas mesmo assim continua a dizer que um dia ainda lhe vou contar.
- Toma - o Ruben veio ter comigo ao jardim e trazia com ele duas canecas com chocolate quente - o que é que se passa para estares a olhar para a lua? - perguntou-me assim que se sentou no baloiço livre que se encontrava ao meu lado.
- Nada de especial.
- Alguma coisa é, para estares aqui sozinha a uma hora destas - sorri ao constatar como ele já vai conhecendo-me.
- Oh, é o Martim.
- Como assim?
- Nestes últimos dias notei que andava tristonho, tentei saber o que se passava mas como o meu irmão não quis contar hoje quando o fui deixar na escola pedi para falar com a professora dele e percebi finalmente o motivo dele estar triste, mas infelizmente não posso fazer nada.
- Então?
- Tipo, o dia do pai está aí e na escola os miúdos estão a fazer uma lembrança para entregarem aos pais, escusado será dizer que o meu irmão se sente excluído porque não tem pai - o Ruben olhou-me - ou melhor ter até tem mas não o conhece.
- Mariana, tens criado o teu irmão de uma forma única, ele é uma criança feliz e tenho a certeza que não será por não ter uma figura masculina a quem chamar de pai que vai sentir-se inferiorizado, até porque não vais permitir isso.
- Lógico que até onde depender de mim não irá sentir-se menos que os outros meninos mas querendo ou não a verdade é que ele não conhece sequer o pai e para agravar mais a situação, no dia 19 vai haver um pequeno lanche onde os miúdos vão entregar a prenda que fizeram aos pais.
- Até podia perguntar se não tens um amigo que possa ir no lugar do suposto pai mas sinceramente acho que o Martim não precisa de ninguém do sexo masculino a ocupar esse lugar quando te tem a ti, Mariana para todos os efeitos és a mãe e pai que ele conhece e garanto-te que desempenhas o papel muito melhor que muitos pais e mães biológicos.
- Tenho consciência disso mas a bem da verdade nunca serei a mãe dele e muito menos o pai.
- Mãe e pai são aqueles que criam, que educam e que lutam pelo bem da criança por isso nunca duvides que és a mãe e pai dele.
- Ruben, isso é tudo muito bonito mas quando ele começa a fazer perguntas, dói para caramba não conseguir responder-lhe e ver a desilusão no olhar dele.
- Anda cá - o Ruben abraçou-me - não chores. O Martim tem muita sorte em ter-te como irmã, ele hoje pode não entender o motivo pelo qual ele é privado do contacto com os pais mas quando crescer irá ter a oportunidade de saber qual foi a sua origem e os motivos que te levaram a afasta-lo dos vossos pais e aí irá agradecer-te com toda a certeza. A verdade é que deves ter dado ao Martim a oportunidade que não te deram a ti, não preciso ser muito inteligente para entender que sentes uma enorme magoa e revolta quando pensas no passado, imagino que não deve ter sido fácil para ti e no entanto estás aqui.
- Fácil não foi mas já passou.
- Não gostas mesmo nada de falar do teu passado.
- Ruben, é um assunto delicado, é algo que dói imenso quando relembro, principalmente a parte que o meu pai não quis saber de mim.
- O Martim não é filho do teu pai? - perguntou surpreendido talvez por ter pensado que seria.
- Não.
- Pensei que fossem.
- Em comum só temos a mulher que nos trouxe ao mundo porque nem mãe dá para chamar a ela, mas vamos mudar de assunto que não quero falar disso.
- Desculpa, mas confesso que a curiosidade falou mais alto.
- Ruben, não precisas pedir desculpas - ele sorriu - então e tu como é que estás?
- Vou indo.
- A Soraia continua a ligar-te?
- Ya, agora diz que está arrependida de não ter aceite o meu convite para vir comigo.
- É normal, apesar de tudo acredito que ela goste de ti, tal como gostas dela.
- Pois, mas cada vez mais acredito naquela máxima que diz “só gostar não chega”, por muito que a ame.
- Ruben, para todos os efeitos vocês vão se casar dentro de alguns meses, apesar de terem terminado, só a vossa família e alguns amigos é que sabem disso, o que para mim só revela que nem tu nem ela estão certos do fim da relação, caso contrário já tinham desfeito esta mentira, por isso continuo a dizer que deveriam falar mas como pessoas civilizadas que acredito que sejam, pelo menos tu és, ela já tenho as minhas dúvidas mas também não sou a pessoa mais indicada para avaliar isso, já que a única vez que a vi a coisa não correu muito bem.
- Falar para quê? Sabes muito bem como acabam as nossas conversas.
- Sim, aos gritos, contigo a virar costas e a regressares a Braga.
- Sinceramente cada vez mais acredito que não há volta a dar.
- Ruben, só para a morte é que não há remédio, para tudo o resto existe sempre solução e a vida vai encarregar-se de mostrar-te isso. Já te disse e repito, se tivesse na tua situação iria à luta, caramba amas a Soraia e não fazes nada para resolver esta situação em que se encontram.
- Fazer o quê? Não a posso mudar.
- Ruben, tu próprio já admitiste que a Soraia que conheceste não foi a mesma à qual fui apresentada, que ela sempre teve manias mas que não era nada que não se conseguisse aturar, por isso acredito que algures dentro dela continua essa rapariga pela qual perdeste de amores, só tens de arranjar forma de a reencontrares novamente.
- Isso é tudo muito bonito mas não sei como fazê-lo quando a maior interessada não está disposta a nada para resolvermos isto.
- Será que não? - olhou-me - Ruben, não acredito nisso a menos que ela já não te ame e se assim for desculpa mas está a ser uma otária em continuar a azucrinar-te a paciência, a ligar-te todos os dias a dizer que está arrependida.
- Não consigo explicar mas há algo nela que faz com que duvide do seu amor por mim.
- Ruben, tentaste alguma vez percebe-la verdadeiramente? Perceber o motivo que originou a mudança dela? É que vamos ser realistas, das duas uma, ou andou praticamente quarto anos a fingir ser uma pessoa que não é, o que sinceramente não acredito, ou então alguma tiveste que fazer para ela ter mudado.
- Ah, agora a culpa é minha?
- Não foi isso que quis dizer, mas ninguém muda radicalmente sem motivo, posso não gramar a Soraia e achar que está a ser parva todos os dias mas também não a consigo condenar pelo fracasso da vossa relação, desculpa mas para mim a culpa é dos dois, se ela não tem maturidade suficiente para entender isso e tentar mudar, cabe-te a ti fazer alguma coisa, nem que seja terminar de vez com esta novela, é que isto não faz bem a nenhum dos dois.
- Que queres que faça? Diz-me porque sinceramente já não sei o que pensar.
- Acho que deves ir falar com ela, olhos nos olhos, dizer-lhe tudo o que sentes, perguntar o motivo pelo qual mudou a forma de ser, tentar junto com ela entender o que está mal e que tem de ser mudado na vossa relação mas essencialmente deves perguntar-lhe se está disposta a mudar algo nela e na sua postura para que consigam chegar ao outro lado do rio. Ruben, não podes ser só tu a querer, tem que ser os dois, por muito que a ames se não for correspondido não vale a pena andares a sofrer por quem não merece.
- Será que vale mesmo a pena ir até Lisboa perder tempo para depois ficar tudo igual.
- Ruben, das duas uma ou já não a amas ou então adoras fazer-te de coitadinho, porque no último mês não faço mais nada do que ouvir as tuas lamurias mas a bem da verdade também não fazes nada para mudar isso.
- Estás a queixar-te? Pensei que fossemos amigos - interrompi-o.
- Podes parar por aí, primeiro não estou a queixar-me, segundo sim já te considero um amigo mas isso não quer dizer que vá passar a mão no teu pêlo e dizer que tens sempre razão, desculpa que te diga mas amizade não é isso, pelo menos para mim não é, Ruben, ser amigo é ter a capacidade de ouvir o outro a mandar-nos à fava quando nós lhe tentamos abrir os olhos, sim amizade para mim é estar do lado da pessoa e não ter medo de dar a minha opinião, de chamar à razão, de dizer-lhe que está errado e a ser um perfeito parvo por não lutar pela sua felicidade, mesmo sabendo que não é isso que o meu amigo quer ouvir, é isso que digo. Desculpa se ao dizer a verdade vou contra o teu conceito de amizade mas se queres a minha amizade é com isto que podes contar, nunca te virarei a cara mas também não esperes que diga que tens sempre razão, especialmente quando isso não acontece.
- Vou dormir - ele levantou-se e começou a andar.
- Sim, agora foge. Ruben Filipe, deixa de ser criança e luta pelo que queres verdadeiramente.
Ele já não disse mais nada, também não voltei a insistir até porque acredito que o Ruben precisa de espaço e tempo para refletir, como amiga não posso fazer muito mais, vou esperar e ver se ele toma alguma atitude, caso não o faça, então aí resolverei as coisas à minha maneira, mas uma coisa é certo, se depender de mim o meu amigo não andará triste pelos cantos da casa muito mais tempo, quando o mal é muito o melhor é mesmo cortá-lo pela raiz e se tiver que dar um empurrão para isso acontecer, darei sem pensar muito, depois estarei cá para sofrer as consequências.

Ruben

Finalmente a Mariana cedeu e deixou-me que aproximasse dela, já se passou um mês desde que começamos a falar e o pouco que já conheço dela é suficiente para afirmar que tenho ali uma amiga, ela tem aturado todos os meus desabafos sem reclamar e ainda consegue sempre dar a sua opinião, mesmo que tenha de ser entre o passar a ferro ou confecionar a nossa comida ou ainda depois de deitar as crianças, ela está sempre disposta a ouvir-nos, tanto a mim como a qualquer outra pessoa.
Hoje foi a minha vez de ouvi-la, percebi que não estava bem e depois dela deitar os putos fui encontra-la no jardim sozinha e completamente no mundo da lua, aproximei-me e consegui fazer com que desabafasse mesmo tendo a consciência que não falou nem metade do que lhe deve andar a atormentar.
Infelizmente sofre calada as amarguras de uma vida, apesar de não falar sobre isso é visível que o seu passado a continua a atormentar, tentei que falasse sobre isso mas mais uma vez ela fugiu ao assunto, acabei por desistir e quando reparei já estávamos a falar novamente sobre mim, a Mariana ouviu novamente as minhas lamurias e nem o facto de estar mais em baixo foi impedimento para ela dizer aquilo que pensa e apesar de não ter gostado de ouvir sei que foi dito do coração, no fundo tenho consciência que a razão está do lado dela, as palavras foram poucas mas suficientes para resumir tudo aquilo que devo fazer e para o qual não tenho coragem.
Acabei por deixá-la no jardim e fui refugiar-me no meu quarto, foi quando estava a deitar-me que pediram autorização para entrar e assim que dei, vi a Mariana.
- Vim só desejar-te boa noite - falou enquanto se aproximava de mim.
- Obrigado - agradeci no momento que lhe estava a retribuir o beijinho - para ti também - ela sorriu.
- Vê se dormes que tens de tomar uma decisão e quanto mais rápido melhor - aconchegou-me os lençóis o que fez com que sorrisse.
- Não perdes mesmo essa mania de irmã e mãe.
- Estás a reclamar porquê? Sei que gostas quando cá venho aconchegar-te a roupa - sem pensar duas vezes agarrei-a pelo braço e puxei-a para mim quando já se ia a afastar, resultado acabou por cair em cima de mim e da cama.
- Mas estás parvo? Podia ter-te aleijado a sério - gargalhei, ela nunca desarma - estás a rir porquê?
- És única - ficou sem jeito - cais em cima de mim e a primeira coisa que ocorre nessa cabeça é a podias ter-me aleijado.
- Querias que pensasse o quê? - perguntou-me chocada.
- Não sei diz-me tu - por momentos ficamos perdidos a olhar um para o outro até que ela reagiu.
- É tens razão, a primeira coisa que devia ter feito era fazer-te pagar pela brincadeira.
- Ai sim? Então e como? - ela não respondeu, olhou-me fixamente e sem que estivesse à espera dá-me uma tremenda unhada que até estrelas vi - Hey, essa doeu - a Mariana gargalhou e como não iria ficar sem resposta virei-me na cama, sentando-me em cima das suas pernas, dei inicio a um ataque de cócegas que sabia que ela tinha ou não fosse o Martim já ter partilhado tal trunfo comigo e a brincadeira só acabou quando ela implorou que parasse.
- Seu animal, tinhas mesmo que fazer isto? - gargalhei perante o falso amuo dela - vais continuar a rir?
- Gosto de ver-te assim.
- Assim como?
- A divertires-te e se posso contribuir para isso podes ter a certeza que o farei sem qualquer problema.
- Deixa de ser parvo e sai mas é de cima de mim que quero ir dormir.
- Estou aqui tão bem - ela revirou os olhos.
- Vê lá se não queres o mesmo tratamento que dou ao Martim quando faz birra.
- O quê? Bates, é?
- Uma palmada bem dada e no momento certo nunca fez mal a ninguém - interrompi-a.
- Vais dizer que és fã daquele ditado que diz “quanto mais bates mais gosto de ti” - meti-me com ela.
- Não - olhou-me nos olhos - mas sou fã daquele que diz “Ó vai ó racha”
- O que queres mesmo dizer com isso? - ela sentou-se o que fez com que ficássemos com os rostos demasiados próximos
- Queres que diga ou que mostre? - por momentos quase que vi uma pontinha de atrevimento na forma como falou ainda assim não desarmei, estava curioso para ver o que ela iria fazer.
- Se tenho opção de escolha - fiz uma pausa - prefiro que mostres - ela sorriu.
- Ok, tu é que pediste - percebi na hora que iria aprontar alguma só não esperava que fosse o que foi, a Mariana agarrou no copo que tinha na mesa-de-cabeceira e por sinal cheio de água e mandou-me à cara - esta foi para aprenderes que há coisas com as quais fico incomodada e uma delas é que se façam a mim mesmo que seja no gozo por isso modera lá as tuas brincadeiras.
- Desculpa se abusei mas estávamos ambos na brincadeira.
- Ruben, não estou chateada, só não quero que voltes a repetir a brincadeira.
- Faz-te assim tanta confusão esta proximidade dos nossos corpos?
- Não é a proximidade dos nossos - deu ênfase a palavra nossos - corpos mas sim a proximidade de um rapaz mesmo que seja só - voltou a dar ênfase a palavra só - meu amigo, esclarecido?
- Agora é aquela parte em que confessas ser virgem, é? - ela ficou calada a olhar-me e só aí é que percebi o que tinha dito - desculpa - apressei-me a dizer.

E agora será que ela responde? E terá o Ruben acertado ou falhou redondamente no alvo?

10 comentários:

  1. Bem e como é normal, eu já estou a fazer as minhas previsões no desenrolar desta tua história, mas vou guarda-las para mim .. :D :D :D

    Adoro, amanha cá estarei a espera do proximo .. :)

    Beijinho linda

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  2. ADOREI, simplesmente... estou boquiaberta, que capitulo fantastico ahah
    isto promete mesmo !

    beijinho

    Raquel

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  3. Oh my God!!!!! Mas como é que acabas assim o capitulo???? Não estava nada à espera disto...
    Agora estou super curiosa para saber a resposta...
    Fogo o capitulo foi fantástico e eu só estou a pensar no que a Mariana vai dizer.
    Devias publicar já outro...
    Quero mais.
    Beijinhos linda.

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  4. LINDO! Mas tinha mesmo que acabar agora? :(
    Sei não ein, mas algo me diz que o Ruru meteu o pé na poça ... tomara que não! Mas do jeito que a Mari é ...! Quero mais, muito mais! beijinhos! *.*

    Gabii.

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  5. E não é que ela foi mesmo aconchegar as mantinhas ao menino? E por sinal, parece que se tornou um hábito, e depois chama-lhe preocupação de "mãe"...
    Adorei os outros, mas este, tá mesmo espectacular, a Mariana aos poucos vai abrindo o seu coração, é preciso é ter uma boa dose de paciência, que é o que ela tem para aturar as lamúrias do Ruben em relação à Soraia,mesmo com a outra a tratá-la mal, ela ainda o incentiva a ir ter com ela para resolverem as coisas, isso é que é ser amigo.
    Ela foi arranjar sarna para se coçar ao ir ao quarto dele, e agora quero saber como é que ela descalça esta bota.
    Por isso menina Caty, já sabes o que tens a fazer, venha de lá outro capitulo se faz favor.


    Beijocas

    Fernanda

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  6. Gostei muito!
    Melhor, Adorei!
    Esta última parte da água foi de mais. Está mesmo gira a fic.
    Beijinhos

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  7. wow :o ADOREI! :D Lindo, lindo!
    Essa perguntinha no final...hmmm... e o menino rubinho é bem atrevido, qe rebaldaria na cama :p
    Beijinhoo

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  8. Olá :)
    Esta última parte matou tudo por completo!
    O capitulo estava fenomenal e terminar com esta pergunta por Amorim,ele que tenha cuidade que a curiosidade matou o gato xD
    Quero o próximo! :P
    Beijinhos
    Rita
    http://letitbe-5.blogspot.pt/

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  9. ver estes dois amigos até é de estranhar, mas nao deixa de ser amoroso estas conversas visto que as de antes eram de picardias! xD

    Adorei imenso, estou a adorar cada vez mais estes capitulos, agora deixaste me curiosa com esta ultima parte, vê lá se consegues postar o proximo rapidinhoo para puder satisfazer as minhas curiosidades, sim??

    quero muito o proximo, fico à espera!

    beijinhos :)

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  10. Olá!
    Bem, desta vez, não vou ser batoteira e ler só o último capítulo ahahahahah
    Esta fic está apaixonante!!!
    Sou fã!
    E quero o próximo rapidinho!

    Beijo
    Ana
    http://desempreparasempre28.blogspot.com/

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