Nuno Gomes
Assim que o Ruben falou que a Mariana esteve a chorar fiquei
deveras preocupado, nunca a tinha visto a chorar e conhecendo-a como já conheço
aquilo seria algo grave.
- Mariana -
chamei-a assim que entrei na cozinha.
- Diga -
respondeu sem olhar-me.
- O que é que se
passou?
- Mas o seu amigo já
lhe foi fazer queixas, foi? - ela estava irritada, algo que não é normal.
- Tem calma, o Ruben
não fez por mal, só estava preocupado mas isso não interessa porque agora quero
saber se posso ajudar nalguma coisa.
- Não é necessário,
eu resolvo o problema da minha forma.
- Tens a certeza?
- Sim.
- Mariana, caso seja
necessário, sabes que podes contar connosco não sabes?
- Sim, agradeço do
fundo do meu coração mas neste momento prefiro mantê-los afastados, até porque
não é nada pelo qual não tenha já passado.
- Tudo bem, vou
deixar-te então sossegada.
- Obrigada.
Saí da cozinha preocupado, ela não estava bem mas como
sempre não quis falar e por muito que insistisse não iria adiantar por isso
resolvi deixá-la a sós.
- Então está mais
calma?
- Ruben, mesmo sério,
qual é o teu interesse nela?
- Lá estás tu outra
vez, qual interesse qual quê? Até parece que não sabes que me preocupo com as
pessoas.
- Vais negar que não
há aí qualquer coisa que faz com que olhes para a Mariana?
- Nuno, tem dó de
mim, daqui pouco estás a insinuar que estou perdidamente apaixonado pela rapariga.
- As palavras foram
tuas.
- Está impossível
falar contigo - levantou-se.
- Ruben, podes fugir
de mim mas não foges da confusão que vai nessa cabeça - ele já ia a sair da
sala mas parou - talvez se falares
consigas entender o que para aí vai.
- Nuno - ele
regressou e sentou-se - o problema não é
a Mariana ou outra qualquer, o problema tem o nome de Soraia.
- As cenas entre
vocês estão assim tão mal?
- Acho que pura e
simplesmente não estão.
- Então?
- Ultimamente só
temos discutido, ela embirra por tudo e por nada, só sabe refilar e reclamar,
diz que a nossa relação esfriou mas a verdade é que tentei dar a volta ao
problema mas ela não facilita, ainda agora podia muito bem ter vindo comigo mas
preferiu ficar em Lisboa, quando poderia ter vindo, seria uma nova oportunidade
para a nossa relação.
- E será que o facto
de ter ficado em Lisboa não será a oportunidade que vocês precisam?
- Achas que estarmos
separados, ajuda?
- Ruben, vocês já
namoram há imenso tempo, vão casar no Verão mas talvez o que estejam mesmo a
precisar é deste afastamento porque a verdade é que ultimamente só discutem.
- Não sei o que
pensar.
- Não tenhas pressa,
vais ver que a ausência vai ajudar a clarificar o que sentes por ela.
- O problema é mesmo
esse.
- Como assim?
- Tenho medo do que
possa vir a descobrir.
- Ruben, confessa de
uma vez, a Mariana mexeu contigo, não mexeu?
- Não - ele foi
convicto, convicto até demais - é
verdade que é bonita mas mulheres bonitas é o que não faltam por aí, ela não
passa de uma pessoa que conheci e que por sinal não vai nem um pouco com a
minha cara.
- Mas gostavas que
fosse?
- Nuno, há qualquer
coisa nela que desperta-me a curiosidade, talvez esse passado que falaste, esse
mistério todo mas não passa disso.
- Ok.
- A última coisa que
preciso é de arranjar confusões com outras mulheres, posso andar com problemas
com a Soraia mas não é a correr atrás de outras que vou resolvê-los.
- Nisso tens razão e
aproveito para avisar-te que não quero a Mariana metida no meio das vossas
discussões, a rapariga já tem problemas que chegue.
- Fica tranquilo que
não penso envolve-la em nada.
A conversa morreu ali porque a Patrícia chegou vinda do emprego,
comentei com ela o facto de a Mariana não estar muito bem e por isso mesmo o
meu amor foi ver se conseguia entender o que se passava mas regressou uns
minutos depois sem saber nada, mais uma vez a Mariana não contou.
***
Os dias foram passando e no fim-de-semana o Ruben fez anos,
por isso foi passar o dia a Lisboa, o que melhorou substancialmente o humor da
Mariana que já cantarolava pela casa.
- Amor, o Ruben ligou
a perguntar se há problema da Soraia vir passar uns dias cá.
- Por mim não, até
porque a cama do quarto dele até e de casal - estávamos a almoçar e quando
falei que a Soraia vinha passar uns dias a Braga, a Mariana olhou imediatamente.
- Ok, então depois
aviso-o.
Mariana
Depois de uns dias em que andei mais tensa, hoje acordei bem-humorada.
Estava a almoçar quando tomei conhecimento que viria mais uma pessoa, o que
implicava mais trabalho, algo que irritou-me solenemente, ainda assim calei-me.
Passei a tarde toda de sábado nas limpezas, afinal a casa
não é pequena e com duas crianças a coisa complica. O Domingo, esse, foi
dedicado ao meu irmão, o Nuno e a Patrícia resolveram ir passear com o Nuninho
e por isso fiquei com a casa toda para nós, fiz pipocas e estávamos a ver um
filme estatelados no sofá quando o Martim deu pela presença de alguém.
- Olá - ouvi o
meu irmão mas pensei que fosse o Nuno e a Patrícia e por isso não me mexi.
- Boa tarde -
assim que ouvi a voz do Ruben levantei-me imediatamente, pois estava
literalmente estatelada e sabia que traria “visitas” com ele - está tudo bem convosco?
- Sim, já tinhas
saudades tuas - o meu irmão falou e a vontade de lhe apertar o pescoço foi
enorme, já o Ruben sorriu.
- Do que tens
saudades é de jogares comigo e com o Nuno.
- Também mas não só,
és um fixe - arregalei os olhos ao Martim o que fez com que se calasse e
fosse para o quarto.
- Tinhas mesmo que
intimidar o puto, ele não estava a dizer nada de mal.
- Desculpe mas já o
avisei para não se meter na educação que dou ao meu irmão.
- Tens razão, não se repete.
Ah e já agora deixa-me apresentar a minha namorada Soraia - olhou-me de
cima a baixo o que irritou-me mas foi só mais um sapo que engoli para se juntar
aos outros todos que a vida se encarregou de fazer com que engolisse - Amor, é a Mariana, empregada do Nuno e da
Patrícia.
- Para empregada é um
pouco folgada - a vontade em responder era enorme mas fiz ouvidos de
mercador e ignorei, até porque o Ruben repreendeu-a.
- Soraia, olha a
forma como falas da Mariana, ela além de empregada é amiga deles, por isso mais
respeito.
- Amor, só falei a
verdade, afinal estava deitada no sofá quando chegamos.
- Não tens nada que
te meter nisso - ele respondeu-lhe e saiu, deve ter ir colocar a mala da sua
namorada no quarto, pois levou-a consigo.
- Mariana não é? -
perguntou-me com o seu ar de superior.
- Sim, diga.
- Tenho sede -
olhei-a com vontade de a mandar à fava.
- Pretende água, sumo
ou um chá? - a atitude dela estava a irritar-me.
- Água chega - pedi
licença e fui até à cozinha levando comigo as pipocas e os sumos que estávamos
a beber, regressando com a água para a visita - afinal quero sumo.
- Mas pediu água -
ripostei a arrogância é coisa que tira-me completamente do sério e esta Soraia
estava a abusar.
- Deixa de ser
insolente que empregada é para nos servir.
A vontade que tive foi de lhe atirar a água à cara, ainda
assim retirei-me pois a última coisa que queria era arranjar problemas, fui
novamente à cozinha buscar o sumo para a sua alteza e quando regressei ela continuava
sozinha.
- Aqui tem o sumo.
- Obediente, gosto
disso - voltei a engolir o orgulho para não lhe responder - mas não é por isso que não percebi qual é a
tua, afasta-te do meu noivo.
- Desculpe?
- Deixa de ser sonsa,
que já percebi que usas o teu filho para fazeres-te de coitadinha e amoleceres
o coração do Ruben.
- Você não é ninguém
para opinar a meu respeito, muito menos lhe admito que meta o meu irmão no meio
da sua loucura e para terminar não preciso de fazer-me de coitadinha, muito
menos para o seu noivo. Fique com ele, faça picadinho da paciência dele -
virei costas e desapareci, não estava para aturar pessoas sem educação.
Ruben
Fui ao quarto colocar a mala da Soraia e mudar de roupa mas quando
regressei à sala ouvi logo as queixas da minha noiva.
- Amor, a empregada
do Nuno é extremamente mal-educada - olhei incrédulo.
- Não impliques com a
rapariga.
- Vais defendê-la?
- Soraia, do pouco
que conheço da Mariana, ela não precisa que ninguém a defenda, fá-lo sozinha e
nem admite que tentem fazê-lo por ela.
- Mas… - ela
teria continuado mas com a chegada dos anfitriões da casa calou-se, algo que
agradeci para o bem da minha sanidade mental.
- Então fizeram boa
viagem?
- Sim - respondi
à Patrícia e ficamos a conversar durante algum tempo, até que a Mariana veio
buscar o Nuninho que assim que a viu foi a correr para o seu colo.
- Então meu pequenino
gostaste do passeio? - sorrimos todos à exceção da Soraia - vamos tomar um banhinho para depois irmos
papar, não é? - ela saiu a falar com o menino e isso é uma das coisas que
admiro nela, a facilidade com que cativa as crianças e que lida com elas.
***
O Martim veio avisar-nos que o jantar estaria servido e
quando chegamos à mesa estranhei a ausência de dois pratos e por isso olhei de
imediato para o Nuno e para a Patrícia à procura de uma explicação mas pela
admiração deles também não sabiam a razão.
- Mariana, onde é que
está os vossos pratos? - a Patrícia perguntou-lhe.
- Hoje jantamos na
cozinha.
- Posso saber o
motivo?
- Não queremos
incomodar.
- Mariana, incomodas
se não jantares connosco, que conversa é esta? Sempre comeste connosco e não
será por a Soraia estar aqui que vai ser diferente, além disso a Soraia pode
ser visita mas não deixa de ser uma amiga, por isso não quero que faças
cerimónias com ela, estamos entendidas? - a Patrícia apressou-se a
esclarecer as coisas, algo que incomodou a Soraia, jantar na mesmo mesa que os
criados para ela sempre foi uma afronta mas confesso que para mim deu-me um
certo gozo, talvez assim a minha noiva aprendesse alguma coisa.
A Mariana foi buscar o irmão e trouxe a loiça necessária
para jantarem connosco, o miúdo ficou sentado ao meu lado, enquanto a Mariana
ficou do lado da Soraia. Estávamos a jantar quando o Nuninho começou a fazer
birra e por isso a rapariga apressou-se a pegar-lhe ao colo, estava com o
menino no colo enquanto acabava de comer, quando o puto achou por bem pegar no
copo de água e entorná-lo em cima da Soraia, a situação teria dado para rir se
não fosse a Soraia armar um escândalo ao afirmar que lugares de babás é a
tomarem conta dos miúdos e não na mesa a jantarem, não gostei do que ouvi mas
nem tive tempo de reagir uma vez que a Mariana não ficou calada.
- Teoricamente à mesa
também é para se ter educação - o Nuno e a Patrícia fizeram um esforço para
não rirem - além disso o menino não fez
por mal, é só uma criança.
- Lugar das crianças
é longe da mesa.
- Desculpe mas não
concordo, o lugar dos filhos é junto dos pais ou daqueles que os amam como tal.
- Ainda tens a
ousadia de responder?
- Respondi e volto a
responder as vezes necessárias, afinal não admito a ninguém que se meta com os
meus, o Nuninho não teve culpa.
- Insolente.
- Chega Soraia -
mandei-a parar.
- O que foi? Vais
defender a empregada? É que não falta mais nada.
- Vou porque estás a
passar os limites, no mínimo respeita as pessoas.
- Realmente
desiludes-me a cada dia que passa - tinha os nossos amigos a olharem-me.
- Vem comigo, isto
não é conversa para termos à mesa.
Levantei-me e saí, a Soraia veio atrás de mim e fomos até ao
quarto, onde acabamos por discutir novamente, ela desta vez passou todos os
limites e isso não tolero.
- Chega, estou farto
destas discussões.
- Queres dizer o quê?
- Que a continuar
assim não vai haver casamento para ninguém, não estou disposto a partilhar a
minha vida com alguém que humilha as pessoas só porque são pagas para nos
servirem, é um trabalho digno e que merece toda a consideração.
- Estás a defender
aquela - interrompi-a.
- Vê lá o que vais
dizer e sim estou a defendê-la como defenderia qualquer pessoa na situação da
Mariana, ainda estou para perceber o que é que a rapariga te fez para a odiares
tanto.
- Mas ainda não
entendeste que como não pode dar em cima do Nuno, dá em cima de ti? -
gargalhei.
- Essa é boa, a
rapariga foge de mim como o diabo da cruz. Deves estar a ficar maluca, só pode,
há muito que deixaste de ser a Soraia que conheci há quatro anos atrás, não eras
assim, sempre tiveste manias mas eram toleráveis.
- Que desilusão,
realmente quando decidiste vir para Braga devia ter terminado logo com o
noivado, foste bem explícito na escolha que fizeste.
- É mesmo isso que
pensas?
- É.
- Então pega na tua
mala e regressa para Lisboa, ah e não te preocupes que eu próprio faço questão
de anunciar o fim do noivado, do casamento e do namoro. Adeus, não estou para
aturar mais isto, antes só do que mal acompanhado.
- Se sair pela aquela
porta não regresso.
Não respondi por isso agarrou na sua mala e saiu porta fora,
fiquei no quarto não estava com disposição nem coragem para encarar os meus
amigos e muito menos a Mariana, que sem ter culpa levou por tabela.
Estava deitado na cama quando ouvi alguém bater na porta,
dei permissão para entrarem por pensar ser o Nuno mas para meu espanto quem
entrou foi a Mariana.
- Tem aqui o jantar
que acabou por não comer praticamente nada - ela falou sem nunca encarar-me.
- Obrigado mas não
quero comer.
- Mas devia.
- Estou sem apetite.
- Mesmo assim deixo
aqui, se quiser comer mais logo - ela já ia a sair quando a chamei - diga - falou.
- Mariana desculpa a
Soraia não tinha o direito de dizer tudo aquilo.
- Esqueça, já passou
- ela continuava a não olhar.
- Mariana não quero
ver-te incomodada com esta situação, não tiveste culpa.
- Não percebo porquê
que está tão preocupado, afinal sou só uma empregada - ao ouvi-la
levantei-me da cama e fui ao seu encontro.
- Para mim não és só
uma empregada - levei a mão à sua cara e fi-la olhar para mim - és uma pessoa que tens sentimentos e que
não merecia ouvir aquilo.
- Já pedi para
esquecer - retirou-me a mão da sua cara - e prefiro que não me toque.
- Desculpa, não fiz
por mal.
Ela não respondeu e simplesmente saiu do meu quarto, percebi
que estava triste, só não entendi o verdadeiro motivo, se pela forma como foi
tratada ou por toda a confusão que se gerou depois.
Já estava no quarto há algum tempo quando o Nuno veio ter
comigo pedindo autorização para entrar.
- Como é que estás?
- Nem sei, uma parte
de mim está na lama, outra está aliviada.
- Grande confusão.
- Nuno, a nossa
relação não andava bem mas no fundo sempre quis que resultasse, fechei os olhos
demasiadas vezes para não ver o que estava diante de mim e deu nisto.
- Amas mesmo a
Soraia.
- O pior é isso
mesmo, é que a amo e dói p'ra caramba reconhecer que ao fim de quatro anos vai
cada um para o seu lado e ainda por cima desta forma.
- Vocês vão mesmo
cancelar o noivado?
- Vou, aliás vai ser
das primeiras coisa s que farei amanhã.
- Como assim?
- Tenho que avisar a
minha família e depois emitir um comunicado a anunciar a novidade, para evitar
que comecem com as especulações.
- Não queres pensar
melhor nisso? Vocês discutiram, não tomes decisão nenhuma de cabeça quente.
- Nuno, chega. Isto
já não tem volta por muito que não queira aceitar, a verdade é esta. Seria um
erro muito maior se nos casássemos.
- Ok, a decisão é
vossa.
- Eu sei, olha
deixa-me sozinho - pedi, queria mesmo ficar a sós e curtir a dor que estava
a sentir, ele respeitou o meu pedido e saiu.
***
Passei a noite toda às voltas na cama a pensar numa forma de
dar a notícia à minha família, estava cansado mas tinha que levantar-me uma vez
que tinha treino. Fui tomar um banho relaxante e quando regressei ao quarto só
com a toalha a envolver-me a cintura dei de caras com a Mariana, a rapariga
assim que percebeu baixou imediatamente a cara e pediu desculpas.
- Não faz mal, também
não sabia que estavas aqui.
- Estou mas vou já
embora - não me deu tempo de dizer mais nada, simplesmente desapareceu da
minha frente, aquilo fez com que sorrisse, afinal pareceu que viu um bicho à
sua frente.
Despachei-me e depois fui comer, a Patrícia já tinha saído, tal
como o Nuno, por isso acabei por dizer à Mariana que comia na cozinha, que não
precisava de ter trabalho a colocar novamente a mesa.
- Mas isso é o meu
trabalho - insistiu quando voltei a dizer que comia na cozinha.
- Até pode ser mas já
o tiveste, não tens culpa de ter vindo mais tarde, além disso também não estou
com muita fome, vou mesmo só beber um copo de leite.
- Você vai ter
treino, deveria se alimentar melhor - sorri ao vê-la preocupada.
- Mariana, não vais
mesmo conseguir tratar-me por tu, pois não?
- É uma questão de
respeito.
- Então esquece o
respeito - ela olhou-me - e já agora
esquece também que viste-me de toalha, caso contrário vais ficar envergonhada sempre
que olhares para mim - ela virou-se para a bancada e percebi que estava a
fazer umas torradas, fiquei simplesmente a observá-la.
- Tome, coma que
precisa de se alimentar - sorri perante a sua preocupação.
- És sempre assim?
- Assim como?
- Preocupada com
todos mesmo quando te pisam?
- Não fui pisada -
ripostou, voltando-se de novo para a bancada mas desta vez para lavar a loiça.
- Mariana, será que
dá para colocares de lado, nem que seja uns minutos, essa tua armadura de ferro
e reconheceres que também tens sentimentos, que não gostaste de ser tratada da
forma como a Soraia te tratou, preferia que mandasses-me dar uma volta do que
ver-te a ser politicamente correta quando sei que foi por minha culpa que
ouviste tudo aquilo.
- Você não tem culpa
da falta de educação da sua noiva.
- Ex-noiva, queres tu
dizer - ela olhou-me.
- Desculpe, não
sabia.
- Mariana deixa de
pedir desculpas, sei que é uma questão de educação, até pode ser mas preferia
que fosses desagradável comigo em fez de andares a evitar-me. Desde que nos
conhecemos que sempre o fizeste e nunca percebi o motivo.
- Não gosto de misturar
a minha vida pessoal com o trabalho.
- Mariana, vives com
os teus patrões, comes na mesma mesa que eles, por isso já misturas as duas
coisas.
- Aí é que está, eles
podem ser os meus patrões mas também são o que neste momento tenho mais perto
de uma família, à mesa tanto eu como o Martim sentimos que estamos entre
amigos, à noite quando posso finalmente ir dormir e que entro no meu quarto é
como se estivesse na minha casa mas no resto do dia, estou a trabalhar e sei
muito bem qual é o meu lugar, devo-lhes respeito tal como aos seus convidados.
- Não é por
tratares-me por tu que estás a faltar ao respeito, ainda para mais quando sou
eu que te estou a pedir.
- Será que não
entende que não consigo.
- Mariana, já
trabalhas desde que idade?
- Desculpe mas não
tem nada que se meter na minha vida - ela saiu da cozinha e deixou-me a
falar sozinho.
Acabei por comer as torradas que preparou e quando terminei
tentei colocar a loiça na máquina mas fiquei-me só pela tentativa uma vez que
ela regressou e ao perceber quais as minhas intenções não permitiu,
retirando-me a loiça das mãos.
- És sempre assim tão
orgulhosa? - olhou-me - Não permites
mesmo que te ajudem, pois não?
- Estou a ser paga
para isto.
- Mariana, quando é
que folgas? - ela olhou-me incrédula.
- Isso não lhe diz
respeito.
- É aos domingos,
certo? - não respondeu e por isso voltei a insistir - Se não confirmares vou perguntar ao Nuno.
- Sim, é.
- Posso convidar-te a
saíres comigo no próximo?
- Você pode tudo o
que quiser tal como posso e vou recusar tal convite.
- Porquê?
- Porque não vou ser
o objeto de consolação pelo fim do seu noivado.
- É mesmo isso que
pensas? Que estou a fazer-me a ti?
- Não nasci ontem, já
ando nesta vida há alguns anos, suficientes para ter aprendido a defender-me
mas principalmente a saber qual é o meu lugar.
- Convidei-te como
amigo e não como homem que te quer levar para a cama.
- Nunca querem mas à
primeira oportunidade só não saltam para cima se não puderem - sorri com a
forma como falou.
- Tens assim em tão
má conta os rapazes?
- A maioria deles,
sim tenho - gargalhei.
- Gosto da tua
espontaneidade.
- Só falei a verdade.
- Mariana, dá-me uma
oportunidade de demonstrar-te que nem todos somos esses animais que pensas.
- Não preciso que
demonstre nada.
- És dura na queda,
não vergas à primeira.
- Nem à primeira nem nunca.
- És de ideias fixas.
- Não, sou realista,
uns nasceram para mandar e outros para obedecerem, os que mandam podem tudo, os
que obedecem só podem negar-se a fazer algo, por isso tenho muito orgulho de
negar tudo aquilo que não quero, é pouco mas é o que tenho. Não vejo motivo
nenhum para sair consigo a não ser para prejudicar-me a mim e ao meu irmão por
isso lamento mas nem morta aceito o seu convite.
- Posso saber porquê
que achas que irias sair prejudicada se aceitasses o meu convite.
- As razões são mais
que muitas mas basta dar-lhe duas, primeiro ainda não consegui perceber qual é
o seu interesse em mim e a segunda é que tenho plena consciência que o
cancelamento do seu casamento vai dar água pelas barbas assim que as revistas
descobrirem e quero estar bem distante de você nessa altura, não preciso de ser
apontada como a empregada responsável por mais uma separação dramática, que fez
uma betinha irritante ficar deprimida - sorri com o que disse.
- Quanto à parte da
betinha tenho que concordar contigo foi mesmo irritante, no restante discordo,
não és a responsável pelo cancelamento do casamento nem nunca poderás ser,
porque a relação já estava por um fio muito antes dos nossos caminhos se
cruzarem - ela interrompeu-me.
- Qual caminhos
cruzados, qual quê? Mas você andou a beber às escondidas, foi? Desde quando é
que temos alguma coisa em comum?
- Não temos nada em
comum mas podíamos muito bem vir a ter, se me desses a oportunidade de te
conhecer, será assim tão impossível sermos amigos?
- Amigos? Vá mas é
ver se encontra uma otária para lhe servir de consolo e deixe-me em paz.
A Mariana voltou a desaparecer da minha frente e por isso
fui até à sala, fiquei lá uns minutos mas tive que ir até ao meu quarto, buscar
a carteira e o telemóvel para seguir para o treino e foi quando lá entrei que a
encontrei, a Mariana estava a arrumar o quarto.
- Podes ficar -
agarrei-lhe o braço ao perceber que estava a tentar fugir de novo - que vou já embora, vim só buscar a carteira
e o telemóvel.
- Não precisa dar
justificações, está no seu quarto.
- E tu não precisas
ripostar sempre que falo qualquer coisa.
- Se não quer que
comente então não fale.
Sorri ao ouvi-la a responder mas saí do quarto sem dizer
mais nada, deixei-a continuar o seu trabalho e fui para o treino.
- Então como é que
estás? Quando saí de casa ainda estavas no quarto.
- Estou mais ou menos
mas não quero falar disso.
- Tudo bem, olha a
malta está a pensar ir almoçar todos juntos, alinhas?
- Não.
- Então?
- Estou sem paciência.
- Acho que devias vir
mas tudo bem, não insisto.
- Obrigado.
O treino começou e aproveitei a hora seguinte para
descarregar todas as energias que tinha acumuladas, dei o máximo de mim e no
final sentia-me mais leve. Despachei-me e segui para casa, hoje teria a
oportunidade de almoçar só com a Mariana uma vez que o Nuno não viria almoçar e
a Patrícia por norma nunca come em casa.
Como irá correr este almoço?
isto está a ficar AWESOME !!!
ResponderEliminarmais um capítulo perfeito, tal como tu já nos habituaste... mas habituas.nos mal... agora queria mais um capitulo hoje p'ra terminar bem a semaninha ahah
beijinhoo
Raquel
magnifico...
ResponderEliminarquero mais...
continua...
ai ai, esta fic está a ficar cada vez melhor e tu estás a conseguir-me deixar ficar com uma curiosidade enorme sempre que acabo de ler, tenho sempre vontade de ler, ler e ler cada vez mais!!! está lindo, esta picardia entre o ruben e a Mariana está demais e quero, como é claro, ler o proximo para saber como vai correr esse almoço, hum...vai prometer! :)
ResponderEliminarfico à espera!!
beijinhos linda (:
Uiuiui qe vem daí bom almoço ou não? :p E ainda bem qe aqela soraia se pôs a milhas, qe gente mais mesqinha -.-
ResponderEliminarEstou a adorar mesmo :D!
Beijinho
Isto está mesmo a ficar cada vez mais interessante. Mesmo muito interessante...
ResponderEliminarAdorei!
Quero o próximo rápido, por favor.
Beijinhos
Olá, olá ;) ontem mesmo tarde ainda vim ler mas comentar ficou para hoje ;)
ResponderEliminarBem ainda bem que esta Soraia chegou e desapareceu logo... já nem a podia ver ;)
Estou completamente viciada... adoro, adoro, adoro.
Quero mais1!!
Beijinhos
Olá :)
ResponderEliminar3 capítulos e já estou a AMAR esta Fic,tens mesmo uma grande capacidade de viciar as pessoas naquilo que escreves!
E quanto a esta Soraia assim é que deve estar....longe!
Fico à espera de mais um ;)
Beijinhos
Rita
letitbe-5.blogspot.pt
Concordo com a Elsa, esta Soraia...nem devia de ter aparecido mas já que que apareceu, ao menos nem teve tempo de aquecer o lugar, mas que figurinha imbirrante, tava capaz de lhe ir ás ventas, mas a Mariana tratou do assunto com muito mais diplomacia. O amor é mesmo cego, e o Ruben tá mesmo apanhado, para gostar desta gaja, enfim, esperemos que ele melhore o seu bom gosto.
ResponderEliminarEu já te disse mas volto a dizer, adoro esta tua nova fic, por isso continua, tou a gostar imenso do rumo da história.
Beijocas
Fernanda