Ruben
Sou mesmo burro… sei que o Martim é “cão sem
vergonha” e quando algo o atormenta que pede para lhe explicarmos, mas mesmo
assim insisti com ele para que falasse, lógico que passei a maior vergonha da
minha vida em frente da minha família e por isso assim que consegui saí da
sala.
Estava no jardim quando ouvi a porta de vidro a
correr, não mexi um único músculo, por pensar ser a Mariana mas
-
Mano - senti a sua mão no meu
ombro direito
-
Se vens gozar podes voltar pelo mesmo caminho!
-
Não venho gozar contigo… muito pelo contrário… puto vim dar-te os parabéns e
dizer o quanto orgulhoso estou de ti…
-
Oh Mauro poupa-me!
-
Juro que estou a ser sincero… mano podes não ver isso agora porque estás
embaraçado, até porque falar destes assuntos nunca é fácil, menos ainda com uma
criança mas juro que penso muita vez se quando chegar a minha vez terei a mesma
capacidade de encaixe e de resposta que tens… Ruben dou-te muito valor e sinto
imenso orgulho em ti, não é fácil ser pai e menos ainda quando o filho está na
idade dos porquê’s… o que quero dizer é que tiveste muito bem e se demos
algumas gargalhadas não foi por gozo mas sim pela situação em si
-
Já acabaste?
-
Sim…
-
Então deixa-me sozinho!
-
Mas…
-
Sai!
O Mauro fez o que pedi e regressou para dentro.
Fiquei alguns minutos sozinho ou pelo menos era o que pensava, mas quando rodei
o corpo para também regressar, vi a Mariana a escassos metros
-
Já é seguro aproximar-me? - olhei-a
-
Tinhas mesmo de expor-me daquela forma perante a minha mãe?
-
Não tenho culpa que o Martim… - interrompi
-
Não metas as culpas no menino! Não foi ele que falou da nossa intimidade! - a Mariana sorriu
-
Estás assim porque respondi com sinceridade quando o Martim perguntou se brinco
com a tua pilinha…
-
Poupa-me Mariana!
-
Ai oh Ruben tem dó! Desce à terra… somos um casal é normal que brinque com o
que tens entre as pernas!
-
Não tinhas nada de falar disso à frente da minha mãe!
-
Falha-me Deus… Ruben estou grávida de ti, é lógico que já usei e abusei de ti…
chega de dramas!
-
Se fosse ao contrário queria ver qual seria a tua reacção, se falasse em frente
da tua mãe que brinco com o que tens entre as pernas como é que ficavas
-
Muito provavelmente ficava contente… era sinal que tinha mãe
Só quando respondeu é que me caiu a ficha
-
Desculpa… amor desculpa a sério… não queria dizer isto
Tentei aproximar-me da Mariana mas a cada passo que
dava na sua direcção, a Mariana dava um para trás
-
Sou tão otário…
-
Não… o que és é exagerado - falava
tranquilamente - Ruben ao contrário do que julgas a tua mãe está orgulhosa
de ti, porque és para o Martim o que o teu pai nunca foi para ti, mor o que
quero dizer é que não precisas de ter vergonha pelo que aconteceu na sala,
porque o que fizeste e falaste é para mim e para a tua família motivo de
orgulho, é tão bom ver o quanto cresceste com o Martim, nem te passa pela
cabeça o quanto esta conversa me tranquilizou, o quanto me fez acreditar ainda
mais que és um anjo que caiu dos céus para cuidares de mim e agora vamos regressar
que o Martim amanhã tem aulas e já é tardíssimo.
Não abri mais a boca, limitei-me a abraça-la e
regressamos à sala, onde o nosso piolho esperava já com o João Pestana a
incomodá-lo, por isso despedi-me da minha família e saímos.
***
A manhã começou bem agitada, estava no
quarto a vestir-me quando a Mariana entrou a refilar
-
Aiiiiiiiii que o teu filho hoje está impossível! - olhei
-
O que é que se passa?
-
O que se passa? O que se passa é que o Martim expulsou-me do quarto, fui
acordá-lo e quando tentei ajudar, expulsou-me do quarto, achas isto normal?
-
Oh mor não dês importância, é só uma birra!
-
Uma birra sem nexo nenhum!
-
Acordou com os pés do lado de fora
Brinquei com a situação e consegui
desanuviar o ambiente. Terminei de vestir-me e ao passar junto da Mariana,
dei-lhe um beijo e seguimos para a cozinha. Estava a ajudá-la quando o Martim
entrou e se sentou a comer sem abrir a boca, algo que nele é muito estranho mas
respeitamos o seu mau humor matinal e não insistimos.
-
Depois do treino ficas livre? - olhei
- O
pessoal combinou almoçar, mas porquê?
-
Por nada…
-
Se fosse por nada não tinha perguntado! Precisas de alguma coisa, é?
-
Nada de especial…
-
Amor diz!
-
Oh… pensei que pudéssemos passear um pouco depois do teu treino e almoçar
juntos mas já tens planos, por isso fica para outro dia!
-
Podes almoçar connosco e passeamos depois, até porque o treino hoje deve acabar
perto da hora de almoço, por isso não dá para grandes passeios.
-
Deixa estar… - agarrou na
sua loiça e foi coloca-la na máquina - vai lá almoçar com eles!
-
Ficaste chateada?
-
Não
-
Então porquê que reagiste assim?
-
Oh mor vim só colocar a loiça na máquina que tenho de levar o Martim ao colégio
- E
se for convosco e depois vais ao treino?
-
Tens coisas combinadas…
Calei-a com um beijo que foi totalmente
correspondido e depois
-
Deixa de ser casmurra, aceita ver o treino, até porque são tão poucas as vezes
que posso treinar contigo a ver…
A Mariana aceitou e por isso seguimos para o
colégio. O meu amor foi levar o irmão até à entrada e quando estavam a chegar
reparei no Paulo, não pensei duas vezes e saí do carro, fui em passo apressado
até junto da minha família, temi o pior e quis estar por perto
-
Olá Kika - o Martim largou a mão da
Mariana e deu um abraço e beijinho à miúda
Cumprimentei a menina e o Paulo, já a Mariana ficou
imóvel, só reagiu quando agarrei na sua mão, olhou-me por segundos e depois
-
Dás-me um beijinho - sorri ao
ouvi-la a falar para a irmã, a menina aproximou-se e deu-lhe o beijinho
-
Tás melhor? - olhámos para a Kika sem
entender - O Martim andou triste porque não tavas bem - esclareceu
-
Já passou… - respondeu sem olhar para
o Paulo e já com o Martim agarrado a si
- E
o bebé tá bom?
-
Sim - sorriu para a irmã
-
Eu gostava de ver o bebé como o Martim já viu - atirou de uma só vez, o que nos surpreendeu, incluindo o Paulo - deixas
eu ver?
A Mariana não conseguiu reagir, acho que no fundo
não esperava tal pedido, o que só deu espaço para que a miúda insistisse
-
Deixas eu ir contigo quando fores ver o bebé?
-
Depois combinamos isso mas agora têm de entrar, pode ser?
-
Prometes que deixas eu ir? - olhei para a
Mariana
-
Prometo…
-
Fixe!!!! Posso dar-te outro beijinho?
-
Podes…
A Mariana baixou-se ligeiramente e foi brindada com
dois beijinhos e um abraço, que a deixou de lágrimas nos olhos, mas que
disfarçou o melhor que conseguiu e assim que os miúdos entraram no colégio,
virou costas com a intenção de ir embora, mas
-
Mariana - o Paulo chamou, no
entanto a Mariana não parou
-
Paulo, se quer um conselho de alguém que já sofreu demais por sua culpa,
afaste-se de nós! A Mariana não o quer por perto, respeite isso e talvez um dia
a sua filha o consiga ouvir e perdoar, até lá não insista ou só a afastará de
si. Respeite a vontade da Mariana e páre de nos prejudicar, porque sempre que
insiste a Mariana foge da realidade, ao ponto de ter saído de casa, neste momento
há muita coisa em risco, incluindo o meu casamento e o nosso filho por isso se
nunca foi pai da Mariana também não precisa de ser agora, deixe a minha mulher
em paz!
-
Não quero prejudicar a Mariana
-
Então afaste-se, deixe-a em paz!
-
Mas a Kika quer conhecer a irmã
-
Mais uma razão para se afastar! As suas filhas não precisam de si para se
conhecerem, precisam de espaço e tempo, deixe-as construir a relação ao ritmo
delas, a Mariana não o aceita a si mas não tem nada contra a Kika, muito pelo
contrário ou será que o tenho de relembrar que foi a Mariana que salvou a vida
à irmã? Não use a Kika como desculpa, porque garanto que só afastará a Mariana
da irmã e agora vou ter com a minha mulher!
Virei costas e segui até ao carro, entrei e assim
que agarrei na mão da Mariana
-
Tira-me daqui…
***
Passei o treino todo preocupado com a Mariana mas
ainda assim consegui concentrar-me o suficiente para não ouvir no final.
Avisei o pessoal que não almoçava com eles e fui
procurar a Mariana, encontrei-a no bar a beber uma água
-
Como estás? - olhou
-
Com fome! Onde é que querem ir almoçar?
- O
que é que te apetece? - olhou - Mor
vamos só os dois!
-
Mas…
-
Dispensei a companhia deles, precisas mais de mim do que eles.
-
Obrigada - abraçou-me
-
Vamos!
Saímos do Seixal e fomos almoçar num espaço
reservado, o que nos deu privacidade suficiente para namorar enquanto
almoçávamos.
A Mariana não tocou mais no assunto “Paulo” e
sinceramente também não insisti. No fim demos um passeio e resolvi
surpreende-la ao levá-la até ao parque Natural de Monsanto, sei que adora
natureza e pelo menos ali ninguém nos incomodaria. Passamos a tarde sentados
num banco de jardim com vista privilegiada sobre o rio Tejo, o que também a
ajudou a acalmar.
Estava simplesmente a observá-la quando
- O
que achas da Kika ir connosco a uma consulta?
- O
que interessa não é o que acho mas sim o que queres, mor por mim a miúda pode
ir
-
Falas com quem de direito?
-
Queres que ligue e trate já disso?
-
Não ainda temos tempo! E agora vamos que temos de ir buscar o Martim.
-
Também podemos ligar para a minha mãe… - olhou
- O
que é que tens em mente?
-
Nada de especial… mas por mim ficava aqui mais um bocado, assim só a olhar para
ti!
-
És tão parvinho! Mas liga lá para a tua mãe se puder, que vá busca-lo.
Enquanto liguei, a Mariana saiu do meu colo e assim
que desliguei, aproximei-me dela e envolvi-a nos meus braços
-
Tenho saudades das tardes e noites que passamos no parque do Bom Jesus…
-
Partilhamos bons momentos…
-
Longe de tudo e de todos… fomos muito felizes em Braga!
-
Ya…
***
Regressamos a casa e enquanto a Mariana foi
descansar, preparei o jantar. O serão foi agradável, vimos um filme e namoramos
como há muito não fazíamos, a Mariana está de facto mais calma e isso ajuda
bastante para que o ambiente esteja sereno entre nós.
***
Nestes últimos dias o Martim tem ficado na casa da
minha mãe e sempre a pedido da Mariana, mas se ao inicio não estranhei e até
gostei, agora já está a deixar-me intrigado, por isso assim que cheguei a casa
e a encontrei deitada no sofá a ler um livro
-
Mor temos que falar
-
Antes de te sentares, vai ter com o meu irmão e tenta
perceber o que se passa
- falou depois de a beijar - o puto está
estranho mas quando perguntei, afirmou que não tem nada…
-
Está cá?
-
Sim, pedi à tua mãe para o trazer
-
Então vou lá e já regresso!
Fui vê-lo, bati na porta antes de
entrar e encontrei-o deitado na cama
-
Então filho - olhou e
sorriu - deitado?
-
Tenho sono… - a
resposta não convenceu
-
Não queres contar o que se passa?
- olhou - conheço-te para saber que tens
alguma coisa
-
Eu quero ficar sozinho!
-
Estás chateado connosco porque tem sido a minha mãe a ir buscar-te?
-
Eu gosto da vó Bela e gosto quando vai buscar-me
-
Então porquê que estás assim tão murcho?
-
Já falei, tenho sono
Não insisti mas também não desisti,
simplesmente afirmei que quando quisesse falar que chamasse, o menino não
respondeu, dei-lhe um beijinho e saí.
-
Então?
-
Não quis falar… mas não dês muita importância, deve ser coisas de miúdos.
A Mariana não tocou mais no assunto, o
que contribuiu para que mimasse a sua barriga.
-
O que é que querias falar?
- olhei
-
Esquece… era sobre o menino ficar na casa da minha mãe
-
Como assim?
-
Porquê que pediste para ficar lá nestes dias?
-
Porque ando a sentir-me mais cansada e o menino gosta de lá estar por isso
pensei que não houvesse problema
-
E não há! Só não estava a entender o motivo mas se andas mais cansada, o melhor
é marcares uma consulta!
-
Não… é só cansaço… tenho de descansar e fico bem!
-
Mas se sentires… -
cortou-me as palavras
-
Se sentir alguma coisa digo-te imediatamente!
***
Estava a dar miminhos ao bebé quando o
Martim se juntou à festa e acabamos todos a rir, isto porque sempre que o
menino falava, a Mariana sentia o bebé a mexer, o que não acontecia quando
falava.
-
Acabou a brincadeira
- olhamos os dois para a Mariana - porque
tenho o jantar para fazer!
-
Queres ajuda?
-
Deixa… fiquem ai!
Aproveitei para puxar pelo Martim mas
o menino não explicou porquê que anda mais calado.
Jantamos e quando chegou a hora do
Martim se deitar, estranhamos o facto de não resmungar, uma vez que sempre que
o mandamos para a cama o miúdo tenta adiar ao máximo.
Fui deitá-lo e regressei para junto da
Mariana que já estava deitada.
Mariana
O Martim anda estranho e por muito que
tente perceber o que se passa não consigo.
Ocupei a manhã a descansar, já que não
tenho mais nada para fazer e também porque agora que estou nas últimas semanas
da gravidez sinto-me mais cansada.
Só saí da cama para preparar o almoço,
tive a companhia do Ruben e depois tive direito a miminhos.
As horas passaram e o Ruben saiu para
o treino, por isso fui buscar o Martim ao colégio, o meu irmão vinha mais
animado, o que tranquilizou-me.
Dei-lhe o lanche e ajudei-o nos
trabalhos da escola, para depois brincar um pouco, mas assim que o Ruben chegou
fui imediatamente trocada, isto porque segundo o piolho mais pareço uma bola de
futebol e mal consigo mexer-me
-
Olha que lindo! Isto realmente
-
Oh mana não fiques chateada comigo mas é verdade
Acabei por rir e depois fui preparar o
jantar, enquanto o Ruben ajudou o Martim no banho, ou pelo menos foi o que
pensei mas
-
O puto tá outra vez com a mania de tomar banho sozinho!
-
E deixaste?
-
Deixei… mas fiquei pelo quarto…
-
Só espero que passe rápido ou ainda vira um porquinho de duas pernas!
-
Eich não exageres!
Não respondi porque o Martim entrou,
sentando-se ao colo do Ruben, o que fez com que risse, afinal tão crescido para
umas coisas e tão menino para outras.
***
-
É verdade… o que deu ao vosso treinador?
-
Como assim?
-
Vocês jogam Domingo mas não vos enclausurou no Seixal… é de estranhar!
-
Muito gostas de implicar
- sorriu - mas para tua informação temos
ordens para nos apresentar amanhã depois do almoço e já não regressamos a casa
-
Logo vi que era bom demais…
- resmunguei, já o Ruben riu
-
Vais ao jogo no Domingo?
-
Não sei… depende como estiver a sentir-me
-
Ok…
Ainda ficamos um bocado na sala a ver
televisão, mas quando informei que me ia deitar o Ruben colou-se.
Adormeci nos seus braços e acordei
horas depois com o Ruben a falar para a barriga, o que proporcionou mais um
momento cómico, que em determinado momento se transformou em algo mais intimo,
comigo a brindar o Ruben com mimos menos decentes, o que o animou…
-
Mor tá quieta…
-
Até parece que não gostas!
- sorri de traçada
-
Gosto… oh se gosto… e o problema é mesmo esse - beijou-me - mas
não precisas torturar-me!
Gargalhei e só não respondi porque o
Martim entrou no quarto, sentando-se na nossa cama, o que não impediu que
continuasse com a mão em território alheio
- Mor… tá quieta! - olhei e antes que tivesse tempo
para resmungar
-
O que é que a mana tá a fazer?
-
Nada…
-
Mas o pai pediu para tares quieta
Olhei para o Ruben e acabei a rir, o
que só despertou ainda mais a curiosidade do meu irmão, que voltou a insistir
ao ponto de esquivar-me para a casa de banho, só para não responder.
O que terá o Martim? E será que a paz
veio para ficar?
Olá
ResponderEliminarAdorei ! Adorei ! Adorei *_*
Beijinhos
Catarina
Olá!
ResponderEliminarPeço imensa desculpa por ter vários capitulos em atraso,mas hoje já pos a leitura em dia!!
Adorei!
Aquela conversa do Martim quanto à pilinha foi do melhor, o que me ri a ler!! xD
Agora que as coisas entre a Mariana e o Rúben estão melhores, espero que assim fiquem por muito mais tempo.
Quero mais!
Beijinhos
Afinal o Rubinho pirou-se porque ficou cheio de vergonha, e eu a pensar que ele tinha ficado entusiasmado com a conversa e tinha ido ocupa o tempo com outras coisas...Eu e a minha mente perversa, mas ficaram todos orgulhosos do menino da mamã, afinal parece que também cresceu, e ser pai fez-lhe muito bem, quem diria...
ResponderEliminarO Martim anda a preparar alguma, eu acho que ele anda mesmo é na descoberta, mas vou ficar atenta aos próximos capítulos para ver o que o puto anda a aprontar.
Gostei da atitude da Mariana com a Kika, afinal a criança não tem culpa de ser filha de quem é, e não deixa de ser um grande passo para a Mariana permitir que ela vá assistir a uma consulta e a uma eco para ver o bebé. Adoro ver que o Ruben e a Mariana andam ás mil maravilhas, espero que continuem assim, quanto a mim, adorei este capitulo, mas isso também não é de admirar, são sempre maravilhosos.
Beijocas
Fernanda