Ruben
Assim que a Mariana pediu para mudar a fralda à Inês, senti um
medo avassalador, no fundo sabia que era capaz mas ao mesmo tempo, tinha receio
de fazer alguma coisa mal e magoar a nossa pequenina.
O meu amor foi algo dura mas no fundo compreendo-a, está com dores
e em vez de a ajudar e facilitar, armei-me em esquisito.
A primeira fralda mudada correu bem e nos minutos seguintes babei
completamente, não sei qual das duas a mais bonita, se a mãe ou a filha, só sei
que são as duas igualmente minhas.
Enchi-me de coragem e assim que acabou de mamar, tomei a
iniciativa de a colocar a arrotar, mas não consegui, a Mariana não deu grande
importância, pediu só que a vestisse e deitasse no berço, algo que fiz e fiquei
a observá-la, por muito que olhe não me canso nem um pouco, é um bocado de mim…
O meu amor adormeceu e quando a nossa filha começou a rabujar,
puxei o berço para o meu lado e comecei a falar com ela
- … filha para o papá isto é tudo
novidade por isso tens de dar um desconto… não podes começar logo a chorar
porque preciso de tempo para perceber o que queres…
- É capaz que ela te entenda - olhei e vi a Mariana a sorrir
enternecida
- Pelo menos está caladinha…
- Hum.. hum… dá-lhe mais dois ou três
dias que depois vemos se fica caladinha
- Fica pois… né filha - passei levemente o dedo no seu rosto
- ela sabe que o papá não tem a
experiência da mamã por isso vai facilitar…
- Sim… mor… e há-de ser quando tiver
com cólicas
- Importaste de parar? Estás a
interferir num momento de pai e filha!
- Ai desculpe… - sorriu
***
A menina estava sossegadinha no berço e por isso aproveitei para
mimar a Mariana, afinal temos mesmo que aproveitar todas as oportunidades,
porque agora com dois filhos o tempo a dois será ainda menor.
Estava sentado na beira da cama e a falar com a Mariana quando
bateram na porta e assim que abriram, vi o Martim a correr
- Shiiii - olhou-me - não podes fazer barulho…
- Desculpa… - olhava para o berço mas afastado, o
Martim entrou apressado mas ficou a uma certa distância
- Anda cá - estiquei a mão e assim que a
agarrou, puxei-o para mim, abraçando-o, dei-lhe alguns beijinhos, o que fez com
que risse - vai lá ver a tua mana -
olhou para mim e sem que esperasse agarrou-se ao mesmo pescoço e deu-me um
beijinho seguido de um gosto muito de ti
O piolho afastou-se e foi devagarinho até ao berço, aproveitei
para limpar as lágrimas que se formaram aquando do gesto de carinho que teve
comigo momentos antes e depois cumprimentei a minha mãe, o meu irmão e a minha
cunhada
- Então puto aguentaste firme ou as
pernas tremeram?
- Isso querias tu… - sorri - não… não desmaie que nem um certo menino que quando viu o Rafael caiu
redondo no chão
- Quê? Ouvi bem? - a Mariana meteu-se
- Sim… ouviste… - a Madalena confirmou - este menino achou que o momento do parto não
mexe já que chegue com as nossas emoções, ainda resolveu dar mais emotividade à
coisa e desmaiou na sala de partos
A conversa só não avançou porque a minha mãe quis saber detalhes,
lógico que a Madalena alinhou e passou a ser uma conversa de mulheres, mantive-me
atento ao Martim enquanto falava com o Mauro
- Olhar para um filho, é uma sensação
brutal, não é?
- Nem tenho palavras… mano assim que vi
a nossa filha…
- É eu sei… parece que o mundo já não
interessa…
- Sim…
- E já trocaste a fralda?
- Já…
- Correu bem?
- Acho que sim… a Mariana deu apoio
moral… tenho sorte porque a Mariana tem imensa experiência… sei lá parece que
se torna mais fácil porque sei que tenho do meu lado alguém que sabe fazer…
Mariana
As primeiras visitas entraram e se fui acarinhada pela minha sogra
e cunhados, o mesmo não posso dizer do Martim, que entrou de rompante e só
ligou ao Ruben, para depois ficar de pé ao lado do berço a olhar para a Inês,
ao início não dei grande importância mas com o passar dos minutos, comecei a ficar
triste, o meu piolho, uma parte de mim, não quis nem saber como estava…
- Estás bem? - senti a mão da Madalena na minha
perna
Não consegui falar… simplesmente olhei para o meu irmão e para a
minha filha
- Ai as malvadas das hormonas que dão
cabo de nós…
A Anabela acarinhou-me e só fez com que chorasse mais, naquele
momento o que mais queria era um beijinho do Martim…
- Mor… Mariana - os dedos do Ruben no meu rosto fez
com que saísse do transe em que entrei - não
fiques assim… mor o menino não fez por mal
- Como é que… - interrompeu
- Como é que sei? Porque te conheço - sorriu e uniu os nossos lábios - oh Martim - o menino olhou - a tua mana precisa de muitos miminhos
- Por isso é que o pai tá aí
Senti-me ainda pior… não sei explicar… só sei que deixei cair as
lágrimas e vi o Ruben a aproximar-se do Martim
- Filho não digas isso… amor a mana
está triste porque desde que chegaste ainda nem um beijinho deste
Assim que o Ruben falou, o Martim olhou e depois aproximou-se,
deu-me um beijinho repenicado e
- Deixa de ser mariquinhas eu gosto
muito de ti e só não te dei logo um beijinho porque tavas cheia de gente à tua
volta e depois eu quis conhecer a mana, foi só por isso é que eu disse ao pai
para ele te dar miminhos porque enquanto tá contigo não tá a estorvar eu e a
mana mas eu gosto muito de ti e não é por agora teres uma filha que teve na tua
barriga que vais deixar de ser a minha mamã
Se minutos antes chorei porque senti-me rejeitada, passei a chorar
porque senti-me amada… só sei que tinha vontade de chorar
- Oh pai tá maluca eu só disse coisas
bonitas
- Filho, não ligues… a tua mana ainda
não recuperou do parto, é normal que nos primeiros dias esteja mais sensível e
qualquer coisinha a mete a chorar
- As mulheres são mesmo complicadas - sorri ao ouvi-lo - tá a chorar e a rir…
***
Estava a comer finalmente quando a minha filha começou a rabujar
- Mor é fome? - sorri ao ouvi-lo
- Provavelmente… - voltei a sorrir - e ainda tinhas medo de não entender o choro
da Inês!
- Oh… esta foi fácil porque a
enfermeira disse de quantas em quantas horas a menina tem de comer
A nossa família riu, algo que só não fiz por causa das dores.
Acabei de comer e pedi ao Ruben que me desse a menina, estava a deitar-me de
lado quando
- Nós esperamos lá fora
- Madalena eu quero ficar!
- Martim tem calma… podem ficar todos
Apesar de dar consentimento para que ficassem, tanto a minha sogra
como a Madalena e o Mauro saíram, para nos darem privacidade.
- Agora as tuas maminhas são da mana,
né?
- Sim… agora têm leitinho para a Inês
- Isso quer dizer que agora o pai não
pode mexer nas tuas maminhas
- Martim!
- Oh pai é verdade eu sei que tu mexes
eu já vi
- Vocês importam-se de parar os dois!
Tanto o Ruben como o Martim calaram-se, tinha um de cada lado a
olhar atentamente, algo que não me incomodou.
O meu amor no fim da nossa filha mamar, pediu ao Martim que
chamasse a nossa família enquanto mudava fralda à nossa filha para depois
fazê-la arrotar, o que o deixou todo orgulhoso e a mim a babar, adoro vê-lo a
cuidar da nossa menina.
- Pai posso pegar? - o Ruben olhou-me - Eu sento ali e tu ajudas mas deixa
- Ok… mas tens de ter muito cuidado
- Tá bem
O piolho sentou-se muito direitinho no sofá e esticou os braços
para receber a Inês, deliciei-me por completo ao testemunhar o momento que se
seguiu, o Ruben primeiramente explicou como é que o Martim tinha de colocar os
braços e depois com todo o cuidado meteu a Inês nos braços do meu irmão, ainda
que tenha ficado a segurar a cabecinha e o corpo.
***
- Vamos andando que precisas de
descansar
- Mas ainda é cedo e eu quero ficar
mais um bocadinho
- Martim, voltamos amanhã
- Mas vó eu quero ficar mais um bocadinho
- Martim ficas muito chateado se a mana
pedir que vás embora?
- Porquê que não me queres aqui?
- Oh mor a mana quer mas a mana também
está muito cansada
- Mas eu deixo tu dormires eu não faço
barulho
- Amor não podes ficar a dormir aqui e
nós vamos dormir assim que saírem, vais jantar com a avó Bela e com os tios,
amanhã quando terminares as aulas podes vir logo para aqui e ficas até à noite,
pode ser?
- O pai promete?
- Sim…
O Martim despediu-se do Ruben e depois de mim, para o fim ficou a
Inês que teve direito a umas festinhas e a um beijinho na cabeça, o que nos
enterneceu mais uma vez.
***
A noite foi ligeiramente agitada, já que ao mínimo barulhinho que
a Inês fazia o Ruben levantava-se imediatamente
- Oh mor dorme… tás cheio de sono
- E se precisares de alguma coisa?
- Ruben se a Inês chorar vais ouvi-la
ou então chamo-te mas descasa porque precisas
O Ruben ainda lutou contra o sono mas foi vencido pelo cansaço,
adormeceu e só acordou duas horas depois, isto porque a nossa filha quis comer
e chorou
- Vês como acordas…
- Tinha medo de não acordar…
- Deixa de ser tonto e agora dá aí a
menina
Dei o peito, hoje já me consigo sentar e por isso foi mais fácil,
ainda assim foi o Ruben que trocou a fralda e que a deitou novamente no berço.
- Mor ajuda-me a sair da cama, preciso
de ir à casa de banho
Tive a sua ajuda e ao regressar ao quarto não me deitei logo,
afinal já tinha autorização para estar de pé. Aproximei-me do berço e foi
impossível não sorrir, a nossa filha é linda.
***
Estava a lanchar quando bateram na porta e assim que abriram vi o
Martim
- Mana - deu-me um beijinho e outro ao Ruben
- Como foi a noite?
- Bem… o seu filho é que não dormiu
quase nada…
- É normal, foi a primeira noite - sorriu ao ver o Ruben e o Martim na
brincadeira
A Anabela ainda esteve uns minutos connosco mas acabou por sair,
uma vez que tinha um assunto a tratar, no entanto avisou que regressava para
buscar o Martim.
Estávamos os três na conversa enquanto a Inês dormia quando
bateram novamente na porta e segundos depois vi a Kika
- Posso? - perguntou timidamente
- Podes - sorri ao vê-la de pescoço esticado
na direcção do berço
- Tás bem? - perguntou depois de dar-me um
beijinho
- Sim…
- Eu queria vir ontem mas o meu pai não
deixou disse que era melhor vir só hoje porque ontem tavas muito cansada
- Não faz mal… o que interessa é que
vieste e agora vai lá ver a Inês - sorriu
- Sabes eu fiquei muito contente de
saber que era uma menina, assim posso brincar com ela às bonecas
- Nem penses - o Martim meteu-se - ela vai aprender é a jogar bola comigo e
com o pai
- As meninas não jogam à bola
- Jogam jogam
- Hey… pouco barulho e a Inês pode
muito bem brincar com os dois
- Tá bem… - falaram ao mesmo tempo
Ficamos os dois a observar o Martim e a Kika, estavam
sossegadinhos a olhar a Inês, algo que o meu amor aproveitou para mimar-me,
estava a receber carinhos do Ruben quando
- Mana deixas eu tirar uma foto com o
meu telemóvel à Inês?
- Para quê que queres a foto?
- É para eu poder ver sempre que tiver
em casa… - a resposta da
miúda não convenceu
- Prometes que não mostras a mais
ninguém?
- Sim… - respondeu depois de uns segundos de
hesitação, por isso
- Juras?
- Eu só quero mostrar ao meu papá - confirmei o que temia - eu sei que não gostas dele e eu já percebi
que não posso pedir para que gostes - engoli em seco - mas eu também não gosto de ver o meu papá triste porque não pode ver a
Inês e é só uma foto - olhei para o Ruben
- Mor tu é que sabes…
- Kika, prefiro que não tires nenhuma
foto, a Inês ainda é muito pequenina - a menina ficou triste - depois
o Ruben mostra uma foto ao teu pai, pode ser?
- E pode ser já? Mana o meu papá é que
me trouxe ele tá lá fora à minha espera e o Ruben podia ir lá mostrar
- Queres que vá? - o meu amor falou, isto depois de uns
minutos em que nada disse - Mor…
- Vai… também não quero que a Kika
fique a pensar que sou má pessoa… e depois mais tarde ou mais cedo acabará por
ver a Inês, não a posso proteger eternamente…
- Mariana não digas isso, o Paulo errou
contigo mas pelo que vemos aprendeu e cuida da Kika muito bem…
- Não me interessa… vai antes que me
arrependa!
Ruben
Confesso que não esperava que a Mariana cedesse mas ao mesmo tempo
fiquei contente, o Paulo apesar de tudo merece conhecer a neta, não consigo
negar isso e felizmente a filha deixou.
Assim que abri a porta, o Paulo olhou de imediato
- Boa tarde - falei
- Parabéns pela menina - felicitou-me
- Obrigado… - agarrei no telemóvel e - tome… veja…
Assim que viu a foto, as lágrimas formaram-se nos seus olhos
- É parecida com a Mariana… - falou emocionado
- Sim… é linda a minha princesa - sorri, sou oficialmente um pai
babado - mas pode ver as outras… tem
mais
O Paulo continuou a ver, o que contribuiu para que se emocionasse
ainda mais, principalmente quando viu as fotos em que a Mariana tem a nossa
filha nos braços.
- Correu tudo bem? A primeira noite
como foi?
- Correu bem… foi cesariana e a
primeira noite passou-se… para mim é tudo novidade mas felizmente tenho a
Mariana que percebe muito do assunto e isso tranquiliza-me
- Felicidades… vocês merecem…
***
Regressei ao quarto e tal como esperado, a Mariana não fez uma
única pergunta, respeitei a sua vontade e também não comentei.
- Mana deixas eu pegar na Inês?
- Oh Kika, a Inês está a dormir, pegas
noutro dia pode ser?
- E quando é que eu posso voltar a ver
vocês?
- Quando for para casa vai ser
complicado nos primeiros dias mas depois combinamos e vais passar uma tarde
connosco, pode ser?
- Prometes?
- Prometo… quando tiver melhor e já não
tiver tantas dores, combinamos!
- Tá bem
Os minutos passaram e ouvimos bater na porta, olhei para a Mariana
e fui ver quem era
- Ruben, desculpa mas podes chamar a
Kika, tenho mesmo que ir…
- Sim…
Deixei a porta entreaberta e regressei para junto da Mariana
- Kika, é o teu pai que tem que ir
embora
A menina não relutou, foi até junto do berço e deu um beijinho na
Inês, o que nos fez sorrir, para depois se despedir do Martim e da Mariana
- Posso pedir uma coisa?
- Diz
- Mas promete que não ficas triste
comigo
- Fala!
- Mana deixa o meu pai ver a Inês, não
precisas de ver o meu pai, podes fechar os olhos mas eu sei que ele quer muito
ver a bebé, eu ouvi ele a dizer isso à minha mãe pelo telemóvel… eu sei que ele
fez mal a ti mas isso já foi à muito tempo e o papá está arrependido eu sei que
sim, ele é muito bom para mim e eu não gosto de ver ele triste
A Mariana não respondeu, simplesmente virou a cara à irmã, o que
deixou a miúda triste
- Anda Kika - dei-lhe a mão e acompanhei-a à porta
- não fiques triste… pode ser que um dia
a Mariana consiga perdoar o vosso pai
A menina nada disse, abri a porta e recebi um abraço da Kika,
acompanhado por um beijinho
***
Os três dias passaram e hoje já dormimos em casa, estava a ajudar
a Mariana a vestir a Inês quando uma auxiliar entrou com os papéis da alta, a
pedido do meu amor fui pagar e quando regressei já as tinha à minha espera.
Seguimos para casa e quando chegamos, a Mariana foi direta ao
nosso quarto
- Deito-a no berço?
- Não mete-a aqui na cama… daqui pouco
acorda para mamar
Fiz o que disse, meti a menina na nossa cama e deitei-me,
aproveitamos para fechar os olhos e descansar.
A Inês acordou e a Mariana deu-lhe a mama, depois ainda trocou a
fralda e deitou-a no seu berço
- Anda… - esticou o braço, agarrei a sua mão e
saímos
- Não faz mal deixar a menina sozinha?
- Oh mor está sossegadinha e se chorar
nos ouvimos
Fomos até à cozinha, a Mariana tinha fome, preparei algo rápido e
simples para almoçar e comemos tranquilamente.
As horas seguintes foram calmas, o mesmo não posso dizer depois
que o Martim chegou do colégio, o menino quis porque quis montar a guarda à
Inês e foi um caso dos trabalho convencê-lo a sair do nosso quarto…
Agora
que já são quatro… como será a vida deles?
MAIS!!!!!
ResponderEliminarQuero saber como será a vida deles a quatro e quando poderá o "avô Paulo" conhecer a neta!
Bjokinhas da Pima
Maria
Olá
ResponderEliminarAdoreiiiiiiiiiii *_* E agora os quatro vão continuar a serem muito felizes :)
Quero o próximo !
Beijinhos
Catarina