terça-feira, 3 de março de 2015

088 - "Pai a tua pilinha também cresce?"

Mariana

Acordei cedo mas por incrível que pareça com a sensação que tinha dormido durante dias, a sensação de cansaço extremo que senti nos últimos tempos não está mais presente, não sei se foi a conversa sincera que tive com o Ruben que ajudou ou se foi mesmo só o meu subconsciente a dar-me descanso, só sei que acordei com energia demais e por isso mesmo resolvi preparar o pequeno-almoço.

Coloquei tudo num tabuleiro e levei para o quarto, o meu amor continuava a dormir mas agora agarrado à minha almofada, parecia um miúdo, o que fez com que sorrisse, fiquei uns minutos a observá-lo mas acabei por acordá-lo com beijinhos que foram correspondidos assim que despertou.

- Bom dia - sorriu

- Estás muito bem-disposta!

- E com energia a mais… tanto que preparei o pequeno-almoço…

- Uiii o que é que vais exigir para troca!!!!

- Engraçadinho! Até parece que só te dou mimos quando quero algo em troca!

O Ruben sorriu mas não respondeu, aliás sentou-se na cama para que pudesse colocar o tabuleiro em cima das suas pernas

- Não comes?

- Já comi… o bebé não quis esperar pelo pai…

O Ruben sorriu e depois começou a comer, ainda fiquei algum tempo junto do meu amor mas acabei por afastar-me, tinha que escolher a roupa para vestir e entre o despir o pijama e o vestir a roupa, reparei que o Ruben olhava-me

- Podes parar de olhar! - resmunguei

- Não posso… - falou enquanto saía da cama e se aproximava - estás linda… - confessou abraçado a mim

- Não comeces… Ruben tenho que me despachar ou quando chegar a casa da tua mãe já saíram!

O Ruben largou-me e enquanto terminei de vestir-me, o meu amor acabou de comer para depois também se despachar. Já estava a sair de casa quando o ouvi a pedir que esperasse

- Precisas de alguma coisa?

- Vou contigo!

- Não tens treino?

- Tenho tempo… vamos busca-lo, levamo-lo ao colégio e depois podes sempre assistir ao treino

- Não precisas de fazer essa cara de bebé chorão que convences na mesma!

- Isso quer dizer que alinhas?

- Sim… mas mexes os pés!

Segui na sua frente mas assim que entramos no elevador, o Ruben surpreendeu-me ao aproximar-se demasiado, colocou uma mão no meu rosto e a outra nas minhas costas, segundos foi o tempo que levou até unir os nossos lábios, num beijo carregado de sentimento


e quando terminou, simplesmente sorri e abracei-o, aliás foi assim bem juntinhos que fomos até ao carro do Ruben. Na curta viagem até à casa da Anabela, ainda houve espaço a mais uma troca de mimos, esta ocorreu quando levei a mão à sua perna e o Ruben aproveitou o sinal vermelho para beijar-me novamente

Chegamos e saí de imediato do carro, estava com um problema de grávida, que tinha de resolver o quanto antes, mas o tonto do meu marido resolveu não facilitar e correu atrás de mim, agarrando-me, ainda tentei resmungar mas calou-me com mais um beijo, mas ao contrário dos anteriores que foram ternurentos, este estava mais para o lado do “desespero”, no entanto correspondi, afinal não é só o Ruben que deve estar a sentir falta de alguma “acção”, a verdade é que continuo a desejá-lo mas ao mesmo tempo não me sinto capaz de avançar…

- Pára… - resmunguei ou não fosse o Ruben continuar a dificultar que chegasse o quanto antes à casa de banho

- Ainda temos tempo!

- Fala por ti! - olhou - que quanto a mim se não chego rapidamente à casa de banho isto corre muito mal!!!! - gargalhou - Não tem piada!

- Desculpa - voltou a sorrir - mas anda - entrelaçou os seus dedos nos meus e puxou-me, abriu a porta com as chaves que ainda tem da casa da mãe e não perdi mais tempo

Ruben

Acordei e rapidamente percebi que a noite de sono fez bem à Mariana, estava mais calma e isso reflectiu-se na forma como acordou-me, mas principalmente como deixou que me aproximasse dela, algo que aproveitei, ainda que sem grandes abusos, no entanto não impediu que saciasse algumas das saudades que tenho.
Acabamos por ir até casa da minha mãe, abri a porta para que a Mariana fosse rapidamente à casa de banho e fui para a sala, estava sentado quando entrou, aproximou-se e sentou-se no meu colo

- Mais aliviada?

- Aliviadíssima!!! - gargalhei - Já avisaste que estamos cá?

- Não… Hey onde pensas que vais? - resmunguei assim que tentou sair do meu colo

- Ver do Martim…

- Já vais…

Voltei a beijá-la, afinal tenho de aproveitar antes que lhe dê a travadinha novamente, o meu amor correspondeu e ficámos a trocar algumas carícias e beijos, ainda que inocentes, no entanto foi o suficiente para perdermos a noção do tempo e só quando ouvimos a minha mãe a pedir ao Martim para terminar de comer é que despertamos

- Vamos lá?

- Sim… que não me parece que o Martim esteja a facilitar! - sorri ao ouvi-la

A Mariana saiu do meu colo e fomos até à cozinha, de mãos dadas e quando chegamos à porta

- Martim tens de comer para não chegares atrasado ao colégio!

A Mariana parou de andar e ficamos simplesmente a observar a cena, o Martim insistia que não tinha fome e a minha mãe tentava convencê-lo a comer, o que fez com que sorríssemos e por ter noção que ou se despachava ou chegava atrasado ao colégio

- Mas afinal o que é que se passa aqui? - assim que falei, olharam e o menino saiu da mesa para dar-me um beijinho e outro à irmã

- O pai tá muito contente! - a observação do miúdo fez com que sorrisse ainda mais

- Pois estou! Mas agora vai comer que tens de ir para o colégio

- Tá bem mas depois quero saber porquê que tás contente!

- Temos acordo! - o Martim sorriu e foi comer

- Deu muito trabalho? - a Mariana perguntou assim que a minha mãe se aproximou

- Não…

- Que ideia! - falei - é que nós nem ouvimos a guerra que para aqui ia…

- O Martim ontem portou-se muito bem mas mesmo que não tivesse, só de vos ver hoje assim teria compensado!

- Obrigada por ter ficado com ele

- Mariana não precisas de agradecer, fiquei ontem e ficarei sempre que pedirem, vocês também precisam de tempo para estarem a dois, estão a iniciar a vida em conjunto e nem sempre é fácil.

- Bem está na hora de irmos! - falei para que não começasse numa de dar conselhos, a última coisa que preciso é que massacre a Mariana - Martim vai lavar os dentes e buscar a mochila que temos de te deixar no colégio

- A mana também vai?

- Vou… e agora anda que a mana ajuda
O meu amor seguiu atrás do irmão e assim que fiquei a sós com a minha mãe

- Gosto de vos ver assim - olhei - conseguiram conversar?

- Sim…

- O que é que te incomoda?

- Mãe prefiro não falar sobre isto, são assuntos meus e da Mariana, mas pode ficar tranquila que já nos acertamos

- Só quero o melhor para os dois e sempre te disse que o que precisavam era de falar

Não respondi, porque vi a Mariana a entrar, acompanhada pelo Martim. Despedimo-nos da minha mãe e saímos.

A Mariana voltou a colocar a sua mão na minha perna, o que despertou a curiosidade do Martim que

- A mana já tá boa da cabeça? - olhei para a Mariana

- Já está melhor mas depois falamos, pode ser?

- Tá bem!

Não insistiu e só voltou a falar quando chegamos ao colégio, despediu-se de mim e foi de mão dada com a Mariana até ao portão do colégio.

***

Do colégio fomos diretos ao Seixal, deixei-a no bar e fui equipar-me, para seguir com os meus colegas até ao relvado. Estava a aquecer quando a vi chegar, o meu amor sentou-se na bancada a olhar-nos

- Agora está explicado o sorriso bobo - olhei para o Luisão - já se acertaram?

- Sim… já passou!

A conversa terminou porque iniciamos os exercícios que o mister pediu. O treino correu bem e no final despachei-me rapidamente, afinal tinha a Mariana à minha espera, além disso hoje temos consulta.
Entrei no carro, onde a Mariana já esperava e

- Está tudo bem? - perguntei por a ver a respirar fundo

- Nem por isso… estou entediada!

- Isso daqui a nada passa… quando vires o bebé - sorriu

A conversa manteve-se durante a viagem do Seixal ao hospital e até ao momento que chamaram a Mariana para a consulta, entramos e depois dos primeiros minutos, em que a médica quis saber como está o meu amor, pudemos finalmente ver o nosso bebé. Estávamos de mãos dadas e a olhar para o monitor, quando a médica partilhou connosco que se o bebé não der a volta terá que nascer de cesariana, algo que não incomodou a Mariana e por isso também não quis abordar muito o tema, até porque ainda falta um mês para nascer.

Confesso que estava completamente embevecido e a desejar que o dia em que nasça chegue rapidamente quando a Mariana surpreendeu ao perguntar o sexo do bebé, olhei de imediato, afinal passou a gravidez toda a falar que não queria saber

- Tens a certeza que queres saber? - a médica questionou

- Sim… quero! - falou determinada

- Mor - olhou - queres mesmo ou só o estás a dizer porque sabes que quero saber?

- Deixa de ser convencido!!!! Lá porque queres saber não significa que a minha vontade esteja relacionada com a tua! - sorriu, o que foi suficiente para perceber que estava numa de implicar comigo mas numa de brincadeira - Diga lá o sexo do bebé - falou agora para a médica

Os segundos que esperei até ouvir o que mais quero, pareceram uma eternidade, mas assim que ficamos a saber, foi impossível não sorrir, principalmente porque a Mariana se emocionou p’ra valer e não conseguiu segurar as lágrimas, chorou que se fartou

- Oh mor… - limpei as suas lágrimas e dei-lhe mimos, a Mariana simplesmente sorriu

***

Saímos do hospital e ao contrário do que pensei, não fomos para casa, a Mariana quis enfiar-se num centro comercial, estranhei mas assim que chegamos, percebi, o meu amor foi direta a uma loja de roupa para bebés.
Inevitavelmente sorri e na hora seguinte perdemos completamente a cabeça, sim ao contrário do que sempre defendeu durante a gravidez, a Mariana resolveu comprar tudo para bebé.

- Que foi? - perguntou quando a observava a deliciar-se com uma fatia de tarte de maça, que escolheu para sobremesa

- Nada… - olhou-me nada convencida com a resposta - estou simplesmente feliz porque estás a reagir, a dares importância ao que realmente interessa, a seres tu própria, a deixares que me aproxime de ti, que te toque, que te mime, por cederes na questão de sabermos o sexo antes do nascimento e porque deste-me a oportunidade de opinar sobre o que compraste… - sorriu - amo-te!

- Não prometo que de agora em diante seja sempre assim… mas farei os possíveis para que seja, Ruben o que quero dizer é que tenho noção que ainda estou muito longe de ser a mulher que precisas, porque os fantasmas do passado continuam presentes…

- O que interessa é que estás a lutar para que desapareçam

- Sim mas isso dói…

- Eu sei… mas estarei sempre do teu lado e juntos vamos conseguir!

***

Chegamos a casa e a Mariana não perdeu tempo, foi colocar as roupas que compramos a lavar, enquanto fui arrumar o carrinho. Voltei para junto do meu amor e ajudei-a no que pediu, para depois nos estatelarmos no sofá, onde ficamos até ter que sair para o treino da tarde.
Quando regressei, encontrei a Mariana a descansar no sofá, enquanto lia um livro e o apartamento deveras silencioso

- Mor o Martim?

- Na casa da tua mãe!

- Porquê?

- Porque pedi… mor à hora de o ir buscar deu-me uma moleza que não quis estar a arriscar e conduzir com o sono que tinha

- Queres que o vá buscar?

- Combinei com a tua mãe de jantarmos lá, depois o menino vem connosco.

- Isso significa que estamos sozinhos…

- O que tens em mente? - sorri

- Não precisas de franzir a testa que não estou com essas intenções… não é que… pronto tu sabes - gargalhou - mas neste momento há outro assunto que quero falar contigo e…

- Diz de uma vez!

- Mariana provavelmente vais dizer que não é preciso, que temos muito espaço, mas não penso assim… - interrompeu

- Neste momento não vais convencer-me a sair do apartamento - olhei - Ruben concordo contigo e sim temos que procurar outro sítio para vivermos mas não agora… estou no fim do tempo e sem cabeça para muita coisa, além disso o bebé nos primeiros meses fica no nosso quarto, logo temos tempo para nos organizarmos

- Então concordas em procurarmos casa? - perguntei surpreso, afinal pensei mesmo que fosse negar

- O apartamento dá para os quatro mas se podemos mudar para uma casa maior e desde que não seja um exagero - gargalhei, afinal teve que meter já os travões - não vejo mal nisso, mas como falei temos tempo… não me massacres a cabeça agora com isso, pode ser?

- Sim… mas podemos começar a ver casas - olhou - sem pressão… mais naquela de se aparecer alguma que nos agrade…

- Que melga!

- Ok… já não digo mais nada!

Cumpri com o que disse e no resto da tarde não toquei mais no assunto, o que contribuiu para que adormecêssemos os dois e só acordámos porque o meu telemóvel começou a tocar.

***

- Isto realmente… despacham o puto para a casa da avó e metem-se a dormir! - o Mauro não perdeu a oportunidade de se meter connosco assim que chegamos a casa da minha mãe

- Até parece que não fizeste já o mesmo! - resmunguei

- Por isso mesmo… por o ter feito e teres gozado comigo à força toda é que agora vinguei-me!

Só não ripostei porque a Madalena mandou-nos parar e assim que me sentei ao lado da Mariana, vi o Martim a entrar, já de pijama vestido

- Estás de pijama porquê?

- Oh pai… - o Martim sentou-se ao meu colo e falava muito meigamente - não ralhes comigo mas eu portei-me mal…

- O que é que fizeste?

- Eu tava a brincar com a bola e depois a bola foi para a piscina e eu quis ir buscar e caí

- Não sabes que não podes ir para a piscina sozinho? - repreendi-o

- Mas eu não fui para a piscina… eu caí… é diferente!

Conforme o Martim falou, só vi a Mariana a levantar-se e sair da sala, provavelmente para se rir da resposta do irmão, já que vontade também não me faltou

- Para a próxima pedes ajuda à avó!

- Eu sei… ela já ralhou comigo e eu já prometi não fazer mais

- Acho bem!

O menino não respondeu, mas continuou ao meu colo e com a sua cabeça deitada no meu ombro, o puto estava demasiado quieto e com o passar dos minutos comecei a ficar preocupado, tanto que comentei assim que pude com a Mariana

- Não deve ser nada… sabe que fez asneira e agora está sossegado…

- Não sei… o Martim está muito pensativo…

- Se continuar assim depois falamos com ele

Acabei por abstrair-me e os minutos seguintes foram dedicados à conversa, até a minha mãe chamar para a mesa.

Anabela

Hoje à imitação de ontem fui buscar o Martim, a Mariana pediu-me por estar cansada e não querer conduzir. Não me importei nada, afinal adoro o Martim e sempre que o tenho comigo, é impossível não rir, o miúdo é um doce.

A tarde foi animada e terminou com o Martim dentro da banheira, uma vez que caiu à piscina. Ralhei com ele e no fim fiquei com um peso na consciência, o menino ficou mesmo sentido comigo, mas ao mesmo tempo fiz o que tinha de ser feito, enfim…

O jantar foi animado, aliás como é sempre que tenho os meus dois filhos sentados na mesma mesa, dei comigo a recordar alguns momentos da infância deles, mas também reparei que o Martim continuava pensativo, algo que o Ruben também percebeu e quando regressamos para a sala, puxou o filho para o seu colo e

- Diz ao pai o que é que tens

- Tens a certeza que posso dizer?

Assim que o Martim falou, fez-se silêncio na sala, acho que ficamos todos curiosos, afinal é o Martim e da cabeça dele nunca se sabe o que sai, ainda assim o meu filho insistiu, ao alegar que está entre família e por isso pode falar mas…

- Pai a tua pilinha também cresce?

Conforme o Martim fez a pergunta, também o Ruben reagiu

- QUÊ???

Lógico que tivemos todos que fazer um esforço para não gargalhar, perante o ar de anjo do Martim ao fazer a pergunta mas acima de tudo pela atrapalhação do Ruben, algo que o menino não se incomodou, tanto que

- Tou a perguntar se a tua pilinha também cresce…

- Oh Martim, percebi à primeira!

- Então porquê que não respondeste?

- Porque… olha porque não esperava a pergunta…

- Mas podes responder?

- Isto não são coisas para se dizer! Muito menos para se perguntar!

- Eu perguntei ao pai se podia dizer e o pai disse que sim por isso agora eu quero saber se a tua pilinha também cresce como a minha

Quanto mais o miúdo falava mais vontade tinha de rir, confesso que nunca esperei presenciar um momento destes, mas o que surpreendeu foi mesmo a reacção do Ruben que após o choque inicial, respirou fundo e

- Porquê que estás a perguntar isso?

- Porque quando caí na piscina a avó Bela quis dar banho mas eu pedi para tomar sozinho e quando tava a lavar a minha pilinha ela cresceu e agora quando eu mexo acontece isso, queres ver…

- Não!!! Martim, deixa estar! - se até aqui a Mariana se aguentou, assim que o Ruben reagiu, gargalhou, o que não intimidou o irmão, já que

- Oh mana porquê que a minha pilinha cresce quando eu mexo?

- O teu pai que explique - a Mariana descartou-se - afinal ele é que tem uma pilinha… - a minha nora colocou mais lenha na fogueira - Sim que ai e tal sou teu pai, és meu filho, o pai ajuda nos trabalhos, o pai prepara o lanche, leva e vai buscar ao colégio, brinca e mete de castigo quando tem de ser mas na hora da verdade só não cava um buraco porque não pode!

- Vais continuar?

- Eu?! Não! Tu sim! - o Ruben olhava-a - Amor o teu filho continua à espera de resposta

Com a resposta da Mariana, não aguentei mais e também gargalhei, acompanhada pelo Mauro e pela Madalena, afinal por muito que não quiséssemos rir, a atrapalhação do Ruben fez-nos rir

- Oh Martim, isso acontece mas não te sei explicar porquê…

- Ai não sabes?! - a Mariana respondeu divertidíssima - Tens a certeza…

- Oh mor…

- Ser pai também é responder a este tipo de perguntas com sinceridade - falou tranquilamente - e tens de concordar que dos dois és o que tem mais conhecimento da matéria… sim que tanto quanto sei não tenho pilinha!

- Como queres que… tipo… é só uma criança!

- Por isso é que tens de abordar o tema de forma simples mas esclarecedora

O Martim manteve-se atento à conversa da Mariana e do Ruben, mas como ainda não tinham respondido, não desistiu e

- O pai e a mana ainda não responderam

- Isto é uma conversa de homens, por isso estou fora!

- Mor…

- Oh Ruben não compliques o que é muito simples…

- Pai - o Martim provavelmente ia insistir mas o Ruben antecipou-se e nos minutos seguintes fiquei deveras babada a olhar para o meu filho e neto, percebi o quanto o Martim o fez crescer

- Martim não sei bem como explicar o que queres saber

- Eu só quero saber porquê que agora a minha pilinha cresce sempre que brinco com ela!

- Piolho, a pilinha reage sempre que se mexe nela, é algo que acontece com todos os meninos, é normal, não te sei explicar o porquê, só sei que acontece!

- Também aconteceu contigo?

Foi notório o constrangimento do Ruben e talvez por isso resistimos em gargalhar

- Sim…

- E também gostavas de brincar com a pilinha - o meu filho olhou o menino escandalizado - é giro ver ela crescer

- Martim, não podes brincar com a pilinha só porque achas giro… muito menos quando estás com outras pessoas, entendes?

- E quando tou sozinho posso brincar?

- Martim a pilinha não é um brinquedo… por isso não podes andar por ai a brincar com ela, mesmo que estejas sozinho!

- Tá bem…- o Martim esteve calado por uns segundos mas quando pensamos  que a tortura para o Ruben já tinha terminado, eis que - pai tu também brincas com a tua?

- Acabou a conversa! - a pronta resposta do Ruben só serviu para

- Tu não queres é dizer que também brincas, porque depois não podes dizer para eu não brincar com a minha.

O Ruben olhou para a Mariana, talvez por não saber como sair da situação, o certo é que a minha nora voltou a demonstrar a tremenda capacidade que tem em lidar com as perguntas mais impertinentes das crianças

- Martim, é normal que tenhas curiosidade sobre este assunto e mesmo que o Ruben te responda vai haver sempre mais alguma coisa que queres saber, isso faz parte do teu crescimento, o teu corpo com o passar dos anos vai mudar, vais começar a sentir isso e provavelmente haverá alturas que deixarás de achar piada ao facto da pilinha crescer, porque agora cresce se mexeres mas quando fores maior vai crescer por outros motivos que podes controlar ou não, entendes?

- Não… mana porquê que a pilinha cresce? E porquê que quando for maior pode crescer sem eu mexer nela?

- Martim é complicado explicar-te isso… só vais entender quando fores maior, faz parte do teu crescimento

- Mas podes tentar explicar?

A conversa estava a ser entre a Mariana e o irmão, naquele momento eramos meros espectadores e se à momentos tinha vontade de rir, agora estava mesmo atenta, a Mariana tem sempre uma capacidade enorme de elucidar o irmão

- Agora cresce porque mexes nela e isso é normal que aconteça, porque é a forma como o corpo reage e continuará sempre a reagir, mesmo quando fores crescido como o Ruben, mas a pilinha também pode crescer por outros motivos, por exemplo enquanto dormes ou quando já fores maior e gostares de uma menina

- Então a pilinha do Ruben cresce porque ele gosta de ti? - sorri ao ouvi-lo

- Sim…

- E a mana brinca com a pilinha do pai? - a Mariana olhou o Ruben e surpreendentemente respondeu

- Sim… é normal que isso aconteça porque nós gostamos muito um do outro, entre nós não há segredos, somos um casal e é normal que veja o Ruben nu, que tome banho com ele, que toque no seu corpo, como também é normal o inverso, faz parte da vida a dois… quando fores adulto vais perceber melhor e já não te fará confusão.

O menino não insistiu mais e na primeira oportunidade que teve, o Ruben saiu da sala…

O Ruben foi onde? E será que o Martim não voltará ao tema?

E o bebé do Ruben e da Mariana será menino ou menina?

Como será os próximos dias?


3 comentários:

  1. Ai oh prima que eu morro com falta de ar de tanto rir!
    Adorei a conversa de pai e filho!!!
    Mas o que eu quero mesmo é saber o sexo da criança!
    Next!!!!
    Bjokinhas da prima
    Maria

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  2. Olá

    Parti-me a rir com a pergunta do Martin ! O Rúben e a Mariana são tão fofinhos um com o outro *_*

    Quero saber se é menino ou menina, mas tenho o palpite que seja uma menina ....

    Próximo !


    Beijinhos


    Catarina

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  3. Olá!

    Adorei, e ri que nem uma perdida. bem o Martim tá a sair melhor do que a encomenda, por esta o Ruben não esperava, mas não deixa de ser uma pergunta perfeitamente normal, afinal o miúdo está a crescer, mas ele perguntar ao Ruben se ele também brinca com a dele, essa foi demais.
    Gostei da mudança de ideias da Mariana em finalmente querer saber o sexo da criança, em relação a uma das perguntas no final do capitulo, tu não me digas que o Ruben saiu da sala para ir "brincar" um bocadinho...
    Beijocas

    Fernanda

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