Mariana
Acordei cedo mas por incrível que pareça com a
sensação que tinha dormido durante dias, a sensação de cansaço extremo que senti
nos últimos tempos não está mais presente, não sei se foi a conversa sincera
que tive com o Ruben que ajudou ou se foi mesmo só o meu subconsciente a dar-me
descanso, só sei que acordei com energia demais e por isso mesmo resolvi
preparar o pequeno-almoço.
Coloquei tudo num tabuleiro e levei para o quarto, o
meu amor continuava a dormir mas agora agarrado à minha almofada, parecia um
miúdo, o que fez com que sorrisse, fiquei uns minutos a observá-lo mas acabei
por acordá-lo com beijinhos que foram correspondidos assim que despertou.
-
Bom dia - sorriu
-
Estás
muito bem-disposta!
- E
com energia a mais… tanto que preparei o pequeno-almoço…
-
Uiii o que é que vais exigir para troca!!!!
-
Engraçadinho! Até parece que só te dou mimos quando quero algo em troca!
O Ruben sorriu mas não respondeu, aliás sentou-se na
cama para que pudesse colocar o tabuleiro em cima das suas pernas
-
Não comes?
-
Já comi… o bebé não quis esperar pelo pai…
O Ruben sorriu e depois começou a comer, ainda
fiquei algum tempo junto do meu amor mas acabei por afastar-me, tinha que
escolher a roupa para vestir e entre o despir o pijama e o vestir a roupa,
reparei que o Ruben olhava-me
-
Podes parar de olhar! - resmunguei
-
Não posso… - falou enquanto
saía da cama e se aproximava - estás linda… - confessou abraçado a mim
-
Não comeces… Ruben tenho que me despachar ou quando chegar a casa da tua mãe já
saíram!
O Ruben largou-me e enquanto terminei de vestir-me,
o meu amor acabou de comer para depois também se despachar. Já estava a sair de
casa quando o ouvi a pedir que esperasse
-
Precisas de alguma coisa?
-
Vou contigo!
-
Não tens treino?
-
Tenho tempo… vamos busca-lo, levamo-lo ao colégio e depois podes sempre
assistir ao treino
-
Não precisas de fazer essa cara de bebé chorão que convences na mesma!
-
Isso quer dizer que alinhas?
-
Sim… mas mexes os pés!
Segui na sua frente mas assim que entramos no
elevador, o Ruben surpreendeu-me ao aproximar-se demasiado, colocou uma mão no
meu rosto e a outra nas minhas costas, segundos foi o tempo que levou até unir
os nossos lábios, num beijo carregado de sentimento
e quando terminou, simplesmente sorri e abracei-o,
aliás foi assim bem juntinhos que fomos até ao carro do Ruben. Na curta viagem
até à casa da Anabela, ainda houve espaço a mais uma troca de mimos, esta
ocorreu quando levei a mão à sua perna e o Ruben aproveitou o sinal vermelho
para beijar-me novamente
Chegamos e saí de imediato do carro, estava com um
problema de grávida, que tinha de resolver o quanto antes, mas o tonto do meu
marido resolveu não facilitar e correu atrás de mim, agarrando-me, ainda tentei
resmungar mas calou-me com mais um beijo, mas ao contrário dos anteriores que
foram ternurentos, este estava mais para o lado do “desespero”, no entanto
correspondi, afinal não é só o Ruben que deve estar a sentir falta de alguma
“acção”, a verdade é que continuo a desejá-lo mas ao mesmo tempo não me sinto
capaz de avançar…
-
Pára… - resmunguei ou não fosse o
Ruben continuar a dificultar que chegasse o quanto antes à casa de banho
-
Ainda temos tempo!
-
Fala por ti! - olhou - que
quanto a mim se não chego rapidamente à casa de banho isto corre muito mal!!!! -
gargalhou - Não tem piada!
-
Desculpa - voltou a sorrir - mas
anda - entrelaçou os seus dedos nos meus e puxou-me, abriu a porta com as
chaves que ainda tem da casa da mãe e não perdi mais tempo
Ruben
Acordei e rapidamente percebi que a noite de sono
fez bem à Mariana, estava mais calma e isso reflectiu-se na forma como
acordou-me, mas principalmente como deixou que me aproximasse dela, algo que
aproveitei, ainda que sem grandes abusos, no entanto não impediu que saciasse
algumas das saudades que tenho.
Acabamos por ir até casa da minha mãe, abri a porta
para que a Mariana fosse rapidamente à casa de banho e fui para a sala, estava
sentado quando entrou, aproximou-se e sentou-se no meu colo
-
Mais aliviada?
-
Aliviadíssima!!! - gargalhei - Já
avisaste que estamos cá?
-
Não… Hey onde pensas que vais? - resmunguei
assim que tentou sair do meu colo
-
Ver do Martim…
-
Já vais…
Voltei a beijá-la, afinal tenho de aproveitar antes
que lhe dê a travadinha novamente, o meu amor correspondeu e ficámos a trocar
algumas carícias e beijos, ainda que inocentes, no entanto foi o suficiente
para perdermos a noção do tempo e só quando ouvimos a minha mãe a pedir ao
Martim para terminar de comer é que despertamos
-
Vamos lá?
-
Sim… que não me parece que o Martim esteja a facilitar! - sorri ao ouvi-la
A Mariana saiu do meu colo e fomos até à cozinha, de
mãos dadas e quando chegamos à porta
-
Martim
tens de comer para não chegares atrasado ao colégio!
A Mariana parou de andar e ficamos simplesmente a
observar a cena, o Martim insistia que não tinha fome e a minha mãe tentava
convencê-lo a comer, o que fez com que sorríssemos e por ter noção que ou se
despachava ou chegava atrasado ao colégio
-
Mas afinal o que é que se passa aqui? - assim que
falei, olharam e o menino saiu da mesa para dar-me um beijinho e outro à irmã
- O
pai tá muito contente! - a observação
do miúdo fez com que sorrisse ainda mais
-
Pois estou! Mas agora vai comer que tens de ir para o colégio
-
Tá bem mas depois quero saber porquê que tás contente!
-
Temos acordo! - o Martim
sorriu e foi comer
-
Deu muito trabalho? - a Mariana
perguntou assim que a minha mãe se aproximou
-
Não…
-
Que ideia! - falei - é
que nós nem ouvimos a guerra que para aqui ia…
- O
Martim ontem portou-se muito bem mas mesmo que não tivesse, só de vos ver hoje
assim teria compensado!
-
Obrigada por ter ficado com ele
-
Mariana não precisas de agradecer, fiquei ontem e ficarei sempre que pedirem,
vocês também precisam de tempo para estarem a dois, estão a iniciar a vida em
conjunto e nem sempre é fácil.
-
Bem está na hora de irmos! - falei para
que não começasse numa de dar conselhos, a última coisa que preciso é que
massacre a Mariana - Martim vai lavar os dentes e buscar a mochila que temos
de te deixar no colégio
- A
mana também vai?
-
Vou… e agora anda que a mana ajuda
O meu amor seguiu atrás do irmão e assim que fiquei
a sós com a minha mãe
- Gosto
de vos ver assim - olhei - conseguiram
conversar?
-
Sim…
- O
que é que te incomoda?
-
Mãe prefiro não falar sobre isto, são assuntos meus e da Mariana, mas pode
ficar tranquila que já nos acertamos
-
Só quero o melhor para os dois e sempre te disse que o que precisavam era de
falar
Não respondi, porque vi a Mariana a entrar,
acompanhada pelo Martim. Despedimo-nos da minha mãe e saímos.
A Mariana voltou a colocar a sua mão na minha perna,
o que despertou a curiosidade do Martim que
- A
mana já tá boa da cabeça? - olhei para a
Mariana
-
Já está melhor mas depois falamos, pode ser?
-
Tá bem!
Não insistiu e só voltou a falar quando chegamos ao
colégio, despediu-se de mim e foi de mão dada com a Mariana até ao portão do
colégio.
***
Do colégio fomos diretos ao Seixal, deixei-a no bar
e fui equipar-me, para seguir com os meus colegas até ao relvado. Estava a
aquecer quando a vi chegar, o meu amor sentou-se na bancada a olhar-nos
-
Agora está explicado o sorriso bobo - olhei para o
Luisão - já se acertaram?
-
Sim… já passou!
A conversa terminou porque iniciamos os exercícios
que o mister pediu. O treino correu bem e no final despachei-me rapidamente, afinal
tinha a Mariana à minha espera, além disso hoje temos consulta.
Entrei no carro, onde a Mariana já esperava e
-
Está tudo bem? -
perguntei por a ver a respirar fundo
-
Nem por isso… estou entediada!
-
Isso daqui a nada passa… quando vires o bebé - sorriu
A conversa manteve-se durante a
viagem do Seixal ao hospital e até ao momento que chamaram a Mariana para a
consulta, entramos e depois dos primeiros minutos, em que a médica quis saber
como está o meu amor, pudemos finalmente ver o nosso bebé. Estávamos de mãos
dadas e a olhar para o monitor, quando a médica partilhou connosco que se o bebé
não der a volta terá que nascer de cesariana, algo que não incomodou a Mariana
e por isso também não quis abordar muito o tema, até porque ainda falta um mês
para nascer.
Confesso que estava completamente
embevecido e a desejar que o dia em que nasça chegue rapidamente quando a
Mariana surpreendeu ao perguntar o sexo do bebé, olhei de imediato, afinal
passou a gravidez toda a falar que não queria saber
-
Tens a certeza que queres saber?
- a médica questionou
-
Sim… quero! - falou
determinada
-
Mor - olhou - queres mesmo ou só o estás a dizer porque
sabes que quero saber?
-
Deixa de ser convencido!!!! Lá porque queres saber não significa que a minha
vontade esteja relacionada com a tua!
- sorriu, o que foi suficiente para perceber que estava numa de implicar comigo
mas numa de brincadeira - Diga lá o sexo
do bebé - falou agora para a médica
Os segundos que esperei até ouvir o
que mais quero, pareceram uma eternidade, mas assim que ficamos a saber, foi
impossível não sorrir, principalmente porque a Mariana se emocionou p’ra valer
e não conseguiu segurar as lágrimas, chorou que se fartou
-
Oh mor… - limpei as
suas lágrimas e dei-lhe mimos, a Mariana simplesmente sorriu
***
Saímos do hospital e ao contrário do
que pensei, não fomos para casa, a Mariana quis enfiar-se num centro comercial,
estranhei mas assim que chegamos, percebi, o meu amor foi direta a uma loja de
roupa para bebés.
Inevitavelmente sorri e na hora
seguinte perdemos completamente a cabeça, sim ao contrário do que sempre defendeu
durante a gravidez, a Mariana resolveu comprar tudo para bebé.
-
Que foi? -
perguntou quando a observava a deliciar-se com uma fatia de tarte de maça, que escolheu
para sobremesa
-
Nada… - olhou-me
nada convencida com a resposta - estou
simplesmente feliz porque estás a reagir, a dares importância ao que realmente
interessa, a seres tu própria, a deixares que me aproxime de ti, que te toque,
que te mime, por cederes na questão de sabermos o sexo antes do nascimento e
porque deste-me a oportunidade de opinar sobre o que compraste… - sorriu - amo-te!
-
Não prometo que de agora em diante seja sempre assim… mas farei os possíveis
para que seja, Ruben o que quero dizer é que tenho noção que ainda estou muito
longe de ser a mulher que precisas, porque os fantasmas do passado continuam
presentes…
-
O que interessa é que estás a lutar para que desapareçam
-
Sim mas isso dói…
-
Eu sei… mas estarei sempre do teu lado e juntos vamos conseguir!
***
Chegamos a casa e a Mariana não
perdeu tempo, foi colocar as roupas que compramos a lavar, enquanto fui arrumar
o carrinho. Voltei para junto do meu amor e ajudei-a no que pediu, para depois
nos estatelarmos no sofá, onde ficamos até ter que sair para o treino da tarde.
Quando regressei, encontrei a
Mariana a descansar no sofá, enquanto lia um livro e o apartamento deveras
silencioso
-
Mor o Martim?
-
Na casa da tua mãe!
-
Porquê?
-
Porque pedi… mor à hora de o ir buscar deu-me uma moleza que não quis estar a
arriscar e conduzir com o sono que tinha
-
Queres que o vá buscar?
-
Combinei com a tua mãe de jantarmos lá, depois o menino vem connosco.
-
Isso significa que estamos sozinhos…
-
O que tens em mente?
- sorri
-
Não precisas de franzir a testa que não estou com essas intenções… não é que…
pronto tu sabes -
gargalhou - mas neste momento há outro
assunto que quero falar contigo e…
-
Diz de uma vez!
-
Mariana provavelmente vais dizer que não é preciso, que temos muito espaço, mas
não penso assim… -
interrompeu
-
Neste momento não vais convencer-me a sair do apartamento - olhei - Ruben concordo contigo e sim temos que procurar outro sítio para
vivermos mas não agora… estou no fim do tempo e sem cabeça para muita coisa,
além disso o bebé nos primeiros meses fica no nosso quarto, logo temos tempo
para nos organizarmos
-
Então concordas em procurarmos casa?
- perguntei surpreso, afinal pensei mesmo que fosse negar
-
O apartamento dá para os quatro mas se podemos mudar para uma casa maior e
desde que não seja um exagero
- gargalhei, afinal teve que meter já os travões - não vejo mal nisso, mas como falei temos tempo… não me massacres a
cabeça agora com isso, pode ser?
-
Sim… mas podemos começar a ver casas
- olhou - sem pressão… mais naquela de
se aparecer alguma que nos agrade…
-
Que melga!
-
Ok… já não digo mais nada!
Cumpri com o que disse e no resto da
tarde não toquei mais no assunto, o que contribuiu para que adormecêssemos os
dois e só acordámos porque o meu telemóvel começou a tocar.
***
-
Isto realmente… despacham o puto para a casa da avó e metem-se a dormir! - o Mauro não perdeu a oportunidade
de se meter connosco assim que chegamos a casa da minha mãe
-
Até parece que não fizeste já o mesmo!
- resmunguei
-
Por isso mesmo… por o ter feito e teres gozado comigo à força toda é que agora vinguei-me!
Só não ripostei porque a Madalena
mandou-nos parar e assim que me sentei ao lado da Mariana, vi o Martim a
entrar, já de pijama vestido
-
Estás de pijama porquê?
-
Oh pai… - o Martim
sentou-se ao meu colo e falava muito meigamente - não ralhes comigo mas eu portei-me mal…
-
O que é que fizeste?
-
Eu tava a brincar com a bola e depois a bola foi para a piscina e eu quis ir
buscar e caí
-
Não sabes que não podes ir para a piscina sozinho? - repreendi-o
-
Mas eu não fui para a piscina… eu caí… é diferente!
Conforme o Martim falou, só vi a
Mariana a levantar-se e sair da sala, provavelmente para se rir da resposta do
irmão, já que vontade também não me faltou
-
Para a próxima pedes ajuda à avó!
-
Eu sei… ela já ralhou comigo e eu já prometi não fazer mais
-
Acho bem!
O menino não respondeu, mas
continuou ao meu colo e com a sua cabeça deitada no meu ombro, o puto estava
demasiado quieto e com o passar dos minutos comecei a ficar preocupado, tanto
que comentei assim que pude com a Mariana
-
Não deve ser nada… sabe que fez asneira e agora está sossegado…
-
Não sei… o Martim está muito pensativo…
-
Se continuar assim depois falamos com ele
Acabei por abstrair-me e os minutos
seguintes foram dedicados à conversa, até a minha mãe chamar para a mesa.
Anabela
Hoje à imitação de ontem fui buscar
o Martim, a Mariana pediu-me por estar cansada e não querer conduzir. Não me
importei nada, afinal adoro o Martim e sempre que o tenho comigo, é impossível
não rir, o miúdo é um doce.
A tarde foi animada e terminou com o
Martim dentro da banheira, uma vez que caiu à piscina. Ralhei com ele e no fim
fiquei com um peso na consciência, o menino ficou mesmo sentido comigo, mas ao
mesmo tempo fiz o que tinha de ser feito, enfim…
O jantar foi animado, aliás como é
sempre que tenho os meus dois filhos sentados na mesma mesa, dei comigo a
recordar alguns momentos da infância deles, mas também reparei que o Martim
continuava pensativo, algo que o Ruben também percebeu e quando regressamos
para a sala, puxou o filho para o seu colo e
-
Diz ao pai o que é que tens
-
Tens a certeza que posso dizer?
Assim que o Martim falou, fez-se
silêncio na sala, acho que ficamos todos curiosos, afinal é o Martim e da
cabeça dele nunca se sabe o que sai, ainda assim o meu filho insistiu, ao alegar
que está entre família e por isso pode falar mas…
-
Pai a tua pilinha também cresce?
Conforme o Martim fez a pergunta,
também o Ruben reagiu
-
QUÊ???
Lógico que tivemos todos que fazer
um esforço para não gargalhar, perante o ar de anjo do Martim ao fazer a
pergunta mas acima de tudo pela atrapalhação do Ruben, algo que o menino não se
incomodou, tanto que
-
Tou a perguntar se a tua pilinha também cresce…
-
Oh Martim, percebi à primeira!
-
Então porquê que não respondeste?
-
Porque… olha porque não esperava a pergunta…
-
Mas podes responder?
-
Isto não são coisas para se dizer! Muito menos para se perguntar!
-
Eu perguntei ao pai se podia dizer e o pai disse que sim por isso agora eu
quero saber se a tua pilinha também cresce como a minha
Quanto mais o miúdo falava mais
vontade tinha de rir, confesso que nunca esperei presenciar um momento destes, mas
o que surpreendeu foi mesmo a reacção do Ruben que após o choque inicial,
respirou fundo e
-
Porquê que estás a perguntar isso?
-
Porque quando caí na piscina a avó Bela quis dar banho mas eu pedi para tomar
sozinho e quando tava a lavar a minha pilinha ela cresceu e agora quando eu
mexo acontece isso, queres ver…
-
Não!!! Martim, deixa estar!
- se até aqui a Mariana se aguentou, assim que o Ruben reagiu, gargalhou, o que
não intimidou o irmão, já que
-
Oh mana porquê que a minha pilinha cresce quando eu mexo?
-
O teu pai que explique
- a Mariana descartou-se - afinal ele é
que tem uma pilinha… - a minha nora colocou mais lenha na fogueira - Sim que ai e tal sou teu pai, és meu
filho, o pai ajuda nos trabalhos, o pai prepara o lanche, leva e vai buscar ao
colégio, brinca e mete de castigo quando tem de ser mas na hora da verdade só
não cava um buraco porque não pode!
-
Vais continuar?
-
Eu?! Não! Tu sim! -
o Ruben olhava-a - Amor o teu filho
continua à espera de resposta
Com a resposta da Mariana, não
aguentei mais e também gargalhei, acompanhada pelo Mauro e pela Madalena,
afinal por muito que não quiséssemos rir, a atrapalhação do Ruben fez-nos rir
-
Oh Martim, isso acontece mas não te sei explicar porquê…
-
Ai não sabes?! - a
Mariana respondeu divertidíssima - Tens
a certeza…
-
Oh mor…
-
Ser pai também é responder a este tipo de perguntas com sinceridade - falou tranquilamente - e tens de concordar que dos dois és o que tem
mais conhecimento da matéria… sim que tanto quanto sei não tenho pilinha!
-
Como queres que… tipo… é só uma criança!
-
Por isso é que tens de abordar o tema de forma simples mas esclarecedora
O Martim manteve-se atento à
conversa da Mariana e do Ruben, mas como ainda não tinham respondido, não
desistiu e
-
O pai e a mana ainda não responderam
-
Isto é uma conversa de homens, por isso estou fora!
-
Mor…
-
Oh Ruben não compliques o que é muito simples…
-
Pai - o Martim
provavelmente ia insistir mas o Ruben antecipou-se e nos minutos seguintes
fiquei deveras babada a olhar para o meu filho e neto, percebi o quanto o
Martim o fez crescer
-
Martim não sei bem como explicar o que queres saber
-
Eu só quero saber porquê que agora a minha pilinha cresce sempre que brinco com
ela!
-
Piolho, a pilinha reage sempre que se mexe nela, é algo que acontece com todos
os meninos, é normal, não te sei explicar o porquê, só sei que acontece!
-
Também aconteceu contigo?
Foi notório o constrangimento do
Ruben e talvez por isso resistimos em gargalhar
-
Sim…
-
E também gostavas de brincar com a pilinha - o meu filho olhou o menino escandalizado - é giro ver ela crescer
-
Martim, não podes brincar com a pilinha só porque achas giro… muito menos
quando estás com outras pessoas, entendes?
-
E quando tou sozinho posso brincar?
-
Martim a pilinha não é um brinquedo… por isso não podes andar por ai a brincar
com ela, mesmo que estejas sozinho!
-
Tá bem…- o Martim
esteve calado por uns segundos mas quando pensamos que a tortura para o Ruben
já tinha terminado, eis que - pai tu
também brincas com a tua?
-
Acabou a conversa!
- a pronta resposta do Ruben só serviu para
-
Tu não queres é dizer que também brincas, porque depois não podes dizer para eu
não brincar com a minha.
O Ruben olhou para a Mariana, talvez
por não saber como sair da situação, o certo é que a minha nora voltou a
demonstrar a tremenda capacidade que tem em lidar com as perguntas mais impertinentes
das crianças
-
Martim, é normal que tenhas curiosidade sobre este assunto e mesmo que o Ruben
te responda vai haver sempre mais alguma coisa que queres saber, isso faz parte
do teu crescimento, o teu corpo com o passar dos anos vai mudar, vais começar a
sentir isso e provavelmente haverá alturas que deixarás de achar piada ao facto
da pilinha crescer, porque agora cresce se mexeres mas quando fores maior vai
crescer por outros motivos que podes controlar ou não, entendes?
-
Não… mana porquê que a pilinha cresce? E porquê que quando for maior pode
crescer sem eu mexer nela?
-
Martim é complicado explicar-te isso… só vais entender quando fores maior, faz
parte do teu crescimento
-
Mas podes tentar explicar?
A conversa estava a ser entre a
Mariana e o irmão, naquele momento eramos meros espectadores e se à momentos
tinha vontade de rir, agora estava mesmo atenta, a Mariana tem sempre uma
capacidade enorme de elucidar o irmão
-
Agora cresce porque mexes nela e isso é normal que aconteça, porque é a forma
como o corpo reage e continuará sempre a reagir, mesmo quando fores crescido
como o Ruben, mas a pilinha também pode crescer por outros motivos, por exemplo
enquanto dormes ou quando já fores maior e gostares de uma menina
-
Então a pilinha do Ruben cresce porque ele gosta de ti? - sorri ao ouvi-lo
-
Sim…
-
E a mana brinca com a pilinha do pai?
- a Mariana olhou o Ruben e surpreendentemente respondeu
-
Sim… é normal que isso aconteça porque nós gostamos muito um do outro, entre
nós não há segredos, somos um casal e é normal que veja o Ruben nu, que tome
banho com ele, que toque no seu corpo, como também é normal o inverso, faz
parte da vida a dois… quando fores adulto vais perceber melhor e já não te fará
confusão.
O menino não insistiu mais e na
primeira oportunidade que teve, o Ruben saiu da sala…
O Ruben foi onde? E será que o
Martim não voltará ao tema?
E o bebé do Ruben e da Mariana será menino ou menina?
Como será os próximos dias?

Ai oh prima que eu morro com falta de ar de tanto rir!
ResponderEliminarAdorei a conversa de pai e filho!!!
Mas o que eu quero mesmo é saber o sexo da criança!
Next!!!!
Bjokinhas da prima
Maria
Olá
ResponderEliminarParti-me a rir com a pergunta do Martin ! O Rúben e a Mariana são tão fofinhos um com o outro *_*
Quero saber se é menino ou menina, mas tenho o palpite que seja uma menina ....
Próximo !
Beijinhos
Catarina
Olá!
ResponderEliminarAdorei, e ri que nem uma perdida. bem o Martim tá a sair melhor do que a encomenda, por esta o Ruben não esperava, mas não deixa de ser uma pergunta perfeitamente normal, afinal o miúdo está a crescer, mas ele perguntar ao Ruben se ele também brinca com a dele, essa foi demais.
Gostei da mudança de ideias da Mariana em finalmente querer saber o sexo da criança, em relação a uma das perguntas no final do capitulo, tu não me digas que o Ruben saiu da sala para ir "brincar" um bocadinho...
Beijocas
Fernanda